domingo, 12 de abril de 2026

Boy George and Culture Club

"Boy George and Culture Club", de Alison Ellwood (2025) Exibido no Festival de Tribeca 2025, "Boy George and Culture club" é o documentário musical que todo fã da famosa banda inglesa que surgiu em 1981 esperava. Narrada pelos próprios integrantes originais do grupo, o filme apresenta a clássica combinação do céu e inferno, ascenção, fama, sucesso e derrocada, envolvendo intrigas, ciúmes, drogas, relacionamentos tóxicos. George O'Downd (Boy George), Roy Hay (guitarra e teclados), Mikey Craig (baixo) e Jon Moss, o baterista explodiram com o disco de 1982, "Kissing to be clever", que trouxe os sucessos "Do You Really Want to Hurt Me" e "I'll Tumble 4 Ya". Mas foi em 1983, quando lançaram "Colour by numbers", que o mundo estava aos pés deles e dominaram o planeta. Com os singles "Karma Chameleon", "It's a miracle", "Miss me blind", "Victims"e "Church of the Poison Mind", o grupo dominou todas as paradas e prêmios. Mas a estrela era Boy George, cm seu visual andrógino, copiado por fãs do mundo todo. Boy George fala de sua infância, do bullying, da aparência feminina. Os outros integrantes, Roy e Mike, falam do ciúme que tinham por Boy George, pois todas as atenções eram para ele. E Jon foi um caso à parte: seu relacionamento conturbado com Boy George, às ecsondidas, provocou ciúmes e ataques de estrelismo de Boy George, que mantinha um relacionamento tóxico. O grupo foi um dos pioneiros na cena new romantic inglesa, surgindo ainda no governo de ferro de Margareth Tatcher.

Consequência

"Outcome", de Jonah Hill (2026) Co-escrito, dirigido e co-protagonizado por Jonah Hill, "Consequência" é um filme que retrata o lado cruel e devastador de Hollywood, através da cultura do cancelamento de um astro do cinema, Reef Hawk (Keanu Reeves). O filme tem um elento de estrelas: além de Keanu reeves, tem Jonah Hill, Cameron Diaz, Matt Bomer, Martin Scorcese, Drew Barrymore. A crítica detestou o filme, achando-o pretencioso. Eu não o achei ruim. Apenas acho que o filme foi vendido erroneamente como comédia, e ele simplesmente não faz rir. Melhor teria sido visto como um drama sobre o céu e a glória de um astro. Aliás, muitas vezes parecia que eu estava assistindo a série "The Studio", pois os elementos narrativos são muito parecidos (até porque Scorcese participa dos dois projetos). O que de fato me destraiu o filme inteiro, foi Jonah Hill. A sua chocante transformação física me foi impossível de notar. Reef Hawk (Keanu Reeves) é um ator 2 vezes vencedor do Oscar. Considerado uma das celebridades mais bacanas de Hollywood, Reef se afastou por 5 anos dos holofotes, para cuidar de seu vício em drogas pesadas: heroína, cocaína e também do álcool. Kyle (Cameron Diaz) e Xander (Matt Bomer) sao seus 2 melhores amigos, que estão sempre por perto lhe dando apoio moral. Reef acredita que agora é a hora de retornar ao trabalho, mas prefere ecsonder da mídia e do público os motivos do afastamento. Inesperadamente, o seu advogado da crise, Ira Slitz (Jonah Hill), avisa a Reef que ele está sendo chantageado por uma pessoa anônima e que deseja 15 milhões de dólares por um vídeo do astro em um hotel se m4sturb4nd0 com uma fã em um video call. Reef se desespera, acreditando que esse video possa destuir a sua carreira e decide procurar todos os seus desafetos, incluindo sua mãe possessiva e estrela de reality de tv, seu ex-empresário, Red (Scorsese), sua ex-namorada e outros, acreditando que possa ser um deles.

sábado, 11 de abril de 2026

La noche sin mi

"La noche sin mi", de María Laura Berch e Laura Chiabrando (2025) Drama argentino independente, "La noche sin mi" é a estréia das diretoras María Laura Berch e Laura Chiabrando no longa-metragem, com roteiro escrito por Laura Chiabrando. O filme recebeu o prêmio de melhor interpretação feminina no Puerto Madryn International Film Festival. É uama história que traz um tema muito comum nos dias de hoje: a desromantização da maternidade e do casamento. Filmado com muitos closes e trazendo o viéis psicológico para a protagonista, o roteiro lida com temas que a maioria das mulheres certamente irá se identificar. A jornada dupla de trabalho, tanto no trabalho quanto no lar, filhos insensíveis, marido abusivo. Nesse ambiente desfuncional, está Eva (Natalia Oreiro), uma mulher de meia idade. Ela trabalha como supervisora em uma escola, é casada com Juan (Pablo Cura) e tem 2 filhos adolescentes: Marcos (Teo Chiabrando) e Julia (Matilde Chiabrando). Eles moram em uma casa confortável. O filme começa com Eva em seu carro, observando seu teste de gravidez: está grávida. Atordoada com a notícia, ela chega em casa e acredita ter atropelado o gato de sua filha. Seus filhos e marido a esperam para fazer o jantar. Eva ainda precisa preparar o bolo para o aniversário de seu sobrinho, no dia seguinte. Seu pai está doente e sua irmã não atende o telefone. Diante da insensibilidade de todos em casa, Eva é 3stupr4d4 pelo marido na cozinha. O filme é dirigido com estética e narrativa minimalista. Todas as angústias de Eva são internalizadas e não verbalizadas. Com uma ótica feminina, o filem retrata a masculinidade tóxica tanto na figura do marido, quanto do filho, adolescente em formação. A atriz Natalia Oreiro tem uma excelente performance, carregando o filme todo nas costas.

A sombra do meu pai

"My father's shadow", de Akinola Davies (2025) Vencedor de menção honrosa no Festival de Cannes na Mostra un certain regard 2025, "A sombra do meu pai" é escrito e dirigido por Akinola Davies Jr, co-produzido por Reino Unido e Nigéria. O filme foi escolhido pelo país para represnetá-lo no Oscar internacional 2026. Muitos momentos do filme, especialmente na cena da praia, o filme evoca "Moonlight", de Barry Jenkins, na relação entre uma família negra, pai e filhos em uma bela e sensível conexão. O filme se passa na Nigéria de 1993, ano em que foi anulada a eleição presidencial no dia 12 de junho pelo ditador militar Ibrahim Babangida, gerando caos no país. O filme é semi-aotobiográfico. em uma aldeia, os jovens irmãos Remi (Chibuike Marvellous Egbo) e Akin (Godwin Chimerie Egbo) moram com a mãe. O pai, Fola (Sope Dirisu), está ausente por vários meses. Um dia ele retorna, e quer que seus filhos vão com ele até Lagos, capital do país na époa, para poder receber 6 meses de salário atrasado da fábrica onde trabalhava. O micro onibus que eles pegam quebra e ele sprecisam pedir carona para cegar à cidade. Lagos está efervescente por conta das eleições, com militares e o medo espelhados por todos os lados. Entre a alegria de estarem com seu pai e ouvirem suas histórias, e o medo do desconhecido, as crianças terão suas vidas mudadas para sempre. O filme tem uma excelente fotografia e direção de arte que trazem a atmosfera da época para o filme. O elenco é fundamental para o sucesso da narrativa, e tanto as crianças quanto o ator que interpreta o pai sao carismáticos e seduzem o espectador. Com um olhar semi documental, o diretor Akinola Davies traz comoção para um registro sobre um pai que desejou o melhor para os seus filhos, em um mundo caótico.

Prange

"Prange", de Lars Jessen (2025) Comédia romântica alemã, "Prange" me fez lembrar de "O pior vizinho do mundo", com Tom Hanks, sobre um homem solitário que tem fama de ser rabugento e ranzinza na vizinhança, e não faz nada para mudar essa sua fama. O filme é adaptado do livro de Andreas Altenburg, e que tem como tema a solidão na grande cidade. Ralf Prange (Bjarne Mädel) é um homem de meia idade que mora no térreo de um prédio em Hamburgo e está em casa o dia todo. Ele é solitário e seu único companheiro é seu papagaio. Por morar no térreo e estar sempre em casa, ele recebe encomendas para toda a vizinhança. Um dia, o entregador de encomendas muda. Quem passa a fazer as entregas é Dörte (Katharina Marie Schubert). Prange se apaixona por ela, e para isso, passa ele mesmo a fazer encomendas, só para poder vê-la diariamente. Mas o seu vizinho da frente, Horst Rohde (Olli Dittrich), também está apaixonado por Dorte. "Prange" é um bom filme, correto, com boas performances e um tom melancólico sobre solidão na meia idade. Fiquei até impressionando como os filmes alemães estão ficando menos depressivos, mesmo em comédias.

