Diário de um Cinéfilo
terça-feira, 21 de julho de 2026
Hen
"Kota", de György Pálfi (2025)
Um trunfo de direção, "Hen" é um filme que apresenta o ponto de vista de uma galinha sobre o trágico e cruel mundo que a rodeia. O espectador acompanha diversos infortúnios da ave, desde fugir de ser morta pelo fazendeiro, depois sendo persgeuida por uma raposa, um cachorro de caça, umm gavião e outros perigos. Me lembrei d eimediato da obra-prima de Robert Bresson, "Baltazar", e de "Eo", de Jerry Skolimowski, que mostram a perspectiva de um pobre jumento, e também de "Cow", de Andrea Arnold. Todos esses filmes que deixaram arrasado no final. Tem crítico que o comparou à premiada animação "Flow", e faz total sentido, obviamente sme a parte fantasiosa. É a epopéia de uma galinha lutando pela sua vida, e no caminho, cruzando com manifestantes que protestam contra o governo, mafiosos e fazendeiros.
Co-esrito e dirigido por György Pálfi, "Hen" é uma co-producao da Alemanha, Grécia e Hungria. Para o filme, foram utilizadas 8 galinhas, cada uma para uma especialidade de ação. O diretor jura que nãofoi usado nenhum CGI. Existe uma cena em particular, onde. agalinha precisa atravessar uma auto-estrada para fugir da raposa, que tenho minhas dúvidas sobre não ter sido usado CGI. É uma cena priorosa. ALiás, tecnicamente, todo o filme é um primor. Não bastasse, a fotografia exuberante de Giorgos Karvelas dá um tom poético à essa fábula.
Merecidamente, o filme levou menção honrosa em Toronto e concorreu em San Sebastian.
Labour of love
"Asha Jaoar Majhe", de Aditya Vikram Sengupta (2014)
Comparado por muitos críticos à obra-prima "Amor à flor da pele", de Wong Kar Wai, o filme indiano "Labour of love" é escrito e dirigido pelo cineasta Aditya Vikram Sengupta. O filme concorreu em importantes Festivais, como Shangai e BFI London. O filme é totalmente sem diálogos e fotografia estilizada foi captada pelo próprio diretor, junto de Manoj Karmakar.
Ambientado nos arredores decadentes da periferia de Calcutá, "Labour of love" apresenta um jovem casal, sem nome. A mulher (Basabdutta Chatterjee) trabalha de dia em uma fábrica de bolsas. O homem (Ritwick Chakraborty) trabalha de noite em uma gráfica. Como pano de fundo, um narrador de rádio expõe a recessão econômica e o alto desemprego na Índia. O casal, por conta do trabalho árduo, quase nunca se vê, pela diferença de turno. Existe um parco momento do dia em que eles conseguem se ver.
O filme mostra a rotina do casal, em registro documental, mas com movimentos de câmera muitas vezes em velocidade lenta e com uma fotografia acentuada em constrastes, trazendo lindas imagens sobre um conteúdo de extrema pobreza. Uma crítica ao sistema de emprego que torna a todos automatizados e sem alma, não podendo aproveitar momentos de lazer ou desfrutando do carinho de parceiros.
Sessão espírita
"Korei", de Kiyoshi Kurosawa (2020)
Prêmio da crítica no Festival Fantasia, "Sessão espírita" é um filme de terror sobrenatural de Kyoshi Kurosawa, o mestre do gênero no Japão. "Sessão espírita" foi lançado entre dois dos mais famosos filmes do cineasta, 'A cura" e "Pulso". Co-escrito e dirigido por Kyoshi Kurosawa, a excelente trama é adaptada do livro "Séance on a Wet Afternoon", de Mark McShane, publicado em 1961. e que já havia sido adaptado em 1964 por Bryan Forbes no filme "Farsa diabólica". Existem elementos na trama que me fizeram lembrar do cinema de Hitchcock, muito bem engendrado e com um desfecho que celebra culpa e castigo.
Junko (Jun Fubuki) é casada com Sato (Kôji Yakusho). Eles moram em uma casa isolada na periferia. Ela é dona de casa e tem dons de mediunidade. Sato é técnico de som e trabalha para uma produtora de documenários. Junko quer provar que é medium e assim, ganhar fama e poder ter clentela. Mas o professor universitário, especializado em confirmar mediunidade, não acredita nela. Uma menininha é sequestrada e ao fugir do algoz, se esconde na case de som de Sato, que estava gravando um áudio na floresta. Ao chegar em casa, Junco tem uma premonição e descobre que a menina desmaiada. Ao invés de ligarem para a polícia, Junco tem a idéia de se aproveitar da situação e assim, poder ganhar fama como medium, alertando a polícia que descobriu os rastros da menina. Por um descuido de Sato, a menina acaba morrendo. O casal, desesperado, enterra a garota, mas passam a ser assombrados pelo espírito dela.
O filme tem um ritmo lento, mas tem uma trama tão bem amarrada que me deixou atento o tempo inteiro. Os atores são ótimos, e as cenas envolvendo a menina antes de sua morte são bem angustiantes.
segunda-feira, 20 de julho de 2026
Los ultimos heroes de la península
"Los ultimos heroes de la península", de José Manuel Cravioto (2008)
Iucatan é um estado mexicano, conhecido pelas praias do Golfo do México e pelas ruínas maias. A sua distância para a capital Cidade do México é de cerca de 20 horas de carro. O documentarisa José Manuel Cravioto seguiu para Yucatan para contar a história de cinco boxeadores mexicanos, todos campeões mundiais, que encontraram seu momento de glória entre os anos 70 a 90. José MAnuel leu o artigo "Casta de campeones", escrito por Beatriz Pereyra e entendeu que Yucatan, além de ser a terra do bolero e dos grandes compositores, também era berço de campeões do boxe.
Viajando para a capital de Yucatan, Mérida, José Manuel saiu em busca de Miguel Canto, Guty Espadas, Fredy Castillo, Lupe Madera e Juan Heleno. Logo no início do filme, José aparece perguntando ara as pessoas na rua o paradeiro de Miguel Canto. E assim, foi em busca do paradeiro de cada um deles, que acabaram no ostracismo. O filme, através das entrevistas, imagens de arquivo, fotos e vídeos, apresenta a inevitável combinação de ascenção, glória e declínio. É um filme melancólico, assim como boa parte dos filmes que retratam "heróis" de outrora, e que nos dias d ehoje, guardam as lembranças em seus quartos repletos de troféus e de lembranças.
Labirinto dos garotos perdidos
"Labirinto dos garotos perdidos", de Matheus Marchetti (2025)
Em 2022, o roteirista e cineasta Matheus Marchetti lançou "Verão fantasma", um cult queer com elementos narrativos muito próximos ao seu novo filme, "Labiritnto dos garotos perdidos". A influência do cinema giallio, principalmente dos cineastas Dario Argento e Mario Bava, e a constante atmosfera de sonho, com fotografia onírica retratada em cores vibrantes. Aqui, as influências do giallio vão desde o poster do filme, uma referência a ""A Breve Noite das Bonecas de Vidro", de Aldo Lado, de 1971, às cores e direção de arte de "Suspíria"( a porta de entrada da festa tem as cores da porta da mansão do ballet). E a trama traz elementos de "Phenomena", na revelação do assassino.
O filme mescla elementos de suspense, thriller, terror, mas traz a brasilidade envolvendo humor, romance e muita sensualidade, na exposição de corpos masculinos nús. A atriz Tuna Duek narra o filme em tom de "Era uma vez", com uma voz suave e acolhedora.
Miguel (Giuliano Garutti) é um jovem que vem para a cidade grande para se encontrar com a pessoa com quem ele tem se conectado em um app, com a intenção de perder a sua virgindade. Durante uma noite, ele perambula pelas ruas, becos e parques de São Paulo, se encontrando com estranhos, alheio aos assassinatos cometidos por um serial killer.
O filme traz personagens masculinos em busca de tesão e desejo. São tipos divertidos, repletos de fetiches que faz o público rir bastante ( a cena do chuveiro do golden shower é um bom exemplo). Um outro personagem, a do su1c1d4, revela a solidão da grande metrópole.
Fireflies at El Mozote
"Luciérnagas en El Mozote", de Ernesto Melara (2026)
Co-produzido por El Savdaor e Estados Unidos, "Fireflies at El Mozote" é uma reconstituição dramática do massacre ocorrido em El Mozote, em Sal Salvador, entre os dias 10 e 13 de dezembro de 1981. Um segmento de elite exercito do governo, conhecido como Batalhão Atlacatl, foi treinado pelos americanos e invadiu a região de El Monzote e arredores. Entrevistaram moradores, depois os assassinaram. Foram mais de mil mortosmetade crianças. O filme ficcionaliza um sobrevivente: José (Mateo Honles) tem 10 anos e tem a sua mãe e irmã pequena assassinadas. Ele tinha que cuidar da irmã e se sente cupado pela morte dela. Ao encontrar revolucionários, deixa clao o seu desejo de vingança.
