domingo, 17 de junho de 2018

Uma criança como Jake

"A kid like Jake", de Silas Howard (2018) Comovente e importante drama baseado em peça de teatro de Daniel Pearle, o filme discute o delicado tema do comportamento trangenico de uma criança de 4 anos de idade. O filme tem como Cineasta o Diretor trangenico Silas Howard, que dirigiu as séries "This is us"e "Transparent", e no elenco, um trio poderoso, formado por Claire Denis, Octavia Spencer e Jim Parsons, astro de "The Big bang theory". Alex ( Denis) e Greg (Parsons) formam um casal, pais de Jake, um menino de 4 anos que ama filmes da Disney e se vê no papel de todas as princesas, inclusive , se vestindo de saia. Alex largou seu emprego de advogada para focar full time cuidando de Jake, enquanto Greg é um Psicólogo. Um dia, a consultora da escola do jardim de infância, Judy (Spencer) conversa com Jake e Greg sobre o comportamento de Jake. Os amigos deles também falam do modo de ser de Jake, e o casal, que nunca havia se preocupado com esse assunto, agora se vê numa situação totalmente adversa, e não sabem como agir. Com direção delicada e ótimas interpretações, com direito a cenas intensas, o filme, diferente do que trata o titulo, tem o foco nos pais de Jake. É um filme muito bom para ser visto e discutido em escolas e com os filhos, para entendermos que a sociedade atual, ainda que careta em vários aspectos, precisa abrir os olhos para comportamentos que não podem mais ser tapados com a peneira.

sábado, 16 de junho de 2018

Gringo- Vivo ou Morto

"Gringo", de Nash Edgerton (2018) O cineasta Nash Edgerton é irmão do Ator Joel Edgerton, que está no gigantesco elenco dessa mistura de filme de ação, drama, policial e comédia. O filme foi um retumbante fracasso nos Estado Unidos e no mundo inteiro. Mas o que poderia dar errado em um filme onde no elenco temos, além de Joel Edgerton, Charlize Theron e Amanda Seyfried? Ah, o roteiro. Esse é o grande vilão desse filme que poderia ter sido alguma espécie de homenagem aos filmes dos irmãos Coen. Mas faltou-lhe foco: são personagens demais, em uma trama nem tão original assim. Muitos dele muito mal aproveitados, como o personagem de Amanda Seyfried. E Charlize, excelente atriz, aqui está totalmente burocrática, fazendo o papel da mulher linda, gostosa, sexy, malvada e escrota. Harold ( David Oyelowo, que interpretou Martin Luther King em "Selma") é representante de vendas de uma Empresa farmacêutica presidida pela dupla de escroques Richard ( Edgerton) e Elaine (Theron). Harold está numa péssima fase: sua mulher o está abandonando, e ele é enviado até o México, para fazer acordos de venda com laboratório local. Na verdade, Elaine e Richard estão produzindo pílulas de maconha, para serem vendidas mundialmente. Quando Harold descobre que está sendo usado como laranja, ele simula seu próprio sequestro, para arrancar dinheiro dos patrões. Mas ele mal poderia imaginar que seria sequestrado de verdade. Longo, tentando forçar um humor negro que quase nunca funciona, o filme pelo menos tem boas cenas de ação. É tanta gente que vai entrando no filme, que eu fiquei imaginando que se fosse um seriado, teria sido melhor aproveitado.

sexta-feira, 15 de junho de 2018

Leon on Pete

"Leon on Pete", de Andrew Haigh (2017) Adaptação da novela escrita por Willy Vlautin, "Leon on Pete" é um drama bastante depressivo dirigido pelo ingles Andrew Haigh que gosta de realizar filmes onde a falta de comunicação entre as pessoas é o foco principal: foi assim em "Weekend", e em "45 anos". Andrew também foi um dos diretores do seriado da Hbo, "Looking". Charley mora com seu pai em Portland, Oregon. Passado dificuldades financeiras, Charley faz trabalhos temporários. Um deles, ele acaba cuidando de cavalos de corrida, e conhece Pete, um cavalo velho prestes a se aposentar. Quando descobre que o dono quer sacrificar o animal, Charley resolve roubá-lo e junto, o trailer que carrega o animal. Com um ótimo elenco de atores fazendo participações : Steve Buscemi, Chloe Sevigny. o filme comove e nos faz acompanhar o périplo muito triste de Charley, tentando botar sua vida em dia, mas a cada passo dado, ele leva um verdadeiro soco no estômago. O filme é um road movie, e no caminho vamos conhecendo personagens. Uma pena que o filme seja muito longe, mais de 2 horas! Deveriam ter editado meia hora fora! Ficou bastante cansativo e repetitivo. Graças ao talento do excelente Charlie Plummer, no papel principal, a gente mantém assistindo a filme. Ele interpretou o rapaz sequestrado em "Todo o dinheiro do mundo", de Ridley Scott. Belíssima fotografia. O filme venceu alguns prêmios Internacionais, e concorreu em Veneza 2017.

quinta-feira, 14 de junho de 2018

Direções

”Posoki", de Stephan Komandarev (2017) Excelente drama Búlgaro, competiu no Festival de Cannes 2017 na Mostra Um Certo Olhar. Partindo de um prólogo dramático e avassalador, onde um empresário à beira da falência e trabalhando como taxista atira no banqueiro que o achacava, o filme discute os rumos sociais e econômicos da Bulgaria, um país destruído pelo Comunismo que reinou por décadas. O filme é composto de varias historias, todas elas protagonizadas por taxistas e durante a mesma noite do assassinato. Com um excelente elenco ( destaque para a atriz do episódio da mulher que reconhece o seu algoz na ditadora comunista),e uma direção impressionante, conjugando excelente performance de atores com planos sequências impressionantes ( a da ponte do suicida me fez cair o queixo). O filme tem um tom bastante pessimista, e é uma forma de alertar ao mundo e à Bulgária que o Cinema é a porta de reflexão sobre novos rumos que precisam ser tomados para que o País consiga sair do buraco negro.

Hooked

“Hooked”, de Max Emerson (2017) Uma celebridade no Instagram, o Ator e Modelo Max Emerson estreia em longa metragem aos 28 anos de idade, inclusive escrevendo o roteiro do filme. Decidido a discutir o tema cada vez mais presente na sociedade americana, o abandono de jovens lgbts pelos seus pais e o consequente aumento de sem tetos nas ruas, Emerson fez imensa pesquisa sobre o tema, entrevistando centenas de jovens. Homofobia, estupro, violência doméstica geralmente são os casos relacionados, e muitos desses jovens já tentaram o suicídio. Emerson lançou uma campanha no Crowdfunding e conseguiu captar 100 mil dólares para realizar sua produção independente. Com referências explícitas ao clássico “ Pedidos na noite” , especialmente na cena onde o garoto de programa se relaciona com uma perua, acompanhamos a trajetória de Jack ( o excelente Connor Donnaly), garoto de programa que atende homens e mulheres. Jack mora com seu namorado Tom em um Hostel, e Tom quer que Jack mude de profissão. Quando Jack aceita o convite de um cliente casado para passar um tempo em Miami, ele sonha com um futuro melhor para ele e Tom ( de novo referência a “ Perdidos na noite”). Mas as coisas não surgem como o esperado. Ótima fotografia e aquela atmosfera de filme índie, é um filme bastante decente que captura a atenção do espectador por conta do carisma de Jack. O único senão, e que atrapalha bastante o filme, é o grande destaque que o filme da ao personagem do cliente casado, que tem um conflito por não se assumir e mentir para sua esposa. Ficou chato é óbvio. O filme deveria ter se atido à história de Jack e teria sido muito melhor. Mas vale ser visto pelo tema.

Alex Strangelove

"Alex Strangelove", de Craig Johnson (2018) Atenção fãs de "Com amor, Simon": vocês não podem deixar de assistir a esse delicioso "Alex Strangelove". Ambos os filmes fazem parte de uma nova leva de produções voltadas para um público Lgbts da geração Milleinum, totalmente ligada em celulares, internet e comportamentos cada vez mais liberais. Dirigido por Craig Johnson, Diretor do seriado "Looking" e da comédia romântica que eu adoro, "Irmãos Desastre", ambos produções Lgbts, o filme tem como protagonista Alex ( Daniel Doheny, a cara do Andrew Garfield mais jovem) , um aluno aplicado e nerd que conhece Claire ( Madeline Weinstein, extremamente amável e carismática). Ambos são simpáticos, cheios de amigos, criam um canal de youtube que fa zo maior sucesso. Alex no entanto, tem um grande medo: precisa perder a virgindade, e não sabe como fazer , pedindo ajuda aos amigos. Mas antes que ele e Claire transem, ele conhece Elliot ( Antonio Marziale, simpático e adorável), assumidamente gay. Alex começa a se sentir confuso, e não sabe como se relacionar com a verdade: ele é gay. Uma homenagem aos filmes do John Hughes, especialmente "A garota do rosa shocking", o filme tem um elenco muito carismático, incluindo os amigos de Alex, todos nerds. Trilha sonora muito gostosa de se ouvir, e a cena final, no baile de formatura, ao som de "The promisse", é um achado maravilhoso. Não é um filem perfeito, tem problemas de ritmo, mas vale muito ser visto

quarta-feira, 13 de junho de 2018

O filho de Jean

"Le fil de Jean", de Philippe Lioret (2016) Dirigido pelo mesmo realizador frances de "Bem vindo" e "Tudo o que desejamos", "O filho de Jean"é um drama familiar sobre perdas e recomeços, que tem como mote central a questão da paternidade. Mathieu ( Pierre Deladonchamps, de 'Um estranho no lago") é um profissional de vendas bem sucedido. Separado de sua esposa, eles possuem um filho pequeno a quem Mathieu visita regularmente. Um dia, no seu trabalho, ele recebe uma ligação falando que seu pai Jean morreu. O problema é que Mathieu nunca conheceu seu pai, que foi embora de casa quando ele era pequeno. Ele resolve viajar até o Canadá para saber um pouco sobre a história de seu pai, e é recebido por Pierre, melhor amigo de seu pai, que irá levá-lo ao funeral. Um drama corriqueiro dentro do universo familiar, o que o difere dos outros filmes é a reviravolta final, que confesso, já havia identificado logo de cara. Os atores estão bem, mas é um filme cansativo, que não me chamou muita atenção para a trama.

