domingo, 21 de outubro de 2018

Galveston

"Galveston", de Melanie Laurent (2018) Absolutamente impressionado com o talento da atriz e cineasta francesa Melanie Laurent ( de "Bastados inglórios" e "O retorno do herói"), que realiza esse impactante filme de ação hiper violento, adaptado de livro escrito por Nic Pizzolatto , roteirista da série "True detective". O filme é um porradão no estômago, e não esperem qualquer tipo de redenção no final. Com performances arrebatadoras de Ben Foster e Elle Fanning, a história começa em 1988, em New Orleans. Foster interpreta Roy, um assassino de aluguel que tem sua cabeça à prêmio pelo seu próprio chefe. Conseguindo escapar de uma armadilha, Roy encontra na casa a jovem prostituta Rocky (Fanning), que sem ter aonde ir, acaba fugindo com Roy até Galvesto, Texas. No caminho, Rocky busca sua irmã de 3 anos e juntos, os 3 formam uma família disfuncional. Roy prepara a sua vingança, mas o que ele não esperava, é que os bandidos estão em seu encalço. Juntando traços de Tarantino e irmãos Coen, Melanie Laurent capricha tanto nas cenas dramáticas, quanto nas de ação, muito violentas. Além da fotografia de Arnaud Potier, que intensifica as cores tristes provenientes de uma New Orleans prestes a ser consumida por um furacão, o filme de fato, merece ser visto pelas atuações desses 2 grandes atores.

sábado, 20 de outubro de 2018

A justiceira

"Peppermint", de Pierre Morel (2018) No cinema americano, existe um sub-gênero clássico que lança por volta de uns 100 filmes por ano: o filme de vingança. "Desejo de matar", "Valente", "Jason Bourne", "Busca implacável", enfim, uma infinidade de títulos que já viraram franquias. "A justiceira" se aproxima mais de "Desejo de matar": após ter a sua família assassinada, Riley ( Jennifer Garner), luta por justiça. Mas a justiça não vem, então o negócio é olho por olho, dente por dente. Riley some e reaparece 5 anos depois, bombada e sabendo dar mil golpes e manusear tudo quanto é tipo de arma. E a mídia se apaixona por ela. O público ama esse tipo de filme, pois é o que todos gostariam de poder fazer: usufruir de poderes de fora da lei e botar ordem na casa. Violento, o filme não traz nada de novo, apenas um passatempo para quem curte pancadaria. Peiire Morel é um cineasta francês apadrinhado por Luc Besson. Ele fez o milagre de transformar Jennifer Garner em uma Rambo. Ela já havia protagonizado "Elektra", mas o filme foi um mega fracasso. Talvez Garner tenha mais perfil de interpretar mães suburbanas, assim como fez em "Juno"e "Com amor, Simon".

sexta-feira, 19 de outubro de 2018

Minha vida com James Dean

"Ma vie avec James Dean", de Dominique Choisy (2018) Simpática comédia francesa, que faz uma homenagem ao cinema e à cidade da Normândia, lindamente fotografada e registrada no filme. Gerard é um cineasta independente que viaja até a Normandia para a exibição de seu filme em um Festival de cinema autoral. Chegando na cidade, ele tem seu celular roubado, e pior, a organizadora do Festival, Sylvia, esquece dele, pois está tentando resolver problemas pessoais com a sua namorada. Gerard segue até a sala de exibição, onde será apresentado o seu filme, "Ma vie avec James Dean", uma produção Lgbtq+. Para sua frustração, só existe uma única espectadora, que sai chocada no meio do filme. Balthazar, o jovem bilheteiro do cinema, assiste a um trecho do filme, onde os protagonistas gays fazem sexo, e acaba se assumindo como gay, declarando o seu amor a Gerard. O filme é quase um vaudeville, repleto de traições entre os personagens. O que estraga o filme, é o excesso de personagens e sub-tramas. Mesmo assim, vale assistir, por conta das várias brincadeiras feitas para espectadores cinéfilos, que irão se divertir com referências cinematográficas. O filme ainda dá uma cutucada no cinema blockbuster, através das falas de personagens, que dizem que o público só quer comédia e filmes de ação americano.

quinta-feira, 18 de outubro de 2018

Projeto Beirute

"Projeto Beirute", de Anna Azevedo (2015) Curta-metragista premiada, Anna Azevedo lançou em 2015 o curta documentário "Projeto Beirute". A idéia do curta veio por conta de uma palestra ministrada pelo cineasta iraniano Abbas Kiarostami. Kiarostami desafiou os cineastas presentes a realizarem um filme sobre a cidade onde dormem e vivem. Desafio aceito, Anna apresenta ao espectador o Saara, o maior Shopping popular a céu aberto do Rio de Janeiro, localizado no centro da cidade. Ali, co-habitam pacificamente judeus e árabes. Apresentando através de bela fotografia de Vinicius Brum e com produção de Cavi Borges, as cores, sabores e histórias dessa região, onde anônimos circulam no meio de dançarinas de dança do ventre, radialista anunciam promoções relâmpagos em lojas e eventualmente a colônia chinesa se faz presente. Esfihas, narguilés e espadas se misturam a enquadramentos que capturam a aura histórica decadente de um Rio de Janeiro outrora glorioso, mas que insiste em se manter de pé, por conta de uma miscigenação étnica que abraçou a cidade e através de luta diária e muita dedicação, diz "Obrigado, Rio de Janeiro, por abraçar a minha causa e me aceitar como sue filho".

O primeiro homem

"First man", de Damien Chazelle (2018) No dia 20 de julho de 1969, o homem pisou na lua. Mais precisamente, o astronauta Neil Armstrong. Baseado no livro de James R. Hansen, "O primeiro homem", começa em 1961, apresentando Neil em seus primeiros passos para se tornar um astronauta, e paralelo, a sua dedicação em cuidar de sua filha com câncer terminal, que acaba morrendo e se tornando o grande motivo de sua tristeza interior, mesmo sendo casado com uma mulher determinada, Janet (Claire Foy). Os anos se passam, novos testes são realizados, a maioria com resultados catastróficos. O Cineasta Damien Chazelle se junta a Steven Spielberg, que produziu o filme, e juntos, trazem à tona o tema principal de seus filmes, a obsessão. Toa a parte técnica do filme é extraordinária: Chazelle repete seu time de "La La Land"; o fotógrafo oscarizado Linus Sandgren, o compositor também oscarizado Justin Hurwitz, seu editor oscarizado por "Whiplash", Tom Cross. Ryan Gosling também é a sua dobradinha campeã: depois de protagonizar "La la land", Gosling traz a sua já famosa interpretação minimalista e introspectiva ao personagem de Neil. Seu sofrimento, por perdas humanas irreparáveis, constitui apenas de olhares. Claire Fox também está divina, e a sua cena de discussão certamente será lembrada em premiações. Os efeitos especiais também chamam a atenção, além da câmera, registrando o filme quase todo em closes apertadíssimos, claustrofóbicos, com a evidente intenção de tornar o espectador um elemento dentro do ponto de vista do protagonista. Direção muito foda de Damien Chazelle. Longo, com mais de 140 minutos, o filme pode aborrecer muitos espectadores, pelo seu ritmo lento e uso de termos técnicos.

Apóstolo

"Apostle", de Gareth Evans (2018) Misturando Drama, Horror e fantasia, "Apóstolo" remete imediatamente aos filmes "O homem de palha", obra-prima de Robin Darhy, e "Mãe", de Darren Aranofsky. Um ex-Padre, Thomas, no ano de 1905, vai em busca de sua irmã sequestrada por uma seita. Ele segue até uma ilha na Irlanda, onde essa seita constituiu um vilarejo. Em busca de independência do trono Inglês, os moradores, comandados pelo Profeta Malcolm (Michael Sheen), vivem de sua colheita. No entanto, a seca destruiu a plantação e quase não há alimento para os moradores. O profeta ordena sequestros de jovens da Cidade para que os parentes paguem resgate que possa bancar alimentos para todos. Thomas, ao chegar na Ilha, busca desesperadamente por sua irmã, mas acaba se confrontando com religiosos radicais que querem a sua morte. Extremamente violento, o filme foi dirigido por Gareth Evans, que também escreveu o roteiro. Ele é o diretor da franquia "The raid", realizada nas Filipinas e considerado pelos críticos como dos melhores filmes de ação de todos os tempos. Evans já experimentou o gênero terror no longa de terror "VHS2", coletânea de curtas onde ele dirigiu um episódio onde uma seita cultua o demônio. O grande problema desse filme é a sua longa duração. Não há explicação para esse filme ter 130 minutos. Com sub-plots que afastam a história central, "Apóstolo" vale pelas cenas de violência, que são impactantes ( imaginem um homem sinistro, chamado THE GRINDER, moendo um ser humano em seu moedor!!!). Vale também pela excelente fotografia e pelas locações estonteantes.

