quarta-feira, 2 de setembro de 2026
Cu Lí never cries
"Cu Li không bao gio khóc", de Pham Ngoc Lan (2024)
Co-escrito e dirigido por Pham Ngoc Lan, "Cu Lí never cries" é um drama vietnamita que ganhou o prêmio de diretor estreante no Festival de Berlim 2024. O filme é rodado em preto e braco e apresenta um Vietnã desolador, através da história de 2 mulheres de gerações distintas.
Nguyen (Minh Chau) é uma aposentada que retorna para a sua casa em Hanói, após buscar as cinzas de seu marido que ela conheceu na Alemanha oriental, na época que ambos os países eram regidos pelo governo comunista. Além das cinzas, ela traz um pequeno lêmure que pertencia ao marido (Cu Lí), em vietnamita). Ao chegar em sua casa, ela encontra a sua sobrinha Van (Ha Phuong), uma jovem pcd que trabalha como professora de jardim de infância. Quang está prestes a se casar com o preguiçoso e sem ambições Quang (Xuan An Ngo). O jovem casal traz preocupações diferentes da sra Nguyen, ambas as mulheres vivendo histórias polçiticas distintas. Nguen mergulho no seu passado, enquanto Van busca encontrar o seu futuro em um casamento sem expectativas.
O filme traz um branco e branco estiizado, embalado por uma trilha sonora repleta de canções que fazem um painel musical do país. Os temas propostos pelo filme transitam bem dentro do universo feminino. Na tentativa de sororidade entre duas gerações que não se compreendem, o filme procura um desfecho otimista, mas o que encontra, é o vazio e a solidão, impresso nos rostos de seus protagonistas.
The Sun, the Moon, & the Hurricane
"The Sun, the Moon, & the Hurricane", de Andri Cung (2014)
Escrito e dirigido por Andri Cung, "The Sun, the Moon, & the Hurricane" é uma co-produção da Indonésia e Tailândia. O longa queer foi rodado em Bangkok, Jacarta e Bali. O filme concorreu no Festival de Vancouver. Segundo o diretor, o título do filme se refere às três fases da vida de um homem: os momentos repletos de problemas são comparados ao furacão, enquanto a juventude, cheia de histórias de amor dramáticas, é simbolizada pelo sol, e a vida adulta, mais calma e estável, é representada pela lua.
O filme é dividido em 3 atos, cada um se passando em um período: Em Jacarta, Rain (William Tjokro) é um jovem estudante que fica amigo do estudante Kris ((Natalius Chendana), que o defende de outros alunos. A aizade entre os dois se intensifica: Rain passa os finais de semana na casa de Kris. Kris passa a nutrir uma paixão platônica por Rain, mas teme perder a amizade e decide desaparecer. Rain por sua vez, é enrustido, e o sumiço de Kris o deixa em um vácuo. O tempo passa. Em Bangkok, Rain, já adulto e assumido, se relaciona com um garoto de programa. Anos depois, Rain recebe um convite para visitar kris, agora casado com uma mulher, em Bali.
O filme me fez lembrar de "Happy together", de Wong Kar Wai: estilizado, linda fotografia, belos e talentosos atores e uma trama que traz uma melancólica e conflituosa relação entre dois rapazes. As cenas homoeróticas são encenadas com poesia e sutileza, a lente da câmera fotografa os corpos nús com muito desejo e paixão. Os olhares, o t3s40 são bem captados.
Gohan
"Gohan", de Chayanop Boonprakob, Atta Hemwadee e Baz Poonpiriya (2025)
Malditos filmes com cachorros que fazem a gente chorar trocentos litros. "Gohan" ( que em japonês significa arroz cozido) é uma produção da Tailândia, dos mesmos produtores do indicado ao Oscar de filme internacional "Como Ganhar Milhões Antes Que a Vovó Morra". O filme me fez lembrar do melancólico "Quatro vidas de um cachorro", onde um mesmo cachorro passa por diversos donos ao longo de sua vida. O cachorro tem 3 etapas, cada um com uma história diferente e um diretor distinto. Na fase filhote, ele é chamado de Gohan, e é criado por um recém aposentado chefe de uma empresa de indústria de automóveis; já adulto, ele é chamado de Brownie, e é ajudado por uma jovem que o resgata de um abrigo, ond eo maltratam; e na fase idoso, ele se chama Hani, e é encontrado por um caal de estudantes, abandonado an estação rodoviária.
