quinta-feira, 10 de setembro de 2026

Stone turtle

"Stone turtle", de Ming Jin Woo (2022) Co-escrito e dirigido pelo cineasta malásio Ming Jin Woo, 'Stone turtle" recebeu 2 prêmios no Fantasporto 2023: Prêmio Especial do Júri da Seção Orient Express e rêmio Internacional de Melhor Filme Fantástico. Venceu também o Fipresci no Fetsival de Locarno 2022. Todado na ilha de Terengganu, Malasia, o filme é uma co-produção Malásia e Indonésia. O prólogo inicial é brutal: uma jovem serve chá para seus pais, até que é apedrejada até a morte pelo pai, que diz que ela desonrou o nome da família. Sua irmã, Zahara (Asmara Abigail), e a filha pequena da morta testemunham o crime. Dez anos depois, Zahara e a menina, Nika (Samara Kenzo), moram refugiadas em uma ilha. Zahara ganha a vida com o comércio ilegal de ovos de tartaruga. Determinada a matricular Nika em uma escola no continente, Zahara vai até lá de canoa, mas encontra resistência constante por parte do funcionário, que exige documentos, que elas não têm. Um dia, surge um homem, Samad (Bront Palarae), que diz à Zahara estar em busca de couro de tartaruga. O filme segue em time loop, onde o encontro de Zahara e Samad se repete. O roteiro é confuso, e li em algumas matérias que se trata de um manifesto feminista sobre vingança contra abusos praticados por homens tóxicos. Fiquei perdido na narraiva. O filme traz lindas imagens captadas pela fotografia de Kong Pahurak, rodada em locações paradisíacas. Mas não consegui me envolver na história.

quarta-feira, 9 de setembro de 2026

Hombres integros

"Hombres integros", de Alejandro Andrade (2024) Co-escrito e dirigido por Alejandro Andrade, "Hombres íntegros" é um thriller queer mexicano, co-produzido por México, Espanha e França. Rodado na cidade do México, o filme recebeu prêmios em diversos festivais. A trama traz elementos dramatúrgicos já conhecidos do grande público: estudantes da alta elite que cometem um crime, e por intermédio dos pais poderosos envolvidos com políticos e polícia, conseguem dar a volta por cima. Por trás de uma trama de crime sem castigo, está o jovem protagonista Alf (Andres Revo). Filho de um casal influente e rico: o pai candidato a governador, e mãe uma dona de casa traída. Alf tem um grupo de 3 amigos com que divide as farras. Quando Alf conhece Oliver (Joaquín Emanuel), ele sente uma atração que revela a sua homossexualidade reprimida. Mas ao sair com seus amigos, eles convidam a prima de Oliver para uma farra que acaba em tragédia. Masculinidade tóxica, homofobia, misoginia. O universo retratado na escola de elite não é novidade para ninguém. Ricos, bonitos, brancos, arrogantes. O mundo para esses jovens foi todo dado de bandeja pelos seus pais. Desde "O jovem Torless", de Volker Schoendorf, dos anos 60, o retrato do abuso moral, psicológico e s3xu4l nas escolas de ricos caminham quase sempre por um desfecho sem castigo. Para quem gosta de assistir filmes admirando a beleza do elenco, esse filme é uma ótima pedida.

