quarta-feira, 2 de setembro de 2026

Cu Lí never cries

"Cu Li không bao gio khóc", de Pham Ngoc Lan (2024) Co-escrito e dirigido por Pham Ngoc Lan, "Cu Lí never cries" é um drama vietnamita que ganhou o prêmio de diretor estreante no Festival de Berlim 2024. O filme é rodado em preto e braco e apresenta um Vietnã desolador, através da história de 2 mulheres de gerações distintas. Nguyen (Minh Chau) é uma aposentada que retorna para a sua casa em Hanói, após buscar as cinzas de seu marido que ela conheceu na Alemanha oriental, na época que ambos os países eram regidos pelo governo comunista. Além das cinzas, ela traz um pequeno lêmure que pertencia ao marido (Cu Lí), em vietnamita). Ao chegar em sua casa, ela encontra a sua sobrinha Van (Ha Phuong), uma jovem pcd que trabalha como professora de jardim de infância. Quang está prestes a se casar com o preguiçoso e sem ambições Quang (Xuan An Ngo). O jovem casal traz preocupações diferentes da sra Nguyen, ambas as mulheres vivendo histórias polçiticas distintas. Nguen mergulho no seu passado, enquanto Van busca encontrar o seu futuro em um casamento sem expectativas. O filme traz um branco e branco estiizado, embalado por uma trilha sonora repleta de canções que fazem um painel musical do país. Os temas propostos pelo filme transitam bem dentro do universo feminino. Na tentativa de sororidade entre duas gerações que não se compreendem, o filme procura um desfecho otimista, mas o que encontra, é o vazio e a solidão, impresso nos rostos de seus protagonistas.

The Sun, the Moon, & the Hurricane

"The Sun, the Moon, & the Hurricane", de Andri Cung (2014) Escrito e dirigido por Andri Cung, "The Sun, the Moon, & the Hurricane" é uma co-produção da Indonésia e Tailândia. O longa queer foi rodado em Bangkok, Jacarta e Bali. O filme concorreu no Festival de Vancouver. Segundo o diretor, o título do filme se refere às três fases da vida de um homem: os momentos repletos de problemas são comparados ao furacão, enquanto a juventude, cheia de histórias de amor dramáticas, é simbolizada pelo sol, e a vida adulta, mais calma e estável, é representada pela lua. O filme me fez lembrar de "Happy together", de Wong Kar Wai: estilizado, linda fotografia, belos e talentosos atores e uma trama que traz uma melancólica e conflituosa relação entre dois rapazes. As cenas homoeróticas são encenadas com poesia e sutileza, a lente da câmera fotografa os corpos nús com muito desejo e paixão. Os olhares, o t3s40 são bem captados. O filme é dividido em 3 atos, cada um se passando em um período: Em Jacarta, Rain (William Tjokro) é um jovem estudante que fica amigo do estudante Kris ((Natalius Chendana), que o defende de outros alunos. A aizade entre os dois se intensifica: Rain passa os finais de semana na casa de Kris. Kris passa a nutrir uma paixão platônica por Rain, mas teme perder a amizade e decide desaparecer. Rain por sua vez, é enrustido, e o sumiço de Kris o deixa em um vácuo. O tempo passa. Em Bangkok, Rain, já adulto e assumido, se relaciona com um garoto de programa. Anos depois, Rain recebe um convite para visitar kris, agora casado com uma mulher, em Bali,

Gohan

"Gohan", de Chayanop Boonprakob, Atta Hemwadee e Baz Poonpiriya (2025) Malditos filmes com cachorros que fazem a gente chorar trocentos litros. "Gohan" ( que em japonês significa arroz cozido) é uma produção da Tailândia, dos mesmos produtores do indicado ao Oscar de filme internacional "Como Ganhar Milhões Antes Que a Vovó Morra". O filme me fez lembrar do melancólico "Quatro vidas de um cachorro", onde um mesmo cachorro passa por diversos donos ao longo de sua vida. O cachorro tem 3 etapas, cada um com uma história diferente e um diretor distinto. Na fase filhote, ele é chamado de Gohan, e é criado por um recém aposentado chefe de uma empresa de indústria de automóveis; já adulto, ele é chamado de Brownie, e é ajudado por uma jovem que o resgata de um abrigo, ond eo maltratam; e na fase idoso, ele se chama Hani, e é encontrado por um caal de estudantes, abandonado an estação rodoviária. O filem percorre a Covid 19 na primeira história, e além do drama do animal abandonado, o roteiro apresenta os dramas de cada um de seus donos. É um filme uito triste, doloroso, que mostra um mundo cruel, que rejeita pessoas à margem da sociedade, discutindo etarismo, imigração ilegal e amores desencontrados. Obviamente os cachorros que interpretam o protagonista são lindos e fofos demais, e no final, me acabei muito.

terça-feira, 1 de setembro de 2026

O sorveteiro

"Ice cream man", de Eli Roth (2026) Os Estados Unidos devme ser o único pais do mundo que permite o uso de crianças em cenas ultraviolentas, mutilando, decapitando, estripando. Fosse no Brasil, que tem regras muito rigidas de participações de menores em cena, esse filme jamais teria sido realizado. Eli Roth co-escreve o roteiro, dirige e estrela o filme, que busca referências em crianças assassinando adultos de filmes como "Quem pode matar uma criança?", "A aldeia dos amaldiçoados" e Colheita maldita". Mas aonde ele literalmente rouba as idéias é em "Terrifier" e "A hora do mal". O personagem do sorveteiro, assim como Art the clown, tem uma composição corporal clownesca e não fala. O filme foi detonado pela crítica e recebeu críticas também por uso de IA, em cenas de animação e de composição de efeitos, além de construção de cenários. Na fictícia cidade de Bayleen Bay, um caminhão de sorvete chega. O Sorveteiro distribui sorvetes para as crianças, que passam a possuir um comportamento assasisno e a matar os adultos. Jared, por ser intolerante à lactose, não toma o sorvete. Sua irmã Lizzie vomita o sorvete e também não se contamina pelo surto. Ambos precisam fugir da cidade e avisar seus pais, que estão chegando à cidade. Fico pensando na premiere do filme, com todo o elenco infantil assistindo junto dos pais. A chacina é total, com violência gore e brutal ( por ex, em uma cena, as crianças abrem a cabeça de um professor, retiram o cérebro com uma colher e servem em uma casquinha de sorvete). Claro, tudo está sob o manto do trash, o que torna tudo aceitável. Mas ainda assim, é um filme doentio e bizarramente problemático. O elenco de uma forma geral é fraco, e difícil torcer por alguém.

I want your sex

"I want your sex", de Gregg Araki (2026) Elogiado pela crítica, "I want your sex" é o 12o longa do cineasta e roteirista queer americano Greg Araki. Depois de um hiato de 12 anos, quando rodou seu penúltimo filme "Pássaro branco na nevasca", de 2014, Araki retorna com uma trama que mistura humor ácido, drama, romance e muito erotimo chic, rondando o universo dos fetiches e do BDSM. O elenco é forte: Olivia Wilde (antes de seu mega sucesso, "O convite"), Cooper Hoffman, filho de Philip Seymour Horffman e que esteve no excelente "A longa marcha", Margareth Cho, Jonny Konxville, Mason Godding e a cantora Charli XCX, no papel de Minerva, namorada de Elliot (Hoffman). Greg Araki é um cineasta interessante, e de seus filmes, o que mais amo é "Mistérios da carne". Elliot (Hoffman) é um jovem formado em mestrado, mas desempregado. Ele consegue um emprego como estagiário da artista Erika Tracy (Wilde). Logo ela se revela uma chefe diferente: ela seduz Elliot e o traz para o seu mundo da dominação, fazendo dele um parceiro s3xu4l submisso. Elliot passa a se descobrir um pervertido. Mas logo a verdade do jogo s3xu4l se revla. Eu queia ter gostado do filme, mas não me convenceu muito. O que me prendeu a atenção foi o trabalho do elenco principal, que se diverte nas cenas de dominacão. O roteiro não me seduziu, achei tudo meio sem graça, e a proposta de erotismo, alardeado por Araki como um antídoto para a caretice da geração Z, ficou com muito freio de mão puxado. O filme começa fazendo homenagens a "Crespúsculo dos deuses"e "9 1/2 semanas de amor".

