quarta-feira, 5 de agosto de 2026

John Denver trending

"John Denver trending", de Arden Rod Condez (2019) Premiado drama filipino que traz uma trágica história de fake news que detrói a vida de uma família. Escrito e dirigido por Arden Rod Condez, é seu longa de estréia. John Denver Cabungcal (Jansen Magpusao), de 14 anos, e sua mãe, Marites (Meryll Soriano), moram em Pandam, Antique, uma região pobre das Filipinas. Marites trabalha pesado para sustentar seus 3 filhos. Quando John Denver é acusado de roubar o Ipad de um colega de escola, ele briga com o dono do Ipad, Makoy, e bate nele Essa briga é gravada em celular e postada no Facebook. Quando John Denver chega em casa, ele vê em sua rede social que está sendo vítima de ataques de linchamentos virtuais. No dia seguinte, ao chegar na ecsola, ele é confrontado por alunos, professores, a mãe do acusado e se vê sme saída, apesar de garantir que não foi o autor do roubo. Sua mãe é a única que o defende. O filme retrata uma realidade de extrema pobreza, e é interessante testemunhar que a internet é um serviço elitizado que poucos têm acesso, tendo que ir para a lan house ( o ano é 2019). O rancor da sociedade, que acusa sem provas, e o linchamento virtual, que provoca tragédia. Ótimo trabalho dos atores e uma direção segura, evitando melodrama e apontando as lentes para um mundo brutal.

The mimic

"Jang-san-beom", de Jung Huh (2017) Escrito e dirigido por Jung Huh, "The mimic é um terror sobrenatural da Coréia do sul. O filme tem como base a lenda urbana do Tigre de Jangsan, uma criatura devoradora de homens que vagueia por Jangsan, uma montanha na cidade de Busan. Ele atrai pessoas emitindo um som que se assemelha ao lamento de uma mulher. A história acompanha uma família em luto. O marido Min-ho (Park Hyuk-kwon), a esposa Hee-yeon (Yum Jung-ah), a mãe de Min-ho, Soon-ja(Huh Jin) e a pequena Jun-he. Há 5 anos atrás, Hee-yeon e sua sogra, que estava com princípio de demência, foram ao supermercado com o filho pequeno. Hee-yeon deixou o filho com a sogra, e quando voltou, percebeu que o filho desapareceu, e desde então, culpa a sogra pelo sumiço. Agora, o casal em crise, decide se mudar para a pacata cidade nas montanhas em busca de um novo começo. Ali foi onde Soon-ja cresceu junto de sua irmã, que também desapareceu. RElatos dizem que diversas pessoas desapareceram na montanha. Um dia, ao caminhar na floresta, Hee-yeon encontra uma menina abandonada, e por coincidência, o nome dela é o mesmo do filho desaparecido. "The mimic" é um bom filme, e tem como ponto forte a excelente atuação de Yum Jung-ah no papel da mãe em luto. A sua cena final é comoente e dá para perceber que a atriz se entregou na emoção. O filme traz alguns sustos, mas é mais uma metáfora sobre culpa e luto.

Jazmin

"Jazmin", de Samot Marquez (2018) Escrito e dirigido por Samot Marquez, "Jazmin" ganhou o prêmio do juri em Armsterdan fim festival. O filme, dividido em 2 atos, busca referências ao cinema de Greg Araki e mais espicificamente , em "Irreversível", de Gaspar Noé, de onde traz a trilha sonora hipnótica e a famosa cena da cabeá esmagada. É bom avisar ao espectador que o filme não é o que o poster aparenta ser. O desavisado achará que é um romance teen: um rapaz, Nicolás (Pablo Legeren), cantor de uma banda de rock com 2 amigos, deseja se mudar para Amsterdan, por achar que a vida não faz mais sentido. Em uma festa, ele conhece Jazmin (Clara Kovacic) , uma jovem que tentou su1c1d10 e que, ao conhecer Nicolas, enconta um novo motivo para manter-se viva. Nessa noite de encontro, ao pear carona com Nicolas para levá-la para casa, ambos são assaltados por um bandido e Jazmin acaba assassinada. Transtornado, nicolas agora busca vingança. O filme traz cenas oníricas e surreais, para trazer ao espectador o transtorno mental de Nicolas, que está em estado paranóico. É um filme que mesmo em seu 1o ato romântico, traz melancolia ao apresnetar 2 jovens sem motivos para manterem-se vivos, mas que ao enfrentaraa morte, encaram a vida de outra forma. Nicolas, que não encontrava motivos para seguir a vida, ficou focado na busca do assassino. Um filme cruel e um retrato sobre doenças mentais e violência urbana.

terça-feira, 4 de agosto de 2026

Gioia

"La gioia", de Nicolangelo Gelormini (2025) Baseado em trágica história real, "La gioia" me deixou angustiado e muito triste em seu desfecho. Inspirado na história real da professora italiana Gloria Rosboch, assassinada por um casal gay (um deles, aluno da escola onde dava aula, se tornou seu amante e exigia dinheiro). A história rendeu a peça teatral "Se non sporca il mio pavimento escrita" e agora adaptada para o cinema por Giuliano Scarpinato e Benedetta Mori. O filme concorreu no Festival de Veneza 2025 e ganhou no Festival Mar del Plata os prêmios de direção e de melhor ator para Saul Nani. A angústia que tive ao assistir ao filme, foi.a mesma quando assisti "À procura de Mr Goodbar" pela 1a vez. O público sabe que vai dar merda, que a protagonista está agindo ingenuamente, acreditando no jovem amante, mas o espectador fica totalmente impassível e sem ação. Eu quase desisti do filme, de tanta raiva. Os pontos positivos: os trabalhos excepcionais do elenco, principamente Valeria Golino, no papel da professora Gioia Montefiori, em excelente composição, e Saul Ninno, no papel de Alessio, o jovem amante e prostituto. Ele tem o rosto parecido com Gael Garcia Bernal quando jovem. A trilha sonora contém clássicos pop dos anos 90: "Modern love", "Blue monday", Reality". Gioia mora com seus pais idosos. Ela dá aula colégio Regina Margherita, em Turim. Gioia nunca teve um relacionamento. Quando ela dá carona ao jovem aluno Alessio, imediatamente ela fica apaixonada e se sente atraída. Alessio mora com sua mãe, caixa de supermercado, que namora o vigarista Cosimo. Cosimo é amnate de Alessio e o obriga a se prostituir para homens e mulheres, se vetsindo de mulher. Quando Alesiso descobre que Gioia tem dinheiro guardado no banco, inventa uma história para que os dois viagem para Monte Carlo.

Vidas entrelaçadas

"Couture", de Alice Winocour (2025) Escrito e dirigido pela cineasta francesa Alice Winocour, "Vidas entrelaçadas" concorreu no Festival de San Sebastian em 2025. O roteiro traz paralelos com as narrativas de Alejandro Inarritu e Robert Altman, com seus famosos filmes mural. Aliás, 'Vidas entrelaçadas" busca inspiração em "Pret a porter", de ALtman, ao se ambientar durante a semana da moda em Paris, um evento bilionário que agira a capital fracesa. O filme traz diversos personagens que se cruzam, todos envolvidos na semana da moda. O elenco é all star: Angelina Jolie, Louis Garrel, Vincent Lindon, Aurore Clement. O que mais me chamou a atenção, é a disponibilidade de Angelina Jolie interpretar uma personagem que é espelho da vida pessoal dela: Maxine é uma cineasta, descobre estar com câncer nas mamas e está em processo doloroso de divórcio, afetando a relação com sua filha. Maxine é convidada por uma famosa grife ( o filme foi rodado na Maison Chanel, e que, pela 1a vez, permitiram filmagem em seu interior). Ela é uma cineasta de filmes de baixo orçamento de terror, com protagonismo feminino. Os organizadores encomendam à ela um curta com modelos como protagonistas. Ada (Anyier Anei) é uma modelo do Sudão, escolhida por Maxine para protagonizar o curta, mas sofre preconceito de suas colegas de quarto. Angele (Ella Rumpf) é a maquiadora ucraniana, envolvida com a guerra em seu país. Christine (Garance Marillier, atriz de "Cru") é uaa costureira pressionada em confeciionar o vestido que abre o desfile. Louis Garrel é Anton, o fotografo do curta de Maxine, com quem discutirá sobre conceitos do filme. E Vincent Lindon é Dr Laurent, que faz o diagnóstico de MAxine e diz que ela precisa faezr cirurgia com urgência. O filme tem bons momentos, mas o roteiro apenas traça os personagens, sem se aprofundar em nenhum. É uma colcha de retalhos, bela por apresentar um evento grandioso, mas vazio como conteúdo. Angelina é a quem tem uma personagem mais definida, e o público confunde a personagem e a atriz em seus dilemas pessoais e de saúde.

