segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

O som da morte

"Whistle", de Corin Hardy (2025) Aí você vai ver um filme de terror sobrenatural onde os adolescentes encontram um artefato asteca que, ao ser manuseado, faz com que todos os envolvidos encontrem a Morte, e aí eles tentam escapar dela. Todo mundo pensou em 'Premonição"? Errado. Até poderia ser, ou "Ouija", "ou "Fale comigo", ou qualquer desses filmes que brotam aos montes sobr eo memso tema da Morte vem te pegar porque você fez o que não deveria ter feito. Co-produzido por Canadá e irlanda, "O som da morte" é repleto d elugares comuns que a gente já sabe como vai acabar desde a primeira cena, afinal, produtor ama abrir uma franquia e deixa em aberto no caso de dar certo. O filme pega carona no protagonismo de heroínas queer, já visto nos recentes "Rua do medo" e "O palhaço no milharal". O filme é dirigido por Corin Hardy, de "A freira". Quando Chrys Willet (Dafne keen) uma jovem tímida se muda para uma nova cidade, ela sofre bullying na escola. No entanto, ela faz amizade com um grupo de alunos, além de ficar interessada em Ellie (Sophie Nélisse). Ao abrir o seu armário, Chrys descobre um artefato asteca que pertenceu a um aluno que morreu no vestiário. O professor que pesquisa o artefato para Crys morre. Quando um dos integrantes do grupo de Crys rouba o artefato e o leva para uma festa da piscina onde os amigos estão, ele assovia no artefato. Isso faz com que a Morte, representada na imagem de cada um deles no futuro, antecipe a morte deles. O filme, mesmo sem inovações na traa, traz 2 mortes muito boas: uma onde uma vítima é desmembrada e tem os ossos do corpo arrebantadas, e outra, que vai se disssolvendo.

Me ame com ternura

"Love me tender", de Anna Cazenave Cambet (2025) Co-escrito e dirigido por Anna Cazenave Cambet, "Me ame com ternura" concorreu no Festival de Cannes na Mostra un certain regard e no Queer palm, dedicado a filmes com temática lgbt. O filme é adaptação do romance autobiográgico escrito por Constance Debré, em 2020. Vicky Krieps ( de "Trama fantasma" e a trilogia "os três mosqueteiros") interpreta Clemence, advogada. Após 20 anos de casamento com Laurent (Antoine Reinartz), Clemence decide pedir divórcio e viver a sua vida em liberdade. Quando ela retorna ao ex-marido, pedindo a guarda compartilhada do filho Paul (Viggo Ferreira-Redier), ele entra com uma denúncia contra Clemence. Isso após ela confidenciar a ele que agora ela se relaciona com mulheres. Laurent alega que Paul se recusa a voltar a ver a mãe, e que ela submete a criança a comportamentos obscenos e moralmente indevidos. O filme lida com temas como lesbofobia e misoginia. Me lembrei muito de "Kramer vs Kramer", que apresentava uma mãe que pede o divórcio e que depois retorna pedindo a guarda compartilhada, interpretada por Meryl Streep. "Me ame com ternura" é um filme denso, repleto de momentos comoventes na relação mãe e filho. O filme também apresenta a vida pessoal e os relacionamentos de Clemence com outras mulheres, especialmente Sarah (Monia Chokri). O filme é longo, com 2hr 15 minutos, e é cansativo. Poderia ter pelo menos meia hora a menos. O excelente trabalho do elenco é uma das grandes forças do filme.

Os estranhos- Capítulo final

"The Strangers: Chapter 3", de Renny Harlim (2026) Iniciada em 2024, a trilogia 'Os estranhos" se encerra com o capítulo final, lançada em 2026. Os filmes têem como origem o filme de 2008, com Liv Tyler e Scott Speedman protagonizando. Infelizmente essa parte 3 segue o mesmo destino ruim dos filmes anteriores: roteiros óbvios e com personagens tomando atitudes péssimas. Será que alguém ainda aguenta o clichê da personagem que consegue fugir em um carro mas que acaba batendo em uma árvore durante a fuga? O que muita gente criticou sobre essa trilogia, foi a decisão de se revelar a identidade dos assassinos Espantalho, Dollface e Pin up girl, revelando os motivos que os levaram a serem assassinos. Existe uma cartela logo no início do filme dando uma definição retirada do wikipedia sobre o termo "serial killer". Para não dizer que o filme é de todo ruim, os produtores tiveram a ousadia e coragem de filmar uma cena onde duas crianças assassinam um homem com um machado à sangue frio e violência explícita. A história continua sendo a tentativa de Maya (Madelaine Petsch) de fugir de seus algozes, Pinup girl e Espantalho, após ter matado Dollface no filme anterior. Sabendo que não pode contar com a ajuda de ninguém da cidade, Maya aguarda a chegada de sua irmã para salvá-la. A cena final é ridícula e se os produtores esperavam inciar uma nova trilogia...acho que será bem difícil.

domingo, 8 de fevereiro de 2026

Hiroshima

"Hiroshima", de Hideo Sekigawa (1953) Eu não fazia a mínima idéia da existência dessa produção japonesa de 1953, e fiquei chocado com as cenas hiper realistas e brutais que ela exibe, sem pudor. Posso dizer que é certamente, um dos filmes mais comoventes e trágicos sobre os efeitos da guerra na sociedade, um libelo obrigatório e que deveria ser exibido em todos as escolas, apesar de sua natureza violenta e absurdamente chocante. Existe uma sequência, que mostra o ataque da bomba atômica em Hiroshima, e que, por 10 minutos, apresenta os sobreviventes, como em tempo real, que é das cenas mais brutais que você terá visto em sua vida, e isso, sem efeitos especiais ou computação gráfica, apenas com maquiagem, direção de arte e o trabalho do elenco e figuração, a maioria sobreviventes reais de Hiroshima. Rodado em preto e branco, o filme apresenta dois arcos narrativos e cronológicos: Cinco anos após o ataque em Hiroshima, um professor, Kitagawa (Eiji Okada, o astro de "Hiroshima mon amour") apresenta para seus alunos uma narração em off sobre o dia do lançamento da bomba. Alguns dos alunos pedem para o professor desligar o rádio, por conta de traumas vividos. Os outros alunos, que não sofreram os efeitos da bomba, zombam e debocham dos alunos vítimas da bomba. O filme volta ao tempo, no dia 6 de agosto de 1945, antes e após o lançamento da bomba. Com pequenas narrativas, mostra uma professora guiando suas alunas sobreviventes para um local seguro; um pai que busca seu filho; uma mãe que busca seus 3 filhos. Em uma cena devastadora, um professor, soterrado, pede para que crianças da escola, também soterradas, digam seus nomes, para ter certeza de que estão vivas, sem se darem conta que um incêndio se aproxima e os matará. O filme foi produzido pelo Sindicato dos Professores Japoneses, e somente lançado depois que os soldados americanos saíram do Japão. O filme critica tanto o imperialismo japonês, quanto o americano. Cenas do filme foram utilizados em 'Hiroshima mon amour", de Alain Resnais.

Link- O animal assassino

"Link", de Richard Franklin (1986) Tr6es anos depois de lançar "Psicose 2", a ousada e controversa continuação da obra prima de Hitchcock, o cineasta e escritor Rihard Franklin lança Link- O animal assassino". Fã de Stephen King, Franklin diz que a sua inspiração veio de 'Cujo", um conto escrito pelo mestre do suspense e adaptado para o cinema em 1983, sobre um cachorro contaminado pela raiva e que ataca uma família em uma fazenda. Em 2025, foi lançado o terror "Primata", de Johannes Roberts, e que certamente pegou muitas referências de "Link". O filme é a 2o trabalho de Elisabeth Shue nos cinemas, seguido de 'Karate kid". Ela interpreta a estudante de biologia JAne. Ela aceita ser assistente de seu professor e também pesquisador de animais Phillip (Terence Stamp). Para isso, ela irá passar uma temporada na mansão isolada na costa que pertence ao professor. Lá, ela conhece os animais de Philip: os chimpanzés Imp e Vodoo, e o orngotango Link, de 45 anos de idade. Link, com a presença de Jane, passa a agir de forma estranha e agressiva. Enquanto isso, o namorado de Jane e seus dois amigos, também estudantes, decideim ir visitá-la, pois não conseguem fazer contato. O filme trabalha com animais de verdade, e deve ter sido bem difícil para filmar, mas é o que confere autenticidade à história, ao invés do macaco CGI de "Primata". O que atrapalha ao filme é seu ritmo arrastado e um primeiro ato onde quase nada acontece em termos de ação ou suspense. Fora isso, a trilha sonora atrapalha bastante, com tons totalmente errados para um filme de suspense.

