quinta-feira, 23 de julho de 2026
Pequenas criaturas
"Pequenas criaturas", de Ana Pinheiro Guimarães (2025)
Melhor filme e direção de arte no Festival do Rio 2025, "Pequenas criaturas" é escrito e dirigido pela cineasta brasiliense Anne Pinheiro Guimarães. Esse é seu segundo longa ( o 1o, "Transe", mostra um triângulo amoroso no meio de um turbilhão político e social no Brasil). O filme fala sobre ausências e possibilidades que pairam no ar, e ficam em aberto, assim como os seus personagens. Em determinado momento, o personagem de André, o filho mais velho de Helena (Carolina Dieckmann), diz que se pudesse ter um poder que fosse o de adivinhar o futuro. Será que a mãe se abrirá à uma possibilidade de amor lésbico? Será que o personagem do morador do apartamento do 304, é um p3d0f1l0, ou um adulto que age como uma criança? Será que um dos personagens se tornará um adolescente rebelde e marginal em Brasília? Será que o marido de Helena, e pai de Dudu (lorenzo Mello) e André, Luís (Michel Melamed), voltará um dia?
O filme se passa em Brasíla, 1986. Sarney é o presidente empossado, sunstituindo Tancredo Neves. O país volta a se democratizar. Helena se despede de Luís no aeroporto, que viaja a trabalho. Ela e seus filhos estão sozinhos na capital, um lugar inóspito, monumental e solitário. Nesse deserto de concreto e cerrado seco, cada um deles viverá a sua história.
A fotografia de Pablo Baião acentua a melancolia da capital. Brasília geralmente é vista no cinema como um lugar de encontros e desencontros de almas solitárias. O filme traz referências cinéfilias: "Bang bang", clássico de Andrea Tonacci, com um dos personagens usando a máscara de um macaco de "O planeta dos macacos"; "Pecados íntimos", na posisbilidade de um ataque p3d0f1l0; e "Contatos imediaos do 3o grau", no desfecho lúdico e fantástico. O elenco principal, formado pelo núcleo familiar, está excelente. Participações de Caco Ciocler, Leticia Sabatella e Fernando Eiras.
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