domingo, 13 de outubro de 2019
Little monsters
"Little monsters", de Abe Forsythe (2019)
Imaginem uma mistura insana de 3 clássicos do Cinema completamente distintos um do outro: "A noviça rebelde", "A vida é bela"e "Todo mundo quase morto". Misturar musical com filmes de zumbis e fábula infantil em tempos de guerra parece ser uma insanidade, mas não para o escritor e diretor australiano Abe Forsythe. Em seu segundo longa, Abe investe pesado em um filme de zumbis com pano de fundo infantil, inspirado na professora de jardim de infância de seu filho pequeno.
Lupita Nyong'o parece querer reinar no posto de heroínas de filmes de terror, após o grande sucesso de "Nós", de Jordan Peele. Em "Little monsters", ela interpreta Caroline, uma professora de uma turma de jardim de infância que leva seus pequenos para uma excursão nos arredores de Sidney. Junto dela, vai o tio de um dos alunos, Dave (Alexander England), deprimido pelo fim de um relacionamento. Dave, um eterno garotão que não quer ter responsabilidades, é um cantor de rock metal e se apaixona de imediato por Caroline. O que eles não esperavam, é que o acampamento está infestado de zumbis, fugidos de uma base militar. E os zumbis também não esperavam que Caroline defendesse seus alunos com garras e dentes.
Divertido e repleto de humor negro, o filme no entanto entra em uma encruzilhada: é violento demais para ser um filme infantil, e ingênuo demais para ser um filme de terror, para fãs de vísceras e zumbis famintos. Os zumbis, como efeitos especiais e maquiagem, são tecnicamente fracos. Imaginem um bando de adultos imitando zumbis. O que vale a pena mesmo, é ver e ouvir Caroline/Lupita cantando músicas pops para os meninos e fazendo-os acreditar que os zumbis fazem parte de uma simulação. Lupita e Alexander England estão ótimos, se divertindo a valer, e ainda sobra espaço para Josh Gad, no vilanesco papel do animador infantil Teddy.
sábado, 12 de outubro de 2019
Blood 13
"Blood 13", de Candy Li (2018)
Um raro exemplar de filme de suspense chinês, dirigido, escrito e protagonizado por mulheres. Elogiado pela crítica o filme acompanha a policial Xin Mim e a sua desesperada luta para descobrir um serial killer que anda matando prostitutas. De início, Xin Mim não dá muita importância aos crimes por conta de seu preconceito moral contra as prostitutas, mas logo depois muda de opinião quando conhece o detetive Lao Zhou, que está atrás do assassino há mais de 15 anos. Juntos, eles tenta descobrir o paradeiro do assassino antes que continue fazendo mais vítimas.
O melhor do filme é o elenco, todos excelentes atores, que dão veracidade à trama por conta de seu conteúdo dramático intenso. A direção de Candy Li também ajuda bastante a trazer tensão ao filme, que tem como referências clássicos como "Seven". Vale super a pena assistir.
Mary
"Mary", de Michael Goi (2019)
O que faz um ator do naipe de Gary Oldman, vencedor do Oscar de melhor ator há 2 anos atrás, protagonizar um filme de terror vabagundo e safado como esse "Mary"? A mesma pergunta faço para a inglesa Emily Mortimer, aqui interpretando a esposa de David (Gary Oldman)? Dinheiro é tudo na vida dos atores?
Desde o roteiro, já é fato de que o filme é ruim. A história é daqueles bem Filme B de última categoria: um capitão de barcos pesqueiros, David, sonha em ter seu barco próprio. Esse sonho vem na forma de Mary, um barco encontrado abandonado em alto mar e posto em leilão. David, sua esposa Sarah (Mortimer), as duas filhas, mais um capitão e seu assistente embarcam em "Mary"para testar a embarcação para que futuramente seja fonte de renda da família. Mas o que eles não poderiam esperar era que o barco fosse mal assombrado. Logo, os tripulantes começam a serem possuídos pelo espírito malígno de Mary,
O filme é ruim demais: Oldman e Mortimer em piloto automático, diálogos ruins, efeitos toscos, roteiro sem graça e final brochante. São tantos os problemas no filme que provavelmente ele nunca será lançado em cinemas. Como horror, não assusta, Como drama, não emociona.
quinta-feira, 10 de outubro de 2019
O vampiro do lago
"El vampiro del lago", de Carl Zitelmann (2018)
Eficiente filme de terror da Venezuela, dirigido e escrito por Carl Zitelmann. O que mais me impressiona nesse filme, que participou de diversos Festivais mundo afora e ganhou prêmios no Festival de cinema da Venezuela em 2018, incluindo melhor filme, é que é uma ótima produção realizada em um Pais destroçado. Todo mundo sabe a grande tragédia que está sendo a Venezuela nesses últimos anos. Mas o filme não toca nesse assunto social e econômico, pelo menos não de forma direta. Talvez no sub-texto, o roteirista queira falar do desemprego, da fome, da fuga em massa da população para outros países, da super inflação. Tudo isso pode estar embutido na história de uma cidade que está sendo aterrorizada por um serial killer que bebe o sangue de suas vítimas e corta as suas cabeças. Um escritor, Navarro, deseja escreveu seu próximo livro, mas lhe falta uma boa idéia. Ele vê na tv o assassinato de uma pessoa cuja cabeça foi decepada. Navarro descobre que esse crime se assemelha a um mesma crime ocorrido há 35 anos atrás na mesma região. Navarro vai procurar um jornalista que escreveu essa matéria no jornal da época, Morales. Ambos vão atrás de indícios de que o mesmo assassino possa estar agindo.
Com boa direção, ótimos atores , uma fotografia sinistra e efeitos convincentes, "O vampiro do lago" é melhor do que muito filme de terror americano que tem sido exibido aqui no Brasil. O filme tem uma aura de produção independente, um ritmo mais lento do que filmes vindos de Hollywood, mas mesmo assim, é um bom exercício de gênero. Corre o risco de pessoas sensíveis ficarem sem dormi por um bom tempo.
terça-feira, 8 de outubro de 2019
Mãos sujas
"Manos sucias", de Josef Kubota Wladyka (2014)
Dois jovens estudantes da New York University têm idéia para um longa-metragem e montam o projeto, que é imediatamente bancado por Spike Lee que resolveu produzi-lo. Assim, o Cineasta Josef Kubota Wladyka e a produtora Elena Greenlee concebem o drama social "Mãos sujas", uma aterrorizante epopéia de 2 irmãos que precisam levar um carregamento de 100 kilos do Porto da cidade de Buenaventura até um outro porto localizado no outro extremo da Colômbia. Detalhe: o carregamento vai escondido dentro de um torpedo desativado. Delio e Jacobo são os 2 irmãos que não se vêem há muito tempo e que por motivos distintos, querem fazer essa viagem transportando a droga, mesmo cientes de todos os perigos que possam vir a acontecer durante a viagem de barco: roubo por outra quadrilha, batida policial e até mesmo acidente em alto mar.
A produção escalou elenco e equipe local para trabalharem no filme, elaborando oficinas de interpretação e de mão d eobra local. O resultado é um filme com um olhar documental, cruel, que mostra uma triste realidade de quem mora em um dos municípios mais pobres da Colômbia e que desejam se mudar para Bogotá em busca de uma vida melhor. Todos os personagens no filme são miseráveis, e por isso, não medem esforços dentro da ambição para poderem sobreviver.
Um filme bem dirigido, ainda mais sendo uma estréia, e com uma força narrativa e dramática que expõe a realidade do terceiro mundo, uma visão pessimista e sem qualquer perspectiva de melhora.
O filme ganhou vários prêmios internacionais, entre eles, de Melhor diretor estreante no Festival de Tribeca.
O Homem que virou suco
"O Homem que virou suco", de João Batista de Andrade (1981)
Clássico brasileiro lançado em 1981, mesmo ano da obra-prima "Eles não usam Black tie", de Leon Hirzman. "O homem que virou suco" ganhou inúmeros prêmios na época, incluindo Melhor Filme no Festival de Moscou.
O roteirista e cineasta mineiro João Batista de Andrade já havia até então dirigido documentários sobre o processo migratório de nordestinos para o Estado de Sao Paulo, os chamados "Paraíbas" ou "Baianos". Antes de "O Homem que virou suco", também dirigiu algumas ficções, que misturam na trama a linguagem ficcional e documental, e retratando o crime e violência na periferia paulista, entre eles, "Wilsinho Galiléia".
José Dumont é o protagonista. Ele interpreta 2 papéis: o cantor de cordel Deraldo, que vem da Paraíba para tentar a vida em São Paulo; e José Severino funcionário de uma fábrica, que no dia da comemoração do Operário padrão, mata o seu patrão americano à facadas. O problema é que Deraldo é a cara de Severino, e por não portar documentos, é confundido com o assassino. Tendo que largar o seu trabalho de cantor de cordel, Deraldo precisa arrumar emprego. Ele vai procurar trabalho em uma obra, numa casa de família e em outros sob-empregos, mas tudo o que ele vê, é a forma desumana com que empregadores maltratam os trabalhadores. em sua maioria, migrantes do Norte e Nordeste. Ao buscar emprego na obra do metrô, Deraldo é obrigado a assistir à uma animação que ridiculariza a figura de Lampião.
O filme tem uma narrativa que mescla ficção e documentário, com uma pitada de elementos lúdicos, principalmente nos sonhos de Deraldo. Uma crítica feroz ao Brasil da época, que explora a mão de obra da população, aviltado na dignidade e obrigados a trabalhar em sub-empregos. O filme ridiculariza os americanos e os empregadores de uma forma geral, vistos como carrascos e abusadores. O Personagem de Deraldo é o contraponto do nordestino que não aceita essa humilhação, e na medida do possível, procura lutar contra o sistema.
