terça-feira, 31 de dezembro de 2013

15 anos e 1 dia

"15 años y 1 dia", de Gracia Querejeta (2013) Filme espanhol vencedor de vários prêmios no Festival de Malaga, na Espanha, tendo sido inclusive indicado pela Espanha para concorrer a uma vaga no Oscar de filme estrangeiro de 2014, porém acabou não sendo finalista. O filme é um drama sobre Jon, adolescente que não se encaixa no padrão de um estudante disciplinado. Expulso, ele é enviado por sua mãe, Margo (Maribel Verdu, de "E sua mãe também") para a casa do avô dele, após ter matado o cachorro do vizinho com veneno. Max, o avô, é ex-soldado, e incumbido de disciplinar o rapaz. Mas ele se envolve com um grupo de jovens delinquentes, e uma morte ocorre. Jon entra em coma e é acusado do crime. O grande problema desse filme é a sua crise de identidade. Ele não se define como drama juvenil, filme policial, filme família. Com um número enorme de personagens, Jon acaba meio perdido e sub-aproveitado. Do meio pro fim o avô tem mais importância do que ele. É um filme arrastado, os personagens não são carismáticos nem ficamos torcendo por ninguém. É uma pena, porquê no início prometia algo interessante, mas se esvai logo na primeira meia hora. Tivesse apostado mais no humor latino, teria tido mais sorte. Apostar no drama de bullying foi seu grande erro. Nota: 5

Vida de Motel

"The Motel life", de Alan Polsky e Gabe Polsky (2012) Drama baseado em livro homônimo de 2006, de Willy Vautin, foi filmado na locação citada no livro, na região gélida de Reno, em Nevada. Frank ( Emile Hirsch) e Jerry (Stephen Dorff) são dois irmãos muito unidos. Na adolescência, Jerry sofreu um acidente e perdeu a perna. Ambos moram em um Motel, e criam através da imaginação, histórias heróicas com os dois como protagonistas. Uma noite, Jerry acorda Frank dizendo que atropelou uma criança e a matou. Frank faz de tudo para acobertar o irmão. Unindo filme e animação, esse filme melancólico tem um ótimo elenco, que além dos dois citados, tem ainda Dakota Fanning e Kris Kristofferson ( muito envelhecido). Mas a história e os atores não conseguem trazer interesse para o filme. Ele segue sem ritmo, monótono, embalado por belíssima fotografia e trilha sonora. Emile Hirsch parece não ter acertado muito em seus últimos filmes. Com exceção de "Prince avalanche" e "Killer Joe", todos os outros foram grandes fracassos: "A hora da escuridão"e "Prova de redenção", escalado errôneamente para ser par romântico de Penelope Cruz. Ganhou vários prêmios no Festival de Roma 2012, entre eles, filme do Juri Popular. Nota: 6

Trapaça

"American Hustle", de David O. Russel(2013) Cassino, anos 70, mulheres fatais, Robert de Niro, Glamour, sexo, violência, Poder, Máfia, FBI, Vigaristas, Disco Music, triângulo amororo. Não, o filme não é "Cassino", de Scorcese. A mais nova empreitada do diretor de "O lado bom da vida", mistura todos esses itens, e ainda acrescenta humor. Fora isso, tecnicamente, é um dos filmes mais deslumbrantes que vi recentemente ( acho que o último foi "O Grande Gatsby"). Fotografia, figurino, direção de arte, maquiagem e cabelos, trilha sonora, edição de som, tudo é muito requintado, e a olhos vistos, a gente percebe que gastaram muito dinheiro. Reproduzir ruas de Nova York hoje em dia, quarteirões inteiros, e fazê-los ficar com cara de época, não é para qualquer produção. Repetindo 3 de seus atores ( Bradley Cooper, Jennifer Lawrence e Robert de Niro), O. Russel ainda escala Christian Bale, Amy Adams, Jeremy Renner e muitos outros, numa das maiores escalações de grandes Estrelas desde "12 homens e um segredo". O roteiro é bastante complexo, se abrindo em vários sub-plots, e o filme é'longo, com quase 140 minutos. Com certeza meia hora a menos teria feito um bem danado ao filme. Mesmo sendo um drama sobre o mundo do crime, o filme caminha lentamente, sem cenas de ação. É um filme de personagens, de formação de caráter, pessoas que vão se transformando de acordo com suas necessidades. A história gira em torno de Irving ( Bale), um vigarista que se junta a Sidney ( Amy Adams), uma stripper também com vocação pro crime. Eles se apaixonam, mas Sidney descobre que Irvingé casado com Roselyn (Lawrence), uma bipolar que usa o filho adotivo para manipular o marido. Richie ( Cooper) é um agente do FBI que chantageia Irving e Sidney para que o ajude a desmascarar o Prefeito de New Jersey, Carmine ( Renner), envolvido com mafiosos que querem implantar Cassinos em Atlantic City. A partir dai, o filme vira um pega pa capar, com dezenas de personagens surgindo o tempo todo, confundindo a cabeça do espectador. Os atores beiram o caricato, ficando no limite do que eu acho que estão excelentes ou se estão "overacting". Talvez tanta peruca tenha me dado essa impressão. Sempre cismei com peruca em atores de época, aquela coisa pendurada na cabeça, nada orgânica, que nem no filme "Lovelace", um dos responsáveis por destruir o filme. Não fiquei apaixonado pelo filme, apesar de ter cenas incríveis de Direção ( como na cena da Boite Disco), ou a briga de galo de Sidney e Roselyn. Mas é chato, bem chato, e não me seduziu. A destacar a trilha sonora, com dezenas de músicas tocando o filme inteiro. É quase um musical. Nota: 6

A música nunca parou

"The music never stopped", de Jim Kohlberg (2010) Baseado em história real, esse filme percorre a Era musical dos anos 50 anos 80. Henry (J.K. Simmons, emocionante), casado com Helen, tem um filho, Gabriel. Pai e filho são unidos pela paixão por músicas. Para Henry, casa música traz uma lembrança da vida. Quando chegam os anos 60, Gabriel se une ao Movimento Hippie, contra a vontade de seu pai, que não vê com bons olhos a ira anti-patriótica dos jovens. Até que durante um conflito familiar, Henry expulsa o filho de casa. 20 anos depois, eles se reencontram, mas de forma dramática: Gabriel é diagnosticado com tumor cerebral, e o Hospital entra em contato com a família. Com a retirada de parte do tumor, a memória de Gabriel foi afetada, impedindo-o de ter memórias recentes. Através da musicoterapia, Henry irá tentar trazer Gabriel ao sue mundo normal. Esse filme nasceu para ser um clássico melancólico do Sessão da tarde. Triste, mas com a mensagem de que a família unida e dedicada ao amor de seus entes queridos sempre irá atravessar as barreiras emocionais que os separam. Os atores estão todos muito bem, o roteiro é esquemático e por isso mesmo, não reserva surpresas. O Desfecho é até previsível. Mas o grande barato do filme é a sua trilha sonora. Ela faz um registro de grandes clássicos dos anos 50, como Count Basie, Duke Ellington, percorrendo Beatles, Rolling Stones, Grateful Deads, etc. Não há o que reclamar. No mais, é curtir esse filme inofensivo, feito para ser visto com toda a família, sem medo de ser feliz. Nota: 7

