terça-feira, 27 de janeiro de 2026

Kokuho - O preço da perfeição

"Kokuho", de Sang-il Lee (2025) Quem assistiu à obra-prima de Chen Kaige, 'Adeus, minha concumbina", vencedor da palma de ouro em Cannes em 1993, irá encontrar muitas semelhanças com "Kohuko- O preço da perfeição". A rivalidade entre artistas, o teatro e a música, a beleza das apresentações, a obsessão pela perfeição, o rigor da preparação, os figurinos e maquagem exuberantes, os cenários requintados e claro, o excepcional trabalho dos atores em extensa preparação artística. Concorrendo na Quinzena dos realizadores no Festival de Cannes 2025, o filme entrou para a shport list do Oscar internacional 2026, representando o Japão. Baseado no romance homônimo de Shuichi Yoshida, 2018, o filme abrange dos anos 60 até 2014, realizando um ambicioso e rico painel histórico, através da rivalidade entre 2 atores que disputam o papel de Onnagata, que é o ator que interpreta o papel feminino, o mais complexo e aclamado pelo público. A prática surgiu em 1629, após o governo japonês proibir mulheres de atuar no teatro kabuki por questões morais e desde então, homens interpretam mulheres. O filme recebeu indicação de Oscar de melhor maquiagem. "Kohuko" se tornou o filme live action de maior bilheteria da história no JApão, com mais de 12 milhões de ingressos vendidos. Nos anos 60, Kikuo (Sōya Kurokawa, ator de "Monster), é um jovem filho de um chefe da Yakuza que se apresenta em uma comemoração de novo novo para o seu pai. Durante o evento, uma gangue rival surge e mata o pai de Kikuo. Ele é apadrinhado pelo lendário ator de kabuki Hanai Hanjiro II ( o astro Ken Watanabe), que fica impressionado pelo talento do garoto. Kikuo passa por uma rigorosa disciplina de estudos para se tornar um Onnogata, junto do filho de Hanai, Shunsuke, herdeiro natural da tradicional casa Tanba-ya. Kakuo fica em conflito por ser filho de um Yakuza e não pertencer a nenhuma linhagem de atores do Kabuki. Os anos se passam, e a rivalidade entre Kakuo e Shunsuke cresce, em meio a ciúmes profissionais. Kakuo, agora casado e com uma filha, se ressente de não poder dedicar tempo à esposa e à filha, sacrificando a vida familiar pela obsessão em se tornar o maior Onnogata do país.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

O fantasma da ópera

"O fantasma da ópera", de Julio Bressane e Rodrigo Lima (2025) O espectador desavisado, ao ver o título do curta experimental de Julio Bressane, co-dirigido por Rodrigo Lima, poderá penas que o filme se trata de uma livre adaptação do clássico "O Fantasma da Ópera", escrito por Gaston Leroux 1909 e adaptado em inúmeras adaptações para o cinema e também no mega sucesso da Broadway que permaneceu por 35 anos em cartaz. O filme de Bressane, cineasta conhecido no Brasil e no mundo pelos seus filmes que deram origem ao movimento do cinema marginal que gerou clássicos como "Matou a família e foi ao cinema" e "O anjo nasceu"tem como origem o seu próximo projeto, o longa “Pitico”, em que conta a história de uma pequena cidade de interior a partir de documentos reunidos pelo historiador de província Hermes Aires Azevedo, protagonizado por Paulo Betti. "O fantasma da ópera" é uma coletânea de imagens de bastidores dessa filmagem, apresentando Bressane em seu processo criativo de direção de atores, de decupagem de planos, de conversas com sua equipe técnica, de descoberta, de revelação do trabalho de profissionais, fazendo um filme independente dentro de um orçamento possível. O contraste de Bressane, às vésperas de 80 anos de idade, com uma equipe formada por jovens, traz um significado belo e poético sobre a experiência e sabedoria de um dos maiores pensadores de cinema e da arte no país, estimulando a geração nova do audiovisual a refletir e se provocar criativamente. O próprio Bressane diz que seu filme não é um making of no sentido padrão do que conhecemos como curiosidade de bastidores. É um filme sobre processos, mas com uma narrativa livre, sem querer ser coerente e didático, mas com um olhar poético e repleto de símbolos.

domingo, 25 de janeiro de 2026

Azuro

'Azuro", de Matthieu Rozé (2022) Longa de estréia do ator francês Matthieu Rozé, "Azuro" é uma adaptação do romance de Marguerite Duras, "Os Cavalinhos de Tarquinia", escrito em 1953. Buscando inspiração no existencialismo de Antonioni e sua obra-prima 'A aventura", Matthieu Rozé faz um filme de visual ensolarado, rodado na região da Cote D'azur ( mas falseando como se fosse em uma costa italiana, região onde o romance de Duras acontece). A obra de Duras descreve cinco amigos franceses que todo ano, se hospedam na mesma enseada italiana. Vivendo o ócio e o tédio , dois casais e uma amiga aparentam felicidade, mas os relacionamentos desgastados são camuflados pela aparente felicidade de uma viagem no paraíso, em pleno calor de uma praia agradável. Até que um estranho surge, e a sua presença abala as relações de todos. Os personagens estão na faixa dos 35/40 anos. Pierre e Sara (Yannick Choirat e Valérie Donzelli) são pais de um menino de 10 anos. Gina e Vadin (Maya Sansa e Thomas Scimeca) formam o outro casal. Margaux (Florença Loiret Caille) é a amiga solteira dos casais. Quando surge um homem, (Nuno Lopes). em seu barco, Sara sente atração por ele. O filme é um exemplo de existencialismo do cinema contemporâneo. Ritmo arrastado, lento. Atores em longos diálogos entediantes. Poucas ações acontecendo. Me lembrei até de "O pântano", de Lucrecia Martel, só que ali, ela reforça o tédio e o marasmo com um rigor estétivo e visual, além de uma angustiante edição de som. Não curti muito o filme, mas li que ele é bastante fiel à obra de Duras.

A friend of Dorothy

"A friend of Dorothy", de Lee Knight (2025) Escrito e dirigido Lee Knight, "A friend of Dorothy" é um premiado curta inglês Lgbtqiap+ finalista do Oscar de curta live action 2026. O filme apresenta uma amizade improvável, entre uma idosa de 70 anos, Dorothy (Miriam Margolyes) e um jovem estudante negro, JJ (Alistair Nwachukwu). O filme começa com a abertura do testamento de Dorothy, recém falecida. Estão presentes JJ e o neto de Dorothy, o jovem arrogante e esnobe Scott (Oscar Lloyd). O filme volta ao tempo. JJ toca na campainha da casa de Dorothy, sua vizinha. Ele diz que sua bola caiu no jardim dela. Ela diz que pega, se ele abrir uma lata de ameixas, que ela não consegue mais abrir. Fascinado pela biblioteca repleta de peças de teatro gays de Dorothy, ele confidencia para ela que sempre sonhou em ser ator, mas seu pai quer que ele seja esportista. Com ótimas e comoventes performances do elenco, o filme busca ser um melodrama até previsível, mas feito com sensibilidade. O tom do personagem de Scott é exagerado e caricato, mas ajuda o espectador a se apaixonar ainda mais pela amizade dos dois vizinhos.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

Maspalomas

"Maspalomas", de Aitor Arregi e Jose Mari Goenaga (2025) Indicado a 5 prêmios Goya 2026, incluindo melhor filme, ator e ator coadjuvante , "Maspalomas" é um drama lgbtqiap+ espanhol, escrito por José Mari Goenaga, que co-diriu o filme com Aitor Arregi. O filme é um pungente relato sobre a homossexualidade na terceira idade, com todas as questões sociais e emocionais envolvidas. Ambientado em 2019, um pouco antes do surgimento dos primeiros casos de Covid no mundo, "Maspalomas" e dividido em 2 partes. A 1a é ambientada nas Ilhas Canárias. O protagonista, Vicente (José Ramón Soroiz) tem 76 anos. Ele vive em plenitude a sua liberdade sexual: frequenta praia de pegação, faz s3x0 com anônimos. Depois frequenta festas e baladas gays, onde participa de orgias. Essa 1a parte é colorida, solar, repleta de cenas de s3x0 vividas com muita intensidade pela comunidade gay, como um verdadeiro paraíso hedonista. Durante uma relação s3xual, Vicente passa mal. Toda essa parte dura 20 minutos, e só aí surge o título do filme. Após, o filme começa a sua 2a parte. Vicente, que teve um Avc, está em uma clínica de idosos em San Sebastian. É um ambiente frio e sem cor. Ele está sendo hospedado por sua filha, que ele abandonou com a sua ex-esposa, quando descobriu-se gay e foi viver a sua vida. Anos depois, existe um ressentimento entre eles. Vicente observa o ambiente e os internos da clínica e decide que vai esconder a sua homossexualidade. O filme traz temas polêmicos: a volta ao armário, a gerontofilia ( atração s3xual por pessoas idosas) e a solidão e isolamento na terceira idade, principalmente para a comunidade lgbt. Como tema, é clara a mensagem do roteirista: o corpo e a mente envelhecem, mas o desejo continua o mesmo. Os dilemas vividos por Vicente, de viver uma vida reprimida e de fachada até que decsobriu-se gay e abandonou mulher e filha para viver com toda a intensidade a sua homossexualidade, e agora, idoso, enfrentando o medo da morte iminente. A morte está em todo o lugar: no avc, nos colegas de quarto que morrem, na covid que se aproxima. Vicente investe o seu dinheiro em busca de praezr, pagando garotos de programa. Não existe conduta de ética nem ninguém que o recrimine. É um filme que permite que um idoso gay viva a sua felicidade, da forma que tiver que ser. Uma grande atuação do ator José Ramón Soroiz, entregue em cenas viscerais e de intensa emoção.

