Diário de um Cinéfilo
domingo, 5 de julho de 2026
Dirty, difficult, dangerous
"Dirty, difficult, dangerous", de Wissam Charaf (2022)
Premiado em Veneza, Palm Spring e Hamburgo, "Dirty, difficult and dangerous" é co-escrito e dirigido por Wissam Charaf, cineasta libanês. O filme é co-produzido por França, Itália, Líbano e Catar. A narrativa mistura drama social, romance e realismo fantástico. A história apresenta 2 imigrantes ilegais morando clandestinamente em Beirute: Mehdia (Clara Couturet), uma jovem etíope que trabalha na casa de um casal idoso e trancafiada até poder pagar as despesas de um cafetão que a trouxe da Etiópia. Ela se apaixona pelo refugiado sírio Ahmed (Ziad Jallad), e ambos se encontram às escondidas, para que os patrões de Mehdia não a flagrem. Para sobreviver, Ahmed busca sucatas, e isso faz com que o sue corpo abosrva o metal. Seu corpo vai também se transformando em metal.
A idéia do cineasta Wissam Charat com o filme era apresentar as condições de servidão que os imigrantes sofrem no Líbano, figuras anônimas e rejeitadas pela população. A premissa do filme é instigante, funcionando em boa parte. o contexto do realismo fantástico surge abruptamente, e confesso que não me seduzi muito pela metáfora da perda de humanidade. Mas é um filme bonito, bem filmado e certamente, corajoso e ousado.
Ayúdame a pasar la noche
"Ayúdame a pasar la noche", de José Ramón Chávez (2017)
Melhor filme no Festival de Guadalajara 2017, "Ayudame a pasar la noche" é uma dramédia escrita por Cláudia Sainte-Luce e dirigido por José Ramón Chávez. O filme traz uma família desajustada encabeçada pelo patriarca, Rodrigo (Hernán Mendoza, o pai de “Depois de Lúcia”, de Michel Franco). Ele é casado com a dona de casa Patricia (Elena de Haro) e tem 2 filhos: Luís (Diego Calva) e um pequeno, Carlos (Luis Amaya). Patricia é viciada em jogos de casino e isso desestabiliza a família. Cansado da ausência da esposa em casa, sem cuidar dos afazeres e dos filhos, Rodrigo a expulsa, apesar dos protestos dos filhos. Luís, que junta dinheiro, está para se casar com Natalia (Fernanda Echevarría), mas ela pensa em desistir do relacionamento. Rodrigo, por sua vez, não consegue se comunicar direito com seus filhos, e encontra em um funcionário de uma lanchonete, Giovanni (Armando Espitia), o seu ideal de filho perfeito.
O filme tem performances excelentes de todo o elenco. Elena de Haro me deixou angustiado o filme todo, catalisadora de momentos que me deixaram bem irritado. A personagem, bem defendida pela atriz, se entrega totalmente aos jogos de azar, um retrato trágico e realista de quem não consegue se livrar da jogatina.
Surda
'Sorda, de Eva Libertad (2025)
Co-escrito e dirigido por Eva Libertad, "Surda" foi o ganhador do prêmio melhor filme da Mostra Panorama do Festival de Berlim 2025. O drama espanhol é protagonizado pela irmã da cineasta: Miriam Garlo, atriz que, embora não tenha nascido surda, a perdeu gradualmente devido a uma condição genética familiar. Há alguns anos, o desejo da atriz de engravidar inspirou um curta-metragem que ganhou o Goya. O longa, de mesmo título, é a expansão do curta.
Angela é casada com Hector (Álvaro Cervantes). Ela é surda, e ele, ouvinte. Hector tem a preocupação de se comunicar com Angela através de sinais e conversar para que ela leia seus lábios. Angela está grávida, e apesar da felicidade do casal, ela teme que a criança nasça com surdez. Acaba que a bebê nasce ouvinte, para felicidade de toda a família. Mas o fato de Hector conversar com a filha, faz com que Angela se sinta isolada e passa a se angustiar, temendo que a filha se afaste dela.
O filme é dirigido com muita sensibilidade por Eva Libertad. Em diversas cenas, o espectador se coloca no lugar de Angela, principalmente quando ela tira seu aparelho auditivo e se comunica com outros surdos. O roteiro evita o melodrama, trazendo performances excelentes dos atores, principalmente do casal principal.
Hollywood 90028
" Hollywood 90028", de Christina Hornisher (1973)
Filmado em 1971, "Hollywood 90028" é um grindhouse de terror filmado pela roteirista e cineasta Christina Hornisher. Diversas publicações sobre o papel da mulher no cinema americano a citam como uma rara realizadora que apostou no exploitation, sub-gênero geralmente abraçado por homens, por conta do erotismo e exposição de nudez feminina, objetificadas para um público que consumia esses produtos. O filme foi lançado em poucas salas em 1973 e depois desapareceu. Após a sua exibição no Festival Fantasia em 2024, o filme ganhou status de cult.
Certamente inspirado na obra-prima "A tortura do medo"(peeping Tom), de 1960, "Hollywood 90028"provavelmente inspirou o cult "Henry- retrato de um assassino", onde o assassino se humaniza ao se apaixonar por uma mulher e deixa seu destino em aberto até o desfecho do filme.
A diretora Christina faz uma forte crítica à Hollywood, vista por muita gente como uma Meca dos sonhos, mas pelo olhar da cineasta, um lugar decadente, trágico e desolador.
Mark (Christopher Augustine) veio a Los Angeles em busca de uma cerreira como fotógrafo nos grandes estúdios. Mas tudo o que consegue, é fazer a câmera em filmes pornôs. Ali, ele filma mulheres nuas em cenas de s3x0. Mark é solitário e é na verdade, um estrangulador, que conhece e mata mulheres. Quando ele conhece a atriz Michelle, que tem o sonho de estar em filmes de estúdio, mas para sobreviver, trabalha no pronô, Mark tem a chance de mudar a sua vida, ao se apaixonar por ela.
O filme contém imagens de uma Los Angeles que não existe mais. O famoso letreiro de Hollywood é apresentado como um lugar abandonado e decadente e que qualquer pessoa tem acesso de chegar perto. A cena final, impactante, apresenta uma cena áerea envolvendo um dos personagens. O filme é mais thriller do que terror, até porque as cenas de assassinato não são gore.
Os bastidores do amor
"Le beau rôle", de Victor Rodenbach (2024)
Que filme incrível, emocionante e que exale paixão. Paixão pelo teatro, cinema, pelo atores e pelas diversas formas de expressar o amor pela pessoa que você ama. Protagonizado pelos ótimos William Lebghil como Henri, e Vimala Pons como Nara, "Os bastidores do amor" me fez lembrar muito de "Nasce uma estrela", só que aqui, tendo o personagem masculino como o catalisador da fama e realização profisisonal. Co-escrito e dirigido por Victor Rodenbach, é seu longa de estréia.
Nara é diretora de teatro e possui uma cia teatral. Henri é um ator que trabalha em todas as peças de Nara, e ambos formam um casal apaixonados pelo ofício do teatro. Quando Henri, sem avisar Nora, faz uma audição para um filme, ele acaba ganhando um papel importante. Henri tem receio de falar para Nara, pois estão às vésperas de estrear a nova peça, "Ivanov", onde Henri é o protagonista. Nara reage mal à notícia, mas Henri promete conseguir administrar os 2 trabalhos, já que sempre quiz fazer cinema. Os imprevistos da filmagem fazem com que Henri atrase ou falte alguns ensaios, até que, numa discussão com Nara, ele decide abandonar a peça.
O filme mescla drama, romance e humor de forma equilibrada e apaixonante. Os personagens são carismáticos emuito verdadeiros em seus dramas e ansiedades, qualquer espectador que faça parte desse universo, irá se identificar, principalmente na questão dos ciúmes e inveja profisisonal. A cena final é tão comovente, que me debulhei em lágrimas.
Une urgence ordinaire
"Une urgence ordinaire", de Mohcine Besri (2018)
Drama co-produzido por Marrocos e Suíça, "Une urgence ordinaire" traz um retrato desolador e pesismista de Marrocos: ambientado em Casablanca, o filme se passa quase todo em um hospital, onde pacientes, médicos, enfermeiros e visitantes passam por situaçõe slimites que desafiam o limite da ansiedade, depressão, cansaço e doenças mentais. Histórias ambientadas em hospitais são um prato cheio para roteiristas e diretores desfilarem todo um rosário de tragédias relacionadas geralmente a temas como impossibilidade de pagamento de exames e cirurgias, conflitos familiares e corrpção, além da extensa carga horária de médicos e enfermeiros, quase sempre desfalcados de medicamentos, pessoal e equipamentos para trabalho. Em "Une urgence ordinaire", qualquer espectador já estará familiarizado com as histórias de seus personagens. O que diferencia, é o seu início, que, embora trágico, encontra espaço para humor. E o seu final, que traz elementos de musical e parábola.
