segunda-feira, 10 de agosto de 2026

Have a nice day

"Hao jile", de Jian Liu (2017) Escrito e dirigido por Jian Liu, "Have a nice day" foi considerado por críticos como "O Pulp fiction da animação chinesa". O filme concorreu ao Urso de ouro no Festival de Berlim em 2017 e no Annecy. Uma homenagem ao cinema noir, o filme traz uma trama repleta de personagens, com histórias que se cruzam através de um roubo. Toda a narrativa acontece em um único dia chuvoso, em uma cidade ao sul da China. Um jovem motorista, Xiao Zhang, trabalha para um chefão mafioso, Uncle Liu. Ele rouba uma maleta contendo 1 milhão de ienes para bancar uma cirurgia plástica na Coréia do sul para a sua namorada. Uncle Liu coloca diversos assassinos em seu encalço. Outros personagens fica sabendo do roubo e também decidem ir atrás do dinheiro, culminando em um hotel decadente. Impossível não lembrar, além de Tarantino, dos filmes dos irmãos Coen. Os personagens são cínicos, ambiciosos. A edição do filme traz agilidade à uma trama às vezes confusa, pelo excesso d epersonagens. Mas os traços, a fotografia, a trilha, toda a parte técnica contribui para dar charme e atmosfera à uma excelente animação policial e noir.

domingo, 9 de agosto de 2026

Some kind of heaven

"Some kind of heaven", de Lance Oppenheim (2020) Premiado documentário americano, "Some kind of Heaven" concorreu em Sundance. O filme foi produzido pelo cineasta Darren Aranofsky, e procura fazer um registro do The Villages rehab and nursing, localizado na Florida, a maior comunidade de aposentados do mundo. O potencial do filme era gigantesco, mostrando um mundo e cotidiano pitorescos de idosos que moram em uma comunidade que traz uma vida feliz, onde desgraças, tragédias e pobrezas só existem do lado de fora. E lamento muito que Aranofsky não tenha tido um mínimo de acidez e ironia que os documentários do austríaco Ulrich Seidl possuem. A comunidade foi fundada nos anos 80 por Harold Schwartz, que planejou o local para ser habitado por idosos da geração baby boomers, nascidos nos anos 40 e que desejavam reviver a sua juventude. O retiro começou com 800 membros, e agora, já possui mais de 130 mil moradores, segundo Gary Schwartz, filho do fundador. As pessoas vão em busca do sonho americano. A programação d atv e produzida para conteúdo interno, somente mostrando notícias boas, sem tragédias. No local, existem centenas de clubes, bares, eventos festivos. Planejado para que ninguém precise sair da comunidade, ela é auto-suficiente. O valor para se morar lá varia entre US$ 1.500 a US$ 7.500 ou mais por mês, for custos com médicos e serviços. O que faz valer assistir ao filme, é a sua atmosfera distópica de felicidade. Tudo ali é utópico: todos os dias da semana, existem todos os tipos de atividades ( como se fosse um grande cruzeiro). O filme acompanha alguns moradores específicos, mas certamente, o mais divertido é o de Danny, um malandro que mora em uma van e que deseja conquistar o coração de alguma idosa rica que o sustente. O filme apresenta diversas tentativas de conquitas baratas de Danny, momentos que ficam entre o patético e o constrangedor.

Leni

"Leni", de Federico Gianotti (2020) Escrito e dirigido por Federico Gioanotti, "Leni"é um thriller psicológico argentino. Utilizando a narrativa de filmes de terror, o cineasta apresenta os traumas de uma mulher, Leni (Ailín Zaninovich), envolto em memórias de abuso s3xu4l e psicológico, sofridos por relacionamentos com homens abusivos, e que acabam sendo reflexos do relacionamento de sua mãe com seu pai. O cineasta Federico Gianotti teve como referências, citadas em entrevista, os cults "Repulsa so s3x0", "Perfect blue", Martha, Marcy, May, Marlene" e Possessão". A personagem Leni carrega todo o filme, e procura se apoiar em ajuda de médicos, remedios, sua mãe, para descobrir que a origem de seu trema e pesadelos vem do relacionamento com Martin, um homem abusivo. violento. Na narrativa, o cineasta tenta confundir o espectador com aparições de figuras monstruosas, que na verdade, são projeções de Martin. Ótimo trabalho da atriz Ailín Zaninovich, premiada em festivais.

