quinta-feira, 28 de abril de 2016

A frente fria que a chuva traz

"A frente fria que a chuva traz", de Neville d'Almeida (2015) Em 2012, o cineasta independente americano Harmony Corine realizou o cult "Spring breakers". No filme, as atrizes teens e ídolos de toda uma juventude saudável escandalizaram seus fãs, ao protagonizarem cenas de sexo, uso de drogas e muita bebedeira. Pior: elas ( Selena Gomez, Vanessa Hudgens e até mesmo James Franco) eram bandidonas, representando o que de pior havia na geração dourada americana. Em 2015, o cineasta Neville D' Almeida, famosos por alguns dos filmes mais sacanas e libidinosos da história do cinema brasileiro ( "A dama do lotação", "Os 7 gatinhos"), pega o livro do ator e escritor Mario Bortolotto e adapta aquilo que chamo de "Rio Babilônia" versão remix. Para quem nunca viu, "Rio Babilônia" é talvez um dos filmes mais polêmicos do Cinema brasileiro. Ídolos da garotada, como Bruna Linzmeyer, Chay Suede, Jonny Massaro e Juliana Lohhmann protagonizam cenas onde alguns dos diálogos mais suaves não fica abaixo de "Quero chupar seu p...", Vou dar meu c...", quero cheirar pó. e por ai vai. Provavelmente, por um bom tempo, nenhum espectador verá algum desses atores fazendo cenas que cheguem aos pés do que verão em uma hora e meia do filme de Neville D'almeida. é muita execração, depravação, sordidez, putaria, sacanagem elevados a mil. A grande diferença de "Rio Babilônia" com "A frente fria que a chuva traz'? Comparar os 2 filmes mostra como a sociedade fico careta. Nos anos 80 o filme de Neville mostrava cenas de sexo explícito com atores globais: Denise Dumont e Cristiane Torloni em cenas para lá de tórridas e proibidas. Em pleno ano de 2016, o máximo que vemos no filme novo de Neville é uma bunda masculina e um par de seios. Ficou perigoso expôr os atores, os espectadores protestam. O olhar ficou diferente, e as intenções também. As minorias estão aí, levantando bandeiras, e até uma cena onde uma das meninas é quase estuprada no morro já não tem mais a mesma força de filmes de outrora de Neville ( basta lembrar do estupro em Vera Fisher no filme "Navalha na carne"). O filme acontece em um dia. Um grupo de jovens novo-ricos alugam uma laje no Morro do Vidigal e resolvem fazer uma festa regada a sexo, drogas e música eletrônica, sem se preocuparem com os excessos. No meio da festa, um convidado especial: O cantor sertanejo Raposão, em hilária atuação de Michel Melamed, interpretando um cover de Latino. Entre os organizadores da festa, estão Espeto ( Chay Suede), Alisson ( Jonnhy Massaro) e uma conhecida deles, a sem teto Armsterdã ( Bruna Linzmeyer). Juliane Araújo, Natalia Lima Verde, Marina Provenzzano, Juliana Lohhman, Flavio Bauraqui e mais os outros atores citados estão ótimos: crus e com os pés chafurdados na marginalidade, sem medo de se exporem em cenas e diálogos de muita baixaria. Parabéns a todos eles. Destaque também para a fotografia de Kika Cunha, e para as belas locações no Vidigal, que proporcionam ao espectador que não está acostumado com a proximidade da riqueza e da pobreza um olhar que fica entre o acachapante e o inóspito. Difícil recomendar o filme a quem não esteja livre para mergulhar nas profundezas do inferno carioca.

Nenhum comentário:

Postar um comentário