All male all nude

"All male all nude", de Gerald McCullouch (2017) No grande sucesso de Steven Soderrbergh, "Magic mike", acompanhamos a vida dos Strippers de um club glamuroso onde os homens tiram a roupa ( na verdade, não rola nu frontal) para mulheres taradas e cheias da grana. Mas a realidade em um Club chamado "Swinging Richards", que s elocaliza em Atlanta, Georgia, é completamente outra: os Strippers ficam totalmente nus e a platéia é toda de gays. "All male all nude" é um documentário que acompanha o dia a dia dos strippers desse famoso club de Georgia. Ali, são 60 dançarinos que toda noite ficam totalmente nus para a platéia. Mas existem regras rígidas para os strippers e para a platéia: não podem tocar os dançarinos, dinheiro apenas colocado num elástico que está no braço do performer, proibida prostituição. O filme entrevista 6 dançarinos e alguns funcionários, entre eles, o Dj e o barman. Quase todos os depoimentos dos dançarinos é bem semelhante: o sonho de ter carro e dinheiro próprio; dinheiro fácil; podendo render mais de 100 dólares em 15 minutos; a dificuldade de falar com a família sobre a profissão; alguns possuem sonhos de ter um emprego e uma faculdade; outros querem apenas curtir a vida e gastar dinheiro. Drogas estão terminantemente proibidas no local, mesmo porque, as autoridades ficam de olho no Club, e qalquer vacilo, eles fecham. A parte mais divertida dos depoimentos é quando falam do tamanho do pau: na hora de ficarem nus, alguns dançarinos apelam para apetrechos para aumentarem o penis na hora d a nudez total, mas com o tempo, o penis murcha. Ganha mais dinheiro quem tem o pau maior, e claro, rola competição entre eles. Aliás, competição entre o que tem melhor corpo, melhor sedução, melhor corpo, etc. Mesmo assim, os entrevistados alegam que o clima entre eles é ótimo e eles agem como se fossem um time de basquete unido pronto para entrar em campo. O filme não tem censura nenhuma e mostra os caras pelados quase que o tempo todo. Um filme fetiche para quem curte male striippers.

terça-feira, 12 de junho de 2018

O gato de Sodoma

"Sodom's cat", de Huang Ting-Chun (2016) Escrito e dirigido pelo Cineasta de Taiwan Huang Ting-Chun, "O gato de Sodoma" é um curta de sexo explícito de 30 minutos de duração e que fez muito sucesso em Festivais mundo afora. Primeiro filme de Taiwan abertamente falando de relacionamentos gays de forma explícita, é segundo seu Diretor, "Um filme que fala de amor através do sexo". 5 jovens se encontram para uma orgia gay, através de aplicativo de celular. Após a orgia, cada um vai para sua casa, e acompanhamos quem são essas pessoas em suas intimidades com família ou amantes. Apesar das cenas de sexo, é um filme bastante melancólico, falando do vazio existencial na vida de uma geração que descobriu o sexo através da internet e dos aplicativos para celular, e que não encontraram dificuldade para abordar a sexualidade. O sexo é fácil, os encontros são fáceis. O que é difícil de lidar, é com o vazio que reina na vida de todo mundo. Fiquei pasmo com a ousadia dos 5 jovens atores, totalmente à vontade nas cenas de sexo. Me lembrou dos filmes de Tsai min Liang, que mostra o sexo de forma fria e totalmente sem tesão.

A noite devorou o mundo

"La nuit a dévoré le monde", de Dominique Rocher (2018) Filme de zumbis francês, que lembra "O ultimo homem da terra, com Charlton Heston. Sam é um jovem que vai no apartamento de sua ex-namorada para pegar umas fitas K-7. Tá rolando uma festa, e Sam acaba se machucando. Quando ele entra no quarto para pegar as fitas, acaba adormecendo. No dia seguinte, ao acordar, ele descobre que toda Paris virou zumbi, e que provavelmente ele é o único sobrevivente. Diferente dos tradicionais filmes de zumbis, aqui o filme aposta no drama intimista de Sam. O filme quase todo acontece dentro do prédio aonde ele está, e evitando que os mortos-vivos invadam o prédio. O problema é que quem for assistir a filmes de zumbis, quer ver aquilo que mais gosta: ataques, vísceras, gritaria, correria. E aqui, isso quase não acontece. Tudo é bastante lento, e fico pensando a quem se destina esse filme: autoral demais para ser comercial, e sem sangue e tripas para atrair o público fã de chacina. e ainda escalam o ator cult Dennis Lavant, de "Sangue ruim", para encarnar um zumbi existencialista. Mas para mim, o que matou o filme foi o fato do protagonista ser totalmente sem carisma e antipático. eu queria que ele morresse logo nos primeiros dez minutos. Cara chato! E nem é culpa do ator, o norueguês Anders Danielsen Lie, mas sim das decisões idiotas do personagem.

Além do homem

"Além do homem", de Willy Biondani (2018) Rodado em Paris e em Milho Verde, Município de Minas Gerais "Além do homem" é um misto de drama, comédia caipira e um olhar de cinema independente autoral sobre um mundo em decomposição. Alberto ( Sergio Guizé) é casado com a filha de um editor de livros na França. Morando em Paris, ele renega o Brasil. Mas o sogro que confere uma missão: voltar ao Brasil e fazer uma pesquisa sobre Michel Legrave, um antropólogo francês que dizem, foi devorado pelos canibais. O filme mescla uma brasilidade folclórica onde índios canibais, misticismo religioso, mulheres fogosas e personagens matutos se misturam à uma narrativa que lembra a saga do Capitão Willard que foi incumbido de procurar saber do paradeiro do Coronel Kurtz, em "Apocalipse now". Ou até mesmo o Universo do realismo fantástico de Gabriel Garcia Marquez.

Primavera em Casablanca

"Razzia", de Nabil Ayouch (2017) O Cineasta Nabil Ayouch nasceu em Paris, mas mora e trabalha em Casablanca, Marrocos. Os seus filmes tem uma pegada socio-politica-cultural, mostrando as mazelas do regime islâmico e do machismo na sociedade massacrando sua população. Foi assim em Muito amadas", seu elogiado filme anterior, e agora em nível mais contundente, em "Primavera para Casablanca". O filme tem uma estrutura narrativa ousada e diversificada: acompanhamos 5 histórias distintas: 1 se passa em 1982, e as outras 4, em Casablanca do ano de 2010, quando houve a Primavera árabe, movimento liderado pelos jovens para derrubar a ditadura, por conta do alto nível de desemprego, busca pela liberdade de expressão e menos intolerância contra as mulheres. Na 1a história, ambientada em 1982, acompanhamos um professor que chega em um vilarejo. Ele é poeta e ensina às crianças da região no dialeto da população. Uma lei é imposta, obrigando o professor a ensinar árabe como língua oficial e abolir o dialeto, o que o professor contesta, pois as crianças não entende, Temos também a história de uma mulher liberal em crise no casamento com o seu marido machista e retrógrada; um cantor apaixonado por Freddie Mercury e que enfrenta preconceito do seu pai e seus amigos, que não aceitam seu modo de vida; uma adolescente que tenta a todo custo perder a virgindade; e um dono de restaurante judeu que sofre preconceito. Bem dirigido, com ótimas cenas de manifestação na rua, o filme tem excelente elenco. O que pesa contra, é que são personagens demais perambulando na história, o que confunde bastante. O filme faz uma crítica ao Clássico "Casablanca", que não teve nenhuma cena filmada em Marrocos, fazendo uma analogia sobre o real e a ficção.

O último suspiro

"Dans la brume", de Daniel Roby (2018) Filme catástrofe francês, um gênero raro no País, protagonizado pelos astros Romain Duris e Olga Kurylenko. Mathieu e Anna são pais de Sarah, uma adolescente com uma rara síndrome que faz com que ela precise viver dentro de uma redoma de vidro, afastada do contato externo. Um dia, um forte terremoto sacode a Europa e um gás mortal sai do subsolo e sobe para a superfície, matando a quem o respira. Os pais de Sarah precisam manter a redoma de vidro funcionando, caso contrário ela morrerá. O filme utiliza o mote do maior clichê desse tipo de filme: famílias separadas por uma tragédia e que precisam se manter unidas. Com ótimos efeitos, o filme tem um roteiro raso, que mesmo para quem for assistir a um filme catástrofe, vai achar tudo meio atropelado. No final, uma mensagem bíblica. Vale como passatempo e para quem curte referencias a Stephen King.

