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domingo, 6 de setembro de 2026
Ponto sem retorno
"The dog star", de Ridley Scott (2026)
Um grande fracasso de crítica e bilheteria, "Ponto sem retorno" acompanha uma tragetória de grandes fracassos de Ridley Scott nos anos 2000: "O último duelo", "Casa Gucci", "Napoleão" e "Gladiador 2". Adaptado do romance escrto por Peter Heller em 2012, o filme foi rodado na Itália em externas e no famoso estúdio de Cinecittá. O talk of the town foi que Paul Mescal, protagonista de "Gladiador 2" e que seria o protagonista em "Ponto sme retorno", foi dispensado por Ridley que o considerou "pouco masculino". O filme teve orçamento por volta de 70 milhões de dólares, e arrecadou pouco mais de 232 milhões. Com um grande elenco de estrelas, formado por Jacob Elordi, Josh Brolin, Margareth Qualley, Guy Pearce, Benedict Wong e Allison Janney, "Ponto sem retorno" é um filme pós apocalíptico mega genérico e arrastado. Durante 1/3 do filme, parecia que eu estava assistindo a "Eu sou a lenda", com Will Smith e seu cachorro. Mas pelo menos ali, haviam zumbis para se divertir. Aqui, naquela máxima que o ser humano é o seu pior inimigo, encontramos sobreviventes que tanto podem ser canibais, quando grupos violentos a fim de uma bagunça.
O ano é 2032, e a maior parte da população morreu de epidemia de gripe. Hig (Elordi) se tornou viúvo após sua esposa morrer. Ele mora com seu cachorro, Jasper, e um fuzileiro, o bronco Bangley (Josh Brolin). Após um ataque, onde seu cachorro é morto, Hig decide pegar seu avião e seguir ate Grande Junction, onde recebeu chamados de rádio. Chegando la, ele conhece pai e filha, Cima (Margaret Qualley) e Pops (Guy Pearce). Ao chegarem em um aeroporto destaivado, eles encontram sobreviventes, liderados por uma ex-comissária (Janney), que na verdade, são canibais.
O filme não é bom. Personagens sem carisma, roteiro sem identidade própria, atores no automático. Logo no início, quando so personagens de Hig e Bengley tomam Coca Cola KS, pensei que o filme não teria solução, com essa inserção de product placement mega forçada.
sexta-feira, 4 de setembro de 2026
Coyote Vs Acme
"Coyote Vs Acme", de Dave Green (2026)
Fico admirado como os produtores e roteiristas da animação "Coyote vs Acme" foram corajosos em lançar um filme que pensa mais nos adultos nostálgicos do que nas crianças. O filme tem uma trama complexa, 1/e dele acontece em tribunal, com muitos diálogos e um ritmo que alterna entre as tradicionais sequências de perseguições malfadadas do Coyote contra o papa léguas e muita verborragia no tribunal.
Mas o fato mais contundente aconteceu ainda nos bastidores: A Warner Bros Discovery, detentora ds direitos, não gostou do resultado, após reações negativas do público, e decidiu engavetar a animação em 2023, para obter dedução fiscal. Tempos depois, permitiu que os donos do projeto o oferecessem a outras distribuidoras. Após muitas recusas, a Ketchup Entertainment adquiriu os direitos por US$ 50 milhões em março de 2025. Mesmo com críticas elogiosas, o filme fechou com 27 milhões de dólares de arrecadação mundial.
Eu, confesso, sempre fui fã do Coyote, e odiava o Papa Léguas. Sempre torcia pro Coyoto comer a ave gigante. Mas a resiliência e a obstinação do Coyote acabaram sendo a grande mensagem dos desenhos antigos. O coitado do Coyote sofria demais. A idéia de "Coyote Vs Acme" veio de James Gunn, que na época, levou um matéria da The New York Times escrita por Ian Frazier em 1992: e se o Coyote decidisse processar. Acme, por vender produtos defeituosos? Pois essa é exatamente a premissa do filme. Após um clip com todos os produtos da Acme falhando ao capturar o Papa Léguas, o Coyote decide contratar um advogado para processar a empresa.Todos os personagens famosos da Looney tunes surgem em maiores ou menores participações: Pernalonga, Patolino, Hortelino, Frangolino, Piu Piu, Gaguinho, entre outros. O filme é divertido, mas nvamente, para quem cresceu assistindo aos desenhos. Para a garotada nova, pode ser um tiro na culatra, pela falta de identificação e pela verborragia.
