terça-feira, 13 de outubro de 2020

Noturno


"Nocturne", de Zu Quirke (2020)
Estréia na direção da roteirista e cineasta Zu Quirke, "Noturno" é um dos 4 filmes produzidos pela Blumhouse a serem exibidos na Amazon. O filme pode ser visto como uma mistura de vários filmes: "Wiplahs", "O que teria acontecido a Baby Jane", "The notebook"e "Mephisto". elementos de todos esses filmes se mesclam no roteiro, que fala sobre ciúme, inveja e ambição.
Juliet (Sydney Sweeney) e Vivian (Madison Isaman) são irmãs gêmeas. Desde crianças, elas se dedicam full time à música, como pianistas. Já crescidas, a adolescente Vivian se mostra mais talentosa do que Juliet e acaba sendo escolhida para a prestigiada escola de música Juliett. Uma aluna da escola se suicida, e Juliet encontra o seu caderno., que possuem anotações e desenhos satânicos. Juliet vai aos poucos mudando a sua postura de vítima para agressora e passa a tirar de seu caminho todos que atrapalham o seu desejo de sucesso.
Defendida pela performance de duas boas jovens atrizes, "Noturno" tem como mensagem a busca obsessiva pelo sucesso e reconhecimento. Como terror ele é bem light e não tem sustos. É mais um drama psicológico sobre estudo de personagens do que um terror em si. Vale pelo elenco, o roteiro é bem batido.

segunda-feira, 12 de outubro de 2020

O despertar das formigas


"El despertar de las hormigas", de Antonella Sudasassi (2019)
Premiado drama da Costa Rica, vencedor de diversos prêmios internacionais, entre eles, 3 prêmios em ramado 2019. Longa de estréia da roteirista e cineasta Antonella Sudasassi, o filme aborda a questão da sociedade machista e opressora da Costa Rica, diante do drama de Isabel (Daniela Valenciano). Jovem, mãe de duas filhas de 5 e 9 anos, esposa de Alcides. Isabel tem uma rotina estafante: cuida do marido, das filhas, escola, e ainda faz costuras para fora. As tarefas doméstica também é com ela: faxina, cozinha. Um dia, Alcides diz à Isabel que quer ter mas um filho. É o início da mudança dela, que passa a refletir e a contestar o seu corpo, a sua vida e a sua família.
Rodado com bastante simplicidade, mas com delicadeza e força na interpretações, "O despertar das formigas"é um drama naturalista, que acompanha o dia a dia sem grandes acontecimentos na vida das pessoas. O melhor, que bom, é que a diretora e roteirista não vilaniza a figura do marido. Ele é fruo de uma educação paternalista, aquela em que mulher cuida da cozinha e homem discute futebol com os amigos. Mas ele é um bom marido, ama a esposa e filhas. Isabel também o ama, mas entende que ela precisa passar por uma mudança, lenta, mas necessária. Gostei bastante do filme. Linda a cena da boite com Isabel dançando sozinha, com luzes coloridas por cima dela, uma bela representação de sua passagem.

On the rocks


"On the rocks", de Sofia Coppola (2020)
Não fosse a assinatura de Sofia Coppola nos créditos, e a aparição de Bill Murray, o espectador mais incauto teria dúvidas senão estaria assistindo a uma comédia romântica de Woody Allen. A cidade de pano de fundo? Nova York. Os protagonistas? A clásse média alta. E tome os melhores restaurantes, as melhores paisagens, as ruas mais chiques, o estilo de vida da cidade mais famosa do mundo.
Ao mesmo tempo, sabendo que é um roteiro de Sofia Coppola, o espectador passa o tempo todo tentando identificar o quanto de sua história real existe na personagem de Laura (Rashida Jones, de "Parks and recreations"). Prestes a completar 40 anos. Escritora. Casada e com duas filhas. O pai de Laura, Felix (Bill Murray) é um famoso marchand do mundo das artes ( Alguém falou em Francis Ford Coppola?).
A história é tudo aquilo que Woody Allen ama: amor, traição, comédia, vaudeville e Manhattan.Laura se encontra em crise pessoal e profissional. O casamento, antes feliz, parece ter chegado em um momento de rotina. Seu marido, Dean (Marlon Wayans, de "As branquelas"), cada vez faz mais sucesso na empresa, trabalhando com mulheres mais jovens que Laura. Por conta das filhas, Laura tem abdicado da carreira de escritora, se dedicando às atividades das filhas. Mas quando ela reencontra seu pai, Felix, com quem ela não falava há muito tempo, as coisas pioram: Felix diz que os homens são todos iguais e bota pulga atrás da orelha de Laura, de que Dean a está traindo. Ele passa a ditar regras para Laura: checar celular, contratar detetive e por fim, seguir Dean em uma viagem de negócios escondida, junto de Felix, para o México.
Elegante e delicado, como todos os filmes de Sofia, o filme tem a fotografia do francês Philippe Le Sourd , que fotografou o último filme dela, 'O estranho que nós amamos". Sofia dirigiu Murray em seu clássico, "Encontros e desencontros", em 2003, e depois em 2015, no especial de Natal pra Netflix. Esse reencontro, em um personagem feito de presente para Murray, brinda o filme com muito talento e inteligência. Rachida Jones e Marlon Wayans também estão igualmente maravilhoos.