Sweat

"Sweat", de Noel Alejandro (2018) O Curta-metragista espanhol Noel Alejandro se especializou em realizar filmes com conteúdo de sexo explícito, mas filmado de forma autoral. Ele escala atores profissionais, que não fazem parte do Cinema porno, para darem vida aos seus personagens. Muito semelhante a proposta de John Cameron Mitchell em "Shortbus", são filmes independentes que tem tido entrada em Festivais de Cinema no mundo inteiro, apresentando ao público um olhar fetichista e extremamente erotizado das relações humanas, sem preconceitos quanto ao gênero porno. O roteiro é o mais trivial possível, apenas um pretexto para que cenas de intensidade erótica se manifestem com alta voltagem. Mullen, um descendente de árabe, está trabalhando em seu apartamento quando batem na porta, Receoso em abrir a porta, ele conversa com Christen, que veio procurar o antigo morador, amigo dele. Mullen diz que agora é ele quem mora lá, mas Cristen pede um favor, ele quer usar o banheiro. Diante da insistência, Mullen abre, e a parir daí, começa uma brincadeira verbal de gato e rato e de aparências onde se descobre que tudo fazia parte de um jogo fetichista. O curioso é ver que na ficha técnica, toda a equipe foi formado por mulheres, apesar do Diretor e dos atores serem homens.

segunda-feira, 11 de junho de 2018

O retorno do herói

"Le retour du héros ", de Laurent Tirard (2018) Deliciosa comédia com 2 dos maiores astros da França dando vida a um jogo de gato e rato, nos moldes de Kathleen Hepburn e Spencer Tracy. Jean Dujardin e Melanie Laurent estão divertidos, alegres, sensacionais na pele do picareta Capitão Neuville, e da intempestiva e briguenta Elisabeth. Alias, Melanie Laurent é uma excelente surpresa na comédia, e como ela faz bem!em 1809, na França, o país atravessa uma guerra contra o exército de Napoleão Bonaparte. O Capitão Neuville pede a mão de Pauline, filha mais nova de uma família rica e aristocrática. No entanto, ele é convocado para o front, mas promete escrever cartas diariamente para Pauline. Passam-se meses, e as cartas nunca chegam. Pauline se desespera e pega tuberculose. Sua irmã mais velha, Elisabeth, temendo que a irmã morra de tristeza, escreve cartas em nome do Capitão, descrevendo ações na guerra. Na última carta , ela relata que ele morreu. Pauline acaba se casando e tem filhos, até que um dia, o Capitão reaparece. Elisabeth se desespera, e precisa sustentar a mentira, que cresce cada vez mais. Mas ela não esperava que o Capitão se aproveitasse da mentira: ele na verdade desertou, e foi considerado um herói por conta da carta que Elisabeth escreveu. O Diretor e roteirista Laurent Tirard foi responsável por um dos filmes mais amáveis e belos que assisti: "O pequeno Nicolau". Ele também refilmou o longa argentino "Coração de leão", e desde então, tem mantido parceria com o ator Jean Dujardin. Os 2 atores parecem ter nascido para o papel e estão de verdade, impecáveis. O elenco de apoio também é muito bom, e a narrativa toda vai se desenvolvendo como um grande vaudeville. Bela fotografia de Guillaume Schiffman, nomeado para o OScar por "O Artista".

domingo, 10 de junho de 2018

A raposa má

“Le grand méchant Renard et autres contes...”, de Benjamim Renner e Patrick Imbert (2017) Animação dos mesmos realizadores de “ Ernest e Celestine”, um maravilhoso desenho que falava da amizade entre um Urso e uma rata. Agora com “ A raposa má”, eles apresentam três pequenas histórias com personagens que moram em uma fazenda: um porco, um pato, um coelho, cachorro, galinhas, e do lado de fora, um lobo malvado e uma raposa covarde. As histórias giram em torno da relação entre pais e filhos. São histórias muito engraçadas e fofas, e mesmo sendo para crianças pequenas, os adultos irão se divertir com as trabalhadas e as piadas repletas de gags. Excelente vozes dos dubladores brasileiros.

Promessa ao amanhecer

“La promesse de l'aube”, de Eric Barbieri (2017) Fascinante drama romântico com tintas de humor, protagonizado por dois grandes astros franceses, Charlotte Gainsbourg e Pierre Niney. Assisti ao filme sem me dar conta que era uma história real. A primeira parte do filme , que retrata a infância e adolescência de Romain Niney na Polônia a na França é mais divertida, com aquela chavões maravilhosos da mãe judia e super protetora vivida por uma maravilhosa Charlotte Gainsbourg. Depois, quando Niney entra em cena, o filme se torna mais dramático e melancólico, com a entrada da segunda guerra na vida deles. Romain assume o nome artístico de Romain Gary, e vem a se tornar um dos grandes romancistas franceses, também Cineasta e casado com a atriz Jean Seberg. Nina, sua mãe, desde cedo quiz que o filho fosse famoso, para jogar na cara dos que riram deles. Romain se tornou obcecado pela fama, para poder agradar sua mãe, numa relação de amor e ódio. O filme é muito bem dirigido, tem ótimas cenas de batalha aérea e um fantástico trabalho de atuação. É claro, preparem o lenço, o final é de desabar.

A excêntrica família de Gaspard

"Gaspard va au mariage", de Antony Cordier (2017) Dedicado à Cineasta e romancista francesa Catherine Breillat, autora especializada em conteúdo erótico, "A excêntrica família de Gaspard" ousa por mostrar cenas de nudez total de homens e mulheres sem qualquer tipo de pudor. As cenas de nudez poderiam ter sido suprimidas do filme, mas apresentá-la é um ato de coragem em tempos onde a caretice assola o mundo das artes. O filme é dividido em 4 capítulos. O 1o capítulo é bem divertido e rende bons momentos de humor. Mas a partir daí, o filme vai se tornando cinza, até obter um tom bastante dramático, de revisão de traumas familiares. Gaspard (Felix Moati) é um jovem que pega um trem para rever sua família, dona de um zoológico. seu pai vai casar de novo, e esse é o motivo dele voltar e passar uns dias com eles. No caminho, o trem tem seu fluxo interrompido: um grupo de ativistas se algemas nos trilhos, e entre eles, está Laura (Laetitia Dosch), que somente entrou para o grupo para poder comer um croissant. Gaspard propõe algo inusitado para Laura: que ela aceite se passar por sua namorada, e assim, ganhar dinheiro. Laura topa, e ao chegar na casa da família, testemunha uma verdadeira lavação de roupa suja de todos ali presentes: o pai que paquera todas, a irmã que se veste com pele de urso e se acha uma ursa, e o irmão todo certinho de Gaspard. Fazendo uma bela analogia entre seres humanos e animais, que se "devoram" metaforicamente, o filme interessa pelo despudor das cenas de nudez, e também, belo trabalho eficiente de todo o elenco, além da excelente fotografia de Nicolas Gaurin. O filme tem um interessante olhar bem autoral, seja através da construção das cenas, ou pelo enquadramento e a luz usada para fotografar paisagem. A cena dos irmãos dançando com luz estroboscópica é muito linda. A trilha sonora eletrônica também é bem pulsante.", de Antony Cordier.

Euforia

"Euphoria", de Lisa Langseth (2018) Em 2016, Gore Verbinsky lançou um filme chamado "A cura", que mostrava uma Instituição para milionários que ficava na região mais rica da Europa, isolado da civilização. em 2018, a Cineasta e roteirista sueca Lisa Langseth lança "Euforia", sobre duas irmãs que se reencontram e vão passar uns dias em uma Instituição para milionários em uma região rica da Europa. Existem muitas semelhanças, e claro, diferenças. Um, é filme de homens e navega na fantasia. O de Lisa, é um filme de mulheres e é um drama relista. Emilie ( Eva Green) é uma fotógrafa famosa em Nova York, e marca um reencontro com sua irmã Ines ( Alicia Vikander), com quem não fala há anos. Emilie leva Ines para uma Instituição, para passarem uns dias. Mas Ines, estranhando o porque de marcar o encontro em um lugar tão remoto, descobre uma triste realidade. Ao pé da letra, o filme é um drama de lavação de roupa suja por quase 2 horas de duração. As irmãs expõem todas as mágoas e dores que forçaram a separação delas. Charlotte Rampling participa do filme como a anfitriã do lugar, um personagem praticamente igual ao que ela interpretou em "Never let me go". O filme é a terceira parceria de Vikander com a CIneasta sueca Lisa Langseth, e também, o primeiro filme que Vikander produz em sua produtora, Vikarious Productions. Confesso que achei o filme chato e torcendo pra Emilie se matar logo.

sábado, 9 de junho de 2018

2 Cool 2 be 4 Gotten

"2 Cool 2 be 4 Gotten", de Petersen Vargas (2016) Premiado Drama filipino, que vai ficando tenso à medida que o filme avança, algo semelhante ao drama "Kinatay", de Brillante Mendoza, vencedor da Palma de Ouro em Cannes de Melhor direção. Em "Kinatay", acompanhamos a trajetória de uma prostituta que será assassinada em algumas horas. "2 cool 2 be 4 gotten" tem como pano de fundo a paixão de um estudante por um colega de turma. O filme se passa em meados dos anos 90, anos depois da erupção do vulcão Pinatubo. que matou mais de 800 pessoas e destruiu milhares de casas. Uma das casas era de Felix, rapaz de 16 anos, estudioso, mas ao mesmo tempo, sem amigos e isolado de sua turma. Seus pais moram em uma casa em uma comunidade, pois perderam tudo na erupção. Um dia, 2 novos alunos são apresentados na turma: Magnus e Maxim. Os 2 são garotos bonitos e bastante sedutores. Todos os alunos e professores ficam encantados com a beleza deles. Mas os 2 não são estudiosos. Ricos, os irmãos são filhos de pai americano militar, que foi embora para os Estados Unidos, e de mãe filipina, prostituta de luxo. Ela quem sustenta os filhos. Magnus contrata Felix para que de aulas para ele, pagando em dólar. Felix se apaixona por Magnus. Mas descobre que Maxim tem planos de matar a sua mãe, pois essa será a única forma dos irmãos poderem viajar para os Estados Unidos. Os 3 atores principais são ótimos, e dão conta de seus personagens complexos. A atriz que interpreta a mãe também é muito boa, fazendo o papel da periguete vulgar. Apesar do drama denso, o filme tem alguns momentos de humor, como quando o professor gay dá em cima de Magno, ou mesmo a professora de inglês. Ótima fotografia e direção.

