segunda-feira, 2 de novembro de 2026

Primetime

"Primetime", de Lance Oppenheim (2026) Concorrendo no Fetsival de Veneza 2026 ao Leão de ouro, "Primetime" o o longa de ficção de estréia de Lance Oppenheim, famoso documentarista que co-dirigiu o elogiado "You can see everything". Em "primetime", Oppenheim aponta as suas lentes para o famoso jornalista da NBC Chris Hansen, apresnetador e show runner do programa sensacionalista "To catch a predator", um reality onde pedófilos predadores são flagrados em armadilhas com atores contratados para se fazerem passar por menores de idade, e televisionado por todo o país, serem presos pela polícia. O programa foi alçado ao horario nobre pela NBC para disputar em aduiência com o seriado "Lost". Além de Chris Hansen, que é mostrado como um profisisonal sem escrúpulos e em busca de audiência, o roteiro traz Merritt Wever como a sua produtora Andie Bender, e Skyler Gisondo como Dan Plum, um jovem ator que deseja se firmar como ator e ser aceito pelo SAG, e que se inscreve para ser o cobaia no programa para predadores. Todos os personagens são descritos com conflitos morais, e esse é um grande mérito do roteiro escrito por Ajon Singh e Luke Dittrich. A direçao traz a tensãoe. a dinâmica dos bastidores de um programa ao vivo, com elementos de thriller e policial. A atuação de Robert Pattinson foi celebrada por diversos críticos como a mais madura de sua carreira.

Your Mother Your Mother Your Mother

"Your Mother Your Mother Your Mother", de Bassam Tariq (2026) Escrito e dirigido por Bassam Tariq ( de "Mogul Mowgli", com Riz Ahmed), a sua parceria com o ator Mahershala Ali surgiu quando ambos iriam trabalhar na nova versão de "Blade". Mas ambos acabaram saindo do projeto. Mahershala Ali aproveitou o seu treinamento para "Blade" e a aproveitou em "Your Mother Your Mother Your Mother", um drama de ação com temática religiosa, e que traz referências aos filmes da franquia John Wick e dos filmes de Nicholas Winding Refn. Muita ação e violência estilizada, ao trazer a história de Latif, um assassino de aluguel muçulmano. Quando sua filha mais velha, Fathia (Adia) liga dizendo que sua mãe faleceu, Latif perde seu rumo. Tendo cuidar de 3 filhos- além de Fayjia, tem o adolescente Kadir (Jahleel Kamara) e um bebê recém nascido. O leite materno está acabando e o bebê não toma leite industrial. Latif vai pedir ajuda para Fugazzi (Tiffany Boone), que está amamentando. Ex-prostituta agenciada por Hatty, um jovem que produz conteúdo pronográfico para os muçulmanos. Fugazzi agora convertda, faz parte da igreja do pastor radical Hwan (John Cho), que quer eliminar Hatty, por considerar o trabalho dele imoral e contra os princípios religiosos. Mike (Laith Nakli), o chefe de Latif, pede que ele mate Hwan por ele estar ameaçando seu sobrinho Hatty. Mais drama do que ação, "Your mother your mother your mother" conta com o excelente trabalho de atuação do elenco. Além de Mahershala Ali, Adia, como sua filha, é sublime. John Cho, que merecia há tempos estar no patamar do alto escalão de Hollywood, me fez lembrar do personagem de Steven Yeun em "Não! Não olhe", de John Pelle, com seu estilo cowboy messiânico.

Barba ensopada de sangue

"Barba ensopada de sangue", de Aly Muritiba (2024) Adaptação do romance de Daniel Galera lançado em 2012, "Barba ensopada de sangue" foi adaptado por Aly Muritiba e Jessica Candal. Esse é o filme que vem depois do sucesso de crítica "Deserto particular", que representou o Brasil no Oscar internacional em 2022, não seguindo entre os finalistas. Filmado nas praias do litoral sul de São Paulo, Cananéia e Ilha comprida, representando a ficatícia praia de Armação, onde a história acontece. No prólogo, o pai de Gabriel (Gabriel Leone) o chama para falar de avô de Gabriel: ele desapareceu misteriosamente na vila de pescadores chamada Armação. O pai de Gabriel pede para que ele cuide do cachorro, e se mata com um tiro. Um tempo depois, Gabriel surge em Armação, e fica na casa que pertendeu ao avô. Gabriel se torna um professor de natação e se envolve com diversos moradores locais. Aos poucos, a sua personalidade vai se confundindo com a de Gaudério, seu avô. Aly Muritiba traz um drama intimista e minimalista, assim como em "Deserto particular", onde o protagonista vai em busca de si mesmo e de suas verdades. As performances do filme são naturalista. A fotografia de Inti Briones retrata com melancolia a região litorânea. É um filme de ritmo lento e planos longos. Por conta de sua agenda no filme "Ferrari", de Michael mann, Gabriel Leone teve que tirar a barba, e a que ele usa no filme de Muritiba é artificial, aplicada diariamente por uma equipe de caracterização que levava 3 horas. E é justamente essa barba que traz um incômodo, é muito difícil conseguir abstrair a performance de Leone sem ficar observando a barba. O elenco conta com Thainá Duarte, Roberto Birindelli, Ivo Muller, Ana Hartmann, entre outros.

domingo, 1 de novembro de 2026

Proxy driver

"Proxy driver", de Joo Byung-ik (2025) "Proxy driver", que traduzido significa "Motorista de aplicativo", é um drama BL sul coreano com cenas de s3x0 explícito. A trama envolve um motorista de aplicativo, Jae-Hoon ( Kim Jae-hoon) e um homem de negócios poderoso, Jun-hyuk (Lee Jun-hyuk), que se conhecem ao acaso e iniciam uma relação sado-masoquista. Jae-Hoon foi recém demitido e passa por dificuldades financeiras. Ele decide trabalhar como motorista de aplicativo. A sua rotina envolve levar clientes b6ebados e que o ignoram. Jae-Hoon se sente uma pessoa inferior, e isso o deixa cada vez mais abalado emocionalmente e com baixa auto estima. Uma noite, ele leva um passageiro, Jun-hyuk, que está bêbado. Ao chegar em seu destino, Jae-Hoon observa dinheiro saindo do bolso do passageiro e movido pelo ímpeto, decide roubar. Mas Jun-hyuk acorda e decide ligar para a polícia. Assustado, Jae-Hoon implora por perdão. Para evitar que ligue para a polícia, Jun-hyuk obriga o motorista a fazer s3x0 com ele. Jon-Hyuk passa a chantagear o motorista e revela que na noite que pegou seu carro, a sua esposa o traiu e ele decidiu beber. Mostrando uma relação de dominação e submissão entre dois homens de meia idade, "Proxy driver" ousa ao apresentar cenas explícitas e entrega total de seus dois atores. O roteiro em si não traz muita novidade.

Miss mermaid

"Miss mermaid", de Pauline Brunner e Marion Verlé (2026) Inspirada em ums história real, a dupla de diretoras Pauline Brunner e Marion Verlé adaptaram a história de Alexia Colibert para um documentário e agora, para a ficção. Alexia cresceu na cidade portuária de Fécamp, na Normandia. Recém divorciada, ela passava por um período pessoal e financeiro difíceis. Trabalhando como camareira, ela descobriu a prática do mermaiding (nado artístico com cauda de sereia) e ficou encantada com a possibilidade de se fantasiar e poder usufruir da liberdade na água. Alexia juntou suas economias, comprou uma cauda se reia e passou a praticar a natação e assim, poder entrar em competição. Alexia conquistou o terceiro lugar no concurso nacional Miss Sirène France. Em entrevista, Alexia disse que a prática do mermaiding e a natação salvaram a sua vida. O documentário foi lançado em 2019. A atriz Aloïse Sauvage interpreta Fanny, funcionária de uma fabrica de pesca em Fécamp. Divorciada, ela conhece Anémone, uma influenciadora e sereia profissional. Seduzida, Fanny compra uma cauda e começa a praticar a modalidade, para poder competir em Bilbao. O filme traz drama, humor e fantasia, em um registro quase documental da classe proletária da região da Normandia. O filme mostra as amigas de Fanny, batalhadoras, apoiando o seu sonho. Temas como sororidade, liberdade e felicidade são trazidas de forma leve, realista e com ótimas performances. As cenas submarinas são bem filmadas, com um visual poético e lúdico.