domingo, 11 de outubro de 2020

Sem seu sangue


"Sem seu sangue", de Alice Furtado (2019)
Laureado pela mídia na ocasião de sua seleção para o prestigiado Festival de Cannes, dentro da mostra paralela Quinzena dos realizadores, em 2019, "Sem seu sangue" é um drama de terror fantástico que traz muitas semelhanças com "Grave", a grande sensação no mesmo Festival de Cannes em 2016, igualmente dirigido por uma mulher e que traz uma protagonista em processo de descoberta de sua sexualidade. Ambos os filmes lidam com libido, sangue e canibalismo, com tripas e vísceras expostas, mas obtendo um simbologismo sobre a falta de comunicação entre os jovens e adultos. Silvia (Luiza Kosovski, filha do diretor Ricardo Kosovski), é filha de Lourenço Mutarelli e Silvia Buarque, representantes da classe média alta carioca. Silvia é apática e mal se relaciona com as colegas de sala, até que conhece Artur (Juan Paiva), um rapaz por quem se apaixona perdidamente. Ela descobre que ele é hemofílico, e após um acidente, ele vem a falecer. Consumida pela depressão, seus pais a levam até uma ilha para que ela repouse e saia da depressão. Mas logo ela descobre que a Ilha reserva segredos místicos.
Cannes adora o cinema de realismo fantástico brasileiro, vide os premiados "Bacurau" e "Diamantino" que saíram de lá com troféus.
"Sem seu sangue" é um filme ousado e corajoso que investe em uma mistura de gêneros que em mãos menos experientes, poderiam ter dado resultado desastroso. Todo o ato final é manipulado com competência por Alice Furtado, se arriscando em um terreno perigosíssimo, mas do qual se saiu super bem. Outras referências seriam o cinema de Juliana Rojas e Marco Dutra, que também investem em um terror autoral. A edição privilegia cenas com ritmo bastante lento, planos longos. Os atores atuam em registro hiper naturalista, quase sem expressar emoções, dando notas frias para as cargas dramáticas. Um acerto da equipe dos Estúdios Giz, formada por jovens do audiovisual que investem em produtos menos óbvios.
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Um animal amarelo


"Um animal amarelo", de Felipe Bragança (2019)
Competindo em importantes Festivais como Rotterdan e IndieLisboa, "Um animal amarelo" segue a linha narrativa que o roteirista e cineasta Felipe Bragança tem buscado em sua filmografia, que é a de se alinhar a um Cinema de símbolos, de realismo fantástico, de metáforas que falem sobre a condição política e social em que vivemos. Foi assim em "A fuga da mulher gorila", "Não devorem meu coração", Tragam-me a cabeça de Carmem M". "Um animal amarelo". A ousadia narrativa do filme, filmado no Brasil, Moçambique e Lisboa, rendeu ao filme um record de premiações no Festival de Gramado 2020: melhor atriz (Isabél Zuaa), roteiro , direção de arte, e menção honrosa para o ator
Higor Campagnaro
, em performance visceral e rica em nuances. O filme também levou o prêmio da crítica.
Dividido em capítulos, "Um animal amarelo" é uma alegoria triste sobre países colonizados e como o efeito da exploração da riqueza nacional, da população negra tornada escrava e da corrupção sofrem consequências até os dias de hoje. Uma clara crítica ao Brasil de direita, que eliminou a cultura e o cinema da ordem do dia, traz como protagonista Fernando (Higor Campagnaro), alter ego do próprio Felipe Bragança. Com uma narrativa em off de uma moçambicana, o filme traz a história do avô de Fernando, interpretado por Herson Capri em um papel pequeno mas glorioso, incluindo cenas de relação com um outro rapaz, por quem se apaixona. O avô é um símbolo desse desse colonialismo, em eterna busca por riquezas em terras nacionais. Fernando resolve escrever um roteiro sobre a história de seu avô, mas faltando maiores informações, resolve seguir até Moçambique para explorar mais o passado dele. Logo, o contato com Moçambique e Portugal, colonizado e explorador, farão mudar a perspectiva sobre o filme que quer fazer, e sobre a sua própria existência e a de seu país.
Os cinemas de Jodorowsky e de Bunuel me vinham à mente o tempo todo. Felipe Bragança faz um cinema de experimentação, com a diferença que procura aliar a um cinema também comercial, e nesse híbrido, equilibra escalação de atores da grande mídia, como Herson Capri , Sophie Charlotte e Thiago Lacerda, a uma leva de premiados atores de teatro e cinema autoral, como Campagnaro, Isabel Zuaá, Marcio Vito, Digão Ribeiro e a portuguesa Catarina Wallenstein, esposa do cineasta.
A fotografia de Glauco Firpo e a direção de arte de Dina Salem Levy merecem aplausos pela excelência técnica.

Viver de cantar


"Huo Zhe chang zhe", de Jonnhy Ma (2019)
Emocionante drama que concorreu em Cannes, na Mostra Quinzena dos realizadores, e vencedor de diversos prêmios em outros Festivais. Escrito e dirigido pelo estreante Jonnhy Ma, o filme é baseado em uma história real: em Chengdu, capital de Shandung, uma trupe de ópera chinesa se apresenta em um bairro pobre. A diretora da trupe, Zhao Li (Zhao Xiaoli) é uma destemida guerreira que procura unir o grupo, apesar das dificuldades financeiras e do pouco interesse do público: somente idosos assistem aos espetáculos. Quando Zha recebe uma carta de despejo da prefeitura, que quer derrubar a casa aonde eles moram e se apresentam, Zhao esconde a história de todos.
O filme fala de diversos temas, todos perfeitamente orgânicos: arte, cultura, resistência, conflito de gerações, gentrificação, descaso do governo com as artes. E no meio disso tudo, o filme ainda encontra espaço para dramas familiares, na relação entre Zhao e sua sobrinha, Dan Dan (Dan Gidhan), a única jovem do grupo e que deseja alçar vôos ambiciosos fora dali.
Com um belíssimo trabalho de fotografia e de edição, o filme apresenta um time excelente de atores ( liderados pelas duas atrizes acima citadas, maravilhosas) e de uma figuração repleta de brilho no olhar. Uma maravilha, um filme contundente que fará os amantes da arte se derramarem em lágrimas. A cena final é de se aplaudir de pé.

