sexta-feira, 18 de janeiro de 2019

Close

"Close", de Vicky Jewson (2019) Livremente inspirado na história de Jacquie Davis, a mais poderosa Guarda-costas feminina do mundo, contratada por celebridades como Nicole Kidman, J.K. Rowlings, Diana Ross, Justin Bieber entre outros. Com treinamento em combate em ambientes de guerra, Jacquie, com sua enorme discrição conquistou muitos clientes poderosos mundo afora. Sam Carlson é o alter ego de Jacquie vivido com extremo carisma e talento por Noomi Rapace, uma atriz cada vez mais associada à personagens fortes e heróicos. Desde que estreou no papel de Lisbeth Serlings, na trilogia "Millenium", Noomi foi logo cooptada por Hollywood, onde realizou muitos filmes de ação e de ficção científica, entre eles, "Prometheus", de Ridley Scott. Sam é contratada para dar segurança à uma jovem herdeira de um grande Império da mineração no Oriente médio. Zoe (Sophie Nelisse, de ( "A menina que roubava livros") é orfã de pai e vive com sua madrasta, a pouco confiável Rima ( Indira Varma, de "The game of thrones"). Ao viajarem para a fortaleza da família em Marrocos, Zoe e Sam sofrem uma emboscada. Ao figurem, Zoe mata um policial, e é dada como criminosa fugitiva. Elas precisam buscar ajuda, mas não sabem em quem confiar. "Close " é um bom filme de ação, acima da média. O roteiro é bem clichê, apostando na batida fórmula de 2 pessoas que não se suportam irem se amando ao longo da narrativa. O que esse filme difere de outros tantos, é o fato de ser dirigido por uma mulher, e ter protagonistas femininas bem fortes. E de novo, Noomi Rapace merece muito respeito.

Millenium- A garota na teia de aranha

"The Girl in the Spider's Web ", de Fede Alvarez (2018) A carreira do jovem Cineasta uruguaio Fede Alvarez é impressionante. Quando resolveu bancar o seu curta "Panick Attack" em 2009, o cineasta americano Sam Raimi ficou tão impressionado que o convidou para dirigir o remake de "Evil dead". Logo depois, Fede filmou o seu maior sucesso, o ótimo "O homem nas trevas". Agora Fede prossegue a franquia americana de "Millenium", iniciada com o excelente filme de David Fincher com Rooney Mara e Daniel Craig. Nengum dos 3 retornou para essa continuação, e foram convidados Fede Alvarez e os atores Claire Foy ( do seriado "The crown") e Sverrir Gudnason ( ator sueco que interpretou Bjorn Borg em "Borg e Mcenroe") para darem vida aos hackers Lisbeth Salander e Mikael Blomkvist. O filme acontece 3 anos depois do filme anterior. Logo de cara tem um prólogo mostrando que Lisbeth, quando criança, tinha uma irmã, Camilla, ambas assediadas pelo pai, um criminoso. Lisbeth conseguiu fugir, mas Camilla ficou. Lisbeth agora é uma justiceira, que salva as mulheres de homens assediadores e violentos. Ao ser contratada por um cientista para roubar um programa que ele mesmo criou das mãos dos americanos esse programa tem o poder de detonar todas as bombas nucleares do mundo com um simples botão dado pela pessoa que controla o programa), Lisbeth acaba entrando em uma perigosa rede que envolve agentes americanos, agentes suecos e uma organização criminosa chamada "The spiders", comandada por uma pessoa misteriosa. Para quem não sabe, o escritor sueco Stieg Larsson, autor da trilogia "Millenium", morreu em 2004. A sua família contratou o escritor David Lagercrantz para escrever novos livros, esse "Teia da aranha" é o 4o livro. Não li o livro, mas o filme infelizmente não chega aos pés da trilogia sueca filmada com a atriz Noomi Rapace, e idem ao filme de David Fincher. Muita gente reclamou que Lisbeth aqui virou uma agente tipo James Bond, toda fodona e comandando mega cenas de ação. Isso não me incomodou, achei as cenas ótimas e dão ritmo ao filme. Claire Foy é excelente atriz e ninguém tem dúvida disso. Mas para mim, ela aparenta muito mais velha que as outras atrizes quando a interpretaram. Lisbeth é uma hacker muito mais jovem, e esse é o barato da personagem. Claire já passou muito da idade para interpretá-la, e isso tirou o charme da personagem. Não que tenha atrapalhado assistir ao filme. O que mais me deixou de boca aberta, é a total falta de sutileza de Fede em dirigir os personagens secundários. Você de cara já sabe quem vai ser o vilão na história, mesmo sem ele precisar abrir a boca. Fira isso, o roteiro peca pela total obviedade. J;a sabemos o que vai acontecer muito no início. Ninguém pode er dúvida sobre quem é o líder da organização "The spider", coisa mais óbvia do mundo. Uma pena, mas essa revelação deveria ter sido algo apoteótico e arrebatador. Mas o filme não é ruim. É bem produzido, tecnicamente perfeito, lindas locações na Suécia. Vale para um passatempo descerebrado em algum momento de tédio.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2019

Happy & Gay

"Happy & gay", de Lorelei Pepi (2014) Deliciosa animação LGBTQ+ dirigida pela animadora lésbica Lorelei Pepi, que se apropria da linguagem e da narrativa musical dos famosos "Merrie Melodies" dos anos 30 e denuncia a homofobia e racismo dos personagens aparentemente ingênuos dessas historinhas bonitinhas. Premiado e exibido em quase uma centena de Festivais mundo afora, esse filme de 2014 apresenta dois casais Lgbtq+ que moram nos Estados Unidos dos anos 30. Um casal de gatas lésbicas convidam um casal de amigos cães gays para irem em um night club. Ao chegarem lá, eles se divertem junto de outros casais gays, em um ambiente recluso pois na época a manifestação gay era proibida. Até que acontece uma batida policial e bota todo mundo para correr. Os 2 casais se escondem em uma igreja, e são agredidos pelo Bispo e pelos fiéis. Há anos estava tentando assistir a esse desenho, e me encantei totalmente. Essa homenagem vintage a esse tipo de animação, que eu assistia desde criança ( e que incluía ícones como Betty Boop) associada a denúncias sobre a forma estereotipada que os gays eram retratados nos desenhos, me deixaram bastante encantado. Uma verdadeira pérola.Excelente trilha sonora de Brian Carpenter, fora as divertidas vozes dos animais.

Jurassic cruising park

"Jurassic Cruising Park", de David Domingo (2017) Eu sinceramente não estou tendo palavras para descrever essa insanidade pra lá de divertida, que é o Parque de Dinossauros onde um casal gay vai fazer pegação. Propositadamente tosco, esse filme espanhol acompanha um casal de cientistas que avaliam as fezes dos dinossauros e os alimentam, que nem faziam Sam Niell e Laura Dern no "Parque dos dinossauros" de Spielberg. Só que o casal avista dois gays se pegando no mato, e os alertam que o tiranossauro vive por ali. Confesso que ri do início ao fim. David Domingo é tão cara de pau, e por isso mesmo o filme é tão engraçado, que ele rouba os diálogos e a trilha sonora de John Willians do filme original. Os efeitos com os dinossauros são mega toscos e hilários. Esse filme é a melhor paródia que vi em tempos.

Grande Pai, Pequeno Pai e outras histórias

"Cha và con và...", de Phan Dang Di (2015) Melancólico e intenso drama Vietnamita que participou de importantes Festivais em Competição, entre eles o Festival de Berlin, foi escrito e dirigido por Phan Dang Di . O Filme se ambienta no final dos anos 90 em Saigon, capital do Vietnã. Com super população e desemprego em alta, acompanhamos uma família e amigos que moram em uma favela à beira do rio. Vu é um jovem fotógrafo que vem da capital para morar na periferia de Saigon. De família pobre, ele divide um espaço na favela ribeirinha com Thang, que trabalha como segurança em um night club e também trafica drogas no local. Thang namora Van, que de dia estuda ballet mas de noite se apresenta na mesma night cub de seu namorado, em shows eróticos. Vu é apaixonado por Thang. Para poder ganhar dinheiro, ele acompanha Thang nas noitadas da balada e no tráfico. Thang também o encoraja a fazer vasectomia através de um programa do governo que estimula os jovens a fazerem a operação e ganharem ajuda financeira. O filme traz outras histórias paralelas: o pai de Vu traz uma jovem para se casar com seu filho Vu; o outro irmão de Vu sonha em ser cantor mas também se mete no tráfico. "Grande Pai, Pequeno pai e outras histórias" é um filme vietnamita diferente daqueles do mais famoso Cineasta do País, até então, Tran Anh Hung, que em filmes como "O cheiro da papaya verde", mostrando dramas com uma narrativa quase Tarkovskiniana de tão lentas. Phan Dan Di está mais próximo do chinês Tsai Min Liang: drama sensual, erótico, com tinta homoerótica, belamente enquadrado, com textura pop e com uma fotografia estilizada. O filme explora bastante as cenas de sexo, os corpos desnudos. A sensualidade exala até mesmo em copos suados ou repletos de lama. A fotografia explora o contraste entre a modernidade e a extrema pobreza de terceiro mundo de Saigon. A luta de seus moradores para sobreviverem, morando em condições paupérrimas. Mesmo assim, nas cenas noturnas, o filme explora a alegria, o amor.

