Diário de um Cinéfilo
domingo, 2 de agosto de 2026
Parisienne
"Peur de rien", de Danielle Arbid (2015)
Co-escrito e dirigido por Danielle Arbid,uma cineasta libanesa radicada na França, "Parisienne" é um premiada drama francês, com elementos autobiográficos da diretora. Ambientado em 1993, o filme apresenta Lina (Manal issa), uma estudante que sai do Líbano para estudar em Paris. Ela mora na casa de seus tios, nos subúrbios da capital. Quando sua tia viaja, Lina é assediada s3xualment3 pelo tio e decide fugir de casa. Ela segue de trem até Paris e ali, precisa se virar para arranjar moradia, comida e continuar frequentando as aulas na faculdade. Em seu caminho, ela ganha a atenção da professora de história, Gagnebin (Dominic Blanc) e passa a namorar um garçon, Julien (Damien Chapelle), que quer se mudar para os Estados Unidos. Lina pratica pequenos roubos para conseguir dinheiro, mas a sua consciência pesa. Ela é delatada e entregue à imigração. Ela conhece um adovago que a ajuda, e inicia um romance com o filho dele, Rafael (Vincent Lacoste), colega de faculdade e líder estudantil.
"Parisienne" é um bom drama que apresenta contrastes culturais e o dilema d euma jovem que se sente deslocada em Paris, mas que quer pertencer ao país. O filme me cansou com seu ritmo lento e a longa duração. O lado positivo é um elenco numero formado por ótimos atores franceses. E o carisma da protagonista Manal issal, presente em todas as cenas do filme.
If I Go Will They Miss Me
"If I Go Will They Miss Me", de Walter Thompson-Hernandez (2026)
Concorrendo no Festival de Sundance em 2026, "If I Go Will They Miss Me" é escrito e dirigido por Walter Thompson-Hernandez. Em 2022, ele ganhou um prêmio do juri em Sundance com o curta homônimo, e que acabou geradndo o longa. O filme é dedicado aos moradores do conjunto habitacional Nickerson housing garden, em Watts, Los Angeles, onde boa parte do longa foi rodado. O filme me fez lembrar de "Moonlight", de Barry Jenkins: ambos os filmes falam sobre a relação pai e filho negros, moradores de um conjunto habitacional na periferia de suas cidades; e ambos possuem o Mar como um elemento importante de ligação emocional entre os personagens. Esteticamente, ambos os filmes também possuem muito me comum: fotografia estilizada em imagens poéticas.
Lil Ant (Bodhi Dell) é um garoto de 12 anos, inteligentee e sonhador. Interessado nas aulas de mitologia grega na escola, ele compara a história de seu pai Big Ant (J. Alphonse Nicholson)com a de Odisseus, de "A odisséia": seu pai permaneceu anos na prisão, e agora está de volta. Lil Ant venera o seu pai. Sua mãe, Lozita (Danielle Brooks) implica com o marido. Big ant percebe que seu filho é apaixonado pela arte, e tenta desencorajá-lo: ele mesmo quando era adolescente foi apaixonado por arte, mas acabou seguindo o caminho do crime.
O filme transita entre cenas realstas com visões de Lol Ant, que vê seu pai como uma figura mitológica grega. O filme é visualmente muito bonito, e tem uma trilha sonora sensível de Malcolm Parson. Os atores estão ótimos, com destaque para Danielle Brooks, no papel da doce mas perseverante e forte Lozita.
Assassination: 1932
"Assassination: 1932", de Jiuqin Zhou (2025)
Um ótimo filme de ação e espionagem chinês, "Assassination 1932" me fez lembrar muito do excelente filme de Ang Lee, "Desejo e perigo". Ambos os filmes retratam a luta da resistência chinesa contra a ocupação japonesa na China, mais precisamente, em Shanghai. O que os diferencia é o período: enquanto o filme de Ang Lee se passa durante a 2a guerra, entre 38 e 45, "Assassination 1932", conforme o título diz, se passa no ano em que o Japão defende a invasão na China. Para isso, o Japão envia estrategistas japoneses para Shanghai. Para combatê-los, um líder da resistência chinesa, Zhang Mubai, se une contra a sua vontade com o gangster Jin Yuanbao, para armarem um plano para assassinar o General Kurosawa e seus asseclas.
O filme é repleto de cenas de ação mirabolantes e os vilões são exatamente isso, malvados ao extremo: matam e tortura sme piedade, homens e mulheres. Tem ritmo dinâmico e empolgante, com eróis que o público irá torcer. O que não funciona são os efeitos de CGI, mal acabados e amadores.
sábado, 1 de agosto de 2026
Tampoco tan grandes
"Tampoco tan grandes", de Federico Sosa (2018)
Melhor filme no Festival de Mar del Plata na mostra Panorama em 2018, "Tampoco tan grandes" é uma agradável dramédia road movie, e como tal, o espectador já sabe que a viagem na estrada será importante para que os personagens reavaliem as suas escolhas de vida.
Lola(Paula Reca) está prestes a fazer 30 anos. Ela trabalha como publicitária e está prestes a se casar. Ela descobre que seu pai, Toribio, a quem ela acreditava ter falecido há 20 anos, acaba de falecer em Mal del Plata. A mãe de Lola conta a verdade: o pai começou um relacionamento com outro homem, Natalio, e saiu de casa. O pai deixou um pedaço de terra à margem do lago do Espejo como herança para Lola, e deseja que suas cinzas sejam jogadas lá. Nessa viagem, Lola convida seu ex-namorado, Teo, um cineasta amador; a irmã viciada em drogas de Teo, Rita, e o viúvo de seu pai, Natalio.
Pautado em personagens carismáticos e bons atores, o filme transita entre o drama, o humor e a melancolia, como funciona normalmente em road movies e no gênero "feel good movie". A fotografia trabalha bem as emoções, e a sequência final, na beira do lago, muda de tom, trazendo uma atmosfera mais lúdica e de realismo fantástico.
Rose of Nevada
"Rose of Nevada", de Mark Jenkin (2025)
"Rose de Nevada" é o nome de uma embarcação que desapareceu há 30 anos com os 2 pescadores dentro dele, e nunca mais foram vistos. Assim começa o drama de ficção científica "Rose of nevada", escrito e dirigido pelo cineasta inglês Mark Jenkin. O filme concorreu no Festival de Veneza e foi indicado pelo Reino Unido à uma vaga ao Oscar de filme internacional. “Rose of Nevada” é uma fantasia de ficção científica sobre viagem ao tempo. Diferente de produções de Hollywood que se utilizam de efeitos e CGI, o filme é realista. Filmado em película 16 MM, traz um visual granulado e de tons vintage, que lembra os filmes da Hammer dos anos 70. É até estranho para o espectador assistir ao filme e se deparar com a pele repleta de poros imperfeitos dos rostos dos atores- o HD torna tudo perfeito demais.
Uma vila de pescadores na Cornualia está em crise econômica e boa parte dos homens está desempregada. Quando o dono do barco Rose of Nevada se surpreende ao ver o barco atracado no cais- o barco desapareceu há 30 anos atrás, com seus dois tripulantes-, ele decide colocá-lo novamente no mar, para a prática da pescaria, que sustenta boa parte da cidade. Dois desempregados, ice (George Mcray e Liam (Callum Turner) se oferecem para trabalha como pescadores. Nick precisa sustentar a sua família e consertar o telhado com infiltração. Liam não tem aonde dormir, dormindo nas ruas. A eles se junta Murgey, um marinheiro que irá pilotar o barco. Eles comemoram a pescaria farta, mas ao retornarem para a vila, descobrem que estão na mesma vila, mas há 30 anos atrás.
O filme foi bastante elogiado pela crítica pela sua narrativa fragmentada e estilo da direção. O ritmo é bastante lento. O público, por sua vez, não gostou do filme, por conta de escolhas artísticas e autorais. Visualmente o filme é muito bonito, numa atmosfera onírica e às vezes fantasmagórica. Os dois jovens atores de despem de suas figuras de galãs e encarnam personagens mais crus e desafiadores.
Los hamsters
"Los hamsters", de Gilberto González Penilla (2015)
Co-escrito e dirigido por Gilberto González Penilla, "Los hamsters" é uma comédia de humor ácido que apresenta uma família desfuncional mexicana de classe média moradora do bairro de Tijuana. Rodolfo (Angel Norzagaray) e Beatriz (Gisela Madrigal) são pais dos adolescentes Juan (Hoze Meléndez) e Jessica (Montserrat Minor). Existe uma falta de counicação entre os integrantes da família, que se isolam e vivem de mentiras. Rodolfo sai todo dia para trabalhar, mas está desempregado e tem vergonha de falar para a sua família. Ele passa o dia todo na rua, fazendo entrevistas ou sentado em cafés para passar o tempo. Beatriz, dona de casa, frequenta uma academia, onde ela quer se manter jovem e flertar com o professor. Juan acaba de saber de sua namorada que ela está grávida. E jessica está dividida em um triângulo amoroso com seu namorado e a sua melhor amiga, por quem também se apaixonou.