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Tudo está perdido

"All is lost", de J. C. Caandor (2013) "Tudo está perdido", de J.C. Chander. Um homem navega solitário no mar próximo à Índia. Repentinamente seu barco colide em um container abandonado, e o barco começa a naufragar. O homem pega seu bote e passa dias e dias sem água, comida, lutando contra o sol forte e tubarões. Assim é "All is lost", um filme que, assim como "Náufrago", "As aventuras de Pi" , "Mar aberto" e "Gravidade", concentra seus esforços no tour de force de um único ator e nos efeitos especiais. "Gravidade", de todos, sai ganhando, pois aposta na claustrofobia do espaço sideral. Quando se está perdido no mar, ainda existe a esperança de se comer um peixe, de chuver e beber água e de um barco passar. Mesmo assim, o filme tem seus méritos, e claro, todos se depositam na performance minimalista de Robert Redford, que inteligente, evita os clichês de surtos de sua personagem. Envelhecido, Redford encarna o americano padrão, com aquela cara irretocável do bom mocinho. Li numa entrevista que ele se entregou a um processo físico real, querendo sofrer tudo o que sua personagem passava. Eu já filmei com barcos e sei a grande chatice que é, necessita ter muito saco e paciência pra vencer as marés e as dificuldades técnicas impostas pelo mar e pelo barco. Esse filme é um presente para qualquer ator, e Redford soube pegar essa oportunidade com chave de ouro. Quanto ao roteiro, senti falta de me envolver emocionalmente mais com a personagem, que nem nome tem. Queria saber um pouco sobre quem ele é, se tem família, quem ele deixaria para trás no caso de morte, que sonhos seriam abandonados pela tragédia iminente. Do jeito que o filme é, fica apenas a jornada intensa de um homem lutando pela sua sobrevivência. Apuro de Direção, fotografia esplendorosa, trilha sonora envolvente. Nota: 7

domingo, 29 de dezembro de 2013

No espaço não existem sentimentos

"I rymden finns inga känslor", de Andreas Öhman (2010) Nossa, que filmo bacana! Me surpreende que a Suécia, que tem tradição em dramas existencialistas, venha com essa delícia de comédia dramática e romântica. Inspirado em "Amelie Poulain", com seu desenho visual que mescla animação e grafismos para contar uma fábula acri-doce, o filme conta com um roteiro genial, e uma atuação fenomenal do jovem Bill Skasgard. Ele interpreta Simon, um jovem com síndrome de Asperger ( mesma doença dos personagens dos filmes "Adam", e "Tão longe, tão perto"). Eu me irrito muito com personagens que tem Asperger, porquê vamos combinar, são chatos e irritantes. Mas aqui, no roteiro de Jonathan Sjöberg e do cineasta Andreah Ohman, eles usam a doença para narrar as desventuras de uma pessoa incrontrolável e que, por amor, pode ceder seu espaço para outros fazerem parte. Simon tem um irmão Sam, que mora com sua namorada. Simon resolve morar com eles, mas a namorada resolve ir embora, por não aguentar as obsessões de Simon. Sentindo-se culpado, Simon resolve arranjar outra namorada para Sam. E é aí que entra Jennifer, uma maluquete encantadora. O filme tem uma cena antológica: Jennifer coloca um fone de ouvido em Simon e faz ele ver o mundo de uma forma diferente, através da música. Um primor de Direção e interpretação. Uma pena que filmes assim não encontrem espaço no circuito, seria lindo as pessoas poderem compartilhar de um filme tão lindo, lírico e inteligente. É cinemão, mas feito com muita inteligência, carinho, paixão pelos personagens e sobretudo, com atores excelentes que dão vida a tipos tão carismáticos. Trilha sonora irresistível. Super recomendado para quem curte aqueles filmes clima Sessão da tarde clássicos. Nota: 9

Simon Killer

"Simon killer", de Antonio Campos (2012) O mais novo filme de Antonio Campos, filho do jornalista Lucas Mendes, faz alarde, mas não consegue chegar a lugar algum. A começar pelo título, um spoiler em si, minando qualquer possibilidade de envolvimento do espectador com a personagem e ir descobrindo sua personalidade aos poucos. Simon é um jovem estudante americano, que após uma separação, resolve passar uma temporada em Paris. Ele se comunica com sua mãe via Internet, e entre divagações e crises existenciais, sofre bullying e xenofobia nas ruas parisienses. Um dia, ele conhece Marianne, uma prostituta com que ele se envolve. Possessivo, ele grava vídeos das transas dela e chantageia os clientes. Mas as coisas saem do controle e Simon mostra a que veio. Esse retrato de um psicopata procura mostrar as motivações do personagem através de planos longos e intermináveis caminhadas pelas ruas. Mas tudo isso resulta muito entediante. As cenas de sexo não me convenceram. A apatia dos personagens me incomodou, não existem sorrisos, momentos de alegria, ficou tudo um mundo muito distanciado e frio, tipo "Olha que Mundo de merda estamos vivendo". A fotografia é interessante, mas deveriam ter investido mais na esquizofrenia do personagem, o filme até tenta fazer uns planos gráficos, ma sé pouco, muito pouco. Com meia hora a menos o filme teria rendido muito mais. Nota: 5

sábado, 28 de dezembro de 2013

Gloria

"Gloria", de Sebastián Lelio (2013) Quer fazer uma Atriz feliz? escrevam um roteiro onde a personagem dela possa se mostrar Plena, e a atriz consequentemente, possa se entregar ao Personagem. O resultado disso? Esse filme chileno com essa atriz extraordinária, Paulina Garcia, que ganhou o prêmio de melhor atriz em Berlin 2013. Eu sempre falo isso: o ator que se entrega ao seu personagem, não há a mínima chance de um crítico ou juri não abrirem os olhos. E Puta que o pariu, de onde veio essa atriz? Que atuação milagrosa! Ela ri, chora, se emociona, gargalha, goza, fica puta, tudo com mínimos gestos, tudo no olhar. Gloria ( Paulina Garcia) é uma mulher de 58 anos, divorciada a 10 anos. Ela quer ter direito à sua felicidade, e se recusa a ser uma pessoa enclausurada e infeliz, como boa parte dos adultos que chegam na terceira idade. Ela vai a bailes onde quer encontrar homens para namorar e transar. Ela quer fumar maconha. Ela quer ser independente. Ela quer beber, ela quer passear, ela quer enlouquecer. Ela cuida dos filhos adultos, ama a todos eles, mesmo que cada um deles tenha todos os problemas do mundo. Mãe dentro de casa, mulher fogosa fora de casa. Até que um dia ela conhece um divorciado, Rodolfo, que lhe faz juras de amor. Mas as pessoas vão se revelando com o tempo. Com uma narrativa muito semelhante a outro excelente cineasta chileno, Pablo Larrain ( que realizou os excelentes "Tony Manero" e "Post Morten") , o filme abusa do distanciamento, da narrativa fria, da exposição dos personagens dentro de uma rotina sufocante, prestes a ter alguém explodindo. O elenco é todo formidável, e muitas cenas beiram o poético,na composição de quadro e fotografia. Destaque para a cena do carrossel de noite, que beleza! O Chile indicou o filme para ser um dos concorrentes ao Oscar estrangeiro 2013, mas acabou não indo pra pré-seleção. Mal sabe a Academia que deixaram de incluir uma mega performance de uma atriz estrangeira entre as indicadas aso Oscar de atriz. O filme é longo, o ritmo é extremamente lento. Podia ter sim, 20 minutos a menos, o que teria feito um bem ao filme. Mas o carisma da personagem, atrás dos óculos enormes, nos seduz e é impossível não se simpatizar por ela. Coragem de Paulina Garcia, que se expõe totalmente nua em cena. Homenagem também à música brasileira na trilha sonora, que entra de Tom Jobim a Rita Lee. Nota: 8

quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

Além da fronteira

"Out in the dark", de Michael Mayer (2012) "Ah, o amor". Esse sentimento tão puro, que desconhece fronteiras, barreiras políticas, sociais, medo, religião, sexualidade..tudo é dito em nome do amor. E também por amor as pessoas sofrem, se matam, mentem, traem…"Além da fronteira" é tudo isso. O filme é dirigido pelo israelense Michael Mayer, mas poderia facilmente ter sido dirigido por Eythan Fox, o mais famoso cineasta israelense que trabalha com temas sobre conflitos sexuais e políticos. Em "A bolha", Fox já falava sobre o amor proibido entre um judeu e um palestino, com um desfecho trágico para ambos. Para esses cineastas, o amor entre pessoas do mesmo sexo mas de países distintos só permite uma solução: o sacrifício. O casal gay israelense/palestino precisa servir de mártir para que as sociedades prestem atenção na realidade. Afinal, porquê tanta diferença? Nimr é um jovem estudante palestino, que de noite atravessa a fronteira com Tel Aviv escondido para frequentar bares gays. Sua família desconhece sua homossexualidade, e seu irmão é da força extremista, que mata gays e age através de armas pesadas. Numa dessas andanças por bares de Tel Aviv, Nimr conhece Roy, um jovem advogado israelense. É amor a primeira vista. NImr passa a visitar Tel Aviv uma vez por semana, através de um passe, e assim, poder consumar seu amor. Mas mal sabem eles que a polícia secreta já está a par dessa relação, e prestes a prender Nimr. O filme tem bela fotografia e trilha sonora, mas peca peca previsibilidade. A gente já sabe tudo o que vai acontecer. E acontece mesmo. Essa história de amor, por melhor que sejam as intenções, fica pouco crível. Um amor tão puro e verdadeiro assim, em tempos de crise na fronteira? Somente em parábolas e contos de fada. Talvez tivesse sido melhor começar o filme com "Era uma vez, em um País muito, muito distante…" . Pelo menos os 2 atores são bem carismáticos. Nota: 6

Ela vai

"Elle s'en va", de Emmanuelle Bercot (2013) A atriz ( do filme "Polissia") e cineasta Emmanuelle Bercot realiza em "Ela vai", que participou do Festival de Berlin 2013, um filme que fala direto ao coração: uma viagem emocional, através de uma protagonista que a pretexto de seguir de carro pelas estradas da França, vai em busca de sua verdadeira identidade. Essa jornada da alma encontra em Catherine Deneuve a mais perfeita tradução de um ator que se dôa para a sua personagem. Bettie, a personagem, faz rir, faz chorar, faz emocionar, faz sentir ódio e piedade. Em outros tempos, Giuletta Masina teria encarnado com o mesmo espírito de "Noites de Cabíria". Ou mesmo Cecilia Roth em "Tudo sobre minha mãe". Em comum, a alma feminina rasgada, trucidada, machucada, mas mesmo assim, pedindo passagem, porquê entende que "a vida continua", como é dito na frase final do filme. Bettie é uma viuva, abandonada pelo amante, que comanda um restaurante à beira da falência, Ela mora com sua mãe dominadora. Um dia, ela sai de carro e resolve não mais voltar. Segue estrada sem rumo: transa com um garotão, totalmente sem culpa, bebe, se envolve com outras solteironas, posa para catálogo de Miss ano 69…mas o mais importante, é o seu reencontro com sua filha e seu neto, que ela não vê a anos. Prncipalmente Charly, o menino genialmente interpretado por Nemo Schiffman, que segue nessa cruzada pelo mundo afora, como em "Central do Brasil", tentando resolver as diferenças emocionais e de geração. Até fiquei imaginando Fernanda Montenegro e Vinicius de Oliveira nesse filme. É aí que o filme emociona mais, e de onde eu derramei litros de lágrimas. A direção de Bercot aposta em um filme nostálgico, na onda da "Nouvelle Vague": solto, sem amarras, cheio de frescor. Uma trilha sonora fenomenal, com músicas dos anos 60, aliado a uma fotografia esplendorosa e saudosista, de Guillaume Schiffman, que também realizou "O artista" e "Serge Gainsbourg". Uma pequena jóia do cinema, imperdível. Obs: Que linda reflexão sobre o tempo e a idade que o filme faz: Ver Deneuve botocada, gordinha, pesada, contrastando com as fotos que mostram ela jovem. É preciso muita abstraçao de vaidade para interpretar esse papel. Viva Deneuve, Diva eterna! Nota: 10

Questão de tempo

"About time", de Richard Curtis (2013) Roteirista de "Um lugar chamado Nothing Hill" e "Quatro casamentos e um funeral", Curtis ainda tem no currículo a Direção de "Simplesmente amor". A esses pequenos clássicos do cinema romântico, com certeza, "Questão de Honra" terá, no perdão da palavra, um lugar de honra. Mesclando romance, comédia, drama e fantasia, Curtis emociona em cada cena de seu filme, através de uma história bonita, de amor sincero e puro, personagens cativantes, daqueles que o espectador torce com dor no coração. A trilha sonora acompanha cada momento de alegria, tristeza, vigor, com músicas divertidas e nostálgicas. Parece até que o filme se passa nos anos 80, tal olhar vintage do cineasta sobre um amor tão apaixonante. A cena no bar às escuras é um primor de concepção. Tim ( o carismático Domhnall Gleeson) é um jovem que sai de sua cidade do interior , largando seus pais e irmã, e vai morar em Londres, Tímido, ele consegue um trabalho em um escritório de advocacia. Sem esperanças de encontrar um amor em sua vida, ele, por golpe do destino, a encontra na figura de Mary (Rachel MacAdams, deslumbrante). Mas ele perde o número do celular dela, ao salvar um amigo autor teatral, voltando no tempo. Sim, Tim tem o dom de voltar ao tempo e reconstruir situações. Esse é um legado dos homens de sua família, que ele compartilha com seu pai (Bill Nighy, emocionante) e seu tio. O mais bacana do filme é lidar com uma situação fantástica, no caso a volta ao tempo, mas sem dar muito valor a isso: não existem efeitos nem nada, simplesmente fechar os olhos e mentalizar. Essa aproximação do realismo é o grande achado do filme. E claro,, ter um elenco quase todo composto de atores ingleses, d;a um charme especial ao filme. Não existe um ator/atriz fora do tom, todos , mesmo em pequenos papéis, compõem maravilhosamente os seus personagens. O curioso é que Rachel MacAdams já havia vivido situação semelhante no filme " Te amarei para sempre", onde o personagem de Eric Bana viajava no tempo para irem busca do amor da personagem dela. O filme tem muitos momentos emocionantes, às vezes até um pouco apelativos no melodrama, mas mesmo assim, belos: a cena que ele volta com a irmã no passado, a cena do reencontro com seu pai no final, o pedido de casamento…e graças a Deus, tudo embalado com o fino humor inglês. Nota: 10

