quinta-feira, 27 de agosto de 2026

Muito prazer

"Muito prazer", de Jorge Furtado (2026) Escrito e dirigido por Jorge Furtado, "Muito prazer" tem uma premissa bem parecida com "Saneamento básico", um de seus filmes mais conhecidos: personagens amadores e anônimos decidem montar uma equipe de filmagem e fazer filmes, no caso 3r0tic0s, para viralizar na internet e ganhar dinheiro com as visualizações. Obviamente, esse mote garante boas piadas e risadas, pela forma tosca e desengonçada que os personagens dirigem e atuam nos filmes, dessa vez auxiliados pela AI. O elenco é composto por um time de excelentes atores: Daniel de Oliveira, Luísa Arraes, Samantha Jones, Drica Moraes, a ótima revelação Felipe Veloso e atores gaúchos em participações divertidas. Daniel de Oliveira é Rubem: um rapaz solitário, formado em administração mas que sucumbiu ao desemprego e acabou como motorista de app. Com a morte de seu tio, Rubem herda um motel falido: Pérola. Rubem descobre que o Motel está cheio de dívidas e decadente. Ao entrar no estabelecimento, Rubem conhece Grace (Arraes), uma ex-funcionária que acabou moranndo por lá mesmo, uma forma de compensar a falta de pagamento de seus salários. Os dois decidem reativar o local, com muito custo: são assaltados, e o motel da frente faz uma forte concorrência. Grace acaba tendo uma idéia para ganharem dinheiro: colocar câmeras escondidas, gravar os casais fazendo s3x0 e mudarem seus rostos. Para isso, eles contam com a ajuda de Nalva (Jones), uma expert em computação e Ai. O filme se concentra quase todo no Motel e com poucos atores, funcionando às vezes quase que como uma peça teatral. Jorge Furtado, grande conhecedor do gosto popular, inclui diálogos rápidos e engraçados, e faz o filme para um público amplo, evitando apertar demais no 3r0t1sm0 e com isso, afastar a platéia. Por isso, aposta na ingenuidade dos personagens e nas situações, e o s3x0 nunca é visto, apenas sugerido em momentos engraçados.

No hit wonder

"No hit wonder", de Florian Dietrich (2025) Comédia dramática alemã, "No hit wonder" traz o mote bem batido de um loser que se une a um grupo de losers como ele e juntos ganham confiança e auo estima para vencer na vida. Daniel Nowak (Florian David Fitz) teve um hit estrondoso que o alçou ao mega sucesso. O problema é que foi o único hit, e nunca mais Daniel fez outro sucesso. Assim como a fama e sucesso vieram rápido, a decadência e ostracismo chegaram em seguida. Deprimido e isolado, Daniel tenta o su1c1d10, mas o tiro não o mata. Daniel acorda em um hospital psiquiátrico. Lá, ele conhece a enfermeira Lissi (Nora Tschirner), que na verdade, é uma estudante que vê em Daniel a sua chance de escrever a tese de doutorado perfeita. Lizzi convida Daniel para participar do coral do hospital psiquiátrico como forma de motivar seus estudos, e estimular a todos os integrantes a encontrarem na música, uma forma de encararem a vida de forma positiva. O filme é simpático e segue sem muitas surpresas na história. As músicas ecsolhidas são conhecidas e ajuda o público a se conectar: "Get lucky", "Come on Eileen". Os atores são carismáticos. A duração é longa, quase 2 horas, e se tivess euns 20 minutos a menos, seria mais efetivo e dinâmico.

quarta-feira, 26 de agosto de 2026

Manila

"Manila", de Adolfo Alix Jr. e Raya Martin (2009) Os filmes filipinos geralmente transitam em dramas sobre personagens perifericos que tentam sobreviver diante da miséria e da violência. "Manila" é uma homenagem a dois filmes seminais e dois cineastas já falecidos: Lino Brocka e seu clássico "Jaguar", e Ishmael Bernal com "Manila by night". O filme "Manila" é dividido em 2 histórias, uma ocorrendo, de dia, a outra, de noite. O protagonista é Piolo Pascual, também co-produtor do filme. No segmento "Day", Piolo Pascual interpreta William, um viciado em drogas que tenta reconstruir seu senso de identidade e se reconectar com as pessoas ao seu redor. No segmento "Night", Piolo interpreta Philip, um guarda-costas do filho de um prefeito que acredita erroneamente que seu chefe o considera parte da família. O filme é rodado em 16 mm, preto e branco. Infelizmente, "Manila" não chega no nível dos filmes que procura homenagear. Faltou a roteiro mais intensidade draática, os personagens já são bem batidos e sme nenhuma novidade. Mas vale pelo olhar desolador da capital das Filipinas, e a decadência da sociedade, retratada com tintas melancólicas.

Chocolate

"Chocolate", de Prachya Pinkaew (2008) O cineasta Quentin Tarantino classificou o thriller de ação tailandês "Chocolate" em 17o lugar na sua lista dos 20 filmes favoritos do século 21, elogiando as suas sequências de luta. O diretor Prachya Pinkaew é o mesmo da franquia de sucesso "Ong bank". Novamente, as lutas marciais são focadas no Muai Thay. A protagonista é a jovem JeeJa Yanin, campeã de Thai kwen Do aos 14 anos e que levou 4 anos treinando Muai Thay para fazer a personagem. "Chocolate" foi um grande sucesso de crítica e bilheteria. Existem pelo menos 3 sequências que já valem todo o filme: a quadrilha de assassina strans; a luta entre Zen, uma jovem autista contra um lutador portador de síndrome de tourette e a batalha final, entre lajes e muretas. Zin (Ammara Siripong) é amante de um mafioso tailandês, No 8 (Pongpat Wachirabunjong). Ela é uma asassina que cobra dívidas para No 8. Mas ela acaba se apaixonando pelo Yakuza Masashi (Hiroshi Abe). Os dois vivem felizes até que o nº 8 os separa à força por meio de ameaças, enviando Misashi de volta ao Japão e interrompendo toda a comunicação entre eles. Zin, ao perceber que está grávida, muda-se para um apartamento e cria sua filha. Zen, nasce autista e de tanto assistir a filmes e séries de ação, acaba aprendendo a lutar. Zin adota um garot, Moon, que se torna amigo de Zen e a ajuda a treinar. Quando Zind escobre estar com câncer, sua filha e Moon decidem cobrar dívidas antigas de credores para poder conseguir dinheiro e custear as despesas com hospital. No 8 descobre e decide eliminar a todos. O filme é uma grande diversão, com um roteiro melodramático com cenas tocantes, e muitas lutas inverossímeis e por isso mesmo, geniais. A ariz que interpreta Zen e seu amigo Moon são muito carismáticos. O vilão No 8 é o supra sumo da maldade, uma caricatura odiosa e bem defendida por Pongpat Wachirabunjong .

terça-feira, 25 de agosto de 2026

Tenement

"Tenement", de Can Baran (2023) Drama turco co-escrito e dirigido por Can Baran, vencedor de menção honrosa no Festival internacional da Grécia. "Tenement" é um curta que epxlora a vida de um zelador, Serkan (Sevki Cepa), que vive solitário em seu pequeno apartamento em um condomínio. Ele vive uma rotina servindo os os moradores do prédio. Na ausência dos moradores, Serkan entra nos apatamentos e vivencia suas vidas: olha fotografias, os ambientes. Quando ele entra no apartamento de Yucel, um idoso solitário, Serkan se vê nele. Ele encontra fitas onde stão gravados aúdios de Yucel, afirmando estar com Alzhemier, e guardando as suas memórias nas fitas. "Tenement" é um filme minimalista, simples, e que retrata a solidão e de que forma as memórias, através de áudis e fotografias, se tornam engrenagens fundamentais para se mante a sanidade mental.