sábado, 10 de outubro de 2020

O lobo de Snow Hollow


"The wolf of Snow Hollow", de Jim Cummings (2020)
Ótimo drama de terror dirigido, escrito e protagonizado por Jim Cummings, mesclando elementos dos irmãos Coen, principalmente "Fargo", com filmes de lobisomem. Jim Cummings em 2018 ganhou o prêmio de melhor filme no SXSW Festival com "Thunder road". Aqui, ele reafirma o seu talento, em um caminho próximo ao de John Krasinski, que também é ator, dirige dramas e terror, vide "Um lugar silencioso".
O filme foi rodado em Utah, e o filme, se chama Snow Hollow. Uma região montanhosa, repleta de neve. Ali mora o policial John (John Krasinski), um alcoólatra, divorciado e pai de uma adolescente. O pai de John, o xerife Redley (Robert Forster, em sua penúltima participação antes de falecer) tenta descobrir o paradeiro de um serial killer que mata várias pessoas na cidade. A oficial Julia (Riki Lindhome, excelente) é a parceria de John para desvendar os crimes.
Com um fino humor negro e ótimos atores, 'O lobo de Snow Hollow" é uma bem-vinda mistura de gêneros , com bom ritmo e um roteiro que traz também dramas familiares entre gerações que não se entendem. Ótima trilha sonora, efeitos e fotografia.

sexta-feira, 9 de outubro de 2020

Technoboss


"Technoboss", de João Nicolau (2019)
Exibido no prestigiado Festival de Locarno, e premiado em vários Festivais, "Technoboss" é um filme português que me fez lembrar de "Sinfonia da Metrópole", de Juliana Rojas. Ambos os filmes lidam com bizarrices e estranhezas na rama, mesclando humor negro e musical, onde atores cantam e dançam, mesmo não sendo profissionais e aé mesmo desafinando.São filmes experimentais, que se divertem com as referências a gêneros consolidados pelo público.
Luís (Miguel Lobo Antunes, excelente) é um homem no alto de seus sessenta anos, prestes a se aposentar. Ele trabalha em uma empresa de segurança, e vende aparelhos de segurança doméstica, chamado de Technoboss. Luís não pensa em se aposentar, mas a sua dificuldade em acompanhar a tecnologia o atrapalha. Divorciado e com um filho pequeno, Luís mora sozinho com seu gato. Dentro do carro, ele desafaba suas emoções, cantando músicas que misturam ritmos, incluindo "Ragatanga", do Les Ketchups.
A narrativa estranhíssima me lembrou os filmes do finlandês Mika Kaurismaki, e do francês Jacques Tati. São momentos de silêncio, colocando os personagens em situações patéticas. O filme é tão surreal, que quando os personagens falam ao celular, não aparece o aparelho, o outro lado tem a voz ecoada no ambiente.
Confesso que eu adoraria ter gostado do filme. Longo, sem ritmo, teria sido uma obra -prima se fosse um curta-metragem. Ele é repetitivo e sem uma dramaturgia que sustente a atenção durante suas quase duas horas. Vale como brincadeira de metalinguagem.

Amor estranho amor


"Amor estranho amor", de Walter Hugo Khoury (1982) Definitivamente, os anos 80 foram os anos mais liberais da história do cinema brasileiro. Foi a década onde os filmes de sexo explícito inundaram o circuito de cinema, para satisfazer a libido de uma platéia cada vez maior de espectadores. Por outro lado, o cineasta paulista Walter Hugo Khouri explorou a sexualidade em seus filmes com muito erotismo e mulheres nuas, aliás, as maiores estrelas da tv e do cinema da época. O sexo era implícito, mas as polêmicas envolvendo os seus filmes só aumentavam, culminando com o filme mais controverso e comentado da história do cinema brasileiro, "Amor estranho amor", O protagonista é o menino Hugo (Marcelo Ribeiro), de 12 anos. Ele é enviado por sua avó para São Paulo, para morar com sua mãe, Anna (Vera Fisher), em uma mansão no bairro mais nobre de são Paulo. Só que logo ele descobre que a mansão é um prostíbulo de luxo, comandado pela cafetina Laura (Íris Bruzzi). Walter Foster interpreta Hugo na fase adulta. O filme se passa em 1937, antes do Estado Novo.
Esse filme jamais poderia ter sido rodado nos dias de hoje. O menino Marcelo ribeiro participa de uma orgia com 8 mulheres nuas; se masturba tendo sonhos eróticos, tem uma cena de incesto com sua mãe, que o inicia sexualmente; e é praticamente estuprado por todas as taradas prostitutas do bordel, loucas para lhe tirarem a virgindade. Tem uma que inclusive beija de língua o menino. A curiosidade é que MArcelo Ribeiro, já adulto, virou ator pornô das Brasileirinhas, em um filme chamado 'Estranho amor". Muito se fala na cena de Xuxa e a tentativa da mesma de retirar o filme do mercado. Mas a verdade é que a cena dela é das menos pesadas, a que envolve Matilde Mastrangi e as outras são muito mais fortes, inclusive da Vera Fisher. A produção do filme é super caprichada, com direção de arte, figurinos, maquiagem e fotografia do Mestre Antônio Meliande. Lançado em 1982, até hoje é certamente, um dos filmes mais controversos do mundo.
O elenco é mega star: Tarcisio Meira, Mauro Mendonça, Otávio Augusto, além das atrizes famosas.

