terça-feira, 8 de setembro de 2026

Hoard

"Hoard", de Luna Carmoon (2023) Escrito e dirigido por Luna Carmoon, "Hoard" é seu filme de estréia. O filme recebeu 4 prêmios no Festival de Veneza 2023: Vencedor do Prêmio de Autores com Menos de 40 Anos de 2023, prêmio de filme inovador, Prêmio do Público do Clube de Cinema e Grande Prêmio da Semana Internacional da Crítica de Veneza. O elenco traz a excelente atriz Hailey Squire ( de "Eu, Daniel Blake") no papel de Cynthia, mãe da pequena Maria (Lily-Beau Leach), e Jonathan Quinn, o Eddie de 'Stranger things". Na fase adolescente, Maria é interpretada por Saura Lightfoot-Leon. O filme retrata doenças mentais e compulsões. Cynthia mora sozinha com sua filha de 8 anos, Maria. Cynthia é compulsiva por catar lixo e levar objetos para casa, repleta de quinquilahrias e acumulações. Ela obriga Maria a catar o lixo toda noite com ela. A casa acaba ficando infestada de ratos. Maria sofre bullying de professoras e colegas, e é uma menina solitária. Quando sua mãe sofreum acidente em casa ( uma pilha de objetos caem sobre ela), a menina acaba sendo enviada para uma família adotiva. 10 anos depois, Maria mora com Michelle, sua mãe adotiva. Michael (Quinn) filho adotivo de Michelle e ex-detento, vai ficar por um tempo na casa, enquanto decide aonde ficar. Ele namora uma jovem, que está grávida. A compulsão de Maria por lixo atrai Michael, e ambos passam a se relacionar. Não me envolvi muito com a ahistória do filme. O que me atraiu, são as performances: as duas atrizes que interpretam Maria são incríveis, e Hailey Squire mantém a mesma força em performances de mãe coragem.

Cain at Abel

"Cain at Abel", de Lino Brocka (1982) Lino Brocka foi um dos grandes nomes do cinema filipino. Realizador dos clássicos "Macho dancer", "Insiang", "Bona", "Manila nas Garras de Néon", entre outros. Com "Cain at Abel", Brocka adapta a bíblica história de Caim e Abel para os dias de hoje. O filme me fez lembrar da obra-prima de Elia Kazan, "Vidas amargas". A premissa inicial é muito semelhante: dois irmãos disputam a atenção da matriarca, dona de terras e de uma fazenda. Lorenzo (Phillip Salvador) é o irmão mais velho, casado com Becky (Pina Delgado), e pais de 2 crianças. Mas o filho preferido de Senhora Pina (Mona Lisa) é Ellis (Christopher De Leon). Lorenzo teve que largar os estudos para cuidar da fazenda, enquanto Ellis foi estudar na capital. Quando Ellis retorna para a fazenda, acompanhado de sua esposa grávida Zita (Carmi Martin), os irmãos passam a se estranhar e disputar a heraça das terras. A empregada da família, Rina (Cecille Castillo) carrega o filho de Ellis que a engravidou antes de estudar na faculdade. Os filmes de Brocka geralmente envolvem tramas de violência circundando um nucleo familiar. Aqui não poderia ser diferente, e obviamente, termina em tragédia. Um ótimo filme repleto de traições e mulheres fortes, que sucumbe à uma sociedade machista e patriarcal.

Some rain must fall

"Kong fang jian li de nv ren", de Escrito e dirigido por Qiu Yang, 'Some rain must fall" é uma co-produção China, Estados Unidos, Singapura e França. O filme foi rodado em aspetc ration de 4:3, com fotografia da alemã Constanze Schmitt. "Some rain must fall" é um drama intimista e alegórico sobre os conflitos psicológicos de uma mulher de meia idade idade. O filme concorreu em Tribeca, onde saiu com os pr6emios de fotografia e de drama. No Festival de Berlim 2024, saiu com o Winner Encounters Award - Special Jury Prize. Cai (Yu Aier) é uma dona de casa, casada e mãe de uma adolescente. Cai está em processo de divórcio. Além disso, não consegue se comunicar direito com sua filha. Sua mãe está doente. Quando vai visitar a filha no colégio durante um torneio esportivo, Cai, atormentada por muitos problemas, acaba provocando um acidente, ond euma idosa sai ferida e é internada. O filme tem uma narrativa complexa e confusa, alternando presente e passado. Estilizado e com uma fotografia que me lembrou filmes de Wong Kar Wai, 'Some rain must fall" não é m filme fácil de acompanhar. Ritmo lento, minimalista e personagens áridos.

Canelones

"Canelones", de Christian Basilis e Ana Gussoni (2026) Comédia de humor ácido argentina, inspirada em conto de Hernán Caciari. O filme tem um prólogo que começa em 1987: dois amigos adolescentes, moradores de Mercedes, província de Bueos Aires, se divertem. Hernan e Chiri costumam fazer trotes, fazendo ligações aleatórias. Hernán liga para uma mulher, e diz ser seu filho. Ele descobre que o filho dela, Daniel, foi embora e nunca mais voltou. Hernan continua a farsa e diz que irá visitá-la em casa em poucas horas. A mulher faz canelones e o aguarda. Hernan, claro, não vai. Em 2015, Hernan agora é um escritor consagrado. Ao retornar para Mercedes, ele reencontra sua mãe, Chichita. Sem que Hernan saiba, sua mãe está namorando Daniel, o verdadeiro filho da mulher que ele ligou na adolescência, e que agora, quer se vingar da família de Hernan. O filme tem um tom de sátira e humor ácido típicos do cinema argentino. O elenco é divertido, beirando a caricatura. O filme tem um ritmo oscilante, com diversas passagens com ritmo lento. No final, um bom passatempo.

Sheep in the box

"Hako no naka no hitsuji", de Hirokazu Koreeda (2026) Lançado com muita expectativa na disputa à Palma de ouro no Festival de Cannes 2026, "Sheep in the box", do premiado cineasta e roteirista japonês Hirokazu Koreeda acabou sendo um dos mais criticados do evento. Dois anos após o seu aclamado "Monster" ter levado a palma de melhor roteiro e o queer palm, "Sheep in the box" ganhou a alcunha de "episódio de Blakc mirror" pelo seu tema fantasioso, já visto em diversas produções. O tema da Inteligência artificial recriando humanos já foi visto em 'A.I, inteligência artificial", "Blade runner", "Ex-machina", "A acommmpanhante perfeita" e obviamente, no episódio de Black mirror, "Be right back". Em todos, a figura humanóide se rebela e vai em busca de sua "humanidade". Koreeda é um dos cineastas que mais aprecido, tendo realizado filmes primorosos como "Ninguém pode saber", "Pais e filhos", "Assunto de família" e "Monster". "Sheep in the box" é um filme menor, mas não ruim, como muita gente quer fazer acreditar. Koreeda mais uma vez aponta a sua história para famílias desfuncionais, em busca de redenção. Dessa vez, ele apresenta uma história ambientad ano futuro, onde é possível reproduzir pessoas em uma empresa chamada 'Rebirth". Otone (Haruka Ayase) e Kensuke Komoto (Daigo Yamamoto) formam um casal: ela arquiteta, e ele, carpiteiro. O casal procura seguir a vida em luto, após a morte do filho, há dois anos. A empresa Rebirth os convida para conhecer as instalações, após ganharem o direito a receber um humanóide de graça, por conta da perda traumática. Kakeru (Rimu Kuwaki) ressurge em suas vidas. Otone imediatamente e afeiçoa a ele, enquanto Kensuke o repele e impede que o chame de pai. O ritmo do filme segue lento e contemplativo. O pequeno ator Rimu Kuwaki tem um defícil desafio d einterpretar a inteligência artificial, e o faz com primor. Koreeda sempre foi famoso pela direcão de atores delicada e repleta de camadas.