Nos vemos no Paraíso

"Au revoir là-haut", de Albert Dupontel (2018) Adaptação da premiada novela escrita por Pierre Lemaitre. em 2013, "Nos vemos no Paraíso" ganhou 5 prêmios no Cesar 2018 ( Oscar da Academia francesa). É impressionante a qualidade técnica do filme: Fotografia, Direção de arte, maquiagem, trilha sonora e principalmente, efeitos especiais tanto físicos quanto de pós- produção. O filme foi dirigido pelo Ator Albert Dupontel, que fez, entre outros trabalhos de Ator, "Irreversível", de Gaspar Noé. Em "Nos vemos no Paraíso", Dupontel brilhantemente se apropria da linguagem de Jean Pierre Jeunet e de Michel Gondry para contar uma fábula de Guerra ambientada no período da 1a Guerra Mundial. Albert (Dupontel) é preso na fronteira da França com Marrocos no ano de 1920. Ele é obrigado a contar para o Oficial a sua história. A partir de então, Albert narra a estranha e curiosa história da relação de amizade dele com Edouard (Nahuel Pérez Biscayart, ator de "120 batimentos por minuto"). Ambos lutaram nas trincheiras, mas Edouard, ao salvar Albert, é ferido e perde a mandíbula. Assim como o Fantasma da ópera, Edouard passa a viver escondido, pois não quer que ninguém saiba de sua condição, muito menos seu pai, o presidente corrupto Marcel (Niels Arestrup). Edouard passa a desenhar, e a viver debaixo de máscaras, enquanto Albert encontra formas para manter os dois vivos. Visualmente, é impossível não se lembrar dos 2 cineastas citados acima. O filme tem um trabalho formidável de camera, usando e abusando de Drone e steadicam em movimentos impressionantes. É um filme que mescla gêneros como drama, comédia, fantasia, romance e suspense. Vale muito ser visto, pela originalidade da história quanto pelo excepcional trabalho técnico da produção.

Delirium

"Delirium", de Dennis Iliadis (2018) O mais curioso desse suspense é a presença do ator Leonardo DiCaprio na produção. Outro fator de interese é o Elenco: Topher Grace, um jovem ator que gosto bastante, apesar dele nunca ter estourado, e Patricia Clakrson, provando ser uma atriz bem eclética. O filme é mais um daqueles aonde o protagonista vive um mundo de alucinação, e não sabemos se o que ele vê é real ou não. Tom (Grace) é liberado de uma Clínica psiquiátrica, 20 anos depois da internação. Seu pai se suicidou, e por conta disso, Tom herdou a Mansão aonde ele vivia com a família. Por conta de uma tragédia familiar, sue irmão mais velho está em prisão perpétua e sua mãe foi embora. A tutora de Tom, Brody (Clarkson) precisa garantir de que ele não irá fugir. Tom começa a escutar barulhos na casa, e acha que ela está mal assombrada. O filme é bastante decente, apesar de duas coisas que poderiam te-lo feito ser melhor: ele é longo para um filme onde basicamente só existe um personagem. E o desfecho é ridículo. Não entendemos o que se passou na verdade, ficaram pontas em aberto. O cineasta Dennis Iliadis já havia realizado um bom filme de terror em 2009, "A última casa", refilmagem de um clássico de Wes Craven, e aqui ele executa bem alguns truques de suspense. Mas de novo, o desfecho me incomodou. Mas para quem curte um suspense, vale assistir. Produção de baixo orçamento e com técnica razoável. Perguntas Spoiler: Se alguém assistir ao filme, me responda: 1) Se o irmão estava em prisão perpétua, como conseguiu fugir? 2) Porque o pai prendeu a esposa no porão? 3) De onde surgiu esse lance do dinheiro? em nenhum momento do filme isso é mencionado e surgiu assim do nada?

sexta-feira, 8 de junho de 2018

They remain

"They remain", de Philip Gelatt (2018) Baseado em um curta chamado "30", "They remain" é um terror psicológico totalmente independente. Em um futuro sem muita referencia temporal, um casal de cientistas é levado para uma floresta para fazer o levantamento da região. Eles irão permanecer por 3 meses totalmente isolados. e avaliar se a região influencia no psicológico das pessoas. Isso porque ali havia um acampamento de um guru, onde todos os membros foram assassinados, após um surto alucinógeno. Recentemente, uma equipe do CSO esteve ali, mas também acabaram surtando e matando uns aos outros. Chato até não poder mais, e totalmente aborrecido, sem ritmo, esse terror minimalista tem muito pouco a oferecer aos fãs de filmes de terror, e a quem quiser assistir a um drama de mistério e que curta produções independentes.O roteiro deixa várias pontas em aberto, e sinceramente, se fosse um curta de 20 minutos, teria sido muito melhor do que esse longa de 1:40 horas e que onde quase nada acontece, a não ser alguns flashbacks mostrando os membros da seita sendo assassinados, mas também, nada demais. O único motivo para se querer assistir a esse filme é por conta da bela fotografia estilizada.

quinta-feira, 7 de junho de 2018

Tarântula

"Tarântula", de Aly Muritiba e Marja Calafange (2015) Escrito pelos dois realizadores, o curta "Tarântula" foi premiado em diversos Festivais, tendo sido inclusive selecionado para o Festival de Veneza em 2015. O filme é um belo exercício de terror psicológico, na linha de "Os inocentes", de Jack Clayton. Ambientado em uma casa decadente, distante de tudo e de todos, mora uma mulher com suas duas filhas, uma menor de idade, sem uma perna, e a adolescente. Elas são bastante religiosas. Um dia, surge o amante da mãe, que vem trazer uma perna mecânica para a filha. A adolescente presencia a mãe fazendo sexo com o homem. revoltada, ela conta para sua irm!a pequena que o homem é o Curupira e que foi ele quem comeu a outra perna dela. Mais do que o roteiro, o que chama a atenção no filme é a excelente fotografa, em tons escuros, de Mauricio Baggio. A luz que ele projeta na mansão decadente é assustadora. A mansão em si é um grande personagem. Enorme, ela ameaça a todos com a sua estrutura lúgubre. Um excelente horror que merecia ser visto pelo público de filmes do genero. Direção segura e inteligente, que evita os eventuais sustos bobos e cliches de quase todo filme de terror.

quarta-feira, 6 de junho de 2018

Comboio de sal e açúcar

"Comboio de Sal e Açucar", de Licinio Azevedo (2016) Adaptação do romance escrito pelo próprio Diretor e roteirista, "Comboio de sal e açúcar" foi o primeiro filme do País a ser indicado a uma vaga para o Oscar de filme estrangeiro. O Cineasta Licinio Azevedo é brasileiro, mas vive em Moçambique há mais de 30 anos, realizando documentários e ficção. ele resolveu filmar a história de um povo em guerra civil: após a independência do País com Portugal, Moçambique rachou em 2 facções revolucionárias, conflito este que matou mais de um milhão de pessoas. O filme acompanha a viagem de um trem, que leva carregamentos de açúcar e pessoas, em busca de um sonho em Malawi. Todos , militares e civis, estão cientes de que podem morrer no caminho: revolucionários os aguardam para saquear o carregamento, já que o açúcar virou moeda cara no País. Misturando uma linguagem documental ao cinema clássico ( enxerguei referencia distante dos planos épicos de Sergio Leone e até mesmo, no tema, ao clássico de John Ford, "No tempo das diligencias", que fala sobre uma diligencia que precisa atravessar uma região repleta de índios), o filme tem sue ponto forte no excelente trabalho dos atores. Um deles, o brasileiro Thiago Justino, foi inclusive preparador de elenco. Fotografia que valoriza o visual decadente de um País que se viu sucumbindo à sua desgraça social e económica, com cores fortes. A cena do parto durante um intenso tiroteio é antológica. O filme fala da guerra física e da guerra interna: uma sociedade machista, que destrata a Mulher e os idosos. Curiosidade para quem for assistir: no plano de abertura, o tema musical me lembrou bastante a trilha de "Psicose", de Hitchcock. O Filme ganhou vários prêmios Internacionais, entre eles, o da Crítica, no prestigiado Festival de Locarno.