Fica comigo essa noite

"Fica comigo essa noite", de João Falcão (2006) A peça "Fica comigo essa noite", de Flavio de Souza, foi escrita em 1988 e montada nos palcos por Marisa Orth e Carlos Moreno no mesmo ano. Desde então, a peça teve diversas montagens, sendo a última delas, com Marisa Orth e Miguel Falabella. O filme adaptado da peça foi lançado em 2006, com adaptação feita pelo diretor João Falcão e por Adriana Falcão e Tatiane Maciel. Os autores criaram mais personagens e tramas paralelas para tornar a história mais dinâmica e ficar com menos ambientação teatral, já que o tetxo original continha apenas 2 atores em cena. A equipe técnica é composta do premiado fotógrafo Mauro Pinheiro Jr, da figurinista Kika Lopes, do diretor de arte Marcos Figueroa, entre outros, e traz uma linguagem e conceito mais próximo à uma fantasia gótica, buscando referências em Tim Burton e seus tipos excêntricos. Vladimir Brichta é Edu: músico e escritor das histórias em quadrinhos "Fantasma com coração de pedra". Um dia, em uma livraria, ele conhece Laura (Alinne Moraes, em estréia nos cinemas). Laura está noiva de Tomaz (Rodrigo Penna), mas a química entre Edu e Laura é imediata e eles acabam se casando. Anos depois, o casal está em crise. Edu viaja demais com os shows, e Laura se ressente de sua ausência. Ao retornar de um show, Edu acaba morrendo. Sua alma não vai embora, e permanece presa na casa. Ele conhece o Fantasma do coração de PEdra (Gustavo Falcão), que tambéme stá preso ali, apaixonado pela vizinha Mariana (Clarice Falcão e Laura Cardoso). Edu pede ajuda ao Fantasma para poder se comunicar com Laura uma última vez. Dá para perceber que o filme tinha um orçamento limitado, mas o trabalho dos atores é carismático o suficiente para chamar a atenção do público. O roteiro vai por caminhos imprevisiveis. Gustavo Falcão é o grande destaque, em seu tipo meio Jonnhy Depp, repleto de excentricidades.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

Três dias do Condor

"Three Days of the Condor", de Sidney Pollack (1975) Um clássico do cinema de espionagem e de paranóia, muito comuns nos anos 60 e 70 nos Estados Unidos, "Três dias do condor" é uma adaptação do romance escrito por James Grady, que se chama "6 dias do condor". A redução de dias na adaptação para o cinema foi com a intenção de tornar o filme mais tenso e aumentar o suspense de acordo com o passar dos dias. A produção é do magnata do cinema italiano Dino de Laurentis, e a direção de Sidney Pollack, que já havia dirigido Robert Redford no total de sua carreira por 7 vezes, incluindo "Entre dois amores", "Nosso amor de ontem", "Havana" e "O cavaleiro elétrico". O filme foi indicado ao Oscar de edição. Robert Redford é Turner, um pesquisador da CIA e que trabalha em um escritório em Nova York, disfarçado com a fachada de American History society. Junto de 6 colegas, eles lêem tudo que sai impresso na mídia e em publicações para tentarem decsobrir mensagens codificadas. Quando Turbner sai para almoçar, ao retornar, encontra todos os seus colegas assassinados. Ele fose e procura entender o que está acontecendo, sem poder confiar em ningúem. Ele sequestra uma mulher em uma loja, Kathy (Faye Dunaway), e se esconde na casa dela. Com um elenco formidável, que inclui Max Von Sydow, em um papel antológico de um assassino, Joubert, e Cliff Robertson, como o diretor da CIA, Higgins. Muito bem dirigido por Pollack, o filme traz 2 cenas que são aula de cinema e de montagem: a cena do assassinato dos colegas de Turner, e a cena em que ele transa com Kathy, alternando a dupla com fotografias tiradas por ela, que é fotógrafa. Li inclusive que foi uma das inspirações possíveis para o filme "O agente secreto".

Norita

"Norita", de Jayson McNamara e Andrea Carbonato Tortonese (2024) Com produção executica de Jane Fonda e do compositor Gustavo Santaolala, o documentário argentino "Norita" é um importante registro histórico sobre os mortos e desaparecidos da ditadura militar argentina, através dos depoimentos das mães da Praça de maio. "A juventude é sempre uma coisa incomoda para a sociedade. Porque tem sonhos, tem impulsos, e as veze nao mede as consequencias de sua propria proposta.". Essa frase é dita em um depoimento de uma colega de faculdade do estudante Gustavo Cortinas, militante contra a ditadura e que foi sequestrado e permaneceu desaparecido. Sua mãe, Nora Cortinas, era uma dona de casa e que por conta do desaparecimento do filho, se afiliou às mães da praça de maio e se tornou uma de suas grandes militantes, inclusive participando de outros movimentos, como a da legalização do aborto. Nora, ou Norita, se tornou uma figura renomada nos movimentos pelos direitos humanos e pelos direitos das mulheres na Argentina. Por mais de 45 anos, ela, juntamente com outras mulheres, esteve na linha de frente da luta pela democracia. Unindo depoimentos das mães sobreviventes, com sobreviventes das torturas, imagens de arquivo e animação, "Norita" traça um painel político e social da Argentina, do governo do General Videla, com os governos atuais. Um momento comovente e chocante, foi quando aparecem imagens de arquivos de 3 mães da Praça de maio pioneiras, que foram sequestradas, torturadas e jogadas vivas em alto mar. Por ironia do destino, os 3 corpos chegaram juntos na beira da praia, retratando simbolicamente, a união dessas mulheres.

Animal

"Animal", de Armando Bo (2018) Armando Bo é um cineasta e roteirista argentino, famoso pelas suas parcerias com o mexicano Alejando Inarritu, com quem escreveu "Biutiful" e "Birdman", pelo qual ganho o Oscar de roteiro. Em "Animal", Bo escreve um roteiro que provoca angústia e opressão no espectador, do início ao fim. eu nem indico esse filme a ninguém, não porque ele seja bom, e é bom, mas pela sensação de ódio e raiva pelo ser humano, no pior da sua essência egoísta, egocêntrica, manipuladora, aproveitadora. Fiquei muito irritado com todos os personagens desse filme e pelo roteiro. O filme é protagonizado por Guillermo Francella, um dos melhores atores argentinos em atividade. Dono de um humor incrível e também de dramaticidade exemplar, Francella é um ator completo e visceral. Quem o viu em "O clã", sobre um ex-torturador da ditadura, sabe do que ele é capaz. ele é Antonio Decoud, um hoimem de 60 anos com a vida perfeita: financeiramente estável, um emprego de gerente em um frigorífico, uma esposa adorável, 3 filhos apaixonantes e estudiosos. Mas tudo começa a ruir quando Antonio desmaia ao fazer exercícios e descobre que um de seus rins está falhando e precisa de um transplante o quanto antes. O seu filho é compatível, mas no dia da cirurgia, o rapaz foge e desiste de doar para seu pai. Desesperado e com o tempo contra, Antonio posta um anúnico online. Um jovem casal, Elias (Federico Salles) e Lucy (Mercedes De Santis), desempregados e prestes a serem desalojados, encontram ali a oportunidade perfeita para darem um golpe. Eles entram em contato com Antonio e exigem uma casa em troca de um rim. Mas ao longo da transação, passama. exigir mais e mais valores, o que faz com que a esposa de Antonio se estresse e se separe dele. O filme apresenta o pior do ser humano, e sério, é muito difícil de assistir. Poderia ser um episódio encurtado de "Relatos selvagens", naquele nível de falta de fraternidade entre as pessoas. Francella é um grande ator e a virada de seu personagem é excelente, imprevisível. Os atores que interpretam o casal Elias e Lucy são ótimos, tão críveis que desejei todo o mal para eles.

