domingo, 11 de outubro de 2020

Viver de cantar


"Huo Zhe chang zhe", de Jonnhy Ma (2019)
Emocionante drama que concorreu em Cannes, na Mostra Quinzena dos realizadores, e vencedor de diversos prêmios em outros Festivais. Escrito e dirigido pelo estreante Jonnhy Ma, o filme é baseado em uma história real: em Chengdu, capital de Shandung, uma trupe de ópera chinesa se apresenta em um bairro pobre. A diretora da trupe, Zhao Li (Zhao Xiaoli) é uma destemida guerreira que procura unir o grupo, apesar das dificuldades financeiras e do pouco interesse do público: somente idosos assistem aos espetáculos. Quando Zha recebe uma carta de despejo da prefeitura, que quer derrubar a casa aonde eles moram e se apresentam, Zhao esconde a história de todos.
O filme fala de diversos temas, todos perfeitamente orgânicos: arte, cultura, resistência, conflito de gerações, gentrificação, descaso do governo com as artes. E no meio disso tudo, o filme ainda encontra espaço para dramas familiares, na relação entre Zhao e sua sobrinha, Dan Dan (Dan Gidhan), a única jovem do grupo e que deseja alçar vôos ambiciosos fora dali.
Com um belíssimo trabalho de fotografia e de edição, o filme apresenta um time excelente de atores ( liderados pelas duas atrizes acima citadas, maravilhosas) e de uma figuração repleta de brilho no olhar. Uma maravilha, um filme contundente que fará os amantes da arte se derramarem em lágrimas. A cena final é de se aplaudir de pé.

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