sexta-feira, 31 de maio de 2013

Insensiveis

"Insensibles", de Juan Carlos Medina (2012). Belo drama de suspense, com uma ótima atmosfera e reviravolta no desfecho, típico dos recentes filmes espanhóis. O filme narra a história de David, um neuro-cirurgião de renome, que sofre um acidente de carro. Por conta dos exames, ele descobre que precisa fazer um transplante de medula óssea urgente, e para isso, precisa que seus pais o ajudem. No entanto, ele descobre que eles não são os pais biológicos, e buscando o passado deles, fica aterrorizado com a descoberta: nos anos 30 a 60 , durante o governo franquista, um grupo de crianças que nasceram com um dom são usados em experimentos científicos pelos alemães. Elas não sentem dor e isso pode prejudicar os amigos e familiares. Ótima fotografia, elenco convincente e maquiagem se destacam nessa produção que tem em seu roteiro seu maior ponto positivo: sempre surpreendendo, segura a atenção do espectador diante as reviravoltas da trama. Talvez não abusasse tanto da violência seria mais interessante, pois tem horas que temos a impressão que o diretor quer apenas chocar, quando poderia ter sido mais sutil. Afinal, tudo se resume em uma bela história de amor. Nota: 7

quinta-feira, 30 de maio de 2013

A loja dos suicidios

"Les magasin des suicides", de Patrice Leconte (2012) O cineasta francês Patrice Leconte, diretor , entre outros, dos ótimos"O marido da cabeleireira"e "Ridícu;o", se aventura na animação e faz um filme adulto inusitado, que tem como tema a obsessão das pessoas pelo suicídio. Claramente inspirado nos tipos de "A família Addams", inclusive com o patriarca exatamente igual ao Gomez ( os traços são os mesmos), o filme faz uma severa crítica ao caos reinante na Europa: Desemprego, crise financeira, falta de perspectiva e a consequente depressão por parte da população quie não consegue se reerguer. Usando o humor negro, Leconte narra a história da família de Mishima ( nome sugestivo do famoso autor japonês que se suicidou) que durante gerações comanda uma loja especializada em artefatos para que as pessoas cometam suicídios. Porém, quando nase o seu filho primogênito, as coisas mudam. Sempre feliz e sorridente, ele contrasta com a depressão e mau-humor dos pais e 2 irmãos, o que faz com que Mishima tente desesperadamente mudar o astral do menino. Divertido, delicioso e também melancólico, o filme não economiza nas cenas de mortes bizarras. O que me incimodou no entanto, foi ter transformado a animação em um musical, com números que me parecem perdido ante ao drama dos personagens. Mas de uma forma geral, é uma pequena jóia que deve ser vista pela sua coragem de expor um tema tão tabu de forma irônica. Nota: 7

domingo, 26 de maio de 2013

A virgem Margarida

"Virgem Margarida", de Licinio Azevedo (2012). Belo e forte filme Moçambicano, uma cinematografia rara por essas bandas. Baseado em história real, o filme se passa no ano de 1975 durante a descolonização de Moçambique. Tomado por "infestações culturais do 1o mundo", os rebeldes resolvem sequestrar todas as putas das ruas e as levam até um campo de concentração. Chegando lá, elas são obrigadas a se comportarem como mulheres, donas de casa, que devem saber cozinhar, lavar e servir seus maridos. Nesse Universo repressor, encontra-se Margarida, uma menina de 15 anos, levada por engano quando estava nas ruas comprando seu vestido de noiva para o seu casamento. Com um excelente time de atrizes negras, o filme emociona com sua história original, filmada de forma sêca, apesar de parecer ter um contexto bem-humorado. É um filme que faz pensar e repensar o porquê das pessoas maltratarem outros, por motivos torpes, se utilizando do seu poder para desprezar e destruir vidas humanas. Um "Saló" baixos teores, mas nem por isso menos assustador. Nota: 7