terça-feira, 8 de setembro de 2026

Hoard

"Hoard", de Luna Carmoon (2023) Escrito e dirigido por Luna Carmoon, "Hoard" é seu filme de estréia. O filme recebeu 4 prêmios no Festival de Veneza 2023: Vencedor do Prêmio de Autores com Menos de 40 Anos de 2023, prêmio de filme inovador, Prêmio do Público do Clube de Cinema e Grande Prêmio da Semana Internacional da Crítica de Veneza. O elenco traz a excelente atriz Hailey Squire ( de "Eu, Daniel Blake") no papel de Cynthia, mãe da pequena Maria (Lily-Beau Leach), e Jonathan Quinn, o Eddie de 'Stranger things". Na fase adolescente, Maria é interpretada por Saura Lightfoot-Leon. O filme retrata doenças mentais e compulsões. Cynthia mora sozinha com sua filha de 8 anos, Maria. Cynthia é compulsiva por catar lixo e levar objetos para casa, repleta de quinquilahrias e acumulações. Ela obriga Maria a catar o lixo toda noite com ela. A casa acaba ficando infestada de ratos. Maria sofre bullying de professoras e colegas, e é uma menina solitária. Quando sua mãe sofreum acidente em casa ( uma pilha de objetos caem sobre ela), a menina acaba sendo enviada para uma família adotiva. 10 anos depois, Maria mora com Michelle, sua mãe adotiva. Michael (Quinn) filho adotivo de Michelle e ex-detento, vai ficar por um tempo na casa, enquanto decide aonde ficar. Ele namora uma jovem, que está grávida. A compulsão de Maria por lixo atrai Michael, e ambos passam a se relacionar. Não me envolvi muito com a ahistória do filme. O que me atraiu, são as performances: as duas atrizes que interpretam Maria são incríveis, e Hailey Squire mantém a mesma força em performances de mãe coragem.

Cain at Abel

"Cain at Abel", de Lino Brocka (1982) Lino Brocka foi um dos grandes nomes do cinema filipino. Realizador dos clássicos "Macho dancer", "Insiang", "Bona", "Manila nas Garras de Néon", entre outros. Com "Cain at Abel", Brocka adapta a bíblica história de Caim e Abel para os dias de hoje. O filme me fez lembrar da obra-prima de Elia Kazan, "Vidas amargas". A premissa inicial é muito semelhante: dois irmãos disputam a atenção da matriarca, dona de terras e de uma fazenda. Lorenzo (Phillip Salvador) é o irmão mais velho, casado com Becky (Pina Delgado), e pais de 2 crianças. Mas o filho preferido de Senhora Pina (Mona Lisa) é Ellis (Christopher De Leon). Lorenzo teve que largar os estudos para cuidar da fazenda, enquanto Ellis foi estudar na capital. Quando Ellis retorna para a fazenda, acompanhado de sua esposa grávida Zita (Carmi Martin), os irmãos passam a se estranhar e disputar a heraça das terras. A empregada da família, Rina (Cecille Castillo) carrega o filho de Ellis que a engravidou antes de estudar na faculdade. Os filmes de Brocka geralmente envolvem tramas de violência circundando um nucleo familiar. Aqui não poderia ser diferente, e obviamente, termina em tragédia. Um ótimo filme repleto de traições e mulheres fortes, que sucumbe à uma sociedade machista e patriarcal.

Some rain must fall

"Kong fang jian li de nv ren", de Escrito e dirigido por Qiu Yang, 'Some rain must fall" é uma co-produção China, Estados Unidos, Singapura e França. O filme foi rodado em aspetc ration de 4:3, com fotografia da alemã Constanze Schmitt. "Some rain must fall" é um drama intimista e alegórico sobre os conflitos psicológicos de uma mulher de meia idade idade. O filme concorreu em Tribeca, onde saiu com os pr6emios de fotografia e de drama. No Festival de Berlim 2024, saiu com o Winner Encounters Award - Special Jury Prize. Cai (Yu Aier) é uma dona de casa, casada e mãe de uma adolescente. Cai está em processo de divórcio. Além disso, não consegue se comunicar direito com sua filha. Sua mãe está doente. Quando vai visitar a filha no colégio durante um torneio esportivo, Cai, atormentada por muitos problemas, acaba provocando um acidente, ond euma idosa sai ferida e é internada. O filme tem uma narrativa complexa e confusa, alternando presente e passado. Estilizado e com uma fotografia que me lembrou filmes de Wong Kar Wai, 'Some rain must fall" não é m filme fácil de acompanhar. Ritmo lento, minimalista e personagens áridos.