Apesar dos cuidados com a direção de arte e figurinos, é uma pena que a direçao não tenha dado mais ritmo e dinâmico ao filme. O elenco também é outro ponto conflituoso: mesmo com participação de bons atores, como a espanhola Paz Vega ( de "Lucia e o sexo", como uma guerrilheira), o filme tem atores fracos em papéis importantes. Mas foi válido por pelo menos trazer aos dias d ehoje, uma história considerada o massacre mais bárbaro da América latina nos tempos recentes, que só teve a sua história narrada e não abafada ( os mortos foram enterrados pels soldados) pelo testemunho de uma sobrevivente e relatos de um jornalista do New York times. A cena final é bem bonita, trazendo elementos fantásticos, com vagalume siluminando o local onde os mortos estão enterrados.
A una isla de ti
"A una isla de ti", de Alexis Morante (2026)
Comédia romântica lgbt espanhola, "A una lista de ti" é dirigida por Alexis Morante e escrita por Paula López Cuervo e Fernando Pérez. A história é simpática e previsível, com atores carismáticos intercalando momentos de humor, drama e romance, com pitadas de nudez que irá atiçar o público. O filme foi rodado na paradisíaca Ilhas Canárias, região que dá apoio logístico para o audiovisual e justifica ter imagens que vendam o local como se fsse um institucional.
Harry (Freddie Dennis). é um jovem Chef prestes a se casar com seu noivo. Mas o noivo desiste do casamento, deixando Harry bastante frustrado. Yaiza (Julia Martínez), a su chef e melhor amiga de Harry, o convence a passar um tempo nas Ilhas Canárias, na casa de sua família, para tirar férias e desestressar. Após quase se afogar na praia depois de uma noite de bebedeira na balada, Harry é salvo por um surfista cinquentão, Ivan (Jaime Zatarain). Ambos se sentem atraídos e se tornam amantes. Mas Harry vem a decsobrir que Ivan é pai de Yalza, e precisam esconder esse fato dela.
A parte do humor está mais focado no amigo gay pintosa de Yalza, que se apresenta na noite como Drag, e na mãe de Yalza, uma terapeuta s3xu4l. Faltou dar mais ritmo e mais humor ao filme, mas funciona como passatempo ligeiro.
domingo, 19 de julho de 2026
Gloria
"Gloria", de Christian Keller (2014)
Prêmios de melhor atriz e ator no Festiva Ariel do México, "Gloria" é uma cinebiografia da cantora mexicana Gloria Trevi, considerada nos anos 90 como a "Madonna mexicana", pelas rouas e apresentações provocativas. Glória (Sofia Espinosa) vendeu mais de 20 milhões de cópias de discos. O filme apresenta o início de sua carreira, quando, em 1985, ao conhecer o empresário musical Sergio Andrade (Marco Perez), o impressiona com sua vocação musical e a coloca como integrante do grupo pop "Boquitas pintadas". Com o fracasso do grupo, Sergio decide lançar Gloria Trevi em carreira solo, e ela imediatamente se torna um grande sucesso. Mas a derrocada veio em 2000. De visita ao Brasil, Gloria, Sergio foram presos no Rio de Janeiro. Ambos foram acusados de aliciamento de menores: Sergio as seduzia com promessa de carreira artística, em troca de favores s3xu41s. Gloria ficou presa por quase 5 anos, entre 2000 a 2004, no Brasil e no méxico. A justiça não conseguiu provas contra Gloria, que dediciu começar vida nova no Texas, se casando e reiniciando a sua carreira, se tornando novamente uma das grandes estrelas latinas.
O filme traz uma edição que vai e volta no tempo, se tornando confuso às vezes. O trabalho da atriz Sofia Espinosa é marcante, trazendo todas as nuances de Gloria na vida pessoal e nos palcos, e as cenas da prisão são bem conduzidas cm a ajuda da direção de arte e da fotografia. É uma cinebiografia convencional, mas eficiente para os fãs da cantora.
A tocha de zen
"Xia nü", de King Hu (1971)
Com 200 minutos de duração, "A tocha de zen" é considerado o melhor filme de wuxia da história. O filme faz parte da lista dos "1001 Filmes Que Você Deve Ver Antes de Morrer". Vencedor no Festival de Cannes 1975 do prêmio técnico de contribuição artística, foi fundamental para que a partir daí, os filmes chineses tivessem maior abetura em festivais de cinema. O filme também foi responsável por fornecer rspeito artístico e consagração entre a crítica mais exigente para um gênero tão popular. "A tocha de zen" foi a inspiração para os filmes premiados de Ang Lee, "O tigre e o dragao", e "O clã das adagas assassinas", de Zhang Yimou, esse último, homenageando a famosa sequência da luta na floresta de bambus, existente nesse filme de 1971.
Co-produzido por Taiwan e Hong Kong, o filme foi escrito e dirigido pelo cineasta King Hu, que se mudou para Taiwan e ali se instalou. "A tocha de zen" levou 3 anos para ser filmado, e foi filmado em Taiwan e Hong Kong. No lançamento, o filme foi divido em 2 partes pela sua longa duração, e ambas fora fracasso de público. Mas com o passar dos anos, o filme foi redescoberto e alçado à condição de obra prima.
Com forte influência dos faroestes de Sergio Leone, o filme é baseado no conto "A garota magnânima", uma antologia de Pu Songling, intitulada "Strange Stories from a Chinese Studio".
A história é dividida em 3 atos dramaturgicamente distintos: Ambientado na época da Dinastia Ming, o 1a ato apresenta Gu (Zhang Bing-yu)), um jovem pintor e retratista que mora com sua mãe viúva. Pobres, a mãe de Gu lamenta ele não ter se tornado um oficial e também de não ter se casado ainda e lhe dar netos. Um dia, um homem misterioso, Ouyang Nian (Tien Peng) surge e lhe pede um retrato. Na verdade, ele está à procura de 3 fugitivos procurados pelo governo, entre eles, a jovem Yang (Feng Hsu). O pai dele foi morto pelo General por descordr dele, e sua família foi ameaçada. Yang se esconde em uma casa abandonada e que os amoradores acreditam estar amaldiçoada. No 2o ato, Gu, agora ajudando Yang, luta contra os oficiais do governo. No 3o ato, Yang decide abandonar tudo e morar em um mosteiro budista. Mas Gu descobre que ela teve um filho dele, e que os oficiais estão indo atrás deles. Esse último ato tem um tom diferenciado, buscando elementos fantasiosos, com um desfecho brilhante e abraçando o zen budismo. A sequência dos bambus é espetacular em todos os sentidos, e surpreendente por ter ido filmado no final dos anos 60, com efeitos praticos, incluindo trampolins.
Chuva
"Lluvia", de Rodrigo García Sáiz (2023)
Longa de estréia do cineasta mexicano Rodrigo García Sáiz, a partir de roteiro escrito pela dupla Claudia Garibaldi e Paula Markovitch, "Chuva" concorreu nos festivais de Málaga e Miami em 2023. O filme lembra a narrativa de filmes painéis de outro mexicano, Alejandro Inarritu, como "Amores perros" e "Babel"; diversas histórias paralelas que em algum momento se entrecruzam. Diversos elementos lingam as histórias: todas acontecem na cidade do México; todas na mesma noite de chuva; e todas sobre personagens anônimos, desemparados e desiludidos. A grande metrópole é vista como um espaço de solidão, isolamento e frustração, seja amorosa, pessoal ou profissional.
