sábado, 29 de agosto de 2015

Descompensada

"Trainwreck", de Judd Apatow (2015) Judd Apatow foi uma espécie de John Hughes ( O papa do Cinema adolescente dos anos 80, que dirigiu "O clube dos cinco", Curtindo a vida adoidado" e " Gatinhas e gatões", entre outros) dos anos 2000. Ele dirigiu algumas das comédias mais divertidas da época, protagonizadas por loosers, como "Virgem aos 40", "Ligeiramente grávidos" e outros, ajudando a construir a carreira de atores como Seth Rogen e Steve Carrel. Porém de uns anos para cá parece que ele perdeu o trilho do trem, e em seu novo filme, ele dá o título em inglês de "Trainwreck", ou trem desgovernado, ou na gíria, alguém que saiu do controle. Seria incauto eu comparar o filme ao título, mesmo porquê é um filme no mínimo curioso. Escrito e protagonizado por Amy Schumer, uma nova estrela do humor americano, estrela de um seriado que tem o seu nome, aqui no Brasil talvez pudesse ser comparada a Tatá Werneck. Um tipo de humor mais sério, baseado em expressões faciais e menos pastelão. Amy não é uma atriz bonita, mas tem charme o suficiente para segurar a protagonista. Ela interpreta Amy ( que criativo), uma redatora de uma revista estilo Vanity Fair. A editora é uma megera, Dianna (Tilda Swinton, no melhor estilo Miranda de Meryl Streep em 'O diabo veste Prada"). Dianna pede para Amy fazer uma matéria com um médico ortopedista de atletas famosos, Aaron ( Bill Hader, ótimo). Ambos logo sentem um clima, mas tem um porém: Amy não acredita em amor, e sim, na poligamia. Ela odeia romantismo e desce criança seu pai colocou esse pensamento na mente dela e de sua irmã. Amy precisa lutar contra o seu pensamento sobre a vida e relacionamentos. O filme tinha tudo para ser pelo menos um bom passatempo. Mas quais são os seus problemas? 1) A sua duração. Impensável uma comédia ter mais de 2 horas de duração. Não tem história para isso. Apesar de ter muitos personagens, metade deles poderiam ter sido dispensados. São histórias paralelas demais. O filme acaba se sacrificando em ritmo e narrativa. Ficou chato. 2) O filme tem uma crise de identidade: não sabe se quer ser engraçado, romântico ou dramático. Aposta em todas as direções. e assim, os personagens ficam sem identidade. A personagem de Amy parece ter transtorno de personalidade, porquê tem horas que ela parece ser outra pessoa. O que é uma pena. O filme tem bons atores, e fora isso, várias participações especiais: Matthew Broderick ( pasmo como ele envelheceu), Daniel Redcliff e Marisa Tomei. O Ator Bill Hader é um ótimo comediante, e está muito bem no filme. Ay ainda pode vir a ser uma grande estrela, mas aqui no filme ela está meio sem sal, sem brilho. Faltou um personagem mais humano e menos espalhafatoso. O desfecho da história acaba se rendendo aos clichês de um bom romance. Condizente com a trajetória da personagem? Bom, a roteirista Amy teve que provocar uma tragédia pessoal para que isso acontecesse. De engraçado mesmo, acho que apenas 2 personagens, aliás mal aproveitados: um amante bombado de Amy, que tem diálogos hilários, e a amiga dela de trabalho, meio maluquete. Apatow e Amy ainda reservam espaço para homenagear clássicos da música pop dos anos 80, como "Uptown girl", de Billy Joel, e reproduzir uma cena de "Manhattan", de Woody Allen. Nota: 6

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