quarta-feira, 17 de outubro de 2018

Chacrinha -O Velho Guerreiro

"Chacrinha- O Velho Guerreiro", de Andrucha Waddington (2018) Se você encontrar alguma pessoa que esteja em dúvida de assistir a uma cinebiografia do Velho Guerreiro, dê a essa pessoa um motivo mais do que justo e recompensador para que ela se convença a ir ao cinema: Stepan Nercessian. O filme tem uma centena de atores, muitos deles brilhantes, como Carla Ribas, Rodrigo Pandolfo, Pablo Sanábio, Eduardo Sterblicth, Gustavo Machado, Camila Amado, Thelmo Fernandes, Laila Garin...mas o filme é totalmente de Stepan, em uma das performances mais mediúnicas que já assisti em um filme brasileiro. A sua composição física, empostação de voz, os olhares, os gestuais, tudo nos faz acreditar estarmos diante do verdadeiro Chacrinha. Stepan não o recriouL Stepan vice Abelardo Barbosa. E merece ganhar todos os prêmios de interpretação masculina em 2019. O filme ambicioso em termos de produção, percorre desde a década de 30, quando Abelardo sai de Pernambuco e desembarca no Rio de Janeiro disposto a vencer na vida, até o seu retorno à Tv Globo, nos anos 80, chegando à sua morte, em 1988. Toda a parte técnica é impecável, as perucas de alguns personagens me incomodaram um pouco, mas como o Universo do Chacrinha é todo "escalafobético", em suas próprias palavras, tá tudo valendo. Há tempos não via uma grande produção no Cinema Brasileiro (acho que o último foi um outro filme produzido pela mesma Conspiração Filmes, 'Entre irmãs"). O filme em breve irá ser exibido como seriado na Tv Globo, e a Emissora está devidamente representada pelo personagem do Boni, figura chave para o sucesso de Chacrinha e da própria Tv Globo, mostrando a força da mídia e dos Poderosos manda-chuvas da televisão.

terça-feira, 16 de outubro de 2018

A esposa

"The wife", de Björn Runge (2017) Aclamado por quase toda a crítica como a melhor performance de Glenn Close, "A esposa" é um drama que durante a sua primeira metade, me deixou muito irritado com a passividade da esposa em relação ao seu marido. O filme começa com a notícia de que o famoso escritor Joe Castleman (Jonathan Pryce) acaba de descobrir que ganhou o Prêmio Nobel de literatura do ano de 1992. Ele comemora com a sua esposa, Joan (Glenn Close). Ao longo do filme, e em flashbacks interpretados por Annie Starke, filha na vida real de Glenn Close, descobrimos que quem escrever na verdade, os livros de Joe, foi Joan. O casal mantém um pacto escondendo essa informação de todos, até que um jornalista, Nathaniel (Christian Slater), resolve entrevistar Joan e passa a desconfiar da verdadeira autoria da sobras. É impossível não se lembrar do filme francês "Sr e Sra Adelman". A história é muito parecida, o que difere, é a estrutura narrativa. Em "Adelman", somente nos minutos finais ficamos sabendo que a Sra Adelman é que era responsável por toda a obra do marido. Em "A esposa", o espectador já sabe nos primeiros minutos, e fico imaginando o quanto que as feministas não devem ter ficado irritadas com o filme. Mas aí, numa virada espetacular, Joan dá o troco. Com uma direção elegante e trilha sonora enaltecendo ambiente de glamour que rege a elite intelectual, o filme tem momentos de grande performance. Tecnicamente impecável, e altamente recomendado para espectadores que buscam um projeto adulto e provocativo. O tema do filme certamente suscitará discussões acaloradas a respeito de lealdade, rancor, desgosto e claro, o papel do "Ghostwriter' na autoria de uma obra.

segunda-feira, 15 de outubro de 2018

Jantar de Shabat

"Shabbat dinner", de Michael Morgenstern (2012) Divertida e super premiada comédia dramática, "Jantar de Shabat" é um curta LGBTQ+ independente americano, que se passa no ano de 1999. Um casal rico judeu Nova Yorquino, pais de um adolescente, Willian, convida um outro casal judeu para o jantar de Shabat. O casal traz seu filho adolescente, Virgo. Enquanto os pais conversam sobre escola, casamento judeu, preconceito contra Goys e outras trivialidades, os rapazes resolvem ir para o quarto jogar game. So que Virgo faz uma confissão para Willian: ele se assumiu como gay. Willian estranha, tenta agir naturalmente, até que... Inteligente, com um humor ferino típico dos bons diálogos de Woody Allen, o filme, de baixo orçamento, acontece todo dentro de um apartamento. Com bons atores e uma edição ágil, "Jantar de Shabat" sustenta a tenção do espectador até o final. O diálogo dos pais discutindo sobre casamento entre judeus e falando mau dos Goys é hilário.

Feliz como Lázaro

"Lazzaro felice", de Alice Rohrwacher (2018) Vencedor da Palma de Ouro em Cannes 2018 de melhor roteiro, esse filme de Alice Rohrwacher, cineasta consagrada por "As maravilhas", é de uma tristeza profunda. Esteticamente fazendo referências ao cinema de Pasolini ( não atores, locações reais, tema que fala sobre famílias marginalizadas, crítica ao capitalismo), "Feliz como Lázaro" é uma parábola levemente inspirada na história de Lázaro, homem ressuscitado por Jesus e por isso mesmo, provocou a ira dos Fariseus que resolveram condenar Jesus. Em uma cidade do interior da Itália, no início dos anos 90, uma família de camponeses faz trabalho escravo para a Dama do Tabaco, uma escravocrata que explora as pessoas em sua plantação de tabaco. Entre elas, está Lázaro ( trabalho excepcional de Adriano Tardiolo), um jovem ingênuo e bondoso, que faz de tudo para agradar as pessoas, sem jamais reclamar. Por conta disso, as pessoas se aproveitam dele, entre elas, Tancredi, filho da Dona do Tabaco, que arma um plano com Lazaro, se fazendo de desaparecido para que sua mãe sinta sua falta. Lázaro acaba morrendo em um acidente. Mais de 2 décadas se passam, e Lazaro ressuscita, mantendo a aparência e a bondade. Ele vai parar na cidade grande, em busca de seu amigo Tancredi. Assim como em "As maravilhas", Alice Rohrwacher trabalha com elementos do realismo fantástico, abusando do surreal em vários momentos. O filme é dividido em 2 partes, linkadas pela narração da pequena Alice, que, crescida vem a se tornar a atriz Alba Rohrwacher, irmã da cineasta, e uma das atrizes mais festejadas e premiadas da Itália. O filme tem um ritmo lento, e tem toda uma estrutura narrativa de documentário. O elenco é formado boa parte por não atores, e as tomadas aéreas do filme são belíssimas. em determinado momento, o filme me remeteu a "Forrest Gump", por conta da bondade absolutamente irredutível do protagonista. O desfecho, lúdico, me deixou bastante triste.

domingo, 14 de outubro de 2018

Vampiro

"Vampire", de Shunji Iwai (2011) Co-produção Estados Unidos/Japão, esse drama independente tem como protagonista um professor de biologia introspectivo que tem um vício: beber sangue humano. Para isso, ele busca em sites de relacionamento mulheres suicidas. Simon (Kevin Zegers, de "Transamerica) marca encontro com elas e as dopa, drenando so sangue do corpo delas e bebendo em seguida. O filme é existencialista, e é muito próximo a "Martin", de George Romero, e de"Sede de sangue", de Park Chow Woo, filmes onde os protagonistas têm um desejo de ser vampiros, mas eles vivem em um mundo realista. O filme tem um ritmo muito lento, e por isso, as suas 2 horas de duração parecem ser bem mais longos. Facilmente o filme poderia ter pelo menos 20 minutos a menos. Não é um filme de terror, e sim, um drama psicológico, com um certo suspense ( será que as mulheres querem mesmo morrer?) É um filme doentio, que fala sobre depressão. mas a escalação de elenco optou por mulheres jovens, lindas, ricas para serem as suicidas. Ficou estranho, e a gente nunca sabe porquê elas querem morrer. Uma cena em particular é bastante perturbadora: em uma reunião de vampirismo, Simon resolve sair com um fã de vampiros, e descobre que o cara sequestra mulheres, as estupra e mata depois com dentes de vampiro fakes, sugando o sangue. é uma cena bizarra, angustiante, principalmente porquê a mulher e asfixiada com um saco plástico e fica agonizando por quase dez minutos. é uma cena apavorante e muito realista. Não recomendo esse filme para pessoas sensíveis.

Bangkok Love Story

"Bangkok Love Story", de Poj Arnon (2007) Imagine um filme de romance policial Lgbtq+, que faz referências explícitas a Tarantino, "Brokeback mountain", de Ang Lee e "Happy Together"de Wong Kar Wai? Produção tailandesa. "Bangkok Love Story" ganhou diversos prêmios internacionais. Tecnicamente estilizado, com fotografia hiperrealista e trilha sonora melodramática, que intensifica a tragédia do amor proibido entre um assassino de aluguel, Cloud, e um policial enrustido, Stone. Cloud é contratado para matar o policial Stone, mas a sua ética, que faz com que ele mate apenas corruptos e bandidos, o deixa em conflito. Stone é um policial bom, que investiga o patrão de Cloud. Cloud resolve então salvar a vida do policial, e isso faz com que toda a máfia vá atrás dele. Ferido, Stone toma conta de Cloud, e ambos se apaixonam. O Diretor Poj Arnon dirige o filme com extrema sensualidade, com cenas bastante sexies, sem apelar para a vulgaridade. O roteiro aposta no melodrama mexicano, daqueles bem exagerados, chegando ao limite do absurdo. O desfecho é para arrancar lágrimas forçadas, mas o carisma dos 2 protagonistas seduzem o espectador que torce por eles. O filem ainda tem aquele charme de Filme B dos filmes polciaiis de Hong Kong, sujos, malditos. Um cult obscuro e apaixonante.