Rec

"Al-i-ssi", de So Joon-Moon (2011) Em 2005, o Cineasta chileno Matías Bize fez muito sucesso em Festivais internacionais com o drama "Na cama", uma produção de baixíssimo orçamento, com apenas 2 atores e filmado todo dentro de um quarto de Motel. O filme rendeu refilmagens em outros países, como Brasil e Itália. O Cineasta sul coreano So Joon-Moon estréia em longa realizando uma variação dessa estrutura. Em "Rec", acompanhamos uma noite na vida do casal gay Young Joon e Joon Sook. Young tem 30 anos, Joon tem 26. Eles namoram há 5 anos, e resolvem comemorar no quarto do hotel. Entre muitas revelações, sexo e diversão, Young resolve trazer uma filmadora e captar momento especiais dessa noite. Mas uma virada narrativa irá subverter toda essa história. Com belas atuações dos 2 jovens atores, totalmente entregues aos personagens ( os atores passam boa parte do filme totalmente nus) , "Rec" brinca com a linguagem da câmera "Found footage", mas usando a favor da história. E' um filme divertido, sexy, mas também, bastante melancólico. O cineasta quiz com esse filme, apresentar a sociedade conservadora na Coréia do Sul, que ainda enfrente grande aceitação de um relacionamento homossexual, fazendo com que muitos vivam sobre fachadas. "Rec" é um filme sincero, realizado com delicadeza. Por ser bastante verborrágico, pode ser que encha o saco de quem não curte um filme com estrutura mais teatral. Mas vale assistir, até para confirmar que para se fazer um filme bom e barato, basta ter um roteiro decente e atores talentosos.

terça-feira, 5 de junho de 2018

A música do silencio

"La musica del silenzio", de Michael Radford (2017) Adaptação da biografia do Tenor e compositor italiano Andrea Bocelli, mostrando desde a sua infância até os dias de hoje. Bocelli nasceu em 1958, em uma família pobre na cidade de Lajatico, Itália. Ele nasceu com glaucoma congénito, enxergando muito pouco. Ao se matricular em uma escola para cegos, durante uma partida de futebol, ele leva uma bolada na cara e fica cego de vez. Graças a influencia de seu tio, ele estuda música e canto. Porém, quando se torna adolescente, sua voa muda e ele desiste de cantar, indo estudar direito. Mas logo a paixão pela música retorna, mas sem sucesso, indo cantar em um bar. Somente quando ele estuda com o Maestro Luciano Bettarini ( Antonio Banderas), é que ele se dedica integral à música e ao canto. Posteriormente, ele foi convidado a fazer um dueto com o astro de rock italiano Zucchero. Bocelli venceu a edição do Festival de San remo em 1994, e a partir daí, sua vida mudou completamente, se tornando em um dos maiores astros da música mundial. O filme dedica muito de seu tempo aos pais e tio de Bocelli, que se dedicaram ao tempo todo pela sua educação e deram perseverança para jamais desistir de seus sonhos. O filme, infelizmente, não está aos pés do talento de Bocelli. Os fãs provavelmente irão gostar, mas é um filme totalmente chapa branca, episódico, um erro comum aos cinebiografados. Querem contar a vida toda de uma pessoa em menos de 2 horas e aí fica tudo corrido e sem emoção. Mas o pior mesmo, ficou pela infeliz decisão de botar os atores italianos falando em inglês. Ficou ruim, falso, sem verdade. As dublagens dos atores cantando também está péssima, apesar dos atores estarem bem em seus papéis: Toby Sebastian (Toberyn Martell de "Game of throne) fazendo Bocelli adolescente e adulto. Michael Radford é um cineasta inglês, famosos por ter dirigido "1983" e "O carteiro e o poeta". ligou o automático aqui e fez o filme mais convencional possível.

Domingo de manhã

"Sunday morning", de Matthew Allen (2017) Escrito e dirigido por Matthew Allen, "Domingo de manhã" é um projeto independente todo financiado via Crowndfunding. O Diretor escreveu o projeto a partir de dados estarrecedores: o número de estupros ocorridos nos Estados Unidos aumentou consideravelmente, e 8 entre 10 casos, acontece entre pessoas conhecidas da vítima. Sean é um adolescente que esconde a sua homossexualidade. Ele tem como amigos um grupo de garotos homofóbicos, e sofre com a sua identidade velada. Uma noite, ele volta para casa acompanhado de um dos amigos, James, cujos pais estão se separando. James pede para que Sean passe a noite com ele em sua casa, alegando estar emocionalmente abalado por causa dos seus pais. Sean percebe aí uma oportunidade de experimentar sua primeira relação homossexual, pois percebe que James sente um carinho especial por ele. Para sua surpresa, James o estupra. Sean fica abalado. No dia seguinte, ele esconde o fato de todo mundo, pois James o ameaça. E pior: a partir de agora, James quer que Sean seja seu "brinquedinho" sexual. Logo no início do filme, os produtores alertam ao espectador acerca de cenas consideradas fortes demais e impróprias. Recado dado, o espectador provavelmente ficará esperto assim que tais cenas acontecerem. e aí o filme acaba, e o máximo que você viu, foi uma branda simulação de sexo. Não sei que tipo de espectador os produtores esperavam. O filme em si vale pela mensagem, mas como entretenimento, é bastante fraco, com diálogos ruins e performances constrangedoras. O Diretor provavelmente escalou amigos para os papéis, pois são todos bastante amadores. E mais: em algumas cenas, o personagem de Sean tem pesadelos: gente, que coisa ruim, parece filme trash B.

segunda-feira, 4 de junho de 2018

The tale

The tale", de Jennifer Fox (2018) Relato autobiográfico da Documentarista Jennifer Fox, dirigido pela própria. Jennifer, aos 13 anos, foi abusada sexualmente pelo seu treinador de cavalos Bill, de 40 anos. Só que na época, ela acreditava que se tratava de uma relação amorosa. Jennifer resolve escrever um conto, relatando essa história de forma romanceada. Passam-se os anos, e agora aos 48 anos, Jennifer (Laura Dern) é uma documentarista e dá aulas em uma Faculdade. Um dia, sua mãe (Ellen Burtsyn) diz que encontrou o conto e ficou chocada ao ler o conteúdo. Jennifer, que apagou sias memórias da adolescência, se recusa a acreditar que havia sido abusada sexualmente, mas as evidencias cada vez mais levam a crer de que ela foi estuprada. exibido com enorme sucesso em Sundance 2018, no auge do movimento #MeToo, o filme chegou a ser chamado de #MeToo, o Filme. de fato, é impossível não se lembrar de Harvey Westein, ou mesmo aqui no Brasil, do caso do Treinador de ginástica olímpica acusado de abusar de seus alunos menores de idade. É um filme forte, com cenas contundentes, e é bastante corajoso da roteirista e diretora Jennifer Fox se abrir de forma tão verdadeira e honesta para o espectador. Deve ter sido um verdadeiro exercício de exorcismo, poder deixar sair de dentro de si toda essa história oculta e violenta que ela carregou durante décadas. O elenco está brilhante: Laura Dern, Ellen Burstyn e a pequena Isabelle Nélisse no difícil papel de Jennifer aos 13 anos.

O último trem

"The midgnight meat train", de Ryûhei Kitamura (2008) O Diretor japonês Ryûhei Kitamura é especialista em filme de terror. Além de filmar no Japão, ele vez ou outra também filma nos Estados Unidos. "O último trem" foi lançado em 2008, e passou em brancas nuvens. Se tivesse lançado 1 ano depois, talvez a carreira do filme fosse outra. Isso porque seu protagonista, Bradley Cooper, ainda era um mero desconhecido, apesar de já estar há anos trabalhando em Tv e Cinema. Mas foi somente em 2009, com o mega sucesso de "Se beber não case", que ele se tornou uma grande estrela. "O último trem"é uma adaptação de um conto do mestre de terror Clive Barker, o mesmo que criou "Hellraiser". O conto era uma alegoria sobre um trem que representava um matadouro, e ali, seres humanos eram abatidos como gado por um serial killer, com um desfecho surpreendente. Barker queria fazer essa analogia sobre a chacina de animais ( Barker é vegano). Bradley Cooper interpreta Leon, um fotógrafo que é obrigado pela sua editora a produzir fotos mais violentas e sádicas. Uma noite, ao embarcar em uma estação de trem, ele salva uma modelo de ser estuprada por uma gangue. Ela agradece e embarca no último vagão. No dia seguinte, ela desaparece. Leon fica intrigado, e resolve embarcar nesse último trem, no ultimo horário, e testemunha um assassino matando pessoas. Leon, seduzido pelas fotos que poderá tirar, acaba não entregando o homem e resolve continuar a fazer as fotos. Com muito gore, típico dos filmes japoneses, com muito sangue falso, olhos que saltam das órbitas e cabeças degoladas, o filme diverte mas também assusta. Não queiram tentar entender o filme. ele é bizarro, a história é doida mesmo, e o desfecho, samba do crioulo doido. Mas dá para passar um bom tempo e se divertir com as mortes bem toscas.

domingo, 3 de junho de 2018

Ethel & Ernest

"Ethel & Ernest ", de Roger Mainwood (2016)( Raymond Briggs é um famoso desenhista inglês, autor de "The snowman" e outros desenhos da literatura juvenil. Raymond desenhou a graphic novel "Ethel & Ernest", onde ele resolveu homenagear os seus pais. Logo no prólogo, Raymond Briggs avisa que não há nada de extraordinário na vida de seus pais. Com essa informação, passamos a conhecer Ernest e Ethel. No ano de 1928, em Londres, Ernest, um entregador de leite da classe operária, cumprimenta Ethel, uma empregada doméstica que trabalha em uma casa de classe média alta. Um dia, ele resolve abordá-la e declarar seu amor. Ethel pede demissão e vai morar com ernest, passando a viver como dona de casa. Eles tem gostos distintos: ela é conservadora, ele é mais liberal e do partido dos trabalhadores. Aos 38 anos, dá à luz Raymond, mas é proibida pelo médico de voltar a engravidar. Os anos se passam, a 2a guerra muda a rotina da família. Finda a Guerra, Raymond deseja estudar Arte, apesar dos protestos do pai. Lindamente ilustrado, de ritmo lento mas contemplativo e bastante comovente, o filme, mesmo não tendo conflitos e reviravoltas, apresenta com muita delicadeza o dia a dia de pessoas comuns. Conhecer a rabugice da mãe que entrega um pente toda vez que o filho j[a crescido vem visitá-la, os ver os pais tomando conhecimento da união dos homossexuais e não tendo idéia do que isso queira dizer, nos fazem ficar apaixonados pelos personagens. Uma linda declaração de amor aos pais. Desfecho emocionante com as fotos reais de Ethel e Ernest.