O cubano


"The cuban", de Sergio Navarretta (2020)
Melodrama canadense, vencedor de diversos prêmios em Festivais internacionais, tem o roteiro escrito por Alessandra Piccione. O filme tem um roteiro que lembra "Viva, a vida é uma festa", a animação premiada da Pixar. Luis (Louis Gosset jr) é um paciente com deram ee princípio de Alzheimer, internado em uma clínica de idosos. Quando a jovem enfermeira Mina (Ana Golja) fica responsável para cuidar dele, ela observa no quarto dele um poste com uma banda cubana. Ele imediatamente reconhece um dos músicos, e para sua surpresa, Luís tocou na mesma banda, como guitarrista. Mina é refugiada afegã e seu avô era estudioso de música. Ela toca uma música na vitrola e o som da canção faz Luís sair de seu estado de letargia. Logo, ele começa a contar para ela a sua história, quando morava em Cuba e era apaixonado por Elena, uma mulher parecida com Mina. Ao mesmo tempo, a tia de Mina, a administradora da clínica Bano (Shohreh Aghdashloo, atriz iraniana radicada nos Estados Unidos) não quer que Mina namore um jovem médico, pois isso trairia a tradição da cultura muçulmana.
Com boa direção e ótima interpretação de Louis Gosset jr, o filme aposta no melodrama, com as tramas de Mina e de Luis se mesclando, envolvendo amores proibidos que vão contra a convenção da sociedade. Quem curte drama;mões vai adorar. A produção é bastante caprichada, incluindo a ótima trilha sonora, salpicada de sons latinos.

quinta-feira, 8 de outubro de 2020

Punks- Os filhos da noite / Sexo selvagem dos filhos da noite


"Punks- Os filhos da noite / Sexo selvagem dos filhos da noite", de Levi Salgado (1982)

Um filme brasileiro que tem travestis dublando Grace Jones, Lady Francisco interpretando uma Rainha de uma gangue punk do futuro apocalíptico, go go boys se apresentando em um cabaré semi-nús e dublando hits dos anos 80, gangues que se vestem como Os Flintstones e se maquiam como o musical "Cats"...sim, você está diante de uma verdadeira pérola do cinema trash brasileiro, um cult obscuro e esquecido que a gente faz questão de resgatar para que não sejam esquecidos.
Após "Os rapazes das calçadas", seu filme anterior, trazendo polêmica sobre a violência dos garotos de programa carioca, Levi Salgado retorna ao cinema mega hiper trash com "Punks- Os donos da noite", lançado em 1982 mas depois relançado em 1987 com cenas de sexo explícito. O filme apresenta um futuro no rio de Janeiro com carros Passat estacionados nas ruas, onde 4 gangues lutam pela sobrevivência: Lady's, Panteras, Ratos e Babv's, comandados por mulheres poderosas, que fazem gato e sapato dos homens. Às mulheres frágeis, resta o estupro. O filme mostra um Brasil tão liberal, que uma cena de curra acontece na estação de metrô Botafogo. Os atores são absolutamente toscos e amadores, falando seus textos da forma mais tati bitati possível. Uma jóia a ser revista por cinéfilos especificos que curtem tranqueiras.

Nossas mães


"Nuestras madres", de Cesar Diaz (2019)
Que filme foda! Drama da Guatemala que ganhou em Cannes o prêmio de melhor estréia na direção na Mostra Camera de Ouro, "Nossas mães" é o filme de estréia do roteirista e diretor Cesar Diaz. O roteiro tem pontos em comum com o igualmente premiado "A chorona", de Jayro Bustamente, o mais famoso cineasta do país. Ambos falam sobre o massacre da população indígena durante o governo militar dos anos 80, quando milhares de mais foram assassinados e seus corpos, enterrados em lugares ermos.
Ernesto (Armando Espitia, ator do mexicano "Heli"), é um homem de 30 anos que trabalha como antropólogo forense pro governo, ajudando a desencavar ossadas e fazer o reconhecimento de guerrilheiros assassinados. Um dia, Ernesto conhece uma mulher indígena que deseja desencavar a ossada do filho, que ela sabe estar enterrado em uma fazenda de propriedade privada. Quando Ernesto olha para a foto, se assusta: reconhece entre os guerrilheiros, o seu pai, desaparecido. Sua mãe não quer que ele vá atrás da ossada do pai, mas Ernesto decide ir assim mesmo.
Com um ótimo roteiro, emocionante e que exalta a luta de mulheres indígenas em busca de seus filhos mortos, "Nossas mães" tem uma linguagem que mescla o documenta com a ficção naturalista. Os não atores são extraordinários, exalando verdade e comoção em seus depoimentos. Linda trilha sonora e o desfecho é de arrebatar corações.