segunda-feira, 7 de setembro de 2026

Moscas

"Moscas", de Fernando Eimbcke (2026) Co-escrito e dirigido por Fernando Eimbcke, "Moscas" é uma co-produção México, Espanha e Argentina, rodada na Cidade do México. O filme foi indicado ao Urso de ouro em Belrim 2026, de onde saiu com o prêmio do juri ecumênico. O cineasta Michael Franco foi um dos produtores, só que ao contrário de seus filmes violentos, "Moscas" traz a humanidade e esperanca através de uma improvável relação entre uma mulher solitária de meia idade, Olga (Teresita Sánchez) e um menino de 9 anos, Cristian (Bastian Escobar). O filme é rodado em preto e branco, trazendo um mundo melancólico e desesperançoso. Olga é uma mulher que mora sozinha em um apartamento. Após a morte de seu filho, ela se isola de todos. Sme condições de manter o apartamento sozinha, ela decide alugar um quarto. Tulio (Hugo Ramírez) e seu filho Cristian decidem morar no quarto: mas com dinheiro apertado, Tuilio esconde seu filho de Olga, que mora esconido no quarto. Eles decidem ficar ali por estar próximo do hospital onde a mãe de Cristian está internada na Uti, com câncer. Ao sair para procuar trabalho, Tulio deixa seu filho sozinho no quarto. mas Olga encontra a criança, e cobra mais dinheiro de Tulio, e deixando um prazo de uma semana para ficarem. Mas ela não esperava que fosse se conectar ao menino, e juntos, criam uma sinergia que os tira de seu marasmo. "Moscas" foi indicado ao prêmio Goya 2027 de melhor filme, ficando de fora da indicação ao Oscar, que ficou com "En el camino". O ritmo é bastante lento e contemplativo, com fotografia em preto e branco, acentuando o cotidiano e a rigidez da vida de seus personagens, em planos estáticos.

On the sea

"On the sea", de Helen Walsh (2025) Menção especial no Thessaloniki Film Festival 2025, 'On the sea" é um drama queer inglês escrito e dirigido por Helen Walsh. O filme foi rodado no País de Gales, na costa leste de Anglesey. Jack (Barry ward) é um homem na faixa dos 50 anos, casado com Maggie (Liz White) e pais do adolescente Tom (Henrique Lawfull). Jack trabalha com seu irmão mais novo, Dyfan, e os 3 filhos dele, na colheira de mexilhões à beira do mar. Jack passa por diversos dramas em sua vida: Tom não quer trabalhar para a família e seguir a tradição da colheita; a venda dos mexilhoes vai mal; Jack decsobre estar com câncer; e a chegada d eum jovem marinheiro gay à cidade, Daniel (Lorne MacFadyen), fará com que Jack reveja os seus conceitos acerca de sua macsulinidade. Ele e Daniel começam a se relacionar às escondidas. Daniel quer que eles assumam a relação, mas Jack está em conflito, pois não quer largar a sua esposa. Mas quando os rumores avançam no vilarejo, todos se voltam contra Jack, incluindo sua família. O filme tem um ritmo bastante lento. A fotografia e a direção previlegiam os planos longos, esparsados, contemplativos, como um documental. O roteiro traz uma história já vista em muitos dramas queer, e a personagem mais prejudicada é a da esposa, encostada em um lugar comum da mulher enganada. Eu queria ter gostado mais do filme e ser surpreendido. Ainda asism, é um filme correto e defendido por ótimos atores.

domingo, 6 de setembro de 2026

Ponto sem retorno

"The dog star", de Ridley Scott (2026) Um grande fracasso de crítica e bilheteria, "Ponto sem retorno" acompanha uma tragetória de grandes fracassos de Ridley Scott nos anos 2000: "O último duelo", "Casa Gucci", "Napoleão" e "Gladiador 2". Adaptado do romance escrto por Peter Heller em 2012, o filme foi rodado na Itália em externas e no famoso estúdio de Cinecittá. O talk of the town foi que Paul Mescal, protagonista de "Gladiador 2" e que seria o protagonista em "Ponto sme retorno", foi dispensado por Ridley que o considerou "pouco masculino". O filme teve orçamento por volta de 70 milhões de dólares, e arrecadou pouco mais de 232 milhões. Com um grande elenco de estrelas, formado por Jacob Elordi, Josh Brolin, Margareth Qualley, Guy Pearce, Benedict Wong e Allison Janney, "Ponto sem retorno" é um filme pós apocalíptico mega genérico e arrastado. Durante 1/3 do filme, parecia que eu estava assistindo a "Eu sou a lenda", com Will Smith e seu cachorro. Mas pelo menos ali, haviam zumbis para se divertir. Aqui, naquela máxima que o ser humano é o seu pior inimigo, encontramos sobreviventes que tanto podem ser canibais, quando grupos violentos a fim de uma bagunça. O ano é 2032, e a maior parte da população morreu de epidemia de gripe. Hig (Elordi) se tornou viúvo após sua esposa morrer. Ele mora com seu cachorro, Jasper, e um fuzileiro, o bronco Bangley (Josh Brolin). Após um ataque, onde seu cachorro é morto, Hig decide pegar seu avião e seguir ate Grande Junction, onde recebeu chamados de rádio. Chegando la, ele conhece pai e filha, Cima (Margaret Qualley) e Pops (Guy Pearce). Ao chegarem em um aeroporto destaivado, eles encontram sobreviventes, liderados por uma ex-comissária (Janney), que na verdade, são canibais. O filme não é bom. Personagens sem carisma, roteiro sem identidade própria, atores no automático. Logo no início, quando so personagens de Hig e Bengley tomam Coca Cola KS, pensei que o filme não teria solução, com essa inserção de product placement mega forçada.

sábado, 5 de setembro de 2026

Un susurro invocó mi nombre

"Un susurro invocó mi nombre", de Emilia Cotella e John Mathis(2025) Roteiro de Emilia Cotella, co-diretora, "Un susurro invocó mi nombre" traz a já batida história de experiências com ayahuasca que não dão certo. Nos anos 80, Ken Russel realizou o cult "Viagens alucinantes", com Willian Hurt, e mesmo não sendo terror, traz cenas alucinantes e assustadoras que envolvem delírios de quem está sob os efeitos do chá alucinógeno. O filme ganhou o prêmio de melhor atriz para Clara Kovacic, que interpreta a protagonista Clara na sua 2a fase. Quando mais jovem, Clara foi com um grupo de amigos formandos para uma região isolada de Buenos Aires, Serra de Cordobas. Ali, tomam ayahuasca. Maria, amiga do grupo, amanhece morta na beira do lago, aparentemente de su1c1d10. Dez anos depois, Carla é uma famosa bailarina. Ela fica sabendo que um dos integrantes do grupo se su1cidou. Carla tem visões e acredita que precisa retornar ao local onde tmaram o chá há 10 anos atrás para entender o que está acontecendo. Mediano, o filme não assusta e perdi o interesse logo no início. Só assisti até o final para entender o que estava acontecendo, e quando o filme acaba, fiquei sme entender direito. Sou daqueles que odeia finais em aberto. O elenco é correto, os efeitos razoáveis.

Encantador

"Encantador", de José María Cicala (2025) Co-escrito e dirigido por José María Cicala, "encantador" é um terror argentino que recebeu o prêmio de melhor ator no Screamest, para Rodrigo Naya. O filme busca diversas referências cinematográficas e cults de terror, e talvez as mais explícitas sejam "Psicose" a relação obsessiva mãe e filho) "O massacre da serra elétrica" e "Maniac", a versão com Elijah Wood, onde o serila killer decide sequestrar e assassinar mulheres para fazer delas, manequins e bonecas inanimadas. A Argentina produz muitos filmes de terror, e como qualquer cinematografia, existem filmes bons e ruins. Infelizmente, 'Encantador" entra na 2a categoria: confuso, um roteiro que atira para todos os lados e atores medianos. Filmado na cidade de Elortondo, na província de Santa Fé, "Encantador" apresenta o jovem atormentado Tomás (Naya), que possui um trauma trágico na sua infância. Morando com sua mãe, Tomás tem obsessão por bonecas. Ele trabalha na locadora de vídeos de uma cidade pequena e também no posto de saúde. Um policial, o Inspetor Porter, chega querendo entender o desaparecimento de 3 mulheres. São muitos personagens, todos conectados a Tomás. Alternando o tempo presente e flashback, 'Encantador" não assusta e traz cenas gráficas de assassinatos mal iluminadas e com efeitos práticos funcionais. O desfecho é bizarramente sem noção.

