domingo, 23 de agosto de 2015

Longe desse insensato mundo

"Far from the madding crow", de Thomas Vintenberg. Refilmagem de um filme de 1967, dirigido por John Schlesinger com Julie Cristie e Terence Stamp, e baseado no livro clássico de Thomas Hardy. O filme se passa em Dorset, interior da Inglaterra de 1870, na Época Vitoriana. Nesse período, as mulheres não tinham voz na sociedade. Todas, menos Bathsheba Everdene (Carey Mulligan). Órfã, desde cedo ela aprendeu a lutar sozinha e ser independente. Crescida, ela herda uma fazenda decadente de seu tio, e deseja fazer de tudo para que ela se torne próspera. Para isso, conta com a ajuda de um home, Gabriel Oak (Matthias Schoenaerts), pastor de ovelhas que perdeu toda a sua criação e que agora trabalha para Bathsheba para poder sobreviver. Gabriel no entanto nutre uma paixão platônica pela patroa. Outros 2 homens surgem no caminho de Bathsheba: Sargento Francis (Tom Sturridge) e William Boldwood (Michael Sheen). O primeiro é um sargento cuja namorada não surgiu no dia do casamento na Igreja e ele acaba galanteando Batsheba. O outro é um rico fazendeiro de meia idade que quer se casar com ela mas se frustra diante de sua recusa. Batsheba fica indecisa entre 3 amores pelos quais ela não sabe como administrar, até que aceita se casar com o Sargento Francis. Estranho são os caminhos do Cineasta dinamarquês Thomas Vinternberg, Em seu primeiro longa, ele realizou um filme dentro dos padrões do dogma dinamarquês, criando um conceito de filme independente que na época foi um verdadeiro escândalo dentro dos padrões do cinema clássico vigente ( sem maquiagem, locações reais, sem trilha sonora câmera sempre na mão, orçamento minimo, etc). Na outra ponta, ele realiza o seu filme mais dentro dos padrões de Hollywood possível? história de amor clássica, recheada de trilha sonora envolvente. muitos efeitos de câmera, filtros, e ares de super-produção com estrelas do Cinema. Traição à sua origem, ou apenas se acomodando dentro de um perfil de indústria de cinema, onde todo mundo deve fazer de tudo um pouco? O seu filme está mais próximo de uma produção do inglês James Ivory, ou algum episódio de "Dawton Abbey". A história, é a mais tradicional possível em relação a amores proibidos, incertezas, glória e fracasso. Nada aqui é ousado, tudo está dentro do convencional. Não que isso seja ruim, pelo contrário, tudo está de altíssimo nível, desde a fotografia, trilha, edição, e claro, trabalho dos atores. O que acontece é que esse é um tipo de filme que conquista o espectador mais certa, a fim de algo tradicional, uma história de amor para se sofrer. Novela? Pode ser. Porquê fazer uma novela em pleno ano de 2015? Bom, Jane Austen continua sendo adaptada até hoje. O público parece que às vezes se cansa de tantos efeitos especiais e recorrem a algo mais nostálgico e clássico. Se o filme é bom? Sim. Mas não emociona, não envolve, Apenas assistimos. Nota: 7

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