terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

O gerente


de Paulo Cesar Saraceni (2011)

Drama dirigido por um dos maiores cineastas brasileiros , autor de " A casa assassinada", " O desafio", " Porto das caixas" e outros. Saraceni é um enfant terriblé do cinema novo, e teve sua fase mais produtiva nos anos 70 e 80.
Em " O gerente", adaptação livre de um conto de Carlos Drummond de Andrade, Saraceni faz talvez o seu filme mais ousado em termos estilísticos e de linguagem. Aliando falta de orçamento com uso da criatividade, Saraceni faz um filme de época ambientado nos dias de hoje. Em meio a personagens vestidos como nos anos 50, misturam-se prédios modernos, automóveis último tipo, figuração espôntanea vestida de qualquer jeito, pessoas olhando para a câmera. O que parece desleixo ( e em alguns momentos realmente parece ) acaba se tornando um conceito que se justifica dentro dessa sua proposta de ensaio poético. Não interessa a coerência de época. E o espectador acaba se acostumando.
O filme narra a história de Samuel, um gerente de uma confeitaria, obcecado por mulheres. Sedutor e galanteador, Samuel tem um hábito muito estranho e bizarro: ao beijar as mãos das mulheres, acaba devorando um pedaço do dedo. Um ato inconsciente de canibalismo.
Essa estrutura louca do filme tem seus bons e maus momentos. Entre os maus, uma cena constrangedora de merchandising escancarado da Petrobrás. 3 Personagens discutem os benefícios da extração do petróleo no País, e concluem que um dia, a empresa irá investir no cinema nacional. Ficou divertido. Outra cena muito louca é a de Ana Maria Nascimento e Silva encarnando uma pomba-gira. Ficou gratuito, porquê isso não se encaixa no filme.
O filme junta pontas e pedaços de filmes, e cenas musicais. Lá pro final, surge do nada um clip de João Gilberto. Em outro momento, cenas de um filme mudo que a gente nem sabe o que significa dentro do contexto.
Resolvi aceitar o filme como uma proposta livre de reflexão e arte, e dessa forma, consegui enxergar um filme curioso e ousado, livre, solto de amarras e do que chamamos de lingaugem cinematográfica.
Não farei avaliação de notas ao filme, porque ele não foi feito para ser criticado. Amem ou odeiem, esse é o filme do Saraceni. Um artista apaixonado pelo cinema nacional.
O elenco é um comentário a parte: Todas as interpretações tem um quê de bufão, de histrionismo. Aliando drama e comédia, o eclético elenco vai de Ney Latorraca a Adriana Bombom, e toda uma galera típica dos anos 70: Roberto Bomfim, Maria Pompeu, Priscila Camargo, Paulo Cesar Pereio. Aliás, a cena com Pereio é antológica, como só Pereio sabe fazer.

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