segunda-feira, 20 de julho de 2026
Labirinto dos garotos perdidos
"Labirinto dos garotos perdidos", de Matheus Marchetti (2025)
Em 2022, o roteirista e cineasta Matheus Marchetti lançou "Verão fantasma", um cult queer com elementos narrativos muito próximos ao seu novo filme, "Labiritnto dos garotos perdidos". A influência do cinema giallio, principalmente dos cineastas Dario Argento e Mario Bava, e a constante atmosfera de sonho, com fotografia onírica retratada em cores vibrantes. Aqui, as influências do giallio vão desde o poster do filme, uma referência a ""A Breve Noite das Bonecas de Vidro", de Aldo Lado, de 1971, às cores e direção de arte de "Suspíria"( a porta de entrada da festa tem as cores da porta da mansão do ballet). E a trama traz elementos de "Phenomena", na revelação do assassino.
O filme mescla elementos de suspense, thriller, terror, mas traz a brasilidade envolvendo humor, romance e muita sensualidade, na exposição de corpos masculinos nús. A atriz Tuna Duek narra o filme em tom de "Era uma vez", com uma voz suave e acolhedora.
Miguel (Giuliano Garutti) é um jovem que vem para a cidade grande para se encontrar com a pessoa com quem ele tem se conectado em um app, com a intenção de perder a sua virgindade. Durante uma noite, ele perambula pelas ruas, becos e parques de São Paulo, se encontrando com estranhos, alheio aos assassinatos cometidos por um serial killer.
O filme traz personagens masculinos em busca de tesão e desejo. São tipos divertidos, repletos de fetiches que faz o público rir bastante ( a cena do chuveiro do golden shower é um bom exemplo). Um outro personagem, a do su1c1d4, revela a solidão da grande metrópole.
Fireflies at El Mozote
"Luciérnagas en El Mozote", de Ernesto Melara (2026)
Co-produzido por El Savdaor e Estados Unidos, "Fireflies at El Mozote" é uma reconstituição dramática do massacre ocorrido em El Mozote, em Sal Salvador, entre os dias 10 e 13 de dezembro de 1981. Um segmento de elite exercito do governo, conhecido como Batalhão Atlacatl, foi treinado pelos americanos e invadiu a região de El Monzote e arredores. Entrevistaram moradores, depois os assassinaram. Foram mais de mil mortosmetade crianças. O filme ficcionaliza um sobrevivente: José (Mateo Honles) tem 10 anos e tem a sua mãe e irmã pequena assassinadas. Ele tinha que cuidar da irmã e se sente cupado pela morte dela. Ao encontrar revolucionários, deixa clao o seu desejo de vingança.
Apesar dos cuidados com a direção de arte e figurinos, é uma pena que a direçao não tenha dado mais ritmo e dinâmico ao filme. O elenco também é outro ponto conflituoso: mesmo com participação de bons atores, como a espanhola Paz Vega ( de "Lucia e o sexo", como uma guerrilheira), o filme tem atores fracos em papéis importantes. Mas foi válido por pelo menos trazer aos dias d ehoje, uma história considerada o massacre mais bárbaro da América latina nos tempos recentes, que só teve a sua história narrada e não abafada ( os mortos foram enterrados pels soldados) pelo testemunho de uma sobrevivente e relatos de um jornalista do New York times. A cena final é bem bonita, trazendo elementos fantásticos, com vagalume siluminando o local onde os mortos estão enterrados.
A una isla de ti
"A una isla de ti", de Alexis Morante (2026)
Comédia romântica lgbt espanhola, "A una lista de ti" é dirigida por Alexis Morante e escrita por Paula López Cuervo e Fernando Pérez. A história é simpática e previsível, com atores carismáticos intercalando momentos de humor, drama e romance, com pitadas de nudez que irá atiçar o público. O filme foi rodado na paradisíaca Ilhas Canárias, região que dá apoio logístico para o audiovisual e justifica ter imagens que vendam o local como se fsse um institucional.