Idade perigosa

"Wild boys of the road", de William A. Wellman (1933) Sete anos antes da obra-prima de John Ford, "Vinhas da ira", adaptado do livro de John Steinbeck sobre a grande depressão americana, o cineasta William A. Wellman havia lançado "Idade perigosa". O filme é adaptado do livro 'Desperate yourh", de Daniel Ahearn, e também retrata a crise econômica dos Eua advinda da depressão americana, que levou grande parte da sociedade ao desemprego e à falência. Em 2013, o filme foi selecionado para preservação no Registro Nacional de Filmes dos Estados Unidos pela Biblioteca do Congresso por ser "culturalmente, historicamente ou esteticamente significativo". Wellman é diretor das obras-primas "Asas"(1o filme a ganhar o Oscar), "Inimigo público" e "Nasce uma estrela", a versão de 1937. No auge da depressão americana do início dos anos 30, os dois melhores amigos, os jovens Eddie Smith (Frankie Darro) e Tommy Gordon (Edwin Phillips) têm suas vidas de luxo transformadas, quando os seus pais ficam desempregados. Decididos a procurar emprego e ajudar suas famílias, Eddie e Tommy pegam um trem de carga escondidos, e seguem até o leste. No trem, eocnhecem outros jovens desempregados, e é quando conhecem Sally (Dorothy Coonan), que disfarçada de rapaz, quer chegar até Chicago e pedir ajuda à sua tia. Mas chegando lá, ela descobre que a tia comanda um bordel e a polícia chega no local. Os três amigos fogem novamente, e seguem em um trem de carga. Durante uma perseguição em Ohio, funcionários expulsam os jovens, mas Tommy se desequilibra e um trem passa por cima de sua perna, amputando-a. Desolador e comovente, o filme ainda assim traz momentos de humor, principalmente no persegonagem de Eddie, que mesmo nos piores momentos, procura encontrar positividade. O filme foi um dos últimos filmes americanos a serem produzidos antes do moralista e conservador Código Hays, de 1934 (por isso no início existem cenas de beijos) e também cenas de violência. O filme ficou famoso porque a Warner mudou o final: o final era pesismista, e obrigaram o diretor a refilmar para um final otimista. Wellman acabou se casando com a atriz Dorothy Coonan.

Better this way

"E Mai Bine Esa", de Emanuel Parvu (2024) Premiado curta Lgbtqiap+ romeno, dirigido e escrito por Emanuel Parvu. O filme é um retrato cruel da homofobia na Romência, um país conservador e homofóbico. "Better this way" apresenta o adolescente Adi (Alexandre Noël). Ele está na delegacia, relatando uma agressão contra ele: seu corpo e rosto estão todo machucados. Seus pais o acompanham na delegacia. A polícia vai atrás de um grupo de adolescentes, dados como suspeitos. O pai procura um padre para tentar curar a homofobia do filho, e o filho diz para o pai procurar um médico para tentar curá-lo, e em último caso, interná-lo em um monastério e isolá-lo da sociedade. A polícia diz ao pai para que não deixe espalhar a história da violência contra o filho dele, pois pdoerá atrapalhar a candidatura do policial nas próximas eleições. No final, o espectador descobre que o responsável pela violência contra o rapaz foi o próprio pai, que o espanca novamente. Um filme difícil de ser visto, pela forma com que os personagens destilam a sua homofobia, "Better this way" tem no t;itulo uma ironia, onde diveros setores da sociedade dizem ao pai que "essa é a melhor forma" de correção. Um roteiro que pode trazer gatilhos, um elenco em excelente performance e uma direção firme e que não deixa de apresnetar cenas cruéis.

Vingança muda

"The Seasoning House", de Paul Hyett (2012) Prêmio da crítica no Fantasporto 2013, "Vingança muda" é uma co-produção Reino Unido e Suécia. O filme é um thriller brutal e muito violento, que em hipótese alguma deve ser visto por pessoas sensíveis à cenas de violência extrema. O diretor e roteirista Paul Hyett se basesou no que ele chama de "A maldade humana não tem limites." Usando como ponto de referências as atrocidades da guerra, mais epecificamente dos Balcãs dos anos 90, Hyett estréia como diretor. Ele é conhecido por seu trabalho de Makeup FX nos violentos filmes "Abismo do Medo" 1 e 2, "Juízo Final", "Eden Lake", entre outros. Em uma região não determinada nos Balcãs, meninas são sequestradas e suas famílias assassinadas por soldados. Elas são confinadas em um bordel improvisado, coordenando pro Viktor. Angel (Rosie Day) é deficiente auditiva e por isso, la é obrigada a maquiar e arrumar as outras garotas, abusadas sexu4lm3nt3 por militares. As jovens sofrem todos os tipos de atrocidades, inclusive, mortas. Quando Angel mata um oficial para defender uma amiga, ela é caçada por Goran (Sean Pertwee) e seus homens. Ela se esconde nas tubulações da casa. "Vingança muda" é um extreme horror que faz parte de produções violentas como "Martyrs", "Serbian film", "A fronteira". Quem não gosta desse sub-gênero, não assista, pois poderá dar gatilhos. O trabalho dos efeitos, maquiagem, direção de arte e fotografia, que intensificam o pesadelo e o horror, são excelentes. Rosie Day está excelente em um papel muito difícil e o espectador torce por ela o tempo todo.

Time still turn the pages

"Nin siu yat gei", de Nick Cheuk (2023) Premiado drama chinês ambientado em Hong Kong, "Time still turns the pages" é um retrato cruel sobre o alto índice de suicídio entre jovens chineses, na maioria dos casos provocado pela pressão dos pais para que seus filhos sejam exemplo de estudante modelo, tirando notas altas e ser motivo de orgulho perante amigos e familiares. Cheng é um professor de ensino médio que descobre um bilhete de suicídio de algum aluno de sua turma que ele não consegue identificar. O bilhete acaba se tornando um gatilho para o próprio Cheng: ele relembra a sua infância, quando ele morava com seus pais e seu irmão Eli, um ano mais velho. Cheng era o modelo para os pais: estudioso e excelente nas aulas de piano. Já Eli não tirava boas notas e nem era perfeito no paino, por mais que ele estudasse. Seu pai só elogiava Cheng e Eli apanhava o tempo todo. Repleto de excelentes atuações, o filme é dirigido com seriedade e sensibilidade pelo diretor Yick-Him Cheuk, que aposta no melodrama para intensificar a tragédia do suicídio juvenil e a culpa dos pais exigentes. Boa montagem, trazendo memórias e sentimentos em narrativa não linear.

O Lugar Prometido em Nossa Juventude

"Kumo no mukô, yakusoku no basho", de Makoto Shinkai (2014) Diretor das obras primas "Suzume" e "Your name", Makoto Shinkai lançou em 2014 (ou seja, anterior aos filmes citados), "O Lugar Prometido em Nossa Juventude". Novamente, ele escreve uma história que envolve mundos paralelos, romances complexos e que estão separados por espaço temporal e mais do que nunca, uma trama bastante hermética, que tive dificuldade em acompanhar. O visual continua estonteante e mágico, repleto de momentos sublimes e apoteóticos. Em um mundo distópico, o Japão se dividiu após o final da 2a guerra. Uma enorme torre foi erguida na ilha anteriormente conhecida como Hokkaido. Três estudantes, Hiroki, Takuya e Sayuri querem descobrir o que há na torre. Eles decidem construir um avião paara sobrevoar a torre, inalcansável por terra. Hiroki e Takuya amam Sayuri, mas guardam para si essa paixão platônica. Um dia, Sayuri desaparece misteriosamente. Os dois amigos continuam com a promessa de chegarem à torre. Mas os anos se passam e eles acabam se afastando. Sayuri na verdade está em coma em um hospital em Tokyo, sofrendo de narcolepsia, e em seu sonho, ela imagina um mundo alternativo.