Com atuação esplêndida de José Dumont, 5 anos antes de outra performance primorosa em 'A hora da Estrela", "O Homem que virou suco" é um marco do cinema brasileiro, um filme corajoso que bateu de frente com a Ditadura ainda vigente no País e que mostra as mazelas sociais de um Governo que tenta colocar os nordestinos em um lugar de desprezo. A narrativa do filme é complexa, misturando cenas elípticas com linguagem híbrida de naturalismo ficcional e documentário.
O título do filme já deixa claro a contundente visão do cineasta que quer expôr a falta de identidade de cidadãos que só querem existir e se mostrarem como seres humanos em busca de sonhos.
domingo, 6 de outubro de 2019
Jogo da vida
"Achtste-groepers huilen niet", de Dennis Bots (2012)
Adaptação do best seller escrito por Jacques Vrien, o drama adolescente holandês "Jogo da vida" ganhou inúmeros prêmios em Festivais, merecido pela forma sutil e sensível com que trata a leucemia infantil. Em 2014, ganhou um remake norueguês, igualmente um grande sucesso de bilheteria e de crítica.
"Jogo da vida" faz parte de dramas românticos adolescentes hospitalares, como "A culpa é das estrelas" e "A cinco passos de você". O que os une, é o excelente trabalho de atuações dos jovens atores.
Akkie ( Hanna Obbeek, maravilhosa), é uma garota de 11 anos, esperta, brigona e apaixonada por futebol. Líder de sua turma, ela ganha a indiferença de Joep (Nils Verkooijen), um garoto mimado que não vai com a cara dela. Um dia, o nariz de Akkie sangra e seus pais a levam até um hospital. O diagnóstico do Médico não poderia ser pior: leucemia. Akkie então é forçada a se internar e fazer um tratamento, e não pode mais frequentar a escola nem os trinos de futebol. Com a aproximação do torneio final, Akkie vai ficando tensa, e ao mesmo tempo, se revoltando pelo fato de poder morrer ainda jovem.
Os 2 jovens protagonistas, Hanna Obbeek como Akkie e Nils Verkooijen, como Joep, carregam o filme nas costas, apesar de todo o elenco juvenil e adulto serem ótimos. Mas o filme é sobre os dois, e o roteiro contrói muito bem as transformações por que ambos passam. Nils Verkooijen ainda é mais versátil, pois seu personagem começa de forma irritante e termina totalmente carismático e apaixonante.
É um filme triste, realista e sem falas promessas. Para quem quiser chorar litros, sem dó nem piedade, é só assistir.
O Pagador de promessas
"O Pagador de promessas", de Anselmo Duarte (1962)
Até hoje, "O Pagador de promessas" é o único filme brasileiro e de toda a América do Sul a ganhar a Palma de Ouro de melhor filme , feito acontecido em 1962, mesmo ano em que foi indicado a uma vaga ao Oscar de filme estrangeiro.
Adaptado da obra teatral de Dias Gomes, “O pagador de promessas” é filho legítimo do neo-realismo italiano. Rodado em locações reais, em Salvador, tendo como protagonista um homem do povo e misturando atores e não atores, o filme é um clássico absoluto. Até hoje, são chocantes os temas propostos pelo texto de Dias Gomes: sincretismo religioso, preconceito, reforma agrária, imprensa marrom, abuso do Poder de Padres e sacristãos, corrupção na polícia, prostituição e assédio de cafetões contra jovens ingênuas. Muita gente critica o personagem de Zé do Burro, interpretado genialmente por Leonardo Villar, argumentando que ele perpetua a imagem do eterno caipira ingênuo e de bom coração, celebrizado pela figura do Mazzaropi. Isso é um absurdo: construído como uma espécie de parábola, de bons contra os maus, o filme necessita d eum olhar maniqueísta para que o público possa se identificar, e a história só avança por conta da bondade de Zé do Burro. Tanto que sua esposa, rosa, que começa o filme ingênua, vai aos poucos se deixando corromper pela religião e pelo gigolô da cidade (Gerardo del Rey), que mantém sob sua rédea a prostituta Marli (Norma Benguell), também sua amante e ciumenta. A história já é conhecida por todos: Zé do Burro vem do interior de Salvador e caminha por 7 léguas com a mesma cruz de Cristo, seguido por sua esposa Rosa. Zé tentou em sua cidade pedir ajuda ao padre, mas tendo o pedido negado, foi pedir ajuda em um terreiro de candomblé para que seu burro Nicolau, seu melhor amigo, ficasse bom. Yansã cumpre a promessa e o burro fica bom,. Zé resolve então ir até a Igreja de Santa Barbara, em Salvador, para cumprir sua promessa, de entrar com a pesada cruz dentro da igreja ( Santa Barbara é o correlato cristão de Yansã). Só que ao saber que o pedido foi feito para um burro, e que a promessa foi realizada em um terreiro, o Padre Olavo (Dionísio de Oliveira, excelente), impede a sua entrada, e espalha pela cidade de que Zé é Satanás disfarçado. A imprensa, através do jornalista interpretado por Othon Bastos, se apropria da história para revelar que Zé é um homem que prometeu doar parte de sua terra para os pobres, e portanto, um comunista. Os sem terra o v6eem como um Líder. Os adeptos do candomblé reverenciam Zé como alguém que leva a sua palavra até as últimas consequências. Nessa confusão toda, a polícia também chega, até culminar em um desfecho arrebatador, em uma das cenas mais belas da história do cinema brasileiro, que é a cruz com Zé por cima sendo levada pelo povo até o interior da igreja. A fotografia, deslumbrante em seu preto e branco, é do inglês H. E. Fowle, que também fotografou anteriormente o brasileiro ‘O cangaceiro”.
No elenco, também tema presença de Antonio Pitanga, como um capoeirista adepto do candomblé, e que comanda o grupo dos negros. Anselmo Duarte, na época visto apenas como um Ator galã e possivelmente um Mal diretor, calou a boca de todo mundo com esse filme poderoso, um misto de ficção e documentário. Uma obra importante, que até os dias de hoje discute a questão da multiculturalidade no Brasil e a mistura de religiões, provocando ciúmes entre as lideranças, que querem cada vez mais, promover um número cada vez maior de seguidores.
sábado, 5 de outubro de 2019
Rainha de Copas
"Dronningen", de May el-Toukhy (2019)
Uma única cena resume esse polêmico filme escrito, dirigido e protagonizado por mulheres: Trine Dyrholm, a mais famosa, premiada e cultuada atriz dinamarquesa do mundo, pratica sexo oral real no jovem ator Gustav Lindh. Uma intensa e provocativa cena de sexo explícito, com Anne sua personagem, de quatro, se entregando a todos os prazeres sexuais a um menor de idade. Assim é "Rainha de Copas", um filme controverso, que discute o papel da mulher dentro e fora das telas em uma época onde o movimento feminista #MeToo dita as regras de comportamento. A roteirista, a diretora e a atriz Tryne Dyrholm entenderam a importância dessa cena explícita para a personagem e para o filme. Sem essa visceralidade, o filme perderia o seu foco, que é o tesão, a imoralidade e o abuso de Poder acima de qualquer regra.
Anne (Tryne), é uma advogada de sucesso, casada com Peter, médico, e pais de 2 gêmeas adolescentes. Anne defende menores de idade de abusos sexuais e violência doméstica. Um dia, o filho de Peter, Gustav, de 16 anos, vai morar na casa deles. Anne é receptiva, mas aos poucos, vai se sentindo atraída sexualmente pelo enteado, até assediá-lo. Anne, em crise de idade, quer se sentir desejada novamente. Mas a paixão vai enfrentar grandes desafios para a moral de Anne, que agora, encarna o papel de algoz e predadora sexual.
Muita coragem da diretora May el-Toukhy realizar um filme onde se inverte o papel do assediador, em tempos de feminismo. Importante entender que o papel de abuso do Poder independe do gênero. O filme, controverso aonde é exibido, ganhou o Grande Prêmio do público em Sundance 2019 e foi a escolha da Dinamarca para representar o País em uma vaga ao Oscar de filme estrangeiro.
Dirigido com muita maestria, com sofisticação e jamais caindo no melodrama, o filme ainda reserva poderosas performances tanto de Tryne, uma atriz que admiro bastante, quanto do jovem Gustav Lindh. Ambos se expõe em cenas de sexo explícito, ma suma cena tão bela e forte, que é impossível pensar apenas na sacanagem, e sim, nos personagens. Uma crítica: a duração do filme, longo demais, com quase 130 minutos de duração. Poderia ter meia hora a menos.
A Hora do Lobo
"Vargtimmen ", de Ingmar Bergman (1968)
Um casal e seu filho se mudam para um local ermo, para que o marido tenha sossego e possa trabalhar em paz. O marido escreve. Com a solidão do lugar, o homem vai trazendo seus fantasmas do passado à tona, e ai enlouquecendo, a ponto de querer matar sua esposa.
