sexta-feira, 18 de janeiro de 2019

Happy & Gay

"Happy & gay", de Lorelei Pepi (2014) Deliciosa animação LGBTQ+ dirigida pela animadora lésbica Lorelei Pepi, que se apropria da linguagem e da narrativa musical dos famosos "Merrie Melodies" dos anos 30 e denuncia a homofobia e racismo dos personagens aparentemente ingênuos dessas historinhas bonitinhas. Premiado e exibido em quase uma centena de Festivais mundo afora, esse filme de 2014 apresenta dois casais Lgbtq+ que moram nos Estados Unidos dos anos 30. Um casal de gatas lésbicas convidam um casal de amigos cães gays para irem em um night club. Ao chegarem lá, eles se divertem junto de outros casais gays, em um ambiente recluso pois na época a manifestação gay era proibida. Até que acontece uma batida policial e bota todo mundo para correr. Os 2 casais se escondem em uma igreja, e são agredidos pelo Bispo e pelos fiéis. Há anos estava tentando assistir a esse desenho, e me encantei totalmente. Essa homenagem vintage a esse tipo de animação, que eu assistia desde criança ( e que incluía ícones como Betty Boop) associada a denúncias sobre a forma estereotipada que os gays eram retratados nos desenhos, me deixaram bastante encantado. Uma verdadeira pérola.Excelente trilha sonora de Brian Carpenter, fora as divertidas vozes dos animais.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2019

Jurassic cruising park

"Jurassic Cruising Park", de David Domingo (2017) Eu sinceramente não estou tendo palavras para descrever essa insanidade pra lá de divertida, que é o Parque de Dinossauros onde um casal gay vai fazer pegação. Propositadamente tosco, esse filme espanhol acompanha um casal de cientistas que avaliam as fezes dos dinossauros e os alimentam, que nem faziam Sam Niell e Laura Dern no "Parque dos dinossauros" de Spielberg. Só que o casal avista dois gays se pegando no mato, e os alertam que o tiranossauro vive por ali. Confesso que ri do início ao fim. David Domingo é tão cara de pau, e por isso mesmo o filme é tão engraçado, que ele rouba os diálogos e a trilha sonora de John Willians do filme original. Os efeitos com os dinossauros são mega toscos e hilários. Esse filme é a melhor paródia que vi em tempos.

Grande Pai, Pequeno Pai e outras histórias

"Cha và con và...", de Phan Dang Di (2015) Melancólico e intenso drama Vietnamita que participou de importantes Festivais em Competição, entre eles o Festival de Berlin, foi escrito e dirigido por Phan Dang Di . O Filme se ambienta no final dos anos 90 em Saigon, capital do Vietnã. Com super população e desemprego em alta, acompanhamos uma família e amigos que moram em uma favela à beira do rio. Vu é um jovem fotógrafo que vem da capital para morar na periferia de Saigon. De família pobre, ele divide um espaço na favela ribeirinha com Thang, que trabalha como segurança em um night club e também trafica drogas no local. Thang namora Van, que de dia estuda ballet mas de noite se apresenta na mesma night cub de seu namorado, em shows eróticos. Vu é apaixonado por Thang. Para poder ganhar dinheiro, ele acompanha Thang nas noitadas da balada e no tráfico. Thang também o encoraja a fazer vasectomia através de um programa do governo que estimula os jovens a fazerem a operação e ganharem ajuda financeira. O filme traz outras histórias paralelas: o pai de Vu traz uma jovem para se casar com seu filho Vu; o outro irmão de Vu sonha em ser cantor mas também se mete no tráfico. "Grande Pai, Pequeno pai e outras histórias" é um filme vietnamita diferente daqueles do mais famoso Cineasta do País, até então, Tran Anh Hung, que em filmes como "O cheiro da papaya verde", mostrando dramas com uma narrativa quase Tarkovskiniana de tão lentas. Phan Dan Di está mais próximo do chinês Tsai Min Liang: drama sensual, erótico, com tinta homoerótica, belamente enquadrado, com textura pop e com uma fotografia estilizada. O filme explora bastante as cenas de sexo, os corpos desnudos. A sensualidade exala até mesmo em copos suados ou repletos de lama. A fotografia explora o contraste entre a modernidade e a extrema pobreza de terceiro mundo de Saigon. A luta de seus moradores para sobreviverem, morando em condições paupérrimas. Mesmo assim, nas cenas noturnas, o filme explora a alegria, o amor.