sábado, 31 de outubro de 2026

O bosque selvagem

"Wildwood", de Travis Knight (2026) Uma fantasia épica que vai fazer se emocionar, chorar, vibrar, "O bosque selvagem" é adaptação do livro de Colin Meloy e dirigido por Travis Knight, que nos trouxe os ótimos "Kubo e as cordas mágicas", Paranorman" e também fez a versão em live action de "Mestres do universo", todos roteirizados por Chris Butler. O elenco reúne as vozes de Peyton Elizabeth Lee como a protagonista prue (na versão brasileira, Giuiia Benite), Jacob Trembley, Carrey Mullighan, Mahershala Ali, Angela Basset, Awkwafina, Tom Waits, Richard E. Grant, entre outros. O filme é o sexto filmes do estúdio Laika (Coraline, Kubo e as cordas mágicas, Paranorman) e o mais celebrado pela crítica. A duração é de 130 minutos, a mais longa animação de stop motion até hoje. Prue é uma adolescente que mora em Portland, junto de seus pais e seu irmão bebê, Mac. Desobedecendo seus pais, Prue leva Mac para brincar nas ruas. Seu amigo de escola, Curtis Mehlberg, se junta a eles no passeio. Subitamente, um bando de corvos surge e sequestra Mac. Prue e Curtis perseguem os corvos até a floresta que fica nos arredores da cidade. Ali habitam animais antropomórficos, para surpresa de Prue e Curtis, que é sequestrado pelos lobos. A líder dos lobos, Alexandra, tem planos para o bebê: ressuscitar o seu filho, morto na floresta. Prue precisa lidar com bandidos revolucionários, governantes burocratas e os lobos para salver seu irmão. Li que o diretor Travis Knight levou 16 anos para poder realizar o filme. Com cenas de violência ( que inclui decapitação e empalamento), o filme não é destinado ao público infantil. As cenas de batalha impressionam, pelo cuidado com o stop motion e pelo enorme trabalho que deve ter dado. Uma fábula sobre coming of age, amadurecimento e maternidade e os sacrifícios impostos por parentes em prol de seus filhos.

Never after dark

"Nebâ Afutâ Dâku", de Dave Boyle (2026) Escrito e dirigido por Dave Boyle. Nascido nos Estados Unidos, Dave Boyle realizou diversos filmes no Japão. "Never after dark" é o seu primeiro filme de terror sobrenatural. A história me fez lembrar do cult "Os espíritos", de Peter Jackson, com elementos visuais de "O iluminado". Airi (Moeka Hoshi) é uma caçadora de fantasmas. Sua irmã mais velha, Miku (Kurumi Inagaki), já falecida, a acompanha como um espírito em suas aventuras sobrenaturais. A missão de Airi é ajudar as almas que ainda vagam no plano terrestre, a se libertarem e seguirem para o outro plano. Airi é contratada por Teiko (Tae Kimura) e por seu filho Gunji (Kaku), que recém adquiriram um hotel afastado da cidade. Teiko acredita que existam espíritos vagando pelo local, ao passo que seu filho é cético. Um assassino vagueia pelo local matando pessoas e arrancando seus dentes, enquanto um espírito de boca esmagada aterroriza as pessoas no hotel. A trama é confusa, usa o mundo terrestre e o mundo espiritual como um ciclo. O ritmo dos 2 primeiros terços são bem lentos, e quem busca um terror tenso e dinâmico, irá se frustrar bastante. O filme poderia ter 20 minutos a menos, e a narrativa ter investido mais no terror e em suspense. A atriz principal é carismática e mantém o interesse na história, mesmo que enfadonha.

The Dark Room of Damocles

"Als twee druppels water", de Fons Rademakers (1962) Co-escrito e dirigido por Fons Rademakers, "The Dark Room of Damocles" é uma obra-prima da Holanda, adaptada do romance de Willem Frederik Hermans, publicado em 1958. O filme concorreu à Palma de ouro em Cannes em 1963 e traz o contexto do mito do Doppelgänger: o duplo que traz metáfora sobre a personalidade esquizofrênica e as reais intenções do protagonista. O filme foi co-produzido e co-financiado pelo empresário Alfred Heineken, dono da cervejaria holandesa Heineken), que também adquiriu os direitos de adaptação e aparece em uma participação. Ducker (Lex Schoorel) é um jovem comerciante de Voorschoten, perto de Leiden. Ele é dono de uma tabacaria, e bastante tímido. Durante a ocupação nazista na Holanda, Ducker se mantém passivo. Uma noite, um paraquedista, Dorbeck (Schoorel) aterrissa em seu quintal. Dorbeck tem a mesma fisionomia de Ducker, porém mais viril e faz parte da resistência contra os nazistas. Sob a influência de Dorbeck, Ducker passa a executar tarefas, inclusive matando pessoas ligadas ao regime. Quando Dorbeck desaparee, Ducker é preso, acusado de fazer parte da resistência. Ducker procura provar a sua inocência, e para isso, precisa revelar um filme onde supostamente, ele e Dorbeck posaram juntos. O filme termina de forma ambígua, deixando em aberto a existência ou não de Dorbeck. Rodado em 35 mm e em preto e branco, "The Dark Room of Damocles" é uma excelente parábola sobre heroísmo e sobre conflitos morais, com ótima performance de Lex Schoorel.

The cycle

"The cycle", de Jordan Downey (2026) Co-escrito e dirigido por Jordan Downey, "The cycle" é um terror policial sobre um Lobisomem que ataca as pessoas na região de Oregon, Estados Unidos. O filme foi elogiado pela crítica pelo uso de efeitos práticos, ao invés de CGI, trazendo um visual bem anos 80. A Dra. Megan Garland (Débora Ana Woll), antropóloga forense do Instituto Crichton de Ciências, descobre que seu pai desaparecido, Peter Stump, foi encontrado morto perto de uma casa onde uma mulher e sua filha pequena foram assassinadas. Por muito tempo, Megan acreditou que seu pai havia abandonado ela e à sua mãe. Com a ajuda do policial Ian, Megan vai tentar descobrir o que aconteceu com seu pai, ao memso tempo que outros assassinatos acontecem nas noites de lua cheia. A história é previsível e o ritmo da primeira parte do filme, é bem lenta. "The cycle" parece dois filmes em um: começa como uma trama investigativa, e somente após a primeira metade, assume o terror de lobisomem. O que faz valer a pena assistir, de fato, são os efeitos nostálgicos, celebrados em filmes como "Um lobisomem americano em Londres" e "Grito de horror".

Shaun the Sheep: The Beast of Mossy Bottom

"Shaun the Sheep: The Beast of Mossy Bottom", de Steve Cox e Matthew Walker (2026) Shaun, o carneiro, é um spin off derivado da animação premiada com o Oscar 'Wallace & Gromit". Inciada com uma série para a tv, que rendeu 190 episódios, foi de 2007 a 2025 ao ar. No cinema, Shaun já rendeu 3 longas: em 2015 , 2019 e agora em 2026, uma versão celebrando a data do Halloween. A história é bem singela, mas divertida, e homenageia clássicos do horror: o clip de Thriller, Frankestein, entre outros. Na Fazenda Mossy Bottom, o Fazendeiro deseja convidar a veterinária para o baile de Halloween, mas ele está com baixa auto estima por estar careca. Ele toma por engano uma loção que os carneiros criaram, e se torna um homem peludo, e que é confundido como um monstro. Toda a população está à sua procura, enquanto os carneiros procuram salvá-lo da fúria da população, e criar um antídoto. Sem diálogos, as animações de Shaun são uma festa, com muitas gags visuais e piadas físicas, aliadas à uma trilha sonora dinâmica e um roteiro que não deixa cair o ritmo. Assim como "Minions e monstros" homenageia o cinema, principalmente o cinema mudo, "Shaun-The beast of Mossy Bottom" faz divertida homenagem aos monstros clássicos, com muita nostalgia.

sexta-feira, 30 de outubro de 2026

Mama bear

"Mama bear", de Curry Barker (2026) Curry Barker é um dos nomes quentes de Hollywood. Vindo do Youtube, ele adquiriu fama com o seu terror "Obsessão", que já faturou 520 milhões de dólares, sob um orçamento de 750 mil dolares. Agora, ele traz um curta de terror e humor ácido, no estilo de "Obsessão", patrocinado pela Windows e lançado no canal do YouTube That's a Bad Idea, que Barker co-administar com seu sócio Cooper Tomlinson. Os temas de "Obsessão" retornam com força total. Ciúme possessivo, uma mulher em surto e que mata por amor possessivo. Um jovem limpador de residências, Floyd (Jon Lee Richardson) dorme no serviço. ele acorda com o seu celular chamando. Um amigo (voz de Curry Barker) o avisa que alguém está vindo para matá-lo, e pede que ele vá embora. Floyd acredita ser uma pegadinha, apesar de ficar assustado com o tom. Até que ele vê um vulto atrás de si. A dona da casa chega, e junto com ela, na sequência, uma mulher armada com um rifle. Com 4 minutos de duração, é uma pilula interessante, com um plot twist final curioso, mas nada arrebatador.