Mansyon

"Mansyon", de Joel Ruiz (2005) Escrito e dirigido por Joel Ruiz, "Mansyon" é um premiado drama filipino de 2005, que muitos críticos comentaram ser precursor de "Parasita", de 2019. O filme apresenta um casal de empregados: Dolores (Roselyn Perez) e Ambo (Jess Evardone). Eles são entrevistados para vagas de empregada e jardineiro, respectivamente. Os patrões passarão 3 meses fora e querem que eles mantenham tudo arrumado e limpo. OS dias se passam, com muita presteza na arrumação da mansão e do jardim. Mas quando Dolores esbarra em um frasco de perfume e deixa derrubar o perfume, ela sente um impulso de querer se passar pela patroa: veste suas roupas, dorme na sua cama, trazendo seu companheiro junto, e assim, vivenciar uma vida de luxo que ele sjamais teriam chance de ter. Mas os patrões retornam antes. Mesmo sendo drama, "Mansyon" tem uma fina ironia, com momentos que, dependendo do olhar do espectador, podem ser divertidos ou trágicos. É um filme de silêncios, de observação, com ritmo lento, acentuando a rotina e monotonia do casal. Os dois atores estão bem em seus papéis, e é impossível o espectador não se simpatizar com eles.

Live show

"Live show", de Jose Javier Reyes (2000) Escrito e dirigido por Jose Javier Reyes, "Live show" é um drama erótico filipino que foi exibido no Festival de Berlim em 2000. Probido pelo governo e liberado um ano depois, mas com restrições, o filme inicialmente se chamava "Toro", que significa os shows de s3x0 ao vivo. Como muitos dramas filipinos, "Live show" apresenta personagens que vivem na periferia miserável de Manilla, e precisam recorrer à prostituiçao e casas de s3x0 ao vivo para sobreviver. Roily é filho de uma prostituta que está doente. Ele se prostitui nas ruas para clientes gays, e de noite, se exibe em casas de s3x0 ao vivo, onde clientes observam friamente, casais em atos s3xu41s. O filme apresenta outros personagens da noite: uma jovem mãe que se exibe na casa, e procura desesperadamente pelo filho que ela deu para adoção; um jovem casal precisa retornar à casa de show ao vivo, após tentativas frustradas de emprego que não aconteceram. Filmando as redondezas mais decadentes e desgraçadas de Manila, o filme não procura trazer um otimismo à trama. O personagem de Roily narra em off as vidas sem perspetiva de futuro, onde se vive o presente e a vã tentativa de sobreviver, perdendo a dignidade e se humilhando diante de pessoas que desconhecem as suas histórias. O filme traz nudez e muitas cenas de s3x0 simuladas, mas o mais degradante é ver as personagens fazendo expressões de tristeza e humilhação ao se apresentarem aos clientes.

The house of us

"Wurijip", de Yoon Ga-eun (2019) Escrito e dirigido por Yoon Ga-eun, "The house of us" é um drama sol coreano com ponto de vista de uma menina de 12 anos. É um drama contundente que me lembrou de "Ninguém pode saber", de Koreeda, sobre filhos abandonados pelos pais. Hana (Na-yeon Kim) mora com seu irmão Chan, de 16 anos, e seus pais. Hana é a mais estudiosa de sua turma. Mas ela sofre com as constantes brigas de seus pais, e fica cada vez mais isolada de seu irmão. Hana tenta de tudo para manter a felicidade de sua família, desejando a união, mas a tarefa se torna cada vez mais difícil. Ao ir ao mercado fazer compras, hana conhece duas meninas, Yoomi, de 9 anos, e Yoojin, de 7. Elas moram sozinhas em um apartamento, enquanto os pais trabalham fora em outra cidade. Hana faz amizade com as meninas e as protege, identificando a sua história com a delas. Quando vi o poster, pensei que seria um coming of age solar, mas fiquei surpreso o quanto o filme é melancólico e depressivo. A fotografia traz alternantes de dias ensolarados com interiores mais frios, intensificando emoções. As atrizes mirins são todas muito boas, trazendo performances naturalistas, espontâneas. Um olhar cruel sobre o mundo dos adultos, mediante a observação das crianças.

Follies

"Folichonneries", de Eric K. Boulianne (2025) Co-escrito e dirigido por Eric K. Boulianne, "Follies" é uma comédia erótica canadense, falada em francês. Poderia perfeitamente ser uma continuação do filme "O convite", de Olivia Wilde, se considerarmos que o casal de Seth Rogen e Olivia WIlde tivessem topdao participar de festas de swings. Menção especial no Festival de Locarno 2025, e rodado em película 16 mm, "Follies" é repleto de cenas de s3x0, envolvendo Bdsm, fetiches e 0rg14s em clubes, com muita nudez frontal. O casal François (Eric K. Boulianne) e Julie (Catherine Chabot) estão casados há 16 anos, e são pais de 2 meninas. Mas o relacionamento entrou na rotina. Seduzidos por amigos mais jovens, eles decidem abrir a relação e participar de eventos de s3x0, fazendo s3x0 com homens e mulheres. François cada vez mais adere ao mundo do BDSM, enquanto Julie se entrga ano amor e acaba se apaixonando. Fantasia eót1c4, o filme é para adultos e apresenta muitas cenas quentes. O elenco é divertido e se entrega totalmente às propostas do filme, em jogos viscerais.

segunda-feira, 24 de agosto de 2026

El ser querido

"El ser querido", de Rodrigo Sorogoyen (2026) Concorrendo à Palma de ouro em Cannes 2026, "El ser querido" foi comparado por toda a crítica ao vencedor do grande prêmio do juri de 2025 do mesmo Festival, "Valor sentimental". Ambos os filmes retratam a relação conflituosa entre um pai cineasta e a sua filha, com quem não mantém contato há tempos. O cineasta decide escalar a filha para uma personagem, como uma forma de expiar os fantasmas entre ambos. Co-escrito e dirigido por Rodrigo Sorogoyen, mesmo diretor de As bestas", de 2022, o filme é uma co-produção Espanha e França. Esteban Martínez (Javier Bardem) é um cineasta espanhol que foi trabalhar em Hollywood e se estabeleceu como um cineasta de sucesso e formando família americana. Mas em seu 1o filme espanhol, ele teve um caso com uma atriz e teve ua filha, Emilia (Victoria Luengo), que ele nunca reconheceu. Retornando à Espanha para rodar um drama histórico, Esteban decide fazer contato com Emilia e dizer à ela que quer que ela interprete um papel no filme. Emilia, que nunca teve destaque como atriz, está receosa que a equipe descubra que ela é filha de ESteban e só foi escalada por nepotismo. Ela aceita, e a equipe segue para o norte da Africa, para rodar o filme sobre a ocupação espanhola. Mas a forma ditatorial e linha dura de Esteban dirigir, deixa a equipe e a própria Emilia tensos. O filme é longo, 134 minutos, e de ritmo lento. Só a cena inicial, de Esteban e Emilia em um restaurante, dura 15 minutos. Para quem tem curiosidade sobre bastidores de uma filmagem, vai achar interessante, ainda mais mostrando processos de ensaios com elenco. Para quem aprecisa o trabalho de Javier Bardenn, não terá do que reclamar: ele está soberbo.

Rio de sangue

"Rio de sangue", de Gustavo Bonafé (2026) Thriller de ação com temas que falam ao Brasil da violência, do desmatamento, dos grileiros, do machismo e feminicídio, da corrupção e do extremínio dos povos indígenas. "Rio de sangue" abraça diversos sub-plots e são muitos os personagens que surgem ao longo da tela. O elenco all star se equilibra com novos talentos: Giovanna Antonelli, Alice Wegmann, Antonio Calloni, Felipe Simas Sergio Menezes, Ravel Andrade, Vinicius de Oliveira e Rui Ricardo Diaz abrem espaço para o ator indígena Fidelis Baniwa, no papel do narrador do filme, Mario. O filme traz referências de filmes de ação americanos, onde uma mãe policial precisa ir atrás de sua filha sequestrada. Em São Paulo, pós uma ação desastrada que resulta em morte, a policial Patrícia (Antonelli) é jurada de morte. Ela é enviada paa o Pará, para passar um tempo com sua filha, Luiza (Wegmann), com quem acabou se distanciando, por conta do trabalho. Luíza é médica e presta serviço, junto d euma equipe, para aldeias indígenas. Garimpeiros liderados por Polaco (Calloni) e seus filhos, Jadson (Andrade) e Baleado (Simas) sequestram Luiza, após uma chacina na aldeia. Patricia precisa descobrir o paadeiro de Luiza e salvá-la. O filme traz boas cenas de ação, uma fotografia que favorece as diversas cores da Amazônia e uma edição frenética. Aqui, a história não tem erro: são as mocinhas e mocinhos lutando contra os vilões, que são muito maus. No final, o personagem de Mario costura todas as histórias, trazendo uma reflexão sobre o mundo em que vivemos.