O casal Driss e Zahra deixam sua vila de pescadores para levar seu filho de seis anos, Ayoub, ao pronto-socorro do hospital público de Casablanca. Lá, encontram o irmão de Driss, Houcine, um malandro que vendeu a casa do pai deles e fugiu com o dinheiro. Ayoub faz um exae e decsobrem que precisa fazer uma cirurgia de emergência, mas o casal não tem dinheiro. Um médico marroquino que morou por anos em Monteral retornou ao país para cuidar de sua avó e sofre com as más condições do local. Um jovem su1c1d4 sobrevive à tentativa de se matar e relata ao médico que ao descobrir que sua amante na verdade era trans, decidiu acabar com sua vida. A namorada de Houcine está grávida, mas ele quer vender o bebê para um casal de suíços para poder mudar a sua vida.
Os atores do filme são muito bons. O tom é de melancolia e assim como boa parte dos filmes iranianos, o filme avança para caminhos desastrosos e sem esperança. Não recomendado para quem te gatilhos emocionais com o tema.
The world of love
"Segyeui Ju-in", de Yoon Ga-eun (2025)
Escrito e dirigido pela cineasta sul coreana Yoon Ga-eun, "The worlf of love" foi exibido em importantes festivais, como San Francisco, Toronto e BFI Londres. O filme foi um grande sucesso de crítica e público na Coréia do sul e traz um tema bastante polêmico em sua premissa.
A narrativa começa como um filme teen coming of age, com romance, humor e drama acompanhando a adolescente Jooin (Seo, excelente). Ela é divertida, sagaz, namora diversos garotos da escola, é popular e todos querem ser sua amiga. Ela mora com sua mãe, Tae-sun (Jang Hye-jin), professora de jardim de infância, e um irmão pequeno, Hae-in (Lee Jae-hee), que gosta de fazer mágicas. Quando o seu colega de sala, Su-ho (Kim Jeong-sik), apresenta uma petição impedindo que um estuprador de uma aluna de 10 anos saia da prisão, inesperadamente Jooin é a única que se nega a assinar. Ela não concorda com o documento, que afirma que toda vítima de estupro tem a sua vida destruída para sempre e que a impede de ter vida social. Depois de discutir com Su-ho, ambos são levados até à diretoria, e ali, Jooin acaba revelando que ela foi vítima de estupro por parte de um tio, quando era criança. Ela se nega a ser vista como vítima. Ela tem uma forte discussão com sua mãe e mostra a sua mágoa pelo fato da mãe ter dado atenção para crianças que não eram seus filhos, e não conseguia enxergar sinais de que ela não estava bem e que estava sendo abusada.
A atuação dos atores é comovente e existe uma cena que acontece dentro de um carro, em um lava jato, que merecia estar na antologia de grandes atuações do cinema, envolvendo mãe e filha.
Anything that moves
"Anything that moves", de Alex Phillips (2025)
Existem filmes que somente funcionam quando vistos em festivais de cinema na sessão da meia noite, junto de um público ávido para se surpreender com filmes que não seguem uma narrativa clara e famintos por cenas bizarras, non sense, muitas cenas trash e sexo desenfreado.
Pois "Anything that moves" homenageia o cinema grindhouse, o pornô e os giallios dos anos 70. Filmado em película, traz em suas imagens aqueles riscos e defeitos que caracterizam o cinema underground da época. É a receita perfeita para um filme cult: atores amadores, muito sexo mal filmado), mortes trash e um roteiro que mais faz rir do que causar tensão. O resultado final é que "Anything that moves" não é bom, ma stambém não é ruim. É um midnight movie que tem a ua utilidade para entreter uma fatia de público cinéfilo.
Escrito e dirigido por Alex Phillips, "Anything that moves" concorreu em Sitges 2025.
Liam (Hal Baum) trabalha para uma empresa de app de entrega de comida à domicílio, estilo Ifood. Mas a empresa é uma fachada para profissionais de sexo: Liam é um profissional do sexo, assim como a sua namorada Thea (Jiana Nicole). Os clientes variasm de idades, gênero e fetiches. A polícia investiga crimes provocados por um serial killer, e descobrem que os clientes que Liam tem atendido são as vítimas.
quinta-feira, 2 de julho de 2026
Jone, às vezes
"Jone Batzuetan", de Sara Fantova (2025)
Melhor direção em Malaga, "Jone, às vezes" é co-escrito e dirigido pela cineasta espanhola Sara Fantova. O filme é um drama intimista que acompanha a jovem Jone (Olaia Aguayo), órfã de mãe, morado em uma casa em Bilboa com seu pai, Aitor (Josean Bengoetxea) e sua irmã pequena, Marta (Elorri Arrizabalaga). O que mais me impressionou no filme, é o trabalho magnífico de todo o elenco, todos em seu primeiro trabalho como atores. Em registro naturalista, evocam. tantos sentimentos que comovem o espectador. O destaque especial vai para a pequena Elorri Arrizabalaga, espirituosa como a pequena Marta. O filme fala sobre amadurecimento, morte, amor, amizade, memórias.
Durante a semana de festividades de Bilbao, Jone, quetrabalha e se diverte no evento com sua amigas, passa por um turbilhão: seu pai está com Parkinson e ela precisa assumir a responsabilidade de tomar conta dele; ela conhece uma mulher mais velha, Olha (Ainhoa Artetxe), moradora de Madri e que está em Bilboa para a festividade e para trabalhar. Ambas vivem um romance de verão que irá deixar Jone em grande conflito: cuidar de seu pai, ou viver um grande amor?
A câmera acompanha Jone em todo o filme, dividindo a sua viv6encia com memórias de infância, quando vivia com seus pais. O filme trabalha com sensações de melancolia e perda. As cenas de Jone com seu pai aliam humor e drama, como por exemplo, a cena onde ele estende as roupas no varal e todas caem na rua. Uma cena emocionante é quando Jone testemunha o pai sendo cuidado por uma funcionária de uma loja, sem querer que as filhas o vejam naquele estado. A cena final, na sessão de terapia do hospital, é brutal pelo seu realismo, sem fachadas: a certeza da finituda da vida, e do peso que pessoas doentes trazem aos parentes.
Um poeta
"Un poet", de Simón Mesa Soto (2025)
Existem filmes tão extraordinários, que me comovem por tantos motivos, e fico pensando que é uma pena enorme o filme não atingir um número maior de público. "Um poeta", uma dramédia melancólica escrita e dirigida pelo colombiano Simón Mesa Soto ( do igualmente soberbo 'Amparo") venceu o grande pr6emio do juri na Mostra un certian regard do Festival de Cannes 2025. Foi o representante do país para uma vaga ao Oscar 2026, e uma pena que não esteve entre os 5 finalistas. Tudo no filme é digno de nota máxima: o roteiro, a direção e o elenco, encantador em suas tragédias e sorrisos pequenos. Não tem um ator ou atriz que não tenha me commovido: o protagonista, sua mãe, sua filha, sua aluna, os irmãos do protagonista, os professores da escola. É uma aula de atuação naturalista, tão repleta de camadas, de subtexto, unidos na tragédia da pobreza, da depressão, da felicidade parca, da corrupção, do vislumbre, do encantamento. e para culimnar, o filme termina com a linda "Corazón de poeta", de Jeanette.
Oscar Restrepo (Ubeimar Rios) foi um poeta promissor e talentoso na sua juventude. Mas quando sua filha nasceu, o peso da paternidade e da responsabilidade desabou sobre ele. Os anos se passaram: desempregado, alcóolatra, divorciado, isolado e sem amigos. Oscar mora com sua mãe, uma idosa doente. Os irmãos de Oscar o repreendem por ser uma perdedor. A filha de Oscar, Daniela (Allison Correa), mora com sua mãe e evita se aproximar de seu pai, que ela culpa por abandoná-la. A irmã de Oscar , Yolanda, procura mais uma vez ajudar Oscar e lhe oferece um emprego como professor de alunos de ensino médio. Ali, ele descobre o talento de Yurlady (Rebeca Andrade): uma adolescente que moa com sua família numerosa e pobre. Ela escreve poemas para desabafar a sua melancolia. Oscar se identifica imediatamente com os poemas dela e decide ajudá-la, inscrevendo a jovem em um concurso de poema.
