sexta-feira, 22 de maio de 2020

Limite

"Limite", de Mario Peixoto (1930) Listado como No 1 na relação dos melhores filmes brasileiros pela Abraccine, "Limite" é uma lenda do cinema brasileiro. O que mais me espanta é que esse único filme rodado por Mario Peixoto foi escrito e realizado por ele aos 22 anos de idade, em 1930. Um dos poucos exemplares do cinema experimental da fase muda do cinema nacional, o filme foi rodado em Mangaratiba, Estado do rio de Janeiro. Adoro a história que Peixoto ofereceu o roteiro a Adhemar Gonzaga e Humberto Mauro, dois dois diretores mais influentes do período, eles recusaram o projeto. Mas o encorajaram a realizar ele mesmo o filme, e ainda indicaram o fotógrafo alemão Edgar Brazil. Mario Peixoto bancou o filme sozinho, e junto da genialidade da câmera de Edgar Brazil, que concebeu ângulos de câmera complexos para a proposta do filme. O filme é mundialmente reconhecido como um tesouro da humanidade pela Unesco, por Martin Scorsese e por David Bowie, entre outros artistas. A sua história é totalmente fragmentada e sem uma linha narrativa fluente: no início, vemos 3 pessoas em um barco à deriva. são duas mulheres e um homem. A edição mostra imagens de urubus comendo carniça, já um prenúncio do destino dos personagens. Em flashbacks, vamos aos poucos conhecendo cada um deles, e a razão de tanta angústia e tristeza. Uma das mulheres resolve abandonar o marido opressor. A outra mulher sai da prisão, libertada pelo carcereiro. Ela via trabalhar de costureira, mas aquele ambiente a reprime. O homem se apaixona por uma mulher casada. O mar é um importante personagem, que sela o destino de todos e ainda com a sua suavidade ou seu momento de fúria, ilustra a emoção de todos. Não é um filme fácil de se assistir. É lento, longo ( 2 horas). O melhor é tentar não ser racional com a história e se deixar levar pela beleza das imagens.

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