Nightborn

"Yön lapsi", de Hanna Bergholm (2026) Co-escrito e dirigido por Hanna Bergholm, "Nightborn" é uma milésima variação de "O bebê de Rosemary". Quantos filmes de terror apresentam um bebê recém nascido de forma monstruosa? Já até perdi as contas. E fora o seu original, de Roman Polansky, os outros filmes não chegaram ao nível de qualidade e criatividade. E "Nightborn" vai pelo mesmo caminho do genérico, em uma trama arrastada e óbvia. O que mais me chamou atenção no filme, nem foi o roteiro, e sim, a participação de Rupert Grint no elenco. O Rony Weasley de "Harry Potter" se une a Daniel Redcliff como os únicos atores pirncipais da franquia do bruxo que não conseguiram se destacar em nenhum outro filme. Todas as tentativas de Grint fracassaram, o que é uma pena. "Nightborn" pega carona nos sub-gêneros do Folk horror e Eco- horror. Filmes onde. anatureza se volta contra a humanidade, dessa vez, usando a mitologia dos Trolls, seres que habitam a floresta. Saga (Seidi Haarla) e Jon (Rupert Grint) são um jovem casal que saem de Londres e se mudam para a casa da família de Saga, na floresta finlandesa. A casa está decadente e tomada pela natureza. Eles fazem s3x0 debaixo de uma árvore misteriosa. O bebê nasce, mas estranhamente, ele é peludo e gosta de se alimentar de sangue. Saga acredita que algo de estranho acontece com o bebê, mas tanto sua mãe, quanto Jon a ignoram em seus alertas. Eu tenho pavor desses filmes de terror onde marido e familiares desmentem e desacreditam a personagem feminina, me irrita demais, e só desejo que todos morram no filme. Alguns momentos, que eram para ser tensos, acabam ficando risíveis, como o nascimento do bebê e a briga pelo ketchup.

segunda-feira, 3 de agosto de 2026

TraslaSierra

"TraslaSierra", de Juan Sasiaín (2019) Escrito, dirigido e protagonizado por Juan Sasiaín, "Traslasierra" é um drama minimalista filmado na província de Córdoba. A idéia para o filme veio quando o cineasta decidiu estudar e aprender o teatro de marionetes, e visitou a casa do titerista Rufino Martínez, em Traslasierra, onde mantinha um teatro com sua esposa. Rufino interpreta o pai de Martin (Sasiaín). Martin e sua namorada venezuelana (Ananda Troconis) trabalham de forma itinerante e nômade o teatro de marionetes, que Martin aprendeu com seu pai. O jovem casal, em crise no relacionamento, vai visitar o pai de Martin em TraslaSierra. Enquanto ajuda o pai nas apresnetações do teatro de marionetes na praça, Martin revê Coqui (Guadalupe Docampo), sua amiga de juventude e com quem já namorou. Coqui tem uma filha de 10 anos, e Martin suspeita ser sua filha. A namorada de Martin passa a sentir ciúmes da aproximação dele com Coqui. Juan Sasiaín decidiu rodar o filme no período de outono, quando a luz se torna mais bela. Rufino Martínez faleceu em 2013, mesmo ano em que o filme foi rodado. É um drama intimista, de ritmo lento, que apresenta em jovem personagem em busca de amadurecimento pessoal. A cena da conversa do pai e filho na beira do lago é comovente e poética.

Burn

"Burn", de Makoto Nagahisa (2026) Se o cult polêmico de Larry Clark, "Kids", de 1995, tivesse sido filmado em Tokyo nos dias de hoje, certamente seria esse filme, "Burn". Ambos com uso de linguagem de uma câmera semi documental, com adolescentes protagonizando o filme, reunidos nas ruas, se drogando, se prostitu1nd0, fazendo s3x0, sem qualquer preocupação com nada, em uma atmosfera totalmente hedonista e segundo críticos, niilistas. Prêmio do Juri no Festival de Seattle, "Burn" concorreu no Festival de Sundance 2026. Quando foi lançado no Japão, o filme lotou salas de cinema nos seus primeiros dias de exibição. O roteirista e diretor fez pesquisas sobre as "crianças Toyoko": são crianças e adolescentes que se reúnem em frente ao Edifício Shinjuk Toho, onde existe um grande complexo de cinemas da Toho. Ali, elas dormem nas ruas, se divertem, pedem dinheiro, se prostituem para os "sugar daddies". A protagonista é Jurie (Nana Mori). Ela mora com seus pais e sua irmã menor. Os pais fazem parte de uma seita e constantemente, batem nas duas filhas. Jurie é gaga e por esse motivo também apanha. Na primeira oportunidade, Jurie foge. Ela vai até a praça Shunjuku se encontrar com Kami, uma pessoa que ela conhecer online em um app. Kami é uma espécie de "Mother", e tem uma "house"( tipo a série "Pose", onde hospeda todas as crianças e adolescentes de seu grupo: Ora, Mai mai, Haku chan, Kokoru, Wara, Tori chan, Q, Masumi, Rice, animal girls e Squirrel, que tem o braço todo cortado com lâminas em auto-mut1l4çã0. Jurie fica conhecida como Juju pelo grupo. Ela conhece uma jovem, Masumi, que sugere que Juju se prost1tu4 para sugar daddies e asism poder ganhar dinheiro. "Burn" traz uma narrativa crua, graças ao tom documental, aliada à fantasias, animações e sonhos surreais da protagonista. É um filme corajoso ao apresentar uma juventude desgarrada de qualquer ambição, seja em estudos, futuro ou laços familiares.

Revanche

"Revanche", de Götz Spielmann (2008) Escrito e dirigido por Götz Spielmann, "Revanche" ganhou o prêmio de melhor filme na Mostra Panorama do Festival de Berlin em 2008, e foi indicado pela Austria para uma vaga ao Oscar de filme internacional, ficando entre os finalistas. O filme faz parte da coleção Criterion, dedicado a filmes que merecem relevância artística e cultural e serem preservados. O filme é um drama policial, que poderia ser dividido em 2 atos bem definidos. Alex (Johannes Krisch) é um ex-presidiário que vive em Viena e trabalha como segurança em uma casa de prostituição. Ali, ele conhece a jovem ucraniana Tamara (Irina Potapenko). OS dois se tirnam amantes e têm planos para um futuro melhor. Alex propõe um assalto a banco em uma pequena cidade e depois se esconder na casa de seu avô, que mora isolado em uma pequena fazenda na mesma cidade. O que ele planeja com Tamara é comprar um bar em Ibiza e viverem lá. Mas o plano dá errado: após o assalto, o casal é interceptado por um policial, Robert (Andreas Lust). Na fuga, ele atira no carro e Tamara acaba morrendo. Alex se refugia na fazenda de seu avô e descobre que o policial é seu vizinho. Ele é casado com Susanne (Ursula Strauss), e o casal não consegue engravidar. Alex quer vingança. Robert se sente culpado pela morte e se deprime. "Revanche" é um bom drama com estudo de personagens, tendo a trama policial e de vingança como pano de fundo. Mas o filme vai além de uma simples revanche, como diz o título. Os atores estão ótimos e constroem seus personagens com muita emoção. Eu particularmente fiquei arrasado com a morte de Tamara, e o roteiro quer justamente isso, tornar essa morte sempre presente, chocante, e de certa forma, justificar o ato de Alex.

Ceux qui comptent

"Ceux qui comptent", de Jean-Baptiste Léonetti (2026) Escrito e dirigido por Jean-Baptiste Léonetti, "Ceux qui comptent" é uma dramédia protagonizada por dois grandes atores franceses: Sandrine Kiberlian (do excelente "Mademoiselle Chambon") e Pierre Lottin ( do comovente "A fanfarra"). O filme começa como uma divertida comédia dramática, mas o seu 2o ato vai direto para o drama, mudando totalmente o tom. Sandrine é Rose, mãe de 3 filhos: os adolescentes Tess (Louise Labèque), Simon (Alexis Rosenstiehl) e a pequena Emily (Alma Ngoc). Eles moram no antigo hotel da família, agora abandonado e hipotecado para pagar dívidas ao banco. Rose se recusa a sair de lá e vive com seus filhos escondida. Para sobreviver, Rose faz compras, enchendo o carrinho, e simula um ataque errorista, jogando bombas de fumaça. Na última investida, o ataque dá errado, e ela é presa pelos seguranças. Jean (Pierre Lottin), que estava no mercado, surge e a salva dos seguranças, e os dois aproveitam para fugir. Jean mora em um trailer abandonado, sozinho. Quando Rose acidentalmente provoca um incêndio no trailer, ela o convida a morar com ela e seus filhos no hotel. Na verdade o plano dela é outro: com câncer terminal, que ela esconde dos filhos, ela propõe a Jean que assuma os filhos como sendo o pai, para quando ela morrer, ele tomar conta das crianças e elas não serem enviadas a um orfanato. A premissa do filme parte de muitas situações inverossímeis. Mas o carisma dos atores é tão bom, que o público acaba relevando. A química entre Kimberlain e Lotti é ótima, e os atores jovens também funcionam bem. É um filme que traz emoção, mesmo que o roteiro force a barra. O que achei original, é que em momento algum, existe um relacionamento amoroso entre Rose e Jean.