Amrum

"Amrum", de Fath Akim (2025) A guerra sob a perspectiva de uma criança já nos trouxe diversas obras primas, entre elas, 'Vá e veja", de Elim Klimov, e "Esperança e glória", de John Boorman. "Amrum", do cineasta turco alemão Fatih Akim, não é primoroso como os filmes citados, ma straz emoção e comove com a história do pequeno Nanning (Jasper Billerbeck), menino de 12 anos, inspirado na própria história do roteirista e amigo de Fatih Akim, Hark Bohm, que escreveu 'Arum" e o excelente 'Em pedaços", e que veio a falecer em 2025. Nanning mora na ilha de Amrum, Mar do norte, Alemanha, junto de seus pai que é um oficial nazista, sua mãe, dona de casa, Hille (Laura Tonke), seu irmão menor e sua tia Ena (Lisa Hagmeister). Nanning faz parte da juventude Hitlerista. Quando seu pai morre, a família passa necessidades. Nanning ajuda trabalhando na lavoura , pescando e caçando coelhos. A guerra acaba e sua mãe insiste em não acreditar, e decide ficar na cama e não se alimentar mais. O único alimento que ela deseja comer é pão branco com manteiga e mel. Com o trigo inexistente, pois é usado como remédio para curar ferimentos dos soldados, Nanning decide ir atrás desses alimentos para que sua mãe possa comer. O filme é uma bela crônica sobre o pós guerra, e sobre o fim de um sonho de uma Alemanha idealizada por Hitler, pelo ponto de vista de quem o idolatrava e agpra precisa se adaptar aos novos tempos e pensamentos. Em algum momento, lembrei bastante do filme "Jojo rabbit", mas sem o humor. "Amrum" tem uma fotografia poética e a delicadeza e paixão com que o diretor Fatih Akim conta o filme é muito apaixonante. A cena final, onde aparece o roteirista Hark Bohm, já idoso, em Amrum, é de chorar de tão comovente.

Tu Yaa Main

"Tu Yaa Main", de Bejoy Nambiar (2026) Remake indiano do sucesso tailandês "The pool", de 2018. O remake não é tão bom quanto o original ( até porque, a versão indiana tem absurdos 2hrs 30 min de duração, 1 hora a mais que o tailandês!!). Na 1a parte do filme, o roteiro foca no romance entre o rapper Maruti Kadam (Adarsh Gourav) e a influencer Avani Shah (Shanaya Kapoor). Maruti é um sonhador, mora com sua numerosa família e deseja gravar um clipe para bombar nas redes e ficar famoso. Avani é rica e quer monetizar ainda mais com seus milhões de seguidores. Os dois se conhecem e se apaixonam. Quando ela descobre estar grávida dele, Maruti pede um tempo, temendo que a paternidade lhe custe o seu sonho. Ambos viajam até Goa para um hotel isolado. Avani vai para a piscina espairecer, mas quando dorme, decsobre que ficou presa na piscina, sem poder sair. Maruti surge e ao tentar salvá-la, também fica preso na piscina vazia. Os funcionários foram devorados por dois enormes crocodilos, que agora querem comer o casal. Não fosse tão longo, o filme seria divertido. Parecem dois filmes em 1, até porque possuem gêneros bem diferentes. Tem momentos divertidos, os efeitos são toscos.

sexta-feira, 10 de abril de 2026

Ataque brutal

"Thrash", de Tommy Wirkola (2026) Semana sim, semana não, algum filme de tubarões assassinos é lançado. A bola da vez é "Ataque brutal", escrito e dirigido pelo cineasta norueguês Tommy Wirkola, dos cults de terror trash "Dead snow" e "Dead snow 2", e da ficção científica com Noome Rapace, "Onde Está Segunda?". O filme é uma mistura de "Predadores assassinos", terror de Alejandro Aja sobre crocodilos que surgem em New Orleans nas ruas após a inundação do Katrina, "Sharknado" e qualquer filme sobre tsunamis. Na fictícia cidade de Annieville, diversos personagens têm seu destino cruzado pelo furacão que atinge a região da Carolina do sul. O dique que separa a cidade do mar rompe e os tubarões invadem as ruas da cidade. Uma jovem com agorafobia, Dakota (Whitney Peak), que não sai de casa; uma grávida prestes a parir, presa em seu carro na rua que está sendo inundado; 3 adolescentes abusados pelo pai e madrasta, que precisam lutar por suas vidas no porão de sua casa; para tentar salvar a todos, o tio de Dakota, o biólogo marinho Dale (Djimon Hounsou) pega uma lancha e procura regatar os sobreviventes. O filme tem efeitos de CGI bem ruins, alguns até bem toscos, o que me surpreendeu, considerando ser uma produção de 2026. Os tubarões são mega genéricos, entrando nas casas e matando quem se move. Se quiser assistir a um bom terror, veja "predadores assassinos", esse sim, bem feito e repleto de suspense.

Como fotografar um fantasma

"(How to Shoot a Ghost", de Charlie Kaufman (2025) Exibido no Festival de Veneza 2025 e na Mostra de São Paulo, "Como fotografar um fantasma", é a 2a parceria entre o roteirista e cineasta Charlie Kaufman (autor de "Brilho eterno de uma mente sem lembranças") e da poetisa e roteirista Eva H.D. A1a colaboração veio no filme "Estou Pensando em Acabar com Tudo", igualmente protagonizado pela atriz Jessie Buckler. O filme tem uma mescla de narrativa experimental, com video arte narrado pela própria Eva. Dois jovens recém-falecidos: um tradutor imigrante e gay (Josef Akiki) e uma fotógrafa (Buckler) perambulam pelas ruas de Atenas, após suas mortes. O rapaz sofreu xenofobia e homofobia em vida e acabous endo morto. Ela, discutiu com o seu pai e logo depois foi encontrada morta. Ambos sentindo-se excluídos da sociedade, agora sentem-se também explucídos na morte - eles não são vistos pelas vivos. O filme mistura imagens do filme, imagens de arquivo em vídeo e fotos. Eu não entre muito na viagem do filme. As imagens são belíssimas, captadas pelo fotógrafo polonês Michal Dymek, de "A garota da agulha". A trilha sonora de Ella van der Woude traz meditação. O ritmo é bastante lento, e narrativa, contemplativa e de pontas abertas.

Jimpa

"Jimpa", de Sophie Hyde (2025) Exibido no Festival de Sundance 2025, "Jimpa" é escrito e dirigido pela cineasta inglesa Sophie Hyde, que nos trouxe o excelente "Boa sorte, Leo grande", com Emma Thompson, sobre uma mulher rec;em viíuva que decide contratar um garoto de programa para ter seu primeiro orgasmo. Sophye escalou os premiados Olivia Colman e John Lightgow para interpretarem pai e filha, em uma história autobiográfica. Colman interpreta Hannah, alter ego de Sophie, uma cineasta que decide realizar um filme sobre seu pai, Jim (Lightgow), que se divorciou de sua mãe para se assumir gay e viver em Amsterdã, onde por décadas trabalhou como professor politicamente ativo e homem gay soropositivo. Hannah se ressente do abandono de seu pai, que aconteceu quando ela tinha 13 anos. Agora que ele está doente, Hannah decide viistá-lo, junto de Frances (Aud Mason-Hyde, filhe real da cineasta), adolescente não binário que v6e em seu avô, a quem chamam de Jimpa, um modelo de transgressão a ser seguido. Frances expressa o desejo de ficar com o avô por um ano, desafiando as crenças de Hannah sobre criação dos filhos e a forçando a confrontar questões do passado. Mesmo com um elenco poderoso e um roteiro que parecia promissor, "Jimpa", por incrível que pareça, não emociona. Exagerando no melodrama, o filme parece uma cartilha sobre comportamento queer, sendo redundante na cartilha e bastante didático. O que me fez assistir até o final, foram as belas locações em Amsterdã.

Wasteman

'Wasteman", de Cal McMau (2025) Vencedor do prêmio de melhor diretor estreante no British film independet awards, 'Wasteman" é o filme de estréia de CalMcMau. O filme é uma produção inglesa ambientada em uma penitenciária, e traz muitos elementos onde o espectador já está familiarizado. Com um elenco totalmente masculino, "Wastmean" apresenta um universo de masculinidade tóxica, envolvendo personagens ambíguos. Taylor (David Jonsson), de "Alien Romulus" e "A longa marcha", interpreta um presidiário que foi preso ao matar acidentalmente um cliente que comprava drogas dele. Preso por 13 anos, Taylor tem seu vício sustentado pela dupla de presidiários Gaz e Paul, que fornecem drogas internamente. Taylor se comunica com seu filho por vídeo e stá prestes a ser solto. É quando um novo preso aparece: Dee (Tom Blyth). Ele pretende controlar o fornecimento de drogas, e conta com Taylor ajudando-o. "Wasteman" é um filme correto, com ótimas performances e parte técnica exemplar: fotografa, direção de arte. O roteiro não me surpreendeu: dramas carcerários para mim sôam bastante parecidos em temáticas e conflitos de personagens. preferi me apegar ao trabalho das atuações, para poder gostar um pouco mais do projeto.