Canelones

"Canelones", de Christian Basilis e Ana Gussoni (2026) Comédia de humor ácido argentina, inspirada em conto de Hernán Caciari. O filme tem um prólogo que começa em 1987: dois amigos adolescentes, moradores de Mercedes, província de Bueos Aires, se divertem. Hernan e Chiri costumam fazer trotes, fazendo ligações aleatórias. Hernán liga para uma mulher, e diz ser seu filho. Ele descobre que o filho dela, Daniel, foi embora e nunca mais voltou. Hernan continua a farsa e diz que irá visitá-la em casa em poucas horas. A mulher faz canelones e o aguarda. Hernan, claro, não vai. Em 2015, Hernan agora é um escritor consagrado. Ao retornar para Mercedes, ele reencontra sua mãe, Chichita. Sem que Hernan saiba, sua mãe está namorando Daniel, o verdadeiro filho da mulher que ele ligou na adolescência, e que agora, quer se vingar da família de Hernan. O filme tem um tom de sátira e humor ácido típicos do cinema argentino. O elenco é divertido, beirando a caricatura. O filme tem um ritmo oscilante, com diversas passagens com ritmo lento. No final, um bom passatempo.

Sheep in the box

"Hako no naka no hitsuji", de Hirokazu Koreeda (2026) Lançado com muita expectativa na disputa à Palma de ouro no Festival de Cannes 2026, "Sheep in the box", do premiado cineasta e roteirista japonês Hirokazu Koreeda acabou sendo um dos mais criticados do evento. Dois anos após o seu aclamado "Monster" ter levado a palma de melhor roteiro e o queer palm, "Sheep in the box" ganhou a alcunha de "episódio de Blakc mirror" pelo seu tema fantasioso, já visto em diversas produções. O tema da Inteligência artificial recriando humanos já foi visto em 'A.I, inteligência artificial", "Blade runner", "Ex-machina", "A acommmpanhante perfeita" e obviamente, no episódio de Black mirror, "Be right back". Em todos, a figura humanóide se rebela e vai em busca de sua "humanidade". Koreeda é um dos cineastas que mais aprecido, tendo realizado filmes primorosos como "Ninguém pode saber", "Pais e filhos", "Assunto de família" e "Monster". "Sheep in the box" é um filme menor, mas não ruim, como muita gente quer fazer acreditar. Koreeda mais uma vez aponta a sua história para famílias desfuncionais, em busca de redenção. Dessa vez, ele apresenta uma história ambientad ano futuro, onde é possível reproduzir pessoas em uma empresa chamada 'Rebirth". Otone (Haruka Ayase) e Kensuke Komoto (Daigo Yamamoto) formam um casal: ela arquiteta, e ele, carpiteiro. O casal procura seguir a vida em luto, após a morte do filho, há dois anos. A empresa Rebirth os convida para conhecer as instalações, após ganharem o direito a receber um humanóide de graça, por conta da perda traumática. Kakeru (Rimu Kuwaki) ressurge em suas vidas. Otone imediatamente e afeiçoa a ele, enquanto Kensuke o repele e impede que o chame de pai. O ritmo do filme segue lento e contemplativo. O pequeno ator Rimu Kuwaki tem um defícil desafio d einterpretar a inteligência artificial, e o faz com primor. Koreeda sempre foi famoso pela direcão de atores delicada e repleta de camadas.