Hunt the wicked

"Ji e", de Suiqiang Huo (2024) Thriller de ação policial chinês, "Hunt the wicked" se passa em uma cidade fictícia, Wusuli, onde se fala mandarim e inglês ( na China, não é peritido produzir filmes que tratem de temas como tráfico de drogas). O policial Huang Minjin (Tse Miu) se vangloria de ter eliminado os traficantes da cidade. Mas ele ignora que o candidato à prefeito, Song Pa (Andrew Lien) é o novo chefão das drogas, conhecido como Rei Long. Huang conta com a ajuda inesperada do ex-soldado Wei Yunzhou (Andy On) e sua esposa, Na Mei (Hong Suang) , para combater o prefeito. O filme tem uma trama um pouco confusa e muitos personagens. Mas as cenas de ação, eletrizantes, funcionam bem e seguram a atenção do espectador. O que prejudica o filme e sua qualidade são os efeitos de CGI, amadores e mal feitos.

domingo, 2 de agosto de 2026

Ayka

"Ayka", de Sergei Dvortsevoy (2018) Palma de melhor atriz no Festival de Cannes 2018 para a atriz do Cazaquistão Samal Yeslyaova, "Ayja" levou 7 anos para ser filmado. O filme é um drama angustiante e claustrofóbico que me deixou tenso. O roteiro não dá tréguas à protagonistas, uma imigrante do Quirquistão que tenta a sorte em Moscou como ilegal. É sofrimento atrás de sofrimento. Eu tive a mesma sensação de querer desistir do filme quando assisti 'Dançando no escuro", de Lars Von Triers, apesar de achar o filme uma obra-prima. Aliás, "Ayka" me fez lembrar muito do estilo narrativo e da temática, de "Rosetta", filmes dos irmãos Dardenne que levou a Palma de ouro em Cannes em 1999, além da palma de atriz, assim como Yanka. Em amos os filmes, as jovens protagonistas lutam contra a miséria diante um mundo que não as acolhe. Bjork, de 'Dançando no escuro", também ganhou a palma de atriz. Ou eja, Cannes adora um sofrimento feminino. O diretor russo Sergei Dvortsevoy fez uma extensa pesquisa sobre a imigração ilegal em Moscou, entrevistando e acompanhando os entrevistados em seus afazeres. Muitos dos imigrantes representados no filme são reais. Ayka é uma jovem que abandona seu bebê recém nascido na maternidade, fruto de um 3xtupr0. Ela vai tentar trabalhar em qualquer serviço que não lhe exija documentos e que contrate ilegais. No abatedouro de galinhas, ela trabalha e no final os empregadres fogem, sem pagar as mulheres. Depois ela vai trabalhar em uma veterinária como faxineira. Entre um emprego e outro, ela mora em um albergue clandestino. Até que os credores que ela está devendo a localizam, e em troca, querem seu bebê como pagamento. Me lembrei dos irmãos DArdenne porquê a forma de filmar é a mesma: uma câmera com olhar documental que segue a personagem para onde ela vai, colada em seu rosto. São filmes humanistas que apontam suas lentes para a classe proletária e desassistida. O trabalho de Samal Yeslyaova é excepcional, trazendo em seu corpo e rosto toda a tragédia de uma mulher abandonada sozinha em um mundo que não a protege.

Cobre

"Cobre", de Nicolás Pereda (2025) Co-escrito e dirigido por Nicolas Pereda, "Cobre" é um drama mexicano que concorreu no Fetsival de San Sebastian em 2025. O filme tem uma narrativa dispersa, apresentando pequenos incidentes que acontecem na vida de Lázaro (Lázaro Rodríguez). Trabalhador em uma mina de minérios na cidade de El Carmen. Lázaro mora com sua mãe, Tere (Teresita Sánchez), e à sua tia, Rosa (Rosa Estela Juárez), por quem ele sente uma atração platônica. Lázaro alega sofrer de problemas respiratórios decorrentes ao seu rabalho na mina de cobre. Os médicos dizem que ele precisa parar de fumar, mas ele insiste que é a mina que o projudicou e para isso, quer uma prescrição médica que lhe possa fornecer um tanque de oxigêncio. Um dia, ao retornar para casa, lazaro encontra um corpo na estrada. Ele vai reportar à sua mãe e tia, mas elas pedem para ele ignorar. Li em uma crítica que comparava a trama a uma odisseia Kafkaniana do protagonista, que encontra o descaso e burocracia em todos os lugares e pessoas que pede apoio. O filme tem um ritmo lento e planos longos. O roteiro apresenta um incidente, por exemplo, o morto, mas logo depois abandona essa trama e assim vai seguindo. Não gostei muito dessa proposta minimalista do filme, apesar do bom trabalho dos atores. O filme vai trazendo elementos que sugerem suspense, mas não acontece. A trajetória patética do protagonista é o que norteia esse olhar curioso sobre tipos estranhos de uma cidade apática e monótona.

Parisienne

"Peur de rien", de Danielle Arbid (2015) Co-escrito e dirigido por Danielle Arbid,uma cineasta libanesa radicada na França, "Parisienne" é um premiada drama francês, com elementos autobiográficos da diretora. Ambientado em 1993, o filme apresenta Lina (Manal issa), uma estudante que sai do Líbano para estudar em Paris. Ela mora na casa de seus tios, nos subúrbios da capital. Quando sua tia viaja, Lina é assediada s3xualment3 pelo tio e decide fugir de casa. Ela segue de trem até Paris e ali, precisa se virar para arranjar moradia, comida e continuar frequentando as aulas na faculdade. Em seu caminho, ela ganha a atenção da professora de história, Gagnebin (Dominic Blanc) e passa a namorar um garçon, Julien (Damien Chapelle), que quer se mudar para os Estados Unidos. Lina pratica pequenos roubos para conseguir dinheiro, mas a sua consciência pesa. Ela é delatada e entregue à imigração. Ela conhece um adovago que a ajuda, e inicia um romance com o filho dele, Rafael (Vincent Lacoste), colega de faculdade e líder estudantil. "Parisienne" é um bom drama que apresenta contrastes culturais e o dilema d euma jovem que se sente deslocada em Paris, mas que quer pertencer ao país. O filme me cansou com seu ritmo lento e a longa duração. O lado positivo é um elenco numero formado por ótimos atores franceses. E o carisma da protagonista Manal issal, presente em todas as cenas do filme.

If I Go Will They Miss Me

"If I Go Will They Miss Me", de Walter Thompson-Hernandez (2026) Concorrendo no Festival de Sundance em 2026, "If I Go Will They Miss Me" é escrito e dirigido por Walter Thompson-Hernandez. Em 2022, ele ganhou um prêmio do juri em Sundance com o curta homônimo, e que acabou geradndo o longa. O filme é dedicado aos moradores do conjunto habitacional Nickerson housing garden, em Watts, Los Angeles, onde boa parte do longa foi rodado. O filme me fez lembrar de "Moonlight", de Barry Jenkins: ambos os filmes falam sobre a relação pai e filho negros, moradores de um conjunto habitacional na periferia de suas cidades; e ambos possuem o Mar como um elemento importante de ligação emocional entre os personagens. Esteticamente, ambos os filmes também possuem muito me comum: fotografia estilizada em imagens poéticas. Lil Ant (Bodhi Dell) é um garoto de 12 anos, inteligentee e sonhador. Interessado nas aulas de mitologia grega na escola, ele compara a história de seu pai Big Ant (J. Alphonse Nicholson)com a de Odisseus, de "A odisséia": seu pai permaneceu anos na prisão, e agora está de volta. Lil Ant venera o seu pai. Sua mãe, Lozita (Danielle Brooks) implica com o marido. Big ant percebe que seu filho é apaixonado pela arte, e tenta desencorajá-lo: ele mesmo quando era adolescente foi apaixonado por arte, mas acabou seguindo o caminho do crime. O filme transita entre cenas realstas com visões de Lol Ant, que vê seu pai como uma figura mitológica grega. O filme é visualmente muito bonito, e tem uma trilha sonora sensível de Malcolm Parson. Os atores estão ótimos, com destaque para Danielle Brooks, no papel da doce mas perseverante e forte Lozita.

