sexta-feira, 17 de junho de 2011

Singularidades de uma rapariga loura


" Singularidades de uma rapariga loura", de Manoel de Oliveira (2009)

Filme baseado em conto de Eça de Queirós, publicado na coletânea " Contos", de 1902.
Dirigido por Manoel de Oliveira, o filme narra a história de Macário, um honesto e jovem contador, que trabalha na empresa de seu tio, dono de uma confecção. Tudo está bem, até o dia que uma vizinha se muda na casa da frente onde fica o escritório de Macário. A filha da senhora, Luísa, é uma ninfeta loira e linda. Macário imediatamente se apaixona por ela. Porém, seu tio é contra o casamento, e ante a teimosia de Macário, que insiste no casamento, o tio o expulsa de casa. Sem dinheiro e sem perspectiva de emprego, Macário se envergonha de pedir a mão em casamento de Luísa. Mas ela lhe promete aguardar, contanto que ele arranje emprego e junte dinheiro. Toda essa história é narrada por Macário a uma senhora dentro de um trem, a caminho de Algarves, pois segundo Macário, "melhor contar algo a um estranho, do que a sua mulher ou amigos".
Curioso filme, com duração de apenas 65 minutos. No início, vemos um longo plano de um bilheteiro recolhendo bilhetes dentro de um trem. E assim somos apresentados a Macário. Manoel brinca com o espectador o tempo todo. Logo de cara, a senhora com quem Macário expõe sua vida, acahamos que é cega, quando na verdade, era só uma questão de olhar. Seguem-se então longos planos, formalmente rigorosos: fixos, raros movimentos de câmera. O filme destila hum senso de humor incomum aos filmes de Oliveira. Inclusive um inusitado plano da perna levantada de Luisa, quando beija Macário.
Para o espectador com paciência, vale assistir a essa empreitada, uma brincadeira com o espectador e com o próprio cinema. O desfecho é brusco, e conheço amigos que acham que um rolo de perdeu.

Nota: 7

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