Buddy

"Buddy", de Casper Kelly (2026) Grande sensação no Festival de Sundance 2026, "Buddy" é um filme de terror que traz uma narrativa que quebra o tabu de décadas: crianças sendo assassinadas e massacradas por um assassino. De uns anos para cá, filmes como "Terrifier 3", "O telefone preto 2" e "Five nights at Freddy's 2" não têm puder de mostrar em cenas crianças sendo esfaqueadas, mutiladas, jorrando sangue. "Buddy" faz parte dessa leva, porém, trazendo uma linguagem original e bastante criativa: uma metalinguagem de séries infantis de tv dos anos 90, como "Barney', apresentam o bichinho fofo como o serial killer. Para se entender melhor a proposta do diretor e roteirista Casper Kelly, é fundamental assistir ao seu premiado e excelente curta de 2014, "Too many cooks", um precursor de "Buddy". Buddy é o protagonista de uma série de tv de grande sucesso, voltado ao público infantil. Em um mundo bastate colorido, crianças, animais falantes, um carteiro, uma enfermeira e Buddy convivem em harmonia. Mas crianças que contestam Buddy acabams endo assassinadas e substituídas por crianças da vida real, que são abduzidas quando assistem ao programa d etv em suas casas, e ao chegar no mundo de Buddy, têm sua memória apagada. Quando as crianças remanescentes percebem os crimes de Buddy, procura, fugir pela floresta, mas Buddy vai ao seu encalço. Tem uma trama paralela, apresnetando uma família na vida real, cuja mãe é abduzida para série e percebe que uma das crianças é sua filha desaparecida. O pai é o ator Topher Grace, e a mãe, Cristin Milioti. Os efeitos, a caracetrização, o visual de Buddy, a direção de arte, a trilha sonora, tudo é muito crível em sua reprodução das séries vintage dos anos 90.

Um triste e belo mundo

"Nujum al'amal w al'alam", de Cyril Aris (2025) Vencedor do pr6emio do público no Festival de Veneza 2025, "Um triste e belo mundo" foi o indicado pelo Líano à uma vaga ao Oscar de filme internacional em 2026. O filme mistura generos: drama, romance, fantasia, comédia, para apresentar a historia de amor entre Nino (Hasan Akil) e Yasmina (Mounia Akl). Ambos nasceram no mesmo dia, durante um bombardeio na maternidade. O filme acompanha os diversos encontros e desencontros das duas crianças, até se rencontrarem por um acidente nos dias atuais, já na faixa dos 30 anos de idade. Yasmina se tornou uma poderosa consultora de encomia. Nino é o chef de um famoso restaurante chique. Quando Nino dirige seu carro, acaba batendo no carro onde estão Yasmina e sua mãe. O filme tem uma narração que costura a história, que vai e volta no tempo. Toda a tajetória dos apaixonados acontece com a guerra do Líbano como pano de fundo. Yasmina é realista. Nino é otimista e sonhador. Lindamente fotografado, "Um triste e belo mundo" é exatamente como o seu título traduz. Um retrato melancólico de um país em crise, com uma história de amor como base, mas com um desfecho em aberto, que deixará muitos espectadores frustrados.

Drunken noodles

"Drunken noodles", de Lucio Castro (2025) Co-produção Argentina e Estados Unidos, "Drunken noodles" é um drama erótico queer escrito e dirigido por Lucio Castro. Rodado em Nova York, o filme concorreu ao Queer Palm no Festival de Cannes 2025. O filme acompanha o estudante universitário de arte Adnan (Latih Khalifeh), recém chegado a Nova York, Ele vai passar o verão estagiando em uma galeria de arte, onde acontecerá uma exposição de um artista, Sal. Adnan fica no apartamento de seu tio, e em troca, deve cuidar de seus gatos. Durante uma caminhada noturna, Adnan conhece um entregador de comida, Yariel (Joel Isaac), e ambos fazem s3x0 no parque. O filme apresenta um flashback, e traz o relacionamento de Adnan com um artista recluso, Sal (Ezriel Kornel), um idoso. A obra de Sal está exposta atualmente na galeria. Adnan reencontra um antigo namorado, Iggie (Matthew Risch), e passam um final de semana juntos no interior de Nova York. O filme tem uma narrativa fragmentada, alternando realismo e fantasia. Trazendo cenas homoeróticas, não explícitas, Lucio Castro traça um painel da sexualidade queer contemporânea. O ritmo é lento, a estrutura é estilizada e empostada, podendo não agradar quem busca algum filme mais convencional.

Homossexual

"Homosexual", de Toby Ross (2013) Toby Rosss é um cineasta americano que durante os anos 70 e 80, realizou diversos filmes pornográficos para a indústria gay e hetero. A partir dos anos 80, Ross abandonou o cinema pornô e passou a investir em um cinema ond eunisse erotismo e humor, seja em ficção ou documentários. "Homossexual" é um mockmentary (falso documentário)onde um entrevistador de um programa conversa com diversos homens gays, que apresnetam seus reatos de sua vivência queer. Entre os depoentes, existem dois grupos nítidos de gays: aqueles que buscam s3x0 e aqueles que procuram relacionamentos. Cada depoimento apresenta uma reconstituição, o que faz o filme ser dividido em pequenos episódios. Boa parte deles apresenta conteúdo explícito, muitas vezes com doses de humor. Rodado em Los Angeles, "Homossexual" é um exemplo do cinema de resistência gay, proveniente de uma narrativa e linguagem dos filmes doa anos 70, com um olhar sobre a liberdade s3xu4l, sem culpa, representado por um elenco de atores de corpos másculos e viris.

segunda-feira, 31 de agosto de 2026

Virgens acorrentadas

"Virgin Cheerleaders in Chains", de Paulo Biscaia Filho e Gary McClain Gannaway (2018) Rodado em Austin, Texas, "Virgens acorrentadas" é um terror indie americano, dirigido por um brasileiro: Paulo Biscaia Filho. Biscaia é um prolífico cineasta e diretor de teatro curitibano e realizador de mais de 20 projetos, entre longas, séries e curtas. Durante a participação em um fetsival americano, Biscaia conheceu o produtor e roteirista Gary McClain Gannaway, e juntos trabalharam no filme, sendo essa a primeira produção internacional do diretor brasileiro. O filme tem uma trama que faz homenagens explícitas ao seminal 'O massacre da serra elétrica" e ao mesmo tempo, traz uma metalinguagem sobre o audiovisual. Shane (Ezekiel Z. Swinford) é um cineasta indie que junto de sua namorada Chloe (Kelsey Pribilski) , decidem realizar um filme de terror. Eles contactam garotas strippers para o elenco e ao procurarem uma locação para filmar, se deparam com uma família que mora em uma casa isolada. Só não poderiam imaginar que a família, composta por sádicos, estivesse a fim de reescrever o roteiro e realizar uma grande chacina. O filme ssume totalmente o seu lado de filmes B, trazendo muitas linguagens do audiovisual subversivo, como a quebra da quarta parede, riscos na imagem ( uma referência ao cinema grindhouse dos anos 70) e cenas de violência gore repleta de sangue jorrando e corpos mutilados. Uma grande diversão para quem curte o cinema trash, com muitos gritos, performances amadoras e sangue na tela.

Marsupilami

"Marsupilami", de Philippe Lacheau (2025) Um enorme sucesso de bilheteria na França com 6 milhões de espectadores, "Marsupilami" é uma comédia de aventuras familiar dirigida por Philippe Lacheau, na linha de "ET, o extraterrestre", que inclusive é homenageado no filme com a famosa cena da bicicleta voadora e na trilha sonora que em muitos momentos, remete à icônica trilha de John Willians. O filme é a 2a adaptação para os cinemas dos quandrinhos Marsupilami, um personagem de quadrinhos franco-belga criado por André Franquin em 1952. Filmado na Tailândia, "Marsupilami" é a essência do filme família: bichinho fofo, criança como um dos protagonistas, ação, vilões atrapalhados, heróis carismáticos e muita bobeira e ingenuidade para que a criançada pequena possa entender e se divertir. A históri é bem batida e bastante óbvia e previsivel. Para salvar seu emprego após uma gafe, David Ticoule concorda em trazer um pacote misterioso da América do Sul para seu chefe, Jeffrey Malone. Ele se vê em um cruzeiro com sua ex-esposa Tess e o filho Leo, de 8 anos, que sofre com a separação dos pais. Entre a entrega do pacote e o início do cruzeiro, a equipe encontra Ricky Salsa, um ex-membro de uma boy band que se tornou um cantor solo decadente, e se vê seguido por Pablito Camaron, que parece determinado a ficar com o pacote para si. Tudo sai do controle quando se revela o conteúdo da caixa: um marsupilami bebê. O filme tem um ritmo arrastado para um filme de aventura, e as piadas são bobas demais. Mas como fez muito sucesso de bilheteria, talvez o apelo seja o personagem do Marsupial, que é um icone na França e Bélgica, assim como é Tintin.