Dog breath

'Dog breath", de Virgile Ratelle (2019) Drama queer canadense, escrito e dirigido por Virgile Ratelle, 'Dog breath" é uma porrada. Um filme angustiante e transgressor, sobre um ato de 3xtupr0 coletivo praticado por homens contra um rapaz, Alex ((Fabien Corbeil)), um jovem garoto de programa, viciado em drogas pesadas. Para sustentar seu vício, ele se permite fazer parte de círculo de homens tóxicos, que o alimentam com as drogas, fornecendo-as. Ao ficar inconsciente por excesso de drogas, ele é abusado pelo grupo. Definitivamente, não tem como indicar o filme para sre visto, pois pode dar gatilhos e também por ser muito chocante. É um filme corajoso, um retrato brutal e cruel sobre drogas e violência, que me fez lembrar do desfecho de "requiem para um sonho", de Daren Aranofsky, com Jennofer Connely fazendo parte de uma 0rg14 com homens.

EPiC: Elvis Presley in Concert

"EPiC: Elvis Presley in Concert", de Baz Luhrmann (2025) O cineasta Baz Luhrmann lançou nos cinemas em 2022 o épico "Elvis", que foi aclamado e também criticado pelo público e crítica. Austin Butler foi alçado à estrela e Tom Hanks foi detonado pelo seu papel do Coronel Tom Parker, que gerenciava a carreira de Elvis. Durante a preparação do filme, Luhrman assistiu a extenso material sobre o cantor, entre eles, dois documentários: “Elvis: That's the Way It Is” (1970) e “Elvis on Tour” (1972), este último supervisionado por Martin Scorsese, então com 30 anos. “Elvis: That's the Way It Is” foi filmado no verão de 1970, durante a terceira temporada de Elvis no International Hotel, em Las Vegas., “Elvis on Tour” acompanha Elvis em sua turnê em 1972. Luhman reeditou os dois filmes e incluiu cenas nunca antes vistas e não aproveitadas. Ambos passaram por um processo de restauração — visual e de áudio nas instalações da produtora de Peter Jackson, na Nova Zelândia, que haviam feito o mesmo processo com "Get back", documentário sobre os The Beatles. A qualidade das imagens e do som são impresssionantes. O filme foi lançado nos cinemas em Imax e para fãs ou não, é um filme excelente, trazendo depoimentos do próprio Elvis sobre a sua carreira e vida pessoal, e entrevistas, cenas de shows. No final, as cartelas inidcam que Elvis de 1969 a 1977 fez mais de 1100 shows, às vezes 3 por dia, e que nunca fez shows fora dos Estados Unidos. O título "Epic" se refere a "Elvis Presley in Concert".

Critical zone

"Mantagheye bohrani", de Ali Ahmadzadeh (2023) Melhor filme no Festival de Locarno 2023, de onde saiu com o Leopardo de ouro, ouso dizer que esse drama iraniano, escrito e dirigido por Ali Ahmadzadeh, é uma pequena obra prima do cinema indie contemporâneo. Angustiante, depressivo, o filme foi totalmente filmado sem autorização do governo, às escondidas, e por isso, o cineasta foi proibido de ir até Locarno receber o prêmio. Diversos críticos compararam o filme à uma mistura insana de "Taxi driver" e "O gosto de cereja", o clássico de Abbas Kiarostami, com um olhar estético de Gaspar Noé, buscando a fúria e decadência de uma noite em Teerã. Amir (Amir Pousti) é um traficante de drogas. Ele vai buscar ópio, haxixe, maconha e cocaina e leva para sua casa. Ele assa muffins com drogas e sai para à noite, entregar as ecomendas para clientes. Durante a noite, histórias episódicas envolvendo uma aeromoça que traz drogas para ele de Armsterdã; um asilo de idosos onde ele e uma enfermeira fazem os idosos consumirem drogas para aliviar suas dores (a. cena mais emocionante); uma mãe que o contrata para fornecer drogas a seu filho; uma prostituta trans; e uma incrível persgeuição de carros, tendo como pano de fundo uma cleinte drogada que grita o tempo todo. Fico pensando como o governo iraniano reagiria ao filme, que um jornal local chamou de pornográfico, e se o elenco e equipe envolvidos também sofreriam sanções penais. A pena de morte no país é um crime grave e os traficantes, condenados à morte. retratar no filme um personagem que interpreta um traficamente, e que simbolicamente seria um anjo salvador, é uma ousadia tão grande que queria muito entender os meandros jurídicios e legais para o filme.

quinta-feira, 9 de abril de 2026

Um toque de outro mundo

"Touch me", de Addison Heimann (2025) É muito difícil entender qual a intenção do roteirista e diretor Addison Heimann com "Touch me", título original. Uma mistura bizarra e non sense de ficção científica, fantasia, filme queer, terror, trash, thriller erótico, o filme não me satisfez em nada: assisti o tempo todo tentando no mínimo me divertir. Talvez eu precise revê-lo e assumir que é um filme trash que homenageia os filmes da produtora troma dos anos 80 e 90, e alguns filmes asiáticos da mesma época. Na verdade, eu não estava preparado para o filme, imaginei um outro filme. em algum momento, pensei que o filme poderia ser um pastiche da obra prima "Possessão", de Andrzej Żuławski. Mas não chega perto. Joey (Olivia Taylor Dudley) e seu melhor amigo gay, Craig (Jordan Gavaris), dividem o mesmo quarto. Ambos estão desempregados e viciados em vape. O filme começa com um longo depoimento de Joey para uma terapeuta: no consultório ela narra o ocorrido com ela e seu amigo Craig: ela conheceu um estranho sedutor, Brian (Lou Taylor Pucci), que os convida para passar um final de semana na mansão deles isolada, depois que o vaso sanitário da casa deles estoura. Eles descobrem que Brian é um ser alienígena e que seduz através da dança seres humanos de qualquer orientação sexual, com o intuito de plantar sementes na pessoa e ajudar a espalhar pelo mundo. Brian tem uma governanta, Laura (Marlene Forte), que o ajuda na missão. O filme traz linguagens experimentais e brinca com o cinema mudo, usando preto e branco e intertítulos ao narrar a história de uma das vítimas. Tivesse sido um legítimo trash, o filme teria sido um clássico cult. Mas ele não é engraçado, apenas ruim e sem graça.

Les enfants vont bien

"Les enfants vont bien", de Nathan Ambrosioni (2025) Melhor direção e prêmio Fipresci da crítica no Karlovy Vary International Film Festival 2025, o drama francês "Les enfants vont bien", escrito e dirigido por Nathan Ambrosioni, é uma história densa e sensível sobre abandono de lar. A melancolia percorre todos os 151 minutos do filme, em uma tristeza que beira a depressão, tanto dos personagens adultos quanto os infantis. É um filme que pode dar gatilhos no espectador, e por isso, ser visto com ciência sobre a história que será vista. Filmes sobre abandono de filhos me fizeram lembrar da obra-prima de Koreeda, "Ninguém pode saber". O tom é muito parecido. Segundo o diretor, o filme é inspirado no conceito do "desaparecimento voluntário", explorando a ausência, a família e a cura. Jeanne (Camille Cottin) é uma mulher de meia idade. Ela é pragmática, fria nos relacionamentos com as ex-namoradas. Egoísta e focada no seu trabalho como corretora de seguros, um dia Jeanne recebe a visita de sua irmã Suzanne (Juliette Armanet), e seus dois filhos pequenos, Gaspard (Manoä Varvat), de 9 anos, e Margaux (Nina Birman), de 6 anos, que chegam sem aviso. As irmãs não se viam há anos e Jeanne mal conhece os sobrinhos. Quando crianças, elas tiveram um péssimo relacionamento com o pai: quando a mãe morreu, ele inesperadamente as ignorou. No dia seguinte, Suzanne desaparece, deixando para trás um bilhete de despedida e seus filhos para que Jeanne cuide deles. Jeanne se desespera: ela, que nunca pensou em constituir família, agora se vê obrigada a cuidar das duas crianças, enquanto aciona a polícia. etenta entender o que se passou com Suzanne. Talvez a chave do mistério seja perguntar ao pai delas, doente, quem era Suzanne e porque ela faria isso. Gaspard se torna rebelde: ele maltrata Jeanne, que fica em um grande conflito sobre o que fazer com os sobrinhos. Um trabalho excelente de atuação, li que as crianças improvisaram todas as suas falas, em um naturalismo impressionante.

