terça-feira, 24 de março de 2026

The march of fools

"Babodeuli haengjin", de Ha Gil-jong (1975) Clássico sul coreano, "The march of fools" foi filmado e lançado durante a violenta ditadura militar do país, que durou de 1953 a 1987. Rodado em meados doa nos 70, o filme teve 30 minutos de filmagem censurados pelo governo. Em 2004, essa meia hora foi adicionada e restaurada em sua versão integral, exibida no evento "Panorama: 50 Anos do Cinema Coreano", em Seul. Além disso, assistir ao filme é um esplêndido registro histórico de um país muito distante do gigante econoômico e tecnológico que é nos dias de hoje, apresentando arquitetura e comportamento extremamente conservadores (em uma cena, dois rapazes são presos pela polícia por conta do corte de cabelo). A narrativa do filme é emprestada da estética da Nouvelle vague. Liberdade na filmagem, camera na mão, tema romântico, rebeldia. Dois estudantes de filosofia, os amigos inseparáveis Kim Byung-tae (Yun Mun-seop) e Kang Young-cheol (Ha Jae-young) comemoram o fim das aulas. O professor da turma organizou um "blind date", encontro às escuras com as alunas do departamento de língua francesa. Cada um recebe um número. Na noite do evento, Kim conhece uma jovem. Kang fica frustrado porque seu par não apareceu. Até que ele é chamado para ir à rua. Ele conhece a jovem Oh Young-ja (Lee Young-ok), uma garota rebelde e dona de si. Eles iniciam um relacionamento amoroso. Mas quando ela descobre que Kang irá servir o exército e ficar fora por 3 anos, ela se distancia dele. O prólogo do filme, em formato documental, apresenta os amigos fazendo exames médicos para serem admitidos no exército. É uma cena bem divertida. Outro momento encantador de broderagem, é quando todos os rapazes da turna vão para a casa de banho tomar banho para o encontro. O filme ousa em mostrar nudez, ainda mais em período de ditadura (acredito que ambas as cenas, do exame médico e banho tenham tido cenas censuradas na época). O elenco foi todo composto por não atores, estudantes universitários reais. A trilha sonora traz curiosamente, "Honey honey", do Abba, na cena do blind date, e funciona perfeitamente. A cena final na estação do trem é linda e bastante romântica.

Manual prático da vingança lucrativa

"How to Make a Killing", de John Patton Ford (2026) Se você unir os filmes "Assassino por acaso", de Richard Linklater, com Glen Powell protagonizando um assassino de aluguel que se difarça, com o thriller de Park Chow Wook, "A única saída", sobre um homem que elimina os concorrentes postulados à uma vaga, você terá "Manuel prático da vingança lucrativa". Os 3 filme sutilizam o humor mordaz e ácido como forma de amenizar as mortes aleatórias que vão acontecendo e o espectador não fazer juízos de valor sobre as mortes. "Manual prático da vingança lucrativa" é escrito e dirigido por John Patton Ford, e levemente inspirado no filme de 1949 "As 8 vítimas". Becket Redfellow (Powell) está há 4 horas de ser executado na prisão por um assassinato que ele alega não ter cometido. Um padre (Sean C. Michael) surge e Becket passa a contar a sua história. Ele nasceu em uma família milionária. Quando sua mãe (Nell Williams) engravidou dele na adolescência, seu pai, Whitelaw Redfellow (Ed Harris), a baniu, deixando Becket para crescer como filho de uma mãe solteira da classe trabalhadora de Nova Jersey. Já crescido, Becket trabalha em uma loja de ternos, mas acaba demitido. Ao reencontrar sua paixão de infância, Julia Steinway (Margaret Qualley), ela o faz reinvidicar o que ele merece: a herança da família. Ele é o oitavo na linha de sucessão da família, e para isso, ele decide matar um a um. O filme foi um grande fracasso comercial (Powell já veio de vários fracassos seguidos: "Assassino por acaso" e "O sobrevivente). é um passatempo correto e decente, com um ótimo elenco (fazia tempo eu não via Topher Grace em cena). Margareth Qualiley, de "A substância", faz a típica femme fatale, personagem que lhe cabe muito bem.

Wet noodle

"Wet noodle", de Julia Lalonde (2024) Premiado curta canadense, "Wet noodle" é uma sensível e divertida história coming of age escrita e dirigida pela cineasta Julia Lalonde. Evelyn (Abigale Jull), de 13 anos, é a típica menina nerd, aaixonada pelo garoto mais bonito da sala, Justin (Justin Darpino). Quando a professora de natação anuncia que na aula do dia seguinte todos deverão usar roupas de natação, Evelyn escuta Justin comentar com seu amigo que vai ficar de olho nos seios das meninas e a sua preferência por seios grandes. Evelyn se desespera, pois seus seios ainda não cresceram. Ela vai à uma loja com sua mãe comprar maiô, e fica tensa. No dia da aula, ela procura se aproximar de Justin e mostra-se corajosa ao pular do trampolim, mas decsobre por uma colega que ele é mais um garoto tóxico e que nao merece atenção. A mensagem do filme é bem clara, e a sororidade surge como uma forma de apoio moral e psicológico para as meninas que vivem em um mundo pressionado por tendências estéticas e s3xualizadas. A jovem Abigale Juli está excelente, trasmitindo todos os anseios e medios de uma menina de sua idade.

Los renacidos

"Los renacidos", de Santiago Esteves (2025) Escrito e dirigido pelo cineasta argentino Santiago Esteves, "Los renacidos" é um thiller de ação que traz referências ao universo dos irmãos Coen, mas sem o humor ácido e ironia. Co-produzido por Argentina e Espanha, O filme apresenta dois irmãos que não se vêem há muito tempo, Manuel (Pedro Fontaine) e seu irmão Oscar (Marco Antonio Caponi). Durante anos, eles trabalharam em um negócio escuso administrado pelo pai: uma empresa onde eles "matam" uma pessoa que os contratam. eles aplicam injeção na pessoa, a enterram, os amigos e familiares acreditam que a pessoa morreu. Logo depois, a desenterram, já vivo, e a pessoa consegue fugir para outro país, começando vida nova. Atualmente, Manuel trabalha como médico, namora Ivana (Verónica Gerez) e está prestes a ter um filho. Seu irmão Oscar é obrigado a aceitar um novo trabalho para o tio (Oscar de la Fuente), que administra os negócios e tem um cliente importante que precisa "desaparecer". Mas as coisas passam a dar errado quando inimigos do cliente surgem. O filme traz uma trama instigante, e um elenco forte que convence em seus personagens dúbios. Assim como os filmes dos Coen, a trama traz muitas cenas violentas.

Velhos bandidos

"Velhos bandidos", de Claudio Torres (2026) Já no desfecho dessa comédia de ação co-escrita e dirigida por Claudio Torres, fica claro que o projeto é uma homenagem à mãe do cineasta, Fernanda Montenegro, e às suas mais de 9 décadas de vida, e aos atores de terceira idade. Raramente se viu em um filme brasileiro tantos atores veteranos em um mesmo projeto. “Jamais subestimem os velhos, até porque um dia vocês serão um de nós”, diz a personagem de Fernanda Montenegro em determinando momento. Além de Fernanda, tem Ary Fontoura, Tony Tornado, Teca Pereira, Vera Fisher, Reginaldo Faria, Nathalia Thimberg e Hamilton Vaz Pereira. Da ala mais jovem, temos Bruna Marquezine, Vladimir Brichta, Laila Garrin, Lázaro Ramos, Mary Sheila. O maior mérito do filme é certamente a escalação do elenco. E o resultado, é uma sessão da tarde que muito em breve, irá fazer parte da programação das tardes nas tvs. A trama é comum a todo espectador acostumado à tramas que envolvem assaltos à banco: traições, vingança, suspense, jogo sujo, personagens não confiáveis. O casal de vigaristas Sid (Brichta) e Nancy (Marquezine) invade uma casa de um casal de idosos que são clientes da agência de turismo onde Nancy trabalha. Quando arrombam o cofre, são flagrados por Marta (Montenero) e Rodolfo (Fontoura). Ameaçando entregálos à polícia, eles os chantageiam para que entrem em um roubo à um cofre contendo barras de ouro. Assim, Rodolfo poderá custear um tratamento caro na Austrália, e Sid e Nancy poderão abrir uma pousada em Bora Bora. Mas quando um policial, Oswaldo (Ramos), os segue, o assalto pode vir a fracassar. O roteiro traz muitas situações inverossímeis, mas provavelmente essa foi a aposta dos roteiristas, em fazer uma comédia maluca onde nada precisa ser explicado. Tudo é bastante mastigado para um público desatento que assiste ao filme enquanto acessa celular: diálogos expositivos, cartelas anunciando perfil de personagens e passagens de tempo.

