quarta-feira, 15 de agosto de 2018

Vidas à deriva

"Adrift", de Baltasar Kormákur (2018) Prato feito para quem quer sair do cinema aos prantos, "Vidas à deriva" é baseado na história real de Tami Oldham (Shailene Woodley), e Richard Sharp (Sam Claflin), ocorrido em 1983, quando eles tinham respectivamente, 24 anos e 33 anos. Tami é uma americana que resolve viajar para o Tahiti sem lenco nem documento. Trabalhando com manutenção de iates, ela acaba conhecendo o iatista e aventureiro Richard, e ambos se apaixonam. Os 2 aceitam um trabalho, de levar um iate do Taiti até San Diego, mas no caminho, enfrentam um terrível furacão, que destrói a embarcação e os deixa à deriva no mar, entre a vida e a morte. O cineasta islandês Baltasar Kormákur é aficionado por filmes catástrofes: ele dirigiu o também filme de naufrágio "Sobrevivente", e também o americano "Everest", todos os filmes baseados em fatos reais. A atriz Shailene Woodley também atua como produtora do longa. Com excelentes cenas subaquáticas, e efeitos de ação espetaculares, o filem alterna entre o romance e um drama trágico. O roteiro alterna 2 tempos: passado e presente: o filem já começa com o barco já acidentado, e daí, vai e volta no tempo, entre o casal acidentado, e o casal se apaixonando. é uma narrativa arriscada, pois a cena do acidente em si somente acontece nos 20 minutos finais. Muita gente ficou puta com o plot twist, mas foi a forma que os roteiristas encontraram para acrescentar tensão ao filme. Fico imaginando a grande dificuldade que foi fazer esse filme, que tem quase 90% das cenas em alto mar, rodadas a mais de 2 horas de distância de terra firme, para dar a sensação claustrofóbica de isolamento. Grande performance de Shailene Woodley, comovente, e um trabalho incrível de maquiagem.

Namorando uma mulher

"Coming in", de Marco Kreuzpaintner (2014) Divertida comedia romântica alemã, dirigida pelo mesmo realizador do cult "Tempestade de verão". Tom Herzner (Kostja Ullmann, ótimo) é um famoso cabeleireiro assumidamente gay e fashion de Berlin. Dono de um Mega salão, ele é casado com o seu sócio e parceiro Robert. Um dia, um empresário diz querer investir na marca de Tom, mas quer que os produtos expandam para o público feminino. Para isso, Tom se oferece anonimamente para trabalhar em um salão cuja dona é a atrapalhada e romântica Heidi (Aylin Tezel, carismática). O que Tom não esperava, é que fosse se apaixonar por Heidi, e vice-versa. Com personagens simpáticos, principalmente o núcleo de amigos gays de Tom, o filme investe em uma comédia de erros, e espantosamente para um filme alemão, ele é engraçado e bastante romântico, seguindo uma fórmula totalmente americanizada, sem que isso signifique baixa qualidade. é um deliciosos passatempo sessão da tarde, que discute gêneros, gostos, saídas e entradas de armários. Trilha sonora pop, ritmo gostoso, bom elenco.

terça-feira, 14 de agosto de 2018

Elefante

"Elefante", de Pablo Larcuen (2011) Premiado curta espanhol, é uma excelente parábola sobre o isolamento social e profissional. Uma fantasia muito criativa, com ótima maquiagem. Manuel é um homem de meia idade, que trabalha de forma burocrática em uma empresa. Ele somente tem um amigo. Sua família o ignora por completo. Um dia, ao visitar o médico, ele recebe um terrível diagnóstico: está se transformando em um elefante. Com apenas 9 minutos, o filme apresenta um roteiro inteligente, muito bem construído com imagens quase surreais. Tecnicamente perfeito: fotografia, efeitos, trilha sonora , edição e o trabalho quase caricato dos atores, lembrando o universo de Jean Pierre Jeunet. O desfecho é cruel, mas ao mesmo tempo, poético. https://vimeo.com/86701482

segunda-feira, 13 de agosto de 2018

Canastra Suja

"Canastra suja", de Caio Soh (2017) Formidável drama visceral, potencializado pelo trabalho excepcional de todo o elenco: Adriana Esteves, Marco Ricca, Pedro Nercessian, Cacá Ottoni (em complexa composição como uma jovem autista), Bianca Bin, David Junior e participações de atores consagrados como Millen Cortaz, Gustavo Novaes, Emilio Orciollo Netto, Bruno Padilha. Ambientado no subúrbio carioca, acompanhamos a difícil rotina de uma família de classe média baixa e a sua luta para sobreviver, dentro e fora de casa. O pai, Batista (Marco Ricca), é um alcóolatra e trabalha como manobrista em um Hotel na Barra. Sua esposa é a dona de casa Maria (Adriana Esteves), viciada em anabolizantes e que tem como amante o namorado de sua filha, Emilia (Bianca Bin). Os outros 2 filhos são o desajustado Pedro (Pedro Nercessian), que não estuda e também trabalha como manobrista no mesmo hotel de seu pai, mas é mandado embora após acusação de roubo. Rita é a filha mais nova, interpretado com maestria por Cacá Ottoni, sem esvair na caricatura de uma autista. O filme foi alvo de uma polêmica na mídia e nas redes sociais por conta de uma crítica feroz de um grande jornal, e muito por conta disso, teve a sua carreira comercial abreviada. Uma injustiça, pois a grande maioria das críticas elogiaram bastante o filme, considerando-o um dos melhores filmes do ano. O roteiro, escrito pelo próprio Caio Soh, revela de forma corajosa, a tentativa de sobrevivência de pessoas comuns diante de uma selva de pedra sem luz no fim do túnel. O suspense crescente, diante de uma eminente tragédia para todos os personagens, só fazem aumentar o interesse do espectador pelo filme. Ótima direção, direção de atores e dá para perceber que muita gente que participa do filme é formado por não atores, mas o tom naturalista do filme torna tudo bastante coeso. Particularmente, adorei a cena de Pedro Nercessian com um personagem que acontece dentro de um quarto. Que talentos!

Paciente Zero

"Pacient zero", de Stefan Ruzowitzky (2018) Conturbada produção inglesa, rodada em 2015 mas somente agora liberada para veiculação em streaming. Mais uma vez, o mundo é dominado por zumbis. Os sobreviventes que não foram contaminados, vivem em um subsolo, misturado a uma base militar. Entre eles, estão os Cientistas Gina (Natalie Dormer) e Scooter (John Bradley) e Morgan, um homem infectado mas que não contraiu a doença, e que tem o dom de falar com os zumbis, que se transformaram numa raça inteligente. Eles precisam encontrar o paradeiro do paciente zero, e assim, tentar descobrir a cura da doença. Mas os infectados também estão em busca do paciente zero, pois não querem que a doença seja erradicada. Depois de "The walking dead", ficou difícil encontrar um filme de zumbis decente. Esse aqui é ok, tem um roteiro curioso, e de quebra, 2 dos atores mais queridos de "The game of thrones", Sam e Marjorie. Stanley Tucci interpreta um líder dos zumbis.

Entre irmãs

"Entre irmãs", de Breno Silveira (2007) Adaptação do livro "A Costureira e o Cangaceiro", da escritora de Recife Frances de Pontes Peebles, é um épico melodramático dirigido pelo mesmo realizador de "Dois filhos de Francisco"e "À beira da estrada". Em todos os filmes de Breno Silveira, existe uma presença forte da trilha sonora em quase toda a narrativa, e também, destaque para uma fotografia vibrante e poética, privilegiada quase sempre por belos planos de entardecer, sua marca registrada. Com fortes protagonistas, o filme discute temas atuais como machismo, homossexualismo, luta de classes, porém ambientado no ano de 1930, em pleno Governo Vargas, que pregava sua ira contra os Cangaceiros. Na cidade de Taquaritinga do Norte, no sertão de Pernambuco, vivem as 2 irmãs, Luiza ( Nanda Costa) e Emília ( Marjorie Estiano). Pobres e órfãs, elas moram com a tia Sofia, que lhes ensina o ofício da costura. Durante uma brincadeira, Luiza cai da árvore e fica com o braço atrofiado. ela se torna amargurada, enquanto que Emilia sonha com um casamento perfeito. Crescidas, elas continuam a luta diária, quando cangaceiros surgem na região e sequestram Luiza, para que ela seja a costureira do grupo. A tia morre de sofrimento, e Emilia acaba se casando com Diego (Romulo estrela), filho do homem mais rico da cidade grande. No entanto, Emilia sofre com o casamento: sua sogra lhe cobra etiqueta, e ela descobre que Diego tem um segredo : é apaixonado por Felipe, um ativista contra o Governo de Vargas. Com uma duração excessiva de 160 minutos, explicado pelo fato do filme ter virado uma minissérie na Globo, "Entre irmãs" tem muitos personagens e tramas paralelas, que poderiam ter sido limadas da versão para o cinema. O que pesa em seu favor, é o excelente trabalho do elenco, em especial, Nanda Costa, Marjorie Estiano e Julio Machado, no papel do cangaceiro Carcará, além da participação de Letícia COlin, e um personagem solar. A curiosidade foi que durante o tempo todo, me lembrava do filme "A cor púrpura", de Spielberg, por conta de algumas similaridades na trama.