Back to the 90's

"Back to the 90's", de Facundo Scalerandi (2026) Comédia romântica alemã com elementos fantásticos, "Back to the 90s" traz a já mega manjada trama de personagens que voltam acidentalmente ao tempo e precisam encontrar uma forma de voltar a sua época. Claro que terão muitas lições de moral pelo caminho, amores que surgem, conflitos sobre voltar à sua época ou permanecer no passado. Comparações com "Back to the future" são citados inclusive pelos personagens. O filme vai funcionar para quem gosta de filmes ingênuos, trilha sonora dos anos 90 e principalmente, ficar de olho nos 5 jovens atores, todos mega sexies e apresnetados diversas vezes em cenas de piscina, semi nús. Os produtores não são bobos e sabem que corpos masculinos atraem todos os tipos de público. Matteo (Julien Brown), Jonas (Tim Schäcker), Chris (Luis Freitag), Ben (Jacob Rott) e Oliver (Bene Schulz) são cinco melhores amigos, e compõe uma boy band nos dias atuais. Eles irão participar de um concurso de talentos, mas acreditam que sua música não é boa o suficiente. Quando um dos integrantes escuta uma música dos anos 90 em seu iphone, enviada por um anônimo, o elevador onde eles estão sofre um acidente. Els surgem em 1995, e agora precisam encontrar uma forma de voltar ao seu tempo, usando o mesmo elevador.

domingo, 23 de agosto de 2026

Just une illusion

"Just une illusion", de Olivier Nakache e Éric Toledano (2026) Dirigido pela dupla francesa que realizou os grandes sucessos "Os intocáveis", 'Samba" e "Assim é a vida", novamente o protagonista são personagens que vivm na classe marginalizada e que precisma lutar pela dignidade. O filme é ambientado em 1985, e apresenta uma família judia desfuncional de classe média: Yves (Louis Garrel), que esconde de sua família que está desempregado; Sandrine (Cammile Cottin), secretária de uma empresa e que decide comprar um computador para poder ter um uograde na profissão; Arnaud (Alexis Rosenstiehl), o adolescente rebelde e roqueiro; e Vincent (Simon Boublil), 13 anos. É dele o ponto de vista do filme: testemunhando a crise dos pais, que vivem discutindo; suas brigas com seu irmão mais velho; seus amigos da escola; seu bar Mitzvah que está chegando e principalmente, a sua grande paixão platônica, uma garota do colégio. Tem também o zelador do prédio, Ettine (Pierre Lottin), que provoca ciúmes em Yves. Alexis e Pierre Lottin trabalharam juntos em outra comédia dramática, "Ceux qui comptent". Os grandes méritos de "Just une illusion" são obviamente, seu elenco formidável de estrelas, e a trilha sonora, repleta de clássicos dos anos 80: "Just an illusion", "Eye in the sky", Holdng back the years", "In between days", "Im so excited", "I'm not in love" são alguns exemplos. O filme não é o melhor da dupla de diretores, mas traz emoção, humor e carinho o suficiente para conquistar o espectador.

Bagarre

"Bagarre", de Julien Hollande (2026) Comédia de ação francesa, co-escrita e dirigida por Julien Hollande. O filme traz uma premissa bem maluca, e as cenas de ação e a própria narrativa se permitem trazer momentos surreais, assim como eram os filmes de Jerry Zucker, de "Corra que a polícia vem aí", com a diferença que aqui, as cenas são violentas, mas dentro de um universo que remete aos violentos cartoons infantis, tipo "Pernalonga". Naim (Nassim Lyes) trabalha como garçon em um hotel 5 estrelas e ao chegar em casa, é expulso por sua namorada, que o larga na rua, junto de seu pequeno cachorro, Chipie. Naim é uma pessoa boa e altruísta, mas quando seu cachorro fica doente, ele não tem como pagar o tratamento. Durante uma briga com um cliente do hotel, Naim acaba se convencendo a fazer parte de um serviço de app chamado "Helo brawl", onde lutadores são contratados para reoslver problemas através de luta. Dessa forma, Naim poderá juntar dinheiro e custear o tratamento de Chipie. Mas após diversas lutas, Naim vai entendendo que a melhor forma de resolver as brigas, é através de uma boa conversa, o que contraria o dono do app. O filme tem ótimas cenas de porradaria, permeadas por violência e humor, com lutas coreografadas no estilo de "John Wick", só que sem uso de armas de fogo. O ator Nassim Lyes traz carisma ao seu personagem.

Once upon a time in the cinema

"Once upon a time in the cinema", de David Gleeson (2026) Escrito e dirigido por David Gleeson é uma co-produção Irlanda, Alemanha e Bélgica. O filme acontece em uma única noite e apresenta a última sessão de cinema em uma sala de cinema em uma pequena cidade na Irlanda. O filme é ambientado em meados dos anos 80, quando o VHS ja era uma realidade e muita gente deixou de ir para as salas de cinema. No filme, o último filme a ser exibido é "Breathless/Sem Fôlego", de Jim Mcbride, refilmagem de "Acossado", de Godard. O proprietário do cinema, Earl Clancy (Colin Morgan), está prestes a vender o cinema para um empresário de construção, que quer derrubar o prédio. Os funcionários do cinema tentam demovê-lo da idéia. A sala está lotada de espectadores que querem se despedir da sala, que já não oferece lucros. O ambiente está decadente: o projetor apresenta falhas, existem ratos na sala, os canos estão esturados. O filme é uma homenagem às salas de cinema, como já vimos em filmes famosos, como 'Splendor", de Ettore Scola, e "Cine Majestic". com Jim Carrey. Alternando drama e humor, é um filme que fará muita gente se emocionar pela nostalgia do grande evento que é frequentar uma sala de exibição. O filme foi rodado no Royal Cinema em Limerick, na Irlanda, que fechou em 195, e a última sessão foi "Loucademia de polícia 2". Depois, o local se torou uuma casa de show noturno.

sexta-feira, 21 de agosto de 2026

Pinocchio:unstrung

"Pinocchio:unstrung", de Rhys Frake-Waterfield (2026) Escrito e dirigido por Rhys Frake-Waterfield, "Pinocchio: unstrung" é um terror da mesma produtora inglesa que lançou "Ursinho Pooh, mel e sangue", "Peter Pan", e tantos filmes de terror slasher, aproveitando personagens famosos da infância que entraram em domínio público. "Pinocchio:unstrung" é ousado por não ter pudor em assassinar crianças barbaramente, com requintes de crueldade, com torturas e mortes claramente inspiradas em 'Terrifier". Uma cena inclusive mostra uma adolescente totalmente nu4 em banho, e chequei, ela realmente é m3n0r!! Após a morte de seus pais, o pequeno James (Cameron Bell) se muda para a casa de seu avô, Gepeto (Richard Brake). James precisa se adaptar à nova realidade na escola. Com pena de James, Gepeto cria para ele um boneco de madeira a partir de uma árvore mágica que dá vida à sua criação, Pinóquio. Sob a influência do grilo falante (Robert Englud, o eterno Freddy Kueger), Pinochiio passa a assassinar todos que atrapalham o caminho de James. Ao mesmo tempo, Pinocchio quer se tornar humano, e retira partes do corpo humano de suas vítimas e aplica em si. O filme traz referências de diversos clássicos do terror: "O iluminado", "o boneco assassino", "O labirinto do fauno", "Maníaco", entre outros. Para quem goste de slasher gore e brutal, não terá do que reclamar. E o boneco do Pinóquio, para um filme de baixo orçamento, está perfeito e muito bem desenvolvido.

A family

"A family", de Mees Peijnenburg (2026) Escrito e dirigido por Mees Peijnenburg, "A family" recebeu a menção honrosa no Festival de Berlim 2026 na Mostra geração, dedicado a filmes com temática sobre a juventude. Co-produzido e filmado pela Holanda e Bélgica, o filme é um drama sobre uma família desfuncional, formado pelos pais Jacob (Pieter Embrechts) e Maria (Carice van Houten, a Melisandre de "Game of thrones") e pelos filhos, a adolescente Nina (Celeste Holsheimer) e o menino de 11 anos Eli (Finn Vogels). O casal está em processo de divórcio. OS filhos reagem mal à separação, e são utilizados pelo pai e pela mãe como moedas de troca e motivos de briga. O caso vai para o tribunal: os filhos, isoladamente, precisam decidir com quem querem morar. A partir daí, o filme é dividido em 4 capítulos: 1- prólogo apresentando a crise e a pressão do juiz sobre os filhos 2- O filme vira ponto de vista de Nina, uma adolescente lésbica, dançarina, e como tudo rui mediante a separação, inclusive, se afastando cada ez mais de Eli 3- O filme vira Pov de Eli, que se afunda e se deprime 4- A conclusão Os 4 atores estão extraordinários, mas a cena do pequeno Eli desabando emocionalmente me comoveu. Que atuação!