Razão e sensibilidade

"Sense and sensibility", de Geórgia Oakley (2026) Escrito em 1811, o romance "Razão e sensibilidade", de Jane Austen, recebe a sua sexta versão para cinema e tv. Geórgia Oakley, diretora do drama premiado "Blue jean", de 2022, traz a sua versão do livro, protagonizado por Daisy Edgar-Jones e George Mackay, em papéis que já foram de emma Thompson e Hugh Grant, na famosa versão de Ang lee, de 1995, Oscar de melhor roteiro adaptado. Sem o bom humor e leveza da versão de Ang Lee, Geórgia Oakley reforça o drama, trazendo elementos na fotografia, de Arnaud Potier, que reforçam a carga dramática da história. Oviamente, o elenco é a grande atração do filme. Tecnicamente, todos os elementos são de alta qualidade: foto, figurino, maquiagem, arte. O filme foi rodado na Inglaterra, em West Wycombe, Buckinghamshire. No início do século 19, a Sra Dashwood (Caitriona Balfe) e suas filhas Elinor (Daisy Edgar-Jones), Marianne (Esme Creed-Miles) e Margaret (Bodhi Rae Breathnach) passam por um baque: com a morte do esposoe. pai, as mulheres entram em desespero: segundo a lei, a residência e todas as posses passam para o filho homem. John (Tom Burke), casado com Fanny (Stacy Martin), assume a casa onde a família morava e se instala, juntamente dos filhos e criados. Para saírem do infortúnio, a única possibilidade das irmãs Dashwood é se casarem. Elinor entra em pé de guerra com Edward (George Mackay), irmão de Fanny, sem perceberem que se amam, e Marianne, a mais romântica, é cortejada por Willoughby (Frank Dillane), apesar do Coronel Brandon (Herbert Nordrum) também a desejar platonicamente. Tudo no filme funciona corretamente. Ainda assim , fica uma sensação enorme de deja vu. A versão de Ang Lee, a que mais gosto, era solar e mais divertida, com um elenco fortalecido por Kate Winslet e Alan Rickman.

Shadow Woods- O Pesadelo

"Blood rage", de John Grissmer (1987) Slasher obscuro lançado em 1987, "Shadow Woods- O Pesadelo"foi filmado em 1983 e levou 4 anos para ser lançado comercialmente. O filme sofreu muitos cortes por conta de sua violência extrema e uso de efeitos práticos que na época, eram bastante eficientes. Atores amadores e canastrões, sangue e história com plot twist fazem o filme ser um cult para apreciadores do gênero. Em 1974, em um Drive in, casais frequentam o local para fazerem s3x0. A mãe dos gêmeos Todd e Terry (Mark Sopper, na fase adulta, nos dois papéis) aproveita que os garotos dormem e fica de paquera com um dos frequentadores. Terry tem ciúmes de sua mãe. Ele pega um machado e mata um dos frequentadores, colocando a cullpa em seu irmão Todd. 10 anos depois, Todd foge da prisão. Sua mãe, Madyy (Louise Lasser, divertidamente canastrona e com caracterização que a infantiliza). está de noivado. Terry sente ciúmes dela. Quandod ecsobre que seu irmão fugiu, Terry decide matar diversas pessoas próximas à sua mã, para colocar a culpa em seu irmão. O filme tem cenas de assassinato exageradas e por isso mesmo, imperdíveis. Uma das vítimas tem uma das mãos decepadas, que continua se mexendo no chão. Uma outra vítima tem o corpo serrado ao meio. Mas nada supera a performance e caracterização de Maddy. Pesquisei também que uma frase usada por Terry se tornou meme: "Isso não é Cramberry", se referindo ao sangue.

quinta-feira, 29 de outubro de 2026

O terror da serra elétrica

"Mil gritos tiene la noche, de Juan Piquer Simón (1982) Clássico slasher espanhol, "O terror da serra elétrica" busca a sua base no gênero giallio italiano. O prólogo, em Boston 1942, apresenta Timmy, um menino de 10 anos, que está montando um quebra-cabecas de uma mulher nua (a atriz Victoria April). Quando sua mãe o flagra, o bate e o obriga a jogar o quebra-cabeças fora. Revoltado, ele pega um machado e mata sua mãe. A polícia chega e Tommy se faz de vítima. 40 anos depois, em uma Universidade em Boston, mulheres estão sendo assassinadas com uma serra elétrica manipulada por um assassino mascarado e de luvas pretas. O reitor, um estudante e a secretária procuram encontrar o assassino, antes que ele faça mais vítimas: o assassino desmembra partes dos corpos das mulheres para completar o seu quebra cabeças. Com o charme das produções independentes, "O terror da serra elétrica" tem ótimas cenas de assassinato. Li que as vísceras e sangue eram reais, de animais abatidos). A cena do elevador, a da piscina, a do colchão d'água são icônicas, mostrando toda a brutalidade do assassino. O uso da trilha sonora com som monocórdico do piano, anunciando um novo assasisnato, é sensaional. O final é altamente bizarro.

quarta-feira, 28 de outubro de 2026

Capturing Bigfoot

"Capturing Bigfoot", de Marq Evans (2026) Co-escrito e dirigido por Marq Evans, "Capturando Bigfoot" apresenta o mistério envolvendo aquele que é considerado o 2o video caseiro mais visto da história: filmado por um homem chamado Roger Patterson no norte da Califórnia, em 20 de outubro de 1967, esse video sobre a lenda do Pé grande só perde para o video de Abraham Zapruder, um comerciante que filmou o assassinato de John F. Kennedy em Dallas, Texas, no dia 22 de novembro de 1963. O filme "Capturando Bigfoot" traa o istério sobre esse filme, que até recentemente, havia sido considerada real, até que o próprio filho de Petterson, Clint, decide apresentar toda a farsa. Durante boa parte do filme, o cineasta apresenta Roger Patterson, e a sua obsessão em buscar evidências do Bigfoot. Apresenta a vida pessoal dele, o seu casamento e a relação com a família da esposa. Quando o video surgiu, Roger decidiu exibi-lo em cinemas de todo o país, cobrando ticket. Por décadas, ele e a família da esposa viveram em cima das rendas do filme. Historiadore,s cientistas, técnicos, nenhum conseguiu provar que o video foss euma farsa. E isso inclui a equipe que criou os figurinos de "O planeta dos macacos", que alegavams er impossível ser figurino, pois era perfeito. Quando na parte final, seu filho decide finalmente desmistificar e apresnetar a farsa, com evidências de ensaios feitos no local com uma pessoa vestindo o figurino, a mãe de Matt, irritaa com o filho, escreveu uma carta de 5 páginas o deserdando, pois ela deixaria de ganhar a renda sobre o filme. Ganância, destruição, tragédias, são o resultado desse famoso video, que por um bom tempo, trouxe fama.

Baxter

"Baxter", de Jérôme Boivin (1989) Menção honrosa de melhor filme no Festival de Cinema Fantástico de Avoriaz, "Baxter" é a adaptação do romance "Hell Hound", de Ken Greenhall. O roteiro foi co-escrito por Jacques Audiard, diretor de "Emilia Perez", "Ferrugem e ossos", "O profeta"". O filme é uma bizarraa cruel fábula sobre a maldade, do ponto de vista de um Pitbull, que narra o filme em 1a pessoa. O filme segue Baxter e a sua relação com 3 donos distintos, todos guiados por ciúmes, violência e morte. O filme é de 1989 e fico imaginando a grande dificuldade que deve ter sido d eter filmado esse longa, com o cachorro tedo que performar em cenas complexas, junto de crianças e bebês. Na 1a história, Baxter tem como dona a Sra Delville, uma idosa solitária. Baxter lhe foi dado de presente por sua filha para lhe fazer companhia. Mas Baxter acaba matando a idosa. Na 2a história, Baxter é doado para o casal vizinho. A dona cuida de Baxter com carinho, até que ela engravida do marido. Basxter fica enciumado com o bebê e decide matá-lo Na 3a história, baxter é doado paraa um garoto de 10 anos que mora na vizinhança. O menino é um psicopata, adorador de Hitler, e deseja eliinar todos que estão em seu caminho. O garoto se apaixona por uma menina da escola e quer que ela seja a sua Eva Braun. Eu decsonhecia o filme e quando fiquei sabendo, por uma postagem de rede social, corri para assistir. Muito curiosa a visão sobre a maldade humana e animal, pelo ponto de vista do cachorro. Um filme instigante, cruel, sem concessões a sentimentalismos.