Harry (Freddie Dennis). é um jovem Chef prestes a se casar com seu noivo. Mas o noivo desiste do casamento, deixando Harry bastante frustrado. Yaiza (Julia Martínez), a su chef e melhor amiga de Harry, o convence a passar um tempo nas Ilhas Canárias, na casa de sua família, para tirar férias e desestressar. Após quase se afogar na praia depois de uma noite de bebedeira na balada, Harry é salvo por um surfista cinquentão, Ivan (Jaime Zatarain). Ambos se sentem atraídos e se tornam amantes. Mas Harry vem a decsobrir que Ivan é pai de Yalza, e precisam esconder esse fato dela.
A parte do humor está mais focado no amigo gay pintosa de Yalza, que se apresenta na noite como Drag, e na mãe de Yalza, uma terapeuta s3xu4l. Faltou dar mais ritmo e mais humor ao filme, mas funciona como passatempo ligeiro.
domingo, 19 de julho de 2026
Gloria
"Gloria", de Christian Keller (2014)
Prêmios de melhor atriz e ator no Festiva Ariel do México, "Gloria" é uma cinebiografia da cantora mexicana Gloria Trevi, considerada nos anos 90 como a "Madonna mexicana", pelas rouas e apresentações provocativas. Glória (Sofia Espinosa) vendeu mais de 20 milhões de cópias de discos. O filme apresenta o início de sua carreira, quando, em 1985, ao conhecer o empresário musical Sergio Andrade (Marco Perez), o impressiona com sua vocação musical e a coloca como integrante do grupo pop "Boquitas pintadas". Com o fracasso do grupo, Sergio decide lançar Gloria Trevi em carreira solo, e ela imediatamente se torna um grande sucesso. Mas a derrocada veio em 2000. De visita ao Brasil, Gloria, Sergio foram presos no Rio de Janeiro. Ambos foram acusados de aliciamento de menores: Sergio as seduzia com promessa de carreira artística, em troca de favores s3xu41s. Gloria ficou presa por quase 5 anos, entre 2000 a 2004, no Brasil e no méxico. A justiça não conseguiu provas contra Gloria, que dediciu começar vida nova no Texas, se casando e reiniciando a sua carreira, se tornando novamente uma das grandes estrelas latinas.
O filme traz uma edição que vai e volta no tempo, se tornando confuso às vezes. O trabalho da atriz Sofia Espinosa é marcante, trazendo todas as nuances de Gloria na vida pessoal e nos palcos, e as cenas da prisão são bem conduzidas cm a ajuda da direção de arte e da fotografia. É uma cinebiografia convencional, mas eficiente para os fãs da cantora.
A tocha de zen
"Xia nü", de King Hu (1971)
Com 200 minutos de duração, "A tocha de zen" é considerado o melhor filme de wuxia da história. O filme faz parte da lista dos "1001 Filmes Que Você Deve Ver Antes de Morrer". Vencedor no Festival de Cannes 1975 do prêmio técnico de contribuição artística, foi fundamental para que a partir daí, os filmes chineses tivessem maior abetura em festivais de cinema. O filme também foi responsável por fornecer rspeito artístico e consagração entre a crítica mais exigente para um gênero tão popular. "A tocha de zen" foi a inspiração para os filmes premiados de Ang Lee, "O tigre e o dragao", e "O clã das adagas assassinas", de Zhang Yimou, esse último, homenageando a famosa sequência da luta na floresta de bambus, existente nesse filme de 1971.
Co-produzido por Taiwan e Hong Kong, o filme foi escrito e dirigido pelo cineasta King Hu, que se mudou para Taiwan e ali se instalou. "A tocha de zen" levou 3 anos para ser filmado, e foi filmado em Taiwan e Hong Kong. No lançamento, o filme foi divido em 2 partes pela sua longa duração, e ambas fora fracasso de público. Mas com o passar dos anos, o filme foi redescoberto e alçado à condição de obra prima.
Com forte influência dos faroestes de Sergio Leone, o filme é baseado no conto "A garota magnânima", uma antologia de Pu Songling, intitulada "Strange Stories from a Chinese Studio".