Um pequeno favor

“A simple favor”, de Paul Feig (2018) Diretor de comédias hilárias como “ Missão madrinha de casamento”, Paul Feig adaptou o livro de Darcey Bell e realizou um filme que me surpreendeu pelo inesperado. Afinal, o filme é comédia, suspense, romance, humor negro? Ou uma mistura de tudo isso? Mas será que funciona? Sai do filme na dúvida se eu tinha gostado de uma mistura tão bizarra de gêneros, que funciona para os Irmãos Coen justamente porque eles investem pesado na violência, é o humor vem para amainar o impacto. Mas aqui, a violência vem amparada por um humor quase ferino de Anna Hendricks, numa composição até divertida, mas estranha para o roteiro. Anna interpreta Stephanie, viúva e que cuida de seu filho pequeno. Careta até o último fio de cabelo e mãe zelosa, ela acaba ficando amiga de Emily ( Blake Lively, deslumbrante) , mãe de um menino que estuda na mesma turma do seu filho. Emily é o oposto de Stephanie: extrovertida, fashion, abusada é louca o suficiente para propor coisas indecentes. Emily é casada com Sean ( Henry Golding, de “ Podres de ricos”), um escritor fracassado. Elas se tornam melhores amigas, até que um dia, Emily desaparece. O primeiro ato do filme é totalmente comédia, e Anna lembra até o humor brasileiro de comediantes famosas em sua persona. Mas aí o filme vira de tom, mas sem deixar de lado o humor. O que realmente impressiona no filme, é a primorosa trilha sonora, recheada de clássicos pop franceses de varias décadas. O filé tem um toque sofisticado, chique, justamente por causa das musicas.

sexta-feira, 12 de outubro de 2018

Nasce uma Estrela

"A star is born", de Bradley Cooper (2018) Quarta adaptação de uma história escrita a 8 mãos em 1937 ( que já teve Janet Gaynor, Judy Garland e Barbra Streisand no papel da protagonista) , "Nasce uma estrela" tem o brilho de Bradley Cooper, que acumula funções entre co-roteirista, Diretor e Ator. Estreando na Direção com força e muita segurança, ele recria o drama musical sobre Ascenção e decadência no show business de forma emocionante, rendendo sorrisos e lágrima ao longo da projeção. Muito do carisma do filme advém também de Lady Gaga, surpreendendo no papel de Ally, garçonete que cruza o seu caminho com o bêbado e drogado Country Star Jack (Cooper), por quem ele se apaixona e reconhecendo um talento nato de cantora e compositora nela, a ajuda a formar uma carreira. Com 136 minutos de duração, o filme é repleto de cenas fortes de emoção e drama. Várias cenas antológicas: a premiação do Grammy; a cena que o empresário de Ally procura por Jack; a cena dos irmãos. O filme é um show de talento do elenco de apoio, como Sam Elliot no papel do irmão de Jack, e de Andrew Dice Clay, no papel do pai de Ally, que competiu com Robert de Niro e John Travolta para o papel. Toda a parte técnica do filme é excelente: fotografia, câmera, trilha sonora, músicas, direção de arte, edição.

Entre mundos

"Between worlds", de Maria Pulera (2018) Escrito e dirigido pela cineasta espanhola Maria Pulera, "Entre mundos" é mais um dos filmes zueiras com Nicholas Cage, que a cada filme recente, prova que está cagando pra crítica e quer mais é filmar e ganhar dinheiro. O filme aliás, tem uma coleção fabulosa de futuros memes de Cage, impagável. O filme se propõe a ser um suspense sobrenatural mesclado a melodrama, mas essa misturada toda resultou numa grande comédia involuntária. Roteiro tosco e totalmente implausível, elenco no seu pior momento ( meu Deus, o que aconteceu com a carreira da atriz alemã Franka Potente, protagonista de "Corra Lola Corra"?), efeitos mais do que trash. Um cult imediato. Cage interpreta Joe, um motorista de caminhão desolado pela morte de sua esposa e filha em um incêndio residencial. Ao ir para o banheiro de um posto de gasolina, ele testemunha Jullie (potente) ser estrangulada. Ao defender ela, ele se assusta, pois era justamente o que ela queria! Jullie, quando adolescente, sofreu um acidente que a deixou em coma por alguns minutos, dando o dom dela sair de seu corpo e ajudar os outros. Mas para que ela ajude a sua filha que está em coma, ela precisou ser sufocada e entrar em estado de coma. Logo, Joe a ajuda, e ao trazer sua filha de volta, ela acaba trazendo o espírito da ex-mulher de Joe, que enciumada por ele estar se relacionando com Jullie, "baixa" no corpo da filha de Jullie, seduzindo Joe!!! Ou seja, mãe e filha transam com o mesmo homem!!! Confesso que ri demais durante o filme. Para quem estiver nessa vibe de "quanto pior melhor", esse filme é um prato cheio.

quinta-feira, 11 de outubro de 2018

O príncipe feliz

"The happy prince", de Rupert Everett (2018) Longa de estréia do ator inglês Rupert Everett que também escreveu o roteiro e protagoniza essa cinebiografia sobre o autor inglês Oscar Wilde. Com um elenco mega estelar ( Colin Firth, Emily Watson, Tom Wilkinson), o filme acompanha os três últimos anos de vida de Oscar Wilde, logo após a sua libertação da prisão ( ele foi preso por acusação de sodomia com o Lord Alfred Douglas e condenado a 2 anos). Vivendo em Paris sob o pseudônimo de Sebastian Melmoth., e morando em um quarto decadente, sem dinheiro e mendigando, Wilde manteve poucos amigos. Morreu de meningite e sífilis, em 30 de novembro de 1900. Somente em 2017, Wilde e outros 50 mil homossexuais foram perdoados por suas condutas consideradas ofensivas. O filme apresenta em flashbacks, momentos da vida gloriosa de Wilde, no auge do sucesso, casado e com filhos e também cercado da alta sociedade e da intelectualidade. O filme foi exibido em Sundance 2018, e já ganhou alguns prêmios internacionais. Com uma narrativa não linear, que alterna tempos distintos, o filme provoca muitas vezes uma confusão que fica difícil de acompanhar algumas vezes. Essa opção por trazer uma estrutura desconexa prejudica o entendimento do filme, e o torna menos acessível ao público médio. De qualquer forma, é um projeto de alta qualidade técnica: fotografia, direção de arte, locações e principalmente, o excelente trabalho de maquiagem, que transformou Rupert Everett.

quarta-feira, 10 de outubro de 2018

A garota na caixa

"The girl in a box", de Stephen Kemp (2016) Baseado na terrível história real de Colleen Stan, uma jovem de 20 anos que foi sequestrada ao pegar carona com um casal e confinada em uma caixa pelo período de 7 anos. O casal sequestrador, Cameron e Janice Hooker, estupravam Collen durante um período do dia, e depois a trancafiavam de novo. Cameron era adepto do "bondage"e "S&M", e fazia de Collen, a sua escreva sexual. Angustiante, com ótimo trabalho do trio principal, não é um filme que se recomenda para se assistir de noite, pois provavelmente provocará desconforto no espectador. Claustrofóbico, depressivo, degradante. Se você está nesse vibe, assista ao filme, caso contrário, o esqueça.

30 anos de Adonis

"30 years of Adonis", de Scud (2017) Repleto de cenas de sexo explícito, nudez total masculina do elenco de 30 atores e gang bang, "30 anos de Adonis" é um misto de ficção e drama experimental. Dirigido pelo Cineasta e roteirista de Hong Kong Scud, o filme é uma alegoria sobre o trabalho do Ator, e sobre a chegada dos 30 anos de idade. Adonis é um Ator de Ópera de Pequim. Ao completar 30 anos de idade, ele entra em crise. Desempregado, ele decide se prostituir com homens e mulheres e participar de filmagem de um pornô. O filme mescla a rotina de Adonis na prostituição, filmagem de um pornô e momentos de puro lirismo onde ele se imagina na floresta em devaneios com outros homens. O filme tem momentos intensos, mas de uma forma geral, é pretensioso, e somente deverá agradar a espectadores que curtem fetiches. Fosse um média metragem seria mais interessante, mas como longa, é chato, sem um foco definido sobre que filme ele quer ser. A curiosidade fica nos últimos 5 minutos, onde todo o elenco dá depoimento sobre o que imaginam do trabalho do Ator e a experiência no filme.

terça-feira, 9 de outubro de 2018

Sete notas no escuro

"Sette note in nero", de Lucio Fulci (1977) Clássico do "Giallio" de um dos maiores Cineastas do gênero italiano, o filme também tem um título alternativo chamado de "Premonição". Ambos os títulos trazem spoilers para quem for assistir à esse delirante suspense à La Hitchcock. No prólogo, acompanhamos uma menina na década de 50, na Irlanda, tendo visões de sua mãe se suicidando. Anos se passam, e a menina agora é Virginia (Jennifer O'Neill, de "Sacnners" e "Era uma vez um verão". Casada com um milionário italiano, Frederico, ela resolve fazer uma nova decoração em uma das mansões do seu marido. Em uma de suas visões, ela descobre um esqueleto feminino enterrado dentro da parede do quarto da casa. Seu marido é preso como suspeito, e Virgínia resolve ir atrás do possível assassino. Com um roteiro repleto de twists, o filme tem uma edição dinâmica e uso de zoom que combina com a narrativa, apesar de parecer cafona hoje em dia. toda vez que Virginia tem visões, aplica-se um zoom em seu rosto. Lucio Fulci é um Mestre e sabe como entreter e prender a atenção do espectador. Eclético, depois ele dirigiu uma série de filmes de zumbis, que viraram clássicos, e assimilou posteriormente o gore e violência explícita. Aqui,a violência chega a ser trash ( a cena da mãe se suicidando e caindo do penhasco é antológica, nitidamente vê-se uma boneca). Uma ótima diversão para quem curte o giallio, para quem não curte, vai se divertir bastante dando altas risadas. Ótima trilha sonora.