segunda-feira, 23 de março de 2026

O amor que resta

"Ástin sem eftir er", de Hlynur Pálmason (2025) Indicado pela Islândia à uma vaga ao Oscar de filme internacional 2026, "the love that remains" é escrito e dirigido pelo mesmo cineasta do épico "Godland", Hlynur Pálmason. Agora, ele traz suas lentes para uma história contemporânea, sobre um casal em crise. O filme concorreu no Festival de Cannes, de onde saiu com o prêmio de melhor animal em cena, o Palm dog. O próprio diretor fotografou o filme, rodado em 35 mm. As crianças do filme são filhos reais do diretor. Anna (Saga Gardarsdottir) é uma artista plástica que procura um local para fazer exposição de sua obra, baseada em objetos em deterioração. Seu ex-marido Magnus (Sverrir Gudnason, que interpretou Bjorn Borg em "Borg vs. McEnroe") é um pescador. O caal possui 3 filhos: 2 meninos gêmeos e uma adolescente. Magnus procura se reaproximar de Anna, mas ela o evita. Ainda assim, ele circula pela casa da ex-mulher. O filme acompanha 1 ano no relacionamento do ex-casal e seus filhos, através de vinhetas ora surreais, ora apresentando uma relação baseada em estranheza. O filme é co-produzido pela Islândia, Dinamarca, Suecia e França. Para quem gosta dos filmes do sueco Ruben Östlund (Diretor de "O triângulo das tristezas", "Força maior") talvea se identifique com essa obra.

Undertone

"The undertone", de Ian Tuason (2025) Filmado com 500 mil dolares e rodado na casa do diretor e roteirista Ian Tuason, "Undertone" foi um grande sucesso em festivais de gênero, entre eles o Fantasia, e recebeu muitos elogios da crítica. O filme é um terror sobrenatural, e que traz elementos técnicos como fatores de jump scares e para provocar forte tensão: a edição de som, os movimentos de câmera e a fotografia de Graham Beasley garantem uma atmosfera sinistra e que vai em um crescendo de tensão até um desfecho que parece óbvio demais, mas ainda assim, muito eficiente. A idéia para o filme partiu de um fato real ocorrido com o diretor: Ian Tuason cuidou de seus pais no início da década de 2020, quando eles enfrentavam um câncer terminal. Ele passou a gravar áudios relatando a rotina, e começou a escrever um roteiro. A casa é a mesma utilizada no filme. O filme possui apenas 2 personagens, o restante do elenco somente ouvimos por vozes. A jovem Evy (Nina Kiri) vai passar um tempo na casa de sua mãe (Michele Duquet), que está doente e catatônica na cama, sem falar e nem poder se mexer. Evy possui um podcast chamado “The Undertone Podcast”, focado em fatos sobrenaturais, junto de seu amigo Justin (Adam DiMarco). Justin recebe um email com dez áudios, enviados por um casal que começou a ouvir coisas estranhas em casa. A cada áudio que escutam, Evy vai se transformando. A mulher do audio está grávida. Evy decsobre que está grávida. Os fatos relatados passam a fazer sentido para Evy. Justin pesquisa sobre uma demônia chamado Abyzou, associada a abortos espontâneos e inveja, e acredita que libertaram a entidade ao escutarem os áudios. O filme é produzido pela A24 e traz ótima performance de Nina Kiri. Para boa parte dos espectadres, o filme vai parecer maçante e chato, afinal,ele não traz cenas de violência muito menos sangue. Tudo é sugerido, é um filme de sensações, principalmente adutividas, em um trabalho excelente dos técnicos de mixagem de áudio.

sábado, 21 de março de 2026

Curse of the seven oceans

"Santet Segoro Pitu", de Tommy Dewo (2024) Terror sobrenatural da Indonésia, "Curse of the seven oceans" tem uma trama tão bizarra e mirabolante, que no final das contas, se torna bem divertida. Acrescentando a canastrice do elenco e os efeitos gore e chocantes de algumas mortes, vale assistir pela ousadia do diretor em contar um tema batido de uma forma exagerada. Nos anos 80, quando a economia na Indonésia estaca crescendo aos poucos, a rivalidade entre comerciantes de rua de um comércio popular se intensifica. Sucipto (Christian Sugiono) é dono de uma pequena venda. Ele é casado com Marni (Sara Wijayanto) e o casal possui 2 filhos pequenos: Ardi (Ari Irham) e a sua irmã Arif (Khafi Al-Juna). Quando Ardi fica doente e precisa fazr uma cirurgia, Sucipto contrata um xamã para que crie uma magia negra que faça ele vender mais que o seu concorrente do outro lado da rua, Wicack. Ardi faz a cirurgia com sucesso, mas acabou abrindo um terceiro olho que o faz ver espíritos. Os anos se passam. A briga entre Sucipto e Wicack se intensifica. Ambos continuam praticando feitiços que atingem os familiares de ambos. Quando Suscipto cai doente, seus filhos precisam buscar a água dos sete oceanos, e para isso, enfrentar os espíritos que guardam cada oceano. A melhor forma de se apreciar esse filme é esquecer o roteiro, que é sem pé nem cabeça, e assistir as cenas de morte: pregos que saem do corpo e furam uma vítima, arames que enroscam em intestino, faca que sai de um corpo e rasga o tórxa de uma criança, entre outras cenas grotescas e chocantes. O que não gostei no filme, é que as vítimas são as mulheres e crianças, que morrem de forma bastante violenta.

The well

"The well", de Hubert David (2025) Thriller pós apocalíptico canadense, "The well" parte de uma premissa já bem batida: quando a água do mundo está contaminada, a maior parte da população morre, e os poucos sobreviventes disputam o que sobrou de água consumível. Isolados na floresta, uma família vive sem contato com o mundo. Eles possuem um poço de água doce potável. Sarah Devine (Shailyn Pierre-Dixon) vive com seus pais, Elisha ( Joanne Boland ) e Paul (Arnold Pinnock). Um dia, aparece um jovem, que se diz ser primo de Sarah: Jamie (Idrissa Sanogo) fica preso em uma armadilha colocada pela família. Os pais de sarah não confiam nele. Mas quando o filtro do poço quebra, Jamie diz que pode levar o apetrecho até um local onde alguém irá consertar. Sarah decide ir junto. Jamie acaba levando Sara até um local onde vive um pequeno grupo, liderado por um líder de uma seita. Eu não curti muito o filme. Achei a trama confusa, o ritmo muito arrastado. Faltou ação, adrenalina, emoção. O investimento maior foi no drama. Para um filme sobre pós apocalipse, faltou colocar violência, vilões e personagens assustadores.

sexta-feira, 20 de março de 2026

Do not enter

"Do not enter", de Marc Klasfeld (2026) A geração Z está bem servida de filmes de terror genéricos. E quer algo mais clichê do que um grupo de youtubers aventureiros que decidem invadir um hotel abandonado? Em "Do not enter", a mistura de vez vai desde "O abismo do medo" a "O homem das trevas". A boa notícia é que o filme funciona e tem bom suspense, além de atores que, por mais que a gente não torça por ninguém, tem o mínimo de talento e não fazem feio. The creepers é um grupo de 5 integrantes que realizam façanhas que vão ao limite, colocando a sua vida em risco. Eles descobrem uma lenda urbana de que um hotel abandonado em New Jersey, "Paragon", tem um passado mafioso e que gangaster deixaram ali 300 milhões de dólares. Eles entram pela tubulação e enquanto procuram, fatos estranhos começam a acontecer. Eles decsobrem que um grupo rival, The scavengers, também se encontra ali, igualmente em busca do dinheiro. O que não contavam, era que uma criatura sinistra que se alimenta de coração humano também está ali no encalço deles. O filme tem uam excelente ambientação: tentei pesquisar se os sets foram reproduzidos em hotel ou se foram montados em estúdio, mas não encontrei nenhuma informação. Os efeitos da criatura são bem feitas, e parece o Gollum em tamanho humano.