domingo, 12 de agosto de 2018

Megatubarão

"The Meg", de Jon Turteltaub (2018) Desde que Spielberg lançou "Tuubarão" em meados dos anos 70, o mar nunca mais foi o mesmo. De lá para cá, tivemos Piranhas, Orcas, Bacalhaus, Bacurau, Polvos gigantes, monstros marinhos e claro, uma centena de filmes protagonizados por Tubarões assassinos. Quando o Canal de tv a cabo Sy Fi lançou a franquia "Shaknado", os predadores brancos perderam totalmente a moral. Teve até uma versão de Tubarão fantasma. Agora, com co-produção chinesa, esse blockbuster, ambientado na Tailândia e em Shanghai, mostra um Megalodonte, o último dos tubarões pré-históricos, com tamanho superior a 70 metros. Ele surge para aterrorizar a equipe científica marinha comandado por chineses e com ajuda de americanos, entre eles, Jonas (Jason Statham), uma espécie de mercenário tipo Indiana Jones que é acionado para tentar salvar vidas de um pequeno submarino submerso e ameaçado pelo megalodonte. Bom, como se vê, o roteiro é um absurdo só, e repleto de todos aqueles clichês de praia turística e que ninguém quer ir embora mesmo que com ameaças. O elenco é encabeçado também pela maior estrela chinesa, Li BingBing. O filme é um trash de luxo, os efeitos até que são bons e o desfecho homenageia o original de Spielberg, na cena da invasão da praia. Passatempo para ir com amigos e zoar.

sexta-feira, 10 de agosto de 2018

As fitas de Poughkeepsie

"The Poughkeepsie tapes", de John Erick Dowdle (2007) Lançado em 2008, "As fitas de Poughkeepsie" foi retirado imediatamente das salas de cinema dos Estados Unidos e banido em muitos países pela sua extrema violência. O filme é um Mockmentary ( falso documentário), nos moldes de "A bruxa de Blair", com sua narrativa de Found footage. Poughkeepsie é uma cidade próxima de Nova Yorl. O Fbi encontrou em uma casa abandonada, mais de 800 fitas com gravações de assassinatos promovidos por um serial killer, chamado de "Carniceiro do rio". Policiais, parentes, e vários outros profissionais dão entrevistas acerca d material que é visto pelo Fbi. O filme então, alterna esses depoimentos com as cenas das fitas, rodadas pelo próprio assassino, mostrando o sequestro, assassinato e estupro de suas vitimas, tudo para parecer que sejam "snuff movies", assassinatos reais. Inclusive, existe uma cena em particular, que é das mais angustiantes e bizarras que já assisti. Uma vítima, sabendo que vai morrer, implora pela vida, dentro de um carro. Em seguida, a vemos amarrada e amordaçada, e o assassino vem se rastejando como uma aranha até ela, até enfiar 2 espetos em sua garganta. É aterrorizante. O filme só não é melhor, porque alguns dos atores que dão depoimentos, como se fossem profissionais reais, estão muito canastrões, prejudicando a verossimilhança do que é apresentado como científico. Mesmo assim, para quem curte filmes de serial killers, é imperdível. Obs: Não tenho como indicar esse filme para ninguém, É cruel, violento, e proibido para pessoas sensíveis. O Cineasta John Erick Dowdle depois rodou a franquia "Quarentena" e o terror "Demônio".

quinta-feira, 9 de agosto de 2018

Yonlu

"Yonlu", de Hique Montanari (2017) Emocionante drama baseado na história real do adolescente Vinicius Gageiro Marques, nome artístico Younlu, músico que se suicidou aos 16 anos de idade, incentivado por internautas num fórum de potenciais suicidas. Se utilizando de ficção, animação, documentário e linguagem de video-clip, o roteirista e cineasta Hique Montanari recebeu o Prêmio Abraccine da Melhor Filme Brasileiro na 41ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Repleto de referências cinematográficas, "Yonlu" é um filme que se apropria de linguagem pop para se aproximar dos jovens, e fazer um alerta para que se busque ajuda no caso de depressão. Younlu sofria de depressão. ele se trancava no quarto e ali, ele compôs mais de 60 canções, todas cantadas em inglês. Poliglota, ele morou em Paris dos 3 aos 7 anos de idade. Ele sofreu grande influência intelectual de seus pais: a mãe professora e psicanalista, o pai, ex-secretário de cultura. A direção de Hique é bastante criativa. A fotografia de Juarez Pavelak diferencia os vário mundos de Yonlu: o ambiente esverdeado da internet, a vida real em cores mais escuras, e uma cor mais vibrante pro momento de fantasia, como por ex, quando Yonlu se vê como um astronauta. O filme merece ser visto por todos, e ser um grande impulsionador de debates acerca da depressão entre os adolescentes e de que forma tratar essa doença. Outro tópico a ser discutido, é a influência de internautas e sites na vida de pessoas fragilizadas emocionalmente. excelente performance do ator e músico Thalles Cabral, do seriado "Manual para matar zumbis", e também, interpretou o filho de Mateus Solano na novela "Amor à vida".

Boys of life

"Boys of life", de #Blue_heart (2017) Compilação de 3 curtas metragens, protagonizados por modelos convocados pelo Instagram, "Boys of life" é um projeto que surgiu com a proposta de apresentar um mundo homoerótico e voyeurístico para espectadores que apreciam a nudez masculina e corpos esculpidos. Sem apelar para pornografia, os filmes contam com os modelos # acrodave, #Joshuabrickman e #sethfornea. Os filmes apresentam os modelos em cenas domésticas, na praia, tomando banho, malhando, tudo aquilo que existe nas campanhas da grife "Abercrombie", porém com nudez explícita. Bela fotografia, trilha intimista e uma narração em off entoando poemas de Pablo Neruda.

quarta-feira, 8 de agosto de 2018

Billionaire boys club

"Billionaire boys club", de James Cox (2018) Dramatização de um crime ocorrido em Los Angeles em 1983, "Billionaire boys club" ficou famoso por ser o penúltimo filme protagonizado por Kevin Spacey, e que teve a sua carreira comercial e de distribuição destruída pela reputação do ator, acusado de assédio sexual. Os produtores tentaram tirar o máximo de cenas do Ator na edição final, mas foi impossível, pois seu personagem é peça chave na história. Kevin Spacey é Ron Levin, um investidor que cai na lábia de uma dupla de jovens amigos, recém formados em Harvard: Joe Hunt (Ansel Elgort, de "Baby Driver") e Dean Karmin (Taron Egerton, de "Kingsman"). Os dois amigos são ambiciosos e querem se tornar ricos. Para isso, criam um Club, "Billionaire boys club", onde os jovens ricos investem dinheiro em ouro, com a promessa de enriquecerem em 3 semanas. Só que isso não acontece: Joe e Dean torram o dinheiro em festas , mulheres etc e os investidores passam a cobrar o dinheiro investido. Em um beco sem saída, os garotos apelam para o crime. Com tantos problemas de edição, o filme acabou prejudicado. As performances do trio principal, Spacey incluso, não está boa, e todos parecem estar no automático. A direção de arte, se comparado com "O lobo de Wall Street", que trata quase que do mesmo tema, perde feio em termos de luxo e glamour. O filme é sem ritmo, longo, e muitos personagens paralelos, como a namorada de Joe, ficam meio que sobrando. De bom mesmo, só a trilha sonora, com clássicos da época, e a participação de Rosanna Arquette, que andava sumida.

terça-feira, 7 de agosto de 2018

O desmonte do Monte

"O desmonte do monte", de Sinai Sganzerla (2017) Excelente documentário realizado por Sinai Sganzerla, filha do lendário casal do Cinema marginal, Rogerio Sganzerla e a atriz e cineasta Helena Ignez. O filme me fez lembrar do recente "A capital da demolição", que mostrava o absurdo da derrubada do icônico Palácio Monroe, em 1975, no Rio de Janeiro, para dar lugar às obras do metrô. O que difere os 2 filmes, é que Sinai quer trazer a sua narrativa para um público mais amplo, principalmente, os jovens: a trilha sonora mescla uma trilha pop com música clássica, indo até a acordes de Bernard Hermann em "Um corpo que cai". Tudo narrado com vigor, ironia e melancolia por Helena Ignez, em uma voz hipnótica. O morro do Castelo foi um marco fundamental para o surgimento da Cidade do Rio de Janeiro, chamada de Sebastianópolis. Habitada por índios, os portugueses e franceses aqui chegaram, e logo dizimaram a população indígena, assumindo o ligar. Ali, construi-se Igrejas, habitações, etc, sendo logo tomada por casas populares. Reza a lenda que nos subterrâneos do morro, os jesuítas enterraram tesouros. Com o passar dos anos, o desejo de destruir o Morro vem crescendo. Muitos consideravam ele nocivo ao desenvolvimento da cidade, e também tinha a questão da insalubridade, argumento usado para destituir os moradores pobres do local. Assim, em 1922, o prefeito do Rio de Janeiro resolve mandar derrubar o morro, desalojando milhares de famílias e destruindo construções históricas. Havia também a proximidade da Exposição comemorativa do centenário da criação da cidade, e o morro tinha que ser destruído o quanto antes. Fez-se empréstimo milionário a bancos estrangeiros. Parte d aterra do morro foi realocada para os bairros da Urca, Jardim Botânico. O filme critica a especulação imobiliária, desalojamento dos pobres, supremacia dos ricos e também a escravatura. Em determinando momento, a narração diz que o Brasil foi o primeiro País a importar negros da África, e o último a abolir a escravidão. Com um impressionante acervo de fotos e videos, além de registros em áudios, é um filme obrigatório e que deveria ser exibido em todas as escolas e faculdades.