sexta-feira, 4 de setembro de 2026

Coyote Vs Acme

"Coyote Vs Acme", de Dave Green (2026) Fico admirado como os produtores e roteiristas da animação "Coyote vs Acme" foram corajosos em lançar um filme que pensa mais nos adultos nostálgicos do que nas crianças. O filme tem uma trama complexa, 1/e dele acontece em tribunal, com muitos diálogos e um ritmo que alterna entre as tradicionais sequências de perseguições malfadadas do Coyote contra o papa léguas e muita verborragia no tribunal. Mas o fato mais contundente aconteceu ainda nos bastidores: A Warner Bros Discovery, detentora ds direitos, não gostou do resultado, após reações negativas do público, e decidiu engavetar a animação em 2023, para obter dedução fiscal. Tempos depois, permitiu que os donos do projeto o oferecessem a outras distribuidoras. Após muitas recusas, a Ketchup Entertainment adquiriu os direitos por US$ 50 milhões em março de 2025. Mesmo com críticas elogiosas, o filme fechou com 27 milhões de dólares de arrecadação mundial. Eu, confesso, sempre fui fã do Coyote, e odiava o Papa Léguas. Sempre torcia pro Coyoto comer a ave gigante. Mas a resiliência e a obstinação do Coyote acabaram sendo a grande mensagem dos desenhos antigos. O coitado do Coyote sofria demais. A idéia de "Coyote Vs Acme" veio de James Gunn, que na época, levou um matéria da The New York Times escrita por Ian Frazier em 1992: e se o Coyote decidisse processar. Acme, por vender produtos defeituosos? Pois essa é exatamente a premissa do filme. Após um clip com todos os produtos da Acme falhando ao capturar o Papa Léguas, o Coyote decide contratar um advogado para processar a empresa.Todos os personagens famosos da Looney tunes surgem em maiores ou menores participações: Pernalonga, Patolino, Hortelino, Frangolino, Piu Piu, Gaguinho, entre outros. O filme é divertido, mas nvamente, para quem cresceu assistindo aos desenhos. Para a garotada nova, pode ser um tiro na culatra, pela falta de identificação e pela verborragia.

quinta-feira, 3 de setembro de 2026

Dear boys

"Lieve jonges", de Paul de Lussanet (1980) Primeiro filme holandês que retratou um relacionamento homossexual, "Dear boys" foi lançado em 1980. O filme é repleto de cenas de s3x- e nudez total, e causou enorme furor na época. O filme é baseado no livro "Lieve Jongens", de Gerard Reve. O filme é um relato das fantasias s3xu41s do escritor, um homem de meia idade e que deseja homens mais jovens. Wolf é um escritor de sucesso que está em crise. Ele tem medo que a idade o afaste dos jovens. ele mora em uma fazenda com seu amigo Tijger. Ao ir para uma boite, Wolf se encanta e se apaixona pelo jovem Woelrat, que é namorado de Albert. Wolf cnvida os dois a irem até a sua fazenda. Wolf seduz Woelrat, que permite se envolver. Mas logo, os 4 entrarão em um jogo permissivo, ciumento e perigoso. O que mais me chamou atenção, é o quanto um filme de 1980, já trazia cenas extremamente eróticas, e nudez total do elenco. As cenas da sfantasias eróticas envolvem dominação e masoquismo. Mesmo datado narrativamente, é um clássico que vale ser visto como objeto de estudo e pela importância para a emancipação do cinema queer na Holanda.

Tres veces

"Tres veces", de Paco Ruiz (2020) Filmado em Madri, esse curta espanhol Lgbt é um ótimo exemplar de thriller de suspense, com excelentes atores, direção precisa e um roteiro com plot twist. O filme venceu 4 prêmio no Festival Cortogenia: melhor filme, roteiro, ator (Koldo Olabarri) e trilha. Mario (Koldo Olabarri) é um jovem que mora com seus pais. A sua irmã pede que ele cuide do bebê. Sozinho em casa, Mario aproveita para marcar um encontro com Soren (Frank Feys), um homem mais velho que ele conhecer no Grindr. Mario calcula o tempo para a tarnsa até q chegada de seus pais. Quando Soren chega, os dois fazem s3x0. Na despedida, no entanto, Soren se revela ser um psicopata, e passa a chantagear Mario. Com 20 minutos, o filme traz drama e muito suspense, além da nudez total dos atores em cenas intenas de s3x0.

Retratos del apocalipsis

"Retratos del apocalipsis", de Luca Castello, Fabián Forte e Nicanor Loreti (2024) Escrito e dirigido por Luca Castello, Fabián Forte e Nicanor Loreti, "Retratos del apocalipsis" é um terror independente argentino. O filme é uma antologia com 4 episódios, que ocorrem durante um suto zumbi na cidade de Buenos Aires. Concorreu a melhor filme argentino no Festival Internacional de Cinema de Mar del Plata 2024. 1) Uma policial acuada em uma sala com zumbis prestes a despertar, aguarda a chegada de rforços 2) Em uma casa, uma idosa acorda sua filha e seu genro, alegando que seu gato sumiu 3) Uma grávida grava vídeos para que seu futuro filho assista o mundo antes do apocalipse zumbi 4) Um pai recorre a ritual satânico, utilizando o zumbi que mordeu o seu filho, para que o filho ressuscite O filme foi dirigido por 3 diretores, cada um filmando um, e tendo um episódio dirigido pelos 3. É um filme original, criativo, utilizando uma boa atmosfera para driblar o orçamento baixo.

quarta-feira, 2 de setembro de 2026

Cu Lí never cries

"Cu Li không bao gio khóc", de Pham Ngoc Lan (2024) Co-escrito e dirigido por Pham Ngoc Lan, "Cu Lí never cries" é um drama vietnamita que ganhou o prêmio de diretor estreante no Festival de Berlim 2024. O filme é rodado em preto e braco e apresenta um Vietnã desolador, através da história de 2 mulheres de gerações distintas. Nguyen (Minh Chau) é uma aposentada que retorna para a sua casa em Hanói, após buscar as cinzas de seu marido que ela conheceu na Alemanha oriental, na época que ambos os países eram regidos pelo governo comunista. Além das cinzas, ela traz um pequeno lêmure que pertencia ao marido (Cu Lí), em vietnamita). Ao chegar em sua casa, ela encontra a sua sobrinha Van (Ha Phuong), uma jovem pcd que trabalha como professora de jardim de infância. Quang está prestes a se casar com o preguiçoso e sem ambições Quang (Xuan An Ngo). O jovem casal traz preocupações diferentes da sra Nguyen, ambas as mulheres vivendo histórias polçiticas distintas. Nguen mergulho no seu passado, enquanto Van busca encontrar o seu futuro em um casamento sem expectativas. O filme traz um branco e branco estiizado, embalado por uma trilha sonora repleta de canções que fazem um painel musical do país. Os temas propostos pelo filme transitam bem dentro do universo feminino. Na tentativa de sororidade entre duas gerações que não se compreendem, o filme procura um desfecho otimista, mas o que encontra, é o vazio e a solidão, impresso nos rostos de seus protagonistas.

The Sun, the Moon, & the Hurricane

"The Sun, the Moon, & the Hurricane", de Andri Cung (2014) Escrito e dirigido por Andri Cung, "The Sun, the Moon, & the Hurricane" é uma co-produção da Indonésia e Tailândia. O longa queer foi rodado em Bangkok, Jacarta e Bali. O filme concorreu no Festival de Vancouver. Segundo o diretor, o título do filme se refere às três fases da vida de um homem: os momentos repletos de problemas são comparados ao furacão, enquanto a juventude, cheia de histórias de amor dramáticas, é simbolizada pelo sol, e a vida adulta, mais calma e estável, é representada pela lua. O filme é dividido em 3 atos, cada um se passando em um período: Em Jacarta, Rain (William Tjokro) é um jovem estudante que fica amigo do estudante Kris ((Natalius Chendana), que o defende de outros alunos. A aizade entre os dois se intensifica: Rain passa os finais de semana na casa de Kris. Kris passa a nutrir uma paixão platônica por Rain, mas teme perder a amizade e decide desaparecer. Rain por sua vez, é enrustido, e o sumiço de Kris o deixa em um vácuo. O tempo passa. Em Bangkok, Rain, já adulto e assumido, se relaciona com um garoto de programa. Anos depois, Rain recebe um convite para visitar kris, agora casado com uma mulher, em Bali. O filme me fez lembrar de "Happy together", de Wong Kar Wai: estilizado, linda fotografia, belos e talentosos atores e uma trama que traz uma melancólica e conflituosa relação entre dois rapazes. As cenas homoeróticas são encenadas com poesia e sutileza, a lente da câmera fotografa os corpos nús com muito desejo e paixão. Os olhares, o t3s40 são bem captados.

