terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

Marcas da maldição

"Zhou", de Kevin Ko (2022) O site Indiewire fez uma lista dos 25 melhores filmes de terror do gênero found footage e elegeu essa produção de Taiwan como a 10a. Fiquei curioso, pois da lista, esse era dos poucos que nunca nem tinha ouvido falar. Ap;os assistir ao filme, achei exagero inclusive o filme constar da lista dos 25, quanto mais sendo o 10o melhor. Eu tenho um problema s;erio com alguns found footage pois a premissa de que tudo está sendo gravado o tempo todo, na maioria das vezes sôa muito falso, com a eterna pergunta que o espectador faz: Mas quem está gravando? Porque eles gravam absolutamente tudo? O filme é beaseado em uma história real, ocorrido em 2005 em Taiwan, na cidade de Kaohsiung: uma família de pintores declarou estar possuída por demônios. Os seis integrantes da família, então, começaram a se agredir no intuito de exorcizar os tais demônios, utilizando bastões de madeira. A filha mais velha veio a falecer tragicamente, espancada até a morte, e os cinco familiares foram condenados. "Marcas da maldição" foi um dos maiores sucessos de bilheteria de terror em Taiwan. Misturando presente e passado, o filme traz a protagonista Li Ronan (Hsuan-yen Tsai) fazendo um pedido a quem estiver assistindo ao seu video que memorize uma imagem e entoe um cântico. Ela é mãe da pequena Dodo (Sin-Ting Huang), que está amaldiçoada por um espírito. O filme retrorna para seis anos atrás, para que o público entenda como a maldição chegou na menina. Ronin, seu namorado Dom e o irmão dele, Yuan (Wen Ching-Yu), possuem um canal no Youtube voltado para casos paranormais. Visitando uma região montanhosa onde moram os pais de Dom e Yuan, eles são advertidos que são proibidos de entrar em um túnel. Ali, somente membros da seita Mãe Buda podem entrar. eles ignoram o pedido e entram no túnel, a ponto de testemunharem uma criança sendo sacrificada pela seita. Dom e Yuan acabam morrendo por ataque de espíritos e Ronan consegue fugir. Nos dias atuais, sua filha Dodo herdou a maldição, e Ronan precisa salvá-la. Deveria ser proibido esses found footage terem mais de 90 minutos ( o filme tem 1hr 50 min). Fica arrastado, perde ritmo e cansativo. A trama é interessante, mas fica repetitica, e a edição, que misture os tempos, fica bastante confusa. O final tambem não é muito claro. Os efeitos são ok, e tem um ou outro jump scare efetivo.

Segunda chance

"Segunda chance", de Eduardo Albino e Mauro Carvalho (2025) O filme não engana: em determinado momentos os personagens dizem que parecem estar vivendo o dilema dos protagonista Drew Barrymore e Adam Sandler em "Como se fosse a primeira vez. Essa é a grande referência para 'Segunda chance", dos diretores Eduardo Albino e Mauro Carvalho. O filme mescla os gêneros da comédia romântica e da fantasia e traz um resultado bastante simpático. Mauro Carvalho diriigu o erótico queer "O senador", e co-dirigiu o cult "Primos". Daniel (Caio Fliper) e Alan (Luigi Calduch). estão casados há cinco anos. Daniel é um estilista de sucesso e Alan é professor de teatro. No dia do aniversário dos cinco anos, Alan prepara um jantar e pede para que Daniel compareça. Daniel tem uma vida profissional extremamente atribulada,, motivo das brigas do casal: Alan diz que ultimamente, Daniel tem dedicado seu tempo ao trabalho e menos para o relaiconamento. Daniel acaba indo a um evento social e chega em casa bêbado. Na discussão, os dois decidem dormir separados. No dia seguinte, ao acordar, Daniel descobre estar em um universo paralelo: ele se vê em início de carreira, ainda pobre, e ele e Alan terminaram o relacionamento há tempos. Cabe a Daniel reconquistar Alan, e aproveitar essa segunda chance. O que prejudica o filme são so diálogos longos, expositivos e óbvios, esticando a duração do filme em um tempo maior do que deveria. A inserção de um personagem místico também leva o filme para um lugar de fantasia que deixa o filme com um tom menos interessante. Fora isso, os dois atores são carismáticos (deveriam ter pensando em uma caracterização diferente, ambos estão muito parecidos fisicamente e com a mesma barba). O fato de ser uma produção independente lgbt é motivo de elogios, produzindo conteúdo para a mídia digital que precisa. emuito de filme queer.

O Fim das Primeiras Vezes

"El fin de las primeras veces", de Rafael Ruiz Espejo (2025) Um drama coming of age queer mexicano, "O Fim das Primeiras Vezes" é escrito e dirigido por Rafael Ruiz Espejo. O filme se passa em um único dia na vida de Eduardo (Alejandro Quintana), 18 anos. Mas será um dia que irá mudar a sua vida para sempre. Eduardo sai de Jalisco, uma vila no interior, para a cidade grande de Guadalajara. Ele vai prestar prova para o vetsibular e deve retornar para a sua casa após a prova. Estando sozinho na cidade grande, longe de sua família, Eduardo acaba experimentando os desejos que ele não consegue em seu lar. Ele troca olhares com Mario (Carlos E. López Cervantes), um jovem sedutor que também faz prova na mesma sala. Mario convida Eduardo para ir na sua casa. Eduardo decsobre que é aniversário de Mario e é recebido pela família dele. Sozinhos no quarto, Eduardo experimenta pela primeira vez o s3x0. Mario o chama para ir à balada e ao encontro com amigos para uma noite de s3x0, drogas e bebedeiras. eduardo perde o ultimo onibus e somente lhe resta se entregar aos prazeres mundanos experimentados pela primeira vez. O filme, com excelente fotografia e uma trilha sonora dinâmica e envolvente, capta com sensibilidade e com um olhar quase documental, a vivência sensorial e s3xual de Eduardo. Seus olhares inicam desejo, sua boca tocando outra boca, pele, o orgao genital, tudo lhe ;e encantador. Com excelente performance dos jovens atores, que se entregam em performance visceral, " O Fim das Primeiras Vezes" tem um ritmo lento, mas que envolve pelo deslumbramento.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Davi- nasce um Rei

'David", de Phil Cunningham e Brent Dawes (2025) Superprodução distribuída pela Angel Studios, uma empresa destinada a lançar projetos de audiovisual com conteúdo cristão. Projetos como "O som da liberdade" e 'The Chosen" foram sucesso de blheteria, e 'Davi- nasce um Rei" tem agradado crítica e público. O filme traz a história da juventude do rei Davi, até tornar-se Rei. A adaptação se baseia no primeiro e segundo livro de Samuel. Quando adolescente, Davi, filho de Jessé e Nitzevet, era pastor e cuidava do rebanho de ovelhas da família. O profeta Samuel chega em sua casa e proclama Davi como sucessor do Rei e segundo Samuel, escolhido por Deus. Quando o gigante Golias surge para intimidar um povo inteiro, davi o derrota, para surpresa de todos. Já adulto, Davi enfrentou o rei Saul que via ele como inimigo e uma ameaça para seu reinado e a sucessão do filho Jonathas. Davi é conhecido por ser o Rei que consolidou a monarquia, unificou as tribos de Israel, conquistou Jerusalém e a tornou capital, estabelecendo as bases do Estado hebraico. O filme é anunciado como uma animação infantil, mas acho ele mais juvenil e para adultos, muito por conta do conteúdo repleto de violência e tragédias. Produzido com um orçamento de 60 milhões de dólares e lançado em 3D, "Davi-nasce um rei" surpreende pela técnica, pela qualidade da dublagem e pelas cenas de ação. O filme é longo, quase 2 horas, e repleto de canções. O filme agrada até para quem não é religioso, ainda que traga muitas mensagens de Fé cristã.

A mulher invisível

"A mulher invisível", de Claudio Torres (2009) Grande sucesso de bilheteria de 2009, com 2 milhões e 200 mil espectadores, 'A mulher invisível" acabou gerando uma série de tv exibida na Tv Globo. O filme, dirigido e co-escrito por Claudio Torres, teve a parceria no roteiro de Adriana Falcão e Maria Luisa Mendonça. Maria Luisa interpreta a namorada de Pedro (Selton Mello), que o trai e o abandona. Desolado, Pedro é aconselhado pelo seu melhor amigo Carlos (Vladimir Brichta) a viver a vida de solteiro sem freios, fazendo s3x0 com quantas garotas for possível, em uma fratenidade de masculinidade tóxica. Mas um dia, Amanda (Luana Piovani). bate à sua porta. Ela ddiz ser sua vizinha e quer uma xícara de açúcar. Entre os dois, surge um relacionamento perfeito e apaixonante. Até ele descobrir que ela não existe, e que é projeção de sua mente e seus desejos da mulher ideal. Com um elenco formado por ótimos humoristas, como Fernanda Torres, Maria Manoella, Paulo Betti, Marcelo Adnet, Gregorio Duvivier, Talita Carauta, Thelmo Fernandes, entre outros, "A mulher invisivel" tem a sua grande força no trabalho do elenco, todos bastante talentosos na comédia. Os diálogos, em boa parte ácidos, divertem. Li numa matéria que Claudio Torres só faria o filme se Luana Piovani topasse fazer a personagem. Faz sentido, pois ela está incrível, sem soar vulgar, naquele estilo sensual e elegante que Luana sabe fazer muito bem.