A história é dividida em 3 atos dramaturgicamente distintos: Ambientado na época da Dinastia Ming, o 1a ato apresenta Gu (Zhang Bing-yu)), um jovem pintor e retratista que mora com sua mãe viúva. Pobres, a mãe de Gu lamenta ele não ter se tornado um oficial e também de não ter se casado ainda e lhe dar netos. Um dia, um homem misterioso, Ouyang Nian (Tien Peng) surge e lhe pede um retrato. Na verdade, ele está à procura de 3 fugitivos procurados pelo governo, entre eles, a jovem Yang (Feng Hsu). O pai dele foi morto pelo General por descordr dele, e sua família foi ameaçada. Yang se esconde em uma casa abandonada e que os amoradores acreditam estar amaldiçoada. No 2o ato, Gu, agora ajudando Yang, luta contra os oficiais do governo. No 3o ato, Yang decide abandonar tudo e morar em um mosteiro budista. Mas Gu descobre que ela teve um filho dele, e que os oficiais estão indo atrás deles. Esse último ato tem um tom diferenciado, buscando elementos fantasiosos, com um desfecho brilhante e abraçando o zen budismo. A sequência dos bambus é espetacular em todos os sentidos, e surpreendente por ter ido filmado no final dos anos 60, com efeitos praticos, incluindo trampolins.
Chuva
"Lluvia", de Rodrigo García Sáiz (2023)
Longa de estréia do cineasta mexicano Rodrigo García Sáiz, a partir de roteiro escrito pela dupla Claudia Garibaldi e Paula Markovitch, "Chuva" concorreu nos festivais de Málaga e Miami em 2023. O filme lembra a narrativa de filmes painéis de outro mexicano, Alejandro Inarritu, como "Amores perros" e "Babel"; diversas histórias paralelas que em algum momento se entrecruzam. Diversos elementos lingam as histórias: todas acontecem na cidade do México; todas na mesma noite de chuva; e todas sobre personagens anônimos, desemparados e desiludidos. A grande metrópole é vista como um espaço de solidão, isolamento e frustração, seja amorosa, pessoal ou profissional.
1) Um taxista pega um passageiro e descobre que ele é amante de sua esposa e quer ir para o seu endereço
2) Uma professora é assaltada pelo seu ex-aluno
3) Em um metrô, um passageiro desmaia. Um casal o socorre e o leva até o hospital. Eles decidem visitar a casa do homem
4) O gerente de um cassino se sente atraído por uma turista japonesa
5) Uma enfermeira cuida de um pacinte ferido no hospital, que lhe pede para realizar uma tarefa em seu lugar
6) Uma prostituta se relaciona com um cliente e decsobrem que são da mesma cidade
O filme tem seus altos e baixos, e nem todas as históris funcionam bem, como é comum em filme de episódios. Os atores de uma forma geral são bns, com destaque para a enfermeira e a professora com o ex-aluno (que aliás, esse episódio me lembrou do filme de Reinchembach, "Os anjos do arrabalde"). A fotografia merece destaque, iluminando noturnas com chuva e mantendo uma atmosfera melancólica.
sábado, 18 de julho de 2026
Somos Mari Pepa
"Somos Mari Pepa", de Samuel Kishi (2013)
Dedicado aos pais e avós, o cineasta e roteirista mexicano Samuel Kishi se inspira na sua adolescência e na sua avó para criar um coming of age malncólico. Concorrendo no Festival de Berlim na mostra Generation, dedicado a filmes com temáticas juvenis, 'Somos Mari Pepa" é filmado na cidade do México. Segundo o próprio cineasta diz, : "o filme nasceu da necessidade de homenagear minha avó, o bairro onde cresci, meus amigos e minhas várias bandas de rock fracassadas. É uma carta à minha adolescência, àquela idade difícil e estranha, cheia de dúvidas e desolação.""
Alex, alter ego do diretor, tem 16 anos. Ele é integrante de uma banda de punk rock junto de 4 amigos: Alex, Moy, Bolter e Rafa, mais conhecidos como "Maripepa". Eles querem compor uma nova música. Alex mora com seus pais e sua avó. Quando os pais viajam, Alex precisa cuidar dela. Ao mesmo tempo, quer arranjar um emprego, perder a virgindade e compor uma música nova.