terça-feira, 20 de janeiro de 2026

Blue spring

"Aoi haru", de Toshiaki Toyoda (2001) Adaptação do mangá escrito por Taiyô Matsumoto, "Blue spring" traz a obsessão dos japoneses por estudantes de ensino médio e tendências suicidas. Na escola de ensino médio Asahi, frequentadas por alunos do sexo masculino, os estudantes são rebeldes, e os professores, passivos e nada fazem para mudar a rebeldia dos rapazes. No telhado, as gangues de alunos se reúnem para participar de uma brincadeira mortal: perndurados em um corrimão, eles participam de um jogo onde batem palmas e soltam o corrimão. Existe o risco de cair e morrer. Para o vencedor, o aluno se tornará o rei da escola por um período. Kujo (Ryuhei Matsuda) é o mais recente vencedor e, inicialmente, se adapta ao seu novo papel, distribuindo violência a quem cruzar seu caminho. Os colegas da gangue possuem, cada um, seus problemas pessoais, com histórias de violência. O filme não tem uma narrativa coesa. Assim como o manga, são pequenos sketches revelando a rebeldia e a violência dos jovens, em constante briga de gangues. É um retrato desolador da juventude japonesa, envolvidos em mortes, descaso e assassinatos.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

A Voz de Hind Rajab

"Sawt Hind Rajab", de Kaouther Ben Hania (2025) Grande premio do juri no Festival de Veneza 2025, "A voz de Hind Rajab" foi indicado pela Tunísia para uma vaga ao Oscar de filme internaconal 2026. O filme é escrito e dirigido pela tunisiana Kaouther Ben Hania , a mesma do premiado "As 4 filhas de Olfa". Com tradição nos documentários, Kaouther mistura a linguagem do real com dramatização. "A voz de Hind Rajab" acontece em um único dia, durante 3 horas, e é todo ambientado no cenário do Centro voluntário de chamadas de emergencia do Crescente Vermelho no Ramallah, Cisjordania. Para quem assistiu "O culpado", filme dinamarquês de 2019, vai entender toda a dinâmica da narrativa. Em um tempo real, voluntários tentam desesperadamente acionar o socorro para que Hind Rajab, de 5 anos, seja salva. O espectador assiste o filme já sabendo de seu final, afinal, basta ler a sinopse para entender o destino trágico da criança. Mas a direção de Kaouther Ben Hania traz uma dinâmica nervosa e viva, como se ela pudesse mudar a tragetória. A história ocorreu no dia 29 de janeiro de 2024, dia em que Hindi, sua prima e seus tios foram assassinados pelas Forças de Defesa de Israel, durante a invasão israelense da Faixa de Gaza. Uma ambulância, com dois socorristas, também foi atingida e mortos ao tentarem fazer o socorro. Uma grande polêmica envolvendo ética foi um dos pontos criticados pela produção. Durante a dramatização com atores, a voz de Hindi ao telefone, além de sua prima, são as vozes reais, gravadas na ocasião. Muitas pessoas reclamaram e acusaram a produção de oportunista. Controvérsias à parte, o filme tem uma cena brilhante, que mistura documental e ficção: um celular mostra um vídeo real dos voluntários na negociação com o exeçrito de Israel para liberarem o socorro, e ao mesmo tempo, a câmera mostra o elenco reproduzindo a cena do vídeo.

Os amantes do rio

"Suzhou River", de Ye Lou (2000) escrito e dirigido pelo cineasta chinês Ye Lou, "Os amantes do rio" é um romance policial noir, com direito a narrador e cenas com chuva, além d aineviável femme fatale. O roteiro traz referências à "Um corpo que cai", de Hitchcock, com uma personagem que morre e retorna como uma outra mulher, para espanto do protagonista. O diretor Ye Lou foi proibido pelo governo chinês de fazer filmes por dois anos por ter realizado o filme sem a devida autorização. Mardar é um entregador que faz trabalhos para quem o contrata. Mardar tem uma namorada que planeja o sequestro da filha de um contrabandista de bebidas. A jovem Moudan, tem 16 anos. Mardar se aproxima da jovem que imediatamente se apaixona por ele. Mardar também sente afeição por ela. Quanda a jovem descobre o plano de sequestro, ela se frustra e se joga do rio Suzhou, em Shanghai, desaparecendo. Mardar é preso e três anos depois, sai da prisão. Ao frequentar um bar, Taberna feliz, ele encontra uma dançarina, Meimei, exatamente igual à Moudan, e fica facsinado por ela. ele acredita que está tendo uma 2a chance em sua vida. O filme é belamente fotografado e tem uma narrativa que lembra os filmes de Wong Kar Wai dos anos 90, com câmera trêmula e granulação na imagem. É uma história de amor e crime, com um desfecho que me deixou confuso.

domingo, 18 de janeiro de 2026

O som da queda

"In die Sonne schauen", de Mascha Schilinski (2025) Indicado pela Alemanha para uma vaga ao Oscar de filme internacional 2026, "O som da queda" venceu o grande prêmio do juri no Festival de Cannes 2026. O filme é escrito e dirigido pela cineasta Mascha Schilinski, após a sua estréia com o denso e provocativo 'dark blue girl", de 2017. "O som da queda" me fez lembrar como estrutura de "Aqui", de Robert Zemeckis. Mas a semelhança fica apenas no fato de toda a história acontecer em uma mesma fazenda rural no nordeste da Alemanha, pelo ponto de vista dela acompanhando diversas gerações e famílias que a habitam. "O som da queda" a presenta 4 histórias intercaladas, todas protagonizadas por jovens mulheres, e que posuem a morte como eixo central. Suicídio, abuso s3xu4l, esterilização forçada de criadas são situações pelos quais as mulheres passam. Em 1910, a pequena Alma vive com sua família. Seu irmão mais velho, Frank, tem a sua perna amputada pelos pais para que ele não seja convocado para a guerra. Alma tem o mesmo nome de sua irmã, que morreu antes dela. Em 1940, a adolescente Érika tem desejos s3xu4ais despertados pelo seu tio Frank, agora na meia idade. Temendo a chegada de soldados, as mulheres têm um destino trágico no rio que cerca a fazenda. Nos anos 80, com a Alemanha dividida, Angelika trabalha com outros jovens na fazenda agora comunitária. Ela é abusada pelo tio, ao memso tempo que tem atração pelo seu primo. Nos dias atuais, as irmãs Lenka (Laeni Geiseler), uma adolescente, e a pequena Nelly (Zoë Baier) passam as férias na fazenda, com outras famílias. Quando Lenka se sente atraída por outra garota, Nelly se sente rejeitada e abandonada. Com 150 minutos, "O som da queda" é um filme complexo e quase experimental. A fotografia reproduz em alguns momentos uma imagem esmaecida, em formato 4:3, enquanto a edição de som trabalha com sons estranhos. O filme tem cenas belíssimas, muito erotismo e momentos angustiantes: a menina que se suicida quando passa um trator é horrivel.

All that we love

'All that we love", de Yen Tan (2024) Concorrendo em Tribeca, o drama feel good movie "All that we love" é co-escrito e dirigido pelo cineasta malasiano-americano Yen Tan. A comediante Margareth Cho protagoniza a história, trazendo um registro dramático. Ela é Emma, editora de uma revista. Ela mora sozinha com seu cachorro Tanner. Sua filha, Maggie (Alice Lee), de 20 anos, está namorando um australiano Nate, e ela anuncia que irá se mudar para a Austrália, para desespero de Emma. O ex-marido de Emma, Andy (Kenneth Choi), que abandonou Emma e Maggie por uma amante e que se mudou para a Singapura, está de volta à Los Angeles, após se separar da nova mulher e perder seu contrato de ator. Emma discute com seu melhor amigo, o gay Stan (Jesse Tyler Ferguson), que Maggie considera como padrasto, por causa de Andy, que Emma recomeça a flertar, apesar de ter sido traída e abandonada. E para piorar, seu cachorro Tanner, morre. Maggie precisa aprender a lidar com tantas perdas e stress e colocar sua vida novamente em dia. O filme alterna drama e algumas doses de humor, graças aos talentos de Margaret Cho e de Jesse Tyler Ferguson,que possuem boa química como amigos. O filme tem belas cenas comoventes, conduzidas com sensibilidade pelo diretor. Temas como ninho vazio e a perda de um pet deixam claro que tornam a vida de um se rhumano mais miserável e triste.