Estranho rio

"Estrany riu", de Jaume Claret Muxart (2025) Um belo e sensível drama queer sobre um adolescente de 16 anos que descobre a sua identidade e desejos por um outro corpo masculino, "Estranho rio" me fez lembrar da lenda o boto na Amazônia. O boto se transforma em um homem sedutor que flerta e faz s3x0 com suas vítimas. O filme, escrito pelo diretor catalão Jaume Claret Muxart, é livremente inspirado em sua juventude, repleta de conflitos sobre a sua sexualidade e convivendo com seus pais problemáticos. Rodado em 16 mm, o filme tem uma fotografia deslumbrante, que ilumina e enquadra não somente as locações inebriantes, mas também, a beleza do jovem ator Jan Monter, que me fez lembrar de Mark Hamill bem jovem. Co-produção Espanha e Alemanha, a cena final, ao som de "The fireman is blue", de Ryder the angle", é um comovente momento de amadurecimento, de rito de passagem de adolescente à fase pré-adulta, de reflexão e auto-descoberta. Didac , seus dois irmãos mais jovens, Biel (Bernat Solé) e Guiu (Roc Colell), e os pais deles, a atriz Monika (Nausicaa Bonnín) e o pai arquiteto Albert (Jordi Oriol) estão pedalando e turistando ao longo do rio Danúbio. Didac é um adolescente na fase rebelde: briga com seus irmãos e não quer o carinho de seus pais, por se achar já adulto o suficiente. Ele evita contatos com os familiares e busca o isolamento. Circulando pela noite, Didac testemunha homens em encontros s3xu41s, e tambem a presença de um adolescente nadando nu pelas aguas do rio. Esse jovem, Alexander (Francesco Wenz) se apresenta para Didac, que fica seduzido por ele. Existe um linda cena onde o pai conversa com Didac sobre um amigo do filho, e suspeita que eles estejam namorando. O pai dá força para o namoro, mas Didac nega que esteja havendo algo. É um filme muito sensual, que lembra "Me chame pelo seu nome", com muitas cenas homoeróticas envolvendo jovens.

Paraíso a oeste

"Ëden a l'ouest", de Costa Gavras (2009) Exibido no Festival de Berlim 2009, "Paraíso à oeste" é um filme menos conhecido do cineasta grego Costa Gravas, que co-esreveu o roteiro com Jean-Claude Grumberg. O filme foi rodado entre 2 filmes consgrados e aclamados de Gravas: "O corte" e "Capital". Assistir "Paraíso à oeste" é curioso: parece uma pantomina, com um protagonista que quase não fala e certamente inspirado em Carlitos ( o final até entrega essa referência). O ator italiano Riccardo Scamarcio interpreta Elias, um imigrante que sem nacionalidade definida que, junto de outra centena de imigrantes ilegais, estão em um barco no alto mar. Quando um barco policial se aproxima, elias salta no mar. Ele acorda na manhã seguinte em uma praia de nudistas. Ele finge ser um nudista, rouba algumas roupas e se apresenta como funcionário do hotel "Eden Club-Paradise". Alguns hóspedes o consideram um funcionário, enquanto outros o veem como um cliente. Ele conhece um mágico (Ulrich Tukur) que o contrata para alguns truques e, que o convida para ir a Paris. Elias fica obcecado em ir até Paris, mas até lá, ele irá se envolver em muitas aventuras, encontros com vigaristas e situações bizarras. Eu não sei se gostei do filme, pela natureza estranha e em tom de par;abola dele. Mas Scamarcio está ótimo. A sua beleza faz parte do personagem, que é seduzido por homens e mulheres que querem se aproveitar de seu corpo, inclusive, em tentativa de 3stupr0 por um gerente do hotel. Elias é roubado, enganado, abusado. São tantas as adversidades que ele passa, que não teve como não morrer de pena dele. O desfecho é extremamente cruel com Elias, um filme pesismista de Gavras sobre a trista sina de imigrantes ilegais na Europa.

The ghost station

"Ogsuyeog gwisin", de Jeong Yong-ki (2022) Terror sobrenatural sul coreano, que pega carona em filmes como 'O Chamado". O filme é fraco e não assusta, e a premissa de passar a maldição de uma pessoa para outra lembra também "Corrente do mal". Na-yeong (Bo-ra Kim) é uma jornalista ambiciosa que recebe uma dica de uma amiga sobre uma estação de trem próxima. Ela conversa com a família de uma criança que morreu em circunstâncias estranhas na estação e descobre que o local da estação pode revelar uma maldição. Ela conta com a ajuda de um funcionário da estação, Choi Woo-won (Kim Jae-hyun). eles descobrem que ali, no passado, havia um orfanato, onde criancas foram soterradas. O filme tem feitos fracos e suspense quas enulo, o que é uma pena, pois adoro esses filme J-Horror, com assombrações no estilo Samara. Mas é um filme que está datado, sem muita criatividade.

domingo, 1 de fevereiro de 2026

Resident evil- O hóspede maldito

"Resident evil", de Paul W.S. Anderson (2002) Decidi rever o filme que originou a franquia de 6 filmes, todos com Milla Jovovich, e um reboot de 2021, depois de cenas terem viralizado nas redes sociais. Eu tinha esquecido o quanto o filme original, de 2002, era bom, com ótimos efeitos e uma trama que, mesmo não sendo nada original, prendia a atenção. Na época, o filme foi detonado pela crítica. Adaptado do game criado em 1996, o filme foi dirigido pelo cineasta inglês Paul W.S. Anderson, que após o filme, viria a se casar com Jovovich. A icônica cena do laser mortal em um corredor da morte virou motivo de muita gente da nova geração assistir ao filme. Li no Imd que o filme chegou a ser oferecido para o mestre Groege Romero escrever o roteiro, mas não foi aprovada a sua versão. Co-produzido por Alemanha e Inglaterra, o filme traz no elenco a cult Michelle Rodriguez, uma heroína de ação que sintetiza a girl power nos filmes de ação. Um laboratório governamental subterrâneo, da empresa Umbrella Corporation, entre em colapso quando um vírus é roubado e contamina o local. Segundo as regras do laboratório, quando isso acontece, todos que estão lá dentro não podem mais sair e ficam trancados. O que ninguém esperava é que todos se tornam zumbis. Uma equipe ultra secreta de elite da própria Umbrella é acionada para invadir o local e desligar a energia. Só que aí, os zumbis acabam sendo soltos e passam a atacar um a um a elite, formada por Alice (Jovovich), Rain (Rodriguez), entre outros.

Dona Flor e seus dois maridos

"Dona Flor e seus dois maridos", de Bruno Barreto (1975) Um dos maiores sucessos de bilheteria d eum filme brasileiro, com 10.735.524 milhões de espectadores, superado em 2010 com "Tropa de elite". Publicado em 1966 por Jorge Amado, o filme ganhou a adaptação cinematográfica dez anos depois, dirigido por Bruno Barreto, então com 23 anos de idade. Fotografado por Murilo Salles, o filme capta as cores e arquitetura de Salvador, incluindo os figurinos e caracterização dos anos 40, realizados com muito esmero na produção. A adaptação do roteiro foi feita pelo próprio Bruno Barreto, o cineasta Eduardo Coutinho e Leopoldo Serran. No domingo de carnaval do ano de 1942, Vadinho (Zé Wilker), malandro casado com a cozinheira Flor (Sonia Braga) , está se divertindo com seus amigos em um bloco de carnaval, quando de repente, passa mal e morre. O filme volta ao tempo e divide a narrativa em 2 partes: o casamento com Vadinho, com o próprio roubando o dinheiro de Flor e gastando tudo na jogatina e mulheres. E o casamento com o farmacêutico Teodoro (Mauro Mendonça), um homem de comportamento totalmente o oposto de Cadinho: educado, trabquilo e respeitador. O único problema é que na cama, ele é recatado, e Flor sente falta da pimenta de Vadinho. Quando ela procura ajuda no terreiro, Vadinho retorna como espírito para atormentar Flor. Eu nem lembrava que Vadinho como espírito só surgia faltando 25 minutos de filme, a lembrança que eu tinha era que ele estava em mais da metade do filme. O elenco de coadjuvantes, principalmente os amigos de malandragem de Vadinho, é composto pelos excelentes Nelson Xavier, Nelson Dantas e Rui Resende. A icônica trilha sonora é de Chico Buarque e Francis Hime, com a música "O que será", na voz de Simone.