sábado, 29 de agosto de 2026

The Night Is Short, Walk on Girl

"Yoru wa Mijikashi Aruke yo Otome", de Masaaki Yuasa (2017) Premiada animação japonesa, "The Night Is Short, Walk on Girl" concorreu em Rotterdan, festival focado em narrativas mais experimentais. O filme é adaptado do anime "The tatame galaxy", de Tomihiko Morimi. A trama central é simples: Ambientada em Kyoto, a história acompanha uma noite na vida de dois estudantes universitários: Senpai, um rapaz tímido que decide que nessa noite, ele declarará o seu amor para Kohai. No bar, um desenhista, Todô, flerta com Kohai, mas ela bate nele, quando ele se revla um abusador. Dois outros estudantes, Higuchi e Hanuki, enaltecem a atitude de Kohai e decidem levá-la para pererrinar por divesos bares, onde ela consome altas doses de bebidas alcóolicas. SEnpai decide ir até uma livraria e procurar um livro que foi essencial na infância de Kohai, para dar de presente à ela. Fácil de reusmir, mas complexo de assistir: o filme traz uma narrativa experimental, onde personagens e situações surreais vão acontecendo nessa noite, até umd esfecho happy end. Achei tudo muito confuso, e apesar das imagens e traços interessantes, o filme não me pegou.

No caminho

"En el camino", de David Pablos (2025) Indicado pelo México à uma vaga ao Oscar de filme internacional 2027, "No caminho" é escrito e dirigido por David Pablos, mesmo realizador dos dramas eróticos "O baile dos 41" e "Las elegidas". "No caminho" venceu no Festival de Veneza 2025 os prêmios "Horizontes" e Queer lion, dedicado a filmes de temáticas lgbt. Assistindo ao filme, vi muitas referências a esse faroeste gay contemporâneo, repleto de cenas de violência e s3x0 homoerótico:"Bonnie e Clyde", "Plata queimada", "Drive", "Happy together", "Onde os fracos não têm vez". Assim como "O baile dos 41", as lentes de David Pablos estilizam as cenas de s3x0, a nudez, a paixão entre homens brutos e sem salvação, vítimas de um mundo homofóbico, brutal e árido, e que se conectam através de uma paixão de necessidade de redenção. Veneno (Victor Prieto Simental), assim como outros rapazes de sua cidade, foi acolhido por um mafioso gay, que os ostenta com uma vida de luxo, em troca de s3x0. Mas esse mesmo mafioso decide matar os rapazes quando eles fogem à rígida regra do relacionamento tóxico e violento. Veneno foge com sacos de cocaína pertencentes ao mafioso e se prostitui na estrada para caminhoneiros. Um dia, ele conhece Muneco (Oswaldo Sanchez), um caminhoneiro bruto e reservado. Ele convence Muneco a levá-lo para o norte do México, em troca de lhe dar uma parte da venda das drogas. Muneco entra na jogada e vendem para camihoneiros, tomando cuidado para que traficantes de cartéis não so decsubram. Com o passar dos dias, Muneco, que é hetero, casado e com filhos, vai se rendendo ao charme perigoso de Veneno e começam um relacionamento. O filme é repleto de imagens etsilizadas, capturadas pela fotografa Ximena Amann, com cores hiper saturadas e realistas. Os dois atores principais estão incríveis, trazendo carisma o suficiente para fazer o espectador torcer pelo amor bandido de ambos.

sexta-feira, 28 de agosto de 2026

Acampamento Miasma - Adolescência, Sexo e Morte

"Teenage Sex and Death at Camp Miasma", de Jane Schoenbrun (2026) Escrito e dirigido por Jane Schoenbrun, cineasta trans não binária e realizadora do aclamado "I saw the tv glow". O filme concorreu no Festival de Cannes 2026 na Mostra un certan regard, e levou o Queer Palm, dedicado a filmes de temática lgbt. O filme tem uma trama que achei confusa, fazendo uma metáfora sobre a descoberta do orgasmo por um casal lésbico, vítimas de abusos s3xu41s e que por isso, travaram em seus relacionamentos. O vilão, uma espécie de Jason de "Sexta feira 13", se chama "Little death", que significa orgasmo em francês. Kris (Hannah Einbinder) é uma cineasta queer indie, que foi aclamada em Sundance. Ela foi convidada a dirigir um reboot de "Campo Miasma"(uma referência explícita a "Sexta feira 13", cujo original foi lançado nos anos 80 com muito sucesso, mas teve a sua imagem destruída pelas inúmeras continuações. Kris é obcecada pelo filme original, e decide ir atrás de sua protagonista, Billy (Gillian Anderson). Ela descobre que Billy mora no acampamento que foi locação do filme original. Billy confidencia que foi abusada no set do filme, cujo vilão, Little death, eta um menino trans e por isso, foi afogado pelas crianças do acampamento. "Acampamento Miasma - Adolescência, Sexo e Morte" alterna a história de Kris e Billy, e também, cenas do filme original, e em determinando momento, as duas tramas se misturam, numa metalinguagem, tendo kris desempenhando o papel da final girl, com little death atrás dela. Confesso que não sou fã dos filmes de Jane Schoenbrun: não curti "I saw the th glow", e nem "Acampamento Miasma". Louvo o olhar cinéfilo da cineasta, trazendo muitas referências de filmes clássicos (Gillian Anderson encarna uma espécie de Norma Desmond de "O crepúsculo dos deuses".

quinta-feira, 27 de agosto de 2026

Too many cooks

"Too many cooks", de Casper Kelly (2011) Com o recente sucesso de "Buddy", terror slasher escrito e dirigido por Casper Kelly em Sundance 2026, onde ele faz uma paródia de terror do dinossauro Barney e as séries infantis de tv dos anos 90, as redes sociais desenterraram seu curta de 2011, "Too many cooks". O filme na época chegou a viralizar e se tornar meme. O curta consiste em uma abertura fictícia de um sitcom americano, e ao longo do filme o elenco vai mudando, e também, o gênero. Mas o que interessa é a presença de um serial killer, sempre escondido ao fundo de cada segmento, e que no final, vai assassinando o elenco. Com uma narrativa surreal e subversiva, e uma música tema enfadonha e hipnótica, o filme parodia as aberturas de series famosas, como "A muher maravilha", "Battlestar galactica", Dallas", "Dinastia", 'Seinfeld", 'Alf, o eteimoso", entre outros. A edição é excelente, além da fotografia, que brinca com filtros vintage e com iluminação que varia de acordo com o Gênero: comédia, policial, terror, ficção científica, animação. Uma aula de paródia e de narrativa.

The odissey

"The Odissey", de Marcel Walz (2026) Eu fico impressionado com a rapidez com que a produtora indie americana The Asylum consegue realizar e lançar filmes pegando carona em mega blockbusters, além da enorme cara de pau de pegar caona em nomes e títulos. Segundo a Wikipedia, "The asylum é uma produtora e distribuidora americana famosa por criar filmes de baixo orçamento conhecidos como mockbusters — imitações de grandes produções de Hollywood lançadas com nomes e capas parecidos para confundir o público." Seu maior sucesso é "Sharknado", que se tornou viral. A bola da vez é "A odisséia", de Christopher Nolan. A versão da Asylum foi rodada em 12 dias, em West Virginia. O filme como um todo foi gerado em Ai: os cenários, monstros, embarcações, mar, tudo. Apenas os atores e uma locação 1a beira de um lago são reais. A história pega carona em quase todo o roteiro de Nolan, deixando de fora a Bruxa de Samantha Morton, mas todo o restante está ali: Ataque à Troia, as sereias, a tempestade e redemoinho, o monstro de oito cabeças, o Cíclopes...aqui ainda acrescentam a Deusa Atena. A ninfa de Charlize Theron também não existe aqui, nem a ilha dos mortos. O desfecho foi alterado, com o Cíclopes retornando à Itaca. Obviamente tudo é trash e tosco, e claro, motivo de muitas gargalhadas. O excesso de diálogos estraga a brincadeira e torna o filme mais arrastado do que deveria ser, pela proposta zoada dele.