segunda-feira, 31 de agosto de 2026
Marsupilami
"Marsupilami", de Philippe Lacheau (2025)
Um enorme sucesso de bilheteria na França com 6 milhões de espectadores, "Marsupilami" é uma comédia de aventuras familiar dirigida por Philippe Lacheau, na linha de "ET, o extraterrestre", que inclusive é homenageado no filme com a famosa cena da bicicleta voadora e na trilha sonora que em muitos momentos, remete à icônica trilha de John Willians. O filme é a 2a adaptação para os cinemas dos quandrinhos Marsupilami, um personagem de quadrinhos franco-belga criado por André Franquin em 1952. Filmado na Tailândia, "Marsupilami" é a essência do filme família: bichinho fofo, criança como um dos protagonistas, ação, vilões atrapalhados, heróis carismáticos e muita bobeira e ingenuidade para que a criançada pequena possa entender e se divertir. A históri é bem batida e bastante óbvia e previsivel.
Para salvar seu emprego após uma gafe, David Ticoule concorda em trazer um pacote misterioso da América do Sul para seu chefe, Jeffrey Malone. Ele se vê em um cruzeiro com sua ex-esposa Tess e o filho Leo, de 8 anos, que sofre com a separação dos pais. Entre a entrega do pacote e o início do cruzeiro, a equipe encontra Ricky Salsa, um ex-membro de uma boy band que se tornou um cantor solo decadente, e se vê seguido por Pablito Camaron, que parece determinado a ficar com o pacote para si. Tudo sai do controle quando se revela o conteúdo da caixa: um marsupilami bebê.
O filme tem um ritmo arrastado para um filme de aventura, e as piadas são bobas demais. Mas como fez muito sucesso de bilheteria, talvez o apelo seja o personagem do Marsupial, que é um icone na França e Bélgica, assim como é Tintin.
quinta-feira, 27 de agosto de 2026
The odissey
"The Odissey", de Marcel Walz (2026)
Eu fico impressionado com a rapidez com que a produtora indie americana The Asylum consegue realizar e lançar filmes pegando carona em mega blockbusters, além da enorme cara de pau de pegar caona em nomes e títulos. Segundo a Wikipedia, "The asylum é uma produtora e distribuidora americana famosa por criar filmes de baixo orçamento conhecidos como mockbusters — imitações de grandes produções de Hollywood lançadas com nomes e capas parecidos para confundir o público." Seu maior sucesso é "Sharknado", que se tornou viral.
A bola da vez é "A odisséia", de Christopher Nolan. A versão da Asylum foi rodada em 12 dias, em West Virginia. O filme como um todo foi gerado em Ai: os cenários, monstros, embarcações, mar, tudo. Apenas os atores e uma locação 1a beira de um lago são reais. A história pega carona em quase todo o roteiro de Nolan, deixando de fora a Bruxa de Samantha Morton, mas todo o restante está ali: Ataque à Troia, as sereias, a tempestade e redemoinho, o monstro de oito cabeças, o Cíclopes...aqui ainda acrescentam a Deusa Atena. A ninfa de Charlize Theron também não existe aqui, nem a ilha dos mortos. O desfecho foi alterado, com o Cíclopes retornando à Itaca.
Obviamente tudo é trash e tosco, e claro, motivo de muitas gargalhadas. O excesso de diálogos estraga a brincadeira e torna o filme mais arrastado do que deveria ser, pela proposta zoada dele.
quarta-feira, 26 de agosto de 2026
Chocolate
"Chocolate", de Prachya Pinkaew (2008)
O cineasta Quentin Tarantino classificou o thriller de ação tailandês "Chocolate" em 17o lugar na sua lista dos 20 filmes favoritos do século 21, elogiando as suas sequências de luta. O diretor Prachya Pinkaew é o mesmo da franquia de sucesso "Ong bank". Novamente, as lutas marciais são focadas no Muai Thay. A protagonista é a jovem JeeJa Yanin, campeã de Thai kwen Do aos 14 anos e que levou 4 anos treinando Muai Thay para fazer a personagem. "Chocolate" foi um grande sucesso de crítica e bilheteria. Existem pelo menos 3 sequências que já valem todo o filme: a quadrilha de assassina strans; a luta entre Zen, uma jovem autista contra um lutador portador de síndrome de tourette e a batalha final, entre lajes e muretas.