O filem percorre a Covid 19 na primeira história, e além do drama do animal abandonado, o roteiro apresenta os dramas de cada um de seus donos. É um filme uito triste, doloroso, que mostra um mundo cruel, que rejeita pessoas à margem da sociedade, discutindo etarismo, imigração ilegal e amores desencontrados. Obviamente os cachorros que interpretam o protagonista são lindos e fofos demais, e no final, me acabei muito.
terça-feira, 1 de setembro de 2026
O sorveteiro
"Ice cream man", de Eli Roth (2026)
Os Estados Unidos devme ser o único pais do mundo que permite o uso de crianças em cenas ultraviolentas, mutilando, decapitando, estripando. Fosse no Brasil, que tem regras muito rigidas de participações de menores em cena, esse filme jamais teria sido realizado. Eli Roth co-escreve o roteiro, dirige e estrela o filme, que busca referências em crianças assassinando adultos de filmes como "Quem pode matar uma criança?", "A aldeia dos amaldiçoados" e Colheita maldita". Mas aonde ele literalmente rouba as idéias é em "Terrifier" e "A hora do mal". O personagem do sorveteiro, assim como Art the clown, tem uma composição corporal clownesca e não fala. O filme foi detonado pela crítica e recebeu críticas também por uso de IA, em cenas de animação e de composição de efeitos, além de construção de cenários.
Na fictícia cidade de Bayleen Bay, um caminhão de sorvete chega. O Sorveteiro distribui sorvetes para as crianças, que passam a possuir um comportamento assasisno e a matar os adultos. Jared, por ser intolerante à lactose, não toma o sorvete. Sua irmã Lizzie vomita o sorvete e também não se contamina pelo surto. Ambos precisam fugir da cidade e avisar seus pais, que estão chegando à cidade.
Fico pensando na premiere do filme, com todo o elenco infantil assistindo junto dos pais. A chacina é total, com violência gore e brutal ( por ex, em uma cena, as crianças abrem a cabeça de um professor, retiram o cérebro com uma colher e servem em uma casquinha de sorvete). Claro, tudo está sob o manto do trash, o que torna tudo aceitável. Mas ainda assim, é um filme doentio e bizarramente problemático. O elenco de uma forma geral é fraco, e difícil torcer por alguém.
I want your sex
"I want your sex", de Gregg Araki (2026)
Elogiado pela crítica, "I want your sex" é o 12o longa do cineasta e roteirista queer americano Greg Araki. Depois de um hiato de 12 anos, quando rodou seu penúltimo filme "Pássaro branco na nevasca", de 2014, Araki retorna com uma trama que mistura humor ácido, drama, romance e muito erotimo chic, rondando o universo dos fetiches e do BDSM. O elenco é forte: Olivia Wilde (antes de seu mega sucesso, "O convite"), Cooper Hoffman, filho de Philip Seymour Horffman e que esteve no excelente "A longa marcha", Margareth Cho, Jonny Konxville, Mason Godding e a cantora Charli XCX, no papel de Minerva, namorada de Elliot (Hoffman). Greg Araki é um cineasta interessante, e de seus filmes, o que mais amo é "Mistérios da carne".
Elliot (Hoffman) é um jovem formado em mestrado, mas desempregado. Ele consegue um emprego como estagiário da artista Erika Tracy (Wilde). Logo ela se revela uma chefe diferente: ela seduz Elliot e o traz para o seu mundo da dominação, fazendo dele um parceiro s3xu4l submisso. Elliot passa a se descobrir um pervertido. Mas logo a verdade do jogo s3xu4l se revla.
Eu queia ter gostado do filme, mas não me convenceu muito. O que me prendeu a atenção foi o trabalho do elenco principal, que se diverte nas cenas de dominacão. O roteiro não me seduziu, achei tudo meio sem graça, e a proposta de erotismo, alardeado por Araki como um antídoto para a caretice da geração Z, ficou com muito freio de mão puxado. O filme começa fazendo homenagens a "Crespúsculo dos deuses"e "9 1/2 semanas de amor".
Buddy
"Buddy", de Casper Kelly (2026)
Grande sensação no Festival de Sundance 2026, "Buddy" é um filme de terror que traz uma narrativa que quebra o tabu de décadas: crianças sendo assassinadas e massacradas por um assassino. De uns anos para cá, filmes como "Terrifier 3", "O telefone preto 2" e "Five nights at Freddy's 2" não têm puder de mostrar em cenas crianças sendo esfaqueadas, mutiladas, jorrando sangue. "Buddy" faz parte dessa leva, porém, trazendo uma linguagem original e bastante criativa: uma metalinguagem de séries infantis de tv dos anos 90, como "Barney', apresentam o bichinho fofo como o serial killer. Para se entender melhor a proposta do diretor e roteirista Casper Kelly, é fundamental assistir ao seu premiado e excelente curta de 2014, "Too many cooks", um precursor de "Buddy".