En tongs au pied de l'Himalaya

"En tongs au pied de l'Himalaya", de Jon Wax (2024) Co-produção França e Bélgica, "En tongs au pied de l'Himalaya" (ao pé da letra, "De chinelos aos pés do Himalaia") é a adaptação de um monólogo escrito pela amiga do cineasta Jon Wax, Marie-Odile Weiss, mãe de uma criança autista. O filme lembra muito o tom de 'Extraordinário", filme com Julia Roberts e Jacob Trembley, como mãe e filho. Audrey Lamy interpreta Pauline, mãe de Andréa (Eden Lopes). A grande dúvida de quem viu o filme, era se o menino Eden Lopes era de fato, austista, tal a impressionante performance do garoto. Decidiu-se por não escalar um autiosta, por conta dos problemas familiares do personagem, o que para os realizadores, seria como um caso de abuso na escalação. Eden Lopes passou por um processo intenso de ensaios, coordenados pela própria Marie-Odile Weiss. Ela interpreta a diretora da escola onde Andréa estuda. Pauline é uma mãe solteira que trabalha como bartender. Aos três anos de idade, seu filho, Andréa, foi diagnosticado como autista e começou a estudar em casa. Seu último ano na pré-escola é crucial. Ele precisa aprender certas habilidades básicas e desenvolver independência para poder frequentar uma escola regular. Pauline tem seus demônios próprios: alcoolatra, e um ex-marido que se casou novamente. Ela vai morar na casa do irmão, Thomas (Jean-Charles Clichet), enquanto tenta reestruturar a sua vida. O filme tem uma história que certamente irá comover o público. Todos os ingredientes estão lá: mulher independente e batalhadora, que se desdobra no trabalho e na vida pessoal. E o mais importante: ela ama o seu filho. O elenco está excelente, alternando momentos levez com drama emotivo.

96 minutos

"96 minutes", de Tzu-Hsuan Hung (2025) Produção de Taiwan, "96 minutos" é um thriller para quem ama filmes como "Velocidade máxima": dois trens em alta velocidade, com destinos opostos, carregam dentro de si bombas que, se detonadas, explodirão e matarão a todos. Três anos antes, dois agentes anti bombas, A-Ren (Austin Lin) e seu superior, Li Jie (Lee Lee-zen), são chamados para desasrmarem uma boma em uma sala de cinema. Mas eles recebem a ligação de um homem, dizendo que existe uma outra bomba em um shopping ao lado: ele dá a opção para os agentes de quem eles irão salvar; a si próprios, ou às pessoas do shopping. Eles optam por si próprios e às pessoas que estão com eles, incluindo a namorada policial de A-ren, Huang Xin (Vivian Sung). O shopping explode. A-ren carrega para si, por anos, a culpa pela escolha. Agora, dentro de um dos trens, junto de sua mãe, sua namorada Huang e seu superior, Li ie, eles precisam optar qual dos dois trens eles irão optar por salvar. Depois da meia hora inicial, apresentando o conflito, o filme conta exatamente 96 minutos pela decisão e desarmamento d abomba. Assim o diretor e o editor criam um suspense quase real. É um bom filme para quem gosta de passatempo, mas que exagera muito no melodrama, principalmente no final, com discursos motivadores dos personagens.

Gap-Toothed Women

"Gap-Toothed Women", de Les Blank (1987) O documentarista americano Les Blanck lançou em 1987 o curioso documentário "Gap toothed women", que tem como tema central, mulheres com diastema, que é o espaço existente entre dentes. O filme foi adquirido pela Criterion collection, que tem em seu catálogo, filmes relevantes para a história do cinema. Les Blank teve a idéia de realizar o filme quando percebeu que diversas mulheres que ele entrevistou em seus diversos filmes tinham diastema. Ele sempre achou o diastema sedutor, mas o filme é justamente para entender como as mulheres e a sociedade interpretam (lembrando que o filme é de 1987, antes das correções ortodônticas que existem nos dias de hoje). Boa parte das mulheres lutam com a baixa auto estima que o diastema trouxe para as suas vidas, desde a infância. Les Blank entrevitou mais de 100 mulheres, entre pessoas anônimas e famosas, como a super modeloe. atriz Lauren Hutton. Imagens de celebridades, como Madonna, também são apresentadas. Culturalmente, em cada país, existem lendas e folclores. No Egito, acreditava-se que mulheres com diastema cantavam melhor: a luz da luz atravessava o diastema e as fazia cantar melhor. Na idade média, dizia-se que mulheres com diastema eram aventureiras e viajantes. Um filme divertido, que relata, pelas próprias mulheres, a pressão sobre a estética e seus padrões determinados pela sociedade, e o processo de auto aceitação.

Tormento

"Tormento", de Olallo Rubio (2025) Remake do terror uruguaio "Necrotério", de Hugo J. Cardozo, "Tormento" é uma produção mexicana adaptada do original e dirigida por Olallo Rubio. O filme traz uma trama já vista númeras vezes no gênero terror: uma segurança precisa passar uma noite em um necritério, e passa a alucinar com algo aterrorizador que a está atormentado. Brenda (Natália Solián) é uma segurança contratada por uma empresa. Com problemas pessoais envolvendo sua mãe, seu namorado e também os estudos obcessivos para a faculdade de direito, ela mal consegue dormir, e esse estado catatônico a prejudica. Ao voltar para casa de noite, ela acaba atropelando uma pessoa. Brenda decide fugir do local do crime e vai para casa. Ele recebe no dia seguinte um cmahado do empregador, dizendo que ela irá fazer um turno noturno em um necrotério. Durante a rnda, ela passa a ter visões do homem que ela atropelou, sugerindo que o espírito dele veio para atormentá-la. O terror é utilizado pelos roteiristas também para ser um lugar para se falar simbolicamente de traumas, luto e culpa. Assim é "Tormenta', um filme que não reserva surpresas e tem um final óbvio. A atriz Natália Solián é boa, e um dos motivos para se assistir ao filme. Mas não esperem um terror. Ele é mais um thriller psicológico.

sábado, 31 de janeiro de 2026

A good child

"Hao haizi", de Kuo-Sin Ong (2025) Drama queer da Singapura, baseada em uma comovente história real. Adaptado da biografia de Christopher Lim, mais conhecida pelo nome artístico de Sammi Zhen, uma das mais famosas drag queens do país. Interpretada pelo ator Richie Koh, Sammi é uma drag que faz muito sucesso na noite lgbt, se apresentando em casas noturnas. Quando sua mãe, Jia Hao (Huifang Hong), passa a ter dem6encia, Sammi retorna para casa, de onde fugiu por conta da homofobia de seus pais, para cuidar de sua mãe. Ela o confunde com sua filha que morreu. Sammi mantém a farsa. Enquanto isso, seus irmãos precisam aprender a respeitar a nova persona de Sammi. Através da relação com sua mãe, Sammi aprende a perdoar e a perseverar na vida. "A good child" é um melodrama sem medo de querer arrancar lágrimas do espectador, defendido pelo ótimo trabalho do elenco. Os números musicais na boite são bem fotografados, a maquiagem e figurino são caprichadas. Quem gosta de filmes sobre redenção e sobre doentes com alzheimer e dem6encia, irá gostar bastante do filme.