segunda-feira, 6 de agosto de 2018

Sozinho

"Alone", de Brock Torunski (2013) Premiado curta canadense, realizado com muito pouca grana e com uma atmosfera inquietante. O filme nos apresenta a um jovem homem de negócios, que há anos, é o último sobrevivente da Terra. Ele tenta viver a vida normalmente, e para não enlouquecer, ele tem pensamentos existencialistas. Simples na realização, e com uma boa idéia, mesmo que batida, bem realizada. O desfecho, em aberto, provoca o espectador, e o deixa à vontade para entender o que bem quiser. https://www.youtube.com/watch?v=wbTc81JmQTs

O nome da morte

"O nome da morte", de Henrique Goldman (2018) Drama baseado no livro “O Nome da Morte: A história real de Júlio Santana, o homem que já matou 492 pessoas” de Klester Cavalcanti, narra a impressionante história do assassino de aluguel Júlio Santana, que de 1971 até a sua aposentadoria em 2006, matou 492 pessoas, registradas friamente em um caderno. O interessante da narrativa, é que o filme procura não demonizar Júlio, apresentado-o apenas como um assassino cruel ( apesar de, em sua trajetória, ele ter matado todo tipo de gente, desde estupradores, ladrões, devedores, etc, sem distinção de sexo ou idade). Júlio (Marco Pigossi) é um homem atormentado pela pobreza de sua família, pelo conflito moral da religião, a quem ele é devoto, sua paixão pela esposa (Fabiula Nascimento) e filhos. O que ele quer, é proporcionar conforto para todos que ele ama. Júlio foi levado pelo mundo do crime pelo seu tio Cícero ( André Mattos), que também é pistoleiro. Seduzido pela possibilidade de ganhar dinheiro, logo Júlio deixa de lado a tormenta de matar pessoas (Cícero diz a ele que basta rezar 20 Aves-Marias após o crime). Com bela atuação dos atores principais, o filme tem boa atmosfera, montagem e trilha sonora. Alguns momentos achei bruscos, principalmente as reviravoltas de alguns personagens, mas nada que prejudique o entendimento do filme.

Mamma Mia! E lá vamos nós de novo

"Mamma Mia! Here we go again", de Ol Parker (2018) O Cineasta inglês Ol Parker, que dirigiu os 2 filmes "Hotel Marigold", é um expert em lidar com grandes estrelas e casting enorme. e esse é um dos grandes trunfos dessa continuação do sucesso de 5 anos atrás. O elenco agora é acrescido do talento de Andy Garcia, Cher e um adorável elenco que interpreta a todos os personagens mais jovens: Lilly James ( no papel de Meryl Streep), Alexa Daves e Jessica Keenan Wynn ( Lilly James e Christine Baranski), além de Josh Dylan ( Stellan Skaasgard), Jeremy Irvine ( Pierce Brosnan) e Hugh Skinner ( Colin Firth). A trama é bem simples, ingênua até. O filme começa com Sophie (Amanda Seyfried) reinaugurando o Hotel de sua mãe, Donna, recém falecida. Para isos, ela convida a todos, mas os conflitos surgem: muitos não podem ir, cai uma tempestade que isola a ilha. Paralelo, voltamos em flashback para contar a história de Donna ( Lilly James) e seu romance com os 3 pais de Sophie, e como ela foi parar na Ilha. Óbvio que esse filme é proibido assistir para quem odeia musicais ou músicas do Abba. Para fãs, irão se deliciar com o elenco cantando músicas famosas e outras nem tanto do grupo sucesso. Cher no final, cantando "Fernando", é um plus! O desfecho é emocionante. Muita gente que assistiu ao filme anterior, n!ao gostou dessa continuação. De fato, não precisava ter, mas como o primeiro arrecadou uma fortuna, os produtores não pestanejaram. Pelo menos, não fizeram feio. Belíssima fotografia do mestre Robert D. Yeoman, fotógrafo queridinho de Wes Anderson.

domingo, 5 de agosto de 2018

Jonathan

"Jonathan", de Piotr J. Lewandowski (2016) Emocionante drama alemão, vencedor de vários prêmios internacionais. Ambientado na zona rural da Alemanha, o filme narra a história do jovem Jonathan, que trabalha na fazenda de sua família. ele mora com seu pai, Burghardt, que está com câncer terminal. Martha, a tia de Jonathan, guarda rancor de Burghardt, acusando-o de ser responsável pela morte da mãe de Jonathan. Surge um antigo amigo da família para visitar o pai de Jonathan, e Jonathan descobre então que seu pai é gay e que a mãe dele se suicidou de desgosto. Jonathan precisa aprender a lidar com a sua homofobia. Sensível, esse drama tem uma linda fotografia e trilha sonora. Filmado com extrema delicadeza, trata de temas delicados com dignidade. O desfecho me lembrou o final de "Vidas amargas". Os atores estão ótimos, e existe uma carga grande de homoerotismo no filme, que também me remeteu ao filme de Sokurov, "Pai e filho", em uma relação quase incestuosa entre ambos.

sábado, 4 de agosto de 2018

Invisível

"Invisible", de Pablo Giorgelli (2017) Co-escrito e dirigido pelo mesmo Cineasta argentino do ótimo drama "As acácias", "Invisível" acompanha o dilema moral de Ely: adolescente de 16 anos, morando com sua mãe depressiva que não sai de casa. De classe média baixa, Ely estuda mas não sente nenhuma simpatia pela escola e estudos; trabalha em uma clínica veterinária e tem como amante o filho do dono, de quem engravida. Ely se apavora e resolve fazer o aborto, que é proibido na Argentina. O tema do aborto já rendeu grandes filmes, entre eles: "4 meses, 3 semanas, 2 dias", o curta nacional "A passagem do cometa", o ucraniano "A gangue". O curioso é que o filme foi lançado em 2017, e em 2018, a Argentina deu um grande passo a favor da legalização do aborto, tendo sido aprovado em primeira instância pelos deputados, e agora cabendo a decisão pela câmera do Senado. O filme tem interpretações naturalistas, e poderia ter tido a assinatura dos irmãos Dardenne, que apontam sua câmera documental sobre a protagonista, seguindo ela para todos os lugares, íntima. Um filme humanista, "Invisível" prefere não apontar uma ideologia, apesar da decisão final da protagonista. O filme critica a industria do aborto clandestino ( a cena da médica contando o dinheiro é de uma frieza arrebatadora) e o Governo argentino, que proíbe terminantemente o aborto. Bela atuação de Mora Arenillas no papel principal. O filme competiu em Veneza.

sexta-feira, 3 de agosto de 2018

Speech & Debate

"Speech & Debate", de Dan Harris (2017) Adaptação do premiado musical off-Broadway escrito por Stephen Karam, "Speech & Debate" lembra muitos outros filmes feitos para os adolescentes de High School, entre eles, "O clube dos cinco". A história gira em torno dos eternos temas da juventude: saída do armário, bullying, baixa auto-estima, falta de comunicação com os adultos ( pais e professores), frustração profissional. 3 estudantes de uma High School em Oregon sofrem bullying e por isso, juntam suas forças para ressuscitar o "Speech and debate" na escola, uma espécie de palco onde as pessoas podem desabafar e expôr as suas questões para o público. Diwata é a garota que sonha em ser atriz, mas é relegada ao coral enquanto o professor escolhe meninas bonitas para os papéis principais; Howie acabou de se mudar pra cidade e se considera o único gay assumido. ele quer montar uma aliança gay, mas o Reitor proíbe; e Solomon é o nerd que quer ser jornalista investigativo, mas é censurado pelo professor e reitor. Misturando drama, musical e uma pitada de humor, é impossível não se lembrar da série "Glee", ainda mais que Darren Criss faz uma pequena ponta no filme, interpretando a si mesmo. ( Criss era um dos protagonistas do seriado). O filme sofre bastante com a falta de ritmo, com a performance meia boca de boa parte do elenco e a falta de carisma dos personagens. Mesmo no desfecho, faltou emoção. Para quem gosta de musical, as músicas não empolgam e não há coreografias. Vale como passatempo sessão da tarde.