A mulher da fila

"La mujer de la fila", de Benjamín Ávila (2025) Co-escrito e dirigido por Benjamín Ávila, "A mulher da fila" é baseado na história real de Andrea Casamento, fundadora da ACIFAD (Associação Civil de Familiares de Presos), uma organização argentina que luta pelos direitos de familiares de detentos. No ano de 2001, em Buenos Aires, a viúva Andrea (Natalia Oreiro), mãe de 3 filhos, Gustavo (Federico Heinrich), de 18 anos e os pequenos Matías (Juan Pedro Rodríguez Isturiz) e Martina (Julieta Rodríguez Isturiz), trabalha no ramo imobiliário e conta com o apoio da mãe, Alicia (Lide Uranga). Um dia, a polícia invade a sua casa, procurando por Gustavo, que eles acusam de fazer parte da quadrilha de um traficante. Gustavo vai preso, sem provas, e vai para um sistema prisional afastado da cidade. Sua mãe vai visitá-lo e logo entende que sue privilégio burgu6es não faz diferença: precisa enfrentar filas, ser revistada. COm o tempo, ela se mistura à outras mães. Nos 8 meses onde frequentou o presídio viistando seu filho, Andrea rev6e o seu conceito sobre a sociedade, as classes sociais e seu preocnceito contra o sistema prisional. Ela acaba se apaixonando pelo preso Alejo, que ajuda Gustavo a sobreviver lá dentro. Durante 14 anos, Andrea visitou a prisão, visitando Alejo, que acabou saindo em 2019. Eles se casaram e tiveram um filho. "A mulher da fila" ganhou o premio de melhor filme no Fetsival de Málaga, co-produzido Argentina e Espanha. O diretor Benjamin Avila já havia lançado em 2011 o premiado "Infância clandestina". Natalia Oreiro é o grande destaque do filme, que foi acusado por críticos de romantizar o sistema carcerário.

Blind mountain

"Mang shan", de Yang Li (2007) Escrito e dirigido por Yang Li, "Blind mountain" brutal, cruel, angustiante, violento. É muito difícil indicar o filme para alguém, por conta de sua natureza aterrorizante. O filme concorreu nos Festivais de Cannes e de Sundnace, e certamente surtirá muitos debates sobre direitos humanos e violência contra às mulheres. O filme é ambientado no início dos anos 90, no norte da China. O governo chinês prega a política do filho único. As bebês do sexo feminino normalmente são afogadas nas regiões pobres e rurais. Por conta da ausência de mulheres para casar, as famílias compram garotas que são sequestradas e obrigadas a conviver um matrimônio à força. Bai (Lu Huang) é um ajovem que terminou a faculdade. Querendo ajudar sua família endividada, ela aceita um trabalho para vender ervas na montanha remota. Mas ao chegar lá, ela decsobre que o recrutador que a contratou se fez passar por seu pai e a vendeu para se casar com um homem bruto, Huang (Youan Yang). Bai tenta fugir, mas é impossível. Ela se nega a se casar, mas é 3stupr4d4. Toda a vila é conivente com os casamentos forçados. Bai procura todo o tipo de ajuda, foge, mas sempre é arrastada de volta. Não esperem um momento de otimismo no filme. Até o último segundo, é sofrimento, torturas psicológicas, abusos de todos os tipos. "Blind mountain" é um filme sádico, que não traz respiro para a sua protagonista. Lu Huang tem um desempenho visceral e deve ter sofrido muito em desgastes físicos e emocionais para compor a personagem. O restante do elenco é formado por não atores, escalados no vilarejo.

Muito prazer

"Muito prazer", de Jorge Furtado (2026) Escrito e dirigido por Jorge Furtado, "Muito prazer" tem uma premissa bem parecida com "Saneamento básico", um de seus filmes mais conhecidos: personagens amadores e anônimos decidem montar uma equipe de filmagem e fazer filmes, no caso 3r0tic0s, para viralizar na internet e ganhar dinheiro com as visualizações. Obviamente, esse mote garante boas piadas e risadas, pela forma tosca e desengonçada que os personagens dirigem e atuam nos filmes, dessa vez auxiliados pela AI. O elenco é composto por um time de excelentes atores: Daniel de Oliveira, Luísa Arraes, Samantha Jones, Drica Moraes, a ótima revelação Felipe Veloso e atores gaúchos em participações divertidas. Daniel de Oliveira é Rubem: um rapaz solitário, formado em administração mas que sucumbiu ao desemprego e acabou como motorista de app. Com a morte de seu tio, Rubem herda um motel falido: Pérola. Rubem descobre que o Motel está cheio de dívidas e decadente. Ao entrar no estabelecimento, Rubem conhece Grace (Arraes), uma ex-funcionária que acabou moranndo por lá mesmo, uma forma de compensar a falta de pagamento de seus salários. Os dois decidem reativar o local, com muito custo: são assaltados, e o motel da frente faz uma forte concorrência. Grace acaba tendo uma idéia para ganharem dinheiro: colocar câmeras escondidas, gravar os casais fazendo s3x0 e mudarem seus rostos. Para isso, eles contam com a ajuda de Nalva (Jones), uma expert em computação e Ai. O filme se concentra quase todo no Motel e com poucos atores, funcionando às vezes quase que como uma peça teatral. Jorge Furtado, grande conhecedor do gosto popular, inclui diálogos rápidos e engraçados, e faz o filme para um público amplo, evitando apertar demais no 3r0t1sm0 e com isso, afastar a platéia. Por isso, aposta na ingenuidade dos personagens e nas situações, e o s3x0 nunca é visto, apenas sugerido em momentos engraçados.

No hit wonder

"No hit wonder", de Florian Dietrich (2025) Comédia dramática alemã, "No hit wonder" traz o mote bem batido de um loser que se une a um grupo de losers como ele e juntos ganham confiança e auo estima para vencer na vida. Daniel Nowak (Florian David Fitz) teve um hit estrondoso que o alçou ao mega sucesso. O problema é que foi o único hit, e nunca mais Daniel fez outro sucesso. Assim como a fama e sucesso vieram rápido, a decadência e ostracismo chegaram em seguida. Deprimido e isolado, Daniel tenta o su1c1d10, mas o tiro não o mata. Daniel acorda em um hospital psiquiátrico. Lá, ele conhece a enfermeira Lissi (Nora Tschirner), que na verdade, é uma estudante que vê em Daniel a sua chance de escrever a tese de doutorado perfeita. Lizzi convida Daniel para participar do coral do hospital psiquiátrico como forma de motivar seus estudos, e estimular a todos os integrantes a encontrarem na música, uma forma de encararem a vida de forma positiva. O filme é simpático e segue sem muitas surpresas na história. As músicas ecsolhidas são conhecidas e ajuda o público a se conectar: "Get lucky", "Come on Eileen". Os atores são carismáticos. A duração é longa, quase 2 horas, e se tivess euns 20 minutos a menos, seria mais efetivo e dinâmico.

quarta-feira, 26 de agosto de 2026

Manila

"Manila", de Adolfo Alix Jr. e Raya Martin (2009) Os filmes filipinos geralmente transitam em dramas sobre personagens perifericos que tentam sobreviver diante da miséria e da violência. "Manila" é uma homenagem a dois filmes seminais e dois cineastas já falecidos: Lino Brocka e seu clássico "Jaguar", e Ishmael Bernal com "Manila by night". O filme "Manila" é dividido em 2 histórias, uma ocorrendo, de dia, a outra, de noite. O protagonista é Piolo Pascual, também co-produtor do filme. No segmento "Day", Piolo Pascual interpreta William, um viciado em drogas que tenta reconstruir seu senso de identidade e se reconectar com as pessoas ao seu redor. No segmento "Night", Piolo interpreta Philip, um guarda-costas do filho de um prefeito que acredita erroneamente que seu chefe o considera parte da família. O filme é rodado em 16 mm, preto e branco. Infelizmente, "Manila" não chega no nível dos filmes que procura homenagear. Faltou a roteiro mais intensidade draática, os personagens já são bem batidos e sme nenhuma novidade. Mas vale pelo olhar desolador da capital das Filipinas, e a decadência da sociedade, retratada com tintas melancólicas.