Não, não estamos falando de "O iluminado", de Stanley Kubrick, e sim, de "A hora do Lobo", filme de 1968, lançado um ano depois de outra obra-prima de Bergman, "Persona", uma revolução na filmografia do mestre sucesso. Ambos os filmes rompem com o tipo de cinema que Bergman fazia até então, á traçados em 'O Silêncio", de 1963: uma viagem psicanalítica, na alma de seus personagens, em uma estrutura narrativa não linear, misturando realidade e fantasia, fotografados por uma aterrorizante fotografia expressionista em preto e branco de Sven Nykvst,
"A hora do Lobo" é chamado de o único filme de terror de Bergman, uma expressão talvez errônea para quem entende o gênero terror como a de sustos e jump scares. É um filme psicológico, de atmosfera gótica, com algumas cenas bizarras e obscuras, como a do assassinato de um menino, ou a de uma senhora retirando o seu rosto e botando o olho em um copo. Mas esse universo fantástico já havia sido trabalhado por Bergman em 'Morangos silvestres", quando o protagonista observa as pessoas ao seu redor e percebe que ninguém tem um rosto. Bergman gosta de trabalhar no universo onirico, da ilusão, e de lá retira os medos e temores de seus personagens.
Um casal, ela grávida, Johan (max Von Sydow) e Alma (Liv Ulmann, grávida de verdade de Bergman nas filmagens) se isolam em uma Ilha para que Johan possa pintar em paz. Moradores da região, tipos bizarros, vêem procurar Johan e o dono de um castelo os convida para um jantar. Alma sente ci;umes de uma mulher, Veronica, que acredita, já teve um caso com seu marido. Ao voltarem para casa, Johan conta para Alma relatos obscuros de seu passado. Esse relato é dado durante o que é chamado de "A hora do Lobo", que acontece entre meia noite e 6 da manhã, período que acredita-se, a maioria das pessoas morre e nascem, e quando pesadelos do passado vêem à tona.
Um filme bastante complexo, hermético e aberto a muitas possibilidades, 'A hora do Lobo"têm uma estrutura narrativa muito curiosa, metalinguística: logo no início, uma cartela preta anuncia que Johan desapareceu, e que sua esposa, Alma, irá relatar tudo através do diário encontrado, escrito pelo marido. Em off, ouvimos Bergman rodando a cena, dirigindo equipe e elenco. Bergan quer deixar claro que o que estamos vendo é uma encenação. Além dessa linguagem vanguarda, em meia hora de filme surge novamente o título do filme, e a partir daí, o filme muda de tom , tornando-se um passeio expressionista e dark pela ama de Johan. Max Vin Sydow e Liv Ulmann, parceiros constantes nos filmes de Bergman, representam como poucos as angústias de seus personagens, através de coses e de atuações minimalistas mas poderosas. A trilha sonora, acredito, foi uma outra influência para "O Iluminado".
A hora do Lobo
“The wolf hou”, de Allistair Banks Griffin (2019)
Uma das grandes obras primas do cineasta sueco Ingmar Bergman se chama “ A hora do Lobo”. O roteirista e cineasta americano Allistair Banks Griffin usou o mesmo título do filme para criar o seu suspense psicológico incensado pelos críticos e que entrou na Competição de Sundance 2019.
Protagonizado por Naomi Watts, o filme tem a mesma estrutura do filme de Bergman, mas com uma diferença espacial: ao invés da Ilha, estamos trancafiados em um apartamento do Bronx de 1977. A claustrofobia, os personagens que surgem para aterrorizar, todo esse universo de filme de terror é uma referência do filme sueco.
Naomi interpreta June, uma escritora que fez muito sucesso com seu livro de estreia, com elementos autobiográficos sobre sua família. Mas um trágicas evento derivado do livro a faz se tornar uma pessoa depressiva e querer se isolar do mundo. Ela mora em
Um minúsculo apartamento na região mais perigosa de Nova York, assolada por um serial Killer que anda matando mulheres fisicamente semelhantes à June. June tem agorafobia: ela não sai de casa, está em um processo de depressão que a impede de falar com as pessoas. Um estranho toca seu interfone constantemente e ameaça a solidão de June.
“A hora do Lobo” não é um filme fácil de se assistir. A depressão é ampliada não somente na história, mas no visual, na atmosfera, na fotografia escura, no apartamento fétido, nas ruas ameaçadoras e na constante ameaça de um serial Killer. Mais do que um filme de suspense, “ A hora do Lobo” é uma reflexão sobre a depressão profunda. Naomi está brilhante e ela nunca precisou provar a sua versatilidade e talento. A direção de Allistair é boa mas ele procura o tempo todo enganar o espectador querendo apresentar um filme que acaba não sendo. Assista por Naomi.
sexta-feira, 4 de outubro de 2019
As loucuras de Rose
"Wild Rose", de Tom Harper (2019)
Emocionante drama musical inglês que se assemelha bastante à "Nasce uma Estrela", com Lady Gaga. A diferença é que aqui, o diretor inglês Tom Harper trouxe um tempero mais realista ao filme, tirando o contexto de conto de fadas do filme de Bradley Cooper. A pegada aqui é mais para Ken Loach e suas questões sociais, envolvendo drogas, desemprego e assistencialismo social.
Em Glasgow, Rose-Lynn ( Jessie Buckler, excelente, do ótimo filme de suspense "Beast'), acaba de sair da prisão, por onde ficou por um ano por porte de drogas. Ela retorna para a sua casa, onde sua mãe, Marion (Julie Walters, maravilhosa, de "Mama Mia"), cuida de seus dois filhos pequenos. rose tenta botar em dia o seu grande sonho: poder viajar para Nashville e cantar, pois ela é ótima cantora de country, mas ali em Glasgow não existe a mínima chance dela acontecer profissionalmente como cantora. Para sustentar a casa, Rose vai trabalhar com diarista, e acaba conhecendo Susannah (Sophie Okonedo), uma patroa que acaba lhe dando chance para poder conhecer um produtor da Bbc e quem sabe, poder cantar. Mas a realidade é dura demais com Rose, e o sonho de cantar parece ficar cada vez mais distante.
Impressionante como canta a atriz Jessie Buckler! Ela lembra muito o estilo de Bette Midler em 'A Rosa". O filme emociona bastante e é bastante sofrido, a gente fica torcendo por Rose mas à cada cena vem uma porrada que me deixou com raiva da roteirista. Um trunfo absoluto do filme é o ótimo trabalho das atrizes, Jessie Buckler, Julie Walters e Sophie Okonedo , todas incríveis e carismáticas. O embate entre Rose e sua mãe promove as cenas mais contundentes do filme. Com uma direção que evita melodrama barato, Tom Harper confia no potencial de seu elenco e deixa elas brilharem.
quinta-feira, 3 de outubro de 2019
A Turma do Pererê.doc
"A Turma do Pererê.doc", de Ricardo Favilla (2018)
Documentário que faz uma excelente pesquisa sobre a história em quadrinhos no Brasil, desde aquela que é considerada a primeira revista em quadrinhos publicada no Brasil, "O Tico Tico", em 1905, passando pelo Amigo da Onça, Gibi e outras. Com depoimentos de vários pesquisadores sobre os quadrinhos no Brasil, como Alvaro de Moya e Gonçalo Júnior, o documentário faz uma apresentação interessante sobre o preconceito que o mercado e o público tinham com o produto nacional, consumindo os quadrinhos americanos.
Tudo mudou com a chegada do mineiro Ziraldo, que veio para o rio de Janeiro ser quadrinista. Em 1959, através da Revista O Cruzeiro, é publicada a primeira revista em quadrinhos totalmente nacional e em cores, "A Turma do Pererê". Em formato maior do que as revistinhas conhecidas de hoje em dia, a revista durou 4 anos, e acabou antes do Golpe de 1964. Ziraldo credita o fim da revista o Golpe, por questões políticas, mas a resposta oficial era de que o custo da revista era caríssimo e não dava lucro.
Anos depois, a Editora Abril resolveu republicar a revista, agora em formato pequeno, mas ela somente durou 12 edições. Muitos dizem que o fato da revista ter sido descaracterizada em seu formato, não agradando aos adultos e nem aos pequenos, acabou sendo o fator determinante para o seu fracasso.
Laerte, Jaguar, Mauricio de Sousa e o próprio Ziraldo dão depoimentos sobre a importância da revista no Brasil: pela primeira vez, os quadrinhos se apropriaram de figuras do folclore brasileiro e do perfil da população local, como índios e negros. além da fauna tipicamente brasileira. Temas como ecologia, sustentabilidade, conscientização foram alguns dos abordados pelos depoentes. Além disso, muito se vangloria os traços de Ziraldo, muito particulares dele, além da associação de alguns quadrinhos ao movimento concretista no Brasil, e ao Cinema novo, em relação aos temas de algumas histórias.
O filme merece ser visto não somente pelo seu valor histórico, como pelas curiosidades de ouro que são citadas, como a que Mauricio de Souza ter sido convidado para desenhar alguns cartuns da Turma do Pererê, quando estava em época de vacas magras, e que hoje dm dia esses desenhos originais, que sumiram, valerem uma grana.
Coringa
“Joker”, de Todd Philips (2019)
Todo mundo associa o Cineasta Todd Philips à franquia de humor “ Se beber não case”, mas esqueceram que ele também dirigiu filmes de ação: “Cães de guerra” e “ Starksy e Hutch”, que enveredaram pelo gênero de ação através do humor negro. O que foi frutífero mesmo da franquia protagonizada por Bradley Cooper, é que o mesmo produziu o filme junto de Todd Philips, que também é co-roteirista. Sim, Scorsese respira no filme inteiro através de referências a vários de seus filmes e da própria presença de Robert de Niro. Mas também podemos ver flashes de “ V, de Vingança” e “ “ Psicopata americano”. E se tem um grande acerto em “ Coringa”, foi de ter sido realizado como um filme realista, sem aquelas cenas de fantasia com naves voadoras, Batmóvel, cidade futurista nem nada. É um drama e também um filme de terror sobre a gênese de um assassino, já mostrado em filmes clássicos e obscuros como “ Henry, retrato de um serial Killer”. E se o Amor transforma , aqui no filme ele é simbolizado através do amor de Arthur ( Joaquim Phoenix) pela sua mãe doente e pela vizinha . Para quem for buscar em
“ Coringa” uma continuação de filmes de ação da Marvel e da Liga da Justiça da Dc Comics, vai se frustrar bastante. E realista! E Joaquin Phoenix traz a performance mais arrebatadora de muito tempo, e conseguindo a proeza de se distanciar de outras interpretações de Coringa já eternizadas por Jack Nicholson, Heath Ledger e Jared Leto. Seu trabalho de corpo, respiração, olhares, tempos de observação, tudo elaborado de forma espetacular!
