domingo, 23 de junho de 2013

A espuma dos dias

"L'écume des jours", de Michel Gondry (2013) Adaptação do clássico homônimo, escrito pelo escritor e músico surrealista francês Boris Vian em 1946. Sua literatura sempre foi considerada intransponivel para o cinema, devido às suas metáforas literárias. Michel Gondry tomou a iniciativa de ser o primeiro a fazer uma transcrição para o cinema, e o resultado é bastante satisfatório. A história é simples: um homem que recebeu uma herança e nunca trabalhou na vida se apaixona por uma mulher. Misteriosamente, ela desenvolve uma doença nos pulmões, que logo depois, descobrimos ser uma flor que está crescendo lá e a matando aos poucos. Gondry se utilizou de muitos efeitos para poder criar imagens surrealistas e poéticas. Mas ele se recusou a usar CGI. Usou técnicas antigas de trucagem, incluindo aí massinhas e stop motion. O resultado é belíssimo: inocente, encantador. Toda a Direção de arte do filme é um verdadeiro escândalo. E eu fiquei me perguntando quantos ácidos e chás Gondry e sua turma tomaram durante a concepção desse filme, porquê é impossível alguém desenvolvê-lo com a mente sã. Alías, é o tipo do filme que devemos proibir de alguém baixar no computador e ver numa tela de tv. É um filme grandioso, cinematográfico, e precisa ser visto e apreciado em tela grande. Muitas cenas antológicas, mas a que mais me encheu os olhos foi a de uma dança onde todos os personagens têm as pernas esticadas. Genial!Boris Vian era um grande amante do Jazz, e por isso, o filme faz altas referências ao gênero, além de fixar paixão por Duke Ellington. Não consigo imaginar o quanto Gondry teve que insistir para o elenco participar desse filme, por lendo apenas o roteiro, qualquer um teria pulado fora. É extremamente complexo,e ao mesmo tempo, simples. No fim das contas, tudo não passa de uma linda história de amor. Aliás, Gondry homenageia vários filmes, entre eles: "Fahrenheit 451", com os mesmos figurinos e cena da queima de livros, e "Quero ser John Malkovich", de Spike Jonze, na questão os cenários minusculos. Audrey Tautou, Romain Duris, Omar Sy estão ótimos, A cena da viagem de Tautou e Duris por Paris a bordo de uma navezinha espacial é linda demais. Se o filme tivesse meia hora a menos ( sim, ele é longo e lá pelo meio dá aquela barriga"), teria sido uma pequena obra-prima. Do jeito que está encanta, diverte, faz rir pelas esquisitices, ma cansa. É para se amar ou odiar. E não é filme para passatempo. Nota: 7

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