quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

O casamento do meu irmão

"My brother's wedding", de Charles Burnett (1983) Exibido em versão restaurada no Festival de Berlim 2026, "O casamento do meu irmão" foi escrito e dirigido por Charles Burnett, e lançado em 1983. É um filme indie, rodado em película, com atores amadores, representando a comunidade negra de classe média de Los Angeles, South Central. O filme foi um enorme fracasso comercial e a crítica na época não foi favorável. O filme foi arquivado. o Diretor conseguiu finalizar a edição e relançar o filme em 2007, obtendo uma resposta, dessa vez, positiva da crítica. Um retrato fiel, realista e humano de uma família negra batalhadora, a narrativa lembra muito a liberdade artística e improvisação dos filmes de John Cassavettes. O filme acompanha Pierce Mundy (Everett Silas), um jovem negro que trabalha na lavanderia comandada por seus pais. Acomodado com a sua vid ahumilde e a falta de ambição, Pierce frequenta a igreja todo domingo e ajuda membros da comunidade. Mas a sua vida do nada se torna um caos: seu amigo de infância, Soldier (Ronnie Bell), está prestes a ser solto da prisão. Os pais de Soldier imploram a Pierce que o ajude a evitar que ele volte para a cadeia. E também, seu irmão mais velho, Wendell (Monte Easter) decide se casar com Sonia (Gaye Shannon-Burnett), uma advogada que pertence a uma classe social mais alta, e por isso, motivo de desprezo de Pierce. Charles Burnett realizou um filme que transita entre o drama social e a dificuldade da comunidade negra ascender socialmente, tendo um leve humor no tom, principalmente nos personagens dos pais e avó de Pierce, cheios de frases feitas e mensagens edificantes. Mesmo trabalhando com elenc amador, o filme respira espontaneidade, vida real. Uma obra histórica que merece ser vista.

Ce n'est qu'un au revoir

"Ce n'est qu'un au revoir", de Guillaume Brac (2024) Documentário francês coming of age que concorreu no Acid Cannes em 2024, "Ce n'est qu'un au revoir" foi rodado na cidade de Die, Drôme, na França. O filme acompanha os últimos dias de um grupo de estudantes de um internato na cidade. Os estudantes são do "terminale" (como se fosse o último ano do ensino médio). Eles estão prestess a seguir para uma vida adulta e estudar para a faculdade. A iminente separação dos amigos de longa data, traz um tom de melancolia e de despedida ao mesmo tempo de uma vida sem as preocupações dos adultos. Em meio a típoicas brincadeiras de adolescentes, os jovens seguem o rigor da escola; as garotas e os rapazes estudam em salas separadas e nas alas de dormitório, em andares separados. Eles passeiam, tomam banho no rio, e como boa parte dos jovens, são conscientes das causas políticas e ambientais. A câmera do diretor Guillaume Brac aponta para as histórias de cada um dos jovens do grupo: entre questões familiares, mudança para outro país, o mais comovente do filme é perceber no brilho dos jovens, um tom de fim de uma era. Um belo estudo para personagens adolescentes em filmes ficionais.

Sandbag Dam

"Zečji nasip", de Čejen Černić Čanak (2025) Drama queer coming of age, "Sandbag dam" é co-produzido por Croácia, Eslovênia e Lituânia. Filmado em Karlovac, na Croácia, o filme traz como temas a masculinidade tóxica e o medo de expor a homossexualidade em uma sociedade conservadora e machista. O portagonista é Marko (Lav Novosel), um jovem que mora com seus pais e seu irmão, Fićo (Leon Grgić), que é portador de down. Marko ama a sua família. Seu pai ensina a Marko a queda de braço, já que haverá m campeonato na ecsola onde ele estuda. Popular entre os colegas, Marko namora Petra (Franka Mikolaci, que trabalha em um supermercado. Marko dedica parte de seu tempo cuidando do irmão e a criação de coelhos dele, além dos negócios da família, mantendo estufas para cariação de plantas ornamentais. Marko também participa do esforço coletivo da comunidade para se preparar para a chuva que se aproxima e que pode causar a inundação do rio local. Mas o mundo de Marko vira de cabeça para baixo, quando Slaven (Andrija Žunac), vizinho e antigo amigo de Marko, retorna para a cidade, para o funeral de seu pai. Slaven e MArko guardam um segredo: eram apaixonados, mas não podiam viver o amor de forma plena. COm uma narrativa bastante melancólica, acentuada pela fotografia e pela locação repleta de neve, "Sandbag Dam" traz a barragem de areia como uma metáfora para a vivência de Marko, diante de tantaos conflitos a serem resolvidos. A história já foi vista diversas vezes, com o protagonista convivendo com rapazes tóxicos e tendo um relacionamento com uma jovem como fachada. Os atores são bons e a direção lida de forma sensível cm tantos temas propostos pelo roteiro.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

O morro dos ventos uivantes

"Wuthering heights", de William Wyler (1939) Protagonizado pelo trio de ouro Lawrence Olivier, Merle Oberon e David Niven, "O morro dos ventos uivantes" de Willian Wyller foi a 2a adaptação do roamnce escrito em 1847 pela inglesa Emile Bronte. A 1a versão, de 1920, foi dirigida por A.V. Bramble. Até 2026, já foram 64 adaptações para o cinema e tv. O filme foi indicado a 8 Oscars em 1940, incluindo filme, ator para Lawrence Olivier e direção para Willian Wyller, levando o de fotografia para Gregg Toland, em preto e branco. O filme adapta os 16 primeiros 16 capítulos do romance, de um total de 34, ignorando a 2a geração de personagens. O ano de 1940 foi super concorrido, tendo 10 filmes indicados para melhor filme, entre eles, os peso-pesados:'O mágico de Oz", "Ninotchka", "Vinhas da ira", "No tempo das diligências", "Rebecca, uma mulher inesquecivel", perdendo para 'E o vento, levou". Diferente da versão lançada em 2026 por Emerald Fenell, que apostou em um filme realista, a versão de Willian Wyller traz uma narradora, no caso, a acompanhante de Cathy, Ellen, e elementos sobrenaturais. Em 1771, em Yorkshire, Cathy, seu irmão Hindley e o pai deles, Sr. Earnshaw, moram na mansão Wuthering Heights, nas colinas. Um dia, o pai traz um menino de rua para morar com eles, apelidado de Heatcliff. Com o tempo, Cathy e Hitcliff se tornanm amigos, provocando ciúmes em Hindley, que acredita que o pai dá mais atenção a Heatcliff. Ja adultos, uma família rica se muda nas redondezas. Curiosos, Cathy e Heatcliff se aproximam da mansão e vêem um baile acontecendo. Um dos cães morde Cathy, que sofre um ferimento na perna. O filho do dono da mansão, Edgar Linton, cuida de Cathy e pede que ela fique com eles por algum tempo. A partir daí, se inciia um triângulo amoroso com desfecho trágico. O filme pertence à era de ouro de Hollywood com grandes produções. É um romance exacerbado, com atuações intensas principalmente e Lawrence Olivier.

Quarto do pânico

"Quarto do pânico", de Gabriela Amaral Almeida(2025) Reconhecida no cinema brasileiro como uma cineasta de filmes de gênero, Gabriela Amaral Almeida lançou os premiados filmes de terror urbano "Animal cordial" e "A sombra do pai". Coube à ela a tarefa de realizar o remake de "Quarto do pânico", clássico de David Fincher de 2002 e que trouxe um elenco encabeçado por Jodie Foster, kristen Stewart (então com 12 anos), Jared Leto e Forrest Whitaker. A primeira pergunta feita por todo mundo certamente foi: "Mas precisava de um remake?". E a curiosidade maior para qualqyer remake, é se a nova versão alterou o roteiro, principalmente o desfecho da história. Das poucas mudanças feitas no roteiro, o prólogo da versão brasileira é diferente. Apresenta a personagem de Ísis Valverde voltando de uma festa com seu marido, e ele sendo morto em um assalto no sinal. Na passagem de tempo, ela compra uma enorme mansão, com direito a um quarto do pânico, onde obviamente a internet não funciona. Sua filha, interpretada por Marianna Santos, e o avô dela, Estevão (Leopoldo Pacheco), são contrários à compra da casa, mas ela toma a decisão de comprar. Uma noite, 3 bandidos, se fingindo de técnicos de internet, invadem a casa para entrar no quarto do pânico. Um deles, interpretado por André Ramiro, ajudou a construir a casa e sabe que ali estão escondidas jóias valiosas. Os outros bandidos são interpretados por Caco Ciocler, com próteses no rosto para descaracterizar seu rosto, e Marco Pigossi, o psicopata do trio. Mãe e filha se assustam com a invasão e se trancam no quarto do pânico. A filha tem problema de hipoglicemia e precisa da injeção de insulina. O filme segue bem a narrativa do filme original, mudando poucos elementos. A fotografia de Fabricio Tadeu traz cores que parecem retiradas de um giallio, com azul e verde iluminando as paredes. A personagem principal do filme é a casa, e a locação é bem eficiente e cinematográfica, favorecendo movimentos de câmera e ângulos. O filme se esforça e para quem não assistiu ao original, pode ser um bom entretenimento.