Chocolate

"Chocolate", de Prachya Pinkaew (2008) O cineasta Quentin Tarantino classificou o thriller de ação tailandês "Chocolate" em 17o lugar na sua lista dos 20 filmes favoritos do século 21, elogiando as suas sequências de luta. O diretor Prachya Pinkaew é o mesmo da franquia de sucesso "Ong bank". Novamente, as lutas marciais são focadas no Muai Thay. A protagonista é a jovem JeeJa Yanin, campeã de Thai kwen Do aos 14 anos e que levou 4 anos treinando Muai Thay para fazer a personagem. "Chocolate" foi um grande sucesso de crítica e bilheteria. Existem pelo menos 3 sequências que já valem todo o filme: a quadrilha de assassina strans; a luta entre Zen, uma jovem autista contra um lutador portador de síndrome de tourette e a batalha final, entre lajes e muretas. Zin (Ammara Siripong) é amante de um mafioso tailandês, No 8 (Pongpat Wachirabunjong). Ela é uma asassina que cobra dívidas para No 8. Mas ela acaba se apaixonando pelo Yakuza Masashi (Hiroshi Abe). Os dois vivem felizes até que o nº 8 os separa à força por meio de ameaças, enviando Misashi de volta ao Japão e interrompendo toda a comunicação entre eles. Zin, ao perceber que está grávida, muda-se para um apartamento e cria sua filha. Zen, nasce autista e de tanto assistir a filmes e séries de ação, acaba aprendendo a lutar. Zin adota um garot, Moon, que se torna amigo de Zen e a ajuda a treinar. Quando Zind escobre estar com câncer, sua filha e Moon decidem cobrar dívidas antigas de credores para poder conseguir dinheiro e custear as despesas com hospital. No 8 descobre e decide eliminar a todos. O filme é uma grande diversão, com um roteiro melodramático com cenas tocantes, e muitas lutas inverossímeis e por isso mesmo, geniais. A ariz que interpreta Zen e seu amigo Moon são muito carismáticos. O vilão No 8 é o supra sumo da maldade, uma caricatura odiosa e bem defendida por Pongpat Wachirabunjong .

terça-feira, 25 de agosto de 2026

Tenement

"Tenement", de Can Baran (2023) Drama turco co-escrito e dirigido por Can Baran, vencedor de menção honrosa no Festival internacional da Grécia. "Tenement" é um curta que epxlora a vida de um zelador, Serkan (Sevki Cepa), que vive solitário em seu pequeno apartamento em um condomínio. Ele vive uma rotina servindo os os moradores do prédio. Na ausência dos moradores, Serkan entra nos apatamentos e vivencia suas vidas: olha fotografias, os ambientes. Quando ele entra no apartamento de Yucel, um idoso solitário, Serkan se vê nele. Ele encontra fitas onde stão gravados aúdios de Yucel, afirmando estar com Alzhemier, e guardando as suas memórias nas fitas. "Tenement" é um filme minimalista, simples, e que retrata a solidão e de que forma as memórias, através de áudis e fotografias, se tornam engrenagens fundamentais para se mante a sanidade mental.

Mansyon

"Mansyon", de Joel Ruiz (2005) Escrito e dirigido por Joel Ruiz, "Mansyon" é um premiado drama filipino de 2005, que muitos críticos comentaram ser precursor de "Parasita", de 2019. O filme apresenta um casal de empregados: Dolores (Roselyn Perez) e Ambo (Jess Evardone). Eles são entrevistados para vagas de empregada e jardineiro, respectivamente. Os patrões passarão 3 meses fora e querem que eles mantenham tudo arrumado e limpo. OS dias se passam, com muita presteza na arrumação da mansão e do jardim. Mas quando Dolores esbarra em um frasco de perfume e deixa derrubar o perfume, ela sente um impulso de querer se passar pela patroa: veste suas roupas, dorme na sua cama, trazendo seu companheiro junto, e assim, vivenciar uma vida de luxo que ele sjamais teriam chance de ter. Mas os patrões retornam antes. Mesmo sendo drama, "Mansyon" tem uma fina ironia, com momentos que, dependendo do olhar do espectador, podem ser divertidos ou trágicos. É um filme de silêncios, de observação, com ritmo lento, acentuando a rotina e monotonia do casal. Os dois atores estão bem em seus papéis, e é impossível o espectador não se simpatizar com eles.

Live show

"Live show", de Jose Javier Reyes (2000) Escrito e dirigido por Jose Javier Reyes, "Live show" é um drama erótico filipino que foi exibido no Festival de Berlim em 2000. Probido pelo governo e liberado um ano depois, mas com restrições, o filme inicialmente se chamava "Toro", que significa os shows de s3x0 ao vivo. Como muitos dramas filipinos, "Live show" apresenta personagens que vivem na periferia miserável de Manilla, e precisam recorrer à prostituiçao e casas de s3x0 ao vivo para sobreviver. Roily é filho de uma prostituta que está doente. Ele se prostitui nas ruas para clientes gays, e de noite, se exibe em casas de s3x0 ao vivo, onde clientes observam friamente, casais em atos s3xu41s. O filme apresenta outros personagens da noite: uma jovem mãe que se exibe na casa, e procura desesperadamente pelo filho que ela deu para adoção; um jovem casal precisa retornar à casa de show ao vivo, após tentativas frustradas de emprego que não aconteceram. Filmando as redondezas mais decadentes e desgraçadas de Manila, o filme não procura trazer um otimismo à trama. O personagem de Roily narra em off as vidas sem perspetiva de futuro, onde se vive o presente e a vã tentativa de sobreviver, perdendo a dignidade e se humilhando diante de pessoas que desconhecem as suas histórias. O filme traz nudez e muitas cenas de s3x0 simuladas, mas o mais degradante é ver as personagens fazendo expressões de tristeza e humilhação ao se apresentarem aos clientes.

The house of us

"Wurijip", de Yoon Ga-eun (2019) Escrito e dirigido por Yoon Ga-eun, "The house of us" é um drama sol coreano com ponto de vista de uma menina de 12 anos. É um drama contundente que me lembrou de "Ninguém pode saber", de Koreeda, sobre filhos abandonados pelos pais. Hana (Na-yeon Kim) mora com seu irmão Chan, de 16 anos, e seus pais. Hana é a mais estudiosa de sua turma. Mas ela sofre com as constantes brigas de seus pais, e fica cada vez mais isolada de seu irmão. Hana tenta de tudo para manter a felicidade de sua família, desejando a união, mas a tarefa se torna cada vez mais difícil. Ao ir ao mercado fazer compras, hana conhece duas meninas, Yoomi, de 9 anos, e Yoojin, de 7. Elas moram sozinhas em um apartamento, enquanto os pais trabalham fora em outra cidade. Hana faz amizade com as meninas e as protege, identificando a sua história com a delas. Quando vi o poster, pensei que seria um coming of age solar, mas fiquei surpreso o quanto o filme é melancólico e depressivo. A fotografia traz alternantes de dias ensolarados com interiores mais frios, intensificando emoções. As atrizes mirins são todas muito boas, trazendo performances naturalistas, espontâneas. Um olhar cruel sobre o mundo dos adultos, mediante a observação das crianças.

Follies

"Folichonneries", de Eric K. Boulianne (2025) Co-escrito e dirigido por Eric K. Boulianne, "Follies" é uma comédia erótica canadense, falada em francês. Poderia perfeitamente ser uma continuação do filme "O convite", de Olivia Wilde, se considerarmos que o casal de Seth Rogen e Olivia WIlde tivessem topdao participar de festas de swings. Menção especial no Festival de Locarno 2025, e rodado em película 16 mm, "Follies" é repleto de cenas de s3x0, envolvendo Bdsm, fetiches e 0rg14s em clubes, com muita nudez frontal. O casal François (Eric K. Boulianne) e Julie (Catherine Chabot) estão casados há 16 anos, e são pais de 2 meninas. Mas o relacionamento entrou na rotina. Seduzidos por amigos mais jovens, eles decidem abrir a relação e participar de eventos de s3x0, fazendo s3x0 com homens e mulheres. François cada vez mais adere ao mundo do BDSM, enquanto Julie se entrga ano amor e acaba se apaixonando. Fantasia eót1c4, o filme é para adultos e apresenta muitas cenas quentes. O elenco é divertido e se entrega totalmente às propostas do filme, em jogos viscerais.