sábado, 2 de junho de 2018

Mary Shelley

"Mary Shelley", de Haifaa Al-Mansour (2017) Cinebiografia da escritora Mary Shelley, dirigido pela Cineasta Haifaa Al-Mansour, nascida na Arábia Saudita mas residente na Inglaterra. Nascida Mary Wollstonecraft Godwin em Londres, 1797, Mary Shelley ( nome de casada depois da união com o poeta Percy Shelley) foi criada por seu pai, o filósofo William Godwin, e por sua madrasta. Sua mãe faleceu 10 dias depois que ela nasceu. Mary lia livros de terror, apesar dos protestos de seu pai. Ela acabou se casando com um dos alunos de Wiliam, o poeta Percy Shelley, que tinha um temperamento conturbado e já era casado e com filha. Mary e Percy tiveram filhos, passaram por dificuldades financeiras. Com a morte do filho, e o afastamento de Percy, Mary se isola. Encorajada pelo Lord Byron, ela escreve o livro "Frankestein". Mas por conta da sociedade machista da época, o livro foi publicado anonimamente, e muitos acreditaram que Percy foi quem escreveu. Interpretado por uma excelente Ellen Fanning, repleta de nuances, o filme ainda tem uma breve participação de Maisie Willians ( Arya Stark de "Game of thrones). O filme tem boa técnica, mas o seu ritmo é pesado, e fica com uma cara de produção de tv da BBc. Para quem quer conhecer melhor a história da autora de "Frankestein", é uma boa pedida, apesar do filme não se aprofundar na obra.

Ibiza

"Ibiza", de Alex Richanbach (2018) As mulheres só querem sexo. As mulheres viajam para fazer turismo sexual. As mulheres só querem beber. Só querem saber de baladas. Elas só querem se drogar. Elas são irresponsáveis. Elas são histéricas. Antes que alguém pense que quem escreveu esse roteiro é um homem sem noção..se enganou. A Roteirista se chama Lauryn Kahn, e ela praticamente repete todos os cliches de filmes escritos por homens onde as mulheres somente querem sexo, drogas e rock'n roll, aqui no caso, trocado por música eletrônica. O Diretor Alex Richanbach, que já produziu dezenas de filmes em Hollywood, entre eles, "O curioso caso de Benjamn Button", conseguiu vender esse projeto para a Netflix.O filme não é bom, nem ruim. Tecnicamente ele tem bela fotografia, trilha sonora bacana, locações incríveis em Barcelona, Ibiza e Nova York (Claro, NY é mostrada meio melancólica, a Espanha é sol o tempo todo e corpos desnudos). Ah sim, os espanhóis são apresentados ao público como trambiqueiros, baladeiros, as mulheres exalando sexo, e os homens todos no cio. Não sei se em tempos de "me too" e outros movimentos à favor do feminismo, se um filme onde um grupo de 3 mulheres resolvem ir para a Espanha para se divertir e não conseguem passar 1 minuto sem homens, vai ser bem aceito pelo público. Talvez a irreverência e o desejo de curtir a vida porque ela é curta demais sejam boas desculpas para abrir uma brecha. Mas o que torna tudo muito incoerente, é no último minuto do filme, a protagonista, absolutamente do nada, ter a consciência de que ela é mulher e não quer ir atrás do objeto de seu desejo, o romântico Dj interpretado por Rchard Madden ( Robb Stark de "Game of Trones"). A personagem Harper ( Gillian Jacobs), passa 99% do filme atrás do Dj, que aliás, sempre a tratou bem como uma lady. não engoli essa virada da personagem, totalmente abrupta e incoerente. No mais, algumas piadas chulas, muito sexo à la "American pie" e enfim, quem estiver a fim de assistir totalmente sem compromisso, pode ser que curta. Só digo uma coisa: que desperdício de Richard Madden no papel. Torcer para que ele vingue em um papel digno no Cinema.

Lua de Júpiter

“Jupiter holdja ”, de Kornel Mundruczó (2017) Curiosamente, assisti aos filmes anteriores do Cineasta húngaro Kornel Mundruczo em edições anteriores do Festival do Rio. Sei disso, porque os seus filmes são sempre estranhos, com elementos de alucinação, metáforas, investindo em gêneros para poder contas as suas histórias bizarras, quase sempre falando da falta de comunicação entre as pessoas. Foi assim com o Musical “Joanna”, com o drama “Projeto Frankestein” e em “Cão Branco”, esse último, uma alegoria de terror sobre os cachorros que resolvem eliminar seus donos. Kornel gosta de desafios, seus filmes são tecnicamente muito complexos. Em “Lua de Júpiter”, Kornel se apropria dos filmes de ação e aventura, quase um “X men”, para falar da questão dos refugiadas e também para criticar a cultura das redes sociais: as pessoas somente olham para baixo, para seus celulares, é praticamente ninguém enxerga um rapaz flutuando no ar, como um anjo redentor. Esse anjo atende pelo nome de Aryan, um jovem refugiado sírio que ao chegar na Hungria, se perde de seu pai e leva tiros de um policial. Estranhamente, Aryan ressuscita, como se fosse um Cristo que veio ditar a ordem contra a corrupção que se instalou na sociedade. Em seu caminho, surge o médico Goebel, que no passado teve um caso de erro médico que destruiu sua carreira. Juntos, eles tentam fugir da polícia e tentar encontrar o pai de Aryan. O filme tem uma câmera claustrofóbica, colada nos personagens, lembrando a angústia de “O filho de Saul”. Mas mas incríveis cenas de voo, a câmera se liberta e atinge níveis técnicos impressionantes. Efeitos especiais foda, e direção fabulosa, gerando planos sequências de cair o queixo. Um filme original, estranho, corajoso.

quarta-feira, 30 de maio de 2018

Nápoles velada

"Napoli velata ", de Ferzan Ozpetek (2017) Com a comédia "O primeiro que disse", o cineasta turco e residente na Itália Ferzan Ozpetek fez um grande sucesso comercial e de crítica. Agora, com "Nápoles velada", Ferzan Ozpetek muda de tom e investe em um trhiller erótico, com tintas de Hitchcock e de Brian de Palma, e o eterno tema do duplo, já visto em "Um corpo que cai" e "Irmãs gêmeas". A diva italiana Giovanna Mezzogiorno interpreta Adriana, uma médica legista residente em Nápoles. Durante um evento de Arte pronivido por um grupo de mulheres, Adriana conhece o jovem Andrea ( Alessandro Borghi, da série "Suburra"). Os dois passam uma tórrida noite juntos. No dia seguinte, Andrea marca um encontro com Adriana em um Museu, mas na hora marcada, ele não aparece. Adriana fica frustrada. No trabalho, ao faezr a autópsia de um corpo, ela percebe que é de Andrea. Brutalmente assassinado, ela procura entender o que aconteceu com ele. Lindamente fotografado e com locações estonteantes em Nápoles, o filme tem uma interessante narrativa de suspense, que chega em um desfecho confuso, aberto à interpretações. No entanto, vale assistir ao filme por conta das cenas de sexo, bem filmadas e bem sexies, com direito a muitas cenas de nudez frontal de Alessandro Borghi. Cine prive da Band agradece.

Insana

"Unsane", de Steven Soderbergh (2018) Inteiramente rodado com um Iphone 7, "Insana"foi sensação no Festival de Berlin 2018. Soderbergh investiu em uma trana de terror psicológico, que homenageia clássicos Filmes B dos anos 70, principalmente os filmes de David Cronemberg, Brian de Palma e John Carpenter. Com uma fotografia granulada, uso de lentes grandes angulares, que intensificam a sensação de loucura e claustrofobia, "Insana" conta a história de Sawyer Valentini ( a inglesa Claire Fox, protagonista do seriado "The crow"), que vai procurar uma ajuda psiquiátrica em uma clínica e acaba sendo forçada a se internar, contra a sua vontade. Lá, ela descobre que David, um stalker de quem ela anda fugindo há tempos, se disfarçou d enfermeiro justamente para continuar a assediá-la. A trilha sonora remete ao tema de "Haloween", e intensifica a loucura de Sawyer. Até determinando momento, o espectador fica na dúvida se ela está sofrendo de paranóias ou se é tudo real. Impossível não se lembrar de "Um estranho no ninho" e "O desespero de Veronika Voss", prováveis influencias para o filme. Claire está ótima no papel, evitando fazer o papel da maluca de forma óbvia. Joshua Leonard, que lembra um jovem John Goodman, assusta no seu psicopata. "Insana" parece até continuação de "Efeito colateral", filme onde Soderbergh critica a indústria farmacêutica. Aqui, a detonação va contra a máfia das empresas de seguro saúde. Matt Damon faz uma ponta não creditada como um advogado de Sawyer, e Amy Irving aparece como a mãe dela.

terça-feira, 29 de maio de 2018

Noite silenciosa

"Cicha noc", de Piotr Domalewski (2017) Co-escrito e dirigido por Piotr Domalewski, "Noite silenciosa" é um drama que venceu quase todos os Prêmios no Festival Polones de 2018. O filme lembra em conteúdo, o clássico de Thomas Vintenberg, "Festa em família". Um jovem, Adam ( Dawid Ogrodnik, de "Ida"), retorna para a casa da família na Noite de Natal. ele vem da Holanda, País onde ele se manteve por anos trabalhando e mandando dinheiro para casa. Ao chegar lá, ele reecontra seu pai, que está desempregado e bêbado, além de todos os familiares, de certa forma, angustiados ou frustrados pela vida que não lhes proporcionou nada de bom. O filme traça, por quase 2 horas, um bom punhado de lavação de roupa suja. Achei o filme bem entediante, por ser longo, e porque é uma eternidade de discussão sem fim. O filme parece que não acaba nunca. Afora as performances, de uma forma geral satisfatórias, não consegui me simpatizar por nenhum personagem aqui. Somente a cena inicial, dentro do ônibus, com um passageiro confrontando o outro, achei interessante.