1) Um taxista pega um passageiro e descobre que ele é amante de sua esposa e quer ir para o seu endereço
2) Uma professora é assaltada pelo seu ex-aluno
3) Em um metrô, um passageiro desmaia. Um casal o socorre e o leva até o hospital. Eles decidem visitar a casa do homem
4) O gerente de um cassino se sente atraído por uma turista japonesa
5) Uma enfermeira cuida de um pacinte ferido no hospital, que lhe pede para realizar uma tarefa em seu lugar
6) Uma prostituta se relaciona com um cliente e decsobrem que são da mesma cidade
O filme tem seus altos e baixos, e nem todas as históris funcionam bem, como é comum em filme de episódios. Os atores de uma forma geral são bns, com destaque para a enfermeira e a professora com o ex-aluno (que aliás, esse episódio me lembrou do filme de Reinchembach, "Os anjos do arrabalde"). A fotografia merece destaque, iluminando noturnas com chuva e mantendo uma atmosfera melancólica.
sábado, 18 de julho de 2026
Somos Mari Pepa
"Somos Mari Pepa", de Samuel Kishi (2013)
Dedicado aos pais e avós, o cineasta e roteirista mexicano Samuel Kishi se inspira na sua adolescência e na sua avó para criar um coming of age malncólico. Concorrendo no Festival de Berlim na mostra Generation, dedicado a filmes com temáticas juvenis, 'Somos Mari Pepa" é filmado na cidade do México. Segundo o próprio cineasta diz, : "o filme nasceu da necessidade de homenagear minha avó, o bairro onde cresci, meus amigos e minhas várias bandas de rock fracassadas. É uma carta à minha adolescência, àquela idade difícil e estranha, cheia de dúvidas e desolação.""
Alex, alter ego do diretor, tem 16 anos. Ele é integrante de uma banda de punk rock junto de 4 amigos: Alex, Moy, Bolter e Rafa, mais conhecidos como "Maripepa". Eles querem compor uma nova música. Alex mora com seus pais e sua avó. Quando os pais viajam, Alex precisa cuidar dela. Ao mesmo tempo, quer arranjar um emprego, perder a virgindade e compor uma música nova.
O filme, curiosamente, traz pouco humor, e mostra, com um olhar quase documental, a rotina dos amigos e proncipalmente, a dependência da avó para com Alex. Um olhar afetuoso sobre uma nostalgia, a periferia da cidade, a amizade e sobbre relacionamentos familiares.
Kill trip
"Kill trip", de Kristian McKay (2026)
Escrito e dirigido por Kristian McKay, "Kill trip" é um slasher que asusmidamente, traz referências de diversos filmes clássicos, copiando ipsis literis cenas como a do chuveiro de "Psicose". com a mesma decupagem de planos, e a cena do frigorífico de "O iluminado". A história traz elementos dramtúrgicos também de "Assassinos por natureza", de Oliver Stone, com a sedução pelo bad boy. O roteiro, por sua vez, chupa quase que por inteiro a premissa de "Os estranhos": afinal, um grupo de amigos que segue para um Festival de música no Texas, pega carona na estrada. O motorista decide pegar um atalho e leva a galera até um motel em uma cidade para passar a noite, e acontece que todo mundo da cidade tem um segredo.
As cenas de assassinatos não são vistos na câmera, e quando são, são realizados com truques baratos de efeitos. A tensão é pouca, os personagens não são carismáticos e acaba que o espectador não torce muito por ninguém ali. Assim como 'O massacre da serra elétrica" de 2003, com Jessica Biel e que até hoje o público elogia pela beleza do elenco, "Kill trip" também tem atores escolhidos à dedo: todos jovens, bonitos e sedutores. E acaba que esse é o grande chamariz do filme.
Chand. My heart
"Chand Mera Dil", de Vivek Soni (2026)
Para quem é fã de romances e quer se apaixonar, sofrer pelo casal e sair do filme acreditando que o amor vence todas as barreiras, não deve deixar de assistir a esse novelão vindo da ïndia. Lindamente fotografado, repleto de cenas no pôr do sol, rodado em lindas locações e tendo como protagonistas, 2 lindos atores: Aarav (Lakshya) e Chandni (Ananya Panday). Os dois se conhecem em 2017, ainda jovens, quando entram na faculdade de engenharia. A cidade é Hyderabad, o centro tecnológico do país. Aarav deseja trabalhar nos Esados Unidos. Ele vem de uma família rica. Chandni é de classe inferior, e quando criança, teve trauma quando testemunhava sua mãe sofrer abusos domésticos de seu pai. Os dois se apaixonam, e Chandni fica gravida. Aarav diz à Chandni se ela não quer abortar, pois são jovens e ter uma filha agora pode atrapalhar a carreira de ambos. Chandni quer manter a criança. Aarv decide se casar com Chandni, mas seus pais desaprovam, alegando que ela engraidou por interesse financeiro. AArav decide orar com Chandni, mas sem apoio da família, encontram dificuldades financeiras. APós uma discussão, Chandni lembra de sua mãe e decide se separar e pedir divórcio.
O filme é prato cheio para qualquer roteirista de novela, com direito a reviravoltas românticas e muito sofrimento. O filme não tem números de Bollywood, mas contém muitas músicas que ilustram dversas cenas do filme.
Ulysses
"Ulisse", de Mario Camerini (1954)
Depois de assistir "A odisséia", de Christopher Nolan, me deu vontade de assistir essa versão do poema "A odisséia", de Homero, realizada pelos italianos em 1954, tendo Kirk Douglas e Anthony Quinn como Ulysses (outro nome para odisseus) e Antinnos. A estrela Silvia Mangano interpreta a esposa de Ulysses, Penelope e também a bruxa Circe. Os eefeitos práticos são deliciosos, senti falta de ter mais elementos fanásticos. Boa parte do filme foi rodado em Estúdio com cenários construídos em Lazio, e as externas, no Mar Mediterrâneo. O filme tem 94 minutos, o que acarretou cortes de muitas sequências importantes. Mas Circe, o Cíclope, o reino das ninfas, o submundo ds mortos, as sereias estão aqui. Aliás, a sequência com o Cíclope é repleta de ironia e humor, elementos inexistentes na versão de Nolan. Em determinando momento, depois de devorar um tripulante grego, o Cíclope diz: "Que carne dura a dos gregos. Uma carne muito ruim!".
Toda a invasão de Tróia é vista em flashes. E Aquilles surge no mundo dos mortos. As cenas de tempestade em alto mar são divertidas, pois nitidamente foi filmado em um tanque, com alguém da equipe jogando agua em cima do elenco. As perfoamnces, principalmente a de Silvia Mangano, são bastante teatrais e hilárias, para os dias de hoje. Me diverti bastante.
sexta-feira, 17 de julho de 2026
Rebelião silenciosa
"À bras-le-corps", de Marie-Elsa Sgualdo (2025)
Co-escrito e dirigido por Marie-Elsa Sgualdo, "Rebelião silenciosa" concorreu no Festival de Veneza em 2025 e traz uma história sob o ponto de vista feminino, tanto na direção, roteiro e no protagonismo. Ambientado na Suíça em 1943, o longa foi rodado nas montanhas de Colombier, Neuchâtel, Suíça. A história me deixou bastante angustiado e me lembrei de "Dogville", não pelo aspecto visual e técnico, mas pela tragédia pessoal da adolescente Emma (Lila Gueneau), 15 anos. Ela é mal vista pela comunidade formada por protestantes onde mora, por conta de um extupr0 que ela sofreu, e precisa lutar pela sua dignidade. Ela também questiona o porque da comunidade em não acolher refugiados franceses, deixando-os à mercê dos oficiais nazistas.
Ao longo do filme, fui ficando irritado e angustiado pela forma como a protagonista sofre em silêncio. Mas o desfecho salvou qualquer impressão ruim que eu tive, ao homenagear explicitamente a cena final de "A noite de Cabíria", com direito à mesma quebra da quarta parede. A atriz Lila Gueneau segura o filme inteiro nas costas, em uma performance complexa e repleta de camadas emocionais.
A odisséia
"The odissey", de Christopher Nolan (2026)
Não há como questionar o talento de Christopher Nolan em todas as áreas em que atua: diretor, roteirista e produtor. Na sua adaptação de "A odisséia", de Homero, muitas críticas surgiram quanto à escalação de elenco de Lupita Nyong'o como Helena de tróia e de Elliot Page como um soldado grego da armada de Odisseus (Matt Damon), chamado Sinon. Esse personagem surge como um elemento de conflito moral para Odisseus, que após a Guerra de Tróia, divaga sobre as mortes ocorridas após a sua idéia de invadir a cidade usando o Cavalo presenteado. A verdade é que , mesmo com a longa duração de quase 3 horas, é um filmaço, repleto de drama, cenas de ação e aventura. Por vários momentos, me imaginei assistindo ao clássico 'Fúria de Titãs", de 1981, um filme que amo por estar repleto de seres fantásticos: aqui, tem o Cíclope, as sereias, uma feiticeira, um monstro de várias cabeças, soldados gigantes. Os deuses surgem na figura de Atena (Zendaya) e da ninfa Ca;ypso (Charlize Theron), que mantém Odisseus preso em sua ilha por 7 anos.