Perro perro

"Perro perro", de Marco Berger (2025) Em 2022, o cineasta e roteirista norueguês lançou o polêmico "Good boy": um jovem milionário mantém em cativeiro o jovem Frank, que age como um cachorro. Há um certo homoerotismo no relacionamento, que no fundo, é uma metáfora sobre relações de poder e de luta de classes, dominador e dominado. O cineasta e roteirista Marco Berger, um dos maiores nomes do cinema queer da Argentina e do mundo, lança o controverso "Perro perro", baseado em uma história real ocorrida com ele: ao visitar de férias a região de Tigre, a noroeste da cidade de Buenos Aires, no estuário do Rio da Prata, um local detsinado ao turismo aquático, ele alugou uma casa de veraneio. Marco fez amizade com um cachorro de rua com quem desenvolveu um forte laço afetivo. Ao escrever o roteiro, ele substituiu o cachorro por um homem. Isso lhe permitiu comentar sobre a fluidez sexual das pessoas e como em todas as suas obras, ele fala sobre a tensão s3xu4l existente entre homens heteros. Rodado em preto e branco e na mesma locação onde conheceu o cachorro, Berger traz um universo bizarro e surreal que faz lembrar os filmes de Yrgos Lanthimos, principalmente, de "A lagosta". Nesse mundo, cachorros são inetrpretados por homens. 5 jovens: 2 casais e uma mulher- passam um fim de semana prolongado em uma das casas de veraneio em Tigre. Juan (German Flood) perambula pela natureza e encontra um cachorro/homem (Juan Ramos), por quem se afeiçoa. Juan o leva para casa e dá banho, comida, carinho e beijos na boca, além de massagens. A namorada de Juan fica enciumada e pede que não coloque o homem/cachorro na cama do casal. O ator Juan Ramos passa o filme totalmente nú. os outros atores, German Flood e Matias Quiroga ficam semi-nus. Como todo a filmografia de Berger, as cenas de homoerotismo são intensas. Ele tem uma mão impressionante para escalar atores belíssimos e fotogênicos, além de talentosos para os seus filmes, se expondo em cenas de nudez total e flerte. O filme contém imagens belíssimas e estranhamene, um desfecho trágico.

The cure

"The cure", de Nancy Leopardi (2026) Quando o thriller da geração Z "The cure" começa, pensei que iria ser um filme bem vagabundo. Mas em menos de 20 minutos, ele já me seduziu, e fiquei interessado até o seu desfecho. Muito por conta das performances do nucleo teen do filme: Samantha Cochran como a adolescente de 16 anos Ally Braun; Sidney Taylor, como a nova amiga Brooke Amandine; e Tyler Lawrence Gray, como o irmão paraplégico de Brooke, Robbie. O filme é um suspense onde uma jovem adotada por um casal de bilionários, Jeff e Georgia Braun (David Dastmalchian e Ashley Greene) vive reclusa em uma ilha, dentro de uma mansão. Diagnosticada com lúpus, ela faz constantes transfusões de sangue. Proibida de sair de casa, ela vê pela câmera de segurança um grupo de jovens na praia e escondida, vai até lá. Ela acaba ficando amiga de Brooke. Os pais de Ally ficam irritados quando decsobrem que Ally saiu sem permissão, mas para acalmá-la , decidem contratar Brooke como sua acompanhante. Percorrendo a casa, Brooke percebe fatos estranhos e decide fugir com Ally. Me lembrei do filme "O homem das trevas" por ter jovens lutando contra adultos. Em "A cura, esse embate fica por conta de uma busca pela juventude eterna e a cura de doenças. O elenco é bom, e os jovens, carismáticos. Bom suspense, e um desfecho que deixa no ar a possibilidade de uma continuação.

Megan is missing

"Megan is missing", de Michael Goi (2011) Quando o filme "meninamá.com" surgiu em 2005, foi uma grande polêmica. O filme mostrava o encontro entre uma adolescente, interpretada por Ellen Page, com um predador s3xu4l, interpretado por Patrick Wilson. O filme chocou muitos espectador. Em 2006, o found footage "Megan is missing" foi rodado, porém somente foi lançado em 2011. Filmado com 35 mil dólares e uma equipe mínima, o filme foi resgatado em 2020 pela geração Z que o decsobriu no Tik Tok. O final de "Megan is misisng" é dos mais angustiantes e sinistros que você verá em um filme. São 22 minutos de violência, abuso moral e s3xu4l e feminicídio envolvendo duas adolescentes, uma de 13, Amy, e outra de 14, Megan. O filme foi baseado em uma história real: o desaparecimentos de Ashley Pond e Miranda Gaddis em 2002, em Oregon City, Oregon. Seus restos mortais foram encontrados armazenados na propriedade de Ward Weaver: os de Gaddis em um galpão e os de Pond em um tambor lacrado enterrado sob uma laje de concreto. Eu gostei muito do filme, por ser um found footage realista, sem elementos sobrenaturais. Megan Stewart (Rachel Quinn) é rebelde e tem conflitos constantes com sua mãe em casa. Ela foi abusada por seu pai quando criança e destinou todo o seu trauma em drogas e s3x0 com desconhecidos. Amy (Amber Perkins), sua amiga, é o seu oposto. Tímida, pais compreensivos, admira a força de Megan. Quando Megan conhece um rapaz online, Josh, ela desaparece. Amy fica preocupada com o sumiço da amiga e começa a fazer uma investigação por conta própria. Não é um filme que dá para recomendar a pessoas sensíveis. É brutal e chocante. Mesmo os 2/3 anteriores, contém muita insinuação s3xu4l em diálogos. As atrizes estão ótimas.

quinta-feira, 19 de março de 2026

Fin qui tutto bene?

"Fin qui tutto bene?", de Cosimo Bosco(2025) Drama italiano co-escrito e dirigido por Cosimo Bosco, inspirado em um fato trágico ocorrido em sua família. Matteo (Francesco Isasca) é um estudante universitário, apaixonado por fotografia. Ele tem um melhor amigo, Gabriele (Antonio Apadula) e uma garota da universidade por quem se apaixona, Lucia (Marta Moschini). Matteo mora com seu pai, Davide (Maurizio Mattioli), um policial aposentado, e sua mãe, Paola (Roberta Garzia), uma dona de casa. Quando é decretada a pandemia da Covid, Matteo (Francesco Isasca) testemunha uma tragédia familiar: sua mãe, assustada com o avanço da covid, se suicida. Tanto Matteo quanto seu pai precisam lidar com a tragédia e o luto. Mas é Matteo quem passa por períodos turbulentos de depressão e pesadelos. O filme lida com uma história realista e pessoal do diretor Cosimo Bosco, mas estranhamente ele decide inserir elementos de filme de terror nos momentos de pesadelo do personagem: o fantasma de sua mãe, figuras assustadoras, sangue e violência.

Devoradores de estrelas

"Project Hail Mary", de Phil Lord e Christopher Miller (2025) Adaptado do romance de Andy Weir, "Devoradores de estrelas" é um grande sucesso de crítica. Capitaneado por dois atores esplêndidos, Ryan Gosling, em sua 2a aventura como astronauta, depois de "O primeiro homnem na lua", de 2018, e Sandra Huller, a grande atriz alemã, em sua estréia em filme americano. Mas eu estaria sendo injusto se não elogiasse o excelente trabalho de James Ortoz, como dublador e como responsável pela marionete do alienígena Rocky, um ser feito de pedras. Sandra Huller, curiosamente, aparece novamente cantando à capela, dpeois de cantar em "tonI rdmann" a música de Whitney Houston, "The greatest love of all". Aqui, ela canta "Sign of the Times" de Harry Styles. O mundo está prestes a entrar em colapso daqui há 30 anos: um vírus está destruindo os planetas do sistema solar, e para evitar que chegue ao planeta Terra, um esquadrão da Nasa, liderado por Eva Stratt (Sandra Hüller), chega até o professor de biologia de uma escola para crianças, Ryland Grace (Goslin). Ele ajuda os astronautas e cientistas na elaboração do envio de uma equipe até o sistema estelar Tau Ceti, para coletar amostrar do vírus. Se negando a participar como tripulante na missão suicida, Ryland é dopado. Ele acorda em uma nave espacial a anos-luz de casa, sem se lembrar de quem é ou como chegou lá. À medida que sua memória retorna, ele começa a desvendar sua missão: resolver o enigma da misteriosa substância que está causando o desaparecimento do Sol. Com a morte da tripulação e sozinho na missão, Ryland acaba encontrando uma ajuda vinda de um alienigena, que ele apelida de Rocky. O filme traz easter eggs de Interstellar, A chegada, Et, Inimigo meu, Contatos inediatos (incluindo a famosa trilha de John Willians). Com quase 3 horas de duração, o filme só me conquistou lá pela metade. Todo o início achei frio e árido, com termos científicos aborrecidos. Mas quando surge Rocky, o filme ganha outra domensão: melodrama, humor e uma amizade de faezr chorar lá pro final. Ryan Gosling é o ator perfeito para o papel, dosando humor e drama na medida certa. A trilha de Daniel Pemberton merece grande destaque, repsonsável pelo ritmo e dinâmica do filme. Idem a fotografia de Greig Fraser, vencedor do Oscar por "Duna 2".