Esse é daqueles filmes que você se apaixona pelo protagonista. Um loser que procura melhorar a sua vida, mas tudo vai dando errado. O trabalho excepcional do ator Ubeimar Rios me deixou encantand, com sua construção física e psicológica.
quarta-feira, 1 de julho de 2026
Minions e monstros
"Minions and monsters", de Pierre Coffin e Patrick Delage (2026)
Iniciada em 2010, com "Meu malvado favorito", os personagens dos Minions completam 16 anos e participação em 7 longas. É uma marca bilionária da Universal. Eu nunca fui muito fã dos seres amarelos, apesar de achar fofa a forma como falam. Mas tenho que tirar o chapéu: "Minions e monstros" é um presente para nós cinéfilos. Se a criançada vai gostar tanto como os marmanjos, não saberei dizer. O filme é um hino de amor à sétima arte, homenageando artistas e filmes clássicos de velha Hollywood, um saudosismo que vem na contramão da revolução tecnológica no audiovisual. "Tempos modernos", "Cidadão Kane", "Cantando na chuva", "King Kong", "Os cacá fantasmas", "O grande ditador", "Luzes da cidade", "Babilônia", de Damien Chazelle, "O dia em que a terra parou", além de Chaplin, Harold Lloyd, Buster Keaton. Até os keystone cops, aqueles policias clássicos dos filmes de Chaplin, estão presentes. Os irmãos gêmeos produtores de cinema, Frank e Elwood, têm a fisionomia de Oliver Hardy, o gordo da dupla o gordo e o magro. No elenco de vozes, estão Christopher Waltz, Jesse Eisemberg, Allison Janney, o cineasta George Lucas ( em uma cena divertida), Jeff Bridges, Zoey Deutch e Pierre Coffin, o diretor do filme e que faz as vozes dos Minions.
Os Minions percorrem séculos em busca de um vilão para servirem como serviçais. Ao chegarem na Hollywood dos anos 20, eles se envolvem com a indústria do cinema. A dupla Harry e James, os desajustados do grupo dos Minions, se separam do grupo, junto de Ed, e libertam cristuras monstruosas para que Henry possa dirigir o seu filme. O restante dos Minions encontra Dort, um robô que veio de outro planeta e que se apaixona por uma humana.
Band on the run
"Band on the run", de Jeff Hupp (2025)
Co-escrito e dirigido por Jeff Hupp, "Band on the run" é o típico road movie que irá trazer momentos de drama, humor e emoção. Protagonizado por um elenco masculino, a história traz uma relação conflituosa entre o jovem Jessie (Matt Perl) e o seu pai Thomas (Larry Bagby). Ambientado em 1999, no auge da cultura grunge, o filme se passa em Detoit, Michigan. Jessie e um publicitário que constantemente é desrespeitado no seu trabalho. O seu sonho é poder tocar no Festival South of Southwest em Austin com a sua banda de garagem Hot freaks, que mantém com seus amigos Max (Daniel Blair) e Cody (Dylan Randazzo). Seu pai é cadeirante por conta de uma doença e vive dizendo a Jessie que a vida é uma merda. Quando Jessie recebe um convite para se apresnetar com sua banda no festival, ele decide alugar uma van e partir com a galera pela estrada. O pai de Jessie, o ranzinza Thomas, pede para ir junto, e contra a sua vontade, Jessie permite.
O espectador já sabe tudo o que irá acontecer, e claro, durante o percurso na estrada, pai e filho irão se unir em suas fraquezas e se reinventarem. O elenco todo é excelente, os diálogos são divertidos e também intercalam bem com o drama. O final, como não poderia de ser nesse tipo de filme, traz emoção.
Jackass: Best and Last
"Jackass: Best and Last", de Jeff Tremaine (2026)
"Jackass" virou um grande fenômeno da tv e posteriormente, copiado ad infinitum por seguidores e influencers. O programa estreou na MTV em outubro de 2000 a agosto de 2001. Criado por Johnny Knoxville, Jeff Tremaine e Spike Jonze. Jackass criou muita controvérsia. Seus participantes participavam de sketches aonde protagonizavam situações escatológicas, humilhantes e de audo mutilações envolvendo armas, choques e outros apetrechos. "Jackass: best and last" é alardeado como sendo o último filme da trupe, comandada por John Knoxville. Nesses 26 anos de franquia para o cinema e tv, alguns integrantes já faleceram, teve a expulsão de Bam Margera por consumo de drogas. O filme traz um compilado de sketches mais controversos e famosos, como a do integrante que fica preso em um banheiro químico repleto de fezes; John Knoxville dando um tiro em si mesmo com a barriga coberta por livros. Existe material inédito também, com a trupe antiga aliada a novos integrantes. São sketches menos de exaustão física , e sim, escatológicas ou de choques elétricos. Para quem gosta desse tipo de entretenimento sádico, o filme une nostalgia e boas risadas. No fundo, talvez a grande mensagem seja sobre respeitar o próprio corpo e entender que o tempo é sábio e o corpo humano tem os seus limites. No caso da trupe, copos que já foram bastante maltratados.
terça-feira, 30 de junho de 2026
Tônia, a Diva no espelho
"Tônia, a Diva no espelho", de Andre Hawk (2021)
A atriz e cantora brasileira Lana Rhodes tem uma longa trajetória em Tv e no teatro. No cinema, já participou de produções premiadas, como "Canastra suja", de Caio Soh. Durante a pandemia, Lana estava fazendo uma oficina online de interpretação com Guilherme Gonzalez e decidiram expandir a pesquisa que estavam fazendo. O Resultado, é um monólogo em formato audiovisual, dirigido por Andre Hawk e com roteiro de Guilherme Gonzalez. A bela fotografia é de Rodrigo Ocampo, totalmente filmado em estúdio, estilizando cenários de Ruslan Alastair que percorrem décadas da vida da grande atriz Tônia Carrero. A caracterização ficou a cargo do mestre das composições Fernando Torquatto. Para somar ao time de talentos, a trilha sonora foi composta por Edgar Duvivier.
Lana se entrega em uma performance teatralizada dando depoimentos em primeira pessoa. Tonia sempre foi elogiada pela sua beleza, e essa objetificação do ideal estético a perseguiu durante boa parte de sua vida. Tonia decidiu não se basear somente em sua fotogenia, e por isso, investiu em teatro, criando uma companhia teatral com o seu amigo Paulo Autran. Conhecida pelo grande público por participações em novelas, principalmente 'Água viva", Tonia casou-se 3 vezes: Carlos Thiré, com quem teve Cecil Thiré, seu único filho; Adolfo Celli e César Thedim. No filme, Tonia conversa sobre seus relacionamentos e como nunca deixou de fazer algo que viesse em mente. Atriz e ativista, Tônia abriu caminho para que muitas artistas refletissem sobre o papel da Mulher nas artes e na sociedade.
Past life
"Past life", de Simeon Halligan (2026)
Co-escrito e dirigido por Simeon Halligan, "Past life" é um thriller de suspense inglês, rodado em Manchester. O filme tem uma trama instigante e repleta de plot twists, que me fez lembrar dos bons tempos de Brian de Palma.
Jason ( Aneurin Barnard) é um jornalista de guerra que sofre de transtorno de stress pós traumático. Há 6 anos atrás, ele e uma colega jornalista foram feitos reféns na Síria. Ele testemunhou a sua colega ser degolada. Desde então, ele vive com pesadelos. Jason é casado com a enfermeira Clairy ((Pixie Lott)), que está grávida. Ao assistirem a uma apresentação do hipnotizador Timothy Bevan (Jeremy Piven), Jason se voluntaria para ser sua cobaia no palco. A hipnose deflagra em Jason um transe, onde ele se vê no ponto de vista de um serial killer que assassinou diveras mulheres nos anos 80. Junto de Timothy, Jason procura desvender a identidade do assassino, através da hipnose, antes que ele faça mais vítimas. Ou se o assassino encarnou em Jason.
O filme é correto e funciona bem dentro de sua premissa sedutora. O elenco é bom, e a direção de Simeon mantém o interesse do espectador durante o filme. Eu fiquei intrigado com o final, obviamente com plot twist. O que poderia ter sido melhor, são as cenas de flashback, que parecem ter sido filmadas por um outro diretor, pois pareciam mais amadoras.
The get out
"The get out", de Derrick Borte (2026)
Co-escrito e dirigido por Derrick Borte, "The get out" e uma co-produção entre o Reino unido e a Australia. O filme é ambientado em los Angeles, mas foi rodado na Austrália. O que chama a atenção no filme, é o trio de atores principais: Russel Crowe, Aaron Paul ( de "Breaking bad") e Luke Evans. Três grandes astros de ação em uma história que envolve ação, thriller, policial e drama. O filme é vendido também como contendo elementos de humor. Dá para perceber que tem cenas que deveriam ter sido mais divertidas, mas ficaram sem timing. Russel Crowe já havia trabalhado com o diretor Derrick Borte em "Unhinged", thriller de suspense onde Crowe interpreta um motorista psicopata. O filme é composto de várias histórias que se entrecruzan. A referência direta são os filmes de Tarantino, principalmente "Kill Bill" e "Pulp fiction".