segunda-feira, 8 de outubro de 2018

Like cattle towards glow

"Like cattle towards glow", de Dennis Cooper e Zac Farley (2015) Prato cheio para espectadores Voyeurs, fetichistas e amantes de produções obscuras, essa antologia de 5 curtas franceses está repleto de cenas explícitas, masturbação, necrofilia, estupro, fist fucking e outros prazeres do sexo selvagem envolvendo pós-adolescentes franceses. Misto de ficção e arte conceitual, o filme não pode ser assistido por espectadores sensíveis. Essa antologia de certa forma me lembrou a antologia de filmes explícitos "Destricted", dirigido por cineastas conceituados, como Gaspar Noé, e que também envolviam o submundo do sexo. 1o episódio: um jovem contrata um garoto de programa e deseja que ele "interprete" um morto, em homenagem a um amigo dele que morreu e que ele não teve chance de transar. 2o episódio: um performer se apresenta para uma platéia alternativa, e durante o seu discurso, ele é estuprado por alguns dos presentes. 3o episódio: um jovem é interceptado por outro rapaz na linha de trem, que lhe pede para praticar fist fucking 4o episódio: um casal, vestido de monstros, sequestram um rapaz e o obrigam a se masturbar, caso contrário será morto 5o episódio: uma mulher comanda um drone que segue um rapaz até uma caverna Os 3 primeiros episódios são os melhores, com destaque para o 2o. O último é o pior de todos. Os atores são todos amadores, e falam um inglês com sotaque francês.

domingo, 7 de outubro de 2018

Aguarde instruções posteriores

"Await further informations", de Johnny Kevorkian (2018) Curioso filme de ficção cientifica e suspense, uma mistura inusitada de "Videodrome", do Cronemberg, "Black mirror" e do seriado 'Twilight zone". O filme é uma fantasia metafórica, que faz uma crítica à massificação da mídia. Um jovem casal, Nick e Annji ( ela descendente hindu), vão passar a noite de Natal na casa da família de Nick. Há tempos ele não visita sua família, por conta do racismo de seu pai, que é contra seu envolvimento com Annji. Além de seus pais, estão seu avô, sua irmã e seu cunhado. Após discussão, o casal resolve ir embora, mas descobre que a casa está totalmente cercada por uma espécie de placa fibrosa, que os impede de sair. Além disso, na televisão começam a surgir instruções que devem ser seguidas à risca, caso contrário, pessoas irão morrer. Com um roteiro instigante, esse filme inglês ganhou prêmios em Festivais de gênero, e nos deixa curiosos para saber como vai terminar. O desfecho é Cronemberg puro, com efeitos bem anos 80, toscos mas divertido.

Malevolente

"Malevolent", de Olaf de Fleur (2018) Filme de terror inglês que pega carona nos sucessos de "Invocação do mal" e do espanhol "O orfanato", tem um terceiro ato bem tenso e que faz valer a pena assistir. No início dos anos 80, os irmãos Angela (Florence Pugh, protagonista do excelente "Lady Macbeth') e Jackson comandam um grupo de paranormais que são contratados por clientes que acreditam que suas casas estão assombradas por espíritos. Junto da namorada de Jackson, Beth, e do amigo deles, Elliot, o grupo afugente os fantasmas. Na verdade, eles são um trambiqueiros. Até que uma cliente, a Sra Green, os chama para o orfanato dela, onde ela acredita que os espíritos das meninas assassinadas pelo seu filho estão de volta para assombrar. E Angela descobre que possui dom de mediunidade. Com um ótimo grupo de atores, incluindo Celia Imrie, do filme "O exótico Hotel Marigold", o filme surpreende por conta de vários plot twists ao longo da narrativa. Mesmo sendo um filme de baixo orçamento, o filme segura a atenção.

Venom

"Venom", de Ruben Fleischer (2018) Diretor da franquia "Zumbilândia" e do policial "Caça aos gangsters", Ruben Fleischer teve a missão de levar às telas um personagem que passeia na mesma vibe do anárquico "Deadpool". Isso porquê Venom precisa se alimentar de cabeças humanas!!!!! Ou seja, bizarrices à mil nessa adaptação que foi destruída pela Crítica, mas que me entreteu em suas quase 2 horas. Tudo bem, não é dos melhores filmes da Marvel, mas ver Tom Hardy dando faniquitos e Michelle Willians como She-Venom vale o ingresso. Mas o mais curioso, é que quando o Filme de ficção científica "Vida" foi lançado pela mesma Sony em 2017, havia rumores de que seria um Prequel para "Venom". Assistindo, de fato parece, pois o filme começa exatamente como terminou "Vida", e o ser alienígena se parece bastante nos 2 filmes. Algumas tiradas são bem divertidas, e os efeitos são bacanas. O filme tem uma atmosfera mais sombria, mas repleto de humor negro.

sábado, 6 de outubro de 2018

Luz verde permanente

"Permanent green light", de Dennis Cooper e Zac Farley (2018) Livremente inspirado na história do jovem australiano Jale Bilardim que se suicidou como homem bomba, logo depois de se filiar a um Grupo Islâmico. O que intrigou as autoridades, é que somente ele morreu, havendo uma preocupação da parte dele de que não houvessem pessoas na rua pública onde ele detonou a bomba. A dupla de diretores e roteiristas Dennis Cooper e Zac Farley realizam esse drama independente francês, que competiu no prestigiado Festival de Rotterdan. Através da história de 5 amigos, o filme propõe discutir, de forma romântica, o suicídio sem vínculos políticos, apenas com uma forma de desaparecer da humanidade. Os jovens são de classe média, têm problemas de falta de comunicação com seus pais e não encontram um futuro muito promissor pela frente. Um deles, procura constantemente pela internet, uma forma de fabricar uma bomba. Polêmico, o filme não procura evitar o suicídio através de terapias ou aconselhamento por parte de profissionais. O tempo todo, e de forma bastante verborrágica, o roteiro mostra esses jovens totalmente apáticos, uma geração sem ambição. É um filme sobre a desilusão, e nem é aconselhável ser assistido por pessoas influenciáveis. Devo dizer que é um filme muito chato, de ritmo arrastado, talvez intencionalmente para que o espectador sinta a monotonia dos personagens.

sexta-feira, 5 de outubro de 2018

Leave no trace

"Leave no trace", de Debra Granik (2018) Melancólico drama independente americano, dirigido pela Cineasta Debra Granik, mesma realizadora de "Inverno da alma", filme que lançou Jennifer Lawrence ao estrelato. Exibido com sucesso em Sundance 2018, e na Quinzena dos realizadores em Cannes , "Leave no trace" narra uma história muito semelhante a "Capitão Fantástico", com Vigo Morttensen. Will (Ben Foster(, veterano de guerra e portador de Ptda (Síndrome pós traumático) , mora com sua filha Tom (Thomasin McKenzie), 13 anos, na floresta de Oregon. Escondidos de todos, eles vivem como de pequenas plantações e de eventuais idas à cidade para comprar produtos de primeira necessidade. Após Tom ser flagrada por um corredor, a polícia chega e os prende, levando-os até a Assistência social. Pai e filha fogem de novo até à floresta, mas no pouco tempo em que ficaram na assistência social, foi o suficiente para modificar o pensamento de Tom, que já não compartilha dos mesmos ideais de seu pai. Raro filme a receber 100% de aprovação do Site Rotten Tomatoes, "Leave no trace" tem um ritmo extremamente lento. Acho um bom filme, mas nada que já não tenha visto antes, e melhor. Boa direção, bom trabalho da dupla de atores. Esse tipo de filme que glorifica a vida na natureza e faz discurso contra o capitalismo já rendeu "Vida"e "Na natureza selvagem", dois excelentes filmes.

quinta-feira, 4 de outubro de 2018

Conquistar, Amar e Viver Intensamente

"Plaire, aimer et courir vite ", de Christopher Honoré (2018) A filmografia do francês Christopher Honoré me interessa bastante. Desde os excelentes "Em Paris" e "As canções de amor", que não deixo de assistir a um filme seu. Seus filmes geralmente versam sobre relacionamentos apaixonantes mas envoltos em auras de tragédias e mortes, onde a saudade bate forte à medida que a ausência consome os personagens. Novamente apostando na temática do amor entre um casal gay, Honoré ambienta seu filme no ano de 1993, quando a Aids e o HIV continuam matando a comunidade gay de forma desenfreada. É dentro desse panorama maldito, que Jacques ( Pierre Deladonchamps) , de "O Segredo do lago" e Arthur (Vincent Lacoste ) se conhecem, dentro de uma sala de cinema, onde esta sendo exibido "O piano", de Jane Campion. Jacques tem 35 anos e é escritor. Arthur tem 20 anos e deseja estudar cinema. Jacques é de Paris, Arthur é de uma cidade pequena e quer se mudar para Paris para poder flertar com quantos homens quiser, agora que ele resolveu se assumir publicamente como homossexual. Jacque sé portador do HIV. Entre a culpa e o desejo, os 2 personagens perambulam em círculos, buscando outros parceiros, mas acabam retornando um ao braço do outro. Honoré bem que tenta em alguns momentos trazer o gênero musical ao filme ( em 'As canções de amor", literalmente o filme vira musical. O filme é repleto de música, a fotografia privilegia a luz noturna da cidade, melancólica. Mas é um filme ao mesmo tempo sexy e triste. As cenas de sexo são sensuais, os atores estão ótimos, mas a sua longa duração pesa contra, são 2:13 horas, totalmente uma loucura, podendo ter sido cortado em pelo menos 20 minutos. O filme foi exibido em competição no Festival de Cannes 2018. Não é seu melhor filme, mas para quem curte filmes românticos protagonizados por personagens gays, e ainda por cima, filme verborrágico onde falam sem parar, aqui é a pedida certa.

