terça-feira, 23 de julho de 2013
É o fim
"This is the end", de Seth Rogen (2013)
"É o fim", de Seth Rogen. Primeiro filme dirigido pelo comediante Seth Rogen, é uma comédia de ação e humor negro, sobre a destruição de Los Angeles por Satã, que faz cumprir a profecia do livro do Apocalipse. Nessa mesma noite, James Franco está dando uma festa em sua casa para celebridades, entre eles Seth Rogen, Emma Watson, Rihanna e outros famosos. Rogen reune quase todo o elenco principal da comédia de 2008, "Segurando as pontas" e os faz interpretarem a eles mesmos nessa bizarra aventura onde o politicamente correto não existe. Prevendo fim do mundo eminente, todos usam drogas, bebem, matam, fazem um monte de merda, além de agirem como verdadeiros idiotas. A trama não é original, e esse uso da metalinguagem já foi melhor explorada em outros filmes ( "Quero ser John Malkovich"). De qualquer forma, o filme reserva alguns bons momentos, a maioria envolvendo Michael Cera, que infelizmente aparece pouco, mas se auto-parodia em tiradas sensacionais. O filme é longo, e toda a novidade se torna redundante e aborrecida. Desperdício de bons comediantes, que tentam tirar humor de situações escatológicas, palavrões e muita piração. O desfecho é bobo, infantil. Referências a "O exorcista" , "O bebê de Rosemary" e "Cloverfield "e outros tantos pululam na tela. James Franco parece se divertir bastante com o seu personagem escroto e desbocado. Os efeitos são ok, e tratando-se de filme catástrofe e a primeira direção de um ator, até que resulta correto. Faltou mais dinâmica e ousadia, que definitivamente, não é sinônimo de palavrão.
Nota: 5
domingo, 21 de julho de 2013
Só Deus perdôa
"Only God forgives", de Nicolas Winding Refn (2013)
A dobradinha do cineasta Dinamarquês e do ator Ryan Gosling, que foi extremamente bem-sucedida em 'Drive", se repete agora nesse super-mega-ultra-violento filme. Trocando Los Angeles noturna por uma Bangkok noturna, mas igualmente repleta de neons vermelhos e azuis, Refn recria um mundo de misticismo e horror que provoca arrepios e náuseas no espectador. É um filme sádico, cruel, perverso. Não há espaço para amor e humanidade. Apenas ódio e desejo de matar. O visual do filme é extremamente estilizado: as pessoas andam lentamente, quase não falam, tudo é muito colorido, a direção de arte bomba! Não parece um mundo real: e essa afirmação é mais clara quando descobrimos que as influências do cinema de Nicolas Winding Refn viera dos filmes de terror dos anos 80 e dos filmes do cult Alejandro Jodorowsky. Para quem não entende ou sabe dessa referência, vários momentos do filme vão parecer muito bizarros ou mesmo vistos como pontas soltas. O filme narra a história de Julian e Billy, dois irmãos americanos que moram em Bangkok e comandam um ringue de boxe tailandês, além de tráfico de drogas. Billy mata uma jovem prostituta e acaba sendo assassinado. A mãe deles, Crystal (Kristin Scott Thomas, absolutamente sensacional, fazendo um papel difícil e sem carisma) chega em Bangkok disposta a vingar a morte do filho predileto. Um policial corrupto (Vithaya Pansringarm, ator mega-famoso da Tailândia, e que apareceu em "Se beber não case 3"), resolve fazer justiça com as próprias mãos, aliás. com sua espada afiadíssima, para manter a ordem em Bangkok. A cena da tortura de um dos capangas de Crystal em um bordel, deve provocar a mesma revoada de espectadores do cinema, quando "Irreversivel"; foi exibido e metade da sala saiu na cena do extintor de incêndios. Não é filme para qualquer espectador. Em Cannes, ele competiu e foi execrado, considerado um dos piores do evento. É difícil indicá-lo para alguém, eu mesmo ficaria de pé atrás, por conta da violência e do artificialismo do filme. Porém, da minha parte, eu gostei bastante. Mas eu adoro esses filmes-experimentos, onde a diversão e busca de novas linguagens não são levadas muito a sério. Ah sim, Ryan Gosling não é o protagonista, ele fala umas 3 frases no filme e sim, ele faz aquela mesma cara de 'Drive". Mas gosto assim mesmo. Gosling calado atua melhor que muita gente.