Assassination: 1932

"Assassination: 1932", de Jiuqin Zhou (2025) Um ótimo filme de ação e espionagem chinês, "Assassination 1932" me fez lembrar muito do excelente filme de Ang Lee, "Desejo e perigo". Ambos os filmes retratam a luta da resistência chinesa contra a ocupação japonesa na China, mais precisamente, em Shanghai. O que os diferencia é o período: enquanto o filme de Ang Lee se passa durante a 2a guerra, entre 38 e 45, "Assassination 1932", conforme o título diz, se passa no ano em que o Japão defende a invasão na China. Para isso, o Japão envia estrategistas japoneses para Shanghai. Para combatê-los, um líder da resistência chinesa, Zhang Mubai, se une contra a sua vontade com o gangster Jin Yuanbao, para armarem um plano para assassinar o General Kurosawa e seus asseclas. O filme é repleto de cenas de ação mirabolantes e os vilões são exatamente isso, malvados ao extremo: matam e tortura sme piedade, homens e mulheres. Tem ritmo dinâmico e empolgante, com eróis que o público irá torcer. O que não funciona são os efeitos de CGI, mal acabados e amadores.

sábado, 1 de agosto de 2026

Tampoco tan grandes

"Tampoco tan grandes", de Federico Sosa (2018) Melhor filme no Festival de Mar del Plata na mostra Panorama em 2018, "Tampoco tan grandes" é uma agradável dramédia road movie, e como tal, o espectador já sabe que a viagem na estrada será importante para que os personagens reavaliem as suas escolhas de vida. Lola(Paula Reca) está prestes a fazer 30 anos. Ela trabalha como publicitária e está prestes a se casar. Ela descobre que seu pai, Toribio, a quem ela acreditava ter falecido há 20 anos, acaba de falecer em Mal del Plata. A mãe de Lola conta a verdade: o pai começou um relacionamento com outro homem, Natalio, e saiu de casa. O pai deixou um pedaço de terra à margem do lago do Espejo como herança para Lola, e deseja que suas cinzas sejam jogadas lá. Nessa viagem, Lola convida seu ex-namorado, Teo, um cineasta amador; a irmã viciada em drogas de Teo, Rita, e o viúvo de seu pai, Natalio. Pautado em personagens carismáticos e bons atores, o filme transita entre o drama, o humor e a melancolia, como funciona normalmente em road movies e no gênero "feel good movie". A fotografia trabalha bem as emoções, e a sequência final, na beira do lago, muda de tom, trazendo uma atmosfera mais lúdica e de realismo fantástico.

Rose of Nevada

"Rose of Nevada", de Mark Jenkin (2025) "Rose de Nevada" é o nome de uma embarcação que desapareceu há 30 anos com os 2 pescadores dentro dele, e nunca mais foram vistos. Assim começa o drama de ficção científica "Rose of nevada", escrito e dirigido pelo cineasta inglês Mark Jenkin. O filme concorreu no Festival de Veneza e foi indicado pelo Reino Unido à uma vaga ao Oscar de filme internacional. “Rose of Nevada” é uma fantasia de ficção científica sobre viagem ao tempo. Diferente de produções de Hollywood que se utilizam de efeitos e CGI, o filme é realista. Filmado em película 16 MM, traz um visual granulado e de tons vintage, que lembra os filmes da Hammer dos anos 70. É até estranho para o espectador assistir ao filme e se deparar com a pele repleta de poros imperfeitos dos rostos dos atores- o HD torna tudo perfeito demais. Uma vila de pescadores na Cornualia está em crise econômica e boa parte dos homens está desempregada. Quando o dono do barco Rose of Nevada se surpreende ao ver o barco atracado no cais- o barco desapareceu há 30 anos atrás, com seus dois tripulantes-, ele decide colocá-lo novamente no mar, para a prática da pescaria, que sustenta boa parte da cidade. Dois desempregados, ice (George Mcray e Liam (Callum Turner) se oferecem para trabalha como pescadores. Nick precisa sustentar a sua família e consertar o telhado com infiltração. Liam não tem aonde dormir, dormindo nas ruas. A eles se junta Murgey, um marinheiro que irá pilotar o barco. Eles comemoram a pescaria farta, mas ao retornarem para a vila, descobrem que estão na mesma vila, mas há 30 anos atrás. O filme foi bastante elogiado pela crítica pela sua narrativa fragmentada e estilo da direção. O ritmo é bastante lento. O público, por sua vez, não gostou do filme, por conta de escolhas artísticas e autorais. Visualmente o filme é muito bonito, numa atmosfera onírica e às vezes fantasmagórica. Os dois jovens atores de despem de suas figuras de galãs e encarnam personagens mais crus e desafiadores.

Los hamsters

"Los hamsters", de Gilberto González Penilla (2015) Co-escrito e dirigido por Gilberto González Penilla, "Los hamsters" é uma comédia de humor ácido que apresenta uma família desfuncional mexicana de classe média moradora do bairro de Tijuana. Rodolfo (Angel Norzagaray) e Beatriz (Gisela Madrigal) são pais dos adolescentes Juan (Hoze Meléndez) e Jessica (Montserrat Minor). Existe uma falta de counicação entre os integrantes da família, que se isolam e vivem de mentiras. Rodolfo sai todo dia para trabalhar, mas está desempregado e tem vergonha de falar para a sua família. Ele passa o dia todo na rua, fazendo entrevistas ou sentado em cafés para passar o tempo. Beatriz, dona de casa, frequenta uma academia, onde ela quer se manter jovem e flertar com o professor. Juan acaba de saber de sua namorada que ela está grávida. E jessica está dividida em um triângulo amoroso com seu namorado e a sua melhor amiga, por quem também se apaixonou. Eu tive um problema sério para gostar do filme. O filme tem boa direção, um tipo de humor melancólico próximo ao cinema de Aki Kaurismaki, sem expressar emoções, que eu adoro. Os atores são bons. O que me irritou foram os personagens, todos antipáticos. Principalmente os adolescentes, foi difiicl torcer ou querre gostar deles. Fiquei pensando na dificuldade do ator que interpreta Juan, tentar o mínimo de humanidade ao seu personagem tão irritante.

Meeting with Pol Pot

"Rendez-vous avec Pol Pot", de Rithy Panh (2024) Indicado pelo Camboja à uma vaga ao Oscar de filme internacional 2025, "Encontro com o Ditador" foi exibido no Festival de Cannes 2024. O filme mistura ficção, documentário e animação para trazer a livre adaptação do livro escrito pela jornalista americana Elizabeth Becker, "Cambodia and the Khmer Rouge Revolution". O filme se passa em 1978. Sob o domínio do sanguinário ditador de Pol Pot e do seu Khmer Vermelho, o país está devastado, vivendo sob um regime comunista onde milhões de pessoas passam fome e 2 milhões de cambojanos foram mortos em um genocídio. Três franceses, os jornalistas Lise Delbo (Irène Jacob) e Alain Cariou (Grégoire Colin), além do fotógrafo Paul Thomas( Cyril Guei) são convidados pelo regime para uma visita ao país e apresentar as melhorias do governo. Eles esperam uma entrevista exclusiva com o Ditador, mas no meio do caminho, Paul consegue tirarumas fotos onde o que foi escondido pelo regime vem à tona: chacinas e crianças passando fome. Paul desaparece e Lise diz a Alain que enquanto não o encontrarem, ela não vai embora. Aos poucos, Lise e Alain decsobrem os horrores da guerra e do governo de Pol Pot. As cenas documentais, filmadas na época do regime, são aterrorizantes e chocantes. Em momentos onde não há registro, o filme utiliza a linguagem da animação. Irene Jacob, musa do cinema francês desde "A fraternidade é vermelha" e 'A dupla vida de Veronique", ambos de Kieslowsky, traz uma performance contundente e forte à personagem que contesta e provoca. É um filme cru, tão trágico e brutal quanto "O último rei da Escócia", com Forrest Withaker no papel de idi Amin, ditador da Uganda.

sexta-feira, 31 de julho de 2026

7 vidas

"7 vidas", de Alejo Rébora (2024) Co escrito e dirigido por Alejo Rébora, "7 vidas" é produzido pela produtora independente argentina SARNA cinepunk. Os filmes realizados pels produtora primam pela anarquia, com produções fora dos padrões do grande público. O filme mistura comédia ácida, realismo fantástico, em uma história que eu não curti muito. Achei tudo bem confuso, personagens sem carisma, uma gritaria. Não entrei na proposta bizarra da história. Jorge (Joaquín Gallardo) é um jovem que mora em um prédio de alta tecnologia, comandada por inteligência artificial. Sem condições de pagar pelo luxo e conforto, Jorge conseguiu um apartamento em troca de um acordo: cuidar do gato de um magnata. O prédio é supervisionado por dois porteiros meio malucos e surtados. Quando chega no apartamento, Jorge descobre que o gato está morto. A porta bate, e quando Jorge vai abrir, uma mulher entra e age como um gato: essa mulher, Lucy (Maia Barrio) alega ser René reencarnado, e que foi assassinado com comida envenenada. Lucy agora quer encontrar o responsável, com a ajuda de Jorge. Tem filme argentino que aposta em filmes ambientados em prédios com personagens bizarros. Aqui é um exemplo. Mas o roteiro não me cativou.