O filme, curiosamente, traz pouco humor, e mostra, com um olhar quase documental, a rotina dos amigos e proncipalmente, a dependência da avó para com Alex. Um olhar afetuoso sobre uma nostalgia, a periferia da cidade, a amizade e sobbre relacionamentos familiares.
Kill trip
"Kill trip", de Kristian McKay (2026)
Escrito e dirigido por Kristian McKay, "Kill trip" é um slasher que asusmidamente, traz referências de diversos filmes clássicos, copiando ipsis literis cenas como a do chuveiro de "Psicose". com a mesma decupagem de planos, e a cena do frigorífico de "O iluminado". A história traz elementos dramtúrgicos também de "Assassinos por natureza", de Oliver Stone, com a sedução pelo bad boy. O roteiro, por sua vez, chupa quase que por inteiro a premissa de "Os estranhos": afinal, um grupo de amigos que segue para um Festival de música no Texas, pega carona na estrada. O motorista decide pegar um atalho e leva a galera até um motel em uma cidade para passar a noite, e acontece que todo mundo da cidade tem um segredo.
As cenas de assassinatos não são vistos na câmera, e quando são, são realizados com truques baratos de efeitos. A tensão é pouca, os personagens não são carismáticos e acaba que o espectador não torce muito por ninguém ali. Assim como 'O massacre da serra elétrica" de 2003, com Jessica Biel e que até hoje o público elogia pela beleza do elenco, "Kill trip" também tem atores escolhidos à dedo: todos jovens, bonitos e sedutores. E acaba que esse é o grande chamariz do filme.
Chand. My heart
"Chand Mera Dil", de Vivek Soni (2026)
Para quem é fã de romances e quer se apaixonar, sofrer pelo casal e sair do filme acreditando que o amor vence todas as barreiras, não deve deixar de assistir a esse novelão vindo da ïndia. Lindamente fotografado, repleto de cenas no pôr do sol, rodado em lindas locações e tendo como protagonistas, 2 lindos atores: Aarav (Lakshya) e Chandni (Ananya Panday). Os dois se conhecem em 2017, ainda jovens, quando entram na faculdade de engenharia. A cidade é Hyderabad, o centro tecnológico do país. Aarav deseja trabalhar nos Esados Unidos. Ele vem de uma família rica. Chandni é de classe inferior, e quando criança, teve trauma quando testemunhava sua mãe sofrer abusos domésticos de seu pai. Os dois se apaixonam, e Chandni fica gravida. Aarav diz à Chandni se ela não quer abortar, pois são jovens e ter uma filha agora pode atrapalhar a carreira de ambos. Chandni quer manter a criança. Aarv decide se casar com Chandni, mas seus pais desaprovam, alegando que ela engraidou por interesse financeiro. AArav decide orar com Chandni, mas sem apoio da família, encontram dificuldades financeiras. APós uma discussão, Chandni lembra de sua mãe e decide se separar e pedir divórcio.
O filme é prato cheio para qualquer roteirista de novela, com direito a reviravoltas românticas e muito sofrimento. O filme não tem números de Bollywood, mas contém muitas músicas que ilustram dversas cenas do filme.
Ulysses
"Ulisse", de Mario Camerini (1954)
Depois de assistir "A odisséia", de Christopher Nolan, me deu vontade de assistir essa versão do poema "A odisséia", de Homero, realizada pelos italianos em 1954, tendo Kirk Douglas e Anthony Quinn como Ulysses (outro nome para odisseus) e Antinnos. A estrela Silvia Mangano interpreta a esposa de Ulysses, Penelope e também a bruxa Circe. Os eefeitos práticos são deliciosos, senti falta de ter mais elementos fanásticos. Boa parte do filme foi rodado em Estúdio com cenários construídos em Lazio, e as externas, no Mar Mediterrâneo. O filme tem 94 minutos, o que acarretou cortes de muitas sequências importantes. Mas Circe, o Cíclope, o reino das ninfas, o submundo ds mortos, as sereias estão aqui. Aliás, a sequência com o Cíclope é repleta de ironia e humor, elementos inexistentes na versão de Nolan. Em determinando momento, depois de devorar um tripulante grego, o Cíclope diz: "Que carne dura a dos gregos. Uma carne muito ruim!".