Ninja scroll

"Jûbê ninpûchô", de Yoshiaki Kawajiri (1993) Clássico anime escrito e dirigido por Yoshiaki Kawajiri, "Ninja scroll" faz parte da lista dos animes adultos aclamados pela crítica, onde constam "Akira" e "Ghost in the shell". O filme influenciou As irmãs Wachowski na concepção da franquia "Matrix", com as suas elaboradas cenas de luta e ação. "Ninja scroll" contém cenas extremamente violentas, com muitas mutilações, além de uma brutal cena de 3xtupr0. Um andarilho solitário, o ninja Kibagami Jubei, salva a ninja Kagero de um ataque de um demônio. Kagero nasceu com veneno dentro de seu corpo, e quem a beijar, morrerá em seguida. Jubei e Kagero são escalados pelo espião idoso Dakuan para uma missão: eliminar Himuro Genma, que escalou um exército de 8 guerreiros demoníacos com a intenção de assumir o poder no Japão. Cada demônio possui uma habilidade, botando a vida e Jubei e Kagero em perigo. As cenas de ação do filme são absolutamente incríveis. Considerando o ano em que foi lançado, em 1993, "Ninja scroll" é violento em todos os níveis, e definitivamente, não deve ser assistido por crianças. A história de amor entre Jubei e Kagero é comovente, pela impossibilidade de acontecer. A batalha final, entre Jubei e Genma à bordo de um navio, é primorosa e repleta de tensão.

Fiume o morte!

"Fiume o morte!", de Igor Bezinovic (2025) Indicado pela Croácia para representar o país à uma vaga ao Oscar de filme internacional em 2026, "Fiume o Morte!" é um documentário com cenas dramatizadas. O diretor Igor Bezinovic busca no passado da cidade Rijeka, na Croácia, o tema inusitado para o filme. Em 1919, após a 1a guerra mundial, Mussolini envia para Fiume, o nome antigo da cidade, Gabriele D’Annunzio, que vinha a ser poeta, dramaturgo, orador, jornalista, aristocrata e eventualmente um dos “fundadores” do fascismo italiano. FIume era uma cidade muito importante geograficamente por ficar bem na fronteira dos 2 países. Durante 16 meses, D'Annnunzio governou a cidade. Ele mandou tirar mais de 10 mil fotografias, para que a sua presença fosse registrada. O cineasta começa o filme perguntando para diversos populares na rua, de idades variadas, quem era Gabriele D’Annunzio. nenhum sabe dizer. Apenas um senhor, que trabalha em um museu, s elembrava: 'Éra um fascista italiano". Os moradores da cidade apagaram de sua memória a existência do italiano, que assim que começou o seu governo, mandou nomear praças, ruas e prédios com o seu nome. Ao fim do governo, todas as placas foram retiradas. Os cidadãos atuais não querem se lembrar desse período fascista da história de sua cidade. O cineasta convoca populares para dramatizarem passagens históricas e repdoduzir as poses das fotos. O filme tem tom de deboche, paródia e mais interessante ainda, um forte homoerotismo. Em diversas fotos, os legionários, como eram chamados os soldados italianos que vieram servir na cidade, tiravam fotos na praia ou em serviço sem camisa. O cineasta convoca jovens bonitos e musculosos para reproduzirem as fotos. O filme venceu o prêmio de melhor filme no Festival de Rotterdan 2025.

Row to win

"Lang Lang Ren Sheng", de Lin Ma (2025) "Row to Win" é uma adaptação do best-seller "Skin", do jovem escritor Taiwanês Cai Chongda. O livro é formado por contos, livremente inspirados em sua família. "Row to win" é um filme que faz rir, se emocionar e chorar. É muito clara a paixão que o autor tem pelos integrantes de sua família: a avó, o pai, a mãe e a irmã, em um tota de 5 integrantes, batalhando para manterem uma vida digna. No filme, Huang Rongfa (Huang Bo) é um homem procurado. No passado, ele sonhava em montar um posto de gasolina na beira da praia, que pudesse abastecer por terra os carrs, e pro mar, os navios. Huang pegou empréstimo com seus 4 irmãos. Sua esposa, sua sogra e seus filhos acreditaram e deram força pro empreendimento. Mas o mar é raivoso e a estrada é distante, logo o negócio faliu. Huang fugiu por conta das dívidas e cobranças, sobrando para a sua família a humilhação. Anos se passam e agora, doente, Huang retorna para casa. Seu filho adolescente, Yuanda (Chengcheng Fan), que sonha ems er escritor, reage mal à volta do pai e o ignora. A esposa o trata bem, assim como a sogra e a filha. Os irmãos de Huang cobram o emprestimo. Huang decide procurar por investidores que apoiem o posto de gaoslina, antes que a doença o consuma, e possa morrer deixar os familiares bem. Um filme muito simpático, com personagens apaixonantes. Todo o núcleo familiar tem seu problemas pessoais e são divertidos e dramáticos, na medida. O filme se passa no final dos anos 90, ainda sem celular, e o esforço da família para poder divulgar o posto de gasolina é ainda de forma amadora. A locação do posto de gasolina na beira do mar apresenta imagens muito belas e cinematográficas, principalmente o pier feito de madeira. O desfecho é emocionante.

sábado, 17 de janeiro de 2026

Carne de tu carne

"Carne de tu carne", de Carlos Mayolo (1983) Uma das cenas mais brutais que vi contra um animal, está nesse filme: um senhor de terra pega um rifle e atira na cabeça de um peru vivo. A cabeça explode e se espatifica em pedaços. Cult do terror colombiano, "Carne de tu carne" é um dos expoentes máximos do movimento do sub-gênero de terror que surgiu na América latina, o "gótico tropical: "O Gótico Tropical é um subgênero cinematográfico e estético, surgido na Colômbia no final dos anos 1970 e início dos anos 1980, que reapropria os elementos do gótico europeu (mansões, monstros, terror) adaptando-os ao contexto caribenho, tropical e colonial da América Latina. Este movimento artístico, criado principalmente por cineastas conhecidos como "Caliwood" — com destaque para Carlos Mayolo e Luis Ospina —, utiliza o clima quente, a paisagem exuberante e a história social do país para explorar o "horror" não no frio, mas no calor úmido, misturando terror, sátira e denúncia social." Vendo o filme, imediatamente comparei com o cult de terror de Pablo Larrain, "O conde", de 2023. Ambos os filmes se apropriam do contexto histórico real para fazerem uma metáfora e alegoria política e social. A disputa de classes, a burgesia X homens do povo, a aristocracia se alimentando do camponês. Em "O conde", o vampiro suga o sangue da classe operária. Em "Carne de tu carne", dois irmãos zumbis se tornam canibais e se alimentam dos camponeses. Em 1956, sob a ditadura do General Gustavo Roja Pinilla, uma família de alta sociedade, moradora de Cali, se une após a morte da matriarca. Os trabalhadores rurais são tratados com violência pelos patrões. A adolescente Margareth (Adriana Herrán) e seu meio-irmão Andrés (David Guerrero) vão à casa de fazenda onde vive o tio Luis (Santiago García). Os irmãos se tornam amantes, e esse ato incestuoso provoca a fúria de seus antepassados, os transformando em zumbis canibais. O filme é dedicado a George Romero e Roman Polansky. É um filme amador e artesanal, com muitos problemas técnicos. Mas a ousadia de seu diretor em fazer um filme denúncia em formato de terror é louvável.

Extermínio- O templo dos ossos

"28 days later- the bone temple", de Nia DaCosta (2026) Juro que dei um berro na cena final, quando aparece o personagem que todo mundo esperava há 30 anos. E que alegria saber que ele será o protagonista da saga final. Anunciada como uma trilogia, a nova franquia de "Extermínio", teve início em 2025, com o diretor Danny Boyle e o roteirista Alex Garland lançando "Extermínio, a evolução". Protagonizado por Aaron Taylor Johnson, Jodie Comer, Ralph Fiennes e o pequeno Alfie Willians no papel de Spike, o filme terminava com Spyke encontrando a gangue do líder de uma seita satânica Jimmy Cristal (Jack O'Conell). Em "Extermínio- O templo dos ossos", agora dirigido por Nia daCosta (Diretora de "As Marvels" e "A lenda de Candyman") , a história começa exatamente de onde terminou. Spike agora é obrigado a fazer parte da seita de Jimmy, um fanático religioso que acredita que o apocalipse zumbi foi criado pelo Diabo, e os infectados são as criaturas enviadas para acabar com a humanidade. O grupo rouba e assassina sobreviventes não infectados, apra horror de Spike. Paralelo, o Dr Kelson (Fiennes) faz experimentos com Sansom , o infectado Alfa, e descobre que consegue reverter os efeitos da infeccão, fazendo Sansom aos poucos resgatar a sua memória e a sua humanidade. O filme tem trilha sonora de Duran Duran e Iron Maiden, grupos que Dr Kelson é fã. O filme é ousado, com muitas cenas de nudez frontal masculina, e violência extrema, com cenas de escalpelamento. O personagem de Jimmy lembra muito o Negan (Jeffrey Dean Morgan) de "The walking dead", e o filme se atém ao mesmo tema: mais violentos que os infectados, é a raça humana. O núcleo de Aaron Taylor nem aparece no filme. O filme tem ótimas atuações, mas quem rouba todas as cenas é Ralph Fiennes, espetacular e memorável no personagem, com destaque para a cena de performance ao som de Iron maiden.