Envelop

"Envelop", de Lucas K. Labrecque (2026) Filmado em 2 anos em esquema de baixíssimo orçamento ( no Imdb, existe uma nota de produção dizendo que o elenco e equipe não recebeu cachê, apenas alimentação e transporte), esse terror nacadense que parece um found footage é simplemsente horrível. Escrito e dirigido por Lucas K. Labrecque, tem um roteiro confuso, sem sentido, com vai e vem na edição que ninguém entende. Uma história rasa e ainda assim envolta em elementos surreais que não se explicam. Visualmente, parece uma mistura de "Rec" e "Jogos mortais", mas a violência não é vista em cena, só esguichos de sangue, ridículo. Um casal de meia idade sofre um acidente na estrada. A mulher está ferida. O marido a elva até um hospital abandonado, e chegando lá, encontra o local deserto. Mas pacientes psuquiátricos tomaram o espaço e se inicia uma luta por sobrevivência. O poster e a sinopse enganam. COnfesso que fui seduzido pelo poster, que até lembra 'Rec". Mas tudo é muito ruim, não vale assistir.

Heel

"Good boy", de Jan Komasa (2025) Capitaneado por um elenco primoroso: Stephen Graham, o pai da série "Adolescente", Andrea Riseborough, do excelente drama indie "To Leslie", onde interpreta uma alcóolatra, Anson Boon, no papel do adolescente Tommy, Monika Frajczyk no papel da governanta Rina e Kit Rakusen no papel do adolescente Jonathan, "Heel" ganhou o prêmio de melhor ator no Festival de Roma para Anson Boon e melhor filme no Festival de Valladolid. O filme tem referências óbvias à "Laranja mecânica", de Kubrick, ao faezr referências à reabilitação forçada na vida de um adoelscenre rebelde e drogado. Polêmico, o roteiro traz um desfecho que pode soar moralista, mas indubitavelmente, é emocionante e comove, na união das performances, fotografia e trilha sonora. Co-produzido por Polônia e Reino Unido, o filme é dirigido pelo polonês Jan Komasa . Tommy é um adolescente londrino de 19 anos. Ele namora Gabs, e ambos frequentam baladas com a galera, com muita cocaína, s3x0 e rave. Ao retornar para casa, Tommy é sequestrado. Ele acorda e se vê acorrentado no porão de uma casa isolada, onde moram o casal Chris ( Stephen Graham) e Kathryn ( Andrea Riseborough ) e seu filho Jonathan (Kit Rakusen). A família contrata uma governanta, Rina, que se mantém impassível mediante a situação de Tommy, que pede ajuda à ela para fugir. Com o passar do tempo, Tommy vai sendo "adestrado", e a cada passo novo em sua reabilitação, ele ganha um bônus, como poder frequentar a sala, passear a área externa da casa, entre outras regalias. Eu confesso que amaria que o filme tivesse um tom mais amargo e angustiado dos filmes de Michael Haneke ou Ulrich Seidl. O poster e a premissa sugerem um filme de terror, mas não é. É um drama, com momentos de suspense, mas em seu todo, é uma história sobre perda e luto.

quarta-feira, 18 de março de 2026

Once upon a time in Gaza

"Once upon a time in Gaza", de Arab Nasser e Tarzan Nasser (2025) Melhor direção na Mostra Un certain regard do Festival de Cannes 2025, "One upon a time in Gaza" é dirigido pelos irmãos Arab Nasser e Tarzan Nasser, nascidos em Gaza. Eles saíram de Gaza em 2012, e desde então, realizam filmes sobre a sua terra natal, obviamente com temas sobre a ocupação israelense, retratado com violência e metáforas. Filmado na Jordância, se passando por Gaza, o filme mescla gêneros, e foi visto por críticos como uma homenagem aos faroestes de Sergio Leone. Eu não vi tanta similaridade com o cinema de Leone. O filme é dividido em 2 partes: a 1a, ocorre em 2007. Yahya é um estudante que se torna amigo de Osama, dono de um restaurante. Eles decidem traficar drogas, no caso, o comércio de remédios tarja pretas prescritos pelo médico de Osama. Ele rouba folhas em branco do receituário do médico e assim, consegue os remédios nas farmácias. Tudo muda quando Osama é assassinado por um policial corrupto. Dois anos depois, yahya é convidado por um diretor do Monistério da cultura de Gaza, que o quer no papel de um militante da resistência palestina que foi assassinado. Co-produzido por Território Palestino, Emirados árabes, França, Portugal, Alemanha, Reino Unido , Jordânia e Catar, o filme tem uma trama bastante confusa. A direção de arte consegue transformar a filmagem em Jordânia como uma subsidiária de Gaza. Existem momentos de humor ácido e de ação, que não funcionaram muito bem.

O ato final

"Deep end", de Jerzy Skolimowski (1970) Clássico cult do cineasta polonês Jerzy Skolimowski , que também escreveu o roteiro, baseaod em uma matéria de jornal que dizia que um jovem havia assassinado uma mulher. Ele ficou perguntando o porquê do motivo do crime, e desenvolveu uma história sobre obsessão, assédio e feminicídio, em um tom que passeia entre o onírico e o surreal. O filme é uma co-produção Reino Unido e Alemanha. Mike (John Moulder-Brown), de 15 anos, começa a trabalhar em uma casa de banho que inclui uma piscina, em um clube decadente de Londres. Ele é supervisionado por Susan (Jane Asher), uma mulher de 25 anos e que o ensina a como limpar os banheiros e ajudar os clientes e ganhar gorjetas. Ela diz que tanto homens e mulheres mais velhos irão gostar dele, por ser novo e bonito. Com o tempo, Mark vai adquirindo uma obsessão por Susan, que namora Chris, mas tem outros amantes. O filme trabalha com uma fotografia que intensifica a cor vermelha, presente em tintas e sangue. A granulação da película confere uma atmosfera indie ao filme. Os dois atores principais estão excelentes, trabalhando erotismo e sensualidade com muita ousadia, incluindo nudez total. O filme tem umas cenas que evocam estranhezas, típicas de filmes poloneses dos anos 60 e 70, principalmente, os filmes de Polanksy, de quem Skolimowski escreveu o roteiro de "A faca na água".

terça-feira, 17 de março de 2026

Barbárie em Sangre de Cristo

"Savageland", de Phil Guidry, Simon Herbert e David Whelan (2015) Terror de zumbis found footage, "Barbárie em Sangre de Cristo" é escrito e dirigido pelo trio Phil Guidry, Simon Herbert e David Whelan. O filme é um falso documentário que procura entender o que teria acontecido em uma pequena cidade perto da fronteira entre o Arizona e o México. Durante uma noitem 57 habitantes da cidade foram mortos de forma violenta, ou estão desaparecidos. O único sobrevivente encontrado vivo é Francisco Salazar (Noé Montes), um trabalhador braçal. Ele é condenado à morte. Um rolo de fotos de 36 fotos foi encontrado. Reveladas as fotos, com imagens distorcidas e borradas, não é possível idefntificar o conteúdo. Alguns moradores são vistos, com imagens borradas de pessoa sindo em direção a elas. Autoridades, fotógrafos que avaliam a veracidade das fotos, parentes dos desaparecidos, procuram dar a sua versão do que poderia ter acontecido. O maior problema do filme, é que ele não assusta em momento algum. O momento da revalação das fotos deveria ser chocante e assustador, mas a decisão de deixá-las borradas e desfocadas não provoca nenhuma sensação. Não existe tensão, não nos interessamos pela história. O desfecho é mais ridículo ainda, quando é encontrada uma camera e ela está com iagens todas pixeladas. Palhaçada.

segunda-feira, 16 de março de 2026

Arpón

"Arpón", de Tom Espinoza (2017) Drama co-produzido por Argentina, Venezuela e Espanha, "Árpon" é o longa de estréia do roteirista e cineasta venezuelano Tom Espinoza. Concorrendo em importantes festivais europeus, o filme traz uma trama vai em um crescendo de tensão, envolvendo um diretor de escola de meia idade e uma adolescente de 14 anos. A história se passa em uma escola particular de ensino fundamental e médio na cidade de Berazategui, às margens do Rio da Prata, a 30 km a sudeste de Buenos Aires. O Sr. Arguello (German da Silva), diretor da escola, lida em sua rotina na escola com muita truculência e abuso. Todo dia pela manhã ele revista constantemente as mochilas dos alunos, em busca de drogas e armamentos. Os alunos não demonstram interesse nos estudos e na maioria, são rebeldes. Quando uma das alunas, Cata (Nina Suarez) passa a tarde com outros alunos no Rio da Prata, um deles é ferido com a flecha de um arpão. Arguello acaba tendo que cuidar de Cata enquanto os pais não chegam, mas por fim, decide levá-la para casa. Para seu desespero, ela desaparece. O filme tem um roteiro e uma trama bastante confusos. Existem personagens dúbios que não ficam claros se estão envolvidos em tráfico de drogas e sequestro e prodtituição de adolescentes. Como estilo narrativo, me fez lembrar dos filmes do mexicano Michel Franco, mas ainda assim, falta uma estruturação melhor dos sub-plots. A angústia não chega a ser sufocante, e a violência é branda.