Os rapazes das calçadas



"Os rapazes das calçadas", de Levi Salgado (1981)
Se existe um filme brasileiro que represente o underground e o lado mais sórdido da prostituição masculina, a decadência da noite marginal carioca e a violência urbana, esse filme é "Os rapazes das calçadas". Um cult obscuro, maldito e sórdido. Lady Francisco protagoniza o filme da forma mais bizarra possível: ela interpreta um papel masculino: Luís, um homossexual de meia idade, que perambula pelas noites do Rio de Janeiro, junto de um grupo de amigos gays afeminadíssimos, interpretados por Fernando Resky, Carlos Henrique Santos, Fernando José e Celso Farias. O grupo vive sendo achacado, assaltado e ameaçado de morte pelos garotos de programa, mas nem por isso deixam de frequentar as rodas da prostituição.
O filme, lançado em 1981, traz uma visão pejorativa e caricata do homossexual, totalmente ridicularizados. O filme é repleto de cenas de sexo explícito sem uso de camisinhas. O filme é um registro histórico do Rio de Janeiro de uma época muito mais permissiva e liberal do que os dias de hoje. Realizado antes do advento do vírus da Aids, o filme reflete a marginalidade do homossexual, vistos como pessoas abjetas e exculachadas.
A trilha sonora é recheada de hits, obviamente inseridas em uso de direitos: Barbra Streisand e hits dos anos 60, 70 e80 recheiam a trilha musical.
Em 1989, o alemão Jochen Hick viria a filmar no Rio de Janeiro o clássico maldito 'Via Appia", também mostrando o lado violento dos garotos de programa, que assassinam seus clientes, só que dessa vez, já no contexto do vírus da Aids.
Para fechar com chave de ouro o tamanho surrealismo de "Os rapazes das calçadas", a cena final é de Lady Francisco se desnudando de seu papel masculino, tirando peruca, bigode e entrando semi-nua, como símbolo sexual que era na época, no mar. Para quem gosta de tesouros trashes, esse filme é obrigatório.

quarta-feira, 7 de outubro de 2020

Livros de sangue


"Books of blood", de Brannon Braga (2020)
Antologia de terror baseada no livro de contos de terror escrito por Clive Barker em 1984. O filme consiste em 3 filmes, interligados pelos personagens que cruzam as histórias.
Na primeira história, intitulada "Jenna", protagonizada pela ótima Britt Robertson, que interpreta uma jovem recém saída de uma clínica de internos psiquiátricos. Jenna tem uma doença chamada misfonia, que a faz escutar os sons em nível alto, o que a incomoda bastante. Irritada com seus pais, ela foge e vai parar em uma pensão, cujos donos são formados por um casal de serial killers.
Na segunda história, chamada "Mary", interpretada por Anna Friel, uma mãe que trabalha como psiquiatra e que acaba se perder seu filho de 7 anos, de leucemia. Cética, ela acredita nas palavras de um dos internos, que diz ter o dom de falar com os mortos.
Na última história, Benneth, dois bandidos desejam roubar o Livro dos mortos, avaliado em 1 milhão de dólares. Só que a descoberta do livro será uma prova mortal para ambos.
O filem começa morno, mas aos poucos, vai ganhando ritmo e o terror vai ficando mas macabro. O elenco é bom, com destaque para Britt Robertson. Uma boa pedida para quem busca um terror seriado.

Os Espetaculares




"Os Espetaculares", de André Pellenz (2020)

 Lançado no streaming através do Now, Google play, Apple tv e outros, 'Os Espetaculares" é uma comédia para assistir e esquecer um pouco da vida cinza que estamos tendo nos dias de hoje. Focado na batalha diária de artistas de stand up que lutam por um lugar ao sol, o filme tem um ótimo elenco de comediantes: Rafael Portugal, Paulo Mathias Jr, Luísa Perissé, Victor Meyniel. Elisa Pinheiro, e ainda um enorme elenco repleto de talentos do humor. Mas a grande relevação é Dj Amorim, um ator de 12 anos, que narra o filme em off e é a espinha da estrutura narrativa do filme. É através de seu personagem que surge o drama de seu pai, interpretado por Paulo Mathias, divorciado de Elisa Pinheiro. Ele é um comediante de stsnd up que não deu certo, e para isso, vai trabalhar como vigia em um museu
(referência a "Uma noite no museu"). Quando ele descobre que está rolando um concurso para o melhor trio de stand up, com direito a um milhão em prêmio, ele se une ao ex-parceiro, Rafael Portugal, e à novata Luisa Perrissé. Como estamos falando de stsnd up, se preparem para muitas piadas infames e de duplo sentido, e uma pontada de sacanagem contra o cinema autoral, sacaneado através da figura de Neville D'almeida, que interpreta um cineasta mega hermético e conceitual. Na equipe, só amigos queridos: André Pellenz, o roteirista Sylvio Gonçalves, o fotógrafo Leo Vasconcellos.

Tubarão 3D

De fato o filme é ruim demais. Sem o elenco do filme original, Roy Schneider e Lorrane Bracco, "Tubarão 3"acabou sendo um sucesso mais pela tecnologia 3D, que voltou com força total nos anos 80. A história é a mesma de sempre: Um grande tubarão branco invade um parque aquático, o SEAWORLD na Flórida. Mas claro que o gerente, interpretado por Louis Gosset jr, não acredita e inaugura o parque assim mesmo. O resto é o mesmo de sempre, sendo que aqui, tudo é bem ruim. Não tem suspense, não tem ritmo, os atores são fracos. A diversão fica por conta da tosquice da produção, com cenas pavorosas do tubarão mal feito, e com 3D pior ainda. 

terça-feira, 6 de outubro de 2020

The Glorias


"The Glorias", de Julie Taymor (2020)