Nota: 8
quinta-feira, 18 de julho de 2013
Sete notas no escuro/Premonição
"Seve notes in black/The psych", de Lucio Fulci (1977)
Clássico do suspense do famoso cineasta italiano, que junto de Dario Argento e Mario Bava, formaram o gênero "Giallio": tramas Hitchcockianas que envolviam violência explícita e reviravoltas na história. Esse filme, de 1977, tem como protagonista a americana Jennifer O'Neill, famosa por "Houve uma vez um verão" e "Scanners". Virginia é uma mulher que se descobre com o dom da premonição. Ela teve uma visão de um assassinato e procura descobrir o paradeiro do assassino. Seu marido é acusado do crime, e ela faz de tudo para poder inocentá-lo. Logo no início, somos apresentados a uma violenta cena de morte, mas que hoje em dia, está datada, pois é fácil perceber que é um boneco. Mesmo assim, a trama é tão boa, que a gente desculpa a dublagem americana e os efeitos toscos. Curiosamente, o filme foi relançado com o título "A premonição", pois a distribuidora achava que o título original, "Sete notas no escuro", entregava a trama. Não é verdade, a gente nem associa uma coisa a outra, e esse título é inegavelmente mais charmoso e instigante. Vale a pena assistir. Nota: 7
Renoir
"Renoir", de Gilles Bourdos (2012)
Acabando o filme, só posso dizer uma coisa: Cacete, que Fotografia esplendorosa! O fotógrafo chinês Ping Bin Lee, responsável em parte por "Amor a flor da pele", e "Como na canção dos Beatles, Norwegian Wood", fortalece sua presença no Cinema mundial, e com certeza, é um dos grandes nomes hoje em dia. Sua luz reproduz com perfeição as pinturas iluministas, e daí, entendemos porque os pintores preferiam pintar em regiões como na Cote D ázur, retratada no filme. O sol faz uma bela presença, e reproduzi-la é obra de um Deus. O filme conta a história do pintor Renoir, já em fase final da vida, doente e cadeirante, e a relação com sua musa Andrée, uma jovem atriz que aceita posar para seus quadros. Porém, quando seu filho Jean Renoir volta da guerra, ferido, uma chama se acende entre Jean e Andree, provocando ciúmes em Renoir e no outro filho pequeno. A força da musa faz com que Jean aceite criar uma ambição na vida e futuramente, graças a ela, ele se transforma em cineasta ( entre outros, a obra-prima "A regra do jogo"). O filme dramatiza os conflitos e dilemas entre pai e filho, seja pela morte da esposa e mãe, seja pela dedicação a algo na vida. A direção, no entanto, aposta tanto nas imagens e em planos bonitos que deixa a dramaturgia de lado. A história corre frágil, sem muita emoção, e o ritmo é bem lento. Os atores por sua vez estão ótimos: Michel Bouquet sensacional como Renoir, conferindo dignidade ao papel. A bela e talentosa Christa Theret, vista recentemente no ótimo "O homem que ri", esbanja sensualidade e espontaneidade, visto que ela fica nua 50 % de suas cenas. Vincent Rottiers, ator do drama "Feliz que minha mãe está viva", no papel de um adolescente, cresceu e se tornou um homem sedutor. Fora isso, a direção de arte, figurino, maquiagem, tudo contribui para o desbunde visual do filme. A trilha sonora de Alexandre Desplat ( Argo, Harry Potter, Ferrugem e ossos) aposta no tom clássico e funciona que é uma beleza nas imagens. Tivesse mais romantismo e adrenalina, seria um filme perfeito.
Nota: 7
Cães raivosos
"Cani arrabbiati/Rabid dogs", de Mario Bava (1974)
Esse filme de 1974, dirigido pelo cult cineasta italiano Mario Bava, está na lista de 50 filmes obscuros imperdiveis. Uma lista que me foi enviada pelo amigo Aristides Corrêa Dutra. Esse filme inspirou Tarantino a escrever e dirigir "Cães de aluguel". E é fácil entender o porquê. Além do tema do assalto, os personagens agem por impulso, pela violência que existe em casa um deles, verdadeiros cachorros bravos. Durante um assalto, uma quadrilha sequestra três reféns: uma mulher, um homem e seu filho doente que precisa de internação urgente. O que vemos daí em diante é uma sequência de cenas que se passam em sua maioria dentro do carro, quase 60% do filme. E incrível como ele mantém a tensão o tempo todo.
Fiquei imaginado que um dos personagens teria um desfecho inusitado, e não e que acertei??? Na mosca! Mas não deixa de ser uma virada surpreendente. As atuações chegam às raias do caricato, típico desses filmes italianos da época. Mas funcionam pela bizarrice, pela violênca extrema, pela transgressão. Para a época, foi um escândalo. De qualquer forma, Bava morreu 5 meses depois das filmagens. O produtor também morreu, e não conseguiram dinheiro para finalizá-lo. Somente 20 anos depois, em 1994, o filme foi lançado, com a ajuda de Lamberto Bava, filho do cineasta, e de uma distribuidora.. Logo de cara, no crédito inciial, temos um plano estranho e incômodo de uma mulher silhuetada chorando. Isso dura alguns minutos, durante os créditos. De cara já percebemos que não é um filme qualquer, e que tem estilo. A trilha sonora é outro ponto de estranheza: uma trilha jazzistica, que "briga" com as imagens tensas. Os atores, desconhecidos, atuam, como falei, de forma caricata, mas dentro da proposta de ser algo que vai ao extremo de suas emoções. A mulher, e os 2 bandidos psicopatas, principalmente, têm cara de verdadeiros desequilibrados. Para quem curte pérolas, essa é uma ótima dica.