Vieja loca

"Vieja loca", de Martín Mauregui (2025) Escrito e dirigido pelo espanhol Martín Mauregui, e produzido por J A Bayona, "Vieja loca" traz os astros Carmen Maura, musa de Pedro Almodovar, e Daniel Hendler, ator uruguaio e com uma extensa filmografia no cinema argentino, como protagonistas. Co-produzido por Argentina, Espanha e Estados Unidos, o filme é um trhiller psicológico, com ares de "O que aconteceu com Baby Jane". Quando Laura (Agustina Liendo) dirige seu carro com sua filha pequena Elena, ela recebe uma ligação de sua mãe, Alicia (Carmen Maura). Alicia repete as mesmas perguntas e age estranha. Laura pergunta se ela tomou remédio e se a enfermeira está cuidando dela. Preocupada e distante da casa da mãe, Laura decide ligar para seu ex-namorado Pedro (Daniel Hendler) e pede que ele vá até a casa da mãe para ver se ela está bem. É uma noite de chuva intensa, e Pedro chega na casa decadente e escura. Para sua surpresa, Alicia o confunde com César, um ex-maante que a maltratou. Confundndo Pedro com César, Alícia o prende e passa a torturá-lo com faca elétrica, correntes e espeto. Eu queria muito ter gostado do filme, até por conta do elenco. Mas senti falta de mais tensão e violência. O miolo do filme é muito verborrágico e faz qualquer posssibilidade de suspense ir por água abaixo. O final também é decepcionante, eu esparava algum plot twist ou revelação chocante, e nada acontece de surpreendente.

Killer whale

"Killer whale", de Jo-Anne Brechin (2026) Coloque no mesmo filme os filmes "Orca, a baleia assassina", 'Águas rasas" e 'A queda" e você terá "Killer whale", co-escrito e dirigido pela cineasta australiana Jo-Anne Brechin. Assim como "Tubarão", de Steven Spielberg foi acusado por ambientalistas de fazer um desserviço ao colocar no imaginário coletivo a ameaçada dos tubarões, o mesmo acontece aqui: Uma orca, chamada de Ceto, que durante anos animava o público em um aquário na Tailândia, tem seu filhote morto e decide fugir do aquário, matando todo ser humano que encontrar na frente, em fúria assassina. Esse mote é o mesmo de "Orca, a baleia assassina", de uma baleia mãe que quer se vingar dos assassinos de seu filhote. De 'Águas rasas", as roteiristas roubaram o mote de que o único esconderijo possível é as sobreviventes ficarem suspensas em uma rocha no meio do oceano. De "A queda", o plágio é ainda maior: escalaram a mesma atriz, Virginia Gardner, que agora tem uma personalidade diferente da que ela tinha em 'A queda", quando descobrimos que ela era a amante do namorado da amiga. Aqui, ela é a boazinha da vez, Maddie, e tem uma melhor amiga, Trish (Mel Jarnson). Maddie está há um tempo reclusa, após seu namorado ter sido assassinado em um assalto onde Maddie era atendente. Para tirar Maddie da depressão, Trish a convida para passar férias na Tailândia. Trish conhece Josh, e os três juntos decidem ir até uma praia isolada de jet ski. Mas eles são atacadaos pela orca. O filme tem efeitos de pós produção muito ruim, nitidamente um cgi amador. A orca em si até que é bem feita. Mas o roteiro é previsível.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

Colorful

"Karafuru", de Keiichi Hara (2010) Vencedor do prêmio de melhor filme do público no Festival de Annecy em 2011, "COlorful" é baseado no romance de mesmo nome escrito por Eto Mori. O filme é uma animação dramática, que tem como o tema o suicídio de um adolescente. O filme é um alerta à alta taxa de suicício entre os jovens no Japão, pressionados pelos pais e pelo sistema educacional do país a serem competitivos e a se sacrificarem para dar o melhor de si. O filme ainda acrescenta ao jovem protagonista uma desilusão amorosa, e nesse coquetel de sentimentos e emoções, ele decide dar um fim à sua vida. Uma alma que acaba de chegar em uma Estação de trem destinada à morte e à passagem para o além, é informada de que tem "sorte" e terá uma segunda chance na vida, embora não a deseje. Ela é colocada no corpo de um garoto de 14 anos chamado Makoto Kobayashi, que acaba de cometer suicídio por overdose de comprimidos que ele roubou de sua mãe. Ciceroneado um espírito neutro chamado Purapura, na forma de um menino, a alma deve descobrir qual foi seu maior pecado e erro em sua vida anterior antes que seu prazo de seis meses no corpo de Makoto se esgote. Ela também precisa entender o que levou Makoto a cometer suicídio. A alma, já encarnada no corpo de Makoto, descobre que o rapaz desprezava sua família: seus pais e seu irmão mais velho. Sem amigos, Makoto afasta qualquer pessoa que procura se aproximar dele. O filme tem uma história com temas importantes para o sue público alvo refletir sobre cobranças e ter tendências suicidas. O que prejudica o filme, é a sua excessiva duração, de mais de 2 horas, e o protagonista, Makoto, que é antipático e trata todo mundo rispidamente. existe uma redenção, mas já é lá para o final da história.

O pequeno grande guerreiro

"Da Bing Xiao Jiang", de Sheng Ding (2010) Escrita e protagonizada por Jackie Chan, "O pequeno grande guerreiro" marcou o retorno do astro chin6es às produções chinesas. O filme é um grande épico de guerra, que como não poderia deixar de ser, traz muito humor, cenas de ação coreografadas pelo próprio Chan. O filme tem como pano de fundo um contexto histórico real da China: ambientada em 227 AC, o filme se passa durante a Geurra das nações (Período Sengoku), quando o país ainda não era unificado, e dividido em 7 regiões comabdadas por exércitos dstintos. Chan é O SOLDADO anônimo. Ele é um dos sobreviventes d euma batalha qe resultou em mais de 3 mil mortos. Ele é da região de Liang. Ao encontrar um general de alta patente sobrevivente do exército inimigo (Wang Lee Hom), o soldado decide prendêlo e entregá-lo ao seu exército, para receber uma recompensa e poder trocá-lo por sua liberdade e alguns acres de terra para recriar sua fazenda. Durante a travessia, eles se envolvem com bandidos, exércitos rivais, animais selvagens. De inimigos, eles passam a se tornar amigos. O filme tem uma super produção, investindo em computação gráfica e figuração. A direção de arte e figurinos são muito bem detalhados. Chan e Wang lee estão ótimos no embate de gato e rato, e conferem carisma aos seus personagens. o desfecho, trágico, surpreende e choca a platéia, mas logo vem com uma cena lúdica no estilo "O gladiador".

Postman blues

"Posutoman burûsu", de Sabu (1997) "Postman blues" é um curioso filme japonês que mistura diversos gêneros: comédia, drama, romance, ação, policial e fantasia. O filme traz o tema já levado diversas vezes em filmes, sobre uma pessoa comum que se envolve com algum evento que muda radicalmente a sua vida. A história tem como protagonista Sawaki (Shin'ichi Tsutsumi), um carteiro de Tóquio. Ele vive uma vida solitária e monótona, tanto no trabalho quanto em sua vida pessoal. Um dia, ao entregar uma correspondência, ele reencontra Noguchi (Keisuke Horibe), um antigo colega de escola que se tornou Yakuza. Noguchi, que crtou um dedo por questão de honra, coloca drogas na maleta de Sawaki sem que esse saiba. O dedo mindinho cai na maleta sem que Noguchi perceba. A polícia, vendo Sawaki saindo do apartamento de Nogushi, acredita que Sawaki é correspondente disfarçado da Yakuza. Chegando em casa, Sawaki, deprimido, passa a ler algumas cartas. Ele se comove com uma carta de uma jovem que está sendo tratada de câncer no hospital e decide ir conhecê-la. Enquanto isso, a polícia o persegue. O filme tem uma narrativa que lembra os indies asiáticos dos anos 90 de Wong Kar Wai, que mesclam todos esses gêneros. É divertido, o protagonista é carismático e a gente torce pelos eu romance com a jovem doente. O desfecho va deixar muita gente triste, quebrando um pouco o tom que estava sendo desenvolvido até então.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