Vidro

"Glass", de M. Night Shyamalan (2019) Bom, todo mundo já sabe tudo sobre esse filme: desfecho da trilogia iniciada com "Corpo fechado" de 2000, continua com "Fragmentado" de 2017 e agora se encerra????? 19 anos depois do filme que lançou os personagens de Elijah Glass ( Samuel L. Jackson) e David Dunne (Bruce Willis). Segundo Shyamalan, ele concebeu a trilogia pela cena final, do embate dos 3 super- heróis. Elijah é a mente criativa, uma espécie de Magneto imobilizado em uma cadeira de rodas por conta de sua doença que faz com que seus ossos se quebrem como vidro. David tem uma força descomunal, mas tem como ponto fraco a água ( na adolescência, em uma brincadeira com colegas, ele quase foi afogado). E Kevin (James Macvoy) se desmembra em 24 personas distintas, incluindo "A fera", uma espécie de Hulk canibal. Em 'Vidro", todos os 3 se encontram em uma Instituição para pacientes mentalmente perturbados. A Dra Ellie insiste que os 3 pacientes possuem distúrbios mentais que os fazem acreditar serem super-heróis. enquanto isso, a mãe de Ellijah, o filho de David e a vítima sobrevivente do ataque de Kevin, Casey, se juntam para tentar libertar seus entes queridos. Só que ninguém esperava pelo grande ato final de Ellijah. Sim, o filme tem pelo menos 2 grandes Plot twists. Muita gente detonou o filme. Eu gostei bastante, apesar de ficar bastante incomodado com a "preguiça" de Shyamalan no embate final. Enquanto os 3 heróis se degladiam, todos os outros ficam apenas olhando. Mas os flashbacks do filme, como o de Ellijah no parque de diversões quando criança, e o do Trem 177 são emocionantes. Pode ser que você odeie o filme. Mas vale assistir para saber como Shyamalan deu o desfecho para todos. A trilha sonora é muito boa.

50 Maneiras de Dizer Fabuloso

"50 Ways of Saying Fabulous ", de Stewart Main (2005) Adaptação da obra literária de Graeme Aitken, " 50 Maneiras de Dizer Fabuloso" é um drama repleto de alegorias sobre o universo adolescente na Nova Zelândia rural dos anos 70. Quase todos os temas que são relacionados à juventude estão no filme: o "Coming of age" , o bullying, a homofobia, o despertar sexual, a gordofobia, falta de comunicação com os pais. Billy ( Andrew Paterson), um menino afeminado e obeso de 12 anos, tem como melhor amiga sua prima Lou, da mesma idade e ao contrário de Billy, totalmente masculinizada: odeia sutiã e quer cortar o cabelo para parecer um rapaz. Ambos são apaixonados por uma série de ficção cientifica, e tanto Billy quanto Lou se imaginam nos papéis principais. Duas pessoas de fora da cidade surgem e desestabilizam Billy: Roy um rapaz nerd, que se apaixona por Billy, e Jamie, um homem sexy que vem trabalhar na fazenda do pai de Billy e por quem Billy e Lou se apaixonam. Confesso que esse é um dos dramas adolescentes mais darks e ousados que já assisti. Tem cenas de masturbação que envolvem as crianças, assédio sexual por parte do menino, que quer porquê quer assediar o homem, e talvez uma das cenas mais perturbadoras envolvendo crianças: o menino Roy pega na mão de Billy e pede para tocar o sue pênis ereto, e Billy adora! O Poster do filme e a sinopse enganam bastante: o filme é rigorosamente proibido para crianças, e acredito até adolescentes ainda bem jovens. os temas retratados no filme merecem ser discutidos entre pais e fiihos, são importantes de serem abordados. O filme me lembrou um pouco "Almas gêmeas", de Peter Jackson com Kate Winslet, pela abordagem lúdica e pelo homossexualismo das personagens. Mas aqui, o fetiche e a perversão imperam. Mas é justamente esse o fato que me fez ficar interessado com o filme. Tecnicamente, os efeitos são bem toscos e ruins. Mas as crianças são incríveis e talentosas, e claro, terem trabalhado no filme deve ter sido algo bastante divisor de água para o psicológico delas. O título se refere a uma fala de um menino da escola homofóbico que diz a Billy que os gays sabem dizer 50 formas diferentes a palavra "Fabulous".

quarta-feira, 16 de janeiro de 2019

Boy erased- Uma verdade anulada

"Boy erased", de Joel Edgerton (2018) Adaptação da biografia do advogado e escritor americano Garrard Conley, sobre o período de convivência em um Grupo de terapia de conversão de gays da Igreja Batista que ele frequentou em Arkansas, matriculado pelos seus pais, o Pastor Batista Marshall (Russell Crowe) e sua mãe, Nancy (Nicole Kidman), No filme, Garrard se chama Jared (Lucas Hedges), Nesse grupo de terapia, Jarred testemunhou situações bizarras, como a encenação do funeral de um aluno, "morto" pela Aids, com a presença de seus familiares e amigos, que como castigo, batem no rapaz com a bíblia. O Ator Joel Edgerton interpreta o Pastor Victor Sykes, que administra o local, e o baterista Flea, do Red Hot CHilli Peppers, é um dos instrutores, Em uma cena cruel e antológica, Flea ensina os rapazes o que seria um comportamento e postura masculinizado. O Cineasta Xavier Dolan interpreta um dos alunos, Jon, que tenta dissuadir Jarred que ele precisa aceitar tudo o que é imposto ali pelo grupo para poder ser feliz. "Boy erased" é a segunda incursão do ator Joel Edgerton na Direção. Seu primeiro filme, "O presente", é um suspense. Mas é aqui em "Boy erased" que Joel chamou atenção da crítica. Seu filme já recebeu vários prêmios e indicações em festivais. Além do excelente e comovente roteiro, que lembra bastante a sua versão feminina, "O Mau Exemplo de Cameron Post", que é praticamente a mesma história, com Chole Morez, o filme conta com um verdadeiro trio de Ouro dos atores: Nicole Kidman, Russell Crowe e Lucas Hedges estão soberbos e irretocáveis. Nicole tem uma cena linda e comovente, quando vai resgatar seu filho. E o diálogo final de pai e filho é de cortar os pulsos. A ironia fica no crédito final, sobre o pastor Victor Sykes. Veja o filme e ria bastante com esse crédito.

terça-feira, 15 de janeiro de 2019

O capitão

"Der Hauptmann", de Robert Schwentke (2017) Excelente drama de guerra alemão, dirigido e escrito por Robert Schwentke, Cineasta erradicado há anos nos Estados Unidos, onde dirigiu a trilogia "Divergente", "Red- Aposentados e perigosos" entre outros filmes de ação. Mas nenhum desses filmes chega ao brilhantismo desse poderoso e assustador drama sobre o Mal existente em todos nós. O filme é baseado na incrível história real do soldado alemão Willi Herold ( Max Hubacher, intenso). Nas 2 últimas semanas do desfecho da 2a Guerra mundial, em 1945, o soldado Herold deserta do seu pelotão e é perseguido pelos oficiais superiores, que tentam matá-lo. Gerold consegue se esconder na floresta e foge. No caminho, ele encontra um carro oficial nazista abandonado e dentro do carro, um Uniforme de Capitão e medalhas. Sem pestanejar, Herold veste todo o Uniforme e assim, com toda determinação, "interpreta" a persona do Capitão. Logo, Herold descobre a sensação de estar do outro lado. O Poder o encanta e o transforma em um monstro assassino, que manda fuzilar soldados desertores, oficiais que são contra a sua autoridade e civis. O cineasta Willi Herold filma em magistral preto e branco, e é tanto sangue no filme que acredito que tenha sido uma forma dele amenizar o impacto com a platéia ( só para ter uma idéia, em uma cena aterrorizante, um grupo de desertores é assasinado a balas de canhão, e vemos os corpos explodindo). O filme é uma parábola sobre o fascínio do Mal, j;a visto em filmes como "Mephisto", outra obra prima ambientada na 2a guerra. A cena final, mostrando o grupamento do "Capitão" Herold andando pelas ruas de Berlim moderna, é antológica e uma provocação ao que seria a levantada de moral contra a sensação de derrotismo alemão. Um filme premiado em diversos Festivais e altamente recomendado.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2019

Homem Aranha no Aranha verso

"Spider-Man: Into the Spider-Verse", de Bob Persichetti , Peter Ramsey e Rodney Rothman (2018) Excelente animação da Sony, que detém os direitos sobre o Homem Aranha, em associação com a Marvel, "Homem Aranha no Aranha verso" ganhou praticamente quase todas as premiações como Melhor longa de animação. Particularmente, gosto mais de "Ilha de cachorros", de Wes Anderson, mas entendo que Wes Anderson é muito autoral e menos pop que essa adaptação dos quadrinhos do Multiverso Marvel, histórias que apresentam os Super Heróis em formatos diferentes dos conhecidos do grande público. O roteiro está antenado com os novos tempos de inclusão: O protagonista do filme é o garoto Miles Morales, filho de um policial negro e uma enfermeira latina. Ao visitar uma antiga instalação de um prédio onde funcionava um laboratório, Miles é mordido por uma aranha radioativa. Detalhe: Peter Parker já existe nesse universo como o Homem Aranha. Mas Peter é morto pelo vilão Rei do Crime, e passa a bola de salvar o mundo para Miles, que ainda não sabe como usar seus poderes. Ele acaba sendo ajudado por outras 5 versões do Homem Aranha que chegam de outras dimensões: uma garota, um em preto e branco, um em versão porco, um Peter Parker mais velho e uma japonesa que tem um robô como auxiliar. O grande barato do filme é a mistura muito incrementada de quadrinhos, mangá, se apropriando dos famosos balões e das onomatopéias. O curioso é que a Tia May, na voz sensacional de Lily Tomlin, virou uma espécie de Alfred do Batman, com direito até a uma caverna do Spider Man repleta de gadgets. As vozes originais são incríveis, e descobrir quem dubla é uma grande revelação: dos famosos, tem Nicholas Cage, fazendo a versão em P&B, v ( de "Bumblebbe") fazendo Gwen Stacy, a versão feminina do Spider Man, Mahershala Ali fazendo a voz do Tio Aaron, Chris Pine, fazendo Peter Parker, Liev Schreiber no papel do rei do Crime. Ou seja, vá assistir no original! A homenagem a Stan Lee é sensacional, tanto em cena, quanto em créditos. E por falar em créditos, o da cena final é uma grata surpresa. Muito divertido.