Nota: 8
terça-feira, 16 de julho de 2013
Depois de horas
"After hours", de Martin Scorsese (1985)
Assisti a esse filme na época do seu lançamento, em 1985, e daí nunca mais o revi. Lendo o livro de entrevistas "Conversas com Scorsese", fiquei tentado a rever esse clássico dos anos 80. O filme e a expressão "After hours" viraram jargão para tudo o que desse errado na vida de uma pessoa.Scorsese diz que se inspirou no filme "O homem errado", de Htchcock, para compôr essa comédia de humor negro muito bizarra. Tudo acontece em uma madrugada, igual a outra qualquer, mas não na vida de Paul (Griffin Dunne, antológico). Ele trabalha em um escritório de analistas de sistemas, e vice uma vida burocratica e sem novidades. Uma noite ele sai para tomar café após o expediente e conhece uma jovem, Marcy (Rosanna Arquette). Ela lhe dá o telefone. Chegando em casa, ele resolve ligar para ela. ela o chama para ir até a sua casa. Ele aceita. E isso é quase meia-noite. Porém, Paul vai até uma área obscura de Nova York, Começa uma noite de pesadelo para Paul, que vai se metendo em enrascadas cada vez mais loucas e insanas. Incrível a vitalidade desse filme: ele poderia ter sido lançado hoje em dia, e faria o mesmo sucesso. Moderno, ágil, bem filmado, roteiro sensacional. A fotografia de Michael Ballhaus reforça as tintas dos filmes da época, com as noturnas de chão molhado e fumaça saindo dos bueiros de NY. A trilha sonora de Howard Shore é pontual e ao mesmo tempo que traz um clima macabro, traz angústia e suspense, através de suas marcações de tempo. O uso da câmera é muito interessante: steadicam, ainda uma novidade na época, e câmeras que avançam rápidos em aparelhos de telefone, marcando urgência. Um filme estranho à filmografia de Scorsese, mas genial. Scorsese faz uma ponta desnecessária como um iluminador numa boite de moderninhos.
Nota: 9
segunda-feira, 15 de julho de 2013
Como na canção dos Beatles: Norwegian Wood
"Norwegian wood", de Tran Anh Hung (2010)
Cineasta vietnamita, famoso pelos seus filmes "O cheio da Papaya verde" e "O ciclista", vencedores de vários prêmios internacionais, Tran Anh Hung adapta o livro homônimo de Haruki Murakami de forma estonteantemente bela. Que fotografia, que locações!!!!! A fotografia, a cargo de Mark Lee Ping Bin ( de "Amor a flor da pele") abusa pelas imagens poderosas e poéticas, além do excelente trabalho de camera, em planos maravilhosamente orquestrados. Diferente dos outros filmes, que previlegiava a câmera parada, como se retratando uma natureza morta, aqui a câmera em boa parte do tempo de movimenta. Talvez para dar a dinâmica da história: em 1967, no Japão, estudantes universitários fazem manifestações na rua contra a Guerra do Vietnã. Tohr é o melhor amigo de Kizuki, que namora a bela Naoko. Um dia , porém, Kizuki comete suicidio. Abalado, Tohru resolve se mudar pra Tokyo. Lá, ele esbarra com Naoko e acaba tendo um caso com ela. Mas ela se deprime, por conta do fantasma da morte de Kizuki, e se interna em uma clínica psiquiatrica ambientada numa floresta. Tohru conhece Midori, uma jovem estudante que é o oposto de Naoko: alegre, cheia de vida. Dividido pelo amor dessas duas mulheres tão diferentes, Tohru reflete sobre sua vida. A trilha sonora, maravilhosa, ficou a cargo de Jonny Greenwood, músico da banda Radiohead, que já realizou outras trilhas de sucesso, entre elas, "Sangue negro". Na trilha temos também vários clássicos pop dos anos 60, inclusive a música título, dos The Beatles. Mas aí vem a parte ruim: embalado ao extremo pelo existencialsmo dos filmes de Antonioni, o filme tem um ritmo muito, mas muito lento. Ás vezes até difícil de acompanhar. Não fosse a beleza da fotografia, das locações e até mesmo dos atores, que fazem com que a gente mantenha o olhar sempre na tela, seria uma tarefa árdua prosseguir até o final da projeção desse filme muito longo, com um excesso de pelo menos meia hora ( o filme tem 133 minutos). No Brasil, o filme chega com anos de atraso ( o filme é de 2010). Nota: 7
domingo, 14 de julho de 2013
O homem de aço
"Man of steel ", de Zack Snyder (2013)
Contra todas as críticas negativas que li sobre o filme, vou aqui defendê-lo. Apesar de eu achar que Henry Cavill não é o ator certo pro filme, e que o filme é longo demais ( mania desse povo fazer filme longo) , vejo muitos pontos positivos. Zack Snyder, assim como em "Watchmen", traz uma carga realista de dilemas morais e conflitos homem/super herói que faz toda a diferença na dramaturgia da história. Obviamente, que com a grife de Cristopher Nolan na Produçào, isso deve ter pesado bastante no produto final. A fotografia extraordinária de Amir Mikli, traz uma dualidade interessante ao filme: ao mesmo tempo que estamos vendo um filme fantástico de super herói, com naves espaciais, explosões, seres extraterrestres e batalhas galáticas, nos também vemos um drama realista, de tinta autoral, belamente filmado e