Eu, adolescente

"Yo, adolescente", de Lucas Santa Ana (2019) Co-escrito e dirigido por Lucas Santa Ana, 'Eu, adolescente" ganhou o prêmio de ator revelação para Renato Quattordio no Argentinean Film Critics Association Awards. "Se você briga com a vida, você faz amigos com a Morte". O que leva um adolescente ao suicídio? Partindo dessa premissa, o diretor Lucas Santa Ana adapta o livro de Nicolas Zamorano e realiza um drama arrebatador e comovente."O filme se passa entre 2004 e 2006, no auge dos blogs. Em 2004, no ano em que muitos jovens morreram em um incêndio na boite Cromanón, e em que seu melhor amigo Pól se suicidou, o protagonista Zabo (Renato Quattordio, excelente), de 16 anos, vive sob o signo da morte. Sem conseguir ser compreendido por seus pais, indeciso entre o amor de Ramiro, seu colega de escola, e de Tina, uma garota que ele curte, Zabo resolve colocar todas as suas inseguranças em um blog. Sem coragem de falar sobre o que pensa, o que sente para seus melhores amigos e seus pais, Zabo usa o blog como o local para desabafos. Dirigido com um olhar realista pelo cineasta, o filme alterna momentos de humor, drama e romance, mas o que mais me encantou na história foi a forma como tudo é pelo olhar do protagonista, um adolescente. Todas as questões que o deixam inseguro, certamente todo mundo já passou na vida. É um drama com uma forte mensagem e alerta de que pais e pessoas próximas precisam conversar com os jovens e entender as suas aflições.

sábado, 8 de agosto de 2026

Body blow

"Body blow", de Dean Francis (2025) Escrito e dirigido por Dean Francis, "Body blow" é um trillher queer australiano. O filme ganhou melhor diretor no Fantaspoa 2026. O diretor trouxe um visual e estética que remete a filmes B dos anos 70 e 80, que emulam o thriller erótico que eram exibidos no Cine privé da Band. Um erotismo barato, que não mostra genitais, com s3x0 simulado, trilha sonora sexy de motel junto de sintetizadores e claro, muito neon. É fácil ver referências a cults como "drive", "Parceiros da noite" e "Shame", drama erótico com Michael Fassbender. Tim Pocock ( a cara de Jean Claude Van Damme), interpreta o policial Aiden. Ele é viciado em s3x0 e constantemente se m4sturb4. Aiden é reprimido com a sua s3xu4l1dad3 e isso afeta o seu trabalho e vida pessoal. Ele é convocado por sua chefe a se infilttrar em uma balada lgbt, se passando por frequentador, para descobrir uma máfia que utiliza o local para tráfico de drogas. Aiden conhece Cody (Tom Rodgers), bartender e garoto de programa do local, e logo se apaixona por ele. Quem comanda o local é a drag Fat Frankie, que admnistra os garotos de programa e que Aiden descobre estar conectada ao tráfico. Mas o seu relacionamento com Cody, que ele não confia plenamente, começa a prejudicar o seu rendimento. O filme não é perfeito: tem roteiro confuso, cenas com ritmo arrastado, e cenas de s3x0 filmadas sem t3s40. Mas a divertida brincadeira de fazer referências explícitas aos filmes dos anos 80 e 90 acaba valendo a pena. A fotografia inteisifca a atmosfera de neon e cores saturadas. fortes, e os atores interpretam seus personagens de forma canastrona, mas cheios de estilo.