Vidro

"Glass", de M. Night Shyamalan (2019) Bom, todo mundo já sabe tudo sobre esse filme: desfecho da trilogia iniciada com "Corpo fechado" de 2000, continua com "Fragmentado" de 2017 e agora se encerra????? 19 anos depois do filme que lançou os personagens de Elijah Glass ( Samuel L. Jackson) e David Dunne (Bruce Willis). Segundo Shyamalan, ele concebeu a trilogia pela cena final, do embate dos 3 super- heróis. Elijah é a mente criativa, uma espécie de Magneto imobilizado em uma cadeira de rodas por conta de sua doença que faz com que seus ossos se quebrem como vidro. David tem uma força descomunal, mas tem como ponto fraco a água ( na adolescência, em uma brincadeira com colegas, ele quase foi afogado). E Kevin (James Macvoy) se desmembra em 24 personas distintas, incluindo "A fera", uma espécie de Hulk canibal. Em 'Vidro", todos os 3 se encontram em uma Instituição para pacientes mentalmente perturbados. A Dra Ellie insiste que os 3 pacientes possuem distúrbios mentais que os fazem acreditar serem super-heróis. enquanto isso, a mãe de Ellijah, o filho de David e a vítima sobrevivente do ataque de Kevin, Casey, se juntam para tentar libertar seus entes queridos. Só que ninguém esperava pelo grande ato final de Ellijah. Sim, o filme tem pelo menos 2 grandes Plot twists. Muita gente detonou o filme. Eu gostei bastante, apesar de ficar bastante incomodado com a "preguiça" de Shyamalan no embate final. Enquanto os 3 heróis se degladiam, todos os outros ficam apenas olhando. Mas os flashbacks do filme, como o de Ellijah no parque de diversões quando criança, e o do Trem 177 são emocionantes. Pode ser que você odeie o filme. Mas vale assistir para saber como Shyamalan deu o desfecho para todos. A trilha sonora é muito boa.

50 Maneiras de Dizer Fabuloso

"50 Ways of Saying Fabulous ", de Stewart Main (2005) Adaptação da obra literária de Graeme Aitken, " 50 Maneiras de Dizer Fabuloso" é um drama repleto de alegorias sobre o universo adolescente na Nova Zelândia rural dos anos 70. Quase todos os temas que são relacionados à juventude estão no filme: o "Coming of age" , o bullying, a homofobia, o despertar sexual, a gordofobia, falta de comunicação com os pais. Billy ( Andrew Paterson), um menino afeminado e obeso de 12 anos, tem como melhor amiga sua prima Lou, da mesma idade e ao contrário de Billy, totalmente masculinizada: odeia sutiã e quer cortar o cabelo para parecer um rapaz. Ambos são apaixonados por uma série de ficção cientifica, e tanto Billy quanto Lou se imaginam nos papéis principais. Duas pessoas de fora da cidade surgem e desestabilizam Billy: Roy um rapaz nerd, que se apaixona por Billy, e Jamie, um homem sexy que vem trabalhar na fazenda do pai de Billy e por quem Billy e Lou se apaixonam. Confesso que esse é um dos dramas adolescentes mais darks e ousados que já assisti. Tem cenas de masturbação que envolvem as crianças, assédio sexual por parte do menino, que quer porquê quer assediar o homem, e talvez uma das cenas mais perturbadoras envolvendo crianças: o menino Roy pega na mão de Billy e pede para tocar o sue pênis ereto, e Billy adora! O Poster do filme e a sinopse enganam bastante: o filme é rigorosamente proibido para crianças, e acredito até adolescentes ainda bem jovens. os temas retratados no filme merecem ser discutidos entre pais e fiihos, são importantes de serem abordados. O filme me lembrou um pouco "Almas gêmeas", de Peter Jackson com Kate Winslet, pela abordagem lúdica e pelo homossexualismo das personagens. Mas aqui, o fetiche e a perversão imperam. Mas é justamente esse o fato que me fez ficar interessado com o filme. Tecnicamente, os efeitos são bem toscos e ruins. Mas as crianças são incríveis e talentosas, e claro, terem trabalhado no filme deve ter sido algo bastante divisor de água para o psicológico delas. O título se refere a uma fala de um menino da escola homofóbico que diz a Billy que os gays sabem dizer 50 formas diferentes a palavra "Fabulous".