Aontas

"Aontas", de Damian McCann (2025) Premiado thriller irlandês co-escrito e dirigido por Damian McCann, o filme é um thriller policial narrado em rdem inversa na cronologia, começando pelo desfecho e terminando pelo início de tudo. Toda essa inversão é para criar uma expectativa no espectador: o filme começa com um desfecho trágico durante um assalto a um banco de crédito rural: uma pessoa morreu. 3 mulheres estão envolidas no assalto. Quem são elas? Quem morreu? Rodado em Glenarm, Condado de Antrim, Irlanda do Norte, o filme é todo falado no idioma gaélico irlandês. A recém desempregada Cáit (Brid Brennan) trabalhou durante anos em uma pedreira da região. O Dono do local, Dara (Marcus Lamb), mandou muita gente embora e não quer pagar os salários dos ex-funcionários, que fazem manifestação. A irmã de Cait, Mairéad ( Carrie Crowley), igualmente de meia idade, defende os interesses de Dara e da cidade. Uma terceira mulher, a jovem Sheila (Eva-Jane Gaffney), casada com o desempregado pela pedreira Colly (Sean T. Ó Meallaigh) também está envolvida no assalto, que une as duas irmãs. Não é difícil advinhar o que motivou o assalto. É um thriller de cunho social, poderia ser um filme de Ken Loach. Com excelentes performances, uma direção segura e um roteiro repleto de conflitos morais e éticos, além do embate óbvio entre ricos e classe proletarida, "Aontas", que na língua gaélica significa "união", é um ótimo drama que merece sre visto.

quarta-feira, 8 de abril de 2026

Nascida ontem

"Born yesterday", de George Cukor (1950) Clássico americano dirigido por George Cukor, "Nascida ontem" é conhecido por ser o filme que deu o Oscar de melhor atriz para Judy Holiday, tirando da franca favorita Gloria Swanson, por "Crepúsculo dos deuses". Lembrando que no mesmo ano de 1951, o Oscar de atriz estava disputadíssimo: incluía Eleanor Parker pelo drama carcerário "À margem da vida", e Bette Davis e Anne Baxter, ambas por "A malvada". Curiosamente, o roteiro, que lembra muito o clássico "Pigmaleão", foi filmado pelo mesmo George Cukor em 1964, com Audrey Hepburn em "Minha bela dama", que tem história muito parecida. O filme é adaptação cinematográfica de uma peça teatral, interpretada pela mesma Judy Holiday. Willian Holden, que estava também em "Crespúsculo dos deuses", interpreta o interesse romântico de Billie (Holiday). Ele é o jornalista Paul Verrall. Billie é a amante do magnata do ferro velho Harry Brock (Broderick Crawford), um tipo ogro e mal educado. Ele chega a Washington para chantagear um congressista, já que quer se tornar um político. Ele traz consigo sua amante, a ex-dançarina Billie Dawn. Brock contrata o jornalista Paul Verrall para educar socialmente Billie e poder ser apresentada à sociedade. Os ensinamentos de Paul à Billie a transformam: ela passa a questionar o mundo, e seus direitos como mulher e cidadã- afinal, ela é maltratada e abusada com violência pelo amante. Paul e Billie acabam se apaixonando. O que poderia ser um filme datado e uma afronta às feministas, inesperadamente continua muito atual. Billie começa como a típica loira burra, de voz fanha. Mas ao se tornar letrada e questionadora, ela passa a entender os seus direitos civis e de mulher. É um filme muito aquém de seu tempo, com excelentes diálogos e uma dramática cena onde ela é espancada por Paul. Judy Holiday está excelente, e faleceu precocemente aos 43 anos de idade, no ano de 1965, 15 anos após o filme.

Puberty Sexual Education for Boys and Girls

"Sexuele voorlichting", de Ronald Deronge (1991) Polêmico documentário holandês lançado em 1991, aborda a educação s3xu4l em crianças e adolescentes. Através de uma narradora, els, que apresenta a sua família, o filme fala sobre higiene corporal, incluindo higiene adequada para órgãos genitais masculinos e femininos em idade infntoil para evitar doenças infecciosas; mostra polução noturna, incluindo sonhos eróticos ( a cena é bizarra, com um jovem casal em um ambiente lúdico que parece que estão no espaço); o uso de camisinha para evitar gravidez, o primeiro ato s3xu4l e a descoberta do próprio corpo, incluindo m4sturb4ç40. Li em algumas matérias que o filme foi exibido em tb aberta na Alemanha e Holanda no início dos anos 90. Fosse exibido nos dias d ehoje, certamente todo mundo iria preso e seria um grande escândalo.

terça-feira, 7 de abril de 2026

A virgem da pedreira

"La Virgen de la Tosquera", de Laura Casabe (2025) Concorrendo no Festival de Sundance 2025 e ganhador do prêmio de melhor fotografia em Sitges, "A virgem da pedreira" é escrito e dirigido pela cineasta argentina Laura Casabe, livremente inspirado em contos de Mariana Enríquez. A cineasta é considerada uma das mais consagradas vozes do cinema de gênero e de terror da América Latina. Co-produzido por Argentina, México e Espanha, o filme foi rodado em Mendoza, Argentina. Ambientado em 2001, tendo como pano de fundo a crise econômica, social e de desemprego do país, a trama acompanha a adolescente Natalia (Dolores Oliverio). Ela mora na periferia, junto de sua avó Rita. Seus pais a abandonaram quando criança e ela foi criada pela avó. Natalia tem duas melhores amigas, Josefina (Isabel Bracamonte) e Mariela (Candela Flores). Todas as três, ainda virgens, possuem interesse s3xu4l por Diego (Agústin Sosa). Quando Diego inicia um relacionamento com Silvia (Fernanda Echevarría), uma mulher mais velha, vinda da cidade grande e madura, as amigas se sentem incomodadas. Natalia pede ajuda à sua avó, para evocar bruxaria para eliminar Silvia. Elas descobrem através de Silvia da lenda da virgem da pedreira: um lago escondido, onde crianças teriam desaparecido. Um filme que segue com ritmo lento, me fez lembrar do cinema da brasileira Anita da Silveira, com seu estilo minimalista, lento, focado no feminino e tendo como pano de fundo os desejos s3xu4a1s da juventude, a ansiedade e a falta de comunicação entre as pessoas, em um mundo angustiante e cada vez mais solitário e egocentrado.

segunda-feira, 6 de abril de 2026

Sweetness

"Sweetness", de Emma Higgins (2025) Escrito e dirigido por Emma Higgins, "Sweetness" é um thriller de suspense psicológico que muitos críticos chamaram de "Louca obsessão", da geração Z, citando o clássico de Stephen King, "Misery". O cinema já trouxe inúmeros exemplos de fãs obcecados por seus ídolos: "Play misty for me", "O fã-obsessão cega" são alguns exemplos. Em "Sweetness", a adolescente de 16 anos, Rylee (Kate Hallet) é uma fã da banda Floor Plan e de seu vocalista, Payton (Herman Tømmeraas), um artista certamente inspirado em Harry Styles e seu visual andrógino. Rylee tem uma melhor amiga, Sidney (Aya Furukawa). Rylee mora com seu pai, o policial Ron (Justin Chatwin), cuja esposa faleceu. Ele tem uma namorada, Marnie (Amanda Brugel), que Rylee odeia. Ao sair do show de Payton, Rylee acaba sendo atropelada por ele, que está sob o efeito de drogas. Ela o leva até a sua casa e o mantém preso no porão. Sua amiga Sidney a ajuda, até determinando ponto, quando as coisas saem do eixo. O filme é bastante óbvio e até o final, não traz surpresas. É correto e agradará à um público que gosta d etemas que envolvam fãs e ídolos em nível obcessivo. O jovem elenco está bem, a fotografia ajuda a dar o tom de suspense psicológico.