O filme é uma aula de direção, fotografia, direção de atores e de construção de personagens. A violência transborda como um ato de desespero. E essa mesma violência alardeada por tantos detratores do filme que faz o filme pulsar numa alegoria sobre o mundo em que vivemos. Coringa é um vilão que tentou ser um ser humano do bem, mas a Vida o arrastou para o lado negro da Força. Foi assim com Darth Vader é assim será e foi com muitos personagens clássicos do cinema.
Relaxem a testemunhem um filme brilhante que nós faz acreditar que o Cinema é um passatempo poderoso.
Pausa
"Pausa", de Tonia Mishiali (2018)
Filme de estréia da roteirista e cineasta grega Tonia Mishiali , "Pausa" é uma contração de menopausa, e isso já diz do que o filme se trata.
Elpida ( a excelente Stella Fyrogeni) é uma mulher que chegou aos 50 anos. No início do filme, ela frequenta um ginecologista, que logo lhe dá o veredito: ela entrou na menopausa. Elpida mora com o seu marido, um homem bronco que mal fala com ela. Diante dessa aterrorizante rotina de desamor, Elpida se imagina tendo casos com os homens que atravessam o seu caminho, como o vizinho e o pintor do seu prédio.
Vencedor de diversos prêmios internacionais, "Pausa" reúne todos os clichês do universo de desencanto de uma mulher frustrada com o casamento, já vistos mil vezes em filmes como 'Shirley Valentine", um clássico do gênero. Seu marido ronca, assiste futebol na tv, só quer saber de comer, reclama que a esposa só quer gastar dinheiro com bobagens. Elpida é o supra sumo da mulher reprimida, sem vontade própria, achacada em um mundo machista. Como o filme foi escrito por duas mulheres, a sororidade não podia ficar de fora: uma vizinha viúva que ajuda Elpida no dia a dia e que diz que quando se tornou viúva sua vida ficou melhor.
Me surpreende o filme ter sido escrito por mulheres e dirigido também por uma, pois por durante quase 90 minutos só acompanhamos o sofrimento de Elpida diante de um casamento estúpido. Muito revoltado com esse roteiro e a trajetória da personagem. O filme vale pelo trabalho da atriz protagonista, mas confesso que fiquei irritado o filme inteiro.
quarta-feira, 2 de outubro de 2019
Todo mundo quase morto
"Shaun of the dead, de Edgar Wright (2004)
O Cineasta inglês Edgar Wright construiu sua carreira em cima de famosos seriados de tv e também graças à sua parceria com os comediantes Simon Pegg e Nic Frost. Nos Estados Unidos, ele filmou o recente cult de ação 'Baby Driver", que infelizmente ficou na berlinda por ter Kevin Spacey no elenco.
"Todo mundo quase morto" é no entanto a sua obra-prima: lançado em 2004, essa comédia de humor negro permanece como uma das melhores produções do Universo dos zumbis, mesmo que seja na base da paródia. Edgar Wright e Simon Pegg escreveram o roteiro se baseando na premissa dos filmes de George Romero, de que os zumbis são uma crítica à sociedade capitalista e que os seres humanos se tornaram egoístas e desumanos. Logo no início, o filme apresenta a rotina dos moradores de Londres: pessoas se rastejando para trabalhar, ônibus apinhado de gente sonolenta, individualismo. Dentro desse cenário, encontram-se os amigos Shaun (Pegg) e Ed (Frost). O primeiro trabalha em uma loja de departamento. O segundo, é um desempregado. nesse mundo de losers, Simon tenta reconquistar sua namorada, Liz (Kate Ashfield). A mãe de Shaun e seu padrasto ( Bill Nighym sensacional) são amorosos com Shaun mas desejam que ele tenha mais ambição. De repente, toda a população vai se transformando em zumbi, e Shaun e seus amigos acabam se refugiando em um pub.
O filme tem uma sucessão de gagas muito bem articuladas, como a do plano-sequência que vai da casa de Shaun até o mercado. Impossível não rir na icônica cena do Pub quando toca uma música do Queen no jukebox diante do ataque de zumbis. O elenco é excepcional e todos se divertem bastante. SImon Pegg e Nick Frost são dois gênios da comédia, o carisma que ambos possuem e a lindacena final selam essa grande parceria. Muito bons os efeitos, considerando ser uma produção média, e a direção de Edgar Wright é extremamente dinâmica e criativa.
O filme é uma aula de como fazer cinema, em todos os níveis. Para se rever de tempos em tempos.
O sofá assassino
“Killer sofa”, de Bernie Rao (2019)
Absolutamente nenhum espectador pode querer assistir a um filme com o título original de “Killer sofá” e achar que irá encontrar algum filme decente de terror. Essa produção da Nova Zelândia, país que nos trouxe Peter Jackson e a saga “O Senhor dos anéis”, agora nos traz um dos piores filmes que você irá assistirem sua vida. Mas para quem curte um filme trash e totalmente zoeira, isso é um bom sinal.
Pegando carona emprestado no mote do primeiro filme “O boneco assassino”, que se apropria do Vodu e das entidades malignas para darem vida a um objeto inanimado, “Killer sofá” conta a história de um psicopata que se apropria da magia negra para poder conquistar a sua mulher amada, Francesca. Como ela não lhe dá atenção, o psicopata se mata para que seu espírito habite uma poltrona. Ao receber a poltrona, Francesca não faz idéia de que esse móvel irá matar todo mundo que se relacionar com ela.
O filme é ruim nível mil, e aí reside o seu único charme: pra turma do quanto pior melhor, irá se divertir com o roteiro sem pé nem cabeça, repleta de sub-tramas bizarras como uma entidade chamada Dybukk. Os diálogos são pavororos, as atuações amadoras e sem qualquer esboço de reação, os efeitos são de fundo de quintal. Mas o que dizer d apoltrona? Ela anda, se leventa por inteiro, solta suas molas para matar suas vítimas, e fala!!!!!!!! Pior, impossível. Confesso que dei altas gargalhadas, quem concebeu esse filme deveria estar totalmente fora de si.
Se esse é o seu tipo de filme, assista, irá se divertir. Caso contrário, fuja!
terça-feira, 1 de outubro de 2019
Dry blood
"Dry blood", de Kelton Jones (2007)
Drama de terror vencedor de mais de 15 Prêmios em Importantes Festivais de gênero, 'Dry Blood" foi escrito e protagonizado pelo ator Clint Carney.
Clint interpreta Brian, um homem viciado em drogas e alcóolatra e que decide se internar em uma cabana no alto das montanhas para poder trazer tranquilidade para a sua família. Porém, durante o período de abstinência, Brian começa a enxergar estranhos fenômenos, deixando em dúvida se são frutos de sua imaginação ou se são reais.
Em boa parte amadora, é de se estranhar tantos prêmios ganhos pelo filme: atuações medianas, roteiro confuso, fotografia meia bomba. O que de fato é bom, é a trilha sonora assustadora, e uma sequência de 10 minutos que sim, vale por todo o filme. mas atenção: a sequência é extremamente violenta, agressiva, doentia. Somente para fãs de terror. Uma menina tem a cabeça decapitada e uma mulher tem a cabeça esmagada e os olhos furados por uma garrafa. Não assistam ao filme caso não queiram assistir cenas como essas descritas.
segunda-feira, 30 de setembro de 2019
Luz
"Luz", de Tilman Singer (2018)
Premiado em vários Festivais internacionais, 'Luz" é um filme de terror independente alemão, escrito e dirigido pelo cineasta Tilman Singer. Quando estudava na Faculdade de cinema, Tilman realizou um curta metragem, mais tarde adaptado para esse longa, "Luz". Pegando carona na onda dos anos 80, o filme se passa na época, com direito a pagers, trilha sonora de sintetizadores e foi todo rodado em película, conferindo uma imagem muito bem-vinda, repleta de grãos.
Não é fácil acompanhar o filme: ritmo extremamente lento, e uma narrativa hermética, onde o espectador vai tentar entender o que está acontecendo na tela. O filme vai e volta no tempo, de forma lúdica e quase surreal. Para quem busca um filme de terror assustador, esse filme não é uma pedida. Sem cenas de gore, o filme apela para um suspense fantástico, lembrando um pouco o universo de Dario Argento. Luz é uma taxista em Berlin, de origem chilena. O filme se passa todo durante uma noite chuvosa. Luz entra na delegacia de polícia quase deserta. Ela está machucada. Ela diz que sofreu um acidente no seu táxi, e veio pedir ajuda. A detetive Bertillon e o técnico de som e tradutor Olarte tentam ajudá-la, mas ela está catatônica. Os policias chamam o Dr Olarte, um psiquiatra para fazer um tratamento de hipnose em Luz e tentar entender o que aconteceu cm ela. O Dr Olarte nesse momento está em um bar próximo, e acaba conhecendo Nora, uma mulher estranha que diz ao doutro que era a passageira de Luz no táxi. Nora está possuída por um demônio e o transfere ao Dr. Ao chegar na delegacia, o Dr quer repassar o demônio para Luz.
