quarta-feira, 3 de maio de 2017

Terra em transe

"Terra em transe", de Glauber Rocha (1967) Lançado em 1967, "Terra em transe" acaba de fazer 50 anos em 2017. Um dos filmes mais controversos do Cinema brasileiro, atacado pela Censura, pela direita e também pela esquerda dos intelectuais, o filme é, como em boa parte dos filmes de Glauber, uma alegoria política do Brasil, e mais até, da America Latina. O filme se passa na fictícias Eldorado e Alecrim. Paulo Martins (Jardel Filho) é um jornalista aspirante a poeta que trabalha para o senador Porfirio Diaz (Paulo Autran), um politico austero, conservador e que carrega a cruz por onde anda. Sentindo-se traído pelos ideais de Diaz, que abandonou o sonho socialista pelo Poder, Paulo segue para Alecrim, e se alia ao candidato a governador Felipe Vieira (Jose Lewgoy), um politico populista que adora fazer caminhadas com o povo, mas na verdade, os abomina. Ao seu lado, seguem um padre, um militar, um comunista e outros representantes do Poder. Paulo resolve instaurar uma luta armada para poder defender os seus ideais. Dito assim, o filme parece narrativamente coeso. Mas cercado de simbolismos, alguns bastante complexos, o filme é uma verdadeira metralhadora giratória, atirando para todos os lados. O seu experimentalismo narrativo, aliado `a fotografia de Luiz Carlos Barreto e a trilha sonora de Sergio Ricardo, lhe renderam o Premio Fipresci em Cannes, além de fãs assumidos como Martin Scorsese. "Terra em transe" é para ser visto várias vezes, e com certeza, a cada visão, o filme proporcionará uma novas leituras. Nota mais do que especial para um elenco gigantesco, eclético e totalmente antenado `as propostas de Glauber: além dos citados, temos Danuza Leao, Hugo Carvana, Paulo Cesar Pereio, Mauricio do Valle, Francisco Milani, Paulo Gracindo, Sonia Clara, Glauce Rocha, Flavio Migliaccio, Clovis Bornay, Mario Lago, entre outros.

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