quinta-feira, 2 de agosto de 2018

Um salto para a felicidade

"Overboard", de Rob Greenberg (2018) Longa de estréia do roteirista e diretor de séries Rob Greenberg, "Um salto para a felicidade" é a refilmagem do clássico da sessão da tarde de 1987, dirigido por Garry Marshall com o casal Goldie Hawn e Kurt Russel. Estrelado pelo maior astro do México, Eugenio Derbez, e a comediante Anna Farris, da franquia "Todo mundo em pânico", a história gira em torno de Kate, viuva mãe de 3 filhos, que trabalha como entregadora de pizza e faxineira para sustentar a família. Seu sonho é se tornar enfermeira. Um dia, ela é chamada ara limpar o Mega Iate do milionário e playboy mexicano Leonardo ( Derbez), que é arrogante e a destrata. Na mesma noite, ele sofre um acidente no iate, caindo no mar e perdendo a memória. A notícia sai no jornal, e a família de Leonardo não fica sabendo do caso, apenas sua irmã, que quer controlar o Império da família e nega que conhece Leonardo ao visitá-lo no hospital. Quando Kate toma conhecimento do caso, resolve se vingar; ela diz que é esposa dele, e faz com que ele cuide da família e de casa. O curioso é perceber que Anna Farris é quase que uma sósia de Goldie Hawn, talvez seja até por isso que ela tenha sido escalada. Eugenio Derbez praticamente repete seu personagem no Blockbuster "Não aceitamos devolução", onde interpreta um homem que descobre a paternidade e se entusiasma com essa nova possibilidade. O filme tem Eva Longoria no elenco de apoio, como a melhor amiga de Kate. O filme tem alguns bons momentos, mas no geral, falta ritmo, talvez por conta de sua longa duração, quase 2 horas. O que diferencia esse do original é que houve uma troca nos sexos dos protagonistas. Goldie no filme de 1987 era quem interpretava a ricaça arrogante. E o personagem de Kurt Russel, pai de 3 meninos bagunceiros. As meninas aqui são comportadas. Vale como sessão da tarde, apesar de insistirem na veia sedutora de Eugenio Derbez, que sempre aparece em seus filmes cercado por mulheres semi-nuas fazendo o papel do pegador.

quarta-feira, 1 de agosto de 2018

Everybody's talking about JAmie

"Everybody's talking about Jamie", de Jonathan Butterell (2017) Musical inglês apresentado em West End, Londres, desde 2017, faz um enorme sucesso e em breve ganhará versão cinematográfica. Esse filme é um registro filmado do musical e exibido nos Cinemas. O musical é inspirado na história real de Jammie Campbell, um adolescente de 16 anos, morador da pequena cidade de County Durham, e que sonha em ser uma Drag Queen, mas sofre com o preconceito das pessoas. Sua história inspirou um documentário da BBC em 2011, "Jammie, Drag Queen at sixteen". Jamie mora com sua mãe. Ele confessa para sua amiga muçulmana da escola, o seu sonho de ser Drag Queen. Ele tem o apoio de alguns amigos , de sua mãe e da melhor amiga dela. Mas o pai homofóbico e outros alunos que fazem bullying, além da professora, fazem com que Jamie tenha medo de se expor. Ao conhecer Victor, dono da loja de Drag Queens "Victor's secret", ele vai aos poucos cedendo ao desejo de se libertar, ainda mais quando ele descobre que Victor é na verdade, a famosa Drag Queen Loco Chanelle. Chanelle diz que Jamie precisa liberar a Drag Queen que existe dentro dele, e dar um nome à ela, para assim, ela poder se tornar realidade. Nasce "Mini Me", alter ego de Jamie. O texto é repleto de clichês sobre aceitação e homofobia, mas realizado com muita delicadeza, números musicais divertidos e um elenco formidável, principalmente, a atriz que interpreta a mãe, o ator que interpreta Victor e claro, John McCrea, no papel principal.

terça-feira, 31 de julho de 2018

Histórias do Líbano: Gay, Trans e Ilegal

"Lebanon stories: gay, trans and illegal", de Benjamin Lister (2017) Ótimo documentário da Bbc, apresentando ativistas Lgbts no Líbano e a luta que eles travam diariamente para o reconhecimento da homossexualidade como um comportamento natural, e não uma doença ou segundo a religião muçulmana, um ato contra as leis naturais do homem. O Líbano possui o Artigo 534 do Código penal, que diz que são proibidos atos sexuais que contradigam a lei natural do homem. A polícia tem liberdade de prender um suspeito e fazer exame anal para saber se a pessoa teve ou não relação sexual. Caso se confirme, a pessoa pode ser presa por mais de um ano. O filme entrevista alguns integrantes da comunidade Lgbts. Todos falam da luta contra a homofobia. Mesmo assim, o Líbano é um dos poucos Países do Oriente médio onde a homossexualidade não é punida com a lei capital. Recentemente, houve um caso que pode ser o início de mudança para a severa lei contra os homossexuais: um juiz acatou a defesa de um casal gay, dizendo que "a homossexualidade é uma escolha pessoal, e não uma ofensa passível de punição". Um filme esclarecedor, que me trouxe um olhar totalmente diferente do que eu tinha acerca do País. E que paisagens lindas. Ótimos depoimentos de um padre, de uma modelo trans e de um ativista gay. A melhor parte, foi a de um famoso ativista, mostrando o aplicativo Grindr, onde mais de 90% dos perfis não possuem foto, pois as pessoas têm medo de represálias.

Everything beautiful is far away

"Everything beautiful is far away", de Peter Ohs e Andrea Sisson (2017) Escrito por Peter Ohs, essa fábula futurista me remeteu a "O mágico de Oz" e "O pequeno príncipe". Vencedor de vários prêmios, tem uma fotografia exuberante, filmado todo no Deserto da Califórnia. Lernert caminha sozinho pelo deserto, carregando consigo a cabeça da robô Susan. Lernert está em busca de um corpo para dar a Susan. No caminho, ele encontra uma jovem desacordada, Rola. ele a salva, e ambos vão em busca de um Lago sagrado, um lugar que dizem, é mágico e que poderá trazer água e comida para todos. Pensei ao final do filme, que curta maravilhoso teria saído dessa história. Mas como longa, faltou narrativa. O roteiro singelo não sustenta os quase 100 minutos do filme. O que mantém a atenção, é a fotografia, e a atuação dos dois atores. Ah sim, a trilha sonora é muito boa também.

segunda-feira, 30 de julho de 2018

Minha terra pura

"My pure land", de Sarmad Masud (2017) Longa de estréia do Cineasta Inglês/paquistanês Sarmad Masud, que também escreveu o roteiro, adaptando para as telas, a incrível história de Nazo Dharejo, sua mãe e sua irmã, lutando pela terra e pela casa herdada pelo seu pai. Nazo e sua família moram em uma casa construída pelo pai dela. Quando ele é preso injustamente, o tio de Nazo decide tomar a casa para si, alegando que na sociedade patriarcal e machista do Paquistão, os homens que devem comandar tudo. As 3 mulheres decidem então se armar até os dentes e proteger a propriedade. mas não contavam que 200 homens iriam cercar a casa e tentar tirar delas a qualquer preço, mesmo matando-as. "Minha terra pura" foi o filme escolhido pela Inglaterra para representá-la no Oscar de filme estrangeiro em 2018. Por ser falado em língua local e não a língua inglesa, o filme pode se habilitar a concorrer, mas acabou não sendo classificado para as finalistas. O filme é um faroeste paquistanês, e foi todo concebido dessa forma, como um filme de Sergio Leone, com direito a belas imagens de entardecer e amanhecer. A narrativa é construída de forma não linear, o que pode confundir espectadores pouco atentos: ele vai e volta em tempos distintos. Com belas atuações, o filme aposta no embate Bem Vs o Mal, e assim, conquista o espectador com o carisma de Nazo e sua família.

Alguma coisa assim

"Alguma coisa assim", de Esmir Filho e Mariana Bastos (2017) Eu sou um grande apaixonado pelo premiado curta homônimo que deu origem a esse longa. Exibido em 2006, o filme, ambientado em São Paulo, mostrava a amizade entre Mari ( Carol Abras) e Caio ( André Antunes). Mari sente paixão platônica por Caio, mas ele, ao se declarar gay, frustra a expectativa da amiga. O filme lidava lindamente com a questão do amadurecimento dos pós-adolescentes, de forma extremamente delicada e sutil. 12 anos depois, Esmir Filho e Mariana Bastos lançam o filme com os mesmos personagens, e tratam do difícil tema da aceitação de ser adulto. Agora já com quase 30 anos, os personagens já possuem outros itens incorporados ao seu dia a dia: aborto, casamento, separação, falta de moradia, busca de emprego, enfim, encontrar o sue lugar no mundo. E sim, Mari continua apaixonada por Caio. O filme acontece em 3 tempos distintos, editados de forma inteligente: 2006, usando cenas do curta; 2013, apresentando o casamento de Caio com seu marido e Mari como madrinha; e 2016, com Mari morando em Berlin e trabalhando como corretora de imóveis, e Caio indo para a capital alemã para fazer uma pesquisa sobre embriões e já divorciado. Nesse reencontro, antigas e novas rusgas da relação mal resolvida vêm à tona. Com bela fotografia e trilha sonora melancólica, o filme talvez frustre um pouco quem é fã do curta: os personagens deram lugar a uma Mari triste, e a um Caio sofrido. Saí do filme pensando o quanto é chato envelhecer, assumir responsabilidades. Talvez por isso eu seja tão apaixonado pelo curta, que apresenta um mundo idealizado e apaixonante.