bastante emocionante. A história de Clark e seus pais adotivos já daria um filme excepcional, da forma como foi filmado. Câmera na mão, estética de filme europeu. Uma maravilha de se assistir. Assim como Kenneth Branagh em "Thor", que conferiu a um brucutu o papel principal, e se cercou de excelentes atores para darem estofo e credibilidade ao filme ( Natalie Portman, Stelan Skaagard), em "Man of steel" Snyder faz o mesmo. Diante da falta de talento e carisma de Cavill, de inegável biotipo perfeito pro personagem, nós temos Amy Adams, Lawrence Fishburne, Diane Lane, Kevin Costner , Russel Crowe e Michael Shannon. Todos ótimos ( gente, da onde foi que acharam Shannon e Adams deslocados no filme???). O início do filme me assustou um pouco, com efeitos pouco convincentes e uma cara de estar assistindo "Avatar", com Crowe cavalgando um dragão. Mas essa é a parte fraca da história. Na sequência, já na terra, o filem ganha contornos dramáticos que achei interessantes e emocionantes. A infância conturbada, a adolescencia sobre a sombra do bullying e o dilema de não poder assumir a sua verdadeira identidade. Kevin Costner protagoniza uma cena antologica, uma obra-prima: a cena do ciclone. Que cena do caralho. Emocionante mesmo!!! Obviamente que o conflito pais biológicos/pais adotivos remete qualquer espectador a "Spider man". DIane Lane também tem seu momento emoção, e a maquiagem de envelhecimento dela está ótima, coisa rara em Hollywood. O desfecho também achei do caralho, que venha o próximo!!!!! Nota: 7
sábado, 13 de julho de 2013
Hideaways - O último filho
"Hideaways- The last son", de Agnès Merlet (2011)
Produção franco-Irlandesa, concorreu no Festival de Tribeca de 2011. Misturando fantasia, fábula e drama, o filme parece uma versão independente de algum personagem mutante dos X-men. Ou até uma versão fasntástica de "Inquietos", de Gus Van Sant. James é um menino que nasce com uma maldição: quando ele se estressa, tudo em sua volta morre. Após provocar a morte de seu pai e sua avó, ele foge pra floresta. 10 anos se passam, ele vem a conhecer Mae, uma adolescente que fugiu do hospital, e que ele vem a descobrir que é portadora de cancer terminal. Assim como "Inquietos", o tema da morte circunda os protagonistas. Porém, aqui, a fantasia se mostra tímida, e acaba que o filme perambula mais pro drama romântico, apelando pros efeitos apenas em seu prólogo e desfecho. A história é simpática, apesar de sem ritmo e indefinida sobre qual rumo tomar. O protagonista não tem muito carisma, e isso interfere, pois se torna enfadonho acompanhar a trama em alguns momentos. A trilha sonora remete aos de Danny Elfman, quando produz para Tim Burton. A fotografia é ok, os efeitos, apesar de simples, funcionam. Não é memorável, mas cumpre a funçào de salvar uma tarde sem opções. Nota: 6
Sharknado
"Sharknado", de Anthony C. Ferrante (2013)
Quando eu li a matéria no jornal O GLOBO, sobre um filme que havia virado hit na Internet, não tive dúvidas: fui correndo assistir. "Sharknado"é um dos filmes mais divertidos e hilários que vi recentemente. Daqueles de dar gargalhadas gostosas. Queria entender de verdade, o que se passou na cabeça do produtor desse filme, de bancar 1 milhão de dólares em um filme que mistura "Twister","Tubarão"e "Massacre da serra elétrica". E ainda fazer com muito humor, mais divertido do que muita comédia metida a besta que anda por aí. É o tipo de filme para juntar seus amigos e se esborrachar de rir em cenas inacreditáveis. A criatividade do produtor, do roteirista e do diretor não encontram limites aqui. Tudo é muito non-sense, surreal, estapafúrdio, com vários erros de continuidade, aquelas famosas cenas de personagem morrendo e ninguém dando a minima (logo no início, várias pessoas morrem num ataque de tubarões na praia, na cena seguinte, no mesmo dia, na mesma praia, ta todo mundo bebendo, rindo, falando merda no bar da praia). A história não podia ser mais tosca: por conta do aquecimento global, um tornado gigante varre o mar da Costa do México e traz consigo todos os tubarões existentes. Esse tornado se encaminha para Los Angeles e sai dizimando as pessoas, com seus vorazes tubarões matando geral. Claro, no filme os bichanos sobrevivem fora da água. A produtora do filme, The Asylum, é especialista nessas produções que mesclam filmes e gêneros. Ela tem todo um fã clube que devora seus filmes.O que menos se quer é gente pensando. É somente entretenimento sem compromissos. Para se ter uma idéia, a arma de um dos sobreviventes para lutar com o tubarão é uma cadeira!!!! E ele a leva consigo! O carro onde os personagens transitam pelas ruas, durante a tempestada, nota-se claramente que não sai do lugar. Deve ter algum contra-regra sacudindo o carro, e mangueiras de água jorrando chuva por sobre o veículo. É muito tosco!!! A cena final é antologica, com direito a serra elétrica saindo de dentro de um tubarão!!! Clássico B!!