Delfín

'Delfín", de Gaspar Scheuer (2019) Escrito e dirigido por Gaspar Scheuer, "Delfín" é um comovente e sensível drama que remete imediatamente a filmes como "Billy Elliot" e até a filmes iranianos, como "Filhos do paraíso". Exibido no Festival de Cannes na seção 'Ecrans junior", o filme tem como protagonista Delfín (Valentino Catania), 11 anos, órfão de mãe e morando com seu pai em um casebre decadente. O pai de Delfín (Cristian Salguero) trabalha como operário freela. Delfín trabalha de manhã em uma padaria, entregando pães, e depois segue para a ecsola, onde já chega cansado. Del'fin tem 2 paixões: a sua professora, e tocar trompete. Seu sonho é poder participar da orquestra infantil da cidade vizinha, mas para isso, ele precisa lutar contra todas as adversidades que a difícil vida trouxe para ele e seu pai. O filme traz performances excelentes dos dois protagonistas. O pequeno Valentino Catania traz uma melancolia encantadora para o seu personagem, e é impossível não torcermos por ele, e sofrermos juntos. Marcelo Subiotto, que interpreta o dono da padaria que emprega Delfín, também é grande destaque. O cineasta GAspar Scheuer quiz fugir de um happy end tradicional. Então, prepare o lenço.

Extracto de adiós

"Extracto de adiós", de Emanuel Brunella (2025) Longa de estréia do roteirista e cineasta argentina Emanuel Brunella, "Extracto de adiós" é o cinema possível. COm o cinema argetino sucateado pelo govenro, Emanul decidiu filmar com 5 pessoas na equipe: ele, os dois únicos atores, uma assistente de arte e um técnico de som. Todo o filme foi improvisado, tanto na filmagem, quanto nos diálogos. As referências de cineastas que Emnual se apropriou foram Jonas Mekas e John Cassavettes. Do primeiro, ele traz as imagens estáticas, retratando o cotidiano, que dão início e desfecho ao filme. De Cassavettes, veio o improviso e o relacionamento obscuro e conflituoso de um jovem casal, nas ruas de Buenos Aires. A narratia do filme se divide em 3 sequências temáticas. Na primeira, Ivan (Ricardo Rivas) encontra Sofia (Sofia Pezzali) em um banco de uma praça. Assim como em "Antes do amanhecer", os dois jovens caminham pelas ruas da cidade, entram em uma locadora, bebem cerveja, e caminham novamente. O que o diferencia do filme de Richard Linklater, é que aqui, o silêncio se faz presente. Na segunda parte, Ivan leva uma deprimida Sofia nas costas, para que ela viaje de ônibus para resolver um assunto. Na terceira parte, o casal discute durante a noite. O filme apresenta uma geração de 30 anos totalmente desesperançada e desencantada. Os dois protagonistas se conectam pela melancolia, depressão e falta de persepctiva. É um retrato que reflete o quanto a opressão do cotidiano destrói e suga a energia e as vidas de jovens. O desfecho sugere alguma possibilidade de luz no fim do túnel. Mas ainda assim, um filme que traz gatilhos emocionais para os que sentem que não produziram nada nessa etapa da vida. A linguagem do filme é experimental, fragmentada, tem momentos que o áudio é inaduível e surgem legendas. A câmera na mão é frenética, inconstante, assim como a vida dos protagonistas.

quinta-feira, 30 de julho de 2026

Látex rojo

"Látex rojo", de Gerard Marco de Mas (2020) Escrito e dirigido por Gerard Marco de Mas, "Látex rojo" é uma produção indie argentina. O filme envolve o tema da dominação, fetiches e BDSM. Mas a maior supresa no roteiro, é o seu último minuto, que envereda para um outro caminho temático. Eric tem uma vida que o deixa com burn out: sofre pressão no trabalho; em casa, seus pais vivem dizendo o que ele deve fazer da vida; sua esposa grávida, que mora com Eric e os pais deles, o cobra todo o tempo. Eric decide tomar uma decisão: abandonar a família e fugir para a mansão vizinha, que pertence à Dominatrix Mestra Gise. Eric se oferece à ela e pede para ser seu escravo, esperando assim, ter a sua liberdade. Mas Eric não esperava que as exigências de Gise se tornassem cada vez mais violentas e perversas. Sua esposa, seu pai e depois sua mãe, todos tentam em vão resgatar Eric. Quando li a sinopse do filme, imaginei que ele seguisse um caminho mais erótico, com cenas pesadas de bondage. Mas o filme se mostra menos corajoso do que se propõe, tanto qe no final o rumo da história muda radicalmente. A produção é bem amadora, os atores, medianos. Não sei qual foi a proposta do diretor e roteirista. A falta de cuidados técnicos, tanto na fotografia quanto na direção de arte, acabam trazendo um charme extra para quem curte filmes zoados.

The butcher's blade

"Shou zhe tian", de Liu Wengpu (2026) Filme de ação wuxia, repleto de incríveis cenas de lutas de artes marcais ( daqueles onde os personagens voam, escalam casas, dão saltos acrobáticos) ambientado no período da Dinastia SOng, que vai de 960 a 1279. O filme começa com cartelas anunciando que as penas criminais nessa época eram bastante severas, a mmaioria culimando com torturas e mortes. Xue Buyi (Liu Fengchao) é um policial que integra o esquadrão de elite chamado de 'Quartel da águia", com policiais altamente treinados pelo chefe e mestre Huang Shining. Quando acontece um roubo de preta, metal destinado ao uso do governo, Xue e o esquadrão são designados para descobrir os criminosos. Mas quando xue descobre que o verdadeiro criminoso é seu mestre Shining, ele é atacado e fica abandonado à morte. Mas ele consegue se recuperar e agora deseja se vingar. Para quem adora filmes wuxia, esse filme oferece cenas de ação espetaculares ( nos créditos finais, o filme apresenta making of com os ensaios do elenco em estúdio).

Bajo mi piel morena

"Bajo mi piel morena", de José Celestino Campusano (2019) Indicado à melhor atriz revelação (Morena Yfran) no Argentinean Film Critics Association Awards 2021, o drama queer "Bajo mi piel morena" é escrito e dirigido por José Celestino Campusano. O filme apresenta 3 protagonistas trans, e revela o cotidiano de transfobia e assédio policial que vivem. Morena (Morena Yfrán) trabalha em uma fábrica têxtil desde os 16 anos de idade. Sempre sofreu preconceito por parte das mulheres e dos homens, mas mateve-se altiva e segura de si o tempo todo. Morena namora um homem pelo qual é apaixonada, mas rompe o namoro quando decsobre que ele mentiu para ela o tempo todo: ele é casado e pai de 2 filhos. Claudia (Maryanne Lettieri) é professora formada e ao ser contratada para dar aula em uma escola, sofre transfobia da diretora e principalmente, da mãe de um dos alunos. Myriam (Emma Serna) é prima de Morena e se prostitui. O seu envolvimento com a polícia acaba trazendo problemas para Morena e Claudia. O filme tem uma narrativa crua, com muitas cenas de s3x0 e nudez ousadas. As atrizes são ótimas e mereiam prêmios em festiais e mais reconhecimento pela força com que atuam e defendem suas personagens. A cena em que Claudia discute com a mãe de um aluo é excelente e deixa clara o preconceito que as pessoas trans sofrem diariamente. A cena final, de Morena tomando banho no chuveiro feminino da empresa, provocando as trabalhadoras do local, é formidável.