Crowe é Manco, um imigrande albanês que administra uma famosa e bombada boite em Los Angeles. Ele é casado com a jovem Sunny (Teresa PAlmer). A balada na verdade, é fachada para lavagem de dinheiro de um cartel mexicano. Aaron Paul é Jeff, um professor univertário que pratica assaltos. Ele é desmascarado pela caixa de um banco, Carrie (Nina Dobrev), que é fã de filmes de ação e também quer participar dos assaltos. Macon recebe a proposta de venda boite de um homem misterioso, Joe (Luke Evans). Quando Macon é assaltado por Jeff, ele decide ir atrás do mandante do crime.
O filme é baseado no romance "Strip", de Thomas Perry, lançado em 2010. não li o livro, mas o roteiro do filme é bastante confuso, com muitos personagens e sub-plots que me distraíram. A comédia não funciona, focando mais na ção e no thriller policial. Falta mais ritmo e o persnagem de Crowe, que é o esqueleto do filme, não é seduziu a ponto de torcer por ele.
segunda-feira, 29 de junho de 2026
Mean boys
"Mean boys", de Alexander Justin Gonzales (2025)
Prêmio de Melhor Longa-Metragem LGBTQ no Festival de Cinema de Los Angeles de 2025, o filme "Mean boys" me parecia, pelo título e pelo poster, uma sátira de "Mean girls", mas com elenco queer. Mas me enganei. O filme não é comédia, nem musical, e nem é divertido. Pior, o nível de sensualiadde e erotismo do filme é zero. isso sem falar do casting, totalmente sem carisma ou outros atrativos que sejam para no mínimo, manter o interesse do espectador (para os voyeurs).
Ira Scholsberg (Ryan Wayne) é um estudante da Archer High, em Los Angeles. Seu desejo é fazer parte de um grupo de 4 atletas populares da escola, mas ele so ignoram. Durante uma brincadeira entre os 4 amigos, um deles acaba morrendo acidentalmente. Ira testemunha os rapaze sencobrindo o crime, e passa a chantageá-los.
O roteiro do filme mistura tantos sub-plots que eu acabei me perdendo. Tem desde festa d efentamil, onde a garotada segue para se drogar, tem também um pai abusivo e homofóbico, tem os rapazes bissexuais que ao mesmo tempo que se pegam, pegam também as garotas da escola..mas o pior está reservado para os últimos 4 minutos, como se fosse um desejo de querer ser M. Night Shyamalan: é algo totalmente sem sentido e aleatório. O elenco é composto por atores mais velhos do que os personagens, que aind afrequentam a High school.
Fúria quebrada
"Broken rage", de Takeshi Kitano (2024)
Exibido no Festival de Veneza, "Fúria quebrada" é o 21o longa do roteirista, cineasta e ator japonês Takeshi Kitano. Diretor das obras primas "Hana bi- fogos de artifício", "Sonatine" e "Dolls", Takeshi quase sempre protagoniza os seus filmes, em sua maioria, ambientado no universo dos Yakuzas, samurais ou de policiais corruptos. O filme traz uma narrativa curiosa e que surpreendeu ao público e crítica. Já algum tempo experimentando histórias que beiram o surreal e bizarro ( como em "Glória a um cineasta", Kitano conta uma mesma história de 2 formas diferentes: na primeira, como um thriller de Yakuza, repleto de violência. A 2a versão, é uma comédia pastelão. são os mesmos personagens e mesma história, mas com gêneros diferentes. O resultado final é bastante positivo, uma brincadeira cinéfila para espectadores ávidos por narrativas originais (Woody Allen já havia experimentado em "Melinda e Melinda" narrar 2 versões diferentes de uma personagem, mas as histórias não são idênticas: uma como drama, a outra como comédia).
Rat (Kitano) é um assassino de aluguel idoso, que recebe as tarefas dentro de um restaurante. Quando vai executar um crime dentro de uma casa de banho, ele é preso por uma dupla de polciaiis que o chantageiam: ou ele se infiltra como guarda costas de um Yakuza para poderem prendê-lo em uma armadilha, ou ele ficará preso por toda a vida na cadeia.
Takeshi Kitano encontrou a sua glória em filmes dos anos 90 e início dos 2000, mas nunca mais conseguiu seduzir a crítica ou público com os seus filmes. Mesmo menores, são filmes feitos com um olhar cinéfilo, com exageros nas atuações e na violência, mas variando entre o humor ácido e a frieza de seus personagens.
Amor e desamor
"Amor e desamor", de Gerson Tavares (1966)
Um grande filme brasileiro que infelizmente não encontrou a projeção que merecia. Digno representante do cinema existencialista dos anos 60, que já trouxeram grandes obras, como "Noite vazia", de Walter Hugo Khouri, "Copacabana me engana", de Antonio Carlos Fontoura e "São Paulo S.A", de Luiz Person. O filme, rodado em belo preto e branco pelo mestre Hélio Silva ( de "Meu pé de laranja lima" e "O amuleto de Ogum"), tem a trilha sonora angustiante de Rogério Duprat ( de Ä marvada carne" e "Anjos da noite"). Influenciado pelo cinema de Ingmar Bergman e Antonioni, "Amor e desamor" poussi apenas 3 atores em seu elenco: Leonardo Villar (já um grande astro, após os sucessos de "O pagador de promessas'e "A hora e a vez de Augusto Matraga"), Lena Krespi e Betty Faria. Todos em excelente registro de atuação contida, minimalista.
O filme se passa em Brasília, já um símbolo de isolamento e solidão para os cineastas. Um arquiteto e professor universitário, Alberto, está desiludido após o rompimento de sua relação com Selma (Betty Faria), a mulher que ele amou, mas que não conseguiu manter o relacionamento após o desejo dela em ser mãe. Alberto encontra Norma (Krespi), casada com Henrique, um casal de amigos. Quando Henrique viaja, Norma e ALberto decidem se encontrar. Ele a leva até a sua casa e lá eles discutem suas vidas vazias, até que passar a noite juntos fazendo s3x0. No dia seguinte, Alberto corteja Norma para que se vejam novamente.
Um filme maduro, que renderia uma excelente peça de teatro com 3 atores. Mesmo com quase 60 anos de realiação, é um filme ainda contemporâneo sobre melancolia, casamentos sem vida, amores não contemplados.
La mort n'existe pas
"La mort n'existe pas", de Félix Dufour-Laperrière (2025)
Escrito e dirigido pelo animador canadense Félix Dufour-Laperrière,"La mort n'existe pas" concorreu em Cannes na quinzenda dos realizadores e também no Festival de Annecy. Co-produzido por França e Canadá, o filme traz uma narrativa que une o experimentalismo, com muitas imagens simbólicas, a coeçar pelos traços dos personagens: enquanto a natureza tem cores, os humanos são retratados sem cor.
Um grupo de jovens ativistas ecológicos decide usar da violência e radicalismo contra uma família de poderosos, que detêm todas as terras da cidade. Helene, sua amiga Manon, o namorado de Helene, Marc e outros amigos invadem a mansão da família. Ao ver os integrantes matando e sendo mortos, Helene fica sme reação, e acaba fugindo para a floresta. Ali, ela é confrontada pelos fantasmas de Manon, de integrantes da família rica e de sua própria versão mais velha sobre o ocorrido e sobre uma possibilidade de uma segunda chance.
O filme tem uma linguagem complexa e aberta a muitas interpretações. O filme apresenta os dois lados da batalha: ambos usam da violência extrema como a soluçao para o confronto. E no final, é a própria natureza que dá as caras. Um filme bonito, metafórico, mas não é para se assistir em qualquer mood.
The kids
"The kids", de Danny Blanco (2026)
Escrito e dirigido por Danny Blanco, "The kids" é um drama criminal indie totalmente rodado no Texas, onde existe uma enorme concentração de comunidade latina. Enzo é um adolescente que testemunha a sua irmã mais velha apanhando do cunhado. Ele decide se vingar e maa o cunhado a socos. Enzo é preso e passa 10 anos preso. Já adulto (Adam Hernandez) sai da prisão. Marcus, seu primo, o alicia para que ele integre uma gangue de traficantes e viciados em drogas. Enzo se envolve com assaltos e assassinatos, e entra em grande conflito moral. Enquanto isso, policiais estão em seu encalço.
Um filme rodado de forma bem crua pelo cineasta Danny Blanco, "The kids" é prejudicado por uma escolha de elenco formada por atores bons e alguns bem fracos e amadores, em papéis importantes. O roteiro é bem clássico, motrando crime e castigo e um desejo de reiniciar a vida.
domingo, 28 de junho de 2026
Fome fatal
"Hungry", de James Nunn (2026)
O mundo animal praticamente já foi quase todo utilizado para os filmes de sobrevivência. Vistos como predadores ou perigo da natureza se voltando contra o ser humano, já vimos filmes com tubarões, baleias e orcas assassinas, cobras, anacondas, ursos, abelhas, jacarés, piranhas e toda uma sorte de animais. A novidade agora sõ os hipopótamos, que verdade seja dita, desde criança eu achava fofos. Quando soube que iriam lançar o filme, pensei de que forma eles seriam apresnetados como animais assassinos.