Nota: 6
quinta-feira, 11 de julho de 2013
O homem das estrelas
"L'uomo delle stelle/The star maker", de Giuseppe Tornatore (1995)
Esse filme era um buraco na minha filmografia de Tornatore, e graças ao talento do meu amigo Ricardo Favilla, que contou a sinopse de uma forma tão bela, eu fui correndo assisti-lo. O filme se passa nos anos 40 e conta a história de Joe Morelli ( Sergio Castelitto), um malandro que viaja com seu caminhão pelas regi˜pes pobres da Sicília, se fazendo passar por um produtor de elenco para cinema. Ele ganha dinheiro ao produzir testes falsos de elenco. Sua câmera filma, mas não possui película. Tudo chapa-branca. No seu caminho, ele encontra muitos sonhos, mas friamente, ele não se envolve com nenhuma das histórias narradas pelos populares humildes. Até que ele esbarra com Beata, uma jovem que sonha em ser atriz e por quem Joe se apaixona. Tornatore repete toda a fórmula de "Cinema Paradiso" aqui no filme: trilha emotiva de Ennio Morricone, um forte contexto melodramático na história ( o desfecho é emocionante, e tem a mesma estrutura do clip dos beijos em "Cinema Paradiso", uma história de amor improvável e muito, mas muito amor ao cinema, que vai perdendo espaço pela chegada da televisão. O mais lindo no filme é ver tantos nào-atores dando os seus depoimentos para a câmera de Joe. Curioso como no cinema italiano, não é comum os diálogos sincados, mas isso em nenhum momento passa por problema técnico ou me incomoda. As locações na Sicilia são belíssimas, e claro, não podia faltar a Máfia no filme.Como em todos os seus filmes, Tornatore extrapola na dose em algumas cenas, as vezes exagerando no drama ou até mesmo um certo mau-gosto ( a cena da primeira transa de Joe e beata é estranha, sem carinho para um momento tào especial). Não posso deixar de enaltecer um extraordiário plano-sequência na primeira parte do filme, quando vemos os populares treinando textos para a audiçào. Muito bem construída a cena, com certeza ensaiou bastante. Achei um pouco longo, e fiquei muito triste com o desfecho. Me lembrei de "Eu receberia as piores noticias de eus lindos lábios", de Beto Brandt. Bela atuaçào de Tiziana Lodato, no papel de Beata.
Nota: 8
quarta-feira, 10 de julho de 2013
Mãe e filha
de Petrus Cariry (2011)
"Mãe e filha", de Petrus Cariry. Vencedor de vários prêmios no Festival do Ceará de 2011, entre eles de melhor filme, roteiro e som, e também de melhor fotografia no Festival do Rio 2011, o filme é um tour de force do cineasta cearense Petrus Cariry. Ele escreveu, produziu, dirigiu, fotografou, fez a câmera e ainda editou. Mais autoral, impossível. E isso me faz pensar que existem filmes que parecem ter sido feitos apenas para serem exibidos em Festivais e ganhar prêmios. Porque o juri de Festival adora filmes assim: cabeça, hermético, recheado de simbolismos. Em uma cidade do interior do Ceará, Cococi, uma mulher retorna para casa 20 anos depois. Ela vem cumprir uma promessa que havia feito para sua mãe, antes de ir para a cidade grande: de que traria seu filho para conhecer a avó. Porém, o filho está morto, mas sua mãe o trata como se estivesse vivo. Entre fantasmas do passado e rusgas mal resolvidas, as duas passam momentos de solidão e silêncio tentando entender o que as afastou.
Impossível assistir ao filme e não me lembrar de "O céu de Suely". Além de escalar a mesma atriz, a extraordinária Zezita Matos, que fez a avó de Suely no filme de Karin Ainouz, o filme tem como tema principal a volta para casa e o reencontro com o passado. É como se Suely voltasse para sua casa 20 anos depois. A mesma falta de comunicação, o mesmo rancor guardado dentro delas. A influência de Tarkovsky na narrativa também é evidente. Planos muito longos, contemplativos, onde nada acontece. A vida pautada pelo tédio e pelo nada. Acordar, comer, dormir. Esperando o dia da morte.
As atuações aqui das duas atrizes, Zezita e Juliana Carvalho, são excessivamente dramatizadas, quase épicas e pomposas. Isso faz com que o filme saia do naturalismo. O filme também se utiliza do universo fantástico, ao apresentar os 4 cavaleiros do Apocalipse, na pele de 4 cangaceiros. Achei essa simbologia exagerada, assim como os planos lentos, desnecessários, de imagens de animais, cenários e etc. Parecem ter sido gravadas em video e ficou uma textura que briga com a do filme. Um plano longo de 2 cães brigando, a mãe degolando uma galinha e ela se debatendo até morrer são momentos desnecessários.
É um filme de ritmo extremamente lento, cansativo. A dramaturgia deu lugar às imagens que são belas em sua maioria, mas vazias. No final das contas, apenas um filme sobre reencontro mãe e filha, em 80 minutos de projeção, mas que de conteúdo tem muito pouco.
Curiosidade: logo no prólogo inicial, achei que estava vendo "Post Tenebra Lux", o filme de Carlos Reygadas que ganhou Melhor Direção em Cannes 2012. A narrativa e a estética são muito semelhantes.
Nota: 5
terça-feira, 9 de julho de 2013
O caminho
"La senda/The path", de Miguel Ángel Toledo (2012)
Os espanhóis sempre foram bons no suspense, no trhiller psicológico. Vide "Os outros", "O orfanato", "Ferro" e outros títulos muito interessantes. Mas existem também os filmes ruins. Esse "O caminho" narra a história de um homem, Samuel, jogador de xadrez profissional. Em crise no casamento, revolve levar esposa e filho pequeno até um chalé nas montanhas nevadas. Ao chegar la, descobre que o chalé é isolado e sem comunicação. Mas mesmo assim, resolve ficar. O que ninguém esperava, é que ele aos poucos fosse se degenerando psicologicamente, devido à solidão e a suspeitas de ci;umes contra a esposa. Assim, cresce nele um instinto assassino, que bota a família em risco. Se alguém aqui pensou em "O iluminado", acertou. O filme tenta copiar desesperadamente o filme de Kubrick, obviamente, sem sucesso. O elenco é fraco, o clima de suspense é inexistente, tentando provocar sustos através de sons estridentes ou objetos que surgem do nada. O uso de câmeras lentas é ridícula, provocando risos ao invés de tensão. Até mesmo uma referencia às gemeas, que o garoto encontra nas ruas do vilarejo. Pobre do início ao fim.
