sexta-feira, 11 de setembro de 2026

Rose

"Rose", de Markus Schleinzer (2026) Prêmio de melhor performance no Festival de Berlim 2026 para a atriz alemã Sandra Huller (de "Anatomia de um crime" e "Devoradores de estrelas"), "Rose" é um drama de época trágico e cruel, sobre o destino abusivo e violento contra as mulheres. O roteiro, co-escrito pelo cineasta Markus Schleinzer, foi baseado em numerosos relatos documentados de mulheres disfarçadas de homens ao longo da história europeia. Não teve como eu não me lembrar do clássico dirigido e protagonizado por Barbra Streisand, "Yentl". Mas em "Rose", a tragédia é inevitável. No terceiro ato, um juiz interroga Rose ( um ato que faz lembrar "O Martírio de Jona D'arc", de Dryer), Rose é questionada: "Porque você se vestiu de homem?". Rose responde: "Vestir calça me dá mais liberdade. E é apenas um pedaço de pano." Através de um visual hipnotizante, reconstituição de época (o filme se passa no século XVII, em um vilarejo alemão de protestantes) impecável e uma fotografia em preto e branco densa de Gerald Kerkletz, "Rose" é o indicado pela Áustria à uma vaga ao Oscar de filme internacional 2027. Durante a Guerra dos 30 anos (teve como motivação inicial as diferenças religiosas existentes entre cristãos católicos e protestante), um soldado surge em um vilarejo, afirmando ser o herdeiro de uma antiga propriedade. Após a comprovação dos documentos, o soldado reconstrói a casa e cuida das terras, cuidando de apicultura. Querendo ampliar suas terras, o soldado deseja comprar terras do vizinho, que concorda, contanto que ele se case com sua filha mais velha, Suzanna (Caro Braun), que é dada como moeda de troca. Os desmembramentos do roteiro me deixaram arrasado emocionalmente, e o filme deixa um lembrete sofre a tragedia que abate as mulheres desde sempre. A performance de todo o elenco é espetacular, e a maquiagem de efeitos, que reconstrói o rosto de Sandra Huller, é muito boa. O ritmo é lento e contemplativo, deixando a tragédia se abatendo aos poucos.

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