O lugar onde tudo termina

"The place beyond the pines", de Derek Cianfrance (2012). Repetindo a parceria com Ryan Gosling, após o excelente " Namorados para sempre", Cianfrance dessa vez exagerou na dose. O filme narra a historia de Luke (Gosling), um stunt de cenas de ação em motos que participa do globo da morte, um dos números de um parque de diversões. Ele reencontra sua ex-namorada, Romina (Eva Mendes), com quem decsobre ter um filho. Querendo prover o seu filho, Luke resolve participar de assaltos a bancos. Por uma obra do destino, seu caminho cruza com o de Avery (Bradley Cooper), um policial honesto que acaba se corrompendo junto com os seus superiores. O filme começa com um plano-sequência magistral, mas o ego de Cianfrance fez om que ele fizesse um filme épico de quase2:30 de duração. Para tanto tempo, ele narra o filme em passagens de tempo, inclusive uma com inecreditavel passagem de 15 anos, e NENHUM ator muda de fisionomia, como se fosse o dia seguinte. Mais: ele cria uma ousadia narrativa ousada, onde cada ator principal passa o bastão para o próximo, em 3 blocos distintos. O elenco está ótimo, incluindo o jovem Dane Dehaan, que faz o filho de Luke 15 anos depois. Mais o principal problema desse filme é...querer parecer demais com "Drive". O clima, a atmosfera, as músicas anos 80, as cenas de corrida, perseguição nas ruas, os maneirismos de câmera, e claro, Ryan Gosling e uma Eva Mendes posando de Carey Mullighan. E claro, a duração do filme, que me provocou tédio já lá pela metade do filme. Enfim, uma infelizmente decepção de um filme que eu esperava bastante. Nota: 6

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Chamada de emergência

"The call", de Brad Anderson (2013) Filme estrelado por Halle Berry e ABigail Breslin, é um suspense que procura criar a mesma atmosfera de "O silêncio dos inocentes", mas diferente desse, tudo aqui sôa extremamente implausível. A istória gira e torno de Jordan (Berry), uma atendente do 911, chamada de emergência,que em ato impensado, provoca a morte de uma vítima de ums erial killer. Traumatizada, ela vai trabalhar como uma relações publicas, até que um sequestro envolvendo o mesmo serial killer a bpta de volta na função de atendente. Desesperada, ela tenta buscar o paradeiro da vítima, que se encontra no porta-malas do carro do sequestrador. e pasmem, ela está com um celular. Pior que isso, são as várias acões que ele provoca para chamar atenção na rua, e o assassino nunca vê! O desfecho então, meu Jesus!!! O que dizer? Bom, Halle Berry e Abigail fazem o que podem para salvar esse filme de um fiasco total. Elas conferem dignidade aos seus personagens tão rasos. Pior sorte teve o cineasta Brad Anderson: depois do excelente "O operário", com Christian Balle (o filme ficou famoso porque Bale aparece com uns 40 kilos a menos), ele dirigiu o fraco "Misterio da rua 7". Anderson precisa voltar ao universo surreal e estranho de seus filmes anteriores, e esquecer essa leva de filme suspense B. Para uma sessào da tarde (apesar da violência), o filme vai com pipoca e guaraná. Nota: 5

terça-feira, 21 de maio de 2013

Bonitinha mas ordinaria

"Bonitinha mas ordinaria", de Moacyr Goes (2013). Ok, todo mundo vai dizer: Ah, mas o Hsu e' suspeito para comentar sobre o filme, ele trabalhou no projeto! Mas gente, filmamos em 2008, e agora, em pleno 2013, eu nao fazia ideia, juro, de que o filme tinha ficado tao bom. Fiquei sim, muito orgulhoso de ter participado, e ter tido oportunidade de ter trabalhado com tanto ator bom. Alias, como e' bom trabalhar com atores excelentes!!!! Da' uma disposicao extra, ver que todos estao empenhados em querer fazer daquele filme, um filme que realmente valha a pena. Joao Miguel (premiado em Pernambuco), Lele Leal (premiada em Portugal), Leticia Colin (linda, arrazando!! no seu papel tao dificil), Gracindo Jr (genial como um tipo cinico), Leon Goes (surpreendendo sempre) e toda uma trupe de atores que dao um molho especial a essa adaptacao de Nelson Rodrigues. Moacyr Goes, voce para mim fez o seu melhor trabalho no cinema. Dinamico, bem construido. Ri, emocionei. As pessoas sairam do cinema comentando muito bem. Se os criticos irao elogiar ou nao, nao interessa. O publico ja deu o seu veredito. Jacques Cheuiche sua luz ta linda, Paulo Flaksman com uma direcao de arte realista, que delicia filmar em locacoes reais. Valeu a aposta galera!!!!