quarta-feira, 16 de janeiro de 2019

Boy erased- Uma verdade anulada

"Boy erased", de Joel Edgerton (2018) Adaptação da biografia do advogado e escritor americano Garrard Conley, sobre o período de convivência em um Grupo de terapia de conversão de gays da Igreja Batista que ele frequentou em Arkansas, matriculado pelos seus pais, o Pastor Batista Marshall (Russell Crowe) e sua mãe, Nancy (Nicole Kidman), No filme, Garrard se chama Jared (Lucas Hedges), Nesse grupo de terapia, Jarred testemunhou situações bizarras, como a encenação do funeral de um aluno, "morto" pela Aids, com a presença de seus familiares e amigos, que como castigo, batem no rapaz com a bíblia. O Ator Joel Edgerton interpreta o Pastor Victor Sykes, que administra o local, e o baterista Flea, do Red Hot CHilli Peppers, é um dos instrutores, Em uma cena cruel e antológica, Flea ensina os rapazes o que seria um comportamento e postura masculinizado. O Cineasta Xavier Dolan interpreta um dos alunos, Jon, que tenta dissuadir Jarred que ele precisa aceitar tudo o que é imposto ali pelo grupo para poder ser feliz. "Boy erased" é a segunda incursão do ator Joel Edgerton na Direção. Seu primeiro filme, "O presente", é um suspense. Mas é aqui em "Boy erased" que Joel chamou atenção da crítica. Seu filme já recebeu vários prêmios e indicações em festivais. Além do excelente e comovente roteiro, que lembra bastante a sua versão feminina, "O Mau Exemplo de Cameron Post", que é praticamente a mesma história, com Chole Morez, o filme conta com um verdadeiro trio de Ouro dos atores: Nicole Kidman, Russell Crowe e Lucas Hedges estão soberbos e irretocáveis. Nicole tem uma cena linda e comovente, quando vai resgatar seu filho. E o diálogo final de pai e filho é de cortar os pulsos. A ironia fica no crédito final, sobre o pastor Victor Sykes. Veja o filme e ria bastante com esse crédito.

terça-feira, 15 de janeiro de 2019

O capitão

"Der Hauptmann", de Robert Schwentke (2017) Excelente drama de guerra alemão, dirigido e escrito por Robert Schwentke, Cineasta erradicado há anos nos Estados Unidos, onde dirigiu a trilogia "Divergente", "Red- Aposentados e perigosos" entre outros filmes de ação. Mas nenhum desses filmes chega ao brilhantismo desse poderoso e assustador drama sobre o Mal existente em todos nós. O filme é baseado na incrível história real do soldado alemão Willi Herold ( Max Hubacher, intenso). Nas 2 últimas semanas do desfecho da 2a Guerra mundial, em 1945, o soldado Herold deserta do seu pelotão e é perseguido pelos oficiais superiores, que tentam matá-lo. Gerold consegue se esconder na floresta e foge. No caminho, ele encontra um carro oficial nazista abandonado e dentro do carro, um Uniforme de Capitão e medalhas. Sem pestanejar, Herold veste todo o Uniforme e assim, com toda determinação, "interpreta" a persona do Capitão. Logo, Herold descobre a sensação de estar do outro lado. O Poder o encanta e o transforma em um monstro assassino, que manda fuzilar soldados desertores, oficiais que são contra a sua autoridade e civis. O cineasta Willi Herold filma em magistral preto e branco, e é tanto sangue no filme que acredito que tenha sido uma forma dele amenizar o impacto com a platéia ( só para ter uma idéia, em uma cena aterrorizante, um grupo de desertores é assasinado a balas de canhão, e vemos os corpos explodindo). O filme é uma parábola sobre o fascínio do Mal, j;a visto em filmes como "Mephisto", outra obra prima ambientada na 2a guerra. A cena final, mostrando o grupamento do "Capitão" Herold andando pelas ruas de Berlim moderna, é antológica e uma provocação ao que seria a levantada de moral contra a sensação de derrotismo alemão. Um filme premiado em diversos Festivais e altamente recomendado.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2019

Homem Aranha no Aranha verso

"Spider-Man: Into the Spider-Verse", de Bob Persichetti , Peter Ramsey e Rodney Rothman (2018) Excelente animação da Sony, que detém os direitos sobre o Homem Aranha, em associação com a Marvel, "Homem Aranha no Aranha verso" ganhou praticamente quase todas as premiações como Melhor longa de animação. Particularmente, gosto mais de "Ilha de cachorros", de Wes Anderson, mas entendo que Wes Anderson é muito autoral e menos pop que essa adaptação dos quadrinhos do Multiverso Marvel, histórias que apresentam os Super Heróis em formatos diferentes dos conhecidos do grande público. O roteiro está antenado com os novos tempos de inclusão: O protagonista do filme é o garoto Miles Morales, filho de um policial negro e uma enfermeira latina. Ao visitar uma antiga instalação de um prédio onde funcionava um laboratório, Miles é mordido por uma aranha radioativa. Detalhe: Peter Parker já existe nesse universo como o Homem Aranha. Mas Peter é morto pelo vilão Rei do Crime, e passa a bola de salvar o mundo para Miles, que ainda não sabe como usar seus poderes. Ele acaba sendo ajudado por outras 5 versões do Homem Aranha que chegam de outras dimensões: uma garota, um em preto e branco, um em versão porco, um Peter Parker mais velho e uma japonesa que tem um robô como auxiliar. O grande barato do filme é a mistura muito incrementada de quadrinhos, mangá, se apropriando dos famosos balões e das onomatopéias. O curioso é que a Tia May, na voz sensacional de Lily Tomlin, virou uma espécie de Alfred do Batman, com direito até a uma caverna do Spider Man repleta de gadgets. As vozes originais são incríveis, e descobrir quem dubla é uma grande revelação: dos famosos, tem Nicholas Cage, fazendo a versão em P&B, v ( de "Bumblebbe") fazendo Gwen Stacy, a versão feminina do Spider Man, Mahershala Ali fazendo a voz do Tio Aaron, Chris Pine, fazendo Peter Parker, Liev Schreiber no papel do rei do Crime. Ou seja, vá assistir no original! A homenagem a Stan Lee é sensacional, tanto em cena, quanto em créditos. E por falar em créditos, o da cena final é uma grata surpresa. Muito divertido.