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Um brinde à amizade

"Drinking buddies", de Joe Swanberg (2013) "CEsse drama com tintas cômicas e de romance entrou em várias listas de melhores filmes de 2013. É dirigido pelo cineasta e ator independente americano Joe Swamberg, que é um dos grandes responsáveis pelo movimento de cinema chamado "Mumblecore". "Mumblecore" são filmes de extremo baixo orçamento, e que tem como ponto principal em seus roteiros o improviso. Os atores são submetidos a idéias e situações e se estimulam para criar os diálogos. O Diretor propõe a descoberta dos personagens, através de um estudo aprofundado, e assim, os atores se mostram à vontade para vivenciá-los. Essa forma de se filmar causa uma sensação ao espectador de estar sentado no mesmo sofá com os personagens, testemunhando situações corriqueiras, comuns a todos. Os temas dos filmes comumente falam sobre relacionamentos, sexo, frustrações, desencanto com a profissão e perspectiva de vida. A atriz Greta Gerwig, de "Frances Ha", foi uma das descobertas de Swamberg em seus primeiros filmes. Em "Companheiros de bebida", Swamberg diz que claramente se inspirou no clássico "Bob e Carol, Ted e Alice, de Paul Mazursky, um filme dos anos 60 que falava sobre relacionamento e troca de casais. Kate (Olivia Wilde) e Luke ( Jake Johnson) são colegas de trabalho em uma fábrica de cerveja artesanal. Os dois são grandes amigos, se divertem, bebem e brincam entre si. Mas essa brincadeira machuca os dois internamente: eles se gostam. Ambos estão em relacionamento com os seus respectivos: Luke namora Jill (Anna Kendrick) e Kate namora o produtor Chris (Ron Livingston). Durante um fim de semana na casa de praia de Chris, Jill e Chris trocam um beijo durante um passeio na floresta, e Kate e Luke flertam, mas sem se envolverem fisicamente. A partir dai, nada mais será o mesmo. Timing, performances, fotografia ( do excelente , de "Indomável sonhadora") e diálogos inspiradíssimos fazem desse filme um exemplo de como se fazer filme barato e inteligente, para platéias exigentes. A trilha sonora é uma delícia, e é tudo muito gostoso de se ver. Sem grandes pretensões, mas ao mesmo tempo, falando pro coração. Como é bom ver atores de blockbusters como Anna Hendrick e Olivia Wilde se aventurarem em filmes de baixo orçamento, e sentir que estão amando. Um belo filme. Nota: 8

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

LIlet nunca aconteceu

"Lilet never happened", de Jacco Groen (2012) Drama holandês rodado em Manilla, Filipina, que mostra a dura realidade da prostituição infantil. Através da história real de Lilet, uma menina de 12 anos que foi obrigada a entrar no comércio do sexo por sua mãe, acompanhamos a triste faceta de jovens prostitutas que vendem seu corpo para turistas que visitam Manilla exclusivamente pela exploração da prostituição infantil. Seduzida pelo padrasto, por policiais corruptos e por toda a sorte de bandidagem e maus-caráter, LIlet encontra na sua fantasia de "Branca de neve" o seu escape dessa realidade cruel. Em seu caminho ela encontra Claire, uma assistente social Holandesa que tenta a todo custo tirar Lilet das ruas, contra a vontade dessa, seu amigo Nonoy e a prostituta de bom coração Alice. Mas o grande trunfo desse filme denso é a atuação da jovem Sandy Talag, na época com 13 anos de idade. Furiosa, enérgica, forte e brava como um touro, ela faz de sua Lilet um tipo durona e intempestiva, que busca seguir o seu caminho do jeito que ela quer, sem falsos moralismos. Ela sabe que está vendendo seu corpo , é consciente disso, curte porquê precisa do dinheiro, mas ao mesmo tempo ela sabe que quer uma vida melhor para ela. Ela não quer ajuda de assistentes sociais, nem de igreja, nem de ninguém. É auto-suficiente. E essa garra, a jovem atriz soube administrar muito bem. Todo o elenco é forte, convincente, interpretando seus difíceis papéis de forma emocionada. O filme tem seus defeitos, mais técnicas e de roteiro, talvez por conta de seu baixo custo, mas a maneira naturalista que é filmado cria uma identidade nua e crua das ruas dessa metrópole decadente. Para quem conhece o Cinema de Brillante Mendoza, o cineasta mais famoso do País, sabe do que estou falando. Nota: 7

Ninfomaníaca

"Nynphomaniac", de Lars Von Triers (2013) Preparem a artilharia: esse filme será o mais discutido por um bom tempo no circuito cinéfilo: "É Bom? É Ruim? Odiei! Um saco! Não teve nenhuma sacanagem! Obra-prima! Lars Von Triers e um gênio!". Tudo isso eu ouvi na saída da sessão do filme mais aguardado dos últimos tempos. Mas um conselho: Vá sem expectativa alguma. Só assim você irá apreciar o filme. O excesso de marketing definitivamente irá frustrar toda uma galera que anseia ver cenas tórridas de sexo explícito entre atores famosos. Sim, Shia La Beouf tem uma cena de sexo explícito: close de seu pênis penetrando na jovem atriz Stacy Martin. Mas será que era real, ou digital? Mas o que menos existe no filme é tesão. É um filme frio, que alterna drama com momentos genuínos de comédia, através de diálogos inspiradíssimos entre Charlotte Gainsbourg e Stellan Skarsgård. Como não poderia deixar de ser, em se tratando de Von Triers, o filme é dividido em 4 capítulos. O mais genial sem dúvida é o de Uma Thurman, a Sra H. Ela está sensacional como a esposa traída que vai até o apartamento da amante e bota toda sua ira para fora. A narrativa e a linguagem do filme se aproximam muito do cinema de Peter Greenaway, principalmente de "Afogando em números": matemática, filosofia, sexo, morte, obsessão, tudo embalado em visual estilizado, câmeras lentas, filtros pastéis e música clássica e rock pesado. É um filme para se deglutir aos poucos. Ele é verborrágico, a personagem de Gainsbourg não para de falar um minuto, relatando todas as suas aventuras sexuais. Não é filme para qualquer um. É arte conceitual. Entediante em boa parte do tempo. Divertido em outros. Passam-se as horas, lembranças do filme vêm vindo, e a gente vai gostando um pouco mais. No momento, fico na indecisão sobre o filme que vi. Nota: 6

domingo, 22 de dezembro de 2013

Sal

\\ "Sal". de James Franco (2013) Exibido no Festival de Veneza 2013, o filme "Sal" foi recebido friamente pelo público e crítica. Documentando o último dia de vida do astro de cinema Sal Mineo, Franco recorreu a uma narrativa naturalista, quase documental, das últimas horas de vida do ator, antes dele ser assassinado barbaramente nos fundos de sua casa, esfaqueado no coração, no dia 12 de fevereiro de 1976. Mineo surgiu no filme "Juventude transviada" e junto de James Dean, arrebentaram a bilheteria da época e se tornaram os grandes ídolos da juventude americana. Durante todo os anos 50 e 60 ele fez muito sucesso. Porém, a sua vida sexual ativa e o seu homossexualismo não eram novidade para Hollywood, e foi o que acabou prejudicando a moral vigente da época. O público não lhe deu mais atenção, e Sal acabou partindo para projetos mais autorais, como o filme "Who killed teddy bear", que causou furor na época pelo seu alto teor sexual e perversão. Às vésperas de sua morte, Sal estava ensaiando uma peça de teatro. Querido pelos colegas, Sal dedicava muito do sue tempo ao culto ao corpo, era extremamente vaidoso ( não à toa, James Franco dedica quase 10 minutos iniciais do filme com Sal Mineo malhando na academia, reforçando o caráter homoerótico da obra). O filme, no entanto, não empolga. James Franco apostou numa linha experimental para o seu filme. Os planos são muito longos, nada de realmente importante acontece na tela. Muitos hiper closes, uma textura na fotografia dando tintas pastéis para interiores e coloridas para extrenas. O filme lembra bastante o despojamento do filme de Gus Van Sant, "Last days", relatando os últimos dias de vida de um roqueiro. Aqui o tédio impera, e é difícil se envolver emocionalmente com o personagem. Uma pena, pois Sal era muito talentoso e merecia um filme que demonstrasse esse grande astro rebelde produzido por Hollywood e que acabou não encontrando espaço na caretice dos Grandes Estúdios. Franco está devendo um grande filme. Nota: 5