Zin (Ammara Siripong) é amante de um mafioso tailandês, No 8 (Pongpat Wachirabunjong). Ela é uma asassina que cobra dívidas para No 8. Mas ela acaba se apaixonando pelo Yakuza Masashi (Hiroshi Abe). Os dois vivem felizes até que o nº 8 os separa à força por meio de ameaças, enviando Misashi de volta ao Japão e interrompendo toda a comunicação entre eles. Zin, ao perceber que está grávida, muda-se para um apartamento e cria sua filha. Zen, nasce autista e de tanto assistir a filmes e séries de ação, acaba aprendendo a lutar. Zin adota um garot, Moon, que se torna amigo de Zen e a ajuda a treinar. Quando Zind escobre estar com câncer, sua filha e Moon decidem cobrar dívidas antigas de credores para poder conseguir dinheiro e custear as despesas com hospital. No 8 descobre e decide eliminar a todos.
O filme é uma grande diversão, com um roteiro melodramático com cenas tocantes, e muitas lutas inverossímeis e por isso mesmo, geniais. A ariz que interpreta Zen e seu amigo Moon são muito carismáticos. O vilão No 8 é o supra sumo da maldade, uma caricatura odiosa e bem defendida por Pongpat Wachirabunjong
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segunda-feira, 24 de agosto de 2026
Rio de sangue
"Rio de sangue", de Gustavo Bonafé (2026)
Thriller de ação com temas que falam ao Brasil da violência, do desmatamento, dos grileiros, do machismo e feminicídio, da corrupção e do extremínio dos povos indígenas. "Rio de sangue" abraça diversos sub-plots e são muitos os personagens que surgem ao longo da tela. O elenco all star se equilibra com novos talentos: Giovanna Antonelli, Alice Wegmann, Antonio Calloni, Felipe Simas Sergio Menezes, Ravel Andrade, Vinicius de Oliveira e Rui Ricardo Diaz abrem espaço para o ator indígena Fidelis Baniwa, no papel do narrador do filme, Mario.
O filme traz referências de filmes de ação americanos, onde uma mãe policial precisa ir atrás de sua filha sequestrada. Em São Paulo, pós uma ação desastrada que resulta em morte, a policial Patrícia (Antonelli) é jurada de morte. Ela é enviada paa o Pará, para passar um tempo com sua filha, Luiza (Wegmann), com quem acabou se distanciando, por conta do trabalho. Luíza é médica e presta serviço, junto d euma equipe, para aldeias indígenas. Garimpeiros liderados por Polaco (Calloni) e seus filhos, Jadson (Andrade) e Baleado (Simas) sequestram Luiza, após uma chacina na aldeia. Patricia precisa descobrir o paadeiro de Luiza e salvá-la.
O filme traz boas cenas de ação, uma fotografia que favorece as diversas cores da Amazônia e uma edição frenética. Aqui, a história não tem erro: são as mocinhas e mocinhos lutando contra os vilões, que são muito maus. No final, o personagem de Mario costura todas as histórias, trazendo uma reflexão sobre o mundo em que vivemos.
domingo, 23 de agosto de 2026
Bagarre
"Bagarre", de Julien Hollande (2026)
Comédia de ação francesa, co-escrita e dirigida por Julien Hollande. O filme traz uma premissa bem maluca, e as cenas de ação e a própria narrativa se permitem trazer momentos surreais, assim como eram os filmes de Jerry Zucker, de "Corra que a polícia vem aí", com a diferença que aqui, as cenas são violentas, mas dentro de um universo que remete aos violentos cartoons infantis, tipo "Pernalonga".
Naim (Nassim Lyes) trabalha como garçon em um hotel 5 estrelas e ao chegar em casa, é expulso por sua namorada, que o larga na rua, junto de seu pequeno cachorro, Chipie. Naim é uma pessoa boa e altruísta, mas quando seu cachorro fica doente, ele não tem como pagar o tratamento. Durante uma briga com um cliente do hotel, Naim acaba se convencendo a fazer parte de um serviço de app chamado "Helo brawl", onde lutadores são contratados para reoslver problemas através de luta. Dessa forma, Naim poderá juntar dinheiro e custear o tratamento de Chipie. Mas após diversas lutas, Naim vai entendendo que a melhor forma de resolver as brigas, é através de uma boa conversa, o que contraria o dono do app.