Gaza sound man

"Gaza sound man", de Hossam Hamdi Abu Dan e Awad Joumaa (2025) Documentário que parte de um ponto de vista inovador sobre o conflito em Gaza: o engenheiro de som palestino Mohamed Yaghi decidiu contar através do som, a rotina tranquila em Gaza antes do conflito iniciado com Israel em 7 de outubro de 2023. A constante transformação da região, desde momentos de paz até a tensão da guerra. Para queme studa som, é um filme primoroso e fundamental. Segundo os diretores, "A ideia por trás de Gaza Sound Man é capturar o poder bruto do som como veículo para contar histórias, especificamente no contexto do genocídio em curso em Gaza. O objetivo central do filme é documentar o profundo impacto do som na vida daqueles afetados pela guerra, destacando a transformação da paisagem sonora de Gaza antes e depois do conflito. Através da perspectiva do , exploramos como o áudio pode comunicar tanto as realidades horríveis da guerra quanto a resiliência daqueles que a vivenciam." Imagens de Gza destruída, prédios em ruínas, crianças e mulheres em níveis de extrema pobreza, população esfomeada. são imagens e principalmente sons angustiantes, que tornma a experiência de assistir ao filme um grande soco no estômago.

domingo, 15 de março de 2026

Duas pessoas trocando saliva

"Deux personnes échangeant de la salive", de Natalie Musteata e Alexandre Singh (2024) Vencedor do Oscar na categoria curta ficção em 2026, empatado com "Two singers", "Duas pessoas trocando saliva" é uma co-produção França e Estados Unidos. É impossível não pensar que toda a narraiva e linguagem poderiam ser facilmante atribuída ao cinema do grego Yorgos LAnthimos: surrealismo, uma história bizarra e estranha sobre uma sociedade distópica muito semelhante à proibição do amor encontrado em "A lagosta", ode os relacionamentos são controlados pelo Estado. Malaise (Luàna Bajrami) começa a trabalhar como vendedora em uma butique de luxo, dentro da Galeria Lafayette. Ela vive em um mundo em preto e branco, onde é proibido beijar: quem contrariar a proibição, é colocada em uma caixa e jogada do alto de um penhasco. É proibido escovar os dentes, e todos são obrigados a escovar com alho, para evitar contatos íntimos. Uma cliente, Angine (Zar Amir Ebrahimi), tem o hábito de fazer comprar na butique e ser atendida por uma vendedora de mais idade. Mas quando Angine vê Melaise, deseja ser atendida por ela, provocando ciúmes na vendeodra. Nesse mundo, não existe moeda corrente: o pagamento é feito com tapas na cara, com as mãos vestindo luvas com diamantes. Quando mais o rosto da pessoa estiver com hematommas, mais poder social e riqueza a pessoa tem. Com uma footgrafia monocromática de Alexandra de Saint Blanchat, " Duas pessoas trocando saliva" é provocativo e apaixonante, trazendo uma história de amor lésbico em tempos de proibição de demonstração de amor. A violência é tolerada e aceita pelo Estadso, ao contrário do carinho.

Soldier's girl

'Soldier's girl", de Frank Pierson (2003) Basedo em trágica história real, ocorrida em 4 de julho de 1999: Em Kentucky, o soldado Barry Winchell (Troy Garity), 22 anos, foi assassinado por dois colegas da divisão do exército, Justin Fisher e Calvin Glover. Motivo: caso de homofobia- Barry conheceu a artista trans Calpernia Addams (Lee Pace) em um night clube de Tenesse Kentucky, por quem se apaixonou. Nascido em 1977, Barry foi um soldado raso da 101ª Divisão Aerotransportada do Exército dos Estados Unidos. Um dia, o colega de quarto de Barry, Justin Fisher, o leva ao clube onde Calpernia se apresenta. Barry se apaixona por Calperna, e esconde esse relacionamento dos colegas. Quando seu colega decsobre, ele e Calvin Glover pegam um bastão de beisebol e o matam a pauladas, enquanto ele dormia. "Soldier's girl" é um drama correto, com ótimos atores. Ele foi bastante criticado na época de seu lançamento por terem escalado um ator cis para interpretar uma mulher trans. O filme tem quase 2 horas de duração e se torna cansativo. A direção de arte e a fotografia são funcionais e ajudam a traezr a atmosfera dos anos 90.

sábado, 14 de março de 2026

POV_ Presença oculta

"Bodycam", de Brandon Christensen (2025) Co-escrito e dirigido por Brandon Christensen, é um terror canadense, considerado por alguns críticos como um dos melhores found footages dos último anos, o que discordo. O filme é bem genérico, e traz cena sinteiramente copiadas à exaustão de filmes como "A bruxa de Blair" e a famosa cena real, com o personagem de costas. A trama é bastante confusa e se tem uma coisa que me irrita, é porque 90 por cento dos found footage precisam trazer tramas que envolvam o sobrenatural ou seitas de adoradores do diabo. Amaria ver um found footage realista. A diferença aqui é a forma como a câmera que registra o found footage é trazida à história: dessa vez, tudo é registrado por bodycams, cameras acopladas aos coletes dos policiais, o que evita qualquer tipo de extravio oou alteração, já que é gravada em tempo real e não tem como ser acessada, a não ser com códigos da própria polícia. Durante uma chamada, uma dupla de policiais, Jackson (Jaime M Callica) e Bryce (Sean Rogerson), o 1o, negro e o 2o, um branco racista, entram em uma casa, onde há uma suspeita de violência doméstica. O que eles encontram são um casal que está fora de si. Bryce acaba matando o homem e o bebê dele, ao acreditar estar sendo ameaçado de morte. A mulher se suicida ao ver que o homem morreu. A partir desse momento, fatos estranhos acontecem aos policiais, que encontram em seu caminho, transeuntes que dizem o tempo todo "Você tirou algo dele, agora ele irá tirar algo de você". Lá pro final, aparece uma figura demoníaca meio aleatória. O filme evoca também "O bebê de Rosemary". Há quem diga ser uma invasão alienígena. Independente, é um filme de tensão muito baixos teores.

Solo mio

'Solo mio", de Charles Kinnane e Daniel Kinnane (2026) Comédia romântica distribuída pela Angel studios, "Solo mio" foi todo rodado em Roma, Itália. Matt Taylor (Kevin James) é um homem de meia idade que vai se casar com Heather (Julie Ann Emery). Ambos dão aula na mesma higo school nos Estados Unidos, sendo ele professor de arte. Ambos decidem se casar com Roma. Mas para desespero de Matt, no dia do casamento, Heather desiste e deixa uma mensagem para ele, dizendo não estar pronta para um relacionamento. Matt fica frustrado e tenta ir atrás de Heather, sem sucesso. Ele não consegue cancelar o pacote de lua de mel, e acaba aproveitando tudo sozinho. Ele conhece dois casais em lua de mel, que lhe dão palpites sme noção. Ao frequentar um bar, ele conhece uma dona, Gia (Nicole Grimaudo), e acabam se conectando. O que eles não podiam esperar, era que Gia fosse ser a mulher que Heather conheceu no dia do casamento e que acabou lhe aconselhando a não se casar. O filme é muito genérico e óbvio. O que faz valer assistir obviamente, são as já manjadas locações em Roma, e o esforço do elenco principal em trazer um mínimo de carisma e simpatia à produção. Curiosamente, Ed Sheeran e Andrea Bocelli fazem partipações como cantores.

sexta-feira, 13 de março de 2026

Dead by dawn

"Dead by dawn", de Dawid Torrone (2025) Alardeado como sendo o primeiro filme slasher da Polônia, "Dead by dawn" é uma homenagem ao gênero giallio. Só que a homenagem do diretor e roteirista Dawid Torrone na verdade é uma enxurrada de cenas literalmente copiadas de filmes de Dario Argento e outros mestres do terror, chupadas sem dó nem piedade. O roteiro é uma grande bagunça, com uma história maluca que envolve satanismo e um grupo de teatro. O filme começa com 2 cartelas informativas. A primeira diz que o filme pode faezr mal a espectadores com fotosensibilidade por conta de imagens com luzes estroboscópicas. A outra é referente à uma informação de que o filme é baseado em fatos reais: em 2023, um grupo de atores foi ensaiar no famoso teatro que pertence à família Heissenhoff, mas acabaram sendo assassinados por um serial killer. Claro que as informações sobre ser história real é balela, é querer surfar na onda de "A bruxa de Blair", mas sem ter narrativa de found footage. As cenas copiadas são muitas: uma mulher amarrada, tendo seus olhos presos à esperadrapo e agulhas ( terror na ópera); uma mulher é esquartejada por serra elétrica que a divide ao meio, enquanto seus amigos tentam puxá-la (Pássaro sangrento); encenação de balé ritualística (Suspíria); olho furado por um prego (Zumbi 2); uma mulher é 3stupr4d4 por uma entidade em forma de galhos (Evild ead); um machado surge do nada e corta o braço de uma pessoa (Tenebre)'um bebê gerado como sendo herdeiro do diabo (Bebê de Rosemary). A Polônia perdeu a grande chance de fazer um terror slasher memorável. A auto-rerefrência de um cineasta apaixonado por giallio ficou tão óbvia que fez com que o filme perdesse a sua identidade e qualquer traço de tensão e suspense. Ficou confuso, sem ritmo, personagens por quem não torcemos ( que para um terror, é um crime).