Eu tive um problema sério para gostar do filme. O filme tem boa direção, um tipo de humor melancólico próximo ao cinema de Aki Kaurismaki, sem expressar emoções, que eu adoro. Os atores são bons. O que me irritou foram os personagens, todos antipáticos. Principalmente os adolescentes, foi difiicl torcer ou querre gostar deles. Fiquei pensando na dificuldade do ator que interpreta Juan, tentar o mínimo de humanidade ao seu personagem tão irritante.
Meeting with Pol Pot
"Rendez-vous avec Pol Pot", de Rithy Panh (2024)
Indicado pelo Camboja à uma vaga ao Oscar de filme internacional 2025, "Encontro com o Ditador" foi exibido no Festival de Cannes 2024. O filme mistura ficção, documentário e animação para trazer a livre adaptação do livro escrito pela jornalista americana Elizabeth Becker, "Cambodia and the Khmer Rouge Revolution". O filme se passa em 1978. Sob o domínio do sanguinário ditador de Pol Pot e do seu Khmer Vermelho, o país está devastado, vivendo sob um regime comunista onde milhões de pessoas passam fome e 2 milhões de cambojanos foram mortos em um genocídio.
Três franceses, os jornalistas Lise Delbo (Irène Jacob) e Alain Cariou (Grégoire Colin), além do fotógrafo Paul Thomas( Cyril Guei) são convidados pelo regime para uma visita ao país e apresentar as melhorias do governo. Eles esperam uma entrevista exclusiva com o Ditador, mas no meio do caminho, Paul consegue tirarumas fotos onde o que foi escondido pelo regime vem à tona: chacinas e crianças passando fome. Paul desaparece e Lise diz a Alain que enquanto não o encontrarem, ela não vai embora. Aos poucos, Lise e Alain decsobrem os horrores da guerra e do governo de Pol Pot.
As cenas documentais, filmadas na época do regime, são aterrorizantes e chocantes. Em momentos onde não há registro, o filme utiliza a linguagem da animação. Irene Jacob, musa do cinema francês desde "A fraternidade é vermelha" e 'A dupla vida de Veronique", ambos de Kieslowsky, traz uma performance contundente e forte à personagem que contesta e provoca. É um filme cru, tão trágico e brutal quanto "O último rei da Escócia", com Forrest Withaker no papel de idi Amin, ditador da Uganda.
sexta-feira, 31 de julho de 2026
7 vidas
"7 vidas", de Alejo Rébora (2024)
Co escrito e dirigido por Alejo Rébora, "7 vidas" é produzido pela produtora independente argentina SARNA cinepunk. Os filmes realizados pels produtora primam pela anarquia, com produções fora dos padrões do grande público. O filme mistura comédia ácida, realismo fantástico, em uma história que eu não curti muito. Achei tudo bem confuso, personagens sem carisma, uma gritaria. Não entrei na proposta bizarra da história.
Jorge (Joaquín Gallardo) é um jovem que mora em um prédio de alta tecnologia, comandada por inteligência artificial. Sem condições de pagar pelo luxo e conforto, Jorge conseguiu um apartamento em troca de um acordo: cuidar do gato de um magnata. O prédio é supervisionado por dois porteiros meio malucos e surtados. Quando chega no apartamento, Jorge descobre que o gato está morto. A porta bate, e quando Jorge vai abrir, uma mulher entra e age como um gato: essa mulher, Lucy (Maia Barrio) alega ser René reencarnado, e que foi assassinado com comida envenenada. Lucy agora quer encontrar o responsável, com a ajuda de Jorge.
Tem filme argentino que aposta em filmes ambientados em prédios com personagens bizarros. Aqui é um exemplo. Mas o roteiro não me cativou.
Delfín
'Delfín", de Gaspar Scheuer (2019)
Escrito e dirigido por Gaspar Scheuer, "Delfín" é um comovente e sensível drama que remete imediatamente a filmes como "Billy Elliot" e até a filmes iranianos, como "Filhos do paraíso". Exibido no Festival de Cannes na seção 'Ecrans junior", o filme tem como protagonista Delfín (Valentino Catania), 11 anos, órfão de mãe e morando com seu pai em um casebre decadente. O pai de Delfín (Cristian Salguero) trabalha como operário freela. Delfín trabalha de manhã em uma padaria, entregando pães, e depois segue para a ecsola, onde já chega cansado. Del'fin tem 2 paixões: a sua professora, e tocar trompete. Seu sonho é poder participar da orquestra infantil da cidade vizinha, mas para isso, ele precisa lutar contra todas as adversidades que a difícil vida trouxe para ele e seu pai.
O filme traz performances excelentes dos dois protagonistas. O pequeno Valentino Catania traz uma melancolia encantadora para o seu personagem, e é impossível não torcermos por ele, e sofrermos juntos. Marcelo Subiotto, que interpreta o dono da padaria que emprega Delfín, também é grande destaque. O cineasta GAspar Scheuer quiz fugir de um happy end tradicional. Então, prepare o lenço.
Extracto de adiós
"Extracto de adiós", de Emanuel Brunella (2025)
Longa de estréia do roteirista e cineasta argentina Emanuel Brunella, "Extracto de adiós" é o cinema possível. COm o cinema argetino sucateado pelo govenro, Emanul decidiu filmar com 5 pessoas na equipe: ele, os dois únicos atores, uma assistente de arte e um técnico de som. Todo o filme foi improvisado, tanto na filmagem, quanto nos diálogos. As referências de cineastas que Emnual se apropriou foram Jonas Mekas e John Cassavettes. Do primeiro, ele traz as imagens estáticas, retratando o cotidiano, que dão início e desfecho ao filme. De Cassavettes, veio o improviso e o relacionamento obscuro e conflituoso de um jovem casal, nas ruas de Buenos Aires.
A narratia do filme se divide em 3 sequências temáticas. Na primeira, Ivan (Ricardo Rivas) encontra Sofia (Sofia Pezzali) em um banco de uma praça. Assim como em "Antes do amanhecer", os dois jovens caminham pelas ruas da cidade, entram em uma locadora, bebem cerveja, e caminham novamente. O que o diferencia do filme de Richard Linklater, é que aqui, o silêncio se faz presente. Na segunda parte, Ivan leva uma deprimida Sofia nas costas, para que ela viaje de ônibus para resolver um assunto. Na terceira parte, o casal discute durante a noite.
O filme apresenta uma geração de 30 anos totalmente desesperançada e desencantada. Os dois protagonistas se conectam pela melancolia, depressão e falta de persepctiva. É um retrato que reflete o quanto a opressão do cotidiano destrói e suga a energia e as vidas de jovens. O desfecho sugere alguma possibilidade de luz no fim do túnel. Mas ainda assim, um filme que traz gatilhos emocionais para os que sentem que não produziram nada nessa etapa da vida. A linguagem do filme é experimental, fragmentada, tem momentos que o áudio é inaduível e surgem legendas. A câmera na mão é frenética, inconstante, assim como a vida dos protagonistas.
quinta-feira, 30 de julho de 2026
Látex rojo
"Látex rojo", de Gerard Marco de Mas (2020)
Escrito e dirigido por Gerard Marco de Mas, "Látex rojo" é uma produção indie argentina. O filme envolve o tema da dominação, fetiches e BDSM. Mas a maior supresa no roteiro, é o seu último minuto, que envereda para um outro caminho temático.
Eric tem uma vida que o deixa com burn out: sofre pressão no trabalho; em casa, seus pais vivem dizendo o que ele deve fazer da vida; sua esposa grávida, que mora com Eric e os pais deles, o cobra todo o tempo. Eric decide tomar uma decisão: abandonar a família e fugir para a mansão vizinha, que pertence à Dominatrix Mestra Gise. Eric se oferece à ela e pede para ser seu escravo, esperando assim, ter a sua liberdade. Mas Eric não esperava que as exigências de Gise se tornassem cada vez mais violentas e perversas. Sua esposa, seu pai e depois sua mãe, todos tentam em vão resgatar Eric.