AIDS - The coming danger

"AIDS - Die schleichende Gefahr", de Peter Grandl )1985) O primeiro filme da Alemanha ocidental a retratar a AIds, "AIDS - The coming danger" foi lançado em 1985, em uma época onde pouco se sabia sobre a doença. O filme foi bastante criticado, e considerado um desserviço, por retratar os portadores do vírus como psicopatas e pessoas perigosas à sociedade. No mesmo ano, o cultuado cineasta Rosa Von Praunheim lançou o seu debochado "Um Vírus Não Conhece Moral", criticando a forma como a mídia e sociedade retratavam a pandemia do HIV. O filme começa em uma clínica médica. diversos pacientes, contaminados pelo HIV, são atendidos por um médico. Cada um dos pacientes narra como se contaminaram. São 4 histórias independentes unidas pelo plot do consultório médico. 1) Um jovem taxista Fritz salva uma prostituta de ser agredida pelo seu cafetão. Os dois se tornanam amantes. Fritz é um ex-drogado, que se contaminou por usar drogas com seu irmão, e acabou contaminando a jovem prostituta. 2) Um rapaz é amante de uma transformista, e acaba sendo contaminado por ela. Desesperado, o rapaz se suicida 3) Um 3xtuprador ataca mulheres de noite e acaba sendo contaminado por uma das vítimas 4) Um jovem casal em crise se contamina ao fazerem s3x0 Com uma fotografia suja e grabulada, o filme tem um visual decadente e sórdido. Para fãs de filmes obscuros como eu, provavelmente irão encontrar qualidades no filme, apesar do roteiro que retrata os pacientes de forma aterrorizante. Imagino como deve ter sido assistir a esse filme na época de seu lançamento, um verdadeiro pesadelo e filme de terror. Os atores são ruins, e esse detalhe confere um charme ao filme. As imagens de Berlim underground são históricas, incluindo night clubs.

domingo, 5 de abril de 2026

A casa de cera

"House of wax", de Jaume Collet-Serra )2005) Na época de seu lançamento, "A casa de cera" foi detonado pela crítica. Muito da publicidade ficou em cima de Paris Hilton, personalidade da mídia que interpreta uma das personagens, e a mídia fazia propaganda com o mote: 'Assista Paris Hilton morrendo no filme". Remake de um cult dos anos 50 com Vicente Price, mas com uma trama totalmente diferente, o filme é um slasher repleto de cenas bem violentas e que farão a festa por afcionados por gore. Revendo o filme, digo que ele é um dos melhores exeplares do G%enero dos anos 2000, pegando a esteira do remake de 'O massacre da serra elétrica", de onde ele se inspira, principalmente na figura de um dos assassinos, um serial killer que usa uma máscara de cera, bem no estilo do Leather face. Seis amigos estão a caminho de um jogo de futebol. Eles decidem acampar durante a noite e continuar a viagem no dia seguinte. No dia seguinte, o carro apresenta problemas, então dois deles aceitam uma carona de um estranho até uma pequena cidade chamada Ambrose. A principal atração de Ambrose é a Casa de Cera. A cidade inteira está deserta, com exceção de dois irmãos gêmeos assassinos. Os seis amigos precisam lutar para sobreviver e escapar de se tornarem as próximas atrações da Casa de Cera. O elenco é formado por atores que despontavam na época: Jared Padalecki, Chad Michael Murray, Elisha Cuthbert e a socielite Paris Hilton. Aliás, é dela uma das mortes mais violentas do filme. Outro momento memorável é de uma vítima sendo preparada para se tornar um boneco de cera. O ato final é tenso e bem construído, com o museu derretendo. Um filme que merece ser redescoberto.

Every Dog Has Its Day

"Ma Teng Ni Bie Zou", de Yang Yue (2025) Melodrama chinês com toques de humor, essa dramédia acredoce faz lembrar do clássico francês "Os intocáveis", com Omar Sy e François Cluzet. O veterano ator Li Youbin interpreta Lin, um aposentado de 70 anos, que trabalhava em uma siderúrgica e que está em estágio inicial de Parkinson. Precisando de cuidados (ele é viúvo e tem um filho que mal o vê), ele decide contratar um cuidador. Durante uma entrevista, o malandro Ma Teng (Lin Gengxin), que estava fugindo de credores, acaba aparecendo entre os candidatos. Lin o escolhe por conta de sua personalidade e atrevimento. Com o tempo, os dois estreitam sua relação e se conhecem melhor. Ma tem uma filha e a ex-mulher vive cobrando dívidas. O filho de Lin quer que ele venda a casa e o ajude nas dívivdas de sua empresa. Lin acaba pedindo ajuda a Ma para que o ajude a se matar. O roteiro é bem óbvio e os personagens têm uma jornada já vista em muitos filmes. O que faz valer assistir ao filme é o pacote de sempre: atuação, carisma e o cuidado com a produção, principalmente a fotografia. O filme é longo sem necessidade, com mais de 2 horas, e muitos personagens e sub-plots.

O drama

"The drama", de Kristoffer Borgli (2026) Zendaya protagonizou um drama em 2021, "Malcolm and Marie", junto de John David Washington. Robert Pattinson esteve com Jennifer Lawrence em 'Morra, meu amor!", em 2025. O que une os dois filmes, são a crise no relacionamento de casais que se casaram jovens. Com "O drama", o cineasta norueguês Kristoffer Borgli, dos instigantes "O homem dos sonhos", com Nicholas Cage", e "Sick of myself", junta os dois mega astros em mais um filme sobre relacionamentos de um jovem casal. Produzido pela A24, o público pode esperar todos os maneirismos estéticos e narrativos dos filmes da produtora indie. E sim, testemunhar performances viscerais tanto de Zendaya quanto de Pattinson, atores que não temem se jogar em personagens defsuncionaus e fora da curva. O filme foi lançado nos Estados Unidos e provocou uma grande polêmica por um segredo relevado pela personagem de Zendaya, emma, durante um jantar com Charlie (Pattinson) e um casal de amigos, a madrinha de honra, Rachel (Alana Haim), e o padrinho, Mike (Mamoudou Athie). Esse segredo foi considerado spoiler pela publicidade do filme e não pode ser exposta. Para quem conhece o estilo e as pautas de Trump, não é difícil adivinhar. O casal se conhece por um acaso em uma cafeteria e dois anos depois, morando juntos, decidem se casar. Durante um jantar, segredos são revelados, mas o de Emma desestrutura tanto Charlie quanto os amigos, fazendo com que todos reconsiderem sua relação com Emma. Confesso que não fiquei apaixonado pelo filme, como muita gente ficou. não achei nada assim tão chocante a revelação da jovem. O que é interessante no filme, além do trabalho dos atores, é a edição, que traz uma narrativa fragmentada em presente e passado. É um filme cool, moderno, chique, e é isso.

sábado, 4 de abril de 2026

The Super Mario Galaxy Movie

"The Super Mario Galaxy Movie", de Aaron Horvath, Michael Jelenic e Pierre Leduc (2026) Lançado em 2023, "Super Mario Bros - O Filme" foi um sucesso estrondodo de bilheteria, gerando 1 bilhão e 300 milhões de dólares. O surgimento de uma franquia não seria nenhuma dúvida para o mercado. E a 2a parte, intitulada "The Super Mario Galaxy Movie" deixa claro que a partir de agora, personagens do universo da Nintendo que não fazem parte do mundo dos Mario bros poderão fazer crossovers. A cereja do bolo aqui é o personagem Fox McCloud (Glen Powell), um personagem que lembra demais o personagem de Chris Pratt em "Os guardiões das galáxias". O elenco aqui é estelar: Chris Pratt como Mario, Anya Taylor-Joy como a proncesa Peaches, Brie Larson como a princesa Rosalinda, Jack Black como o vilão Bowser, Benny Safdie como seu filho Bowser Jr, Keegan-Michael Key como o cogumelo Toad, Donald Glover como o dinossauro Yoshi e Charlie DAy como Luigi. O filme tem ação ininterrupta, repleto de aventura e ritmo contagiante que irá fazer a alegria de platéias de todas as idades. O colorido tem um visual hipnótico e acerta ao homenagear as etapas do jogo original, assim como foi no filme original. Na história, Bowser Jr surge para resgatar o seu pai. Ele sequestra princesas para sugar a energia delas e dominar o universo e asism, liberar o seu pai. Mario e Luigi, junto de Peaches, lutam contra pai e filho, enquanto Rosalinda surge como a irmã desaparecida de Peaches.

