quinta-feira, 5 de outubro de 2017

A forma da água

"The shape of water", de Guillermo Del Toro (2017) O Cineasta mexicano Guillermo Del Toro é um dos grandes responsáveis por fazer toda uma geração se apaixonar por filmes de monstros e de fantasia, posto que por um bom tempo ficou reservado para Tim Burton. Consagrado em filmes anteriores como "A espinha do diabo" e "O labirinto do fauno", Del Toro apresenta para os espectadores um de seus filmes mais brilhantes e apaixonantes. Repleto de um tom de conto de fadas macabro, "A forma da água" traz de volta o tema da Guerra fria, por um bom tempo esquecido por Hollywood. Nos anos 60, uma faxineira muda, Elisa (Sally Hawkins), mora sozinha em um pequeno apartamento que fica em cima de uma sala de cinema decadente. Ela mantém a mesma rotina diária: se masturba na banheira, come ovos cozidos, cuida de seu vizinho também solitário e gay, Giles (Richard Jenkins), pega um ônibus e vai trabalhar em uma base militar fazendo faxinas. Zelda (Octavia Spencer) é sua melhor amiga no trabalho. Um dia, uma enorme cápsula chega na base , trazida por Strickland (Michael Shannon). Elisa descobre que nela se encontra um ser meio anfíbio meio humano. O ser é usado como experimento cientifico pelos americanos, que querem avaliar se ela pode trazer informações para usar contra os russos. Elisa se afeiçoa pelo ser e quer de qualquer jeito, tirá-lo de lá. Grande vencedor de Veneza 2017, levando 4 prêmios, entre eles, de melhor filme e melhor trilha sonora, o filme chama atenção por todos os seus quesitos técnicos: Fotografia magistral de Dan Laustsen ( que também fotografou o filme anterior de Del Toro, "A colina escarlate"), trilha sonora do Mestre Alexander Desplat, Direção de arte e figurinos impecáveis, um roteiro criativo e emocionante de Del Toro e Vanessa Taylor e claro, um trabalho antológico de todo o elenco. Sally Hawkins bota pra quebrar no papel de uma surda, se comunicando apenas por sinais. Seus olhares são absolutamente geniais. Michael Shannon interpreta um maravilhoso vilão, daqueles que a gente fica com ódio. Richard Jenkins traz humanidade ao seu maravilhoso Giles; Michael Stuhlbarg ( de "Um homem sério", dos irmãos Coen) também rouba cena como um cientista de dupla nacionalidade. e ara finalizar, Octavia Spencer, apaixonante como a doce e vibrante Zelda. A gente torce, se emociona, se encanta, ri, e quase chora nessa pequena obra-prima. que mistura gêneros como drama, comédia, fantasia, musical, aventura e ficção cientifica. Ah sim, e porque não, um romance erótico? O filme tem uma cena antológica de sexo debaixo da água, numa banheira. Muita poesia. Impossível não se apaixonar pelos protagonistas, e o final, de arrasar quarteirões.

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