Missão Impossível: Efeito Fallout

"Mission Impossible: Fallout", de Christopher McQuarrie (2018) Impossível mesmo, é acreditar que o Roteirista e Diretor desse novo filme da franquia, seja o mesmo roteirista do pavoroso "A múmia", também com Tom Cruise, e que enterrou de ver a pretensão da Dark Universe de ressuscitar filmes de monstros com Drácula, Frankenstein, etc. Com ação ininterrupta do início ao fim, em completo efeito de montanha russa, o filme consegue entreter o espectador 100%, e no desfecho, a gente ainda torce para que determinados personagens não morram. Sabe quando você fica torcendo? Além da ação, o filme reinjeta romance, e todo mundo sabe que não existe filme de mocinho sem que ele venda a alma para salvar a pele de sua amada. Com impressionantes cenas de perseguição efeitos de primeira linha e segundo dizem, Tom Cruise fazendo todas as cenas sem uso de dublês, o filme, mesmo não trazendo nada de novo em termos de roteiro (o que seria desses filmes sem os vilões que querem acabar com o mundo???), "Missão impossível" é uma aula de decupagem e de direção. Com um elenco nota 1000 ( o time de Ethan Hunt, formado pelos impecáveis Simon Pegg, Ving Rhames e Rebecca Ferguson, é de tirar o chapéu), acrescido de Henry Cavill e Michelle Monaghan, conta ainda com uma participação de Wes Bentley, ator que andava sumido e que pelo visto, será eternamente lembrado pelo seu papel em "Beleza americana". Programa imperdível.

domingo, 29 de julho de 2018

Severina

"Severina", de Felipe Hirsch (2017) Recentemente, o Cinema tem redescoberto uma filmografia que tem como tema, a paixão pelos livros. "A livraria", "A sociedade literária e a torta de casca de batatas", e uma nova versão do clássico "Fahrenheit 451". Nessa co-produção Brasil/Uruguai, escrito e dirigido pelo Diretor teatral Felipe Hirsch, o cinema flerta com vários gêneros: drama, romance e suspense, mais precisamente, em um tom que percorre o Cinema noir. E é mais no Cinema noir que Felipe Hirsch aponta a sua câmera: na figura da mulher fatal por quem o protagonista se apaixona. Me lembrei bastante também do filme de Cristopher Nolan, "The following", que apresentava um personagem que se encantava por uma pessoa e resolve entrar na vida dela por curiosidade e sedução. Um livreiro (Javier Drolas, do excelente argentino "Medianeras", e que já trabalhou com Felipe Hirsch no seriado "A menina sem qualidades") é dono de uma livraria. Ele promove eventualmente saraus na loja, ma sé um homem solitário e mora na mesma casa. Aspirante a escritor, o homem tem arroubos de imaginação. Um dia, ele percebe que uma mulher, Ana, constantemente entre em sua loja e rouba livros. instigado pela mulher, por quem se apaixona, ele decide entrar na vida dela e saber mais sobre essa mulher. O filme tem um excelente elenco que inclui Daniel Hendler, Alfredo Castro e Carla Quevedo, no papel de Ana. Com linda fotografia de Rui Poças, fotógrafo português cada vez mais presente na filmografia brasileira, "Severina' seduz e permite ao espectador seguir as armadilhas da narrativa, deixando-nos tentando adivinhar se o que seguimos é real ou fruto da mente fértil do livreiro. O filme concorreu no prestigiado Festival de Locarno, em 2017.

Mario

"Mario", de Marcel Gisler (2018) Drama suíço que tem como tema o tabu da homossexualidade dentro do Futebol. Mario é um promissor jogador, mas que se vê em conflito quando conhece a nova aquisição do time, Leon, um jogador alemão. Mario tem uma namorada, Jenny, e eles se amam. Mas ao dividir o mesmo quarto com Leon, durante um treinamento, o inevitável acontece: Leon o beija, e Mario se apaixona. Mas os outros jogadores acabam descobrindo, e Mario rompe com Leon, com medo de destruir a sua carreira profissional. O filme retrata de forma delicada o relacionamento do casal principal, e mostra bem o conflito pessoal e profissional de Mario, que precisa decidir entre seu amor e seu trabalho no time. Homofonia também é um tema na pauta do filme, que investe bastante no melodrama. O que prejudica é a longa duração: 130 minutos para apresentar ao espectador uma narrativa simples, que com certeza se resolveria em muito menos tempo.

sábado, 28 de julho de 2018

Jurasic world- Reino ameaçado

"Jurasic world- Fallen kinngdom", de J.A. Bayona (2018) A cópia da cópia da cópia da cópia da cópia. Assim é essa 5a parte da franquia bilionária de Steven Spielberg, que há 25 anos atrás, revolucionou a tecnologia no cinema, recriando dinossauros virtuais de forma impressionante. Mas passado todo esse tempo, parece que estamos exatamente o mesmo primeiro filme, de 1993: a mesma luta entre o bem e o mal, vilões mega caricatos, os coitados dos dinossauros novamente sendo explorados para comercialização e para uso das forças do mal. Nessa repetição da fórmula que o primeiro "King Kong" nos trouxe em 1933, o cineasta espanhol J.A. Bayona tem pelo menos o grande dom de trazer cenas muito bem dirigidas e arquitetadas, claro que com os efeitos especiais o ajudando na construção do clima e atmosfera, que ele já havia realizado tão bem em "O orfanato", "O impossível" e "Sete minutos depois da meia noite. Cris Pratt injeta carisma ao filme, Bryce Howard Dallas prova ter jeito para heroína e o elenco de apoio cumpre o que lhe é pedido, isso incluindo os gritinhos histriônicos da pequena Isabella Sermon, no papel de Maisie. J.A. Bayona faz a sua homenagem ao cinema espanhol, escalando a grande Atriz Geraldine Chaplin, que já havia trabalhado com ele em "O orfanato", para uma participação afetiva. E tendo o bom senso de não fazer ela ser devorada por um dinossauro.

Me beba

"Drink me", de Daniel Mansfield (2015) Filme inglês de baixíssimo orçamento, "Me beba" é um filme de vampiro Lgbts, com sexo quase explícito e uma produção tosca nível 1000, Filme B total, e por isso mesmo, divertido. Andy e James formam um jovem e bem sucedido casal gay, e moram em uma bela casa. Quando estão prestes a anunciar o casamento, Andy é demitido, e as finanças do casal apertam. Para ajudar no orçamento, eles resolvem alugar um dos quartos, e eis que surge Sebastian, um belo homem. Na vizinhança, pessoas têm desaparecido, e logo Andy passa a desconfiar que Sebastian seja um assassino. A cada 10 minutos do filme, existe uma cena de sexo, e em 80 % do filme, os atores estão totalmente nus. Para voyeurs, o filme é convidativo, mas para quem quiser uma boa história com boa produção, evite o filme imediatamente. Efeitos ruins, roteiro inexistente, atuação pífia. Mas diverte para quem curte tosqueira.

sexta-feira, 27 de julho de 2018

Um homem íntegro

"Lerd", de Mohammad Rasoulof (2017) Escrito e dirigido pelo iraniano Mohammad Rasoulof, "Um homem íntegro" é um angustiante drama sobre um homem honesto e que a todo custo, procura não se corromper com a sociedade e com a justiça, até o limite de suas condições fisicas e psicológicas para manter a união de sua família. Vencedor do prêmio de Melhor filme da Mostra "Um certo olhar", do Festival de Cannes 2018, o filme é uma espécie e parábola sobre o bem e o mal. Defendido com garra por uma dupla de atores fantásticos, interpretando o casal Reza e Habis, o filme nos apresenta a um ex-professor universitário, que perdeu sem emprego por reclamar da comida da fábrica, e sua esposa Habis, diretora de uma escola pública. Reza mantém um criadouro de peixes dourados para poder revende-los. Quando a água é cortada pelo seu vizinho corrupto Abbas, botando em risco os peixes, Reza passa a viver um jogo de gato e rato que o coloca em situação arriscada. Resta à sua esposa tentar manter a honra da família. Com ótima direção, o filme aborda temas como corrupção, crítica ao sistema social e educacional e conflito religioso. Li que o filme foi filmado de forma clandestina, e isso me instiga em querer saber como o Governo acaba aceitando um filme "proibido" que faz críticas ao seu governo. Vou procurar pesuisar mais sobre esse assunto. A cena da revoada de pássaros é antológica e tensa, fiquei com o coração apertado.

quinta-feira, 26 de julho de 2018

Corpornô

"Corpornô", de Fauller (2014) Registro filmado do espetáculo teatral performático do Grupo cearense de Teatro Cia Dita. Polêmico e controverso, o espetáculo é formado por 9 cenas independentes, que apresentam os atores em situações de pornografia explícita. A peça quer levar a discussão para a platéia: qual o limite entre erotismo e pornografia? Porquê é tão difícil aceitar a nudez? A primeira cena apresenta uma jovem andando na bicicleta, sentada em um vibrador gigante, inserido em sua vagina. O segundo, apresenta uma mulher fazendo "fisting"em seu parceiro ( e ela de verdade, enfia a mão inteira no ânus do rapaz). A partir daí, o que vemos são cenas de orgia, com todos transando implicitamente ao vivo. O que a peça quer enaltecer, é a presença feminina, em todas as cenas, como dominadora. Sem diálogos, o espetáculo, de quase 2 horas, provoca um silêncio absoluto da platéia presente, muitos, pelas suas expressões, absolutamente chocados com o que estão assistindo. Parabéns ao elenco, que se propôs a uma experiência visceral e radical.

