quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Love 3D

"Love 3D", de Gaspar Noé (2015) Provavelmente o mais polêmico cineasta depois de Lars Von Triers, ambos usam o marketing a seu favor. Exibido fora de competição em Cannes 2015, "Love" causou furor, ódio e paixão. Dessa vez Gaspar Noé, argentino radicado em Paris, faz uma retrospectiva de seus filmes e insere tudo nesse seu épico sexual de 134 minutos de duração. Mas é bom avisar quem for assistir ao filme, avido e curioso para se divertir com sexo explícito em 3D: dos 134 minutos, deve ter uns 15 minutos de sexo puro. Os outros 120 minutos estão reservados ao mais puro existencialismo, digno de um personagem de Antonioni depressivo pelo fim de um relacionamento e discorrendo sobre as razões de viver. De " Sozinho contra todos", Noé busca o existencialismo, as cartelas ultra pop coloridas, os planos tableau e a narração em off. De "Irreversível, vem a narrativa contada do fim até o início de um relacionamento e vários planos sequencia. De " Enter The void", ele repete o plano do penis penetrando na vagina pelo ponto de vista do útero e as cores berrantes e estroboscópicas dos neons, além das câmeras seguindo os personagens sempre pelas costas. A história é a mais simples possível; Murphy, um jovem estudante de cinema americano, está em Paris e conhece Electra, uma jovem pintora. Apaixonados, eles fazem juras de amor eterno, até que uma loira estonteante, Omi, invade a vida do casal. Menage a Troix, orgias e bacanais, transa com travesti, é um vale tudo nesse filme fetichista e visualmente estonteante. A fotografia é um orgasmo puro de tão bonita, os atores são todos belíssimos e vê-los trepando vale muito a pena. Gaspar Noé exacerba a sua megalomania e batiza um bebê de Gaspar e o ex namorado de Electra de Noé, além do protagonista ser um cineasta. Ao longo do filme vemos muitos pósters de filmes clássicos do cinema, provando que o filme é na verdade uma grande homenagem ao cinema e ao amor. É como diz Murphy, o sonho dele é fazer um filme sobre sexualidade emocional. Coube a Gaspar Noé fazer esse filme, mesmo que a gente tenha a absoluta certeza de que esse filme poderia ter sido contado com uns 40 minutos a menos. Reparem na cena de sexo a três: uma das mais lindas que já vi. Louvo os atores que se deixaram a serviço do filme e do diretor e se dedicaram cem por cento aos propósitos do filme. Nota: 7

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