Buddy é o protagonista de uma série de tv de grande sucesso, voltado ao público infantil. Em um mundo bastate colorido, crianças, animais falantes, um carteiro, uma enfermeira e Buddy convivem em harmonia. Mas crianças que contestam Buddy acabams endo assassinadas e substituídas por crianças da vida real, que são abduzidas quando assistem ao programa d etv em suas casas, e ao chegar no mundo de Buddy, têm sua memória apagada. Quando as crianças remanescentes percebem os crimes de Buddy, procura, fugir pela floresta, mas Buddy vai ao seu encalço.
Tem uma trama paralela, apresnetando uma família na vida real, cuja mãe é abduzida para série e percebe que uma das crianças é sua filha desaparecida. O pai é o ator Topher Grace, e a mãe, Cristin Milioti. Os efeitos, a caracetrização, o visual de Buddy, a direção de arte, a trilha sonora, tudo é muito crível em sua reprodução das séries vintage dos anos 90.
Um triste e belo mundo
"Nujum al'amal w al'alam", de Cyril Aris (2025)
Vencedor do pr6emio do público no Festival de Veneza 2025, "Um triste e belo mundo" foi o indicado pelo Líano à uma vaga ao Oscar de filme internacional em 2026. O filme mistura generos: drama, romance, fantasia, comédia, para apresentar a historia de amor entre Nino (Hasan Akil) e Yasmina (Mounia Akl). Ambos nasceram no mesmo dia, durante um bombardeio na maternidade. O filme acompanha os diversos encontros e desencontros das duas crianças, até se rencontrarem por um acidente nos dias atuais, já na faixa dos 30 anos de idade. Yasmina se tornou uma poderosa consultora de encomia. Nino é o chef de um famoso restaurante chique. Quando Nino dirige seu carro, acaba batendo no carro onde estão Yasmina e sua mãe.
O filme tem uma narração que costura a história, que vai e volta no tempo. Toda a tajetória dos apaixonados acontece com a guerra do Líbano como pano de fundo. Yasmina é realista. Nino é otimista e sonhador. Lindamente fotografado, "Um triste e belo mundo" é exatamente como o seu título traduz. Um retrato melancólico de um país em crise, com uma história de amor como base, mas com um desfecho em aberto, que deixará muitos espectadores frustrados.
Drunken noodles
"Drunken noodles", de Lucio Castro (2025)
Co-produção Argentina e Estados Unidos, "Drunken noodles" é um drama erótico queer escrito e dirigido por Lucio Castro. Rodado em Nova York, o filme concorreu ao Queer Palm no Festival de Cannes 2025. O filme acompanha o estudante universitário de arte Adnan (Latih Khalifeh), recém chegado a Nova York, Ele vai passar o verão estagiando em uma galeria de arte, onde acontecerá uma exposição de um artista, Sal. Adnan fica no apartamento de seu tio, e em troca, deve cuidar de seus gatos. Durante uma caminhada noturna, Adnan conhece um entregador de comida, Yariel (Joel Isaac), e ambos fazem s3x0 no parque. O filme apresenta um flashback, e traz o relacionamento de Adnan com um artista recluso, Sal (Ezriel Kornel), um idoso. A obra de Sal está exposta atualmente na galeria. Adnan reencontra um antigo namorado, Iggie (Matthew Risch), e passam um final de semana juntos no interior de Nova York.
O filme tem uma narrativa fragmentada, alternando realismo e fantasia. Trazendo cenas homoeróticas, não explícitas, Lucio Castro traça um painel da sexualidade queer contemporânea. O ritmo é lento, a estrutura é estilizada e empostada, podendo não agradar quem busca algum filme mais convencional.
Homossexual
"Homosexual", de Toby Ross (2013)
Toby Rosss é um cineasta americano que durante os anos 70 e 80, realizou diversos filmes pornográficos para a indústria gay e hetero. A partir dos anos 80, Ross abandonou o cinema pornô e passou a investir em um cinema ond eunisse erotismo e humor, seja em ficção ou documentários.
"Homossexual" é um mockmentary (falso documentário)onde um entrevistador de um programa conversa com diversos homens gays, que apresnetam seus reatos de sua vivência queer. Entre os depoentes, existem dois grupos nítidos de gays: aqueles que buscam s3x0 e aqueles que procuram relacionamentos. Cada depoimento apresenta uma reconstituição, o que faz o filme ser dividido em pequenos episódios. Boa parte deles apresenta conteúdo explícito, muitas vezes com doses de humor. Rodado em Los Angeles, "Homossexual" é um exemplo do cinema de resistência gay, proveniente de uma narrativa e linguagem dos filmes doa anos 70, com um olhar sobre a liberdade s3xu4l, sem culpa, representado por um elenco de atores de corpos másculos e viris.
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