Esse filme certamente é um dos mais bizarros que já assisti na vida. Não sei dizer se gostei ou não, mais provável que eu não tenha gostado. Com uma aura pretensiosa ao extremo, o filme tenta passar uma seriedade e uma atmosfera de encantamento para cinéfilos, que ao meu ver, são subterfúgios para esconder o fraco roteiro e o baixo orçamento. Vale a curiosidade, mas como passatempo, é um projeto muito falho. Faltou investir em tensão e violência, e quem sabe, um desfecho mais surpreendente.
O filme foi exibido no Festival de Berlin 2018.
sábado, 28 de setembro de 2019
O projeto ousadia
"The dare project", de Adam Salky (2005/2018)
Para quem gosta de romances LGBTQI+, esse filme é uma excelente pedida. Em 2005, o Cineasta Adam Salky e o roteirista David Brind lançaram o primeiro filme desse projeto que foi inspirado em "Antes do amanhecer", de Richard Linklater. "Ousadia", de 2005, ganhou diversos prêmios internacionais, e narra com extrema delicadeza, um amor platônico e repleto de tensão sexual entre dois amigos supostamente heteros da faculdade. Ben (Adam Fleming) e Jonnhy (Michael Cassidy). Exatamente 15 anos depois, em 2018, e com os mesmos atores, o diretor e o roteirista lançaram a 2a parte: Ben e Jonnhy, que terminaram separados no primeiro filme, agora se reencontram em uma festa em Los Angeles. Ben se assumiu gay, e Jonnhy agora namora uma moça. Ao se reencontrarem, fica impossível negar que o amor entre os dois continua. Entre uma conversa e outra, fica um incômodo, uma terrível sensação de que a vida dos dois poderia ter sido outra caso tivessem ficado juntos em 2005.
Com linda fotografia, edição e um trabalho muito sofisticado de direção, o filme traz um romance melancólico sobre duas pessoas que poderiam ter sido felizes, mas que preferiram se esconder por uma fachada conservadora. Os dois protagonistas são bastante carismáticos, e o espectador torce pelo casal.
Homens à venda
"Hommes à louer ", de Rodrigue Jean (2008)
Premiado documentário canadense, que explora a difícil e tortuosa vida de 11 jovens garotos de programa em Montreal.
Com depoimentos contundentes, não só pelo conteúdo mas também pela aparência dos entrevistados, o filme foi realizado durante o período de 1 ano em uma Clínica de ajuda psiquiátrica para viciados em drogas. Todos os entrevistados disseram em depoimento que começaram na vida da prostituição para poder pagar as drogas que consumiam desde crianças, alguns com 12 anos de idade.
As perguntas são as mesmas para os rapazes, entre elas:
- Como começou na prostituição
- O que você jamais faria durante o programa
- Existe um sentimento ou relacionamento amoroso com os clientes
- se pensa em algum dia sair dessa vida
- Como se previne contra contaminação de doenças
- se considera um homossexual
Todos em uníssono responderam que no programa, jamais fariam passivo, que sentem repulsa, um chega a dizer que se o cliente insistir, ele dá porrada. As drogas consumidas são pesadas: crack, cocaína. Alguns rapazes apresentam dentes podres, feridas na boca. São todos de boa aparência, mas maltratados pela droga.
O filme tem 150 minutos de duração, e possui um extenso material que serve de laboratório para Atores que querem observar gestuais, olhares, respiração, modo de fala dos profissionais do sexo. Muitos filmes poderiam sair facilmente de cada um dos entrevistados, narrando histórias de abuso sexual, desemprego, etc.
Meses depois, o documentarista retorna à mesma clinica para entrevistas os garotos e saber o que mudou na vida deles. Um filme melancólico, brutal, que não possui nenhuma cena de nudez ou sexo, apesar do conteúdo explícito nos depoimentos.
Hebe- A estrela do Brasil
"Hebe- A estrela do Brasil", de Maurício Farias (2019)
Concorrente no Festival de Gramado 2019, de onde saiu com o Kikito de Melhor montagem, o filme sobre a Atriz, cantora e apresentadora Hebe Camargo preferiu apresentar um aspecto mais sombrio na autobiografia, ao contrário da solaridade que Hebe possuía, estampada em seu programa que durou quase 60 anos na Televisão, sempre gargalhando e com um enorme sorriso destacado.
HIV, ciúme possessivo, machismo, censura, desemprego, ditadura, alcoolismo, abuso doméstico, conflito patrão X empregado, homofobia, são tantos os conflitos apresentados no filme que somente a estrutura de um seriado poderia dar conta, e é justamente essa a proposta desse filme lançado primeiro no cinema e em seguida, como série na Tv. O elenco é bastante numeroso, sendo impossível para o filme dar conta: Gabriel Braga Nunes ( que faz o ex-marido de Hebe, Décio), Silvio Santos (Daniel Boaventura), Stella Miranda (Dercy Gonçalves) têm participações bem pequenas, mas de todas, é Stella Miranda quem rouba a cena em um momento sensacional, que gera todo o conflito com a Tv Bandeirantes, onde o programa era exibido nos anos 80.
O filme, ambientado na década de 80, faz um recorte da carreira de Hebe, desde o auge na Tv Bandeirantes até o fim do programa, que era perseguido pela Censura, até sua recontratação pelo SBT de Silvio Santos. Paralelo, temos a relação de Hebe com seu filho, Marcello (Caio Horowitz), os ataques de ciúmes de Lélio (Marco Ricca, excelente) com Roberto Carlos (Felipe Rocha) e Chacrinha (Otavio Augusto) e a luta de Hebe a favor da luta contra a homofobia e a censura.
O filme tecnicamente é impecável, com destaque absoluto para o figurino, requintado e luxuoso, do acervo da própria Hebe, misturado a alguns produzidos para o filme.
Um dos grandes acertos do filme foi ter saído do formato de cinebiografia tradicional e esquemática para um recorte de um trecho da vida da biografada, formato muito comum em cinebiografias americanas.
Andréa Beltrão, que está quase 100 por cento do filme, é o grande motivo de se assistir a esse filme, Ela está reluzente, totalmente envolvida nas várias camadas da vida da apresentadora, morta em 2012. O Diretor Maurício Farias imprime ao filme um visual estilizado, com uma câmera colada no rosto de Andrea, uma proposta comum ao cinema do chileno Pablo Larrain, quando realizou a biografa de Jackie Kennedy. Algumas cenas remetem à "Uma mulher fantástica", também de Larrain, principalmente nas cenas de boite, com câmeras lentas e angulos de câmera mais inusitados.
sexta-feira, 27 de setembro de 2019
Dante Vs Mohammed Ali
"Dante Vs Mohammed Ali", de Marc Wagenaar (2018)
Vencedor de vários prêmios internacionais, "Dante Vs Mohammed Ali" é um Drama LGBTQI+ inusitado. Produção holandesa, o filme traz elementos de encenação teatral à uma história de amor entre 2 jovens boxeadores, que lutam em uma balsa, enquanto os torcedores acompanham a luta pela margem do rio. Wolf e Alexander, conhecidos pelos nomes artísticos de Dante e Mohammed Ali, são concorrentes no ringue, mas na vida pessoal, sentem um amor platônico um pelo outro, que não pode ser revelado pelo conservadorismo e pela homofobia da população. Alexander quer fugir da cidade, mas Wolf o impede.
Um filme estranho, que mistura realismo e elementos lúdicos, com boas interpretações e uma fotografia muito bonita, intensificando a melancolia de uma cidade rural da Holanda, como se tivesse parado no tempo, tal a falta de modernidade.
quinta-feira, 26 de setembro de 2019
Sócrates
"Sócrates", de Alexandre Moratto (2018)
Longa de estréia do documentarista e curta-metragista Alexandre Moratto, "Sócrates"ganhou mais de uma dezena de prêmios internacionais, entre eles, o Spirit Awards como diretor estreante, Festival do Rio com o Prêmio Felix, voltado para filmes LGBTQI+. e o Festival Mix Brasil.
Herdeiro direto do estilo de filmagem dos belgas irmãos Dardenne, também documentarista, Morattto cola a sua câmera no rosto do ator Christian Malheiros e é ali que ela fica, durante os quase 80 minutos do filme.
O drama remete a filmes clássicos dos irmãos Dardenne, como "Rosetta", e até mesmo a "Os incompreendidos", de Truffaut, só que aqui, o filme trabalha a sexualidade do protagonista, Sócrates, um rapaz de 15 anos de idade. Seu pai o abandonou quando descobriu que ele é gay. Sua mãe, faxineira d euma empresa, acaba de morrer. Sem família, sme amigos, Sócrates faz de tudo para manter sua dignidade, mas não consegue: faminto, sem dinheiro para pagar aluguel, ele tenta se prostituir, come lixo, pede favores que raramente vem. Nesse ato de desespero, ele recebe uma ajuda de um rapaz que ele conhece em uma obra, homossexual enrustido. Mas a felicidade dura muito pouco na vida de Sócrates.
O filme é um verdadeiro mundo cão na vida de um adolescente que poderia ter virado "Pixote" ou qualquer um dos garotos de "Cidade de Deus". Impossibilitado de trabalhar, o filme discute várias questões sociais: homofobia, abandono familiar, desemprego, evasão escolar. O cineasta e roteirista Moratto escreveu o filme em homenagem à sua mãe falecida em 2014,e com o pensamento de um norte perdido na ausência da figura materna.
'Sócrates"é um bom filme, realizado da forma possível, com baixo orçamento mas com muita vontade de querer ser um filme vencedor. O ator Christian Malheiros é uma grande revelação.