Quando li a sinopse do filme, imaginei que ele seguisse um caminho mais erótico, com cenas pesadas de bondage. Mas o filme se mostra menos corajoso do que se propõe, tanto qe no final o rumo da história muda radicalmente. A produção é bem amadora, os atores, medianos. Não sei qual foi a proposta do diretor e roteirista. A falta de cuidados técnicos, tanto na fotografia quanto na direção de arte, acabam trazendo um charme extra para quem curte filmes zoados.
The butcher's blade
"Shou zhe tian", de Liu Wengpu (2026)
Filme de ação wuxia, repleto de incríveis cenas de lutas de artes marcais ( daqueles onde os personagens voam, escalam casas, dão saltos acrobáticos) ambientado no período da Dinastia SOng, que vai de 960 a 1279. O filme começa com cartelas anunciando que as penas criminais nessa época eram bastante severas, a mmaioria culimando com torturas e mortes.
Xue Buyi (Liu Fengchao) é um policial que integra o esquadrão de elite chamado de 'Quartel da águia", com policiais altamente treinados pelo chefe e mestre Huang Shining. Quando acontece um roubo de preta, metal destinado ao uso do governo, Xue e o esquadrão são designados para descobrir os criminosos. Mas quando xue descobre que o verdadeiro criminoso é seu mestre Shining, ele é atacado e fica abandonado à morte. Mas ele consegue se recuperar e agora deseja se vingar.
Para quem adora filmes wuxia, esse filme oferece cenas de ação espetaculares ( nos créditos finais, o filme apresenta making of com os ensaios do elenco em estúdio).
Bajo mi piel morena
"Bajo mi piel morena", de José Celestino Campusano (2019)
Indicado à melhor atriz revelação (Morena Yfran) no Argentinean Film Critics Association Awards 2021, o drama queer "Bajo mi piel morena" é escrito e dirigido por José Celestino Campusano. O filme apresenta 3 protagonistas trans, e revela o cotidiano de transfobia e assédio policial que vivem. Morena (Morena Yfrán) trabalha em uma fábrica têxtil desde os 16 anos de idade. Sempre sofreu preconceito por parte das mulheres e dos homens, mas mateve-se altiva e segura de si o tempo todo. Morena namora um homem pelo qual é apaixonada, mas rompe o namoro quando decsobre que ele mentiu para ela o tempo todo: ele é casado e pai de 2 filhos. Claudia (Maryanne Lettieri) é professora formada e ao ser contratada para dar aula em uma escola, sofre transfobia da diretora e principalmente, da mãe de um dos alunos. Myriam (Emma Serna) é prima de Morena e se prostitui. O seu envolvimento com a polícia acaba trazendo problemas para Morena e Claudia.
O filme tem uma narrativa crua, com muitas cenas de s3x0 e nudez ousadas. As atrizes são ótimas e mereiam prêmios em festiais e mais reconhecimento pela força com que atuam e defendem suas personagens. A cena em que Claudia discute com a mãe de um aluo é excelente e deixa clara o preconceito que as pessoas trans sofrem diariamente. A cena final, de Morena tomando banho no chuveiro feminino da empresa, provocando as trabalhadoras do local, é formidável.
La Danse des renards
"La Danse des renards", de Valery Carnoy (2025)
Concorrendo na quinzena dos realizadores do Festival de Cannes, de onde saiu com 2 prêmios, "La danse des renardes" é co-escrito e dirigido por Valery Carnoy e co-produzido por França e Bélgica.
O filme traz o contexto já bastante visto em muitos filmes coming of age e de amadurecimento: um jovem esportista, no caso, boxeador, entre em conflito com o ambiente tóxico e de masculinidade excessivamente rudimentar e decide repensar a sua forma de agir na vida. Diferente da maioria dos filmes, que retrata o protagonista saindo do armário e apaixonado por algum colega, aqui Camille (Samuel Kircher) tem um melhor amigo, Matteo (Fayçal Anaflous). são amigos, confidentes. Mas não existe tensão sexual entre eles. Tomam banho juntos, visitam a casa um do outro, didivem intimidade e conflitos pessoais, mas até onde o filme chega, não existe desejos carnais nem amorosos.
Camille é um dos mais promissores jovens talentos do boxe, treinado por Bogdan (Jean-Baptiste Durand), um professor exigente e humano. Quando Camille, por imprudência, se acidenta, após cair de uma ribanceira, ele faz uma cirurgia no braço, ficando com cicatriz. Após esse incidente, ele contrai um trauma. Os médicos não conseguem identificar o que está se passando com Camille. Camille vai cada vez mais se afastando do treinamento, e assim, de seu amigo Matteo e da equipe.
"la danse dos renards" traz um sub-plot: Camille rouba carne para provocar as raposas do mato. Ele as amarra bem alto para que elas as alcancem. Essa metáfora sobre extrapolar desafios é utilizada com boa dose dramática na história, com ótimas perfomances do jovem elenco. Não me surpeendeu tanto, e o ritmo achei bem arrastado.
A boca do diabo
"The devil's mouth", de Jeff Wadlow (2026)
Quando você pensa que darão sossego em filmes de tubarão, surgem mais uns 4 filmes, pelo menos. De toda a fauna animal, o tubarão é certamente a grande estrela, uma verdadeira obsessão dos produtores e roteiristas. E nós, pobres espectadores, viciados nesses predadores do mar, não perdemos nenhum, seja filme trash estilo "Sharknado" ou mais assustadores e realistas, tipo "Águas rasas" ou "Mar aberto".
"A boca do diabo" fica entre essas 2 classificações. Não é um trash. Mas seu roteiro é tão irritante, óbvio e descaradamente sem criatividade que fica difícil defender.
Cinco amigos americanos que estão para se formar na faculdade viajam até Krabi, na Tailândia, para passarem suas férias juntos. Sara (Kathryn Newton), Max (Lana Condor), James (Nico Hiraga), Greg (Gavin Casalegno) e Adrienne (Tommi Rose) são amigos de longa data. Sara e Max são próximas: quando o pai de Sara morreu na Tailândia, durante uma expedição na caverna Boca do diabo, foi Max quem ficou do seu lado, durante seu luto. Agora, o grupo deseja conheer a Boca do diabo. Eles alugam um barco com o guia local, Wat (Tayme Thapthimthong). Apesar dos avisos de Wat para não adentrarem tão a fundo as cavernas, Max insiste. O grupo só não poderia imaginar que um enorme tubarão, que ficou preso nas carevnas, fosse atacá-los.
O que me deixou extremamente irritado no filme, é a construção da personagem de Max. A atriz vietanamita Lana Condor, famosa pela trilogia de sucesso romântica da Netflix "Por todos os garotos que amei", interpreta uma personagem tóxica, muito diferente de sua protagonista romântica. O problema é que a personagem é tão irritante, tão sem humanidade, que fica difícil torcer por ela, e obviamente, todo espectador irá que ela seja uma das primeiras e servir de refeição. Para piorar, o filme é muito escuro, e mal dá para enxergar os ataques do peixão.
Sem norte
"Norteado", de Rigoberto Pérezcano (2007)
Co-escrito e dirigido por Rigoberto Pérezcano, 'Sem nome" foi vencedor de melhor filme em Roterdan e San Sebastian. O filme foi c-escrito e dirigido por Rigoberto Pérezcano e co-produzido por México e Espanha. Adaptado do conto “Limbo”, de Edgar San Juan, o filme é um retrato desolador e comovente de mexicanos que procuram atravessar a fronteira com os Estados Unidos para tentarem a sorte e uma nova vida.
Andrés (Harold Torres) é de Oaxaca do norte. Ele vaga pelo deserto inóspito em direção à fronteira com os Estados Unidos. Ao chegar ao local, observa que policiais da imigração fazem uma forte ostensiva. Andrés decide aguardar e encontra a pequena cidade de Tijuana. Ali, ele conhece 3 pessoas que irão mudar ou não a sua vida: Ela (Alicia Laguna), dona de um mercadinho que lhe oferece um emprego temporário; Cata, sua funcionária (Sonia Couoch)e Ascensio (Luis Cárdenas). Todos os três irão ajudar Andrés em seu desejo de atravessar para os Estados Unidos.
O filme tem um ritmo lento e contemplativo, filmando com um olhar documental a rotina de pessoas que sobrevivem à pobreza e a futuros incertos. A sequência final é de doer a alma: Andrés sendo colocado dentro de uma potrona, para tentar atravessar a fronteira, ao lado de mobílias. É a total desumanização. Só essa sequência já vale todo o filme. O elenco está ótimo , em tons naturalistas e com performance minimalista.