Sangre del Toro

'Sangre del Toro", de Yves Montmayeur (2025) Documentário dirigido pelo francês Yves Montmayeur e que concorreu no Festival de Veneza 2025, "Sangre del Toro" traça um retrato do cineasta mexicano Guillermo del Toro. Através de cenas de seus filmes mais famosos: "O labirinto do fauno", "A forma da a'gua", "A espinha do diabo, "Hellboy", o cineasta revela de onde veio sua paixão pelos seres monstruosos e de bom coração. O filme apresenta também a exposição sobre a sua obra em Guadalajara, cidade onde del Toro nasceu. Quando criança, del Toro sempre teve medo da Morte. Em determinada ocasião, ele soube de uma criança da idade ele que morreu afogada. Ele nao chegou a ver o corpo, mas a imagem que ele criou da criança, disseram que era um anjo, era poderosa e emocionante. Seus pais o deixavam no cinema desde as dez da manhã para assistir a filmes de terror, um ritual que semeou seu amor precoce e profundo pelo gênero. Ele se apaixonou por filme como "O fantasma da ópera", de 1925, com Lon Chaney, "A noite dos mortos vivos", de George Romero, além de filmes de Terence Fisher e Cronemberg. Sua avó o levava para a festa do Dia dos mortos, e ele ficava encantado com os doces com formas de caveira e demônios, e com os passeios pelo cemitério. Del Toro relata como fez seu primeiro filme aos oito anos, utilizando a câmera Super 8 de seu pai. Seu gosto pelo gótico vem da imponente catedral de Guadalajara. Um elemento narrativo constante em suas histórias é seu amor pelos labirintos, uma fascinação que o diretor também aborda no documentário. O labirinto é uma estrutura de busca e confusão que encapsula o medo e a necessidade de encontrar um caminho através de um caos percebido. Seus filmes usam o medo como uma linguagem que ensina através do perigoz: o monstro não é apenas uma ameaça. É uma metáfora para tudo o que a sociedade escolhe esconder ou ignorar. O filme é obrigatório para quem é fã de sua filmografia, e quer saber de detalhes e curiosidades de sua formação cinéfila e inspiração para os filmes.

A febre dos vinte anos

"Hatachi no binetsu", de Ryosuke Hashiguchi (1993) Escrito e dirigido por Ryosuke Hashiguchi, "A febre dos vinte anos" é um ótimo drama queer japonês que traz dois jovens garotos de programa como protagonistas. Em Tokyo, Tatsuru Shimamori (Yoshihiko Hakamada) é um universitário que de noite, trabalha como garoto de programa no bar "Pinochio's". Ele deixa claro para seus clientes, homens mais velhos, que seu interesse é sexo, e não amor. Quando ele conhece Shin (Reiko Kataoka), um outro garoto de programa, tatsuru se apaixona e sente ciúmes dele sair com outros clientes. Shin é mais jovem e studa no ensino médio. Diferente de Tatsuru, Shin não gosta de ser tocado nem beijado pelos clientes, o que irrita os clientes. Quando os dois se tornam amigos, Shin explica que está juntando dinheiro para comprar uma máquina de costura e que deseja ser estilista de alta costura. Em um momento, sozinhos, Tatsuru tenta roubar um beijo de Shin, que o repele. Até que um cliente contrata os dois para fazerem s3x0 na frente dele. O filme é uma produção independente, rodada em 16 mm, com uma bela fotografia com a atmosfera dos filmes de Won Kar Wai dos anos 90. As atuações são naturalistas e certamente, muitos momentos são improvisados.

Searchlight

"Searchlight", de Wataru Hiranami (2023)\ "Searchlight" em inglês significa "holofote". Esse elemento de iluninação pública acaba se tornando um importante simbolismo para a busca de memórias afetivas. 'Searchlight" é escrito por 3 roteiristas, Tomo Nakai, Marin Nishimoto e Sayaka Tomaru, que vêem a ser os atores do filme. É um filme naturalista, e provavelmente, improvisado pelo elenco dentro de uma narrativa bastante melancólica e depressiva. Kaho (Tomo Nakai), é uma estudante de ensino médio de 16 anos. Ela mora sozinha com sua mãe, Uchida (Ando Sei). A mãe de Kaho sofre de doença mental. Após a morte do marido, a mãe de Kaho piorou: não trabalha mais, e Kaho precisa trancá-la em casa, para que ela não saia sem rumo pelas ruas. Sem dinheiro para comprar comida nem pagar as contas, Kaho decide procurar uma antiga colega de escola, que gerencia um negócio de "Pay dating": acompanhantes de homens mais velhos. Um colega da escola de Kaho, Teruyuki (Tatsuya Yamawaki), igualmente pobre e que sustenta a sua numerosa família tendo que trabalhar em diversos lugares, se afeiçoa por Kaho e fará de tudo para ajudá-la. 'Searchlight" é um drama coming of age, porém sem humor nem alegria. É denso, com muitos momentos de angústia, desespero e entraves entre mãe e filha, defendidas com afinco pelas atrizes. Existe um sub-plot aleat'roio de um músico sme teto, mas acredito que é para apresnetar uma geração de jovens no Japão, solitários e sem rumo.

Reconstrução

"Rebuilding", de Max Walker-Silverman (2025) Escrito e dirigido por Max Walker-Silverman, diretor do belo "Love song". Ambos os filmes têm muito em comum. Protagonistas solitários, nômades e que moram em acampamentos na vastidão do deserto americano. O filme concorreu no Festival de Sundance em 2025, e é livremente inspirado na avó do cineasta, que perdeu a sua casa por conta de um incêndio florestal. A narrativa minimalista e naturalista faz lembrar muito de "Nomadland", de Chloe Zhao. No ano de 2018, um imenso incêndio florestal na região do Vale de San Luis, no Colorado, devastou terras e propriedades. Dusty (Josh O'Connor), é um rancheiro que tem sua casa e todos os pertences, incluindo o gado, devastado pelo incêndio. Sem posses, sem dinheiro, ele e outras famílias são lojados em uma comunidade improvisada (financiada pela FEMA): crianças, idosos, latinos, indígenas. Todos precisam reconstruir a vida do zero, em um futuro incerto. Ao mesmo tempo, ele também tenta reconstruir seu relacionamento conturbado com sua filha pequena, Callie-Rose (Lily LaTorre), que mora com a ex-esposa de Dusty, Ruby (Meghann Fahy), o novo parceiro dela, Robbie (Sam Engbring), e a avó Bess (Amy Madigan). Orgulhoso, Dusty não aceita ajuda de ninguém. O banco lhe nega empréstimo. Ele consegue um emprego temporário como operário na construção de estrada, segurando uma placa, mas não é isso o que ele deseja para si. Ao mesmo tempo, ele começa a interagir com as pessoas da comunidade, em um sentimento de construir uma nova família. O filme é comovente e o final é certeza de lágrimas. são muitos sub-plots, sendo os mais sensíveis a relação de Dusty com sua filha pequena, numa tenativa de reaproximação, e com a sua ex-sogra, que sempre gostou do genro. As atuações são o grande destaque do filme. Josh O'Connor traz mais uma grand eperformance à sua premiada filmografia. A pequena Lily LaTorre impressiona com o talento perzpicaz e verdadeiro, e Amy MAdigan, famosa por sue papel em 'A hora do mal", traz um registro totalmente o oposto.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

Song sung blue - Um sonho a dois

"Song sung blue", de Craig Brewer (2025) Cinebiografia da dupla musical Lightning and Thunder, ou Mike (Hugh Jackman) e Claire (Kate Hudson), que de 1989 a 2006, se apresnetaram em feiras, festivais e bares fazendo tributo às músicas de Neil Diamond, incluindo "Song sung blues", que dá título ao filme. O diretor e roteirista Craig Brewer (da excelente comédia cinebiográfica "Dolamite is my name", com Eddie Murphy), assistiu ao documentário "Song Sung Blue" (2008) no Indie Memphis Film Festival e enviou um e-mail ao diretor Greg Kohs em 2023 para adquirir os direitos de um remake roteirizado do filme. Em 1987, Mike ( Hugh Jackman ) é um veterano da Guerra do Vietnã, alcoólatra em recuperação, que, cansado de cantar covers, vai até um Festival de covers para cantar músicas de Elvis. Após discutir com um cantor de cover de Elvis, ele conhece a cantora Claire (Hudson), que canta covers de Patsy Cline. Eles se apaixonam à primeira vista, e decidem formar a banda Lightning and Thunder, com canções de Neil Diamond. Em 1999, enquanto jardinava na frente da casa em que moravam com os filhos, ela é atropelada e perde uma perna. O filme é repleto de canções, romances, mas também momentos trágicos e tristes no relacionamento do casal. Mike faleceu em 2006. O filme faz uma homenagem comovente ao casal, intensificando seus dramas pessoais com os filhos. Hugh Jackman e Kate Hudson estão excelentes. cantando todas as canções. Uma pena que a temporada de premiações esteja tão acirrada, pois ambos acabaram sendo esquecidos. Kate ainda foi indicada ao Globo de ouro. Mas ambos mereciam muito mais.

terça-feira, 13 de janeiro de 2026

Tout le bleu du ciel

"Tout le bleu du ciel", de Maurice Barthélémy (2025) Adaptação de um romance best seller escrito por Melissa da Costa em 2020 e que vendeu mais de 3 milhões de livros na França. O filme é um drama melancólico com pitadas de humor, romance e tragédia. Emile (Hugo Becker) é um homem de 26 anos, diagnosticado com Alzheimer precoce e com uma expectativa de vida de apenas dois anos. Ele deseja embarcar em uma última jornada e para isso, abandona família e amigos. Ele busca uma companheira para compartilhar essa viagem final, com detsino incerto, dentro de sua kombi amarela que ele chama de Robert. Ele posta um anúncio em um jornal perguntando se alguém quer viajar com ele, e para sua surpresa, recebe uma resposta ao seu anúncio. Ele conhece Joanne (Camille Lou), uma jovem misteriosa e introvertida. Eles decidem seguir até os Pirineus, e no caminho, encontrarão pessoas que mudarão o rumo de suas vidas. Logo nos primeiros minutos do filme, a gente já sabe que vai chorar bastante ao longo da narrativa. O filme eacerba o melodrama, mas é comovente e sensível o suficiente para agradar o espectador. Excelentes performances da dupla principal. A fotografia de Laurent Machuel explora toda a beleza dos Pirineus, com cores vibrantes.