O aviso

"El aviso", de Daniel Calparsoro (2018) Ótimo suspense espanhol, principalmente quem gosta de "Efeito borboleta" , irá curtir bastante esse filme. A trama é mirabolante, então melhor esquecer qualquer tipo de veracidade e aposte somente na fantasia que o roteiro propõe. Outra referência é o suspense de Jim Carrey, o controverso "Número 23", que falava sobre teoria de conspiração. O filme se passa em 2 épocas distintas: 2008 e 2018. Em 2008, Jon e seu amigo David param em um posto de gasolina. David acaba levando tiro em um assalto, e entra em coma. Jon é um matemático, e ao fazer uma pesquisa, descobre que o terreno onde fica o posto, em outras épocas, ocorreram assassinatos com coincidências em relação à idade das pessoas presentes e quantidade de pessoas. Jon procura evitar que em 10 anos, outro assassinato ocorra no local, mas ninguém acredita nele. O filme tem ritmo e personagens carismáticos, defendidos por bons atores. A trama prende o espectador, por mais bizarra que seja, porque a gente quer saber aonde tudo vai dar. Por mais que o desfecho seja muito inverossímel, a gente compra a proposta do filme. Ótima montagem, que intercala as épocas distintas.

quarta-feira, 25 de julho de 2018

Madame Hyde

"Mrs Hyde", de Serge Bozon (2017) Escrito e dirigido pelo cineasta francês Serge Bozon, "Madame Hyde" rendeu à Isabelle Huppert, o prêmio de melhor atriz no prestigiado Festival de Locarno, em 2017. Adaptação livre do clássico "O médico e o monstro", que já teve refilmagens cômicas com Jerry Lewis e Eddie Murphy, "Madame Hyde" é uma fantasia que procura fazer uma crítica feroz ao sistema educacional na França. Madame Géquil ( Huppert"é uma professora de ciencias, que leciona em uma ecsola secundária na periferia pobre de Paris. Ela sofre bulling de seus alunos, pouco interessados em suas aulas. Uma noite, enquanto trabalha em seu escritório na escola, ela se acidenta, levando um choque. Isso faz com que ela se torne uma mulher de chamas quando ela bem quiser. Assim, sua personalidade se transforma, e procura se vingar daqueles que a maltrataram. O filme procura brincar com a linguagem dos super heróis, inclusive abusando de efeitos especais. Mas a indefinição entre ser um filme de arte, um drama, ou comédia de humor negro, faz com que "Madame Hyde" não decole. É um filme estranho, bizarro, sem ritmo, que acredito, só terá interesse para fãs de Isabelle Huppert. Roman Duris faz uma participação como o Diretor da escola, em personagem caricato, quase um cartoon.

Sexy por acidente

"I feel pretty", de Abby Kohn e Marc Silverstein (2018) Filme de estréia da dupla Abby Kohn e Marc Silverstein, roteiristas de comédias românticas de sucesso, como "Nunca fui beijada"e "Ele não está tão a fim de você". A comédia aposta no sucesso da comediante Amy Schumer. Fazendo uma mistura de "O amor é cego"e "O diabo veste Prada", "Sexy por acidente" nos apresenta a Renne, uma mulher com baixa auto-estima, e que trabalha na linha online de uma famosa marca de cosméticos voltadas para mulheres lindas e de sucesso, administrada por Avery ( Michelle Willians, ótima). Renne procura aumentar um pouco a sua chance de conseguir um namorado ao se inscrever em uma academia de ginástica, mas ao sofrer um acidente, ela acredita estar linda e esbelta, apesar de eu corpo continuar o mesmo. Com a auto-estima elevada, Renne vai ganhando novas amizades e postos de serviço, mas a um custo que ela pagará um alto preço depois. Com um divertido elenco de apoio, "Sexy por acidente" tem tudo aquilo que se espera em uma comédia romântica: boas piadas, mensagens positivas sobre a vida, profissão e relacionamento e a virada da protagonista que a faça repensar a sua postura diante da vida. Amy Schumer está carismática, e aqui, ela segura a onda de seu costumeiro humor grosseiro, apostando em piadas menos infames. Boa sessão da tarde.

terça-feira, 24 de julho de 2018

Noites quentes de verão

"Hot summer nights", de Elijah Bynum (2017) Filme de estréia do roteirista e cineasta americano Elijah Bynum, "Noites quentes de verão" tem como protagonista Timothée Chalamet, que ganhou fama após o sucesso de "Me chame pelo meu nome". Aqui, ele interpreta Daniel, um rapaz de 18 anos que acaba de perder seu pai. Sua mãe fica preocupada com o isolamento social de Daniel, e resolve mandá-lo para a casa de sua irmã, em Cape Cod, região praiana de Massachussets. O ano é 1991, o mesmo do Furacão Bob, que provocou grande estrago na região. Antes do dia do furacão, Daniel conhece Hunter, o gostosão da cidade e também fornecedor de maconha para os visitantes praianos. Ao ajudar Hunter em esconder a droga durante uma batida policial, Daniel se torna amigo dele, e propõe que ambos montem um negócio de venda de drogas. Mas Daniel acaba conhecendo McKayla ( Maika Monroe, de "A corrente do mal"), por quem se apaixona, sem saber que ela é irmã de Hunter. Hunter descobre o flerte e proíbe Daniel de reencontrar McKayla, em uma demonstração de ciúme possessivo. Mas Daniel o desobedece. O Cineasta Elijah Bynum esbanja estilo no filme, com uma pegada de filmes anos 80: cores hiperrealistas, trilha sonora que transita entre o som dos anos 80 e 90, e um visual totalmente vintage. Mas a preocupação com a embalagem prejudicou o filme: o roteiro é morno, o ritmo é lento. O elenco principal está bem, mas falta charme e carisma aos personagens. Uma pena: dá para ver que gastaram uma grana no filme, e o resultado ficou bem mediano.

Handsome devil

"Handsome devil", de John Butler (2016) Escrito e dirigido por John Butler, esse drama irlandês sobre saída do armário é um coming of age e "feeling good movie"que me fez chorar por horas. Para quem foi apaixonado pelo seriado "Glee", esse filme é um prato cheio, que irá te fazer se relembrar dos personagens da serie musicada que se passa toda numa high school. Ned é um adolescente retraído. ele é obrigado pelos seus pais a se matricular em uma escola masculina. Conor é o gostosão e melhor jogador de rugby que acaba tendo que dividir o mesmo quarto com Ned. entre eles, existe toda uma diferença, mas logo, perceberão que eles estão mais próximos do que se imagina. Com uma linda performance doa dupla principal, o filme tem todos aqueles chichês que se espera de um filme adolescente sobre "outing": treinador machista e homofóbico, o professor compreensivo, os pais ausentes, o diretor por cima do muro, e claro, uma trilha sonora pop deliciosa. Mas tudo isso é administrado com muita delicadeza e bom humor pelo diretor John Butler. É um filme correto, previsível, e com aquele final redentor que irá agradar a todos. Ótima pedida para se assistir com amigos que queiram torcer pelos seus personagens e se emocionar.

segunda-feira, 23 de julho de 2018

Foxtrote

"Foxtrot", de Samuel Maoz (2017) Diretor do excelente "Líbano", o Cineasta israelense retorna com "Foxtrote", onde também assina o roteiro. Vencedor do Grande Prêmio do Juri em Veneza 2017, além de inúmeros de outros prêmios em festivais internacionais, "Foxtrote" é um filme extraordinário, dividido em 3 atos. O filme chegou a ser banido pela Ministra da Cultura israelense, revoltada com a premissa do filme, e que promoveu uma Campanha para proibir o Governo israelense de financiar filmes que denegrissem a imagem do exército. O argumento do filme veio de um fato que aconteceu com a filha do Cineasta. Ele havia negado fornecer dinheiro para ela ir até a escola de táxi, pois ela estava atrasada e ele a culpou pelo atraso. Acabou a obrigando a pegar um ônibus. Ao chegar em casa, ele descobriu que o ônibus que ela estava tinha sido explodido. Atormentado pelo sentimento de culpa, ele soube horas depois que ela estava sã e salva. O título do filme vem da dança popular, famosa por seus movimentos longos e repetitivos, uma metáfora do filme de que as fatos nas nossas vidas, muitas vezes vêm e voltam para o mesmo ponto de partida, dando a sensação de que nada avança. No 1o ato, uma família descobre que seu filho morreu durante um combate. Os pais de Jonathan passam o dia em luto e depressão profundos, tentando entender o sentido de tudo. No 2o ato, um grupamento de 4 jovens soldados cumprem serviço em uma fronteira. Cabe a eles inspecionar todo mundo que quer atravessar a guarita. No 3o ato, voltamos à mesma famiíia do início do filme, ainda tentando sobreviver ao luto pela perda do filho. O filme tem várias cenas antológicas: a cena da dança na fronteira, a cena do pai no 1o ato, em um trabalho extraordinário do Ator Lior Ashkenazi, de verdade, assombroso. Direção, fotografia, montagem, e um roteiro poderoso, que me lembrou a costura feita por Tarantino em "Pulp fiction