São muitos os personagens e sub-plots envolvendo o retorno de odisseus ào seu reino de Ítaca, que ele deixou para trás há 20 anos para lutar na Guerra de Tróia. Sua esposa, Penelope (Anne Hathaway) precisa lidar com diversos pretendentes que desejam usurpar o trono e forçá-la a um novo casamento, uma vez que as esperança sde Odisseus retornar já são improváveis. O filho deles, Telemaco (Tom Holland), decide ir atrás do pai, e para isso, segue até o reino de Esperta, governado por Menelaus (Jon Bernthal), casado com Helena. Robert Pattinson é Antinous, um dos pretendentes de Penelopse e que pretende usurpar o trono.
Os primeiros 10 minutos me deixaram confuso, com uma edição frenética, apresentando 1 personagem por minuto. Matt Damon retorna em grande estilo, com um personagem que me lembrou o que ele interpretou em "Perdido em Marte", divagando em sua solidão. Mas a cena mais brilhante do filme, é a que envolve a sempre surpreendente Samantha Morton. Um primor de atuação e de realização.
quinta-feira, 16 de julho de 2026
Montreal, ma belle
"Montreal, ma belle", de Xiaodan He (2025)
Escrito e dirigido pela cineasta chinesa radicada no Canadá Xiaodan He, "Montreal, ma belle" é um drama queer protagonizado pela premiada atriz chinesa Joan Chen. O filme, ambientado em Quebec, traz uma família de chineses imigrantes morando na cidade. Febg Xia (Chen) é casada com Wang Jun (John Xu), e pais de dois adolescentes nascidos no Canadá. O casal possui um mercadinho. O marido, que é engenheiro formado na China, não consegue emprego de engenheiro no Quebec por falta de diploma, e isso o deixa frustrado e amargurado. Os filhos não falam chinês e falame m francês com os pais, que mal falam a língua do país. Feng decide se matricular em um curso de francês para imigrantes. Ela conhece um aluno cubano gay que a apresenta a aplicativos de namoor. Ali, Feng se interessa por Lisa (Charlotte Aubin), uma jovem canadense. Feng sempre escondeu o seu interesse por mulheres, mas decide ir ao encontro escondida da família. As duas se conectam e se tornam amantes. O marido de eng passa a desconfiar das saídas da esposa e a flagra com Lisa.
O filme lida com diversos temas: etarismo, sexualidade reprimida, saída do armário, violência doméstica, falta de comunicação geracional, choque de culturas. Joan Chen é a grande performance do filme, repleta de camadas de emoção e trabalhando o seu silêncio e olhares. É um filme que lida com sensibilidade com a história de Feng, mas ao tentar abraçar tantos temas, se perde um pouco, terminando em um desfecho abrupto e em aberto.
Tróia
"Troy", de Wolfgang Petersen (2004)
Me preparando para assistir a "A odisséia", de Cristopher Nolan, decidi rever "tróia", de Wolfgang Peternse, lançado em 2004. Assisti na época e pouco me lembrava do filme, dirigido pelo alemão que realizou o clássico infantil "A história sem fim". O filme explora bastante os corpos do elenco, todos no auge da beleza: Brad Pitt, Eric Bana, Orlando Bloom, Diane Krueger e Rose Byrne. São cenas com muito erotismo, captadas com sensualidade pelas lentes. Fico impressionado como os efeitos, tanto práticos quanto os de CGI, eram muito melhores do que as que são realizadas hoje.
Adaptação da "Ilíada", de Homero, o filme apresenta Helena de Tróia (Krueger) como o estopim da Guerra de Tróia. O ano é 1184 Ac. Helena é filha de Zeus com a rainda Leda. Casada com o Rei Menelau de Esparta (Brendan Gleeson), ela se torna amante de Paris (Orlando Bloom), irmão de Hector (Bana). ambos príncipes de Tróia. Ele a leva até Tróia, governada pelo seu pai, Príamo (Peter O'toole). Menelau vai até o Rei Agamenon, seu irmão mais velho, e o convence a declar a guerra de Troia. Para isso, ele convova o seu guerreiro mais poderoso, Aquiles (pitt) para liderar os mais de mil navios. Odisseu (Sean Benn) sugere construir um Cavalo de madeira gigante para ser dado de presente e invadir Tróia.
O roteiro, escrito por David Benioff (roteirista e diretor de "Game of thrones") é adaptado do poema de Homero. O filme tem cenas bastante explícitas de violência, e é uma superprodução subestimada na época, e que merecia mais reconhecimento pela sua grandiosidade.
El filo de las tijeras
"El filo de las tijeras", de David Marcial Valverdi (2023)
Concorrendo a melhor filme latino no Festival de san Sebastian 2023, o documentáriio queer argentino "El filo de las tijeras" é uam imersão subjetiva do diretor e roteirista David Marcial Valverdi das memórias de sua história como homem gay. Desde os anos 90, quando, aos 7 anos de idade, ficava no salão de cabeleireiros de sua avó e ficava folheando as revistas e olhando as fotos de rapazes de short e sungas, ou aguardando o dia em que a clientela era toda de homens. Depois, nos anos 90, frequentava points de pegação de Buenos Aires e depois, o surgimento dos aplicativos. Através de animação e fotos e vídeos de época, David revela quais eram os códigos da pegação nos parques, e o medo de ataques homofóbicos, citando o caso de um amigo que foi assassinado. Boa parte do filme foca no casamento à três que ele manteve por 9 anos com Maximiliano e David, de mesmo nome. O filme mostra, de forma bsstante expositiva, a rotina dos 3 na cama, no lazer e as conversas durante o passar dos anos, até o fim do relacionamento, que se tornou desgastado com o assar do tempo.
Um bom exemplar sobre a cultura gay na Argentina nos anos 90 a 2020, "El filo de las tijeras" tem um caráter amador pelo seu orçamento, mas pulsa em emoção e carinho pelos personagens que apresenta.
Alone in Venice
"Alone in Venice", de Jules East (2025)
Escrito e dirigido por Jules East, "Alone in Venice" é uma visão modera e reversa do clássico de Thomas Mann, "A morte em Veneza". A cineasta chinesa radicasa em San Francisco Jules East inverteu os personagens: um jovem ator, Saul Larson (Apollo Luce) é apaixonado pela cineasta chinesa Jules (interpretado pela mesma). Jules é casada e conheceu Saul durante uma audição de seu filme independente. Eles se tornaram amantes e para despistar, ela o enviou até Veneza, para ficar em um quarto de hotel para esperá-la. Já se passaram 7 meses e Jules sempre arruma uma desculpa para não poder ir. Saul, obcecado, peramula pelas ruas de Veneza, esperançoso de que ela apareça. A irmã, de Saul, Mia (Lisa Jacqueline Starrett) viaja até Veneza para convencer o irmão a retornar para casa, mas ele quer continuar aguardando pela sua amada.
O filme teve um orçamento de 20 mil dólares e rodado em 13 dias, com uma equipe de 5 pessoas. Dá para perceber um certo amadorismo na parte técnica do filme: fotografia lavada, atores amadores. É uma pena que o filme não tenha tido mais ambição em termos de qualidade, e isso inclui o roteiro, co diálogos forçados. Mas o maior problema é a história anacrônica: é difícil acreditar que nos dias de hoje, um rapaz sofra por um amor tão obcecado como a do personagem.
quarta-feira, 15 de julho de 2026
Taipei suicide story
"Anmian lushe", de Keff (2020)
Um dos filmes mais melancólicos que assisti nos últimos tempos, "Taipei suicide story" me trouxe imediatamente lembrança de 'Amor à flor da pele", de Wong Kar Wai: os ambientes claustrofóbicos do hotel, os enquadramentos, os silêncios, os planos longos e reflexivos.
Exibido no Festival de Cannes e premiado no Slamdance Film Festival de 2021 , onde ganhou o Grande Prêmio do Júri e o Prêmio do Público na categoria de Melhor Longa-Metragem de Ficção, além do Prêmio de Melhor Atuação para Tender Huang, no papel do recepcionista Zhi-hao.
Escrito e dirigido por Keff, o filme pode ser um gatilho e por isso não o recomendo, mesmo eu tendo amado. Em Taipei, um hotel é procurado em uma longa lista de procura por ser permitido o hóspede se matar no quarto. Após a sua morte, no dia seguinte, uma equipe de "Limpeza" retira o corpo e faz assepsia do local, para receber o proximo hóspede. Pelas regras do hotel, o hóspede somente poderá se hospedar por uma noite, onde ele decidirá se se mata, ou se dá check out no dia seguinte, desistindo. Zhi-hao é um recepcionista acostumado ao seu trabalho. Ele age friamente e sem qualquer interação com as histórias dos hóspedes. Mas quando ele descobre que uma hóspede, Jung-tin (Vivian Sung) está hospedada por uma semana, sem seu conhecimento, ele decide faar com ela e lhe dar um ultimato: essa será sua última noite lá.
