domingo, 11 de setembro de 2016

Os demônios

"Les demons", de Philippe Lisange (2015) Fazia tempo que eu não assistia a um filme tão surpreendente e inesperado como essa produção canadense. O filme começa como se fosse um filme de crianças e adolescentes ao estilo de Gus Van Sant e vai caminhando lá pelo meio para um universo aterrorizante e angustiante de Michael Haneke. O filme tem uma das cenas mais exasperantes que já assisti, envolvendo um pedófilo e uma criança. é verdadeiramente assustador! Exibido em diversos Festivais e laureado com o prêmio de Melhor DIretor em San Francisco, o filme se passa nos anos 80, antes da internet e na época onde a Aids aterrorizava a humanidade. Félix ( o extraordinário Édouard Tremblay-Grenier) é um menino de 10 anos. Seus pais vivem discutindo. Félix tem vários medos: que seus pais se separem, que esteja contaminado com o vírus da Aids, que seja homossexual, e também, de um assassino na vizinhança que sequestra, estupra e mata as crianças. Ele se apega ao amor platônico que sente pela jovem professora e pelo amor pelos seus 2 irmãos mais velhos. O filme acompanha o dia a dia de Felix, entre amigos, discussões familiares e a grande reviravolta que o filme dará a partir da metade da história. O cineasta e roteirista Philippe Lisange se baseou em sua infância para contar os vários sub-plots do filme. Dá para perceber que a sua infância e de toda uma geração que se criou nos anos 80 se baseou na cultura do medo, da morte e das proibições referentes ao sexo. Cada cena do filme é rodado em plano único, geral, o que intensifica ainda mais o olhar documental do diretor, egresso dos documentários. O excelente trabalho dos atores, aliado ao trabalho da fotografia e da câmera, mostra um perfeccionismo que Phillipe possui dentro de sua cinematografia. Em determinados momentos, o filme até pode lembrar de outras produções de Haneke, como "Cache". Me lembrei também de "Uma mulher sobre influência", obra-prima de John Cassavetes, na cena da discussão do casal, com os 3 filhos tentando separá-los. É um filme difícil de ser indicado pela sua crueza, mas para quem se permitir assistir, verá um trabalho primoroso de Direção.

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