Risa y la cabina del viento

"Risa y la cabina del viento", de Juan Cabral (2025) Melhor filme e diretor no Festival de Mar del Plata 2025, "Risa y la cabina del viento"é um delicado drama visto pelo ponto de vista de uma menina de dez anos, Risa (Elena Romero). Risa, órfã de pai, mora com sua mãe, Sara (Cazzu). Seu pai , segundo sua mãe, morreu em um incêndio. Sara trabalha o dia todo, e deixa Risa sob os cuidados do vizinho, o alcólatra e solitário Esteban (Diego Peretti). Risa começa a se interessar por uma cabine telefônica fora de serviço perto de sua casa. Um dia, enquanto brinca com o telefone, ela começa a ouvir vozes de pessoas falecidas pedindo sua ajuda para resolver assuntos inacabados. Se ela atender a esses pedidos, poderá falar com seu falecido pai. O filme traz temas como sororidade, conflitos geracionais, abandono familiar e solidão. É um filme muito melancólico, de personagens tristes e vidas sem rumo. A fotografia favorece a sensação de solidão e isolamento através dos enquadramentos e da luz natural. Ótimo trabalho do elenco principal, principalmente da menina Elena Romero, que carrega praticamente o filme toda sozinha nas costas.

No Vayas a Clase Mañana

"No Vayas a Clase Mañana", de Diego Barragan (2022) Premiado drama escrito e dirigido por Diego Barragan, No Vayas a Clase Mañana" é sue longa de estréia. A inspiração de Diego Barragan foi o documentário "Tiros em COlumbine", de Michael Moore. Filmes sobre alunos que decidem provocar um tiroteio em sua escola para se vingar do bullying já é comum, com destaque para 'Elefante", de Gus Van Sant, e "Precisamos falar sobre Kevin", de Lynne Ramsay. Nessa produção indie, a narrativa se diferencia por mostrar uma realidade crua e naturalista, quase documental, ao invés das estilizações visuais dos cineastas citados acima. O filme começa com uma cartela: "A vida é um jogo de xadrez. A maioria das pessoas nao sabe jogar". Dois amigos, Jorge (Paco García) e Emilio (Krystian Huerta) moram em um bairro de classe média baixa em Guadalajara. Os dois são solitários e sofrem bullying consntemente na escola. Com sentimentos de raiva e vigança, eles conseguem uma arma e decidem que no dia seguinte, provocarão uma chacina na escola. A história foca na véspera da decisão, através de lembranças de Paco com sua ex-namorada e colegas de turma que os provocam em sala. O filme tem um foco mais existencial, entrando na mente de seus personagens, humanizando os atos que podem vir a acontecer. O desfecho, em aberto, me fez lembrar da personagem de Zendaya em 'Drama", onde ela narra para amigos o desejo de provocar um tiroteio na escola.

sexta-feira, 7 de agosto de 2026

Sol secreto

"Miryang", de Lee Chang-dong (2007) O Festival de Cannes gosta de premiar atrizes com performances sofredoras. Foi assim com Bjork em "Dançando no escuro", Émilie Dequenne por "Rosetta", Samal Yeslyamova por "Ayka" e agora, a sul coreana Jeon Do-yeon) por "Sol secreto". O filme, escrito e dirigido por Lee Chang-dong, é adaptado do conto "The Abject", de Lee Cheong-jun , que "se concentra em uma mulher que luta com questões de luto, loucura e fé.". Lee Chang-dong foi premiado em cannes pelos filmes "Poesia" e "Em chamas", seus filmes mais conhecidos. "Sol secreto" é um drama brutal e cruel. Com sua aparente tranquilidade ao registrar o cotidiano de pessoas comuns, o filme traz a violência e inquietação que se esconde dentro do ser humano. O filme concorreu à uma vaga ao Oscar de filme internacional em 2008. Shin-ae (Jeon Do-yeon), uma jovem viúva de Seul, mudou-se com seu filho pequeno, Jun, para Miryang (que significa "sol secreto"), cidade natal de seu falecido marido. Na estrada o seu carro quebra, e ela é ajudada pelo mecânico Jong-chan (Song Kang-ho, ator de "Parasita"). Ele é um homem bom e decide ajudar Shin-ae a se estabelecer na cidade, apesar dela não querer a sua ajuda. As pessoas da cidade comentam sobre ela, incomodados com a sua presença. Shin-ae abre uma escola de piano, e diz para Jong-chan que procura um terreno para construir uma casa. Uma noite, ao voltar de uma festa, ela recebe um telefonema de um sequestrador, dizendo que está com seu filho e que deseja resgate. Shin-ae entrega todo o seu dinheiro, mas o sequestradoe xige mais. Ela diz que a compra do terreno era uma mentira, que nunca teve o dinheiro. A polícia encontra o seu filho morto. Angustiada pela dôr e pelo ódio, Shin-ae acaba sendo convencida por uma dona de uma farmácia a entrar para a igreja evangélica e assim, entender os desígios de Deus. O filme é uma obra prima, defendida com garra por um excelente elenco e um roteiro que comove e surpreende o tempo todo. O filme é longo, quase 150 minutos, e tem um ritmo lento, como em todos os filmes de Lee Chang-dong.