Papillon

"Papillon", de Michael Noer (2017) Segunda aversão da famosa biografia do francês Henri Charriére, já levada às telas anterioremente com Steve Macqueen e Dustin Hoffman nos papéis agora de Charlie Hunnan e Rami Malek. O filme começa em 1931, em Paris. Papillon ( apelido dado por conta da tatuagem de borboleta em seu peito) é preso com acusação falsa de ter assassinado um cafetão. Papillon é um bandido especializado em roubar para uma máfia local, e sua sentença é de prisão perpétua. Ele acaba sendo levado até a Guiana Francesa, para uma prisão para deportados franceses. Chegando lá, ele fica amigo de Louis Deas (Malek), que, por ter dinheiro, acaba sendo figura chave para a possibilidade de fugir da Ilha. A história da amizade entre esses 2 homens é o emociona o espectador. Bem dirigido e com excelente atuação dos 2 atores ( Malek copia os trejeitos de Dustin Hoffman) , o filem conjuga drama, ação de forma espetacular. É longo, 2:13 de duração, mas é um épico humanista cujo livro, lançado em 1970, se tornou um imenso best seller, e responsável pela eliminação dessas penitenciárias, para onde j;a foram deportados mais de 80 mil pessoas.

quarta-feira, 3 de outubro de 2018

Legalize já- Amizade não morre nunca

"Legalize já- Amizade não morre nunca", de Johnny Araújo e Gustavo Bonafé (2017) Cinebiografia do cantor Marcelo D2, vocalista da Banda de Rap "Planet Hemp". O filme encobre o início dos anos 90, com a dura vida de Marcelo, que vendia camisetas de bandas de Rock no centro da cidade, como camelô, a sua relação com sua namorada grávida e o conflito sobre um possível aborto; o drama com seu pai ( Stephan Nercessian), que o cobra por não ter um emprego decente e uma casa para morar; e principalmente, a sua amizade com Skunk ( Ícaro Silva), o grande idealizador da banda e incentivador de Marcelo, para que ele largasse a vida de camelô e de vendedor de loja de eletrodoméstico para se lançar com cantor de rap. expondo as suas frustrações e angústias através das letras que escrevia. O filme ganhou 5 prêmios no Festival Aruanda em 2017, e deve agradar aos fãs do cantor. A fotografia estilosa, quase em tom de preto e branco, reforça a dramaticidade da história. O filme na verdade, tem uma presença muito mais forte e vibrante na figura de Skunk, através de uma performance magistral de Ícaro Silva. Ele sim, é a grande motivação para se assistir a esse filme, dando um exemplo simbólico da luta do brasileiro que jamais desiste de seus sonhos, mesmo em momentos de desespero total.

terça-feira, 2 de outubro de 2018

Jonas

"Jonas", de Christophe Charrier (2018) Drama que é um soco no estômago, com um desfecho trágico que me deixou muito triste. O filme envolve 2 momentos na vida de Jonas: aos 15 anos e aos 33 anos de idade. Adolescente, Jonas é um gay enrustido. Aos 33 , ele é totalmente assumido e faz pegações desenfreadas no Grindr. Trabalhando como enfermeiro, descobrimos que Jonas tem um passado traumático, que envolve a sua amizade com o colega de turma Nathan, jovem judeu homossexual, por quem ele se apaixona. Com excelente atuação dos atores que interpretam Jonas nas duas fases, e do ator que interpreta Nathan, "Jonas"é um belo drama contundente. A montagem intercala as duas épocas, para trazer uma surpresa no decorrer da história da razão do trauma de Jonas. O filme é bastante sexy, com ótimo clima de tensão sexual. Ótima Direção de Christophe Charrier, que também escreveu o roteiro.

segunda-feira, 1 de outubro de 2018

Não se preocupe, ele não vai chegar longe à pé

"Don't Worry, He Won't Get Far on Foot", de Gus Van Sant (2018) Cinebiografia do cartunista John Callahan, nascido em 1951 e morto em 2010. Exibido em Sundance em competição no Festival de Berlin 2018, o filme faz parte de leva de filmes humanistas e melodramáticos de Gus Van Sant ( "O mar de árvores", "Terra prometida"). Particularmente, gosto mais dos filmes de Van Sant onde ele era provocador, como "Elefante", "Paranoid Park", "Gerry", "Garotos de programa", "Mala noche'. John Callahan nasceu em Portland ( cidade natal de Van Sant) e desde criança se tornou alcóolatra. Aos 21 anos, ele sofreu um acidente de carro, que estava sendo dirigido por um homem que ele conheceu nessa noite de bebedeiras, interpretado por Jack Black. resultado: Callahan se tornou quadraplégico. Diante da nova perspectiva de vida, Callahan acabou abandonando a bebida e participou de grupos de apoio, até se tornar um cartunista famoso, mas odiado por muita gente, pelo sue conteúdo politicamente incorreto. O filme tem uma montagem que mistura tempos, e entremeada por cenas de animação do verdadeiro Callahan. Como filme, é correto, mas sem alma. Tá ali, tudo certinho, mas falta um impulso para que a gente se apaixone pelo filme. O que me fez segurar a atenção, obviamente é a performance arrebatadora de Joaquim Phoenix, e surpresa das surpresas, de Jonah Hill, mais magro e em papel dramático, interpretando um gay.

domingo, 30 de setembro de 2018

Oitava série

"Eighth grade", de Bo Burnham (2018) Amei, amei, amei, amei essa comédia dramática super premiada, o filme mais elogiado no Festival de Sundance 2018. Bo Burnham é Ator e roteirista, e esse é seu filme de estréia. Para quem não se lembra, ele trabalhou na comédia "Doentes de amor", indicada ao Oscar em 2018. "Oitava série" tem toda a cara de um filme de Wes Anderson, e também lembra um pouco "Ladybird", so que direcionado à outra faixa etárea. Em "Oitava série", a protagonista, Kayla, tem 13 anos e está prestes a terminar a sua oitava série e no ano seguinte, entrar para o ensino fundamental. Junto com isso, vem todas as angústias de uma menina assustada com o processo de crescimento. Kayla é tímida, não tem amigos, é órfã de mãe e mora com seu pai, Mark (Josh Hamilton, absolutamente apaixonante no papel). Kayla cria um Canal no Youtube dando dicas de comportamento e auto-estima, tudo o que ela não consegue ser. Sem seguidores e nenhum like, ela é a própria Looser. Quando você acha que o Diretor e roteirista Bo Burham quer narrar um filme masoquista onde ele bota a protagonista para sofrer o tempo todo, ele alterna com momentos brilhantes de humor ferino, ácido e melancólico. Ao mesmo tempo que a gente antipatiza de Kayla, por ela destratar seu amável pai, a gente se apaixona por ela, porquê simplesmente, quase todo mundo já passou por situações como as dela. Muitas cenas antológicas: a simulação de ataque terrorista na escola; Kayla tentando aprender a fazer sexo oral com uma banana; a cena da piscina onde ela conhece o nerd Gabe; a cena do shopping com o seu pai a espionando. Mas nada disso seria possível, sem a presença magnetizante de Elsie Fishr no papel principal. ela começou na carreira dublando a voz de Agnes em "Meu malvado favorito". Elsie lembra bastante o biotipo de Abigail Breslin quando surgiu em "A pequena Miss Sunshine". O seu carisma e talento impressionantes constróem uma personagem trágica e humana, a pobre coitada que sai do lugar comum das pessoas que sofrem bullying e tentam suicídio. Kayla não pensa em se matar. ela pensa em ser alguém. "Oitava série" é um dos filmes mais espetaculares sobre a adolescência.

Hotel Artemis

"Hotel Artemis", de Drew Pearce (2018) Longa de estréia do roteirista Drew Pearce, que escreveu, entre outros, "Homem de ferro 3", é uma ficção científica de ação que tem toda a cara de produção da Netflix, mas foi lançada nos cinemas e devidamente destruída pela crítica. Assistindo ao filme, achei que tem uma proposta bem interessante, e uma aura cult que já começa pelo elenco eclético: Jodie Foster, Jeff Goldblum, Sofia Boutella, Dave Bautista ( o Drax de "Guardiões das galáxias"), Zachary Quinto e muito mais. O filme acontece quase que todo dentro de um Hotel, chamado Artemis, coordenado pela Enfermeira Thomas ( Jodie Foster), cuja função é receber bandidos feridos em ação. O Hotel pertence a um poderoso mafioso ( Goldblum), que pretende repassar o empreendimento ao seu filho, o também marginal Crosby (Quinto). O filme começa com uma quadrilha assaltando um banco. Feridos em ação policial, os 2 irmãos, Honolulu e Waikiki, fogem e seguem até o Hotel Artemis para serem atendidos. O local já está repleto de outros marginais, e o bando de Crosby também segue para lá, a fim de recuperar uma caneta com dados roubado por Waikiki. O filme lembra um pouco o filme indonésio "The Raid", onde policiais e bandidos se enfrentam numa mesma locação. é bem curioso ver Jodie Foster comandando essa produção obscura, mas ela defende muito bem sua personagem, de passado trágico. O visual é bem interessante, e mesmo que não chegue a arrebatar, é um filme que prende a atenção e que funciona muito como passatempo.