segunda-feira, 7 de setembro de 2026

Moscas

"Moscas", de Fernando Eimbcke (2026) Co-escrito e dirigido por Fernando Eimbcke, "Moscas" é uma co-produção México, Espanha e Argentina, rodada na Cidade do México. O filme foi indicado ao Urso de ouro em Belrim 2026, de onde saiu com o prêmio do juri ecumênico. O cineasta Michael Franco foi um dos produtores, só que ao contrário de seus filmes violentos, "Moscas" traz a humanidade e esperanca através de uma improvável relação entre uma mulher solitária de meia idade, Olga (Teresita Sánchez) e um menino de 9 anos, Cristian (Bastian Escobar). O filme é rodado em preto e branco, trazendo um mundo melancólico e desesperançoso. Olga é uma mulher que mora sozinha em um apartamento. Após a morte de seu filho, ela se isola de todos. Sme condições de manter o apartamento sozinha, ela decide alugar um quarto. Tulio (Hugo Ramírez) e seu filho Cristian decidem morar no quarto: mas com dinheiro apertado, Tuilio esconde seu filho de Olga, que mora esconido no quarto. Eles decidem ficar ali por estar próximo do hospital onde a mãe de Cristian está internada na Uti, com câncer. Ao sair para procuar trabalho, Tulio deixa seu filho sozinho no quarto. mas Olga encontra a criança, e cobra mais dinheiro de Tulio, e deixando um prazo de uma semana para ficarem. Mas ela não esperava que fosse se conectar ao menino, e juntos, criam uma sinergia que os tira de seu marasmo. "Moscas" foi indicado ao prêmio Goya 2027 de melhor filme, ficando de fora da indicação ao Oscar, que ficou com "En el camino". O ritmo é bastante lento e contemplativo, com fotografia em preto e branco, acentuando o cotidiano e a rigidez da vida de seus personagens, em planos estáticos.

On the sea

"On the sea", de Helen Walsh (2025) Menção especial no Thessaloniki Film Festival 2025, 'On the sea" é um drama queer inglês escrito e dirigido por Helen Walsh. O filme foi rodado no País de Gales, na costa leste de Anglesey. Jack (Barry ward) é um homem na faixa dos 50 anos, casado com Maggie (Liz White) e pais do adolescente Tom (Henrique Lawfull). Jack trabalha com seu irmão mais novo, Dyfan, e os 3 filhos dele, na colheira de mexilhões à beira do mar. Jack passa por diversos dramas em sua vida: Tom não quer trabalhar para a família e seguir a tradição da colheita; a venda dos mexilhoes vai mal; Jack decsobre estar com câncer; e a chegada d eum jovem marinheiro gay à cidade, Daniel (Lorne MacFadyen), fará com que Jack reveja os seus conceitos acerca de sua macsulinidade. Ele e Daniel começam a se relacionar às escondidas. Daniel quer que eles assumam a relação, mas Jack está em conflito, pois não quer largar a sua esposa. Mas quando os rumores avançam no vilarejo, todos se voltam contra Jack, incluindo sua família. O filme tem um ritmo bastante lento. A fotografia e a direção previlegiam os planos longos, esparsados, contemplativos, como um documental. O roteiro traz uma história já vista em muitos dramas queer, e a personagem mais prejudicada é a da esposa, encostada em um lugar comum da mulher enganada. Eu queria ter gostado mais do filme e ser surpreendido. Ainda asism, é um filme correto e defendido por ótimos atores.

domingo, 6 de setembro de 2026

Ponto sem retorno

"The dog star", de Ridley Scott (2026) Um grande fracasso de crítica e bilheteria, "Ponto sem retorno" acompanha uma tragetória de grandes fracassos de Ridley Scott nos anos 2000: "O último duelo", "Casa Gucci", "Napoleão" e "Gladiador 2". Adaptado do romance escrto por Peter Heller em 2012, o filme foi rodado na Itália em externas e no famoso estúdio de Cinecittá. O talk of the town foi que Paul Mescal, protagonista de "Gladiador 2" e que seria o protagonista em "Ponto sme retorno", foi dispensado por Ridley que o considerou "pouco masculino". O filme teve orçamento por volta de 70 milhões de dólares, e arrecadou pouco mais de 232 milhões. Com um grande elenco de estrelas, formado por Jacob Elordi, Josh Brolin, Margareth Qualley, Guy Pearce, Benedict Wong e Allison Janney, "Ponto sem retorno" é um filme pós apocalíptico mega genérico e arrastado. Durante 1/3 do filme, parecia que eu estava assistindo a "Eu sou a lenda", com Will Smith e seu cachorro. Mas pelo menos ali, haviam zumbis para se divertir. Aqui, naquela máxima que o ser humano é o seu pior inimigo, encontramos sobreviventes que tanto podem ser canibais, quando grupos violentos a fim de uma bagunça. O ano é 2032, e a maior parte da população morreu de epidemia de gripe. Hig (Elordi) se tornou viúvo após sua esposa morrer. Ele mora com seu cachorro, Jasper, e um fuzileiro, o bronco Bangley (Josh Brolin). Após um ataque, onde seu cachorro é morto, Hig decide pegar seu avião e seguir ate Grande Junction, onde recebeu chamados de rádio. Chegando la, ele conhece pai e filha, Cima (Margaret Qualley) e Pops (Guy Pearce). Ao chegarem em um aeroporto destaivado, eles encontram sobreviventes, liderados por uma ex-comissária (Janney), que na verdade, são canibais. O filme não é bom. Personagens sem carisma, roteiro sem identidade própria, atores no automático. Logo no início, quando so personagens de Hig e Bengley tomam Coca Cola KS, pensei que o filme não teria solução, com essa inserção de product placement mega forçada.