Nota: 2
domingo, 7 de julho de 2013
A Terra da esperança
"Kibô no kuni/The Land of hope", de Sono Sion (2012)
A tempos eu não via um filme tão devastador, que me deixasse triste ao final da projeção.
"A Terra da esperança" usa a tragédia nuclear de Fukushima para fazer uma radiografia sobre vidas destruídas após o incidente. Em uma pequena cidade rural, chamada Nagashima ( Misto de Nagasaki e Hiroshima), 2 famílias vivem felizes. A familia Ono e a Suzuki. A esposa do Senhor Ono sofre de demência degenerativa, e Ono vive em função dela. Após um terremoto,a usina nuclear sofre danos e a população precisa evacuar a cidade. Mas Ono decide ficar com sua esposa, pois viveram felizes ali a 30 anos, e ele acredita que se ela sair dali, seu estado mental irá piorar. É possível imaginar somente com essa sinopse a tragédia que se acomete na vida de todos, porém, deixando o amor sempre como ponto de ligação entre todas as histórias e a esperança, que jamais deve ser deixada de lado. Sion Sono é um dos grandes cineastas japoneses em atividade, e infelizmente, seus filmes não circulam aqui no Brasil. São filmes inquietantes, fortes, tendo sempre a violência e a moral como temas: "Mesa de jantar de Noriko", "Clube do suicídio", "Himizu", "Coldfish", e "Love exposure" estão entre suas grandes obras. Sono se utiliza da linguagem de Ozu para criar boa parte de seus planos, fixos, longos, comtemplativos. Como estrutura narrativa, vi muita semelhança com 'The day after": a linguagem documental do dia a dia das pessoas antes do acidente, e a consequente tragédia depois do terremoto, causando pânico, preconceito e cegueira moral nas pessoas. Sono se utilizou de locações reais de Fukushima para algumas cenas, provocando uma tristeza enorme. Impossível não ver o cenário e pensar nas vidas que se foram: grandes e enormes terras desertas, casas destruídas, o vazio. A história central, pulverizada por tantas histórias, se concentra na de Ono e sua esposa. E foi essa história que me provocou uma tristeza enorme, e foi responsável por muitas lágrimas. As atuações absolutamente extraordinárias de Natsuyagi Isao (Ono), que veio a falecer em maio de 2013, e Otani Naoko (Chieko), mais a do restante do elenco, conferem uma qualidade artística irrepreensivel ao filme, e claro, veracidade na história tão poderosa e forte. Impossível não se lembrar de "Amour", de Michael Haneke. Não fosse tão longo (2:15 hrs) e tivesse menos histórias para contar ( deveriam ter feito uma reediçào e centrar na história de Ono e esposa, e seus filhos), o filme certamente seria uma obra-prima.
Nota: 8
Além dos muros
"Hors les murs", de David Lambert (2012)
Exibido na Semana da Crítica no Festival de Cannes 2012, esse filme de estréia do cineasta Belga David Lambert aposta no amor de dois homens que largam tudo para viver o seu amor à primeira vista, mas que devido a circunstâncias alheias a sua vida, precisam romper com o pacto de felicidade eterna. Paulo é um músico que toca em cinematecas e que está noivo de uma dona de uma loja. Em uma noite de bebedeiras, ele conhece o barman Albanês Ilir. Ilir o leva até sua casa e Paulo passa a noite ali. Paulo percebe que o seu amor mudou de sexo, e decide romper com sua noiva, que o expulsa de casa. Paulo vai pedir moradia na casa de Ilir, que acha prematura a vida a dois, mas aceita-lo. Após um breve momento de felicidade, Ilir sai para resolver umas coisas e some durante 2 dias. O que acontece a seguir irá mudar o rumo de suas vidas. Belamente fotogrado, o filme traz uma atmosfera melancolica típica dos filmes europeus dos novos tempos de recessão. Criando cenas silenciosas, onde o olhar diz tudo, a direção inteligente cria momentos de beleza, dando espaço aos tempos mortos criarem o clima necessário para a falta de rumo dos personagens, bem interpretados pelos atores principais. Porém, o roteiro não propòe um olhar mais desafiador na relação desses dois homens, caindo no clichê do homem que se descobre homossexual e que acaba se auto-destruindo, inclusive incluindo cenas gratuitas de sado-masoquismo, como se simbolizando a "entrega" física e psicológica para um universo ate então inexistente. O fetiche e o proibido são atraentes e parecem o único lugar seguro para uma existência atormentada. Li numa entrevista com o diretor que ele quiz nesse filme recriar a história do clássico "Os guarda-chuvas do amor", onde acompanhamos o amor pleno, a crise e a dissolução de uma história romântica. Ficou somente na referencia, pois infelizmente, faltou garra e coragem no autor, em explorar mais intensamente esse amor, proibido, mas de pouquissima voltagem. Tesão passou longe.