O morro dos ventos uivantes

"Wuthering heights", de Emerald Fennell (2026) Fui pesquisar e fiquei chocado que existem 64 adaptações de "O morro dos ventos uivantes" realizados para o cinema e a tv. O romance escrito pela escritora inglesa em 1847 até hoje comove e sensibiliza corações, principalmente pelo trágico desfecho de um amor impossível. Aates mesmo do mega sucesso de "Titanic" para as grandes massas, em "O morro dos ventos uivantes", a diferença de classe social já era um impeditivo para que um amor se consumasse. Filmado em 35 mm em estúdio e externas em Londres, o filme é dirigido, adaptado e produzido pela cineasta Emerald Fennel, de "Bela vingança" e "Saltburn". Ela repetiu a parceria com o fotógrafo Linus Sandgren, com quem trabalhou em "Saltburn" (Linus fotografou "La La land", pelo qual ganhou um Oscar). Trouxe o mesmo compositor, diretora de arte de "Saltburn". Margot Robbie, que também é produtora do filme, convocou Jaqueline Durran, que já havia trabalhado com ela em "Barbie". O filme foi criticado por fazer adaptações no romance original: eliminar o personagem do irmão de Cathy, alterar o final e a principal polêmica, a escalação de Jacob Elordi: no romance, para deixar claro o racismo e etsigma com o personagem de Hetcliff, era era descrito como um cigano, de cor de pele escura. Mesmo com tantas críticas, eu confesso que gostei muito do filme: o visual é espetacular, o uso das cores, os enquadramentos, a trilha sonora, a atmosfera lúdica e poética ( e claro, estilizada e publicitária). O elenco está formidável: Jacob elordi e Margot Robbie têm uma química absurda; Hong Chau está ótima como uma figura vilanesca, que me remeteu à governanta de "Rebecca"; Alisson Oliver, ingênua e pervertida como Isabella; mas quem realmente rouba todas as cenas em que aparece, é Martin Clunes, no papel do pai trágico de Cathy, Mr. Earnshaw. Em 1771, na decadente mansão de Wuthering Heights, nas montanhas de Yorkshire, moram o alcólatra Mr Eranshaw, sua filha Cathy e a acompanhante dela, Nelly. O pai traz para casa um menino de rua, que Cathy apelida de Hetcliff, para ser seu "animal de estimação". Os anos se passam, e a intimidade e paixão platônica entre Cathy e Hatcliff são evidentes. Quando um novo vizinho se instala próximo, Cathy descobre ser uma família de milionários: o solteiro Edgar Linton, comerciante de tecidos. Cathy confidencia para Nelly o desejo de querer se casar com ele e poder ascender socialmente não somente sua família, como também, Hatcliff. Cathy vai até a mansão de Edgar e se apresenta, sendo imediatamente aceita por Edgar, que se apaixona por ela. O filme traz elementos de Bondage e dominação em diversos momentos, trazendo elementos contemporâneos à obra.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

O exorcista II- O herege

"The exorcist II- the heretic", de John Boorman (1977) Ninguém duvida que o terror "O exorcista". de 1973, é um dos grandes filmes de Hollywood. Indicado a 10 Oscar, incluindo filme, direção, atriz, atriz e ator coadjuvantes, o filme ganhou 2 estatuetas: Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Som. A grande surpresa foi que, 4 anos depois, foi lançada a sua continuação. Ninguém pediu, essa é a verdade, mas como sucesso e dinheiro no bolso implica em franquia, não havia como não fazer. Willian Fridkin não quiz dirigir, Ellen Busrtyn não quiz retornar. Stanley Kubrick foi convidado e recusou, e em seu lugar entrou John Boorman, que tinha acabado de lançar a fantasia 'Zardoz", e depois de "O exorcista II', lançou sua obra-prima "Excalibur". Para fotografar, Boorman convocou William A. Fraker, 6 vezes indicado ao Oscar, e para a trilha sonora, o mestre Ennio Morricone. 3 atores originais retornaram: Linda Blair, Max Von Sydow e Kitty Winn, nos papéis de Regan, Padre Merrin e a tia Sharon. Os astros Richard Burton, Louise Fletcher ( que tinha acabado de ganhar o Oscar de atriz coadjuvante por "Um estranho no ninho") se uniram ao elenco. O filme prometia. O resultado: é considerado um dos piores filmes de todos os tempos. Revendo nos dias de hoje, não é difícil dizer o porquê. Roteiro ruim, efeitos toscos, mesmo para a época, falta de terror e suspense, que tinha em abundância no filme original. E tem umas cenas com atauqes de gafanhotos bem mal feito, com um gafanhoto feito com efeito prático e sobrevoando todo mundo. Chega a ser hilário. Regan está recebendo tratamento psiquiátrico com a Dta gene (Fletcher). Enquanto isso, o padre Philip Lamont (Richard Burton) é enviado do Vaticano para investigar a morte do padre Lancaster Merrin (Max von Sydow) e do demônio Pazuzu. Quando Lamont encontra Regan, ele participa de sessões de hipnose e eletrochoques, que acama invocando o demônio. Tem umas sequências que acontecem na Etiópia que quebram a narrativa, é como se fossem 2 filmes em um. O elenco não está em seus melhores dias (nem Linda Blair nem Max Vion Sydow). Li que Richard Burton e Linda Blair sofreram bastante nas cenas finais, filmadas em estúdio, por conta da rigidez e maus tratos de Boorman.

Caminhos do crime

"Crime 101", de Bart Layton (2026) Arrecadando apenas 15 milhões de dólares em sua estréia, contra um orçamento de 90 milhões de dólares, "Caminhos do crime" traz uma trama de ação e policial bastante genérica, mas que faz valer a pena por unir um elenco de peso: Chris Hemsworth e Mark Ruffalo se unem novamente, após trabalharem como Thor e Hulk na Marvel. A eles, se juntam Halle Berry, Barry Kheogan, Nick Nolte e Jennifer Jason Leigh. Os tipos são bem determinados: Chris é Mike, um ladrão de bom coração que rouba jóias valiosas para um contratante (Nick Nolte). Ruffalo é o detetive Lou, também de bom coração, mas para variar nos tipos que Ruffalo interpreta, melancólico e amargurado. Sharon Colvin (Halle Berry, é uma corretora de seguros da alta sociedade, que se une aos roubos de Mike. Ormon (Barry Keoghan), é um assassino contratado por Money (Nick Nolte) para decsobrir os planos de Mike. O filme é longo, com quase 140 minutos de duração. Tem ótimas cenas de ação, bem dirigido, personagens carismáticos. Kheogan está ótimo como o vilão de cabelo platinado. Chris, Ruffalo e Berry fazem o que já conhecemos, mas torcemos por els. Jason Leigh faz aquele tipo meio bipolar de sempre, mas amamos.

Sexta feira 13

"Friday 13th", de Marcus Nispel (2009) Produzido por Michael Bay (diretor dos mega blockusters "Transformers", "Bad boys" e "Armageddon") e por Sean S. Cunningham, diretor do filme original de 1980 e que originou 9 filmes da franquia, esse remake de 2009 é um reboot da saga de Jason Voorhes. O filme foi dirigido pelo alemão Marcus Nispel, que dirigu o elogiado remake de "O massacre da serra elétrica", de 2003. O filme arrecadou US$ 92,7 milhões nas bilheterias com um orçamento de US$ 19 milhões, tornando-se o segundo filme de maior bilheteria da franquia, depois de "Freddy vs. Jason". Mas porqu6e não vieram outros filmes, se o filme foi sucesso? A resposta é que o público e fãs de Jaosn não gostaram do filme. Nessa nova versão, Jason vem recauchutado: mais forte, ágil, raciocinando as ações e tendo emoção. Diferente do original, e o que eu também achei estranhíssimo quando assisti no ano de lançamento, é que agora ele corre atrás das vítimas, quando antes ele era onipresente. Mas ainda assim, eu gostei muito da direção de Marcus Nispel, que sabe criar atmosfera, planos cinematográficos, sabe trabalho o suspense. A fotografia, a direção de arte e os efeitos, além d atrilha sonora, também são muito boas ( a fotografia é diferente dos outros filmes, que tinham um tom mais "sujo", de filme indie". Mas ainda assim, faz parte daquela fotografia que ficou comum nos slashers dos anos 2000). O filem recupera também a nudez e s3x0 que de certa forma, estavam sumindo nos slashers dos anos 2000, afinal, eram as primeiras vítimas de Jason e faz parte da cartilha de qualquer serial killer matar quem ousa fornicar. O filme começa com o prólogo da cena final do filme original: a mãe de Jaosn sendo morta. Jason, criança, testemunha e leva a cabeça de sua mãe com ele. 29 anos depois, um grupo de jovens, invade a abandonada Crystal lake, atrás de uma informação de que ali, existe uma plantação de maconha. Jaosn faz a festa, e a única suposta sobrevivente, Whitney, desaparece. Semanas depois, um outro grupo d ejovens aparece, e a eles se junta Clay, que procura por sua irmã Whitney. As cenas de morte aqui são brutais, nlgumas bem gráficas, outras acontecem fora de quadro.