sábado, 5 de setembro de 2026

Un susurro invocó mi nombre

"Un susurro invocó mi nombre", de Emilia Cotella e John Mathis(2025) Roteiro de Emilia Cotella, co-diretora, "Un susurro invocó mi nombre" traz a já batida história de experiências com ayahuasca que não dão certo. Nos anos 80, Ken Russel realizou o cult "Viagens alucinantes", com Willian Hurt, e mesmo não sendo terror, traz cenas alucinantes e assustadoras que envolvem delírios de quem está sob os efeitos do chá alucinógeno. O filme ganhou o prêmio de melhor atriz para Clara Kovacic, que interpreta a protagonista Clara na sua 2a fase. Quando mais jovem, Clara foi com um grupo de amigos formandos para uma região isolada de Buenos Aires, Serra de Cordobas. Ali, tomam ayahuasca. Maria, amiga do grupo, amanhece morta na beira do lago, aparentemente de su1c1d10. Dez anos depois, Carla é uma famosa bailarina. Ela fica sabendo que um dos integrantes do grupo se su1cidou. Carla tem visões e acredita que precisa retornar ao local onde tmaram o chá há 10 anos atrás para entender o que está acontecendo. Mediano, o filme não assusta e perdi o interesse logo no início. Só assisti até o final para entender o que estava acontecendo, e quando o filme acaba, fiquei sme entender direito. Sou daqueles que odeia finais em aberto. O elenco é correto, os efeitos razoáveis.

Encantador

"Encantador", de José María Cicala (2025) Co-escrito e dirigido por José María Cicala, "encantador" é um terror argentino que recebeu o prêmio de melhor ator no Screamest, para Rodrigo Naya. O filme busca diversas referências cinematográficas e cults de terror, e talvez as mais explícitas sejam "Psicose" a relação obsessiva mãe e filho) "O massacre da serra elétrica" e "Maniac", a versão com Elijah Wood, onde o serila killer decide sequestrar e assassinar mulheres para fazer delas, manequins e bonecas inanimadas. A Argentina produz muitos filmes de terror, e como qualquer cinematografia, existem filmes bons e ruins. Infelizmente, 'Encantador" entra na 2a categoria: confuso, um roteiro que atira para todos os lados e atores medianos. Filmado na cidade de Elortondo, na província de Santa Fé, "Encantador" apresenta o jovem atormentado Tomás (Naya), que possui um trauma trágico na sua infância. Morando com sua mãe, Tomás tem obsessão por bonecas. Ele trabalha na locadora de vídeos de uma cidade pequena e também no posto de saúde. Um policial, o Inspetor Porter, chega querendo entender o desaparecimento de 3 mulheres. São muitos personagens, todos conectados a Tomás. Alternando o tempo presente e flashback, 'Encantador" não assusta e traz cenas gráficas de assassinatos mal iluminadas e com efeitos práticos funcionais. O desfecho é bizarramente sem noção.