Homem aranha- Um novo dia
"Spider man- a brand new day", de Destin Daniel Cretton (2026)
Essa 4a aventura do “Homem aranha” com Tom Holland está sendo aclamada como a melhor do ator, e é verdade. O roteiro traz elementos que os outros não tinham, que é a emoção ( com exceção do anterior que reuniu novamente Tobey Maguire e Andrew Garfield na festejada cena do reencontro). O 3o final de “Um novo dia” é carregada de melancolia: a perda de entes queridos e como que pode se seguir a vida adiante carregando o fardo do luto e da culpa. Outros elementos que eu adorei: não ter mais nada do multiverso, que eu particularmente odiava. O filme agora se concentra no drama dos personagens em suas vidas reais, na cidade de Nova York. Que aliás, é a grande homenageada do filme: além de muitas cenas rodadas em externa, os créditos finais trazem imagens lindas e poéticas da cidade, com seus moradores. É lindo.
A história traz Peter Parker em uma enorme tristeza por não poder revelar a MJ (Zendaya) e Red , seu melhor amigo, quem ele é. No último filme, eles tiveram suas memórias sobre a sua relação com Peter apagadas, e não o conhecem. Fora isso, surge uma grande vilã ( a a revelação da personagem no filme provocou a quebra de contrato com o cantor Steve Lacy quando o relevou sem querer durante uma coletiva de imprensa, sendo considerado spoiler) que tem o poder de controlar a mente das pessoas. A história traz personagens Marvel que irão ajudar, ou atrapalhar, o Homem Aranha em sua tentativa de prender a vilã: Hulk, Viúva negra e o Justiceiro, em grandes e divertidas participações de Mark Ruffalo, Florence Pugh e John Berthal. A curiosidade fica para a escalação de Sadie Sink, que está excelente na personagem: nada me tira da cabeça que o motivo dela ser escalada foi a sua participação em ‘Stranger things”, principalmente no episódio em que ela foi controlada mentalmente pelo Vectra. Aqui, ela faz a mesma personagem de Eleven.
Tom Holland, ao contrário das enormes críticas ao seu papel em ‘A odisséia”, traz carisma e dessa vez também, sensualidade ao seu personagem que o alçou ao posto de grande celebridade em Hollywood. A cena final de “Um novo dia” certamente irá trazer lágrimas para muitos marmanjos.
terça-feira, 28 de julho de 2026
Twilight of the Warriors: Walled In
"Jiu Long cheng zhai: Wei cheng", de Soi Cheang (2024)
Adaptação da graphic novel "City of darkness", "Twilight of the Warriors: Walled In" é um filme obrigatório para quem é fã dos clássicos "Fuga de Nova York", "The warriors" , ambos dos anos 80, e dos filmes wuxia, como o recente "The fury". O filme alia um ótimo roteiro com artes marcais e porradaria do jeito que os chineses fazem muito bem. O filme foi a 2a maior bilheteria do ano de 2024 na China, e segundo li, vai dar origem à uma franquia.
O filme é ambientado em Hong Kong nos anos 80, antes de ser anexada à China, ainda sob o controle do Reino Unido. Chan Lok Kwan (Raymond Lam) é um imigrante em Hong Kong que deseja ter uma identidade para legalizar a sua situação. Ao participar de uma luta ilegal, ele ganha dinheiro para comprar a ID. Mas ele é enganado pelo mafioso Mr Big e rouba um saco de dinheiro. OS capangas correm atrás dele, mas Chan Lok Kwan (Raymond Lam) entra na Cidade murada de Kowloon: uma cidade decadente, governada por gangues em oposição a Mr Big, que não pode entrar ali. Chan Lok Kwan (Raymond Lam) descobre que o saco que roubou contém drogas. Ao tentar vender, ele apanha dos capangas de Cyclone, o chefe da gangue local. Logo Chan Lok Kwan (Raymond Lam) é integrado ao grupo, quando Cyclone observa nele habilidades de luta. Chan Lok Kwan (Raymond Lam) integra a gangue junto de Shin, Av e 12o mestre. mas Mr Big decide invadir a cidade e matar Chan Lok Kwan (Raymond Lam).
O filme e livremente inspirado em fatos reais: Kowloon era um bairro decadente onde o govenro enviava traficantes, prostituras, imigrantes. Ele foi derrubado em 1993.
O filme tem ótimas cenas de ação, empolgantes e personagens que o público fica torcendo contra e a favor. Todo o visual dos anos 80 certamente deve ter sido inspirado nos filmes que citei acima, principalmente o visual das gangues. Imperdível.
Himizu
"Himizu", de Sion Sono (2011)
Concorrente em Veneza 2011, o filme saiu com o prêmio Marcello Mastroiani concedido a jovens atores, no caso, os atores Shôta Sometani e Fumi Nikaidô, que interpretam os protagonistas Sumida e Keiko, O filme narra a tragédia do pós-tsunami no Japão, em março de 2011. Na região de Fukushima, onde se passa a história, os sobreviventes, desolados pela catástrofe que destruiu sonhos, tentam se reerguer. Sumida é um jovem de 14 anos que mora com sua mãe na beira do lago. Eles tem uma pequena empresa de aluguel de barcos. O pai, que abandonou o lar, sempre retorna, pedindo dinheiro e espancando Sumida, desejando que ele morra para poder receber o seguro. Ao mesmo tempo, temos a história de Keiko, colega de turma de Sumida, por quem nutre paixão platônica. Ela e outros refugiados procuram levantar o astral de Sumida, mas ele se recusa aceitar a ajuda. Sumida é a metáfora do Japão. Uma nação orgulhosa, que tenta se reerguer por conta própria. O filme caminha pelo drama, passeando pela tragédia e violencia urbana. Sono, diretor do excelente "Mesa de jantar de Noriko" e do cult "O pacto", abusa em seus filmes da violência e do bizarro. Aqui, ele caminha mais pelo drama realista, mas sem largar mão da crise emcoional dos seus personagens, que em momentos de catarse, demonstram um lado animalesco que eels próprios desconhecem. O filme é baseado em um mangá, porém como foi escrito anterior ao Tsunami, foi todo readaptado pelo próprio diretor, que filmou nas locações reais, devastadas pela força da natureza. Como em quase todos os filmes japoneses, a gente estranha que as vezes a narrativa descamba para o patetico, pastelão, e os atores exageram na performance. Mas isso é um dado cultural. A grande força do filme é a atuação dos atores. É um filme difícil, cruel. A cena do jovem matando um personagem, em plano-sequência, é antológica.
Otros entre otros
"Otros entre otros", de Maximiliano Pelosi (2010)
Documantário dirigido por Maximiliano Pelosi e que trata do tema dos judeus gays na Argentina e como vivem sob a forte homofobia da conservadora comunidade judiaca. Através de depoimentos de 4 jovens gays judeus: Gustavo, Daniel, Diego e Dan ( esse último, um artista drag), o filme fala sobre a repressão familiar, religiosa, e o estigma que sofrem para viver uma vida de mentiras. O filme apresenta diversas cartelas ilustrativas: na Argentina, existe uma comunidade de judeus estimada em 250 mil pessoas. Desses, de 6 a 8 por cento são declaradamente gays, em torno de 15 mil pessoas. Um dos depoentes em determinando momento diz "somos poucos e nos conhecemos bem" deixando claro que mantiveram um grupo de apoio para se ajudarem em suas questões conflituosas. O filme também expressa o termo "diferentes dentro dos diferentes", falando que o fato de seu judeu já os diferencia, e sendo ainda gay,, torna ainda mais forte a questão da minoria. Enquanto alguns conseguiram ser aceitos pelos pais, Gustavo precisou distanciar-se de sua família para poder viver a sua vida e ser feliz. Foi criado o grupo JAG - Judeus Gays Argentinos, que luta pelos direitos dessa fatia da comunidade judia.
O filme, como cinema, é bastante convencional, faltando uma dinâmica mais para traezr mais interesse ao espectador. Depoimentos, fotos de arquivo são apresentadas numa narrativa careta e sem emoção. Mas valeu para introduzir o tema para o público.
Heart attack
"Ham puay... Ham phak... Ham rak mor", de Nawapol Thamrongrattanarit (2015)
Melhor filme, ator e atriz no Thailand National Film Association Awards, "Heart attack" é um drama romântico escrito e dirigido pelo cineasta tailandês Nawapol Thamrongrattanarit. O filme acompanha dois jovens protagonistas: Yonn (Sunny Si Suwanmethanont), 30 anos, designer gráfico. Ele é workhaholick e pega todos os trabalhos de photoshop que surgem, deixando de dormir e se alimentando mal paracumprir deadlines cobrados pela sua agente e amiga, Je (Violette Wautier). Quando surgem erupções cutâneas, Yonn decide ir para um dermatologista em um hospital público. Após horas de espera, ele é atendido pela médica residente Imm (Davika Hoorne). Os dois se apaixonam, mas pela questão ética, mantêm a posição de paciente e médica.
