sexta-feira, 11 de setembro de 2026

A pele morta

"A pele morta", de Denise Moraes e Bruno Fatumbi Torres (2026) Longa de abertura do 59o Fetsival de cinema de Brasília, "A pele morta" teve a sua filmagem adiada com o falecimento do cineasta Geraldo Moraes em 2017. O projeto foi desenvolvido a 6 mãos: além de Geraldo, a sua esposa, a produtora de cinema baiana Solange Moraes e o roteirista Daniel Tavares. Sol convidou os filhos de Geraldo, Bruno e Denise Torres, para dirigirem o filme. O longa foi rodado no Mato Grosso/Dourados e no Paraguai. A história do grupo de rap Brô MC´s, composto por quatro indígenas Guarani Kaiowá, foi inspiração para o projeto. O título, "A pele morta", é explicada pelo personagem de Justo (César Troncoso), um motorista uruguaio, residente no Brasil: quando a cascavel troca de pele, ela seca e fica pendurada na cauda, e o acúmulo dessas peles mortas, que são pele morta, provoca o som de guizo. Justo convida Saulo (Luan Iturve), um jovem rapper indígena, a ser seu assistente, transportando mudanças no caminhao na fronteira Brasil e Paraguai. No caminho, eles dão carona à jovem Rosário (Ivana Gomez), adolescente que está em busca da sua irmã na cidade de Filadélfia, Paraguai. O filme se apropria da narrativa do road movie para trazer um encontro de almas desesperançadas. O ritmo do filme é bem lento e contemplativo. Os atores estão ótimos, compond tipos brutos e melancólicos. No entanto, a grande estrela do filme é a fotografia do mestre Antonio Luiz Mendes, morto aos 74 anos de Covid em 2021. Uma fotografia que explora as cores naturais das locações, extraindo beleza e poesia aonde se encontra tristeza.

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