A natureza do tempo

“En attendant les hirondelles”, de Karim Moussaoui (2017) Me impressionou que esse seja o filme de estreia do argelino Karim Moussaoui, que também co- escreveu o roteiro. O filme concorreu em Cannes 2017 na Mostra Um certo Olhar, e ganhou vários prêmios internacionais. A segurança e estilo com que Moussaoui conduz seu filme é primoroso, trabalhando com os gêneros drama, suspense e até musical! Em determinado momento, o filme vira quase um Número de Bollywood! E a tensão vai até o desfecho, o espectador fica sempre achando que vai terminar em tragédia. O filme acompanha 3 histórias distintas, intercalaras pelas coincidências da vida, mas que não interferem na vida do outro. Um homem testemunha um crime mas não ajuda a vítima. Um motorista conduz a ex namorada para o casamento dela com o futuro marido. Um médico é acusado de ter participado de um estupro coletivo promovido por terroristas. São histórias tensas, tristes, que mostra a passividade dos personagens diante da vida cinza na Argélia, destruída por décadas de ocupação estrangeira. Um filme formidável, com ótimos atores e lindas cenas. A dança do casal na pista de dança é bela e poética.

Anon

"Anon", de Andrew Niccol (2018) O Cineasta e roteirista neo-zelandes Andrew Niccol é responsável por 2 grandes clássicos cults dos anos 90: Ele dirigiu "Gattaca", uma ficção cientifica noir que lançou Jude Law para o mundo, e escreveu a obra=prima "o Show de Truman", com Jim Carrey reinventando sua carreira. Depois de alguns filmes mal sucedidos, como "A hospedeira", Niccol volta ao que mais gosta; O noir no gênero ficção cientifica. Para isso, ele se apropria de um mote que infelizmente, já foi realizado pelo seriado "Black mirror" com melhor resultado. A idéia de que, numa sociedade futura, todo mundo tem acesso à memória dos outros através de arquivos, já está batida. Mas esse é o tema de "Anon": todos tem acesso à memória dos outros, principalmente a polícia, que com isso, zerou a taxa de criminalidade. Mas um hacker anónimo conseguiu invadir a mente das pessoas e apagar as memórias, o que desafia o detetive Sal (Clive Owen, naquele seu estilo cool de sempre) tenta resolver os assassinatos que tem ocorrido na cidade, e seu caminho cruza com o de Amanda Seyfried, que interpreta uma personagem sem nome. O filme tem bons efeitos, mas o elenco de apoio, principalmente os assassinados, são maus atores, não sei o porque. Isso prejudica bastante o rendimento do filme, que também tem um ritmo bem lento, e um desfecho meia boca. Vale como curiosidade para fãs de "Black mirror". Se o filme tivesse a duração de um episódio da série, seria bem melhor.

segunda-feira, 28 de maio de 2018

Requiem para a Sra J

"Rekvijem za gospodju J", de Bojan Vuletic (2015) Premiado filme Sérvio, indicado pelo País a uma vaga para o Oscar de filme estrangeiro. O drama tem um trabalho estupendo de 3 atrizes de gerações diferentes: uma mulher na faixa dos 50, uma adolescente na faixa dos 20 e uma menina por volta de 10 anos. Performances comoventes. O tema do filme lembra "30 anos essa noite", obra-prima de Louis Malle. A Sra J. perdeu seu marido há quase um anos; perdeu o emprego; suas filhas e sua mãe que moram com ela, não tem qualquer tipo de comunicação. J. resolve se matar daqui há 4 dias, na comemoração de 1 ano da morte do marido. A Direção de Bojan Vuletic é bem rigorosa na forma: planos fixos, longos, com atores be marcados em cena. O mais incrível é quem mesmo com um tema tão pesado, e momentos de verdadeira tensão e agonia, o filme se permite acrescentar doses de humor. Um feito incrível, que me faz lembrar a frase de Chico Anysio: A comédia advém da tragédia humana. E que tragédias! A protagonista tenta se matar, mas a burocracia do Estado a impede toda vez que ela tenta dar um passo. O personagem do homem que esculpe inscrição na lápide é impagável. Filme memorável.

O Rio nos pertence

"O Rio nos pertence", de Ricardo Pretti (2013) Escrito e dirigido por Ricardo Pretti, "O Rio nos pertence" é o 2o projeto oriundo da "Operação Sonia SIlk", uma cooperativa formada por Leandra Leal, Mariana Ximenes e Técnicos de cinema engajados na realização de filmes autorais de baixíssimo orçamento, inspirado na Produtora Belair de Julio Bressane. O filme é uma experimentação que une drama e suspense psicológico, provavelmente inspirado no clássico "Repulsa ao sexo", de Polanski. Marina (Leandra Leal) mora nos Estados Unidos com um namorado americano. Ela está em um momento feliz de sua vida. No entanto, ao receber um misterioso postal onde está escrito O Rio nos pertence, ela surta e decide largar tudo e voltar para o Rio de Janeiro. Ao chegar no apartamento aonde morou com a sua irmã ( vivida por Mariana Ximenes), Marina revive fantasmas do passado, e precisa exorcizar, caso contrário, passará a vivenciar sintomas psicológicos que a atormentarão. O que seria do Cinema sem as protagonistas bipolares e psicóticas, repletas de traumas? Aqui, o filme procura trabalhar a sua estilização através da edição de som, da fotografia e da atmosfera onírica. Leandra Leal remete bastante ao seu personagem claustrofóbico de "Nome próprio", de Murilo Salles. No entanto, a narrativa não me pegou. Muitas pontas soltas, um filme extremamente pessoal, provavelmente um filme feito para ser sentido, mais do que entendido.

domingo, 27 de maio de 2018

Os estranhos- Caçada noturna

"The strangers- Prey at night", de Johannes Roberts (2018) O cineasta ingles Johannes Roberts é especialista em filmes de terror e suspense. Nos estados Unidos, ele realizou alguns filmes, sendo o mais memorável; "Medo profundo", sobre 2 irmãs que precisam enfrentar um tubarão gigante. O seu melhor filme, para mim, é o inglês 'Adolescentes em fúria", sobre professores que precisam se proteger de estudantes vingativos. Com "Os estranhos- caçada noturna", retomamos 10 anos depois, os assassinos de "Os estranhos", cult de terror de 2008 com Liv Tyler. O letreiro diz que o filme é baseado em fatos reais. Uma família ( pais e casal de adolescentes) leva o filho até a faculdade. No caminho, resolvem parar em um acampamento para trailers, gerenciado pelos tios da esposa, Cindy ( Christina Hendricks). Logo, a família descobre que os tios foram mortos pelo trio de assassinos: Pin up girl, Dollface e Man with the mask. Homenageando os slashers dos anos 70 e 80 ( inclusive usando clássicos pop dos anos 80 na trilha), o filme tem bons atores, mas o roteiro, é daqueles que você se irrita logo de cara. Personagens idiotas, tomando decisões burras. Por ex: o casal de adolescentes acaba de testemunhar o casal de tios assassinados. Eles correm para avisar aos pais o que viram. Voce acha que os pais: 1) enfiam todos no carro e vão embora correndo OU 2) As mulheres se escondem na casa, e os homens seguem até a casa onde viram os tios mortos, somente pro pai acreditar no que o filho falou. Todo mundo sabe qual será a opção certa. Pois então, o filme é assim, só irritação o tempo todo, você fica até torcendo pelos assassinos. Pelo menos, uma cena antológica, que vale o filme: um crime que acontece na piscina, ao som de "Total eclipse of the heart". Uma cena que merece um prêmio de direção. Por ela, vale assistir ao filme e se torturar com a história. Ah, esqueci: o final também é podre de ruim!