O filme traz elementos de huor, na figura dos limpadores, e um romance improvável e triste na relação de Zhi-hao e Jung-tin.
O jantar
"La cena", de Manuel Gómez Pereira (2025)
Quando " A vida é bela", de Roberto Benigni surgiu, muitas pessoas ficaram desconfortáveis com o uso da comédia para lidar com temas tão profundos e doloroso como a Alemanha nazista e os campos de concentração. "O jantar", do espanhol Manuel Gómez Pereira, que também escreveu o roteiro, vai para o mesmo caminho. O filme se passa no final da Guerra civil espanhola, 1939, com a vitória do General Franco. O próprio ordena um jantar de gala no Hotel Palace. Sem que ele saiba, o loca é utilizado como um hospital improvisado para feridos de guerra. O tenente (Mario Casas) é incumbido de organizar o jantar, e convoca o maître d'hôtel Genaro (Alberto San Juan) para preparar o jantar para Franco e seus generais. Genaro diz que todos os chefes são de esquerda e prestes a serem fuzilados, e que não existem chefes de direita. Medina solicita que adiem o fuzilamento e os chfes são liderados por Genaro para o jantar. O que eles querem, na verdade, é durante o jantar, organizar uma fuga.
Co-produzido por Espanha e França, o filme foi indicado a 6 prêmios Goya, incluindo melhor filme. É um filme muito divertido, com um excelente elenco e uma sub-trama com contexto lgbt, envolvendo Medina e Genaro. A direção de arte, figurino, fotografia e trilha sonora funcionam perfeitamente para contar a história. No 3o ato o suspense vai em um crescendo, com diversos tipos vilanescos surgindo para frustrar o plano dos amigos.
Armadilha mortal
"Pitfall", de James Kondelik (2025)
Sempre fui fã de slashers, e "Amadilha mortal" não decepciona. Mesmo com uma duração excessiva, podendo ter uns 20 minutos a menos, o filme satisfaz os fãs de gore e violência, com assassinatos brutais: o assassino usa machado, flechas, facas e principalmente, a armadlha do título: um poço com estacas no fundo, utilizada por caçadores.
O roteiro é batido. Temos 2 prólogos: um mostrando mãe e filho pequenos sendo abusados violentamente pelo marido dela em uma floresta de noite. No outro, os dois irmãos, Scott (Marshall Williams) e Ashley (Alex Essoe) estão no carro com seus pais, mas sofrem um acidente na estrada, causando a morte dos pais. Um tempo depois, os amigos dos irmãos os convencem a passar um final de semana na mesma floresta onde mae e filho foram vitimmados. Os amigos Lars (Richard Harmon), Gwen (Jordan Claire Robbins) e Charlie (Matt Hamilton) de cara vêem uma placa indicando diversos desaparecidos na floresta ( só em filme que os personagens inistem em acampar onde dezenas sumiram!!). Obviamente, um por um, serão vítimas do assasisno, interpretado por um campeão do MMA Randy Couture. Enquanto Scott cai no poço e fura sua perna, os outros precisam lutar para sobreviver ao assassino.
O filme não perdoa crianças nem mulheres grávidas, é cruel com todas as suas vítimas. Os atores são bons e existem cenas dramáticas e comoventes. Os efeitos são bons e a fotografia, quase toda noturna, eficiente.
Where elephants go
"Unde merg elefantii", de Catalin RotaruGabi e Virginia Sarga (2024)
Dizer que um filme romeno é estranho, é chuver no molhado. "Where elephants go" é escrito e dirigido pela dupla
Catalin RotaruGabi e Virginia Sarga e apresenta 3 personagens, que vivem em seu próprio mundo, tentando se dissociar das dificuldades e tragédias da vida contemporânea e da grande cidade. Marcel (Stefan Mihai) é um jovem escritor com tendências su1c1d4s que preambula pelas ruas, seguindo e imitando os transeuntes. Depois, se aproxima de mulheres e pergunta se querem transar com ele. Quando ele aborda Magda (Alice Cora Mihalache), inesperadamente ela aceita. Mada é mãe de Leni (Carina Lăpuşneanu), uma menina de 9 anos que faz tratamento de câncer. Para custear o tratamento, Magda trabalha como garçonete de dia e de noite se prostitui. Magda se apaixona por Marcel e Leni o vê como um irmão mais velho.
O filme é repleto de cenas surreais ( como a cena em que Marcel é levado para uma filmagem, como se fosse o protagonista de sua vida) e experimentais. Fique confuso em diversos momentos. O filme de certa forma homenageia a arte em diversos aspectos, e a doença mental e física é explorada de forma poética.
terça-feira, 14 de julho de 2026
Stop! That! Train!
"Stop! That! Train!", de Adam Shankman (2026)
"Stop!That!Train! é uma comédia maluca como as que eram feitas pelos irmãos Zucker nos anos 80: "Corra que a polícia vem aí", "Top secret". As paródias ficam mais evidentes nos filmes "Apertem os cintos, o piloto sumiu!" e "Velocidade máxima", só que as heroínas (e as vilãs) da vez são drag queens. Rupaul é uma das produtoras do projeto e escalou diversas concorrentes famosas de seu reality, "Drag race" para os papéis principais. Quem dirige é Adam Shankman, que dirigiu em 2007 a excelente refilmagem de "Hairspray", com John Travolta.
Tess (Ginger Minj) e DeeDee (Jujubee) são duas comissárias de bordo de uma cia de trem falida. elas são dispensadas e decidem se candidatar a serem comissárias da Glamazonian Express, o primeiro trem de alta velocidade dos Estados Unidos e voltado ao público de altíssimo luxo. Elas sofrem bullying de outro grupo de comissárias e precisam lidar com as exigências esdrúxulas dos passageiros. Mas quando uma tempestade surge no caminho, fazendo com que todos morram a bordo, as amigas precisam se unir à Presidene ds Eua, Gagwell (Rupal). para salvar a todos.
Absolutamente tudo no filme é caricato e exagerado, desde as performances, os números musicais, figurinos, make, direção de arte. O roteiro é uma colcha de retalhos de pequenos sketches, assim como eram os filmes de Zucker, como se fossem piadas prontas para divertir o público. Não dá para se levar nada a sério e o filme nem deve ser visto assim. Senti falta de piadas mais adultas e picantes, o filme ficou com cara de querer atender ao público mais família.
Sentimental
"Sentimental", de Cesc Gay (2020)
Adaptada de sua própria peça teatral, "Els veïns de dalt / Los vecinos de arriba", Cesc Gay resolveu ele mesmo dirigir a adaptação para os cinemas. O filme fez tanto sucesso, que diversas refilmagens aconteceram na França, Suíça, Coreia do Sul, Estados Unidos e agora, em Portugal, com Miguel Falabella e Marisa Orth no elenco.
A história acontece em um único cenário, o apartamento do casal Julio (Javier Cámara) e Ana (Griselda Siciliani). Ao chegar em casa, Julio descobre que Ana convidou o casal do andar de cima para um jantar. Julio se irrita, e diz que vai aproveitar para reclamar da barulheira que o casal faz durante o sexo. Com a chegada do casal Laura (Belén Cuesta) e Salva (Alberto San Juan), segredos íntims serão revelados, botando em pauta o relacionamento de Julio e Ana.
O elenco está incrível alternando momentos de humor picante, em um texto que tem uma base teatral, mas que funciona bem para o cinema. Eu gosto mais da versão americana, que explora mais na decupagem as possibilidades cinematográficas, e por trazer elementos mais dramáticos ao roteiro.
Confession
"Jabaek", de Yoon Jong-seok (2022)
Remake do suspense espanhol de 2017, "Um contratempo", de Oriol Paolo, que já foi adaptada para a Índia, Itália e agora para a Coreia do sul. A versão da Coréia segue à risca o original, modificando apenas no final do 3o ato.
Yoo Min-ho (So Ji-sub) é um empresárioo bem sucedido e casado. Ele é acusado de matar a sua amante, Kim Se-hee (Jin-Ah Im) em um quarto de hotel isolado nas montanhas de neve. Ao obter liberdade condicional, ele se isola em uma cabana nas montanhas. Ele aciona a poderosa advogada Yang (Yunjin Kim) para ajudar a provar a sua inocência. Durante a entrevista, a advogada faz perguntas, e Yoo Min começa a contar toda a história em flashbacks.