Pillion

"Pillion", de Harry Lighton (2025) Melhor roteiro na Mostra Un certain regard no Festival de Cannes 2025, "Pillion" é escrito e dirigido pelo cineasta inglês Haryy Lighton. Co-produção entre Reino Unido e Irlanda, o titulo do filme se refere ao assento traseiro de uma motocicleta, e que na metáfora, corresponderia à pessoa submissa, a que senta na garupa. Tem quem compare o filme à franquia "50 tons de cinza": em ambos os filmes, existe uma iniciação s3xual para o universo do bondage, com os papéis definidos de dominador e do submisso. Enquanto no filme de Dakota Johnson o fetiche é embalado com estética publicitária, em "Pillion" existe uma humanidade realista,crua, incluindo cenas de s3x0 explicito, com evidente uso de prótese peniana do ator Alexander Skasgard. O filme é adaptado do romance "Box Hill", escrito em 2020 por Adam Mars-Jones. No livro, a trama acontece nos anos 70, e no filme, adaptada para os dias atuais. O filme começa e termina com uma comemoração natalina, afastada pelo período de 1 ano. Nesse periodo, acontece o relacionamento entre o tímido Colin (Harry Melling, o Duda Dursley de "Harry Potter"), e Ray (Alexander Skarsgård). Colin trabalha como manobrista em uma garagem e mora com seus pais. Ele faz parte de um coro natalino e se apresenta em um bar. Ali, ele conhece Ray, um motoqueiro que integra o Gay Bikers Motorcycle Club ( o elenco dos motoqueiros é composto pelo motoqueiros reais). Vestidos com couro, eles são adeptos de BDSM e em s3x0 grupal. Ray e Colin passam a se relacionar, mas através de um código imposto por Ray: são regras cruciais para que o casal dê certo. Sem beijo, sem dormir na mesma cama, sem folga, sem demonstração de carinho. Ray é o dominador, Colin deve ser o submisso. Tudo funciona bem até que Colin comenta com Ray que gostaria de quebrar as regras, está emocionalmente envolvido e desejando um relacionamento mais padrão. Ray começa a sentir os efeitos de Colin e seu jeito apaixonante de ser e entra em conflito. O filme fala sobre a construção e descontrução de paradigmas impostos por nichos da sociedade. Uma cena antológica, com Ray e Colin praticando wresling (luta livre), é sexy e divertida. O filme só poderia dar certo com total entrega dos atores, e isso acontece: Alexander e Harry se entregam por inteiro, e se dedicam aos personagens com paixão e verdade. A trilha sonora, composta de músicas pop conhecidas ( I think we are alone now, de Tiffany), com uma trilha de sintetizadores, é excelente. Um crítico comentou e é verdade: o filme deve como referência ao clássico de Kenneth Anger, 'Scorpio rising", um curta queer de 1963, que mostra motoqueiros gays se relacionando.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

We bury the dead

"We bury the dead", de Zak Hilditch (2025) Escrito e dirigido por Zak Hilditch, "We bury the dead" é um filme de zumbis australianos. Ok, ninguém aguenta mais um filme de zumbi, saturado após seriados como "The walking dead" e "the last of us", u da franquia "Extermínio". Mas o filme procura trazer um tema diferente: os zumbis são retratados com humanidade e memória afetiva, conscientes de suas ações. E para quem quer ver um filme de zumbis agressivos e carniceiros, esqueça. Com uma ou outra cena mais onde algum zumbi ameaça, o restante do filme apresneta zumbis melancólicos, incluindo uma grávida que pare um bebê sadio!!!! Uma arma eletromagnética mortal explodiu na costa da Tasmânia, dizimando toda a população da ilha. Os mortos ficaram com os corpos rigidos como estátuas, decompostos. A Austrália convoca voluntários pelo mundo para viajarem até a ilha e recolherem os corpos. Ava (Daisy Ridley) é uma das voluntáris, mas com um motivo: seu marido, Mitch (Matt Whelan), estava na Tasmânia no momento da detonação da arma, participando de um retiro empresarial, e ela espera encontrá-lo e que possa ter sobrevivido. Enquanto Ava segue em sua jornada, tentando chegar ao extremo da ilha onde seu marido esteve, ela é acompanhada por Clay (Brenton Thwaites), um outro voluntário. Uma cena que faz valer o filme, é quando Ava encontra um homem que se tornou um zumbi. Ele cava diversas covas, para se enterrar, junto de sua família. É uma cena devastadora, emotiva. O filme tem um ritmo muito lento. É existencialista, mostrando Ava perambulando durante todo o filme, tentando encontrar seu marido. Para quem quer ver um filme de zumbis raiz, não recomendo ver o filme, pois irá se chatear. Ele é mais uma metáfora sobre luto, sobre perda e culpa. Depois de interpretar "Rey" na franquia 'Star wars", Daisy Ridley tem participado de produções menores, sem grande expressão. Ela ainda não encontrou um projeto que a realce novamente ao panteão dos blockbusters.

Cactus pears

"Sabar Bonda", de Rohan Kanawade (2025) Escrito e dirigido por Rohan Kanawade, "Cactus pears" foi o vencedor do prêmio de melhor filme no Festival de Sundance 2025. O filme é um drama queer, sobre o dilema de um homem, Anand (Bhushaan Manoj), que saiu de sua aldeia natal para morar e trabalhar na capital Mumbai, onde pode viver a sua homossexualidade, escondido de sua família. Quando o sei pai morre, Anan retorna à sua aldeia e é recebido pela sua família. Sua mãe Suman (Jayshri Jagtap), sofre com a morte do marido. Somente os pais de Anand sabem que ele é gay, mas esconderam essa informação do restante da família e amigos. Durante os 10 dias de luto após a cremação do pai, entre rituais e orações, os fa,iliares cobram uma esposa de Anand, que se esquiva. Suman tenta protegê-lo, dizendo que ele está esperando uma mulher perfeita que irá se casar com ele. Enquanto isso, Anand revê Bayla (Suraaj Suman), o homem por quem sempre foi apaixonado. Filmado com muita sensibilidade, "Cactus pears" possui um ritmo lento e planos longos. A fotografia de Vikas Urs favorece a maração dos atores em cena e revela o colorido da aldeia, entremeando com ambientes mais escuros e melancólicos. Toda a sequência dos rituais do luto são lindamente filmadas. Um filme que mescla drama e romance proibido em um país onde. ahomofobia ainda é alta, faz de "Cactus pears" um filme a ser visto.

Em inglês, por favor!