Gohan

"Gohan", de Chayanop Boonprakob, Atta Hemwadee e Baz Poonpiriya (2025) Malditos filmes com cachorros que fazem a gente chorar trocentos litros. "Gohan" ( que em japonês significa arroz cozido) é uma produção da Tailândia, dos mesmos produtores do indicado ao Oscar de filme internacional "Como Ganhar Milhões Antes Que a Vovó Morra". O filme me fez lembrar do melancólico "Quatro vidas de um cachorro", onde um mesmo cachorro passa por diversos donos ao longo de sua vida. O cachorro tem 3 etapas, cada um com uma história diferente e um diretor distinto. Na fase filhote, ele é chamado de Gohan, e é criado por um recém aposentado chefe de uma empresa de indústria de automóveis; já adulto, ele é chamado de Brownie, e é ajudado por uma jovem que o resgata de um abrigo, ond eo maltratam; e na fase idoso, ele se chama Hani, e é encontrado por um caal de estudantes, abandonado an estação rodoviária. O filem percorre a Covid 19 na primeira história, e além do drama do animal abandonado, o roteiro apresenta os dramas de cada um de seus donos. É um filme uito triste, doloroso, que mostra um mundo cruel, que rejeita pessoas à margem da sociedade, discutindo etarismo, imigração ilegal e amores desencontrados. Obviamente os cachorros que interpretam o protagonista são lindos e fofos demais, e no final, me acabei muito.

terça-feira, 1 de setembro de 2026

O sorveteiro

"Ice cream man", de Eli Roth (2026) Os Estados Unidos devme ser o único pais do mundo que permite o uso de crianças em cenas ultraviolentas, mutilando, decapitando, estripando. Fosse no Brasil, que tem regras muito rigidas de participações de menores em cena, esse filme jamais teria sido realizado. Eli Roth co-escreve o roteiro, dirige e estrela o filme, que busca referências em crianças assassinando adultos de filmes como "Quem pode matar uma criança?", "A aldeia dos amaldiçoados" e Colheita maldita". Mas aonde ele literalmente rouba as idéias é em "Terrifier" e "A hora do mal". O personagem do sorveteiro, assim como Art the clown, tem uma composição corporal clownesca e não fala. O filme foi detonado pela crítica e recebeu críticas também por uso de IA, em cenas de animação e de composição de efeitos, além de construção de cenários. Na fictícia cidade de Bayleen Bay, um caminhão de sorvete chega. O Sorveteiro distribui sorvetes para as crianças, que passam a possuir um comportamento assasisno e a matar os adultos. Jared, por ser intolerante à lactose, não toma o sorvete. Sua irmã Lizzie vomita o sorvete e também não se contamina pelo surto. Ambos precisam fugir da cidade e avisar seus pais, que estão chegando à cidade. Fico pensando na premiere do filme, com todo o elenco infantil assistindo junto dos pais. A chacina é total, com violência gore e brutal ( por ex, em uma cena, as crianças abrem a cabeça de um professor, retiram o cérebro com uma colher e servem em uma casquinha de sorvete). Claro, tudo está sob o manto do trash, o que torna tudo aceitável. Mas ainda assim, é um filme doentio e bizarramente problemático. O elenco de uma forma geral é fraco, e difícil torcer por alguém.

I want your sex

"I want your sex", de Gregg Araki (2026) Elogiado pela crítica, "I want your sex" é o 12o longa do cineasta e roteirista queer americano Greg Araki. Depois de um hiato de 12 anos, quando rodou seu penúltimo filme "Pássaro branco na nevasca", de 2014, Araki retorna com uma trama que mistura humor ácido, drama, romance e muito erotimo chic, rondando o universo dos fetiches e do BDSM. O elenco é forte: Olivia Wilde (antes de seu mega sucesso, "O convite"), Cooper Hoffman, filho de Philip Seymour Horffman e que esteve no excelente "A longa marcha", Margareth Cho, Jonny Konxville, Mason Godding e a cantora Charli XCX, no papel de Minerva, namorada de Elliot (Hoffman). Greg Araki é um cineasta interessante, e de seus filmes, o que mais amo é "Mistérios da carne". Elliot (Hoffman) é um jovem formado em mestrado, mas desempregado. Ele consegue um emprego como estagiário da artista Erika Tracy (Wilde). Logo ela se revela uma chefe diferente: ela seduz Elliot e o traz para o seu mundo da dominação, fazendo dele um parceiro s3xu4l submisso. Elliot passa a se descobrir um pervertido. Mas logo a verdade do jogo s3xu4l se revla. Eu queia ter gostado do filme, mas não me convenceu muito. O que me prendeu a atenção foi o trabalho do elenco principal, que se diverte nas cenas de dominacão. O roteiro não me seduziu, achei tudo meio sem graça, e a proposta de erotismo, alardeado por Araki como um antídoto para a caretice da geração Z, ficou com muito freio de mão puxado. O filme começa fazendo homenagens a "Crespúsculo dos deuses"e "9 1/2 semanas de amor".

Buddy

"Buddy", de Casper Kelly (2026) Grande sensação no Festival de Sundance 2026, "Buddy" é um filme de terror que traz uma narrativa que quebra o tabu de décadas: crianças sendo assassinadas e massacradas por um assassino. De uns anos para cá, filmes como "Terrifier 3", "O telefone preto 2" e "Five nights at Freddy's 2" não têm puder de mostrar em cenas crianças sendo esfaqueadas, mutiladas, jorrando sangue. "Buddy" faz parte dessa leva, porém, trazendo uma linguagem original e bastante criativa: uma metalinguagem de séries infantis de tv dos anos 90, como "Barney', apresentam o bichinho fofo como o serial killer. Para se entender melhor a proposta do diretor e roteirista Casper Kelly, é fundamental assistir ao seu premiado e excelente curta de 2014, "Too many cooks", um precursor de "Buddy". Buddy é o protagonista de uma série de tv de grande sucesso, voltado ao público infantil. Em um mundo bastate colorido, crianças, animais falantes, um carteiro, uma enfermeira e Buddy convivem em harmonia. Mas crianças que contestam Buddy acabams endo assassinadas e substituídas por crianças da vida real, que são abduzidas quando assistem ao programa d etv em suas casas, e ao chegar no mundo de Buddy, têm sua memória apagada. Quando as crianças remanescentes percebem os crimes de Buddy, procura, fugir pela floresta, mas Buddy vai ao seu encalço. Tem uma trama paralela, apresnetando uma família na vida real, cuja mãe é abduzida para série e percebe que uma das crianças é sua filha desaparecida. O pai é o ator Topher Grace, e a mãe, Cristin Milioti. Os efeitos, a caracetrização, o visual de Buddy, a direção de arte, a trilha sonora, tudo é muito crível em sua reprodução das séries vintage dos anos 90.

Um triste e belo mundo

"Nujum al'amal w al'alam", de Cyril Aris (2025) Vencedor do pr6emio do público no Festival de Veneza 2025, "Um triste e belo mundo" foi o indicado pelo Líano à uma vaga ao Oscar de filme internacional em 2026. O filme mistura generos: drama, romance, fantasia, comédia, para apresentar a historia de amor entre Nino (Hasan Akil) e Yasmina (Mounia Akl). Ambos nasceram no mesmo dia, durante um bombardeio na maternidade. O filme acompanha os diversos encontros e desencontros das duas crianças, até se rencontrarem por um acidente nos dias atuais, já na faixa dos 30 anos de idade. Yasmina se tornou uma poderosa consultora de encomia. Nino é o chef de um famoso restaurante chique. Quando Nino dirige seu carro, acaba batendo no carro onde estão Yasmina e sua mãe. O filme tem uma narração que costura a história, que vai e volta no tempo. Toda a tajetória dos apaixonados acontece com a guerra do Líbano como pano de fundo. Yasmina é realista. Nino é otimista e sonhador. Lindamente fotografado, "Um triste e belo mundo" é exatamente como o seu título traduz. Um retrato melancólico de um país em crise, com uma história de amor como base, mas com um desfecho em aberto, que deixará muitos espectadores frustrados.