Eu assisti as versões espanhola e italianas, e essa sul coreana foi a que menos gostei. Faltou tensão, e a mudança no desfecho fez perder o plot twist incrível, vingativo. Era um trabalho mais impressionante de elenco. Aqui, as belas paisagens compensam a alteração na história.
segunda-feira, 13 de julho de 2026
O convite
"The invite", de Olivia Wilde (2026)
Adaptação da comédia espanhola "Sentimental", de Cesc Gay, que por sua vez, havia escrito o texto como peça teatral, "Els veïns de dalt / Los vecinos de arriba". O sucesso do original foi tanto, que ganhou diversas adaptações: França, Suíça, Coréia do sul, Portugal (Com Miguel Falabella e Marisa Orth) e agora, a americana. Olivia Wilde dirige e protagoniza essa dramédia com maestria, explorando diversas possibilidades de filmar em um único cenário, o apartamento (construído em estúdio) do casal Joe (Seth Rogen) e Angela (Olivia Wilde), unidos há 20 anos e pais de uma adolescente de 12 anos. Eles moram no apartamento herdado por Joe de seus pais, em San Francisco. Joe, outrora integrante de uma banda que acabou desfeita, trabalha como professor de música de uma escola para adolescentes. Angela cuida da casa e permanece nela boa parte de seu dia. O casal vive uma relação desgastada e rotineira. Angela deice convidar o casal do andar de cima para um jantar. Esse convite irrita Joe, que diz não saber do convite. Joe diz que irá aproveitar e reclamar com o casal dos barulhos provenientes da transa deles. Quando Pína (Penélope Cruz) e Hawk (Edward Norton), Angela e Joe ficam desconfortáveis pela óbvia conexão e alegria do casal. Mas a noite avança, e segredos do casal de cima surgem.
O filme tem um roteiro excelente que traz temas que podem ser gatilhos para casais que forem assistir: a rotina, o casamento fracassado, o desejo de rompimento e de recomeço. Olivia disse em uma entrevista que se inspirou nos clássicos "As duas faces da felicidade", de Agnes Varda, "Hannah e suas irmãs", de Woody Allen, "Cenas de um casamento", de Bergman e "Doze homens e uma sentença", de Sidney Lumet para o trabalho conceitual e estético. Todos os 4 atores estão radiantes e primorosos, merecedores de prêmios, não fosse a comédia um gênero subestimado em festivais.
Fishbelly white
"Fishbelly white", de Michael Burke (1998)
Vencedor do prêmio do juri em Sundance 1998, "Fishbelly white" é um curta escrito e dirigido por Michael Burke posteriormente adaptado pelo próprio para um longa em 2003, chamado 'O despertar da adolescência", com Emile Hirsch no papel principal, substituindo Michael Smith.
Filmado na área rural de Rutland, Vermont, o filme acompanha o solitário Duncan (Mickey Smith), um adolescente órfão de mãe, que mora com seu pai na fazenda. Duncan passa seu tempo cuidando de galinhas, e em especial, uma que pertencia à sua mãe. Duncan é obcecado por Perry (Jason Hayes), filho másculo do vizinho fazendeiro. Duncan sofre bullying dos valentões da região, e Perry ajuda a escondê-lo debaixo da ponte. Ali, Duncan toca no corpo de Perry.
O filme lida com sensações, olhares e muito homoerotismo. Além da citada cena da ponte, com os dois jovens de sunga, tem a cena onde Perry ensina Duncan a ordenhar uma vaca, em duplo sentido explícito.
O despertar da adolescência
"The mudge boy", de Michael Burke (2003)
Emile Hirsch faz parte de uma leva de atores que jamais foram reconhecidos nas premiações. Hirsch atuou em produções onde explorou toda a sua excelente verve de ator, como "Na natureza selvagem", de Sean Penn. "O despertar da adolescência" é um de seus primeiros filmes, então com 17anos e já trazendo uma performance complexa e visceral. O filme concorreu em Sundance em 2003 e é uma adaptação do curta do mesmo diretor e roteirista, chamado "Fishbelly White", de 1998 (vencedor do prêmio do juri em Sundance)
Duncan tem 16 anos e mora com seu pai Edgar (Richard Jenkins) em uma fazenda. Desde a recente morte de sua mãe por derrame, Duncam tem se isolado, tendo como amiga uma galinha. Seu pai, que vive em um luto, não entende a mudança de Duncan. Os valentões da região praticam bullying em Duncan. Um deles, Perry (Tom Guiry) procura proteger Duncan dos outros. Perry tem uma namorada, e Duncan o flagra fazendo s3x0 com ela. Um dia, Duncan e Perry se escondem dos outros valentões debaixo de uma ponte, e é o momento para a conexão dos dois garotos, que irá culminar em um ato de violência.
O filme segue uma típica narrativa de bullying e falta de comunicação entre pai e filho. O 3o ato, no entanto, muda radicalmente de tom, com uma forte cena de 3xtupr0. É uma cena chocante, e Emile Hirsch merecia um prêmio somente por esse momento. Uma performance corajosa e ousada, de um dos melhores atores da geração de Hirsch, infelizmente pouco reconhecido.
Beautiful Evening, Beautiful Day
"Lijepa vecer, lijep dan", de Ivona Juka (2024)
Uma obra-prima que infelizmente não encontrou maior projeção em grandes festivais, "Beautiful Evening, Beautiful Day" é um drama que merecia ser visto pela sua extraordinária mensagem sobre o amor às artes, ao cinema e aos relacionamentos queer. Um trunfo sobre amizade, compaixão e também a favor dos decidem usar a arma do amor e a arte contra a violência física e política.
Eu me lembrei imediatamente de "A vida dos outros", drama alemão vencedor do Oscar de filme internacional em 2007. Duas histórias paralelas que convivem na Iuguslávia comunista de 1957. Os 4 amigos gays, Lovro (Dado Ćosić), Nenad (Đorđe Galić), Stevan (Slaven Došlo) e Ivan (Elmir Krivalić) são heróis de guerra por terem feito parte da resistência do país contra a investida nazista. Após o fim da guerra, o país caiu sob o regime comunista do General Tito. Lovro é cineasta e Nonad, roteirista. Os dois são amantes. Stevan e Ivan são atores e todos participam da produção de um filme de guerra patrocinado pelo governo. Emir (Emir Hadžihafizbegović, a cara de Jack Lemmon), é um agente do partido da propaganda comunista que supervisiona as filmagens. Contestando o texto e a direção de Lovro, Emir decide reescrever e contrar pessoas do povo para atuarem no projeto, contra a vontade de Lovro e Nonad. Quando recaem suspeitas da homossexualidade dos amigos, o partido decide enviálos para a rígida ilha carcerária de Goli Otok.
Com uma fotografia em preto e branco de Dragan Ruljancic que alterna poesia e dor, o filme foi escrito e dirigido pela cineasta Ivona Juka , que traz imagens inesquecíveis, sejam pela comoção, erotismo poesia, ou pela extrema violência. O filme traz cenas de s3x0 explícito e nudez total do elenco principal. O personagem de Emir lembra o do agente infiltrado em "A vida dos outros", entrando em um conflito quando entende a importância da arte e dos artistas. O elenco é brilhante, inclusive as pequenas partciipações como a empregada de Emir e o amante de Stevan, mostrando que todo ser humano pode se desviar por interesses próprios.
domingo, 12 de julho de 2026
Viento aparte
"Viento aparte", de Alejandro Gerber Bicecci (2014)
Indicado pelo México à uma vaga ao Oscar de filme internacional em 2015, "Viento aparte" é um drama coming of age angustiante. O filme, um road movie, acompanha 2 jovens irmãos, Omar (Sebastián Cobos), de 15 anos, e Karina (Valentina Buzzurro), de 12, a atravessarem o México pedindo carona por estradas e cidades perigosas até chegarem ao seu destino. Escrito e dirigido por Alejandro Gerber Bicecci, o ilme é dedicado à irmã do diretor, Vero. Mas me pareceu mais um ato sádico do cineasta, fazendo os dois irmãos passarem por uma quantidade infinita de perigos, ameaças e intimdações.
Os dois irmãos estão de férias com seus pais na cidade turística litorânea de Oaxaca. Quando os irmãos, que são da cidade grande e alheios a tudo o que acontece no México (assassinatos, manifestações, tráficos, preconceitos raciais e étnicos, luta de classes) retornam à pousada, recebem uma mensagem do pai, dizendo que teve que ir correndo levar a mãe deles para um hospital, pois ela sofreu um derrame. Sozinhos, eles precisam ir até à casa da avó, que mora em Paquimé, um município onde se encontra o sítio arqueológico. De carona em carona, pegando ônibus, conhecendo motoristas mal encarados, prostitutas, abusadores e outros tipos, os irmãos precisam aprender a se tornar maduros, deixando para atrás a ingenuidade e a falta de experiência em lidar sozinhos sem a presença dos adultos.