O casamento

"The marriage", de Blerta Zeqiri (2017) Filme escolhido por Kosovo para representar o País na disputa de uma vaga ao Oscar 2019, "O casamento" é com certeza o primeiro filme produzido nesse País que eu assisti. O filme é um drama LGBTQ+ , que traz o drama de Bekim, um homem que vai se casar com Anita. Eles são felizes, até que às vésperas do casamento, surge Nol, um amigo de Bekim que mora atualmente em Paris e trabalha como músico. A presença de Nol desestrutura Bekim emocionalmente, e ele acaba discutindo com Anita. Ela acredita que Nol teve um caso com a irmã de Bekim, mas a verdade, somente Bekim e Nol sabem: eles foram amantes no passado, durante a ocupação Sérvia no País, no final dos anos 90. Bekim entra em um grande conflito: vai embora com Nol para Paris, ou mantém um casamento de aparências com Anita? Além do tema da homofobia e da aceitação da homossexualidade, o filme também discute o assassinato de milhares de Kosovianos durante a Guerra com a Sérvia. Anita vai se casar, mas seus pais desapareceram durante a Guerra e nunca foram encontrados. Tanto o drama do sumiço dos pais de Anita, quanto o amor proibido de Bekim e Nol servem a uma metáfora sobre a memória apagada e que deve ser esquecida. A cineasta Blerta Zeqiel, que também co-escreveu o filme, dirige tudo com muita sensibilidade e extrai um ótimo desempenho dos 3 atores principais. É um filme sofrido, doloroso. Para quem busca finais felizes, melhor esquecer esse filme.

Uma noite em Tokoriki

"O noapte in Tokoriki", de Roxana Stroe (2016) Que delícia de filme! Um musical romeno LGBTQ+ , dirigido e escrito por Roxana Stroe. Totalmente sem diálogos, e utilizando as letras das músicas como sub-texto, "Uma noite em Tokoriki" lembra muito os filmes e personagens de Aki Kaurismaki: aqueles tipos maravilhosamente caricatos, apaixonantes, vivendo situações constrangedores e patéticos. Na Romênia rural, Gianina vai completar 18 anos. Seus pais e seu namorado, Bebe, armam uma festa para ela na Boite Tokoriki. Gigi e seus amigos chegam de carroça. Logo descobrimos que Gigi e Bebe foram amantes e ainda apaixonados um pelo outro, e Gigi fará de tudo para ter Bebe de volta. Em alguns momentos o filme lembra passagens de "O baile", de Ettore Scola. Os números de dança cafonas e hilários, e uma trilha sonora composta de clássicos dance dos anos 90, trazem um look vintage para o filme. Os atores estão incríveis, todos ótimos em pantomina. O Dj é sensacional. Roxana Stroe sabe conduzir muito bem o mise en scene, dando ritmo e um olhar carinhoso para tudo e todos. Imperdível. A cena final é brilhante. O filme ganhou diversos prêmios internacionais, entre eles, um prêmio especial no Festival de Berlin 2016.