Grizzly night

"Grizlly night", de Burke Doeren (2026) BAseado em fatos reais, "Grizzly night" pode enganar espectadores que estejam em busca de filmes de terror com ursos assassinos. O poster parece apresentar um filme onde o urso vai botar para quebrar. No entanto, a história teve um desfecho trágico, tanto para os sere shumanos, quanto para os ursos selvagens. No 12 de agosto de 1967, no Parque Nacional Glacier, em Montana, dois ataques mortais com ursos, em locais diferentes, marcou para sempre esse dia, que ficou conhecida como a "Noite do urso pardo". Duas jovens, que trabalhavam no parque, decidem acampar com os colegas de trabalho. Com distÂncia de 14 km entre um grupo e outro, as duas jovens foram atacadas em seus sacos de dormir e devoradas. A guarda florestal manteve proteção a 65 turistas em um galpão, até esclarecerem o que estava acontecendo. Como reusltado, diversos ursos foram assassinados pela guarda, como retaliação. Por conta desse evento, ficou proibido alimentar os ursos. Nunca se soube o que motivou os ataques. O filme aposta no drama de todos os envolvidos: as vítimas, os amigos sobreviventes, os turistas enclausurados e os guardas florestais. O filme não investe no terror e nem nos ataque,s mostrados em flashes rápidos. É um filme interessante, uma produção indie com atores corretos, mas ainda assim, ficou faltando uma crescente de tensão.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

A cronologia da água

"The Chronology of Water", de Kristen Stewart (2025) Concorrendo no Festival de Cannes 2025 na Mostra Un certain regard, "A cronologia da água" é a estréia na direção de longas da atriz Kristen Stewart. Adaptado do livro de memórias de Lidia Yuknavitch, lançado em 2011, pela própria atriz, o filme foi grande sensação em Cannes. Com o apoio do fotógrafo Corey C. Waters, que rodou o filme em película 16 mm, e da editora Olivia Neergaard-Holm, Kristen cria uma narrativa elipsada, formada por vinhetas cronologicamente mescladas, trazendo passado e presente em fusão. Os atores vão se alternando, e cabe ao espectador embarcar em uma viagem pessoal e intimista, totalmente fragmentada, como se fossem memórias contadas aos poucos. Lidia (Imogen Poots na fase adulta, Angelika Mihailova na fase adolescente e Anna Wittowsky quando criança) foi abus4d4 pelo pai. Sua mãe aloccolatra fa zvista grossa. Sua irmã Claudia (Thora Birch) foi igualmente abusada. Ela encontra refúgio na natação, ao mesmo tempo que se torna uma mulher s3xu4lmente ativa, se envolvendo com drogas e relacionamentos tóxicos. Quando ela descobre a escrita, ela encontra uma forma de expressar seus traumas e angústias. O filme tem uma estrutura totalmente inovadora e diferente, para quem busca uma cinebiografia convencional. Em linguagem quase experimental, o filme aposta no sensorial, com cenas ousadas de Imagem Poots em nudez e s3xo. Longo, com quase 130 minutos, "A cronologia da água" cansa, pela estrutura repetitiva. Mas vale assistir pelo trabalho do elenco, e pela visibilidade de temas importantes.

Alerta apocalipse

"Cold storage", de Jonny Campbell (2026) Baseado no romance homônimo de David Koepp, famoso por escrever os roteiros dos mega sucessos de Steven Spielberg, ‘Jurassic Park’, ‘Guerra dos Mundos’ e ‘Missão: Impossível’ , além de escrever 'O homem aranha". Agora, Koepp apresenta uma ameaça em forma de fungo: uma estação espacial, Skylab, explode no sistema solar e pedaços dele chegam à Terra. Esses destroços chegam contaminados por fungos, que contaminam os sers vivos, fazendo-os se tornarem serem agressivos e que depois,e xplodem, contaminando quem está ao seu lado. A cientista da NASA, Dr. Hero Martins (Sosie Bacon), junto de Robert Quinn (Liam Neeson) e Trini Romano (Lesley Manville), dois militares especialistas em bioterrorismo, combatem os fungos, mas Hero é contaminada e morre. 27 anos depois, os resquícios do fungo estão guardados e esquecidos em um depósito, hoje transformado em galpão de instalação de autoarmazenamento 24h onde trabalham o jovem Travis “Teacake” (Joe Keery) e a novata Naomi Williams (Georgina Campbell). Os dois,s em querer, libertam o fungo. Robert e trini são acionados, enquanto Travis e NAomi procuram sobreviver à ameaça de seres humanos contaminados pelo fungo. O filme é vendido como uma comédia de terror. Não sei se eu estava meio mal humorado, mas não consegui rir em momento algum. O filme meio que homenageia os filmes de ameaça alienígena, comuns nos anos 80, e pode divertir quem busca uma aventura descompromissada. Os efeitos são meio trash, e acredito que essa tenha sido a proposta. O que me chamou a tenção, é o elenco de veteranos que surge no filme: Além de Liam Neeson, já arroz de festa nessas aventuras, temos a Dama Vanessa Redgrave, estrela máxima do cinema, tv e teatro ingleses, e Lesley Manville, indicada ao Oscar por "Trama fantasma", de Paul Thomas Anderson. É muito curioso que elas participem de um filme B, o que prova que a diversão é para todos.

Julian

"Julian", de Cato Kusters (2025) Drama lésbico, "Julian" é adaptado do livro de memórias de Fleur Pierets, "Julian". Fleur (Nina Meurisse) e Julian P. Boom (Laurence Roothooft) se conhecem ao acaso, em 2017. Atrasada para um concerto, Fleur, esbarra em Julian para chegar ao seu assento. As duas mulheres cruzam olhares e a partir daí, é amor à primeira vista. Com ascendência na Itália e Grécia, países onde a união civil entre pessoas do mesmo sexo não é reconhecido, as duas decidem criar um projeto, chamado de "Projeto 22", que é o número de países onde o casamento entre iguais é permitido. O casal pretende viajar para cada um desses países, e se casar. Fleur, que é jornalista, tenta convencer seu editor sobre essa matéria. Elas se casam nos Estados Unidos, França, Bélgica e Holanda. Mas Julian descobre estar com câncer terminal e a história muda de rumo. Nos créditos finais, o filme avisa que, 8 anos após a morte de Julian, já são 39 países que rocnheceram o casamento civil entre a comunidade queer. O filme mistura texturas, trazendo imagens gravadas em celular e com a câmera digital de cinema. As duas atrizes estão ótimas, em um drama que comove pela proposta de eternizar o amor de duas mulheres que se amam. E como pano de fundo, um alerta sobre homofoobia e lesbofobia, revelando países que não aceitam a união civil entre pessoas do mesmo sexo.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

Socorro!

"Send help!", de Sam Raimi (2026) Após um hiato de 4 anos, desde "Dr Estranho e o multiverso da loucura", de 2022, sam Raimi retorna à direção com a comédia de terror psicológico "Socorro!", que traz o tipo de humor presente em seus filmes, como 'Dois heróis bem trapalhões", que traz um humor bizarro e surreal com personagens psicóticos. 'Socorro!" me fez lembrar do episódio de Pica Pau, "Pica pau em uma ilha deserta", onde ele e um Lobo procuram se matar um ao outro, e o filme "Triângulo das tristezas", que traz os elementos do naufrágio, da inversão da relação de poder e principalmente, quando um dos personagens decide que nao quer mais ir embora, mesmo tendo a chance de pedir socorro. E nada me tira da cabeça que Sam Raimi e os roteiristas tiraram muitos elementos dramatúrgicos desssas duas referências. Linda Liddle (Rachel McAdams) é funcionária de um escritório, cujo CEO, Brad (Dylan O'Brien) a ignora por não achá-la o sufuciente oara ser promovida. Linda é tímida e acaba sendo passada para trás por todos do escritório, onde sofre bullying. Brad oferece a Linda uma viagem de trabalho para a Tailândia para "provar seu valor". Linda fica indecisa se vai, mas acaba aceitando. No vôo, os colegas de trabalho olham um vídeo mostrando que Linda fez uma audição para participar de um programa reality estilo 'Survival". Todos riem e debocham dela. O avião sofre uma pena e cai, matando a todos, com exceção de Linda e Brad, que acordam em uma ilha deserta. Eles precisam aprender a sobreviver, apesar de Brad não querer ajuda de Linda. O filme é vendido como terror pela mídia. Mas é mais um grande pastiche, uma parábola sangrenta ( e sangue mesmo só em poucos momentos) sobre masculinidade tóxica, bullying, assédio moral profissional, que desencadeia problemas psicológicos nas pessoas. A personagem de Linda tem uma grande virada na história, que a meu ver, faz parder a sua força como ser humano. Mas como provavelmente o filme não é para ser leado à sério 9 até os efeitos especiais são meio toscos, principalmente o acidente de avião), o negócio é se divertir nessa redenção moral dos protagonistas.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

Terror Em Silent Hill: Regresso Para O Inferno

"Return to Silent Hill", de Christophe Gans (2026) Destruído pela crítica mundial e considerado desde já, um dos piores filmes de 2026, em um ano que está apenas começando. O filme é adaptação do game lançado em 2001 pela Playstation2, o segundo título de uma série. O filme está em seu terceiro lançamento, iniciado em 2006, e dirigido pelo mesmo cineasta desse filme de 2026, Christophe Gans. O 2o filme, dirigido por MJ Bassett, foi lançado em 2012. O filme fala sobre luto, culpa, negação através da história de James Sunderland (Jeremy Irvine). Ele é apresentado como um homem alcoolatra e arruaceiro. Ao receber uma carta de sua esposa, Mary (Hannah Emily Anderson), pedindo que vá reencontrá em Silent Hill, uma cidade próxima à montanhas. Ao chegar lá, ele encontra a cidade coberta de névoas, e povoada de monstros. Ele conhece pessoas que tentarão ajudá-lo, mas que na verdade, são projeções de sua mente. O filme trabalha em tempos narrativos distintos: o tempo presente, e um flashback, mostrando como ele conheceu Mary. Eu nunca joguei o game, só assisti imagens aleatórias em videos na rede social. O grande problema do filme, é que ele não assusta. Tudo é mal feito, a pós produção é terrível: croma tosco, criaturas que assustam menos que suas versões para o game, uma história óbvia e um protagonista sem carisma. Não há tensão, e a gente não torce pelo protagonista. A história de amor, que gerou todo o trauma, não convence o espectador.