The ice tower

"La tour de glace", de Lucile Hadzihalilovic (2025) Marion Cotillard é uma atriz que não teme fazer parte de filmes estranhos e pouco comerciais: "Anette", 'Rock'n roll- por trás da fama" são alguns exemplos, acrescentados agora do bizarro "The ice tower", co-escrito e dirigido pela cineasta francesa Lucile Hadzihalilovic. Para complementar a aura cult, o cineasta Gaspar Noé interpreta o diretor do filme. O filme é co-produzido por França, Alemanha e Itália. Para tentar fazer as pessoas entenderem a que filme irão assistir, eu diria que é uma mistura do universo vintage, kitsch e fantástico de Jacques Demy de "Pele de asno", com "Frozen", animação da Disney, tendo como pano de fundo uma complexa história de obsessão entre uma mulher madura e uma adolescente, envolvendo lesbianismo e jogos de interesses s3xu41s. O filme concorreu ao Urso de ouro no Festival de Berlim 2025, d eonde saiu com o premio de contribuição artística, pela sua fantasmagórica fotografia e direção de arte. Jeanne (Clara Pacino) é uma adolescente de 15 anos que foge do orfanato coberto de neve e vai para uma cidade. Sem ter onde dormir, ela invade um prédio e passa a noite lá, apenas para descobrir que se trata de um set de filmagem de "A Rainha da Neve", estrelado pela mega diva Cristina (Marion Cotillard). Quando consegue um trabalho como figurante, Cristina se interessa particularmente por Jeanne, que para ela é um reflexo de si mesma, algo que Jeanne também abraça. Inspirado no conto de Andersen, " A rainha da neve", o filme apresenta Cotillard como uma mulher fria, dominante e vampiresca, desejando a jovialidade e frescor da jovem Jeanne. "The ice tower" tem um ritmo lento, envolvente, com uma beleza visual que se sobressai sobre o roteiro, às vezes confuso. Me peguei pensando a que tipo de público se destinava o filme, até porque em determinando momento é claro o abuso de Cristina sobre a menor Jeanne, configurando um caso de p3dof1l14, um tema que ronda perigosamente como pano de fundo.

Sinta a minha voz

"Non abbiam bisogno di parole ", de Luca Ribuoli (2026) Remake italiano dos grandes sucessos "A família Belier", filme francês de 2014 e do vencedor do Oscar de melhor filme e ator em 2021, o americano "Coda- No ritmo do coração". Todos os 3 filmes trazem a mesma trama melodramática que me faz chorar litros, além de terem um elenco primoroso repletos de carisma. A diferença para o original francês, é em relação ao lugar da fala dos atores: os atores que interpretam os pais e o irmão não são deficientes auditivivos, ao contrário das versões americana e italiana. Quanto à protagonista, os produtores mantiveram a bem sucedida proposta de escalar a campeã de um reality de canção local. Eletta (Sarah Toscano) é uma adolescente que mora com seus pais, Alewssandro (Emilio Insolera), Catarina (Carola Insolera) e o irmão mais novo Francesco (Antonio Iorillo). Eles são pequenos agricultores de Camagna, uma cidade de 500 habitantes. Enquanto sua família é deficiente aduitiva, Eletta é a única com audição e fala. Quando uma renomada professora de canto descobre o seu talento para a canção, Eletta precisa decidir se viaja para Turim para seguir seu sonho, ou se permanece na cidade para ser a tradutora da família. Quem gostou das outras versões certamente irá amar também o filme italiano, até porque ele é filmado quase que tim tim por timtim igual. as lindas locações das cidades citadas na Itália são um delete visual.

sexta-feira, 3 de abril de 2026

Mi cielo tu infierno

"Cel meu, infern teu", de Alberto Evangelio (2025) Escrito por Noelia Martinez e Ana Piles e dirigida pelo cineasta valenciano Alberto Evangelio, "Mi cielo tu infierno"é um drama lésbico com tintas melodramáticas, repletas de paixão, traição, tragédia e suspense. Para quem gosta de um filme para sofrer muito pelo amor das protagonistas, vai gostar muito do filme, sabendo que existe um turbilhão de sofrimentos dignos de Gloria Magadan e dos melhores novelões mexicanos. Ambientado entre os anos 60 e 70, durante a ditadura de Franco, o filme apresenta as 2 protagonistas, Adela (Tania Fortea) e Victoria (Sandra Cervera). Victoria é uma mulher casada com um homem bruto e rico. Ao conhecer Adela, ambas se apaixonam. A mãe de Dela, ao decsobrir o romance, a envia à uma igreja católica para se tornar religiosa. Victoria, por sua vez, é obrigada pelo marido a fazer tratamento de choque para fazer conversão de orientação s3xu4l. O jovem padre Antonio (Victor Palmero) sente atração por Adela e se pune. Anos se passam, e Adela é enviada à mansão de Victoria para ser sua empregada. Todo mundo acredita que Victoria esqueceu sua história com Adela por conta do tratamento, mas elas se reencontram e vivem um amor tortuoso e escondido. O filme tem todods os exageros que eu adoro nos melodramas: performances over the top, vilões muito malvados, mocinhas sofredoras, trilha sonora ostensiva e um desfecho repleto de suspense. O que está fora do tom, na verdade, são as excessivas cenas de nudez de Sandra Cervera, parecendo um filme dos anos 80. Até porque quem dirigiu é um homem e ele objetifica sem necessidade o corpo feminino, sem necessidade.

quinta-feira, 2 de abril de 2026

Alpha

"Alpha", de Jan-Willem van Ewijk (2024) Vencedor do prêmio Winner Label Europa Cinemas Award no Festival de Veneza 2024, "Alpha" é um drama holandês escrito e dirigido por Jan-Willem van Ewijk. É um filme depressivo e trágico, que tem como pano de fundo o relcionamento óxico entre pai e filho. Em determinado momento, lembra muito "Força maior", de Ruben Östlund, mas sem o seu humor ácido. Co-produzido por Holanda, Suíca e Eslovênia, o filme foi rodado nos Alpes suíços e fico imaginando a extrema dificuldade de ter rodado cenas nas montanhas geladas, em noturnas em ambientes ermos e defíceis de acesso. Após a morte da mãe, Rein (Reinout Scholten van Aschat), de 31 anos, muda-se para os Alpes em busca de paz e tranquilidade para trabalhar como instrutor de snowboard. Seu pai, Gils (Gijs Scholten van Aschat), 61 anos, é um famoso ator holandês que decidiu visitar o filho, 3 meses após o falecimento da esposa e mãe de ambos. Ambos seguem suas vidas. Rein é um homem educado e que evita confrontos. Gils é o típico macho alfa. Quando partem para um passeio nas montanhas com amigos, Rein desafia seu pai para irem na parte mais alta da montanha, sem os amigos. Eles acabam se perdendo e lutam pela sobrevivência. Interpretados por pai e filho na vida real, o filme tem ótimas performances da dupla principal. A fotografia de Douwe Hennik traz uma força nas imagens da região gélida, lembrando muito a fotografia de "Força maior". O roteiro traz alguns furos: como que o grupo de amigos não notifica o sumiço? Mas talvez o filme tenha sido trabalhado para ser uma parábola sobre masculinidade e crise de identidade.

quarta-feira, 1 de abril de 2026

Estranhos no parque

"Parque Lezama", de Juan José Campanella (2026) O cineasta argentino Juan José Campanella ficou faoso no mundo inteiro quando ganhou o Osca de filme estrangeiro em 2009 por 'O segredo de seus olhos". "Parque Lezama" foi escrito como peça de teatro pelo próprio Campanella em 1985, e teve uma adaptação cinematográfica em 1996, chamada de "Rabugentos e mentirosos", protagonizado por Walther Mattau e Ossie Davis. Na versão argentina, os atores são Eduardo Blanco, que ja havia trabalhado em "O segredo de seus olhos" e "O filho da noiva", ambos de Campanella, e Luis Brandoni. Blanco interpreta um zelador de prédio, Antonio Cardozo, e Brandoni é um homem que procura fugir de sua filha Clarita, que quer internálo em uma clínica de idosos. Ambos se conhecem no Parque Lezama. Se estranham de início, mas logo tornam-se amigos. Ao longo dos dias, eles conhecem diversos tipos estranhos. O filme parece uma mistura de "Forrest Gump" e "Nós que nos amávmos tanto". Do 1o ele traz o tom fabular e contista, com histórias sendo narradas. Do 2o, a melancolia de sonhos desfeitos e a solidão. Curioso que Brandoni é um ator de 85 anos, e Blanco foi envelhecido pro papel, por ser ator fetiche de Campanella. Eu sempre fui um entusiasta dos filmes sentimentais e melodramáticos de Campanella, mas "Parque Lezama" achei bem entediante. Sem ritmo, verborrágico ao extremo e sem brilho.