Uma noite de doze anos

“La noche de 12 años”, de Álvaro Brechner (2018) Dirigido e escrito pelo uruguaio Álvaro Brechner, essa co-produção Uruguai e Argentina foi selecionado pelo Uruguai para tentar uma vaga ao Oscar de filme estrangeiro em 2019. O filme narra a emocionante e dramática trajetória de 3 amigos guerrilheiros, entre eles, o jovem José Mujica, o Pepe, ( o ator espanhol Antonio de lá Torre o interpreta magistralmente) , futuro Presidente do Uruguai em 2009. De 1972 a 1985, ele e seus dois companheiros, Eleuterio, futuro ministro, e Maurício ( Chino Darín), futuro escritor. Os três pertenciam ao grupo dos Tupamaro, grupo de resistência, e foram presos. Como não poderiam ser mortos, sofreram todo o tipo de tortura psicológica por parte dos militares. A direção do filme é brilhante, fazendo uso de vários conceitos linguísticos. Os atores estão incríveis e o filme contém muitas cenas antológicas: o encontro da mãe de Mujica, e o desfecho, além da cena que os militares invadem uma casa onde estão os guerrilheiros, uma aula de cinema. Atenção também ao ótimo trabalho de Cesar Troncoso, no papel de um General. Obrigatório!

quinta-feira, 27 de setembro de 2018

Baronesa

"Baronesa", de Juliana Antunes (2017) Premiado documentário dirigido e escrito por Juliana Antunes, é uma produção mineira toda rodada em Belo Horizonte, mais precisamente, na comunidade de Vila Mariquinhas, periferia da Capital. O filme, com um olhar totalmente feminino ( o filme tem uma equipe quase toda de mulheres), foca sua câmera em 2 protagonistas: as amigas e moradoras Andreia e Leidiane. Assim como qualquer morador de comunidade, as duas já se acostumaram a todas as barbaridades: tiroteiro, tráfico de drogas, violência doméstica, assédio, brigas, desemprego, etc. Mesmo assim, no bate papo descontraído das duas, elas procuram encontrar um fiapo de motivação para continuarem vivendo e batalhando seu dia a dia: os filhos, os bailes, o sexo, os amigos, as drogas ( tem uma impressionante cena onde uma delas cheira de forma totalmente espontânea uma carreira de cocaína, junto de um amigo, sem qualquer tipo de preocupação de estarem sendo filmados). Lá na parte final, durante uma conversa, elas presenciam um tiroteiro: o câmera se esconde, mas para elas, é apenas mais um dia. É um filme que não pode ser visto como um documentário etnográfico sobre moradores de comunidade. Existe um propósito para ele: acompanhar seres humanos no limite da sobrevivência e da dignidade, e que não perdem jamais a sua esperança de uma vida melhor. Andreia almeja se mudar pro bairro vizinho, Baronesa, mas lhe falta dinheiro. Um filme digno, que merece ser visto e discutido.

quarta-feira, 26 de setembro de 2018

O homem perfeito

"O homem perfeito", de Marcus Baldini (2018) Divertida comédia romântica que realmente faz rir com situações e diálogos ácidos e totalmente antenados com os novos tempos de combate ao machismo e empoderamento feminino. Tudo bem que as 2 personagens femininas, Diana ( Luana Piovani) e Mel ( Juliana Paiva) não conseguem viver sozinhas e estão em busca de seus parceiros ideais. Mas se não fosse isso, acabariam de vez as comédias românticas, não? Dinâmico, atores espertíssimos e em bons momentos, com bela fotografia de Marcelo Brasil. Um passatempo muito digno de muitas sessões da tarde. Diana (Piovani) namora há anos com o nerd Rodrigo (Marco Luque). Chega uma hora que ela cansa da falta de ambição do namorado e o bota para fora de casa. Sozinha, ela percebe que sua vida era melhor com ele, mas aí, ao visualizar uma rede social, descobre que ele namora uma menina mais jovem, Mel, aspirante a bailarina profissional. Diana acaba sendo convocada pelo seu editor para escrever a biografia de um sertanejo mimado, Caique (Sergio Guizé). Os dois não se bicam, mas Diana acaba tendo uma idéia: se aproveitar de Caíque para usara rede social e provocar Mel, criando um perfil falso onde o avatar se diz apaixonado por ela. Mas os planos dão errado para todos os lados. Com uma leve pitada de "Cyrano de Berjerac", o filme cumpre o que promete: diversão, risos, tudo de forma despretenciosa. Vale assistir!

terça-feira, 25 de setembro de 2018

Rosa Morena

"Rosa Morena", de Carlos Augusto de Oliveira (2010) Primeira co-produção Brasil e Dinamarca, "Rosa Morena" pega emprestado a música de Dorival Caymmi e batiza uma história que fala sobre adoção aqui no Brasil. Thomas ( Anders W. Berthelsen, em ótima atuação), é um engenheiro bem sucedido dinamarquês, que vem para São Paulo para visitar um amigo dinamarquês que se casou com uma brasileira (Viviane Pasmanter), que trabalha para uma Ong. Thomas revela que veio para tentar adotar uma criança brasileira, já que em sue País, ser gay e solteiro, dificulta bastante as possibilidades. Thomas conhece um advogado que oferece um serviço sujo de adoção, e ele recusa. Ao conhecer Maria (Barbara Garcia), uma jovem de comunidade, desempregada e alcóolatra, que está grávida, Thomas enxerga a possibilidade de negociar o bebê que está para nascer. Finalizado em 2009, o filme nem chegou a ser lançado comercialmente no Brasil, tendo sido exibido na Mostra Internacional de cinema de SP. O que é uma pena: é um filme bastante decente, tecnicamente muito bom, que reúne um time de grandes profissionais do Brasil, e que fala em temas muito atuais. O filme fez muito sucesso em Festivais estrangeiros tendo ganho vários filmes. O filme carrega na dose do melodrama, mas para quem gosta de sentimentos extremados, é uma boa pedida. O diretor e co-roteirista Carlos Augusto de Oliveira mora há mais de uma década na Dinamarca, e foi o mentor do projeto

segunda-feira, 24 de setembro de 2018

Técnica de um delator

"Les doulos", de Jean Pierre Melville (1963) Filme de gangster preferido de Martin Scorsese e de Quentin Tarantino, "Técnica de um delator" é uma obra-prima policial que tem um trabalho formidável de Direção, Roteiro e elenco, aliados à uma trilha sonora poderosa de Paul Misraki e de uma fotografia em preto e branco de Nicolas Hayer, que homenageia o CInema noir americano. Acredito que esse roteiro tenha sido uma referência para que Scorsese realizasse o seu "Os infiltrados", por sua vez, remake de um filme chinês. O tema da fidelidade entre bandidos e a possível traição de um deles como informante da polícia, é a matéria prima desse filme complexo, que engana o espectador o tempo todo. Maurice ( Serge Reggiani) é um bandido que sai da prisão após 6 anos de cadeia. Ele vai procurar um amigo que intercepta jóias roubadas e o mata, roubando dinheiro e as jóias. Em seu caminho, ele cruza com Sillein ( Jean Paul Belmondo), um parceiro do crime, mas que Maurice acredita ser informante da polícia. A cena inicial do filme, com Maurice em longo plano-sequência caminhando por uma travessa, com certeza inspirou Tarantino no início de "Jackie Brown", com a protagonista andando em uma esteira rolante. Muitos virtuosismos de câmera, como a famosa cena de 360o dentro de uma delegacia, ou a bela cena final, debaixo da chuva, com uma fotografia incrível. O filme é essencialmente masculino, e às mulheres são relegados papéis secundários. existe uma cena que provavelmente, se o filme tivesse sido lançado hoje em dia, teria sido massacrada pela galera do politicamente correto: uma das mulheres sendo torturada. É uma cena forte, comandada por um Jean Paul Belmondo arrasador, 3 anos depois do seu mega sucesso em Acossado", de Godard.