domingo, 19 de maio de 2013

O que traz boas novas

"Monsieur Lahzat", de Philippe Falardeau (2011) "Bashir Lahzar, o protagonista do filme, é argelino, e eu nome quer dizer "sorte do que traz boas novas". Porém, é um título que contradiz a sua história pessoal: sua esposa foi ameaçada de morte na Algéria e acabou sendo morta, junto dos filhos. Sob o signo do trauma, Lahzar vai trabalhar numa escola de Montreal, substituindo uma professora que se suicidou na sala de aula. 2 das crianças sofrem muito com esse suicídio, e durante a trama, são revelados fragmentos que tentam desvendar o motivo do crime. Um filme potencialmente dramatico, mas mesmo com esse tema tão forte, consegue trazer encantamento, seja nas performances irretocáveis do elenco, encabeçado pelo argelino Mohamed Fellag, quanto nas atuações do elenco infantil, sensacionais. Tocando também no tema do assédio infantil, o filme tem um parentesco com o dinamarquês "A caça", e que fazem um alerta a respeito do quào absurdas são as regras de comportamento dos adultos perante as crianças. Segundo um dos personagens, as crianças são vistas como "material radioativo".pelo simples fato de não se poder nem mais tocá-las. 2 cenas são antológicas: o discurso da pequena Alice na sala de aula, e uma dança particular do professor Lahzar. Também a cena do jantar dele com a professora de inglês é ótima, admnistrando bem drama e comédia. Na hora me lembrei também do nacional "Uma professora muito Maluquinha", que, guardando as devidas proporções, também faz sua crítica ao ensino, focado no ensino, mas não em se preparar a criança para uma boa educação. Belissimo. Foi indicado pelo Canadá em 2012 para o Oscar de filme estrangeiro. Nota: 9

O homem que ri

"L'homme qui rit", de Jean-Pierre Améris (2012) O cineasta Jean Pierre Ameris foi o realizador de uma das comédias romanticas que mais amo na vida: "Romanticos anonimos". Com essa refilmagem de "O homem que ri", fica clara a opção do cineasta por um mundo fabulesco, no tom de "Era uma vez". Seus filmes falam de magia, sentimentos, personagens cândidos e de bom coração, corrompidos pela falta de transparência ou comunicação. Essa 2a adaptação da obra de Victor Hugo, e cujo personagem Gwynplaine, o homem que ri, foi responsavel pela concepção do personagem "Coringa", exala beleza e encantamento. Mas diferente da versão original com o ator Conrad Veidt, aqui a opção vai pelo realismo trágico. Impossível assistir ao filme e não imaginar que Tim Burton, Jonnhy Depp e o compositor Danny Elffman não estejam na produção. Tudo remete ao universo onirico do cineasta americano. Inclusive, na cena da adaptaçao de Gwynplaine ao trono, eu via "Edward mãos de tesoura" o tempo todo. Mas essa referência não tira o prazer de se assistir ao filme. Até porquê, Gerard Depardieu está fenomenal, construindo um personagem tão carismático e apaixonante. O espectador torce, sofre, entristece e ri com o filme, na melhor tradição de um bom melodrama, que é a gênese desse flme. Emanuelle Seignier está belíssima no papel da Duquesa, e a Direção de arte é um luxo, além do figurino. Uma pena que o filme tenha sido tão mal lançado, merecia melhor sorte no circuito exibidor. Para quem não conhece a história, trata-se da epopéia de Gwynplaine, que foi roubado quando criança e deixado na mão de um Doutor alucinado, que o desfigurou, cortando sua boca, e dando a impressão de estar sempre rindo. Em sua fuga ele encontra uma pequena órfã cega, e juntos, vão se encontrar com Ursus (Depardieu), um vendedor de ervas malandro, que os adota. Ursus acaba usando as 2 crianças como atração de seu teatro mambembe. O tempo passa, a cega se apaixona por Gwynplaine, mas o encontro com a Duquesa cria uma ruptura entre o trio de artistas. Uma pequena jóia do cinema. A cena final é deslumbrante. Nota: 8