Ghost in the cell

"Ghost in the cell", de Joko Anwar (2026) Exibido no Festival de Berlim 2026, "Ghost in the cell" é escrito e dirigido por Joko Anwar e co-produzido por Indonésia e Coréia do sul. Joko Anwar é um dos cineastas mais prolíficos do país, e boa parte de seus filmes se tornaram grandes sucessos de bilheteria, e referência do gênero terror. O filme traz uma estranheza na narrativa, pois mistura terror sobrenatural, comédia e drama de prisão. A penitenciária de Labuhan Angsana é uma das mais violentas e vigiadas da Indonésia. Dimas (Endy Arfia) é um jornalista investigativo, acusado de ter assassinado seu chefe na redação de jornal. Tímido, Dimas chega na prisão e é ameaçado por um dos presos. Ele logo fica proximo de outros presos, entre eles, Anggoro. No seu setor, a maioria dos presos está ali por golpes virtuais. A chegada de Dimas coincide com a chegada de um espírito vigativo, que mata as pessoas violentas, transformado-os em obras de arte com seus corpos mutilados. Para evitarem de serem as próximas vítimas, os presos oram, dançam, fazem graça, para espentar a índole violenta. O roteiro é bem bizarro, misturando cenas de gore explícito com um humor bem pastelão, principalmente nas cenas onde os presos precisam fazer alguma graça para espantar o espirito. Dependendo do que o espectador busca, o filme pode funcionar, ou ser uma grande bomba. Na metáfora, a história faz uma crítica pesada ao sistema penitenciário, ao governo cirrupto, aliado a políticos e empresários chantagistas. Os atores principais são carismáticos, e Joko Anwar ainda traz cenas homoeróticas, como um extenso plano dos presos tomando banho nús.

Kalel, 15

"Kalel, 15", de Jun Robles Lana (2019) Comovente drama queer filipino, vencedor de diversos prêmios internacionais. O filme me fez lembrar do clássico "Kids", de Larry Clark, por trazer protagonistas adolescentes, envolvidos com drogas, s3x0, prostituição e HIV. Kalel e sua mãe (interpretada por Jacklyn Jose, vencedora da Palma de Ouro em Cannes por "Ma'Rosa") saem de um hospital público. Kalel tem 15 anos e acabou de descobrir que é portador de HIV. Sua mãe está revoltada, e ao invés de apoiar o filho, ela o agride, com medo de que seus vizinhos descubram que Kalel está soropositivo. A namorada de Kalel quer fazer s3x0 com ele e perder a virgindade, mas ele a repele, pois não quer que ela se contamine. Só de raiva, ela morde a boca de Kalel e suga o sangue dele. Kalel é um gay enrustido, e está em um tremendo conflito. Ele se droga com seus amigos da escola, e quando não encontra mais apoio de ninguém, se prostitui. Um filme com excelentes performances, rodado em belíssimo preto e branco, "Kalel, 15" não faz concessões. É um filme que dificilmente seria realizado aqui no Brasil, pelos seus temas envolvendo menores de idade. Um retrato trágico e cruel da adolescência, com uma cena final avassaladora. O filme termina dizendo que nas Filipinas, o avanço do HIV entre jovens cresce a níveis assustadores.

quinta-feira, 20 de agosto de 2026

Niu Lai

"Niu lai", de Yumeng Xin (2026) Um fenômeno da animaçao chinesa, "Niu lai" (que na tradução literal, significa "Venha boi") foi considerado pelos críticos e pelo público, o "The room" da animação. Para quem não se lembra, "The room", de Tommy Wiseau, é coniderado o pior filme da história, e por isso, amado pelo público, se tornando cult e filme celebrado desde então. "Niu lai" certamente seguirá esse mesmo caminho. Todos os críticos foram unânimes em dizer que o filme é ruim em todos os quesitos: desenho, roteiro, edição, trilha, técnica. O filme foi totalmente prodduzido e criado por 2 únicas pessoas: o diretor Xin Yumeng e sua mãe, Sun Lifang. Desde a escrita do roteiro até o lançamento, o filme levou 5 anos. Eles fizeram absolutamente tudo, até a dublagem de todas as vozes. O filme custou 200 dólares, e rendeu 4 milhões de dólares: em termos de proporção de lucro entre custo e bilheteria, é o filme mais rentável da história. Mas nem tudo foram flores: quando lançado nos cinemas, em 9 dias, não levu nem 300 pessoas aos cinemas. Mas o boca a boca, os vídeos e prints do filme viralizaram nas redes sociais, e o público acabou indo assistir para conferir. E mais: o filme se tornou um case contra a invasão da Ai versus criação artesanal: afinal, mãe e filho criaram tudo utilizando um programa básico de 3D, com cara de animação feita nos anos 90 por software. O ritmo do filme, repleto de pausas sem sentido, os diálogos básicos e tati bi tati, como se fossem escritos para um público infantil, aliado à mensagens existencialistas, fizeram o público cair em gargalhadas. E ainda assim, teve quem saísse chorando do filme, pelo seu desfecho emocionante. Me lembrei da animação "Touro ferdinando" pela mensagem de heroísmo e da masculinidade e coragem que o boi recém nascido, Niu Lai, precisa enfrentar, para poder fazer parte da manada, liderada pelo pai. Niu Lai nasce mas não tem forças para se levantar. Ele conta com o apoio de sua mãe, de um pássaro e de um leopardo para enfrentar os perigos da apoximação dos lobos e dos seres humanos. Mas a maior diversão mesmo são os traços e a edição, repleta de pausas sem sentido. Um clássico do quanto pior, melhor.

Tinsman road

"Tinsman road", de Robbie Banfitch (2026) Escrito, dirigido e protagonizado por Robbie Banfitch, que também editou e produziu "Tinsman road", um found footage de suspense. Rodado em New Jersey, o filme foi realizado pelo mesmo diretor do controverso "The outwaters", um found footage de horror cósmico que diviu opiniões de crítica e público. O filme concorreu no SXSW festival. Em "Tinsman road", Robbie é um cineasta que ficou anos afastado de sua família: sua mãe, Leslie (a mãe de verdade de Robbie) e sua irmã, Noelle (Salem Belladonna). Robbie foi fazer cinema em Los Angeles. Quando sua irmã desaparece, Robbie decide retornar para New Jersey para passar um tempo com sua mãe e tentar desvender o desaparecimento de sua irmã. Leslie se torna sonâmbula e caminha pela casa de noite, acreditando que Noelle ainda esteja por ali. Robbie não acredita que Noelle esteja presente e decide entrevistar pessoas da região, até chegar em Keith, um homem solitário e rude que mora na mata e Tinsman road. Robbie realiza um filme com 2 horas de duração, uma narrativa estendida no limite do suportável. Pouca coisa acontece no filme, além da câmera acompanhar Robbie perambulando pelas ruas e fazendo divagações. VEndido como terror, o filme engana com uma suposta trama sobrenatural, que não acontece, e nos 10 minutos finais, investe mais no thriller. No restante, é um filme bem arrastado, que mostra a onipresença de seu diretor, mais interessado em se auto promover.

quarta-feira, 19 de agosto de 2026

The convenience store

"The convenience store", de Jirô Nagae (2026) Terror sobrenatural japonês, "The convenience store" lembra clássicos como "A corrente do mal" e "O grito", que trazem tramas sobre uma maldição que preisa ser passada adiante para que a vítima se livre do Mal e da ameaça da morte. O filme é adapatação do game homônimo criado em 2020. O jogo é um survival game: após receber um Sd card por u período de 4 dias segudos, totalizando 4 cartões, a pessoa, após assistir ao conteúdo, precisa fazer com que a próxima vítima assista os cartoes em um período de 4 dias, caso contrário, a pessoa mais próxima da vítima anterior irá morrer. O filme começa com um prólogo mostrando um homem assassinando sua esposa e seu filho pequeno. Logo depois, uma jovem, Tazuru Yukino , uma estudante universitária, vai trabalhar no turno da noite em uma loja de conveniência. Sozinha, ela cuida do local durante a madrugada. Um homem surge e lhe entrega um pacote, contendo um cartão SD. Ao assistir, ela vê imagens de uma mulher sendo assassinada. Na mesma noite, ela vê uma criança que se revela ser um fantasma. Na noite seguinte, ela recebe outro Sd, e assim, pelo período de 4 noites. Na última noite o gerente da loja é encontrado assassinado no porão. A polícia é acionada, e um detetive tenta desvender o mistério, entrevistando Tzuru, sem saber que ela quer lhe passar a maldição adiante. O filme, mesmo trazendo uma trama para lá de batida, tem uma atmosfera interessante e bons atores. As cenas na loja de conveniência são intrigantes e seguram a atenção do espectador.