Poster Boy Becoming Zyzz

"Poster Boy Becoming Zyzz", de Selina Miles (2026) Documentário que traz a história de Aziz Shavershian, conhecido mundialmente como Zyzz. Nascido na Rússia, ele ficou famoso mundialmente quando em 2006, ainda nos primordios do Youtube, ele criou o seu canal, voltado para fisiculturistas. Na época com 17 anos, Zyzz arrebatou milhões de seguidores mundialmente, e hoje, um caso de estudo: ele teria sido um dos precursores da cultura dos influencers, quando ainda não existia esse termo, muito menos, a exposição da vida cotidiana na internet. Ao criar o seu canal no site da bodybuilding.com, Zyzz influenciou jovens que como ele, cresceram com um corpo franzino. Ele coloocu gratuitamente um programa de treinamento para ganhar corpo, além de vídeos com mensagens de auto ajuda e de empoderamento. Ztzz morreu aos 22 anos de idade, inesperadamente, quando estava em viagem de turismo na Tailândia. Ele foi encontrado morto em uma sauna, onde teria morrido de coração. Muito teria se especulado sobre as causas de sua morte, mas a família nunca permitiu a exposição. Agora, seu irmão Said Shavershian, conhecido no meio dos fisiculturistas como Chestbrath, decide revelar as cusas de sua morte. Said mantém a memória de seu irmão vivo, respondendo correspondênias de fãs. Sua família finalmente decidiu reve;ar o exame toximológico: Zyzz teve o coração dilatado, e form encontrados vestígios de cocaína, morfina e Xanax. O filme traz depoimenos de fãs, amigos e do próprio Said.

Maxxie LaWow - Drag Super-shero

"Maxxie LaWow - Super-shero", de Anthony Hand (2024) O cinema queer tem lançado filmes com protagonismo de drag queens em aventuras malucas e musicadas. Foi assim com "Stop!That!Train", com Ru Paul liderando um cast formado por participantes do Ru Paul drag race, e agora essa animação "Maxxie LaWow - Drag Super-shero". O filme une musical, comédia, ficção científica e filme de super heroínas. Simon é um jovem atendente de bar da cidade de Tuckertown. Jae, sua melhor amiga e também atendente, tenta fazer com que Simon, um tímido de 21 anos, se declare para Calvin, um cliente. Certa noite, ao jogar fora o lixo, Simon encontra um cachorro rosa, que vem a ser uma forma alienígena que se transforma em peruca. Quando Simon coloca a peruca, se transforma na super heroína Maxxie LaWow. Agora, Maxxxie precisa lutar contra a vilã drag Dyna Bolical, que prende diversas adrags com 2 intenções: eliminar a concorrência e colher as lágrimas delas, para criar um creme anti-rugas e vender por preço exorbitante para as mulheres. Toda a história é entrecortada por números musicais de Maxxie. É um filme divertido, obviamente cheio de piadas do cotidiano Drag.