O casamento

"The marriage", de Blerta Zeqiri (2017) Filme escolhido por Kosovo para representar o País na disputa de uma vaga ao Oscar 2019, "O casamento" é com certeza o primeiro filme produzido nesse País que eu assisti. O filme é um drama LGBTQ+ , que traz o drama de Bekim, um homem que vai se casar com Anita. Eles são felizes, até que às vésperas do casamento, surge Nol, um amigo de Bekim que mora atualmente em Paris e trabalha como músico. A presença de Nol desestrutura Bekim emocionalmente, e ele acaba discutindo com Anita. Ela acredita que Nol teve um caso com a irmã de Bekim, mas a verdade, somente Bekim e Nol sabem: eles foram amantes no passado, durante a ocupação Sérvia no País, no final dos anos 90. Bekim entra em um grande conflito: vai embora com Nol para Paris, ou mantém um casamento de aparências com Anita? Além do tema da homofobia e da aceitação da homossexualidade, o filme também discute o assassinato de milhares de Kosovianos durante a Guerra com a Sérvia. Anita vai se casar, mas seus pais desapareceram durante a Guerra e nunca foram encontrados. Tanto o drama do sumiço dos pais de Anita, quanto o amor proibido de Bekim e Nol servem a uma metáfora sobre a memória apagada e que deve ser esquecida. A cineasta Blerta Zeqiel, que também co-escreveu o filme, dirige tudo com muita sensibilidade e extrai um ótimo desempenho dos 3 atores principais. É um filme sofrido, doloroso. Para quem busca finais felizes, melhor esquecer esse filme.

Uma noite em Tokoriki

"O noapte in Tokoriki", de Roxana Stroe (2016) Que delícia de filme! Um musical romeno LGBTQ+ , dirigido e escrito por Roxana Stroe. Totalmente sem diálogos, e utilizando as letras das músicas como sub-texto, "Uma noite em Tokoriki" lembra muito os filmes e personagens de Aki Kaurismaki: aqueles tipos maravilhosamente caricatos, apaixonantes, vivendo situações constrangedores e patéticos. Na Romênia rural, Gianina vai completar 18 anos. Seus pais e seu namorado, Bebe, armam uma festa para ela na Boite Tokoriki. Gigi e seus amigos chegam de carroça. Logo descobrimos que Gigi e Bebe foram amantes e ainda apaixonados um pelo outro, e Gigi fará de tudo para ter Bebe de volta. Em alguns momentos o filme lembra passagens de "O baile", de Ettore Scola. Os números de dança cafonas e hilários, e uma trilha sonora composta de clássicos dance dos anos 90, trazem um look vintage para o filme. Os atores estão incríveis, todos ótimos em pantomina. O Dj é sensacional. Roxana Stroe sabe conduzir muito bem o mise en scene, dando ritmo e um olhar carinhoso para tudo e todos. Imperdível. A cena final é brilhante. O filme ganhou diversos prêmios internacionais, entre eles, um prêmio especial no Festival de Berlin 2016.

domingo, 13 de janeiro de 2019

Meados dos anos 90

"Mid 90s", de Jonnah Hill (2018) Estréia na Direção do Ator Jonnah Hill, que também escreveu o roteiro, "Meados dos anos 90" evoca os filmes independentes de Harmony Korine,Larry Clark e Gus Van Sant. Jonnah Hill resolveu fazer sua estréia com um filme duro, porrada, sobre o "coming of age" de Stevie (Sunny Suljic, de "O segredo do cervo sagrado). Ele mora com a sua mãe jovem e ausente, Dabney (Katherine Waterston, a Tina de "Animais fantásticos") e com seu irmão Ian (Lukas Hedges, de "Manchester à beira mar'), que abusa na base da violência Stevie. Com um ambiente familiar tão pesado, o introvertido e bacana Stevie acaba se envolvendo com um grupo de skatistas, se tornando amigo deles. Essa liberdade do mundo dos skatistas traz para Stevie uma sensação de Poder que e;e nunca havia experimentado antes. Mas em casa, sua mãe e seu irmão não estão nada satisfeitos com essa mudança de comportamento de Stevie. Filmado quase que como um documentário, o filme tem aquele frescor dos filmes independentes, e mistura atores profissionais (Sunny Suljic é skatista na vida real) com skatistas de verdade, trazendo uma verdade que atores profisisonais não teiam colocado no linguajar dos personagens. A fotografia de Christopher Blauvelt ( de "Zodiaco"e "The bling ring") traz a textura dos anos 90, complementada pela trilha sonora de hip hops da época. "Meados dos anos 90" competiu em vários Festivais, incluindo Festival de Berlin. Não é nada inovador, mesmo porquê ele se parece demais com as filmografias dos cineasta citados. Mas é um filme honesto, bem dirigido, com ótimas performances.

Suspiria

"Suspiria", de Luca Guadagnino (2018) Em primeiro lugar, uma grande revelação para mim: Suspiria é o nome da Estação de metrô aonde se localiza a Escola Tanz. eu juro que não sabia. Remake da obra-prima de Dario Argento, teve uma exibição polêmica no Festival de Veneza 2018, quando esteve em competição. Tiveram muitas vaias, mas também aplausos, a essa versão lésbica/feminista sobre uma Convenção de bruxas que habita uma famosa Escola de dança em Berlin no ano de 1977, quando a Alemanha estava dividida pelo Muro. O Cineasta Luca Guadagnino ficou mundialmente famoso pelo seu drama LGBTQ+ "Me chame pelo seu nome". Assim que ele terminou as filmagens, ele começou a preparar 'Suspiria". No elenco, Guadagnino escalou 2 atrizes que já protagonizaram seus filmes: Tilda Swinton, que já havia feito "Um Sonho de amor" e "Um mergulho no passado", e "Tilda Swinton", com quem fez "Um mergulho no passado". Dakota interpreta a protagonista Suzy, que no filme original foi interpretado por Jessica Harper, aqui fazendo uma participação como uma judia presa em um campo de concentração. Tilda interpreta 3 Personagens: Miss Blanc, Miss Markos e um verdadeiro espanto, ela interpreta um personagem masculino, o Psicólogo Dr Josef Klamperer. Para despistar os curiosos, criaram um nome fictício de Lutz Ebersdorf para o "Ator". Suzy viaja de Ohio, onde ela morava em uma fazenda e criada sob rígida norma religiosa, e vai até Berlin para se inscrever na famosa escola de dança Tanz. Ela descobre que uma aluna, Patricia ( Chloe Moretz) desaparece, e por isso, ela consegue uma vaga. Mas aos poucos, Suzy vai percebendo que aquele lugar esconde algo muito tenebroso. Com inacreditáveis 152 minutos, O Diretor Luca Guadagnino confirma que ele não é bom em concisão e desapego de cenas na edição. Geralmente, todos os seus filmes são bem longos. Mas aqui ele consegue exagerar: Para se ter uma idéia, o filme de Dario Argento tem quase 1 hora a menos! Isso porquê Luca criou vários sub-plots que não haviam no filme original, trazendo o conceito da culpa alemã pela 2a guerra mundial e a morte de milhares de judeus, através do personagem totalmente dispensável do Dr Josef, Vale mais pelo tour de force de Tilda Swinton, que o interpreta, do que pela história. Tivesse se concentrado apenas no drama de Suzy e a escola, o filme teria ficado muito mais aterrorizante. As cenas onde as personagens de Sara e principalmente Olga sofrem a vingança das bruxas, é muito foda! Tanto que ganhou um prêmio especial em Veneza somente para os efeitos. Para se ter uma idéia, elas têm os ossos do corpo quebrados e os órgãos internos expostos, isso apenas pelo movimento da coreografia de uma dança muito bizarra. O que no filme de Dario Argento acabou ficando a sua marca registrada, que é a fotografia colorida exagerada, aqui no filme de Guadagnino ele substitui por cores escuras e azuladas, trazendo uma dimensão dramática mais forte. O filme é dividido em 6 episódios e um epílogo: devo dizer que o episódio 6, que é o Clímax, é a convenção de Bruxas mais foda que vocês já viram em qualquer filme sobre o tema. Aí, ele quase se aproxima de Argento no erotismo, nas cores, no surrealismo. O que eu também fiquei triste, como fã do original, foi de terem mudado todo o rumo da personagem de Suzy. Mas ver esse duelo de atrizes e de bruxas foi épico, então valeu a pena. Teria ficado mil vezes melhor cm 40 minutos a menos. Torço por Dakota Johnson, que depois da trilogia "50 tons", tem investido em projetos mais ousados e autorais. E Tilda Swinton, um crime não ter sido indicada para premiações pelo seu papel triplo.

sábado, 12 de janeiro de 2019

Assim estava escrito

"The bad and the beautiful", de Vincente Minelli (1952) Foi graças ao excelente documentário de Martin Scorsese, "Uma viagem pessoal rumo ao cinema americano", que eu cheguei a essa obra-prima de 1952, dirigido por um dos grandes Cineastas de Hollywood, Vincente Minelli. Sempre tinha ouvido falar desse filme que mostrava os bastidores de Hollywood, os podres de um Produtor de cinema. Mas foi através do documentário, e em particular uma cena, que eu fui desesperado em busca do filme. Na cena, o produtor vivido por Kirk Douglas, Jonathan, e um Diretor de filmes B, Fred, discutiam de que forma poderiam filmar um longa de terror sem mostrar as terríveis fantasias que criaram para os monstros do filme. Daí, Jonathan apaga a luz da sala e diz: "O que o público espera quando vê um filme de terror? Quem sentir medo. E o que faz sentir medo? O escuro." Daí Jonathan apaga a luz, e decide com o Diretor que não devem mostrar, mas apenas sugerir a presença dos monstros, através de sombras. Essa cena homenageia o clássico "Sangue da Pantera", que usou exatamente esse recurso das sombras e minimalismo por conta de orçamento, e foi um grande sucesso."Assim estava escrito"ganhou 5 Oscars: Fotografia, atriz coadjuvante ( Gloria Grahame, que interpreta a esposa do roteirista, Rosemary), roteiro, figurino e direção de arte. O roteiro é bem original: 3 histórias são contadas e o que as une é a presença de Jonathan. Um diretor, uma atriz e um roteirista, todos enfrentaram a glória e o fundo do poço com Jonathan. Assim como "Crepúsculo dos Deuses", o filme tem um olhar bastante amargo sobre o mundo dos holofotes, das Estrelas de Cinema construídas pela máquina de Hollywood, o Poder de um Produtor de fazer surgir um novo talento e de o destruir. Muito bom filme, e um dos melhores sobre os bastidores do cinema. Lana Turner e Kirk Douglas mostram que são os 'Star Quality"que o filme prega.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2019