Merrily We Roll Along

"Merrily We Roll Along", de Maria Friedman (2025) "Merrily We Roll Along" é um musical de Stephen Sondheim que narra, em ordem cronológica inversa, o fim da amizade entre três artistas ao longo de 20 anos (de 1976 a 1957). A história foca no compositor Franklin Shepard, que abandona seus ideais e amigos (Charley e Mary) em busca de fama em Hollywood, mostrando como o sucesso pode corromper relacionamentos. O musical é baseado em uma peça de 1934 de George S. Kaufman e Moss Hart. Sondheim o adaptou em 1981. Em 2023, a diretora teatral Maria friedman montou a sua versão para a Brodway, com Jonathan Groff como Frank, Daniel Redcliff como Charley e Lindsay Mendez como Mary. A temporada foi de 10 de outubro de 2023 a 7 de julho de 2024, com ingressos esgotados. No final de 2024, Maria decidiu filmar uma versão para o cinema, fazendo um registro da encenação do palco, no Hudson Theatre ( assim como ocorreu com o musical "Hamilton"). O cineasta Richard Linklater, curiosamente, está filmando a versão para o cinema, com Paul Mescal, Ben Platt e Beanie Feldstein. Só que ele usará o mesmo recurso narrativo de "Boyhood": pretende filmar durante 20 anos a história, que é o período em que acontece a amizade dos amigos. Narrado de trás pra frente, a história começa com os personagens adultos, cínicos e desiludidos, e termina com eles jovens, esperançosos e sonhadores. Em 1976, Frank é um poderodo produtor de Hollywood. Divorciado, ele sente falta de seus amigos: Mary, que é uma crítica de teatro alcoolatra, e Charley, vencedor do premio Pulitzer, mas que se recusa a se encontar com Frank, A história vai regredindo e mostrando como tudo começou, e porque a amizade esfriou. Eu não fazia idéia de que Daniel redcliff, o eterno Harry Potter, cantava e dançava. ele está excelente, com um carisma enorme. Jonathan Groff é o grande talento musical que todos já conhecem. Lindsay Mendez é ótima comediante, eu não a conhecia. Todo o elenco de apoio é muito talentoso, se revezando em diversos papéis. O filme tem 2 hrs 25 minutos.

terça-feira, 27 de janeiro de 2026

O cativo

"El cautivo", de Alejandro Amenábar (2025) O espanhol Alejandro Amenábar ganhou o Oscar de filme estrangeiro em 2003 por "Mar adentro" (com Javier Barden) . Famoso pelos filmes "Abra os olhos" (com Rachel Weiz e Oscar Isaac), "Regressão" (com Emma Watson e Ethan Hawke) e principalmente, "Os outros", ( com Nicole Kidman), Amenábar sempre trabalhou com grandes estrelas. Em "O cativo", Amenábar co-escreve e dirige um roteiro que mescla realidade e ficção em uma etapa da vida do escritor Miguel de Cervantes, autor de "Dom Quixote", muitos anos antes dele escrever o livro de ficção mais vendido da história. O filme traz cenas homoeróticas, que sugerem um relacionamento entre o jovem Cervantes (Julio Pena) e o governador de Argel, Hasán Bajá (Alessandro Borghi). Me lembrei de imediato de "Ben Hur" e "Lawrence da Arabia", com as cenas sensuais e de segundas intenções entre os heróis e os vilões da história, em momentos íntimos, seja no banho ou em repouso no quarto, desnudos. Em 1575, o jovem Miguel de Cervantes é feito prisioneiro e vendido ao temido Hassan Bajá, governador de Argel. Ele foi capturado por piratas berberiscos enquanto viajava de Nápoles para Espanha. Ele carrega cartas de recomendação assinadas por Don Juan de Austria, o que faz seus captores imaginarem que têm em mãos um prisioneiro valioso. A família de Cervantes não tem como pagar o resgate, e ele acaba ficando preso por cinco anos. Após várias tentativas de fuga, Cervantes e mais de cem companheiros foram finalmente libertados em 1580 por frades da ordem trinitária. O filme sugere que essa vivência de Cervantes no cárcere o influenciou na escrita de "Dom Quixote". Tanto esse fato quanto o relacionamento entre ele e o governador, que no filme sugere intimidade, foram questionados por historiadores após assistirem ao filme. É uma grande produção, com requintes na fotografia, direção de arte, figurino e maquiagem. Faltou emoção na narrativa, árida. A trama em si é interessante, até pela curiosidade em descobrir de onde vieram inspirações para suas obras futuras.

Album de família

"Album de família", de Laura Casabe (2024) Documentário Lgbtqiap+ argentino, que traz ao público a história de Claudia Pía Baudracco, Pioneira na luta direta pelos direitos das pessoas trans na Argentina e figura central na fundação da Associação de Travestis, Transexuais e Transgêneros da Argentina. O filme engloaba a história de luta de Claudia dos anos 80, durante a ditadura militar no país, onde as travestis eram espancadas, torturadas e perseguidas nas ruas, passando pelo HIV, tráfico de silicone, e chegando em 2012, com a promulgação das conquistas de direitos com a Lei de Identidade de Gênero. O filme traz históricas imagens de arquivo de manifestações, entrevistas, reportagens, matérias de tv com integrantes da comunidade queer. Através da história de Claudia, e dos depoimentos de pessoas próximas à ela, a diretora Laura CAsabe traça um rico painel dobre o movimento trans e travesit do país.

Kokuho - O preço da perfeição

"Kokuho", de Sang-il Lee (2025) Quem assistiu à obra-prima de Chen Kaige, 'Adeus, minha concumbina", vencedor da palma de ouro em Cannes em 1993, irá encontrar muitas semelhanças com "Kohuko- O preço da perfeição". A rivalidade entre artistas, o teatro e a música, a beleza das apresentações, a obsessão pela perfeição, o rigor da preparação, os figurinos e maquagem exuberantes, os cenários requintados e claro, o excepcional trabalho dos atores em extensa preparação artística. Concorrendo na Quinzena dos realizadores no Festival de Cannes 2025, o filme entrou para a shport list do Oscar internacional 2026, representando o Japão. Baseado no romance homônimo de Shuichi Yoshida, 2018, o filme abrange dos anos 60 até 2014, realizando um ambicioso e rico painel histórico, através da rivalidade entre 2 atores que disputam o papel de Onnagata, que é o ator que interpreta o papel feminino, o mais complexo e aclamado pelo público. A prática surgiu em 1629, após o governo japonês proibir mulheres de atuar no teatro kabuki por questões morais e desde então, homens interpretam mulheres. O filme recebeu indicação de Oscar de melhor maquiagem. "Kohuko" se tornou o filme live action de maior bilheteria da história no JApão, com mais de 12 milhões de ingressos vendidos. Nos anos 60, Kikuo (Sōya Kurokawa, ator de "Monster), é um jovem filho de um chefe da Yakuza que se apresenta em uma comemoração de novo novo para o seu pai. Durante o evento, uma gangue rival surge e mata o pai de Kikuo. Ele é apadrinhado pelo lendário ator de kabuki Hanai Hanjiro II ( o astro Ken Watanabe), que fica impressionado pelo talento do garoto. Kikuo passa por uma rigorosa disciplina de estudos para se tornar um Onnogata, junto do filho de Hanai, Shunsuke, herdeiro natural da tradicional casa Tanba-ya. Kakuo fica em conflito por ser filho de um Yakuza e não pertencer a nenhuma linhagem de atores do Kabuki. Os anos se passam, e a rivalidade entre Kakuo e Shunsuke cresce, em meio a ciúmes profissionais. Kakuo, agora casado e com uma filha, se ressente de não poder dedicar tempo à esposa e à filha, sacrificando a vida familiar pela obsessão em se tornar o maior Onnogata do país.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

