quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

O quarto de Jack

"Room", de Lenny Abrahamson (2015) Filme que irá destruir corações de todos os espectadores que se permitirem abrir para essa história barra-pesada, e que tem como mensagem central a volta por cima baseado no amor e nos valores familiares. Dirigido pelo irlandês Lenny Abrahamson, que realizou os ótimos "O que Richard fez" e "Frank", o filme saiu do Festival de Toronto com o prêmio de melhor filme escolhido pelo público. É impossível não se comover com a história. Nem dá para contar muito, senão corremos o risco de dar spoiler, mas o filme é baseado no livro de Emma Donoghue, que por sua vez, se inspirou na historia real que aconteceu na Austria: um homem trancou a própria filha no porão e teve 7 filhos com ela. Usando essa premissa, a escritora escreveu um livro todo narrado pelo menino JAck, de apenas 5 anos, que cresceu no quarto e nunca teve contato com o mundo externo. Semelhante a "A vida é bela", de Roberto Begnini, sua mãe, chamada de Ma pelo filho, narra histórias dizendo que tudo no mundo exterior é um faz de conta que não existe. Porém, a medida que Jack vai crescendo e ficando mais esperto, ele acaba sendo uma ameaça para o carrasco. Roteiro formidável, denso, que vai fundo no coração e que faz pensar sobre as relações , sejam elas familiares ou de amizade. O que realmente importa para vivermos? A direção de Lenny Abrahamson é impecável, segura. Ele provoca ternura e muita tensão em momentos que a gente quase não quer ver de tão palpitantes. A fotografia de Danny Cohen é um deslumbre, colorindo com tintas melancólicas o filme, e a trilha sonora de Stephen Rennicks é bem naquele estilo que eleva a alma de todo mundo. Mas o filme não seria não sem o talento de 3 atores: Brie Larson (Ma), Jacob Tremblay ( Jack) e Joan Allen, no papel da avó. Que felicidade poder assistir a atuações tão fortes, inteligentes, comoventes. Joan Allen é uma atriz subestimada, que há muito já merecia receber um Oscar. Brie Larson com certeza se tornará uma grande estrela disputada pelos produtores e esse menino Jacob Tremblay, vou torcer para não ter o mesmo fim de Joel Osment e Macaulay Culkin. Espontâneo, o grande dom do menino e do Diretor é não fazer dele aquela criança prodígio que quer ser um adulto. Ele é uma criança e age como tal. Arrebatador. Não é um filme fácil de ser digerido, e muito menos recomendado para qualquer um. Machuca, provoca. Ma sé um show de talentos. Nota: 10

2 comentários:

  1. Filme maravilhoso que apesar de muito profundo é leve de assistir e realmente te conecta com as suas mais importantes relações. Saí do cinema e voltei correndo para a casa e dormi abraçada com a minha filha! Ainda não consegui parar de pensar nessa história marcante.

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  2. passou uma nuvem de poeira enquanto assistia

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