O filme se passa praticamente em 2 ambientes: a sala do apartamento de Yonn, e o consultório apertado de Imm. Me lembrei do filme "Nunca te vi, sempre te amei", com Anne Brancroft e Athony Hopkins, sobre duas pessoas apaixonadas que não podem consumir o amor que sentem um pelo outro.
Um sensível e belo filme, co, pitadas de humor, e protagonistas carismáticos. O que prejudica é a sua longa duração, 135 minutos. A beleza do elenco é um grande atrativo para se assistir ao filme.
Zombie Ass: Toilet of the Dead
"Zonbi asu", de Noboru Iguchi (2011)
Co-escrito e dirigido por Noboru Iguchi, "Zombie ass" é dos filmes mais trash e toosqueiras que já assisti. Para quem conhece a produtora americana Troma, especializada em filmes trash, certamente irá se familiarizar e adorar esse filme japonês. Quem não estiver nessa vibe de curtir filmes nojentos, escatológicos e bizarros, melhor nem assistir.
O filme apresenta um grupo de 5 amigos que decidem passear em uma vila isolada na floresta. Eles querem que Megumi, uma estudante colegial, espaireça. Sua irmã se su1c1d0u recentemente, vítima de bullying, e Megumi se sente culpada. Aya seu namorado drogado Takê, a modelo Maki e o nerd Naoi acompanham Megumi. Quando Maki pesca no rio, ela fisga um peixe, e ao cortá-lo, encontra um parasita dentro dele. Ela decide devorar o parasita, acreditando que ele a fará ficar agora e assim, fazer sucesso nas passarelas. Ela passa mal e ao correr até um banheiro de uma casa abandonada, ela defeca. As fezes se transformam em zumbis feitos de merda e passam a atacar o grupo.
O que vem a seguir é algo que não dá para contar, para não estregar a surpresa. É tudo tão doido, tosco, hiperbólico. O filme faria sucesso em qualquer sessão de midnight movies, para um público específico. Mas é difícil absorvê-lo. É nojento, absurdamente ousado.
Choele
"Choele", de Juan Sasiaín (2013)
Choele é um município a 11 horas de Buenos Aires. É ali que Coco, um menino de 11 anos, vai passar as férias com o seu pai, divorciado de sua mãe com quem Coco mora. Coco é um menino esperto e alegre, e apaixonado pelo seu pai. Mas quando conhece Kimey, a namorada de seu pai, seus sentimentos se transformam: apaixonado por ela, ele vê em seu pai um rival. Lindo e raro filme argentino totalmente familiar, repleto de sentimentalismo e que a gente assiste com enorme prazer. Todo pelo ponto de vista do menino, remete a pequenos clássicos juvenis, como "O verão de 42" ou o nacional " Houve uma vez dois verões", de Jorge Furtado. Dirigido com muita delicadeza, e respeitando o universo dos adolescentes com muito carinho, o cineasta e roteirista Juan Sasiain foi feliz ao escalar 3 atores que tem uma química fantástica: Leonardo Sbaraglia, o grande galã argentino, e extremamente carismático; Guadalupe do Campo, vivendo com muita leveza e sedução a jovem namorada, primeiro amor de Coco; e o menino Lautaro Murray, em seu primeiro papel no cinema, exalando frescor e espontaneidade, sem interpretação forcada. Assisti ao filme com muita simpatia, e recomendo para quem quer ver um delicado drama sobre o "coming of age" que mesmo tratando de lugar comum, vale pelo amor dedicado ao projeto de todos os envolvidos. Trilha sonora linda, e fotografia que valoriza a locação.
Leviticus
"Leviticus", de Adrian Chiarella (2026)
E se o premiado filme brasileiro 'Pedágio", de Carolina Markowicz, fosse um filme de terror? Tanto "Pedágio" quanto "Leviticus" possuem muitas semelhanças temáticas. É a personagem da mãe quem busca ajuda de um religioso para fazer a conversão de orientação sexual em seus filhos. O terror em "Pedágio" é simbólico, em "Leviticus" é sobrenatural. Os protagonistas são personagens adolescentes que decsobrem a sua paixão por alguém do memso gênero e por isso, sofre represálias da família e da igreja
Escrito e dirigido por Adrian Chiarella, "Leviticus" concorreu nos Festivais de SXSW e Sidney, ganhando prêmios em Frameline San Francisco International LGBTQ Film Festival e Astra midseason. Foi exibido com sucesso em Sundance e traz o terror australiano de volta ao circuito, após o grande sucesso de filmes como "Babadook", "Fale comigo" e "Wolf creek".
Após a morte de sue pai, Naim (Joe Bird). se muda com sua mãe, Arlene (Mia Wasikowska) para uma cidade do interior, Victoria. A maioria dos moradores do bairro onde moram são frequentadores da igreja local. Arlene também é religiosa. Niam se apaixona por um colega da escola, Ryan (Stacy Clausen), e eles se encontram esconidos. Quando Naim testemunha Ryan aos beijos com o filho do pastor, Hunter (Jeremy Blewitt), ele sente ciúmes e os entrega em segredo para os pais do pastor, que contratam um curandeiro para fazer um exorcismo nos dois rapazes. Arlene descobre que Naim também andou comos rapazes e contrata o curandeiro para seu filho també. Os rapazes passam a ver um duplo das pessoas que ama, ameaácndo-os de morte e sem saberem se é a pessoa real ou o duplo mortal.
Utilizando o terror para expôr críticas à igreja conservadora e à homofobia, o filme traz ótimas performances. Eu estava com saudades de Mia Wasikowska, uma atriz subaproveitada nas produções recentes. O terror não é intenso, cabendo ao drama a sua maior força. O personagem de Naim me deixou bastante irritado e tive dificuldade para torcer por ele.
segunda-feira, 27 de julho de 2026
A aposentadoria
"El retiro", de Ricardo Díaz Iacoponi (2019)
Dramédia co-escrita e dirigida por Ricardo Diaz Iacoponi, é uma produção argentina protagonizada pelo veterano ator Luis Brandoni, falecido em 2026 e ator da comédia clássica "Esperando a carroça", além do filme com Ricardo Darin, "A odisséia dos tontos".
Rodlfo (Brandoni) acaba de se aposentar. Viúvo, ele mora sozinho. Tentando se acostumar com a aposentadoria, Rodolfo trabalhou 50 anos como aobstreta, o que o afastou de sua família: sua falecida esposa e sua filha, Laura (NancyDuplaá), uma cantora que guarda ressentimento pela ausência do pai. Quando a empregada de Rodolfo, Yanina (Eugenia Ruiz) viaja de surpesa para sua cidade de Santiago del Estero, ela deixa seu filho de 10 anos Diego (Marcos Da Cruz) aos cuidados de Rodolfo, através de um bilhete. Sem saber o que fazer, Rodolfo não consegue localizar Yanina, que desaparece. Rodolfo passa a cuidar do menino. Ao memso tempo, Laura pede para ficar uns dias na casa do pai para resolver problemas pessoais, e decide de vez a resolver seus problemas com ele.
Filme leve e simpático, carregando uma dosse de melancolia, ao mostrar a vida de pessoas solitárias de terceira idade na Argentina. Os atores estão ótimos , e para quem gosta de um "feel good movie", é uma ótima pedida.
Beginnings
"Begyndelser", de Jeanette Nordahl (2025)
Co-escrito e dirigido pela cineasta dinamarquesa Jeanette Nordahl, um dos maiores runfos de "Beginnings" é a formidável atriz Trine Dyrholm, de quem sou um grande fã. O filme concorreu no Festival de Berln em 2025.
O drama é comovente e me deixou muito triste. Baseado na hist'roia real ocorrida com os pais da diretora, traz Trine interpretando Ane. Ela é professora de uma universidade. Ela é casada com Thomas (David Dencik) e são pais da adolescente Clara (Bjørk Storm Engelshardt Kirkegaard) e da pequena Marie (Luna Fuglsang Svelmøe). O casal está em vias de divórcio, mas ainda não contaram para as filhas. Thomas já tem uma amante mais jovem. Um dia, Ane tem um avc e cai da escada de casa. Ela é levada ao hospital e está com metade do corpo paralisado. Preocupado com Ane e com suas filhas, o casa decide não contar para as filhas da separação até Ane poder se recuperar. Mas Ane está angustiada: não quer ser ajudada pelo homem que ela não ama mais, e tem dúvidas sobre se seu corpo um dia voltará ao que era antes.