Bergman 100 anos

"Bergman- A year in a life", de Jane Magnusson (2018) Exibido em Cannes em 2018, o documentário comemora 100 anos do nascimento de um dos Artistas mais influentes e premiados da História. Ele ganhou 3 Oscars, Leão de Ouro, Urso de Ouro, a Palma das Palmas ( Honraria concedida apenas uma vez na história de Cannes) entre outros. A documentarista Jane Magnusson apresenta Ingmar Bergman como sendo o artista sueco mais importante da história do país, segundo depoimento de um Diretor local, e mostra ao espectador o porquê desse apreço do Mundo pelo Cineasta, roteirista, Diretor de tv e Teatro. Um Ator que passasse por suas mãos, teria garantido uma carreira no exterior. Bergman ganhou um status tão poderoso, que os críticos tinham medo de falar mal de algum produto seu. O filme apresenta também um Bergman tirano, ciumento, um "Predador", "Carnívoro", que quiz destruir a carreira de um jovem Ator e Diretor, Thorsten Flinck, pelo simples ciúme da juventude dele e de seu talento. O filme contém depoimentos de atores, técnicos e críticos influentes que falam o quanto ele sabia dirigir atores e extrair o máximo deles. Outro fato óbvio: Bergman retratava em seus filmes, seus demônios interiores. Medo da morte, repressão familiar, alma feminina, neuroses, etc. Neurótico, repleto de manias (só comia yogurte sueco e biscoito Maria) , o filme contém histórias muito divertidas acerca da vida pessoal e profissional de Bergman. Confesso que ri muito no cinema ao ouvir a história sobre o ator Gunnar Björnstrand, que interpreta um PAdre no filme "Luz do inverno". Achando que Gunnar era uma pessoa muito feliz, Bergman chamou seu médico que desse um diagnóstico errado para o ator, dizendo que ele estava seriamente doente. Com essa informação, Gunnar ficou depressivo e assim, conseguiu fazer o filme como Bergman havia imaginado. Tirano? Herói? Deus? Um pai de família ausente? Que casa um interprete o seu Bergman preferido.

Dedo na ferida

"Dedo na ferida", de Silvio Tendler (2018) Ao assistir a esse documentário do realizador de "Jango" e "Os anos Jk", imediatamente 3 filmes me vieram à mente: "Capitalismo, uma História de amor", de Michael Moore, "Inside Job", de Charles Ferguson e "A grande aposta", de Adam McKay. Essas lembranças me vieram justamente porquê sou totalmente leigo em economia e fiquei com aquela sensação de achar que tinha entendido todas as explicações didáticas faladas em economês, mas no fundo, eu queria ter feito algum curso básico para poder captar melhor as informações. Economistas, o ex ministro da economia grego, Celso Amorim, professores, economistas e toda uma sorte de palestrantes exploram em seus discursos, a tese que o filme levanta: de que os ricos estão casa vez mais ricos, e os pobres, cada vez mais pobres. Bom, absolutamente toda a população conhece de cor e salteado essa frase. Mas o filme procura fazer uma análise mais profunda sobre os motivos desse grande abismo social e econômico existente entre a base e o topo da pirâmide: a grande fome dos banqueiros, políticas de privatização, reforma trabalhista que vai contra os direitos do trabalhador, etc etc etc Paralelo dos aos depoimentos e imagens de arquivo e grafismos, o filme apresenta 2 personagens populares, ambos provenientes de Japeri, considerado o município mais pobre do estado do Rio de Janeiro. Anderson, podólogo, que trabalha em Copacabana e leva 2 horas de deslocamento todo dia para chegar ao trabalho; e um grupo de Teatro chamado "Conduta", formado há mais de 10 anos, e que banca com recursos próprios de seus integrantes, para poder levar à população local, peças que os façam refletir sobre a sua condição social. Fico na torcida para que façam um documentário sobre esse grupo de teatro, que deve ter histórias ótimas para contar ao público. O filme ganhou o prêmio de melhor documentário do juri popular do Festival do Rio 2017.

domingo, 22 de julho de 2018

Spear

"Spear", de Stephen Page (2016) Filme-Dança Australiano, vencedor de vários prêmios internacionais. Dirigido pelo consagrado Diretor artístico e coreógrafo australiano Stephen Page, que coordena o prestigiado Bangarra Dance Theatre. Nesse seu filme de estréia, Page trabalha com metáforas, sem utilizar diálogos. Extremamente poético e cinematográfico, "Spear" trata de tema muito importante: a questão do aborígene australiano, sufocado pela colonização, e a presença da modernização como fator determinante para o extermínio dessa cultura. O filme também lida com o tema da iniciação ritualística de um jovem nativo nas tradições dos aborígenes, através da dança e da música. Belamente filmado em locações urbanas de Sidney e também na paradisíaca Ilha de Cockatoo, o filme tem fotografia estonteante. É um filme para apaixonados por dança contemporânea. Durante 90 minutos, o grupo apresenta coreografias viscerais, enaltecendo o masculino cm muita sensualidade. O filme lembra bastante "Pina", de Win Wenders. Quem gostou, não deve deixar de assistir "Spear".

O caso do homem errado

"O caso do Homem errado", de Camila Lopes de Moraes (2017) Instigante documentário, que retrata o caso de Júlio César de Melo Pinto, jovem trabalhador negro que acabou sendo assassinado pela brigada militar do Rio Grande do Sul no dia 14 de maio de 1987. Julio estava voltando para casa, quando presenciou um assalto em um supermercado. Ao se aproximar da multidão, ele teve uma convulsão ( sofria de epilepsia), caiu no chão e se machucou. Alguns populares o acusaram de ser um dos assaltantes e logo a polícia o colocou em um carro,. Horas depois, ele apareceu morto, com dois tiros. Um repórter do Zero Hora fotografou o momento de Julio entrando com vida no carro da polícia, apenas com machucados provocados pela sua queda. O caso se tornou um escândalo na época, mas logo foi abafado. Conhecido como "O caso do homem errado", o documentário procura avaliar a estatística de assassinatos de negros, tanto na época quanto nos dias de hoje, e avalia que pouca coisa mudou. O filme termina com a seguinte questão: Existe homem certo? Existe homem errado? Entrevistando familiares, a viúva, advogados, amigos, etc, Camila faz um alerta de que a sociedade continua praticando o racismo. Um dos depoentes diz que o Brasil se vangloria de não ter racismo, e logo desmente essa tese. Juçara Pinto,a viuva, em depoimento emocionante, perdeu seu rumo. Não casou de novo, não teve filhos, não seguiu carreira como professora. Como ela mesmo diz, sua vida parou. O filme acerta ao contar a história com ótimos depoimentos, de forma simples, sem estilizações e maneirismos de cãmera.

sábado, 21 de julho de 2018

Ferrugem

"Ferrugem", de Aly Muritiba (2018) Diretor dos premiados "Para minha amada morta" e 'Tarântula", Aly Muritiba muda radicalmente de temática e aposta no drama sobre a adolescência e o bullying. Temas comuns do longa "Elefante", de Gus Van Sant, e do seriado da Netflix, "13 reasons why", "Ferrugem" tem um sabor bem brasileiro: rodado em Curitiba, com um ótimo elenco de jovens talentosíssimos, que dividem a tela com os experientes Henrique Diaz e Clarissa Kiste, excelentes como os pais de Renet ( Giovanni de Lorenzi), um jovem estudante atormentado com uma tragédia que se abateu no colégio aonde estuda. Tifanny Dopke, no papel de Tati, a personagem que costura o filme, também é uma bela surpresa. Bem dirigido, com perfeito domínio de cena e de marcação de movimentação, o filme se constrói através de planos longos, reflexivos. Doloroso, o filme propõe um debate acerca de temas muito comuns ao universo adolescente: falta de comunicação com os adultos, a rede social usada como arma, o bullying, o desprezo, o isolamento e depressão entre jovens. Nessa falta de perspectiva de um mundo melhor para a juventude, o filme abre caminho para reflexão e quem sabe, mudar o rumo de quem acha que não existe solução para os seus problemas. Tecnicamente impecável, com lindas locações e bela fotografia de Rui Poças. O filme foi selecionado para o Festival de Sundance 2018, na Mostra competitiva World Cinema.

sexta-feira, 20 de julho de 2018

A cidade do futuro

"A cidade do futuro", de Marília Hughes Guerreiro e Cláudio Marques (2016) Dirigido pela dupla de cineastas baianos Marília Hughes Guerreiro e Cláudio Marques , "A cidade de futuro" mescla os gêneros drama e documentário para fazer 2 denúncias: apresentando o Município baiano de Serra do Ramalho, que foi criada após a expulsão dos moradores ribeirinhos nos anos 70, que viviam à margem do Rio São Francisco. O governo lhes prometeu casa, saúde educação próximos aonde viviam, mas a verdade é que foram realocados a mais de 20 kilometros de distancia, sem qualquer tio de assistência. É nesse local que moram Gilmar, Igor e Milla. Esses 3 jovens vivem um poliamor, que acaba sendo a segunda denúncia do filme: mostrar a intolerância da população, frente à sexualidade assumida dos 3 protagonistas. Gilmar e Milla são professores de uma escola pública, e vivem uma relação. ela está grávida. Gilmar e Milla têm amantes do mesmo sexO; Gilmar também namora Igor, um vaqueiro, e Milla uma outra mulher. Mas quando a população se sente incomodada com essa relação aberta, os personagens passam a sofrer preconceitos. Com um elenco formado por não atores, o filme leva à tona o método de Robert Bresson: um cinema anti-naturalista, onde os "atores"não interpretam. Bresson os chamava de "modelos', e o mais importante, era recitar as falas, sem emoção. Para o espectador comum, o filme pode ser muito difícil de ser assistido, não somente pela sua narrativa, quanto pelas performances. No entanto, quem o assistir, irá se deliciar com cenas isoladas divertidas, que mostram um Brasil do interior ao mesmo tempo brega e careta.

