sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Beatriz

"Beatriz", de Alberto Graça (2015) Terceiro longa do Cineasta Alberto Graça e escrito por roteiristas consagrados como José Carvalho, Marcos Bernstein, José Pedro dos Santos e Ricardo Bravo, além do próprio Graça, é um filme que se apropria da linguagem do Cinema, do Teatro e da literatura para narrar uma história de amor. Não propriamente uma história de amor convencional, mas um amor doloroso que literalmente machuca os envolvidos, no caso, Beatriz ( Marjorie Estiano) e Marcelo ( Sergio Guizé). Ele, escritor. Ela, advogada. Assim como os personagens do clássico de Walter Salles, "Terra estrangeira", o casal abandona o Brasil e segue até Lisboa para ali, construir vida nova. A sensação de "estar" estrangeiro provoca um sentimento de solidão avassalador, e somente com o amor que os une eles conseguem sobreviver. Mas o filme começa justamente aí: na ruptura da relação dos dois, provocada pela crise criativa de Marcelo. Ele precisa escrever um novo livro, que vai sendo adaptado para uma peça de teatro. O problema é que ele não consegue trabalhar na obra e Beatriz, sentindo que pode perder o amado, se sacrifica e entra na personagem ficticia da história, para servir de inspiração para Marcelo. Tecnicamente o filme é primoroso: fotografia de Rodrigo Monte, locações estonteantes em Lisboa. É um filme muito elegante. Alberto Graça traz de volta para a filmografia brasileira um tema que há muito não se via no cinema nacional: o existencialismo. Através do Off de Beatriz, que costura o filme, acompanhamos o desmoronamento psicológico e moral das personagens. Um filme adulto e provocador, repleto de erotismo, que ao invés de provocar tesão, nos faz refletir sobre a nossa condição na sociedade. Remover

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