Predadores assassinos
"Crawl", de Alexandre Aja (2019)
O Cineasta francês Alexandre Aja dirigiu dois dos filmes mais tensos que já assisti, de assassinos cruéis: 'Alta tensão", ainda na França, e "Viagem maldita", produção americana. Também nos Estados Unidos ele rodou a comédia de humor negro "Piranhas 3D", que acabou sendo um laboratório para o excelente "Predadores assassinos".
Ambientado na Flórida, durante uma tempestade com direito a furacão, o filme une drama, ação, aventura e terror em doses generosas. É tenso do início ao fim, Tudo bem que é um passatempo, mas é daqueles bons, que mesmo que a gente ache o roteiro uma doideira, com tantas soluções fáceis para os personagens, e também, viradas na história que a toda hora impossibilitam nossos heróis de atingirem a salvação.
Haley (Kaya Scodelario, de mãe brasileira e fluente em português, trabalhou na franquia "Maze runner"). é uma nadadora profissional. Durante uma tempestade, ela liga para o seu pai, Dave (Barry Pepper, de "O resgate do soldado Ryan"), seu ex-treinador e de quem se afastou após o divórcio com sua mãe. Haley resolve procurar seu pai, e acaba descobrindo ele no sótão da casa, ferido e com a água do temporal invadindo o local. Haley descobre o pior: que existem 4 enormes crocodilos doidos para devorarem quem estiver vivo.
O plot, como se vê, é bem batido, e já foi feito bem parecido em "Bait", um filme australiano , onde uma tempestade invade uma cidade e os sobreviventes se refugiam em um supermercado, infestado de tubarões.
O que faz a diferença aqui, é o excelente trabalho dos 2 atores principais. Mandando muito bem no drama e no suspense, os dois têm carisma e o espectador de verdade torce pelo dois. Claro que o filme tem bastante gore, intensificado por um elenco de apoio que existe só para servir de comida pro bichanos. E ainda tem a cadela de Dave, só pro espectador ficar ainda mais tenso.
Ótimos efeitos, muito boa aula de direção e edição, o filme é um show de sofrimento e de torcida pelos heróis.
Colocando a maquiagem
"Bujang", de Nam Yeon-woo (2017)
Excelente drama LGBTQI+ sul coreano, que joga para o espectador uma intrigante questão: como um Ator homofóbico pode interpretar uma Trans no palco, dando vida à ela?
O filme é um impressionante debut do ator Nam Yeon-woo, que aqui também escreveu o roteiro e dirigiu. Song-Jun (Nam Yeon-woo) é um jovem aspirante a ator, desempregado e cheio de dívidas para pagar. Song sempre recorre ao seu irmão mais novo, um estudante de dança, para ajuda'-alo financeiramente. Um dia, Song fica sabendo da audição para um famoso livro chamado 'Dark Life", sobre uma Mulher trans que se revela para a sua família. Song decide fazer um estudo sobre o universo Trans e assiste a um documentário com entrevistas com algumas trans de Seul. Song acaba conhecendo uma das entrevistadas, Ina, que o ajuda em sua composição. O irmão de Song também o ajuda no trabalho de corpo. Song acaa pegando o papel e à medida que avança na personagem, vai se dando conta de sua inadequação ao papel: ele é homofóbico, e quando descobre que seu irmão é gay, bate nele. Mas a contradição é que essa raiva que Song tem do universo Lgbt, faz com que ele jogue a raiva para a performance, e assim, vai cada vez mais melhorando a sua performance.
Com um roteiro brilhante, que discute o papel do Ator, os laboratórios que ele faz e a sua validade para o seu trabalho, as contradições entre ATOR X PERSONAGEM e a relação com equipe e direção, fazem desse filme um trabalho irretocável. Nam Yeon-woo tem uma performance irrepreensível, explorando todas as nuances do personagem, repleto de camadas. De verdade, esse texto adaptado para o Teatro seria um marco para qualquer Ator. Fiquem de olho!
Asterix e o segredo da poção mágica
"Astérix: Le secret de la potion magique", de Alexandre Astier e Louis Clichy (2018)
Mais uma adaptação cinematográfica dos famosos personagens criados pelos cartunistas franceses René Goscinny e Albert Uderzo, o filme foi dirigido por Alexandre Astier e Louis Clichym que já haviam realizado um outro longa dos personagens em 2014.
Asterix é um enorme sucesso no mundo inteiro, já tendo sido adaptado também em versão carne e osso, com Gerard Depardieu interpretando o obeso Obelix, Todo mundo já conhece o Universo dos gauleses e sua eterna luta contra o exército romano. Invencíveis por conta da poção mágica criada pelo druida Panoramix, dessa vez estão todos temerosos, pois o druida sofreu um acidente e por conta disso, resolve que ele precisa passar o segredo da poção para um sucessor. Asterix, Obelix e Companhia acompanham o Druida para testar vários possíveis herdeiros da poção, mas enquanto isso, o exército romano prepara um ataque à vila dos gauleses, enfraquecida pela falta da poção.
Com uma excelente técnica, aprimorada à cada desenho, "Asterix e o segredo da poção mágica" talvez não funcione tanto com as crianças, pelo excesso de diálogos, mas com certeza fará a alegria de adultos nostálgicos. Com piadas divertida,s o filme tem ritmo e um colorido ótimo, ornamentado pelos deliciosos personagens e pela trilha sonora subversiva, que enfia músicas pop e eletrônicas, como "Spinning around", do Dead or Alive como música tema.
Diminuta
"Diminuta", de Bruno Saglia (2018)
Premiado no Festival de Veneza 2015 com o Prêmio Starlight de melhor atuação masculina, Reynaldo Gianechini protagoniza esse drama musical escrito e dirigido por Bruno Saglia, em produção independente com o Produtor Paulo Medeiros De Lima. Um dos grandes trunfos do filme, além da trilha sonora jazzística composta por Luciano Alves, é o seu elenco: além de Gianechini, tem 2 grandes monstros sagrados do Cinema e do teatro, Carlos Vereza e o italiano Giancarlo Giannini. Deborah Evelyn e Daniela Escobar fazem participações afetivas.
Gianechini interpreta Cristiano, italiano de nascença e criado quando criança por seu avô, Marco (Giannini). Quando o avô, um exímio fabricante de instrumentos de sopro falece, Cristiano é obrigado a vir ao Brasil. Já crescido, Cristiano trabalha a duras penas como vendedor de planos de saúde, Casado com Júlia (Evelyn), uma mulher possessiva e depressiva desde a morte do filho do casal por câncer, Cristiano conhece o professor de música Mark (Vereza), que o estimula a voltara tocar. Cristiano resolve voltar a tocar na Itália e recomeçar a sua vida do zero.
Com belíssima fotografia, o filme traz um ainda inédito gênero no Brasil, que é um filme com música, tocado quase que cem por cento do filme, de forma diegética ou em números de palco. O roteiro é dividido em 2 partes: a vida no Brasil, e depois, Itália. Na 2a parte, o filme sofre um pouco por excesso de personagens e de ritmo, mas nada que tire o prazer de se assistir ao filme, muito pelo trabalho dos protagonistas, e também, da bela trilha.
quarta-feira, 25 de setembro de 2019
Os jovens Baumann
“Os jovens Baumann”, de Bruna Carvalho Almeida (2018)
Esse é um típico caso de filme que quando acende a luz no final da projeção, eu fico com uma cara que não sei dizer o que acabei de ver, e parafraseando Glória Pires, não tenho opinião formada sobre isso. Resolvo ler algumas críticas escritas por jornalistas ao filme, e fico mais chocado ainda, deixando claro o imenso abismo que existe entre mim e os filmes que vejo é a opinião dos profissionais. Só posso pensar na seguinte questão: “Será que vimos o mesmo filme???”
“ Os jovens Baumann” é vendido como um mockmentary, um falso documentário Found footage onde fitas Vhs são encontradas de uma gravação realizada em 1992, em
Plena Era Collor, em uma fazenda dos fazendeiros mais ricos e poderosos do município de Santa Rita do Oeste, Sul de Minas. Oito primos, herdeiros da família, se divertem uma vez por ano na fazenda, nadando no lago, fazendo fogueiras, falando bobagens típicas de pós adolescentes que ainda não sabem o que fazer de suas vidas abastadas. Nos dias de hoje, uma narradora comenta que ela desde criança foi vizinha dessa família, e ela era de família proletária. Ela acabou herdando as fitas Vhs, a pedido dela quando a fazenda foi finalmente vendida. Ao ver as fitas, ela descobre que não existe solução para o desaparecimento dos jovens.
O meu grande erro foi tentar ver no filme um
Produto de gênero suspense, típico dos Found footage como “ A bruxa de Blair”. Não existe a mínima possibilidade de se fazer qualquer comparação. Aqui não há um micro segundo de suspense, tensão, nada. São só os familiares jogando o maior papo naturalista fora. Nada que é dito é valioso.
A única forma de eu poder entender o filme, se é que foi essa a proposta, é de enxergar uma metáfora e simbologia dos ricos x proletários e de como esses herdeiros cheios da grana “ sumiram” metaforicamente porque perderam tudo durante o Plano Collor. Muita gente se matou, muita gente se afundou em dívidas. Quero acreditar que foi esse o filme que assisti.
Ad Astra- Rumo às Estrelas
"Ad Astra", de James Gray (2019)
Ad Astra é uma frase em latim que significa "Rumo às Estrelas". E também é um belíssimo e emocionante filme de ficção científica, produzida pelo brasileiro Rodrigo Teixeira, de "Frances Ha" e "Me chame pelo seu nome", e dirigido por James Gray, de "Z- a cidade perdida", Amantes"e "Os donos da noite". O filme concorreu no Festival de Veneza 2019 e recebeu muitos elogios da crítica e público.