Nota: 6
Hannah Arendt
"Hannah Arendt", de Margareth Von Trotta"(2012)
Filme que se baseia em incidente envolvendo a pensadora e filósofa alemã Hannah Arendt em 1963, durante o lançamento de artigos que resultaram no livro "O julgamento de Eichmann". Hannah Arendt, já exilada em Nova York, morando com seu marido alemão igualmente pensador, leciona numa faculdade e escreve ensaios. Gozando de prestígio entre o circulo de intelectuais da épca, Arendt é uma alemã judia, que fugiu de um campo de concentração junto de seu marido e veio até os Estados Unidos. Em 1962, o carrasco nazista Adolph Eichmann é preso em Buenos Aires pelos agentes israelenses e levado até Jerusalém para ser julgado por crimes de guerra. Com extremo interesse no caso, Arendt se voluntaria para acompanhar o julgamento, escrevendo um artigo para a "The New Yorker". Porém, o artigo causa furor e ódio entre a comunidade judaica mundo afora: Arendt acusa o Estado Israelense de acusar Eichmann por crimes contra a humanidade e não pelos seus crimes, e percebe que ele é uma pessoa comum que seguiu as regras do jogo político de Hitler. Arendt acusa também os judeus de serem de certa forma responsáveis pelo Holocausto. O elenco desse filme é extraordinario, sem nenhuma ressalva. Desde Barbara Sukowa, atriz-fetiche de Fassbinder e que aqui repete sua parceria com a cineasta Von Trotta, até o casting americano, perfeito. Janet Macteer, indicada ao Oscar por "Albert Nobbs", está fenomenal como a amiga de Arendt, Mary. A direção de Von Trotta é elegante e inteligente, usando movimentos panorâmicos, para descrever o ambiente, e utilizando imagens do julgamento original, o que foi uma opção acertada, pois o depoimento do verdadeiro Eichmann é contundente. Incrivelmente, Von Trotta e o roteirista Pam Katz criam humor em várias cenas, se assemelhando ao humor judaico de Woody Allen. O cinema inteiro veio abaixo em vários momentos mediantes tiradas geniais como ""Filósofo não cumpre prazos". Saí do filme correndo pro Wikipedia e me inteirar da historia dessa grande mulher, que fuma cigarro a cada minuto, Duas cenas antológicas: a noticia dada pela amiga Mary a Arendt durante uma aula, e o seu discurso final na faculdade. Um filme brilhante e essencial.
Nota: 10
sexta-feira, 5 de julho de 2013
Uma dama em Paris
"Une Estonienne à Paris", de Ilmar Raag (2012)
Drama dirigido pelo estoniano Ilmar Raag, tem como tema central a terceira idade, solidão e o desamor. Para quem me conhece, meus temas preferidos. O título original é mais esclarecedor: "Uma Estoniana em Paris", mas sabe-se lá porquê traduziram para "Uma dama em Paris", talvez para atrair espectadores afoitos por um romance. Mas o filme está longe disse: é um filme triste depressivo e muito melancólico. Jeanne Moreau, no auge de seus 80 anos, se despe de sua aura de musa sexy dos anos 60 e confere dignidade na idosa decadente e que vive do passado, irritada com o contato das pessoas e que prefere a solidão de seu apartamento e a companhia de seus remédios, usados para súbitos desejos de suicídio. Ela não aceita envelhecer, por conta disso ela perdeu 2 grandes amores de sua vida: seu marido e o jovem amante Stephane, que contrata uma imigrante para tomar conta dela. Laine Mägi, atriz estoniana, é uma excelente surpresa, no papel de Anne, uma mulher depressiva que abandona seu País pelo desamor de seus filhos que não lhe dão atenção. Esse tema , já batido, lembra obviamente o clássico "Era uma vez em Tokyo", de Ozu. O filme aqui vai num ritmo extremamente lento, tudo o que vemos ao redor vai na dinâmica da observação de Anne, que busca nas ruas, nas luzes, na paisagem e vitrines de Paris, uma inspiração para a sua vida triste. Quando Anne e Frida (Moreau) se encontram em cena, é um embate de titãs. Como é gratificante ver atuações inteligentes e brilhantes! O desfecho me pareceu feito para agradar a platéia, talvez para que as pessoas nao saissem tristes demais das salas de cinema. De qualquer forma, essa cena final me fez soltar lágrimas de emoção. Que beleza!!!!
Nota: 8
quarta-feira, 3 de julho de 2013
À procura de Sugarman
"Searching for sugarman ", de Malik Bendjelloul (2012)
A muito tempo eu não chorava tanto vendo um filme, e aqui passei exatamente meia hora chorando sem parar. Esse documentário vencedor do Oscar do gênero em 2013, traz uma emoção tão devastadora, que me faz pensar que a história real de pessoas comuns é a maior obra-prima para um filme. Não existe ficção que traga essa verdade de forma tão envolvente, simplesmente pelo fato dela ser real. A história desse filme gira em torno de Sixto Rodrigues. No inicio dos anos 70, esse morador de Detroit resolveu lançar 2 discos independentes. Foi um total desastre, e segundo o dono da gravadora, vendeu 6 discos. Mas uma cópia do disco foi parar na Africa do Sul, e desde então, tornou-se uma lenda. Milhões de pessoas copiavam, idolalatravam o disco, pelas suas letras contra a repressão. Nos depoimentos, os fãs sul-africanos diziam que era o disco da vida deles, porque os ensinavam a lutar contra o sistema, lembrando que na época imperava o Apartheid. O disco foi censurado, teve faixas arranhadas, mas mesmo assim, tornou-se objeto de culto. Os fãs não sabiam nenhuma informação sobre Rodrigues, a não ser o fato de ter o rosto na capa do disco. Dizia-se que ele havia se matado num palco, jogando fogo em si mesmo e se suicidado. Em 1997, 2 fãs resolveram ir atrás desse mito, e seguiram todas as informações possíveis para tentar chegar até o paradeiro de Rodriguez ou alguém próximo a ele, uma vez que acreditavam que ele estava morto. Nào posso falar mais sobre a história. Só sei que esse filme é um projeto obrigatório, para quem quer ver uma bela história de vida, algo que realmente acontece, segundo um dos fãs, uma vez na vida. Um homem que perdeu seu sonho, viveu mais de 40 anos na amargura de não ter sua obra reconhecida. Entreguem-se a esse filme, deixem-se emocionar.