sexta-feira, 4 de setembro de 2026

Coyote Vs Acme

"Coyote Vs Acme", de Dave Green (2026) Fico admirado como os produtores e roteiristas da animação "Coyote vs Acme" foram corajosos em lançar um filme que pensa mais nos adultos nostálgicos do que nas crianças. O filme tem uma trama complexa, 1/e dele acontece em tribunal, com muitos diálogos e um ritmo que alterna entre as tradicionais sequências de perseguições malfadadas do Coyote contra o papa léguas e muita verborragia no tribunal. Mas o fato mais contundente aconteceu ainda nos bastidores: A Warner Bros Discovery, detentora ds direitos, não gostou do resultado, após reações negativas do público, e decidiu engavetar a animação em 2023, para obter dedução fiscal. Tempos depois, permitiu que os donos do projeto o oferecessem a outras distribuidoras. Após muitas recusas, a Ketchup Entertainment adquiriu os direitos por US$ 50 milhões em março de 2025. Mesmo com críticas elogiosas, o filme fechou com 27 milhões de dólares de arrecadação mundial. Eu, confesso, sempre fui fã do Coyote, e odiava o Papa Léguas. Sempre torcia pro Coyoto comer a ave gigante. Mas a resiliência e a obstinação do Coyote acabaram sendo a grande mensagem dos desenhos antigos. O coitado do Coyote sofria demais. A idéia de "Coyote Vs Acme" veio de James Gunn, que na época, levou um matéria da The New York Times escrita por Ian Frazier em 1992: e se o Coyote decidisse processar. Acme, por vender produtos defeituosos? Pois essa é exatamente a premissa do filme. Após um clip com todos os produtos da Acme falhando ao capturar o Papa Léguas, o Coyote decide contratar um advogado para processar a empresa.Todos os personagens famosos da Looney tunes surgem em maiores ou menores participações: Pernalonga, Patolino, Hortelino, Frangolino, Piu Piu, Gaguinho, entre outros. O filme é divertido, mas nvamente, para quem cresceu assistindo aos desenhos. Para a garotada nova, pode ser um tiro na culatra, pela falta de identificação e pela verborragia.

quinta-feira, 3 de setembro de 2026

Dear boys

"Lieve jonges", de Paul de Lussanet (1980) Primeiro filme holandês que retratou um relacionamento homossexual, "Dear boys" foi lançado em 1980. O filme é repleto de cenas de s3x- e nudez total, e causou enorme furor na época. O filme é baseado no livro "Lieve Jongens", de Gerard Reve. O filme é um relato das fantasias s3xu41s do escritor, um homem de meia idade e que deseja homens mais jovens. Wolf é um escritor de sucesso que está em crise. Ele tem medo que a idade o afaste dos jovens. ele mora em uma fazenda com seu amigo Tijger. Ao ir para uma boite, Wolf se encanta e se apaixona pelo jovem Woelrat, que é namorado de Albert. Wolf cnvida os dois a irem até a sua fazenda. Wolf seduz Woelrat, que permite se envolver. Mas logo, os 4 entrarão em um jogo permissivo, ciumento e perigoso. O que mais me chamou atenção, é o quanto um filme de 1980, já trazia cenas extremamente eróticas, e nudez total do elenco. As cenas da sfantasias eróticas envolvem dominação e masoquismo. Mesmo datado narrativamente, é um clássico que vale ser visto como objeto de estudo e pela importância para a emancipação do cinema queer na Holanda.

Tres veces

"Tres veces", de Paco Ruiz (2020) Filmado em Madri, esse curta espanhol Lgbt é um ótimo exemplar de thriller de suspense, com excelentes atores, direção precisa e um roteiro com plot twist. O filme venceu 4 prêmio no Festival Cortogenia: melhor filme, roteiro, ator (Koldo Olabarri) e trilha. Mario (Koldo Olabarri) é um jovem que mora com seus pais. A sua irmã pede que ele cuide do bebê. Sozinho em casa, Mario aproveita para marcar um encontro com Soren (Frank Feys), um homem mais velho que ele conhecer no Grindr. Mario calcula o tempo para a tarnsa até q chegada de seus pais. Quando Soren chega, os dois fazem s3x0. Na despedida, no entanto, Soren se revela ser um psicopata, e passa a chantagear Mario. Com 20 minutos, o filme traz drama e muito suspense, além da nudez total dos atores em cenas intenas de s3x0.