domingo, 15 de fevereiro de 2026

Esta sou eu

"This is I", de Yusaku Matsumoto (2026) Cinebiografia musical da artista japonesa trans Ai Haruna, nascida em 1973 e vencedora do concurso "Miss International Queen", em 2009, na Tailândia. O filme é adaptação de duas autobiografias: a da própria Ai Haruna, e a do Dr Kenji Wada, que foi o responsável pela cirurgia de redesignação sexual de Haruna, nascida como Kenji Onishi, e de mais de 600 trans. O filme começa em 1981, com Kenji aos 8 anos, sofrendo bullying em casa e na escola pelo seu comportamento considerado feminino demais para um menino. À medida que vai crescendo, Kenji entende que tem disforia de gênero. Ele sonha em se tornar um ídolo, mas ninguém o compreende. Um dia, ele encontra uma mulher trans, Aki, que o ajuda a entrar no universo dos cabarés em Osaka. Ele se identifica com o ambiente e com as mulheres trans que por ali frequentam. O Dr Wada frequenta o cabaré que fica fascinado pela presença de Kenji nos palcos. Kenji, agora nome artístico de Au Haruna, pede para que o Dr lhe faça uma cirurgia de orquiectomia, retirada dos testículos. Quando Ai inicia um relacionamento com Takuya, cantor do cabaré, ele pede que ela se torne uma mulher. É quando Ai pede para que o Dr faça uma cirurgia de redesignação sexual. Dr wada diz que Ai pode morrer durante a cirurgia, pois é uma cirurgia bastante complexa ele ainda poderia até perder sua licença. Dr Wada percebe que Ai está infeliz e aceita fazer a cirurgia, contanto que ela comunique aos seus pais. O filme traz elementos musicais tanto nos palcos quando de forma lúdica, durante a narrativa, acentuando as emoções de Ai. Os atores estão ótimos e a direção de arte, figurino e fotografia ajudam a trazer mundo colorido de Ai e das mulheres trans do cabaré. Mas a longa duração do filme, com 130 minutos, e um ritmo bastante arrastado em diversos momentos, atrapalha a narrativa.

#MissingCouple

"#MissingCouple", de Jacques Edeline e Oliver Mauldin (2024) O sub-gênero de terror do found footage se esgotou lá por volta dos anos 20000, por conta da quantidade de filmes que navegaram nessa onda. Mas eventualmente alguns filmes obscuros surgem. Alguns bons e que trazem algo interessante, outros em ruins. Infelizmente, "#Missingcouple" faz parte do 2o bloco. Eu soube da existência desse filme por uma postagem em uma rede social, que uma pessoa disse ser um ótimo filme de terror. mas eu tenho que aprender que a maioria dessas postagens é bait, para criar expectativa sobre um filme. Fiquei curioso e lá fui eu assistir. O filme transita entre 2 narrativas. Na primeira, um jovem casal tem um canal no Tik Tk onde postam a rotina de sua vida na estrada, chamada #vanlife. Eles viajam pelos Estados Unidos, mostrando curiosidades pelo caminho e o seu dia a dia. Em um momento, eles decidem abandonar essa vida nômade e compram uma fazenda abandonada, e a partir daí, registrar a sua rotina no local. Eles decsobrem atividades estranhas na região, e que os moradores da cidade dizem que ali, soldados da 2a guerra mundial foram mortos, especialmente negros. A outra narrativa acompanha um outro influencer, que também tem um canal, e que busca o paradeiro do casal, que desapareceu sem deixar rastros. O influencer procura pistas e acaba encontrando a fazenda onde eles moravam, e também, alguns cartões de memória contendo material gravado pelo casal. A premissa que une as duas histórias, é até interessante, e de fato, um plot twist. Mas uma pena que os roteiristas decidiram apostar em fatos sobrenaturais, podendo ter sido um filme realista, infinitamente mais interessante. O terror também é inxistente. O filme inteiro é essa galera andando de um lado pro outro, falando e eventualmente, uma ou outra coisa estranha, nada demais. Uma grande chatice, monótono.

Ligações do passado

"L'ofrena", de Ventura Durall (2020) Co-escrito e dirigido por Ventura Durall, "Ligações do passado" é um drama com elementos de romance e erotismo, incluindo nudez total do elenco. Me fez lembrar de alguma forma do thriller erótico de François Ozon, "O amante duplo", com uma atmosfera noir. Violeta (Anna Alarcón), uma psiquiatra casada, recebe a visita inesperada de uma nova paciente. Rita (Verónica Echegui) é esposa de Jan (Alex Brendemühl), uma antiga paixão de adolescência de Violeta, que deixou marcas profundas em Violeta. Rita é uma camgirl e se apresenta com performances eróticas na câmera. Jan atualmente é dono de uma empresa que ajuda a transmitir os últimos desejos de pessoas em fase terminal, oferecendo serviços às suas famílias, numa tentativa de diminuir a distância na comunicação entre elas. Rita vai ao consultório de Violeta com o pretexto de reconquistar o amor do marido, e tentando convencer Violeta a reencontrar Jan para que ela possa resolver os seus problemas conjugais. Quando Violenta reencontra Jan, ela recorda os momentos de paixão que ambos tiveram há 20 anos atrás, e a forma abrupta que ele a abandonou. Jan pretende reconstruir a sua história e pedir perdão à Violeta. Quem gosta de uma trama que mescla densidade dramática, paixões avassaladoras.e muitas cenas de s3x0, vai curtir bastante "Ligações do passado". Os atores estão ótimos, tanto os adultos quanto os jovens. A trama caminha entre presente e passado e pode ficar confusa em alguns momentos, mas o final fecha de forma orgânica toda a narrativa.

Honey bunch

"Honey bunch", de Dusty Mancinelli e Madeleine Sims-Fewer (2025) Co-produzido por reino Unido, Canadá e Filândia, "Honey bunch" parece uma mistura de um episódio de "Black mirror", alguma produção de terror gótico da HAmmer anos 70 e o mito do Franjestein, tendo como pano de fundo um amor eterno e verdadeiro, seja entre casais, ou entre pai e filha. Escrito e dirigido pela dupla Dusty Mancinelli e Madeleine Sims-Fewer, "Honey bunch" foi premiado nos festivais de Sitges e Bruxelas. Ambientado nos Anos 70 e filmado no Canadá, acompanhamos o casal Homer (Ben Petrie) e sua esposa Diana (Grace Glowicki) chegando à uma mansão isolada na floresta. Diana está doente, tendo perdas de memória e hamer acredita que a Dra Tréphine (Patricia Tulasne) possa curá-la. Outros pacientes chegam, entre eles, Joseph (Jason Isaac) e sua filha adolescente, Josefina (India Brown). Durante a sua permanência, Diana tem visões, e um dia, ao caminhar na floresta, v6e uma mulher exatamente igual à ela, que Diana não sabe dizer se foi alucinação. O filme tem uma premissa muito boa, e mesmo já vista em diversos outros filmes, como o recente "Infinity pool", tem o seu charme próprio, pela mabinetação vintage dos anos 70. O elenco está excelente, e o terceiro ato mais dinâmico, tendo um início arrastado, o que prejudica para quem vai começar a assistir e pode querer desistir de cara.

sábado, 14 de fevereiro de 2026

Diva - Paixão perigosa

'Diva", de Jean-Jacques Beineix (1981) Eu me lembro que quando 'Betty Blue" foi lançado nos cinemas em 1986, fazendo um sucesso espetacular especialmente aqui no Brasil, o distribuidor decidiu lançar os filmes anteriores do cineasta Jean Jacques Beiniex, dono de uma narrativa e estética própria, com imagens bastante estilizadas, quase publicitárias, copiado infinitamente por muitos cineastas mundo afora. Assim vieram "Roselyne e os leões", "A lua na sarjeta" e "Diva", o seu primeiro filme, de 1981. Adaptado do romance homônimo escrito por Daniel odier, o filme foi um grande sucesso en França, com mais de 2 milhões de espectadores, e representou o país para uma vaga ao Oscar de filme estrangeiro. Misturando drama, romance, ópera, policial e thriller, o filme tem como protagonista a cantora de ópera e atriz americana Wilhelmenia Fernandez, que cantou suas próprias músicas no filme. Suspeito muito que o filme tenha sido a principal referência de Luc Besson em "O quinto elemento". A trama é confusa, com muitos personagens se entrecruzando. Jules, um jocem carteiro, é fã da cantora de ópera Cinthya Hawkins, que faz recitais em Paris. Ela é conhecida por não permitir gravarem sua voz, por isso não existem fonogramas, só ao vivo para ecsutá-la. Jules grava escondido em um gravador o recital, e ao fugir, cruza com uma prostituta, Nadia. Ela deixa na mala de postagem de Jules, sem que ele saiba, uma fita gravada onde ela expõe um alto funcionário da polícia, o Comissário Divisionário Jean Saporta, como o chefe de uma rede de tráfico de drogas e prostituição. Ela é assassinada por capangas de Saporta. Além dos capangas irem atrás de Jules, dois taiwaneses também vão atrás dele, querendo a fita com o recital de Cynthia, para piratearem. Tem muitos subplots no filme e isso arrasta e confunde a trama. O filme ficou bastante datado, mas ainda assim, é um filme que retrata muito uma época, tanto em termos cinematográficos, quanto de estilo e habitos.