Nota: 10
Gretchen Filme estrada
"Gretchen, filme estrada", de Eliane Brum e Paschoal Samora (2010)
Documentário realizado em 2010, que acompanha a campanha da cantora Gretchen como Prefeita na Ilha de Itamaraça, Pernambuco, cidade onde ela nasceu. Quando soube desse projeto eu fiquei extremamente curioso para ver como uma artista do povo, com mais de 30 anos de carreira artística, que fez sucesso cantando músicas sem letras e ganhando dinheiro com o rebolado, poderia ter a ousadia de se candidatar a Prefeita. Oportunismo? Pode ser, ela mesma no documentário diz para os seus partidários e votantes que ela super-confia no seu nome, que basta diz6e-lo que o Presidente, Senadores e todo o Brasil abrirão as portas para ela. Excesso de confiança ou ingenuidade, não importa. Gretchen é um fenômeno de midia. Iniciou sua carreira antes mesmo de Madonna, e nunca saiu das notícias. Polêmica, ela levou 3 milhoes de espectadores aos cinema para assistir ao seu pornô soft 'Alugam-se moças", um clássico da pornochanchada, de 1982. Mais recentemente, ela se aventurou no cinema explicito. Casou diversas vezes, teve vários filhos, e por conta disso, achando-se sem barreiras, se candidatou, sem nunca ter tido alguma aptidão à carreira política. Seu desejo, sendo eleita, era abandonar os palcos e viver dos palanques. Mas esse sonho não foi a frente: ela recebeu apenas 2% dos votos. O filme mostra a trajetória dela pedindo votos, sendo aliciada, populares pedindo dinheiro, coligaçoes desfeitas, falta de dinheiro, desespero, e claro, vários shows de Gretchen Brasil afora para poder bancar a candidatura. Existe uma cena antológica: Durante uma apresentação em um circo, o playback falja, Gretchen para o numero e fala ao DJ: "DJ, troca o cd"!". Constrangimento total. Quando ela volta a cantar, vê-se nitidamente a cara de cú de toda a a platéia. Muito triste ver uma artista que sempre venceu pelo seu sex appeal se ver envelhecida, sem sensualidade, vivendo do seu passado. Ela ainda faz festas, suas músicas são cults em qualquer balada. Mas ela precisa baixar a bola e se dar conta que os tempos são outros, infelizmente. Pelo menos, para evitarmos d eouvir frases tipo: " Eu danco piripiri, nao tá dando mais nao. Danco final de semana, chega segunda acabou o dinheiro".
O documentário começa bem, com uma narração em off bem divertida, mas depois vai se tornando repetitivo. 1:30 é muito para esse filme, deveria ter 20 minutos a menos, e ter apostado mais na linha do inusitado, como fizeram no ótimo documentário de Rita Cadillac, "A lady do povo".
terça-feira, 2 de julho de 2013
Clip
"Klip", de Maja Milos (2012)
Retrato cruel da juventude Sérvia, dirigido pela atriz Maja Milos. Jasna (Isidora Simijonovic) é uma adolescente de 16 anos que mora com seu pai em estado terminal, sua mãe que vive cobrando atitude por parte dela, e com sua irmã caçula. Nesse ambiente de pouco amor, ela encontra refúgio com as amigas, fora de casa. Jasna perambula por festas, baladas, regadas a muito sexo, drogas e diversão inconsequente. Até que ela conhece Djole, por quem se apaixona, e que faz dela um mero objeto sexual. Devastadora visão da juventude pós -guerra da Sérvia, mostrando a cidade destruída não somente em termos materiais, mas também psicológicos. Os personagens são todos fora de rumo, desesperados, fugindo de sua realidade da forma que podem. A coragem da atriz Isidora Simijonovic em se expôr por completo, participando de cenas de sexo explícito ( em sua maioria, conforme os créditos, usando dublê), vomitando, cheirando, enlouquecendo, , dá ao filme uma dinâmica muito poderosa dessa personagem. Nào é a toa que ela ganhou varios premios de interpretação. A juventude retratada não quer estudar, não quer trabalhar, se droga, bebe o dia todo, usam celulares para gravarem videos (inclusive, o celular é usado como narrativa no filme). O ritmo é lento, o filme é longo, a frieza da narrativa pode incomodar muita gente. Mas é um retrato poderoso de uma geração, assim como foi "Cristiane F" nos anos 80.
Nota: 7
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