O caldeirão mágico

"The black cauldron", de Ted Berman e Richard Rich (1985) Assisti "O caldeirão mágico" quando foi lançado em 1985 e depois nunca mais revi. Me lembro que eu tinha achado um filme bastante assustador na época. Decidi reveê-lo mas antes dei uma pesquisada sobre o filme, que é muito pouco falado e quase ninguém o conhece. Fiquei triste em saber que o filme é conhecido como "o filme que quase matou a Disney": com o custo de 40 milhões de dólares, fez pouco mais que a metade do valor e foi responsável pela Disney repensar o caminho das animações que estavam sendo feitas até então. Demorou mais de 13 anos para ser lançado em VHS. Baseado nos dois primeiros romances da série de cinco volumes "Crônicas de Prydain", escrita por Lloyd Alexander em 1973, foi o primeiro filme de animação da Disney que não é um musical, sem ter nenhum personagem cantando nenhuma canção. Séculos atrás, na terra de Prydain, o jovem Taran (Grant Bardsley) é um cuidador de porcos. Seu sonho é ser um cavaleiro e poder empunhar uma espada. Ele trabalha na fazenda do mago Caer Dallben, que descobre que o Rei dos Chifres (voz de John Hurt). está atrás do mítico caldeirão mágico, que pode lhe conceder o poder de criar um exército de mortos vivos para dominar o mundo. Dallben pede para Taran esconder com segurança a porquinha HenWen, que possui poderes para descobrir o paradeiro do caldeirão, e teme que o Rei a queira sequestrar. No caminho, Taran conhece Gurgi, uma espécie de Ewok, a Princesa Eilonwy eo bardo Fflewddur Fflam. Juntos, eles irão lutar contra o Rei e seu exército. O filme começa com a narração do cineasta John Houston. Eu amei rever o filme. Ele é repleto de ação e aventura e tem um tom bastante sombrio. A morte está presente, seja na morte de personagens, ou na presença de 3 bruzas que guardam o caldeirão.

sábado, 7 de fevereiro de 2026

Semana santa

"Semana santa", de Alejandra Márquez Abella (2015) Escrito e dirigido por Alejandra Márquez Abella, 'Semana santa" é um premiado drama mexicano que concorreu no SXSW. Retrato frio e cruel de uma família desfuncional, o filme apresenta 3 personagens: Dali (Anajosé Aldrete Echevarria), a mãe; Pepe (Esteban Ávila), o filho de 8 anos; e Chavez (Tenoch Huerta), o namorado de Dali. Os três seguem para férias de final de semana em Acapulco, e se hospedam em um hotel decadente. Dali constantemente lembra do ex-marido, e se afoga em alcool e maconha, se isolando cada vez mais de seu filho. Pepe sente falta do pai e toda a hora compara Chavez ao seu pai, humilhando o namorado de sua mãe. Chavez é de classe socila inferior, e toda hora é confundido com um funcionário do hotel. Quando ele conhece duas jovens turistas hospedadas, decide viajar de carro com elas. Pepe encontra dinheiro e o gasta. Dali conhece um turista que flerta com ela. Um drama que retrata relações afogadas em mágoas, um existencialismo brutal sobre vidas sem rumo. O cinema mexicano flerta sempre com essa temática, vide filmes de Amat escalante, Carlos Reygadas e Michel Franco.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

Cochochi

"Cochochi", de Israel Cárdenas e Laura Amelia Guzmán (2007) Melhor filme latino no Festival de Gramado 2008, "Cochichi" é uma co-produção México, Reino Unido e Canadá, escrito e dirigido pela dupla Israel Cárdenas e Laura Amelia Guzmán. O filme é uma ficção, mas toda a sua narrativa vem do documental. Os diretores filmaram com não atores, escalados dentro da comunidade indígena Tarahumara. É um drama coming of age antropológico. A história apresenta dois jovens irmãos indígenas do povo Tarahumara, no noroeste do México, que são incumbidos pelo avô de levar remédios a uma cidade próxima. Os meninos pegam o cavalo do avô sem permissão e acabam se perdendo, assim como um ao outro, durante a busca pelo animal. Evaristo e Luis Antonio acabaram de se formar no ensino fundamental em regime de internato. Evaristo quer continuar estudando sobre a cultura espanhola e aprender a ler e alar espanhol. que é o idioma do México. Já seu irmão é o seu oposto: Luís quer continuar morando na comunidade indígena, e continuar falando o seu idioma. O filme tem um ritmo extremamente lento. O elenco parece estar pouco à vontade em seus personagens, e em diversos momentos o texto parece decorado. Mas o grande tema do filme é o aculturalmente dos povos indígenas. Como a civilização e a cultura dos brancos espanhóis dominam e fazem com que povos indígenas apaguem e desapareçam com suas memórias e língua.

La grazia

"La grazia", de Paolo Sorrentino (2025) Filme de abertura do Festival de Veneza 2025, "La grazia" é escrito e dirigido por Paolo Sorrentino. O filme foi vencedor de 4 prêmios no Festival de Veneza 2025, incluindo melhor ator para Toni Servillo. Ator fetiche de Sorrentino, com quem trabalhou em 7 filmes "Além de "La Grazia", vieram "A mão de Deus", "Loro", "A grande beleza", Il divo", "As consequênciads do amor"e "O homem a mais"), Srevillo é o foco do filme e é em torno dele que todos os personagens e ações acontece. Faltando seis meses para deixar o poder, Mariano de Santis (Servillo), presidente da Itália, enfrenta crise smorais e dilemas sociais referentes ao sistema penal do país: ele precisa decidir sobre a aprovação da eutanásia, e se perdoa duas pessoas condenadas por assassinato. Ele relembra de sua falecida esposa, que o traiu há 40 anos, e a cada dia que passa, pensa na finitude da vida. A sua filha, Dorotea (Anna Ferzetti), é a sua conselheira no governo; seu melhor amigo e Ministro da Justiça, Ugo Romani (Massimo Venturiello), quer ser o próximo presidente; seu chefe de segurança Coronel Massimo Labaro (Orlando Cinque, se torna seu confidente. Assim como em "A grande beleza", "La grazia" é fragmentado. O roteiro constrói personagens e situações que rodeiam constantemente a figura do preseidente, apresentado como um homem atormentado e repleto de dilemas existencialistas. Eu gosto muito da forma e da embalagem com a qual Sorretino apresenta os seus filmes: enquadramentos estilizados , trilha sonora que mescla musica eletronica e classica, fotografia elegante e soberbamente iluminada de Daria D'Antonio e o requinte sofisticado dos figurinos e direção de arte. O roteiro não me seduziu tanto quanto em seus filmes mais conhecidos, achei bem arrastado e cansativo. Mas pelos motivos, vale assistir, afinal, o espetáculo visual que seus filmes proporcionam, poucos filmes conseguem.

Missão refúgio

"Shelter", de Ric Roman Waugh (2026) Eu não entendo esse fascínio e fetiche dos filmes de ação de matarem o cachorro do protagonista. Eu amo animais e fico revoltado por usarem esse sub-plot como catalizador da fúria do herói (será que começou tudo com "John Wick"?) Dito isso, "Missão refúgio" é um filme protagonizado por Jaosn Statham. O espetcador já sabe o que irá encontrar: um filme de ação decente, uma história já batida (alguém ainda acha que um herói brucutu que do nada se torna um father figure de uma menina que ele precisa proteger é original??), bons vilões ( o maior deles, prptagonizado por Bill Nighy) e ótimas cenas de ação. Bom, o passatempo está preparado e garantindo 100 minutos de pancadaria e perseguição. O que me divirto nesses filmes é que o herói luta sozinho o tempo todo e quando chega uma horda de soldados e militares, é sempre cada um deles atacando um de cada vez, e claro, sendo mortos. O que o diferencia bastante dos filmes de ação genéricos, é o seu elenco. Além de Bill Nighy, tem o ator Daniel Mays, como um amigo hacker do personagem de Staham, e a menina (Bodhi Rae Breathnach, que esteve em "Hamnet", de Chloe Zhao. Michael Mason (Statham) mora sozinho com o seu cachorro pastor alemão em uma ilha isolada na Escócia. 1 vez por semana, um barqueiro e sua sobrinha fazem entregas de mantimentos para ele, mas são proibidos de entregar em sua casa. Um dia, uma tempestade naufraga o barco e o homem morre. Michael consegue salvar a menina, Jessie, que estava se afogando. Mas como ela se mchuca, ele precisa pegar surimentos na cidade, e isso faz com que o seu rosto seja reconhecido pelos agentes do MI6, agentes ligados ao governo em operação ultrasecreta, de onde saiu Michael. O ex-chefe do MI6, Manafort (Bill Nighy) o quer morto, pois Michael sabe de segredos que não podem ser revelados.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

Skin on skin

"Skin on skin", de Simon Schneckenburger (2025) Premiado drama alemão lgbtqiap+ ,"Skin in skin" ganhou o prêmio de melhor filme no Festival de Estocolmo 2025. O filme é um curta de 30 minutos, que traz uma trama repleta de sensualidade e tensão. Jakoc (Jonas Smulders) é um segurança alemão que trabalha em um matadouro na Alemanha. Ele é rígido com os imigrantes bosnios que trabalham ilegamente na fábrica. Boris (Jurij Drevensek) é um imigrante bosnio e quer retornar para o seu país e sua família, cansado dos maus tratos e das péssimas condições de trabalho da empresa, que inclusive não efetua o pagamento há semanas. O que ninguém sabe, é que Jakoc e Boris são amantes. Eles fazem s3x0 dentro de um carro, isolado da fábrica. Jacoc faz de tudo para impedir que Boris vá embora, inclusive travando o passaporte dele. Um roteiro instigante e bastante tenso sobre relações de poder, tanto no sentido hierárquico quanto no sentido s3xu4l. Jacov, perante seus superiores e os outros imigrantes, maltrata Boris deixando claro quem é que manda. Mas no s3x0, Boris é o ativo da relação. As cenas de s3x0 são filmadas com muito dispudor, energico, sedento. O final é comovento, apesar de bastante tenso. Os dois atores são excelentes. A fotografia, ambientando tanto o interior quanto o exterior da fábrica, intensifica a dramaticidade, parecendo até mesmo um filme de terror.