O que me segurou até o final foi o ótimo trabalho dos dois jovens. Fiquei com a impressão que o cineasta quiz punir seus protagonistas por terem nascidos previlegiados, e issso me deixou incomodado. A todo momento, parece que algo grave irá acontecer com eles, até memso, possibilidade de abusos s3xu41s. Pior ainda, é deixar o final em aberto.
Vivre, mourir, renaître
"Vivre, mourir, renaître", de Gaël Morel (2024)
Concorrendo ao Queer Palm no Festival de Cannes 2024, "Vivre, mourir, renaître" é um drama sobre como a Aids destruiu vidas e esperanças no início dos anos 90. Ambientado em Paris, o filme começa em 1990 e apresenta o jovem casal Emma (Lou Lampros) e Sammy (Théo Christine). Eles estão em uma rave e na saída, Sammy revela à Emma a sua bissexualidade. Ela não se incomoda, e ambos relatam o desejo de estarem juntos eternamente. CInco anos depois, casados e morando juntos, o casal tem um filho, Nathan (Hélyos Johnson). Um famoso fotógrafo, Cyril (Victor Belmondo, neto de Jean-Paul), mora no andar de baixo. Sammy e Cyril acabam se conhecendo e se apaixonam. Cyril revela ser soropositivo, e os dois fazem s3x0 seguro. Quando Emma descobre o relacionamento, se irrita. Para piorar, decsobre que Sammy também está soropositivo, mas de um outro relacionamento.
O filme traz um triângulo amoroso formado por 3 belos atores, com trilha sonora pop ( que inclui uma cena que faz referência a "Mauvais sang" e "Francis Ha", com Sammy e Cyril correndo na rua ao som de "Modern love", de David Bowie). A linda fotografia de David Chambille traz tons frios e melancólicos à medida que. a história avança.
Oliverio y la piscina
"Oliverio y la piscina", de Arcadi Palerm-Artis (2021)
Premiado filme mexicano co-escrito e dirigido por Arcadi Palerm-Artis, "Oliverio y la piscina" é uma dramédia protagonizada por um garoto de 13 anos. Oliverio (Alex Warren) mora com seus pais, Romulo (Jacobo Lieberman) e Lily (Monica Huarte). Quando os pais de Oliverio anunciam a ele que irão se separar, Oliverio reage mal. Os pais começam a discutir, e Romulo tem um aneurisma cerebral, chegando a falecer. Após o velório, Oliverio segue em luto e sentimento de culpa, e decide que irá morar na piscina externa, se recusando a entrar em casa. Sua mãe, o tio, a empregada trans Rosita (Jorge Zarate), ninguém consegue convencê-lo. Oliverio passa a imaginar a presença de seu pai na piscina.
Dosando bem o drama, a comédia e a fantasia, "Oliverio y la piscina). é um filme acredoce, com atuações excelentes do elenco. Alex Warren impressiona em seu primeiro papel, onde está em praticamente todas as cenas.
O filme conta com a presença do premiado ator uruguaio Cesar Troncoso como um namorado de Lily, Dr Mata, um personagem divertido.
sábado, 11 de julho de 2026
Blue heron
"Blue heron", de Sophy Romvari (2025)
Um drama devastador baseado na história da roteirista e cineasta Sophy Romvary, húngara de nascença, criada no Canadá. O filme apresenta a relação de Sacha (alter ego da cineasta) quando criança, nos anos 90, e já adulta, nos dias de hoje. O foco é a sua relação familiar, em especial, sobre o seu irmão mais velho, Jeremy. Portador de transtorno de aspecto autista, nos anos 90, a deficiência ainda não era totalmente conhecida. Os pais de Sacha tentaram diversos tratamentos, psicológos, terapias, sem solução. Já nos dias d ehoje, Sacha adulta é uma cineasta e prepara um documento sobre autismo. Para isso, recolhe depoimentos reais de profissionais, e também, de pessoas que testemunharam na época em que Sacha era criança, como Jeremy agia e se comportava socialmente e com a família.
O filme é dividido em 3 capítulos: a família acaba de se mudar para uma casa confortável em Vancouver, vindos da Hungria. Os pais, e os 3 irmãos de Sacha, que é a única menina. Jeremy é o mais velho: preso pela polícia por furto; ameaçando tacar fogo na casa; subindo no telhado da casa. Tudo são memórias de uma Sacha que não entendia exatamente o que estava acontecendo. O filme pula 20 anos, e mostra Sacha adulta buscando depoimentos. A 3a parte é a mais ousada: assim como em "Morandos silvestres", Sacha adulta retorna à sua casa dos anos 90, e se passando por assistente social, entrevista seus pais, e depois, conversa com Jeremy.
Vencedor do Swatch First Feature Award em Locarno, "Blue heron" traz atuações primorosas de todo o elenco. Belamente filmado, é ousado, corajoso ao expor a história de sua família.
sexta-feira, 10 de julho de 2026
Carolina Caroline
"Carolina Caroline", de Adam Rehmeier (2025)
Protagonista de "Casamento sangrento" 1 e 2, Samara Weaving retorna agora em um filme de ação romântico, ao lado de Kyle Gallner. "Carolina Caroline" traz ecos de "Uma rajada de balas/Bonnie e Clyde", apresentando uma dupla que pratica roubos.
Ambientado nos anos 90 no Texas, Caroline (Weaving) trabalha com seu pai em um posto de gasolina. Sua mãe , Deborah, a abandonou quando ela era criança. Quando um cliente, Oliver (Gallner) aparece no posto, Carolina percebe que ele enganou o seu pai no troco e vai atrás dele. Caroline imediatamente fica seduzida pelo charme de Oliver e decide fugir com ele pelas estradas praticando assaltos. Os dois se apaixonam e Caroline concorda em viajar com Oliver para chegar à Carolina do Sul, onde sua mãe mora.
O melhor do filme é a química do casal principal. Assim como Warren Beatty e Faye Dunaway, Weaving e Gallner funcionam muito bem em cena exalando sensualidade e paixão. O roteiro vai em lugares comuns e o desfecho se torna previsivel. A cena do reencontro de mãe e filha é um show de atuação.
A morte do demônio- Em chamas
"Evil dead- Burn", de Sébastien Vanicek (2026)
É impressionante que o 1o filme da franquia "Evil dead", que catapultou a carreira de Sam Raimi, esteja fazendo 45 anos. Lançado em 1981, o filme trouxe para o imaginário dos fãs de terror as figuras dos "deadite", figuras demoníacas que desejam possuir em novos hospedeiros. A milionária franquia está em seu 6o filme, dirigido pelo francês Sébastien Vaniček. Em 2023, ele lançou o terror "Infested", sobre aranhas que infestam um condomínio. Por conta do filme, ele foi convidado a dirigir esse " A morte do demônio- Em chamas". A trilha sonora inclui músicas francesas, e os pais da protagonista Alice, que não aparecem, são franceses. A atriz Souheila Yacoub foi escolhida pelo cineasta por conta do trabalho intenso que ela faz no teatro e no cinema francês.
Tacoub interpreta Alice. Ela é casada com Will, um homem abusivo que a espanca. Durante uma noite de bebedeira, Will discute com seu irmão Joseph e Alice e decide pegar o carro. Na estrada, ele atropela uma deadite, que possui o corpo de Will já morto. Na cremação, ele possui o corpo de seu pai. A família de Will, junto de Alice decidem passar um final de semana na casa da floresta.
Boa parte da crítica elogiou o filme. De fato, o trabalho de câmera é espetacular, com movimentos de câmera incríveis. O roteiro me irritou por conta do desenvolvimento de alguns personagens, principalmente o de Joseph. Para facilitar a ação, sempre tem um objeto próximo aos personagens para se defender, seja uma faca, ou vaso, ou qualquer elemento para atacar. A mídia alardeou que era um filme extremamente violento, mas não vi diferença com os últimos da franquia. O personagem da avó é o elemento cômico do filme. Atenção para 2 cenas pós créditos.
quinta-feira, 9 de julho de 2026
Girls like girls
"Girls like girls", de Hayley Kiyoko (2026)
Aclamado filme sobre o amor de duas adolescentes, "Girls like girls" tem a sua origem em 2015 quando a cantora Hayley Kiyoko lançou a música homônima, junto d eum videoclipe. Com o sucesso, Hayley decidiu escrever um livro, lançado em 2023, e depois, o filme, que ela mesma dirigiu e co-escreveu o roteiro, junto de Stefanie Scott e Chloe Okuno.