terça-feira, 31 de março de 2026

Eles vão te matar

"They will kill you", de Kirill Sokolov (2026) O cinema muitas vezes traz coincidências no circuito que acabam atrapalhando a carreira de um dos filmes. Esse é o caso de "Eles vão te matar". Lançado há apenas 2 semanas de pois de "Casamento sangrento 2", ambos os filmes têm tramas e narrativas muito semelhantes, para nã dizer, praticamente iguais. Duas irmãs ficam confinadas em um único ambiente: mansão em "Casamento sangrento 2", Hotel em "Eles vão te matar". Elas precisam sobreviver a um ataque de um seita de seguidores de Satanás. O tom do filme envolve galhofa, sátira, humor ácido, terror trash, ação, aventura e empoderamente feminino tendo como pano de fundo luta de classes e misoginia. E claro, as protagonistas são totalmente "girl power bad ass girl". A melhor referência ao filme é "Kill bill", de onde o filme chupa absolutamente tudo: o poster, as referências ao cinema de ação asiático, os quadrinhos, a violência exagerada e o sangue fake jorrando aos borbotões. Claro, não pode faltar a espada samurai. No prólogo, duas irmãs, Maria e Asia fogem do pai abusivo. Ao defender a irmã, Asia acaba sendo presa e levada à penitenciária. dez anos depois, Asia (Zazie Beetz) aceita um emprego como governanta em um arranha-céu de Nova York. Na verdadem ela vai para ir em busca de sua irmã, Maria (Myha'la), que trabalha lá. Asia acaba se envolvendo com integrantes da seita, liderados por Lilith Woodhouse (Patricia Arquette), governante do hotel. Os integrantes da seita são importais: mesmo matando-os, Asia decsobre que eles se regeneram. O filme é um besteirol divertido, e para quem gosta de sangue e violência exagerada e fake, é uma ótima diversão. Quem quiser se levar a sério, melhor não assistir.

segunda-feira, 30 de março de 2026

Wicked wicked

"Wicked wicked", de Richard L. Bare (1973) O primeiro filme totalmente em formato "Duo-vision", ou split screen, "Wicked wicked" é um thriller de suspense sobre um serial killer que assassina mulheres loiras em Los Angeles. Esse recurso do split screen ficou famoso no filme "Irmãs diabólicas", de Brian de Palma, e a diferença é que em "Wicked wicked" ele acontece no filme inteiro. Incialmente, o filme seria exibido como 2 películas separadas, exibidas em 2 projetores simultâneos. A Mgm decidiu lançá-lo como um único filme dividido, apostando em um mercado em busca de algo tão inusitado. Rodado em 35 MM, o filme foi escrito e dirigido por Richard L. Bare, e acontece boa parte em um Hotel de Los Angeles. Randolph Roberts Jason Gant(as (Randy Roberts) é funcionário do hotel, que sofreu um trauma na infância praticado por sua mãe. Isos faz com que ele assassine loiras que se hospedam no local. Um detetive, Rick (David Bailey) investiga os crimes, enquanto sua ex-esposa, Lisa James (Tiffany Bolling) é contratada para cantar no hotel e passa a ser a próxima vítima. Escancaradamente inspirado em 'Psicose" (o primeiro assassinato é exatamente igual, só que acontece em um closet) e tendo inclusive o mote do assassino copiado de Norman Bates, "Wicked wicked" é um suspense bem fraco, arrastado, e nem mesmo a curiosidade da tela dividida traz suspense ou algo que inove na narrativa.

Girl Internet Show: A Kati Kelli Mixtape

"Girl Internet Show: A Kati Kelli Mixtape", de Keti Kelli, Jane Schoenbrun e Jordan Wippell (2023) Documentário que retrata a produção digital da youtuber americana Kati Kelli, ativa em seu canal de Youtube "Girl Internet Show" que ficou no ar de 2013 a 2019, quando faleceu precocemente de asma, aos 22 anos de idade. "Girl Internet Show": O trabalho de Kelli frequentemente a apresentava interpretando vários personagens em esquetes caóticas e de baixa qualidade, usando bonecas, edição bizarra e rápida, e metalinguagem sobre a natureza de estar "online". A sua personagem e seu estio é comparado aos atuais influencers, em linguagem debochada e ácida. Dirigido pelo cineasta Jane Schoenbrun ( de "I Saw the TV Glow") e Jordan Wippell , viúvo de Kelli, o filme apresenta seus melhores vídeos, e finaliza com um curta metragem que ela produziu e protagonizou, "Total Body Removal Surgery".

sábado, 28 de março de 2026

Cara de um, focinho de outro

"Hoppers", de Daniel Chong (2026) Após o grande fracasso comercial e de crítica de "Elio", de 2025, a Pixar decidiu retomar o foco em animações com animais antropomórficos e bichinhos fofos que assim como "Zootopia", acretam em cheio em apelar para todos os tipos de público. "Cara de um focinho de outro" estreou com excelente bilheteria e foi um grande elogio geral da crítica e do público, encantados com uma história que envolve uma protagonista defensora de fauna e flora e que luta contra um prefeito que pretende destuir uma área da natureza e levantar ali um grande empreendimento. Mabeldesde criança tinha um grande laço afetivo com a sua avó, que a levou até a natureza, mais eespecificamente para uma região chamada baía dos castores, e ali, poder apreciar a natutreza e relaxar vendo os animais. Antes de morrer, a avó pede que Mabel prometa defender a região. Agora, esse ambiente está prestes a ser destruído para a construção de uma nova avenida, a ser construída pelo Prefeito Jerry (John Hamm). A única esperança de Mabel é trazer os animais de volta- todos fugiram para um lago montanha acima. Ao descobrir que a sua professora da universidade criou um aparato tecnológico que transfere a mente de um humano para a de um castor robótico e assim, poder se infiltrar no grupo de castores, Mabel decide se tornar cobaia- transportada para o corpo do castor, ela vai até o grupo de castores e procura entender porque eles abandonaram a baía dos castores. O filme tem ótimas piadas e bichinhos muito fofos, principalmente o Rei dos castores. A personagem Mabel é bem construída e todo o prólogo, com a sua relação com a avó, me fez lembrar de 'Coco- a vida é uma festa".

sexta-feira, 27 de março de 2026

Pet shop days

"Pet shop days", de Olmo Schnabel (2023) O que mais chama atenção na estréia do jovem cineasta Olmo Schnabel em longas-metragem é a ficha técnica da equipe e elenco. Talvez o fato dele ser filho do premiado e famoso cineasta Julian Schnabel, de "O escafandro e a borboleta", explique o prestígio. Martin Scorsese e Michel Franco fazem parte da produção executiva. No elenco, Willien Dafoe, Emannuele Seigner e Maribel Verdu interpretam papéis importantes, além de Peter Sasgard, que tem uma cena. Concorrendo nos Festivais de Veneza, SXSW, Lisboa e outros importantes do circuito europeu, o diretor Olmo Schnabel co-escreveu o roteiro com o ator Jack Irv, que interpreta Jack. O filme é dividido em 2 partes: a 1a, acontece no México, apresentando o personagem de Alejandro (Darío Yazbek Bernal): de família rica, ele é filho de Castro (Jordi Mollá) e Karla (Verdu). Seu relacionamento com seu pai poderoso é péssimo, ao contrário de sua mãe, com quem tem uma relação quase incestuosa. Durante um surto de drogas, Alejandro atropela sua mãe acidentalmente. Acreditando tê-la matado, ele foge. No 2o ato, Alejandro mora em Nova York, no Bronx. Ele conhece Jack (Irv), filho de Diana (Seigner) e Frank (Dafoe). Assim como Alejandro, ele não se dá com seu pai. Jack trabalha em uma pet shop e estuda na universidade. Alejandro faz amizade com Jack que logo se apaixona pelo charme de Alejandro. Em pouco tempo, a dupla começa a cometer pequenos crimes pela cidade, enganando mulheres ricas para roubar seu dinheiro e joias. O filme parece uma espécie de "Bonnie e Clyde" gay: a dupla rebelde se apaixona e pratica roubos, e são perseguidos por um capaanga do pai de Alejandro. A trama é repleta de sub-plots, que arrastam e confundem o espectador. Os atores estão bem, mas a mudança abrupta de gênero e a falta de foco no ato final deixam uma sensação de frustração.

Like you meant it

"Like you meant it", de Philipp Karner (2015) Drama Lgbt indie americano, co-produido pela Áustria. "Lile you mean it" é escrito, dirigido e protagonizado por Philip Karner, no papel de Mark, um ator frustrado com a profissão. Ele mora há 3 anos com Jonah (Denver Milord), um músico. Mark está por um momento onde se sente frio no relacionamento. Jonah tenta se aproximar, mas Mark não está sendo receptivo. Mark procura um terapeuta para tentar resolver seus problemas pessoais e profissionais. Para piorar a situação, a irmã de Mark o procura, anunciando o falecimento de seu pai, que não o aceitava por ser gay. Todos os temas propostos pelo filme já foram vistos em outros filmes queer, e sinto dizer, com melhor roteiro. Aqui, a direção traz um ritmo lento e cansativo. O elenco é correto, mas é um filme que custa a engrenar, muito por falta do carisma do personagem protagonista Mark, uma figura antipática.