O filme tem ótimas cenas de porradaria, permeadas por violência e humor, com lutas coreografadas no estilo de "John Wick", só que sem uso de armas de fogo. O ator Nassim Lyes traz carisma ao seu personagem.
sábado, 15 de agosto de 2026
O fim da rua
"The end of Oak street, de David Robert Mitchell (2026)
Escrito e dirigido por David Robert Mitchell, diretor do clássico cult "A corrente do mal", "O fim da rua" escapa de ser um filme genérico de dinossauros, um tema já desgastado pela franquia do "Jurassic park", ao retratar temas contemporâneos, como masculinidade fragilizada e relacionamentos desgastados em casais de meia idade. O filme também traz Ewan Macgregor de volta aos blockbusters, depois da longínqua saga de 'Star wars", onde interpretou Obi Wan Kenobi.
O filme de passa em 1982, e um bairro de subúrbio chamado Oak street. Ali mora a família Platt: Denise (Anne Hathaway), uma aspirante à escritora; Greg (Ewan Macgregor), desempregado e trabalhando como entregaor de pizza, sem revelar o fato para sua família; e os filhos adolescentes Audrey (Maisey Stella) e Brian (Christian Convery). O casal está em crise e Denise pensa em se divorciar. Porém, uma noite, durante uma tempestade, uma luz branca irrompe na região e no dia seguinte, o bairro inteiro foi transportado para a era pré-histórica, tendo que sobreviver a ataques de dinossauros.
Os bichanos demoram a aparecer, lá depois de meia hora de filme. é a oportunidade de se aprofundar nos dramas de cada integrante da família. Mas quem eu torci para não morrer de jeito nenhum, é o cachorro Starbucks, o salvador da pátria. E do roteiro, a deixa de que Greg é entregador de pizza, entrega um final emocionante. Um filme que se passar algum dia na sessão da tarde, virá co cortes nos momentos de carnificina, que são poucos, mas que podem assustar a criançada.
sexta-feira, 14 de agosto de 2026
O grande mestre beberrão
"Da zui xia", de King Hu (1966)
Co-escrito e dirigido por King Hu, "O grande mestre beberrão" é um clássico do Ge6enro wuxia de 1968, e que ajudou a popularizar o gênero no mundo. O filme foi selecionado como o representante de Hong Kong na categoria de Melhor Filme Estrangeiro na 39ª edição do Oscar. É também incluído na lista dos "1001 Filmes Que Você Deve Ver Antes de Morrer", editada por Steven Schneider. Muitos críticos afirmam que o filme inspirou "O tigre e o dragao", de Ang Lee, e Kill Bill", de Tarantino, pelo protagonismo feminino e as espetaculares cenas de ação, envolvendo efeitos práticos e coreografia.
Quando o filho do governador é sequestrado pelo bandido Tigre de Jade, sua irmã, conhecida como Andorinha dourada, é enviada para resgatá-lo. Ela luta contra os capangas de Tigre de jade, até ser ferida. Ela é salva por um mendigo chamado Gato bêbado, e que ela vai decsobrir, se trata de um mestre Shaolin, Fan da Pei, que quer se vingar da morte de seu Mestre, morto pelo grupo do Tigre de jade.
O filme une ação, aventura e bastante humor. Os personagens são bem esquemáticos: os bons e os maus, para ninguém ter dúvidas. Tem cenas absolutamente divertidas e brilhantes, ainda que bizarras, como os jatos de vento que saem das mãos dos mestres, quase que como super heróis.
segunda-feira, 10 de agosto de 2026
Have a nice day
"Hao jile", de Jian Liu (2017)
Escrito e dirigido por Jian Liu, "Have a nice day" foi considerado por críticos como "O Pulp fiction da animação chinesa". O filme concorreu ao Urso de ouro no Festival de Berlim em 2017 e no Annecy. Uma homenagem ao cinema noir, o filme traz uma trama repleta de personagens, com histórias que se cruzam através de um roubo. Toda a narrativa acontece em um único dia chuvoso, em uma cidade ao sul da China.