La muerte de un comediante

"La muerte de un comediante", de Javier BeltraminoDiego Peretti (2026) Co-escrito, co-dirigido e protagonizado por Diego Peretti, "La muerte de un comediante" concorreu no Festival de Mar del Plata. Co-produzido por Argentina e Bélgica, o filme foi rodado nos 2 países. O protagonista é Juan Debré (Diego Peretti), que dedicou sua vida a interpretar um herói em uma popular série de televisão, "Bombin", criação de um cartubista belga (uma clara inspiração de "Tintin"). Desde criança, Juan lia os quadrinhos e se identificava com o personagem. Diagnosticado com um câncer terminal, Juan foge de uma filmagem e decide viajar até Bruxelas: esse sempre foi seu sonho, visitar o país e poder encontrar o personagem que ele tanto ama e que o acoampanha como um duplo. Ao chegar no país, ele salva alguns turistas jovens de um ataque xenofóbico dentro de um ônibus. Os jovens passam a acompanhá-lo. O filme me fez lembrar de "Um Homem com Duas Vidas:, filme belga de Jaco Van Dormael. Unindo drama, humor e fantasia, os filmes abraçam a melancolia e aquele tom de final de vida de seu protagonista. Diego Peretti está ótimo no personagem. Tecnicamente, o filme é excelente: fotografia, caracterização, figurino impecáveis e condizentes com a proposta lúdica do projeto. Minha questão é com o roteiro, que traz sub=plots que para mim, mais atrapalhou do que ajudou na jornada do protagonista. De qualquer forma, as imagens filmadas em Bruzelas são tão lindas, que dá vontade de ir viajar até o país e apreciar cada esquina.

This is not a test

"This is not a test", de Adam MacDonald (2025) Co-escrito e dirigido por Adam MacDonald, "This is not a test" é um terror de zumbis canadense, adaptado do romance homônimo escrito por Courtney Summers em 2012. Mas gente, mais um filme de zumbis? Quem aguenta? Pior é que esse filme é mega hiper genérico e de verdade, não acrescenta em termos de dramaturgia nada a tantos outros filmes de zumbis. A mídia o trata como "filme de zumbis da geração Z", pelo fato dos protagonistas serem pós adolescentes na faixa dos 18 anos. Há ainda quem o compare à "O clube dos cinco": durante boa parte do filme, sobreviventes ficam alojados na high school, e enquanto tentam decsobrir como se salvar, refletem sobre suas vidas. Entre eles, está a protagonista Sloane (Olivia Holt, de "Heart eyes", se especializando em ser a final girl). Ela morava com um pai abusivo. Sua mãe os abandonou, assim como Lilly, a irmã mais velha, de quem Sloane era confidente. "This is not a test" traz uma analogia sobre uma geração de adolesentes que vivem vidas abusivas, falta de perspectiva e de futuro, agravadas pelo ataque zumbi. Para quem estiver buscando um filme genérico, pode até curtir, sendo que boa parte do filme é verborragia pura. As cenas de ataque zumbis são poucas.

quinta-feira, 12 de março de 2026

Wontons de Shanghai

"Cai rou hun tun", de Wu Tiange (2025) Vencedor dos prêmios de melhor ator para Xu Xiang, no papel de Xiao Wang, e de melhor filme do ano no Shanghai film critics award 2025, "Wontons de Shanghai" é um drama familiar com toques de fantasia. Adaptado do romance escrito por Jin Ying, que também escreveu o roteiro, o filme apresenta o aposentado Lao Wang (Zhou Yemang). Viúvo, sua falecida esposa Sujuan (Pan Hong) e ele sempre desejaram que o filho único, Xiao Wang (Xu Xiang) se casse e desse netos ao casal. Agora solitário, o velho Lao tem o hábito de todo sábado, preparar sopa de wangtang para que seu filho coma para assim, se lembrarem do hábito que tinham com a esposa e mãe. Xiao Wang é workhaholick e mal cede tempo para ficar com seu pai. Quando Lao está sozinho, ele sempre se imagina comversando com sua esposa, que sempre lhe dá sugestões e conselhos. Lao decide ir até o Parque popular de Shanghai, onde todo o final de semana, pais procuram pretendentes para seus filhos. É ali que Lao fica amigo de pessoas de sua idade, desesperados para casar seus filhos e filhas. O filme é simpático, traz excelentes atores e tem uma direção sensível para lidar com temas familiares e principalmente, um tabo no mundo, mas um hábito cultural na China: o casamento dos filhos, onde pais tentam a todo custo encontrar parceiros para seus filhos em praças públicas. A verdade é que é impossível sair do filme e não desejar comer uma sopa de wonton.

Where the wind comes from

"Where the wind comes from", de Amel Guellaty (2025) Concorrendo nos Festivais de Sundnace e Rotterdan, "Where the wind comes from" é um drama vindo da Tunísia que traz um relato desolador sobre a juventude, que sofre com desmeprego, falta de perspectiva e tem seus sonhos destruídos pela burocracia e falta de oportunidade. Alyssa (Eya Bellagha), 19 anos, e Mehdi (Slim Baccar), de 23, são amigos. ela cuida de sua família: irmã mais nova, da mãe incapacitada e da avó, que sofre com a perda do marido. Mehdi procura um emprego, mas a sua paixão são as artes plásticas. Alyssa sonha em fugir para a Europa, Mehdi é acomodado com a sua rotina. Alyssa inscreve Mehdi em um concurso de arte em Djerba, sem consultá-lo e sem que ele saiba. O prêmio é uma viagem para a Alemanha. Embora a Europa seja mais o sonho dela do que dele, Mehdi aceita, contagiado pelo entusiasmo da amiga. Alyssa é rebelde e batalhadora, constenta tudo, enquanto Mehdi tem uma postura passiva. O filme é a estréia da assistente de direção de cineastas como Olivier Assayas e Abdellatif Kechiche na direção d elonga, Amel Guellaty. Ela traz sensibilidade e muita melancolia e tristeza para um futuro pessimista e desolador, que mesmo se passando na Tunísia, funciona para jovens do mundo inteiro. E mais uma vez, a Arte salvando corações e mentes. Beloas performances da dupla de atores principais.

A vida precoce e breve de Sabina Rivas

"La vida precoce e breve de Sabina Rivas", de Luís Mandoki (2012) Um drama mexicano absolutamente angustiante e brutal, "A vida precoce e breve de Sabina Rivas" ;e daqueles produções que a gente sai atordoado após o término do filme, e agradecendo por ter as mínimas condições para viver. O filme é dirigido por Luís Mandoki, que lançou em 2001 "Olhos de anjo", um thriller com Jennifer Lopez, uma mulher que sofe violência doméstica. Mas comparando com esse filme mexicano, "Olhos de anjo" parece um sessão da tarde. Aqui, mulheres são violadas, espancadas, assassinadas. Sonhos de imigrantes latinos em busca de um lugar ao sol ao cruzarem a fronteira para os Estados Unidos são destruídos da forma mais bárbara possível. E o pior, é baseado em fatos reais. Adaptado do romance "La Mara", escrito pelo jornalista Rafael Ramírez Heredia, o filme tem como pano de fundo a organização criminosa Mara. Conhecida também como MS-13, a organização pratica tráfico de drogas, extorsão de empresas, assassinato, sequestro, tráfico de armas e contrabando de pessoas. No filme, eles são formados por guatemaltecos que assaltam, 3stupr4m, assassinam e traficam imigrantes que procuram atravessar a fronteira entre a Guatemala e o México, usando o deserto. Sabina Rivas (Greysy Mena) é uma jovem hondurenha, menor de idade, que trabalha em um bordel na Guatemala, "El Tijuanita", em uma pequena cidade na fronteira com o México. A região é assolada pelas gangues Mara, e entre seus integrantes, está Jovany, ex-namorado de Sabina. Ela sonha em ir para os Estados Unidos e se tornar uma grande cantora. Ela aceita a ajuda de sua cafetina, Dona Lita (Angelina Peláez), que consegue um passaporte para ela e a contrata para prostituição no lado mexicano. Sabina passaa sofrer todos os tipos de abusos das autoridades, sejam latinas ou americanas. Foi muito difícil assistir ao filme até o seu final. Eu fiquei esperando algum momento de redenção ou espeança, mas infelizmente, não há. A atriz Greysy Mena se entrega em uma performance visceral, que certamente deve ter sido muito difícil para ela. As cenas de violência são fortes e assustadoras, mostrando o lado mais sórdido do ser humano.