Em uma matéria, li que o filme, escrito e dirigido por James Nunn, foi livremente inspirado no jogo Hungru hungru hippos, enquanto uma outra matéria desmentia e dizia ser inspirada em história real. Seja qual for a inspiração, mais do que os animais rechonchudos, o que mais me chamou atenção, é que filmes catástrofes beirando o trash, viraram aposentadoria de atores outrora consagrados e premiados. Como se diz no meio artístico, "pagando bem que mal tem", já que todos têm boletos para pagar, a bola da vez é o ator português Joaquim de Almeida, um dos maiores astros de Portugal. Assim como Selton Mello em "Anaconda", ele faz o papel do administrador de uma pequena empresa local de turismo, localizado em Nova Orleans.Um grupo de turistas quer fazer o passeio para encontrar jacarés e acabam dando de cara com hippos assassinos.
O filme não cheg aa ser ruim e trash como a grande maioria. Existe uma mínima preocupação com fotografia e direção que é correta. O que pesa contra é seu roteiro esquemático repleto de tipos óbvios. O CGI do hipopótamo é convincente. O desfecho é ridículo.
Darkroom
"Darkroom: Tödliche Tropfen", de Rosa Von Praunheim (2019)
Cinebiografia do serial killer Dirk P, que assassinou 3 homossexuais em darkrooms de Berlin entre 2010 a 2012.
O alemão Rosa Von Praunheim é um dos mais importantes cineastas ativistas do movimento Queer, tendo realizado mais de 150 filmes, entre curtas e longas, desde os anos 70. Agora, ele conta a história de Dirk P desde sua infância até o momento do seu julgamento pelos crimes. No filme, o personagem tem o nome fictício de Lars Schmieg. Criado pela sua avó milionária, Lars cresceu como um garoto mimado. Desde cedo descobriu sua homossexualidade, mas escondia de sua avo, que era bastante conservadora. Já adulto, trabalhando em um bar, ele conhece Roland, um cantor performático. Ambos se apaixonam. A avó de Lars flagra os dois na cama e o expulsa de casa. Roland convida Lars para ir morar com ele em Berlin. Lars rouba dinheiro de sua avó e compra um apartamento. Durante os seis anos de relação, Roland mantinha um relacionamento aberto, se permitindo ter outros casos, mesmo contra a vontade de Lars. Lars resolve sair pela noite e ao frequentar uma área de pegação, conhece um rapaz que o apresenta a uma droga sintética, e que na verdade, é desinfetante que produz um efeito afrodisíaco. Lars descobre que se misturado ao álcool, a droga pode matar. Narcisista e com sede de poder e de dominação, Lars resolve usar a droga para matar as pessoas.
Diferente dos outros filmes de Praunheim, em 'Darkroom" não há cenas de sexo explicito, uma de suas marcas registradas. Para contar a sua história, Praunheim encaretou e a narra de forma didática. A edição mistura os tempos, tornando o filme confuso. As performances variam entre o caricato e o exagero, o que prejudica bastante o acompanhamento da história. Conceitualmente, o filme varia entre o realismo e o artificialismo teatral.
sábado, 27 de junho de 2026
Finding Emily
"Finding Emily", de Alicia MacDonald (2026)
Uma comédia romântica que começa na primeira cena tocando "Blue monday' do New Order não tem como ser ruim, verdade? Sim, verdade. 'Finding Emily", escrito por Rachel Hirons e dirigido por Alicia MacDonald, é uma c-produção Reino Unido e Estados Unidos, rodado em Manchester, Inglaterra. O elenco é formado por um time divertido e talentoso de jovens atores ingleses e americanos, encabeçado por Spike Fearn ( de "Alien, Romulos") e Angourie Rice. Minnie Driver faz uma participação no filme como a melhor amiga de Emily (Rice).
Owen (Fearn) é um jovem músico que trabalha como técnico de som no bar da associação estudantil de uma universidade em Manchester. Em uma noite de trabalho, ele conhece uma jovem estudante, Emily (Sadie Soverall), que ele acredita ser a garota de seus sonhos. Ela acaba tendo que ir embora e deixa com ele um bilhete com o número de seu telefone. Acontece que falta um número. Owen decide ir até a Universidade, mas descobre que existem 318 Emilys no local. Frustrado, ele acaba conhecendo uma das Emily (Angourie Rice). Ela é uma estudante americana e está escrevendo uma tese sobre como o amor enlouquece as pessoas. Sem avisar a OWen sobre sua pesquisa, ela o usa como cobaia e decide ajudá-lo a procurar a verdadeira Emily.
O filme é absolutamente previsível desde o primeiro miniuto, e todo mundo já sabe como irá terminar. Mas é gostoso de assistir, por ser um sessão da tarfe fofo, com trilha repleta de música pop (Imagina, tem até "Call me maybe") e cenas divertidas auxiliadas por personagens de apoio carismáticos.
sexta-feira, 26 de junho de 2026
Slanted
"Slanted", de Amy Wang (2025)
Vencedor do premio de juri do SXSW, "Slanted" é escrito e dirigido por Amy Chang, cineasta sino-americana. O filme segue a tradição de body horror lançado por realizadoras, como 'A substância", "Insaciável" e "Grave". Os temas do filme falam sobre xenofobia e apagamento cultural.
Joan Huang (Shirley Chen quando adolescente) é filha de um casal de imigrantes chineses que vieram aos Estados Unidos começar vida nova. Desde criança, Joan se sente deslocada por ter um rosto que a identifica como não americana e não branca. Ela se sente rejeitada. Seu sonho é ser eleita a Rainha da formatura.
Já aos 17 anos, ela recebe mensagem de uma empresa chamada Ethnos. Ao chegar lá, ela descobre que eles fazem um procedimento estético permanente que transforma qualquer não branco, em branco americano. Joan mente para seus pais e falsifica a ssinatura, por ser menor de idade. Já com o rosto refeito (a atriz Mckenna Grace), Joan é recebida com animosidade pelos pais, que a criticam por apagarem a cultura asiática e não a reconhecem como filha. Na high school, ela ganha a simpatia e amizade de Olivia, a it girl da escola. Por outro lado, as suas melhores amigas são colocadas de lado, pro serem negras e indianas.
A história já é bem batida, e essa abosessão por pertencimento não traz muitas novidades. O tema do body horror e transformation, vista também recentemente na série de Ryan Murphy, 'The beauty", sempre vem com um castigo, uma punição pela busca da beleza ideal. O que merece aplusos, é o excelente trabalho do elenco: os pais de Joan são muito bons, carismáticos e repeltos de camadas, e o elenco jovem.
50 (o Dos ballenas se encuentran en la playa)
"50 (o Dos ballenas se encuentran en la playa)", de Jorge Cuchi (2020)
Não tem como indicar esse drama mexicano. Por mais que os dois jovens atores protagonistas excelentes, é um filme que provocou muita polêmica onde foi exibido. Na mídia, os críticos deixam clara a mensagem do filme: a romantização da morte e do su1c1d10. Através de 2 jovens que se conhecem através do jogo virtual da b4l314, eles cumprem todas as 50 tarefas, sendo que a última, é o su1c1d10. Essa é a forma que eles encontram paz no relacionamento possível deles: em um undo idealizado que o filme apresneta, onde ele spodem se amar, ao lado de baleias encalhadas. É um filme perigoso, que pode certamente acender gatilhos emotivos.
O jogo virtual da b4l314 azul surgiu nas redes em 2017, vinda de criadores russos. Através de 50 tarefas, os jovens cometem su1c1d10 na última delas. Foram muitas as vítimas. O filme começa na tarefa 45 (partindo do pressuposto que os 2 protagonistas já realizaram as anteriores, pois sí segue para a tarefa seguinte após enviar ao administrador fotos ou vídeos que comprovem as tarefas diárias. Félix (José Antonio Toledano) e Elisa (Karla Coronado) se conhecem a partir da tarefa 45. Ambos moram com pais com quem não se comunicam mais. Anti sociais, os dois se conectam em suas tragédias emotivas e se apaixonam. Mas entendem que o amor só será consumido após o pacto fatal.
O filme não mostra o rosto dos adultos. A exceção é natarefa 49, resposável por uma das sequências mais chocantes que assisti nos últimos anos, tal a violência e brutalidade. A narrativa eventualmente divide a tela em 2, para mostrar o que ambos estão fazendo como atividade paralela. O cinema mexicano é frio e cruel em narratovas extremas, como nos cinemas de Michel Franco, Carlos Reygadas, Amat Escalante. Jorge Cuchi vai na tradição do choque, de deixar o público sem fôlego.