Pérolas no mar

"Hou lai de wo men ", de Rene Liu (2018) Romance dos mais espetaculares que vi nos últimos anos, "Pérolas no mar"foi um grande sucesso de bilheteria na China, mas infelizmente a Netflix comprou os direitos de exibição do filme no mundo inteiro e nos privou de assisti-lo na tela grande. Uma pena, pois é o tipo do filme que exibido no Cinema traria uma outra percepção e com certeza, todos saíram aos prantos das salas. Para quem tem preconceito com romances, um aviso: esse filme é maravilhoso. Fotografado por Ping Bin Lee, o mesmo fotógrafo de Wong Kar Wai na obra-prima "Amor à flor da pele", e escrito e dirigido pela Cineasta de Taiwan Rene Liu, o filme é de uma sensibilidade ímpar. As imagens, as cores, os enquadramentos, os atores, a direção de arte, a trilha sonora acachapante. Tudo contribui para tornar o filme uma experiência sensorial muito dolorida, mas inesquecível. O filme é uma mistura da trilogia completa de Richard Linklater, "Antes do amanhecer", com "Amor à flor da pele" e outros filmes sobre o amor impossível dirigidos pelo esteta Wong kar Wai. É um filme sobre o Amor incondicional, à pessoa que se ama, e ao pai. E amor significa também brigar, ter raiva, reencontrar, perdoar. Assim como na trilogia de Linklater, "Pérolas no mar"apresenta o mesmo casal se reencontrando todos os anos. O filme começa no ano de 2007 e vai até 2018, no atual. Em 2018, o filme é em preto e branco. Nos outros anos, em cores. Acompanhamos Jiang Quin, um jovem de 20 anos que volta de Pequim, aonde trabalha e estuda, para a sua cidade natal para passar o ano novo com seu pai, um modesto dono de restaurante viúvo. Joang Quin sonha em se tornar um às do videogame, mas tudo o que ele consegue são sub-empregos, mas ele mente para seu pai dizendo que está tudo bem em Pequin. No trem, ele conhece a jovem Xiao Xiao, que passa pela mesma situação: morando em Pequin, ela estuda e também trabalha em sub-empregos. O trem quebra no caminho e os dois acabam se conhecendo melhor. Todo ano, no ano novo, eles retornam à cidade para passar a festa com o pai de Jiang Quin, e sempre mentindo sobre a situação deplorável que eles estão em Pequin: trabalhando como camelôs, morando em kitchnete de 10 metros, passando necessidades. Mas enquanto eles são jovens, o sonho continua. Amigos, Jian Quin sente ciúmes de Xiao Xiao, que sonha em conhecer um homem mais velho que a peça em casamento. Até que um dia, Jian Quin a pede em namoro. E ai, os problemas começam. Impossível não se apaixonar pelos casal, mesmo quando os personagens erram feio, e agente fica com raiva deles. E sim, o pai também é um personagem exemplar. Os 3 atores são incríveis, e muito carismáticos. Atenção: existe uma cena final no final dos créditos, não deixem de ver. Para s corações que sofrem, carreguem bastante lenço Kleene

Gabriel

"Gabriel", de Benjamin Chimoy (2014) Escrito e dirigido por Benjamin Chimoy, essa co-produção Espanha/Alemanha traz uma história que já é bem clichê: Gabriel, 35 anos, está nadando na piscina em Berlin quando se lembra de sua adolescência. Adolescente, Gabriel morava na Espanha com seus pais e seu irmão, Daniel, quase de sua idade. Gabriel tinha grande aptidão pela Arte plástica. Seus pais acham estranho ele ainda não estar namorando. Um dia, Lourdes, sua mãe, ao revirar o quarto de Gabriel, encontra desenhos eróticos de homens fazendo sexo. Assustada, Lourdes afasta Gabriel de Daniel, achando que Gabriel estava a fim de seduzir o irmão. Afastados, Gabriel, casado com um rapaz, vai reencontrar sua mãe em Berlin, anos depois. Um filme que fala sobre conservadorismo que destrói uma vida e também a possibilidade de se reconectar com as pessoas que já amamos um dia. "Gabriel" tem um olhar positivo, não é um filme que joga os gays na fogueira. Nada de novo, mas é um filme honesto e com bastante sensualidade.

O sol tornará a brilhar

"A raisin in the sun", de Daniel Petrie (1961) Totalmente absorto com a beleza e a excelência do texto e das atuações nesse maravilhoso drama baseado na peça teatral de Lorraine Hansberry, escrito em 1959, no auge das manifestações contra o racismo nos Estados Unidos. O filme foi lançado em 1961, e reuniu no elenco a nata dos atores negros da época: Sidney Poitier, Ruby Dee, Diana Sands e a fabulosa Claudia Macneil, no papel da matriarca Lena, um personagem e história que lembra bastante "Vinhas da ira", de John Ford: Jamais perder a dignidade, nem em momentos de profunda decadência econômica. "O sol tornará a brilhar" é um texto extremamente ousado para a época em que foi escrita: fala de assuntos tabus, mesmo para os dias de hoje: aborto, machismo, identidade cultural afro-americana; ateísmo, feminismo e principalmente, racismo. Tudo isso é misturado em um caldeirão centrado em um cortiço da periferia de Chicago: é ali que mora a família Younger. Mãe, 2 filhos, a nora e o neto pequeno. A história começa com a família no aguardo do cheque do seguro pela morte do pai. Nessa expectativa, a mãe e seu filho, Walter (Poitier), têm idéías distintas sobre o que fazer com o valor: a mãe quer dar entrada no valor de uma casa; o filho quer comprar um negócio, uma loja de bebidas, e assim, deixar de trabalhar como motorista particular de um homem branco. Ruth, a nora, é conformada com a vida que leva e questiona os sonhos de ambição de seu marido. Beneatha, a filha, é universitária e se envolve com um africano que a faz ter consciência sobre a sua cultura negra. Acaba que Lena compra a casa, para infelicidade de Walter. e mais: ela comprou em um bairro de brancos, e a associação não quer que eles se mudem para lá. Muita coisa acontece nos 128 minutos do filme. Sim, ele tem uma estrutura bem teatral, assim como era "Quem tem medo de Virginia Wolff?". Mas o Diretor Daniel Petrie conduz tudo com muita maestria, sem tornar o filme cansativo, como foi o caso do filme de Denzel Washington, "Um limite entre nós", que ficou totalmente teatro filmado. Uma obra-prima, e que vontade de ver montada no palco novamente!

quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

Dentro

"Dentro", de Bruno Autran (2014) premiado curta dirigido e escrito por Bruno Autran, nascido em Belo Horizonte mas radicado em são Paulo. Bruno é um dos fundadores da Labuta Filmes, e já dirigiu vários curtas premiados. Em "Dentro", Bruno investe em um único plano-sequência de quase 13 minutos, que acontece em um pier de uma praia paradisíaca. Bruno interpreta o filho de um casal que comemora mais um ano de aniversário. Ex-drogado, ele reencontra seu irmão, interpretado por Bruno Guida. Os irmãos passam o filme todo jogando papo fora em uma discussão de DR interminável, até que, inesperadamente, o filme dá um plot twist meio forçado, mas que não deixa de ser instigante: os irmãos se beijam, e fica claro que no passado, essa relação incestuosa provocou marcas na vida dos dois. O filho de Bruno Guida o chama, e Bruno Autran termina sozinho no pier. Corta, o filme vai para os créditos, lindamente registrado em um álbum de família, onde vemos os irmãos, crianças, em demonstração de carinho. A equipe técnica também é apresentada através de fotos de todos crianças. Uma criativa solução. é um filme bem interpretado pelos dois atores e com uma linda fotografia, de Kauê Zilli, que amplia a beleza da locação.

A nossa espera

“Nos batailles”, de Guillaume Senez (2018) Exibido na Semana da Crítica do Festival de Cannes 2018, “ A nossa espera” lembra bastante “Uma mulher sob influências”, clássico de John Cassavettes com atuação estupenda de Gena Rowlands. Só que ao contrário do filme americano, aqui a ação se concentra todo na figura do marido, Olivier ( Romain Duris. Pai de duas crianças, Olivier passa porém momento difícil na sua vida pessoal: sindicalista, ele sofre um baque com a demissão e suicídio de um colega de trabalho. Em casa, eu esposa Laura, em processo de depressão, simplesmente abandona todos e vai embora. Sem rumo, Olivier conta com a ajuda de sua mãe e de sua irmã para ajudar a dar um trato em casa. Mas as crianças sofrem muito a ausência da mãe e acabam fugindo também para ir em busca dela. Triste e com um registro naturalista, o filme arrebata pelas performances de todo o elenco e pelo olhar carinhoso que o diretor tem pelos seus personagens. Mas a vida não é fácil, e para isso, o diretor fala também de machismo, opressão feminina e lealdade profissional. Um filme duro, cruel. Mas com uma luz no fim do tunel.