sábado, 18 de maio de 2013

Terapia de risco

"Side effects", de Steven Soderbergh (2012) Impressionante como Soderbergh dirigiu tantos filmes em uma carreira relativamente curta. Foram mais de 24 titulos, além de seriados e documentários, desde a explosão de sua carreira em 89, com "Sexo, mentiras e videotapes". Apenas nos 2 últimos anos, tivemos "Contágio", "A toda prova", "Magic Mike", "Terapia de risco" e breve, "Behind Candelabra", que está em Cannes 2013. E tudo isso porque um dia, ele disse que iria se apostar e não filmar mais. Imagina! Alternando filmes artisticos e comerciais, bons e ruins, ele voltou à boa forma com esse instigante "Terapia de risco". Aparentemente um drama, o filme vai se desenvolvendo durante sua trama em um filme de suspense, no melhor estilo Hitchcock de ser. A trama, por assim dizer, diabólica, é revelado lá pelo terço final, e uma vez estando o espectador a par da trama real, fica a pergunta: como a personagem sairá dessa? Com um time de ótimos atores, ( Jude Law, Catherine Zetha Jones, Rooney Mara-revelada em "O homem que não amava as mulheres") , o filme narra a história de uma mulher depressiva que durante um tratamento com um psiquiatra, toma remédios anti-depressivos que alteram o seu humor. Um dia, ela mata o marido, e a partir dai, fica o embate entre industria farmaceutica, psiquiatras e pacientes. Mas como já dizia Hitchcock, "Nada é o que parece ser". O filme tem uma frase ótima: "A depressao é a inabilidade de construir o futuro". A rilha sonora de Thomas Newman é elegante e cria um clima de suspense interessante. O desfecho pode ser meio qualquer nota, mas mesmo assim, revelador e surpreendente. Goste-se ou nao do filme, é um ótimo pipocão com cérebro. Nota: 7

sexta-feira, 17 de maio de 2013

O massacre da serra elétrica 3D

"Texas chainsaw massacre 3D", de John Luessenhop (2013) Esqueçam todas as refilmagens e continuações que o filme já teve. Essa é a legítima continuação, que começa exatamente de onde termina o filme original de 1974. Usando inclusive cenas do original de Tobe Hooper, o filme porém, não vai muito além dos clichês de sempre. Uma jovem recebe uma carta dizendo que ela herdou uma mansão. Ela segue para lá junto com um grupo de amigos, e adivinhem quem é a herança? Mesmo sendo em 3D, o filme não causa o impacto necessário. Mesmo poquê, o 3D só surge poucas vezes, obviamente durante o uso da serra elétrica. Os personagens continuam rasos e óbvios como sempre ( gente, sempre tem aquela garota piranhuda, né? ), a gente já sabe quem morre, e pior, porquê insistem na cena do policial que vai sozinho averiguar a casa? Já chega! O gore é mais fraco do que no remake de Jessica Biel, que para mim, é o melhor de todos, depois do original. O desfecho desse aqui então, nossa, que coisa doida. Uma reviravolta sem graça e estúpida. Nota: 5

Faroeste caboclo

"Faroeste caboclo", de René Sampaio (2013) Uma bela embalagem ornada pela bela luz de Gustavo Hadba. O filme faz referencias ao cinema de Tarantino ( a eterna cena de várias pessoas apontando armas num mesmo ambiente), entre outros exemplos, e ao filme 'Scarface", que Felipe Abib, que interpreta o traficante de pó, deve ter visto várias vezes para poder compor o personagem, inclusive na antológica cena de Al Pacino enfiando a cara na mesa lotada de cocaína. Antonio Calloni faz uma performance que parece extensão de seu personagem em "Filhos do sol", que falava sobre prostituição infantil, e ele era um assecla da cafeyina que barbariza nas meninas fugitivas. O ponto alto do filme é a interpretação de Fabrício Boliveira, uma grande revelação.