A luta

"La lucha", de José Ángel Alayón (2025) Drama escrito por Marina Alberti e dirigido por José Ángel Alayón, "A luta" tem como pano de fundo a tradicional "Luta canária": "é um esporte tradicional originário das Ilhas Canárias, na Espanha, com raízes ancestrais que remontam aos antigos povos aborígenes (Guanches). O objetivo principal é desequilibrar o oponente e fazê-lo tocar o solo com qualquer parte do corpo que não seja a planta dos pés". Concorrendo no Festival de San Sebastian, o filme é uma co-produção Espanha e Colômbia. Na ilha de Fuerteventura, Miguel (Tomasín Padrón) e sua filha Mariana (Yazmina Estupiñán )tentam seguir em frente após a morte de sua esposa, uma perda que deixou os dois à deriva. A luta tradicional é tudo o que eles conhecem: é sua forma de conquistar um lugar no mundo. Mas o corpo de Miguel dá sinais de não ser mais o mesmo, e a raiva de Mariana a leva a romper com as regras. Ambos estão enlutados. Miguel sente o peso da idade em seu corpo. Mariana, jovem e de corpo pequeno, não tem o perfil para a luta. Mas ela quer, e seu pai fica receoso. O elenco é formado por lutadores reais da luta canária. Filmado como narrativa documental, o filme traz belas imagens, com ritmo lento, contemplativo. É um filme que me fez lembrar de "A menina de ouro", de Clint Eastwood, que traz um esporte masculino, onde mulheres também participam, focado na força físiza e na brutalidade.

terça-feira, 18 de agosto de 2026

Truly naked

"Truly naked", de Muriel d'Ansembourg (2026) Concorrendo no Festival de Berlim 2026, "Truly naked" é um drama denso, escrito e dirigido por Muriel d'Ansembourg. O filme é uma co-produção entre Holanda, Bélgica, França e Reino Unido. Os créditos iniciais, trazendo closes no corpo de uma mulher nua toda pintada de dourado, lembra a abertura de "Goldfinger', com James Bond. Mas quando o enquadramento amplia, se revela ser um set de filmagem de um filme pornô. O espectador é apresentado a Dylan (André Howard), um ator pronô decadente, e a sua parceira da cena, Lizzie (Alessa Savage), uma mulher mais jovem, que há tempos tem filmado cenas com Dylan, utilizando elementos bizarros nas cenas de s3x0. Quem filma, dirige e edita é o adolescente Alec (Caolán O'Gorman), que vem a ser filho de Dylan. Órfão de mãe, Alex é um rapaz introvertido, e que desde cedo, entendeu que o relacionamento entre um homem e uma mulher vem através de preceitos de filmes pornôs, voltados apenas aos atos e nenhum envolvimento emocional. Quando os dois precisam se mudar por conta do orçamento apertado, Alec conhece a adolescente Nina (Safiya Benaddi), sua colega de classe na high school. Nina é feminista e acaba criando um laço afetivo com Alec. Mas o rapaz não sabe como se envolver com emoções e sentimentos reais com uma muler. O filme mostra muitas cenas de s3x0 simuladas, mas com o pretexto de chocar o espectador, com nudez total e cenas fetichistas ( uma delas, no final, apresenta um menage envolvendo Dylan, Lizzie e um polvo gigante vivo!!!!) É um filme ousado, corajoso, pervertido, que encontra um elenco disposto a enfrentar situações constrangedoras. O tema discute relacionamentos tóxicos, abusivos, misoginia e principalmente, a masculinidade red pill, na relaçcão pai e filho.

Nada entre los dos

"Nada entre lod dos", de Juan Taratuto (2026) Co-escrito e dirigido por Juan Taratuto, "Nada entre los dos" é uma co-produção Argentina e Uruguai, e foi filmada em Montevideu e Punta del Leste. O filme apresenta dois executivos de uma mesma empresa alimentícia, Guillermo (Gael Garcia Bernal) e Mechi (Natalia Orero). Eles não se conhecem. Ele é do México, ela vem de Buenos Aires. Guillermo é casado e tem um filho adolescente, e vive um relacionamento que caiu na rotina. Mechi está prestes a se divorciar de seu marido, e mantém uma relação difíicl com sua filha adolescente Nesse final de semana onde Guillermo e Mechi participam de reuniões, os dois acabam se apaixonandoe. vivem um romance tórrido, sem culpa nem ressentimentos. Certamente muitos casais irão assistir ao filme e se ver no lugar de seus personagens. A aventura amorosa dos amantes infiéis, não encontra punição nem crise entre os dois personagens. Eles se amam, se entregam e no final, retornam aos seus respectivos. O filme traz melancolia, algum humor e principalmente, um respiro sobr possibilidades de recomeços. Lindas locações, apoiadas em uma fotografia que traz frescor aos rostos de GAel e de Natalia, que estão ótimos em seus personagens. Vale uma adaptação teatral.

segunda-feira, 17 de agosto de 2026

Another world

"Shì Wài", de Tommy Kai Chung Ng (2025) Concorrendo no Festival de animação de Annecy, "Another world" é adaptação do romance da escritora japonesa Naka Saijo Sennenki, " Fantasma do Milênio". Assim como o romance, o filme é dividido em segmentos, caa um composto por um personagem. Inicialmente lançado como curta em 2017, essa versão para longa levou oito anos para ser concluído. O filme me remeteu à outra animação, Soul", da Pixar, e "A viagem", filmes das irmãs Warchowsky. São filmes que tratam do tema da reencarnação e das possibilidades de retornar como uma outra pessoa totalmente diferente. Quando as pessoas morrem, ela vã parar em 'Another world": um mundo governado pela Goddess. Gudo é um guia espiritual, que encaminha as almas perdidas para a reencarnação. Essas almas recém falecidas precisam renunciar aos laços emotivos e afetivos que os prendem ao mundo, e assim, poder desatar os nós que, senão renunciados, podem desenvolver sementes do mal, e se transformar em criaturas chamadas Wraths. Uma vez transformadas em wraths, não podem mais reencarnar. Gudo acompanha 4 almas perdidas, caa um com a sua história trágica: uma princesa que acredita que seu pai foi assassinado; um camponês que lidera seu povo a lutar contra um tirano líder; duas irmãs exploradas em uma fábrica durante a revolução industrial; e uma jovem em busca de seu irmão perdido. O filme não é para crianças: é extremamente violento, e a trama, bastante complexa. Os traços lembramm os desenhos de Hayao Miasaky. O desfecho é emocionante, quando se entende a conexão entre todas as histórias.