The Village Next to Paradise

"The Village Next to Paradise", de Mo Harawe (2024) Concorrendo no Festival de Cannes na mostra un certain regard, "The Village Next to Paradise"é o longa de estréia do cineasta somali-austríaco Mo Harawe. Co-produzido por Somália, Alemanha, França e Austria, é o primeiro filme a ser rodado em locações na Somália. Filmado na comunidade de Paradise, onde a história acontece, Harawe empregou não atores para os seus personagens. Com uma linguagem e narrativa herdadas do neo realismo italiano, próxima à um cinema verdade e antropológico, o filme conta a história de 3 personagens de uma mesma família: Mamargrade (Farah) é um homem de meia idade, que trabalha em qualquer serviço que lhe oferecem: motorista, coveiro, carregador. Ele é pai do pequeno Cigaal (Saleban). Na aldeia ond emoram, são constantes os ataques de drones americanos com bombas. Mamargade coloca seu filho em uma escola, desejando que ele tenha um futuro melhor que o seu. Quando a irmã de Mamargade, Araweelo (Ibrahim), chega para morar um tempo com eles, após o seu divórcio, a dinâmica da família muda. Araweelo sonha em abrir uma pequena alfaiataria. Quando os trabalhos rareiam, Mamargade aceita um trabalho como motorista, levando um carregamento suspeito. Um filme denso, que vai em crescendo de suspense, pois a qualquer momento pode haver um ataque de drone. A ambientação do vilarejo, extremamente pobre, e as vidas desgraçadas de seus moradores, é apresentada como uma narrativa documental. Não é para ser um filme de epxloração d apobreza, mas sim, entender como pessoas tão pobres como Mamargade, lutam por dignidade ara sua família

Naked acts

"Naked acts", de Bridgett M. Davis (1996) Drama independente americano dirigido, escrito e produzido por Bridgett M. Davis, cineasta negra. O filme foi lançado em 1996, e posteriormente relançado em 2023, após restauração em HD. Rodado em película, o filme traz um drama com tintas às vezes de humor da protagonista Cicely (Jake-Ann Jones), uma aspirante à atriz. Ambientado nos anos 90, Cicely vive à sombra de sua mãe e sua avó, ambas atrizes. Lydia (Patrícia DeArcy), diferente da avó de Cicely, investiu a sua carreira em filmes eróticos soft porn. Cicely quando adolescente era abusada s3xu4alm3nt3 pelo namorado de sua mãe, sem que essa soubesse. O pai dela as abandonou. Crescida Cicley teve que lidar com a rejeição e gordofobia, e por 10 anos, lutou contra a balança. Agora mais magra, ela é convidada para um papel em um filme indie a ser rodado por um ex-namorado. O filme, de arte, exige que a personagem dela fique nua em cena. Cicely sempre rejeitou a ecsolha artística de sua mãe, e decide se opor a ficar nua, querendo ficar vestida. "Naked acts" lida com diversos temas importantes, como a aceitação do corpo, a gordofobia, auto-estima, a dificuldade da conversa entre gerações e a misoginia. Através de ótimos diálogos e um elenco excelente, o filme instiga, motiva discussão principalmente sobre a aceitação do corpo e da auto-análise. O elenco todo é formado por atores negros, o que confere uma identidade cultural rica. Certamente, merecia uma adaptação teatral.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

Still human

"Lun lok yan", de Oliver Siu Kuen Chan (2018) Premiado drama de Hong Kong, "Still human" é um melodrama que irá arrancar lágrimas do público, principalmente em seu final comovente. Evelyn (Crisel Consunji) é uma filipina que abandona o seu país, após um casamento desfeito, para trabalhar como cuidadora em Hong Kong. Ela é indicada para trabalhar com Cheong Wing (o astro chinês Anthony Wong), um homem que se tornou amargo após ficar cadeirante depois de um acidente de trabalho, o que ocasionou o abandono de sua esposa. Seu filho foi estudar nos Estados Unidos e também ficou ausente. Desgostoso de tudo, Cheong maltrata Evelyn em seus primeiro dias de trabalho, ainda mais que ambos não falam a mesma língua e ele usa um app de tradução. Nos dias de folga, Evelyn encontra outras cuidadoras filipinas, que lhe dão dicas de trabalho. Mas com o tempo, Cheong começa a enxergar Evelyn de uma forma diferente: entende que ela está tendo problemas com sua mãe, que a quer de volta nas Filipinas para trabalhar para sustentar a família, e que evelyn tem o sonho de ser fotógrafa. Evelyn também acaba ajudando Cheong em seus afazeres e o ajuda a reatar com seu filho. 'Still human" é uma história sobre almas opostas e que se conectam pela alma bondosa que ambos escondem dentro delas. Já vimos essa história muitas vezes. O que faz o filme merecer ser visto, é o excelente trabalho dos dois atores principais, e a forma carinhosa com que o diretor lida com os seus dramas.

Ato noturno

"Ato noturno", de Filipe Matzembacher e Marcio Reolon (2025) Competindo no Festival de Berlim 2025 ao prêmio Teddy, dedicado a filmes de temática queer, "Ato noturno" foi vencedor de 4 prêmios no Festival do Rio 2025 (ator Gabriel Faryas, fotografia, roteiro e Felix de melhor filme queer). O filme é dirigido e escrito pela dupla gaúcha Filipe Matzembacher e Marcio Reolon, realizadores dos dramas queer "Beira mar"e "Tinta bruta". Os seus filmes possuem forte estilização, um universo contemplativo, de planos e enquadramentos desenhados em conjunto com a fotografia e trilha sonora, onde personagens transitam entre a descoberta, o encantamento e a melancolia da solidão e de relacionamentos não convencionais. "Ato noturno" busca referências no cinema de Brian de Palma e dos filmes giallios, com a representação do vilão com luvas de couro preta, aqui transformado na figura de um dominador. O erotismo do filme, para minha surpresa, é menos intensa e explícita do que eu esperava, mesmo com cenas de 0rg14s e s3x0 ao ar livre. Mas a carga homoerótica está bem presente, pois o pano de fundo no tema é o desejo e a opressão, sendo o s3x0 a metáfora para a liberdade. O personagem de Cirillo Luna, Rafael, tem uma inspuração mesclada no Governador do rio Grande do Sul, Eduardo Leite, e em Mephisto, aquele que seduz e aconselha ao pé do ouvido, levando ambição para Matias (Gabriel Faryas), um ator de uam peça de teatro independente que está sendo montada em Porto Alegre. Quando os dois se conhecem através de um app estilo grindr, o t3s4a0 é imediato. Rafael revela ser um empreendedor imobiliário que se candidata a prefeito, e por isso, não pode se envolver publicamente com Matias. Mas o paradoxo é que eles decidem viver essa tensão e medo de serem flagrados em público, fazendo s3x0 ao ar livre. Rafael ajuda Matias a conseguir o papel principal de uma série, criando um antagonismo com o outro ator da peça, Fabio (Henrique Barreira), que também almejava o memso papel. Onde o roteiro trabalha melhor é na construção de uma heteronormatividade para personagens gays: Matias quase pede o papel porque a diretora de elenco não o acha masculino o suficiente, e o fato de ser gay prejudica. E Rafael esconde a sua homossexualidade por pressão política. Os 3 atores principais estão bem em seus personagens, em construção visceral e entregue à história. O filme transita em gêneros, do drama, romance ao thriller.