Drunken noodles

"Drunken noodles", de Lucio Castro (2025) Co-produção Argentina e Estados Unidos, "Drunken noodles" é um drama erótico queer escrito e dirigido por Lucio Castro. Rodado em Nova York, o filme concorreu ao Queer Palm no Festival de Cannes 2025. O filme acompanha o estudante universitário de arte Adnan (Latih Khalifeh), recém chegado a Nova York, Ele vai passar o verão estagiando em uma galeria de arte, onde acontecerá uma exposição de um artista, Sal. Adnan fica no apartamento de seu tio, e em troca, deve cuidar de seus gatos. Durante uma caminhada noturna, Adnan conhece um entregador de comida, Yariel (Joel Isaac), e ambos fazem s3x0 no parque. O filme apresenta um flashback, e traz o relacionamento de Adnan com um artista recluso, Sal (Ezriel Kornel), um idoso. A obra de Sal está exposta atualmente na galeria. Adnan reencontra um antigo namorado, Iggie (Matthew Risch), e passam um final de semana juntos no interior de Nova York. O filme tem uma narrativa fragmentada, alternando realismo e fantasia. Trazendo cenas homoeróticas, não explícitas, Lucio Castro traça um painel da sexualidade queer contemporânea. O ritmo é lento, a estrutura é estilizada e empostada, podendo não agradar quem busca algum filme mais convencional.

Homossexual

"Homosexual", de Toby Ross (2013) Toby Rosss é um cineasta americano que durante os anos 70 e 80, realizou diversos filmes pornográficos para a indústria gay e hetero. A partir dos anos 80, Ross abandonou o cinema pornô e passou a investir em um cinema ond eunisse erotismo e humor, seja em ficção ou documentários. "Homossexual" é um mockmentary (falso documentário)onde um entrevistador de um programa conversa com diversos homens gays, que apresnetam seus reatos de sua vivência queer. Entre os depoentes, existem dois grupos nítidos de gays: aqueles que buscam s3x0 e aqueles que procuram relacionamentos. Cada depoimento apresenta uma reconstituição, o que faz o filme ser dividido em pequenos episódios. Boa parte deles apresenta conteúdo explícito, muitas vezes com doses de humor. Rodado em Los Angeles, "Homossexual" é um exemplo do cinema de resistência gay, proveniente de uma narrativa e linguagem dos filmes doa anos 70, com um olhar sobre a liberdade s3xu4l, sem culpa, representado por um elenco de atores de corpos másculos e viris.

segunda-feira, 31 de agosto de 2026

Virgens acorrentadas

"Virgin Cheerleaders in Chains", de Paulo Biscaia Filho e Gary McClain Gannaway (2018) Rodado em Austin, Texas, "Virgens acorrentadas" é um terror indie americano, dirigido por um brasileiro: Paulo Biscaia Filho. Biscaia é um prolífico cineasta e diretor de teatro curitibano e realizador de mais de 20 projetos, entre longas, séries e curtas. Durante a participação em um fetsival americano, Biscaia conheceu o produtor e roteirista Gary McClain Gannaway, e juntos trabalharam no filme, sendo essa a primeira produção internacional do diretor brasileiro. O filme tem uma trama que faz homenagens explícitas ao seminal 'O massacre da serra elétrica" e ao mesmo tempo, traz uma metalinguagem sobre o audiovisual. Shane (Ezekiel Z. Swinford) é um cineasta indie que junto de sua namorada Chloe (Kelsey Pribilski) , decidem realizar um filme de terror. Eles contactam garotas strippers para o elenco e ao procurarem uma locação para filmar, se deparam com uma família que mora em uma casa isolada. Só não poderiam imaginar que a família, composta por sádicos, estivesse a fim de reescrever o roteiro e realizar uma grande chacina. O filme ssume totalmente o seu lado de filmes B, trazendo muitas linguagens do audiovisual subversivo, como a quebra da quarta parede, riscos na imagem ( uma referência ao cinema grindhouse dos anos 70) e cenas de violência gore repleta de sangue jorrando e corpos mutilados. Uma grande diversão para quem curte o cinema trash, com muitos gritos, performances amadoras e sangue na tela.

Marsupilami

"Marsupilami", de Philippe Lacheau (2025) Um enorme sucesso de bilheteria na França com 6 milhões de espectadores, "Marsupilami" é uma comédia de aventuras familiar dirigida por Philippe Lacheau, na linha de "ET, o extraterrestre", que inclusive é homenageado no filme com a famosa cena da bicicleta voadora e na trilha sonora que em muitos momentos, remete à icônica trilha de John Willians. O filme é a 2a adaptação para os cinemas dos quandrinhos Marsupilami, um personagem de quadrinhos franco-belga criado por André Franquin em 1952. Filmado na Tailândia, "Marsupilami" é a essência do filme família: bichinho fofo, criança como um dos protagonistas, ação, vilões atrapalhados, heróis carismáticos e muita bobeira e ingenuidade para que a criançada pequena possa entender e se divertir. A históri é bem batida e bastante óbvia e previsivel. Para salvar seu emprego após uma gafe, David Ticoule concorda em trazer um pacote misterioso da América do Sul para seu chefe, Jeffrey Malone. Ele se vê em um cruzeiro com sua ex-esposa Tess e o filho Leo, de 8 anos, que sofre com a separação dos pais. Entre a entrega do pacote e o início do cruzeiro, a equipe encontra Ricky Salsa, um ex-membro de uma boy band que se tornou um cantor solo decadente, e se vê seguido por Pablito Camaron, que parece determinado a ficar com o pacote para si. Tudo sai do controle quando se revela o conteúdo da caixa: um marsupilami bebê. O filme tem um ritmo arrastado para um filme de aventura, e as piadas são bobas demais. Mas como fez muito sucesso de bilheteria, talvez o apelo seja o personagem do Marsupial, que é um icone na França e Bélgica, assim como é Tintin.

sábado, 29 de agosto de 2026

The Night Is Short, Walk on Girl

"Yoru wa Mijikashi Aruke yo Otome", de Masaaki Yuasa (2017) Premiada animação japonesa, "The Night Is Short, Walk on Girl" concorreu em Rotterdan, festival focado em narrativas mais experimentais. O filme é adaptado do anime "The tatame galaxy", de Tomihiko Morimi. A trama central é simples: Ambientada em Kyoto, a história acompanha uma noite na vida de dois estudantes universitários: Senpai, um rapaz tímido que decide que nessa noite, ele declarará o seu amor para Kohai. No bar, um desenhista, Todô, flerta com Kohai, mas ela bate nele, quando ele se revla um abusador. Dois outros estudantes, Higuchi e Hanuki, enaltecem a atitude de Kohai e decidem levá-la para pererrinar por divesos bares, onde ela consome altas doses de bebidas alcóolicas. SEnpai decide ir até uma livraria e procurar um livro que foi essencial na infância de Kohai, para dar de presente à ela. Fácil de reusmir, mas complexo de assistir: o filme traz uma narrativa experimental, onde personagens e situações surreais vão acontecendo nessa noite, até umd esfecho happy end. Achei tudo muito confuso, e apesar das imagens e traços interessantes, o filme não me pegou.

No caminho

"En el camino", de David Pablos (2025) Indicado pelo México à uma vaga ao Oscar de filme internacional 2027, "No caminho" é escrito e dirigido por David Pablos, mesmo realizador dos dramas eróticos "O baile dos 41" e "Las elegidas". "No caminho" venceu no Festival de Veneza 2025 os prêmios "Horizontes" e Queer lion, dedicado a filmes de temáticas lgbt. Assistindo ao filme, vi muitas referências a esse faroeste gay contemporâneo, repleto de cenas de violência e s3x0 homoerótico:"Bonnie e Clyde", "Plata queimada", "Drive", "Happy together", "Onde os fracos não têm vez". Assim como "O baile dos 41", as lentes de David Pablos estilizam as cenas de s3x0, a nudez, a paixão entre homens brutos e sem salvação, vítimas de um mundo homofóbico, brutal e árido, e que se conectam através de uma paixão de necessidade de redenção. Veneno (Victor Prieto Simental), assim como outros rapazes de sua cidade, foi acolhido por um mafioso gay, que os ostenta com uma vida de luxo, em troca de s3x0. Mas esse mesmo mafioso decide matar os rapazes quando eles fogem à rígida regra do relacionamento tóxico e violento. Veneno foge com sacos de cocaína pertencentes ao mafioso e se prostitui na estrada para caminhoneiros. Um dia, ele conhece Muneco (Oswaldo Sanchez), um caminhoneiro bruto e reservado. Ele convence Muneco a levá-lo para o norte do México, em troca de lhe dar uma parte da venda das drogas. Muneco entra na jogada e vendem para camihoneiros, tomando cuidado para que traficantes de cartéis não so decsubram. Com o passar dos dias, Muneco, que é hetero, casado e com filhos, vai se rendendo ao charme perigoso de Veneno e começam um relacionamento. O filme é repleto de imagens etsilizadas, capturadas pela fotografa Ximena Amann, com cores hiper saturadas e realistas. Os dois atores principais estão incríveis, trazendo carisma o suficiente para fazer o espectador torcer pelo amor bandido de ambos.