Toda a invasão de Tróia é vista em flashes. E Aquilles surge no mundo dos mortos. As cenas de tempestade em alto mar são divertidas, pois nitidamente foi filmado em um tanque, com alguém da equipe jogando agua em cima do elenco. As perfoamnces, principalmente a de Silvia Mangano, são bastante teatrais e hilárias, para os dias de hoje. Me diverti bastante.
sexta-feira, 17 de julho de 2026
Rebelião silenciosa
"À bras-le-corps", de Marie-Elsa Sgualdo (2025)
Co-escrito e dirigido por Marie-Elsa Sgualdo, "Rebelião silenciosa" concorreu no Festival de Veneza em 2025 e traz uma história sob o ponto de vista feminino, tanto na direção, roteiro e no protagonismo. Ambientado na Suíça em 1943, o longa foi rodado nas montanhas de Colombier, Neuchâtel, Suíça. A história me deixou bastante angustiado e me lembrei de "Dogville", não pelo aspecto visual e técnico, mas pela tragédia pessoal da adolescente Emma (Lila Gueneau), 15 anos. Ela é mal vista pela comunidade formada por protestantes onde mora, por conta de um extupr0 que ela sofreu, e precisa lutar pela sua dignidade. Ela também questiona o porque da comunidade em não acolher refugiados franceses, deixando-os à mercê dos oficiais nazistas.
Ao longo do filme, fui ficando irritado e angustiado pela forma como a protagonista sofre em silêncio. Mas o desfecho salvou qualquer impressão ruim que eu tive, ao homenagear explicitamente a cena final de "A noite de Cabíria", com direito à mesma quebra da quarta parede. A atriz Lila Gueneau segura o filme inteiro nas costas, em uma performance complexa e repleta de camadas emocionais.
A odisséia
"The odissey", de Christopher Nolan (2026)
Não há como questionar o talento de Christopher Nolan em todas as áreas em que atua: diretor, roteirista e produtor. Na sua adaptação de "A odisséia", de Homero, muitas críticas surgiram quanto à escalação de elenco de Lupita Nyong'o como Helena de tróia e de Elliot Page como um soldado grego da armada de Odisseus (Matt Damon), chamado Sinon. Esse personagem surge como um elemento de conflito moral para Odisseus, que após a Guerra de Tróia, divaga sobre as mortes ocorridas após a sua idéia de invadir a cidade usando o Cavalo presenteado. A verdade é que , mesmo com a longa duração de quase 3 horas, é um filmaço, repleto de drama, cenas de ação e aventura. Por vários momentos, me imaginei assistindo ao clássico 'Fúria de Titãs", de 1981, um filme que amo por estar repleto de seres fantásticos: aqui, tem o Cíclope, as sereias, uma feiticeira, um monstro de várias cabeças, soldados gigantes. Os deuses surgem na figura de Atena (Zendaya) e da ninfa Ca;ypso (Charlize Theron), que mantém Odisseus preso em sua ilha por 7 anos.
São muitos os personagens e sub-plots envolvendo o retorno de odisseus ào seu reino de Ítaca, que ele deixou para trás há 20 anos para lutar na Guerra de Tróia. Sua esposa, Penelope (Anne Hathaway) precisa lidar com diversos pretendentes que desejam usurpar o trono e forçá-la a um novo casamento, uma vez que as esperança sde Odisseus retornar já são improváveis. O filho deles, Telemaco (Tom Holland), decide ir atrás do pai, e para isso, segue até o reino de Esperta, governado por Menelaus (Jon Bernthal), casado com Helena. Robert Pattinson é Antinous, um dos pretendentes de Penelopse e que pretende usurpar o trono.