O fantasma da ópera

"O fantasma da ópera", de Julio Bressane e Rodrigo Lima (2025) O espectador desavisado, ao ver o título do curta experimental de Julio Bressane, co-dirigido por Rodrigo Lima, poderá penas que o filme se trata de uma livre adaptação do clássico "O Fantasma da Ópera", escrito por Gaston Leroux 1909 e adaptado em inúmeras adaptações para o cinema e também no mega sucesso da Broadway que permaneceu por 35 anos em cartaz. O filme de Bressane, cineasta conhecido no Brasil e no mundo pelos seus filmes que deram origem ao movimento do cinema marginal que gerou clássicos como "Matou a família e foi ao cinema" e "O anjo nasceu"tem como origem o seu próximo projeto, o longa “Pitico”, em que conta a história de uma pequena cidade de interior a partir de documentos reunidos pelo historiador de província Hermes Aires Azevedo, protagonizado por Paulo Betti. "O fantasma da ópera" é uma coletânea de imagens de bastidores dessa filmagem, apresentando Bressane em seu processo criativo de direção de atores, de decupagem de planos, de conversas com sua equipe técnica, de descoberta, de revelação do trabalho de profissionais, fazendo um filme independente dentro de um orçamento possível. O contraste de Bressane, às vésperas de 80 anos de idade, com uma equipe formada por jovens, traz um significado belo e poético sobre a experiência e sabedoria de um dos maiores pensadores de cinema e da arte no país, estimulando a geração nova do audiovisual a refletir e se provocar criativamente. O próprio Bressane diz que seu filme não é um making of no sentido padrão do que conhecemos como curiosidade de bastidores. É um filme sobre processos, mas com uma narrativa livre, sem querer ser coerente e didático, mas com um olhar poético e repleto de símbolos.

domingo, 25 de janeiro de 2026

Azuro

'Azuro", de Matthieu Rozé (2022) Longa de estréia do ator francês Matthieu Rozé, "Azuro" é uma adaptação do romance de Marguerite Duras, "Os Cavalinhos de Tarquinia", escrito em 1953. Buscando inspiração no existencialismo de Antonioni e sua obra-prima 'A aventura", Matthieu Rozé faz um filme de visual ensolarado, rodado na região da Cote D'azur ( mas falseando como se fosse em uma costa italiana, região onde o romance de Duras acontece). A obra de Duras descreve cinco amigos franceses que todo ano, se hospedam na mesma enseada italiana. Vivendo o ócio e o tédio , dois casais e uma amiga aparentam felicidade, mas os relacionamentos desgastados são camuflados pela aparente felicidade de uma viagem no paraíso, em pleno calor de uma praia agradável. Até que um estranho surge, e a sua presença abala as relações de todos. Os personagens estão na faixa dos 35/40 anos. Pierre e Sara (Yannick Choirat e Valérie Donzelli) são pais de um menino de 10 anos. Gina e Vadin (Maya Sansa e Thomas Scimeca) formam o outro casal. Margaux (Florença Loiret Caille) é a amiga solteira dos casais. Quando surge um homem, (Nuno Lopes). em seu barco, Sara sente atração por ele. O filme é um exemplo de existencialismo do cinema contemporâneo. Ritmo arrastado, lento. Atores em longos diálogos entediantes. Poucas ações acontecendo. Me lembrei até de "O pântano", de Lucrecia Martel, só que ali, ela reforça o tédio e o marasmo com um rigor estétivo e visual, além de uma angustiante edição de som. Não curti muito o filme, mas li que ele é bastante fiel à obra de Duras.

A friend of Dorothy

"A friend of Dorothy", de Lee Knight (2025) Escrito e dirigido Lee Knight, "A friend of Dorothy" é um premiado curta inglês Lgbtqiap+ finalista do Oscar de curta live action 2026. O filme apresenta uma amizade improvável, entre uma idosa de 70 anos, Dorothy (Miriam Margolyes) e um jovem estudante negro, JJ (Alistair Nwachukwu). O filme começa com a abertura do testamento de Dorothy, recém falecida. Estão presentes JJ e o neto de Dorothy, o jovem arrogante e esnobe Scott (Oscar Lloyd). O filme volta ao tempo. JJ toca na campainha da casa de Dorothy, sua vizinha. Ele diz que sua bola caiu no jardim dela. Ela diz que pega, se ele abrir uma lata de ameixas, que ela não consegue mais abrir. Fascinado pela biblioteca repleta de peças de teatro gays de Dorothy, ele confidencia para ela que sempre sonhou em ser ator, mas seu pai quer que ele seja esportista. Com ótimas e comoventes performances do elenco, o filme busca ser um melodrama até previsível, mas feito com sensibilidade. O tom do personagem de Scott é exagerado e caricato, mas ajuda o espectador a se apaixonar ainda mais pela amizade dos dois vizinhos.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

Maspalomas

"Maspalomas", de Aitor Arregi e Jose Mari Goenaga (2025) Indicado a 5 prêmios Goya 2026, incluindo melhor filme, ator e ator coadjuvante , "Maspalomas" é um drama lgbtqiap+ espanhol, escrito por José Mari Goenaga, que co-diriu o filme com Aitor Arregi. O filme é um pungente relato sobre a homossexualidade na terceira idade, com todas as questões sociais e emocionais envolvidas. Ambientado em 2019, um pouco antes do surgimento dos primeiros casos de Covid no mundo, "Maspalomas" e dividido em 2 partes. A 1a é ambientada nas Ilhas Canárias. O protagonista, Vicente (José Ramón Soroiz) tem 76 anos. Ele vive em plenitude a sua liberdade sexual: frequenta praia de pegação, faz s3x0 com anônimos. Depois frequenta festas e baladas gays, onde participa de orgias. Essa 1a parte é colorida, solar, repleta de cenas de s3x0 vividas com muita intensidade pela comunidade gay, como um verdadeiro paraíso hedonista. Durante uma relação s3xual, Vicente passa mal. Toda essa parte dura 20 minutos, e só aí surge o título do filme. Após, o filme começa a sua 2a parte. Vicente, que teve um Avc, está em uma clínica de idosos em San Sebastian. É um ambiente frio e sem cor. Ele está sendo hospedado por sua filha, que ele abandonou com a sua ex-esposa, quando descobriu-se gay e foi viver a sua vida. Anos depois, existe um ressentimento entre eles. Vicente observa o ambiente e os internos da clínica e decide que vai esconder a sua homossexualidade. O filme traz temas polêmicos: a volta ao armário, a gerontofilia ( atração s3xual por pessoas idosas) e a solidão e isolamento na terceira idade, principalmente para a comunidade lgbt. Como tema, é clara a mensagem do roteirista: o corpo e a mente envelhecem, mas o desejo continua o mesmo. Os dilemas vividos por Vicente, de viver uma vida reprimida e de fachada até que decsobriu-se gay e abandonou mulher e filha para viver com toda a intensidade a sua homossexualidade, e agora, idoso, enfrentando o medo da morte iminente. A morte está em todo o lugar: no avc, nos colegas de quarto que morrem, na covid que se aproxima. Vicente investe o seu dinheiro em busca de praezr, pagando garotos de programa. Não existe conduta de ética nem ninguém que o recrimine. É um filme que permite que um idoso gay viva a sua felicidade, da forma que tiver que ser. Uma grande atuação do ator José Ramón Soroiz, entregue em cenas viscerais e de intensa emoção.

Fica comigo essa noite

"Fica comigo essa noite", de João Falcão (2006) A peça "Fica comigo essa noite", de Flavio de Souza, foi escrita em 1988 e montada nos palcos por Marisa Orth e Carlos Moreno no mesmo ano. Desde então, a peça teve diversas montagens, sendo a última delas, com Marisa Orth e Miguel Falabella. O filme adaptado da peça foi lançado em 2006, com adaptação feita pelo diretor João Falcão e por Adriana Falcão e Tatiane Maciel. Os autores criaram mais personagens e tramas paralelas para tornar a história mais dinâmica e ficar com menos ambientação teatral, já que o tetxo original continha apenas 2 atores em cena. A equipe técnica é composta do premiado fotógrafo Mauro Pinheiro Jr, da figurinista Kika Lopes, do diretor de arte Marcos Figueroa, entre outros, e traz uma linguagem e conceito mais próximo à uma fantasia gótica, buscando referências em Tim Burton e seus tipos excêntricos. Vladimir Brichta é Edu: músico e escritor das histórias em quadrinhos "Fantasma com coração de pedra". Um dia, em uma livraria, ele conhece Laura (Alinne Moraes, em estréia nos cinemas). Laura está noiva de Tomaz (Rodrigo Penna), mas a química entre Edu e Laura é imediata e eles acabam se casando. Anos depois, o casal está em crise. Edu viaja demais com os shows, e Laura se ressente de sua ausência. Ao retornar de um show, Edu acaba morrendo. Sua alma não vai embora, e permanece presa na casa. Ele conhece o Fantasma do coração de PEdra (Gustavo Falcão), que tambéme stá preso ali, apaixonado pela vizinha Mariana (Clarice Falcão e Laura Cardoso). Edu pede ajuda ao Fantasma para poder se comunicar com Laura uma última vez. Dá para perceber que o filme tinha um orçamento limitado, mas o trabalho dos atores é carismático o suficiente para chamar a atenção do público. O roteiro vai por caminhos imprevisiveis. Gustavo Falcão é o grande destaque, em seu tipo meio Jonnhy Depp, repleto de excentricidades.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