sexta-feira, 28 de agosto de 2026

Acampamento Miasma - Adolescência, Sexo e Morte

"Teenage Sex and Death at Camp Miasma", de Jane Schoenbrun (2026) Escrito e dirigido por Jane Schoenbrun, cineasta trans não binária e realizadora do aclamado "I saw the tv glow". O filme concorreu no Festival de Cannes 2026 na Mostra un certan regard, e levou o Queer Palm, dedicado a filmes de temática lgbt. O filme tem uma trama que achei confusa, fazendo uma metáfora sobre a descoberta do orgasmo por um casal lésbico, vítimas de abusos s3xu41s e que por isso, travaram em seus relacionamentos. O vilão, uma espécie de Jason de "Sexta feira 13", se chama "Little death", que significa orgasmo em francês. Kris (Hannah Einbinder) é uma cineasta queer indie, que foi aclamada em Sundance. Ela foi convidada a dirigir um reboot de "Campo Miasma"(uma referência explícita a "Sexta feira 13", cujo original foi lançado nos anos 80 com muito sucesso, mas teve a sua imagem destruída pelas inúmeras continuações. Kris é obcecada pelo filme original, e decide ir atrás de sua protagonista, Billy (Gillian Anderson). Ela descobre que Billy mora no acampamento que foi locação do filme original. Billy confidencia que foi abusada no set do filme, cujo vilão, Little death, eta um menino trans e por isso, foi afogado pelas crianças do acampamento. "Acampamento Miasma - Adolescência, Sexo e Morte" alterna a história de Kris e Billy, e também, cenas do filme original, e em determinando momento, as duas tramas se misturam, numa metalinguagem, tendo kris desempenhando o papel da final girl, com little death atrás dela. Confesso que não sou fã dos filmes de Jane Schoenbrun: não curti "I saw the th glow", e nem "Acampamento Miasma". Louvo o olhar cinéfilo da cineasta, trazendo muitas referências de filmes clássicos (Gillian Anderson encarna uma espécie de Norma Desmond de "O crepúsculo dos deuses".

quinta-feira, 27 de agosto de 2026

Too many cooks

"Too many cooks", de Casper Kelly (2011) Com o recente sucesso de "Buddy", terror slasher escrito e dirigido por Casper Kelly em Sundance 2026, onde ele faz uma paródia de terror do dinossauro Barney e as séries infantis de tv dos anos 90, as redes sociais desenterraram seu curta de 2011, "Too many cooks". O filme na época chegou a viralizar e se tornar meme. O curta consiste em uma abertura fictícia de um sitcom americano, e ao longo do filme o elenco vai mudando, e também, o gênero. Mas o que interessa é a presença de um serial killer, sempre escondido ao fundo de cada segmento, e que no final, vai assassinando o elenco. Com uma narrativa surreal e subversiva, e uma música tema enfadonha e hipnótica, o filme parodia as aberturas de series famosas, como "A muher maravilha", "Battlestar galactica", Dallas", "Dinastia", 'Seinfeld", 'Alf, o eteimoso", entre outros. A edição é excelente, além da fotografia, que brinca com filtros vintage e com iluminação que varia de acordo com o Gênero: comédia, policial, terror, ficção científica, animação. Uma aula de paródia e de narrativa.

The odissey

"The Odissey", de Marcel Walz (2026) Eu fico impressionado com a rapidez com que a produtora indie americana The Asylum consegue realizar e lançar filmes pegando carona em mega blockbusters, além da enorme cara de pau de pegar caona em nomes e títulos. Segundo a Wikipedia, "The asylum é uma produtora e distribuidora americana famosa por criar filmes de baixo orçamento conhecidos como mockbusters — imitações de grandes produções de Hollywood lançadas com nomes e capas parecidos para confundir o público." Seu maior sucesso é "Sharknado", que se tornou viral. A bola da vez é "A odisséia", de Christopher Nolan. A versão da Asylum foi rodada em 12 dias, em West Virginia. O filme como um todo foi gerado em Ai: os cenários, monstros, embarcações, mar, tudo. Apenas os atores e uma locação 1a beira de um lago são reais. A história pega carona em quase todo o roteiro de Nolan, deixando de fora a Bruxa de Samantha Morton, mas todo o restante está ali: Ataque à Troia, as sereias, a tempestade e redemoinho, o monstro de oito cabeças, o Cíclopes...aqui ainda acrescentam a Deusa Atena. A ninfa de Charlize Theron também não existe aqui, nem a ilha dos mortos. O desfecho foi alterado, com o Cíclopes retornando à Itaca. Obviamente tudo é trash e tosco, e claro, motivo de muitas gargalhadas. O excesso de diálogos estraga a brincadeira e torna o filme mais arrastado do que deveria ser, pela proposta zoada dele.

A mulher da fila

"La mujer de la fila", de Benjamín Ávila (2025) Co-escrito e dirigido por Benjamín Ávila, "A mulher da fila" é baseado na história real de Andrea Casamento, fundadora da ACIFAD (Associação Civil de Familiares de Presos), uma organização argentina que luta pelos direitos de familiares de detentos. No ano de 2001, em Buenos Aires, a viúva Andrea (Natalia Oreiro), mãe de 3 filhos, Gustavo (Federico Heinrich), de 18 anos e os pequenos Matías (Juan Pedro Rodríguez Isturiz) e Martina (Julieta Rodríguez Isturiz), trabalha no ramo imobiliário e conta com o apoio da mãe, Alicia (Lide Uranga). Um dia, a polícia invade a sua casa, procurando por Gustavo, que eles acusam de fazer parte da quadrilha de um traficante. Gustavo vai preso, sem provas, e vai para um sistema prisional afastado da cidade. Sua mãe vai visitá-lo e logo entende que sue privilégio burgu6es não faz diferença: precisa enfrentar filas, ser revistada. COm o tempo, ela se mistura à outras mães. Nos 8 meses onde frequentou o presídio viistando seu filho, Andrea rev6e o seu conceito sobre a sociedade, as classes sociais e seu preocnceito contra o sistema prisional. Ela acaba se apaixonando pelo preso Alejo, que ajuda Gustavo a sobreviver lá dentro. Durante 14 anos, Andrea visitou a prisão, visitando Alejo, que acabou saindo em 2019. Eles se casaram e tiveram um filho. "A mulher da fila" ganhou o premio de melhor filme no Fetsival de Málaga, co-produzido Argentina e Espanha. O diretor Benjamin Avila já havia lançado em 2011 o premiado "Infância clandestina". Natalia Oreiro é o grande destaque do filme, que foi acusado por críticos de romantizar o sistema carcerário.

Blind mountain

"Mang shan", de Yang Li (2007) Escrito e dirigido por Yang Li, "Blind mountain" brutal, cruel, angustiante, violento. É muito difícil indicar o filme para alguém, por conta de sua natureza aterrorizante. O filme concorreu nos Festivais de Cannes e de Sundnace, e certamente surtirá muitos debates sobre direitos humanos e violência contra às mulheres. O filme é ambientado no início dos anos 90, no norte da China. O governo chinês prega a política do filho único. As bebês do sexo feminino normalmente são afogadas nas regiões pobres e rurais. Por conta da ausência de mulheres para casar, as famílias compram garotas que são sequestradas e obrigadas a conviver um matrimônio à força. Bai (Lu Huang) é um ajovem que terminou a faculdade. Querendo ajudar sua família endividada, ela aceita um trabalho para vender ervas na montanha remota. Mas ao chegar lá, ela decsobre que o recrutador que a contratou se fez passar por seu pai e a vendeu para se casar com um homem bruto, Huang (Youan Yang). Bai tenta fugir, mas é impossível. Ela se nega a se casar, mas é 3stupr4d4. Toda a vila é conivente com os casamentos forçados. Bai procura todo o tipo de ajuda, foge, mas sempre é arrastada de volta. Não esperem um momento de otimismo no filme. Até o último segundo, é sofrimento, torturas psicológicas, abusos de todos os tipos. "Blind mountain" é um filme sádico, que não traz respiro para a sua protagonista. Lu Huang tem um desempenho visceral e deve ter sofrido muito em desgastes físicos e emocionais para compor a personagem. O restante do elenco é formado por não atores, escalados no vilarejo.