domingo, 13 de janeiro de 2019

Meados dos anos 90

"Mid 90s", de Jonnah Hill (2018) Estréia na Direção do Ator Jonnah Hill, que também escreveu o roteiro, "Meados dos anos 90" evoca os filmes independentes de Harmony Korine,Larry Clark e Gus Van Sant. Jonnah Hill resolveu fazer sua estréia com um filme duro, porrada, sobre o "coming of age" de Stevie (Sunny Suljic, de "O segredo do cervo sagrado). Ele mora com a sua mãe jovem e ausente, Dabney (Katherine Waterston, a Tina de "Animais fantásticos") e com seu irmão Ian (Lukas Hedges, de "Manchester à beira mar'), que abusa na base da violência Stevie. Com um ambiente familiar tão pesado, o introvertido e bacana Stevie acaba se envolvendo com um grupo de skatistas, se tornando amigo deles. Essa liberdade do mundo dos skatistas traz para Stevie uma sensação de Poder que e;e nunca havia experimentado antes. Mas em casa, sua mãe e seu irmão não estão nada satisfeitos com essa mudança de comportamento de Stevie. Filmado quase que como um documentário, o filme tem aquele frescor dos filmes independentes, e mistura atores profissionais (Sunny Suljic é skatista na vida real) com skatistas de verdade, trazendo uma verdade que atores profisisonais não teiam colocado no linguajar dos personagens. A fotografia de Christopher Blauvelt ( de "Zodiaco"e "The bling ring") traz a textura dos anos 90, complementada pela trilha sonora de hip hops da época. "Meados dos anos 90" competiu em vários Festivais, incluindo Festival de Berlin. Não é nada inovador, mesmo porquê ele se parece demais com as filmografias dos cineasta citados. Mas é um filme honesto, bem dirigido, com ótimas performances.

Suspiria

"Suspiria", de Luca Guadagnino (2018) Em primeiro lugar, uma grande revelação para mim: Suspiria é o nome da Estação de metrô aonde se localiza a Escola Tanz. eu juro que não sabia. Remake da obra-prima de Dario Argento, teve uma exibição polêmica no Festival de Veneza 2018, quando esteve em competição. Tiveram muitas vaias, mas também aplausos, a essa versão lésbica/feminista sobre uma Convenção de bruxas que habita uma famosa Escola de dança em Berlin no ano de 1977, quando a Alemanha estava dividida pelo Muro. O Cineasta Luca Guadagnino ficou mundialmente famoso pelo seu drama LGBTQ+ "Me chame pelo seu nome". Assim que ele terminou as filmagens, ele começou a preparar 'Suspiria". No elenco, Guadagnino escalou 2 atrizes que já protagonizaram seus filmes: Tilda Swinton, que já havia feito "Um Sonho de amor" e "Um mergulho no passado", e "Tilda Swinton", com quem fez "Um mergulho no passado". Dakota interpreta a protagonista Suzy, que no filme original foi interpretado por Jessica Harper, aqui fazendo uma participação como uma judia presa em um campo de concentração. Tilda interpreta 3 Personagens: Miss Blanc, Miss Markos e um verdadeiro espanto, ela interpreta um personagem masculino, o Psicólogo Dr Josef Klamperer. Para despistar os curiosos, criaram um nome fictício de Lutz Ebersdorf para o "Ator". Suzy viaja de Ohio, onde ela morava em uma fazenda e criada sob rígida norma religiosa, e vai até Berlin para se inscrever na famosa escola de dança Tanz. Ela descobre que uma aluna, Patricia ( Chloe Moretz) desaparece, e por isso, ela consegue uma vaga. Mas aos poucos, Suzy vai percebendo que aquele lugar esconde algo muito tenebroso. Com inacreditáveis 152 minutos, O Diretor Luca Guadagnino confirma que ele não é bom em concisão e desapego de cenas na edição. Geralmente, todos os seus filmes são bem longos. Mas aqui ele consegue exagerar: Para se ter uma idéia, o filme de Dario Argento tem quase 1 hora a menos! Isso porquê Luca criou vários sub-plots que não haviam no filme original, trazendo o conceito da culpa alemã pela 2a guerra mundial e a morte de milhares de judeus, através do personagem totalmente dispensável do Dr Josef, Vale mais pelo tour de force de Tilda Swinton, que o interpreta, do que pela história. Tivesse se concentrado apenas no drama de Suzy e a escola, o filme teria ficado muito mais aterrorizante. As cenas onde as personagens de Sara e principalmente Olga sofrem a vingança das bruxas, é muito foda! Tanto que ganhou um prêmio especial em Veneza somente para os efeitos. Para se ter uma idéia, elas têm os ossos do corpo quebrados e os órgãos internos expostos, isso apenas pelo movimento da coreografia de uma dança muito bizarra. O que no filme de Dario Argento acabou ficando a sua marca registrada, que é a fotografia colorida exagerada, aqui no filme de Guadagnino ele substitui por cores escuras e azuladas, trazendo uma dimensão dramática mais forte. O filme é dividido em 6 episódios e um epílogo: devo dizer que o episódio 6, que é o Clímax, é a convenção de Bruxas mais foda que vocês já viram em qualquer filme sobre o tema. Aí, ele quase se aproxima de Argento no erotismo, nas cores, no surrealismo. O que eu também fiquei triste, como fã do original, foi de terem mudado todo o rumo da personagem de Suzy. Mas ver esse duelo de atrizes e de bruxas foi épico, então valeu a pena. Teria ficado mil vezes melhor cm 40 minutos a menos. Torço por Dakota Johnson, que depois da trilogia "50 tons", tem investido em projetos mais ousados e autorais. E Tilda Swinton, um crime não ter sido indicada para premiações pelo seu papel triplo.