A Besta mata a Sangue Frio

"La bestia uccide a sangue freddo", de Fernando Di Leo (1971) Divertido giallio trash dirigido e co-escrito por Fernando Di Leo, fiquei chocado que contenha cenas de s3x0 explícito ennvolvendo mulheres, em uma produção de 1971. A premissa do filme já é aburda por si só, e a trama vai se encaminhando por situações bizarras , envolvendo assassinatos e erotismo. No elenco, a presença de Klaus Kinski, ator fetiche de Werner Herzog, no papel do médico Francis Clay, é outro elemento de interesse e diversão. Mulheres ricas são enviadas por seus maridos para uma clínica psiquiátrica para se tratarem de seus "distúrbios psicológicos": uma é lésbica e seu marido quer que ela se converta; outra é ninfomaníaca ( é hilário que ela dá em cima de todo homem que surge em cena); uma outra tem tendências suicidas, e por aí vai. Enquanto isso, um serial killer invade secretamente a clínica e vai matando pacientes e enfermeiras. O filme tem problema de ritmo, com cenas esticadas sem necessidade, quebrando a tensão. Mas no geral, é uma grande diversão, seja pela inusitado do s3x0 explícito, quanto pelas cenas de morte, algumas bem violentas. As performances são no geral bem canastronas, e dubladas em inglês, conferem um charme extra.

Guarde o Coração na Palma da Mão e Caminhe

"Put Your Soul on Your Hand and Walk", de Sepideh Farsi (2025) Concorrendo no Festival de Cannes na mostra dedicada a documentários, "Guarde o Coração na Palma da Mão e Caminhe" é uma co-produção Irã, Terras ocupadas palestinas e França. Eu me lembrei muito do recente documentário tunisiano'A voz de hindi Rajab", também dirigido por uma mulher, Kaouther Ben Hania. Em ambos os filmes, o foco é na protagonista palestina, vítima de soldados israelense, durante a Guerra entre Palestina e Israel, inciada em 7 de outubro de 2023. Os filmes apresentam depoimentos das protagonistas ainda vivas, e ao desfecho, ambas são mortas. Obviamente, são filmes importantes como provas histórias de um genocídio contra civis inocentes. A cineasta iraniana entrevista via celular pelo período de 1 ano, a fotojornalista palestina Fatima Hassouna, de 24 anos, moraddora do norte de Gaza. De 24 de abril de 2024 a 15 de abril de 2025, quando se deu a última entrevista, as duas mulheres conversam sobre a situação em Gaza e sobre sonhos e desejos de Fatima. Na madrugada de 16 de abril de 2025, Fatima e seis pessoas de sua família foram mortas enquanto dormiam. As entrevsitas são feitas pelo celular, e a internet de Fatima oscila, pois é óbvio que a conexão em gaza não é boa e nem instável. Ela fala sobre seu desejo de querer conhecer outros países, viajar, mas de sua luta, junto de familiares e amigos, de manter Gaza unida e em pé. Ela mostra fotos feitas por ela para Sepideh. Logo no inicio, Sepideh diz que conheceu Fatima ao acaso. Por conta da guerra que se iniciou em 7 de outubro de 2023, ela acabou pousando no Cairo, pois as fronteiras com o Irà estavam fechadas. Ela decidiu fazer um documentário sobre mulheres palestinas em faza, até que foi apresentada à Fatima. O que me incomodou bastante no filme, desde o início, é o fato das mulheres falarem em inglês, Fatima deixa claro qe seu inglês não é bom. Fico pensando se Sepideh não deveria ter contratado uma tradutora para que Fatima ficasse à vontade para falar em sua língua natal, e se expressar melhor.

Shin Ultraman

"Shin Ultraman", de Shinji Higuchi e Ikki Todoroki (2022) Lançado nos cinemas do Japão em formato Imax, no ano de 2022, "Shin Ultraman" é um reboot da série de televisão de grande sucesso no mundo inteiro, inciada em 1966. O protagonista, Ultraman, é um ser alienígena humanóide do Planeta Luz, que é enviado ao planeta Terra. Ele ecsolhe um hospedeiro humano, Kaminaga, que trabalha na SSSP (A Science Special Search Party (SSSP), conhecida como Patrulha Científica, é uma equipe responsável pela investigação de mistérios e fenómenos inexplicáveis em todo o mundo. Eles também combatem a chegada de seres alineígenas, os Kaijus (monstros gigantes). que querm destuir o planeta. Ultraman procura entender o pensamento dos humanos incoporado a Kaminaga. Mas entra em conflito com o seu povo quando decide lutar a favor dos humanos, e combater os kaijus. O filme obviamente procura fazer a festa dos fãs nostálgicos e também a nova geração. Os efeitos mesclam CGI de última geração com os efeitos vintages, principalmente na representação dos Kaijus. A história é simples e efetiva, na eterna luta do bem contra o mal. O que mais me chamou atenção, foi a presença do ator Hidetoshi Nishijima, do premiado drama "Drive my car", como um dos integrantes do SSSP. Que bom que ele é um ator que alterna projetos autorais com outros comerciais, fazendo a felicidade de todos os fãs.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

Travolta et moi

"Travolta et moi", de Patricia Mazuy (1994) Excelente filme realizado em parceria com a ARTE tv e a Sony music, dentro de um projeto intitulado "Tous les garçons et les filles de leur âge", cujos filmes retratavam a juventude francesa. Os filmes continham músicas do catálogo da Sony music. Em "Travolta et moi", a roteirista e cineasta francesa Patricia Mazuy apresenta uma das protagonistas mais irritantes, psicopatas e mimada que já assisti, e por isso mesmo, apaixonante. O trabalho da jovem atriz Leslie Azzoulai é corajoso, ousado, percorrendo o risco da antipatia com o público, em uma personagem vilanizada. Em 1977, em uma pequena cidade do interior da França, mora Chrtsine (Azzoulai), 16 anos. Filha única de um casal que é dona da única padaria e confeitaria da cidade, Chrstine é apaixonada por John Travolta, que explode por conta do filme "Os embalos de sábado à noite". Ela toca a fita k7 do filme o tempo todo e seu quarto é todo decorado com o poster do filme e fotos de Travolta. Num ônibus, Nicolas (Julien Gerin), 17 anos, e que lê Rimbaud e Nietzsche, aposta que pode ficar com qualquer garota que quiser. Ele aposta em Christine, que acaba caindo de amores pelo rapaz e desistindo de Travolta. Quando ela se desentende com Nicolas, ela decide ir atrás dele, em uma festa de aniversário de uma colega de escola. Mas seus pais viajam e ela precisa tomar conta da padaria sozinha. Ela decide tacar fogo na loja e seguir até a festa, em um ringue de patinação. O filme é belamente fotografado e filmado em 16 mm. É um filme que retrata a jucentude com muito naturalismo, e um olhar que se inciia divertido, mas logo descamba para uma melancolia e tom depressivo. Envolvendo suicídio, o filme tem um final arrebatador.

Marcas da maldição

"Zhou", de Kevin Ko (2022) O site Indiewire fez uma lista dos 25 melhores filmes de terror do gênero found footage e elegeu essa produção de Taiwan como a 10a. Fiquei curioso, pois da lista, esse era dos poucos que nunca nem tinha ouvido falar. Ap;os assistir ao filme, achei exagero inclusive o filme constar da lista dos 25, quanto mais sendo o 10o melhor. Eu tenho um problema s;erio com alguns found footage pois a premissa de que tudo está sendo gravado o tempo todo, na maioria das vezes sôa muito falso, com a eterna pergunta que o espectador faz: Mas quem está gravando? Porque eles gravam absolutamente tudo? O filme é beaseado em uma história real, ocorrido em 2005 em Taiwan, na cidade de Kaohsiung: uma família de pintores declarou estar possuída por demônios. Os seis integrantes da família, então, começaram a se agredir no intuito de exorcizar os tais demônios, utilizando bastões de madeira. A filha mais velha veio a falecer tragicamente, espancada até a morte, e os cinco familiares foram condenados. "Marcas da maldição" foi um dos maiores sucessos de bilheteria de terror em Taiwan. Misturando presente e passado, o filme traz a protagonista Li Ronan (Hsuan-yen Tsai) fazendo um pedido a quem estiver assistindo ao seu video que memorize uma imagem e entoe um cântico. Ela é mãe da pequena Dodo (Sin-Ting Huang), que está amaldiçoada por um espírito. O filme retrorna para seis anos atrás, para que o público entenda como a maldição chegou na menina. Ronin, seu namorado Dom e o irmão dele, Yuan (Wen Ching-Yu), possuem um canal no Youtube voltado para casos paranormais. Visitando uma região montanhosa onde moram os pais de Dom e Yuan, eles são advertidos que são proibidos de entrar em um túnel. Ali, somente membros da seita Mãe Buda podem entrar. eles ignoram o pedido e entram no túnel, a ponto de testemunharem uma criança sendo sacrificada pela seita. Dom e Yuan acabam morrendo por ataque de espíritos e Ronan consegue fugir. Nos dias atuais, sua filha Dodo herdou a maldição, e Ronan precisa salvá-la. Deveria ser proibido esses found footage terem mais de 90 minutos ( o filme tem 1hr 50 min). Fica arrastado, perde ritmo e cansativo. A trama é interessante, mas fica repetitica, e a edição, que misture os tempos, fica bastante confusa. O final tambem não é muito claro. Os efeitos são ok, e tem um ou outro jump scare efetivo.

