segunda-feira, 26 de junho de 2017

Ao cair da noite

"It comes at night", de Trey Edwards Shults (2017) Incrível a reação que esse filme teve ao término de uma sessão com meia sala cheia. Em peso, toda a plateia riu, xingou e gritaram que era o pior filme da vida deles, e que queriam o dinheiro de volta. Fiquei triste. Ficou claro para mim o grande abismo que existe entre o público comum e o Cinefilo, que consegue assimilar as referências cinematográficas e de linguagem de um cineasta. Trey Edwards além de dirigir, escreveu o roteiro desse filme, que não é Terror, e provavelmente dai veio a repulsa da plateia, que esperava sustos e sangue jorrando na tela. O filme é um suspense psicológico, que faz dos personagens, joguetes nas mãos de um roteiro simples, mas habilidoso. Em uma época incerta, o mundo foi acometido por um vírus mortal. A família de Paul conseguiu sobreviver, se escondendo numa casa em uma floresta isolada. Paul ( Joel Edgerton, de novo envolvido em uma trama inter racial, depois de "Loving") é casado com a negra Sarah e são pais de Travis, um adolescente acometido por pesadelos recorrentes durante a madrugada. Um dia, um estranho, Will, tenta invadir a casa. Preso, Will diz que veio buscar água e comida para sua esposa e filho. Paul e Sarah resolvem ajudar o rapaz e convidam ele e a família para virem morar juntos. A partir daí, começa um jogo de paranoia entre os moradores, culminando em um desfecho trágico. Assim como o recente terror "Corra!", "Ao cair da noite" se apropria do tema da miscigenação entre brancos e negros para fazer uma metáfora sobre violência e intolerância. O diretor cria um excelente clima de suspense, através de silêncios e zooms, deixando o espectador em suspenso, sempre aguardando algo que talvez esteja por vir. Excelente fotografia, que provoca uma sensação de constante perigo, junto da trilha sonora econômica, evitando na edição de som aqueles sons estridentes habituais em filmes do gênero. Joel Edgerton é um ator maravilhoso, provando ser eclético e visceral nas suas performances. Uma das várias referências cinematográficas é a famosa porta "Red room", retirada de "O iluminado", de Kubrick.

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