Above the knee

"Above the keen", de Viljar Bøe (2024) Diretor do bizarro "Good boy", filme onde um homem criava um cachorro que na verdade era um homem vestido de cão e se comportava como, o escritoe e cineasta norueguês Viljar Bøe retorna com outro tema polêmico: dessa vez, ele fala sobre o Transtorno Dismórfico Corporal (TDC). É um fenômeno muito raro e envolve o desejo de amputações, onde a pessoa sente algum membro não pertence ao seu corpo. Amir (Freddy Singh) está casado há sete anos com Kim (Julie Abrahamsen) e formam um casal bem sucedido e feliz. Amir, no entanto, tem tido constantes pesadelos, com visões de sua perna apodrecendo e ansiando por cortá-la, convencido de que não lhe pertence. Após assistir a um noticiário sobre Rikke (Louise Waage Anda), uma jovem que alega ter o mesmo transtorno e que deseja ficar cega, Amir decide colocar em prática a sua amputação da perna esquerda. Quando li sovre o filme, pensei me deparar com um filme extreme, repleto de violência explícita. Mas não aparece a cena da ampuytação, tudo acontece fora de quadro. Existe uma angústia sim, mas por conta da edição de sim e da performance do ator. Mas como eu esperava ver algo bem violento, me senti frustrado. O filme é um drama, sobre pessoas com um transtorno que eu nem sabia que existia. Valeu pela curiosidade.

Birdeater

"Birdeater", de Jack Clark e Jim Weir (2023) Anunciado como um filme de horror, "Birdeater", escrito e dirigido por Jack Clark e Jim Weir, na veradde é um drama com toques de thriller psicológico, mas ainda assim, uma narrativa de drama. O filme concorreu em SXSW e ganhou os prêmios de melhor filme nos festivais de Philadelphia e Sidney. Logo no início, surge uma cartela, anunciando ao público "Aviso para o público sobre a presença de masculinidade tóxica e um reconhecimento aos povos aborígenes de que filmaram em suas terras". Uma cartela estranha, parecendo pedir pemrissão para filmar na região e alertar ao público de possíveis gatilhos. Louie (Mackenzie Fearnley) e Irene (Shabana Azeez) moram juntos. O prólogo apresenta a rotina de Louie, tanto na natação quanto no trabalho, e de Irene em casa. Louie, antes de sair de casa, sempre oferece comprimidos para Irene, que na verdade, são remédios para lidar com a ansiedade dela. Quando Irene pede Louie em casamento, ele reluta, mas depois aceita. Os amigos homens montam uma despedida de solteiro para Louie em uma bacana isolada. Ele pede para que Irene a acompanhe, e ela nega, pois acredita ser um ambiente de masculinidade tóxica. Ela repensa e aceita. Ele convida seus amigos da escola, Murph (Alfie Gledhill), Dylan (Ben Hunter) e Charlie (Alfie Gledhill). Charlie leva a sua noiva, Grace (Clementine Anderson), para fazer companhia à Irene. Achei o filme muito monotono, com muita verborragia e quando os amigos se reencontram, fica um desfile interminável de diálogos de amigos faland tudo quanto é bobagem. Claro, eles bebem bastante e usam drogas, e passam a ter visões, e em determinando momento, traumas do passado surgem à tona. Ritmo arrastado, o filme aind atermina em aberto.

Livros restantes

"Livros restantes", de Marcia Paraíso (2025) Escrito e dirigido por Marcia Paraíso, "Livros restantes", curiosamente, é o 2o drama protagonizado por Denise Fraga rodado em Portugal. Em "Livros restantes", Marcia filmou na bela Ilha de Barra da Lagoa, em Florianópolis, Santa Catarina, uma região turística e pesqueira. O filme lida com muitos temas: o envelhecimento, recomeço, família desfuncional, patriarcado, machismo, 3xtrupr0 e abuso doméstico, saída do armário, evangelização, conservadorismo. Tudo tendo a literatura como base narrativa, e a relação entre 3 mulheres de uma mesma família, de gerações diferentes: mãe, Ana Catarina (Fraga), sua filha adolescente Sofia (Manuela Campagna) e a mãe de Ana, Antonia (Vanderleia Will). Ana foi casada com Carlos Henrique (Augusto Madeira), um homem bronco e conservador. Ana, que se aposentou como professora de literatura, ajuda o seu irmão Sergio (Renato Turnes) no restaurante da família, comandado por Antonia. Ana decide recomeçar a sua vida e morar por um tempo em Portugal, partindo em um m6es. Ela decide devolver 5 livros distintos, todos eles com dedicatórias, para quem os presneteou, como uma forma de reviver e fazer acerto com o seu passado: 1) "Aos teus pés", ela decsobre que a amiga se tornou lésbica; 2) A obscena senhora D", para Lu, que se recusa a receber, por se tornar evabgélica; 3) "Feliz ano velho", para seu crush e paixão platônica Jô, eterno susfista; 4) "Silencioso corpo de fuga", para Tarik, supostamente seu primeiro namorado que tirou a sua virgindade, 5) "A doutrina do choque", para seu ex, Carlos. Com belas imagens captadas na região paradisíaca e em Portugal, o filme tem como ponto forte, o ótimo trabalho de Denise Fraga e as atrizes que interpretam sua mãe e sua filha. Talvez um excesso de personagens e sub-plots, mas ainda assim um filme sensível e reflexivo sobre os dilemas de uma mulher aos 60, em busca de si mesma.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

Merge

"Merge", de Béla Baptiste, Dalano Barnes, Richard Fenwick, Derek Franzese, Diana Porter e Mikel J. Wisler (2025) Imaginem os roteiros que não foram aprovados durante as temporadas de "Black mirror". o que poderiam ter acontecido com eles? Imaginem agora que algum produtor inglês decidiu ressuscitar esses roteiros e produzir um filme de baixo orçamento, ambientado nesse mesmo universo distópico e tecnológico de "Black mirror"? Pois assim é "Merge": um amálgama ruim, de histórias sem graça e óbvias, ambientadas em meio a IAs, robôs, comportamento obcessivos e viciantes relacionados à interação humanos X tecnologia. Dividido em 6 episódios, "Merge" traz um elenco correto, mas com efeitos muito simples para histórias que exigiriam mais de efeitos CGI. Fatou violência, melancolia, pessimismo em n'veis mais altos. 1) Angústia - Tudo é perfeito no mundo atual: todo mundo tem dinheiro, não existe fome nem doença, os casais são felizes. Um homem vende remédios que trazem sensações de medo e fobia, para que as pessoas entendem esses sentimentos 2) Alma gêmea Anna trabalha em uma empresa de Ia onde é probido aos funcionários interagirem em criações virtuais e criarem avatar. Anna é solitária e sme que ninguém saiba, cria um avatar para namorar o homem perfeito, Neil 3) Quando Livre Com a morte do pai, duas irmãs decidem dispensar Ash, uma robô AI. Ela passa a interagir pela 1a vez com pessoas na rua 4) A primeira vez que eu nunca te conheci Após a morte de sua esposa, Josh decide não voltar mais ao trabalho e fica obsecado com as memórias dele, que ele consegue reproduzir quantas vezes quiser e interagir com ela 5) Inscrito Carol é uma mulher que tem a sua vida controlada por Vitalus, uma espécie de Alexa. Vitalus regula tudo para que Carol dependa dela 100% e não precise sair de casa 6) O Homem por Trás da Máquina Martin mora em um armazém; um homem da empresa Turing vem buscar seu androide. Ele é um modelo antigo e é devolvido à Turing, onde encontra um modelo mais novo. Seu sinal é diferente; ele está com defeito e escapa de volta para Martin.