É impossível não lembrar de momentos de clássicos do gênero, como "Gravidade", "2001", "Interestellar", "Solaris" e "Alien, o 8o passageiro". Mas dramaturgicamente o roteiro escrito pelo próprio James Gray e Ethan Gross me fez lembrar mesmo foi de Apocalipse now": No futuro, onde planetas como a Lua e Marte estão sendo povoados, o Major Roy McBride (Brad Pitt) , astronauta e engenheiro espacial, é convocado para uma Missão: é possível que seu pai, o astronauta Clifford Macbride (Tommy Lee Jones) , desaparecido há mais de 20 anos durante uma missão espacial para Netuno, e dado como morto, esteja vivo. O que se acredita é que ele tenha enlouquecido e matado toda a tripulação. A missão de Ray é trazer seu pai de volta, acusado de cometer crimes contra o sistema solar, que está reverberando na humanidade dos planetas, entre eles, Terra. Roy se ressente da ausência de seu pai em sua vida, que o largou quando era criança, em busca de vida alienígena em Netuno.
Com mistura de outros gêneros, como suspense, terror, aventura, drama e melodrama, basicamente "Ad Astra"é um grande filme filosófico e existencialista, na linha de "2001", 'Solaris"e "Intersetellar", e a ânsia do Homem querer descobrir a existência de Deus ou de outros seres que expliquem a vida.
Tecnicamente o filme é brilhante: a fotografia do Mestre Hoyte Van Hoytema , que fotografou "Dunkirk", "Insterestellar"e "Ela", e trilha sonora poderosa de Max Richter, de "A ilha do medo". Sua música é sedutora e nos deixa constantemente suspensos. A direção de James Gray, apesar de tudo, valoriza os closes dos atores, mesmo com cenas de ação. Brad Pitt está no seu auge, variando em emoções, em um papel complexo e doloroso, mostrando suas rugas totalmente sem pós produção. A sua cena com Donald Sutherland ou Tommy Lee Jones, são verdadeiras aulas de interpretação.
Um filme que mescla a produção de entretenimento com o valor artístico, "Ad Astra" é um filmaço.
segunda-feira, 23 de setembro de 2019
O fanático
"The fanatic", de Fred Durst (2019)
John Travolta tem uma carreira semelhante a de Nicholas Cage: são 9 filmes ruins a cada 10 filmes realizados. E claro, “O fanático” está no rol dos filmes ruins. O problema é que “O fanático” não é apenas ruim. É Muito ruim.
Dirigido e escrito por Fred Durst, integrante da banda Limp Bizkit, o filme traz elementos reais que aconteceram com Fred Durst. Durante um bom temo, ele foi stalkeado por um fã, que o assustava e o seguia em todos os lugares.
“O Fanático” se passa em Los Angeles, e a voz off da personagem Leah narra o filme: ela ambienta o espectador dando o discurso mais manjado de Los Angeles que se pode ter: que é a terra do cinema terra de oportunidades e também de fracassos, de famosos e de loosers. Loho Leah apresenta Moose (John Travolta), um autista fã de filmes de terror. Moose é mega fã de Hunter Dunbar (Devon Sawa, protagonista do primeiro “Premonição”). Hunter é o Rei dos filmes B de terror. Ao tentar um autógrafo de Hunter, Moose acaba sendo maltratado pelo muso e como vingança, o sequestra.
Sim, você já viu esse filme cem vezes, desde “O Colecionador” a “Misery”, de Stephen King. E sério, esse deve ser o pior de todos os filmes. Tudo aqui é péssimo: Direção, roteiro, atuações. John Travolta exagera em todas as expressões e na caracterização do autista, em uma performance absolutamente irritante. É um desserviço que Travolta faz ao universo dos autistas. O filme, como suspense, é zero. Não se torce por ninguém, pois não existe carisma algum. Se você quiser assistir o filme como uma comédia, pode ser que se divirta bem mais.
Nós somos uma Gaymília
"Wei Hun Nan Nv", de Zero Chou (2017)
Comédia dramática LGBTQI+ de Taiwan, escrita e dirigida pela Cineasta Zero Chou. Tudo parecia bastante promissor, até eu ler que o filme tem 130 minutos de duração. Mas como assim, uma comédia com tanto tempo? Resolvi apostar. No final das contas. valeu a pena, mas é indiscutível o desejo de ter pensado nesse mesmo filme com 40 minutos a menos.
O jovem taiwanês Wu namora Sam, um estrangeiro. Eles vivem uma vida feliz de casal, até que a mãe de Wu decide visitá-lo. Wu sempre viveu de forma enrustida para a sua família. Com a morte do pai, ele decidiu esconder sua homossexualidade de sua mãe e sua irmã. Aconselhado por um amigo, Wu contrata Yang, uma jovem em crise com seu namorado, para se passar por sua namorada quando sua mãe chegar. Sam fica com ciúmes, mas aceita. A mãe de Wu chega e o tempo todo ela precisa ser despistada de qualquer elemento que entregue o relacionamento do filho com Sam. Um dia, a irmã de Wu vem visitá-lo, e acaba se apaixonando por Yang, que retribui.
Uma autêntica comédia de costumes , formato vaudeville e com muita semelhança a "A gaiola das loucas". O filme tem personagens trabalhados na caricatura, mas a boa qualidade dos atores ameniza o tom da farsa. No fundo, a mensagem de aceitação é bem apresentada, e o filme emociona. Belas imagens de Taipei, a capital de Taiwan, e a trilha sonora ajudam a dar mais sabor ao filme. Me surpreendeu a picardia e a sensualidade do filme, repleto de elementos LGBTQI+, para um país tão conservador como Taiwan.
domingo, 22 de setembro de 2019
Bloodline
"Bloodline", de Henry Jacobson (2018)
Longa de estréia do Cineasta Henry Jacobson, “Bloodline” é um filme de terror que mistura “Drive”, de Nicholas Winding Refn, e o universo dos filmes de Brian de Palma dos anos 80, como “Vestida para matar” e “Síndrome de Caim”. O diretor Henry Jacobson se apropria do revival dos anos 80, utilizando na trilha sonora sintetizadores, cujas batidas lembram o tema principal de “Stranger things”, a fotografia hiper-realista e estilizada de “Drive” e a cena dividida em 2 telas de Brian de Palma.
Seann William Scott, famoso comediante da franquia “American Pie”, interpreta um frio e calculista Serial Killer, cujo trabalho corporal, silêncios e olhar distanciado ele copiou de Ryan Gosling no filme de Nicholas Winding Refn.
Sean interpreta Evan, um conselheiro de adolescentes de uma escola. Diariamente, ele ouve relatos dos estudantes. Sensibilizado com histórias de violência doméstica, Evan sai de noite de casa e mata os pais abusivos dos jovens. Casado e pai de um recém nascido, Evan traz sua mãe para passar um tempo em sua casa. A esposa de Evan passa a desconfiar das saídas noturnas do marido, ao mesmo tempo que se incomoda com a presença da sogra em casa. Logo, ela irá descobrir segredos ocultos da família de Evan.
Exibido em competição no consagrado Festival Fantaspoa, “Bloodline” é um eficiente suspense com cenas gráficas de violência explícita. Os atores estão bem em seus papéis, e para quem busca cenas tensas e gore, o filme vai cumprir o seu papel, apesar do roteiro não oferecer muitas novidades ao gênero.
Aligarh
"Aligarh", de Hansal Mehta (2014)
Comovente drama indiano LGBTQI+ baseado em trágica história real.
Na Índia, a seção 377 do Código Penal criminaliza o homossexualismo. Somente em 2009 essa lei foi abolida, porém em 2013 , por decisão da Suprema Corte, ela retornou, condenando qualquer atividade entre pessoas do mesmo sexo.
Em fevereiro de 2010, na cidade de Aligarh, o professor Ramchandra Siras, gay assumido e de 64 anos, foi flagrado por outros professores tendo relações sexuais com outro homem dentro de sua casa. Siras era um dos professores mais respeitados da Universidade, considerada a 3o melhor do País e sumidade em linguística. Com o vídeo viralizado, Siras entrou em desgraçam sendo desligado da Universidade e maltratado por toda a população conservadora. Um jornalista de Nova Delhi, Deepu, resolve ir até Alagarh e entrevistar Siras. Relutante em princípio, Siras acaba cedendo ao jornalista e lhe concede uma matéria. Após sua publicação, a corte decidiu dar ganho de causa a Siras para retornar a dar aulas na Universidade. Mas no dia seguinte à decisão, Siras foi encontrado morto em sua casa. Suspeita-se que Siras foi vítima de conflitos ideológicos e políticos dentro da própria Universidade.
Com uma boa Direção e ótimas atuações de Manoj Bajpayee, no papel de Siras, e de Rajkummar Rao no papel do jornalista, o filme faz um sério levantamento do ocorrido tanto no dia do flagrante do sexo de Siras, até o dia de sua morte, mesclando com cenas reais de movimentos LGBTQI+ nas ruas do País. Um filme que discute homofobia e isolamento social, um apelo contundente às autoridades indianas para que fiquem atentos ao extermínio da comunidade gay.
sábado, 21 de setembro de 2019
Aya Arcos
"Aya Arcos", de Maximilian Moll (2014)
Longa de estréia do cineasta e artista plástico alemão Maximilian Moll, "Aya Arcos" é um drama LGBTQI+ que promete, promete e não entrega quase nada. Fosse um curta teria sido muito mais interessante, mas como longa faltou um roteiro com plot e diálogos melhor desenvolvidos. Tudo no filme é amador: direção, fotografia, captação de som, diálogos. Os atores brasileiros ( o filme é rodado no Rio de Janeiro) fazem o que podem em desenvolvimento pobre de personagens.