Um jovem motorista, Xiao Zhang, trabalha para um chefão mafioso, Uncle Liu. Ele rouba uma maleta contendo 1 milhão de ienes para bancar uma cirurgia plástica na Coréia do sul para a sua namorada. Uncle Liu coloca diversos assassinos em seu encalço. Outros personagens fica sabendo do roubo e também decidem ir atrás do dinheiro, culminando em um hotel decadente.
Impossível não lembrar, além de Tarantino, dos filmes dos irmãos Coen. Os personagens são cínicos, ambiciosos. A edição do filme traz agilidade à uma trama às vezes confusa, pelo excesso d epersonagens. Mas os traços, a fotografia, a trilha, toda a parte técnica contribui para dar charme e atmosfera à uma excelente animação policial e noir.
segunda-feira, 3 de agosto de 2026
Hunt the wicked
"Ji e", de Suiqiang Huo (2024)
Thriller de ação policial chinês, "Hunt the wicked" se passa em uma cidade fictícia, Wusuli, onde se fala mandarim e inglês ( na China, não é peritido produzir filmes que tratem de temas como tráfico de drogas). O policial Huang Minjin (Tse Miu) se vangloria de ter eliminado os traficantes da cidade. Mas ele ignora que o candidato à prefeito, Song Pa (Andrew Lien) é o novo chefão das drogas, conhecido como Rei Long. Huang conta com a ajuda inesperada do ex-soldado Wei Yunzhou (Andy On) e sua esposa, Na Mei (Hong Suang) , para combater o prefeito.
O filme tem uma trama um pouco confusa e muitos personagens. Mas as cenas de ação, eletrizantes, funcionam bem e seguram a atenção do espectador. O que prejudica o filme e sua qualidade são os efeitos de CGI, amadores e mal feitos.
domingo, 2 de agosto de 2026
Assassination: 1932
"Assassination: 1932", de Jiuqin Zhou (2025)
Um ótimo filme de ação e espionagem chinês, "Assassination 1932" me fez lembrar muito do excelente filme de Ang Lee, "Desejo e perigo". Ambos os filmes retratam a luta da resistência chinesa contra a ocupação japonesa na China, mais precisamente, em Shanghai. O que os diferencia é o período: enquanto o filme de Ang Lee se passa durante a 2a guerra, entre 38 e 45, "Assassination 1932", conforme o título diz, se passa no ano em que o Japão defende a invasão na China. Para isso, o Japão envia estrategistas japoneses para Shanghai. Para combatê-los, um líder da resistência chinesa, Zhang Mubai, se une contra a sua vontade com o gangster Jin Yuanbao, para armarem um plano para assassinar o General Kurosawa e seus asseclas.
O filme é repleto de cenas de ação mirabolantes e os vilões são exatamente isso, malvados ao extremo: matam e tortura sme piedade, homens e mulheres. Tem ritmo dinâmico e empolgante, com eróis que o público irá torcer. O que não funciona são os efeitos de CGI, mal acabados e amadores.
quinta-feira, 30 de julho de 2026
The butcher's blade
"Shou zhe tian", de Liu Wengpu (2026)
Filme de ação wuxia, repleto de incríveis cenas de lutas de artes marcais ( daqueles onde os personagens voam, escalam casas, dão saltos acrobáticos) ambientado no período da Dinastia SOng, que vai de 960 a 1279. O filme começa com cartelas anunciando que as penas criminais nessa época eram bastante severas, a mmaioria culimando com torturas e mortes.
Xue Buyi (Liu Fengchao) é um policial que integra o esquadrão de elite chamado de 'Quartel da águia", com policiais altamente treinados pelo chefe e mestre Huang Shining. Quando acontece um roubo de preta, metal destinado ao uso do governo, Xue e o esquadrão são designados para descobrir os criminosos. Mas quando xue descobre que o verdadeiro criminoso é seu mestre Shining, ele é atacado e fica abandonado à morte. Mas ele consegue se recuperar e agora deseja se vingar.
Para quem adora filmes wuxia, esse filme oferece cenas de ação espetaculares ( nos créditos finais, o filme apresenta making of com os ensaios do elenco em estúdio).