Adulto

'Adulto", de Mariano González (2024) Premiado no Festival de Shanghai 2024 com o grande prêmio do juri, o drama coming of age argentino "Adulto" é uma produção indie que traz um relacionamento conturbado entre um adolescente e seu pai outsider. Antonio (Alfonso González Lesca, filho do diretor na vida real), 14 anos, mora com seu pai de meia idade, Raúl (Juan Minujín), em Buenos Aires. Raul possui uma moto e costuma levar o filho pelas ruas, uma atividade proibida: não se pode levar menores de idade em moto, ainda mais sem capacete. Antonio fica sabendo que seu pai softeu um acidente de moto e está hospitalizado. Antonio precisa aprender a se virar sozinho: eventualmente dorme na casa de algum amigo, conversa com uma vizinha e junto de dois amigos, rouba produtos em supermercados, para juntar dinheiro e poder pagar o conserto da moto. Li em um comentário o quanto o filme se assemelha narrativamente a um filme dos irmãos Dardenne. A câmera acompanha o protagonista o tempo todo. Antonio é um personagem que me irritou pelas suas escolhas quase sempre erradas, mas enfim, é um adolescente sem a presneça dos pais. É um retrato dramático, às vezes divertido, de uma geração alienada e sem ambição, tentando entender seu lugar no mundo. Boa performance do elenco, em registro naturalista.

Prisão de cristal

"Tras el cristal", de Agustí Villaronga (1986) Existem filmes que são tão controversos e perversos, que fico na dúvida como conseguiram ser produzidos e levantarem dinheiro. "Prisão de cristal", escrto e dirigido pelo cineasta catalão Agustí Villaronga e lançado em 1986, dificilmente teria sido realizado nos dias de hoje. O filme fala sobre p3dof1l1a e crimes bárbaros contra meninos praticados por um oficial nazista. Em uma cena brutal, um menino de 5 anos tem uma injeção de gasolina aplicada em seu coração, e ele agoniza por minutos, antes de morrer. Um oficial nazista, Klaus, faz experimentos com garotos, incluindo tortura física, violência s3xu4l e posterior assassinato. Sentindo-se culpado pelos seus atos, ele tenta o suicídio, se jogando do alto de uma torre. Mas sobrevive, e fica paralizado e respirando dentro de uma cuba, com pulmão artificial. Casado com uma mulher dominadora (Marisa Paredes) e com uma filha pequena, Klaus recebe atendimento de um enfermeiro jovem, que mais tarde ele descobre ser uma de suas vítimas. Angelo, o carrasco, tortura Klaus da mesma forma que ele o torturava. E mais: ele assume o papel de Klaus, sequestrando meninos, violando-os e matando-os na frente de Klaus. É um filme sórdido, maldito e dificilmente pode ser recomendado para alguém assistir. As cenas envolvendo as crianças são todas violentas e fetichistas, e não tenho idéia de como conseguiram convencer os pais a colocar os filhos no filme. Em determinando momento, o ator que interpreta o jovem ANgelo ganha uma semelhança com a loucura de Klaus Kinski.

O velho fusca

"O velho fusca", de Emiliano Ruschel (2026) Em "A pequena miss sunshine", temos uma neta e um avô, interpretados por Abigail Breslin e Alan Arkin, percorrendo as ruas de Los Angeles com a família de losers dentro de uma kombi amarela. Em "O velho fusca", Caio Manhente é o neto Junior, e Tonico Pereira é o avô, que se reconectam após passarem a vida sem se falarem e sem se conhecerem melhor. E o que os une? Um velho fusca, pertencente ao avô, que assim como o personagem de Arkin, está doente. O filme se passa no Rio de Janeiro, nos bairros da Urca e Barra da Tijuca. Junior trabalha como lavador de prato em um restaurante de frutos do mar, comandado por Jeff (Christian Malheiros), um patrão bruto e assediador que vive maltratando os funcionários. Junior tem paixão platônica pela garçonete Laila (Giovanna Chaves), que é namorada de Jeff. Para conquistá-la, Junior acredita que o fusca velho de seu avô pode ser uma boa isca. Mas para isso, ele precisa convencer o avô rabugento e boca suja de que merece reformar o carro. Enquanto isso, Junior precisa lidar com seus problemas com seu pai, Mauricio (Danton Mello) e seu tio, Beto (Rodrigo Ternevoy), gay assumido: ambos foram educados de forma ríspida pelo pai. O filme trata de relações familiares, tendo a figura paterna linkando todas as 3 gerações: o abandono traz marcas em todos os personagens masculinos. O filme, escrito e dirigido por homens, traz esse olhar para uma masculinidade que passa por reeducação, na tentativa de abandonar a toxidade, presente em quase todos os personagens masculinos ( principalmente o patrão e claro, o avô, que é de uma geração onde era aceito pela sociedade falar palavras xulas e a grande dificuldade de lidar com filhos gays). O elenco traz Cleo Pires, como Elaine, a mãe alto astral de Junior; Carla Cristina, como uma médica e Victor Pinto, em uma participação afetiva como um mecânico de oficina. O filme é uma comédia que pende mais ao drama e com lampejos de romance.

quarta-feira, 11 de março de 2026

O Testamento de Ann Lee

"The testament of Ann Lee", de Mona Fastvold (2025) Concorrendo ao Leão de ouro no Festival de Veneza 2025, "O testamento de Ann Lee" é fruto de uma decisão arriscada da co-roteirista e cineasta Mona Fastvold. O filme é baseado em uma história real: Nascida em 1736 em Manchester, Ann Lee foi proclamada como a versão feminina de Cristo. Foi a líder fundadora do Movimento Shakers, conhecido também como Sociedade Unida de Crentes na Segunda Vinda de Cristo. Os seguidores adoravam através de dança, o que os fez serem apelidados de Shakers. Mona decidiu fazer o filme misturando os gêneros drama e musical. As cenas de adoração do grupo é filmado como números musicais, liderados por Amanda Seyfried, já conhecida por musicais desde "Mamma Mia". A cineasta é casada com o roteirista e diretor Brady Cobert. Ambos escreveram e produziram "O brutalista", drama vencedor do Oscar de melhor filme e de 3hrs 35 minutos. A dupla não teme desafios. "O testamento de Ann Lee" tem um tema muito complexo e voltado à religiosidade, mas tendo também a misoginia e sociedade machista como elementos impulsionadores. Todas as cenas filmadas exibem um rigor formal, assim como foi em "O brutalista". A fotografia de William Rexer trabalha em tons pastéis a imagem, complementada pela preciosa direção de arte, figurino e maquiagem. Amanda Seyfried é das poucas atrizes americanas que buscam trabalhos tanto no viéis comercial ( Vide "Mamma mia" e o mega sucesso "A empregada"), quando se arriscando na área autoral: poucos lembram que ela interpretou Linda Lovelace, a atriz pornô de "A garganta profunda", entre outros riscos. O filme é longo (137 minutos), cansativo. Vale pelo tour de force de Amanda Seyfried, uma atriz que merecia mais consideração pelos festivais de cinema.