Os primeiros 10 minutos me deixaram confuso, com uma edição frenética, apresentando 1 personagem por minuto. Matt Damon retorna em grande estilo, com um personagem que me lembrou o que ele interpretou em "Perdido em Marte", divagando em sua solidão. Mas a cena mais brilhante do filme, é a que envolve a sempre surpreendente Samantha Morton. Um primor de atuação e de realização.
quinta-feira, 16 de julho de 2026
Montreal, ma belle
"Montreal, ma belle", de Xiaodan He (2025)
Escrito e dirigido pela cineasta chinesa radicada no Canadá Xiaodan He, "Montreal, ma belle" é um drama queer protagonizado pela premiada atriz chinesa Joan Chen. O filme, ambientado em Quebec, traz uma família de chineses imigrantes morando na cidade. Febg Xia (Chen) é casada com Wang Jun (John Xu), e pais de dois adolescentes nascidos no Canadá. O casal possui um mercadinho. O marido, que é engenheiro formado na China, não consegue emprego de engenheiro no Quebec por falta de diploma, e isso o deixa frustrado e amargurado. Os filhos não falam chinês e falame m francês com os pais, que mal falam a língua do país. Feng decide se matricular em um curso de francês para imigrantes. Ela conhece um aluno cubano gay que a apresenta a aplicativos de namoor. Ali, Feng se interessa por Lisa (Charlotte Aubin), uma jovem canadense. Feng sempre escondeu o seu interesse por mulheres, mas decide ir ao encontro escondida da família. As duas se conectam e se tornam amantes. O marido de eng passa a desconfiar das saídas da esposa e a flagra com Lisa.
O filme lida com diversos temas: etarismo, sexualidade reprimida, saída do armário, violência doméstica, falta de comunicação geracional, choque de culturas. Joan Chen é a grande performance do filme, repleta de camadas de emoção e trabalhando o seu silêncio e olhares. É um filme que lida com sensibilidade com a história de Feng, mas ao tentar abraçar tantos temas, se perde um pouco, terminando em um desfecho abrupto e em aberto.
Tróia
"Troy", de Wolfgang Petersen (2004)
Me preparando para assistir a "A odisséia", de Cristopher Nolan, decidi rever "tróia", de Wolfgang Peternse, lançado em 2004. Assisti na época e pouco me lembrava do filme, dirigido pelo alemão que realizou o clássico infantil "A história sem fim". O filme explora bastante os corpos do elenco, todos no auge da beleza: Brad Pitt, Eric Bana, Orlando Bloom, Diane Krueger e Rose Byrne. São cenas com muito erotismo, captadas com sensualidade pelas lentes. Fico impressionado como os efeitos, tanto práticos quanto os de CGI, eram muito melhores do que as que são realizadas hoje.
Adaptação da "Ilíada", de Homero, o filme apresenta Helena de Tróia (Krueger) como o estopim da Guerra de Tróia. O ano é 1184 Ac. Helena é filha de Zeus com a rainda Leda. Casada com o Rei Menelau de Esparta (Brendan Gleeson), ela se torna amante de Paris (Orlando Bloom), irmão de Hector (Bana). ambos príncipes de Tróia. Ele a leva até Tróia, governada pelo seu pai, Príamo (Peter O'toole). Menelau vai até o Rei Agamenon, seu irmão mais velho, e o convence a declar a guerra de Troia. Para isso, ele convova o seu guerreiro mais poderoso, Aquiles (pitt) para liderar os mais de mil navios. Odisseu (Sean Benn) sugere construir um Cavalo de madeira gigante para ser dado de presente e invadir Tróia.
O roteiro, escrito por David Benioff (roteirista e diretor de "Game of thrones") é adaptado do poema de Homero. O filme tem cenas bastante explícitas de violência, e é uma superprodução subestimada na época, e que merecia mais reconhecimento pela sua grandiosidade.
El filo de las tijeras
"El filo de las tijeras", de David Marcial Valverdi (2023)
Concorrendo a melhor filme latino no Festival de san Sebastian 2023, o documentáriio queer argentino "El filo de las tijeras" é uam imersão subjetiva do diretor e roteirista David Marcial Valverdi das memórias de sua história como homem gay. Desde os anos 90, quando, aos 7 anos de idade, ficava no salão de cabeleireiros de sua avó e ficava folheando as revistas e olhando as fotos de rapazes de short e sungas, ou aguardando o dia em que a clientela era toda de homens. Depois, nos anos 90, frequentava points de pegação de Buenos Aires e depois, o surgimento dos aplicativos. Através de animação e fotos e vídeos de época, David revela quais eram os códigos da pegação nos parques, e o medo de ataques homofóbicos, citando o caso de um amigo que foi assassinado. Boa parte do filme foca no casamento à três que ele manteve por 9 anos com Maximiliano e David, de mesmo nome. O filme mostra, de forma bsstante expositiva, a rotina dos 3 na cama, no lazer e as conversas durante o passar dos anos, até o fim do relacionamento, que se tornou desgastado com o assar do tempo.