O filme se passa no ano de 2006. Após a morte de sua mãe, Coley (Maya da Costa) vem de San Diego para a área rural de Oregon para morar com seu pai, Curtis (Zach Braff), que a abandonou quando ela era criança. Coley sente-se deslocada e não conversa muito com seu pai. Ela acaba conhecendo Sonya (Myra Molloy), uma jovem local que anda com um grupo de amigos. Sonya se aproxima de Coley após essa sofrer bullying do namorado de Sonya. Ambas se tornam amigas, e em um momento de intimidade falando de suas vidas, elas se beijam. Durante uma festa, ambas são flagradas pelos amigos e Sonya decide se afastar de Coley, que fica arrasada.
Hayley dirige o filme com muita delicadeza e sensibilidade, embalada por uma trilha sonora que vai de indie folk até eletrônico, como 'Sexy boy". As atrizes estão ótimas e com muita conexão e química, e a fotografia de Sonja Tsypin registra cores que intensificam flares e luzes em tons impressionistas. O que mais me chamou atenção é como Zach Braff se tornou um Daddy, maduro, perdendo aquele ar de eterno adolescente.
El aspirante
"El aspirante", de Juan Gautier (2024)
Filmes sobre abusos no universo das escolas e universidades são bastante comuns na cinematografia mundial. No tema, o meu filme preferido é clássico "O jovem Torless", de Volker Schlöndorff. De filmes de terror, drama, comédia, o bullying é um tema bastante comum. Em 'El aspirante", o foco é no trote de calouros que adentram a Universidade. Nesse drama espanhol, existem momentos que flertam com a atmosfera de filmes de terror, e levemente, a homossexualidade reprimida e homoerotismo em cenas de rapazes desnudos. O roteiro, escrito por Juan Gautier, Josep Lluís Gómez e Samuel Hurtado tem um desfecho bastante amoral, que me deixou surpreso. O trabalho dos jovens atores é excelente, principalmente de
Lucas Nabor, como Carlos, e Jorge Motos, como Dani.
Carlos acabou de passar para engenharia. Junto do também calouro Dani, eles dividem o mesmo quarto na univerdidade. Logo na cena inicial, o reitor da escola anuncia aos calouros que o local preza a fraternidade e o respeito. Logo depois, eteranos, liderdaos por Pepe (Eduardo Rosa) iniciam o trote, que irá levar o dia e a noite toda, com violência e humilhação, desde fazendo os calouros se vestireme. agirem como mulheres, até apanharem com cintos, se drogarem e beberem. Assaltos a minorias nas ruas também fazem parte do cardápio, culminando com 3stupr0s das alunas.
é um filme que não deve sre visto para quem poderá ter gatilhos com os temas. O filme não economiza na violência psicológica, e os dois jovens, Dani e Carlos, são os pivôs da brutalidade.
quarta-feira, 8 de julho de 2026
A sapatona intergalática
"Lesbian Space Princess", de Emma Hough HobbsLeela Varghese (2025)
Premiada com melhor animação no Festival de Berlin (prêmio Teddy), Melhor filme da mostra Felix no Festival do Rio, Melhor filme em Sidney, Melhor animação em Sitges , além de ter concorrido em Annecy, "A sapatona intergalática" é uma animação australiana. Zoado e com muito humor, o filme é uma ficção científica ambientada em um mundo onde o universo é comandado por uma sociedade diversificada, e não mais comandada por homens heters tóxicos. No planeta Clitópolis, toda a população é formada por lésbicas. A princesa Saira tem 2 mães. Ela tem um caso com a caçadora de recompensas Kiki, que é uma mulher tóxica e reclama que saira é pegajosa. Saira é insegura e chora constantemente. Kiki decide dar o fora nela, deixando a princesa arrasada. Kiki é sequestrada pelos Maliens Brancos e Heteros. Eles querem uma arma em poder da princesa Saira, e usam Kiki como cobaia. A arma fará com que as mulheres voltem a se atrair pelos malies brancos e heteros.
O filme tora onde com diversos gêneros, incluindo números musicais protagonizados por uma cantora que decide ajudar Saira e que é apaixonada por ela. Com cenas bem engraçadas beirando o trash, o roteiro brinca o tempo todo com personagens masculinos que fazem um discurso retrógrado, misógeno e machista.
Shared rooms
'Shared rooms", de Rob Williams (2016)
Melhor comédia no festival FilmOut San Diego 2016, "Shared rooms" é uma picante comédia romântica queer dividida em 3 histórias conectadas por personagens. Todos os protagonistas estão em busca de amor, relacionamento ou s3x0. As histórias acontecem no Natal e ambientados em Los Angeles.
Na 1a história, um casal gay, Laslo (Christopher Grant Pearson) e Cal (Alec Manley Wilson), conversam com outro casal de amigos durante um almoço que não desejam ter filhos. Mas quando o filho da irmã de Laslo discute com ela quando revela ser gay, ele sai de casa e pede para o tio para passar um tempo na casa deles.
Na 2a história, Gray (Alexander Neil Miller) e Sid (Justin Xavier) se conhecem através de um aplicativo. Eles passam a noite e a manhã seguinte na casa de Gray. Durante a estada, eles conversam sobre relacionamentos. (nesse episódio, os atores ficam totalmente nús o tempo todo).
Na 3a história, Julian (Daniel Lipshutz) é forçado a dividir o mesmo quarto e a mesma cama com o seu colega Dylan (Robert Werner). Obviamente, ocorerrá uma tensão s3xu4l entre os dois.
As histórias são bem previsíveis. O que faz valer assistir ao filme, é o grande erotismo, com atores bonitos e alguns totalmente nus em cena. Tem humor, drama e um contexto apresentando diversas possibilidades de relacionamentos gays no mundo contemporâneo.
terça-feira, 7 de julho de 2026
Le beau Mec
"Le beau Mec", de Wallace Pott (1979)
Quando você poderia imaginar que o diretor de fotografia espanhol Nestor Almendros, vencedor do Oscar por "Cinzas no paraíso" e que também fotografou "A escolha de Sofia", com Meryl Streep, iria fotografar um filme pornográgico gay? Ou o famoso bailarino Rudolf Nureyev coreografaria uma cena de dança em um cabaret no mesmo filme de sexo explícito?
Pois esse filme existe, e se chama 'Le beau Mec". Co-escrito e dirigido por Wallace Potts, cineasta americano e conhecido por ter sido o último amante de Nureyev, foi totalmente rodado na França. O filme apresenta um homem (
Karl Forest), que narra em off a sua história de vida, baseada em s3x0 e atos s3xu41s. Iniciando a sua vida com soldados, o homem , além de ter servido o exército, trabalhou como atleta e depois, garoto de programa. O filme é dividido em sketches, cada uma delas, acompanhando uma fase do homem. Em determinando momento, ele quebra a quarta parede e narra a sua história ao espectador. Boa parte é narrada em inglês pelo homem. A primeira cena apresenta o homem fazendo s3x0 com um estranho na floresta, enquanto são vijiados por um soldado nazista. Depois o mostra servindo no exército. Em outra vinheta, ele faz michê na rua e segue até um quarto d ehotel com o cliente.
Repleto de cenas de s3x0 explícito, "Le beau Mec" segue uma linha narrativa artística e experimental, comum em filmes eróticos desse período.
Bijou
"Bijou", de Wakefield Poole (1972)
Clássico queer de 1972, "Bijou" é dirigido e escrito por Wakefield Poole, mesmo diretor e roteirista de "Boys in the sand", primeiro filme pornô gay a receber crítica pela mainstream Variety e exibido em salas de cinema. Ambos os filmes trabalham em uma narrativa experimental com uma atmosfera onírica e hedonista, transitando em cenas desconexas e sensoriais, praticamente sem dálogos. Alguns críticos o compararam à uma adaptação fetichista de "Alice no país das maravilhas".
Após um dia de trabalho, um operário da construção civil anônimo (Bill Harrison) testemunha uma mulher morrer atropelada. O homem imediatamente pega a bolsa da mulher e leva consigo para casa. Ele encontra um cartão de uma casa noturna chamada "Bijou", e movido pela curiosidade decide vistar o local. A recepcionista é uma mulher idosa. O local possui diversos ambientes, onde o homem se entrega aos prazeres do s3x0, seja com um estranho, ou em uma orgia, banhados por luzes coloridas e uma trilha sonora desconcertante.
A representação do machão é feita pelo protagonista, que mais parece o modelo da campanha de cigarrs Marlboro, com seu bigode, calça jeans apertada e camisa xadrez. O filme desconstrói essa imagem, ond eo protagonista se entrega a fetiches e prazres talvez nunca vivenciados, em uma casa ond etudo é permitido. A cena final, do homem saindo e quebrando a quarta parede, com um sorriso satisfatório, é estranha e safada.
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