Eu só sei que a medida que o filme avançava, eu ia ficando mais arrasado. é uma história muito dolorosa, ainda mais em se tratando de morar na mesma casa com alguém com quem você não nutre mais amor, mas que depende dele. O trabalho de direção é sutil e excelente. O elenco todo etsá muito bom E mais uma vez , Trine prova ser das maiores atrizes do mundo. A cena em que ela se vê a si mesma dançando, furiosa, é arrebatadora.
Super paradise- The story of Mykonos
"Super paradise- The story of Mykonos , de Steve Krikris (2025)
Melhor documentario no Los Angeles Greek Film Festival (LAGFF), "Super paradise- The story of Mykonos" é um filme que apresenta a Ilha de Myonosos, na Grécia. Hoje, uma das principais atrações turísticas do país, trazendo celebridades e turistas do mundo inteiro, na década de 70 era o oposto: era uma ilha desvalorizada, um destino que não fazia parte dos roteiros obrigatórios. Considerada a "Cinderela das ilhas gregas", começou como um vilarejo de pescadores. Depois, no final dos anos 60 e início dos 70, se tornou refúgio dos hippies. Coma. ditadura militar do país, a ilha se tornou um paraíso para pessoas liberais. Ali, era permitido relacionamentos com pessoas do mesmo gênero- a homosseuxlaidade era proibida até os anos 70. A ilha aos poucos foi se tornando um local boêmio, atraindo turistas e celebridads em busca de s3x0, topless na praia e festas hedonistas.
O filme traz depoimentos de moradores e sobreviventes da época de ouro, além de imagens em super-8.
Eu queria ter gostado mais do filme. Ele tem uma narrativa careta, tradicional, sem ritmo e anêmica. Para a temática, merecia algo mais sensual, dinÂmico e esfuziante.
domingo, 26 de julho de 2026
Lumière, Le Cinéma!
"Lumière, l'aventure continue", de Thierry Frémaux (2024)
Dirigido, escrito e narrado por Thierry Frémaux, chefe do Instituto Lumière na cidade natal dos irmãos, Lyon, na França. Os irmãos Auguste Louis Lumière criaram e patentearam o cinematógrafo em 1895. O filme é um documentário que reúne 120 pequenos filmes rodados pelos irmãos Lumiere, entre os anos de 1895 a 1905. Nesse período, eles rodaram mais de 2000 filmes, com a duração de no máximo 50 segundos. Os films foram restaurados pelo instituto. Thierry os apresenta em ordem cronológica e temática. No início, os irmãos registravam a vida cotidiana, com o olhar documental. Logo, abriram salas de cinema para que os espectadores pudessem assistir aos filmes. O pai deles, Antoine, sugeriu que os filmes entretessem o público, e a partir daí, surgiram os filmes enccenados, com artistas interpretando situações geralmente cômicas. Mas o que interessa a Thierry é enaltecer o olhar documental e contemplativo dos filmes deles. Thierry também avalia a rivalidade entre Lumieree George Melies, considerado o diretor de cinema de ilusão. Ele comara o cinema dos irmãos Lumiere a Rosselini e o olhar do cinema neo relaista e da nouvelle vague, e Melies, a Fellini e ao cinema de Hollywood. O filme termina mostrando Francis Ford Coppola, em 2019, dirigindo um remake do famoso filme "A saída dos operários da fábrica Lumiere": Coppola filma com o cinematográfico 35 mm, e ao invés da fábrica, ele contextualiza uma fachada de cinema onde está sendo exibido um filme seu, e os espectadores saindo docinema, finalizando com um close do cineasta Bertrand Tavernier, falecido logo após essa filmagem, em 2021, e a quem Coppola dedica seu filme.
Children of the mist
"Children of the mist", de Ha Le Diem (2021)
Vencedor de mais de 15 premios em festivais interacionais, "Children in the mist" é um comovente documentário vietnamita. Dirigido e concebido pela cineasta vietanmita Ha Le Diem, o filme mostra a população pobre que mora no povoado Hmong. A protagonista do filme é a jovem Di, filha de um casal que mora na região. Pobres, a região mantém uma terrívrl tradição: ao atingir 14 anos, as meninas , na cerimônia do nao novo lunar, são sequestradas por um homem ou adolescente do povoado para se casarem à força. Os pais aprovam a união pelo fato de serem pobres. A cineasta filmou por 3 anos a jovem Di, desde antes e depois da cerimônia, mostrando seus sonhos e desejos para o futuro. Na escola, a professora progressista prega para os alunos que devem ser independentes e guiar as suas vidas como desejarem.. Mas a realidade de Di é diferente, por conta de uma tradição. O filme mostra a rotina das crianças e adultos na região. as mulheres trabalham em casa e no campo, fazendo atividades pesadas. Os homens ficam bebendo o dia todo. As meninas fazem trabalhos pesados. Di eas outras meninas possuem contas em Facebook e ficam vendo perfis de homens que gostariam de se casar, além de desejos consumistas.
A cena que mostra o dia em que Di é obrigada a se casar, sendo sequestrada e lutando para não ser levada, inclusive implorando à cineasta por ajuda, é devastadora.
Os escravos de Satanás
"Pengabdi Setan", de Joko Anwar (2017)
Co-escrito e dirigido por Joko Anwar, "Os escravos de satanás" é um terror vindo da Indonésia. O filme é um remake do filme homônimo de 1980, dirigido por Sisworo Gautama Putra e baseado em um roteiro de Subagio S. O filme traz referências a clássicos do gênero: "O bebê de Rosemary", "Os outros" e "Poltergeist". O filme foi a maior bilheteria de 2017 na Indonésia, com 4,2 milhões de espectadores.
Uma famíla vive com dificuldades financeiras depois que a matriarca ficou doente. O ano é 1981, e a família mora em casa decadente, localizada no campo, pertencente à avó. Mawarmi, outrora cantora famosa, ficou doente e prostrada na cama. Seu marido está desempregado. A família até então vivia dos roylaties das músicas dela, mas os lucros acabaram. O casal possui 4 filhos: Rini, a mais velha. Toni, de 16 anos. Bondi, de 10 anos e Ian, de 6, prestes a fazer 7 anos. Quando Mawarmi morre, o pai decide ir até a cidade tentar arrumar um emprego. Os filhos ficam na casa, mas estranhos acontecimentos começam a acontecer. Rini acaba descobrindo que sua mãe, quando se casou com seu pai, era infértil, e acabou fazendo um pacto com adoradores de Satanás para poder ter filhos. Agora, os adoradores querem levar Ian, no dia que ele completar 7 anos.
Eu li bastante sobre o filme, e os fãs diziam ser um dos maiores filmes de terror e que era assustador. O filme não assusta tanto, e como terror, é bastante óbvio, afinal, a história é uma colcha de retalhos dos filmes citados acima. Vale pelo elenco, todos bons, e pela fotografia.
Cruel hands
"Cruel hands", de Al Kalyk (2026)
Eu queria ter gostado desse thriller australiano. Vi o trailer que me enganou direitinho, parecia ser um filme de terror. O filme é um terror, mas não ao pé da letra de gênero. É o drama de uma mulher que sofre abusos de violência doméstica do marido, e decide fugir de casa com seu filho de 12 anos. Ela se esconde na casa de sua tia, isolada no meio de uma floresta. Mas a coincidência é que nos arredores da floresta, estão ocorrendo o devastador incêndio de 2019, que dizimou boa parte da faua e flora. E para piorar, seu marido descobre onde ela está e vai atrás.
Co-escrito e dirigido por Al Kalyk, o filme venceu o prêmio de melhor filme Austin film awards 2026. A montagem é confusa, alternando cenas no presente com flashbacks.
Os dois atores principais estão ótimos. Maria (Mavournee Hazel), que interpreta a mãe, e Dai (Diesel La Torraca), o adolescente apresentam tensão e drama. O desfecho ficou corrido e dramaticamente não gostei. O trabalho da fotografia de Charlie Cole é muito eficiente, trazendo uma textura vintage. Os efeitos do incêndio também são bem resolvidos, ainda mais pensando que é uma produção de baixo orçamento. Uma pena que o roteiro não desenvolva melhor os personagens.
sábado, 25 de julho de 2026
O pacto
"The covenant", de Renny Harlin (2006)
Renny Harlin é um diretor que possui uma extensa lista de filmes dirigidos em Hollywood. A maioria, filmes que foram execragdos pela crítica. Recentemente, ele lançou a criticada trilogia 'OS estranhos", e o filme de stubarões "Águas mortais". Em 2006, ele lançou 'O pacto", logo depois de "Exorcista, o início", onde ele contava a a história pregressa do Padre Merlin, vivido por Stellan Skasgard. Em "O pacto", Harlin adapta a HQ "The covenant", da Top Cow. O filme lembra a trama de "As juvens bruxas", de 1998, ao apresentar 4 amigos, descendentes de uma clã
da Colônia de Ipswich do Massachusetts, em 1692. Uma das linhagens foi banida pela ambição no uso dos poderes sobrenaturais. Nos dias atuais, os 4 amigos estudam em uma Universidade. Entre farras, baladas e namoros, os amigos precisam lutar contra Chase (Sebastian Stan, em início de carreira), descendente da clã banida, que veio se vingar e quer sugar o poder dos 4 amigos.