Um bom exemplar sobre a cultura gay na Argentina nos anos 90 a 2020, "El filo de las tijeras" tem um caráter amador pelo seu orçamento, mas pulsa em emoção e carinho pelos personagens que apresenta.
Alone in Venice
"Alone in Venice", de Jules East (2025)
Escrito e dirigido por Jules East, "Alone in Venice" é uma visão modera e reversa do clássico de Thomas Mann, "A morte em Veneza". A cineasta chinesa radicasa em San Francisco Jules East inverteu os personagens: um jovem ator, Saul Larson (Apollo Luce) é apaixonado pela cineasta chinesa Jules (interpretado pela mesma). Jules é casada e conheceu Saul durante uma audição de seu filme independente. Eles se tornaram amantes e para despistar, ela o enviou até Veneza, para ficar em um quarto de hotel para esperá-la. Já se passaram 7 meses e Jules sempre arruma uma desculpa para não poder ir. Saul, obcecado, peramula pelas ruas de Veneza, esperançoso de que ela apareça. A irmã, de Saul, Mia (Lisa Jacqueline Starrett) viaja até Veneza para convencer o irmão a retornar para casa, mas ele quer continuar aguardando pela sua amada.
O filme teve um orçamento de 20 mil dólares e rodado em 13 dias, com uma equipe de 5 pessoas. Dá para perceber um certo amadorismo na parte técnica do filme: fotografia lavada, atores amadores. É uma pena que o filme não tenha tido mais ambição em termos de qualidade, e isso inclui o roteiro, co diálogos forçados. Mas o maior problema é a história anacrônica: é difícil acreditar que nos dias de hoje, um rapaz sofra por um amor tão obcecado como a do personagem.
quarta-feira, 15 de julho de 2026
Taipei suicide story
"Anmian lushe", de Keff (2020)
Um dos filmes mais melancólicos que assisti nos últimos tempos, "Taipei suicide story" me trouxe imediatamente lembrança de 'Amor à flor da pele", de Wong Kar Wai: os ambientes claustrofóbicos do hotel, os enquadramentos, os silêncios, os planos longos e reflexivos.
Exibido no Festival de Cannes e premiado no Slamdance Film Festival de 2021 , onde ganhou o Grande Prêmio do Júri e o Prêmio do Público na categoria de Melhor Longa-Metragem de Ficção, além do Prêmio de Melhor Atuação para Tender Huang, no papel do recepcionista Zhi-hao.
Escrito e dirigido por Keff, o filme pode ser um gatilho e por isso não o recomendo, mesmo eu tendo amado. Em Taipei, um hotel é procurado em uma longa lista de procura por ser permitido o hóspede se matar no quarto. Após a sua morte, no dia seguinte, uma equipe de "Limpeza" retira o corpo e faz assepsia do local, para receber o proximo hóspede. Pelas regras do hotel, o hóspede somente poderá se hospedar por uma noite, onde ele decidirá se se mata, ou se dá check out no dia seguinte, desistindo. Zhi-hao é um recepcionista acostumado ao seu trabalho. Ele age friamente e sem qualquer interação com as histórias dos hóspedes. Mas quando ele descobre que uma hóspede, Jung-tin (Vivian Sung) está hospedada por uma semana, sem seu conhecimento, ele decide faar com ela e lhe dar um ultimato: essa será sua última noite lá.
O filme traz elementos de huor, na figura dos limpadores, e um romance improvável e triste na relação de Zhi-hao e Jung-tin.