Impatience of the Heart

"Ungeduld des Herzens", de Lauro Cress (2025) Co-escrito e dirigido por Lauro Cress, "Impatience of the Heart" é uma adaptação do romance de Stefan Zweig escrito em 1939, "Cuidado com a piedade", e ambientado nos dias de hoje. Eu fiquei feliz que o filme não seguiu por um caminho trágico, já que eu não havia lido o romance, pois logo no início a índole do protagonista Isaac era uma incógnita para mim. O filme ganhou o prêmio de Melhor Longa-Metragem no Festival de Cinema Max Ophüls. Um jovem soldado, Isaac (Giulio Brizzi), filho de imigrantes, serve no batalhão da guarda da Bundeswehr, junto d eoutros soldados. Durante uma farra no boliche, ele decide convidar uma jovem para dançar, Edith (Ladina von Frisching), mas passa por uma situação constrangedora: ela cai no chão por ser cadeirante. ISaac decsobre que ela é filha de um milionário. Envergonhado, Isaac decide no dia seguinte visitá-la em sua mansão. Ele fica sabendo que ela sofreu um acidente de moto e ficou paraplégica. Isaac se aproxima da família e passa boa parte de se tempo com Edith, confortando-a de seus amigos soldados, que praticam bullying, e da própria família de Edith: a irmã mais velha, Ilona, e o pai delas, que agem com super proteção, o que incomoda Edith. O filme tem atuações excelentes do casal principal, e a narrativa vai ficando uma mistura de angústia com alívio.

domingo, 16 de agosto de 2026

How to divorce during the war

"How to divorce during the war", de Andrius Blazevicius (2025) Escrito e dirigido por Andrius Blazevicius, "How to divorce during the war" é o filme selecionado pela Lituânia para uma vaga ao Oscar de filme internacional 2027. O filme ganhou o prêmio de melhor direção no Festival de Sundance 2026. Trazendo um fino humor, esse inusitado drama sobre relacionamentos é ambientado às véspera do início da Guerra da Russia contra a Ucrânia. Trazendo temas como inversão de papéis, desemprego, fracasso profisional, expectativas pessoais e profissionais, "How to divorce during the war" traz diversos pontos de vista no relacionamento d euma família composta de 3 pessoas: Vytas (Marius Repšys), um cineasta desempregado; sua esposa Marija (Žygimantė Elena Jakštaitė) e a filha de 10 anos, Dovile (Amelija Adomaityte). Marija é uma alta executiva de uma empresa de entretenimento que produz videos para a internet. A empresa tem braços com a Russia. Marija está tendo um relacionamento com uma colega de trabalho, Jurate (Indrė Patkauskaitė). Em cris com seu casamento de 12 anos, ela decide se divorciar. Vynis reage mal e desabe emocionalmente. Sem ter o que fazer, ele decide ir morar com os pais, que são simpaizantes pró Rússia. A filha começa a se comportar diferente, e Marija, querendo apoar os ucranianos, hospeda em sua casa uma família ucraniana e se demite do seu emprego, que recebe apoio ruso. Os atores são extraordinários, e a menina tem momentos de alta sensibilidade. Quanto ao casal principal, ha uma cena de discussão dentro do carro, que dura uns 7 minutos, brilhante. Os diálogos são ácidos, a direção contempla planos longos. Mais do que merecido ter recebido o prêmio de direção em Sundance.

The soundman

"The soundman", de Frank Van Passel (2025) Escrito e dirigido por Frank Van Passel, "The soundman" é um drama com toques de realismo fantástico que é ;ivremente inspirado em uma história real. O filme se passa nos dias que antecedem o início da 2a guerra mundial, na Bélgica. Segundo uma cartela do filme, mais de 15 mil belgas foram acusados de serem comunistas e politicamente contrários ao governo, e enviados a campos de concentração. Logo depois, judeus foram enviados, a pedido dos alemãs nazistas. A história se baseia principalmente na vida do avô do diretor Frank Van Passel: o avô era amigo próximo do primeiro artista de Foley da Bélgica. Em maio de 1940, Elza (Femke Vanhove) é uma jovem judia belga, que sonha em ser atriz dos palcos. Enquanto essa oportunidade não chega, ela ganha a vida gravando jingles em rádios, recebendo cachês baixos. Quando surge a oprtunidade de Elza dar voz à personagens de radionovelas, ela conhece o artista de foley e sonoplastia Berre (Jeffe Hellemans). Os dois acabam se apaixonando e se tornam amantes. Berre procura ajudar Elza para que ela fuja para Buens Aires. Ao mesmo tempo, eles se conectam através da busca de Berre por sons específicos que simboliza o amor dos dois. A parte da fantasia me lembrou 'Amelie Poulain", com seus efeitos em estilo vintage, usando Matte paint e recursos anteriores à computação gráfica. É um filme que faz o público torcer pelo casal, mas não é difícil imaginar o desfecho.

sábado, 15 de agosto de 2026

O fim da rua

"The end of Oak street, de David Robert Mitchell (2026) Escrito e dirigido por David Robert Mitchell, diretor do clássico cult "A corrente do mal", "O fim da rua" escapa de ser um filme genérico de dinossauros, um tema já desgastado pela franquia do "Jurassic park", ao retratar temas contemporâneos, como masculinidade fragilizada e relacionamentos desgastados em casais de meia idade. O filme também traz Ewan Macgregor de volta aos blockbusters, depois da longínqua saga de 'Star wars", onde interpretou Obi Wan Kenobi. O filme de passa em 1982, e um bairro de subúrbio chamado Oak street. Ali mora a família Platt: Denise (Anne Hathaway), uma aspirante à escritora; Greg (Ewan Macgregor), desempregado e trabalhando como entregaor de pizza, sem revelar o fato para sua família; e os filhos adolescentes Audrey (Maisey Stella) e Brian (Christian Convery). O casal está em crise e Denise pensa em se divorciar. Porém, uma noite, durante uma tempestade, uma luz branca irrompe na região e no dia seguinte, o bairro inteiro foi transportado para a era pré-histórica, tendo que sobreviver a ataques de dinossauros. Os bichanos demoram a aparecer, lá depois de meia hora de filme. é a oportunidade de se aprofundar nos dramas de cada integrante da família. Mas quem eu torci para não morrer de jeito nenhum, é o cachorro Starbucks, o salvador da pátria. E do roteiro, a deixa de que Greg é entregador de pizza, entrega um final emocionante. Um filme que se passar algum dia na sessão da tarde, virá co cortes nos momentos de carnificina, que são poucos, mas que podem assustar a criançada.

sexta-feira, 14 de agosto de 2026

O grande mestre beberrão

"Da zui xia", de King Hu (1966) Co-escrito e dirigido por King Hu, "O grande mestre beberrão" é um clássico do Ge6enro wuxia de 1968, e que ajudou a popularizar o gênero no mundo. O filme foi selecionado como o representante de Hong Kong na categoria de Melhor Filme Estrangeiro na 39ª edição do Oscar. É também incluído na lista dos "1001 Filmes Que Você Deve Ver Antes de Morrer", editada por Steven Schneider. Muitos críticos afirmam que o filme inspirou "O tigre e o dragao", de Ang Lee, e Kill Bill", de Tarantino, pelo protagonismo feminino e as espetaculares cenas de ação, envolvendo efeitos práticos e coreografia. Quando o filho do governador é sequestrado pelo bandido Tigre de Jade, sua irmã, conhecida como Andorinha dourada, é enviada para resgatá-lo. Ela luta contra os capangas de Tigre de jade, até ser ferida. Ela é salva por um mendigo chamado Gato bêbado, e que ela vai decsobrir, se trata de um mestre Shaolin, Fan da Pei, que quer se vingar da morte de seu Mestre, morto pelo grupo do Tigre de jade. O filme une ação, aventura e bastante humor. Os personagens são bem esquemáticos: os bons e os maus, para ninguém ter dúvidas. Tem cenas absolutamente divertidas e brilhantes, ainda que bizarras, como os jatos de vento que saem das mãos dos mestres, quase que como super heróis.

Antártida

"Antártida", de Bruno Safadi (2026) Filme de abertura do 54o Festival de Gramado, "Antártida" será conhecido do grande público como o filme brasileiro à la Agatha Christie ambientado na Antártida. O filme também trará referências ao público que curte a franquia "Entre facas e segredos". A diferença aqui é que o crime a ser investigado pela Sub-comandante Elisabeth (Andrea Beltrão) vem de um crime hediondo: um 3xtupr0 em plena estação de pesquisa brasileira na Antártida. A roteirista Claudia Jouvin teve a idéia para a história quando leu em 2012 sobre um acidente ocorrido na Estação brasileira na Antártida, quando 2 brasileiros morreram e ficou ferido. Partindo dessa premissa tão diferenciada, Jouvin construiu um suspense no estilo "whodunit" e que envolve um tema muito apropriado para os dias de hoje: misoginia, machismo e violência contra a mulher. Para amantes do terror, é imediata a relação do filme com a obra-prima "O enigma do outro mundo", de John Carpenter. Jouvin se inspirou em 'Alien, o 8o passageiro". São filmes claustrofóbicos ambientados em um espaço confinado. Assim como no filme 'Soundtrack", com Selton Mello, a Antartida foi toda reproduzida em estúdio no Rio de Janeiro. sendo que aqui, foi utilizada tecnologia virtual. Em uma estação brasileira de pesquisa na Antartida, cientistas e militares trabalham em conjunto, isolados do mundo. Eles se preparam para um inverno rigoroso, quando uma nova equipe chega: a cientista Inês (Marina Ruy Barbosa) e Capitão Vicente (Lazaro Ramos). Na base ja estão o Comandante Barros (Antonio Calloni), a sub-comandante Elisabeth (Beltrão), a médica MArina (leandra Leal), entre outros. Durante uma festa, Inês é 3xtupr4ad4a sem que pudesse reconhecer o agressor. Elisabeth decde se unir às mulheres e tentar descobrir o criminoso.Segredos de cada um dos integrantes surgem à tona, tornando o ambiente mais crítico. A parte técnia é o ponto alto do filme: a footgrafia de MAuro Pinheiro jr e a trilha sonora.