terça-feira, 27 de outubro de 2026

Tudo pode ser visto

"You can see everything", de Nathan Fielder e Lance Oppenheim (2026) Documentário mais bem avaliado pelos críticos, "Tudo pode ser visto" é produzido pela A24 e traz uma história baseada em fatos reais. Mas o que o diferencia de tantos outros filmes, é a forma como o filme é apresentado. Em uma narrativa cinemática, os diretores Nathan Fielder e Lance Oppenheim trazem elementos de construção ficional: uso de zomms para trazer tensão e expectativa, trilha sonora de filme de suspense, e o principal: dividido em 2 atos bem distintos: a 1a, documental, e a 2a, uma ficionalização mesclada a documentário, onde o espectadr fica sem saber o que é real e o que é encenado. O filme tem 3 horas de duração. Nathan Fielder é shor runner do seriado 'O ensaio", e Lance Oppnheim é diretor de "Primetime", cinebiografia com Robert Pattinson interpretando o jornalista Chris Hansen, âncora do programa de tv de sucesso 'To catch a predator". A principal personagem do filme é Elizabeth Holmes: chamada de Steve Jobs da nova geração, Elizabeth chegou a acumular uma fortuna de bilhões de dólares. Empresária da área de biotecnologia no Vale do Silício, Elizabeth criou um aparelho que, com apenas uma gota de sangue, conseguia trazer resultados de quase todas as doenças ( os exames de sague são caros nos Eua, e assim, seria uma forma de baratear os custos). Mas com o passar dos anos, foi revelado que muitos dos exames eram imprecisos, entre eles, o de HIV e cancer. Processada em uma fortuna pelas pessoas lesionadas, Elizabeth foi sentenciada à prisão de 11 anos, a datar de 30 de maio de 2023. Desde 2016, elizabeth se recusou a dar entrevistas. 7 anos depois, ela aceitou que a dupla de cineastas passasse 34 dias em sua casa, participando de toda a rotina de Elizabeth, seu marido Billy evans e dos 2 filhos pequenos. Findo os 34 dias, elizabeth se entregou à polícia. Nesse ato, elizabeth e Billy são entrevistados, e muita das fala,s postas em duvida por Nathan. O 2o ato traz a atriz Amanda Seyfried, que interpretou Elizabeth na série "The dropout", uma ficionalização da empresa Theranos. A própria Amanda dá vida à Elizabeth em momentos onde ela não pode ser vista. Mas o foco, além da pauta sobre o que é real ou não no filme, é expor Billy evans, como um vigarista, que negociou a participação dele com a A24, e como ela dá voz à elizabeth, decidindo tudo por ela. O foco muda para machismo, gaslighting e ganância. Um filme excelente, prejudicado ao meu ver pela longa duração, mas instigante no conceito.

segunda-feira, 26 de outubro de 2026

A dama do céu azul

"Aozora musume", de Yasuzō Masumura (1957) Clássico japonês lançado em 1957, "A dama do céu azul" é adaptação do romance escrito por Keita Genji. A trama lembra "Cinderela": Yuko (Ayako Wakao) é uma jovem estudante que foi enviada por seus pais para morar na Península de Izu para morar com sua avó e estudar. Quando sua avó adoece, confidencia para a neta que ela é filha ilegitima. Seu pai na época já era casado tinha 2 filhos, e teve cum caso com sua ex-secretária, Machiko. Com a morte da avó, Yuko vai morar em Tokyo, na casa de seu pai, um rico empresário, a esposa dele e os 3 filhos. O pai está ausente e todos hostilizam Yuko. Ela é obrigada a trabalhar de empregada e a morar no subsolo. Mas Yuko aceita de bom grado. O seu desejo é encontrar a sua mãe biológica. A fotografia de Michio Takahashi traz cores em tons azulados no exterior, rodado na ilha de Izu, e os interiores, em estúdio. A fotografia é um dos pontos altos do filme. A trama, mirabolante, também encanta o espectador, que torce pela destemida e determinada Yuko, representada com muito carisma por Ayako Wakao. A madrasta e os filhos são representados com bastante caricatura em suas maldades, mas por ser um filme de época, acabam se tornando personagens divertidamente vilanescos. A sequência do jogo de ping pong é um primor de decupagem e ritmo.

O esquilo

"Orava", de Markus Lehmusruusu (2025) Escrito e dirigido por Markus Lehmusruusu, "The squirrel" é o filme indicado pela Finlândia à uma vaga ao Oscar de filme internacional 2027. Não tem como não associá-lo ao cinema do grego Yorgos LAnthimos, especialmente, "A lagosta". O uso de grandes angulares, os enquadrametos rigidos, as performances sem emoção, o humor ácido e de constrangimento, e também, o visual estilizado represnetando o futuro distópico. A direção de arte de "O esquilo" é primorosa, com cenários e fotografia em comum sintonia com a proposta do filme. A trilha sonora também é outro ponto alto do filme, que traz um roteiro com mensagem ambientalista e de humanismo, além de forte crítica ao uso de inteligência artificial. Em um futuro, uma sociedade vive sem a presença da natureza: fauna e flora são resquícios do passado. Os seres humanos não podem manter contatos físicos, muito menos, fazer s3x0. Todas as necessidades do ser humano são realizadas via inteligência artifical e de forma solitária. Nesse contexto, Pasi ((Miro Lopperi), é um solitário designer de animais artificiais. Amplamente elogiado pelos donos da empresa, Pasi, ao sair do trabalho, encontra um esquilo, e a resença do animal, que ele nunca viu na vida, o assusta. Pasi acaba levando o animal para casa, cuidando dele e estudando tudo sobr eo animal na internet. enquanto isso, Emilia (Mimosa Willamo), uma funcionária do estado, testemunha um casal fazendo s3x0 e vomita. O casal é punido pelo estado. Tanto Pasi quanto Emilia têm suas vidas alteradase, e juntos, decidem devolver o esquilo para uma Ilha, onde supostamente, existe uma floresta jamais vista pela humanidade. Um ótimo exemplar de filme que representa a sociedade distópica como metáfora da vida moderna, "O esquilo" se vale muito pelo seue stilo visual e fotografia. Os atores estão em comum sintonia com a proposta da direção. O curioso é o filme criticar a IA e o próprio esquilo, certamente, deve ter sido criado artificialmente.

Meu verão na Sicília

"Gioia mia", de Margherita Spampinato (2025) Escrito e dirigido por Margherita Spampinato, "Meu verão na Sicília" é seu longa de estréia. O filme ganhou o pr6emio de performance feminina em Locarno, para Aurora Quattrocchi, e melhor atriz e diretora no David de Donatello 2025. "Meu verão na Sicília" é um coming of age simpático e sensível, filmado na Sicília. Nico (Marco Fiori) é um menino de 10 anos que mora na cidade grande. Quando a sua babá Violeta se demite para se casar, Nico fica sem uma pessoa para cuidar dele, já que seus pais vivem ocupados. Nico sente falta de Violetta. Seus pais decidem enviá-lo para passar um mês na casa da Tia avó Gela (Quattrocchi), uma idosa solitária que mora em um conjunto de prédios antigos. Nico é recebido por Gela, e precisa se habituar a hábitos que ele não está acostumado: ficar sem wi-fi, fazer faxina, arrumar a casa, servir os talheres. Na vizinhança, as idosas amigas de Gela costumam saber da vida de todos. Nico se isola e não quer saber se brincar com as crianças da vizinhança. mas quando conheece a menina Rosa (Martina Ziami), Nico encontra possivelmente uma pessoa para substituir o que sentia por Violetta. "Meu verão na Sicília" traz belas performances, tanto do elenco infantil, quanto da excelente Aurora Quattrocchi, uma presente forte e marcante em toda cena em que aparece. É um filme que traz drama, romance e humor, em tom melancólico e de nostalgia.

domingo, 25 de outubro de 2026

Buenas noches

"Buenas noches", de Matías Szulanski (2024) Co-escrito e dirigido por Matías Szulanski, a comédia de ação e humor ácido "Buenas noches" ganhou o prêmio de melhor diretor no Festival de Cinema Espanhol de Málaga em 2025. Evocando o cult "After hours" de Martim Scorsese em cada fotografama, a história tem como protagonista a jovem Laura (Rebeca Rossato). Morando no Rio de Janeiro, Laura decide voltar para Buenos Aires para passar um tempo na casa de sua tia (Anamá Ferreira, atriz brasileira residente em Buenos Aires). Laura perde sua mala no aeroporto, e ao pegar um táxi, esquece seu celular e sua bolsa dentro dele. ela descobre que sua tia confundiu a data de sua chegada e está de viagem, retornando no dia seguinte. Sem dinheiro e sem ter a quem recorrer, Laura decide vagar pelas ruas de Buenos Aires. Sem querer, ela se envolve com traficantes de órgãos, 2 jovens irmãs trambiqueiras e outros tipos não confiáveis. "Buenas noches" tem momentos divertidos, muito por conta do estilo argentino de humor, que remete ao cinema de Aki Kaurismaki. A trama é previsível, mas encontra o seu encanto no carisma de sua atriz principal.