quinta-feira, 6 de agosto de 2026

Rhythm Is a Dancer

"Rhythm Is a Dancer", de Lauren Caster (2025) Escrito, dirigido e protagonizado por Lauren Caster, "Rhythm Is a Dancer" é livremente inspirado em sua história real. Assim como Lauren, a personagem Ro cresceu apenas com a sua mãe. Ela foi gerada por inseminação artificial. EM algum momento, ela decidiu procurar seu pai biológico. No caso de Lauren, o encontro foi feliz: ele ajudou a financiar o filme. Lauren Caster se apropria do gênero "feel good movie, alternando drama, leve humor para tratar de vários temas: abandono da terceira idade, reconexão familiar, conflito geracional, desemprego e desilusão profissional. Ro é dançarina profissisonal, mas não consegue passar nas audições. Ela decide abandonar Nova York e retornar para a casa de sua mãe em Los Angeles. A relação da mãe de Ro é de cobrança: Ro está prestes a fazer 30 anos e a mãe dela não aceita que ela queira continuar insistindo em uma profissão que não está dando certo. Ro acaba indo trabalhar em uma casa de repouso de terceira idade, cuidando dos internos. é quando ela recebe a notícia de que seu pai biológico finalmente foi localizado. Todo o esforço de se promover com o filme e realizá-lo é muito bem vindo. É um filme correto, com personagens carismáticos e bons atores. O filme, com 90 minutos, no entanto, parece ser mais longo do que é, muito pelo ritmo longo às vezes e por situações repetitivas e excesso de personagens. TAlvez tivesse sido melhor focar mais na relação de Ro com seu pai e sua mãe, e menos no núcleo da clínica e dos amigos de Ro.

Kombucha

"Kombucha", de Jake Myers (2025) Depois que "A substância" foi lançado em 204, muitas produções indies de terror vieram a seu robque trazendo o mesmo tema de pessoas que querem de alguma forma, mudar o seu 'Eu", tomando algum tipo de prodto. Resultado: body horror. Mas "A substância" tinha uma ótima diretora e atrizes protagonistas que se entregaram por inteiro aos papéis. Em "Kombucha", o filme sofre pela direção que não soube epxlorar o terror, em um filme sem ritmo e com personagens importantes defendidos por atores medianos. Talvez a proposta do filme tenha sido fazer um filme B com pitadas trash, mas fico na dúvida se foi isso mesmo. O desfecho novamente busca referência em "Á substância" trazendo uma criatura realizada com efeitos práticos com cara de anos 80. "Kombucha" é a versão longa-metragem do curta-metragem de mesmo nome lançado em 2024. Outra referência explícita do filme é ao clássico "Invasores de corpos", onde um duplo da pessoa contaminada surge em seu lugar. Luke é um músico que não consegue sucesso em sua profissão e decide aceitar a proposta de um amigo: trabalhar em uma empresa corporativa, SYMBIO. Luke aceita e comunica à sua namorada, Elyse, que trabalha em uma laboratório, que lamenta ele ter que deixar de lado sua paixão pela música. Na empresa, Luke conhece Kelsey, coordenadora do espaço. Ela oferece a Luke uma bebida, Kombucha, feita com produtos vivos, para estimular o trabalho de Luke. Luke vai mudando e se tornando mais workhaholick. Mas o seu corpo também transforma.

quarta-feira, 5 de agosto de 2026

Children...

"Ai-i-deul...", de Kyu-maan Lee (2011) Premiado drama sul coreano, "Children" é baseado em trágica história real, ocorrida no dia 26 de março de 1991. 5 crianças, na idade entre 8 a 12 anos, desapareceram quando foram para a montanha no município de Daegu, Coréia do Sul. Seus pais ficaram desesperados, e ssse sumiço movimentou não somente a cidade, mas também a mídia, um jornalista inescrupuloso e um professor universitário ambicioso. A premissa e a narrativa lembra muito os excelentes "Memórias de um assassino", de Bong Joon-ho e "Zodiaco" de David Fincher. O que une os 3 filmes, é que, além de baseados em fatos reais, os crimes jamais foram dsvendados, e ninguém foi preso. Os diretores e roteiristas uniram ficção e realidade, e criaram um possível suspeito. O filme foi um enorme sucesso de crítica e público na Coreia do sul, com quase 1 milhão e 900 mil espectadores. Esse desaparecimento ficou conhecido na midia como "o desaparecimento das crianças rãs". O filme acompanha mais de 15 anos na vida de todos os envolvidos: pais, o jornalista e o professor. No final, existe a possibilidade de um suspeito, em uma cena que acontece em um matadouro. O filme une linguagem documental e thriller, bem executados e com um time muito bom de atores dando vida aos personagens da vida real.