A boca do diabo
"The devil's mouth", de Jeff Wadlow (2026)
Quando você pensa que darão sossego em filmes de tubarão, surgem mais uns 4 filmes, pelo menos. De toda a fauna animal, o tubarão é certamente a grande estrela, uma verdadeira obsessão dos produtores e roteiristas. E nós, pobres espectadores, viciados nesses predadores do mar, não perdemos nenhum, seja filme trash estilo "Sharknado" ou mais assustadores e realistas, tipo "Águas rasas" ou "Mar aberto".
"A boca do diabo" fica entre essas 2 classificações. Não é um trash. Mas seu roteiro é tão irritante, óbvio e descaradamente sem criatividade que fica difícil defender.
Cinco amigos americanos que estão para se formar na faculdade viajam até Krabi, na Tailândia, para passarem suas férias juntos. Sara (Kathryn Newton), Max (Lana Condor), James (Nico Hiraga), Greg (Gavin Casalegno) e Adrienne (Tommi Rose) são amigos de longa data. Sara e Max são próximas: quando o pai de Sara morreu na Tailândia, durante uma expedição na caverna Boca do diabo, foi Max quem ficou do seu lado, durante seu luto. Agora, o grupo deseja conheer a Boca do diabo. Eles alugam um barco com o guia local, Wat (Tayme Thapthimthong). Apesar dos avisos de Wat para não adentrarem tão a fundo as cavernas, Max insiste. O grupo só não poderia imaginar que um enorme tubarão, que ficou preso nas carevnas, fosse atacá-los.
O que me deixou extremamente irritado no filme, é a construção da personagem de Max. A atriz vietanamita Lana Condor, famosa pela trilogia de sucesso romântica da Netflix "Por todos os garotos que amei", interpreta uma personagem tóxica, muito diferente de sua protagonista romântica. O problema é que a personagem é tão irritante, tão sem humanidade, que fica difícil torcer por ela, e obviamente, todo espectador irá que ela seja uma das primeiras e servir de refeição. Para piorar, o filme é muito escuro, e mal dá para enxergar os ataques do peixão.
Homem aranha- Um novo dia
"Spider man- a brand new day", de Destin Daniel Cretton (2026)
Essa 4a aventura do “Homem aranha” com Tom Holland está sendo aclamada como a melhor do ator, e é verdade. O roteiro traz elementos que os outros não tinham, que é a emoção ( com exceção do anterior que reuniu novamente Tobey Maguire e Andrew Garfield na festejada cena do reencontro). O 3o final de “Um novo dia” é carregada de melancolia: a perda de entes queridos e como que pode se seguir a vida adiante carregando o fardo do luto e da culpa. Outros elementos que eu adorei: não ter mais nada do multiverso, que eu particularmente odiava. O filme agora se concentra no drama dos personagens em suas vidas reais, na cidade de Nova York. Que aliás, é a grande homenageada do filme: além de muitas cenas rodadas em externa, os créditos finais trazem imagens lindas e poéticas da cidade, com seus moradores. É lindo.
A história traz Peter Parker em uma enorme tristeza por não poder revelar a MJ (Zendaya) e Red , seu melhor amigo, quem ele é. No último filme, eles tiveram suas memórias sobre a sua relação com Peter apagadas, e não o conhecem. Fora isso, surge uma grande vilã ( a a revelação da personagem no filme provocou a quebra de contrato com o cantor Steve Lacy quando o relevou sem querer durante uma coletiva de imprensa, sendo considerado spoiler) que tem o poder de controlar a mente das pessoas. A história traz personagens Marvel que irão ajudar, ou atrapalhar, o Homem Aranha em sua tentativa de prender a vilã: Hulk, Viúva negra e o Justiceiro, em grandes e divertidas participações de Mark Ruffalo, Florence Pugh e John Berthal. A curiosidade fica para a escalação de Sadie Sink, que está excelente na personagem: nada me tira da cabeça que o motivo dela ser escalada foi a sua participação em ‘Stranger things”, principalmente no episódio em que ela foi controlada mentalmente pelo Vectra. Aqui, ela faz a mesma personagem de Eleven.