Embryo Larva Butterfly

"Embryo Larva Butterfly", de Kyros Papavassiliou (2023) Escrito e dirigido por Kyros Papavassiliou, "Embryo Larva Butterfly" é um instigante drama de ficção científica e fantasia, que traz um experimentalismo fabular que faz lembrar os filmes de cineastas gregos como Yorgos Lanthimos e Athina Tasangari. Concorrendo em Sitges, o filme ganhou os premios de trilha sonora original e do publico no Thessaloniki Film Festival. O roteiro em algum momento me fez lembrar de "Tempo", de M. Night Sgyamalan, e filmes de viagem do tempo. A sociedade vive o que se chama de "Tempo arbitrário": o dia seguinte não corresponde cronologicamente ao dia seguinte, podendo dar saltos temporais para o passado, futuro ou presente, e assim, ir intercalando. O filme é dividido em segmentos temporais, e a história segue essa cronologia: 2005/2023/2030/2037/2007/2032/2023/2036/2023/Hoje. Um casal, Penelope (Maria Apostolakea) e Isidoros (Hristos Sougaris) vive a cada dia a rotina do casamento, o divórcio, a juventude, a terceira idade, a morte de Isidoroos, o nascimento de um suposto filho do casal, o dia que se conheceram no speed dating. Nesse cotidiano de tempo não linear, o roteiro porpõe discutir as etapas de um relacionamento. Apesar de ter uma premissa bem curiosa e original, a forma como o diretor Kyros Papavassiliou filma e conduz é de extrema frieza, sem sentimentos, uma proposta que faz parte do chamado novo cinema grego. Fosse um filme Hollywodiano, tipo o excelente "Questão do tempo", o filme teria um alcance maior de público. Mas o rigor estrutural do cinema do país é se ater ao cinema arte, e para isso, ele funciona em partes.

Oasis of now

"Oasis of now", de Chee Sum Chia (2023) Escrito e dirigido por Chee Sum Chia, "Oasis of now" é uma co-produção da Malásia, Singapura e França. A sua narrativa extremamente lenta lembra a dos filmes do vietnamita Tran Anh Hung, de "O cheio da papaya verde". Em Kuala Lampur, capital da Malásia, Hanh (Ta Thi Diu) é uma imigrante vietnamita sem documentos que trabalha fazendo faxina em um complexo de apartamentos de uma comunidade da periferia. Todo os dias, enquanto faz faxina nas escadarias e corredores, Hanh conversa com uma menina, Ting Ting (Aster Yeow Ee), que mora ali. Ting Ting é filha de HAn, mas não sabe disso: Hahn a entregou para doação para uma família malaia que mora no condomínio, por não ter condições de sustentá-la. O roteiro de "Oasis of now" é prato cheio para um melodrama. Mas o diretor Chee Sum Chia evita sentimentalismo, e faz um filem árido, de enquadramentos rigorosos, em estilo documental. Digno representante do "slow cinema", é um filme arte que mostra o condomínio como um protagonista, e onde certamente muitas histórias poderiams er contadas.

O sentido da vida

"Soudain", de Ryusuke Hamaguchi (2026) Escrito e dirigido por Ryusuke Hamaguchi, mesmo diretor de "Drive my car", que em 2021 levou o Oscar de filme internacional e Palma de melhor atriz em Cannes, dividido entre as duas atrizes, Virginie Efira e Tao Okamoto. "O sentido da vida", que tem o mesmo título em portugu6es da obra-prima de Monthy Python, é um drama ambicioso de 3hrs16 minutos, uma epopéia intimista sobre sororidade, paixão pela arte e pelo teatro como catalisador de curas físicas e emocionais. O filme é inspirado na amizade entre a filósofa Makiko Miyano e a antropóloga médica Maho Isono, cujas cartas trocadas entre elas foram publicadas no livro "Você e eu – A doença repentinamente piora". Myano estava portadora de um câncer de mama e veio a falecer. Hamaguchi adaptou a sua história para a França. Tanto Virginie quanto Okamoto tiveram que aprender a falar o idioma da outra cultura: Virginie fala em japonês, e Okamoto fala em francê, e certamente esse empenho valeu a palma para ammas em Cannes. Marie-Lou (efira) é diretora de um lar para idosos nos arredores de Paris. Ela implementa um tratamento para os residentes baseado no método "Humanitude": uma maior aproximação na relação entre equipe médica e os pacientes, deixando de lado a relaçoã fria. Os enfermeiros reclamam, alegando cansaço pelo excesso de cuidados com cada paciente, e uma equipe pequena para tantos residentes. MArie-Lou pega um ônibus público e no caminho ela encontra um adolescente japonês autista, Tomoki, correndo atrás do ônibus. Ela desce e fica com o rapaz até que surgem seu avô Gorô (Kyōzō Nagatsuka) e Mari (Okamoto). Ele está com uma peça em cartaz, dirigido por Mari. Agradecidos, Mari convida Marie-Lou para assistir a peça. Marie-Lou fica encantada com o espetáculo e se aproxima de Mari. Ambas passam a noite conversando. Mari está com câncer terminal. Marie a convida a visitar o lar de repouso, e Mari encontra ali uma nova virada na sua vida, que lhe dá uma lufada de esperança. Mari implementa seus exercícios de atuação nos idosos. Selecionado pelo japão à uma vaga ao Oscar internacional 2027, "O sentido da vida" tem o estilo já conhecido de seu diretor: contemplativo, sem pressa, baseado em diálogos que vagam sobre intelectualismos e conversas sobre a vida e existência. As atrizes estão fantásticas. Não posso deixar de falar a longa duração do filme que me cansou bastante.

Susan e Jeremy - O Primeiro Amor

"Jeremy", de Arthur Barron (1973) Filme indie ameriano, escrito e dirigido por Arthur Barron, concorreu à Palma de ouro em Cannes 1973 e venceu o prêmio de melhor filme de estréia. Muitos críticos o compararam ao clássico sentimental "Love story", de Arthur Hiller. "Susan e Jeremy" é um coming of age romântico sobre o primeiro amor de Jeremy (Robby Benson) e Susan (Glynnis O'Connor). O filme foi lançado em 1973 e é ambientado em Nova York. Jeremy é um adolescente de 15 anos, filho de pais judeus. Ele estuda em uma high school e seu melhor amigo é o extroverdo Ralph. Jeremy é tímido, e estuda violoncelo. Ele trabalha como passeador de cães nas tardes. Ao entrar em uma sala de aula procurando por giz, ele vê Susan, uma adolescente que acaba de se mudar para a cidade, vinda do Michigan. Seu pai busca melhores oportunidades de trabalho. Com o tempo, os dois se aproximam e passam a namorar. Mas o pai de Susan recebe uma oferta de emprego em detroit, e Susan e Jeremy precisam aprender a se despedir. Lindaente filmado, com ótimos atores e uma narrativa e tom que me fez lembrar muito da obra-prima "Ensina-me a viver", de Hal Ashby. Nova York é a grande metrópole que abraça o amor do jovem casal, e é registrada em tons outonais, filmado em 16 mm.