La Danse des renards

"La Danse des renards", de Valery Carnoy (2025) Concorrendo na quinzena dos realizadores do Festival de Cannes, de onde saiu com 2 prêmios, "La danse des renardes" é co-escrito e dirigido por Valery Carnoy e co-produzido por França e Bélgica. O filme traz o contexto já bastante visto em muitos filmes coming of age e de amadurecimento: um jovem esportista, no caso, boxeador, entre em conflito com o ambiente tóxico e de masculinidade excessivamente rudimentar e decide repensar a sua forma de agir na vida. Diferente da maioria dos filmes, que retrata o protagonista saindo do armário e apaixonado por algum colega, aqui Camille (Samuel Kircher) tem um melhor amigo, Matteo (Fayçal Anaflous). são amigos, confidentes. Mas não existe tensão sexual entre eles. Tomam banho juntos, visitam a casa um do outro, didivem intimidade e conflitos pessoais, mas até onde o filme chega, não existe desejos carnais nem amorosos. Camille é um dos mais promissores jovens talentos do boxe, treinado por Bogdan (Jean-Baptiste Durand), um professor exigente e humano. Quando Camille, por imprudência, se acidenta, após cair de uma ribanceira, ele faz uma cirurgia no braço, ficando com cicatriz. Após esse incidente, ele contrai um trauma. Os médicos não conseguem identificar o que está se passando com Camille. Camille vai cada vez mais se afastando do treinamento, e assim, de seu amigo Matteo e da equipe. "la danse dos renards" traz um sub-plot: Camille rouba carne para provocar as raposas do mato. Ele as amarra bem alto para que elas as alcancem. Essa metáfora sobre extrapolar desafios é utilizada com boa dose dramática na história, com ótimas perfomances do jovem elenco. Não me surpeendeu tanto, e o ritmo achei bem arrastado.

A boca do diabo

"The devil's mouth", de Jeff Wadlow (2026) Quando você pensa que darão sossego em filmes de tubarão, surgem mais uns 4 filmes, pelo menos. De toda a fauna animal, o tubarão é certamente a grande estrela, uma verdadeira obsessão dos produtores e roteiristas. E nós, pobres espectadores, viciados nesses predadores do mar, não perdemos nenhum, seja filme trash estilo "Sharknado" ou mais assustadores e realistas, tipo "Águas rasas" ou "Mar aberto". "A boca do diabo" fica entre essas 2 classificações. Não é um trash. Mas seu roteiro é tão irritante, óbvio e descaradamente sem criatividade que fica difícil defender. Cinco amigos americanos que estão para se formar na faculdade viajam até Krabi, na Tailândia, para passarem suas férias juntos. Sara (Kathryn Newton), Max (Lana Condor), James (Nico Hiraga), Greg (Gavin Casalegno) e Adrienne (Tommi Rose) são amigos de longa data. Sara e Max são próximas: quando o pai de Sara morreu na Tailândia, durante uma expedição na caverna Boca do diabo, foi Max quem ficou do seu lado, durante seu luto. Agora, o grupo deseja conheer a Boca do diabo. Eles alugam um barco com o guia local, Wat (Tayme Thapthimthong). Apesar dos avisos de Wat para não adentrarem tão a fundo as cavernas, Max insiste. O grupo só não poderia imaginar que um enorme tubarão, que ficou preso nas carevnas, fosse atacá-los. O que me deixou extremamente irritado no filme, é a construção da personagem de Max. A atriz vietanamita Lana Condor, famosa pela trilogia de sucesso romântica da Netflix "Por todos os garotos que amei", interpreta uma personagem tóxica, muito diferente de sua protagonista romântica. O problema é que a personagem é tão irritante, tão sem humanidade, que fica difícil torcer por ela, e obviamente, todo espectador irá que ela seja uma das primeiras e servir de refeição. Para piorar, o filme é muito escuro, e mal dá para enxergar os ataques do peixão.

Sem norte

"Norteado", de Rigoberto Pérezcano (2007) Co-escrito e dirigido por Rigoberto Pérezcano, 'Sem nome" foi vencedor de melhor filme em Roterdan e San Sebastian. O filme foi c-escrito e dirigido por Rigoberto Pérezcano e co-produzido por México e Espanha. Adaptado do conto “Limbo”, de Edgar San Juan, o filme é um retrato desolador e comovente de mexicanos que procuram atravessar a fronteira com os Estados Unidos para tentarem a sorte e uma nova vida. Andrés (Harold Torres) é de Oaxaca do norte. Ele vaga pelo deserto inóspito em direção à fronteira com os Estados Unidos. Ao chegar ao local, observa que policiais da imigração fazem uma forte ostensiva. Andrés decide aguardar e encontra a pequena cidade de Tijuana. Ali, ele conhece 3 pessoas que irão mudar ou não a sua vida: Ela (Alicia Laguna), dona de um mercadinho que lhe oferece um emprego temporário; Cata, sua funcionária (Sonia Couoch)e Ascensio (Luis Cárdenas). Todos os três irão ajudar Andrés em seu desejo de atravessar para os Estados Unidos. O filme tem um ritmo lento e contemplativo, filmando com um olhar documental a rotina de pessoas que sobrevivem à pobreza e a futuros incertos. A sequência final é de doer a alma: Andrés sendo colocado dentro de uma potrona, para tentar atravessar a fronteira, ao lado de mobílias. É a total desumanização. Só essa sequência já vale todo o filme. O elenco está ótimo , em tons naturalistas e com performance minimalista.

Homem aranha- Um novo dia

"Spider man- a brand new day", de Destin Daniel Cretton (2026) Essa 4a aventura do “Homem aranha” com Tom Holland está sendo aclamada como a melhor do ator, e é verdade. O roteiro traz elementos que os outros não tinham, que é a emoção ( com exceção do anterior que reuniu novamente Tobey Maguire e Andrew Garfield na festejada cena do reencontro). O 3o final de “Um novo dia” é carregada de melancolia: a perda de entes queridos e como que pode se seguir a vida adiante carregando o fardo do luto e da culpa. Outros elementos que eu adorei: não ter mais nada do multiverso, que eu particularmente odiava. O filme agora se concentra no drama dos personagens em suas vidas reais, na cidade de Nova York. Que aliás, é a grande homenageada do filme: além de muitas cenas rodadas em externa, os créditos finais trazem imagens lindas e poéticas da cidade, com seus moradores. É lindo. A história traz Peter Parker em uma enorme tristeza por não poder revelar a MJ (Zendaya) e Red , seu melhor amigo, quem ele é. No último filme, eles tiveram suas memórias sobre a sua relação com Peter apagadas, e não o conhecem. Fora isso, surge uma grande vilã ( a a revelação da personagem no filme provocou a quebra de contrato com o cantor Steve Lacy quando o relevou sem querer durante uma coletiva de imprensa, sendo considerado spoiler) que tem o poder de controlar a mente das pessoas. A história traz personagens Marvel que irão ajudar, ou atrapalhar, o Homem Aranha em sua tentativa de prender a vilã: Hulk, Viúva negra e o Justiceiro, em grandes e divertidas participações de Mark Ruffalo, Florence Pugh e John Berthal. A curiosidade fica para a escalação de Sadie Sink, que está excelente na personagem: nada me tira da cabeça que o motivo dela ser escalada foi a sua participação em ‘Stranger things”, principalmente no episódio em que ela foi controlada mentalmente pelo Vectra. Aqui, ela faz a mesma personagem de Eleven. Tom Holland, ao contrário das enormes críticas ao seu papel em ‘A odisséia”, traz carisma e dessa vez também, sensualidade ao seu personagem que o alçou ao posto de grande celebridade em Hollywood. A cena final de “Um novo dia” certamente irá trazer lágrimas para muitos marmanjos.

terça-feira, 28 de julho de 2026

Twilight of the Warriors: Walled In

"Jiu Long cheng zhai: Wei cheng", de Soi Cheang (2024) Adaptação da graphic novel "City of darkness", "Twilight of the Warriors: Walled In" é um filme obrigatório para quem é fã dos clássicos "Fuga de Nova York", "The warriors" , ambos dos anos 80, e dos filmes wuxia, como o recente "The fury". O filme alia um ótimo roteiro com artes marcais e porradaria do jeito que os chineses fazem muito bem. O filme foi a 2a maior bilheteria do ano de 2024 na China, e segundo li, vai dar origem à uma franquia. O filme é ambientado em Hong Kong nos anos 80, antes de ser anexada à China, ainda sob o controle do Reino Unido. Chan Lok Kwan (Raymond Lam) é um imigrante em Hong Kong que deseja ter uma identidade para legalizar a sua situação. Ao participar de uma luta ilegal, ele ganha dinheiro para comprar a ID. Mas ele é enganado pelo mafioso Mr Big e rouba um saco de dinheiro. OS capangas correm atrás dele, mas Chan Lok Kwan (Raymond Lam) entra na Cidade murada de Kowloon: uma cidade decadente, governada por gangues em oposição a Mr Big, que não pode entrar ali. Chan Lok Kwan (Raymond Lam) descobre que o saco que roubou contém drogas. Ao tentar vender, ele apanha dos capangas de Cyclone, o chefe da gangue local. Logo Chan Lok Kwan (Raymond Lam) é integrado ao grupo, quando Cyclone observa nele habilidades de luta. Chan Lok Kwan (Raymond Lam) integra a gangue junto de Shin, Av e 12o mestre. mas Mr Big decide invadir a cidade e matar Chan Lok Kwan (Raymond Lam). O filme e livremente inspirado em fatos reais: Kowloon era um bairro decadente onde o govenro enviava traficantes, prostituras, imigrantes. Ele foi derrubado em 1993. O filme tem ótimas cenas de ação, empolgantes e personagens que o público fica torcendo contra e a favor. Todo o visual dos anos 80 certamente deve ter sido inspirado nos filmes que citei acima, principalmente o visual das gangues. Imperdível.