Assim estava escrito

"The bad and the beautiful", de Vincente Minelli (1952) Foi graças ao excelente documentário de Martin Scorsese, "Uma viagem pessoal rumo ao cinema americano", que eu cheguei a essa obra-prima de 1952, dirigido por um dos grandes Cineastas de Hollywood, Vincente Minelli. Sempre tinha ouvido falar desse filme que mostrava os bastidores de Hollywood, os podres de um Produtor de cinema. Mas foi através do documentário, e em particular uma cena, que eu fui desesperado em busca do filme. Na cena, o produtor vivido por Kirk Douglas, Jonathan, e um Diretor de filmes B, Fred, discutiam de que forma poderiam filmar um longa de terror sem mostrar as terríveis fantasias que criaram para os monstros do filme. Daí, Jonathan apaga a luz da sala e diz: "O que o público espera quando vê um filme de terror? Quem sentir medo. E o que faz sentir medo? O escuro." Daí Jonathan apaga a luz, e decide com o Diretor que não devem mostrar, mas apenas sugerir a presença dos monstros, através de sombras. Essa cena homenageia o clássico "Sangue da Pantera", que usou exatamente esse recurso das sombras e minimalismo por conta de orçamento, e foi um grande sucesso."Assim estava escrito"ganhou 5 Oscars: Fotografia, atriz coadjuvante ( Gloria Grahame, que interpreta a esposa do roteirista, Rosemary), roteiro, figurino e direção de arte. O roteiro é bem original: 3 histórias são contadas e o que as une é a presença de Jonathan. Um diretor, uma atriz e um roteirista, todos enfrentaram a glória e o fundo do poço com Jonathan. Assim como "Crepúsculo dos Deuses", o filme tem um olhar bastante amargo sobre o mundo dos holofotes, das Estrelas de Cinema construídas pela máquina de Hollywood, o Poder de um Produtor de fazer surgir um novo talento e de o destruir. Muito bom filme, e um dos melhores sobre os bastidores do cinema. Lana Turner e Kirk Douglas mostram que são os 'Star Quality"que o filme prega.

sábado, 12 de janeiro de 2019

Pérolas no mar

"Hou lai de wo men ", de Rene Liu (2018) Romance dos mais espetaculares que vi nos últimos anos, "Pérolas no mar"foi um grande sucesso de bilheteria na China, mas infelizmente a Netflix comprou os direitos de exibição do filme no mundo inteiro e nos privou de assisti-lo na tela grande. Uma pena, pois é o tipo do filme que exibido no Cinema traria uma outra percepção e com certeza, todos saíram aos prantos das salas. Para quem tem preconceito com romances, um aviso: esse filme é maravilhoso. Fotografado por Ping Bin Lee, o mesmo fotógrafo de Wong Kar Wai na obra-prima "Amor à flor da pele", e escrito e dirigido pela Cineasta de Taiwan Rene Liu, o filme é de uma sensibilidade ímpar. As imagens, as cores, os enquadramentos, os atores, a direção de arte, a trilha sonora acachapante. Tudo contribui para tornar o filme uma experiência sensorial muito dolorida, mas inesquecível. O filme é uma mistura da trilogia completa de Richard Linklater, "Antes do amanhecer", com "Amor à flor da pele" e outros filmes sobre o amor impossível dirigidos pelo esteta Wong kar Wai. É um filme sobre o Amor incondicional, à pessoa que se ama, e ao pai. E amor significa também brigar, ter raiva, reencontrar, perdoar. Assim como na trilogia de Linklater, "Pérolas no mar"apresenta o mesmo casal se reencontrando todos os anos. O filme começa no ano de 2007 e vai até 2018, no atual. Em 2018, o filme é em preto e branco. Nos outros anos, em cores. Acompanhamos Jiang Quin, um jovem de 20 anos que volta de Pequim, aonde trabalha e estuda, para a sua cidade natal para passar o ano novo com seu pai, um modesto dono de restaurante viúvo. Joang Quin sonha em se tornar um às do videogame, mas tudo o que ele consegue são sub-empregos, mas ele mente para seu pai dizendo que está tudo bem em Pequin. No trem, ele conhece a jovem Xiao Xiao, que passa pela mesma situação: morando em Pequin, ela estuda e também trabalha em sub-empregos. O trem quebra no caminho e os dois acabam se conhecendo melhor. Todo ano, no ano novo, eles retornam à cidade para passar a festa com o pai de Jiang Quin, e sempre mentindo sobre a situação deplorável que eles estão em Pequin: trabalhando como camelôs, morando em kitchnete de 10 metros, passando necessidades. Mas enquanto eles são jovens, o sonho continua. Amigos, Jian Quin sente ciúmes de Xiao Xiao, que sonha em conhecer um homem mais velho que a peça em casamento. Até que um dia, Jian Quin a pede em namoro. E ai, os problemas começam. Impossível não se apaixonar pelos casal, mesmo quando os personagens erram feio, e agente fica com raiva deles. E sim, o pai também é um personagem exemplar. Os 3 atores são incríveis, e muito carismáticos. Atenção: existe uma cena final no final dos créditos, não deixem de ver. Para s corações que sofrem, carreguem bastante lenço Kleene