quinta-feira, 13 de agosto de 2026

La caja vacia

"La caja vacia", de Claudia Sainte-Luce (2016) Escrito, digirido e protagonizado Claudia Sainte-Luce, "La caja vacia" é um drama mexicano intimista, baseado na história da própria cineasta. Assim como a sua personagem, Jazmin, Claudia se reconciliou com seu pai, após anos de afastamento, devido à demência, tendo que cuidar dele. Jazmin trabalha como garçonete em um café e como administradora de condomínios, em Nova York. Jazmin vive solitária. Um dia, seu pai nascido no Haiti, Toussaint (Jimmy Jean-Louis), já idoso, a procura. Sem dinheiro, ele está com demência vascular. A contragosto, Jamin o acolhe e com dificuldade, precisa aprender a se reconectar com ele. O filme é construído através das memórias de ambos os personagens, e mostra um sub-plot do relacionamento de Jazmin com homens aletórios, para encontros s3xu41s. A fotografia do filme se mantém escura em boa parte do tempo, acentuando a atmosfera sombria e melancólica da história.É um bom filme, mas que traz um ritmo bem lento que pode tornar a tarefa de assistir bem cansativa, dependendo do perfil do espectador.

La gradiva

"La gradiva", de Marine Atlan (2026) Considerado pelos críticos como um dos melhores filmes exibidos no Festival de Cannes 2026, "La gradiva" ganhou o Grand Prix Ami Paris na Mostra Golden camera e concorreu no Queer palm, dedicado a filmes com temática lgbt. O filme é livremente adaptado do romance alemão "Gradiva", escrito por Wilhelm Jensen em 1902. A narrativa e o estilo do filme me lembrou muito o premiado "Entre os muros da escola", de Laurent Cantet, que ganhou a Palma de ouro em 2008. Ambos os filmes apresentam, em linguagem documental e naturalista, a relação entre professores e alunos de escola de ensino médio. OS atores são todos amadores, nenhum profissional e impressiona pela espontaneidade e verdade cm que passam seus drama se conflitos internos, relacionamentos a questões de orientação s3xu4l, amores não correspondidos e futuros incertos na transição da vida adolescente para a dulta. O filme é o longa de estréia na direção da fotógrafa Francesa Marine Atlan, nessa co-produção França e Itália. Filmado em Pompéia e Nápoles Itália, o filme tem 145 minutos de duração. Quem não estiver familizarizado com essa linguagem documental, pode achar tudo bem entediante. O prólogo traz referência ao cinema de Jonas Mekas e Chris Marker ao mostrar imagens congeladas no prólogo. A seguir, acompanhamos uma turma de alunos franceses que chegam para um passeio turístico em Pompéia, para avistar o sítio arqueológico. A professora de latim Madame Mercier (Antonia Buresi) os guia. Entre os alunos, estão Toni (Colas Quignard), o único gay assumido do grupo e apaixonado por James (Mitia Capellier-Audat), que por sua vez, se relaciona com Angela (Hadya Fofana). A rejeição sofrida por Toni afeta outra aluna, Suzanne (Suzanne Gerin), que se considera feia e sem carisma para conquistar ninguém. Toni usa o app grindr para encontros na cidade, enquanto tenta localizar a árvore genealógica d afamília, que começou na Itália.

quarta-feira, 12 de agosto de 2026

Our hero, Balthazar

"Our hero, Balthazar", de Oscar Boyson (2025) Co-escrito e dirigido por Oscar Boyson, produtor de "Good times", dos irmãos Safdie e que aqui estréia na direção. O filme concorreu no Festival de tribeca 2025 e traz um retrato pesismista da geração americana, influenciada por redes sociais, armas, toxidade masculina e incels. Balthazar (Jaeden Martell, o Bill de "It") é um garoto milionário de Nova York. Solitário, Balthazar tem um coach de vida (Noah Centíneo) e uma mãe deslumbrada envolvida com um candidato a senador. Balthazar procura viralizar nas redes sociais com vídeos onde chora por algum tema, falseando emoção. Durante uma demonstração de tiroteio na sua escola, ele procura se aproximar de sua colega de turma, Eleanor, mas ela o rejeita. Durante uma conversa online, ele conhece Salomon (Asa Butterfield), um rapa zpobre do texas, que mora com sua avó e tem um pai tóxico. BAlthazar percebe em Salomon um possível atirador em escola, e decide conhecê-lo, se fazendo passar por uma garota. Balthazar se estusiasma com o encontro, mas ao decsobrir a farsa de Salomon, o ameaça. No entanto, ambos se conectam e se tornam amigos. Salomon ensina Balthazar a dar tiros, o que faz Balthazar se interessar no armamento e no desejo por matar. O filme é vendido como comédia dramática, mas não consegui enxergar humor. O filme é bastante realista na sua proposta e no seu olhar sobre jovens psicopatas ( vide a série 'Adolescência"). O desfecho é cruel e faz sentido, pensando na proposta do diretor Oscar Boyson ao apresentar um mundo brutal e seduzido pelos incels. Os dois jovens atores, Jaeden e Asa, estão excelentes.

terça-feira, 11 de agosto de 2026

The Fall of Sir Douglas Weatherford

"The Fall of Sir Douglas Weatherford", de Sean Robert Dunn (2026) Dirigido por Sean Robert Dunn, esse drama com leves toques de humor inglês faz uma crítica à modernidade que a mídia e redes sociais trazem à regiões históricas ainda preservadas da visita de turistas predadores. Na fictícia cidade de Aberloch, na Escócia, um morador idoso, Kenneth Mackay (Peter Mullan) trabalha como guia turístico. Querendo preservar a imagem de seu ancestral, um filósofo e inventor do século XVIII, Sir Douglas Weatherford, Kenneth o faz motivo da visitação na cidade, chegando a montar um pequeno museu e a interpretá-lo em pequenas cenas para os turistas. Quando uma série de tv decide gravar na cidade, o local logo é tomado poe turistas, interessados no elenco e nas filmagens, mudando a rotina da cidade. Kenneth se torna inóspito, rejeitando a presença da série e de seu astro, Oscar Sorenson (Jakob Oftebro). A população, ao contrário de Kenneth, recebe a filmagem de braços abertos, prevendo lucro. Kenneth é daquelas figuras broncas que já estamos acstumados a ver no cinema, como o personagem de Tom Hanks em "O pior vizinho do mundo". São tipos arrogantes, antipáticos, mas que passam por uma mudança no final de sua tragetória. "The Fall of Sir Douglas Weatherford" é anunciado como comédia dramática, mas achei com um tom melancólico demais, lidando com temas como luto e etarismo, além de abandono e solidão.

ChaO

"ChaO", de Yasuhiro Aoki (2025) Vencedor do prêmio do juri no Festival de animação Annecy 2025, "ChaO" é uma esfuziante produção japonesa, que me lembrou muito de "A pequena sereia". Através da história de amor entre uma sereia e um humano, "ChaO" procura falar sobre amor entre pessoas tão diferentes entre si. A produção levou 7 anos para ser finalizada. A história se passa em Shanghai. O mundo é dividido entre humanos e o povo do mar, representado por sereias e seres do mar. Quando criança, Stephen, filho de pais pescadores, encontrou uma bola contendo um pequeno ser em seu interior, que vem a ser um feto de sereia. Ele cuida dela e promete que estará sempre protegendo-a. Quando seus pais morrem no mar, Stephen se torna uma criança Melancólica. Já adulto, ao lutar no mar contra o Rei tritão, ele é salvo por ChaO, a sereia que ele cuidou quando criança. Ela deseja casar com ele. Stephen, de início, não se empolga. Mas seu chefe, o predidente de uma construtora de navios, vê nesse casamento o momento ideal para unir os dois mundos. A história é complexa, e fico pensando como a criançada absorve o filme. São diversos personagens, tramas paralelas, flashbacks. O filme é bastante colorido e tem uma edição com bastante ritmo.

