quarta-feira, 13 de dezembro de 2023
Propriedade
(2023
"Propriedade", de Daniel Bandeira (2023)
Thriller social escrito e dirigido pelo pernambucano Daniel Bandeira, "Propriedade" me remeteu a 2 filmes recentes, que têm como pano de fundo a forte crítica social e a polaridade entre previlegiados e a classe desfavorecida: "A nova ordem", do mexicano Michel Franco, e o argentino "A jaula". Do primeiro, o embate mortal entre empregados e patrões burgueses, com ambos os lados da moeda apostando na violência e na brutalidade para resolver as suas diferenças. Do argentino, vem a metáfora da "blindagem" e do vidro fosco, que evita que se veja a dura realidade de um mundo cruel, que massacra a classe dos marginalizados, onde o motorista prefere ignorar o que está óbvio à sua frente.
Premiado em importantes Festivais, como Festival do rio, Aruanda e concorrendo na Mostra Panorama em Berlim, o filme traz um roteiro polêmico, onde todos são expostos como animais em fúria, evitando o discurso e dando voz ao massacre.
Thereza (Malu Galli, excelente) ainda guarda trauma de quando foi assaltada com uma faca no pescoço. Seu marido, Roberto (Tavinho Teixeira), decide blindar o carro e levar Thereza até a fazenda da fam;ília que ele herdou. Ele vai até lá para avisar aos funcionários que irá vender a fazenda. temerosos de não ter aonde morar e de terem dívidas com o patrão, um ato de viol6encia gera uma chacina, resultando em Thereza se protegendo no carro blindado. Os empregados da fazenda fazem de tudo para tirá-la de dentro, enquanto Thereza procura se proteger, sem conseguir comunicação externa.
O que é irrepreensível, é o trabalho do elenco de apoio: todos estão em perfeita sintonia, cada um com uma personalidade, remetendo ao grupo de "Bacurau". Aliás, o fotógrafo é o memso, Pedro Sotero. Zuleika Ferreira, como a líder do grupo, é espetacular. Os efeitos, a montagem, a direção, tudo funciona perfeitamente para tornar "propriedade" uma experiência sensorial, mas trazendo incômodo ao espectador, que certamente sairá da sessão sem uma opinião clara sobre o seu desfecho.
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