Três dias do Condor

"Three Days of the Condor", de Sidney Pollack (1975) Um clássico do cinema de espionagem e de paranóia, muito comuns nos anos 60 e 70 nos Estados Unidos, "Três dias do condor" é uma adaptação do romance escrito por James Grady, que se chama "6 dias do condor". A redução de dias na adaptação para o cinema foi com a intenção de tornar o filme mais tenso e aumentar o suspense de acordo com o passar dos dias. A produção é do magnata do cinema italiano Dino de Laurentis, e a direção de Sidney Pollack, que já havia dirigido Robert Redford no total de sua carreira por 7 vezes, incluindo "Entre dois amores", "Nosso amor de ontem", "Havana" e "O cavaleiro elétrico". O filme foi indicado ao Oscar de edição. Robert Redford é Turner, um pesquisador da CIA e que trabalha em um escritório em Nova York, disfarçado com a fachada de American History society. Junto de 6 colegas, eles lêem tudo que sai impresso na mídia e em publicações para tentarem decsobrir mensagens codificadas. Quando Turbner sai para almoçar, ao retornar, encontra todos os seus colegas assassinados. Ele fose e procura entender o que está acontecendo, sem poder confiar em ningúem. Ele sequestra uma mulher em uma loja, Kathy (Faye Dunaway), e se esconde na casa dela. Com um elenco formidável, que inclui Max Von Sydow, em um papel antológico de um assassino, Joubert, e Cliff Robertson, como o diretor da CIA, Higgins. Muito bem dirigido por Pollack, o filme traz 2 cenas que são aula de cinema e de montagem: a cena do assassinato dos colegas de Turner, e a cena em que ele transa com Kathy, alternando a dupla com fotografias tiradas por ela, que é fotógrafa. Li inclusive que foi uma das inspirações possíveis para o filme "O agente secreto".

Norita

"Norita", de Jayson McNamara e Andrea Carbonato Tortonese (2024) Com produção executica de Jane Fonda e do compositor Gustavo Santaolala, o documentário argentino "Norita" é um importante registro histórico sobre os mortos e desaparecidos da ditadura militar argentina, através dos depoimentos das mães da Praça de maio. "A juventude é sempre uma coisa incomoda para a sociedade. Porque tem sonhos, tem impulsos, e as veze nao mede as consequencias de sua propria proposta.". Essa frase é dita em um depoimento de uma colega de faculdade do estudante Gustavo Cortinas, militante contra a ditadura e que foi sequestrado e permaneceu desaparecido. Sua mãe, Nora Cortinas, era uma dona de casa e que por conta do desaparecimento do filho, se afiliou às mães da praça de maio e se tornou uma de suas grandes militantes, inclusive participando de outros movimentos, como a da legalização do aborto. Nora, ou Norita, se tornou uma figura renomada nos movimentos pelos direitos humanos e pelos direitos das mulheres na Argentina. Por mais de 45 anos, ela, juntamente com outras mulheres, esteve na linha de frente da luta pela democracia. Unindo depoimentos das mães sobreviventes, com sobreviventes das torturas, imagens de arquivo e animação, "Norita" traça um painel político e social da Argentina, do governo do General Videla, com os governos atuais. Um momento comovente e chocante, foi quando aparecem imagens de arquivos de 3 mães da Praça de maio pioneiras, que foram sequestradas, torturadas e jogadas vivas em alto mar. Por ironia do destino, os 3 corpos chegaram juntos na beira da praia, retratando simbolicamente, a união dessas mulheres.

Animal

"Animal", de Armando Bo (2018) Armando Bo é um cineasta e roteirista argentino, famoso pelas suas parcerias com o mexicano Alejando Inarritu, com quem escreveu "Biutiful" e "Birdman", pelo qual ganho o Oscar de roteiro. Em "Animal", Bo escreve um roteiro que provoca angústia e opressão no espectador, do início ao fim. eu nem indico esse filme a ninguém, não porque ele seja bom, e é bom, mas pela sensação de ódio e raiva pelo ser humano, no pior da sua essência egoísta, egocêntrica, manipuladora, aproveitadora. Fiquei muito irritado com todos os personagens desse filme e pelo roteiro. O filme é protagonizado por Guillermo Francella, um dos melhores atores argentinos em atividade. Dono de um humor incrível e também de dramaticidade exemplar, Francella é um ator completo e visceral. Quem o viu em "O clã", sobre um ex-torturador da ditadura, sabe do que ele é capaz. ele é Antonio Decoud, um hoimem de 60 anos com a vida perfeita: financeiramente estável, um emprego de gerente em um frigorífico, uma esposa adorável, 3 filhos apaixonantes e estudiosos. Mas tudo começa a ruir quando Antonio desmaia ao fazer exercícios e descobre que um de seus rins está falhando e precisa de um transplante o quanto antes. O seu filho é compatível, mas no dia da cirurgia, o rapaz foge e desiste de doar para seu pai. Desesperado e com o tempo contra, Antonio posta um anúnico online. Um jovem casal, Elias (Federico Salles) e Lucy (Mercedes De Santis), desempregados e prestes a serem desalojados, encontram ali a oportunidade perfeita para darem um golpe. Eles entram em contato com Antonio e exigem uma casa em troca de um rim. Mas ao longo da transação, passama. exigir mais e mais valores, o que faz com que a esposa de Antonio se estresse e se separe dele. O filme apresenta o pior do ser humano, e sério, é muito difícil de assistir. Poderia ser um episódio encurtado de "Relatos selvagens", naquele nível de falta de fraternidade entre as pessoas. Francella é um grande ator e a virada de seu personagem é excelente, imprevisível. Os atores que interpretam o casal Elias e Lucy são ótimos, tão críveis que desejei todo o mal para eles.

terça-feira, 20 de janeiro de 2026

Blue spring

"Aoi haru", de Toshiaki Toyoda (2001) Adaptação do mangá escrito por Taiyô Matsumoto, "Blue spring" traz a obsessão dos japoneses por estudantes de ensino médio e tendências suicidas. Na escola de ensino médio Asahi, frequentadas por alunos do sexo masculino, os estudantes são rebeldes, e os professores, passivos e nada fazem para mudar a rebeldia dos rapazes. No telhado, as gangues de alunos se reúnem para participar de uma brincadeira mortal: perndurados em um corrimão, eles participam de um jogo onde batem palmas e soltam o corrimão. Existe o risco de cair e morrer. Para o vencedor, o aluno se tornará o rei da escola por um período. Kujo (Ryuhei Matsuda) é o mais recente vencedor e, inicialmente, se adapta ao seu novo papel, distribuindo violência a quem cruzar seu caminho. Os colegas da gangue possuem, cada um, seus problemas pessoais, com histórias de violência. O filme não tem uma narrativa coesa. Assim como o manga, são pequenos sketches revelando a rebeldia e a violência dos jovens, em constante briga de gangues. É um retrato desolador da juventude japonesa, envolvidos em mortes, descaso e assassinatos.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

A Voz de Hind Rajab

"Sawt Hind Rajab", de Kaouther Ben Hania (2025) Grande premio do juri no Festival de Veneza 2025, "A voz de Hind Rajab" foi indicado pela Tunísia para uma vaga ao Oscar de filme internaconal 2026. O filme é escrito e dirigido pela tunisiana Kaouther Ben Hania , a mesma do premiado "As 4 filhas de Olfa". Com tradição nos documentários, Kaouther mistura a linguagem do real com dramatização. "A voz de Hind Rajab" acontece em um único dia, durante 3 horas, e é todo ambientado no cenário do Centro voluntário de chamadas de emergencia do Crescente Vermelho no Ramallah, Cisjordania. Para quem assistiu "O culpado", filme dinamarquês de 2019, vai entender toda a dinâmica da narrativa. Em um tempo real, voluntários tentam desesperadamente acionar o socorro para que Hind Rajab, de 5 anos, seja salva. O espectador assiste o filme já sabendo de seu final, afinal, basta ler a sinopse para entender o destino trágico da criança. Mas a direção de Kaouther Ben Hania traz uma dinâmica nervosa e viva, como se ela pudesse mudar a tragetória. A história ocorreu no dia 29 de janeiro de 2024, dia em que Hindi, sua prima e seus tios foram assassinados pelas Forças de Defesa de Israel, durante a invasão israelense da Faixa de Gaza. Uma ambulância, com dois socorristas, também foi atingida e mortos ao tentarem fazer o socorro. Uma grande polêmica envolvendo ética foi um dos pontos criticados pela produção. Durante a dramatização com atores, a voz de Hindi ao telefone, além de sua prima, são as vozes reais, gravadas na ocasião. Muitas pessoas reclamaram e acusaram a produção de oportunista. Controvérsias à parte, o filme tem uma cena brilhante, que mistura documental e ficção: um celular mostra um vídeo real dos voluntários na negociação com o exeçrito de Israel para liberarem o socorro, e ao mesmo tempo, a câmera mostra o elenco reproduzindo a cena do vídeo.