sexta-feira, 11 de janeiro de 2019

Gabriel

"Gabriel", de Benjamin Chimoy (2014) Escrito e dirigido por Benjamin Chimoy, essa co-produção Espanha/Alemanha traz uma história que já é bem clichê: Gabriel, 35 anos, está nadando na piscina em Berlin quando se lembra de sua adolescência. Adolescente, Gabriel morava na Espanha com seus pais e seu irmão, Daniel, quase de sua idade. Gabriel tinha grande aptidão pela Arte plástica. Seus pais acham estranho ele ainda não estar namorando. Um dia, Lourdes, sua mãe, ao revirar o quarto de Gabriel, encontra desenhos eróticos de homens fazendo sexo. Assustada, Lourdes afasta Gabriel de Daniel, achando que Gabriel estava a fim de seduzir o irmão. Afastados, Gabriel, casado com um rapaz, vai reencontrar sua mãe em Berlin, anos depois. Um filme que fala sobre conservadorismo que destrói uma vida e também a possibilidade de se reconectar com as pessoas que já amamos um dia. "Gabriel" tem um olhar positivo, não é um filme que joga os gays na fogueira. Nada de novo, mas é um filme honesto e com bastante sensualidade.

O sol tornará a brilhar

"A raisin in the sun", de Daniel Petrie (1961) Totalmente absorto com a beleza e a excelência do texto e das atuações nesse maravilhoso drama baseado na peça teatral de Lorraine Hansberry, escrito em 1959, no auge das manifestações contra o racismo nos Estados Unidos. O filme foi lançado em 1961, e reuniu no elenco a nata dos atores negros da época: Sidney Poitier, Ruby Dee, Diana Sands e a fabulosa Claudia Macneil, no papel da matriarca Lena, um personagem e história que lembra bastante "Vinhas da ira", de John Ford: Jamais perder a dignidade, nem em momentos de profunda decadência econômica. "O sol tornará a brilhar" é um texto extremamente ousado para a época em que foi escrita: fala de assuntos tabus, mesmo para os dias de hoje: aborto, machismo, identidade cultural afro-americana; ateísmo, feminismo e principalmente, racismo. Tudo isso é misturado em um caldeirão centrado em um cortiço da periferia de Chicago: é ali que mora a família Younger. Mãe, 2 filhos, a nora e o neto pequeno. A história começa com a família no aguardo do cheque do seguro pela morte do pai. Nessa expectativa, a mãe e seu filho, Walter (Poitier), têm idéías distintas sobre o que fazer com o valor: a mãe quer dar entrada no valor de uma casa; o filho quer comprar um negócio, uma loja de bebidas, e assim, deixar de trabalhar como motorista particular de um homem branco. Ruth, a nora, é conformada com a vida que leva e questiona os sonhos de ambição de seu marido. Beneatha, a filha, é universitária e se envolve com um africano que a faz ter consciência sobre a sua cultura negra. Acaba que Lena compra a casa, para infelicidade de Walter. e mais: ela comprou em um bairro de brancos, e a associação não quer que eles se mudem para lá. Muita coisa acontece nos 128 minutos do filme. Sim, ele tem uma estrutura bem teatral, assim como era "Quem tem medo de Virginia Wolff?". Mas o Diretor Daniel Petrie conduz tudo com muita maestria, sem tornar o filme cansativo, como foi o caso do filme de Denzel Washington, "Um limite entre nós", que ficou totalmente teatro filmado. Uma obra-prima, e que vontade de ver montada no palco novamente!