Drama épico dirigido por Julie Taymor, diretora de "Across the universe" e da versão de "O Rei Leão" para a Broadway, "The Glorias" é a adaptação da autobiografia de Gloria Steinem, um ícone do movimento feminista, atuante desde os anos 60 e hoje, aos 85 anos, ainda desbravando arduamente.
Gloria Steinem é interpretado por 4 atrizes e pela própria Gloria, no ato final. O filme evoca desde a sua infância, adolescência, fase adulta dos 20 aos 30 anos (Alicia Vikander) e depois, terceira idade, já com Julianne Moore.
Com uma caprichada ficha técnica, que inclui o fotógrafo Rodrigo Prieto, o filme mescla drama e realismo fantástico. A espinha dorsal do filme é um ônibus que atravessa os Estados Unidos e nele, se encontram as 4 Glorias em épocas distintas. Elas falam entre si e revêem momentos de sua vida. Quando criança, o pai ausente de Gloria, interpretado por Timothy Hutton, um caixeiro viajante que acabou morrendo em acidente de carro. Gloria cuidou de sua mãe que, ficou doente e esquizofrênica. Aos 20 anos, ela foi morar na Índia e em outros países, até retornar aos Estados Unidos. Jornalista, fundou uma revista, MS< que por 15 anos, revela os bastidores de um mundo machista , misógeno e racista. Gloria fez amizade com grandes feministas, entre elas, Flo Kennedy (Lorraine Toussaint), Bella Abzug (Bette Midler) e Dorothy Pitman (Janelle Monáe).
O filme tem cenas lindas, que mesclam magia e lúdico: a cena de Gloria adolescente dançando sapateado em uma barbearia; a cena de Gloria do discurso de Bette Midler; a participação de Lorraine Toussaint e Tomothy Hutton. Mas é um filme longo, quase 2:20 horas, e lá pelo meio já dá uma cansada. Mas pela importância história da personagem, e fazendo um amplo painel da sociedade americana dos anos 30 aos dias de hoje, o filme vale ser visto.

segunda-feira, 5 de outubro de 2020

O terraço


"La terrazza', de Ettore Scola. (1980)

Após o grande sucesso de "Um dia muito especial" e de um episódio no filme "Viva Itália", o Mestre italiano Ettore Scola lança um filme na tradição do que faz melhor: contar histórias de um grupo de amigos de classe média, e que vivem discutindo sobre a vida, amor, profissão, política. Vencedor das Palmas de Ouro de roteiro e de atriz coadjuvante para Carla Gravina em 1980, o filme é um panteão dos melhores atores europeus da época: Marcelo Mastroianni, Jean Louis Trintingnant, Ugo Tognazzi, Vittorio Gassman e Serge Reggiani.

Mastroinai é um jornalista; Trintignant é um roteirista de cinema que escreve comédias populares, Ugo Tognazzi é o produtor de cinema que odeia filmes de arte; Vittorio Gassman é o político comunista; e Serge Reggiani é um diretor de tv da RAI. Stefania Sandrelli, protagonista da obra-prima "Nós que nos amávamos tanto", também está no elenco.
O filme começa com um magnifico plano de grua que avança, revelando todo o terraço e chegando até a sala onde está buffet, e em seguida, chegam os convidados para se servir. Logo, somos apresentados aos personagens principais, que sempre se reencontram uma vez por ano nessa festa no terraço. O filme conta a história de cada um separadamente, como se fosse um filme em segmentos. No final, um ano depois, a mesma festa, e entendemos que com rusgas e crises ao longo do ano, acabam se dissipando na festa, onde todos comemoram e cantam as dores da vida e dos amores, e a grua se afasta, saindo em movimento contrário ao que começou, só que dessa vez, com chuva.
Confesso que nunca havia visto ao filme, e sou um fã fervoroso de Scola. Não é dos meus favoritos, mas só pelo elenco, se torna um programa imperdível.

domingo, 4 de outubro de 2020

Abuso


"Abuse", de Arthur J. Bressan Jr. (1983) Polêmico e obscuro drama independente LGBTQIA+, o filme foi proibido e pouco visto na época do lançamento. Com temas controversos como abuso doméstico contra crianças e adolescentes e pedofilia, "Abuso mescla ficção e documentário e traz imagens fortes de violência infantil, além de um roteiro bastante ousado e tabu: a relação sexual entre um adulto e um rapaz de 14 anos.Thomas (Raphael Sbarge) é um adolescente de 14 anos, que constantemente apanha de forma severa de seus pais. No último ato de violência, ele tem uma convulsão e desmaia. No hospital, o médico chama um amigo dele, Larry, para conhecer Thomas. Larry e um homem de 20 anos, estudante de cinema e que está fazendo um documentário sobre abuso doméstico contra crianças e adolescentes. Sem que os pais de Thomas saibam, ele topa dar entrevista e ser filmado por Larry em seu filme. Com as constantes idas e vindas, o inevitável acontece: Thomas e Larry se apaixonam, mais pelo carinho e proteção que Larry oferece, se aproveitando da fragilidade emocional do garoto.Mesmo sem cenas de sexo, é incrível pensar o quanto esse filme deve ter provocado um enorme furor na época do lançamento, em 1983. Cenas apaixonadas dos dois na cama e muito romantismo. Porem mais chocante, são as imagens documentais e fotos mostrando pais queimando os filhos, torturando, cenas brutais que fazem com que esse filme não seja recomendado para pessoas sensíveis Fora isso, existem depoimentos de adultos e adolescentes relatando os casos de abuso que sofreram de seus pais, envolvendo inclusive estupros. Raphael Sbarge, que interpreta Thomas, tinha 18 anos na época das filmagens, mas sua aparência de adolescente fazem o espectador acreditar que ele tenha 14 anos.