John Denver trending

"John Denver trending", de Arden Rod Condez (2019) Premiado drama filipino que traz uma trágica história de fake news que detrói a vida de uma família. Escrito e dirigido por Arden Rod Condez, é seu longa de estréia. John Denver Cabungcal (Jansen Magpusao), de 14 anos, e sua mãe, Marites (Meryll Soriano), moram em Pandam, Antique, uma região pobre das Filipinas. Marites trabalha pesado para sustentar seus 3 filhos. Quando John Denver é acusado de roubar o Ipad de um colega de escola, ele briga com o dono do Ipad, Makoy, e bate nele Essa briga é gravada em celular e postada no Facebook. Quando John Denver chega em casa, ele vê em sua rede social que está sendo vítima de ataques de linchamentos virtuais. No dia seguinte, ao chegar na ecsola, ele é confrontado por alunos, professores, a mãe do acusado e se vê sme saída, apesar de garantir que não foi o autor do roubo. Sua mãe é a única que o defende. O filme retrata uma realidade de extrema pobreza, e é interessante testemunhar que a internet é um serviço elitizado que poucos têm acesso, tendo que ir para a lan house ( o ano é 2019). O rancor da sociedade, que acusa sem provas, e o linchamento virtual, que provoca tragédia. Ótimo trabalho dos atores e uma direção segura, evitando melodrama e apontando as lentes para um mundo brutal.

The mimic

"Jang-san-beom", de Jung Huh (2017) Escrito e dirigido por Jung Huh, "The mimic é um terror sobrenatural da Coréia do sul. O filme tem como base a lenda urbana do Tigre de Jangsan, uma criatura devoradora de homens que vagueia por Jangsan, uma montanha na cidade de Busan. Ele atrai pessoas emitindo um som que se assemelha ao lamento de uma mulher. A história acompanha uma família em luto. O marido Min-ho (Park Hyuk-kwon), a esposa Hee-yeon (Yum Jung-ah), a mãe de Min-ho, Soon-ja(Huh Jin) e a pequena Jun-he. Há 5 anos atrás, Hee-yeon e sua sogra, que estava com princípio de demência, foram ao supermercado com o filho pequeno. Hee-yeon deixou o filho com a sogra, e quando voltou, percebeu que o filho desapareceu, e desde então, culpa a sogra pelo sumiço. Agora, o casal em crise, decide se mudar para a pacata cidade nas montanhas em busca de um novo começo. Ali foi onde Soon-ja cresceu junto de sua irmã, que também desapareceu. RElatos dizem que diversas pessoas desapareceram na montanha. Um dia, ao caminhar na floresta, Hee-yeon encontra uma menina abandonada, e por coincidência, o nome dela é o mesmo do filho desaparecido. "The mimic" é um bom filme, e tem como ponto forte a excelente atuação de Yum Jung-ah no papel da mãe em luto. A sua cena final é comoente e dá para perceber que a atriz se entregou na emoção. O filme traz alguns sustos, mas é mais uma metáfora sobre culpa e luto.

Jazmin

"Jazmin", de Samot Marquez (2018) Escrito e dirigido por Samot Marquez, "Jazmin" ganhou o prêmio do juri em Armsterdan fim festival. O filme, dividido em 2 atos, busca referências ao cinema de Greg Araki e mais espicificamente , em "Irreversível", de Gaspar Noé, de onde traz a trilha sonora hipnótica e a famosa cena da cabeá esmagada. É bom avisar ao espectador que o filme não é o que o poster aparenta ser. O desavisado achará que é um romance teen: um rapaz, Nicolás (Pablo Legeren), cantor de uma banda de rock com 2 amigos, deseja se mudar para Amsterdan, por achar que a vida não faz mais sentido. Em uma festa, ele conhece Jazmin (Clara Kovacic) , uma jovem que tentou su1c1d10 e que, ao conhecer Nicolas, enconta um novo motivo para manter-se viva. Nessa noite de encontro, ao pear carona com Nicolas para levá-la para casa, ambos são assaltados por um bandido e Jazmin acaba assassinada. Transtornado, nicolas agora busca vingança. O filme traz cenas oníricas e surreais, para trazer ao espectador o transtorno mental de Nicolas, que está em estado paranóico. É um filme que mesmo em seu 1o ato romântico, traz melancolia ao apresnetar 2 jovens sem motivos para manterem-se vivos, mas que ao enfrentaraa morte, encaram a vida de outra forma. Nicolas, que não encontrava motivos para seguir a vida, ficou focado na busca do assassino. Um filme cruel e um retrato sobre doenças mentais e violência urbana.