Encantados

"Encantados", de Tizuka Yamasaki (2017) A Cineasta Tizuka Yamasaki tem em sua filmografia, histórias dominadas por mulheres. E não poderia ser diferente no sue premiado "Encantados". Aqui, ela leva às telas a história incrível de Zeneida, uma Pajé que vive na Ilha de Marajó. O filme é uma adaptação do livro escrito pela própria Pajé, contando a sua trajetória como uma 8 filhas de um casal formado por um político ( José Mayer) e uma dona de casa ( Leticia Sabatella). O político transfere a sua família para a Fazenda Independência, situada na Ilha de Marajó. É ali que a pequena Zeneida ( Carolina Oliveira) tem a sua iniciação como Pajé, sendo atraída pelos Encantados ( seres místicos da natureza), em especial, Antonio ( Thiago Martins). Os pais de Zeneida acham que ela está louca, e a seu favor, apenas a criada vivida por Dira Paes e o curandeiro indígena vidido por Angelo Antonio. O filme, belamente fotografado por Antonio Luis, e com locações mágicas no Norte do País, em um elenco de apoio de peso, formado por Cassia Kiss, Laura Cardoso, Anderson Mueller, entre outros. A história é repleta de misticismo e crendices, e assim como em "Peixe Grande e outras histórias", de Tim Burton, acredite quem quiser, mas os fatos comprovam a existência de tudo o que é relatado.

quinta-feira, 19 de julho de 2018

Cartões postais de Londres

"Postcards from London", de Steve McLean (2018) Escrito e dirigido pelo Cineasta inglês Steve McLean , "Cartões postais de Londres" faz parte de um cinema de afetação visual, dirigido para espectadores que gostam de filmes estilizados e kitsch. Para quem ama a filmografia de Derek Jarman, Peter Greenaway, ou mesmo filmes cults como "Querelle", de Fassbinder, ou "Veneno", de Todd Haynes, esse pode ser o filme certo, apesar de que aqui, o roteiro não tem muita linha narrativa, com uma história fraca. Jim ( Harris Dickinson, de "Ratos de praia") sai de sua casa, Essex, para tentar a vida em Londres. Ele quer ampliar a sua relação com a arte erudita e a pintura. N entanto, ele é assaltado, e acaba indo trabalhar em uma agência de escort boys, denominada “Raconteurs”. A diferença é que nessa agência, os clientes não buscam sexo, e sim, garotos de programa eruditos e intelectualizados, que discutem arte enquanto são apreciados como "Musos" por seus clientes. Sim, é um filme estranho, com um roteiro bizarro e pouco atraente. Tudo é feito para buscar uma estilização visual, que nem chega a arrebatar. Falta lirismo, falta sensualidade, falta energia e pulsação.

quarta-feira, 18 de julho de 2018

Disco Limbo

"Disco Limbo", de Fredo Landaveri e Mariano Toledo (2016) Filme argentino que mescla drama Lgbts, video-arte, experimentação, video-game e grafismos, "Disco Limbo" tem um fiapo de história: David, jovem gay, vai até uma balada e lá ele conhece Lucio, por quem se apaixona à primeira vista. Mas Lucio desaparece, e David vai em sua busca. Para contar essa história, os dois cineastas se apropriam de uma linguagem moderna de video-grafismo, que lembra um pouco os filmes de Peter Greenaway dos anos 80 e 90, porém, sem a mesma força artística. Aqui tudo sôa pedante, uma experimentação sem razão de ser. Chato de acompanhar, personagens sem carisma e a única coisa que gostei, foi da música que toca no final, "En medio de una festa".

Histórias de fantasmas

"Ghost story", de Jeremy Dyson e Andy Nyman (2017) Adaptação cinematográfica da peça teatral homônima, foi escrita e dirigida pelos próprios autores. Andy Newman ainda protagoniza esse filme de suspense inglês, no papel do Professor Goodman. Obviamente que o filme tem muito de "Invocação do mal", terror de sucesso de James Wan. E mais: se Ingmar Bergman fosse dirigir um filme de terror, baseado nas neuroses e traumas dos seus protagonistas, provavelmente "Histórias de fantasmas" poderia ter sido uma de suas realizações. Cheio de surpresas na narrativa, com direito a um plot twist final que surpreenderá a todos, o filme apresenta o professor Goodman, um apresentador de tv e estudioso dos falsos casos de paranormalidade. Ele recebe um chamado de um paranormal que desapareceu da mídia, e que lhe incumbe de 3 casos de sobrenatural, que provarão o Professor Goodman que fantasmas existem. Com um elenco que vai de atores desconhecidos aos talentosos Martin Freeman ( de "Senhor dos anéis" e "Pantera negra") a Alex Lawther, um jovem talento inglês, o filme mescla drama, suspense e terror. A fotografia favorece bastante a atmosfera do filme, principalmente nas cenas noturnas. Muitas referências cinematográficas, entre elas, "It", "Evil dead" e as antologias de terror dos anos 80.

terça-feira, 17 de julho de 2018

Siberia

"Siberia", de Matthew Ross (2018) Chocado como que, depois do mega sucesso da franquia "John Wick", Keanu Reeves conseguiu fazer um filme tão mequetrefe como esse "Siberia". "John Wick"foi o filme que colocou Keanu Reeves de volta ao topo dos blockbusters de sucesso de público e crítica, após um longo período de filmes fracassados. Mas parece que o cineasta Matthew Ross resolveu aproveitar o sucesso do personagem e realizou um sub-sub John Wick, sem 5% da astúcia dele. Lucas Hill ( Reeves) é um negociador de vendas de diamantes azuis, que deixa sua esposa ( Molly Ringwald, musa dos filmes de John Hugues, relegada a 5 segundos de tela, e ainda assim, dentro de uma tela de Skype!!!!!! Inacreditável!!!!) para viajara San Petersburg, na Rússia, para negociar os diamantes para u poderoso local, que logo ele descobre ser um mafioso. Lucas acaba indo para a SIberia para descobrir o paradeiro do seu contato russo, e lá, ele conhece Katya (Ana Ularu), uma atendente de um bar, por quem ele se apaixona. Principal problema do filme: totalmente indefinido entre querer ser um filme de ação, que ele não é ( somente nos 6 minutos finais a gente v6e um tiroteiro meia bomba) e um filme de romance. Nada funciona. O filme é arrastado, a trama é sem sal e o desfecho, inacreditável!!!! Acaba do nada. Descobri que o filme nem foi filmado na Siberia, e sim, no Canadá. Propaganda enganosa. Keanu Reeves é um ator carismático, mas que precisa ser dirigido. Ele é bastante limitado, e aqui, ele não está nada bem.

segunda-feira, 16 de julho de 2018

Hotel Transylvania 3: Férias monstruosas

"Hotel Transylvania 3: Summer vacations", de Genndy Tartakovsky (2018) Dirigido pelo mesmo Diretor dos outros filmes da franquia, e também do desenho "O laboratório de Dexter", "Hotel Transylvania 3" tem como protagonista o Conde Dracula, com Adam Sandler na voz original. O filme começa com um prólogo que acontece no final do Séc XIX, apresentando o Dr Van Helsing, caçador de monstros e obcecado em matar Dracula. Depois o filme continua com os dias atuais, e mostrando mais uma vez o Hotel Transylvania, lar dos monstros que querem descansar e administrado por Dracula e sua filha, Mavis ( Selena Gomez, na voz original). Mavis compra um pacote de férias para que seu pai descanse, e toda a família e amigos seguem viagem. Mas o inesperado acontece: Dracula se apaixona pela Capitã do cruzeiro, Ericka, uma humana, que tem um plano secreto de eliminar todos os monstros. Curiosamente, a sub-trama desse desenho lembra um pouco o de "Os incríveis 2", onde o desfecho também acontece dentro de um cruzeiro e com a vilã querendo eliminar todos os super heróis. Mas aqui o tipo de humor é outro: mais voltado para as crianças, com piadas ingênuas e algumas modernidades, como o Tinder de Monstros. em uma cena muito divertida. No geral, o filme é simpático, rende muito boas piadas, e os personagens são bem carismáticos.

domingo, 15 de julho de 2018

À procura

"Auf der suche", de Jan Krüger (2011) Escrito e dirigido pelo Cineasta alemão Jan Krüger, "À procura" participou do Festival de Berlin em 2011. O filme é um bom drama road movie, com temática Lgbts. Valerie é mãe de Simon, jovem médico alemão que trabalha em Marseille. Preocupada que ele não entra em contato há dias, ela resolve viajar até a França, junto de Nico, ex-namorado do filho, para que juntos, busquem pelo paradeiro do rapaz. Com ótimas interpretações, o filme apresenta belíssimas locações em Marseille. O drama mostra uma relação entre uma mãe e o ex-namorado do filho, mas durante toda a narrativa, é como se Nico fosse o filho de Valerie. Um filme de descobertas, reencontros, perdas e lamento. Triste, "À procura" é bastante decente, e para quem gosta de dramas intimistas independente, vai curtir bastante.