Himizu

"Himizu", de Sion Sono (2011) Concorrente em Veneza 2011, o filme saiu com o prêmio Marcello Mastroiani concedido a jovens atores, no caso, os atores Shôta Sometani e Fumi Nikaidô, que interpretam os protagonistas Sumida e Keiko, O filme narra a tragédia do pós-tsunami no Japão, em março de 2011. Na região de Fukushima, onde se passa a história, os sobreviventes, desolados pela catástrofe que destruiu sonhos, tentam se reerguer. Sumida é um jovem de 14 anos que mora com sua mãe na beira do lago. Eles tem uma pequena empresa de aluguel de barcos. O pai, que abandonou o lar, sempre retorna, pedindo dinheiro e espancando Sumida, desejando que ele morra para poder receber o seguro. Ao mesmo tempo, temos a história de Keiko, colega de turma de Sumida, por quem nutre paixão platônica. Ela e outros refugiados procuram levantar o astral de Sumida, mas ele se recusa aceitar a ajuda. Sumida é a metáfora do Japão. Uma nação orgulhosa, que tenta se reerguer por conta própria. O filme caminha pelo drama, passeando pela tragédia e violencia urbana. Sono, diretor do excelente "Mesa de jantar de Noriko" e do cult "O pacto", abusa em seus filmes da violência e do bizarro. Aqui, ele caminha mais pelo drama realista, mas sem largar mão da crise emcoional dos seus personagens, que em momentos de catarse, demonstram um lado animalesco que eels próprios desconhecem. O filme é baseado em um mangá, porém como foi escrito anterior ao Tsunami, foi todo readaptado pelo próprio diretor, que filmou nas locações reais, devastadas pela força da natureza. Como em quase todos os filmes japoneses, a gente estranha que as vezes a narrativa descamba para o patetico, pastelão, e os atores exageram na performance. Mas isso é um dado cultural. A grande força do filme é a atuação dos atores. É um filme difícil, cruel. A cena do jovem matando um personagem, em plano-sequência, é antológica.

Otros entre otros

"Otros entre otros", de Maximiliano Pelosi (2010) Documantário dirigido por Maximiliano Pelosi e que trata do tema dos judeus gays na Argentina e como vivem sob a forte homofobia da conservadora comunidade judiaca. Através de depoimentos de 4 jovens gays judeus: Gustavo, Daniel, Diego e Dan ( esse último, um artista drag), o filme fala sobre a repressão familiar, religiosa, e o estigma que sofrem para viver uma vida de mentiras. O filme apresenta diversas cartelas ilustrativas: na Argentina, existe uma comunidade de judeus estimada em 250 mil pessoas. Desses, de 6 a 8 por cento são declaradamente gays, em torno de 15 mil pessoas. Um dos depoentes em determinando momento diz "somos poucos e nos conhecemos bem" deixando claro que mantiveram um grupo de apoio para se ajudarem em suas questões conflituosas. O filme também expressa o termo "diferentes dentro dos diferentes", falando que o fato de seu judeu já os diferencia, e sendo ainda gay,, torna ainda mais forte a questão da minoria. Enquanto alguns conseguiram ser aceitos pelos pais, Gustavo precisou distanciar-se de sua família para poder viver a sua vida e ser feliz. Foi criado o grupo JAG - Judeus Gays Argentinos, que luta pelos direitos dessa fatia da comunidade judia. O filme, como cinema, é bastante convencional, faltando uma dinâmica mais para traezr mais interesse ao espectador. Depoimentos, fotos de arquivo são apresentadas numa narrativa careta e sem emoção. Mas valeu para introduzir o tema para o público.

Heart attack

"Ham puay... Ham phak... Ham rak mor", de Nawapol Thamrongrattanarit (2015) Melhor filme, ator e atriz no Thailand National Film Association Awards, "Heart attack" é um drama romântico escrito e dirigido pelo cineasta tailandês Nawapol Thamrongrattanarit. O filme acompanha dois jovens protagonistas: Yonn (Sunny Si Suwanmethanont), 30 anos, designer gráfico. Ele é workhaholick e pega todos os trabalhos de photoshop que surgem, deixando de dormir e se alimentando mal paracumprir deadlines cobrados pela sua agente e amiga, Je (Violette Wautier). Quando surgem erupções cutâneas, Yonn decide ir para um dermatologista em um hospital público. Após horas de espera, ele é atendido pela médica residente Imm (Davika Hoorne). Os dois se apaixonam, mas pela questão ética, mantêm a posição de paciente e médica. O filme se passa praticamente em 2 ambientes: a sala do apartamento de Yonn, e o consultório apertado de Imm. Me lembrei do filme "Nunca te vi, sempre te amei", com Anne Brancroft e Athony Hopkins, sobre duas pessoas apaixonadas que não podem consumir o amor que sentem um pelo outro. Um sensível e belo filme, co, pitadas de humor, e protagonistas carismáticos. O que prejudica é a sua longa duração, 135 minutos. A beleza do elenco é um grande atrativo para se assistir ao filme.

Zombie Ass: Toilet of the Dead

"Zonbi asu", de Noboru Iguchi (2011) Co-escrito e dirigido por Noboru Iguchi, "Zombie ass" é dos filmes mais trash e toosqueiras que já assisti. Para quem conhece a produtora americana Troma, especializada em filmes trash, certamente irá se familiarizar e adorar esse filme japonês. Quem não estiver nessa vibe de curtir filmes nojentos, escatológicos e bizarros, melhor nem assistir. O filme apresenta um grupo de 5 amigos que decidem passear em uma vila isolada na floresta. Eles querem que Megumi, uma estudante colegial, espaireça. Sua irmã se su1c1d0u recentemente, vítima de bullying, e Megumi se sente culpada. Aya seu namorado drogado Takê, a modelo Maki e o nerd Naoi acompanham Megumi. Quando Maki pesca no rio, ela fisga um peixe, e ao cortá-lo, encontra um parasita dentro dele. Ela decide devorar o parasita, acreditando que ele a fará ficar agora e assim, fazer sucesso nas passarelas. Ela passa mal e ao correr até um banheiro de uma casa abandonada, ela defeca. As fezes se transformam em zumbis feitos de merda e passam a atacar o grupo. O que vem a seguir é algo que não dá para contar, para não estregar a surpresa. É tudo tão doido, tosco, hiperbólico. O filme faria sucesso em qualquer sessão de midnight movies, para um público específico. Mas é difícil absorvê-lo. É nojento, absurdamente ousado.

Choele

"Choele", de Juan Sasiaín (2013) Choele é um município a 11 horas de Buenos Aires. É ali que Coco, um menino de 11 anos, vai passar as férias com o seu pai, divorciado de sua mãe com quem Coco mora. Coco é um menino esperto e alegre, e apaixonado pelo seu pai. Mas quando conhece Kimey, a namorada de seu pai, seus sentimentos se transformam: apaixonado por ela, ele vê em seu pai um rival. Lindo e raro filme argentino totalmente familiar, repleto de sentimentalismo e que a gente assiste com enorme prazer. Todo pelo ponto de vista do menino, remete a pequenos clássicos juvenis, como "O verão de 42" ou o nacional " Houve uma vez dois verões", de Jorge Furtado. Dirigido com muita delicadeza, e respeitando o universo dos adolescentes com muito carinho, o cineasta e roteirista Juan Sasiain foi feliz ao escalar 3 atores que tem uma química fantástica: Leonardo Sbaraglia, o grande galã argentino, e extremamente carismático; Guadalupe do Campo, vivendo com muita leveza e sedução a jovem namorada, primeiro amor de Coco; e o menino Lautaro Murray, em seu primeiro papel no cinema, exalando frescor e espontaneidade, sem interpretação forcada. Assisti ao filme com muita simpatia, e recomendo para quem quer ver um delicado drama sobre o "coming of age" que mesmo tratando de lugar comum, vale pelo amor dedicado ao projeto de todos os envolvidos. Trilha sonora linda, e fotografia que valoriza a locação.