Glory

"Glory", de Roberto Anjari-Rossi (2011) Polêmico curta LGBTQ+ alemão, por unir 2 gêneros de forma inusitada: comédia e filmes de serial killer. Um homem solitário cinquentão ( Andreas Seifert, excelente) se encontra entediado em sua casa. Ele resolve ir até uma sauna gay. Lá ele se diverte com o atendente e se prepara para entrar em uma cabine de Glory Hole. Só não esperava que do outro lado, estivesse um homem mentalmente desequilibrado que acabou de perder o seu emprego. e está armado. Logo de cara, o filme parece que vai ser aquele divertido olhar sobre a pessoa invisível, a pessoa comum tão bem retratada em filmes do finlandês Aki Kaurismaki. Mas logo o filme vira um outro tom, e mesmo assim, mesclando um humor negro com uma tragédia iminente. É um filme sucinto, menos de 7 minutos, mas que conta a sua história sem firulas e com ótimos diálogos. Acredito que muita gente não tenha gostado do filme pelo seu teor homofóbico, mas eu o enxerguei mais como um alerta da sociedade egoísta, esquizofrênica e triste que estamos vivendo. https://vimeo.com/17297434

quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

Icebox

"Icebox", de Daniel Sawka (2018) Em 2016, o Cineasta sueco Daniel Sawka lançou o curta "Icebox", que fez muito sucesso nos Festivais. Agora, ele lança o longa, adaptado do seu curta. Daniel atualizou a política de imigração configurada pelo Governo Trump/ No filme, um garoto hondurenho, Oscar, foge de seu País para pedir asilo político nos Estados Unidos. Ele foi obrigado a fazer parte de uma gangue de criminosos em Honduras, e diante da recusa, acabou sendo ameaçado de morte. Seus pais o enviam às escondidas para que encontre seu tio que mora em Phoenix, Eua. Mas durante a travessia no deserto, Oscar é preso pela Imigração e passa dias dentro de uma jaula, junto de outras crianças imigrantes. Passando frio, afastado do convívio dos adultos, as crianças são tratadas como animais. Com uma excelente performance do jovem Anthony Gonzalez, que também atuou no curta de 2016 e para quem não sabe, deu voz ao personagem principal da animação da Pixar, 'Coco- A vida é uma festa", o filme "Icebox" é contundente e não tem tempo para melodrama. É soco no estômago. A cena da escola sendo metralhada com crianças dentro, ou ver a caminhonete onde estão os migrantes ser parada no meio do caminho pelos traficantes que sequestram as meninas, é muito forte. Para quem quer saber como anda a política de imigração e como funciona o julgamento de quem é preso, vale assistir ao filme.

Four boys in a Volvo

"Four boys in a Volvo", de Gus Van Sant (1996) Em 1996, o Cineasta Gus Van Sant foi convidado a dirigir um Comercial para a Levi's. Ele teve total liberdade para fazer o filme, e ainda dirigiu um curta com o elenco e nas locações aonde filmou o comercial. Localizado no deserto da Califórnia, o filme foi uma inspiração para o seu Road Movie "Gerry", de 2002. Gus Van Sant já traz aqui a sua marca registrada, que já havia apresentado em "Garotos de programa" e futuramente, em filmes como "Gerry", "Paranoid Park", "Elephant": o discurso esvaziado e sem ambições da juventude americana; homoerotismo latente presente em corpos semi-nus e fisicamente definidos; a fotografia estilizada, com luz do por do sol, e uma trilha sonora folk rock, que embalou quase todos os seus filmes. Gus Van Sant é mestre em compôr imagens sensuais, aproveitando ao máximo a plenitude da beleza adolescente. Hoje em dia talvez ele fosse acusado de pedófilo, mas nos inocentes anos 90, era apenas uma exaltação de culto à beleza. Ah, a sinopse: 4 amigos viajam de carro pelo deserto da Califórnia em busca de um belo por do sol. Sim, só isso. O resto são imagens e um papo jogado fora de um dos adolescentes.

Dear Renzo

"Dear Renzo", de Agostina Gálvez e Francisco Lezama (2016) Tragicomédia argentina, dirigida e escrita por 2 estudantes da Faculdade de Cinema de Buenos Aires e rodada em Nova York. O filme fala sobre a dificuldade de 3 jovens estudantes de sobreviver em Nova York: Marina perdeu seu passaporte e vaga pelas ruas em busca de alguém que a ajude. Ela está sem dinheiro, e se vira na malandragem para se dar bem. Renzo é um jovem gay que não fala inglês, mas quer uma carta de recomendação para entrar em uma Faculdade de NY; e Ivana compra roupas baratas e as revende em Buenos Aires por um valor bem mais alto. Os 3 caminhos se cruzam, e como em qualquer grande Metrópole, quem não foi esperto, se dá mal. Um filme curioso, que traz algum elemento de misticismo, homofobia e malandragem latina, "Dear Renzo" é um delicioso e divertido olhar sobre pessoas invisíveis, uma geração que luta por algo que nem sabe exatamente o que é, pois estão totalmente despreparados. Nova York não é para fracos! Ótimos diálogos, e ótimos atores. eu amei a cena da dança robótica de Ivana e Renzo, antológica.

Uma viagem pessoal pelo Cinema americano

"A Personal Journey with Martin Scorsese Through American Movies", de Martin Scorsese e Michael Henry Wilson (1995) Lançado para a tv em 1995, essa verdadeira Aula de Cinema ministrada por um dos maiores Cineastas da história do Cinema é uma obrigação tão grande de ser visto por todos os Cinéfilos, assim como o ato de comer e dormir todos os dias. Scorsese fala sobre o Cinema, sobre a sua paixão pelo Cinema ( ele confidencia que queria ser Padre antes de descobrir os filmes) e sobre os filmes e cineastas americanos ou estrangeiros que filmaram nos Estados Unidos e que construíram a narrativa de seus filmografia e também da memória afetiva que tem sobre o Cinema. O original é dividido em 3 partes: A primeira, sobre os 3 gêneros clássicos do cinema americano: faroeste, gangsters e Musical. A segunda parte é sobre o Cineasta que contrabandeia ( referência que ele dá para o tipo de cinema que se utiliza de subterfúgios para contar a sua história), incluindo aí a técnica de se filmar e o uso da tecnologia; e por último, ele fala sobre o Cinema iconoclasta, citando alguns Cineastas que fizeram filmes para brigar contra o Cinema americano vigente, de produtor: Griffith, Chaplin, Samuel Fuller, Arthur Penn, Elia Kazan, Kubrick, John Cassavettes, Billy Wilder, são alguns desses cineastas. As quase 4 horas de duração total são um brinde: Scorsese cita filmes que eu sequer havia ouvido falar, e que me instigaram a imaginação. Ao mesmo tempo, rever os filmes que ele comenta, mesmo que em breves cenas, é algo muito recompensador. Scorsese fala do Cinema dos grandes estúdios e também do Filme B, dos filmes independentes. Abaixo, link com a lista dos filmes citados: https://filmow.com/listas/uma-viagem-pessoal-com-martin-scorsese-pelo-cinema-americano-l29682/

terça-feira, 8 de janeiro de 2019

Domando o destino

"The rider", de Chloé Zhao (2017) Eleito pelo National Society of Film Critics Awards como o Melhor filme de 2018, "Domando o destino" é o filme que todos deveriam assistir quando reclamam que a sua vida está uma merda. A Cineasta e roteirista sino-americana Chloe Zhao conseguiu o grande feito de ter seu filme selecionado para os maiores Festivais de Cinema do planeta, entre eles: Sundance, Telluride, BIF, Deauville, SXSW e em Cannes onde participou da Mostra Quinzena dos realizadores e saiu de lá com o prêmio. Chloe trabalhou com não-atores, na verdade, todos ali representam a si mesmos. Chloe conheceu o jovem Brady Jandreau quando foi buscar um treinamento para cavalgar cavalos. Ela soube da triste história dele, e resolveu escreveu um roteiro, acrescentando elementos ficcionais: ela escalou a irmã autista de Brady, Lily; seu pai, Tim e os amigos de verdade de Brady, todos lidando com o universo dos rodeios. Mas o personagem que me destruiu de vez, foi Lane Scott: Brady o considera seu irmão mais velho, a pessoa que ensinou tudo a ele. Mas Lane sofreu um acidente durante um rodeio e ficou tetraplégico. As cenas de Brady com Lane, e principalmente a que fecha o filme, me comoveram de tal forma que fica difícil de imaginar como seriam essas cenas com atores. Chloe consegue essa enorme façanha, típica dos neo-realistas, depois com Pasolini, Kean Loach e até no Cinema novo, de escalar não-atores e extrair deles uma atuação naturalista muito potente. O filme está no limite entre o documental e o ficcional. A fotografia extraordinária de Joshua James Richards, que intensifica a melancolia e a solidão dos vales do Sul de Dakota, parecem quadros vivos de uma beleza intensa. Brady é um competidor de rodeios que sofre um acidente e por conta disso, impossibilitado de cavalgar. Se sentindo sem rumo e vazio por dentro, Brady não consegue encontrar mais o seu espaço no mundo. Se você gosta de filmes tristes, mas não aqueles que o façam se jogar debaixo de um caminhão, mas sim aqueles que, mesmo na maior das tristezas de seus personagens, tenta buscar uma luz no fim do túnel, e afirme que a vida ainda vale a pena, assista a esse filme. Não irá se arrepender.

A professora

"Ucitelka ", de Jan Hrebejk (2016) Drama Eslovaco, vencedor de diversos prêmios internacionais, fala sobre o abuso do Poder e a corrupção na república da Tchecoslováquia comunista de 1983. Em uma escola, uma nova professora se apresenta para a sua classe: ela é Mária Drazdechová ( em grande atuação de Zuzana Mauréry). A primeira coisa que Mária faz, é perguntar o nome de cada aluno e a profissão de seus pais, anotando tudo no caderninho pessoal dela. Mais tarde, vamos descobrir que ela chantageia os pais das crianças em troca de notas boas. Ela pede comida, conserto de eletrodomésticos, envio de comida para outros países ( prática proibida pelo Governo) e mais à frente, ela seduz um pai, cuja esposa fugiu para o lado ocidental e por conta disso, ele caiu em desgraça, prometendo a ele uma promoção. Com um ótimo roteiro e excelente trabalho dos atores, tanto os jovens como os adultos, "A professora" expõe uma crítica ao Governo comunista, e como muitos se aproveitaram do sistema político para tirar proveitos. A narrativa é costurada no tempo atual, quando professores e pais decidem de devem mandar a professora Maria embora ou não, e em flashbacks, apresentando todas as manobras sujas da professora. Vale assistir.

