terça-feira, 2 de junho de 2026
Forgiveness girl
"Forgiveness girl", de Rob Diamond (2025)
Drama cristão indie americano, "Forgiveness girl" é escrito e dirigido por Rob Diamond. O filme apresenta uma história sobre perdão e compaixão em 2 épocas: Annie, 8 anos, e depois, com 18 anos. Nascida com paralisisia cerebral, Annie anda de muletas e sofre bullying de toda a escola, liderada pela malvada Claire, a patricinha mais popular do local. Jordan é a melhor amiga de Annie, e a defende, e por isso, ela também sofre bullying dos colegas. 10 anos depois, Annie, não suportando mais as humilhações, tenta o su1c1d1o0. Jordan vai visitá-la no hospital, sentindo-se culpada. É quando Jordan passa mal e ao faezr exames, decsobre estar com câncer.
Existe um personagem central na história, que é o pastor da Igreja onde os pais de Annie e a própria frequentan, Pastor Newsome. É ele quem traz as mensagens edificantes propostas pelo roteiro, e claro, a grande motivação do filme existir. É um roteiro simples, bastante óbvio, com personagens maniqueístas e um desenvolvimento que qualquer um poderá antecipar o passo seguinte. O filme não é recomendado para espectadores que possam ter histórico de bullying, pois pode trazer gatilhos, principalmente na parte do suic1d10.
Kika
"Kika", de Alexe Poukine (2025)
Concorrendo na Semana da crítica no Festival de Cannes 2025, "Kika" é escrito e dirigido pela cineasta francesa Alexe Poukine. O filme me fez lembrar uma mistura de 'Eu, Daniel Blake", de Ken Loach, com o próprio "Kika", do ALmodovar. Do 1o, vem a solução da protagonista em se tornar prostitura, como unica opção para pagar as suas dívidas e manter a sua filha com ela. Do filme do Almodovar, surgem cenas de fetic3s s3xu41s bizarros, alguns divertidos, outros chocantes e violentos, como o final, onde ela é espancada barbaramente por uma masoquista dominatrix.
Kika (Manon Clavel) é uma assistente social, casada com Paul (Thomas Coumans) há anos e pais da filha pequena, Louison (Suzanne Elbaz). Kika tem um relacionamento com seus pais. Um dia, ao levar a sua bicicleta até uma loja de consertos, ela fica trancada no local junto do funcionário, o simpático imigrante africano David (Makita Samba). A convivência é o suficiente para abalar Kika, que se apaixona imediatamente pelo rapaz, se separa do marido e vai morar com David. Tudo parece bem, até que David morre inesperadamente de derrame. O mundo de Kika vem abaixo: ela absorve as dívidas de David, e ela pede ajuda aos pais para ficarem com a filha, enquanto ela pensa em uma opção para se manter. E a solução vem na prostituição.
O filme é anunciado também como comédia, mas é difícil encontrar motivos para sorrir nessa história densa, que retrata o dia a dia de pessoas desempregadas e assalariadas desassistidas pelo governo. Kika se vê nos dois lugares de sua posição: como assistente social, e também, como alguém que precisa de ajuda. O elenco é bom, sendo que Manon Clavel carrega o filme todo nas costas. E novamente, a cena de espancamento é chocante.
Free at heart
"Free at heart", de Max Hegewald (2025)
Drama coming of age alemão, "Free at heart" toca em um tema bastante tabu, ja retratado no brasileiro "Do começo ao fim": o relacionamento entre meio irmãos. Ambos os filmes não pisaram o pé no acelerador e decidiram não assumir um 1nc3st0 100 por cento, e por isso, o tabu não é algo assim tão chocante. O roteirista e diretor Max Hegewald apresenta Sebastian (Linus Moog), 16 anos. Ele é um típico jovem de uma cidade do interior: convive com seus pais e sua irmã pequena, uma família de classe média alta. Ele tem uma namorada e os colegas na escola o idolatram. Um dia, porém, seu pai lhe traz uma notícia que irá mudar a vida de todos: uma amiga pessoal do pai morreu e o filho dela, Kolja (Aurel Klug), 15 anos, virá morar com eles, pois não tem família. De início arredio e incomodado com a presença de Kolja, logo Sebastian entende os motivos de seu estranhamento.
O filme funciona por conta do ótimo trabalho dos dois atores protagonistas, uma atuação honesta e sincera, trabalhada com sensibilidade e respeito pelo diretor. O que atrapalha a história são sub-plots óbvios para desviar o amor do jovem casal: a namorada desconfiada; a irmã que é sonambula e se torna um perigo para todos; o melhor amigo ciumento; os amigos homofobicos. Ainda assim, vale assistir pela honestidade em seu desfecho.
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