Mala reputación

"Mala reputación", de Marta García e Sol Infante Zamudio (2024)] Documentário co-produzido por Argentina e Uruguai, "Mala reputación" traz como protagonista Karina, uma garota de programa uruguaia. Na faixa dos 40 anos e de sobrepeso, ela é a líder de um movimento pelos direitos trabalhistas na área da prostituição e também pela aceitação social da profissão. Junto de outras prostitutas, entre mulheres e trans, organizou e fundou a OTRAS, um movimento uruguaio que busca defender os direitos trabalhistas das trabalhadoras do sexo. O filme mostra a rotina do trabalho de Karina, em busca de clientes nas ruas, a amizade com taxistas que a levam para os atendimentos e a sua jornada dentro do Otras, discutindo com outras garotas de programa as pautas importantes na regulamentação: proibir adolescentes de se prostituirem, contra a violência sofrida pelas mulheres e o reocnhecimento da profissão, ainda estigmatizada pela sociedade. As diretores apontam as suas lentes sem julgamento, apresentando a jornada melancólica de Karina nas ruas da periferia de Montevideo, e a sua luta pela dignidade e melhores condições de trabalho.

terça-feira, 10 de março de 2026

Mother's baby

"Mother's baby", de Johanna Moder (2025) Concorrendo ao Urso de ouro no Festival de Berlim 2025, "Mother's baby" é um drama psicológico austríaco co-escrito e dirigido por Johanna Moder. Quando eu li a sinopse, imaginei que fosse um terror ( até porque foi vendico como terror) que remetesse ao excelente "Boa noite, mamãe", quando duas crianças suspeitam que a mulher que se diz ser mãe deles, seria uma impostora. "Mother's baby" traz um suspense no terço final, mas que na verdade não leva a lugar algum, e sim, trazendo uma paranóia à protagonista, deixando o espectador em dúvida sobre a sanidade mental dela ou se de fato existe uma conspiração. É mais um filme que traz como tema a maternidade indesejada e não romantizada, provocando depressão pós parto, como nos filmes "Night bitch", "Se eu tivesse pernas, eu te chutaria" e "Fragmentos de uma mulher". Julia (Marie Leuenberger) é uma maestrina de sucesso, casada com Georg (Hans Löw). Ambos estão na meia idade. O casal sonha em ter um filho, e para isso, recorrem à uma clínica de fertilização experimental. Julia engravida. O bebê nasce com o cordão umbilical enrolado em seu pescoço e ele é levado para tratamento adicional. dias depois, ela recebe seu bebê. D einício, Julia desconfia que o bebê não é o mesmo: o tamanho, os cabelos. Sue marido acredita que Julia esteja estressada, e o médico, idem. Com o tempo, Julia decide ir atrás de informações sobre o dia do nascimento do bebê e encontra os registros todo apagados. Fico imaginando o cineasta Ulrich Seidl com esse roteiro, as loucuras que ele não faria. Talvez o foco da diretora tenha sido mostrar os estresses pós gravidez e de que forma a futura mãe tem a sua rotina e vida alteradas. Mas confesso que amaria ter visto um terror. O filme tem ótima performance da atriz Marie Leuenberger.

Dolly

"Dolly", de Rod Blackhurst (2025) Adaptação em formato longa-metragem do curta "Babygirl", lançado em 2022 e escrito e dirigido pelo mesmo cineasta, Rod Blackhurst. O filme concorreu no prestigiado Festival Sitges, e venceu o pr6emio da audiência na Morbido Festival. Tendo como óbvia referência o clássico "O massacre da serra elétrica", de Tobe Hooper, "Dolly" traz uma estética grindhouse: filmado em película 16mm, com sujeira nas imagens, falhas e uma fotografia escura, remetendo aos slashers dos anos 70 e 80. A surpresa é ver o ator Seann Willian Scott, o eterno Stifler de "American pie", sendo atacado por uma criatura vestida de boneca vintage, uma caracterização que remete ao Leatherface, que ao invés de usar uma serra elétrica, usa uma pá que mutila as vítimas. Na melhor morte do filme, Dolly arrebenta o tóraz de uma vítima, lembrando até o assassino de "Natureza violenta". As redes sociais anunciaram 'Dolly" como um filme brutal e com mortes violentas, mas a verdade que qualquer filme dos anos 80 ou 90 traz mortes mais chocantes. Nada aqui assusta ou cria tensão. O filme tem um ritmo arrastado, e o roteiro, pasmem, traz personagens que tomam decisões estúpidas. Macy (Fabianne Therese) e Chase (Seann William Scott) decidem passear em um parque nacional, uma ocasião para que Chase peça Macy em casamento. Ele é pai de uma adolescente. Macy teme formar compromisso. Mas na floresta, ambos são atacados por DOlly, que massacra Chase e leva Macy para a sua casa, fazendo com que ela se transforme em sua filha. Já há algum tempo, os filmes de terror têm sido palco para metáforas sociais, como misoginia, racismo, luta de classes. Aqui, o foco é na rejeição à maternidade e compromissos.

Babygirl

"Babygirl", de Rod Blackhurst (2022) Curta de terror de menos de 4 minutos, "Babygirl" é escrito e dirigido por Rod Blackhurst. O filme traz um casal que faz um passeio na floresta, mas é atacado por uma pessoa vestida como uma boneca vintage gigante. O homem é assassinado, e a mulher é levada para dentro de casa, e tratada pela criatura como se fosse sua filha. O filme acabou se tornando um teste para um longa estendido, chamado 'Dolly" e lançado em 2025. Uma atmosfera de slashers dos anos 80, "Babygirl" dá um gostinho de quero mais.

segunda-feira, 9 de março de 2026

H is for hawk

"H is for hawk", de Philippa Lowthorpe (2025) Baseado em uma história real, "H is for hawk" é adaptado do best-seller de Helen Macdonald, que co-escreveu o roteiro com Emma Donahue e a diretora Philippa Lowthorpe. A cineasta inglesa Philippa Lowthorpe foi uma das diretoras da série "The crown", com a atriz Claire Fox, que protagoniza o filme, junto de Brendan Gleeson. Claire é Helen, professora de ciências sociais em Cambridge, e seu pai, um famoso fotojornalista. O filme me fez lembrar muito de "Kes", de Ken Loach: em ambos os filmes, os protagonistas usam a arte de treinar gavioes como uma terapia para lidar com traumas, luto e perdas. O filme se passa em Cambridge, no ano de 2007. Quando Helen descobre que seu pai morreu repentinamente, ela entra em colapso- ela sempre foi muito próxima ao pai. Desde criança, ele lhe ensinou a observar os pássaros e explorar a natureza. Helen decide se aperfeiçoar na arte da falcoaria: ela treina um acor selvagem que ela chama de Mabel. O sua obsessão em treinar o pássaro faz com que ela se afaste dos amigos, sua família e seu namorado. Rodado em Cardiff, Inglaterra, o filme obviamente tem como um de deus pontos altos a fotografia de Charlotte Bruus Christensen, explorando toda a beleza da locação, mas com cores que favorecem a melancolia da história. É um filme de ritmo bastante lento, acompanhando o processo d eluto da protagonista.

The boys next door

"The boys next door", de Penelope Spheeris (1985) Um cult redescoberto por cinéfilos de redes sociais, "The boys next door", de 1985, é um pré "Assassinos por natureza", clássico de Oliver Stone protagonizado por Juliette Lewis e Woody Harrelson sobre uma dupla de serial killers que sai pela estrada matando queme encontram pelo caminho. Dirigido por Penelope Spheeris, o roteiro foi escrito pela dupla que escreveu e dirigiu o serado 'Arquivo X", Glen Morgan e James Wong. JAmes Wong também dirigiu "Premonição 3", considerado um dos melhores da franquia. "The boys next door" é protagonizado por um jovem Charlie Sheen, então com 18 anos, e Maxwell Caulfield. Caulfield vinha de 'Grease 2", um enorme fracasso comercial e de crítica. Ele esperava se tornar um novo astro, assim como John Travolta. Para piorar a situação, Michelle Pfeiffer, que foi sua parceira no filme, teve a carreira em ascenção, o que o fez procurar por ajuda psicológica para pode rlidar com o fracasso. Em uma pequena cidade na Califórnia, Bo (Sheen) e Roy (Caulfield) estão no último dia de aula da high school. Eles decidem passar o final de semana em los Angeles, a 6 horas de distância. Eles iniciam uma onda de assassinatos, que envolvem um gay que eles conheceram em um bar lgbt, uma mulher solteira que eles conheceram em um bar, um jovem casal que si de um fliperama, entre outros. A polícia os caça, e enquanto isso a dupla de amigos começa a ter divergências entre si. Nos créditos iniciais, surgem fotos de serial killers famoso. O filme procura apresentar a origem do mal, e de que forma a maldade pode estar inerte em jovens, no caso, brancos e rebeldes. O filme é violento e traz homofobia, misoginia, sexualidade reprimida. A polícia também é apresentada como arrogante e homofóbica. Charlie Sheen e Maxwell Caulfield estão ótimos. As cenas dos assassinatos do personagem gay e da mulher são bastante cruéis. A Los Angeles de 1985 é apresentada como uma cidade ao mesmo tempo acolhedora e violenta. Outra cena antológica é quando Roy dirige o carro com uma mulher pendurada nela, me fazendo lembrar de "Prova de morte", de Tarantino.