quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Homem irracional

"Irrational man", de Woody Allen (2015) Em seu 45o filme, Woody Allen repete várias de suas táticas dramatúrgicas para criar essa história de crime e castigo, já vista em filmes como "Crimes e pecados", "Match Point" e "O sonho de Cassandra". Para Allen, o óbvio nunca é o óbvio, e cabe ao espectador acompanhar o filme imaginando o que vai acontecer, mas o roteiro, sempre traiçoeiro, prega peças e nos surpreende com o acaso, tema muito presente em seus filmes. E através do acaso da vida e os seus desdobramentos que vamos acompanhando a história de Abe ( Joaquim Phoenix), um professor de filosofia, autor de vários livros, que se muda para uma cidade no interior, próximo a Rhode Island. De temperamento depressivo, fã do existencialismo, e de tendências suicidas, Abe dá aula para uma turma que constantemente discute tais temas com o professor polêmico. Uma de suas alunas, Jill ( Emma Stone), namorada de Roy, de cara se apaixona por essa personalidade melancólica do mestre e faz de tudo para seduzi-lo. Alcóolatra e arredio, ele acaba se envolvendo com a professora casada Rita ( Parker Posey). Um dia, durante um café, Abe e Jill testemunham uma discussão de uma família na mesa do lado que lamenta a possibilidade da perda da guarda dos filhos da jovem, mediante o mandato de um juiz corrupto. Abe vê ali uma chance de dar sentido à sua vida: matar o juiz e mudar a vida dessa mulher que ele nem conhece. Muitas das situações corriqueiras de Woody Allen são vistas aqui, recauchutadas: a paixão por uma mulher mais jovem; a tentativa de descobrir as possibilidades de um crime; a traição; a melancolia e desprezo pela vida. Woody Allen, quase 80 anos, mostra muito vigor na condução de sua trama. Em um elenco onde se destacam 3 atores famosos ( Joaquim Phoenix, Emma Stone, Parkey Posey), ele mescla com atores totalmente desconhecidos, provando que ele é um Diretor que não tem medo de apostar em caras novas. O roteiro, surpreendendo no final, caminha por caminhos conhecidos ao longo de sua narrativa. Os diálogos, claro, continuam ácidos. Dessa vez, sua trilha sonora dá um tempo da música clássica e, além de Bach, ele conduz quase que a narrativa inteira ao sim dançante de Ramsey Lewis Trio "The 'In' Crowd". É um swing gostoso que provoca dinâmica e um estranho suspense noir. Para fãs incondicionais do Mestre, impossível não gostar do filme. Sim, não está entre seus melhores, mas mesmo assim vale muito a pena assistir. Sinais de vida inteligente em filme americano merece muito ser apreciado por cinéfilos famintos por boas produções. Nota: 8

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