sábado, 21 de dezembro de 2013

O espetacular agora

"The spetacular now", de James Ponsoldt (2013) Sensível drama romântico, com delicioso toque de comédia, e protagonizado por 2 ótimos jovens atores: Miles Teller (Sutter) e Shailene Woodley (Aimee). Sutter é um adolescente que tem como ideologia pensar apenas no agora. Ele se recusa a pensar no futuro e seu desejo é manter-se sempre jovem, recusando o mundo dos adultos. Sua namorada Cassidy dá um ultimato para que ele pense em seu futuro, mas ele não quer e eles rompem. Depois de uma noite de bebedeira, ele acaba acordando no jardim de Aimme. Ela tem um pensamento parecido com o de Cassidy, mas é mais compreensiva. Os dois passam a namorar e transam pela primeira vez. Mas Sutter insiste em não crescer..até que um dia, conhece seu pai, que o abandonou, e percebe que sua vida se encaminha para ser exatamente igual ao de seu pai. Exibido em Sundance 2013, de onde saiu com um prêmio especial conferido ao elenco. O diretor demonstra habilidade em transitar em vários gêneros nesse filme, e por algum momento, eu pensei estar vendo um filme de Matheus Souza: elocubrações filosóficas e existencialistas do universo adolescente pop sobre a vida e o amor. 'um filme desses que a gente chama de "fofo", "cool", e que sai leve do cinema. Mas ele tem um grande mérito de exibir o drama de jovens que encontram dificuldade de descobrir um objetivo e foco em suas vidas. Bela fotografia, trilha sonora melancólica. Já tá valendo um sessão da tarde especial. Nota: 7

O sexo gay dos anos 70

"Gay sex in the 70's" de Joseph F. Lovett(2012) Sexo drogas e disco music. Assim pode-se resumir essa tão libertina década em Nova York. O filme engloba o fator histórico que sucede o Evento de Stonewall, quando os gays resolveram gritar pro Mundo que existiam e promoveram uma passeata em nome de toda uma comunidade, até a chegada do advento do Virus da Aids. Entrevistando 13 pessoas ( entre elas uma mulher), o documentário obviamente alterna centenas de fotos e vídeos de época para ilustrar os depoimentos picantes e divertidos dos hoje "sobreviventes". As histórias giram em torno da permissividade dos gays da época, que segundo os entrevistados, faziam sexo em cada esquina, as orgias eram constantes, todo mundo transava com todo mundo, tomavam drogas, ouviam a disco music. Era uma piração muito grande, a ponto de um dos entrevistados dizer sem culpa: "Você nao se preocupa em ser morto, você não se preocupa com o cheiro, você nao se preocupa com a escuridao, você não se preocupa com o perigo. Você só quer encontrar alguém, fazer sexo com alguém". A direção do filme é apenas correta, e o filme se abdica de mostrar cenas mais picante da época. Fica a curiosidade histórica e social, sobre uma época tão distante,mas ao mesmo tempo tão livre e despudorado. Nota: 6

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

A vida secreta de Walter Mitty

"The secret life of Walter Mitty", de Ben Stiller (2013) Baseado em conto de 1939 de James Thurber, que narra a história de um homem que durante uma viagem de rotina com sua esposa entediante, se imagina vivendo 5 vidas distintas, todas fantasiosas. Filmado em 47, agora ganha esse remake extraordinário dirigido e protagonizado por Ben Stiller, que tem seguido carrreira vitoriosa em Hollywood com seus filmes estranhos e cults ( vide " O solteirão") e alternando com blockbusters. Walter é um funcionário da revista LIFE. Tímido, ele nutre paixão platônica por uma colega de trabalho, Cheryl (Kristen Wiig, excelente). Um dia, ele descobre que o prédio será vendido, e a maioria dos funcionários, demitidos. Nesse mesmo dia, ele recebe negativos do famoso fotógrafo Sean ( Sean Penn, memorável, em pequena participação). O responsa;vel pela transição da revista resolve colocar a foto 25 de Sean como capa da revista, mas essa foto desaparece. Walter resolve ir em busca da foto, ao mesmo tempo que tenta dizer a Cheryl que ele a ama. O elenco todo está impecável, mesmo nas pequenas participações. Shirley Maclaine está encantadora e emociona principalmente em sua última cena. Os efeitos são o grande trunfo do filme: Walter se imagina em situações heróicas, e o filme faz essa transição entre realidade e ficção de forma brilhante. A fotografia primorosa e a trilha sonora de Teodoro Shapiro são mega-importantes para o espectador entrar em definitivo nessa viagem emotiva que é o filme: que maravilhas! Lembra muito a atmosfera do filme "Na natureza selvagem", e acredito ter sido essa a deixa de Stiller ter chamado Sean Penn pro filme. As locações são foda: Islândia, Groenlândia, um delírio visual e paisagens estonteantes. É daqueles filmes que alternam com precisão drama, humor, romance, aventura, melancolia, sorrisos. Imperdível e obrigatório. O melhor filme de Ben Stiller, sem duvida. A cena dele andando de skate na Islândia é antológica. Que maravilha! Nota: 10

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Círculos

"Krugovi", de Srdan Golubovic (2013) Excelente filme sérbio, baseado numa história real. Em 1993, na Bosnia, um soldado foi assassinado ao defender um muçulmano de espancamento por outros soldados. Os populares em volta nada fizeram. A partir desse fato, o filme avança 12 anos, e na mesma cidade onde ocorreu o crime, 5 pessoas, envolvidas diretamente com o soldado, vivem suas frustrações, depressões, desejos de vingança e fracassos emocionais. O pai, a namorada, o muçulmano, o assassino, o amigo que testemunhou e nada fez. Como conviver com tanto sentimento de culpa, sem poder fazer nada? Em cima dessa pergunta, o filme faz um relato angustiante da natureza humana. Quem são os maus? E os bons? E sim, a vida tende a dar voltas, como explica o filme. O que fizer hoje, amanha voltará em dobro. O roteiro, muito bem desenvolvido, tem ecos de "Babel", a direção é competente, a fotografia exuberante, a trilha sonora, de tons étnicos, envolve a emoção dos personagens de forma melancólica. Uma ótima pedida para um drama forte e preciso, de excelentes atuações. Participou do Sundance 2013, e foi indicado pela Sérvia como representante de melhor filme na corrida do Oscar. Nota: 9

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Mais do que amizade

"More than friendship", de Timmy Ehegotz (2013) Aos poucos, o cinema independente alemão vai absorvendo a narrativa e temática do cinemão americano. Depois do ótimo "Oh boy", que trazia reflexões do cinema de Woody Allen, em "Mais do que uma amizade", o cineasta Timmy Ehegotz absorve os dramas lacrimogêneos da sessão da tarde e apimenta com uma relação a três. Jonas, Lukas e Mia ão três amigos desde a infância. Adultos, eles vivem juntos, se amam juntos, fazem tudo juntos. Os pais de Jonas não olham essa relação com bons olhos, assim como a sociedade, que os recrimina. Mas o trio se fecha numa relação onde nada os impedirá de ser felizes. Uma vez por ano, eles viajam de férias. Mas dessa vez, provavelmente, será a última viagem deles; Jonas é diagnosticado com câncer terminal. Todas as diferenças com os 2 amigos e com os seus pais precisam ser imediatamente revistos. Um filme tocante, apesar do excesso de clichês e da forcação de barra que querer fazer o espectador se emocionar. A bela trilha sonora, composta de canções soft pop, embalam belamente as imagens muito bem fotografadas. Um filme ameno, suave, apaixonante. Nada de novo, mas pela qualidade técnica do produto e pela dedicação dos atores, vale uma conferida. Nota: 7