Fomos os sacrificados


"We were expandables", de John Ford (1945)
Filmado durante a 2a Guerra mundial, 'Fomos os sacrificados" é um dos expoentes do cinema patriotista americano, dirigido por John Ford e protagonizado por Robert Montgomery. Ambos se alistaram para servir na 2a guerra e ainda durante o serviço militar, pediram licença para poder realizar esse drama realista sobre mariners que lutam contra as tropas japonesas após o ataque de Pearl Harbor.
Durante as filmagens, Ford se acidentou e pediu para que Robert Montgomery continuasse a filmagem também como diretor.
O filme ficou famoso pelos maus tratos que Joh Ford praticou contra o astro John Wayne: Wayne na época se recusou a se alistar como voluntário, e Ford viu esse ato como covardia e patriótica. Como punição, o escalou para o filme e fez sofrer bastante. O filme surpreende pelas cenas de batalhas aéreas e no mar. Os personagens são comandantes e pilotam os barcos PT, fundamentais para o sucesso nas batalhas do pacífico. Robert Montgomery pilotou de verdade o PT, pois era comandante de um deles na guerra. Fico imaginando a grande dificuldade de se realizar esse filme na época, sem efeitos de computação, com os atores reais contracenando com aviões que avançavam contra eles. Um verdadeiro épico, rodado na Flórida, que tem todas as características das Filipinas, lugar onde o filme se ambienta.

Gay USA


"Gay USA", de Arthur J. Bressan Jr (1977)
Histórico documentário sobre as manifestações LGBTQIA+ que ocorreu nos Estados Unidos no dia 6 de junho de 1977, 9 anos após o evento de Stonewall, considerado a pedra fundamental pela organização do movimento pelos direitos da comunidade gay. A produção disponibilizou 25 câmeras e entrevistadores, espalhados em diversas cidades aonde estava ocorrendo Paradas gays: Nova York, San Diego, San Francisco, Chicago e Los Angeles. Centenas de milhares de pessoas, entre assumidos e simpatizantes, lotaram as ruas, gritando palavras de ordem que garantisse os direitos dos casais gays, luta contra a homofobia e o assassinato de homossexuais
(Harvey Milk importante ativista, foi assassinado um ano depois).
O filme tem imagens importantes, e mais incrível, o filme traz registro da primeira parada gay em NY, que ocorreu no ano de 1970, um ano após Stonewall.
escutar populares, gays e heteros, falando sobre a importância da saída do armário, sobre os direitos de liberdade de expressão e a simpatia pela causa ( incluindo crianças dando apoio) é encantador. Uma pena que com tanta alegria e desejo de um futuro melhor para todos, a AIDS tenha surgido 5 anos depois e devastado boa parte da comunidade. Os depoimentos ganham contorno tristes e melancólicos se paramos para pensar nisso.

sábado, 3 de outubro de 2020

História do mundo - Parte 1


"History of the world - Part 1", de Mel Brooks (1981)
Após o grande sucesso de crítica e público com 'Alta ansiedade", de 1977, que parodia "Um corpo que cai", de Hitchcock, Mel Brooks investiu pesado na paródia com "História do mundo -parte 1", que acabou sendo um grande fracasso de crítica. Com um humor corrosivo, repleto de piadas eróticas, infames e misóginas, que hoje em dia parecem antigas e fora do tom, Mel Brooks traz o seu olhar sobre a evolução do ser humano desde a era dos primatas, passando pelo Velho testamento, Império romano, Inquisição espanhola e revolução francesa. "2001", "Os dez mandamentos', "Ben Hur" são alguns dos filmes homenageados e sacaneados pelo mestre do humor.Algumas piadas são sensacionais, como a evolução do homem primata, a dança erótica para descobrir o eunuco, a corrida de bigas ao sabor de maconha. Mas outras, como o jogo do xadrez onde todos "comem" a Rainha", e depois, com o Rei francês, interpretando Luís XV, e tendo o bordão "Como é bom ser o Rei" para poder comer todas as mulheres, sôam grosseiras.
Narrado por Orson Welles, mesmo com tantas questões morais, o filme ainda assim diverte, mesmo que alguns momentos n!ao tenham funcionado, como os inserts musicais, que ficaram toscos.
A trupe querida de Brooks continua dando alta performance no humor; Don Deluise, Madeleine Khan, Chris Leachman, além do próprio Brooks.

sexta-feira, 2 de outubro de 2020

Cinzas no paraíso


 "Days of heaven", de Terrence Malick (1978)

Se você ouvir de algum cinéfilo que "Cinzas no Paraíso" é o mais lindo filme da história do Cinema, ele não estará brincando. Lançado em 1978, o filme arrebatou o Oscar de fotografia para Nestor Almendros, e a Palma de Ouro de Direção para Terrence Malick, aqui em seu segundo filme.
O preciosismo de Malick, notório, fez com que ele levasse anos montando o filme, estourando o orçamento da Paramount. Mas o resultado do filme, que foi um fracasso de bilheteria, é uma obra-prima que exala Arte em cada fotograma. Para fechar a santíssima trindade, a trilha sonora é do Mestre Ennio Morricone.
O filme se passa em 1916, durante a 1a guerra. Bill (Richard Gere) é um operário que mata seu patrão durante uma discussão de trabalho. Ele foge para Panhandle, no Texas, junto de sua namorada Abby (Brooke Adams) se sua irmã caçula, Linda (Linda Manz). Os três vão trabalhar na fazenda de trigo do fazendeiro (Sam Sheppard). Todos os empregads sofrem maus tratos, até que Bill ouve que o fazendeiro está com câncer terminal. Bill propõe à Abby que namore o fazendeiro e se case com ele, para herdar a fazenda. Mas Bill não esperava que Abby fosse se apaixonar pelo fazendeiro.
Com um extremo rigor na fotografia, toda filmada no twilight, com apenas duas horas de filmagem por dia, o filme exigiu bastante da equipe e do elenco. Malick é bastante famoso por seu perfeccionismo, e isso está impresso no filme inteiro. Toda a marcação, enquadramentos, poesia e atmosfera do filme são surpreendentemente mágicos de tão belos.
Richard Gere está em seu segundo filme, e Sam Sheppard em seu primeiro papel de destaque. O filme tem poucos dálogos, quase todo narrado por Linda. É um filme trágico, triste, um épico sobre pessoas que buscam ganância mas somente encontram o destino selado.