Muito prazer

"Muito prazer", de Jorge Furtado (2026) Escrito e dirigido por Jorge Furtado, "Muito prazer" tem uma premissa bem parecida com "Saneamento básico", um de seus filmes mais conhecidos: personagens amadores e anônimos decidem montar uma equipe de filmagem e fazer filmes, no caso 3r0tic0s, para viralizar na internet e ganhar dinheiro com as visualizações. Obviamente, esse mote garante boas piadas e risadas, pela forma tosca e desengonçada que os personagens dirigem e atuam nos filmes, dessa vez auxiliados pela AI. O elenco é composto por um time de excelentes atores: Daniel de Oliveira, Luísa Arraes, Samantha Jones, Drica Moraes, a ótima revelação Felipe Veloso e atores gaúchos em participações divertidas. Daniel de Oliveira é Rubem: um rapaz solitário, formado em administração mas que sucumbiu ao desemprego e acabou como motorista de app. Com a morte de seu tio, Rubem herda um motel falido: Pérola. Rubem descobre que o Motel está cheio de dívidas e decadente. Ao entrar no estabelecimento, Rubem conhece Grace (Arraes), uma ex-funcionária que acabou moranndo por lá mesmo, uma forma de compensar a falta de pagamento de seus salários. Os dois decidem reativar o local, com muito custo: são assaltados, e o motel da frente faz uma forte concorrência. Grace acaba tendo uma idéia para ganharem dinheiro: colocar câmeras escondidas, gravar os casais fazendo s3x0 e mudarem seus rostos. Para isso, eles contam com a ajuda de Nalva (Jones), uma expert em computação e Ai. O filme se concentra quase todo no Motel e com poucos atores, funcionando às vezes quase que como uma peça teatral. Jorge Furtado, grande conhecedor do gosto popular, inclui diálogos rápidos e engraçados, e faz o filme para um público amplo, evitando apertar demais no 3r0t1sm0 e com isso, afastar a platéia. Por isso, aposta na ingenuidade dos personagens e nas situações, e o s3x0 nunca é visto, apenas sugerido em momentos engraçados.

No hit wonder

"No hit wonder", de Florian Dietrich (2025) Comédia dramática alemã, "No hit wonder" traz o mote bem batido de um loser que se une a um grupo de losers como ele e juntos ganham confiança e auo estima para vencer na vida. Daniel Nowak (Florian David Fitz) teve um hit estrondoso que o alçou ao mega sucesso. O problema é que foi o único hit, e nunca mais Daniel fez outro sucesso. Assim como a fama e sucesso vieram rápido, a decadência e ostracismo chegaram em seguida. Deprimido e isolado, Daniel tenta o su1c1d10, mas o tiro não o mata. Daniel acorda em um hospital psiquiátrico. Lá, ele conhece a enfermeira Lissi (Nora Tschirner), que na verdade, é uma estudante que vê em Daniel a sua chance de escrever a tese de doutorado perfeita. Lizzi convida Daniel para participar do coral do hospital psiquiátrico como forma de motivar seus estudos, e estimular a todos os integrantes a encontrarem na música, uma forma de encararem a vida de forma positiva. O filme é simpático e segue sem muitas surpresas na história. As músicas ecsolhidas são conhecidas e ajuda o público a se conectar: "Get lucky", "Come on Eileen". Os atores são carismáticos. A duração é longa, quase 2 horas, e se tivess euns 20 minutos a menos, seria mais efetivo e dinâmico.

quarta-feira, 26 de agosto de 2026

Manila

"Manila", de Adolfo Alix Jr. e Raya Martin (2009) Os filmes filipinos geralmente transitam em dramas sobre personagens perifericos que tentam sobreviver diante da miséria e da violência. "Manila" é uma homenagem a dois filmes seminais e dois cineastas já falecidos: Lino Brocka e seu clássico "Jaguar", e Ishmael Bernal com "Manila by night". O filme "Manila" é dividido em 2 histórias, uma ocorrendo, de dia, a outra, de noite. O protagonista é Piolo Pascual, também co-produtor do filme. No segmento "Day", Piolo Pascual interpreta William, um viciado em drogas que tenta reconstruir seu senso de identidade e se reconectar com as pessoas ao seu redor. No segmento "Night", Piolo interpreta Philip, um guarda-costas do filho de um prefeito que acredita erroneamente que seu chefe o considera parte da família. O filme é rodado em 16 mm, preto e branco. Infelizmente, "Manila" não chega no nível dos filmes que procura homenagear. Faltou a roteiro mais intensidade draática, os personagens já são bem batidos e sme nenhuma novidade. Mas vale pelo olhar desolador da capital das Filipinas, e a decadência da sociedade, retratada com tintas melancólicas.

Chocolate

"Chocolate", de Prachya Pinkaew (2008) O cineasta Quentin Tarantino classificou o thriller de ação tailandês "Chocolate" em 17o lugar na sua lista dos 20 filmes favoritos do século 21, elogiando as suas sequências de luta. O diretor Prachya Pinkaew é o mesmo da franquia de sucesso "Ong bank". Novamente, as lutas marciais são focadas no Muai Thay. A protagonista é a jovem JeeJa Yanin, campeã de Thai kwen Do aos 14 anos e que levou 4 anos treinando Muai Thay para fazer a personagem. "Chocolate" foi um grande sucesso de crítica e bilheteria. Existem pelo menos 3 sequências que já valem todo o filme: a quadrilha de assassina strans; a luta entre Zen, uma jovem autista contra um lutador portador de síndrome de tourette e a batalha final, entre lajes e muretas. Zin (Ammara Siripong) é amante de um mafioso tailandês, No 8 (Pongpat Wachirabunjong). Ela é uma asassina que cobra dívidas para No 8. Mas ela acaba se apaixonando pelo Yakuza Masashi (Hiroshi Abe). Os dois vivem felizes até que o nº 8 os separa à força por meio de ameaças, enviando Misashi de volta ao Japão e interrompendo toda a comunicação entre eles. Zin, ao perceber que está grávida, muda-se para um apartamento e cria sua filha. Zen, nasce autista e de tanto assistir a filmes e séries de ação, acaba aprendendo a lutar. Zin adota um garot, Moon, que se torna amigo de Zen e a ajuda a treinar. Quando Zind escobre estar com câncer, sua filha e Moon decidem cobrar dívidas antigas de credores para poder conseguir dinheiro e custear as despesas com hospital. No 8 descobre e decide eliminar a todos. O filme é uma grande diversão, com um roteiro melodramático com cenas tocantes, e muitas lutas inverossímeis e por isso mesmo, geniais. A ariz que interpreta Zen e seu amigo Moon são muito carismáticos. O vilão No 8 é o supra sumo da maldade, uma caricatura odiosa e bem defendida por Pongpat Wachirabunjong .

terça-feira, 25 de agosto de 2026

Tenement

"Tenement", de Can Baran (2023) Drama turco co-escrito e dirigido por Can Baran, vencedor de menção honrosa no Festival internacional da Grécia. "Tenement" é um curta que epxlora a vida de um zelador, Serkan (Sevki Cepa), que vive solitário em seu pequeno apartamento em um condomínio. Ele vive uma rotina servindo os os moradores do prédio. Na ausência dos moradores, Serkan entra nos apatamentos e vivencia suas vidas: olha fotografias, os ambientes. Quando ele entra no apartamento de Yucel, um idoso solitário, Serkan se vê nele. Ele encontra fitas onde stão gravados aúdios de Yucel, afirmando estar com Alzhemier, e guardando as suas memórias nas fitas. "Tenement" é um filme minimalista, simples, e que retrata a solidão e de que forma as memórias, através de áudis e fotografias, se tornam engrenagens fundamentais para se mante a sanidade mental.