Segunda chance

"Segunda chance", de Eduardo Albino e Mauro Carvalho (2025) O filme não engana: em determinado momento os personagens dizem que parecem estar vivendo o dilema dos protagonista Drew Barrymore e Adam Sandler em "Como se fosse a primeira vez". Essa é a grande referência para 'Segunda chance", dos diretores Eduardo Albino e Mauro Carvalho. O filme mescla os gêneros da comédia romântica e da fantasia e traz um resultado bastante simpático. Mauro Carvalho dirigiu o erótico queer "O senador", e co-dirigiu o cult "Primos". Daniel (Caio Fliper) e Alan (Luigi Calduch). estão casados há cinco anos. Daniel é um estilista de sucesso e Alan é professor de teatro. No dia do aniversário dos cinco anos, Alan prepara um jantar e pede para que Daniel compareça. Daniel tem uma vida profissional extremamente atribulada,, motivo das brigas do casal: Alan diz que ultimamente, Daniel tem dedicado seu tempo ao trabalho e menos para o relaiconamento. Daniel acaba indo a um evento social e chega em casa bêbado. Na discussão, os dois decidem dormir separados. No dia seguinte, ao acordar, Daniel descobre estar em um universo paralelo: ele se vê em início de carreira, ainda pobre, e ele e Alan terminaram o relacionamento há tempos. Cabe a Daniel reconquistar Alan, e aproveitar essa segunda chance. O que prejudica o filme são so diálogos longos e expositivos, esticando a duração do filme em um tempo maior do que deveria. A inserção de um personagem místico também leva o filme para um lugar de fantasia que deixa o filme com um tom menos interessante. Fora isso, os dois atores são carismáticos (deveriam ter pensando em uma caracterização diferente, ambos estão muito parecidos fisicamente e com a mesma barba). O filme agrada como passatempo, e mesmo com um tom de filme família, traz cenas de s3x0 quentes.

O Fim das Primeiras Vezes

"El fin de las primeras veces", de Rafael Ruiz Espejo (2025) Um drama coming of age queer mexicano, "O Fim das Primeiras Vezes" é escrito e dirigido por Rafael Ruiz Espejo. O filme se passa em um único dia na vida de Eduardo (Alejandro Quintana), 18 anos. Mas será um dia que irá mudar a sua vida para sempre. Eduardo sai de Jalisco, uma vila no interior, para a cidade grande de Guadalajara. Ele vai prestar prova para o vetsibular e deve retornar para a sua casa após a prova. Estando sozinho na cidade grande, longe de sua família, Eduardo acaba experimentando os desejos que ele não consegue em seu lar. Ele troca olhares com Mario (Carlos E. López Cervantes), um jovem sedutor que também faz prova na mesma sala. Mario convida Eduardo para ir na sua casa. Eduardo decsobre que é aniversário de Mario e é recebido pela família dele. Sozinhos no quarto, Eduardo experimenta pela primeira vez o s3x0. Mario o chama para ir à balada e ao encontro com amigos para uma noite de s3x0, drogas e bebedeiras. eduardo perde o ultimo onibus e somente lhe resta se entregar aos prazeres mundanos experimentados pela primeira vez. O filme, com excelente fotografia e uma trilha sonora dinâmica e envolvente, capta com sensibilidade e com um olhar quase documental, a vivência sensorial e s3xual de Eduardo. Seus olhares inicam desejo, sua boca tocando outra boca, pele, o orgao genital, tudo lhe ;e encantador. Com excelente performance dos jovens atores, que se entregam em performance visceral, " O Fim das Primeiras Vezes" tem um ritmo lento, mas que envolve pelo deslumbramento.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Davi- nasce um Rei

'David", de Phil Cunningham e Brent Dawes (2025) Superprodução distribuída pela Angel Studios, uma empresa destinada a lançar projetos de audiovisual com conteúdo cristão. Projetos como "O som da liberdade" e 'The Chosen" foram sucesso de blheteria, e 'Davi- nasce um Rei" tem agradado crítica e público. O filme traz a história da juventude do rei Davi, até tornar-se Rei. A adaptação se baseia no primeiro e segundo livro de Samuel. Quando adolescente, Davi, filho de Jessé e Nitzevet, era pastor e cuidava do rebanho de ovelhas da família. O profeta Samuel chega em sua casa e proclama Davi como sucessor do Rei e segundo Samuel, escolhido por Deus. Quando o gigante Golias surge para intimidar um povo inteiro, davi o derrota, para surpresa de todos. Já adulto, Davi enfrentou o rei Saul que via ele como inimigo e uma ameaça para seu reinado e a sucessão do filho Jonathas. Davi é conhecido por ser o Rei que consolidou a monarquia, unificou as tribos de Israel, conquistou Jerusalém e a tornou capital, estabelecendo as bases do Estado hebraico. O filme é anunciado como uma animação infantil, mas acho ele mais juvenil e para adultos, muito por conta do conteúdo repleto de violência e tragédias. Produzido com um orçamento de 60 milhões de dólares e lançado em 3D, "Davi-nasce um rei" surpreende pela técnica, pela qualidade da dublagem e pelas cenas de ação. O filme é longo, quase 2 horas, e repleto de canções. O filme agrada até para quem não é religioso, ainda que traga muitas mensagens de Fé cristã.

A mulher invisível

"A mulher invisível", de Claudio Torres (2009) Grande sucesso de bilheteria de 2009, com 2 milhões e 200 mil espectadores, 'A mulher invisível" acabou gerando uma série de tv exibida na Tv Globo. O filme, dirigido e co-escrito por Claudio Torres, teve a parceria no roteiro de Adriana Falcão e Maria Luisa Mendonça. Maria Luisa interpreta a namorada de Pedro (Selton Mello), que o trai e o abandona. Desolado, Pedro é aconselhado pelo seu melhor amigo Carlos (Vladimir Brichta) a viver a vida de solteiro sem freios, fazendo s3x0 com quantas garotas for possível, em uma fratenidade de masculinidade tóxica. Mas um dia, Amanda (Luana Piovani). bate à sua porta. Ela ddiz ser sua vizinha e quer uma xícara de açúcar. Entre os dois, surge um relacionamento perfeito e apaixonante. Até ele descobrir que ela não existe, e que é projeção de sua mente e seus desejos da mulher ideal. Com um elenco formado por ótimos humoristas, como Fernanda Torres, Maria Manoella, Paulo Betti, Marcelo Adnet, Gregorio Duvivier, Talita Carauta, Thelmo Fernandes, entre outros, "A mulher invisivel" tem a sua grande força no trabalho do elenco, todos bastante talentosos na comédia. Os diálogos, em boa parte ácidos, divertem. Li numa matéria que Claudio Torres só faria o filme se Luana Piovani topasse fazer a personagem. Faz sentido, pois ela está incrível, sem soar vulgar, naquele estilo sensual e elegante que Luana sabe fazer muito bem.

Estranho rio

"Estrany riu", de Jaume Claret Muxart (2025) Um belo e sensível drama queer sobre um adolescente de 16 anos que descobre a sua identidade e desejos por um outro corpo masculino, "Estranho rio" me fez lembrar da lenda o boto na Amazônia. O boto se transforma em um homem sedutor que flerta e faz s3x0 com suas vítimas. O filme, escrito pelo diretor catalão Jaume Claret Muxart, é livremente inspirado em sua juventude, repleta de conflitos sobre a sua sexualidade e convivendo com seus pais problemáticos. Rodado em 16 mm, o filme tem uma fotografia deslumbrante, que ilumina e enquadra não somente as locações inebriantes, mas também, a beleza do jovem ator Jan Monter, que me fez lembrar de Mark Hamill bem jovem. Co-produção Espanha e Alemanha, a cena final, ao som de "The fireman is blue", de Ryder the angle", é um comovente momento de amadurecimento, de rito de passagem de adolescente à fase pré-adulta, de reflexão e auto-descoberta. Didac , seus dois irmãos mais jovens, Biel (Bernat Solé) e Guiu (Roc Colell), e os pais deles, a atriz Monika (Nausicaa Bonnín) e o pai arquiteto Albert (Jordi Oriol) estão pedalando e turistando ao longo do rio Danúbio. Didac é um adolescente na fase rebelde: briga com seus irmãos e não quer o carinho de seus pais, por se achar já adulto o suficiente. Ele evita contatos com os familiares e busca o isolamento. Circulando pela noite, Didac testemunha homens em encontros s3xu41s, e tambem a presença de um adolescente nadando nu pelas aguas do rio. Esse jovem, Alexander (Francesco Wenz) se apresenta para Didac, que fica seduzido por ele. Existe um linda cena onde o pai conversa com Didac sobre um amigo do filho, e suspeita que eles estejam namorando. O pai dá força para o namoro, mas Didac nega que esteja havendo algo. É um filme muito sensual, que lembra "Me chame pelo seu nome", com muitas cenas homoeróticas envolvendo jovens.