Freaklândia- O parque dos horrores

"Freaked", de Tom Stern e Alex Winter (1993) Difícil encontrar um filme tão bizarro, estranho, esquisito e non sense como esse aqui. "Fredlândia" incialmente era para ser um filme de terror, mas mudanças de percurso durante a sua realização fizeram com que e tornasse essa sátira surreal escatológica, co-escrita e co-dirigida por Alex Winter. Alex Winter ficou famoso em 1989 quando lançou, junto de Keanu Reeves, o cult "Bill e Ted", uma fantasia também pouco comum. Enquanto Keanu se tornou uma das maiores estrelas de Hollywood, Alex Winter ficou no mundo cult e indie. A história, se asism podemos dizer, acompanha um popular ex- ator infantil, Ricky Coogin (Winter) que aceita fazer propaganda de um fertilizante que tem efeitos tóxicos, Zygrot 24. O produto foi proibido nos Eua e na Europa, e por isso, ele segue até a America do Sul, na cidade de Santa Flan. Por conta dessa sua participação em um produto condenado, Ricky se torna persona non grata. Quando Ricky e seu amigo Coogan chegam, são recebidos por ambientalistas que fazem uma manifestação, entre elas, Julie (Megan Ward), por quem Ricky se apaixona. Eles seguem até o circo de comandado por Elijah C. Skuggs, que os aprisiona e, usando o Zygrot 24, transforma os três em aberrações para seu espetáculo. O filme tem um orgulho imenso de ser trash. são muitas cenas escatológicas, efeitos toscos, maquiagem tosca, prótese grotesca e claro, performances caricatas emover the top.

Justiça artificial

"Mercy", de Timur Bekmambetov (2026) Diretor dos sucessos "Abraham Lincoln: Caçador de Vampiros", e "O procurado", o cineasta russo Timur Bekmambetov ficou conhecido como realizador de grandes blockbusters de 2a linha em Hollywood. Em "Justiça artificial", ele traz os astros Chris Pratt e Rebecca Ferguson em uma história ambientada no futuro, em uma sociedade distópica. Por conta da violência e da crise social, aliado à burocracia da justiça cujos processos levam anos engavetados, foi criado uma IA chamada Mercy, um sistema judicial e penal que decide, em 90 minutos, o futuro do réu, e em caso de confirmação do crime, a execução sumária. Tudo isso, com o réu sentado em uma cadeira, observado em um telão videos com rechos gravados de sua vida, e consequentemente, impossível de serem alteradas. Ajuíza Maddox (Ferguson) é uma IA que comanda toda a ação. O detetive Chris (Chris Pratt), que comandou todas as 8 execuções da Mercy, dessa vez está sentado na cadeira do réu, acusado de assasisnar sua esposa. Ele tem 90 minutos para provara. sua inocência. Muita gente comentou que a idéia foi chupada de "Minority report", de Spielberg. Tem até as suas semelhanças. Mas aonde o filme difere e muito, é na forma de contar a história. Durante 90 por cento do filme, o personagem de Chris está sentado em uma cadeira, falando com a IA e vendo vídeos, me fazendo lembrar de filmes como "Procurando...". É um filme bastante eficiente, que cumpre a sua missão de entreter e depois esquecer. os atores têm carisma o suficiente para manter a atenção do espectador.

Serbian dancing lady pool

'Serbian dancing lady pool", de Alex Magaña (2024) Em 2003, o roteirista e diretor Alex Maganã lan;cou o curta "Serbian dancing lady", e com o grande sucesso, lançou uma franquia, quenjá conta com 6 filmes. O filme é inspirado lenda urbana da "Dama Sérvia" — uma mulher vestida com figurino folcórico que dança em público de noite, em ruas vazias de Belgrado. Ela empunha uma faca e ameaça as pessoas, matando-as. Para não serem mortas, as pessoas precisam pedir desculpa. Todos os filmes são protagonizados pela atriz Cat Hamm como a dançarina sérvia. Duas jovens aproveitam uma noite tranquila à beira da piscina, e uma delas, Sophia (Cassandra Chavez), assiste a um vídeo da dançarina sérvia em seu celular. Emma (Carleigh Jamison) diz para Sophia parar de assistir e pedir decsulpas, por conta da lenda urbana. Sophia não acredita e não pede decsulpas. O filme tem menos de 5 minutos e vai direto ao que interessa, sem perder tempo. A franquia é composta de cenas isoladas, e para a geração que já não assiste mais longas metragens porque não aguenta assistir nada com mais de 5 minutos, é a mídia perfeita.

Traumatika

"Traumatika", de Pierre Tsigaridis (2024) Misto de terror sobrenatural e slasher, "Traumatika" é um filme com uma trama que é pretenciosamente instigante e cool, com sua história dividida em 4 épocas distintas: 1901 no Egito, 2002 e 2003 em Pasadena, Califórnia, e 2023, na mesma cidade. O filme começa com uma cartela alertando sobre o tema que iremos assistir: "Na psioclogia, existem 5 tipos de trauma infantil: negligência fisica, testemunho de violência, emocional, físico e abuso s3xu4l.", Corta para 1901, um homem vagando no desreto do Egito em 1901, fugindo de uma entidade e carregando uma relíquia amaldiçoada. Segue para 2023, com uma jovem com o rosto deformado e machucado, Abigail, que sequestrou um menino, Mikey, e o faz acreditar que ela é sua mãe. A polícia chega e deccobre a tragédia: encointram 2 meninos desaparecidos mortos no porão, além de Mikey. Abigail se suicida. Volta para 2002, apresentando Abigail. Ela é filha de John, um homem divorciado e atormentado, que está com a relíquia e invoca o demônio. Ele se torna violento e 3xtupr4 Abigail. A outra filha, menor, Alice, é protegida por Abigail, para não ter seu mesmo destino. O filme segue para 2023. Uma apresentadora sensacionalista, Jennifer (uma espécie de Gale de "Pânico 7") entrevista LAice, agora autora de um best seller, um livro onde relata a história de sua irmã assassina. Mas elas não esperavam que Mikey, agora adulto, se tornou seril killer e quer matar Alice. O filme tem uma fotografia ecsura que lembra a de 'Seven", e violência que irá agradra quem busca sangue. A trama é boa, tendo como pano de fundo o abuso infantil em todos os seus níveis. Mais uma vez, o gênero do terror é utilizado para retratar metáforas de violência doméstica e traumas.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

As cinco obstruções de Lars Von Triers

"De fem benspænd", de Lars Von Triers e Jørgen Leth (2003) Assisti esse filme na época de seu lançamento, em 2003, no auge da carreira do controverso e polêmico cineasta dinamarquês Lars Von Triers. Famoso pela metodologia tirânica com que comanda seus sets, destratando equipe e elenco, "As cinco obstruções" reforça ainda mais essa imagem, numa época ainda não existia o termo nem o comportamento assumido do cancelamento. Obviamente, que o estilo de trabalho de Von Triers hoje em dia não é mais aceito, e por isso ele anda meio sumido da indústria. O documentário traz Lars Von Triers como um produtor, que decide convidar um cineasta dinamarqu6es, Jorgen Leth, e propõe a ele um desafio, a ser financiado pela Zentropa de Von Triers: Leth deve refilmar o seu premiado curta de 1967, "O homem perfeito", em 5 versões diferentes, com limites e imposições orçamentárias, técnicas e dramatúrgicas ditadas por Von Triers. O filme foi rodado durante 2 anos, de 2001 a 2003, em países distintos. Versão 1) rodado em Cuba, com planos com no máximo 12 frames versão 2) rodado num lugar miserável (Índia) , com o próprio Leth como ator versão 3) adaptação livre versão 4) fazer uma animação versão 5) o próprio Von Triers filmou essa opção, com narração de Lenth Para quem quer entender melhor a relação entre produtor e diretor contratado, é uma excelente experi6encia, resultando em ambates criativos dentro de um mesmo projeto.