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Thanatomorphose

“Thanamorphoses”, Éric Falardeau (2012). Terror Canadense, que tem muita semelhança com o americano “Contracted” e o mexicano “Halley”. As semelhanças são tanto temáticas, quanto de esquema de produção: todos de baixíssimo orçamento, e investindo todo o pouco dinheiro em efeitos de maquiagem. E no caso do tema, os filmes falam sobre uma pessoa que possui uma rotina monótona e que um dia, descobre que o seu corpo entra em estado de decomposição. A causa dessa decomposição vem de uma noite de sexo violento, sem regras. No filme “A mosca”, de David Cronemberg, a transformação do homem em criatura asquerosa e em decomposição era uma metádora da AIDS. Hoje em dia, seria uma metáfora dos excessos libidinosos. “Thanamorphoses” é um termo científico que significa o estado de decomposição que o corpo começa a apresentar a partir do momento que ela foi dada como morta. A protagonista do filme é uma jovem escultora, que possui uma relação com um namorado violento que a agride fisicamente. Assim que começam a surgir os hemotomas, ela acredita ser resultado das brigas, mas aos poucos vai percebendo que ela está apodrecendo. Durante 100 minutos de filme, vemos o corpo da mulhe soltando fuidos, se desfazendo, pele se soltando, cabelo caindo, pele apodrecendo, vermes surgindo. Não é um filme para qualquer um. O filme vai em um ritmo extremamente lento, e muitas vezes, entediante. O roteiro me deixa questionando se realisticamente, essa mulher não procuraria uma ajuda médica. Do jeito que o filme apresenta, teria sido melhor se fosse no máximo um media-metragem, uma parábola sobre uma mulher libertina e a punição que lhe é conferida pela sua vida de prazer. O diretor procura fazer analogias a filmes de Lars Von Triers, tanto no material gráfico, quanto no tema: pegando “Anticristo” e “Nymphomaniaca”, ele divide o filme em 3 atos: Desespero, Outro e Próprio. As atuações são fracas, e baseia toda a sua força na maquiagem, essa sim surpreendente. Cult, mas dispensável. Nota: 5

domingo, 15 de dezembro de 2013

O Hobbit: a desolação de Smaug

"The Hobbit: the desolation of Smaug", de Peter Jackson (2013) Essa continuação tem um dos finais mais anti-climax que vi recentemente no cinema, comparado ao de "O império contra-ataca". Caraleo!!! Fora isso, e a longuíssima duração, gostei bastante. Muita ação e algumas cenas muito bem construidas, como a da fuga nos barris pelo rio, o ataque dos Orcs no vilarejo e todo o final com Smaug. Efeitos foda, um Elenco mega foda, trilha sonora foda. E a constatação que o CInema de ficção fantástico não seria o mesmo sem o ator Ian McKellen. Ele faz você acreditar em cada maluquice que é dita em cena. Que presença de cena, caramba! Nem falo nada mais, pois esse é o tipo de filme que e destrinchado por todo o mundo e a gente acha que tudo ja foí dito. Nota: 8

sábado, 14 de dezembro de 2013

Um toque de pecado"

"A touch of sin/Tian zhu ding", de Jia Zhangke (2013) O cineasta chinês Jia Zhangke é um dos que mais festejo atualmente. Dono de uma filmografia autoral, de filmes que falam de uma China pessimista, de contraste entre moderno e antigo, entre ricos e pobres, entre proletariado e ricos. Nesse filme, vencedor da Palma de Ouro de melhor roteiro em 2013, Zhanke explora todos esses temas, mas com uma variante: se utiliza da violência explícita dos filmes de Takeshi Kitano ( um dos produtores do filme) e de Tarantino, e expõe visceras e rombos causados por balas de espingarda entre um plano e outro. O filme é dividido em 4 histórias, ambientadas em lugares distintos de uma vasta China, em locações extraordinárias, variando da metrópole ao campo rural. Na 1a história, um mineiro resolve expôr a angústia por seu patrão não dividir a riqueza com o vilarejo e populares. Na 2a, um rapaz volta para sua casa, após anos fora, e ao longo da história, descobrimos o porque do afastamento e a origem de sua grana. Na 3a, uma recepcionista de uma asa de massagem mantém um relacionamento com um homem casado, até que a esposa dele resolve tomar satisfação. Na 4a, um jovem metalúrgico provoca um acidente com seu colega de trabalho, mas foge. Vai trabalhar num club privê e se apaixona por uma prostituta. O filme é exuberante, forte, extremamente cinematográfico, belo, intenso, resumindo, muito foda! A violência grita na tela, de forma quase insuportável, mas importante para resumir a história de um país que sucumbe ao individualismo, à solidão, à ausência do próximo, e consequentemente, provocando a loucura e um instinto assassino que cada um carrega em si. A cena inicial, com o motoqueiro na estrada, é uma obra-prima de concepção. O filme não é para qualquer gosto: na sessão do Laura Alvim que assisti, metade do cinema saiu xingando o filme. Concordo que o filme é longo (140 minutos), mas fiquei preso a ele a cada minuto. As imagens são hipnoticamente belas, não tem como não ficar extasiado. Curiosa é a metáfora que ZhangKe faz com os animais: cobras, cavalos, bois, marrecos, etc, todos eles surgem sofrendo algum tipo de violência, sugerindo que o homem passa pela mesma situação. Nota: 9

Os homens invisíveis

"The invisible", de Yariv Mozer (2012) Excelente documentário israelense sobre gays palestinos que fogem de seu País, ameaçados pelos seus pais que querem matá-los e vão até Israel, vivendo de forma clandestina. Porém, em Israel, eles precisam se esconder, pois sob a condição de palestinos refugiados, assim que presos, são deportados imediatamente de volta pra Palestina, e claro, para a dura realidade da ameaça de morte por serem gays. Esses homens são chamados de "Homens invisíveis", pois não podem viver como cidadãos nem manterem uma vida social e cultural ativa. É uma triste vida de esconderijos. Eventualmente, eles frequentam encontros sociais em apartamentos de gays israelenses ou vão a baladas clandestinas, para poderem se encontram com outros que estão na mesma situação. Centrando os depoimentos nos jovens Louie, Abdul e Faris, esse documentário registra o dia a dia da rotina desses palestinos em Israel, território inimigo. A ironia do destino dessas vidas tão trágicas é que tanto em seu País de origem quanto no país de refúgio, eles são perseguidos, mesmo que por motivos diferentes. A intenção deles é pedir asilo humanitário em algum outro País. O filme acompanha essa via crucis, mas o mais impactante são os relatos dos jovens. Faris comenta sobre o que seu pai lhe disse: "Você pode fugir para onde for, que eu te encontrarei e o matarei". Com esse estigma, Faris não encontra paz no coração. É muito forte esse depoimento. Li que houve uma enorme polêmica em Israel sobre esse filme. Os grupos LGBTS protestaram e denunciaram que o Governo de Israel ajudou a financiar o filme, com a premissa que o filme faria um discurso amenizado sobre a real condição dos Palestinos no País, e não comentar sobre os conflitos em territórios inimigos. Polêmicas à parte, é um filme que reforça aquilo que Eduardo Coutinho faz de melhor: os melhores documentários são aqueles que escolhem os entrevistados à dedo. E aqui, o ser humano é a matéria prima. Bela fotografia e trilha sonora comovente. Nota: 8