O jantar
"La cena", de Manuel Gómez Pereira (2025)
Quando " A vida é bela", de Roberto Benigni surgiu, muitas pessoas ficaram desconfortáveis com o uso da comédia para lidar com temas tão profundos e doloroso como a Alemanha nazista e os campos de concentração. "O jantar", do espanhol Manuel Gómez Pereira, que também escreveu o roteiro, vai para o mesmo caminho. O filme se passa no final da Guerra civil espanhola, 1939, com a vitória do General Franco. O próprio ordena um jantar de gala no Hotel Palace. Sem que ele saiba, o loca é utilizado como um hospital improvisado para feridos de guerra. O tenente (Mario Casas) é incumbido de organizar o jantar, e convoca o maître d'hôtel Genaro (Alberto San Juan) para preparar o jantar para Franco e seus generais. Genaro diz que todos os chefes são de esquerda e prestes a serem fuzilados, e que não existem chefes de direita. Medina solicita que adiem o fuzilamento e os chfes são liderados por Genaro para o jantar. O que eles querem, na verdade, é durante o jantar, organizar uma fuga.
Co-produzido por Espanha e França, o filme foi indicado a 6 prêmios Goya, incluindo melhor filme. É um filme muito divertido, com um excelente elenco e uma sub-trama com contexto lgbt, envolvendo Medina e Genaro. A direção de arte, figurino, fotografia e trilha sonora funcionam perfeitamente para contar a história. No 3o ato o suspense vai em um crescendo, com diversos tipos vilanescos surgindo para frustrar o plano dos amigos.
Armadilha mortal
"Pitfall", de James Kondelik (2025)
Sempre fui fã de slashers, e "Amadilha mortal" não decepciona. Mesmo com uma duração excessiva, podendo ter uns 20 minutos a menos, o filme satisfaz os fãs de gore e violência, com assassinatos brutais: o assassino usa machado, flechas, facas e principalmente, a armadlha do título: um poço com estacas no fundo, utilizada por caçadores.
O roteiro é batido. Temos 2 prólogos: um mostrando mãe e filho pequenos sendo abusados violentamente pelo marido dela em uma floresta de noite. No outro, os dois irmãos, Scott (Marshall Williams) e Ashley (Alex Essoe) estão no carro com seus pais, mas sofrem um acidente na estrada, causando a morte dos pais. Um tempo depois, os amigos dos irmãos os convencem a passar um final de semana na mesma floresta onde mae e filho foram vitimmados. Os amigos Lars (Richard Harmon), Gwen (Jordan Claire Robbins) e Charlie (Matt Hamilton) de cara vêem uma placa indicando diversos desaparecidos na floresta ( só em filme que os personagens inistem em acampar onde dezenas sumiram!!). Obviamente, um por um, serão vítimas do assasisno, interpretado por um campeão do MMA Randy Couture. Enquanto Scott cai no poço e fura sua perna, os outros precisam lutar para sobreviver ao assassino.
O filme não perdoa crianças nem mulheres grávidas, é cruel com todas as suas vítimas. Os atores são bons e existem cenas dramáticas e comoventes. Os efeitos são bons e a fotografia, quase toda noturna, eficiente.
Where elephants go
"Unde merg elefantii", de Catalin RotaruGabi e Virginia Sarga (2024)
Dizer que um filme romeno é estranho, é chuver no molhado. "Where elephants go" é escrito e dirigido pela dupla
Catalin RotaruGabi e Virginia Sarga e apresenta 3 personagens, que vivem em seu próprio mundo, tentando se dissociar das dificuldades e tragédias da vida contemporânea e da grande cidade. Marcel (Stefan Mihai) é um jovem escritor com tendências su1c1d4s que preambula pelas ruas, seguindo e imitando os transeuntes. Depois, se aproxima de mulheres e pergunta se querem transar com ele. Quando ele aborda Magda (Alice Cora Mihalache), inesperadamente ela aceita. Mada é mãe de Leni (Carina Lăpuşneanu), uma menina de 9 anos que faz tratamento de câncer. Para custear o tratamento, Magda trabalha como garçonete de dia e de noite se prostitui. Magda se apaixona por Marcel e Leni o vê como um irmão mais velho.
O filme é repleto de cenas surreais ( como a cena em que Marcel é levado para uma filmagem, como se fosse o protagonista de sua vida) e experimentais. Fique confuso em diversos momentos. O filme de certa forma homenageia a arte em diversos aspectos, e a doença mental e física é explorada de forma poética.
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