What they had

"What they had", de Elizabeth Chomko (2018) Em primeiro lugar: puxa, como a Hillary Swank é boa atriz, e que falta ela faz! Ela esteve afastada por 3 anos, cuidando de seu pai que esteve doente. Por isso, esse premiado drama, exibido em Sundance com sucesso, 'What they had", deve ter tido um apelo sentimental muito especial para ela. No filme, ela é Bridget: bem sucedida no trabalho, mas a sua vida pessoal está um caos. Ela vive um casamento sem sal com seu marido, e sua filha, Emma ( Taissa Farmiga, de "A freira") está passando por um processo de depressão e não quer mais estudar. Para piorar, seu irmã Nick ( Michael Shannon) liga para ela de Chicago: a mãe deles, Ruth (Blythe Danner), está com Alzheimer e desapareceu, para desespero do pai deles, Burt (Robert Foster). Bridget e Emma viajam para a casa dos pais dela, e decidem junto de Nick, internar a mãe em uma clínica para idosos. Burt é contra: ele quer cuidar dela para todo o sempre. Esse tempo em que Bridget passa na casa dos pais, ela repensa a sua própria vida e a relação com as pessoas que um dia, ela amou. Atenção: esse é um filme para quem gosta de melodramas. Se você não gostar, não assista. O filme é feito para chorar, e isso não é um pecado. O Site do Roger Ebbert, uma das colunas de críticos mais conceituadas dos Estados Unidos, deu 3 estrelas e meia de um total de 4. Muitos elogiaram o filme, e com razão: o elenco, poderoso, está sensacional. Imaginem um elenco com Hillary, Michael Shannon, Robert Foster e Blythe Denner. Para dar conta de um tema tão sentimental e tão lacrimogêneo, somente recorrendo a atores que dão dignidade aos papéis. Esse é o filme de estréia da roteirista e diretora Elisabeth Chomko. O final é bem melancólico, mas enfim, assim é a vida. Esse filme, enxuto, daria uma excelente peça de teatro.

Tonight it's you

"Tonight it's you", de Dominic Haxton (2016) Curioso filme de terror LGBTQ+, que faz referências a dois clássicos do gênero: "O exorcista" e "O chamado do mal". O filme traz um mote polêmico à trama, escrita pelo próprio diretor, que é fazer uma metáfora associando o homossexualismo à possessão demoníaca. CJ é um jovem solitário que busca um encontro sexual no aplicativo. Ele vai ao encontro na casa do pretendente, que fica numa região isolada de Los Angeles. Após o sexo, ele descobre que ali, vai haver uma sessão de exorcismo. O filme é divertido, bem feito e cumpre o seu papel de passatempo. Tem uma cena de sexo bem filmada, sensual, e a parte de terror também é bem feita, para os padrões de um filme de baixo orçamento. E a mensagem do filme é clara: cuidado com quem você está se encontrando nos aplicativo hehehe

segunda-feira, 7 de janeiro de 2019

Broadwalk

"Broadwalk", de Etamar Kadushevitz (2016) Melhor Filme do Público no Festival LGBTQ+ de Boston 2016, "Broadwalk" é um filme israelense que mostra os dois lados da Fúria: do homofóbico, e também do homossexual. É um filme polêmico, corajoso e contundente. Um soldado e um civil namoram nas areias da praia. Ao caminharem na calçada, são ameaçados por um jovem homofóbico, que os xinga por estarem namorando na frente de crianças. O civil, irritado e fora de si, pega na metralhadora do soldado e vai atrás do rapaz, disposto a matá-lo. eles correm até uma loja de conveniência, onde o civil aponta a arma para o rapaz. Tenso e bem filmado, é um filme que apresenta personagens que vivem em momentos emotivos limite: para quem lembra do clássico de Michael Douglas, "Um dia de fúria", vai entender o comportamento dos personagens. Numa sociedade onde todos são egoístas, e não sabem ter uma boa conversa, a violência acaba sendo a única solução. Ótimos atores.

O abandono

"L'abandon", de Didier Seynave (1996) Curta belga realizado pelos Estudantes LGBTQ+ da Universidade local, é um retrato dramático de um jovem estudante, Jean, que em sua primeira transa, por amor, faz sexo sem camisinha. Antonie, o outro rapaz, ao saber que é a primeira vez que ele faz sexo com um homem, o recrimina, dizendo que ele deveria ter obrigado ambos a usarem camisinha. Antoine diz que tem uma vida sexual bastante ativa. Jean se desespera e passa dias na angústia do resultado do exame de HIV. se mudassem a trilha sonora do filme, ele poderia ser um filme de terror, tal o desespero do pobre Jean ao saber que fez sexo sem proteção. Enfim, parece até um filme didático, feito para provocar os jovens que transaram sem camisinha e martelar em suas cabeças: você está com Aids!!! O filme vale pelo papo bem franco entre os dois personagens logo no início. Uma cena sexy e bem desenvolvida. Depois recai o moralismo no filme.

The big shave

"The big shave", de Martin Scorsese (1967) Terceiro curta dirigido pelo Mestre Marin Scorsese, o curta "The big shave" foi lançado em 1967 e até hoje provoca náuseas e mau estar em muita gente. No curta, de menos de 6 minutos, somos apresentados a um banheiro impecável, limpo. Detalhes da torneira, da pia, do piso, do ralo. Um homem jovial entra no banheiro, tira sua camisa e passa creme de barbear no rosto. Ele faz a barba com a gilete. Depois de fazer a barba, ele passa novamente o creme e de novo faz a barba. Começa a sangrar, mas o homem se mostra insensível e se corta todo. E mais, e mais, e mais. O filme termina com uma cartela apresentando a ficha técnica e lá embaixo, quase imperceptível, o Slogan "Viet 67". Fui fazer uma pesquisa e descobri que o filme, aparentemente surrealista e sem sentido ( alguma alusão a "O cão andaluz", de Bunuel???) é na verdade, uma metáfora contra os horrores da Guerra do Vietnã. Foi a forma como Scorsese, ainda estudante de Cinema, encontrou para dar a sua opinião. O home que ainda tem idade para servir o exército, na verdade se corta porquê esse será os eu resultado caso se aliste vá pro front. Ele se torna sem alma. Instigante e angustiante, o filme já traz sementes para a sanguinolência que viria em seus próximos filmes, como "Taxi driver", O Touro indomável", "Cassino" e tanto outros. https://www.youtube.com/watch?v=-_dM5NMUPUk

Tumbbad

Tumbbad", de Rahi Anil Barve (2018) Fábula de terror indiano, um grande sucesso de bilheteria e que foi exibido na Semana da Crítica no Festival de Veneza 2018. O filme poderia ser escrito como uma versão de horror do clássico de John Houston, "O tesouro de Sierra Madre". O tema é a ganância do homem. O filme é ambientado em Tumbbad, vilarejo no norte da Índia. Ali, acredita-se que uma Deusa da Fertilidade deu à Luz a vários filhos, mas um deles era ambicioso e acabou preso em um poço dentro de uma Mansão em Tumbbad. O filme tem como protagonista Vinayak, em 2 épocas: em 1918 e depois em 1933, durante a ocupação britânica. Dede criança, Vinayak tentava descobrir o paradeiro desse poço, mas sua mãe o fez sair da cidade. Já crescido, ele retorna para a mansão, e descobre o poço onde se encontra o Deus Hastar. Toda vez que desce, Vinayak oferece um boneco de farinha para o monstro se alimentar e assim, poder roubar umas moedas de ouro. Mas outras pessoas descobrem de onde Vinayak retira o dinheiro e vão atrás dele. Com ótimos efeitos especiais e maquiagem de caracterização (ainda que a maquiagem da Bruxa pareça tosco), "Tumbbad" é um filme que pode divertir quem curte aventuras tipo "Indiana Jones" ou "Tumb Raider", pois tudo lembra bastante esses filmes de aventura. Aqui aposta-se mais no lado dramático da cobiça, mas o desfecho, repleto de demônios, deixa claro que o filme quer mais é divertir. Não é nenhuma obra-prima, mas dá para se divertir um pouco. A fotografia do longa é muito boa, em uma atmosfera de pesadelo.

domingo, 6 de janeiro de 2019

Eu, Christiane F, 13 anos, drogada e prostituída

"Christiane F. - Wir Kinder vom Bahnhof Zoo", de Uli Edel (1981) Assisti a esse filme quando foi lançado aqui no Brasil em 1982, no meio de muita polêmica e tentativas de proibição. Era um filme rigorosamente proibido para menores de 18 anos, e me surpreendi que ele foi exibido totalmente sem cortes. Revê-lo quase 4 décadas depois, e tendo assistido a vários filmes sobre viciados em drogas pesadas que fizeram furor com a mídia e público, como "Réquiem para um sonho", 'Candy", Querido menino", "Transpotting", me fizeram constatar que sim, 'Christiane F." é um clássico e o melhor filme j;a feito sobre o tema. Todos os outros filmes escondem e romantizam de certa forma o mundo dos viciados em drogas através de uma estilização das imagens, geralmente com linguagem publicitária ou moderninhas para seduzir o espectador. Aqui, a realidade é nua e crua, e o elenco, envolto no mais puto naturalismo das interpretações, nos fazem acreditar que sim, estamos testemunhando a destruição de toda uma geração amparada pelo desemprego, crise econômica, apatia social, incomunicabilidade dos parentes, ausência de amor e assistencialismo. Os jovens do filme estão entregues à sua própria sorte, e a um Mundo cão sem luz no fim do túnel. Como todos sabem, o filme é a adaptação do livro escrito a 6 mãos sobre Christiane F, uma jovem classe média baixa, moradora da periferia de Berlin, que dos 12 aos 15 anos se envolveu com heroína, cocaína, Lsd e para poder bancar o vício, se prostituiu e roubou. O filme não abre concessões a ninguém. Ele inclusive é acusado até hoje de espetaculalizar a degradação dos viciados, apresentando um mundo apocalíptico totalmente sem esperança e brutal. A trilha que parece saída de um filme de terror, as imagens absurdamente violentas e viscerais ( a cena de Christiane chicoteando um cliente até sangrar e expondo toda sua raiva é das mais cruéis que você já vai ter visto). O Diretor Uli Udel não conseguiu em sua carreira realizar um filme tão poderoso como esse, e o sucesso do filme, que estava na lista dos críticos em 1981 como estando entre os 10 mais do ano, muito se deve ao talento de Natja Brunckhorst, no papel principal, e o mais incrível, ela nunca tinha atuado antes. É impressionante a sua entrega, a sua mudança física, de postura, com a ajuda de uma maquiagem excelente. Um filme atual, obrigatório, que não envelheceu nada e que infelizmente, mostra que o mundo não mudou nada, apenas o tipo de droga consumida pelos jovens. David Bowie aparece em uma sequência de um show em Berlin, mas na verdade foi rodado em Nova York, e foi uma forma dos produtores seduzirem uma platéia maior para o filme. A música "Heroes" ficou antológica no filme.