Night patrol

"Night patrol", de Ryan Prows (2025) Quando li sobre esse filme de terror, fiquei bastante animado. Mas após assistir, fiquei extremamente decepcionado com o resultado. É muito ruim. A mensagem e a idéia são roubadas de "Pecadores", de Ryan Coogler. Em uma região da periferia de Los Angeles, policiais brancos massacram a comunidade negra. E além das armas, matando muito smoradores com tiros, os policiais brancos fazem parte de uma linhagem de vampiros, e matam os negros. E do lado da comunidade negra, uma moradora, Ayanda Carr (Nicki Micheaux), mãe do policial Xavier e do jovem morador Wazi, é uma mística, envolvida com sobrenatural e que há tempos, luta contra monstros difarçados de humanos. Justin Long, ator que ficou mais conhecido em filmes B de terror, interpreta Ethan Hawkins, que trabalha em dupla com Xavier. Ethan é filho do famoso sargento do Departamento de Polícia de Los Angeles (Dermot Mulroney), que lidera os Night patrols. Ethan quer fazer parte do grupamento, mas precisa passar por uma provação. O filme é uma grande bagunça. Até quase 1 hora de filme, os vampiros não dão as caras, focando mais no aspecto realista do racismo que policiais agem contra moradores negros. Tivesse focado nessa parte, o filme tera sido mais interessante. Mas quando entram os vampiros, tudo vira um grande pastiche, com efeitos ruins. O efeito de distorção na imagem pelo POv dos vampiros é algo muito velho e cafona.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

Psicose 2

"Psycho II", de Richard Franklin (1983) Me lembro que quando "Psicose 2" foi lançado nos cinemas, no longínquo ano de 1983, houve uma preocupação enorme por parte dos críticos e dos cinéfilos apaixonados pela obra-prima de Alfred Hicthcock. Afinal, seria uma heresia filmar uma continuação de "Psicose", de 1960, um filme por si só perfeito e conclusivo, sem qualquer necessidade de uma história contínua. E após assistir ao filme com roteiro escrito por Tom Holland (que viria a filmar o cult de terrir " A hora do espanto", em 86) e dirigido por Richard Franklin, cineasta australiano e aluno de Hitchcock, tirei minha conclusão: "Para quê?". Decidi rever o filme agora, pois não lembrava o porque de eu não ter gostado do filme. E ficou claro: o filme destrói os personagens de Norman Bates e de Lili Loomis (Vera Miles, que retorna ao filme),irmã da personagem de Janet Leigh, assassinada no banheiro. Ambos os personagens não mereciam o que foi feito deles. Além disso, o filme é longo, quase 2 horas, arrastado e com pouca tensão. Existem algumas cenas de violência, todas envolvendo a famosa faca de cozinha, sendo uma deles explícita, com a faca atravessando a boca. As outras não aparecem direito. O filme começa com a famosa cena do chuveiro original, com Janet Leigh, e corta para apresentar Norman Bates no tribunal, 22 anos depois, sendo liberado. Lili está presente e faz escândalo, achando um absurdo ele ser solto. Norman retorna para a sua antiga casa e motel. Porém, o Motel agora está sendo administrado por Warren Toomey, o novo gerente, que montou uma lanchonete, onde trabalha a garçonete Mary (Meg Tilly). Novas mortes acontecem, e Norman acredita estar alucinando. O roteiro traz diversas pistas falsas e plot twists, para entender quem é o assassino/a. O elenco, além de Antohony Perkins e Vera Miles, traz a novata Meg Tilly e o veterano Robert Loggia, no papel de um psicólogo.

Demons 2- Eles voltaram

"Dèmoni 2... l'incubo ritorna", de Lamberto Bava (1986) Quando 'Demons- Os filhos das trevas" foi lançado em 1985, foi um enorme sucesso de bilheteria e imediatamente se tornou cult. Um ano depois, 'Demons 2- Eles voltaram" foi lançado, na esteira do sucesso do filme original. Produzido e co-escrito por Dario Argento, o filme é novamente dirigido por Lamberto Bava. Para quem assistiu 'Demons", sabe o que irá encontrar nessa parte 2: muita gosma, vísceras, mutilações, olhos esbugalhados, dentes carniceiros, pele maquiada de verde, um roteiro sem pé nem cabeça e atores canastrões. Ou seja, uma grande zueira que, dependendo do estado do espírito do espectador, pode fazer a experiência se tornar inesquecível, para o bom ou mal motivo. 40 anos depois de lançados, ambos os filmes são sempre lembrados como o ápice do cinema de horror trash italiano. E de verdade, é uma delícia. Em um condomínio, moradores são atacados por demônios que saem da tela da tv ( no original, saiam da tela do cinema). Eles prexisma lutar pela sobrevivência e tentar sair do prédio. Quem é mordido, também se torna demônio. O que mais diverte no flme, são os personagens: são diversos núcleos de sobreviventes. Tem um grupo de marombeiros sem camisa e garotas de collant anos 80; tem um menino de 8 anos que se transforma em demônio ( e é substituído por um ator portador de nanismo) e depois se transforma em um demônio voador; tem um cachorro que se torna demônio; tem uma galera no spa que se torna demônio, e muito mais. A trilha sonora traz The Smiths e Heavy Metal; E Asia Argento, filha de Dario Argento, estréia aos 10 anos de idade, como a filha de um casal de moradores.

Grito de horror

"The howling", de Joe Dante (1981) Um cult de terror dos anos 80, "Grito de horror" é dirigido por Joe Dante, que anos depois, viria a filmar "Os gremlins" e ter seu nome reconhecido no panteão dos grandes diretores. Curiosamente, no ano de 1981, outro filme de lobisomem brilhou tanto quanto "Um grito de horror": "Um lobisomem americano em Londres". Ambos os filmes fizeram grande sucesso e se tornaram cults, certamente influenciando o clipe clássico de Michael Jackson em 1983, "Thriller". O que chamou a atenção na época, foram os efeitos de maquiagem aliados a efeitos práticos de ambos os filmes, revolucionários, mostrando a transformação de um ser humano em lobisomem. Claro que revisto nos dias de hoje, onde tudo é realizado com Ai e CGI, podem parecer toscos, mas que ninguém duvide da grande dificuldade se fazer essa trucagem. O film etem uma cena que ficou famosa na antologia dos filmes de terror: durante um ataque de um lobisomem contra uma vítima, uma tv mostra uma cena da animação de Walt Disney, "Os três porquinhos", de 1933, com o Lobo mau atacando os porquinhos. Ironia e sarcarmo em uma cena para aliviar a tensão. O filme é adaptado do romance "The Howling", de Gary Brandner, de 1977. Dee Wallace, que 2 anos depois ficaria famosa como a mãe de Elliot em 'Et, o extraterrestre", interpreta a âncora destemida de tv Karen White. Ela se permite ser uma cobaia para atrair ums erial killer, que marca um encontro com ele em um cine pornô. Quando ele vai atacá-la, a policia chega e o mata. Traumatizada, Karen é aconselhada pelo médico a ir até uma colônia isolada nas montanhas, junto de seu marido, Bill. Mas para surpresa deles, o local está infestado de lobisomens, e agora, eles precisma lutar por suas vidas. Mesmo datado, o filme ( que incrível que possa parecer, gerou 6 continuações, todas caça niqueis) tem um ótimo roteiro, que traz temas como midia oportunista, vaidade profissional, atraves dos personagens reporteres e produtores de tv ambiciosos.

Isso ainda está de pé?

"is this thing on?", de Bradley Cooper (2025) Lançado no Festival de Nova York em 2025, como filme de encerramento, "Isso ainda está de pé?" é o terceiro longa dirigido pelo ator e diretor Bradley Cooper, após "Nasce uma estrela" e "O maestro". Criticado pelos jornalistas pelo que consideram excesso de narcisismo e vaidade, inclusive em sua performance, Cooper mantém a cadeira de diretor, e aqui, co escrevendo o roteiro com o Ator e protagonista Will Arnett, e também co-produzindo. Copper interpreta um papel coadjuvante, como Balls, melhor amigo de Alex (Arnett), deixando o comediante canadense brilhar. Will Arnett é conhecido por dublar a animação "Batman Lego", fazedo a voz de Batman, e a animação "Horseman", além de ser conhecido como comediante de stand up. Seria fácil comparar o filme a "História de um casamento", com Scarlett Johansson , Adam Driver e Laura Dern, que não por acaso, co-estrela o filme, fazendo o papel de Tess, esposa de Alex. Porém, o tom dos dois filmes são diferentes. No filme de Cooper, persiste o drama e melancolia, mas existe alguns glimpses de humor, mesmo que distanciado. Recém divorciados, o casal de emia idade Alex e tess seguem a vida separados e compartilhando a guarda dos dois filhos. Tess redescobre o prazer de voltar ao volei, dessa vez, como treinadora. Alex permabula pelas ruas de Nova York e entra em um bar, conhecido por permitir que anonimos apresentem seus stand ups. Melancólico, Alex decide pegar o microfone, e ao invés de contar piadas, fala de sua vida, e inesperadamente, faz sucesso. Com o tempo, ambos encontram novos amantes, e Balls, influenciado pelo divórcio do amigo, decide que tambem irá se divorciar. O filme traz ótimas performances do elenco. Cooper parece querer roubar as cenas quando aparece. O filme estica mais do que deveria, e se torna cansativo. A cena final, ao som de "Under pressure", cantada pelos filhos do casal em um concurso de talentos da escola, é comovente.