Der fan
"Der fan", de Eckhart Schmidt (1982)
o cinema alemão nunca teve medo de ser extreme ou chocante. Que o digam os filmes do início dos anos 80 produzidos pelo país. Ainda vivendo a divisão do Muro de Berlim, a Alemanha ocidental produziu dois filmes cultuados que retratam uma juventude perdida e sem futuro. Obcecados por amor, se entregam a drogas, s3x0 e uma vida hedonista. Em "Eu, Cristina F", de 1981, o cinema parecia encontrar a sua forma mais visceral e depressiva para retratar a geração. Um ano depois, surge 'Der fan", escrito e dirigido por Eckhart Schmidt. Um dos loglines que foram utilizados pela mídia foi "Uma história de amor c4n1b1l".
Em performance arrebatadora de Désirée Nosbusch, no papel da adolescente Simone, conhecemos o lado obsessivo de fãs de cantores pop. Simone parou de comer, de etsudar, de conversar com seus pais. A sua rotina se define em escrever cartaz nunca respondidas para o jovem cantor pop R (Bodo Staiger). Quando ela descobre que ele vem para um show, ela foge de casa e pega caron,a onde quase é3xtupr4d4 pelo motorista. não satisfeta, ela acaba se deparando com o cantor e desmaia na sua frente. Ele concede atenção à ela e no final do esanio, a leva até seu apartamento secreto, onde faz s3x0 com ela. No dia seguinte, R diz que precisa ir embora para continuar a torur. Simone reage mal ao abandono e o mata.
A obsessão da jovem é tanto, que ela parte para o c4anib4al1sm0 como forma de manter o seu objeto de desejo para sempre com ela. É um filme quase todo narrado em off por Simone, refletindo o seu pensamento destrutivo e paranoico. Dificlmente esse filme seria feito nos dias de hoje, até porque a atriz era menor na época e participa de cenas que hoje seriam proibidas.
quarta-feira, 24 de junho de 2026
O afinador
"Tuner", de Daniel Roher (20260
Dirigido e co-escrito por Daniel Roher, "O afinador" concorreu em Sundance e foi exibido no Festival de Toronto. O diretor ganhou em 2022 o Oscar de melhor documentário por "Navalny". "O afinador" é o primeiro longa de ficação de Roher, que escalou dois grandes astros para o seu filme, em pequenas participações: Dustin Hoffman e Jean Reno. O protagonista é Niki White (Leo Woodwall), um jovem que nasecu com uma condição auditiva rara: hiperacusia, o que lhe provoca hipersensibilidade auditiva e para isso, precisa usar protetores auriculares. Ele já foi músico, mas largou tudo para trabalhar com Harry (Hoofman), um afinador de pianos. Eles trabalham juntos na pequena empresa de Harry, casado com Marla. AO atender uma cliente, a pianista prodígio Ruthie (Havana Rose Liu), os dois iniciam um romance. Quando Harry sofre um derrame e precisa ser hospitalizado, Niki se desespera, pois descobre que as contas do hospital são caríssimas. Ele decide aceitar um trabalho proposto por um grupo criminoso: invadir mansões e abrir os cofres, através da audição de Niki.
O filme é bom e tem uma narrativa que traz elementos já conhecidos: o jovem seduzido pelo poder e caprichos do luxo, advindas do crime fácil. Leo Woodwall é um ótimo ator que tem despontado em Hollywood, e aqui, tem carisma o suficiente para sustentar um filme todo nas costas. Dustin Hoffman confere dignidade a um papel que dentro de sua filmografia, pouco acrescenta, além de matar saudades de seus fãs. A edição dinâmica e a bela fotografia ajudam a trazer estilo e elegância ao filme.
Toy story 5
"Toy story 5", de McKenna Harris e Andrew Stanton (2026)
Eu sou daquelas que vai falar eternamente que a franquia "Toy story' deveria ter terminado na parte 3. Emocionante, era o final perfeito pra turma de Woody, Buzz, Jessie e cia, além do menino Andy: um retrato poderoso e melancólico sobre o ato de crescer e amadurecer. Mas Hollywood ama franquias que dão dinheiro, e em 2019, veio o inevitável e dispensável parte 4. Quando tudo parecria ter finalizado, surge a parte 5 em 2026. Não morri de amores, e continui achando que não precisava. Mas tem duas vantagens: trazer Andrew Stanton, que co-escreveu todas os outros filmes da franquia, e dirigiu 2 das animações que mais amo da Pixar: "Wall.e", e "Procurando Nemo". O outro fato positivo, é ter dado o protagonismo para a cowgirl Jessie (em dublagem maravilhosa de Joan Cusack), que sempre foi coadjuvante. Ela está envolvida com uma concorrente: a tablet de IA dada para a agora menina Bonnie, para ajudá-la a se tornar mais social e ter uma amiga, mesmo que artificial. A voz da tablet Lily é de Greta Lee.
As vozes originais permanecem e é um elemento de nostalgia para o público: Tom HAnks, Tim Allen, além da própria Joan Cusack. Mas o embate entre IA e a educação e formação das crianças, por mais que seja necessária e efetiva, não me cativou. O filme tem boas cenas, o esquedrão de Buzz é divertido, mas no final, é a história requentada.
Hit para dois
"Power ballad", de John Carney (2025)
O roteirista, cineasta e músico irlandês John Carney tem um dom formidável de me faezr chorar em todos os seus filmes. Foi assim em "Once", "Mesmo se nada der certo", Sing street", 'Flora and son" e agora com esse emocionante "Hit para dois". Eu simplesmente chorei rios de lágrimas em seu desfecho, auxiliado por um elenco formidável encabeçado por Paul Rudd, um dos atores mais carismáticos que existem, equilibando sempre seu talento entre drama e comédia. O elenco traz também Nick Jonas e Jack Reynor, ator fetiche de carney e presente em diversos de seus filmes. John Carney é um mestre do cinema acridoce, do gênero que eu adoro, "feel good movie".
Paul Rudd interpreta o músico fracassado Rick. Ex-integrante de uma banda americana nos anos 90, largou tudo quando conheceu sua esposa irlandesa Rachel (Marcella Plunkett), com quem teve uma adorável filha adolescente, Aja (Beth Fallon). Morando em Dublin, Rick é vocalista de uma banda que se apresenta em festas de casamentos, a The bride and groove". em uma das festas, ele conhece o famoso cantor Danny Wilson (nick Jonas), ex-integrante de uma boy band e agora em carreira solo. Danny confidencia que está em crise e que precisa de uma música que alce a sua carreira ao estrelato. Rick canta para Danny uma música que ele compôs quando Aja era pequena, mas que nunca conseguiu lançar. Danny, voltando para Los Angeles, compõe uma melodia para a letra e faz enorme sucesso. Rick se surpreende e pede direitos da música para Danny, que junto de eu agente Max (Reynor), se negam.
Como em todos os filmes de Carney, o público se apaixona pelo carisma do protagonista, um loser, marca registrada do diretor, que busca um lugar ao sol. Aqui, o filme termina com uma nota otimista, ainda que debaixo de muitas lágrimas.
terça-feira, 23 de junho de 2026
Cinco da tarde
"Cinco da tarde", de Eduardo Nunes (2023)
Eduardo Nunes é um roteirista e cineasta fluminense, formado em cinema pela UFF. COmeçou a sua carreira com curtas premiados em diversos festivais, até estrear em longa com o elogiado "Sudoeste", em 2011. Depois lançou mais 2 longas de ficção: "Unicórnio", em 2017, e "Cinco da tarde", que foi rodado em 2022, em plena pandemia, mas só agora, em 2026, encontrou distribuição na sala de cinema. Os três longas foram selecionados para o Festival do Rio.
Rodado em preto e branco pelo seu parceiro de todos os filmes, Mauro Pinheiro Jr, o cineasta Eduardo Nunes se afasta agora do cinema de Tarkovsky, sua grande referência, e se aproxima das narrativas de Ozu e de Kleber Mendonça Filho: do primeiro, o rigor estético em planos fixos, com alguns travellings e pans lentas, em ambientes claustrofóbicos. De Kleber, além do apartamento, que caracteriza seus primeiros longas, o tema da memória, da gentrificação, das salas de cinema que se perderam no tempo e deram lugar à prédios residenciais. Pois é exatamente no prédio Cezanne, ond emoram as duas protagonistas e onde funcionava o cinema São Bento, que moram as jovens vizinhas Anabel (Bárbara Luz) e Meiko (Sharon Cho). O filme se passa na pandemia. Anabel perdeu a avó (Analu Prestes). Meiko perdeu sua mãe (Miwa Yanagizawa). Não sabemos se morreram de covid. Anabel bate na porta de Meiko e pede acolhimento. Meiko, sem titubear, a deixa ficar em seu apartamento. A mãe de Anabel quer que ela se mude para BH. Meiko cuida da floricultura da mãe, que fica no Campo de São Bento. Os fantasmas das falecidas surgem nos sonhos de ambas as jovens, que se unem na solidão e na falta de afeto.