Retratos del apocalipsis

"Retratos del apocalipsis", de Luca Castello, Fabián Forte e Nicanor Loreti (2024) Escrito e dirigido por Luca Castello, Fabián Forte e Nicanor Loreti, "Retratos del apocalipsis" é um terror independente argentino. O filme é uma antologia com 4 episódios, que ocorrem durante um suto zumbi na cidade de Buenos Aires. Concorreu a melhor filme argentino no Festival Internacional de Cinema de Mar del Plata 2024. 1) Uma policial acuada em uma sala com zumbis prestes a despertar, aguarda a chegada de rforços 2) Em uma casa, uma idosa acorda sua filha e seu genro, alegando que seu gato sumiu 3) Uma grávida grava vídeos para que seu futuro filho assista o mundo antes do apocalipse zumbi 4) Um pai recorre a ritual satânico, utilizando o zumbi que mordeu o seu filho, para que o filho ressuscite O filme foi dirigido por 3 diretores, cada um filmando um, e tendo um episódio dirigido pelos 3. É um filme original, criativo, utilizando uma boa atmosfera para driblar o orçamento baixo.

quarta-feira, 2 de setembro de 2026

Cu Lí never cries

"Cu Li không bao gio khóc", de Pham Ngoc Lan (2024) Co-escrito e dirigido por Pham Ngoc Lan, "Cu Lí never cries" é um drama vietnamita que ganhou o prêmio de diretor estreante no Festival de Berlim 2024. O filme é rodado em preto e braco e apresenta um Vietnã desolador, através da história de 2 mulheres de gerações distintas. Nguyen (Minh Chau) é uma aposentada que retorna para a sua casa em Hanói, após buscar as cinzas de seu marido que ela conheceu na Alemanha oriental, na época que ambos os países eram regidos pelo governo comunista. Além das cinzas, ela traz um pequeno lêmure que pertencia ao marido (Cu Lí), em vietnamita). Ao chegar em sua casa, ela encontra a sua sobrinha Van (Ha Phuong), uma jovem pcd que trabalha como professora de jardim de infância. Quang está prestes a se casar com o preguiçoso e sem ambições Quang (Xuan An Ngo). O jovem casal traz preocupações diferentes da sra Nguyen, ambas as mulheres vivendo histórias polçiticas distintas. Nguen mergulho no seu passado, enquanto Van busca encontrar o seu futuro em um casamento sem expectativas. O filme traz um branco e branco estiizado, embalado por uma trilha sonora repleta de canções que fazem um painel musical do país. Os temas propostos pelo filme transitam bem dentro do universo feminino. Na tentativa de sororidade entre duas gerações que não se compreendem, o filme procura um desfecho otimista, mas o que encontra, é o vazio e a solidão, impresso nos rostos de seus protagonistas.

The Sun, the Moon, & the Hurricane

"The Sun, the Moon, & the Hurricane", de Andri Cung (2014) Escrito e dirigido por Andri Cung, "The Sun, the Moon, & the Hurricane" é uma co-produção da Indonésia e Tailândia. O longa queer foi rodado em Bangkok, Jacarta e Bali. O filme concorreu no Festival de Vancouver. Segundo o diretor, o título do filme se refere às três fases da vida de um homem: os momentos repletos de problemas são comparados ao furacão, enquanto a juventude, cheia de histórias de amor dramáticas, é simbolizada pelo sol, e a vida adulta, mais calma e estável, é representada pela lua. O filme é dividido em 3 atos, cada um se passando em um período: Em Jacarta, Rain (William Tjokro) é um jovem estudante que fica amigo do estudante Kris ((Natalius Chendana), que o defende de outros alunos. A aizade entre os dois se intensifica: Rain passa os finais de semana na casa de Kris. Kris passa a nutrir uma paixão platônica por Rain, mas teme perder a amizade e decide desaparecer. Rain por sua vez, é enrustido, e o sumiço de Kris o deixa em um vácuo. O tempo passa. Em Bangkok, Rain, já adulto e assumido, se relaciona com um garoto de programa. Anos depois, Rain recebe um convite para visitar kris, agora casado com uma mulher, em Bali. O filme me fez lembrar de "Happy together", de Wong Kar Wai: estilizado, linda fotografia, belos e talentosos atores e uma trama que traz uma melancólica e conflituosa relação entre dois rapazes. As cenas homoeróticas são encenadas com poesia e sutileza, a lente da câmera fotografa os corpos nús com muito desejo e paixão. Os olhares, o t3s40 são bem captados.