Mansyon

"Mansyon", de Joel Ruiz (2005) Escrito e dirigido por Joel Ruiz, "Mansyon" é um premiado drama filipino de 2005, que muitos críticos comentaram ser precursor de "Parasita", de 2019. O filme apresenta um casal de empregados: Dolores (Roselyn Perez) e Ambo (Jess Evardone). Eles são entrevistados para vagas de empregada e jardineiro, respectivamente. Os patrões passarão 3 meses fora e querem que eles mantenham tudo arrumado e limpo. OS dias se passam, com muita presteza na arrumação da mansão e do jardim. Mas quando Dolores esbarra em um frasco de perfume e deixa derrubar o perfume, ela sente um impulso de querer se passar pela patroa: veste suas roupas, dorme na sua cama, trazendo seu companheiro junto, e assim, vivenciar uma vida de luxo que ele sjamais teriam chance de ter. Mas os patrões retornam antes. Mesmo sendo drama, "Mansyon" tem uma fina ironia, com momentos que, dependendo do olhar do espectador, podem ser divertidos ou trágicos. É um filme de silêncios, de observação, com ritmo lento, acentuando a rotina e monotonia do casal. Os dois atores estão bem em seus papéis, e é impossível o espectador não se simpatizar com eles.

Live show

"Live show", de Jose Javier Reyes (2000) Escrito e dirigido por Jose Javier Reyes, "Live show" é um drama erótico filipino que foi exibido no Festival de Berlim em 2000. Probido pelo governo e liberado um ano depois, mas com restrições, o filme inicialmente se chamava "Toro", que significa os shows de s3x0 ao vivo. Como muitos dramas filipinos, "Live show" apresenta personagens que vivem na periferia miserável de Manilla, e precisam recorrer à prostituiçao e casas de s3x0 ao vivo para sobreviver. Roily é filho de uma prostituta que está doente. Ele se prostitui nas ruas para clientes gays, e de noite, se exibe em casas de s3x0 ao vivo, onde clientes observam friamente, casais em atos s3xu41s. O filme apresenta outros personagens da noite: uma jovem mãe que se exibe na casa, e procura desesperadamente pelo filho que ela deu para adoção; um jovem casal precisa retornar à casa de show ao vivo, após tentativas frustradas de emprego que não aconteceram. Filmando as redondezas mais decadentes e desgraçadas de Manila, o filme não procura trazer um otimismo à trama. O personagem de Roily narra em off as vidas sem perspetiva de futuro, onde se vive o presente e a vã tentativa de sobreviver, perdendo a dignidade e se humilhando diante de pessoas que desconhecem as suas histórias. O filme traz nudez e muitas cenas de s3x0 simuladas, mas o mais degradante é ver as personagens fazendo expressões de tristeza e humilhação ao se apresentarem aos clientes.

The house of us

"Wurijip", de Yoon Ga-eun (2019) Escrito e dirigido por Yoon Ga-eun, "The house of us" é um drama sol coreano com ponto de vista de uma menina de 12 anos. É um drama contundente que me lembrou de "Ninguém pode saber", de Koreeda, sobre filhos abandonados pelos pais. Hana (Na-yeon Kim) mora com seu irmão Chan, de 16 anos, e seus pais. Hana é a mais estudiosa de sua turma. Mas ela sofre com as constantes brigas de seus pais, e fica cada vez mais isolada de seu irmão. Hana tenta de tudo para manter a felicidade de sua família, desejando a união, mas a tarefa se torna cada vez mais difícil. Ao ir ao mercado fazer compras, hana conhece duas meninas, Yoomi, de 9 anos, e Yoojin, de 7. Elas moram sozinhas em um apartamento, enquanto os pais trabalham fora em outra cidade. Hana faz amizade com as meninas e as protege, identificando a sua história com a delas. Quando vi o poster, pensei que seria um coming of age solar, mas fiquei surpreso o quanto o filme é melancólico e depressivo. A fotografia traz alternantes de dias ensolarados com interiores mais frios, intensificando emoções. As atrizes mirins são todas muito boas, trazendo performances naturalistas, espontâneas. Um olhar cruel sobre o mundo dos adultos, mediante a observação das crianças.

Follies

"Folichonneries", de Eric K. Boulianne (2025) Co-escrito e dirigido por Eric K. Boulianne, "Follies" é uma comédia erótica canadense, falada em francês. Poderia perfeitamente ser uma continuação do filme "O convite", de Olivia Wilde, se considerarmos que o casal de Seth Rogen e Olivia WIlde tivessem topdao participar de festas de swings. Menção especial no Festival de Locarno 2025, e rodado em película 16 mm, "Follies" é repleto de cenas de s3x0, envolvendo Bdsm, fetiches e 0rg14s em clubes, com muita nudez frontal. O casal François (Eric K. Boulianne) e Julie (Catherine Chabot) estão casados há 16 anos, e são pais de 2 meninas. Mas o relacionamento entrou na rotina. Seduzidos por amigos mais jovens, eles decidem abrir a relação e participar de eventos de s3x0, fazendo s3x0 com homens e mulheres. François cada vez mais adere ao mundo do BDSM, enquanto Julie se entrga ano amor e acaba se apaixonando. Fantasia eót1c4, o filme é para adultos e apresenta muitas cenas quentes. O elenco é divertido e se entrega totalmente às propostas do filme, em jogos viscerais.

segunda-feira, 24 de agosto de 2026

El ser querido

"El ser querido", de Rodrigo Sorogoyen (2026) Concorrendo à Palma de ouro em Cannes 2026, "El ser querido" foi comparado por toda a crítica ao vencedor do grande prêmio do juri de 2025 do mesmo Festival, "Valor sentimental". Ambos os filmes retratam a relação conflituosa entre um pai cineasta e a sua filha, com quem não mantém contato há tempos. O cineasta decide escalar a filha para uma personagem, como uma forma de expiar os fantasmas entre ambos. Co-escrito e dirigido por Rodrigo Sorogoyen, mesmo diretor de As bestas", de 2022, o filme é uma co-produção Espanha e França. Esteban Martínez (Javier Bardem) é um cineasta espanhol que foi trabalhar em Hollywood e se estabeleceu como um cineasta de sucesso e formando família americana. Mas em seu 1o filme espanhol, ele teve um caso com uma atriz e teve ua filha, Emilia (Victoria Luengo), que ele nunca reconheceu. Retornando à Espanha para rodar um drama histórico, Esteban decide fazer contato com Emilia e dizer à ela que quer que ela interprete um papel no filme. Emilia, que nunca teve destaque como atriz, está receosa que a equipe descubra que ela é filha de ESteban e só foi escalada por nepotismo. Ela aceita, e a equipe segue para o norte da Africa, para rodar o filme sobre a ocupação espanhola. Mas a forma ditatorial e linha dura de Esteban dirigir, deixa a equipe e a própria Emilia tensos. O filme é longo, 134 minutos, e de ritmo lento. Só a cena inicial, de Esteban e Emilia em um restaurante, dura 15 minutos. Para quem tem curiosidade sobre bastidores de uma filmagem, vai achar interessante, ainda mais mostrando processos de ensaios com elenco. Para quem aprecisa o trabalho de Javier Bardenn, não terá do que reclamar: ele está soberbo.

Rio de sangue

"Rio de sangue", de Gustavo Bonafé (2026) Thriller de ação com temas que falam ao Brasil da violência, do desmatamento, dos grileiros, do machismo e feminicídio, da corrupção e do extremínio dos povos indígenas. "Rio de sangue" abraça diversos sub-plots e são muitos os personagens que surgem ao longo da tela. O elenco all star se equilibra com novos talentos: Giovanna Antonelli, Alice Wegmann, Antonio Calloni, Felipe Simas Sergio Menezes, Ravel Andrade, Vinicius de Oliveira e Rui Ricardo Diaz abrem espaço para o ator indígena Fidelis Baniwa, no papel do narrador do filme, Mario. O filme traz referências de filmes de ação americanos, onde uma mãe policial precisa ir atrás de sua filha sequestrada. Em São Paulo, pós uma ação desastrada que resulta em morte, a policial Patrícia (Antonelli) é jurada de morte. Ela é enviada paa o Pará, para passar um tempo com sua filha, Luiza (Wegmann), com quem acabou se distanciando, por conta do trabalho. Luíza é médica e presta serviço, junto d euma equipe, para aldeias indígenas. Garimpeiros liderados por Polaco (Calloni) e seus filhos, Jadson (Andrade) e Baleado (Simas) sequestram Luiza, após uma chacina na aldeia. Patricia precisa descobrir o paadeiro de Luiza e salvá-la. O filme traz boas cenas de ação, uma fotografia que favorece as diversas cores da Amazônia e uma edição frenética. Aqui, a história não tem erro: são as mocinhas e mocinhos lutando contra os vilões, que são muito maus. No final, o personagem de Mario costura todas as histórias, trazendo uma reflexão sobre o mundo em que vivemos.