Não é uma tarefa fácil para quem não for cinéfilo raiz, assistir ao filme. Com 2 horas de duração, o filme tem planos longos, sem cortes, e um ritmo digno de filmes slow cinema. Em ompensação, o elenco tem lindas performances, com participações de Augusto Madeira e Matheus Costa.
Citizen Vigilant
"Citizen Vigilant", de Uwe Boll (2026)
Primeiro filme do ator Armie Hammer, após ter sido cancelado das produções por comportamento abusivo e violento. Lançado em 2026, o filme foi vetado em diversos países da Europa, acusado de ser xenófobo. Escrito, dirigido e produzido pelo cineasta alemão Uwe Boll ( dos filmes B "Alone in the dark", "Bloodrayne", "House of the dead", entre outros), "Citizen Vigilant" foi todo rodado na Croácia e mesmo sendo ambientado na Europa, não se passa em nenhum país específico.
O filme segue a tradição de filmes sobre um vingador e justiceiro solitário e anônimo, no estilo de "Desejo de matar", clássico de Charles Bronson. O título original do filme era "The dark knight", mas a Warner pribiu o uso por associar ao filme do Batman.
Inspirado no caso ocorrido em Hamburgo, Alemanha, em 2016, quando um grupo de adolescentes imigrantes 3xtupr4r4m uma garota de 14 anos, o filme traz Hammer como Sanders, um americano que se desligou de sua família e decidiu morar em um país da Europa. Alarmado com os constantes casos de crimes seguidos de morte provocados por imigrantes, Sanders decide faezr justiça com as próprias mãos. Toda a mídia está ao seu favor. Um chefe da Interpol, Henry, está em seu encalço, pressionado pelo governante.
O filme já começa com um prólogo bem violento: uma mãe e seu filho pequeno saem do mercado, e um imigrante armado de uma faca do nada corta o pescoço da mulher, em frente ao filho. O filme é repleto de cenas violentas e gratuitas. Hammer retorna aos filmes certamente com um filme que não o beneficia. É polêmico e traz mensagens de ódio e xenofobia. Dificilmente o filme terá distribuição nos cinemas.
segunda-feira, 22 de junho de 2026
Red light
"Red light", de René Lavan (2025)
Adaptação da peça teatral "Red light", de Jim Kierstead, "Red light" é anunciado como um horror queer. Pior: há quem o compare a "jogos mortais", de James Wan, pela semelhança temática: dois homens gays acordam em um quarto abandonado e não sabem porque estão ali. Alex (Justin Powell) e Blake (Jeffry Batista) não se conhecem. Ao tentarem descobrir o motivo de estarem ali, eles vão se conhecendo melhor. Eles entendem que toda a vez que a luz vermelha acender, um deles deve sair para ser torturado por um mascarado e retornar ao quarto. Alex e Blake dividem passados traumáticos, que envolvem terapias de conversão e 3xtupr0.
O filme infelizmente é ruim em todos os quersitos. Interpretação amadora, fotografia sem brilho, direção de arte óbvia, roteiro que não cria tensão. A direção fica indecisa em querer construir um thriller ou um romance, fallhando inclusive no uso da trilha sonora. Tem momentos que parece que estamos assistindo a um romance teen de tão ingênuo que são os diálogos. O que me segurou até o fim era a curiosidade em saber o motivo de ambos estarem trancados ali. Para quem for assistir ao filme buscando erotismo, encontará cenas de semi nudez e muitos peitos inflados.
Other people's bodies
"Other people's bodies", de Alan Brown (2025)
Em 1969, o cineasta francês Jacques Deray escreveu junto de Jean Claude Carriére aquele que se tornou o seu filme mais famoso, o drama erótico 'A piscina", que inspirou outros 3 filmes: 'Swimming pool", de François Ozon, "Um mergulho no passado", de Lucas Guadagnino e agora essa produção indie americana, 'Other people's bodies". No original, o elenco era formado pelos astros Alain Delon, Romy Schneider e a estreante Jane Birkin. Nessa versão queer, o elenco é formado por atores desconhecidos, mas nem por isso, menos talentosos. No filme de Deray, o casal formado por Delone. Schneider recebem em sua casa de campo a visita de um ex-amante dela, que traz a sua filha, e imediatamente, se torna objeto de desejo do marido.
"Other people's bodies" me faz lembrar as produções realizadas ainda na pandemia: uma única locação, poucos personagens confinados no local. Logo nos créditos iniciais, as lentes Derek McKane acptam em hiper closes, detalhes de corpos: suvacos, mamilos, barriga, nádegas...seduzindo de cara o espectador em bela fotografia. A dançarina Olivia e seu marido Seb se refugiam na casa de campo da irmã dela. Aproveitando os momentos íntimos, eles recebem a visita inesperada de Mateo, ex amante de Olivia e descobrimos depois, ex-amante de Seb. Ele chega com seu jovem namorado, Zaki, que se torna objeto de desejo de Seb.
Seria interessante ver essa versão sendo adaptada para uma peça de teatro, certamente trazendo muia elegância e sensualidade aos palcos.
Los plebes
"Los plebes", de Eduardo Giralt e Emmanuel Massu (2021)
Prêmio de melhor diretor no Festival Internacional de Cinema Independente de Buenos Aires, "Los plebes" é um documentário totalmente rodado com celulares, por conta de sua natureza hostil e violenta para ser filmada. Filmado em Sinaloa, famoso ponto turístico do México, mas também, reduto da base do cartel de tráfico da região. Eduardo Giralt é venezuelano e s euniu a Emmanuel Massu para acompanhar a rotina de jovens sicários, assassinos de aluguel, coopatados pelo cartel para trabalharem a seu favor. Eles são assassinos frios e cruéis que não pensam duas vezes antes de matar alguém encomendado. O filme esconde os rostos dos jovens sicários, além das outras pessoas que aparecem no vídeo, como familiares, crianças e amantes, através de máscaras digitais. Não existe um roteiro. As câmeras acompanham a sua rotina, seja limpando as armas, treinando tiros, acompanhando as caminhadas pela região com as motos. O filme procura entender como os jovens lidam com masculinidade tóxica, oa entreda para a vida adulta, a relação com família e o que esperam para o futuro. Um dos poucos que mostram o rosto é um rapaz que tem o apelido de La Vagancia. Ele tem 29 anos e comanda um grupo de jovens assassinos. Ele fala sobre amor e como revisita a sua infância, e durante a entrevista, ele brinca com o seu cachorrinho. "Los plebes" é um filme que poderia ter sido rodado em qualquer país do mundo, tal a identificação que a geração jovem tem com o narcotráfico e o crime organizado.
domingo, 21 de junho de 2026
Yo Fausto
"Yo Fausto", de Júlio Berthely (2021)
Premiado drama mexicano escrito e dirigido por Júlio Berthely, "Yo Fausto" traz a tradição de filmes mecixanos angustiantes e violentos, como na filmografia de Michel Franco, Amat Escalante e Carlos Reygadas. Todos fazem parte de um cinema cruel, brutal e de narrativa fria, sem compaixão pelos personagens.
O jovem protagonista do filme, assim como na obra de Goethe, se chama Fausto (Christian Vazquez). Ele é filho de um pai rico e poderoso, Bael (Carols Aragón), que quer que Fausto estude medicina. Quando a mãe de Fausto, Gilda (Arcelia Ramirez) tenta se su1c1d4r, Fausto entra em crise. Contrariando seu pai, Fausto decide se mudar para Carbelona e trabalhar como fotógrafo. Durante as sessões de fotografia, ele conhece a modelo Carmen (Amparo Barcia) e ambos decidem morar juntos. Quando Carmen revela estar grávida, Fausto entra em surto e maltrata CArmen, dizendo que não quer o filho. Fausto começa a formar sintomas de esquizofrenia, não sabendo distinguir a realidade do pesadelo. Ele decide retornar para o México, junto de Carmen e da filha recém nascida, por questões financeiras. Mas o fantasma do su1c1d10 aliado à esquisofrenia o tornam cada vez mais uma pessoa distanciada e violenta.