segunda-feira, 24 de agosto de 2026

El ser querido

"El ser querido", de Rodrigo Sorogoyen (2026) Concorrendo à Palma de ouro em Cannes 2026, "El ser querido" foi comparado por toda a crítica ao vencedor do grande prêmio do juri de 2025 do mesmo Festival, "Valor sentimental". Ambos os filmes retratam a relação conflituosa entre um pai cineasta e a sua filha, com quem não mantém contato há tempos. O cineasta decide escalar a filha para uma personagem, como uma forma de expiar os fantasmas entre ambos. Co-escrito e dirigido por Rodrigo Sorogoyen, mesmo diretor de As bestas", de 2022, o filme é uma co-produção Espanha e França. Esteban Martínez (Javier Bardem) é um cineasta espanhol que foi trabalhar em Hollywood e se estabeleceu como um cineasta de sucesso e formando família americana. Mas em seu 1o filme espanhol, ele teve um caso com uma atriz e teve ua filha, Emilia (Victoria Luengo), que ele nunca reconheceu. Retornando à Espanha para rodar um drama histórico, Esteban decide fazer contato com Emilia e dizer à ela que quer que ela interprete um papel no filme. Emilia, que nunca teve destaque como atriz, está receosa que a equipe descubra que ela é filha de ESteban e só foi escalada por nepotismo. Ela aceita, e a equipe segue para o norte da Africa, para rodar o filme sobre a ocupação espanhola. Mas a forma ditatorial e linha dura de Esteban dirigir, deixa a equipe e a própria Emilia tensos. O filme é longo, 134 minutos, e de ritmo lento. Só a cena inicial, de Esteban e Emilia em um restaurante, dura 15 minutos. Para quem tem curiosidade sobre bastidores de uma filmagem, vai achar interessante, ainda mais mostrando processos de ensaios com elenco. Para quem aprecisa o trabalho de Javier Bardenn, não terá do que reclamar: ele está soberbo.

Rio de sangue

"Rio de sangue", de Gustavo Bonafé (2026) Thriller de ação com temas que falam ao Brasil da violência, do desmatamento, dos grileiros, do machismo e feminicídio, da corrupção e do extremínio dos povos indígenas. "Rio de sangue" abraça diversos sub-plots e são muitos os personagens que surgem ao longo da tela. O elenco all star se equilibra com novos talentos: Giovanna Antonelli, Alice Wegmann, Antonio Calloni, Felipe Simas Sergio Menezes, Ravel Andrade, Vinicius de Oliveira e Rui Ricardo Diaz abrem espaço para o ator indígena Fidelis Baniwa, no papel do narrador do filme, Mario. O filme traz referências de filmes de ação americanos, onde uma mãe policial precisa ir atrás de sua filha sequestrada. Em São Paulo, pós uma ação desastrada que resulta em morte, a policial Patrícia (Antonelli) é jurada de morte. Ela é enviada paa o Pará, para passar um tempo com sua filha, Luiza (Wegmann), com quem acabou se distanciando, por conta do trabalho. Luíza é médica e presta serviço, junto d euma equipe, para aldeias indígenas. Garimpeiros liderados por Polaco (Calloni) e seus filhos, Jadson (Andrade) e Baleado (Simas) sequestram Luiza, após uma chacina na aldeia. Patricia precisa descobrir o paadeiro de Luiza e salvá-la. O filme traz boas cenas de ação, uma fotografia que favorece as diversas cores da Amazônia e uma edição frenética. Aqui, a história não tem erro: são as mocinhas e mocinhos lutando contra os vilões, que são muito maus. No final, o personagem de Mario costura todas as histórias, trazendo uma reflexão sobre o mundo em que vivemos.

Back to the 90's

"Back to the 90's", de Facundo Scalerandi (2026) Comédia romântica alemã com elementos fantásticos, "Back to the 90s" traz a já mega manjada trama de personagens que voltam acidentalmente ao tempo e precisam encontrar uma forma de voltar a sua época. Claro que terão muitas lições de moral pelo caminho, amores que surgem, conflitos sobre voltar à sua época ou permanecer no passado. Comparações com "Back to the future" são citados inclusive pelos personagens. O filme vai funcionar para quem gosta de filmes ingênuos, trilha sonora dos anos 90 e principalmente, ficar de olho nos 5 jovens atores, todos mega sexies e apresnetados diversas vezes em cenas de piscina, semi nús. Os produtores não são bobos e sabem que corpos masculinos atraem todos os tipos de público. Matteo (Julien Brown), Jonas (Tim Schäcker), Chris (Luis Freitag), Ben (Jacob Rott) e Oliver (Bene Schulz) são cinco melhores amigos, e compõe uma boy band nos dias atuais. Eles irão participar de um concurso de talentos, mas acreditam que sua música não é boa o suficiente. Quando um dos integrantes escuta uma música dos anos 90 em seu iphone, enviada por um anônimo, o elevador onde eles estão sofre um acidente. Els surgem em 1995, e agora precisam encontrar uma forma de voltar ao seu tempo, usando o mesmo elevador.

domingo, 23 de agosto de 2026

Just une illusion

"Just une illusion", de Olivier Nakache e Éric Toledano (2026) Dirigido pela dupla francesa que realizou os grandes sucessos "Os intocáveis", 'Samba" e "Assim é a vida", novamente o protagonista são personagens que vivm na classe marginalizada e que precisma lutar pela dignidade. O filme é ambientado em 1985, e apresenta uma família judia desfuncional de classe média: Yves (Louis Garrel), que esconde de sua família que está desempregado; Sandrine (Cammile Cottin), secretária de uma empresa e que decide comprar um computador para poder ter um uograde na profissão; Arnaud (Alexis Rosenstiehl), o adolescente rebelde e roqueiro; e Vincent (Simon Boublil), 13 anos. É dele o ponto de vista do filme: testemunhando a crise dos pais, que vivem discutindo; suas brigas com seu irmão mais velho; seus amigos da escola; seu bar Mitzvah que está chegando e principalmente, a sua grande paixão platônica, uma garota do colégio. Tem também o zelador do prédio, Ettine (Pierre Lottin), que provoca ciúmes em Yves. Alexis e Pierre Lottin trabalharam juntos em outra comédia dramática, "Ceux qui comptent". Os grandes méritos de "Just une illusion" são obviamente, seu elenco formidável de estrelas, e a trilha sonora, repleta de clássicos dos anos 80: "Just an illusion", "Eye in the sky", Holdng back the years", "In between days", "Im so excited", "I'm not in love" são alguns exemplos. O filme não é o melhor da dupla de diretores, mas traz emoção, humor e carinho o suficiente para conquistar o espectador.

Bagarre

"Bagarre", de Julien Hollande (2026) Comédia de ação francesa, co-escrita e dirigida por Julien Hollande. O filme traz uma premissa bem maluca, e as cenas de ação e a própria narrativa se permitem trazer momentos surreais, assim como eram os filmes de Jerry Zucker, de "Corra que a polícia vem aí", com a diferença que aqui, as cenas são violentas, mas dentro de um universo que remete aos violentos cartoons infantis, tipo "Pernalonga". Naim (Nassim Lyes) trabalha como garçon em um hotel 5 estrelas e ao chegar em casa, é expulso por sua namorada, que o larga na rua, junto de seu pequeno cachorro, Chipie. Naim é uma pessoa boa e altruísta, mas quando seu cachorro fica doente, ele não tem como pagar o tratamento. Durante uma briga com um cliente do hotel, Naim acaba se convencendo a fazer parte de um serviço de app chamado "Helo brawl", onde lutadores são contratados para reoslver problemas através de luta. Dessa forma, Naim poderá juntar dinheiro e custear o tratamento de Chipie. Mas após diversas lutas, Naim vai entendendo que a melhor forma de resolver as brigas, é através de uma boa conversa, o que contraria o dono do app. O filme tem ótimas cenas de porradaria, permeadas por violência e humor, com lutas coreografadas no estilo de "John Wick", só que sem uso de armas de fogo. O ator Nassim Lyes traz carisma ao seu personagem.