Dentro

"Dentro", de Bruno Autran (2014) premiado curta dirigido e escrito por Bruno Autran, nascido em Belo Horizonte mas radicado em são Paulo. Bruno é um dos fundadores da Labuta Filmes, e já dirigiu vários curtas premiados. Em "Dentro", Bruno investe em um único plano-sequência de quase 13 minutos, que acontece em um pier de uma praia paradisíaca. Bruno interpreta o filho de um casal que comemora mais um ano de aniversário. Ex-drogado, ele reencontra seu irmão, interpretado por Bruno Guida. Os irmãos passam o filme todo jogando papo fora em uma discussão de DR interminável, até que, inesperadamente, o filme dá um plot twist meio forçado, mas que não deixa de ser instigante: os irmãos se beijam, e fica claro que no passado, essa relação incestuosa provocou marcas na vida dos dois. O filho de Bruno Guida o chama, e Bruno Autran termina sozinho no pier. Corta, o filme vai para os créditos, lindamente registrado em um álbum de família, onde vemos os irmãos, crianças, em demonstração de carinho. A equipe técnica também é apresentada através de fotos de todos crianças. Uma criativa solução. é um filme bem interpretado pelos dois atores e com uma linda fotografia, de Kauê Zilli, que amplia a beleza da locação.

A nossa espera

“Nos batailles”, de Guillaume Senez (2018) Exibido na Semana da Crítica do Festival de Cannes 2018, “ A nossa espera” lembra bastante “Uma mulher sob influências”, clássico de John Cassavettes com atuação estupenda de Gena Rowlands. Só que ao contrário do filme americano, aqui a ação se concentra todo na figura do marido, Olivier ( Romain Duris. Pai de duas crianças, Olivier passa porém momento difícil na sua vida pessoal: sindicalista, ele sofre um baque com a demissão e suicídio de um colega de trabalho. Em casa, eu esposa Laura, em processo de depressão, simplesmente abandona todos e vai embora. Sem rumo, Olivier conta com a ajuda de sua mãe e de sua irmã para ajudar a dar um trato em casa. Mas as crianças sofrem muito a ausência da mãe e acabam fugindo também para ir em busca dela. Triste e com um registro naturalista, o filme arrebata pelas performances de todo o elenco e pelo olhar carinhoso que o diretor tem pelos seus personagens. Mas a vida não é fácil, e para isso, o diretor fala também de machismo, opressão feminina e lealdade profissional. Um filme duro, cruel. Mas com uma luz no fim do tunel.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

Glory

"Glory", de Roberto Anjari-Rossi (2011) Polêmico curta LGBTQ+ alemão, por unir 2 gêneros de forma inusitada: comédia e filmes de serial killer. Um homem solitário cinquentão ( Andreas Seifert, excelente) se encontra entediado em sua casa. Ele resolve ir até uma sauna gay. Lá ele se diverte com o atendente e se prepara para entrar em uma cabine de Glory Hole. Só não esperava que do outro lado, estivesse um homem mentalmente desequilibrado que acabou de perder o seu emprego. e está armado. Logo de cara, o filme parece que vai ser aquele divertido olhar sobre a pessoa invisível, a pessoa comum tão bem retratada em filmes do finlandês Aki Kaurismaki. Mas logo o filme vira um outro tom, e mesmo assim, mesclando um humor negro com uma tragédia iminente. É um filme sucinto, menos de 7 minutos, mas que conta a sua história sem firulas e com ótimos diálogos. Acredito que muita gente não tenha gostado do filme pelo seu teor homofóbico, mas eu o enxerguei mais como um alerta da sociedade egoísta, esquizofrênica e triste que estamos vivendo. https://vimeo.com/17297434

Icebox

"Icebox", de Daniel Sawka (2018) Em 2016, o Cineasta sueco Daniel Sawka lançou o curta "Icebox", que fez muito sucesso nos Festivais. Agora, ele lança o longa, adaptado do seu curta. Daniel atualizou a política de imigração configurada pelo Governo Trump/ No filme, um garoto hondurenho, Oscar, foge de seu País para pedir asilo político nos Estados Unidos. Ele foi obrigado a fazer parte de uma gangue de criminosos em Honduras, e diante da recusa, acabou sendo ameaçado de morte. Seus pais o enviam às escondidas para que encontre seu tio que mora em Phoenix, Eua. Mas durante a travessia no deserto, Oscar é preso pela Imigração e passa dias dentro de uma jaula, junto de outras crianças imigrantes. Passando frio, afastado do convívio dos adultos, as crianças são tratadas como animais. Com uma excelente performance do jovem Anthony Gonzalez, que também atuou no curta de 2016 e para quem não sabe, deu voz ao personagem principal da animação da Pixar, 'Coco- A vida é uma festa", o filme "Icebox" é contundente e não tem tempo para melodrama. É soco no estômago. A cena da escola sendo metralhada com crianças dentro, ou ver a caminhonete onde estão os migrantes ser parada no meio do caminho pelos traficantes que sequestram as meninas, é muito forte. Para quem quer saber como anda a política de imigração e como funciona o julgamento de quem é preso, vale assistir ao filme.