The body remembers when the world broke open

"The body remembers when the world broke open", de Kathleen Hepburn e Elle Máijá Tailfeathers (2019) Escrito e dirigdo por Kathleen Hepburn e Elle-Máijá Tailfeathers, "The body remembers when the world broke open" é inspirado em um encontro real ocorrido com a co-roteirista e co-diretora Elle-Máijá Tailfeathers, que também co-protagoiza o filme no papel de Áila. Narrado em tempo real e com linguagem de plano sequência (não real), o filme concorreu no Festival de Berlim e ganhou o premio de menção honrosa de melhor filme canadense no Festival de Toronto 2019. Durante uma tarde chuvosa, Áila encontra na rua uma mulher descalça e chorosa, Rosie (Violent Nelson). Do outro lado da rua, o marido de Rosie a xinga. Áila a leva para a sua casa e tenta entender o que aconteceu. Ela descobre que Rosie foi vítima de violência doméstica e decide levá-la para abrir um boletim de ocorrência. Mas a inocência e ingenuidade de Rosie acabam sendo um empecilho na denúncia. Áila e Rosie são duas descendentes indígenas, nascida sno Canadá. O filme linda com muitos temas: violência contra a mulher, misoginia, sororidade, e de que forma o silêncio de uma mulher muitas vezes é motivada pelo medo e falta de conhecimentos de seus direitos. Por trazer a narrativa do tempo real, o filme traz muitas cenas de silêncio, onde nada acontece, e essa linguagem acaba trazendo uma barreira ao espectador, que pode ficar entediado. Ao mesmo tempo, esse silêncio e os tempos mortos acabam trazendo uma conotação dramática e avassaladora sobre o destino de uma mulher vítima de feminicídio.

sábado, 24 de outubro de 2026

A caixa do demônio

"Lockbox", de Daniel Stamm (2026) Fico surpreso como um filme tão fraco como "A caixa do demônio" tenha sido distribuído e lançado comercialmente nos cinemas. Tudo nele é triste: atuações, efeitos, edição, roteiro. O terror é quase nulo, e a história poderia ter sido trabalhada melhor e de forma mais instigante. E o que me irrita mais, é que novamente o terror é usado para faezr metáforas sobre lutos e traumas. Ellen Hershbergen (Carla Gugino) acaba de perder sua mãe, que estava doente. Ela se muda para uma cidade de Nova York, e agora trabalha como voluntárias de uma igreja católica. Ellen aceita cuidar de seu primo distante, Winthrop, um ex-soldado com traumas de guerra. Quando uma vizinha é encontrada morta, Wintroph é acusado de ser o assassino. Em busca da verdade, Ellen acaba se deparando com uma seita que venera um demônio que possui as pessoas com traumas, que se tornam portadores fáceis para o demônio.

All alone together

"All alone together", de Maximus Jenkins (2025) Melhor filme no Innuendo International Film Festival, "All alone together" é dirigido por Maximus Jenkins e escrito e protagonizado por Alex Nimrod. O filme busca elementos de terror psicológico para trazer realidade e ficção usando o cinema como metalinguagem, um recurso já visto inúmeras vezes e com resultados muito melhor. O roteiro é confuso, e protagonizado por personagens sem carisma. Lincoln (Alex Nimrod) é um jovem cineasta independente, que trabalha como zelador em uma high school para se manter. Seu filme, um terror, faz sucesso no circuito cult e ele é procurado por uma agente, Sloane (Elizabeth Hadjinian), e assim tentar uma distribuição melhor e maior visibiilidade para o trabalho de cineasta. mas Lincoln se torna arrogante, e aos poucos, o personagem do filme se mescla à sua vida real. O poster é muito mais instigante do que o filme. Desde o início eu já não estava curtndo. O prólogo, de 15 minutos, é na verdade, uma coletânea de cenas do filme de Lincoln. Atores medianos, terror que não acontece, uma metáfora sobre a dificuldade de novos cineastas se firmarem no complexo mercado do audiovisual.

Rescued

"Rescued", de D.J. Hale (2026) Escrito, dirigido, produzido e protagonizado por D.J. Hale, "Rescued" é um exemplo de egocentrismo de um artista que quer apresentar diversas facetas para o mundo artístico e para o público, e acaba ficando no meio do caminho. Em primeiro lugar, não dá para contar uma história tão simples e previsível em 130 minutos. O filme poderia ter sido reduzido em 40 minutos e ter um resultado muito melhor. É arrastado, interminável, repetitivo. Tyler é um homem em situação de rua. O filme traz diversos flashbackas, que o mostrava como um homem economicamente estável, em relacionamento, mas que perde tudo por decisões erradas. Tyler se isola do mundo. Quando um cachorro abandonado se coloca ao seu lado, Tyler procura afastá-lo. mas o cachorro se mantém firme, e isso faz com que Tyler passe a refletir sobre a vida que leva, e sobre uma reinvençao de si mesmo.

sexta-feira, 23 de outubro de 2026

Rainha ao mar

"Queen at sea", de Lance Hammer (2026) Uma verdadeira porrada no estômago, "Rainha ao mar" é um drama escrito e dirigido pelo cineasta americano Lance Hammer, em co-produção dos Estados Unidos e Reino Unido. O filme concorreu ao Urso de ouro no Festival de Berlim 2026, de onde saiu com o Urso de prata do juri, e um prêmio duplo de performance coadjuvante, dividido pelos atores Anna Calder-Marshall e Tom Courtenay, no papel do casal de meia idade Martin e Leslie. Juliette Binoche interpreta a filha de Leslie, Amanda, e tem Martin como seu padrasto. A fotografia é do brasileiro Adolpho Veloso. Amanda é recém separada e te uma filha adolescente, Sarah (Florence Hunt), que não aceitou bem o rompimento dos pais. Eles same temporariamente de Newcastle, Estados Unidos, para Londres, para passar um tempo com Leslie, que sofre de Alzheimer. Quando Amanda e Sara visitam Leslie, encontram Marton fazendo s3x0 com ela. Amanda o repreende, pois acredita que Martin se aproveita da situação de demência de sua mãe paa abusá-la s3xu4lm3nt3. Amanda chama a polícia, que acaba separando o casal. Leslie fica em uma clínica de repouso para idosos, até que ela é flagrada tendo relacionamento com outro paciente, igualmente um caso de abuso. O filme trata de temas dolorosos e bastante complexos. O desfecho fica em aberto, sugerindo que Sara, que está tendo um caso com um colega da escola, futuramente irá cainhar pela mesma história de sua aví, em termos de abusos. O filme tem ritmo lento e cenas muito brutais. O grande mérito é o trabalho irrepreensível dos 3 atores principais, performances arrebatadoras e comoventes.

La bola negra

"La bola negra", de Javier Ambrossi e Javier Calvo (2026) Que diferença brutal faz quando um filme é rodado em película! 'La bola negra" foi filmado em 35 MM pela talentosa fotógrafa Gris Jordana, um trabalho fantástico de cores melancólicas, trazendo tons de drama realista e fantasia poética. Vencedor no Festival de Cannes 2025 do prêmio de melhor direção, dividido entre Javier Ambrossi e Javier Calvo, o filme foi indicado pela Espanha à uma vaga ao Oscar de filme internacional 2027. "La bola negra" é uma ode à luta pelos direitos da comunidade queer, representada no filme por medo, homofobia, tragédia e empoderamento. O filme é inspirado no manuscrito escrito por Federico Garcia Lorca, "La bola negra": com apenas 4 páginas, antes de ser assassinado. O restante da obra jamais foi encontrado. O filme traça um perfil imaginário sobre o que poderia ser o restante d aobra, que traz um protagonista homossexual. O título "La bola negra" se refere ao método histórico de votação em clubes e sociedades privadas, onde bolas brancas aprovavam e bolas negras rejeitavam um candidato. No filme, o termo representa a metáfora da rejeição e da frustração e vergonha pelo qual passa um dos personagens, que é rejeitado por suspeita de homossexualidade. O filme se passa em 3 épocas, narrando 3 histórias que se entrelaçam. Todas elas são costuradas por Alberto, no ano de 2017. Ex-escritor e agora historiador, ele recebe uma ligação avisando da morte de seu avô materno, que ele desconhecia e acreditava estar morto. O avô deixa para ele uma herança. Alberto viaja para entender o que é a herança. Em 1932, Sebastián, músico, tem seu vilarejo metralhado por italianos. Ele é obrigado por soldados espanhóis nacionalistas a fazer parte da tropa. Ele conhece um preso, Rafael, que faz parte dos republicanos. Alberto se sente atraído por ele, ao mesmo tempo que procura evitar que ele seja fuzilado. Rafael diz que era namorado de Garcia Lorca. Em 1937, a história segue Carlo, filho de família aristocrática. Seu pai quer que seja entre para o clube mediante aceitação dos votantes, que desconfiam de sua homossexualidade. Esse segmento é a representação fictícia da obra de Garcia Lorca perdida, "La bola negra". O filme tem excelente ficha técnica em todas áreas. O elenco é excelente, e o filme é repleto de cenas homoeróticas e nudez. Penelope Cruz e Glenn Close são a cereja do bolo, em cenas memoráveis.