"In english, please!", de Carolina Hernández (2021) Divertida comédia co-produzida por Espanha e Argentina, "In english, please" é escrita e dirigida por Carolina Hernandez. Ester (Ester Sánchez) é uma aposentada que quer aprender inglês. Rodrigo (Rodrigo Martínez Frau), seu jovem professor, vai ensiná-la o idioma, mas também servirá de tradutor durante seus encontros online com um aposentado australiano, Augustin (Agustín Bellusci) que está muito interessado nela. Durante o skype, Augustin e Ester mostram seus corpos nús, e Augustin se m4sturb4, mas no final tem um princípio de enfarte. Rodrigo assiste a tudo escandalizado, enquanto Ester acha tudo natural. O filme tem situações bem engraçadas, e a performance de Ester Sanchez é bem escrachada e debochada. Um filme malicioso, que tira sarro dos encontros online, com um aditivo a mais, por ser de terceira idade. A complexidade linguística entre 2 línguas, que se conectam no s3x0.

domingo, 11 de janeiro de 2026

Go

"Go", de Isao Yukisada (2001) Indicado pelo Japão à uma vaga ao Oscar de filme internacional em 2001, 'Go" é um denso drama coming of age, sobre um jovem que se sente dividido entre duas culturas e no fundo, não se reconhece em nenhuma delas. Sugihara (Yosuke Kubozuka) nasceu e cresceu no Japão, mas sua etnia é coreano-japonesa. Seu pai (Tsutomu Yamazaki) emigrou da Coreia do Norte e acabou se casando com uma japonesa (Tsutomu Yamazaki). Seu pai era um excelente boxeador na Coreia do Norte e treinou o filho desde cedo. Sugihara começou seus estudos em uma escola norte-coreana no Japão. O currículo enfatizava a rígida ideologia marxista defendida pelo regime norte-coreano. Sugihara não concordava com o currículo e, literalmente, entrou à força na escola pública local. Ao chegar à sua nova escola, ele precisa lidar a xenofobia e preconceito dos outros estudantes. Ele se apaixona pela colega Sakurai (Ko Shibasaki), mas teme dizer à ela a sua ascendência. Sugihara enfrenta o seu pai, que quer que o filho mantenha as tradições culturais e filosóficas da Coréia do norte. Com ótima atuação de Yosuke Kubozuka no papel principal, "Go" faz parte de filmes que trazem o tema do aculrutamento e das buscas das raízes, em meio a conflitos com o país em que mora. Sofrendo forte preconceito e racismo por parte dos colegas, Sugahara representa a rebeldia que não se deixa conformar com o que a sociedade dita para ele. O filme fala também sobre patriarcado, e o quanto a marca forte e determinante da educação paterna pode trazer sérias consequências.

Shock

"Shock", de Mario Bava (1977) Mario Bava foi um dos grandes mestres do terror, mesmo tendo filmado outros gêneros, como aventura, comédia, faroeste ( é dele os clássicos "Baía de sangue", que inspirou "Sexta feira 13" e o gênero slasher, e "Perigo: Diabolik", que fez enorme influência na franquia de 007.) 'Shock", de 1977, ficou conhecido por ser o último filme de Bava. Doente, ele acabou dividindo a dire;cão com seu filho Lamberto Bava, que co-escreveu o roteiro. Lamberto Bava é famoso pelo terror "Demons, os filhos das trevas". 'Shock" traz um terror sobrenatural que lembra bastante 'Suspíria", de Dario Argento, principalmente no 3o ato. "Premonição", de Lucio Fulci, também é outra grande referência, através da história de uma casa mal assombrada e um sótão misterioso que guarda segredos obscuros. Dora (Daria Nicolodi) e seu segundo marido, Bruno (John Steiner), se mudam para uma nova casa com Marco (David Colin, Jr.), filho de Dora de seu primeiro casamento. Estranhso acontecimentos começam a acontecer: Marco age estranho, e Dora v6e no filho, atitudes de seu primeiro marido. Bruno, que é piloto de avião, acredita que Dora está estressada. Ele se ausenta por períodos, por conta do trabalho, deixando Dora sozinha com Marco. O filme tem cenas bem interessantes com atmosfera de pesadelo. Dora passa o filme todo sendo ameaçada por espíritos, e a pobre da atriz grita o tempo todo. A trilha sonora traz sonoridades que lembram também a banda que faz trilha para os filmes de Dario Argento, Goblin, numa mistura enfurecida de rock e estranhezas. A primeira metade do filme é lenta e bem arrastada, mas o que vem depois faz valer a pena.

The third wife

"Vo ba", de Ash Mayfair (2018) Escrito e dirigido pela cineasta vietnamita Ash Mayfair, "The third wife" concorreu em importantes festivais, como San Sebastian e a Mostra de São Paulo.Imediatamente, ao ver o filme, me lembrei de "Lanternas vermelhas", de Zhang Yimou: ambos os filmes são de época, em um perídoo onde as mulheres não possuem influência e são tratadas como parideiras para perpetuar a família. May, de 14 anos, é dada em casamento como a terceira esposa a um proprietário de terras idoso de uma aldeia rural onde se cultiva seda. Ela logo descobre que, por ter dado à luz um filho homem, a primeira esposa exerce maior influência na família do que a segunda, que teve apenas três filhas, e que a única maneira de obter segurança e independência é dar à luz um menino. May descobre que a segunda esposa está traindo o marido com o filho dele com a primeira esposa. O filme tem uma fotografia espetacular de Chananun Chotrungroj, com lindos enquadramentos e cores que acentuam a natureza e a direção de arte. O filme trabalha bastante com os planos longos e se apropria do silêncio. May, como a protagonista, é a grande observadora de tudo que está ao seu redor. Um retrato cruel, machista, misógeno e tragico do detsino de mulheres de todas as idades, subordinadas à vidas já estabelecidas e sem poderem dar nenhuma opinião.

Triângulo do medo

"triangle", de Christopher Smith (2009) Esse terror de 2009 eu nunca havia ouvido falar. Recentemente, li várias postagens sobre o filme, falando o quanto ele era bom e surpreendente e fiquei curioso. Escrito e dirigido por Christopher Smith, "Triângulo do medo" é uma co-produção Reino Unido e Austrália. O elenco conta com Melissa George e Liam Hemsworth, entre os mais conhecidos. Jess (George) é uma mãe solteira. Ela tem um filho pequeno, Tommy (Joshua McIvor). Jess se estressa o tempo todo com o comportamento do filho e não tem paciência, tratando-o com rispidez. Greg (Michael Dorman) é cliente da lanchonete onde Jess trabalha como garçonete e a convida para um passeio de veleiro junto de seus amigos. Jess deixa seu filho na escola e embarca no veleiro, mas ela expressa tensão. No percurso, eles pegam uma tempestade, e o veleiro vira. Eles encontram um navio que os resgata. Mas para surpresa deles, não há ninguem ali. Subitamente, um mascarado surge e passa a matar um a um. A grande surpresa do filme, é que ele tem a narrativa de loop temporal, onde os acontecimentos se repetem ininterruptamente. Não dá para se falar muito para não estragar a trama. É um filme sobre culpa e luto. Eu achei a trama bem confusa e tive que fazer uma pesquisas para entendê-lo melhor. É um passatempo que exige paciência para tentar entender a história proposta, e não meramente um terror sobrenatural com mortes. O triângulo das bermudas, famosa lenda urbana, foi uma referência para o diretor, no contexto do sobrenatural.

Ichi, the killer

"Koroshiya 1", de Takashi Miike (2001) Um dos filmes mais conhecidos e cultuados do cineasta japonês Takeshi Miike, "ichi, the killer" foi proibido em diversos países pela sua extrema violência. Miike não poupa ninguém: mata homens, mulheres e crianças com requintes de crueldade e sadismo. Duas cenas se tornaram antológicas no imaginário cinéfilo: um mafioso pendurados por ganhos e sendo torturado com uma faca e óleo quente; e um mafioso encaixotado dentro de uma televisão e sendo torturado por espetos de metal. Qualquer semelhaça com "Hellraiser", de Clive Barker, não é mera coincidência. os protagonistas são adeptos de bondage e SM, e amam torturar e serem torturados, chegando a ter orgasmos e 3j4cul4ções ao verem alguém morrer ou ser extupr4d0 na sua frente. O filme é adaptação de uma série de magá em 10 volumes, escrita e ilustrada por Hideo Yamamoto de 1998 a 2001. O filme tem uma montagem esquizofrênica e confusa e algumas imagens em vídeo. Essa confusão mental é um preparativo para algumas das cenas mais grotescas, bizarras e sádicas que você verá em um filme. O jorro de sangue e mutilações são claramente mal feitas para dar um tom de cartoon. O autor dao mangá, Yamamoto, descreveu a história como “uma história de amor” que envolve Kakihara e Ichi, dois assassinos. Os dois representam os extremos no mundo BDSM, com Kakihara sendo o avatar do masoquista, já que se mutila e pratica autoflagelo, sentindo prazer na dor, enquanto Ichi é o sádico, o causador de dores em todos os que o cercam."" Quando um chefe da Yakuza chamado Anjo desaparece com 300 milhões de ienes, seu principal capanga, um sadomasoquista chamado Kakihara (Tadanobu Asano) parte em busca dele. Após capturarem e torturarem um membro rival da Yakuza em busca de respostas, eles logo percebem que prenderam o homem errado e começam a procurar por Jijii, o responsável pela informação inicial. Em pouco tempo, Kakihara e seus homens encontram Ichi (Nao Ômori), um jovem psicótico e sexualmente reprimido com incríveis habilidades em artes marciais e lâminas que saem de seus sapatos. As atuações dos atores que interpretam Kakihara e Ichi são fenomenais e os looks, tanto de make quanto de figurino, são antológicas. Um filme ousado, polêmico e corajoso que mantém sua aura maldita até os dias de hoje.