sábado, 12 de setembro de 2015

Plataforma

"Zhantai", de Jia Zheng Ke (2000) Um retrato extremamente desolador sobre uma geração que viveu amarrada à um Governo comunista que se baseou em preceitos de falta de liberdade de expressão. "Plataforma"tem esse título devido a uma música pop chinesa dos anos 80 com o mesmo título, e que falava sobre uma pessoa que esperava incansavelmente na estação de trem:"We are waiting, our whole hearts are waiting forever" O filme é um ambicioso painel sobre a juventude chinesa durante 10 anos: de 1979 a 1989, período no qual o Governo chinês foi aos poucos se abrindo para a política das "Portas abertas", permitindo a entrada da cultura ocidental em seu dia a dia. Mao Tse Tung morreu em 1976, e com ele, a política da revolução cultural. Mas em 1979, o Comunismo ainda imperava forte no dia a dia da população. O filme acompanha uma trupe de artistas, que se apresenta em lugares públicos fazendo performances de textos que exaltam Mao Tse Tung e o Governo Comunista. Aos poucos, com o passar dos anos e com a influência da cultura ocidental, essa trupe vai se transformando, até finalmente se tornar uma banda de rock eletrônica. Através da história dos atores, o espectador se torna uma testemunha de importantes acontecimentos que viraram a China nesse período. Muitas pessoas sofreram preconceito no início pro aderirem à moda ocidental e ao gosto das músicas pop, consideradas um lixo pelos comunistas. Jia Zheng ke filma essa história de forma extremamente técnica, porém carregada de emoção. Através de um extremo rigor formal ( planos fixos, cenas de apenas um plano, sem corte, planos longos), Jia Zheng Ke testa a paciência do espectador comum em 154 minutos de épico. Para os não cinéfilos, o filme se torna insuportável. O elenco, maioria formado por amadores, exala frescor e muita vivência real dos personagens, muito provavelmente porquê a inquietude da ficção fez parte da história dos atores. Esse gás, essa energia que vibra em cada ator, é algo muito valioso, nas mãos hábeis de Joa Zheng ke, vira ouro. O filme teve a exibição proibida na China, e somente era possível assistir através de sessões clandestinas ou comprando dvd pirata. Até hoje, o filme é visto como um panfleto anti-revolucionário, e por conta disso, Jia Zheng ke o dedica a seu pai, que sempre temeu o Governo comunista e tentava fazer com que seu filho não fosse preso pelos seus ideais politicos. Um filme obrigatório para cinéfilos, para historiadores e para quem entende que o Cinema é uma das maiores forças divulgadoras de ideais de um Autor. O filme foi rodado em Fenyang, provícnia onde nasceu Jia Zheng Ke e onde ele guarda suas memórias afetivas. Muitas cenas antológcas, como a dança do grupo durante a execução do pop brega "Gengis Khang" ou a dança das meninas em cima da carroceria de um caminhão na estrada. Melancolia e tédio de jovens que perderam o poder de sonhar por dias melhores. Nota: 8

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