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Reações adversas

"Reacciones adversas", de David Michan (2011) Ótimo drama mexicano, sobre um homem de baixa alto-estima, que toma remédios controlados, a pedido de seu psiquiatra. No trabalho e na vida pessoal, Daniel é submetido a humilhações, e com os remédios, ele já não sabe o que é real e o que é fantasia. Um filme estranho, de poucos diálogos, e que tem um desfecho inusitado. Ótima atuação de Hector Kotsifakis, no papel principal. Um filme de atmosfera sinistra, e que tem uma estética que pode provocar tédio no espectador comum. O ritmo é lento, mas é um filme provocante e instigante. Violento, sórdido, algo meio Claudio Assis. Nota: 7

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Aftershock

"Aftershock", de Nicolas Lopes (2012) . Lopes é um diretor chileno que tem em sua filmografia várias comedias simplorias. Porem, ele resolveu fazer um filme de ação, misturado a filme de suspense e catástrofe. A ele se juntou o diretor e ator Eli Roth, mais conhecido como parceiro de Tarantino e diretor de "O albergue". A essa união surgiu esse "Aftershock", um filme estranhíssimo. O filme parece ser dividido em 3 partes: a 1a, é um pastiche de "Se beber não case". Com piadas chulas, mulheres semi-nuas, um País exótico, no caso, o Chile. Claro, muitas gags, bebedeiras e baladas na história de 3 amigos que querem curtir a vida. A 2a parte, é um filme catástrofe. Um terremoto de escala 8.8 atinge o Chile e mata porrada de gente que se encontra no local. E finaliza como um filme de suspense gore: Prisioneiros de segurança máxima escapam e saem estuprando e matando a todo e a direito todo mundo que encontram pela frente. O mais incrível é que os poderosos Irmãos Weinstein produziram esse filme. Não dá pra dizer se foi dinheiro jogado fora. Mas também não foi um bom investimento. A história é a mais tosca possível ( apesar de umas interessantes viradas no final), os atores são canastrões ( Eli Roth está péssimooooooo) , os personagens caricatos e desprezíveis ( já sabemos todos os que irão morrer somente pela caracterizaçao) os efeitos mambembes. Poderia ter rendido uma ótima paródia de filmes catástrofes, se não fosse levado a sério em algumas partes. O diretor se baseou no terremoto real que devastou o Chile em 2010, inclusive usando locações reais, ainda em ruínas. A cantora Selena Gomez ainda paga maior mico fazendo uma ponta sem graça. O filme tem cara de brincadeira de cineastas riquinhos que resolveram fazer algo que os divertisse. Espero que pelo menos eles tenham curtido bastante. Nota: 4

sábado, 11 de maio de 2013

Cores

"Cores", de Francisco Garcia(2012) . Como eu adoro esses filmes paulistanos que falam sobre amargura e desesperança. Tudo a ver com o universo caótico de São Paulo. Francisco Garcia, o diretor e co-roteirista do filme, resolveu dar voz a sua geração, na faixa dos 30 anos, que foi iludida pela falsa mensagem do Governo Petista que dizia que os problemas economicos do Brasil estavam no fim. Essa geraçao retratada em seu filme permaneceu na mesma inércia e não encontrou solução para a falta de perspectiva de um emprego decente, de qualidade de vida, de felicidade. São todos trabalhadores de empregos de merda, com mil problemas de falta de dinheiro, ambição, foco. Por conta disso, as relações familiares e amorosas são desprovidas de carinho. O filme narra a história de 3 amigos que tentam buscar um ponto de luz em suas vidas: um funcionario de uma farmacia, um tatuador e uma balconista de loja de peixes de aquario. Mas quem rouba o filme é Tonico Pereira, em pequena participação. Enquanto os 3 personagens principais trabalham suas performances em cima do marasmo, e por conta disso, estão sempre apáticos, Tonico Pereira se mostra vibrante, arisco, inquisidor. Um belíssimo trabalho. A fotografia de Alziro Barbosa, toda em preto e branco, é deslumbrante. Não tem como negar a influência de 2 importantes cineastas contemporâneos nessa visão de mundo pessimista do mundo: Tsai Ming Liang e Jim Jarmusch. O tédio, a fotografia, os enquadramentos, as atuaçoes, os planos longos, esses itens estão sempre presentes nos filmes de ambos os diretores, principalmente "Stranger than paradise"e "O Rio". Desse último, Francisco Garcia busca a referência da chuva torrencial, da água que escorre casa adentro. A estética anos 80 do filme me lembra também de varios cults de filme paulistanos da época. Inclusive, a participação de Guilherme Leme me pareceu uma homenagem por ele ter participado do clássico "Anjos da noite", de Wilson Barros. O filme é todo estilizado, maneirista. Mas isso não é uma crítica. Somente não curti muito as músicas, mas isso porque musicalmente não me agrada. Um filme cult que merece atençao. Nota: 8