Once upon a time in the cinema

"Once upon a time in the cinema", de David Gleeson (2026) Escrito e dirigido por David Gleeson é uma co-produção Irlanda, Alemanha e Bélgica. O filme acontece em uma única noite e apresenta a última sessão de cinema em uma sala de cinema em uma pequena cidade na Irlanda. O filme é ambientado em meados dos anos 80, quando o VHS ja era uma realidade e muita gente deixou de ir para as salas de cinema. No filme, o último filme a ser exibido é "Breathless/Sem Fôlego", de Jim Mcbride, refilmagem de "Acossado", de Godard. O proprietário do cinema, Earl Clancy (Colin Morgan), está prestes a vender o cinema para um empresário de construção, que quer derrubar o prédio. Os funcionários do cinema tentam demovê-lo da idéia. A sala está lotada de espectadores que querem se despedir da sala, que já não oferece lucros. O ambiente está decadente: o projetor apresenta falhas, existem ratos na sala, os canos estão esturados. O filme é uma homenagem às salas de cinema, como já vimos em filmes famosos, como 'Splendor", de Ettore Scola, e "Cine Majestic". com Jim Carrey. Alternando drama e humor, é um filme que fará muita gente se emocionar pela nostalgia do grande evento que é frequentar uma sala de exibição. O filme foi rodado no Royal Cinema em Limerick, na Irlanda, que fechou em 195, e a última sessão foi "Loucademia de polícia 2". Depois, o local se torou uuma casa de show noturno.

sexta-feira, 21 de agosto de 2026

Pinocchio:unstrung

"Pinocchio:unstrung", de Rhys Frake-Waterfield (2026) Escrito e dirigido por Rhys Frake-Waterfield, "Pinocchio: unstrung" é um terror da mesma produtora inglesa que lançou "Ursinho Pooh, mel e sangue", "Peter Pan", e tantos filmes de terror slasher, aproveitando personagens famosos da infância que entraram em domínio público. "Pinocchio:unstrung" é ousado por não ter pudor em assassinar crianças barbaramente, com requintes de crueldade, com torturas e mortes claramente inspiradas em 'Terrifier". Uma cena inclusive mostra uma adolescente totalmente nu4 em banho, e chequei, ela realmente é m3n0r!! Após a morte de seus pais, o pequeno James (Cameron Bell) se muda para a casa de seu avô, Gepeto (Richard Brake). James precisa se adaptar à nova realidade na escola. Com pena de James, Gepeto cria para ele um boneco de madeira a partir de uma árvore mágica que dá vida à sua criação, Pinóquio. Sob a influência do grilo falante (Robert Englud, o eterno Freddy Kueger), Pinochiio passa a assassinar todos que atrapalham o caminho de James. Ao mesmo tempo, Pinocchio quer se tornar humano, e retira partes do corpo humano de suas vítimas e aplica em si. O filme traz referências de diversos clássicos do terror: "O iluminado", "o boneco assassino", "O labirinto do fauno", "Maníaco", entre outros. Para quem goste de slasher gore e brutal, não terá do que reclamar. E o boneco do Pinóquio, para um filme de baixo orçamento, está perfeito e muito bem desenvolvido.

A family

"A family", de Mees Peijnenburg (2026) Escrito e dirigido por Mees Peijnenburg, "A family" recebeu a menção honrosa no Festival de Berlim 2026 na Mostra geração, dedicado a filmes com temática sobre a juventude. Co-produzido e filmado pela Holanda e Bélgica, o filme é um drama sobre uma família desfuncional, formado pelos pais Jacob (Pieter Embrechts) e Maria (Carice van Houten, a Melisandre de "Game of thrones") e pelos filhos, a adolescente Nina (Celeste Holsheimer) e o menino de 11 anos Eli (Finn Vogels). O casal está em processo de divórcio. OS filhos reagem mal à separação, e são utilizados pelo pai e pela mãe como moedas de troca e motivos de briga. O caso vai para o tribunal: os filhos, isoladamente, precisam decidir com quem querem morar. A partir daí, o filme é dividido em 4 capítulos: 1- prólogo apresentando a crise e a pressão do juiz sobre os filhos 2- O filme vira ponto de vista de Nina, uma adolescente lésbica, dançarina, e como tudo rui mediante a separação, inclusive, se afastando cada ez mais de Eli 3- O filme vira Pov de Eli, que se afunda e se deprime 4- A conclusão Os 4 atores estão extraordinários, mas a cena do pequeno Eli desabando emocionalmente me comoveu. Que atuação!

Ghost in the cell

"Ghost in the cell", de Joko Anwar (2026) Exibido no Festival de Berlim 2026, "Ghost in the cell" é escrito e dirigido por Joko Anwar e co-produzido por Indonésia e Coréia do sul. Joko Anwar é um dos cineastas mais prolíficos do país, e boa parte de seus filmes se tornaram grandes sucessos de bilheteria, e referência do gênero terror. O filme traz uma estranheza na narrativa, pois mistura terror sobrenatural, comédia e drama de prisão. A penitenciária de Labuhan Angsana é uma das mais violentas e vigiadas da Indonésia. Dimas (Endy Arfia) é um jornalista investigativo, acusado de ter assassinado seu chefe na redação de jornal. Tímido, Dimas chega na prisão e é ameaçado por um dos presos. Ele logo fica proximo de outros presos, entre eles, Anggoro. No seu setor, a maioria dos presos está ali por golpes virtuais. A chegada de Dimas coincide com a chegada de um espírito vigativo, que mata as pessoas violentas, transformado-os em obras de arte com seus corpos mutilados. Para evitarem de serem as próximas vítimas, os presos oram, dançam, fazem graça, para espentar a índole violenta. O roteiro é bem bizarro, misturando cenas de gore explícito com um humor bem pastelão, principalmente nas cenas onde os presos precisam fazer alguma graça para espantar o espirito. Dependendo do que o espectador busca, o filme pode funcionar, ou ser uma grande bomba. Na metáfora, a história faz uma crítica pesada ao sistema penitenciário, ao governo cirrupto, aliado a políticos e empresários chantagistas. Os atores principais são carismáticos, e Joko Anwar ainda traz cenas homoeróticas, como um extenso plano dos presos tomando banho nús.

Kalel, 15

"Kalel, 15", de Jun Robles Lana (2019) Comovente drama queer filipino, vencedor de diversos prêmios internacionais. O filme me fez lembrar do clássico "Kids", de Larry Clark, por trazer protagonistas adolescentes, envolvidos com drogas, s3x0, prostituição e HIV. Kalel e sua mãe (interpretada por Jacklyn Jose, vencedora da Palma de Ouro em Cannes por "Ma'Rosa") saem de um hospital público. Kalel tem 15 anos e acabou de descobrir que é portador de HIV. Sua mãe está revoltada, e ao invés de apoiar o filho, ela o agride, com medo de que seus vizinhos descubram que Kalel está soropositivo. A namorada de Kalel quer fazer s3x0 com ele e perder a virgindade, mas ele a repele, pois não quer que ela se contamine. Só de raiva, ela morde a boca de Kalel e suga o sangue dele. Kalel é um gay enrustido, e está em um tremendo conflito. Ele se droga com seus amigos da escola, e quando não encontra mais apoio de ninguém, se prostitui. Um filme com excelentes performances, rodado em belíssimo preto e branco, "Kalel, 15" não faz concessões. É um filme que dificilmente seria realizado aqui no Brasil, pelos seus temas envolvendo menores de idade. Um retrato trágico e cruel da adolescência, com uma cena final avassaladora. O filme termina dizendo que nas Filipinas, o avanço do HIV entre jovens cresce a níveis assustadores.

quinta-feira, 20 de agosto de 2026

Niu Lai

"Niu lai", de Yumeng Xin (2026) Um fenômeno da animaçao chinesa, "Niu lai" (que na tradução literal, significa "Venha boi") foi considerado pelos críticos e pelo público, o "The room" da animação. Para quem não se lembra, "The room", de Tommy Wiseau, é coniderado o pior filme da história, e por isso, amado pelo público, se tornando cult e filme celebrado desde então. "Niu lai" certamente seguirá esse mesmo caminho. Todos os críticos foram unânimes em dizer que o filme é ruim em todos os quesitos: desenho, roteiro, edição, trilha, técnica. O filme foi totalmente prodduzido e criado por 2 únicas pessoas: o diretor Xin Yumeng e sua mãe, Sun Lifang. Desde a escrita do roteiro até o lançamento, o filme levou 5 anos. Eles fizeram absolutamente tudo, até a dublagem de todas as vozes. O filme custou 200 dólares, e rendeu 4 milhões de dólares: em termos de proporção de lucro entre custo e bilheteria, é o filme mais rentável da história. Mas nem tudo foram flores: quando lançado nos cinemas, em 9 dias, não levu nem 300 pessoas aos cinemas. Mas o boca a boca, os vídeos e prints do filme viralizaram nas redes sociais, e o público acabou indo assistir para conferir. E mais: o filme se tornou um case contra a invasão da Ai versus criação artesanal: afinal, mãe e filho criaram tudo utilizando um programa básico de 3D, com cara de animação feita nos anos 90 por software. O ritmo do filme, repleto de pausas sem sentido, os diálogos básicos e tati bi tati, como se fossem escritos para um público infantil, aliado à mensagens existencialistas, fizeram o público cair em gargalhadas. E ainda assim, teve quem saísse chorando do filme, pelo seu desfecho emocionante. Me lembrei da animação "Touro ferdinando" pela mensagem de heroísmo e da masculinidade e coragem que o boi recém nascido, Niu Lai, precisa enfrentar, para poder fazer parte da manada, liderada pelo pai. Niu Lai nasce mas não tem forças para se levantar. Ele conta com o apoio de sua mãe, de um pássaro e de um leopardo para enfrentar os perigos da apoximação dos lobos e dos seres humanos. Mas a maior diversão mesmo são os traços e a edição, repleta de pausas sem sentido. Um clássico do quanto pior, melhor.