Paraíso a oeste

"Ëden a l'ouest", de Costa Gavras (2009) Exibido no Festival de Berlim 2009, "Paraíso à oeste" é um filme menos conhecido do cineasta grego Costa Gravas, que co-esreveu o roteiro com Jean-Claude Grumberg. O filme foi rodado entre 2 filmes consgrados e aclamados de Gravas: "O corte" e "Capital". Assistir "Paraíso à oeste" é curioso: parece uma pantomina, com um protagonista que quase não fala e certamente inspirado em Carlitos ( o final até entrega essa referência). O ator italiano Riccardo Scamarcio interpreta Elias, um imigrante que sem nacionalidade definida que, junto de outra centena de imigrantes ilegais, estão em um barco no alto mar. Quando um barco policial se aproxima, elias salta no mar. Ele acorda na manhã seguinte em uma praia de nudistas. Ele finge ser um nudista, rouba algumas roupas e se apresenta como funcionário do hotel "Eden Club-Paradise". Alguns hóspedes o consideram um funcionário, enquanto outros o veem como um cliente. Ele conhece um mágico (Ulrich Tukur) que o contrata para alguns truques e, que o convida para ir a Paris. Elias fica obcecado em ir até Paris, mas até lá, ele irá se envolver em muitas aventuras, encontros com vigaristas e situações bizarras. Eu não sei se gostei do filme, pela natureza estranha e em tom de par;abola dele. Mas Scamarcio está ótimo. A sua beleza faz parte do personagem, que é seduzido por homens e mulheres que querem se aproveitar de seu corpo, inclusive, em tentativa de 3stupr0 por um gerente do hotel. Elias é roubado, enganado, abusado. São tantas as adversidades que ele passa, que não teve como não morrer de pena dele. O desfecho é extremamente cruel com Elias, um filme pesismista de Gavras sobre a trista sina de imigrantes ilegais na Europa.

The ghost station

"Ogsuyeog gwisin", de Jeong Yong-ki (2022) Terror sobrenatural sul coreano, que pega carona em filmes como 'O Chamado". O filme é fraco e não assusta, e a premissa de passar a maldição de uma pessoa para outra lembra também "Corrente do mal". Na-yeong (Bo-ra Kim) é uma jornalista ambiciosa que recebe uma dica de uma amiga sobre uma estação de trem próxima. Ela conversa com a família de uma criança que morreu em circunstâncias estranhas na estação e descobre que o local da estação pode revelar uma maldição. Ela conta com a ajuda de um funcionário da estação, Choi Woo-won (Kim Jae-hyun). eles descobrem que ali, no passado, havia um orfanato, onde criancas foram soterradas. O filme tem feitos fracos e suspense quas enulo, o que é uma pena, pois adoro esses filme J-Horror, com assombrações no estilo Samara. Mas é um filme que está datado, sem muita criatividade.

domingo, 1 de fevereiro de 2026

Resident evil- O hóspede maldito

"Resident evil", de Paul W.S. Anderson (2002) Decidi rever o filme que originou a franquia de 6 filmes, todos com Milla Jovovich, e um reboot de 2021, depois de cenas terem viralizado nas redes sociais. Eu tinha esquecido o quanto o filme original, de 2002, era bom, com ótimos efeitos e uma trama que, mesmo não sendo nada original, prendia a atenção. Na época, o filme foi detonado pela crítica. Adaptado do game criado em 1996, o filme foi dirigido pelo cineasta inglês Paul W.S. Anderson, que após o filme, viria a se casar com Jovovich. A icônica cena do laser mortal em um corredor da morte virou motivo de muita gente da nova geração assistir ao filme. Li no Imd que o filme chegou a ser oferecido para o mestre Groege Romero escrever o roteiro, mas não foi aprovada a sua versão. Co-produzido por Alemanha e Inglaterra, o filme traz no elenco a cult Michelle Rodriguez, uma heroína de ação que sintetiza a girl power nos filmes de ação. Um laboratório governamental subterrâneo, da empresa Umbrella Corporation, entre em colapso quando um vírus é roubado e contamina o local. Segundo as regras do laboratório, quando isso acontece, todos que estão lá dentro não podem mais sair e ficam trancados. O que ninguém esperava é que todos se tornam zumbis. Uma equipe ultra secreta de elite da própria Umbrella é acionada para invadir o local e desligar a energia. Só que aí, os zumbis acabam sendo soltos e passam a atacar um a um a elite, formada por Alice (Jovovich), Rain (Rodriguez), entre outros.

Dona Flor e seus dois maridos

"Dona Flor e seus dois maridos", de Bruno Barreto (1975) Um dos maiores sucessos de bilheteria d eum filme brasileiro, com 10.735.524 milhões de espectadores, superado em 2010 com "Tropa de elite". Publicado em 1966 por Jorge Amado, o filme ganhou a adaptação cinematográfica dez anos depois, dirigido por Bruno Barreto, então com 23 anos de idade. Fotografado por Murilo Salles, o filme capta as cores e arquitetura de Salvador, incluindo os figurinos e caracterização dos anos 40, realizados com muito esmero na produção. A adaptação do roteiro foi feita pelo próprio Bruno Barreto, o cineasta Eduardo Coutinho e Leopoldo Serran. No domingo de carnaval do ano de 1942, Vadinho (Zé Wilker), malandro casado com a cozinheira Flor (Sonia Braga) , está se divertindo com seus amigos em um bloco de carnaval, quando de repente, passa mal e morre. O filme volta ao tempo e divide a narrativa em 2 partes: o casamento com Vadinho, com o próprio roubando o dinheiro de Flor e gastando tudo na jogatina e mulheres. E o casamento com o farmacêutico Teodoro (Mauro Mendonça), um homem de comportamento totalmente o oposto de Cadinho: educado, trabquilo e respeitador. O único problema é que na cama, ele é recatado, e Flor sente falta da pimenta de Vadinho. Quando ela procura ajuda no terreiro, Vadinho retorna como espírito para atormentar Flor. Eu nem lembrava que Vadinho como espírito só surgia faltando 25 minutos de filme, a lembrança que eu tinha era que ele estava em mais da metade do filme. O elenco de coadjuvantes, principalmente os amigos de malandragem de Vadinho, é composto pelos excelentes Nelson Xavier, Nelson Dantas e Rui Resende. A icônica trilha sonora é de Chico Buarque e Francis Hime, com a música "O que será", na voz de Simone.

En tongs au pied de l'Himalaya

"En tongs au pied de l'Himalaya", de Jon Wax (2024) Co-produção França e Bélgica, "En tongs au pied de l'Himalaya" (ao pé da letra, "De chinelos aos pés do Himalaia") é a adaptação de um monólogo escrito pela amiga do cineasta Jon Wax, Marie-Odile Weiss, mãe de uma criança autista. O filme lembra muito o tom de 'Extraordinário", filme com Julia Roberts e Jacob Trembley, como mãe e filho. Audrey Lamy interpreta Pauline, mãe de Andréa (Eden Lopes). A grande dúvida de quem viu o filme, era se o menino Eden Lopes era de fato, austista, tal a impressionante performance do garoto. Decidiu-se por não escalar um autiosta, por conta dos problemas familiares do personagem, o que para os realizadores, seria como um caso de abuso na escalação. Eden Lopes passou por um processo intenso de ensaios, coordenados pela própria Marie-Odile Weiss. Ela interpreta a diretora da escola onde Andréa estuda. Pauline é uma mãe solteira que trabalha como bartender. Aos três anos de idade, seu filho, Andréa, foi diagnosticado como autista e começou a estudar em casa. Seu último ano na pré-escola é crucial. Ele precisa aprender certas habilidades básicas e desenvolver independência para poder frequentar uma escola regular. Pauline tem seus demônios próprios: alcoolatra, e um ex-marido que se casou novamente. Ela vai morar na casa do irmão, Thomas (Jean-Charles Clichet), enquanto tenta reestruturar a sua vida. O filme tem uma história que certamente irá comover o público. Todos os ingredientes estão lá: mulher independente e batalhadora, que se desdobra no trabalho e na vida pessoal. E o mais importante: ela ama o seu filho. O elenco está excelente, alternando momentos levez com drama emotivo.