Patrick

"Patrick", de Richard Franklin (1978) Com o grande sucesso de "Carrie, a estranha", de Brian de Palma, em 1976, o cinema buscou outros filmes com protagonismo de personagens com poderes de telecinese. Assim surge "Patrick", uma curiosa e interessante produção de terror australiana, dirigida por Richard Franklin, que viria a ficar famoso em 1983 ao dirigir a continuação do filme de Hitchcock, "Psicose 2". Patrick (Robert Thompson) testemunha sua mãe fazendo s3x0 com um amante e decide matá-los. Três anos depois, Patrick se encontra todo esse período em coma, no quarto de um hospital. Os médicos decidem mantê-lo vivo por conta de seu caso clínico, que querem estudar. Kathy Jacquard (Susan Penhaligon) é uma enfermeira contratada para cuidar de Patrick. Casada com Ed, Kelly discorda dos métodos utilizados para estudarem Patrick. Patrick, por sua vez, consegue se comunicar e tem poderes. Ele escreve por mente na máquina de escrever e consegue movimentar objetos e se projetar espiritualmente para outros ambientes. Patrick passa a se interessar por Kelly, e decide matar todos que estão no caminho de ambos. A caracterização e os experimentos em Patrick lembram muito o personagem de Malcom Macdoweel em "Laranja mecânica", incluindo os sensores em seus olhos. Se o filme não fosse longo e tivess eum ritmo tão arrastado, seria um ótimo suspense. O prólogo é excelente, filmado com planos xruativos e muitos replexos em objetos, além de ousado pela nudez do elenco.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

Cujo

"Cujo", de Lewis Teague (1983) Adaptação do 10o livro escrito por Stephen King, "Cujo" traz como protagonista a atriz Dee Wallace, após o grande sucesso como a mãe de Elliot em 'Et, o extraterrestre". A fotografia é do hoalndês Jan de Bont, que viria a fotografar depois os grandes sucessos "Duro de matar" e 'Instinto selvagem", até estrear como diretor nos mega blockbusters "Velocidade máxima", em 94 e "Twister", em 96. Stephen King deu uma declaração de que na época que escreveu o livro, em 1981, estava mergulhado em drogas, e não se lembrava de ter escrito o livro. Disse também ter se arrependido do final do livro, e que por isso, o final do filme é diferente. Na fictícia cidade de Castle rock (cidade onde diversos livros de King se passam), no Maine, mora a família Trentons - Vic (Daniel Hugh Kelly), Donna (Dee Wallace) e seu filho Tad (Danny Pintauro), de quatro anos de idade. Vic trabalha em uma agência de publicidade e é chamado para ir à uma viagem de negócios em Nova York e Boston. Enquanto isso, Donna leva Tad no seu carro até a oficina mais próxima. No caminho, o carro quebra. É quando ela é atacada por um cão São Bernardo, que foi mordido por morcegos e contraiu raiva. Donna e Tad procuram ajuda, mas não conseguem. Eles permanecem dentro do carro por diversos dias, sem água e no calor, correndo o risco de desidratação. Dee Wallace está excelente no papel, que certamente exigiu muito de seu físico e emocional. O pequeno Danny Pintauro está tão realista nos gritos e choro, que penso até que ele pensava de verdade que estava sendo atacado, tal a veracidade de sua performance. O filme é bem construído, e é de uma época onde não se usava computação gráfica, e sim, cães treinados, o que torna tudo mais vibrante. Foram usados 5 cachorros, um animatronic e um homem fantasiado para as cenas.

Dead man's wire

"Dead man's wire", de Gus Van Sant (2025) Sete anos depois de lançar "A Pé Ele Não Vai Longe", de 2018, o cineasta Gus Van Sant, dos premiados 'Elefante" e "Milk" lança "Dead man's wire", com roteiro de Austin Kolodney, baseado em uma história real ocorrida em Indianápolis no ano de 1977. O filme faz lembrar imediatamente de "Um dia de cão", clássico de Sidney Lumet, por trazer uma situação parecida: um ato de violência que gera mídia e um ato que divide a população e a opinião pública. Al Pacino, protagonista de "Um dia de cão", participa do elenco, no papel do ML Hall, fundador da Meridian Mortgage Company. No dia 8 de fevereiro de 1977, Tony Kiritsis (Bill Skasgard) entrou no escritório de Richard Hall (Dacre Montgomery, o Bill de "Stranger things"), presidente da Meridien Mortgage Company, e o fez refém com uma espingarda, equipada com um "fio de segurança" que ligava o gatilho ao próprio pescoço de Tony. O sequestro durou 63 horas, envolvendo a polícia, mídia e a população. O motivo do ato de Tony dividiu a opinião pública: Tony Kiritsis atrasou os pagamentos da hipoteca de sua propriedade em Indianápolis, Indiana, que ele esperava transformar em um centro comercial acessível para comerciantes independentes. Ele pediu mais tempo ao seu corretor de hipotecas, mas foi negado. Acreditando s etratar de uma negociata de ML e seu filho, Tony decidiu tomar satisfação. Li que inicialmente, o filme seria dirigido por Werner Herzog e protagonizado por Nicolas Cage. Certamente o resultado teria sido um filme com um tom totalmente diferente. Gus Van Sant traz aquela narrativa que ele já havia realizado em "Milk': uma linguagem indie, realista, com um tom documental, muito semelhante a "Um dia de cão". Dacre Montgomery está irreconhecível, com uma ótima caracterização. Bill mostra ser um dos atores mais versáteis e talentosos da sua geração.

Rosemead

"Rosemead", de Eric Lin (2025) Vencedor do prêmio do público no Festival de Locarno 2025, "Rosemead" é um drama devastador, baseado em fatos reais. "Rosemead" é uma cidade de Los Angeles, onde moravam Irene (Lucy Liu) e seu filho de 17 anos, Joe (Lawrence Shou. Eles moravam em um bairro asiático, e Irene, viúva, era dona de uma pequena gráfica. No ano de 2015, Irene matou o seu filho diagnosticado com esquizofrenia, temendo que ele, aos 18 anos, fosse preso. Irene estava com câncer terminal e percebeu que Joe começou a se interessar por armas e por eventos que envolviam tiroteios em escolas. Para piorar, Joe decidiu não tomar mais os remédios de controle. O filme é a estréia na direção do cineasta Eric Lin. A crítica elogiou a performance de Lucy Liu, que se entrega ao drama de uma mãe que ama o seu filho à sua maneira. Não é um filme fácil de se assistir. desde o inicio, ele já traz um tom denso, trágico. Uma pena que Liu não tenha sido indicada aos principais prêmios, pois sua atuação é primorosa.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

El dia que todo cambió

"El dia que todo cambió", de Javier Colinas (2024) Protagonizado e escrito por Luis Arrieta, no papel de Mario, um bancário casado e feliz, que tem a sua vida destruída. Ao sair d eum restaurante com sua esposa grávida, eles são saaltados por dois ladrões, que os sequestram e levam o carro. O assalto dá errado e os ladrões batem o carro e matam a esposa de Mario. Sete anos depois, Mario planeja a vingança contra os marginais que mataram a sua esposa e acabaram com a sua vida. Mas no caminho, ele conhece Tania (Gabriela Cartol), uma mulher bondosa que o encontra na ria ferido e o leva até o hospital. ela faz ele repensar em seus atos violentos. Não tem quem não associe o filme à franquia de Charles Bronson, "Desejo de matar". É verdade, mas o filme tem um grande diferencial: ele traz um pano de fundo mais dramático e realista, mostrando uma cidade do México decadente, feito por pessoas boas e más. As cenas de ação são ótimas, e o elenco, principalmente Arrieta e Cartol, estão comoventes. A cena final, na mesa do almoço, é uma excelente construção de direção, atuações e roteiro.

Redux redux

"Redux redux", de Kevin McManus e Matthew McManus (2025) Concorrendo em Sitges, Festival destinado a filmes de terror e fantasia, "Redux redux" é uma mistura de ficção científica e thriller de serial killer, que envolve viagem ao tempo. Escrito e dirigido pelos irmãos Kevin McManus e Matthew McManus, eles escalaram a irmã deles, Michaele McManus, para a protagonista Irene. O resultado é uma trama interessante que tem um desfecho bem resolvido e tenso. A trama é meio bizarra: Irene é uma mãe que deseja se vingar do homem, Neville, que assassinou a sua filha adolescente Anna. Irene viaja pelo multiverso, utilizando uama máquina do tempo, e assim, poder matar Neville de todas as formas possíveis, se vingando. Ao mesmo tempo, ele tenta encontrar algum multiverso aonde sua filha ainda esteva viva. Mas em um dos multiversos, Irene, ao entrar na casa do serial killer, encontra uma de suas vítimas ainda viva, Mia ( Stella Marcus ), e a salva. Mia decide seguir os passos de Irene e também matar o serial killer, ao passo que Irene começa a perceber que se tornou uma assassina também. Não fica muito claro o lance da máquina do tempo, mas como o o filme tem uma trama bastante fantasiosa, a gente acaba relevando. No fundo, faa d etemas como perdão, luto, recomeços e relação mãe e filha, seja ela sanguínea ou não. As duas atrizes são ótimas e conferem carisma aos personagens, e a torcida do público.

