segunda-feira, 29 de junho de 2026

Amor e desamor

"Amor e desamor", de Gerson Tavares (1966) Um grande filme brasileiro que infelizmente não encontrou a projeção que merecia. Digno representante do cinema existencialista dos anos 60, que já trouxeram grandes obras, como "Noite vazia", de Walter Hugo Khouri, "Copacabana me engana", de Antonio Carlos Fontoura e "São Paulo S.A", de Luiz Person. O filme, rodado em belo preto e branco pelo mestre Hélio Silva ( de "Meu pé de laranja lima" e "O amuleto de Ogum"), tem a trilha sonora angustiante de Rogério Duprat ( de Ä marvada carne" e "Anjos da noite"). Influenciado pelo cinema de Ingmar Bergman e Antonioni, "Amor e desamor" poussi apenas 3 atores em seu elenco: Leonardo Villar (já um grande astro, após os sucessos de "O pagador de promessas'e "A hora e a vez de Augusto Matraga"), Lena Krespi e Betty Faria. Todos em excelente registro de atuação contida, minimalista. O filme se passa em Brasília, já um símbolo de isolamento e solidão para os cineastas. Um arquiteto e professor universitário, Alberto, está desiludido após o rompimento de sua relação com Selma (Betty Faria), a mulher que ele amou, mas que não conseguiu manter o relacionamento após o desejo dela em ser mãe. Alberto encontra Norma (Krespi), casada com Henrique, um casal de amigos. Quando Henrique viaja, Norma e ALberto decidem se encontrar. Ele a leva até a sua casa e lá eles discutem suas vidas vazias, até que passar a noite juntos fazendo s3x0. No dia seguinte, Alberto corteja Norma para que se vejam novamente. Um filme maduro, que renderia uma excelente peça de teatro com 3 atores. Mesmo com quase 60 anos de realiação, é um filme ainda contemporâneo sobre melancolia, casamentos sem vida, amores não contemplados.

Nenhum comentário:

Postar um comentário