Sem data, sem assinatura

'No Date, No Sign", de Vahid Jalilvand (2017) Absolutamente atordoado após a sessão desse filme multi premiado em diversos Festivais, incluindo os prêmios de melhor Diretor e Ator (Navid Mohammadzadeh, que interpreta o pai) na Mostra Horizonte do Festival de Veneza 2017. O filme lembra bastante a filmografia de Asghar Farhadi, aclamado Diretor de "O apartamento"e "A separação;". São muitos pontos em comum: o cinema iraniano urbano, mostrando a classe média e a classe baixa lutando no dia a dia de uma cultura conservadora, religiosa e machista. A questão da culpa permeia totalmente o filme: pesa na consciência dos 2 protagonistas masculinos, e cabe às mulheres a serenidade para tentar refletir sobre os atos de seus companheiros. Fiquei surpreso com a forma como o filme apresenta as personagens femininas: fortes, cheias de personalidade e lutando pelo seu espaço e sua voz. Dr Kaveh é um médico legista de um Hospital Iml. Ao sair do trabalho, de noite, ele é fechado por um carro e acaba atropelando uma família que estava na moto. O menino de 8 anos se machuca, o medico pede pro pai levá-lo ao hospital. O pai quer chamar a polícia, mas o médico pede para que não, pois seu seguro está vencido e indeniza o homem com dinheiro. No dia seguinte, o menino aparece morto no hospital, e a autópsia diz que ele morreu de botulismo. Com o peso na consciência,a crente que o menino morreu por conta do acidente, o médico se mantém em silêncio. Porém essa sua atitude acarretará consequências trágicas para todos. Com um roteiro primoroso, que vai levando o filme a um redemoinho de reviravoltas na trama, o filme se favorece também da Direção, do elenco fenomenal ( todos os 4 protagonistas estão formidáveis!) e da fotografia. existe um plano, visto pelo retrovisor, que é uma obra prima de concepção. Outro momento inesquecível, é a cena do pai urrando do lado de fora, em luto pela morte do filho. Uma porrada no estômago, comparável ao grito em silêncio de Al Pacino em "O poderoso chefão 3".

domingo, 23 de setembro de 2018

Vermelho, branco e azul

"Red, white and blue", de Simon Rumley (2010) Um dos filmes mais violentos e brutais a que eu assisti, não recomendo a ninguém ver, a não ser que não se incomode em ver uma menina de 10 anos ser torturada e esfaqueada, um rapaz ser escalpelado vivo e uma mulher ser mutilada e decapitada. Esse filme inglês venceu vários prêmios em festivais de cinema de gênero, como o Fantasia, e é uma produção inglesa. OS 3 atores principais dão um show de visceralidade, mas deve ter sido um pesadelo para todos eles terem feito o filme. Erica é uma mulher que perambula pelas noites de bar em bar, flertando com homens e transando com eles, sem uso de camisinha. Nate é um ex-veterano da guerra do Iraque, e procura um emprego na cidade. Franki é um jovem guitarrista de uma banda de rock, e cuida de sua mãe, que está com câncer. Essas 3 histórias se cruzam de forma aterrorizante. As histórias se entrecruzam, até chegar ao terço final, quando tudo converge. Atenção: somente assista se você tiver visto "Martyrs", um filme com cenas de violência semelhantes. é um filme realista, não é como "Jogos mortais", que é tudo fantasioso. Para fazer perder noites de sono.

O samurai

"Le samourai", de Jean Pierre Melville (1967) Um dos filmes preferidos de Tarantino, essa obra-prima de 1967 é uma adaptação do livro de Joan Mcleod. Primoroso em todos os seus quesitos técnicos: roteiro, fotografia em tons acizentados de Henri Decaë, trilha sonora jazzística de François de Roubaix , montagem vigorosa de Monique Bonnot e Yolande Maurette e o talento magnético de Alain Delon , em mais um de seus personagens antológicos, depois de "O sol por testemunha" e de dois clássicos de Visconti, "Rocco e seus irmãos"e O leopardo". Jean Pierre Melville era um grande apaixonado pelo cinema americano e sua linguagem, especialmente o cinema noir, que ele homenageia espetacularmente aqui. Melville foi contra a corrente dos cineastas da Nouvelle Vague, que estavam em busca de novas linguagens e o movimento estava tomando conta da França. Alain Delon interpreta Jef Costello, um assassino de aluguel que mora sozinho em um cafofo, junto de seu passarinho, preso em uma gaiola. Jef segue a regra dos samurais, sempre de forma meticulosa e solitária. No entanto, ao cometer seu próximo assassinato, ele é visto por uma testemunha, uma pianista de um bar. Jef é preso como suspeito, mas logo em seguida, solto. Tanto a polícia quanto os criminosos que o contrataram estão em sue encalço. O filme é repleto de cenas antológicas, entre elas, 2 de destaque: a perseguição no metrô, ao final; e a brilhante cena de 2 policiais grampeando o seu apartamento. essa cena é uma aula de montagem e edição de som: silenciosa, apenas com o pio do passarinho como fundo sonoro, é uma cena bastante tensa. Alain Delon representa aquele assassino elegante, bem vestido, frio e meticuloso, que apaixona as mulheres. Confesso que eu jamais havia ouvido falar desse filme, e somente tomei conhecimento após assistir ao documentário de Bertrand Tavernier, onde ele homenageia o cinema francês: "O cinema através do cinema francês". Obrigatório!

Dogman

"Dogman", de Matteo Garrone (2018) Realizador dos premiados "Gomorra" e "Reality", Matteo Garrone ganhou inúmeros prêmios por "Dogman", incluindo Melhor ator em Cannes ( para Marcello Fonte) e Palma de ouro para o elenco canino. O filme narra a história de Marcello, dono de uma pet shop em um bairro pobre de periferia. Sem amigos, Marcello vive da companhia dos cães que ele toma conta. Separado de sua esposa, Marcello recebe constantemente visitas de sua filha, a quem ele promete uma viagem. Sem dinheiro para cumprir sua promessa, Marcello se deixa seduzir por Simone, um marginal brutamontes da região, temido por todos. Marcello vende pequenas quantidades de cocaína para ganhar dinheiro extra, e Simone é grande consumidor. Simone convida Marcello para um roubo, mas as coisas terminam mal. Brutal, é um filme extremamente violento, lembrando os primeiros filmes de Tarantino, como "Cães de aluguel"., com longas cenas de tortura. Marcello Fontes interpreta de forma genial o protagonista, alternando momentos de delicadeza com brutalidade. Edoardo Pesce, no papel de Simone, também está antológico, com um personagem bastante complexo, baseado muito em sua extrema forma física, mas também em seu silêncio e olhar carrancudo. Bela fotografia de Nicolai Brüel, em tons escuros, trazendo uma atmosfera de pesadelo para as cenas noturnas. A cena de Marcello tentando reavivar um cachorro congelado pelos bandidos é antológica e angustiante.

sábado, 22 de setembro de 2018

Viagem através do Cinema francês

"Voyage à travers le cinéma français", de Bertrand Tavernier (2016) Exibido em importantes Festivais internacionais, como Cannes e San Sebastian, "Viagem através do Cinema francês" é um ambicioso documentário de 3:30 horas de duração, dirigido por um dos Cineastas franceses mais premiados do mundo, Bertrand Tavernier. Tavernier dirigiu alguns clássicos, como "Por volta da meia noite" e "Um sonho de domingo". Nesse documentário roteirizado por ele, ele passa a limpo Cineastas, compositores e atores que fizeram a sua formação cinematográfica. Não esperem o Cinema francês passado a limpo. Tavernier foi bem meticuloso, e citou apenas poucos profissionais da filmografia francesa. Os Cineastas Jacques Becker, Jean Renoir, Marcel Carné, Jean Pierre Melville, Claude Sautet, François Truffaut, Jean Luc Godard, Jean Vigo, Jean Sacha; o compositor Maurice Jaubert, e os Atores Jean Gabin e Eddie Constantine, famoso com o detetive Lemmy Caution, depois homenageado em "Alphaville", de Godard. O filme , diferente de documentários de cinema, como o de Scorsese, tem um ponto de vista extremamente pessoal. Tavernier fala da importância desses técnicos, e também cita relatos curiosos, como a péssima fama de Melville, que destratava equipe e elenco, ou o estrelismo de Jean Gabin, considerado um Ator de caracterização. O filme obviamente será melhor apreciado por Cinéfilos apaixonados pelo Cinema francês. Eu mesmo conheço muito pouco da quase centena de filmes citados aqui, principalmente os da década de 30 a 50. Tavernier conta como o cinema foi importante na sua infância, para fugir do sofrimento da 2a Guerra mundial. e por conta da falta de alimentos, ele acabou contraindo desnutrição e teve um problema de visão. O documentário foi criticado por algumas pessoas por somente apresentar filmografia de Cineastas homens, deixando um espaço ínfimo para Agnes Varda. O próprio Tavernier prometeu que caso realize outro documentário sobre o cinema francês reservará mais espaço para as Cineastas.

Noite de Terror

"Black Christmas", de Bob Clark (1974) Clássico cult de terror de 1974, considerado como o precursor do "Slasher"nos Estados Unidos. "Halloween", de John Carpenter havia sido concebido para ser uma continuação desse filme, mas logo depois o próprio Carpenter desistiu da idéia. O elenco do filme conta com as participações de Olivia Hussey ( "Romeu e Julieta", de Zefirelli), Kir Dullea ( "2001, uma odisséia no espaço") e Margot Kidder ( Lois Lane de "Superman"). Totalmente rodado no Canadá, o filme foi dirigido por Bob Clark, que uma década depois, ficaria famosos por rodar a comédia erótica "Porky's". Em uma casa, moram várias estudantes da Universidade. Elas comemoram o Natal, enquanto um serial killer se instala na casa delas. Uma a uma vai sendo assassinada, e o corpo, escondido. As garotas pensam que as colegas desaparecidas foram embora, mas logo a polícia procura investigar o sumiço, mas ninguém se dá conta de que o assassino está na própria casa. Diferente dos outros slashers, "Noite de terror' investe na dramaturgia. As protagonistas são independentes, e a protagonista, Jess, discute com o seu namorado porquê ela quer abortar. As cenas de morte não são gráifcas como os filmes que vieram a seguir. Mas é um filme bastante curioso, pois seus diálogos são bastante explícitos, quando o assassino faz ligações telefônicas, ela cita coisas que fariam Hilda Hildst ficar com vergonha.