Curioso que o filme acabou sendo uma referência para o mega sucesso de "Crepúsculo", que viria 2 anos depois, em 2008. A receia envolve trama envolvendo romance, terror, ação, aventura e claro, um elenco bonito com homens jovens semi nús. O elenco aqui masculino é o grande chamariz do filme, todos escolhidos a dedo e ainda tendo um sub-plot de cameponato de natação só pra botar todo mundo de sunga.
Seu inferno particular
"Her private hell", de Nicolas Winding Refn (2026)
10 anos depois de ter exibido seu 3o filme no Festival de Cannes, "O demônio de Neon", em 2016, o cineasta dinamarquês Nicolas Winding Refn, dos excelentes 'Drive" e do subestimado 'Só Deus perdôa", retornou no mesmo Festival francês com "Seu inferno particular". Assim como seus últimos filmes, o filme dividi a crítica, recebendo muitas vaias e alguns aplausos. Eu sou muito fã de Refn de seus 2 filmes com Ryan Gosling, filmes que redefiniram a estética dos filmes de ação. Mas tanto "Neon", quanto "Inferno", se enveredaram para uma narrativa mais surreal, desconexa, aberta a interpretações. Não por acaso, são os filmes onde Refn mais se aporxima do cinema de Dario Argento, que também costumava deixar muitas pontas soltas, sme dar explicações. Elementos sobrenaturais, fotografia saturada e uso de cores fortes, interpretações empostas, e claro, o assassino de couro e luvas pretas, são a prova definitiva da homenagem ao gênero giallio. A forma com que o assassino mata também é marca registrada de ARgento, principalmente de "Suspíria": a vítima tem o tórax rasgado e a cabeça estourada ao bater no vidro da janela. Mas existe também uma homenagem a outro mestre do horror: John Carpenter. Uma das tramas acompanha um nevoeiro, que oda vez que surge, traz uma figura que encarna a morte, no caso, o serial killer. No filme de Carpenter, 'A bruma assassina", o mote é o mesmo. Refn também exacerba o homoerotismo no filme, através da presença do galã Charles Melton ( de "May december"): seja vestindo um uniforme de guarda japonês dos anos 60, ou uma jaqueta de couro com o peito nú, Melton exala sensualidade por cada poro de seu corpo.
A trama é uma bagunça. O que interessa no filme, é ficar acompanhando a estética visual, que remete tanto aos giallios dos anos 70 e 80, quanto à ficção científica de "Blade runner". O filme tem 2 tramas andando paralelas, que se unem no fim: no futuro, uma jovem atriz, Elle (Sophie Tatcher), procura se reconciliar com seu pai e sua madratas, enquanto filma. Nos anos 60, um ex-soldado japon6es, K (Melton) está em busca de sua filha, levada pelo serial killer "O homem de couro".
Outro ponto positivo é a trilha sonora do mestre Pino Donaggio, que fez trilhas para Brian de Palma nos anos 80. A fotografia é um espetáculo à parte.
Orégano: la Familia Fracaso
"Orégano: la Familia Fracaso", de Ramsés Tuzzio (2022)
Escrito e dirigido por Ramsés Tuzzio, "Orégano: la Familia Fracaso" é a adaptação da peça teatral escrita por Sergio Lobo. O filme se passa inteiramente em uma pequeno conjugado da periferia de Buenos Aires, onde uma mora uma família composta de 4 pessoas: os pais, Alicia (Marianela Bucafusco), uma ex-canntora fracassada e que joga a culpa do fracasso na família; o pai, Norberto (Juan Garrido), um ex-açougueiro que fehou sua loja com a crise econômica de 2001; a filha Romina (Selva Jiménez), que culpa os pais pela situação em que vivem, e o filho Gordo (José Ponce), que tem autismo e vive em um mundo de fantasia. Durante o filme todo, a família se insulta com rancor e violência, dentro d eum tom teatral. Me fez lembrar do clássico de Ettore Scola, "Feios, sujos e malvados". A estética usa elementos do teatro e do cinema, em uma mistura que não me agradou muito, por conta do ritmo e do exagero cênico.
Nadie va a escuchar tu grito
"Nadie va a escuchar tu grito", de Mariano Cattaneo (2025)
Slasher argentino escrito e dirigido por Mariano Cattaneo. O filme é uma produção independente e é ambientado durante a Copa do mundo de 1990. Enquanto o time da Argentina joga na Itália, um serial killer age no bairro de Bernal, uma área residencial de Buenos Aires. Em cada partida da ARgetina, enquanto as pessoas estão em casa assistindo ao jogo e as ruas estão vazias, o assassino faz uma vítima. Enquanto isso, Micaela (Sol Weiner) é uma jovem que cuida da loja de seu pai, enquanto ele viaja. É uma loja de discos, cassette e venda de instrumentos musicais. Micaela também é Dj em um fliperama. O caminho de Micaela cruza com o do assassino, e ela precisa descobrir a identidade dele antes que ele faça mais vítimas.
Obviamente que o filme tem uma trilha sonora pauta em sintetizadores. A influência do giallio é forte, com o assassino usando luvas de couro. A fotografia traz as cores fortes do gênero. A atriz Sol Weiner é boa, e funciona como a fnal girl. No trecho final, o filme fica meio solto, com uma cena mal resolvida na loja de discos. As ceneas de morte são gráficas e farão a alegria dos fãs.
sexta-feira, 24 de julho de 2026
Sussurros ao luar
"Gekkô no sasayaki", de Akihiko Shiota (1999)
Co-escrito e dirigido por Akihiko Shiota, "Sussurros ao luar" começa como um típico romance adolescente entredois estudantes japoneses. Mas ao longo do filme, esse romance muda de tom, e se transforma em um jogo fetichista e de sadomasoquismo. O filme concorreu no Festival de Locarno e venceu diveros prêmios em festivais de filmes de arte.
Takuya Hidaka (Kenji Mizuhashi) é professor de Kendo (uma espécie de esgrima) junto de seu amigo Uematsu (Kota Kusano). As alunas são todas garotas. Apos romper um relaionamento, Takuya fica obcecado pela aluna Satsuki Kitahara (Tsugomi), que corresponde. Ela frequenta a casa de Takuya e aos poucos passam a se relacionar. Satsuki descobre por um acaso uma gaveta fechada de Takuya e ao abrir, encontra fotos suas, objetos fetichistas eróticos e uma fita cassete com o som dela urinando. Assustada, ela se afasta de Takuya. Ele pede perdão e diz que fará qualquer coisa para revar o amor dela, sendo submisso. Para fazê-lo se humilhar, Satsuki passa a namorar Uematsu. Ela amarra TAkuya escondido no armário, e o orbiga vê-la fazendo s3x0 com Uematsu. O casal se entrea em jogo de submissão e humilhação.
Ousado, por utilizar personagens pós adolescentes para apresnetar um romance baseado em fetiches de dominação, "Sussurros ao luar" traz ótimos atores e cenas, mesmo que sensuais, apresentadas com bastante romantismo.
De Acá a la China
"De Acá a la China", de Federico Marcello (2019)
Escrito, dirigido e protagonizado pelo cineasta argentino Federico Marcello, "De Acá a la China" é uma simpática dramédia filmado em Buenos AIres e na China, na cidade de Xiamen, Fujian. Federico é Facundo. Seu pai foi dono do supermercado do bairro até os anos 90, com sucesso. Mas com a vinda de chineses, que abriram supermercados concorrentes, o pai de Facundo faliu e fechou as portas. Agora, ele decide se vingar. Com o pretexto de estudar mandarim na China, Facundo viaja para Xianmei para se vingar: ele quer abrir o primeiro mercado argentino no país, vendendo produtos argentinos, como mate e doce de leite. Para isso, ele conta com a ajuda do amigo Pablito (Pablo Zapata), que mora na China há anos e vai se tornar sócio dele.