terça-feira, 4 de agosto de 2026

Gioia

"La gioia", de Nicolangelo Gelormini (2025) Baseado em trágica história real, "La gioia" me deixou angustiado e muito triste em seu desfecho. Inspirado na história real da professora italiana Gloria Rosboch, assassinada por um casal gay (um deles, aluno da escola onde dava aula, se tornou seu amante e exigia dinheiro). A história rendeu a peça teatral "Se non sporca il mio pavimento escrita" e agora adaptada para o cinema por Giuliano Scarpinato e Benedetta Mori. O filme concorreu no Festival de Veneza 2025 e ganhou no Festival Mar del Plata os prêmios de direção e de melhor ator para Saul Nani. A angústia que tive ao assistir ao filme, foi.a mesma quando assisti "À procura de Mr Goodbar" pela 1a vez. O público sabe que vai dar merda, que a protagonista está agindo ingenuamente, acreditando no jovem amante, mas o espectador fica totalmente impassível e sem ação. Eu quase desisti do filme, de tanta raiva. Os pontos positivos: os trabalhos excepcionais do elenco, principamente Valeria Golino, no papel da professora Gioia Montefiori, em excelente composição, e Saul Ninno, no papel de Alessio, o jovem amante e prostituto. Ele tem o rosto parecido com Gael Garcia Bernal quando jovem. A trilha sonora contém clássicos pop dos anos 90: "Modern love", "Blue monday", Reality". Gioia mora com seus pais idosos. Ela dá aula colégio Regina Margherita, em Turim. Gioia nunca teve um relacionamento. Quando ela dá carona ao jovem aluno Alessio, imediatamente ela fica apaixonada e se sente atraída. Alessio mora com sua mãe, caixa de supermercado, que namora o vigarista Cosimo. Cosimo é amnate de Alessio e o obriga a se prostituir para homens e mulheres, se vetsindo de mulher. Quando Alesiso descobre que Gioia tem dinheiro guardado no banco, inventa uma história para que os dois viagem para Monte Carlo.

Vidas entrelaçadas

"Couture", de Alice Winocour (2025) Escrito e dirigido pela cineasta francesa Alice Winocour, "Vidas entrelaçadas" concorreu no Festival de San Sebastian em 2025. O roteiro traz paralelos com as narrativas de Alejandro Inarritu e Robert Altman, com seus famosos filmes mural. Aliás, 'Vidas entrelaçadas" busca inspiração em "Pret a porter", de ALtman, ao se ambientar durante a semana da moda em Paris, um evento bilionário que agira a capital fracesa. O filme traz diversos personagens que se cruzam, todos envolvidos na semana da moda. O elenco é all star: Angelina Jolie, Louis Garrel, Vincent Lindon, Aurore Clement. O que mais me chamou a atenção, é a disponibilidade de Angelina Jolie interpretar uma personagem que é espelho da vida pessoal dela: Maxine é uma cineasta, descobre estar com câncer nas mamas e está em processo doloroso de divórcio, afetando a relação com sua filha. Maxine é convidada por uma famosa grife ( o filme foi rodado na Maison Chanel, e que, pela 1a vez, permitiram filmagem em seu interior). Ela é uma cineasta de filmes de baixo orçamento de terror, com protagonismo feminino. Os organizadores encomendam à ela um curta com modelos como protagonistas. Ada (Anyier Anei) é uma modelo do Sudão, escolhida por Maxine para protagonizar o curta, mas sofre preconceito de suas colegas de quarto. Angele (Ella Rumpf) é a maquiadora ucraniana, envolvida com a guerra em seu país. Christine (Garance Marillier, atriz de "Cru") é uaa costureira pressionada em confeciionar o vestido que abre o desfile. Louis Garrel é Anton, o fotografo do curta de Maxine, com quem discutirá sobre conceitos do filme. E Vincent Lindon é Dr Laurent, que faz o diagnóstico de MAxine e diz que ela precisa faezr cirurgia com urgência. O filme tem bons momentos, mas o roteiro apenas traça os personagens, sem se aprofundar em nenhum. É uma colcha de retalhos, bela por apresentar um evento grandioso, mas vazio como conteúdo. Angelina é a quem tem uma personagem mais definida, e o público confunde a personagem e a atriz em seus dilemas pessoais e de saúde.