quinta-feira, 22 de outubro de 2026

Welcome to Fun City

"Welcome to Fun City", de (2025) Uma excelente antologia de trailer de cinema que possuem a cidade de nova York como pano de fundo. "Welcome to the fun city" reúene mais de 200 títulos, que vão dos anos 60 até o final dos anos 80, abrangendo diversos gêneros: drama, terror, policial, comédia, triller e até filmes Lgbtqiap+ (como "Boys in the band" e o controversos policial "Parceiros da noite"). Curioso assistir a narrativas tão diferentes d etrailers, e como os distribuidores trabalhavam o marketing, de acordo com a linguagem do filme. É um verdadeiro estudo sobre a história do cinema, contada por trailers, e enteder como, ao passar dos anos, a lingagem foi sendo alterada, tudo para conquistar os espectadores. "Noivo neurótio, noiva nervosa", "Uma mulher descasada", "O rei da comédia", "King Kong", "Embalos de sábado à noite", "Ghostbusters", "Perdidos na noite", "Taxi driver", "O exorcista", "O bebê de Rosemary", "Operação França", 'Shaft", "Girl friends", 'Splash-uma sereia em minha vida", são alguns dos títulos famosos. Mas o que mais chama atenção são os filmes obscuros, que eu nunca havia ouvido falar, e que me deram vontade de assistir. E o que mais me chocou, foi o trailer sem censura do slasher 'Maníaco, obra prima de William Lustig, com cenas gore e hiper violentas.

Street figther

'Street fighter", de Kitao Sakurai (2026) Lançado em 1987 pela Capcom, 'Street fighter" foi um games mais bem sucedidos da história. A sua adaptação para os cinemas era inevitável. A 1a versão veio em 1994, com Jean Claude Van Damme e Raul Julia, esse como o vilão M Bison. O 2o filme veio em 2009, focado na personagem Chun Li. Agora em 2026, chega a 3a adaptação, com Noah Centineo interpretando Ken e Andre Koji como Ruy. A personagem Chun Li retorna, com Callina Liang interpretando, e M Bison é performado por David Dastmalchian. Me surpreendeu o quanto o filme é fraco, não somente no roteiro, quanto nas cenas de luta e efeitos especiais. Talvez a intenção do diretor tenha sido fazer referências aos filmes dos anos 90, incluindo o visual. Mas achei bem tosco. Existe um humor meio pastelão durante a narrativa que ficou muito estranho e fora do tom com o restante do filme. A história gira em torno dos melhores amigos Ken e Ruy, que se separaram após a morte do Mestre. Chun Li surge e recruta a ambos para o Torneio Mundial de Guerreiros. Todos acabam descobrindo que o torneio é organizado por M Bison, que tem as suas intenções com os lutadores.

Cara de barro

"Clayface", de James Watkins (2026) Surgido em 1940, Cara de barro foi criado por Bob Kane para ser um dos vilões que lutavam contra Batman. Desde que a Dc lançou "Coringa", a lista de anti-heróis só aumenta. São vilões humanizados, que trazem a sua origem em personagens que buscam vingança por algum crime cometido contra eles. "Cara de barro" lembra demais os cults "Darkman, vingança sem rosto", de Sam Raimi, "A mosca", de David Cronemberg e "A substância", de Coralie Fargeat. A moda do Body horror, que veio com tudo nos últimos anos, traz referências aos filmes de horror dos anos 80, com efeitos práticos. Matt Hagen (Tom Rhys Harries) é um astro de Hollywood. Durante uma noite em uma balada, ele conhece Mia Torrez, uma atriz sedutora. Eles passam a noite juntos. Só que Matt não podia esperar que ela fosse amante do mafioso e chefão do crime Szabo. O bandido manda seus capangas desfigurarem o rosto de Matt, para destruir a sua carreira artística. Matt vao ao hospital e fica com o rosto destruído. Ele busca ajuda na cientista Dra. Caitlyn Corr (Naomie Ackie), que faz estudo para reconstrução do tecido cutâneo. Matt ressusrge com o rosto, mas decsobre que o líquido que ele injeta tem um efeito temporário. Matt decide se vingar de todos que destruíram a sua vida. Diversos críticos detonaram o filme. Eu gostei bastante. Trazendo elementos narrativos de filmes de terror, "Cara de barro" é violento e tem muitas cenas de gore. É um filme adulto da Dc, uma aposta que eu curti muito. O roteiro é co-escrito pelo cineasta Mike Flanagan.

quarta-feira, 21 de outubro de 2026

Deformelody: An American Nightmare

"Deformelody: An American Nightmare", de Joshua Rivera (2025) Escrito, dirigido e protagonizado por Josué Rivera, "Deformelody: an american nightmare" é um terror de baixíssimo orçamento, realizado apenas com 2 pessoas na equpe técnica: além de Rivera, a fotógrafa e câmera Genevieve Velez. O filme é abusurdamente ruim, todo narrado em 1a pessoa, e com inacreditáveis 155 minutos de duração. Com uma narraiva que traz experimentalismo na linguagem, "Deformelody" tem na sua base, o clássico "American psycho", de Bret Easton Ellis. O Assassino (Rivera), é um homem aficionado por filmes, e obcecado por "American psycho". ele decide sair nas ruas de Los Angeles e sair matando mulheres, sem qualquer remorso. Existe uma obra-prima do terror austríaco, "Angústia", de Gerald Kargl, que é todo narrado em 1a pessoa, e o espectador entende a mente perturbada de seu protagonista assassino. Infelizmente, 'Deformelody" não chega ao nível de psicopatia assustadora. É trash, as mortes são mal produzidas, o elenco é fraco e não oferece qualquer tipo de tensão. É cansativo, entediante e um caso de egocentrismo do seu realizador.

Fragmentos

"Fragmentos", de Horacio Alcala (2025) E se a grande comédia de sucesso "O convite", de Olivia Wilde, fosse um drama romântico"? O drama espanhol dirigido por Horacio Alcala, com roteiro de Frank Ariza, podeia ser essa possibilidade. Um casal na faixa dos 35 anos, juntos há 10, estão em um momento crítico no relacionamento. Diego e Alba decidem passar as ferias em Lanzarote, para assim, tentar salvar o casamento. Lá, conhecem Irene e Ben, um casal mais velho que está planejando o casamento e administra o lugar onde estão hospedados. Todos têm seus problemas, e juntos, tentarão reinventar as suas histórias. Eu queria ter gostado do filme. Belamente fotografado, com lindas locações e bons atores. Manu Vega é um ator bem bonito e está bem sensual em cenas onde se expõe semi-nu. Algumas cena snoturnas no parque de diversões trazem romantismo. Mas é pouco para manter o interesse em uma história sem novidades.

terça-feira, 20 de outubro de 2026

El diablo fuma

"El diablo fuma", de Ernesto Martínez Bucio (2025) Co-escrito e dirigido por Ernesto Martínez Bucio, o premiado drama experimental "El diablo fuma" venceu no Festival de Berlim 2025 o prêmio Winner Perspectives Award Best First Feature. O filme é uma produção mexicana que trata do tema do abandono familiar. Assim como os clássicos "Todas as noite às nove", de Jack Clayton, e "Ninguém pode saber", de Hirokazu Koreeda, as crianças são abandonadas pelos pais e precisam se virar para sobreviver, s etrancando em casa e se isolando do mundo externo. A diferença é que aqui, existe a personagem da avó esquizofrênica, que tranca os 5 irmãos, entre 7 a 14 anos, em casa. Nos anos 90, uma enfermeira, Judith (Micaela Gramajo), casada com Emiliano (Bernardo Gamboa), sai de casa e não reorna mais. Emiliano sai à sua procura e também não retorna. Os cinco filhos Elsa (Mariapau Bravo Aviña), Tomás (Rafael Nieto Martínez), Marisol (Regina Alejandra), Victor (Donovan Said Martínez) e Vanessa (Laura Uribe) ficam sozinhos na casa da avó (Carmen Ramos), uma mulher esquizofrênica. Ela acredita que o Diabo os ronda. Enquanto isos, o México se prepara para a 2a vinda do Papa João Paulo II. Com uma narrativa que beira o experimental e o fantástico, 'El Diablo fuma" tem um olhar documental, com planos contemplativos, minimalistas. O filme flerta com um suspense psicológico, mas não se define como um gênero específico. É um filme lento, confuso, mas com boas performances das crianças e da atriz que interpreta a avó.