O filme , mesmo trazendo humor de situação ao apresentar as diferenças culturais, traz uma forte melancolia, principalmente no ato final. Tanto Facundo, Pablito e os chineses que surgem na história, possuem uma tristeza no olhar e trazem discursos edificantes, poéticos e de enaltecimento da história da família e de sua cultura.
Alice
"Neco z Alenky", de Jan Švankmajer (1988)
Vencedor do prêmio do juri no Festival de Annecy 1989, 'Alice" é uma versão surrealista da obra de Lewis Carrol realizada pelo cineasta tcheco Jan Švankmajer. Segundo o próprio cineasta, ele sempre foi fã da obra, mas estava insatisfeito com as versões feitas até então ( o filme é de 1988), que seguieam um tom mais infantil e de conto de fadas, de acordo com Jan.
O filme mistura atores com bonecos em stop motion. A pequena Kristýna Kohoutová interpreta Alice, a única atriz do filme. Todo o restante é composto por animação em stop motion. Jan adapta a história com algumas liberdades criativas, como por exemplo, Alice segue o coelho branco e emabos entram em uma gaveta de uma estante, transportando-os para o mundo das maravilhas. O tom é sombrio, quase de pesadelo, com uma fotografia mais assustadora e uma trilha que dá a atmosfera lúgubre.
Zona zero
"Gunche", de Yeon Sang-ho (2026)
Exibido no Festival de Cannes 2026 na Mostra midnight screening, "Zona zero" é co-escrito e dirigido por Yeon Sang-ho, mesmo cineasta do clássico doz zumbis sul coreano "Invasão zumbi", que trouxe um novo olhar sobre a forma em que os zumbis são apresentados. Com "Zona zero", eon me fez lembrar de um filme esquecido do mestre dos zumbis George Romero: em 2005, ele lançou "Terra dos mortos", com John Leguizamo, Dennos Hopper e Asia ARgento lutando contra zumbis evoluídos intelectualmente, seres que agora raciocinam e trabalham em grupo, sob o comando de um líder. Pois essa é a mesma premissa de "Zona zero". Ambientado quase todo em um shopping center ( e de novo, trazendo outra referência de George Romero, "Madrugada dos mortos", que também acontece todo em um shopping), "Zona zero" começa com uma conferência biotecnolígica que ocorre no prédio. Suh Young-chul, um cientista desprezado pela comunidade científica, quer se vingar e para isso, injeta nele próprio um vírus que ele criou. Esse virus possibilita que ele, como hospedeiro 1, fique imune a se tornar um zumbi. Ao injetar o vírus em um cientista concorrente e que roubou a sua pesquisa, o caos se instala no shopping, com todos os infectados se transformando em zumbis. Só que como uma colônia de formigas, Suh consegue se comunicar mentalmente com todos e ordenar o que eles devem fazer.Os sobreviventes precisam lutar pela vida e tentar prender Suh, para extrair dele a vacina que cure a todos.
O filme, assim como "Invasão zumbi", é concentrado em um espaço, o que torna o suspense e a ação mais claustrofóbicos. No resultado final, achei menos divertido e criativo que o filme anterior. Os personagens não são tão carismáticos quando em "Invasão zumbi". Aguns personagens são irritantes na sua decisão. MAs vale pelos efeitos e pelo otimo trabalho dos zumbis interpretados pelo elenco.
Hot line
"Hot line", de Lucas Nicotti (2025)
Melhor atriz no Festival de Stockolm 2025 para Magui Bravi, também produtora, "Hot line" é um terror slasher argentino dirigido por Lucas Nicotti e escrito por Nicanor Loreti e Paula Manzone. O fime traz referências ao cinema giallio italiano, com direito ao serial killer de luvas pretas. A fotografia traz as cores fortes comuns ao gênero, e a final girl interpretada por Magui.
Ambientado no final dos anos 80, Malena (Magui Bravi)foi uma celebridade da televisão por um bom tempo, mas como se opôs aos assédios de um produtor, foi banida do mercado. Para sobreviver, Malena trabalha em uma balada como stripper e também trabalha em casa como atendente de hot line, uma linha telefônica para conversas sexuais e fantasias eróticas com o cliente. Malena deseja se tornar escritora, e se baseia nos relatos dos clientes para escrever a obra. Um serial killer, que anda matando mulheres, se torna o seu cliente e passa a assediá-la.
O filme funciona para um publico que não for exigente com performances e com roteiro consistente. A história é confusa, com muitos sub-plots que mais atrapalham do que ajudam. As falsas pistas para descobrir quem é o assassino e as cenas de morte são boas. A melhor parte é o ato final, concentrando a parte mais explícita de violÊncia, com direito a uma cena de morte que me chocou pela forma como é apresentada, me lembrando de "Irreversível", de Gaspar Noé, na cena inicial.
quinta-feira, 23 de julho de 2026
O suflê
"The Souffleur", de Gastón Solnicki (2025)
Concorrendo no Festival de Veneza 2025, "the souffler" é um filme escrito e dirigido pelo argentino Gastón Solnicki e protagonizado pelo astro Willen Dafoe. Co-produzido pela Argentina e Áustria, o filme foi todo rodado no Hotel Intercontinetal Vienna. O filme ficionaliza um ato real: O Hotel InterContinental Vienna, construído em 1960 e localizado perto do Stadtpark, foi vendido para a empresa WertInvest e faz parte do polêmico projeto de reurbanização "Heumarkt Neu". O cineasta se baseou na premissa e conta a história do gerente do Hotel, Lucius (Dafoe), que trabalha há muitos anos no hotel. Agora decadente, ele coordena o quadro de funcionários, que inclui a sua assistente e filha, Lilly (Lilly Lindner) . Lucius, com seu perfeccionismo e precisão, supervisiona todas asáreas: arrumação dos quartos, quadra de tênis, cozinha, recepção Recebe os turistas e checa o bem estar, além de oferecer bônus e brindes em caso de reclamações. Mas quando um empresário argentino, interpretado pelo próprio cineasta, pretende comprar o hotel e demoli-lo para dar lugar a um novo empreendimento arquitetônico, Lucius entra em crise existencial.
O filme trata de diversos temas. A gentrificação, a falta de resgate da memória arquitetônica (o filme apresenta imagens de arquivo da construção do hotel nos anos 60), e a fidelidade à profissão, através do personagem de Dafoe, que me fez lembrar do mordomo de Anthony Hopkins em "Vestígios do dia". Visualmente, o filme tem uma rigidez dos planos fixos, que em algum momento me fez lembrar de "O grande hotel Budapeste", de Wes Anderson. Mas não tem nada a ver. Está mais para um filme de Yorgos Lanthimos, com cenas e personagens excêntricos e muita estranheza.
Pequenas criaturas
"Pequenas criaturas", de Ana Pinheiro Guimarães (2025)
Melhor filme e direção de arte no Festival do Rio 2025, "Pequenas criaturas" é escrito e dirigido pela cineasta brasiliense Anne Pinheiro Guimarães. Esse é seu segundo longa ( o 1o, "Transe", mostra um triângulo amoroso no meio de um turbilhão político e social no Brasil). O filme fala sobre ausências e possibilidades que pairam no ar, e ficam em aberto, assim como os seus personagens. Em determinado momento, o personagem de André, o filho mais velho de Helena (Carolina Dieckmann), diz que se pudesse ter um poder que fosse o de adivinhar o futuro. Será que a mãe se abrirá à uma possibilidade de amor lésbico? Será que o personagem do morador do apartamento do 304, é um p3d0f1l0, ou um adulto que age como uma criança? Será que um dos personagens se tornará um adolescente rebelde e marginal em Brasília? Será que o marido de Helena, e pai de Dudu (lorenzo Mello) e André, Luís (Michel Melamed), voltará um dia?
O filme se passa em Brasíla, 1986. Sarney é o presidente empossado, sunstituindo Tancredo Neves. O país volta a se democratizar. Helena se despede de Luís no aeroporto, que viaja a trabalho. Ela e seus filhos estão sozinhos na capital, um lugar inóspito, monumental e solitário. Nesse deserto de concreto e cerrado seco, cada um deles viverá a sua história.
A fotografia de Pablo Baião acentua a melancolia da capital. Brasília geralmente é vista no cinema como um lugar de encontros e desencontros de almas solitárias. O filme traz referências cinéfilias: "Bang bang", clássico de Andrea Tonacci, com um dos personagens usando a máscara de um macaco de "O planeta dos macacos"; "Pecados íntimos", na posisbilidade de um ataque p3d0f1l0; e "Contatos imediaos do 3o grau", no desfecho lúdico e fantástico. O elenco principal, formado pelo núcleo familiar, está excelente. Participações de Caco Ciocler, Leticia Sabatella e Fernando Eiras.
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