O som da morte

"Whistle", de Corin Hardy (2025) Aí você vai ver um filme de terror sobrenatural onde os adolescentes encontram um artefato asteca que, ao ser manuseado, faz com que todos os envolvidos encontrem a Morte, e aí eles tentam escapar dela. Todo mundo pensou em 'Premonição"? Errado. Até poderia ser, ou "Ouija", "ou "Fale comigo", ou qualquer desses filmes que brotam aos montes sobr eo memso tema da Morte vem te pegar porque você fez o que não deveria ter feito. Co-produzido por Canadá e irlanda, "O som da morte" é repleto d elugares comuns que a gente já sabe como vai acabar desde a primeira cena, afinal, produtor ama abrir uma franquia e deixa em aberto no caso de dar certo. O filme pega carona no protagonismo de heroínas queer, já visto nos recentes "Rua do medo" e "O palhaço no milharal". O filme é dirigido por Corin Hardy, de "A freira". Quando Chrys Willet (Dafne keen) uma jovem tímida se muda para uma nova cidade, ela sofre bullying na escola. No entanto, ela faz amizade com um grupo de alunos, além de ficar interessada em Ellie (Sophie Nélisse). Ao abrir o seu armário, Chrys descobre um artefato asteca que pertenceu a um aluno que morreu no vestiário. O professor que pesquisa o artefato para Crys morre. Quando um dos integrantes do grupo de Crys rouba o artefato e o leva para uma festa da piscina onde os amigos estão, ele assovia no artefato. Isso faz com que a Morte, representada na imagem de cada um deles no futuro, antecipe a morte deles. O filme, mesmo sem inovações na trama, traz 2 mortes muito boas: uma onde uma vítima é desmembrada e tem os ossos do corpo arrebantadas, e outra, que vai se disssolvendo.

Me ame com ternura

"Love me tender", de Anna Cazenave Cambet (2025) Co-escrito e dirigido por Anna Cazenave Cambet, "Me ame com ternura" concorreu no Festival de Cannes na Mostra un certain regard e no Queer palm, dedicado a filmes com temática lgbt. O filme é adaptação do romance autobiográgico escrito por Constance Debré, em 2020. Vicky Krieps ( de "Trama fantasma" e a trilogia "os três mosqueteiros") interpreta Clemence, advogada. Após 20 anos de casamento com Laurent (Antoine Reinartz), Clemence decide pedir divórcio e viver a sua vida em liberdade. Quando ela retorna ao ex-marido, pedindo a guarda compartilhada do filho Paul (Viggo Ferreira-Redier), ele entra com uma denúncia contra Clemence. Isso após ela confidenciar a ele que agora ela se relaciona com mulheres. Laurent alega que Paul se recusa a voltar a ver a mãe, e que ela submete a criança a comportamentos obscenos e moralmente indevidos. O filme lida com temas como lesbofobia e misoginia. Me lembrei muito de "Kramer vs Kramer", que apresentava uma mãe que pede o divórcio e que depois retorna pedindo a guarda compartilhada, interpretada por Meryl Streep. "Me ame com ternura" é um filme denso, repleto de momentos comoventes na relação mãe e filho. O filme também apresenta a vida pessoal e os relacionamentos de Clemence com outras mulheres, especialmente Sarah (Monia Chokri). O filme é longo, com 2hr 15 minutos, e é cansativo. Poderia ter pelo menos meia hora a menos. O excelente trabalho do elenco é uma das grandes forças do filme.

Os estranhos- Capítulo final

"The Strangers: Chapter 3", de Renny Harlim (2026) Iniciada em 2024, a trilogia 'Os estranhos" se encerra com o capítulo final, lançada em 2026. Os filmes têem como origem o filme de 2008, com Liv Tyler e Scott Speedman protagonizando. Infelizmente essa parte 3 segue o mesmo destino ruim dos filmes anteriores: roteiros óbvios e com personagens tomando atitudes péssimas. Será que alguém ainda aguenta o clichê da personagem que consegue fugir em um carro mas que acaba batendo em uma árvore durante a fuga? O que muita gente criticou sobre essa trilogia, foi a decisão de se revelar a identidade dos assassinos Espantalho, Dollface e Pin up girl, revelando os motivos que os levaram a serem assassinos. Existe uma cartela logo no início do filme dando uma definição retirada do wikipedia sobre o termo "serial killer". Para não dizer que o filme é de todo ruim, os produtores tiveram a ousadia e coragem de filmar uma cena onde duas crianças assassinam um homem com um machado à sangue frio e violência explícita. A história continua sendo a tentativa de Maya (Madelaine Petsch) de fugir de seus algozes, Pinup girl e Espantalho, após ter matado Dollface no filme anterior. Sabendo que não pode contar com a ajuda de ninguém da cidade, Maya aguarda a chegada de sua irmã para salvá-la. A cena final é ridícula e se os produtores esperavam inciar uma nova trilogia...acho que será bem difícil.

domingo, 8 de fevereiro de 2026

Hiroshima

"Hiroshima", de Hideo Sekigawa (1953) Eu não fazia a mínima idéia da existência dessa produção japonesa de 1953, e fiquei chocado com as cenas hiper realistas e brutais que ela exibe, sem pudor. Posso dizer que é certamente, um dos filmes mais comoventes e trágicos sobre os efeitos da guerra na sociedade, um libelo obrigatório e que deveria ser exibido em todos as escolas, apesar de sua natureza violenta e absurdamente chocante. Existe uma sequência, que mostra o ataque da bomba atômica em Hiroshima, e que, por 10 minutos, apresenta os sobreviventes, como em tempo real, que é das cenas mais brutais que você terá visto em sua vida, e isso, sem efeitos especiais ou computação gráfica, apenas com maquiagem, direção de arte e o trabalho do elenco e figuração, a maioria sobreviventes reais de Hiroshima. Rodado em preto e branco, o filme apresenta dois arcos narrativos e cronológicos: Cinco anos após o ataque em Hiroshima, um professor, Kitagawa (Eiji Okada, o astro de "Hiroshima mon amour") apresenta para seus alunos uma narração em off sobre o dia do lançamento da bomba. Alguns dos alunos pedem para o professor desligar o rádio, por conta de traumas vividos. Os outros alunos, que não sofreram os efeitos da bomba, zombam e debocham dos alunos vítimas da bomba. O filme volta ao tempo, no dia 6 de agosto de 1945, antes e após o lançamento da bomba. Com pequenas narrativas, mostra uma professora guiando suas alunas sobreviventes para um local seguro; um pai que busca seu filho; uma mãe que busca seus 3 filhos. Em uma cena devastadora, um professor, soterrado, pede para que crianças da escola, também soterradas, digam seus nomes, para ter certeza de que estão vivas, sem se darem conta que um incêndio se aproxima e os matará. O filme foi produzido pelo Sindicato dos Professores Japoneses, e somente lançado depois que os soldados americanos saíram do Japão. O filme critica tanto o imperialismo japonês, quanto o americano. Cenas do filme foram utilizados em 'Hiroshima mon amour", de Alain Resnais.

Link- O animal assassino

"Link", de Richard Franklin (1986) Tr6es anos depois de lançar "Psicose 2", a ousada e controversa continuação da obra prima de Hitchcock, o cineasta e escritor Rihard Franklin lança Link- O animal assassino". Fã de Stephen King, Franklin diz que a sua inspiração veio de 'Cujo", um conto escrito pelo mestre do suspense e adaptado para o cinema em 1983, sobre um cachorro contaminado pela raiva e que ataca uma família em uma fazenda. Em 2025, foi lançado o terror "Primata", de Johannes Roberts, e que certamente pegou muitas referências de "Link". O filme é a 2o trabalho de Elisabeth Shue nos cinemas, seguido de 'Karate kid". Ela interpreta a estudante de biologia JAne. Ela aceita ser assistente de seu professor e também pesquisador de animais Phillip (Terence Stamp). Para isso, ela irá passar uma temporada na mansão isolada na costa que pertence ao professor. Lá, ela conhece os animais de Philip: os chimpanzés Imp e Vodoo, e o orngotango Link, de 45 anos de idade. Link, com a presença de Jane, passa a agir de forma estranha e agressiva. Enquanto isso, o namorado de Jane e seus dois amigos, também estudantes, decideim ir visitá-la, pois não conseguem fazer contato. O filme trabalha com animais de verdade, e deve ter sido bem difícil para filmar, mas é o que confere autenticidade à história, ao invés do macaco CGI de "Primata". O que atrapalha ao filme é seu ritmo arrastado e um primeiro ato onde quase nada acontece em termos de ação ou suspense. Fora isso, a trilha sonora atrapalha bastante, com tons totalmente errados para um filme de suspense.