quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Que horas ela volta?

"Que horas ela volta?", de Anna Muylaert (2015) Em 2009, o filme chileno " A criada" de Sebastian Silva ganhou vários prêmios internacionais. Através do drama da empregada doméstica interpretada excepcionalmente pela atriz Catarina Saavedra, passiva, muda e atenciosa, o filme trazia um relato cruel da relação patrão e empregado. Os filhos interagiam mais com a Empregada do que com os pais que, friamente, apenas viviam uma vida burguesa vazia e de aparências. Em 2015, o cineasta Felipe Barbosa nos trouxe "Casa grande", também Premiadíssimo filme que igualmente narra a relação hierárquica entre patrões e empregados, a contradição entre a moradia na mansão e a moradia na favela. Agora, com " Que horas ela volta?", a roteirista e cineasta Anna Muylaerte volta ao mesmo tema, com um diferencial: um olhar apaixonado e humano pela empregada vivida espetacularmente por Regina Case'. O filme, premiado em Sundance e Berlin, tem como ponto de vista o olhar dessa empregada que trabalha a mais de uma década na casa de um família rica, Bárbara (Karine Teles) e Carlos ( Lourenço Mutarelli). Nesse elenco cult, cabe espaço para estreantes explosivos: Camila Mardila, como Jessica, a filha de Val (Case') e Fabinho (Michel Joelsas). Curioso que, assim como em " Casa grande", o filho do casal também se refugia no quarto da empregada quando não consegue dormir. No caso de Fabinho, com outro propósito: Val, como diz o título em inglês do filme, é a segunda mãe da história. A chegada de Jessica, que vem de Recife para poder prestar vestibular, e acaba indo morar com Val na casa dos patrões, acaba trazendo consequencias para a casa: a patroa odeia sua presença, o marido fica apaixonado, o filho fica curioso e Val fica assustada com o atrevimento da filha que resolve discutir hierarquia e valores burgueses. Belamente dirigido, com fotografia discreta e bonita de Bárbara Alvarez é uma trilha sonora que não briga com as imagens, é um filme que merece ser visto por suas qualidades artísticas e técnicos. Regina Case mostra que ela faz falta em bons personagens nas telas do Cinema.

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