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Animais

"Animais", de Marçal Forés (2012) Mais um filme da série "Tudo junto e misturado". Misture "Ted", "Elephant", "Tiros em Columbine", "O labirinto do Fauno" , "Almas gêmeas" e algum filme sobre descoberta da identidade sexual. Se utilizando de temas como bullying, suicídio, escapismo e saída de armário, o cineasta espanhol Marçal Forés , que também escreveu o roteiro, criou uma fábula perversa sobre o rito de passagem da fase adolescente para a adulta. Pol é um jovem tímido e anti-social que cria um amigo imaginário, Deerhoof, um urso de pelúcia falante. Uma garota de sua escola é apaixonada por ele, mas ele nem liga. Até que surge Mark, um novo estudante, que tem uma aura obscura. Pol se sente atraído pelo "lado escuro"que Mark pensa e proporciona da vida, e resolve se livrar de Deerhoof. Mas essa uni!ao irá provocar um desenlace trágico. Inventivo, lírico, mágico e com uma fotografia estonteantemente bela, esse filme é uma pequena jóia que merece ser vista por quem curte cinema fantástico aliado a drama. O cinema espanhol importou a franqueza do ursinho de pelúcia, já visto em "Ted", e fizeram um ótimo trabalho nos efeitos especiais. Deerhoof não é um urso desbocado quanto a sua versão americana, e até menos ansioso, mas igualmente falastrão. Gostei, pois é do tipo de filme onde o espectador não faz idéia da onde quer chegar, ou porquê foi concebido, tamanha a maluquice da trama. Ma sé digno, e obviamente, não é filme para crianças, apear de seu apelo visual. Nudez, violência, tudo caminha junto nessa narrativa que prima pela criatividade. Nota: 7

domingo, 8 de dezembro de 2013

Sobre a despedida

"Sur le départ", de Michaël Dacheux (2011) Longa de estréia do Assistente de direção francês Michaël Dacheux. Econômico na narrativa, ele realizou o filme com a duração de 54:30 minutos. Nem poderia ser mais do que isso. O filme narra a história de 2 adolescentes músicos de 17 anos, que moram em uma cidade no interior da França, Mont-de-Marsan. Um deles precisa partir. Ao longo de 12 anos, eles se reencontram, e descobrimos através das memórias e relatos, que os dois são amantes. O filme tem um parentesco longínquo com "9 cançoes", de Michael Winerbottom. Ao invés do sexo explícito de Winterbottom, Dacheux aposta no minimalismo. Quase não vemos intimidade entre os dois, a não ser por um breve abraço. O amor dos dois é velado. É um filme que prefere discorrer sobre os pensamentos e o existencialismo de 2 pessoas que se amam, mas que se desgastam com o passar do tempo e a distância. O filme alterna momentos de silêncio por longos períodos, e a verborragia dos encontros. Os dois atores são os mesmos para todo esse longo período, o que me faz pensar que o diretor quiz fazer uma parábola sobre o tempo e suas consequências sobre o amor. A fotografia é muito bonita, e a trilha sonora é composta de música clássica. Um filme interessante, mas nada imperdível. Cansativo e repetitivo. Os 2 atores estão ok, mas nada memorável. Nota: 5

Cova aberta

"Open grave", de Gonzalo Lopez-Gallego (2013) Acho que posso dizer que surgiu um novo gênero no cinema: "Tudo junto e misturado". Adicione na mesma panela "The walking dead", " Exterminio", "Resident evil", "Memento", " Jogos mortais" e aí você tem como resultado esse filme. Dirigido pelo espanhol Gonzalo Lopez-Gallego, que dirigiu nos Estados Unidos entre outros a interessante ficção científica "Apollo 18". Fácil notar que Gonzalo bebe nas fontes, pois "Apollo 18" se utiliza da narrativa dos filmes "Found footage", estilo "A bruxa de Blair" e "Canibal Holocausto". O ator sul-africano Sharlto Copley, de "Distrito 9" e "Elysium", interpreta um homem misterioso que acorda em uma cova cheia de cadáveres. Ele escapa de lá com a ajuda de uma muda, e descobre que outros sobreviventes também se encontram sem memória. Aos poucos o grupo vai recobrando a memória, e tentam entender o que acontece nesse acampamento, e porquê um grupo de sobreviventes se comportam como zumbis. Boa fotografia, edição que copia os flashbacks narrativos de "Jogos mortais", e um elenco internacional que inclui também o alemão Thomas Kretschmann, de "O pianista". Mas um filme como esse não deveria ter mais que 90 minutos, e no entanto, ele tem quase 110 minutos. Thriller com tempo sobrando sempre dá aquela barriga. Outra coisa que incomoda são os flashbacks forçados. O filme mantém sim, a curiosidade do espectador para saber o que está se passando, mas tudo fica óbvio demais logo na primeira metade. Mas o final é quase emocionante, por pouco me deixei enganar. Nota: 5

sábado, 7 de dezembro de 2013

Azul é a cor mais quente

"La vie D'Adele", de Abdellatif Kechiche (2013) O título original é "La vie D'Adele". A atriz que interpreta Adele se chama Adèle Exarchopoulos. Batizando seu personagem, a atriz Adele vibra em cena com uma das performances mais poderosas e intensas que vi recentemente. Impressionante a sua facilidade em se emocionar, chorar, botar a emoção pra fora. Ao mesmo tempo, Léa Seydoux, que interpreta Emma, é o oposto: centrada, focada, guardando suas emoções pra si, sem externar. Mas igualmente intensa. E somente pelas duas atrizes já valia a pena assistir a esse filme vencedor da Palma de Ouro em Cannes 2013. O filme narra a epopéia de uma mulher: Adele, que tem sua vida exposta pelo filme dos 17 aos 22 anos, tem uma vida normal como qualquer pós adolescente: acha a escola um saco, seus pais a sufocam, seus amigos são uma falsidade só, e tem um namorico com um bonitão da escola, mas ai ela percebe que não curte homens. E isso porquê, obra do acaso, ela conhece Emma num cruzamento de uma rua. E desde esse dia, ela não a tira de sua cabeça. Finalmente se conhecem, se amam ( explicitamente, devoradas pelo tesão), moam juntas, se degladiam, sofrem. Como em qualquer relacionamento. Tudo isso é visto em 3 horas de filme, como se uma câmera escondida estivesse filmando a vida de Adele. O grande trunfo do filme, além das atrizes, são os diálogos, improvisados, realistas. A gente acredita em tudo o que está vendo na tela, mesmo porquê rola muito despojamento, tempo real, O roteiro se permite fazer elipses temporais, o que é interessante. Desde "A flor do meu segredo", de Almodovar, eu não via tanta preocupação estética com cores como nesse filme: existe uma profusão de cores azul em cada plano: no figurino, na arte, em tudo! Até mesmo na melancolia ( Blue). Sim, eu senti as 3 horas, sim, eu tiraria meia hora de filme. Mas é um filmaço. O que é muito interessante no filme é a sua linguagem: Um filme quase que inteiro feito de closes….muito belo, seus sorrisos, detalhes de prazer, o espectador como voyeur.Atenção mega especial para duas cenas: a discussão e a do café. Antológicas. Nota: 9

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Contraída

"Contracted", de Eric England (2013) Terror baixo orçamento, que usa a doença sexualmente transmissível como parábola da morte. Isso lembra um filme cult dos anos 80: isso mesmo, "A mosca", de Cronemberg. Na época, no auge do surto do vírus da AIDS, o homem se transformar em um ser monstruoso após uma relação sexual; era evidentemente uma metáfora da Aids. Aqui, o cineasta resolveu trazer à tona essa mesma premissa, meio esquecida por conta de coquetéis e tais. Sam é uma jovem lésbica, em conflito com sua mãe possessiva e sua namorada. Após bebedeira numa festa, ela transa sem camisinha com um desconhecido, que na verdade, descobrimos ser um funcionário de um IML, que transou com um cadáver e contraiu uma doença que transforma a pessoa em algo monstruoso, deformando a pessoa, a carne apodrecendo, etc. Os efeitos, para o baixo custo, até que são ok, nem chegam a dar vexame. Mas elenco, roteiro, tudo é sofrível. A fotografia segura a onda. O que é bom, é que o filme é curto. Quando você encher o saco, ele acabou. Nota: 5