Os fuzis

"Os fuzis", de Ruy Guerra (1964) Após o grande sucesso de crítica e público de "Os cafajestes", de 1962, Ruy Guerra viria a lançar em 1964 um filme radicalmente diferente. Inspirado em uma história fabulesca que Ruy queria filmar na Grécia, ele acabou adaptando para o Nordeste da miséria brasileira, da opressão das armas e da religião que anestesia a população carente. Ambientado em Milagres, Bahia, região seca e paupérrima, onde a seca devastou qualquer possibilidade de alimento, um grupamento de soldados é enviado para proteger o depósito de alimentos da cidade, cujo dono é um poderoso local. Gaúcho, ex-soldado e agora motorista do caminhão, se revolta contra a violência de seus amigos soldados, e para piorar, contesta um pai que aceita a morta de sua filha de fome e nada faz para lutar. Gaúcho resolve pegar nas armas e lutar a favor dos pobres. Como quase todo filme do Cinema Novo, o filme une Religião/Ditadura e misticismo para falar, metaforicamente, da situação socio-economica do Brasil vigente, do milagre económico que nunca existiu. Com uma fotografia e câmera na mão extraordinária de Ricardo Aronovich, repleto de planos-sequencias de cair o queixo, "Os fuzis" é um filme para ser visto e debatido. Incrível que, quase 60 anos depois, tudo continua completamente igual. Elenco primoroso, capitaneado por Paulo Cesar Pereio, Maria Gladys Mello, Hugo Carvana, Atila Iorio, Nelson XAvier, Ivan Candido, Joel Barcellos e um elenco de atores locais absolutamente imagéticos, na linguagem documental muito bem registrada pelas lentes de Aronovich.

Tully

“Tully”, de Jason Reitman (2018) Repetindo a parceria com Charlize Theron depois de “Jovens adultos”, aqui em “Tully” eles praticamente repetem o mesmo tema. Charlize interpreta Marlo, uma mulher de quase 40 anos, mãe de dois filhos e grávida de um terceiro. Insegura e se sentindo num buraco negro, Marlo aceita a ajuda de seu irmão rico que contrata uma babá noturna para Marlo. Tully (Mackenzie Davis, ótima), irá aos poucos mudar a vida de Marlo. Com uma performance comovente de Charlize Theron, que engordou 20 kilos para o papel, “Tully” lida com elementos mágicos para falar de uma mulher que precisa se desdobrar em varias. O filme está sendo vendido como comédia, mas na verdade é um drama que fala sobre fobias, medo, frustração, falhas. Marlo é uma mãe que protege sua cria, e tem medo de errar na educação delas. Mas como cuidar dos filhos, se ela não consegue cuidar dela mesma? O roteiro de Diablo Cody, vencedora do Oscar por “Juno”, surpreende o espectador com algumas reviravoltas na trama. Jason Reitman filma tudo com muita elegância e sutileza. A fotografia que achei bastante escura. Amei o clip com varias musicas de Cindy Lauper.

sábado, 26 de maio de 2018

Esperando la carroza

"Esperando la carroza", de Alejandro Doria (1985) No ano de 1985, a Argentina realizou duas grandes obras-primas do cinema de seu País: o drama vencedor do Oscar "A história oficial", e a comédia de Alejandro Doria, "Esperando la carroza", uma das mais devastadoras sátiras à família já realizadas. Com grande influencia do Cinema italiano dos anos 70, de Ettore Scola, Dino Risi e Mario Moniccelli, "Esperando la carroza" é uma adaptação da peça teatral escrito pelo uruguaio Jacobo Langsner, e refilmada no Brasil por Jorge Fernando com o título "A guerra dos Rocha". Na periferia de Buenos Aires, vive Mama Cora ( interpretada pelo ator Antonio Gasalla), uma idosa de 80 anos. Ela tem 4 filhos: 3 homens e uma mulher, mas vive com Jorge, o filho mais pobre, e sua nora, Susana. Susana não suporta mais a presença de Mama Cora em sua casa, e se junta aos cunhados para implorar que um deles hospede a velha. Diante da recusa de todos, Susana entra em grande crise. Paralelo, Mama Cora sai de casa, e o corpo de uma idosa é encontrado na estação de trem, atropelado. Os filhos acreditam que é Mama Cora, e se desesperam. Engraçado do início ao fim, é o tipo da comédia que os críticos aqui no Brasil costumam falar mal: todo gritado, repleto de gags, completamente chanchadesca e recheado de palavrões e duplos sentidos. Mas por ser um filme argentino, todo mundo tira o chapéu e alça o filme à condição de obra-prima do humor, o que é verdade. Todo o elenco, sem exceção, está excepcional, completamente à vontade na comédia. China Zorilla, como a cunhada Elvira, e Mónica Villa, como Susana, estão impagáveis. Uma pena que o filme não tenha recebido prêmios. Li numa matéria que a casa onde foi filmado o lar da família, hoje em dia é lugar de culto de fãs do filme, que a visita anualmente. O filme teve uma continuação em 2009, essa sim, totalmente destruída pela crítica.

sexta-feira, 25 de maio de 2018

Strike a pose

"Strike a pose", de Ester Gould e Reijer Zwaan (2016) Documentário que apresenta os bailarinos do icônico Tour "Blond Ambition", da Madonna, que rodou o mundo em 1990, e que no ano seguinte, rendeu o documentário "Na cama com Madona". 25 anos depois , os Documentaristas foram atrás dos 7 bailarinos ( 1 deles faleceu de Aids em 1994, e a mãe dele quem dá entrevista). O filme me remeteu ao documentário do Cavi Borges, "Cidade de Deus, 10 anos depois". No caso do filme brasileiro, os atores. Aqui, são os bailarinos. Como lidar com o estrelato e a consequente realidade quando o artista não está mais no pódio? Viagens, imprensa, fãs, champagne, festas, motoristas particulares, hotéis de luxo. O despreparo dessas pessoas, muitas das vezes retiradas do mais baixo nível social, e que se deslumbraram com um universo de luxo e glamour, foi mortal. Drogas, decadência, doenças, tentativas de suicídio. Confesso que fiquei triste no final do filme, quando os 6 bailarinos, ao se reencontrarem, já maduros fazem um retrospecto de suas vidas e das possibilidades que poderiam ter acontecido. 3 dos bailarinos processaram Madonna, e agora, alguns confessam que se arrependeram do ato. O filme é um excelente veículo para fãs de Madonna: os antigos, para relembrarem de uma época onde o Show fazia escândalos aonde passava, por conta das ousadias de Madonna em contrariar a Igreja e a sexualidade; para os fãs mais jovens, entender a importância cultural desse "Blond ambition tour", divisor de águas no Show Business. E para as pessoas em geral, entender que a vida é curta, e quanto mais inteligente, consciente e humilde a pessoa for, melhor para ela.

Na escuridão

"In darkness", de Anthony Byrne (2018) Co-escrito e protagonizado por Natalie Dormer, a Margaery Tyrell de "Game of thrones", "Na escuridão" é um suspense repleto de reviravoltas que diverte, apesar da trama um pouco confusa. Natalie interpreta Sofia, uma musicista cega que mora em Londres . Órfã, ela mora sozinha em um apartamento, e tem como vizinha do andar de cima Veronique, uma bela jovem que acaba caindo da janela e morre. A polícia acha que foi suicídio e interroga Sofia, querendo saber se ela escutou algo. Sofia nega, mas aos poucos vamos descobrindo mais sobre a real identidade de Sofia, em uma trama repleta de crimes e ação. Natalie está ótima no filme e segura bem o protagonismo. As reviravoltas da trama, que nem posso mencionar pois acabaria com o segredo do filme, me pareceram bem forçadas, mas como a história é bem mirabolante, eu abstraí. Vale muito como passatempo, e para quem curtiu filmes como "Atomica" ou "Operação Red Saparrow", vai gostar bastante dessa heroína.

Toda donzela tem um pai que é uma fera

"Toda donzela tem um pai que é uma fera", de Roberto Farias (1966) Lançado em 1966, "Toda donzela tem um pai que é uma fera" foi adaptado pelo próprio Roberto Farias de uma peça teatral de Glaucio Gil. Há 4 anos atrás, em 62, ele havia lançado aquela que é considerada sua obra-prima, o filme de ação "Assalto ao trem pagador". Com "Toda donzela..", Roberto lançou o filme que seria considerado o precursor das pornochanchadas no Brasil, unindo a comédia de costumes, a picardia e malícia das relações entre homens e mulheres, através das infidelidades e traições amorosas, O filme foi fotografado pelo Mestre Ricardo Aranovich, que veio a trabalhar com Ettore Scola na obra-prima "O Baile". Ambientado no Rio de Janeiro da Zona Sul carioca, com as belas praias de Copacabana e Ipanema como pano de fundo e apartamentos da classe média alta, o filme acompanha as aventuras de Joãozinho ( Reginaldo Farias), um jovem paquerador, que está namorando Dayse, filha de um militar. Sabendo que o pai dela (Walter Forster) está para vir visitá-la, Joãozinho, temendo represálias do Militar, pede para que seu amigo Porfírio (John Herbert) esconda a jovem em seu apartamento. Mas tudo dá errado: O militar acha que Dayse e Porfirio estão namorando, e o obriga a se casar com ela. Divertido pela sua ingenuidade, o filme arranca boas risadas por situações criativas que Farias utilizou para dar mais ênfase à comédia: ele se utiliza da paródia, sacaneando filmes de espionagem (James Bond) , de detetives e até mesmo da linguagem da Nouvelle Vague, com cenas congeladas em narração em off. Por trás de toda essa fachada de comédia popular, o filme , espertamente, trabalha com a metáfora do Poder, através do personagem do Militar que obriga o rapaz a se casar com a jovem, contra a sua vontade, se fazendo valer até mesmo do uso de tanques e de soldados. Uma forma de Roberto Farias dar a sua opinião sobre a ditadura militar que havia se instalado no Governo da época, e que Farias representaria com mais dramaticidade no clássico "Pra frente, Brasil", de 1982. Obs: Amo esse cartaz elaborado pelo Ziraldo!