My mother's girlfriend

"My mother's girlfriend", de Arun Fulara (2021) Premiado curta queer indiano, "My mother's girlfriend" é uma sensível e comovente história lésbica com arrebatadoras performnaces do elenco. É uma história simples mas filmada com muita paixão e respeito. Renuka (Sushama Deshpande) é uma mulher de meia idade, que trabalha em sua barraca na feira, vendendo legumes. Ela namora secretamente a jovem Sadiya (Anju Alva Naik), que reclama do trabalho. Renuka a chama para comemorar juntas o aniversário dela, e pede para Sadiya dizer ao patrão que irá faltar ao trabalho por "problemas de mulher". No dia seguinte, elas passeiam no litoral. O filho de Renuka, Mangesh (Suhas Sirsat) havia chamado sua mãe para passar o dia com ele e sua filha, e Renuka argumentou que iria passar o dia todo rezando no templo. Mangesh percebe que existe algo entre sua mãe e a jovem que a acompanha e decide segui-las.

Casamento sangrento 2

"Ready or not 2 - Here I come", de Matt Bettinelli-Olpin e Tyler Gillett (2026) Continuação do filme de 2019, "Casamento sangrento 2" é dirigido pela mesma dupla do original, Matt Bettinelli-Olpin e Tyler Gillett. Eles também dirigiram "Pânico 4" e "Abigail". O filme come'xa exatamente aonde acaba o primeiro: após se tornar a única sobrevivente da cerimônia de casamento, onde Grace MacCaullay (Samara Weaving) descobre ser a peça prêmio de uma seita demoníaca formada por familias que disputam um trono que confere poderes. Ela é levada para o hospital para cuidar de suas feridas. Sua irmã, Faith MacCaullay (Kathryn Newton), que ela não via há 7 anos, por questões conflituosas entre as duas, vai visitá-la no hospital. Enquanto isso, 4 famílias rivais que competem pelo trono decidem ir atrás de Grace, e quem a matar, se tornará o novo líder da seita demoníaca. O filme é uma divertida galhofa, uma mistura de "John Wick" com qualquer filme de sobrevivência, repleto de armadilhas mortais e assassinos de elite. A questão é que os asssassinos, que deveriam ser os melhores do mundo, são na verdade uma grande galhofa: erram os tiros, em momentos de luta, perdem para as duas irmãs, levam socos, desmaism, sempre se dão mal. Repleto de gore explícito, mas sempre com aquele tom de cartoon, o que o filme tem de melhor é o seu elenco cult. Além da dupla de atrizes principais, o filme traz o cineasta David Cronemberg, Elijah Wood e a diva Sarah Michelle Gellar. G

quinta-feira, 26 de março de 2026

A mulher mais rica do mundo

"La femme la plus riche du monde", de Thierry Klifa (2025) Concorrendo no Festival de Cannes 2025 ao prêmio Queer Palm, dedicado a filmes com temáticas Lgbt, "A mulher mais rica do mundo" concorreu a 5 prêmios Cesar 2026, ganhando o de melhor ator para Laurent Laffite, no papel do vigarista Pierre-Alain Fantin. O filme é baseado em uma história real que chocou o mundo. Nos anos 200, a herdeira da L'oreal, Liliane Bettencourt, conheceu o fotógrafo François-Marie Banier. Sabendo de sua demência e bondade, ele se aproveitou dela e extorquiu dinheiro, pediu presentes e apólices de seguro, em um total de quase 1 bilhão de euros. A filha, Françoise Bettencourt-Meyers, entrou na justiça contra Banier para proteger a fortuna da família e a mãe, alegando que ela sofria de demência e estava sendo manipulada, buscando a interdição de Liliane. Foi graças ao mordomo de Liliane, que gravou, durante anos, conversas privadas dela. Essas gravações revelaram a fragilidade mental da bilionária, conversas sobre contas bancárias secretas na Suíça e uma ilha nas Seychelles não declaradas, além de possíveis relações com políticos franceses. Liliane morreu em 2017. No filme, ela se chama Marianne Farrère , dona de um império de cosméticos, e interpretada pela maravilhosa Isabelle Huppert. O fotógrafo se chama Pierre-Alain Fantin (Laurent Lafitte) e a filha, Marianne (Marina Foïs). O filme tem belíssima fotografia solar de Hichame Alaouie, e uma dreção de arte e locações que trazme o universo dos bilionários, com muito requinte e sofisticação. Eu particularmente tenho dificuldade de assistir filmes aonde o protagonista é enganado por um vigarista, eu fico extremamente irritado. Aqui só aguentei por conta de Isabelle Huppert, mas ainda assim, me dava vontade de sair do filme a cada dez minutos.

Cinco tipos de medo

"Cinco tipos de medo", de Bruno Bini (2025) Em 2019, o cineasta e roteirista matogrossense Bruno Bini lançou a ficção científica "Loop", com Bruno Gagliasso, trazendo uma trama de crime e mistério envolvendo viagem do tempo. Essa fascinação por passado, presente e futuro mostram-se também em "Cinco tipos de medo", dirigido, escrito e editado por Bruno Bini, e vencedor de 4 prêmios no Fetsival de Gramado 2025: filme, roteiro, edição e ator coadjuvante para Xamã. O filme busca referência narrativa em "Crash-no limite", de Paul Higgis, Oscar melhor filme em 2006, e "Magnólia", de Paul Thomas Anderson. Dos 2 filmes, ele traz a costura de histórias e personagens que se entrecruzam, em tons melancólicos e trágicos, tendo a violência física e urbana e o desamor e desesperança como temas. E de "Magnólia", ele traz um clipe final, com direito à canção à capela por Barbara Colen, dando desfecho às histórias. Na periferia de Cuiabá, cinco histórias se enstrecruzam: a do jovem músico Murilo (João Vitor Silva), recém saído da internação da Covid e que descobre que sua mãe faleceu durante o seu coma. Ele conhece a enfermeira Marlene (Bella Campos), que foi quem cuidou dele, e ambos se apaixonam. Acontece que Marlene é amante do traficante Sapinho (Xamã), que comanda a comunidade. Barbara Colen é a policial Luciana e, e Rui Ricardo Diaz é o advogado Ivan. Todas as histórias se cruzam durante um evento trágico e violento. Na verdade, existem mais personagens e histórias importantes, sendo a mais dramática a da moradora da comunidade Antonia (Rejane Farias), avó do adolescente Cleyton, estudante e que teme que ele se torne uma vítima do tráfico. Zé Carlos MAchado interpreta Regis, vizinho de rua onde mora João. A fotografia de Junior Malta e a direção de arte de Pedro Minas ajudam a criar uma atmosfera urbana e contemporânea, intensificando a tragáedia dos personagens e moradores da comunidade.

terça-feira, 24 de março de 2026

Uma segunda chance

"Reminders of him", de Vanessa Caswill (2026) Terceira adaptação da escritora Colleen Hoover, dos best sellers e sucesso de bilheteria "É assim que acaba" e "Se não fosse você", "Uma segunda chance" é um melodrama com todos os clichês que amamos ao assistir um dramalhão. Durante a sessão, o público torcia, urrava, suspirava, o que é um excelente sinal. Protagonizado por dois atores provenientes do cinema de terror, "Maika Monroe, de "A corrente do mal" e "Longlegs", e Tyrek Withers, do terror "Him" e a versão 2025 de "Eu Sei o que Vocês Fizeram no Verão Passado". Filmado em Alberta, no Canadá, e se passando por Wyoming, no Colorado, o filme apresenta Kenna Rowan (Maika Monroe), que retorna à cidade onde foi condenada após cumprir 7 anos de pena por um acidente que matou o namorado, Scotty (Rudy Pankow). Ao ser presa e se declara culpada, Kenna decsobriu estar grávida de Diem (Zoe Kosovic), uma menina agora com 6 anos. Diem foi retirada de Kenna e entregue aos avós paternos, Grace (Lauren Graham) e Patrick (Bradley Whitford), que não querem que Kenna se aproxime da menina, por acreditarem que ela foi repsonsável pela morte de Scotty. Ao chegar na pequena cidade, Kenna procura emprego, e após muita procura, consegue o emprego de empacotadora de um supermercado. Ao procurar uma livraria que ela ia com Scotty, decsobre que o local agora é administrado pelo melhor amigo de Scott, Ledger (Tyriq Withers), ex-jogador da NFL, que se aposentou dos esportes por causa de uma lesão. De início irritado com Kenna, Ledge logo entende a tragédia que se assolou na vida dela e passa a ajudá-la. Maika Monroe e Tyriq Withers têm excelente química em cena. Sempre fui muito fã de Maika, desde os filmes indies de terror, e torço muito que logo ela se torne uma atriz A list. A fotografia de Tim Ives é encantadora e a trilha sonora traz clássicos, como "Yellow", do Coldplay.