Leviticus

"Leviticus", de Adrian Chiarella (2026) E se o premiado filme brasileiro 'Pedágio", de Carolina Markowicz, fosse um filme de terror? Tanto "Pedágio" quanto "Leviticus" possuem muitas semelhanças temáticas. É a personagem da mãe quem busca ajuda de um religioso para fazer a conversão de orientação sexual em seus filhos. O terror em "Pedágio" é simbólico, em "Leviticus" é sobrenatural. Os protagonistas são personagens adolescentes que decsobrem a sua paixão por alguém do memso gênero e por isso, sofre represálias da família e da igreja Escrito e dirigido por Adrian Chiarella, "Leviticus" concorreu nos Festivais de SXSW e Sidney, ganhando prêmios em Frameline San Francisco International LGBTQ Film Festival e Astra midseason. Foi exibido com sucesso em Sundance e traz o terror australiano de volta ao circuito, após o grande sucesso de filmes como "Babadook", "Fale comigo" e "Wolf creek". Após a morte de sue pai, Naim (Joe Bird). se muda com sua mãe, Arlene (Mia Wasikowska) para uma cidade do interior, Victoria. A maioria dos moradores do bairro onde moram são frequentadores da igreja local. Arlene também é religiosa. Niam se apaixona por um colega da escola, Ryan (Stacy Clausen), e eles se encontram esconidos. Quando Naim testemunha Ryan aos beijos com o filho do pastor, Hunter (Jeremy Blewitt), ele sente ciúmes e os entrega em segredo para os pais do pastor, que contratam um curandeiro para fazer um exorcismo nos dois rapazes. Arlene descobre que Naim também andou comos rapazes e contrata o curandeiro para seu filho també. Os rapazes passam a ver um duplo das pessoas que ama, ameaácndo-os de morte e sem saberem se é a pessoa real ou o duplo mortal. Utilizando o terror para expôr críticas à igreja conservadora e à homofobia, o filme traz ótimas performances. Eu estava com saudades de Mia Wasikowska, uma atriz subaproveitada nas produções recentes. O terror não é intenso, cabendo ao drama a sua maior força. O personagem de Naim me deixou bastante irritado e tive dificuldade para torcer por ele.

segunda-feira, 27 de julho de 2026

A aposentadoria

"El retiro", de Ricardo Díaz Iacoponi (2019) Dramédia co-escrita e dirigida por Ricardo Diaz Iacoponi, é uma produção argentina protagonizada pelo veterano ator Luis Brandoni, falecido em 2026 e ator da comédia clássica "Esperando a carroça", além do filme com Ricardo Darin, "A odisséia dos tontos". Rodlfo (Brandoni) acaba de se aposentar. Viúvo, ele mora sozinho. Tentando se acostumar com a aposentadoria, Rodolfo trabalhou 50 anos como aobstreta, o que o afastou de sua família: sua falecida esposa e sua filha, Laura (NancyDuplaá), uma cantora que guarda ressentimento pela ausência do pai. Quando a empregada de Rodolfo, Yanina (Eugenia Ruiz) viaja de surpesa para sua cidade de Santiago del Estero, ela deixa seu filho de 10 anos Diego (Marcos Da Cruz) aos cuidados de Rodolfo, através de um bilhete. Sem saber o que fazer, Rodolfo não consegue localizar Yanina, que desaparece. Rodolfo passa a cuidar do menino. Ao memso tempo, Laura pede para ficar uns dias na casa do pai para resolver problemas pessoais, e decide de vez a resolver seus problemas com ele. Filme leve e simpático, carregando uma dosse de melancolia, ao mostrar a vida de pessoas solitárias de terceira idade na Argentina. Os atores estão ótimos , e para quem gosta de um "feel good movie", é uma ótima pedida.

Beginnings

"Begyndelser", de Jeanette Nordahl (2025) Co-escrito e dirigido pela cineasta dinamarquesa Jeanette Nordahl, um dos maiores runfos de "Beginnings" é a formidável atriz Trine Dyrholm, de quem sou um grande fã. O filme concorreu no Festival de Berln em 2025. O drama é comovente e me deixou muito triste. Baseado na hist'roia real ocorrida com os pais da diretora, traz Trine interpretando Ane. Ela é professora de uma universidade. Ela é casada com Thomas (David Dencik) e são pais da adolescente Clara (Bjørk Storm Engelshardt Kirkegaard) e da pequena Marie (Luna Fuglsang Svelmøe). O casal está em vias de divórcio, mas ainda não contaram para as filhas. Thomas já tem uma amante mais jovem. Um dia, Ane tem um avc e cai da escada de casa. Ela é levada ao hospital e está com metade do corpo paralisado. Preocupado com Ane e com suas filhas, o casa decide não contar para as filhas da separação até Ane poder se recuperar. Mas Ane está angustiada: não quer ser ajudada pelo homem que ela não ama mais, e tem dúvidas sobre se seu corpo um dia voltará ao que era antes. Eu só sei que a medida que o filme avançava, eu ia ficando mais arrasado. é uma história muito dolorosa, ainda mais em se tratando de morar na mesma casa com alguém com quem você não nutre mais amor, mas que depende dele. O trabalho de direção é sutil e excelente. O elenco todo etsá muito bom E mais uma vez , Trine prova ser das maiores atrizes do mundo. A cena em que ela se vê a si mesma dançando, furiosa, é arrebatadora.

Super paradise- The story of Mykonos

"Super paradise- The story of Mykonos , de Steve Krikris (2025) Melhor documentario no Los Angeles Greek Film Festival (LAGFF), "Super paradise- The story of Mykonos" é um filme que apresenta a Ilha de Myonosos, na Grécia. Hoje, uma das principais atrações turísticas do país, trazendo celebridades e turistas do mundo inteiro, na década de 70 era o oposto: era uma ilha desvalorizada, um destino que não fazia parte dos roteiros obrigatórios. Considerada a "Cinderela das ilhas gregas", começou como um vilarejo de pescadores. Depois, no final dos anos 60 e início dos 70, se tornou refúgio dos hippies. Coma. ditadura militar do país, a ilha se tornou um paraíso para pessoas liberais. Ali, era permitido relacionamentos com pessoas do mesmo gênero- a homosseuxlaidade era proibida até os anos 70. A ilha aos poucos foi se tornando um local boêmio, atraindo turistas e celebridads em busca de s3x0, topless na praia e festas hedonistas. O filme traz depoimentos de moradores e sobreviventes da época de ouro, além de imagens em super-8. Eu queria ter gostado mais do filme. Ele tem uma narrativa careta, tradicional, sem ritmo e anêmica. Para a temática, merecia algo mais sensual, dinÂmico e esfuziante.

domingo, 26 de julho de 2026

Lumière, Le Cinéma!

"Lumière, l'aventure continue", de Thierry Frémaux (2024) Dirigido, escrito e narrado por Thierry Frémaux, chefe do Instituto Lumière na cidade natal dos irmãos, Lyon, na França. Os irmãos Auguste Louis Lumière criaram e patentearam o cinematógrafo em 1895. O filme é um documentário que reúne 120 pequenos filmes rodados pelos irmãos Lumiere, entre os anos de 1895 a 1905. Nesse período, eles rodaram mais de 2000 filmes, com a duração de no máximo 50 segundos. Os films foram restaurados pelo instituto. Thierry os apresenta em ordem cronológica e temática. No início, os irmãos registravam a vida cotidiana, com o olhar documental. Logo, abriram salas de cinema para que os espectadores pudessem assistir aos filmes. O pai deles, Antoine, sugeriu que os filmes entretessem o público, e a partir daí, surgiram os filmes enccenados, com artistas interpretando situações geralmente cômicas. Mas o que interessa a Thierry é enaltecer o olhar documental e contemplativo dos filmes deles. Thierry também avalia a rivalidade entre Lumieree George Melies, considerado o diretor de cinema de ilusão. Ele comara o cinema dos irmãos Lumiere a Rosselini e o olhar do cinema neo relaista e da nouvelle vague, e Melies, a Fellini e ao cinema de Hollywood. O filme termina mostrando Francis Ford Coppola, em 2019, dirigindo um remake do famoso filme "A saída dos operários da fábrica Lumiere": Coppola filma com o cinematográfico 35 mm, e ao invés da fábrica, ele contextualiza uma fachada de cinema onde está sendo exibido um filme seu, e os espectadores saindo docinema, finalizando com um close do cineasta Bertrand Tavernier, falecido logo após essa filmagem, em 2021, e a quem Coppola dedica seu filme.