Nightborn

"Yön lapsi", de Hanna Bergholm (2026) Co-escrito e dirigido por Hanna Bergholm, "Nightborn" é uma milésima variação de "O bebê de Rosemary". Quantos filmes de terror apresentam um bebê recém nascido de forma monstruosa? Já até perdi as contas. E fora o seu original, de Roman Polansky, os outros filmes não chegaram ao nível de qualidade e criatividade. E "Nightborn" vai pelo mesmo caminho do genérico, em uma trama arrastada e óbvia. O que mais me chamou atenção no filme, nem foi o roteiro, e sim, a participação de Rupert Grint no elenco. O Rony Weasley de "Harry Potter" se une a Daniel Redcliff como os únicos atores pirncipais da franquia do bruxo que não conseguiram se destacar em nenhum outro filme. Todas as tentativas de Grint fracassaram, o que é uma pena. "Nightborn" pega carona nos sub-gêneros do Folk horror e Eco- horror. Filmes onde. anatureza se volta contra a humanidade, dessa vez, usando a mitologia dos Trolls, seres que habitam a floresta. Saga (Seidi Haarla) e Jon (Rupert Grint) são um jovem casal que saem de Londres e se mudam para a casa da família de Saga, na floresta finlandesa. A casa está decadente e tomada pela natureza. Eles fazem s3x0 debaixo de uma árvore misteriosa. O bebê nasce, mas estranhamente, ele é peludo e gosta de se alimentar de sangue. Saga acredita que algo de estranho acontece com o bebê, mas tanto sua mãe, quanto Jon a ignoram em seus alertas. Eu tenho pavor desses filmes de terror onde marido e familiares desmentem e desacreditam a personagem feminina, me irrita demais, e só desejo que todos morram no filme. Alguns momentos, que eram para ser tensos, acabam ficando risíveis, como o nascimento do bebê e a briga pelo ketchup.

segunda-feira, 3 de agosto de 2026

TraslaSierra

"TraslaSierra", de Juan Sasiaín (2019) Escrito, dirigido e protagonizado por Juan Sasiaín, "Traslasierra" é um drama minimalista filmado na província de Córdoba. A idéia para o filme veio quando o cineasta decidiu estudar e aprender o teatro de marionetes, e visitou a casa do titerista Rufino Martínez, em Traslasierra, onde mantinha um teatro com sua esposa. Rufino interpreta o pai de Martin (Sasiaín). Martin e sua namorada venezuelana (Ananda Troconis) trabalham de forma itinerante e nômade o teatro de marionetes, que Martin aprendeu com seu pai. O jovem casal, em crise no relacionamento, vai visitar o pai de Martin em TraslaSierra. Enquanto ajuda o pai nas apresnetações do teatro de marionetes na praça, Martin revê Coqui (Guadalupe Docampo), sua amiga de juventude e com quem já namorou. Coqui tem uma filha de 10 anos, e Martin suspeita ser sua filha. A namorada de Martin passa a sentir ciúmes da aproximação dele com Coqui. Juan Sasiaín decidiu rodar o filme no período de outono, quando a luz se torna mais bela. Rufino Martínez faleceu em 2013, mesmo ano em que o filme foi rodado. É um drama intimista, de ritmo lento, que apresenta em jovem personagem em busca de amadurecimento pessoal. A cena da conversa do pai e filho na beira do lago é comovente e poética.