Tom Holland, ao contrário das enormes críticas ao seu papel em ‘A odisséia”, traz carisma e dessa vez também, sensualidade ao seu personagem que o alçou ao posto de grande celebridade em Hollywood. A cena final de “Um novo dia” certamente irá trazer lágrimas para muitos marmanjos.
terça-feira, 28 de julho de 2026
Twilight of the Warriors: Walled In
"Jiu Long cheng zhai: Wei cheng", de Soi Cheang (2024)
Adaptação da graphic novel "City of darkness", "Twilight of the Warriors: Walled In" é um filme obrigatório para quem é fã dos clássicos "Fuga de Nova York", "The warriors" , ambos dos anos 80, e dos filmes wuxia, como o recente "The fury". O filme alia um ótimo roteiro com artes marcais e porradaria do jeito que os chineses fazem muito bem. O filme foi a 2a maior bilheteria do ano de 2024 na China, e segundo li, vai dar origem à uma franquia.
O filme é ambientado em Hong Kong nos anos 80, antes de ser anexada à China, ainda sob o controle do Reino Unido. Chan Lok Kwan (Raymond Lam) é um imigrante em Hong Kong que deseja ter uma identidade para legalizar a sua situação. Ao participar de uma luta ilegal, ele ganha dinheiro para comprar a ID. Mas ele é enganado pelo mafioso Mr Big e rouba um saco de dinheiro. OS capangas correm atrás dele, mas Chan Lok Kwan (Raymond Lam) entra na Cidade murada de Kowloon: uma cidade decadente, governada por gangues em oposição a Mr Big, que não pode entrar ali. Chan Lok Kwan (Raymond Lam) descobre que o saco que roubou contém drogas. Ao tentar vender, ele apanha dos capangas de Cyclone, o chefe da gangue local. Logo Chan Lok Kwan (Raymond Lam) é integrado ao grupo, quando Cyclone observa nele habilidades de luta. Chan Lok Kwan (Raymond Lam) integra a gangue junto de Shin, Av e 12o mestre. mas Mr Big decide invadir a cidade e matar Chan Lok Kwan (Raymond Lam).
O filme e livremente inspirado em fatos reais: Kowloon era um bairro decadente onde o govenro enviava traficantes, prostituras, imigrantes. Ele foi derrubado em 1993.
O filme tem ótimas cenas de ação, empolgantes e personagens que o público fica torcendo contra e a favor. Todo o visual dos anos 80 certamente deve ter sido inspirado nos filmes que citei acima, principalmente o visual das gangues. Imperdível.
Zombie Ass: Toilet of the Dead
"Zonbi asu", de Noboru Iguchi (2011)
Co-escrito e dirigido por Noboru Iguchi, "Zombie ass" é dos filmes mais trash e toosqueiras que já assisti. Para quem conhece a produtora americana Troma, especializada em filmes trash, certamente irá se familiarizar e adorar esse filme japonês. Quem não estiver nessa vibe de curtir filmes nojentos, escatológicos e bizarros, melhor nem assistir.
O filme apresenta um grupo de 5 amigos que decidem passear em uma vila isolada na floresta. Eles querem que Megumi, uma estudante colegial, espaireça. Sua irmã se su1c1d0u recentemente, vítima de bullying, e Megumi se sente culpada. Aya seu namorado drogado Takê, a modelo Maki e o nerd Naoi acompanham Megumi. Quando Maki pesca no rio, ela fisga um peixe, e ao cortá-lo, encontra um parasita dentro dele. Ela decide devorar o parasita, acreditando que ele a fará ficar agora e assim, fazer sucesso nas passarelas. Ela passa mal e ao correr até um banheiro de uma casa abandonada, ela defeca. As fezes se transformam em zumbis feitos de merda e passam a atacar o grupo.
O que vem a seguir é algo que não dá para contar, para não estregar a surpresa. É tudo tão doido, tosco, hiperbólico. O filme faria sucesso em qualquer sessão de midnight movies, para um público específico. Mas é difícil absorvê-lo. É nojento, absurdamente ousado.
sexta-feira, 24 de julho de 2026
Alice
"Neco z Alenky", de Jan Švankmajer (1988)
Vencedor do prêmio do juri no Festival de Annecy 1989, 'Alice" é uma versão surrealista da obra de Lewis Carrol realizada pelo cineasta tcheco Jan Švankmajer. Segundo o próprio cineasta, ele sempre foi fã da obra, mas estava insatisfeito com as versões feitas até então ( o filme é de 1988), que seguieam um tom mais infantil e de conto de fadas, de acordo com Jan.