Os amantes do rio

"Suzhou River", de Ye Lou (2000) escrito e dirigido pelo cineasta chinês Ye Lou, "Os amantes do rio" é um romance policial noir, com direito a narrador e cenas com chuva, além d aineviável femme fatale. O roteiro traz referências à "Um corpo que cai", de Hitchcock, com uma personagem que morre e retorna como uma outra mulher, para espanto do protagonista. O diretor Ye Lou foi proibido pelo governo chinês de fazer filmes por dois anos por ter realizado o filme sem a devida autorização. Mardar é um entregador que faz trabalhos para quem o contrata. Mardar tem uma namorada que planeja o sequestro da filha de um contrabandista de bebidas. A jovem Moudan, tem 16 anos. Mardar se aproxima da jovem que imediatamente se apaixona por ele. Mardar também sente afeição por ela. Quanda a jovem descobre o plano de sequestro, ela se frustra e se joga do rio Suzhou, em Shanghai, desaparecendo. Mardar é preso e três anos depois, sai da prisão. Ao frequentar um bar, Taberna feliz, ele encontra uma dançarina, Meimei, exatamente igual à Moudan, e fica facsinado por ela. ele acredita que está tendo uma 2a chance em sua vida. O filme é belamente fotografado e tem uma narrativa que lembra os filmes de Wong Kar Wai dos anos 90, com câmera trêmula e granulação na imagem. É uma história de amor e crime, com um desfecho que me deixou confuso.

domingo, 18 de janeiro de 2026

O som da queda

"In die Sonne schauen", de Mascha Schilinski (2025) Indicado pela Alemanha para uma vaga ao Oscar de filme internacional 2026, "O som da queda" venceu o grande prêmio do juri no Festival de Cannes 2026. O filme é escrito e dirigido pela cineasta Mascha Schilinski, após a sua estréia com o denso e provocativo 'dark blue girl", de 2017. "O som da queda" me fez lembrar como estrutura de "Aqui", de Robert Zemeckis. Mas a semelhança fica apenas no fato de toda a história acontecer em uma mesma fazenda rural no nordeste da Alemanha, pelo ponto de vista dela acompanhando diversas gerações e famílias que a habitam. "O som da queda" a presenta 4 histórias intercaladas, todas protagonizadas por jovens mulheres, e que posuem a morte como eixo central. Suicídio, abuso s3xu4l, esterilização forçada de criadas são situações pelos quais as mulheres passam. Em 1910, a pequena Alma vive com sua família. Seu irmão mais velho, Frank, tem a sua perna amputada pelos pais para que ele não seja convocado para a guerra. Alma tem o mesmo nome de sua irmã, que morreu antes dela. Em 1940, a adolescente Érika tem desejos s3xu4ais despertados pelo seu tio Frank, agora na meia idade. Temendo a chegada de soldados, as mulheres têm um destino trágico no rio que cerca a fazenda. Nos anos 80, com a Alemanha dividida, Angelika trabalha com outros jovens na fazenda agora comunitária. Ela é abusada pelo tio, ao memso tempo que tem atração pelo seu primo. Nos dias atuais, as irmãs Lenka (Laeni Geiseler), uma adolescente, e a pequena Nelly (Zoë Baier) passam as férias na fazenda, com outras famílias. Quando Lenka se sente atraída por outra garota, Nelly se sente rejeitada e abandonada. Com 150 minutos, "O som da queda" é um filme complexo e quase experimental. A fotografia reproduz em alguns momentos uma imagem esmaecida, em formato 4:3, enquanto a edição de som trabalha com sons estranhos. O filme tem cenas belíssimas, muito erotismo e momentos angustiantes: a menina que se suicida quando passa um trator é horrivel.

All that we love

'All that we love", de Yen Tan (2024) Concorrendo em Tribeca, o drama feel good movie "All that we love" é co-escrito e dirigido pelo cineasta malasiano-americano Yen Tan. A comediante Margareth Cho protagoniza a história, trazendo um registro dramático. Ela é Emma, editora de uma revista. Ela mora sozinha com seu cachorro Tanner. Sua filha, Maggie (Alice Lee), de 20 anos, está namorando um australiano Nate, e ela anuncia que irá se mudar para a Austrália, para desespero de Emma. O ex-marido de Emma, Andy (Kenneth Choi), que abandonou Emma e Maggie por uma amante e que se mudou para a Singapura, está de volta à Los Angeles, após se separar da nova mulher e perder seu contrato de ator. Emma discute com seu melhor amigo, o gay Stan (Jesse Tyler Ferguson), que Maggie considera como padrasto, por causa de Andy, que Emma recomeça a flertar, apesar de ter sido traída e abandonada. E para piorar, seu cachorro Tanner, morre. Maggie precisa aprender a lidar com tantas perdas e stress e colocar sua vida novamente em dia. O filme alterna drama e algumas doses de humor, graças aos talentos de Margaret Cho e de Jesse Tyler Ferguson,que possuem boa química como amigos. O filme tem belas cenas comoventes, conduzidas com sensibilidade pelo diretor. Temas como ninho vazio e a perda de um pet deixam claro que tornam a vida de um se rhumano mais miserável e triste.

Ninja scroll

"Jûbê ninpûchô", de Yoshiaki Kawajiri (1993) Clássico anime escrito e dirigido por Yoshiaki Kawajiri, "Ninja scroll" faz parte da lista dos animes adultos aclamados pela crítica, onde constam "Akira" e "Ghost in the shell". O filme influenciou As irmãs Wachowski na concepção da franquia "Matrix", com as suas elaboradas cenas de luta e ação. "Ninja scroll" contém cenas extremamente violentas, com muitas mutilações, além de uma brutal cena de 3xtupr0. Um andarilho solitário, o ninja Kibagami Jubei, salva a ninja Kagero de um ataque de um demônio. Kagero nasceu com veneno dentro de seu corpo, e quem a beijar, morrerá em seguida. Jubei e Kagero são escalados pelo espião idoso Dakuan para uma missão: eliminar Himuro Genma, que escalou um exército de 8 guerreiros demoníacos com a intenção de assumir o poder no Japão. Cada demônio possui uma habilidade, botando a vida e Jubei e Kagero em perigo. As cenas de ação do filme são absolutamente incríveis. Considerando o ano em que foi lançado, em 1993, "Ninja scroll" é violento em todos os níveis, e definitivamente, não deve ser assistido por crianças. A história de amor entre Jubei e Kagero é comovente, pela impossibilidade de acontecer. A batalha final, entre Jubei e Genma à bordo de um navio, é primorosa e repleta de tensão.

Fiume o morte!

"Fiume o morte!", de Igor Bezinovic (2025) Indicado pela Croácia para representar o país à uma vaga ao Oscar de filme internacional em 2026, "Fiume o Morte!" é um documentário com cenas dramatizadas. O diretor Igor Bezinovic busca no passado da cidade Rijeka, na Croácia, o tema inusitado para o filme. Em 1919, após a 1a guerra mundial, Mussolini envia para Fiume, o nome antigo da cidade, Gabriele D’Annunzio, que vinha a ser poeta, dramaturgo, orador, jornalista, aristocrata e eventualmente um dos “fundadores” do fascismo italiano. FIume era uma cidade muito importante geograficamente por ficar bem na fronteira dos 2 países. Durante 16 meses, D'Annnunzio governou a cidade. Ele mandou tirar mais de 10 mil fotografias, para que a sua presença fosse registrada. O cineasta começa o filme perguntando para diversos populares na rua, de idades variadas, quem era Gabriele D’Annunzio. nenhum sabe dizer. Apenas um senhor, que trabalha em um museu, s elembrava: 'Éra um fascista italiano". Os moradores da cidade apagaram de sua memória a existência do italiano, que assim que começou o seu governo, mandou nomear praças, ruas e prédios com o seu nome. Ao fim do governo, todas as placas foram retiradas. Os cidadãos atuais não querem se lembrar desse período fascista da história de sua cidade. O cineasta convoca populares para dramatizarem passagens históricas e repdoduzir as poses das fotos. O filme tem tom de deboche, paródia e mais interessante ainda, um forte homoerotismo. Em diversas fotos, os legionários, como eram chamados os soldados italianos que vieram servir na cidade, tiravam fotos na praia ou em serviço sem camisa. O cineasta convoca jovens bonitos e musculosos para reproduzirem as fotos. O filme venceu o prêmio de melhor filme no Festival de Rotterdan 2025.