sexta-feira, 21 de setembro de 2018

Halloween- A noite do terror

"Halloween", de John Carpenter (1978) O maior sucesso comercial de toda a filmografia do Mestre do terror John Carpenter ( custou 300 mil dólares e rendeu 70 milhões), é também considerado um dos melhores filmes do gênero em toda a história do cinema. Tem críticos que o consideram o precursor do "Slasher", enquanto outros creditam a "Noite do Terror"(Black Christmas), de 1974, como o filme que deu origem aos filmes com Serial Killers em cenas de assassinatos explícitos, com requintes de crueldade. No Cinema italiano, desde os anos 60 já existia o "Giallio", graças aos filmes de Mario Bava, Dario Argento, que exageravam nas mortes e ainda traziam doses fartas de erotismo. Os americanos censuravam o sexo, tanto que virou cartilha que todo casal que faz sexo, morria na sequência. Não tem como negar que uma das grandes referências de "Halloween" vem de "Psicose": a casa assustadora, a facada no início do filme que remete à cena do chuveiro e também a escadaria. A atriz Jamie Lee Curtis é filha de Janet Leigh, protagonista de Psicose". A máscara do assassino Michael Meyers, lembra muito o semblante de Norman Bates no final, aquele olhar totalmente sem emoção e frio. Em 1963, na cidade de Haddonfield, na noite de Natal, o então garoto Michael Meyers assassina sua irmã mais velha, sem motivo aparente. 15 anos depois, ele escapa do sanatório, e retorna à cidade, dessa vez para aterrorizar os habitantes, entre eles, Laurie Strode (Jamie Lee Curtis), babá de Tommy, e que na noite de Halloween precisa cuidar do menino. O psiquiatra Dr Loomis ( Donald Pleasence) , que cuidava de Michael, vai ao seu encalço, para evitar que ele mate mas pessoas. "Halloween" é uma verdadeira cartilha de como criar tensão e suspense. Todos os filmes posteriores copiaram as suas formulas, inclusive duas que odeio, mas que entendo que faz parte: o assassino que anda a passos lentos, ao invés de correr; e quando a heroína acha que matou o vilão e fica ali, plantada sem fazer nada. Não dá para falar do filme sem citar a excelente trilha sonora , composta pelo próprio John Carpenter, que compôs um tema absolutamente assustador. Sempre revejo o filme, que teve 7 continuações, incluindo um reboot dirigido por Rob Zombie. Em 2018, foi lançado um novo filme, produzido por John Carpenter, que ignora totalmente as continuações e segue do filme original.

Takara- A noite em que eu nadei

"Takara - La nuit où j'ai nagé", de Kohei Igarashi e Damien Manivel (2017) Há tempos eu não assistia um filme tão minimalista como esse aqui, talvez apenas em filmes iranianos, como "O balão branco". A premissa do filme pode ser contada em apenas uma linha, e durante os quase 80 minutos do filme, sem diálogos, acompanhamos um menino de 6 anos que, saudoso do pai, vai em sua busca, fugindo da escola e tentando encontrar o local do trabalho dele. Takara ( o personagem e o ator mirim têm o mesmo nome) todo dia acorda com o barulho do carro do seu pai, que sai de madrugada pro trabalho, no mercado de peixe. Ao sair de casa com sua irmã para a escola, ele decide sair pelas estradas repletas de neve e perambular pela cidade. O filme é repleto de pequenos momentos , quase um documentário. Bastante melancólico, o filme faz um retrato de certa forma fria e cruel da sociedade japonesa, da falta de compaixão e de comunicação entre as pessoas. O menino de 6 anos vaga pelas ruas o dia todo, e simplesmente nenhum adulto estranha a solidão do menino. Como uma fábula, o filme começa com "As quatro estações de Vivaldi", fazendo a junção entre as culturas ocidental e oriental (assim como a dupla de cineastas, um japonês e um francês). O ritmo é bastante lento, e pode aborrecer espectadores menos acostumados com um cinema mais contemplativo. Linda fotografia e o pequeno Takara é um colírio para os olhos, uma fofura total. O filme foi exibido no Festival de Veneza 2017.

quinta-feira, 20 de setembro de 2018

7 dias em Entebbe

"Entebbe", de José Padilha (2018) A história real do sequestro de um avião no ano de 1976, que partiu de Telaviv com destino a Paris, rendeu vários filmes, sendo o mais famoso com Charles Bronson. O Cineasta José Padilha, que realizou os sucessos "Tropa de elite" e "Robocop", investe em mais uma versão da história, com um elenco internacional, encabeçado pelo alemão Daniel Brühl e pela inglesa Rosamund Pike, interpretando 2 dos 4 terroristas favoráveis à libertação da Palestina após a criação do estado de Israel em 14 de maio de 1948. Esses 4 terroristas ( 2 alemães e 2 palestinos) sequestraram o avião e o levaram até Entebbe, na Uganda, dominada pelo ditador Idi Amin. Israel se recusou a negociar com os terroristas e acabou invadindo o local. Padilha chamou seu parceiro da fotografia, Lula Carvalho, e na trilha sonora convocou Rodrigo Amarante, ex-integrante do grupo Los Hermanos. O filme tem mais drama do que ação, e seu ritmo é dado mais pela trilha do que pela montagem em si (a montagem é de Daniel Rezende). O filme não me empolgou, talvez porque eu estivesse esperando mais ação, algo como "Munique", de Spielberg. Também não curti as inserções de dança contemporânea, uma metáfora da relação dos soldados e do conflito em si. O que valeu a pena no filme, foi botar os 2 lados da mesma moeda como vilões e mocinhos. Num jogo onde a Paz é o prêmio, todos saem perdendo pela intolerância.

Venus

"Venus", de Eisha Marjara (2018) Longa de estréia da documentarista e curta-metragista canadense Eisha Marjara, que também escreveu o roteiro. Essa comédia dramática conta a história de Sid, uma transgênero que está a um passo de fazer a cirurgia de mudança de sexo. De família repressora indiana, Sid descobre que tem um filho de 14 anos, fruto de sua relação com Kirsten, sua ex-colega de faculdade com quem teve um casal antes de decidir virar uma mulher. Em princípio Sid renega o menino, mas aos poucos vai se encantando com a sagacidade do menino. Sid também precisa lidar com o medo de seu namorado, Daniel (Pierre-Yves Cardinal, que interpretou um homofóbico em "Tom na fazenda") de assumir o romance deles em público. Delicado, realizado com muito carinho ( é visível o amor com que a diretora Eisha Mariara lida com seus protagonistas), "Venus) diverte e emociona, em uma comédia de costumes com mais momentos dramáticos do que cômicos. O filme apresenta bem o drama de Sid, que sofre de todos os lados: seus pais, o namorado, o filho, a ex-mulher, todos a pressionam, deixando Sid totalmente desbaratado. Com excelente performance de Debargo Sanyal, no papel de Sid, é um filme antenado com os novos tempos de família nuclear, discutindo temas tabus. Bela fotografia e muitos momentos emocionantes.

quarta-feira, 19 de setembro de 2018

Gente de bem

"The land of steady habits", de Nicole Holofcener (2018) Adaptação do romance de Ted Thompson, "Gente de bem" foi adaptado pelo próprio e também pela Diretora Nicole Holofcener. O filme é um drama familiar, e tem como protagonista Anders (Ben Mendelsohn), um homem que acabou de completar 60 anos e por conta disso, resolveu pedir divórcio, sair de casa, abandonando mulher e filho. Anders também pediu demissão do trabalho e passa o dia tentando decorar a sua casa, na verdade, uma forma de ocupar o seu tempo ocioso. Carente emocionalmente, ele transa com diversas mulheres, mas não se esquece de sua ex-esposa, que está namorando. O filho de Anders, Preston, tem um péssimo relacionamento com seus pais e com a vida. Anders resolve tentar reatar com a ex e com o filho. Com algumas pitadas mínimas de humor, "Gente de bem' procura fazer um retrato da família americana de classe média suburbana totalmente looser, um tema muito comum ao drama independente americano. Mas aqui acho que faltou carisma aos personagens. Achei todos sem sal, apáticos, não me envolvi com nenhum deles. A gente assiste ao filme, quebra o galho, mas não emociona. "A pequena Miss Sunshine" ou o filme "Amizades improváveis' tratam do mesmo tema de forma absolutamente encantadora.

Limites

"Boundaries", de Shana Feste (2018) Sensível e simpática comédia dramática do gênero Road Movie", o famoso "feel good movie". onde o espectador ri, se emociona e chora um pouquinho no final da sessão. O Road movie é uma espécie de muleta para o roteirista criar situações de reconciliação entre parentes, uma estrutura já bem manjada, mas que particularmente, eu gosto muito. Vera Farmiga, protagonista da franquia "A invocação do mal", interpreta Laura, uma mulher abandonada pelo marido e vice com seu filho problemático, Henry ( Lewis MacDougall, de "Sete minutos depois da meia noite"). Carente, ela recolhe animais na rua e traz para casa. Precisando de dinheiro para pagar uma escola especial para Henry, Laura liga para o seu Pai, Jack (Christopher Plummer), internado em uma asilo para idosos e que acabou de ser expulso de lá porque plantava maconha para revender. Há anos sem se falarem, ele topa dar o dinheiro, com a condição de levar levá-lo até San Francisco. Laura topa, e leva seu filho junto, mas ignora o real motivo de seu pai fazer a viagem. Todo o elenco está bastante carismático: Farmiga, Plummer, o menino, e também o ótimo elenco de apoio, composto dos veteranos Christopher Lloyd e Peter Fonda. O roteiro e a direção de Shane Feste funciona a contento: nada inovador, mas cumpre sua missão de contar uma boa história com emoção.