Nos anos 80, foi rodado um filme alemão no rio de Janeiro chamado "Via Appia", que esse sim, foi honesto com a sua proposta, mesmo não sendo um filme tecnicamente bom. "Via Appia" é um filme obscuro, sujo, fetichista, repleto de imagens e cenas viscerais que praticamente documentam a rotina de garotos de programa na Via Appia ( zona de prostituição masculina no Rio) e nas saunas gays da cidade, com cenas eróticas registradas sem censura.
"Aya Arcos" quer falar da mesma ambientação, mas falha por se censurar: quer falar de HIV, garotos de programa, fetiches, orgias, submundo, mas mostrando cenas de sexo com personagens cobertos por lençóis ou filmados apenas em closes. O filme não ficou nem uma coisa nem outra: é sim, frio, sem emoção, vazio e totalmente de ambientação fake: dá para acreditar em um apartamento de garotos de programa todo decorado e arrumadinho e com um Poster do clássico brasileiro 'Sinhá Moça"????
Edu é um homem de meia idade, escritor e morador da Lapa que se apaixona por Fabio, um garoto de programa de 21 anos. O problema é que Fabio não transa com camisinha e nem se preocupa se contrair doenças sexualmente transmissíveis, como o HIV. Edu se preocupa, fica tenso, mas nem por isso deixa de continuar transando com Fabio, sem camisinha. Edu fica com ciúmes dos amigos de Fabio, também garotos de programa e mais jovens.
O fato do filme ter sido rodado sem dinheiro não justifica entregar um filme ruim. Faltou alguém que desse um selo de qualidade ao projeto.
Cineastas Em Exílio - Do Terceiro Reich A Hollywood
"Cinema's Exiles: From Hitler to Hollywood", de Karen Thomas (2009)
Documentário obrigatório para estudantes de Cinema, Cinéfilos e estudiosos, “Cineastas em exílio” foi escrito e dirigido por Karen Thomas.
O filme narra a Era de Ouro do Cinema alemão do pós 1a Guerra Mundial, quando os grandes clássicos do País foram lançados e mundialmente aclamados: “O gabinete do Dr Caligari”, “Metropolis”, “M , o vampiro de Dusseldorf”, e tantas outras obras-primas. Muitos cineastas e técnicos migraram para os Estados Unidos à convite de Hollywood, antes mesmo da explosão da 2a Guerra Mundial. Com a criação da UFA, um estúdio que produzia grandes filmes da Alemanha, a indústria efervescia. Muitos técnicos de todas as áreas vinham de outros países da Europa para trabalharem na Alemanha, entre eles, o Vienense Billy Wilder, Fred Zinemann e Robert Siodmack. Marlene Dietrich explodiu com o sucesso de “O Anjo azul” de Ernst Lubitsch, e tanto ela quando o cineasta foram imediatamente trabalhar nos Estados Unidos. “Metropolis” era considerado por Hitler o seu filme preferido. O surgimento do nazismo veio com um aumento do cenário da criminalidade e do desemprego. Os judeus eram considerados os grande vilões do que Hitler chamava de “Cultura mundana”: “Os judeus e suas champagnes borbulhantes destruíram nossa sociedade”. O ministro da Propaganda, Joseph Goebbels, baniu todo os cineastas judeus da UFA e fez uma lista de 12 filmes que ele considerava exemplares para a Alemanha, sem se dar conta de que 11 desses filmes foram filmados por judeus.
Logo, muitos técnicos fugiram da Alemanha nazista, saindo do País praticamente sem um tostão no bolso: segundo pesquisas, mais de 800 técnicos foram para os Estados Unidos. Alguns fizeram sucesso estrondoso, como Billy Wilder, Robert Siodmack, os atores Peter Lorre, Marlene Dietrich. Fritz Lang nunca conseguiu repetir o sucesso que teve em seus filmes alemães. Muitos dos técnicos sucumbiram à falta de interação com a cultura americana. Os exilados se ajudavam, e criaram um fundo do Cinema Europeu, destinado a ajudar técnicos a fugirem da Alemanha e vissem aos Estados Unidos. “Casablanca” foi um filme síntese para os exilados: quase todo o seu elenco foi formado por atores banidos ou fugidos de países da Europa
Os cineastas alemães foram fundamentais para a implantação do cinema de terror, Filmes B e filmes noir para o cinema americano, influenciados pelo expressionismo alemão.
O documentário é narrado pela atriz Sigourney Weaver, e é formado por entrevistas com os sobreviventes, imagens documentais da época e principalmente, por trechos de quase uma centena de filmes alemães e americanos, verdadeiras obras primas do tesouro do cinema mundial.
sexta-feira, 20 de setembro de 2019
O Mal não espera a noite- Midsommar
"Midsommar", de Ari Aster (2019)
Ao acender das luzes, ao final da projeção, tive um deja vu, como se estivesse vendo 'Hereditário", o filme anterior do mesmo diretor, exibido há 1 ano atrás: as pessoas se olhando, muitos rindo e dizendo em alto e bom som: "Que filme merda!""
E eu pensei: "Gente, será que só eu gostei do filme?""
"Midsommar", assim como os outros trabalhos de Aster, demandam paciência e um olhar menos comercial sobre o significado do termo "entretenimento de terror". Não existem jump scares, trilha estridente, gatos que pulam do nada, facas que surgem do além: existe sim, um cineasta autoral, com total domínio de sua narrativa, seduzindo o espectador aos poucos, como em uma hipnose, sem pressa para entregar os golpes baixos. E eles são vários: cenas hiper violentas, daquelas de revirar o estômago. são rápidas, mas brutais. Ao contrário dos movimentos de travellings que percorriam os estreitos corredores da casa de "Hereditário", aqui temos steadicans que acompanham os personagens em longos trajetos pelo exterior da comunidade que se encontra no interior da Suécia.
Impossível não se lembrar do clássico "O Homem de palha": de lá, Ari Aster retirou várias referências: o incêndio, o amor livre, a dança com as fitas, a brancura da população e aquele eterno ar de que uma grande merda irá acontecer.
O filme todo é pelo ponto de vista de Dani (Florence Pugh, de "Lady Macbeth"). Após a morte trágica de seus pais e sua irmã, Dani entra em depressão. Para tentar ajudá-la, (Jack Reynor), seu namorado, a convida para vir com ele e seus três amigos da faculdade para uma comunidade na Suécia, onde a cada 90 anos, acontece uma Festividade que celebra a Vida. Estudantes de antropologia, os amigos querem estudar as atividades pagãs de seus moradores.
Ao chegarem na comunidade, os amigos são muito bem recebidos, mas logo percebem que existe algo de estranho ali e que não existe a possibilidade de ir embora.
Ari Aster tem um profundo domínio sobre a sua cena: conduzindo o filme lentamente, quase como um estudo de antropologia de seus personagens, vamos aos poucos entendendo quem é cada personagem e um pouco do vilarejo. Florence Pugh está soberba no difícil papel de Dani, repleta de camadas. Jack Reynor também tem um papel complexo e no final protagoniza uma cena que dificilmente um ator aceitaria fazer. Violento, bizarro, doentio, provocador...tudo já foi dito pela crítica. Parte do público odiou. Mas é inegável a extrema beleza das imagens, captadas pelas lentes do fotógrafo Pawel Pogorzelski, o mesmo de "Hereditário".
quarta-feira, 18 de setembro de 2019
Late night
"Late night", de Nisha Ganatra (2019)
Ótima comédia dramática, "Late night" é um dos vários projetos de Hollywood que foram resultado do Movimento #MeToo, focando em histórias com protagonismo feminino, dirigido e escrito por mulheres e que falam sobre assédio moral e sexual.
Nisha Ganatra é diretora de séries de tv, entre elas, a premiada "Transparent". Mindy Kaling é descendente de indianos, e famosa por dublar desenhos como "Divertida mente"e "Detona Ralph". Mindy escreveu o roteiro e produziu essa comédia que evoca "O diabo veste Prada"todo o tempo.
Emma Thompson interpreta Katherine Newbury, apresentadora de um famoso Talk Show por mais de 30 anos. Maltratando os seus funcionários, praticando assédio moral, Katherine vê sua popularidade cair. Acusada de não gostar de trabalhar com mulheres, ela decide contratar Molly Patel (Mindy), uma ex-funcionária de uma fábrica e novata em entretenimento, para escrever os monólogos de abertura de seu programa, junto de um grupo de roteiristas homens. Molly sofre tanto com a indiferença de Katherine, quanto de seus colegas homens, mas o seu desejo de querer vencer na vida e fazer parte daquele programa lhe impedem de deixar a peteca cair.
A Katherine de Emma Thompson é totalmente a Miranda de Meryl Streep. Emma, com um look Ellen de Generis, está radiante, e como ela é excelente atriz! Mindy também tem muito carisma, e me lembrei da roteirista e atriz grega Nia Vardalos, de "Casamento grego": nessa Hollywood, cada um tem que correr atrás do seu. O time dos atores masculinos está bem representado por John Lightgow, que interpreta o marido de Katherine que sofre de Mal de Parkinson ( soberbo, como sempre) e atores talentosos que interpretam o grupo de roteiristas.
Digno representante do "Feel good movie", "Late night" infelizmente foi um grande fracasso nos Eua, apesar de receber ótimas críticas. Um olhar cruel sobre o entretenimento, não costuma ser um chamariz para os espectadores.
Assinar:
Postagens (Atom)





































