domingo, 28 de julho de 2013

Coração de cristal

"Herz au glas", de Werner Herzog (1976) Rever esse filme do Mestre alemão quase 20 anos depois, é uma redescoberta. Quando o assisti pela 1a vez, eu não sabia das informações dos bastidores do filme. Herzog, antes de produzir o longa, queria fazer um experimento de hipnotizar a platéia do filme, quando assistisse numa sala de cinema. Mas aí ele percebeu que se isso ocorresse, as pessoas provavelmente não se lembrariam do filme. Resultado: ele hipnotizou todo o elenco do filme, com exceção do protagonista do filme, o profeta Hias, e os fabricantes de vidro. Herzog diz que essa experiência foi para que os atores recriassem um estado de letargia, de vida etérea e sem esperança, mortos, uma vez que o filme fala sobre um fim eminente. Em cena, os atores parecem chapados, olhando para o nada, eu li que Herzog dava os textos para os atores que, hipnotizados, apenas reproduziam o que era pedido. Herzog se baseou na lenda Bavariana do profeta Mühlhias e escreveu o roteiro: No Sec XIX, na região da Bavária, uma cidade vive às custas da fabricação de vidros-rubis. Quando o mestre de mentor desses vidros morre, o segredo da fabricação dele morre com ele. O dono da fábrica enlouquece, pois precisa a todo custo descobrir o segredo da fabricação desse vidro. Um profeta surge e prediz que a fábrica pegará fogo, e que homens morrerão. O filme tem uma belíssima fotografia, traduzindo em imagens o clima fantasmagórico dessa fábula macabra. Muitas das imagens lembram a atmosfera dos filmes de David Lynch. A trilha sonora ficou a cargo de Popul Vuhl, banda alemã que compos várias trilhas para Herzog. Juntas, fotografia e música combinam uma mistura de fantasia e universo em desespero. É um filme de difícil assimilação, mesmo para o mais ferrenho dos cinéfilos. Não existe propriamente uma história. As cenas são soltas, como se fossem flashes de sonhos ou mesmo pesadelos. A cena final lembra bastante o desfecho de "Filhos da esperança": um barco seguindo com sobreviventes mar afora. Um filme da fase experimental de Herzog, que vale pela curiosidade. Vale ressaltar que o ritmo é lento até não poder mais. Nota: 7

3 comentários:

  1. Assisti a esse filme na década de 70, quando ainda era adolescente. Não me lembro de detalhes do filme, mas sei que me marcou bastante e tento encontrá-lo para assistir novamente sem nunca ter conseguido.

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    1. Procurei por muitos anos por ele... finalmente o encontrei nesse site. Demora bastante para baixar, mas consegui. http://torrentbutler.eu/

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