Antes da coisa toda

"Antes da coisa toda", de José Luiz Jr e Daniel Ribeiro (2014) A produtora Cavideo mais uma vez traz um documentário imprescindível para quem trabalha com o Processo de Criação, como Atores, estudantes de interpretação, Diretores e roteiristas. Lançado em 2014, esse documentário comemorava os 25 anos de uma das maiores e mais premiadas Companhias teatrais do Brasil, o Armazém Companhia de Teatro, criada em Londrina, Paraná em 1987 e desde 1998 estabelecida no Rio de Janeiro. Particularmente, devo dizer que algumas das peças mais lindas e sensoriais a que assisti, pertence a esse Grupo: "Alice no País dos espelhos"e "Toda nudez será castigada" foram divisores de água para mim no conceito que eu tinha sobre espetáculo teatral. tudo isso, graças ao Talento indiscutível de um dos criadores do grupo, o Diretor Paulo de Moraes, um visionário, e o talento de atrizes como Patricia Selonk e Simone Mazzer, entre outros atores do grupo, que se entregam em cena através de um jogo de manipulação emotiva e visceralidade. Ao longo da trajetória do grupo, outros Atores fizeram parte, como Liliana Castro, Lisa Fávero, ampliando o leque de talentos que já passaram pelo Armazém. "Antes da coisa toda" é um filme que fala sobre a Arte muito peculiar e difícil de se conceber um espetáculo. A câmera está sempre ali presente, e Paulo de Moraes deixa claro para o seu elenco que não interpretem para a câmera que os está documentando absolutamente tudo. Desde a escolha do texto do próximo espetáculo, leituras de texto, o acompanhamento do dramaturgo no Processo, a contribuição do elenco, a obsessão e disciplina rígida de Paulo de Moraes, o Ofício magnânimo de ser Ator e entender o que se está fazendo no palco do Teatro. Claro que os atores falam sobre de onde veio o desejo de ser Atir, como entraram no grupo, como discernir o Ator do Personagem, e o filme também traz dicas sensacionais de exercícios teatrais. Como é lindo acompanhar a rotina árdua dessa galera, e um tem curioso: em 1 mês e meio já tinham um esboço do espetáculo "Antes da coisa toda acabara", mas era um embrião, apresentado para 6 mil pessoas em são José do Rio Preto, e descobrir que um ano depois, o espetáculo j;a durava 1;45 horas e já tinha um cenário e concepção totalmente diferentes. Eu sou totalmente apaixonado por documentários que fazem registro da descoberta criativa de algum projeto, seja Teatro ou Filme. se puder, assistam, não irão se arrepender. https://vimeo.com/79499193

Querido menino

"Beautiful boy", de Felix van Groeningen (2018) Adaptado de 2 biografias, uma do pai jornalista do New York Times e outra do filho viciado em metanfetamina, heroína, cocaína e outras drogas pesadas, 'Querido menino" foi dirigido pelo cineasta belga Felix van Groeningen, que em 2012 lançou "Alabama Monroe", um filme destruidor sobre um casal que vai ao fundo do poço com a morte da filha. Felix van Groeningen sabe fazer filmes intensos e viscerais sobre perdas familiares. Mas assim como em "Alabama Monroe", toda a narrativa e o visual do filme acaba sendo bastante estilizado. A edição dá um tom mais moderno, indo e voltando no tempo, para fazer o espectador entender porquê um jovem chegou a esse ponto de vício quando na infância e adolescência ele era feliz. O ponto positivo do filme é que não julga ninguém, e mostra a destruição das drogas afetando não somente Nic ( Timotheé Chalamet), mas seu pai, David (Steve Carell), sua madrasta Karen, sua mãe Vicky e seus 2 irmãos pequenos. Todo esse núcleo familiar se esvai física e emocionalmente. O roteiro acompanha anos na vida de Nic, e suas várias idas e vindas em tratamentos, recaídas, curas e mais recaídas. Em duas horas de filme, acaba ficando repetitivo. E ainda tem a questão estética: família classe média, bem sucedida, e Nic interpretado pelo novo darling americano, Thimoteé Chalamet, todo bonitão no papel do drogado. Mesmo perdendo 10 kilos pro papel, ele continua hype, e fica difícil não enxergar um charme ali. Mas ele é bom ator, e sua performance tem arrebatado premiações. Steve Carrel é que carrega o filme nas costas, ele é o protagonista. É bacana acompanhar essa transformação de um comediante em um poderoso ator dramático. No final, aparecem várias cartelas falando sobre a grande índice de mortes por drogas em pessoas abaixo de 50 anos, política de tratamento, etc etc. "Querido menino"acaba sendo um filme denúncia, quase institucional sobre as consequências da droga e a consequente destruição da família, mas tendo a mensagem que somente o Amor da família consegue a cura. Parece um filme doutrinário, panfletário. E é. Pelo menos não inserem a religião no meio. De curiosidade, li que inicialmente, quem iria dirigir era Cameron Crowe ( de "Quase famosos") e Mark Walbergh iria protagonizar no lugar de Steve Carrel. O título original, "Beautiful boy", se refere à musica de John Lennon homônima que o pai canta pro filho.

Mãe e Pai

"Mom and dad", de Brian Taylor (2017) Escrito e dirigido por Brian Taylor, "Mãe e Pai" parte de uma ousada e corajosa premissa: qualquer parente, em algum momento da formação educacional de seus filhos, por algum motivo, mesmo que metafórico, já desejou matá-los ou que eles simplesmente desaparecessem de suas vidas. "Mae e Pai" resolve a questão simplesmente colocando isso na prática: por conta de um surto, provocado pelas ondas de sintonia da televisão, todos os pais resolvem matar os seus filhos. Mas importante: eles somente matam os seus filhos, mais ninguém. E depois de matá-los, voltam aos seus afazeres, como se eles nunca tivessem existido. Elogiado por boa parte da crítica, o filme é um cult que homenageia os Filmes B dos anos 70, principalmente aqueles filmes onde as crianças matavam os adultos. Brian Taylor teve coragem e resolveu criar essa história politicamente incorreta, onde o infanticídio corre solto, e os pais matam das formas mais horrendas possíveis: facadas, atropelamento, machadadas, a golpes de chave, enforcamento, etc. Mas Brian Taylor foi espeto e sabia que se não tivesse os atores certos para estrelarem o filme, certamente ele não daria certo e jamais seria visto. E acertadamente, ele escalou Nicholas Cage, com suas caras e bocas, para interpretar o pai de Carly e Josh, dois adolescentes que como qualquer jovem de sua geração, prefere as redes sociais do que bater um papo com os pais. Loucuras à parte do filme, ele faz uma ótima e ácida crítica 1a falta de comunicação entre as gerações, e a influência das redes sociais que substituíram a educação dos pais. Os créditos inicias são deliciosos e homenageiam os filmes B dos anos 70, apresentando a foto do Ator, seu nome e o nome do personagem. Uma delícia. Diversão certa e fico imaginando pais e filhos sentados juntos e assistindo ao filme. A sequência da chegada dos pais do personagem de Nicholas Cage é antológica.