Hasta los dientes

"Hasta los dientes", de Alberto Arnaut Estrada (2018) Melhor documentário no Ariel awards em 2018, "Hasta los dientes" traz uma trágica história real ocorrido no México, envolvendo a violência do exército e do narcotráfico contra dois estudantes inocentes. No dia 19 de março de 2010, Javier Francisco Arredondo Verdugo e Jorge Antonio Mercado Alonso foram barbaamente assassinados a tiros por soldados do exército, dentro do campus aonde estudavam, no Tec Monterrey. Eles foram confundidos com criminosos que fugiam do exército nos arredores. Os soldados confundiram os dois rapazes com os criminosos e os mataram. Ao perceberem o erro, alegaram que os dois jovens estavaam "armados até os dentes", e por anos, foram dados como criminosos. O filme traz depoimentos de amigos, familiares, professores, falando sobre os sonhos dos rapazes e de como eram bons e estudiosos. Testemunhas gravaram imagens que são utilizadas no filme, apresentando os rapazes correndo dentro da área estudantil. Um relato trágico, de pessoas no lugar e na hora errada, e que somente anos depois, tiveram a sua honra recuperada.

segunda-feira, 19 de outubro de 2026

Se eu fosse você 3

"Se eu fosse você 3", de Anita Barbosa (2026) 20 anos depois do filme original, e 17 anos depois da continuação, ambas enorme sucesso de bilheteria e dirigidas por Daniel Filho, a franquia "Se eu fosse você" surge com a parte 3, agora dirigido por Anita Barbosa e roteiro de Leandro Soares. O sucesso da marca foi tão grande, que surgiu inclusive uma série, protagnizada por Heitor Martinez e Paloma Duarte. Gloria Pies e Tony Ramos fazem uma breve participação como Helena e Claudio. Eles decidem viajar para uma 2a lua de mel e vão para a China. Bia (Cleo Pires), a filha do casal, é uma chef de cozinha renomada. Seu marido Aquiles (Rafael Infante) é um guia turístico do parque dos dinossauros em Miguel Pereira. O casal tem uma filha adolescente, Maria Clara (Valentina Daniel). Bia é insegura. Aquiles é valentão. Aquiles deseja ter mais um flho, e Bia reage mal, ela se contenta em ter Maria Clara e alega falta de tempo para cuidar de mais um filho. Durante uma discussão, os dois trocam de corpo. Agora a Chef Bia, com corpo trocado, precisa atednder 2 rigorosos críticos gastronômicos. E Aquiles/Bia, precisa participar de um campeonato de guias turísticos no parque. Os 4 atores principais estão bem em seus papéis, são atores já consagrados na comédia romântica. Quem me chamou atenção mesmo foi a atriz japonesa Yohama Eshima, que interpreta a personagem Jade, a su Chef e melhor amiga de Bia. Dosando na medida certa, ela faz crescer a cena toda a vez que aparece. O filme tem muitas participações especiais, como Rosi Campos, Paulo Rocha, Pia Manfroni.

Once Upon a Time in the Middle East

"Huan ying lai Long can guan", de Muye Wen (2026) Co-escrito e dirigido por Muye Wen, "Once upon a time in the middle east" é uma superprodução chinesa, um grande sucesso de crítica e de bilheteria. O filme foi selecionado pela China para representar o país à uma vaga ao Oscar de filme internacional em 2027. O filme incialmente seria filmado no Oriente médio, mas devido a questões de segurança, foi filmado na China, com uma gigantesca cidade cenográfica construída, reproduzindo um país do Oriente médio que contextualizasse a guerra do Iraque, em 2003. A inspiração do diretor Muye Wen foram os relatos de chines que foram para o Iraque administrar e cozinar em restaurantes chineses durante a invasão do país. O super astro chinês Shen Teng interpreta Xu Fu. Endividado, ele deixa sua filha e sua mãe na China, e parte para a fictçiia cidade de Bahata, no oridnte médio, com o propósito de ser chef e enviar dinheiro para casa. A idéia é permanecer por dois anos até poder ganhar dinheiro suficiente e retornar para a China. Ele vai trabalhar no restaurante chinês chamado Loong, administrado por Zaid, casado e com filha doente. EXu Fu fica amigo de Ma, um chinês casado com Lina, uma local que comanda um orfanato de crianças árabes. Quando a tropa americana chega, bombardeiam o orfanato. As crianças são acolhidas no restaurante, entre elas, Seif, um menino rebelde, que toma gosto em aprender a cozinhar. Outro bombardeio acaba matando a esposa e filha de Zaid, que desaparece e retorn agora como um terroista, disposto a eliminar a tropa americana. Xu Fu, Ma e Seif são confundidos pelos americanos como terroristas, e acabam presos no quartel. Fiquei impressionado com o investimento feito para o filme: muita figuração, elenco numeroso, muitos efeitos, cenas de explosão e tiroteio. O filme é um épico molodramático, e ems eu desfecho, é impossível não chorar. O roteiro traz inúmeras reviravoltas, fazendo com que a duração se alongue em quase 150 minutos. Os atores são todos excelentes, trazendo emoção e carisma.

Ghosthouse: A Casa do Horror

"La casa 3", de Umberto Lenzi (1988) Umberto Lenzi foi um prolífico cineasta italiano, dirigindo mais de 60 filmes de baixo orçamento, abraçando todos os gêneros comerciais: giallio, faroeste, filmes de guerra, comédia, filmes de zumbi, ficção científica. entre seus filmes mais famosos, estão "A cidade dos zumbis", Canibal ferox", "Sete orquídeas manchadas de sangue". "Ghosthouse- A casa do horror" é um terror slasher que vem na carona de "Evil dead" e de "Poltergeist", copiando diversas cenas dos filmes. A picaretagem dos produtores começou no título original: na Itália, 'Evild ead" e "Evil dead 2" se chamaram "La casa" e "La casa 2". Porquê não chamar o filme então de "La casa 3"? O filme acabou se tornando um grande sucesso comercial. A crítica acabou com o filme, mas visto hoje, é uma diversão maravilhosa para quem curte terror italiano dos anos 80, com mortes criativas e efeitos práticos sensacionais. Em uma das mortes, uma guilhotina surge do nada e corta uma jovem ao meio. Boneco assassino, menina fantasma, morto vivo, serial killer...tem de tudo nessa salada de tipos malvados que só querem matar uns jovens desavisados. No prólogo, ambientado nos anos 60, um homem gerencia uma funerária, e rouba os pertences dos mortos. Ele rouba um boneco de palhaço e o dá para sua filha, sem saber que o boneco é amaldiçoado. A menina mata os pais. 20 anos depois, um casal morador de Massachussetes vai até a mansão em busca de sons estranhos captados pelo rapaz. Chegando lá, são recebidos por um zelador mau encarado. Eles decidem entrar escondidos e encontram 3 irmãos e a namorada de um deles bisbilhotando a casa. Prato cheio para a menina e o boneco assassino. Filme ruim com péssimas atuações e roteiro toscos, é a alegria de fãs de terror trash. Aqui tudo é diversão garantida. Uma mansão fantasma, um trailer que sacode, objetos que voam (incluindo um boneco do Mickey).

Yellow letters

"Gelbe Briefe", de Ilker Çatak (2026) Co-escrito e dirigido por Ilker Çatak, "Yellow letters" ganhou o Urso de ouro de melhor filme no Festival de Berlim 2026 e foi indicado pela Alemanha à uma vaga ao Oscar de filme internacional 2027. O filme é um drama político se passa na Turquia e envolve uma família de 3 pessoas: a mãe, Derya (Özgü Namal), uma atriz de teatro de prestígio; o pai, Aziz (Tansu Biçer), é professor universitário e escreve os textos das peças da Cia onde sua esposa trabalha. A filha adolescente Ezgi (Leyla Smyrna Cabas) deseja ser musicista. Quando Aziz estimula seus alunos a participarem de manifestações contra o governo, a vida do casal degringola: Aziz é repreendido e é demitido. Derya te a peça censurada pelos políticiso, que obrigam a Cia a performar uma peça sem viés político. Ao se recusar, Derya é demitida da CIA. Sem dinheiro e com dívidas, a familia vai morar na casa da mãe de Aziz, que fica de outra cidade. Aziz, sem emprego, aceita trabalhar como taxista, e Derya aceita trabalhar em uma série de tv comercial, um perfil de trabalho artístico que ela sempre rejeitou. Um excelente filme sustentado por um roteiro provocativo, que enaltece o trabalho dos artistas. A performance de todo o elenco é formidável, com destaque para os atores Tansu Biçer e Özgü Namal, comoventes em camadas emocionais que vão do rama ao fino humor.