sexta-feira, 24 de julho de 2015

Kumiko, a caçadora de tesouros

"Kumiko, the treasure hunter", de David Zellner (2014) Em 2001, Takako Konishi, uma jovem japonesa, foi encontrada congelada na beira de um lago em Minnesota. Na época, a mídia reportou uma história fantasiosa sobre quem era essa mulher: dizia-se que ela era obcecada pelo filme "Fargo", dos irmãos Cohen, e que resolveu vir do Japão até Minneapolis para poder descobrir o local onde o personagem de Steve Buscemi enterrou uma mala com 1 milhão de dólares. Como no início do filme dizia-se que era baseado em história real, ela acreditou e foi atrás de uma obsessão. Porém, as investigações logo comprovaram que essa história nao era real. Na verdade, ela foi contada por um policial de Minneapolis que a conheceu e que, por mal entendimento da língua, entendeu tudo errado. Takako na verdade ficou deprimida após perder seu emprego em Tókyo e resolveu vir até Minneapolis, que era o lugar onde morava o seu ex-namorado. Daí, ela tomou sedativos e encheu a cara, vindo a falecer na gélida floresta da região, o que acreditam foi um suicídio. O filme dirigido por David Zellner e co-escrito com seu irmão Nathan ( curiosidade, afinal "Fargo" foi dirigido também por dois irmãos) preferiu apostar na história da busca pelo filme "Fargo" e assim, o resultado é um filme muito triste sobre um épico de uma mulher solitária e incompreendida. Exibido com sucesso em 'Sundance", de onde saiu com prêmios, sendo depois exibido no Festival de Berlin, "Kumiko" tem no talento de Rink Kikuchi ( de "Babel"), na fotografia estonteante de Sean Porter e na trilha de The Octopus Project os seus principais pontos fortes. Apesar do ritmo lento e introspectivo, o filme chama a tenção pelo inusitado e pela dramaticidade das cenas, filmadas em tom poético sobre uma vida isolada do mundo. Podemos até comparar com "Na natureza selvagem" e "Livre", no sentido de ser a história de uma pessoa que luta contra todos e contra si mesmo, que precisa se descobrir e para isso parte para a natureza inóspita. Nota: 7

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