ABC do Amor e do Sexo: Estilo australiano


"The Abcs of love and sex: the australian style", de John D. Lamond (1978)

Obscuro documentário cult australiano, que veio na onda dos filmes exploitation, um grande sucesso nos anos 70. Lançado em 1978, até hoje o filme é proibido em diversos países. Repleto de cenas de sexo explícito, o filme tem um prólogo e um desfecho com bonecos de massinha, bastante polêmico, mostrando um professor na sala de aula dando aula de educação sexual. As cenas de sexo explícito foram rodadas na Suécia, pois foram proibidas na Austrália. Cada segmento envolve um curta de animação. Os tópicos são:
A de Anatomia, B de Birth, C de Contraception, D for Dreams, E for Erotic, F for Fun, H for Homosexual, I for Inoccence, J for Jealous, K for Kiss, L for Love, M for Masturbation, N for Natural, O for Orgasm, P for Pornography, R for Rape, S for Seduction, T for Temptation, U for Understanding, W for Words, Y for You
O melhor do filme é o seu visual retro vintage kitsch. PAra definir cada letra, algumas dançarinas em estúdio apresentam letras escritas em grandes cubos, dançando ao lado dele.s A trilha sonora é cafonérrima, e a narração em off é totalmente erotizada. Para cinéfilos que curtem bizarrices, esse filme é uma pérola, com historinhas bem humoradas, descritas por uma sexóloga lésbica. O segmento para Homosexuals é hilário, mostrando uma comunidade LGBTQIA+ eclética em uma festinha privé. Porém, o segmento mais controverso, é o do RAPE: pois associa estupro a um alfabeto onde sexo e amor são demonstrações de felicidade.

quinta-feira, 1 de outubro de 2020

Cinemania


"Cinemania", de Angela Christlieb e Stephen Kijak (2002)
Excelente documentário imperdível para Cinéfilos, até porque o tema do filme são os próprios cinéfilos. No caso, o filme se passa em Nova York e acompanha a rotina de cinco cinéfilos: Jack, Eric, Harvey, Bill e Roberta . No meio do grande tumulto que é a metrópole Nova Yorkina, cada um desses cinéfilos s de desdobra para poder ver entre 2 a cinco filmes por dia, todos os dias de suas vidas. Calculando horários de metrô e da sessão de cada filme para ter certeza de que chegarão na próxima sessão à tempo, chegando ao cúmulo de decorarem o tempo de duração de cada filme.
Muitos recusaram um emprego para poderem se dedicar a assistir filmes o tempo todo. Acreditam que o mundo da fantasia dos filme sé mais interessante do que o mundo real. são todos solitários, e apesar de conversarem eventualmente quando se encontram nas salas de cinema, jamais combinam programas sociais. Nunca vão a festas, eventos sociais para poderem ir aos filmes. Renegam vida amorosa, sexual para evitar de se estressarem e de focar no cinema. Todos entendem que assistir filmes na tv não é a mesma coisa. Decoram nomes, datas de lançamento, elenco, e assistem a cada filme dezenas de vezes.
Apesar de ser um filme que retrata uma paixão, o filme deixa claro muitas vezes que o cinéfilo é associado a alguém "fora da curva", quase um esquisofrênico, repleto de bizarrices e loucuras. De fato, quem não entender o sentido de ser cinéfilo, nem deve assistir a esse filme.

O roubo do século


"El robo del siglo', de Ariel Winograd. (2020)

Adaptação de uma história real ocorrida na cidade de Acassuso, Argentina, no ano de 2005, "O roubo do século" narra a ocorrência de um assalto que rendeu 20 milhões de dólares aos assaltantes, o maior do País, e que fez a polícia de otária mediante toda a mídia.

7 homens decidem formar uma quadrilha para assaltar o Banco Rio. O líder do grupo, Diego (Fernando Araujo) é um treinador de luta marcial em uma academia, e decide que quer ficar rico. Ele junta outros 6 homens e decidem cavar um buraco que vai do esgoto até a entrada do cofre forte do banco.
O sub-gênero de assalto a banco já rendeu muitos filmes clássicos, que vai desde "Os trapaceiros", de Woody Allen, até "Um dia de cão", de Sidney Lumet, passando pelo brasileiro 'Assalto ao banco central".
O que diferencia esse filme dos outros é o humor furioso do roteiro, fazendo o espectador dar altas gargalhadas, além da excelente direção, edição e creme de la creme , um elenco homogêneo com um time de excelentes atores. .. Fernando Araujo e Guillermo Francella, de "O clã". lideram o elenco, mas todos estão ótimos. O filme foi um enorme sucesso de bilheteria na Argentina, e certamente, riá render alguma refilmagem.