O filme mistura atores com bonecos em stop motion. A pequena Kristýna Kohoutová interpreta Alice, a única atriz do filme. Todo o restante é composto por animação em stop motion. Jan adapta a história com algumas liberdades criativas, como por exemplo, Alice segue o coelho branco e emabos entram em uma gaveta de uma estante, transportando-os para o mundo das maravilhas. O tom é sombrio, quase de pesadelo, com uma fotografia mais assustadora e uma trilha que dá a atmosfera lúgubre.
Zona zero
"Gunche", de Yeon Sang-ho (2026)
Exibido no Festival de Cannes 2026 na Mostra midnight screening, "Zona zero" é co-escrito e dirigido por Yeon Sang-ho, mesmo cineasta do clássico doz zumbis sul coreano "Invasão zumbi", que trouxe um novo olhar sobre a forma em que os zumbis são apresentados. Com "Zona zero", eon me fez lembrar de um filme esquecido do mestre dos zumbis George Romero: em 2005, ele lançou "Terra dos mortos", com John Leguizamo, Dennos Hopper e Asia ARgento lutando contra zumbis evoluídos intelectualmente, seres que agora raciocinam e trabalham em grupo, sob o comando de um líder. Pois essa é a mesma premissa de "Zona zero". Ambientado quase todo em um shopping center ( e de novo, trazendo outra referência de George Romero, "Madrugada dos mortos", que também acontece todo em um shopping), "Zona zero" começa com uma conferência biotecnolígica que ocorre no prédio. Suh Young-chul, um cientista desprezado pela comunidade científica, quer se vingar e para isso, injeta nele próprio um vírus que ele criou. Esse virus possibilita que ele, como hospedeiro 1, fique imune a se tornar um zumbi. Ao injetar o vírus em um cientista concorrente e que roubou a sua pesquisa, o caos se instala no shopping, com todos os infectados se transformando em zumbis. Só que como uma colônia de formigas, Suh consegue se comunicar mentalmente com todos e ordenar o que eles devem fazer.Os sobreviventes precisam lutar pela vida e tentar prender Suh, para extrair dele a vacina que cure a todos.
O filme, assim como "Invasão zumbi", é concentrado em um espaço, o que torna o suspense e a ação mais claustrofóbicos. No resultado final, achei menos divertido e criativo que o filme anterior. Os personagens não são tão carismáticos quando em "Invasão zumbi". Aguns personagens são irritantes na sua decisão. MAs vale pelos efeitos e pelo otimo trabalho dos zumbis interpretados pelo elenco.
terça-feira, 21 de julho de 2026
Hen
"Kota", de György Pálfi (2025)
Um trunfo de direção, "Hen" é um filme que apresenta o ponto de vista de uma galinha sobre o trágico e cruel mundo que a rodeia. O espectador acompanha diversos infortúnios da ave, desde fugir de ser morta pelo fazendeiro, depois sendo persgeuida por uma raposa, um cachorro de caça, umm gavião e outros perigos. Me lembrei d eimediato da obra-prima de Robert Bresson, "Baltazar", e de "Eo", de Jerry Skolimowski, que mostram a perspectiva de um pobre jumento, e também de "Cow", de Andrea Arnold. Todos esses filmes que deixaram arrasado no final. Tem crítico que o comparou à premiada animação "Flow", e faz total sentido, obviamente sme a parte fantasiosa. É a epopéia de uma galinha lutando pela sua vida, e no caminho, cruzando com manifestantes que protestam contra o governo, mafiosos e fazendeiros.
Co-esrito e dirigido por György Pálfi, "Hen" é uma co-producao da Alemanha, Grécia e Hungria. Para o filme, foram utilizadas 8 galinhas, cada uma para uma especialidade de ação. O diretor jura que nãofoi usado nenhum CGI. Existe uma cena em particular, onde. agalinha precisa atravessar uma auto-estrada para fugir da raposa, que tenho minhas dúvidas sobre não ter sido usado CGI. É uma cena priorosa. ALiás, tecnicamente, todo o filme é um primor. Não bastasse, a fotografia exuberante de Giorgos Karvelas dá um tom poético à essa fábula.
Merecidamente, o filme levou menção honrosa em Toronto e concorreu em San Sebastian.
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