sábado, 25 de julho de 2026
Seu inferno particular
"Her private hell", de Nicolas Winding Refn (2026)
10 anos depois de ter exibido seu 3o filme no Festival de Cannes, "O demônio de Neon", em 2016, o cineasta dinamarquês Nicolas Winding Refn, dos excelentes 'Drive" e do subestimado 'Só Deus perdôa", retornou no mesmo Festival francês com "Seu inferno particular". Assim como seus últimos filmes, o filme dividi a crítica, recebendo muitas vaias e alguns aplausos. Eu sou muito fã de Refn de seus 2 filmes com Ryan Gosling, filmes que redefiniram a estética dos filmes de ação. Mas tanto "Neon", quanto "Inferno", se enveredaram para uma narrativa mais surreal, desconexa, aberta a interpretações. Não por acaso, são os filmes onde Refn mais se aporxima do cinema de Dario Argento, que também costumava deixar muitas pontas soltas, sme dar explicações. Elementos sobrenaturais, fotografia saturada e uso de cores fortes, interpretações empostas, e claro, o assassino de couro e luvas pretas, são a prova definitiva da homenagem ao gênero giallio. A forma com que o assassino mata também é marca registrada de ARgento, principalmente de "Suspíria": a vítima tem o tórax rasgado e a cabeça estourada ao bater no vidro da janela. Mas existe também uma homenagem a outro mestre do horror: John Carpenter. Uma das tramas acompanha um nevoeiro, que oda vez que surge, traz uma figura que encarna a morte, no caso, o serial killer. No filme de Carpenter, 'A bruma assassina", o mote é o mesmo. Refn também exacerba o homoerotismo no filme, através da presença do galã Charles Melton ( de "May december"): seja vestindo um uniforme de guarda japonês dos anos 60, ou uma jaqueta de couro com o peito nú, Melton exala sensualidade por cada poro de seu corpo.
A trama é uma bagunça. O que interessa no filme, é ficar acompanhando a estética visual, que remete tanto aos giallios dos anos 70 e 80, quanto à ficção científica de "Blade runner". O filme tem 2 tramas andando paralelas, que se unem no fim: no futuro, uma jovem atriz, Elle (Sophie Tatcher), procura se reconciliar com seu pai e sua madratas, enquanto filma. Nos anos 60, um ex-soldado japon6es, K (Melton) está em busca de sua filha, levada pelo serial killer "O homem de couro".
Outro ponto positivo é a trilha sonora do mestre Pino Donaggio, que fez trilhas para Brian de Palma nos anos 80. A fotografia é um espetáculo à parte.
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