quinta-feira, 23 de julho de 2026
O suflê
"The Souffleur", de Gastón Solnicki (2025)
Concorrendo no Festival de Veneza 2025, "the souffler" é um filme escrito e dirigido pelo argentino Gastón Solnicki e protagonizado pelo astro Willen Dafoe. Co-produzido pela Argentina e Áustria, o filme foi todo rodado no Hotel Intercontinetal Vienna. O filme ficionaliza um ato real: O Hotel InterContinental Vienna, construído em 1960 e localizado perto do Stadtpark, foi vendido para a empresa WertInvest e faz parte do polêmico projeto de reurbanização "Heumarkt Neu". O cineasta se baseou na premissa e conta a história do gerente do Hotel, Lucius (Dafoe), que trabalha há muitos anos no hotel. Agora decadente, ele coordena o quadro de funcionários, que inclui a sua assistente e filha, Lilly (Lilly Lindner) . Lucius, com seu perfeccionismo e precisão, supervisiona todas asáreas: arrumação dos quartos, quadra de tênis, cozinha, recepção Recebe os turistas e checa o bem estar, além de oferecer bônus e brindes em caso de reclamações. Mas quando um empresário argentino, interpretado pelo próprio cineasta, pretende comprar o hotel e demoli-lo para dar lugar a um novo empreendimento arquitetônico, Lucius entra em crise existencial.
O filme trata de diversos temas. A gentrificação, a falta de resgate da memória arquitetônica (o filme apresenta imagens de arquivo da construção do hotel nos anos 60), e a fidelidade à profissão, através do personagem de Dafoe, que me fez lembrar do mordomo de Anthony Hopkins em "Vestígios do dia". Visualmente, o filme tem uma rigidez dos planos fixos, que em algum momento me fez lembrar de "O grande hotel Budapeste", de Wes Anderson. Mas não tem nada a ver. Está mais para um filme de Yorgos Lanthimos, com cenas e personagens excêntricos e muita estranheza.
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