96 minutos

"96 minutes", de Tzu-Hsuan Hung (2025) Produção de Taiwan, "96 minutos" é um thriller para quem ama filmes como "Velocidade máxima": dois trens em alta velocidade, com destinos opostos, carregam dentro de si bombas que, se detonadas, explodirão e matarão a todos. Três anos antes, dois agentes anti bombas, A-Ren (Austin Lin) e seu superior, Li Jie (Lee Lee-zen), são chamados para desasrmarem uma boma em uma sala de cinema. Mas eles recebem a ligação de um homem, dizendo que existe uma outra bomba em um shopping ao lado: ele dá a opção para os agentes de quem eles irão salvar; a si próprios, ou às pessoas do shopping. Eles optam por si próprios e às pessoas que estão com eles, incluindo a namorada policial de A-ren, Huang Xin (Vivian Sung). O shopping explode. A-ren carrega para si, por anos, a culpa pela escolha. Agora, dentro de um dos trens, junto de sua mãe, sua namorada Huang e seu superior, Li ie, eles precisam optar qual dos dois trens eles irão optar por salvar. Depois da meia hora inicial, apresentando o conflito, o filme conta exatamente 96 minutos pela decisão e desarmamento d abomba. Assim o diretor e o editor criam um suspense quase real. É um bom filme para quem gosta de passatempo, mas que exagera muito no melodrama, principalmente no final, com discursos motivadores dos personagens.

Gap-Toothed Women

"Gap-Toothed Women", de Les Blank (1987) O documentarista americano Les Blanck lançou em 1987 o curioso documentário "Gap toothed women", que tem como tema central, mulheres com diastema, que é o espaço existente entre dentes. O filme foi adquirido pela Criterion collection, que tem em seu catálogo, filmes relevantes para a história do cinema. Les Blank teve a idéia de realizar o filme quando percebeu que diversas mulheres que ele entrevistou em seus diversos filmes tinham diastema. Ele sempre achou o diastema sedutor, mas o filme é justamente para entender como as mulheres e a sociedade interpretam (lembrando que o filme é de 1987, antes das correções ortodônticas que existem nos dias de hoje). Boa parte das mulheres lutam com a baixa auto estima que o diastema trouxe para as suas vidas, desde a infância. Les Blank entrevitou mais de 100 mulheres, entre pessoas anônimas e famosas, como a super modeloe. atriz Lauren Hutton. Imagens de celebridades, como Madonna, também são apresentadas. Culturalmente, em cada país, existem lendas e folclores. No Egito, acreditava-se que mulheres com diastema cantavam melhor: a luz da luz atravessava o diastema e as fazia cantar melhor. Na idade média, dizia-se que mulheres com diastema eram aventureiras e viajantes. Um filme divertido, que relata, pelas próprias mulheres, a pressão sobre a estética e seus padrões determinados pela sociedade, e o processo de auto aceitação.

Tormento

"Tormento", de Olallo Rubio (2025) Remake do terror uruguaio "Necrotério", de Hugo J. Cardozo, "Tormento" é uma produção mexicana adaptada do original e dirigida por Olallo Rubio. O filme traz uma trama já vista númeras vezes no gênero terror: uma segurança precisa passar uma noite em um necritério, e passa a alucinar com algo aterrorizador que a está atormentado. Brenda (Natália Solián) é uma segurança contratada por uma empresa. Com problemas pessoais envolvendo sua mãe, seu namorado e também os estudos obcessivos para a faculdade de direito, ela mal consegue dormir, e esse estado catatônico a prejudica. Ao voltar para casa de noite, ela acaba atropelando uma pessoa. Brenda decide fugir do local do crime e vai para casa. Ele recebe no dia seguinte um cmahado do empregador, dizendo que ela irá fazer um turno noturno em um necrotério. Durante a rnda, ela passa a ter visões do homem que ela atropelou, sugerindo que o espírito dele veio para atormentá-la. O terror é utilizado pelos roteiristas também para ser um lugar para se falar simbolicamente de traumas, luto e culpa. Assim é "Tormenta', um filme que não reserva surpresas e tem um final óbvio. A atriz Natália Solián é boa, e um dos motivos para se assistir ao filme. Mas não esperem um terror. Ele é mais um thriller psicológico.

sábado, 31 de janeiro de 2026

A good child

"Hao haizi", de Kuo-Sin Ong (2025) Drama queer da Singapura, baseada em uma comovente história real. Adaptado da biografia de Christopher Lim, mais conhecida pelo nome artístico de Sammi Zhen, uma das mais famosas drag queens do país. Interpretada pelo ator Richie Koh, Sammi é uma drag que faz muito sucesso na noite lgbt, se apresentando em casas noturnas. Quando sua mãe, Jia Hao (Huifang Hong), passa a ter dem6encia, Sammi retorna para casa, de onde fugiu por conta da homofobia de seus pais, para cuidar de sua mãe. Ela o confunde com sua filha que morreu. Sammi mantém a farsa. Enquanto isso, seus irmãos precisam aprender a respeitar a nova persona de Sammi. Através da relação com sua mãe, Sammi aprende a perdoar e a perseverar na vida. "A good child" é um melodrama sem medo de querer arrancar lágrimas do espectador, defendido pelo ótimo trabalho do elenco. Os números musicais na boite são bem fotografados, a maquiagem e figurino são caprichadas. Quem gosta de filmes sobre redenção e sobre doentes com alzheimer e dem6encia, irá gostar bastante do filme.

Grizzly night

"Grizlly night", de Burke Doeren (2026) BAseado em fatos reais, "Grizzly night" pode enganar espectadores que estejam em busca de filmes de terror com ursos assassinos. O poster parece apresentar um filme onde o urso vai botar para quebrar. No entanto, a história teve um desfecho trágico, tanto para os sere shumanos, quanto para os ursos selvagens. No 12 de agosto de 1967, no Parque Nacional Glacier, em Montana, dois ataques mortais com ursos, em locais diferentes, marcou para sempre esse dia, que ficou conhecida como a "Noite do urso pardo". Duas jovens, que trabalhavam no parque, decidem acampar com os colegas de trabalho. Com distÂncia de 14 km entre um grupo e outro, as duas jovens foram atacadas em seus sacos de dormir e devoradas. A guarda florestal manteve proteção a 65 turistas em um galpão, até esclarecerem o que estava acontecendo. Como reusltado, diversos ursos foram assassinados pela guarda, como retaliação. Por conta desse evento, ficou proibido alimentar os ursos. Nunca se soube o que motivou os ataques. O filme aposta no drama de todos os envolvidos: as vítimas, os amigos sobreviventes, os turistas enclausurados e os guardas florestais. O filme não investe no terror e nem nos ataque,s mostrados em flashes rápidos. É um filme interessante, uma produção indie com atores corretos, mas ainda assim, ficou faltando uma crescente de tensão.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

A cronologia da água

"The Chronology of Water", de Kristen Stewart (2025) Concorrendo no Festival de Cannes 2025 na Mostra Un certain regard, "A cronologia da água" é a estréia na direção de longas da atriz Kristen Stewart. Adaptado do livro de memórias de Lidia Yuknavitch, lançado em 2011, pela própria atriz, o filme foi grande sensação em Cannes. Com o apoio do fotógrafo Corey C. Waters, que rodou o filme em película 16 mm, e da editora Olivia Neergaard-Holm, Kristen cria uma narrativa elipsada, formada por vinhetas cronologicamente mescladas, trazendo passado e presente em fusão. Os atores vão se alternando, e cabe ao espectador embarcar em uma viagem pessoal e intimista, totalmente fragmentada, como se fossem memórias contadas aos poucos. Lidia (Imogen Poots na fase adulta, Angelika Mihailova na fase adolescente e Anna Wittowsky quando criança) foi abus4d4 pelo pai. Sua mãe aloccolatra fa zvista grossa. Sua irmã Claudia (Thora Birch) foi igualmente abusada. Ela encontra refúgio na natação, ao mesmo tempo que se torna uma mulher s3xu4lmente ativa, se envolvendo com drogas e relacionamentos tóxicos. Quando ela descobre a escrita, ela encontra uma forma de expressar seus traumas e angústias. O filme tem uma estrutura totalmente inovadora e diferente, para quem busca uma cinebiografia convencional. Em linguagem quase experimental, o filme aposta no sensorial, com cenas ousadas de Imagem Poots em nudez e s3xo. Longo, com quase 130 minutos, "A cronologia da água" cansa, pela estrutura repetitiva. Mas vale assistir pelo trabalho do elenco, e pela visibilidade de temas importantes.