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

O despertar da Primavera

" Frühlings Erwachen", de Nuran Callis (2009) Filme baseado na obra clássica do alemão Frank Wedekind, escrita em 1890 e considerado um dos grandes textos da História do teatro moderno. Desde a sua concepção, a obra foi censurada várias vezes, pelo fato de seu tema falar sobre a descoberta sexual de adolescentes, suicídio, homossexualismo e tantos outros tabus que povoam o imaginário dos jovens. Nesse filme de Nuran Callis, ele resolveu transpôr o filme para os dias de hoje, na cidade de Berlin. O ambiente é uma Alemanha desolada, onde os jovens vivem atormentados, em guetos, formando gangues, pichando paredes, frequentando boites, usando drogas, sem rumo, sem identidade, provocando bulllying e o mais contundente, a pressão dos pais para que seus filhos sejam alguém de valor nessa vida. O cineasta Nuran Callis trouxe o Universo do Hip Hop ( ele dirigiu vários clips do gênero) e do grafite para o seu filme. O visual inspira uma garotada típica dos filmes de Larry Clark ( "Kids", "Ken Park") e é ousado no uso do erotismo: em uma cena, o protagonista pedala sua bicicleta totalmente nú. O que querem os jovens de hoje? Com essa questão, o filme provoca, usando uma fotografia belíssima. O porém fica pela direção, que apesar de usar bons atores, deixou o ritmo lento, tempo morto. Para quem conhece a obra, vai ver que todos os personagens estão lá. Mesmo que os problemas de hoje sejam os mesmos de 100 anos atrás, quando a obra foi escrita, teria sido mais interessante tê-lo mantido como época. Trazendo para os dias de hoje, vira mais um filme sobre uma geração X, perdida e sem foco. Obs: Em 2009, os diretores de teatro Claudio Botelho e Charles Mueller transpuseram a obra para o teatro com grande sucesso, e em versão musical. Vendo o filme, eu queria muito que as músicas da peça surgissem na boca dos personagens. Nota: 6

Vovô sem vergonha

"Jack Ass presentes; Bad Grandpa", de Jeff Tremaine (2013) O diretor de toda a franquia "Jack ass" realizou aqui uma das comédias mais escrôtas que já assisti, e por isso mesmo, engraçada pra cacete! O filme é uma sucessão devastadora de gags mais infames e vis que alguém pode assistir num único filme. Ri de arrebentar a barriga, e isso é bom demais. O roteiro é um fiapo de história: Um avô que acabou de ficar viúvo "ganha" de presente seu neto, uma vez que a mãe do menino é presa mais uma vez por consumo de crack. O avô, que quer liberdade e se livrar do menino de qualquer jeito, resolve entregá-lo ao pai, que mora no outro lado do País. E aí o filme se transforma num bizarro road movie, com as figuras mais exóticas que se pode reunir. O que sustenta o filme do início ao fim sao as performances imbatíveis e antológicas de Johnny Knoxville como o avô ( um primor de maquiagem) e do menino de 8 anos Jackson Nicoll ( carismático até não poder mais). O filme é rodado em tom de pegadinhas e segundo a produção, filmado à revelia. Pessoalmente eu não acredito nisso, creio que pelo menos 80% do material foi combinado. Mesmo assim, nada faz perder o humor do filme. Duas cenas são absolutamente antológicas: o strip tease do avô, com seu saco kilométrico ba;ancando, e o Concurso de beleza infantil ( uma sacanagem a "Pequena Miss Sunshine"). Tosco, mas hilário, é um filme que serve de antídoto para quem está passando por momentos ruins na vida. É infalível. Nota: 7

Oh boy

"Oh boy", de Jan Ole Gerster (2012) Ótima comédia dramática alemã, que acompanha 1 dia na vida de um jovem de 21 anos, desesperançoso, perdido na vida, que largou a Universidade, sem trabalho, vivendo às custas de seu pai. O retrato de uma geração européia visto com muito humor e melancolia. Niko ( brilhantemente interpretado por Tom Schilling) é um alter-ego de algum personagem de Woody Allen: vive na grande metrópole (Berlin). A comparação com os filmes de Allen não param por aí: Com certeza, o cineasta Tom Schilling se inspirou em "Manhattan"ao retratar as ruas de Berlin com um olhar americanizado, ao som de jazz, um preto e branco estonteante. Mais: o humor ferino dos diálogos, as cenas tragicômicas, o que me impressionou ao final da projeção e pude finalmente confirmar: Sim, os alemães sabem fazer comédia, e muito bem. Aquele olhar acre-doce da realidade sem futuro, o olhar triste, condescendente. A mesma energia e percepção audaz de "Frances Ha". Algumas cenas , apesar do humor, são lindas pela sua ternura: a cena que Niko se relaciona com uma idosa, ou o desfecho, num bar, quando ele se reconhece no papel do bêbado idoso, são exemplos de brilhantismo de direção e interpretação. Outra cena antológica é quando Niko vai com seu amigo ator desempregado e looser visitar um ator famoso num set de filmagem. E outra: a discussão durante um coquetel após uma performance experimental de um grupo de atores, discernindo sobre a vanguarda e o deboche sobre esse tipo de arte. Um filme genial. Elenco perfeito, direção sensível. Nota: 9

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

A professora

"A teacher", de Hannah Fidell (2013) Longa independente que foi exibido em Sundance 2013, narra a história de uma professora que d;a aula para colegial, e acaba se apaixonando por um de seus alunos. Além de mais jovem, ele é sedutor e manipulador. A relação dos dois trará consequências a ambos. Bom, como se vê , a sinopse não é das mais criativas, entre eles, filmes mais significativos , como "Inverno da alma", "Notas de um escândalo", "O leitor", filmes onde há alguém dominando e um dominado. Nessa relação, já complicada pela figura do ex-marido, existe espaço para sexo e quase apenas isso. Amor é algo que não combina. Um bom elenco, encabeçado por Lindsay Burge no papel-título, Fotografia bela, trilha sonora chique, e aquela sensação de que poderia ter sido mais. As cenas de sexo são bem pudicas, e enfim, não é nenhum filme memorável que faça a gente ficar mais do que 2 dias pensando nele. Nota: 5

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Outro mundo

"Altromondo/Another world", de Fabiomassimo Lozzi (2008) Interessante documentário ficcionado italiano, nos moldes do excelente "Jogo de cena", de Eduardo Coutinho. O filme é dedicado às vítimas homossexuais na Itália, que foram mais de 200 em quase duas décadas. O centro do Ator de Roma, junto com o cineasta Fabiomassimo Lozzi, fizeram pesquisas com centenas de homossexuais italianos, e colheram os que falavam sobre a rejeição de ser gay, sobre a fachada, a rejeição, o medo, as intimidades expostas em salas de bate-papo, nas ruas de prostituição, nas saunas, nos estereótipos da vida mundana. Mais de 50 atores, a maioria hetero, se dedicou a trabalhar nesse projeto, dando vida aos que temem mostrar o rosto. Embalados em forma de monólogos, alguns em caráter experimental, são depoimentos dolorosos, alguns divertidos. No entanto, parte dos depoimentos infelizmente vem embalado em visual pra lá de cafona ( tipo um croma daqueles bem safados), típico dos piores programas da RAI italiana, o que tira a sua seriedade. Os atores são interessantes, mesmo que alguns tendam pra caricatura e excesso de melodrama. Mesmo assim, vale muito como um registro de uma época, de uma geração que ousa falar em nome de atores. Nota: 7