Tinsman road

"Tinsman road", de Robbie Banfitch (2026) Escrito, dirigido e protagonizado por Robbie Banfitch, que também editou e produziu "Tinsman road", um found footage de suspense. Rodado em New Jersey, o filme foi realizado pelo mesmo diretor do controverso "The outwaters", um found footage de horror cósmico que diviu opiniões de crítica e público. O filme concorreu no SXSW festival. Em "Tinsman road", Robbie é um cineasta que ficou anos afastado de sua família: sua mãe, Leslie (a mãe de verdade de Robbie) e sua irmã, Noelle (Salem Belladonna). Robbie foi fazer cinema em Los Angeles. Quando sua irmã desaparece, Robbie decide retornar para New Jersey para passar um tempo com sua mãe e tentar desvender o desaparecimento de sua irmã. Leslie se torna sonâmbula e caminha pela casa de noite, acreditando que Noelle ainda esteja por ali. Robbie não acredita que Noelle esteja presente e decide entrevistar pessoas da região, até chegar em Keith, um homem solitário e rude que mora na mata e Tinsman road. Robbie realiza um filme com 2 horas de duração, uma narrativa estendida no limite do suportável. Pouca coisa acontece no filme, além da câmera acompanhar Robbie perambulando pelas ruas e fazendo divagações. VEndido como terror, o filme engana com uma suposta trama sobrenatural, que não acontece, e nos 10 minutos finais, investe mais no thriller. No restante, é um filme bem arrastado, que mostra a onipresença de seu diretor, mais interessado em se auto promover.

quarta-feira, 19 de agosto de 2026

The convenience store

"The convenience store", de Jirô Nagae (2026) Terror sobrenatural japonês, "The convenience store" lembra clássicos como "A corrente do mal" e "O grito", que trazem tramas sobre uma maldição que preisa ser passada adiante para que a vítima se livre do Mal e da ameaça da morte. O filme é adapatação do game homônimo criado em 2020. O jogo é um survival game: após receber um Sd card por u período de 4 dias segudos, totalizando 4 cartões, a pessoa, após assistir ao conteúdo, precisa fazer com que a próxima vítima assista os cartoes em um período de 4 dias, caso contrário, a pessoa mais próxima da vítima anterior irá morrer. O filme começa com um prólogo mostrando um homem assassinando sua esposa e seu filho pequeno. Logo depois, uma jovem, Tazuru Yukino , uma estudante universitária, vai trabalhar no turno da noite em uma loja de conveniência. Sozinha, ela cuida do local durante a madrugada. Um homem surge e lhe entrega um pacote, contendo um cartão SD. Ao assistir, ela vê imagens de uma mulher sendo assassinada. Na mesma noite, ela vê uma criança que se revela ser um fantasma. Na noite seguinte, ela recebe outro Sd, e assim, pelo período de 4 noites. Na última noite o gerente da loja é encontrado assassinado no porão. A polícia é acionada, e um detetive tenta desvender o mistério, entrevistando Tzuru, sem saber que ela quer lhe passar a maldição adiante. O filme, mesmo trazendo uma trama para lá de batida, tem uma atmosfera interessante e bons atores. As cenas na loja de conveniência são intrigantes e seguram a atenção do espectador.

A luta

"La lucha", de José Ángel Alayón (2025) Drama escrito por Marina Alberti e dirigido por José Ángel Alayón, "A luta" tem como pano de fundo a tradicional "Luta canária": "é um esporte tradicional originário das Ilhas Canárias, na Espanha, com raízes ancestrais que remontam aos antigos povos aborígenes (Guanches). O objetivo principal é desequilibrar o oponente e fazê-lo tocar o solo com qualquer parte do corpo que não seja a planta dos pés". Concorrendo no Festival de San Sebastian, o filme é uma co-produção Espanha e Colômbia. Na ilha de Fuerteventura, Miguel (Tomasín Padrón) e sua filha Mariana (Yazmina Estupiñán )tentam seguir em frente após a morte de sua esposa, uma perda que deixou os dois à deriva. A luta tradicional é tudo o que eles conhecem: é sua forma de conquistar um lugar no mundo. Mas o corpo de Miguel dá sinais de não ser mais o mesmo, e a raiva de Mariana a leva a romper com as regras. Ambos estão enlutados. Miguel sente o peso da idade em seu corpo. Mariana, jovem e de corpo pequeno, não tem o perfil para a luta. Mas ela quer, e seu pai fica receoso. O elenco é formado por lutadores reais da luta canária. Filmado como narrativa documental, o filme traz belas imagens, com ritmo lento, contemplativo. É um filme que me fez lembrar de "A menina de ouro", de Clint Eastwood, que traz um esporte masculino, onde mulheres também participam, focado na força físiza e na brutalidade.

terça-feira, 18 de agosto de 2026

Truly naked

"Truly naked", de Muriel d'Ansembourg (2026) Concorrendo no Festival de Berlim 2026, "Truly naked" é um drama denso, escrito e dirigido por Muriel d'Ansembourg. O filme é uma co-produção entre Holanda, Bélgica, França e Reino Unido. Os créditos iniciais, trazendo closes no corpo de uma mulher nua toda pintada de dourado, lembra a abertura de "Goldfinger', com James Bond. Mas quando o enquadramento amplia, se revela ser um set de filmagem de um filme pornô. O espectador é apresentado a Dylan (André Howard), um ator pronô decadente, e a sua parceira da cena, Lizzie (Alessa Savage), uma mulher mais jovem, que há tempos tem filmado cenas com Dylan, utilizando elementos bizarros nas cenas de s3x0. Quem filma, dirige e edita é o adolescente Alec (Caolán O'Gorman), que vem a ser filho de Dylan. Órfão de mãe, Alex é um rapaz introvertido, e que desde cedo, entendeu que o relacionamento entre um homem e uma mulher vem através de preceitos de filmes pornôs, voltados apenas aos atos e nenhum envolvimento emocional. Quando os dois precisam se mudar por conta do orçamento apertado, Alec conhece a adolescente Nina (Safiya Benaddi), sua colega de classe na high school. Nina é feminista e acaba criando um laço afetivo com Alec. Mas o rapaz não sabe como se envolver com emoções e sentimentos reais com uma muler. O filme mostra muitas cenas de s3x0 simuladas, mas com o pretexto de chocar o espectador, com nudez total e cenas fetichistas ( uma delas, no final, apresenta um menage envolvendo Dylan, Lizzie e um polvo gigante vivo!!!!) É um filme ousado, corajoso, pervertido, que encontra um elenco disposto a enfrentar situações constrangedoras. O tema discute relacionamentos tóxicos, abusivos, misoginia e principalmente, a masculinidade red pill, na relaçcão pai e filho.

Nada entre los dos

"Nada entre lod dos", de Juan Taratuto (2026) Co-escrito e dirigido por Juan Taratuto, "Nada entre los dos" é uma co-produção Argentina e Uruguai, e foi filmada em Montevideu e Punta del Leste. O filme apresenta dois executivos de uma mesma empresa alimentícia, Guillermo (Gael Garcia Bernal) e Mechi (Natalia Orero). Eles não se conhecem. Ele é do México, ela vem de Buenos Aires. Guillermo é casado e tem um filho adolescente, e vive um relacionamento que caiu na rotina. Mechi está prestes a se divorciar de seu marido, e mantém uma relação difíicl com sua filha adolescente Nesse final de semana onde Guillermo e Mechi participam de reuniões, os dois acabam se apaixonandoe. vivem um romance tórrido, sem culpa nem ressentimentos. Certamente muitos casais irão assistir ao filme e se ver no lugar de seus personagens. A aventura amorosa dos amantes infiéis, não encontra punição nem crise entre os dois personagens. Eles se amam, se entregam e no final, retornam aos seus respectivos. O filme traz melancolia, algum humor e principalmente, um respiro sobr possibilidades de recomeços. Lindas locações, apoiadas em uma fotografia que traz frescor aos rostos de GAel e de Natalia, que estão ótimos em seus personagens. Vale uma adaptação teatral.