Gohan

"Gohan", de Chayanop Boonprakob, Atta Hemwadee e Baz Poonpiriya (2025) Malditos filmes com cachorros que fazem a gente chorar trocentos litros. "Gohan" ( que em japonês significa arroz cozido) é uma produção da Tailândia, dos mesmos produtores do indicado ao Oscar de filme internacional "Como Ganhar Milhões Antes Que a Vovó Morra". O filme me fez lembrar do melancólico "Quatro vidas de um cachorro", onde um mesmo cachorro passa por diversos donos ao longo de sua vida. O cachorro tem 3 etapas, cada um com uma história diferente e um diretor distinto. Na fase filhote, ele é chamado de Gohan, e é criado por um recém aposentado chefe de uma empresa de indústria de automóveis; já adulto, ele é chamado de Brownie, e é ajudado por uma jovem que o resgata de um abrigo, ond eo maltratam; e na fase idoso, ele se chama Hani, e é encontrado por um caal de estudantes, abandonado an estação rodoviária. O filem percorre a Covid 19 na primeira história, e além do drama do animal abandonado, o roteiro apresenta os dramas de cada um de seus donos. É um filme uito triste, doloroso, que mostra um mundo cruel, que rejeita pessoas à margem da sociedade, discutindo etarismo, imigração ilegal e amores desencontrados. Obviamente os cachorros que interpretam o protagonista são lindos e fofos demais, e no final, me acabei muito.

terça-feira, 1 de setembro de 2026

O sorveteiro

"Ice cream man", de Eli Roth (2026) Os Estados Unidos devme ser o único pais do mundo que permite o uso de crianças em cenas ultraviolentas, mutilando, decapitando, estripando. Fosse no Brasil, que tem regras muito rigidas de participações de menores em cena, esse filme jamais teria sido realizado. Eli Roth co-escreve o roteiro, dirige e estrela o filme, que busca referências em crianças assassinando adultos de filmes como "Quem pode matar uma criança?", "A aldeia dos amaldiçoados" e Colheita maldita". Mas aonde ele literalmente rouba as idéias é em "Terrifier" e "A hora do mal". O personagem do sorveteiro, assim como Art the clown, tem uma composição corporal clownesca e não fala. O filme foi detonado pela crítica e recebeu críticas também por uso de IA, em cenas de animação e de composição de efeitos, além de construção de cenários. Na fictícia cidade de Bayleen Bay, um caminhão de sorvete chega. O Sorveteiro distribui sorvetes para as crianças, que passam a possuir um comportamento assasisno e a matar os adultos. Jared, por ser intolerante à lactose, não toma o sorvete. Sua irmã Lizzie vomita o sorvete e também não se contamina pelo surto. Ambos precisam fugir da cidade e avisar seus pais, que estão chegando à cidade. Fico pensando na premiere do filme, com todo o elenco infantil assistindo junto dos pais. A chacina é total, com violência gore e brutal ( por ex, em uma cena, as crianças abrem a cabeça de um professor, retiram o cérebro com uma colher e servem em uma casquinha de sorvete). Claro, tudo está sob o manto do trash, o que torna tudo aceitável. Mas ainda assim, é um filme doentio e bizarramente problemático. O elenco de uma forma geral é fraco, e difícil torcer por alguém.