terça-feira, 23 de junho de 2026

Cinco da tarde

"Cinco da tarde", de Eduardo Nunes (2023) Eduardo Nunes é um roteirista e cineasta fluminense, formado em cinema pela UFF. COmeçou a sua carreira com curtas premiados em diversos festivais, até estrear em longa com o elogiado "Sudoeste", em 2011. Depois lançou mais 2 longas de ficção: "Unicórnio", em 2017, e "Cinco da tarde", que foi rodado em 2022, em plena pandemia, mas só agora, em 2026, encontrou distribuição na sala de cinema. Os três longas foram selecionados para o Festival do Rio. Rodado em preto e branco pelo seu parceiro de todos os filmes, Mauro Pinheiro Jr, o cineasta Eduardo Nunes se afasta agora do cinema de Tarkovsky, sua grande referência, e se aproxima das narrativas de Ozu e de Kleber Mendonça Filho: do primeiro, o rigor estético em planos fixos, com alguns travellings e pans lentas, em ambientes claustrofóbicos. De Kleber, além do apartamento, que caracteriza seus primeiros longas, o tema da memória, da gentrificação, das salas de cinema que se perderam no tempo e deram lugar à prédios residenciais. Pois é exatamente no prédio Cezanne, ond emoram as duas protagonistas e onde funcionava o cinema São Bento, que moram as jovens vizinhas Anabel (Bárbara Luz) e Meiko (Sharon Cho). O filme se passa na pandemia. Anabel perdeu a avó (Analu Prestes). Meiko perdeu sua mãe (Miwa Yanagizawa). Não sabemos se morreram de covid. Anabel bate na porta de Meiko e pede acolhimento. Meiko, sem titubear, a deixa ficar em seu apartamento. A mãe de Anabel quer que ela se mude para BH. Meiko cuida da floricultura da mãe, que fica no Campo de São Bento. Os fantasmas das falecidas surgem nos sonhos de ambas as jovens, que se unem na solidão e na falta de afeto. Não é uma tarefa fácil para quem não for cinéfilo raiz, assistir ao filme. Com 2 horas de duração, o filme tem planos longos, sem cortes, e um ritmo digno de filmes slow cinema. Em ompensação, o elenco tem lindas performances, com participações de Augusto Madeira e Matheus Costa.

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