quinta-feira, 9 de maio de 2013

Entidade

"Entity", de Steve Stone (2012)Filme de suspense inglês, que pega carona pela milésima vez da narrativa de "A bruxa de Blair". Uma equipe de filmagem, acompanhados de uma médium, seguem de Londres até a Floresta da Sibéria, na busca de uma explicação sobre um mistério: a aparição de 34 corpos escondidos em covas rasas na floresta. A equipe, no entanto, desaparece, e filme narra o ocorrido com eles. Total falta de clima, suspense zero, atores fracos, efeitos toscos e obviamente, o uso de câmera na mão que pelo menos, não é subjetiva. A explicação do mistério é uma grande bobagem. Nota: 2

terça-feira, 7 de maio de 2013

Em transe

"Trance", de Danny Boyle (2013) . Caraca, que roteiro !!! A medida que o filme vai avançando , minha cabeça ia pirando! É daqueles filmes que a gente precisa ficar atento a cada detalhe, a cada olhar do personagem. Tudo será apresentado depois , sem exceções. Talvez o fato do filme ser bem complexo seja o motivo do filme não ter feito muito sucesso de bilheteria. Mas sério, a reviravolta final lembra um pouco "O sexto sentido", no sentido de deixar o espectador de queixo caído. O filme narra a história de um funcionário de uma casa de leilão, que rouba um quadro famoso e que sofre um acidente, o que o faz esquecer aonde ele o escondeu. Seus comparsas o levam até uma terapeuta que usa a hipnose para fazer ele regredir no tempo para se lembrar. James Macvoy e Vincent Cassel estão ótimos ( Cassel será um eterno vilão, não tem jeito. Quem manda ter aquela cara?) . A direçào e a atmosfera do filme lembram bastante os primeiros filmes de Danny Boyle, principalmente "Cova rasa" e "Transpotting". É um filme ousado em sua narrativa, mas que exige muita atenção. Não dá pra ficar de papo, se não você se perde mesmo. No início o filme demora um pouco a engrenar, mas depois fica bem tenso. Nota: 7

segunda-feira, 6 de maio de 2013

O Perdão de sangue

"The forgivesses of blood", de Joshua Marston (2011). Curioso filme albanês, dirigido por um cineasta americano. Marston dirigiu várias séries de TV, entre elas "In treatment", "The godd wife". Mas é mais conhecido pelo excelente filme "Maria Cheia de Graça". Concorrendo no Festival de Berlin 2011, saiu com o prêmio de melhor roteiro. O filme narra a história sobre a rivalidade entre 2 famílias na Albânia de hoje, mas que vivem sob tradições milenares. Separados por terras que dividem o mesmo espaço, o patriarca de uma das famílias mata em momento de ira o filho do rival. Como punição, o filho do assassino deverá pagar com a sua vida. É um filme com um registro quase que de documental. Os planos são longos, lentíssimos. O filme é bastante cansativo, mas consegue manter um certo interesse por conta de suas belíssimas locações. Nota: 5