Diary of a Chambermaid

" Le journal d'une femme de chambre", de Radu Jude (2026) Concorrendo no Festival de Cannes na Mostra quinzena dos realizadores em 2025, "Diary of a chambermaid" é a 2a adaptação do romance homônimo de 1900 de Octave Mirbeau. Luis Bunuel já havia feito a sua versão em 1964. A trama lida com a crise do conflito de classes, e da servidão dos empregados para com os seus empregadores, remetendo à época da escravatura. O filme foi adaptado e dirigido pelo romeno Radu Jude, dos premiados "Má Sorte no Sexo ou no Pornô Acidental", "Não espere muito do fim do mundo" e "Aferim!". É a sua 1a produção filmada e falada em francês. Vendo ao filme, me remeteu imediatamente ao episódio de Walter Salles e Daniela Thomas no filme "Paris, eu te amo": uma jovem imigrante colombiana deixa seu bebê em uma creche, pega o trem para Paris para cuidar do filho de uma família burguesa. Gianina (Ana Dumitrascu) é uma jovem imigrante romena que trabalha para um casal burguês, Marguerite (Mélanie Thierry) e Pierre (Vincent Macaigne). Gianina faz faxina, cozinha e cuida do filho pequeno deles, levando para a ecsla e sendo babá. Gianina deixou sua filha pequena na Romênia, aos cuidados de sua mãe, e envia dinheiro à elas. Por sugestão de sua patroa, Gianina participa de um ensaio de uma peça de teatro, uma adaptação de 'Diario de uma camareira". Na cia teatral, a diretora rabalha com não atores e se possivel, imigrantes. Rady Jude mostra a crueldade de uma família burguesa ao lidar com o seu relacionamento com uma empregada imigrante. Não é o melhor filme de Jude: o filme é arrastado, e as cenas envolvendo os ensaios da peça achei bem cansativas, deveria ter focado no ambiente de trabalho de Gianina.

Night nurse

"Night nurse", de Georgia Bernstein (2026) Escrito e dirigido por Georgia Bernstein, "Night nurse" concorreu no Festival de Sundance 2026. O filme foi alardeado como um retorno aos thrillers eróticos dos anos 90, repletos de mistério, femme fatales, tipo "Instinto selvaem" e "Jade". Nessa incursão de filmes noir, o filme tem autoria feminina: escrito, dirigido e fotografado por mulheres. Uma pena que o protagonismo feminino da história encontre um personagem masculino desagradável, misógeno, repulsivo e malandro. E isso me fez afastar do filme. Em momento algum me senti conectado à história. Um ritmo lento, personagens pouco desenhados, que agem por impulsos, sem explicação. Qual o sentido daquelas enfermeiras se sentirem seduzidas pelo paciente idoso? O filme poderia sre melhor apreiado se fosse lidar com temas sobre relacionamentos tóxicos. Mas isso fica apagado, a partir do momento que em uma clínica para idosos, as jovens e sexies enfermeiras se sentem atraídas por Douglas (Bruce McKenzie). Diagnosticado como demência, na verdade é tudo fachada: ele se aproveita da instituição médica para recrutar enfermeiras ingênuas e aliciaá-las para praticar golpes em idosos, via telefone, alegando que a neta foi sequestrada e para depositarem dinheiro. A protagonisa é Eleni Sadik (Cemre Paksoy), a nova enermeira que cai nas garras do vigarista.

segunda-feira, 10 de agosto de 2026

Babagwa

"Babagwa", de Jason Paul Laxamana (2013) Prêmio de melhor ator coadjuvante para Joey Paras no Festival de cinema de Cinemalaya, "Babagwa" é um drama lgbt sobre golpistas do amor. Greg (Alex Medina). é um fisiculturista que para ganhar dinheiro, se junta à Marney (Joey Paras), uma travesti que gerencia um esquema de golpes de amor, que tem como vítimas, homens e mulheres solitários. Greg entra em seu perfil fake do Facebook, Bam Bonifacio, e seduz as vítimas, para depois exigir dinheiro e sumir. Depois de discutir com Marney por conta de divisão dos ganhos, Greg se apaixona por uma de sua svítimas, Daisy, e decide largar tudo para ir ao seu encontro. O filme traz uma ótima atmosfera da periferia de Manilla, apresentando locações decadentes e personagens que vivem à margem. O elenco está excelente, com destaque total para Joey Paras, interpretando uma travesti cheia de personalidade. O desfecho traz elementos de suspense, e eu de verdade fiquei esperando algo trágico, e não esperava a cena final, diferente do que pensei que iria acontecer.

Lapsus mortal

"Lapsus mortal", de Cristian Bidone e Néstor Napolitano (2020) Co-escrito e dirigido por Néstor Napolitano, "Lapsus mortal" é um thriller psicológico sobre um homem que tem visões e transes que o desnorteiam. Estressado no ambiente de trabalho, Javier tem crises de apagão e quando acorda do transe, descobre que crimes que aconteceram podem estar ligados a ele. Seu médico acredita que traumas do seu passado podem estar relacionados à sua crise mental. Filme longo (quase 2 horas0, atores ruins, roteiro confuso, uma direção que não soube construir tensão e personagens sem carisma. Foi muito difícil acompanhar o filme até o final, ainda mais que traz uma trama bizarra que envolve experimentos nazistas. Uma tentativa de emular "Os meninos do Brasil", sobre o nazista Joseph Mengele, mas que sofre de um tom que não convence.

Redemoinho

"Maelström", de Dennis Villeneuve (2000) 2o longa dirigido pelo cineasta canadense Dennis Villeneuve, "Redemoinho" é um drama com toques de realismo fantástico, e que já trazia traços de estilização e de uma autoria que viriam futuramente em suas obras-primas: "Incêndios", "A chegada", "Blade runner 2049" e "Duna". Vencedor do prêmio Fipreci da Mostra Panorama do Festival de Berlim 2000, o filme já começa de forma inusitada: toda a história que o espectador irá presenciar, será narrada por um atum que está prestes a ser cortado em pedaços por um peixeiro. O filme então apresenta Bibiane Champagne (Marie-Josée Croze), 25 anos. Ela é proprietária de uma rede de butiques que está falindo pela sua má administração. Bibiane acaba de fazer um aborto e para piorar, ela atropela um homem que atravessava a rua de noite: um peixeiro. Bibiane foge do local e no dia seguinte, descobre que ele morreu. Sentindo-se culpada, ela joga seu carro em um rio, mas não morre. Bibiane acredita ser um sinal de decide dar chance à sua vida. É quando conhece Evian (Jean-Nicolas Verreault) e ambos se apaioxnam. Até ela descobrir que ele é filho do homem que ela atropelou. O filme tem a atmosfera dos filmes canadenses dessa virada dos anos 90 ao 2000, como "Amor e restos humanos", de Denys Arcand. são filmes que mostram uma geração na faixa dos 30 frustrada, perdida, desorientada, em narrativas existencialistas.

Burros

"Burros", de Odín Salazar (2011) Escrito e dirigido por Odín Salazar, "Burros" concorreu no Festival de Montreal em 2011. O filme é um retrato dramático pelo ponto de vista de uma criança, baseada na história da família do cineasta. Nos anos 40, em Tierra Caliente, região do estado de Guerrero (sudoeste do México) , mora a família de Lautaro (Abimael Orozco Lemus), 10 anos. Quando o seu pai é assassinado, sua mãe decide enviá-lo para passar 1 ano na casa de sua tia, para que o menino esteja longe da violência. Mas Lautaro se sente rejeitado na nova casa, e decide fugir e retornar para a sua família, fazendo a travessia de barco e deserto sozinho. "Burros" traz um drama emocionante sobre como a violência tem sido uma tônica para a história e a cultura social e econômica no país. Através de traumas que se mantêm por gerações, o filme faz um traçado brutal da consequência das tragédias na vida das famílias e principalmente da scrianças, que precisam lidar com ausências, sem entender o contexto. Crianças que precisam aprender a amadurecer rápidos para poderem sobreviver.