Diamante, o Bailarina

"Diamante, o Bailarina", de Pedro Jorge (2016) Premiado curta LGBTQ+ que traz a história de Diamante, o Bailarina, um boxeador gay e que recebeu esse apelido de seu treinador por conta de seus movimentos suaves durante a luta no ringue. Gay assumido, Diamante sofre homofobia de seus colegas de treino e de seu treinador, o que o faz guardar a sua raiva dentro de si. De noite, sem que ninguém saiba, Diamante é Sahara, uma Drag Queen que canta em um Cabaret. Delicado e com ótima performance de Sidney Santiago, como Diamante, e João Acaiabe, como seu treinador Cezão, o filme mescla drama e uma leve dose de humor. O elenco de apoio de drag queens reais é bem divertido e confere autenticidade ao projeto. Direção e roteiro de Pedro Jorge, que segundo consta, escreveu a historia se inspirando em 2 músicas da banda inglesa "The Cure". Vencedor do prêmio de Melhor Curta no Festival CINE PE 2017. https://vimeo.com/168881010

sábado, 5 de janeiro de 2019

Pria

"Pria", de Yudho Aditya (2017) Super -premiado curta da Indonésia, inclusive venceu o Prêmio de público de melhor Curta no Festival Internacional de curtas do Rio de janeiro 2017. O que mais me chamou a atenção, foi o fato do Diretor ter dirigido esse filme com 26 anos de idade. Com 20 minutos de duração, é possível ver o grande talento de Yudho Aditya em conduzir uma história, filmar de forma extremamente sutil um tem super delicado e dirigir com muita sensibilidade o seu elenco. Aris é um adolescente muçulmano que mora em uma vila no interior da Indonésia. A sua mãe arranjou um casamento forjado para Aris, ele é apresentado à sua futura esposa e à família dela. No entanto, Aris tem uma paixão platônica pelo seu professor de inglês. A data do casamento está chegando e Aris se encontra em um enorme dilema. Todo o elenco, em particular os atores que interpretam Aris, sua mãe e seu professor de inglês, estão comoventes. O olhar do jovem Chicco Kurniawan , no papel de Aris, é arrebatador. Pode-se entender toda a sua dor e angústia em entender que é impossível alterar a tradição milenar da qual ela faz parte. O final é desolador. Um belo filme, altamente recomendado. https://www.shortoftheweek.com/2018/10/14/pria/

Rust Creek

"Rust Creek", de Jen McGowan (2018) Thriller independente americano, que ganhou diversos Prêmios em festivais de filmes de gênero. A curiosidade desse filme, é que ele teve uma Equipe quase toda composta por mulheres, uma regra da produtora que o produziu, a Lunacy Films: Desde a Direção, passando pelo roteiro e fotografia, as mulheres comandaram o filme. Mas a minha grande frustração é que esse filme não difere em nada de outros filmes do Gênero dirigidos e escritos por homens: os clichês continuam os mesmos, e já tivemos exemplares mais interessantes, com protagonismo feminino, vide o clássico 'Doce vingança/ I spit in your grave". "Rust Creek" faz parte daquele sub-gênero de thriller onde a personagem feminina é assediada sexualmente em um lugar ermo ( geralmente floresta isolada) e precisa lutar pela sua sobrevivência. Recentemente, teve um filme dirigido também por uma mulher, Coralie Fargeat, chamado "Vingança" e que está léguas acima desse "Rust Creek". Porquê esse filme ganhou tantos prêmios, não sei responder. Sawyer é uma jovem que pega seu carro e segue a estrada até Washington para uma entrevista de emprego. Ela usa o seu aplicativo GPS para se guiar no caminho, mas acaba pegando uma rota erma e quando se dá conta, está perdida no meio de uma floresta. Dois tipos mal encarados a abordam na estrada e ela acaba fugindo, ferida. No caminho, ela encontra um traficante que produz metanfetamina ( Alô "Breaking bad") que e princípio a ajuda, mas ela não sabe se ele é confiável. O filme tem um plot twists que na verdade são bem óbvios e irritantes, a respeito da confiabilidade de alguns personagens. A protagonista, no primeiro ato, fica falando sozinha, um recurso bem de telenovela. Fora isso, ela adquire um dom de auto-defesa que não me pareceu nada crível. Enfim, personagens irritantes e vilões caricatos. O que se salva de verdade no filme é a fotografia.

Vovô Morsa

"Pepé le morse", de Lucrèce Andreae (2017) Escrito e dirigido pela jovem animadora francesa Lucrèce Andreae, o filme competiu no Festival de Cannes em 2017 para melhor curta e venceu vários prêmios em Festivais mundo afora, incluindo o prestigiado Caesar. O filme lida com o tema do luto se utilizando do realismo fantástico. Em uma praia isolada, o avô de uma família costumava se banhar de sol. Mas agora ele está morto. Sua esposa, sua filha e seus 3 netos vão até essa praia para jogar as cinzas. Eles não se falam entre si, e parecem apáticos em relação à morte dele, com exceção da avó. Quando a avó se rebela e joga as cinzas pro alto, coisas estranhas começam a acontecer. É um filme bem curioso, e que se apropria dos traços de animação japonesa para dar vida aos personagens. A avó se fato parece aquelas idosas dos filmes do Koree-da. Nem todo mundo deve gostar do filme, pelo elemento surreal que começa acontecer dentro da história. Mas vale assistir mesmo que por curiosidade. É um belo estudo sobre as diferentes formas de lidar com a morte e expressar as emoções reprimidas. https://vimeo.com/300147122

Icarus

"Icare", de Nicolas Boucart (2017) Excelente curta belga, um dos finalistas para o Oscar de curta 2019. O filme lida com o realismo fantástico e parece bastante o Universo do também Cineasta belgo Jaco Van Dormael, dos cults "Um homem com duas vidas"e "O novíssimo testamento". Lembra muito também os filmes do holandês Jos Sterlling, principalmente "O Holandês voador". Em uma ilha longínqua, um inventor sonha um dia que o Homem poderá voar. Para isso, ele constrói uma invenção, mas para ele, apenas uma criança pura poderá usá-la. Ele vai até o continente e traz um menino, e passa os dias treinando o garoto. Belíssimo filme, com imagens estonteantes e efeitos especiais excelentes. Os 3 atores estão ótimos ( tem um outro adolescente que trabalha como assistente do inventor, e não pode voar porquê já está velho). O filme lida com o tema da obsessão de forma brilhante. Quase sem diálogos, ele hipnotiza da primeira à última imagem.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

Sexy e marginal

“Boxcar Bertha”, de Martin Scorsese (1972) Baseado na história real de Boxcar Bertha (interpretado por uma jovem Bárbara Hershey, na época do filme namorando David Carradine) , uma mulher que viveu durante a depressão americana sob a pressão do desemprego e acaba indo parar na bandidagem e na prostituição. Moradora do sul do País, onde o racismo imperava, Bertha testemunha a morte do pai, um piloto de avião que morre durante o voo por situação precária do veículo. Bertha vai à luta, sozinha e se envolve com Bill Shelley( David Carradine), um líder sindical que luta por melhores condições de trabalho para os funcionários de uma construtora de estrada ferroviária. O melhor amigo de Bill é Von, um negro. Os patrões veem Bill como comunista e amigo de negros e o demitem. Bill, Von, Bertha e Rake, um outro trambiqueiro que Bertha conhece, se unem e iniciam assaltos a bancos. O título em português pegava carona na pornochanchada e no sexexploitation da época: de fato o filme tem cenas de nudez e isso deve ter sido com certeza o chamado do filme ( ainda mais que Scorsese estava no início da carreira e não tinha nome ainda). Esse é seu segundo longa, que tem tecnicamente alguns defeitos de um cineasta jovem, mas o roteiro é tão forte e poderoso e a sequência final é tão vibrante que faz a gente esquecer todos esses problemas. Acho que somente em “Dogville” eu aplaudo na cena torcendo pelo ato de violência de um personagem. Curiosidade:o nome do personagem de David Carradine é Bill, e acredito que Tarantino deva ter homenageado esse filme ao dar o seu nome de Bill também em “ Kill Bill”. A cena final, com um personagem crucificado no trem, é das mais lindas e potentes que já vi, e já dá indícios do cristianismo tão presente nas obras de Scorsese. tagMarcar foto

O creme

"The cream", de Jean Marie Villeneuve (2011) Premiado e exibido em diversos Festivais, esse curta francês é do tipo ame ou odeie. É uma brincadeira bizarra e fetichista sobre o Desejo, sobre a libertação de sua sexualidade, sobre o voyeurismo. Gilbert é um jovem de baixa auto-estima que corre em um dia de domingo no parque. Ao seu redor, correm homens atléticos. De repente, um deles o ultrapassa. Ao se deparar com esse mesmo homem mais adiante, Gilbert testemunha o rapaz passando um creme misterioso, que o faz se excitar. O homem oferece o creme a Gilbert. Achei divertido e os dois atores são ótimos, é um filme sem diálogos, e a cena final do orgasmo é tão patético quanto hilária, uma espécie de Jacques Tati da sacanagem. https://vimeo.com/278723975

quinta-feira, 3 de janeiro de 2019

Wi Fi Ralph- quebrando a Internet

"Ralph breaks the Internet", de Phil Johnston e Rich Moore (2018) Seis anos depois, a Pixar e a Disney dão sequência ao sucesso de "Detonando Ralph". Tava lendo comentários dos usuários no Imdb, e a maioria das pessoas deram nota baixa, considerando esse um dos piores filmes da parceria de produtoras. Não diria que fosse o pior não, mas também não figura entre os melhores. Na verdade, minha modesta opinião, nem precisava dessa sequência. filme anterior já era tão completo, terminava tão bem e dava conta da sua mensagem homenageando os jogos vintage que para mm, bastava. Mas tudo o que faz sucesso gera sequências, e infelizmente, surgiu esse "Wi Fo Ralph". Ralph e Vanellope ( nas vozes originais de John C. Reilly e Sarah Silverman) continuam amigos, mas Vanellope quer sair de sua rotina dos jogos que acabam sempre sendo a mesma coisa. Ralph resolve criar um atalho diferente no jogo dela, mas a usuária da máquina acaba quebrando o controle do jogo de fliperama. O único lugar que vende outro controle é no Ebay. Ralph, se sentindo culpado, resolve adentar o mundo da Internet junto de Vanellope para comprar o outro controle. Mas ao entraram no mundo virtual da internet, descobrem um universo totalmente diferente daquele que conheciam, além de conhecerem também os usuários virtuais e os vírus. Assistindo ao filme, fiquei imaginando a fortuna em product placement que a Disney e Pixar não ganharam nesse filme: tem todas as empresas que você imaginar: Instagram, Facebook, Imdb, Ebay, Google, Buzz video, etc etc etc. Isso sem contar com a quantidade de personagens famosos de games e filmes: Os stormtroopers de Star Wars, e o próprio Stan Lee, entre outros. Na verdade, o que mais amei, e onde rendem as melhores cenas, e quando aparecem as Princesas da Disney, todas elas, entediadas e de saco cheio desse mundo dominado pelos homens e Príncipes. Elas agora têem uma atitude mais feminista e querendo lutar pelos seus direitos, inclusive, de querer usar a roupa que quiserem. Muito bom. O restante do filme, ficou meio chato e longo, quase duas horas de desenho para crianças me parece mortal.