domingo, 5 de maio de 2013

O rei da comédia

"The king of the comedy", de Martin Scorcese (1982). Um dos mais obscuros e menos conhecidos filmes de Scorcese, essa comédia de humor negro foi massacrado pela crítica na época de seu lançamento (82) e desprezado pelo público, que desejava ver uma comédia com Jerry Lewis e não esperavam que o filme fosse um furioso ataque ao mundo das celebridades e busca pela fama. Eu mesmo, na época do lancamento, havia odiado o filme, pois não o achei nada engraçado, uma vez que o filme foi lançado como comédia. Revendo 30 anos depois, percebo a grande obra-prima que o filme é. Jerry Lewis foi muito generoso em aceitar fazer o papel, o de uma celebridade mau-humorado e mau caráter, que odeia os seus fãs. Robert de Niro, que havia acabado de fazer " O touro indomável"com Scorcese, se arrisca em um papel tragicômico, e se sai muito bem. Uma pena que esse de Niro ousado e enérgico não exista mais. O filme narra a história de Rupert ( De Niro), um aspirante a comediante, que procura a ajuda de Jerry, famoso apresentador de tv, para se apresentar nem seu programa. Diante da recusa de Jerry, Rupert o acaba sequestrando. É uma delícia rever Nova York dos anos 80, ainda com o Times Square decadente, antes da reforma do prefeito Giuliano, que deu uma "limpeza" no local. O elenco de apoio, princialmente Sarah Bernhart, que faz uma fã paranoica, estão ótimos. O roteiro é primoroso, e o filme tem um tom de melancolia . O personagem de de Niro é uma representação dos artistas que buscam 1 minuto de fama, e para tal, se submetem a tudo. Scorcese faz aqui um filme sem técnicas mirabolantes, colocando todo o seu grande potencial na construção de um filme cruel e desumano. Nota: 9

sexta-feira, 3 de maio de 2013

O som do mar

"Son de mar", de Bigas Luna (2013). Recentemente falecido, o cineasta espanhol Bigas Luna teve uma grande filmografia, infelizmente pouco vista. Resolvi assistir a esse seu filme de 2001, pouquíssimo conhecido. Como boa parte de seus filme,s é um drama de forte teor erótico, e diferente de Almodovar, ele se utiliza do melodrama para narrar histórias dramáticas, sem resquicios de humor ou paródias. Luna carrega nas tintas novelescas nesse seu "O som do mar". Baseado em livro de mesmo título, narra a história de Ulisses, professor de literatura, que se muda para uma região próxima a Valencia para dar aula. Ele se hospeda em uma pequena pensão, e se apaixona por Martina (Leonor Watling), objeto de desejo do mafioso Alberto. Ulisses desperta o tesão e a paixão em Martina por conta as declamações de poesias, e eles acabam se casando. Mas Alberto planeja vingança. Com uma excelente fotografia de Jose Luiz Alcaine, um dos grandes fotógrafos espenhóis, e locações deslumbrantes, o filme traduz na beleza do visual e da atriz principal Leonor Watling a grande força do filme. O roteiro em si é previsível e as vezes, cafona de tão novelesco. Mas Luna entrega ao espectador um filme embalado com tintas coloridas e exageradas na história,, mas que no final, seduzem pela beleza e pelo teor de erotismo, que ele filma tão bem. Vale conferir. Nota: 7

quarta-feira, 1 de maio de 2013

O bom partido

"Playing for keeps", de Gabriele Muccino (2012) O cineasta italiano tem 2 filmes que ele rodou em sua terra natal qu eu acho ótimos: "O ultimo beijo" e "Para sempre em minha vida". Descoberto por Will Smith, que o levou a Hollywood, Muccino tem se atido em filmes que tem como tema o homem amargurado por questões familiares e ou profissionais, e a sua volta por cima depois de muita luta. São filmes louváveis, humanistas, mas nem por isso menos melodramáticos no mau sentido. Foi assim em "A procura da felicidade", "sete vidas"e agora nesse "O bom partido", É possível vermos Will Smith no papel de Gerard Butler, porque o personagem é o mesmo. Um ex-jogador de futebol que, por erro de estruturação financeira, perde tudo, inclusive a esposa e a guarda do seu filho. Desempregado, devendo Deus e o mundo, ele consegue revirar o jogo. O problema do filme reside no roteiro: óbvio da primeira a última cena, o espectador já sabe tudo o que vai acontecer, e ainda me pergunto: gente, tudo é entregue de mão beijada pro cara. Mas tudo bem, esses tipos de filmes têm essa missãi, de fazer a gente sair do cinema acreditando que na vida, tudo é possível, graças ao poder do amor. E da-lhe um mega-elenco de apoio pra sustentar essa idéia: Uma Thurman, Catherine Zetha Jones, Jessica Biel, Dennis Quaid. A vida é bela. Nota: 5