sexta-feira, 30 de março de 2012

Heleno


de José Henrique Fonseca (2012)

Cinebiografia do jogador Heleno de Freitas, que durante anos jogou pelo Botafogo, sua grande paixão, além de mulheres, cadillacs e luxo.
Heleno (Rodrigo Santoro) é um jogador temperamental, estourado, que acedita que apenas ele leva o time adiante, e considera que os seus colegas de time são todos ons frouxos e que não se dedicam intensamente ao clube. Bon vivant, Heleno é uma celebridade, mas gasta todo o seu dinheiro com mulheres e luxo. Os médicos suspeitam que ele está com sífilis, mas ele pede para que ninguém anuncie a sua doença, porque ele não quer ser dispensado. Heleno conhece Silvia (Aline Moraes), por quem se apaixona e se casa, mas mesmo asism, continua mantendo relação com uma cantora, (Angie Cepeda). O presidente do Botafogo acaba vendendo o seu passe para o Boca Juniors da Argentina, mas o frio e a solidão o deixam mal. Heleno retorna ao Brasil, mas continua o mesmo terror de sempre. O seu estado de saúde vai piorando, até que a sífilis ataca o seu sistema nervoso, deixando-o com sequelas. Heleno acaba sendo internado numa casa psiquiátrica em Barbacena, até vir a falecer , em 1959, aos 39 anos de idade.
O filme se sustenta basicamente por 2 itens irrepreensíveis: A fotografia de Walter Carvalho, e a interpretação de Rodrigo Santoro. São os dois que elevam o filme a um patamar de qualidade artística, que o distancia de um filme comercial. O elenco de apoio é bom, com destaque para Alinne Moraes, Erom Cordeiro e Angie Cepeda. O que estranhei é terem escalado Marcelo Adnet e Gregorio Duvivier para interpretar os locutores de uma partida. O filme vai para um caminho que não condiz com o drama pesado que estamos assistindo. Apesar de tanta pirotecnia estilística no visual, o filme tem um problema de narrativa: ele não tem emoção. O filme se passa friamente, distanciado. Acompanhei o filme, mas não consegui me aproximar muito da história. Tecnicamente, o filme é impecável: direção de arte, figurino, trilha sonora. O som na sala Artplex, aonde eu assisti, estava bem baixo, e quase não consegui ouvir a narração em OFF do personagem de Santoro. Mas elogio bastante a iniciativa do diretor José Henrique Fonseca, que peitou lançar comercialmente o filme em preto e branco, e sem apelar ao melodrama que seria um caminho fácil para o drama. Mesmo com as minhas observações, o filme vale super a pena.


Nota: 7

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