sexta-feira, 31 de julho de 2026

Extracto de adiós

"Extracto de adiós", de Emanuel Brunella (2025) Longa de estréia do roteirista e cineasta argentina Emanuel Brunella, "Extracto de adiós" é o cinema possível. COm o cinema argetino sucateado pelo govenro, Emanul decidiu filmar com 5 pessoas na equipe: ele, os dois únicos atores, uma assistente de arte e um técnico de som. Todo o filme foi improvisado, tanto na filmagem, quanto nos diálogos. As referências de cineastas que Emnual se apropriou foram Jonas Mekas e John Cassavettes. Do primeiro, ele traz as imagens estáticas, retratando o cotidiano, que dão início e desfecho ao filme. De Cassavettes, veio o improviso e o relacionamento obscuro e conflituoso de um jovem casal, nas ruas de Buenos Aires. A narratia do filme se divide em 3 sequências temáticas. Na primeira, Ivan (Ricardo Rivas) encontra Sofia (Sofia Pezzali) em um banco de uma praça. Assim como em "Antes do amanhecer", os dois jovens caminham pelas ruas da cidade, entram em uma locadora, bebem cerveja, e caminham novamente. O que o diferencia do filme de Richard Linklater, é que aqui, o silêncio se faz presente. Na segunda parte, Ivan leva uma deprimida Sofia nas costas, para que ela viaje de ônibus para resolver um assunto. Na terceira parte, o casal discute durante a noite. O filme apresenta uma geração de 30 anos totalmente desesperançada e desencantada. Os dois protagonistas se conectam pela melancolia, depressão e falta de persepctiva. É um retrato que reflete o quanto a opressão do cotidiano destrói e suga a energia e as vidas de jovens. O desfecho sugere alguma possibilidade de luz no fim do túnel. Mas ainda assim, um filme que traz gatilhos emocionais para os que sentem que não produziram nada nessa etapa da vida. A linguagem do filme é experimental, fragmentada, tem momentos que o áudio é inaduível e surgem legendas. A câmera na mão é frenética, inconstante, assim como a vida dos protagonistas.

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