Esse é um filme muito difícil de se indicar, pelas possibilidades de gatilho que pode trazer ao público. Ao longo do filme, a narratva vai ficando tensa, com a possibilidade do desfecho se tornar uma grande tragédia. As cenas de pesadelo, remetendo às pinturas que retratam o Inferno de Dante, são assustadoras. É um trabalho visceral do ator Christian Vazquez, em uma composição compleza e cheia de camadas emocionais. Em uma longa cena em plano sequência, o personagem corre toptalmente nu pelas ruas. A cena final é devastadora.
sábado, 20 de junho de 2026
A noite dos demônios
"La notte dei diavoli", de Giorgio Ferroni (1972)
Clássico terror co-produzido pela Itália e Espanha, 'A noite dos demônios" é adaptado do conto de vampiros escrito por Aleksey Tolstoy, primo de Leon Tolstoy, "“A Família do Wurdulak”. Esse mesmo conto já havia sido adaptado por Mario Bava em seu filme "As três máscaras do terror", de 1962, que constava de 3 episódios.
Nicola (Gianni Garko) está no hospital psiquiátrico. Uma mulher, Sdenka, o reconhece e diz que o conhece. Nicola conta a sua história para o médico e o filme segue para um flashback: Nicola é dono de uma madeireira e viaja a negócios para uma reunião. Na estrada, ele pega um atalho, e ele quase atropela uma mulher, que desaparece. O carro quebra e Nicola caminha pela floresta para pedir ajuda, até encontrar uma casa. Ali, ele é recebido por uma família, chefiado pelo pai, Gorka. Seu irmão faleceu a pouco. Na casa moram sua cunhada e recém viúva, Elena, e os filhos de Gorka, Jovan, Vlado e Sdenka, além dos 2 filhos pequenos de Elena. Sdenka se apaixona por Nicola e ele logo descobre que a família está amaldiçoada por vampiros.
O filme, visto hoje, tem um problema de ritmo: é arrastado. Além disso, os efeitos práticos, a cargo do mestre Carlo Rambaldi ( o mesmo que criou o ET de Spielberg) ficaram datados e são bem toscos. Dependendo de como o espectador assistir ao filme, esses efeitos ruins podem dar um charme extra ao filme. De positivo, tem uma boa fotografia e direção de arte nos cenários que remetem ao terror gótico típico dos anos 70. Como boa parte das produções italianas de terror do período, o filme tem um excesso de nudez feminina, em alguns momentos bastante explícitos. O desfecho é bem melancólico.
De pupil
"De pupil", de Karin Junger (2025)
Vencedor de um prêmio especial do juri no Festival del Cinema Europeo 2025, "Del pupil" é um drama queer que gera polêmica pelo desenvolvimento do seu jovem protagonista, Dan (Bart de Wilde), um menino de 12 anos que é 4bus4d0 pelo seu técnico de futebol da escola, Dries (Gijs Naber). Dan mora com sua família- pais e dois irmãos, ele é o do meio- em uma convivência feliz. Ele tem amigos e uma namorada. Inesperadamente, seu treinador, um homem carismático e bem visto pelos pais dos alunos e pelos próprios garotos, passa a dar atenção extra para Dan, convidando-o para ir até sua casa após os treinos. Dries dá presentes para o rapaz, além de comprar pizza e jogarem game e assistir jogos. Mas Dries exibe filmes p0rn0s para deixar Dan confuso e dessa forma, seduzi-lo. Dan passa a aceitar as atitudes do treinador, sem entender os abusos e a forma predatória do homem. Dan se sente amado pela primeira vez, chegando ao passo de sentir ciúmes do técnico quando ele dá atenção a outros garotos do time.
Eu fiquei torcendo pela hora em que o treinador fosse desmascaradoe. preso. É muito angustiante assistir ao filme e perceber o quanto que Dan estava sendo aliciado e sem que o mesmo percebesse o que de fato estava acontecendo. Diferente de outro filme polêmico e que trata do mesmo tema do abus0 1nfant1l, "No dogs allowed", que trazia cenas de s3x0, aqui é tudo sugerido e jamais visto, mas que provoca sensações muito revoltantes justamente pelo que não é visto. O trabalho do jovem Bart de Wilde é espetacular, e estar no filme é um ato de coragem dele e de seus pais, que permitiram que ele desse vida a um filme tão chocante.
Blanco de verano
"Blanco de verano", de Rodrigo Ruiz Patterson (2020)
Concorrendo em Sundance, "Blanco de verano" é co-escrito e dirigido pelo cineasta mexicano Rodrigo Ruiz Patterson. O tema do filme trata de uma ousada e complexa relação edpiana entre Rodrigo (Adrián Rossi), um adolescente de 13 anos, e sua mãe, Valeria (Sophie Alexander-Katz). Morando sozinhos, eles dividem intimidade: tomam banho juntos, dormem juntos. Um dia, Valeria apresenta Fernando (Fabián Corres) para Rodrigo. Rodrigo reage mal: encontra a porta do quarto de sua mãe fechado e não pode mais dividir intimidade por conta da presença de Fernando. Rodrigo vai se tornando cada vez mais rebelde, passando a odiar a sua mãe e Fernando. O relacionamento torna-se insustentável, e a tragédia é eminente.
Confesso que senti muita raiva de Rodrigo ao longo do filme, poelo seu egoísmo em não permitir que sua mãe seja feliz. Fico imaginando quantos filhos de mães solteiras devem passar por essa mesma situação, de não aceitarem um companheiro ou até mesmo, a presença do próprio pai. É um filme complexo nos sentimentos e nos valores morais, eu mesmo não tenho discernimento psicológico para avaliar essa relação. É uma história que poderia certamente ser apresentada em faculdades de psicologia e ser debatida entre professores e alunos.
Queerpanorama
"Queerpanorama", de Jun Li (2025)
Escrito e dirigido por Jun LI, "Queerpanorama" foi rodado em Hong Kong com um elenco multi étnico e glbalizado. O filme, baseado na própria história do cineasta Jun Li, traz um jovem anônimo, interpretado com visceralidade e vigor por Jayden Cheung. Ele passa os dias em encontros s3xu41s com diversos parceiros, de etnias, idades e perfis distintos: um iraniano, um americano, um chinês, um indiano, um negro, um homem de meia idade soropositivo, entre outros. Apelidado de I, o rapaz realiza fetiches de seus parceiros: se veste de mulher, finge 3xtupr0, se deixa ser enforcado. Para cada parceiro, I se descreve como o parceiro anterior, mentindo sobre a sua vida e profissão e assumindo as personalidades de seus amantes.
Rodado em preto e branco, como que mostrando vidas sem cor e apáticas de gerações de anônimos e sem perspectiva de um relacionamento duradouro, o filme apresenta inúmeras cenas de s3x0, mas todas registradas de forma fria e sem t3s40. Em uma delas, I faz s3x0 com um entregador de Ifood, que mantém seu capacete, em um banheiro sujo e decadente.
O filme concorreu no Festiveal de Berlin 2025 na Mostra Teddy, dedicada a filmes queer. Sem glamurizar o s3x0 anônimo, "Queerpanorama", como o próprio título diz, é um painel de quem busca relacionamentos fáceis, em tempos de app, onde o anonimato é a palavra de ordem. Um filme que deixa um gosto amago na boca, pelo olhar desiludido que mostra seus personagens e seus futuros.
El misterio de la felicidad
'El misterio de la felicidad", de Daniel Burman (2014)
Co-produção Argentina e Brasil, "El misterio de la felicidad" é escrito e dirigido pelo cineasta argentino Daniel Burman. As filmagens aconteceram em Buenos Aires e no Rio de Janeiro, com o apoio da Total entertainment. O filme é uma comédia dramática com toques de romance protagonizado pela excelente dupla Ines Estevez e Guillermo Francella. Investindo em mais leveza e humor do que em seus outros filmes, Burman ainda assim fala sobre temas como abandono do lar, amor maduro e reinícios na meia idade. O elenco brasileiro traz participação de Claudia Ohana, como uma mulher que foi objeto de desejo dos amigos Santiago e Eugenio quando jovens.
Santiago (Francella) e Eugenio (Fabián Arenillas) são amigos de longa data. Sócios em uma loja de departamentos, ambos comandam a empresa de forma similar. Um dia, Eugenio desaparece. Sua esposa, Laura (Estevez) procura Snatiago e diz que Eugenio abandonou o lar. Igualmente sentindo-se abandonado pelo amigo, Santiago decide se juntar a Laura e tentam encontrar Eugenio, o que os leva a uma viagem até o Rio de Janeiro. No percurso, Santiago e Laura percebem que estarão mais próximos do que antes.
O filme é bem simpático e divertido, e tem no pano de fundo uma melancolia sobre acertos e erros realizados durante a vida, e a sensação de que a vida se esvaiu. Mas o filme ensina que nunca é tarde para recomeçar. Guillermo Francella é um dos atores argentinos mais talentosos que continuam na ativa, e encontra em Ines Estevez uma parceria excelente. Ambos estão luminosos em cena.
Assinar:
Postagens (Atom)








































