sábado, 18 de julho de 2026

Ulysses

"Ulisse", de Mario Camerini (1954) Depois de assistir "A odisséia", de Christopher Nolan, me deu vontade de assistir essa versão do poema "A odisséia", de Homero, realizada pelos italianos em 1954, tendo Kirk Douglas e Anthony Quinn como Ulysses (outro nome para odisseus) e Antinnos. A estrela Silvia Mangano interpreta a esposa de Ulysses, Penelope e também a bruxa Circe. Os eefeitos práticos são deliciosos, senti falta de ter mais elementos fanásticos. Boa parte do filme foi rodado em Estúdio com cenários construídos em Lazio, e as externas, no Mar Mediterrâneo. O filme tem 94 minutos, o que acarretou cortes de muitas sequências importantes. Mas Circe, o Cíclope, o reino das ninfas, o submundo ds mortos, as sereias estão aqui. Aliás, a sequência com o Cíclope é repleta de ironia e humor, elementos inexistentes na versão de Nolan. Em determinando momento, depois de devorar um tripulante grego, o Cíclope diz: "Que carne dura a dos gregos. Uma carne muito ruim!". Toda a invasão de Tróia é vista em flashes. E Aquilles surge no mundo dos mortos. As cenas de tempestade em alto mar são divertidas, pois nitidamente foi filmado em um tanque, com alguém da equipe jogando agua em cima do elenco. As perfoamnces, principalmente a de Silvia Mangano, são bastante teatrais e hilárias, para os dias de hoje. Me diverti bastante.

sexta-feira, 17 de julho de 2026

Rebelião silenciosa

"À bras-le-corps", de Marie-Elsa Sgualdo (2025) Co-escrito e dirigido por Marie-Elsa Sgualdo, "Rebelião silenciosa" concorreu no Festival de Veneza em 2025 e traz uma história sob o ponto de vista feminino, tanto na direção, roteiro e no protagonismo. Ambientado na Suíça em 1943, o longa foi rodado nas montanhas de Colombier, Neuchâtel, Suíça. A história me deixou bastante angustiado e me lembrei de "Dogville", não pelo aspecto visual e técnico, mas pela tragédia pessoal da adolescente Emma (Lila Gueneau), 15 anos. Ela é mal vista pela comunidade formada por protestantes onde mora, por conta de um extupr0 que ela sofreu, e precisa lutar pela sua dignidade. Ela também questiona o porque da comunidade em não acolher refugiados franceses, deixando-os à mercê dos oficiais nazistas. Ao longo do filme, fui ficando irritado e angustiado pela forma como a protagonista sofre em silêncio. Mas o desfecho salvou qualquer impressão ruim que eu tive, ao homenagear explicitamente a cena final de "A noite de Cabíria", com direito à mesma quebra da quarta parede. A atriz Lila Gueneau segura o filme inteiro nas costas, em uma performance complexa e repleta de camadas emocionais.

A odisséia

"The odissey", de Christopher Nolan (2026) Não há como questionar o talento de Christopher Nolan em todas as áreas em que atua: diretor, roteirista e produtor. Na sua adaptação de "A odisséia", de Homero, muitas críticas surgiram quanto à escalação de elenco de Lupita Nyong'o como Helena de tróia e de Elliot Page como um soldado grego da armada de Odisseus (Matt Damon), chamado Sinon. Esse personagem surge como um elemento de conflito moral para Odisseus, que após a Guerra de Tróia, divaga sobre as mortes ocorridas após a sua idéia de invadir a cidade usando o Cavalo presenteado. A verdade é que , mesmo com a longa duração de quase 3 horas, é um filmaço, repleto de drama, cenas de ação e aventura. Por vários momentos, me imaginei assistindo ao clássico 'Fúria de Titãs", de 1981, um filme que amo por estar repleto de seres fantásticos: aqui, tem o Cíclope, as sereias, uma feiticeira, um monstro de várias cabeças, soldados gigantes. Os deuses surgem na figura de Atena (Zendaya) e da ninfa Ca;ypso (Charlize Theron), que mantém Odisseus preso em sua ilha por 7 anos. São muitos os personagens e sub-plots envolvendo o retorno de odisseus ào seu reino de Ítaca, que ele deixou para trás há 20 anos para lutar na Guerra de Tróia. Sua esposa, Penelope (Anne Hathaway) precisa lidar com diversos pretendentes que desejam usurpar o trono e forçá-la a um novo casamento, uma vez que as esperança sde Odisseus retornar já são improváveis. O filho deles, Telemaco (Tom Holland), decide ir atrás do pai, e para isso, segue até o reino de Esperta, governado por Menelaus (Jon Bernthal), casado com Helena. Robert Pattinson é Antinous, um dos pretendentes de Penelopse e que pretende usurpar o trono. Os primeiros 10 minutos me deixaram confuso, com uma edição frenética, apresentando 1 personagem por minuto. Matt Damon retorna em grande estilo, com um personagem que me lembrou o que ele interpretou em "Perdido em Marte", divagando em sua solidão. Mas a cena mais brilhante do filme, é a que envolve a sempre surpreendente Samantha Morton. Um primor de atuação e de realização.

quinta-feira, 16 de julho de 2026

Montreal, ma belle

"Montreal, ma belle", de Xiaodan He (2025) Escrito e dirigido pela cineasta chinesa radicada no Canadá Xiaodan He, "Montreal, ma belle" é um drama queer protagonizado pela premiada atriz chinesa Joan Chen. O filme, ambientado em Quebec, traz uma família de chineses imigrantes morando na cidade. Febg Xia (Chen) é casada com Wang Jun (John Xu), e pais de dois adolescentes nascidos no Canadá. O casal possui um mercadinho. O marido, que é engenheiro formado na China, não consegue emprego de engenheiro no Quebec por falta de diploma, e isso o deixa frustrado e amargurado. Os filhos não falam chinês e falame m francês com os pais, que mal falam a língua do país. Feng decide se matricular em um curso de francês para imigrantes. Ela conhece um aluno cubano gay que a apresenta a aplicativos de namoor. Ali, Feng se interessa por Lisa (Charlotte Aubin), uma jovem canadense. Feng sempre escondeu o seu interesse por mulheres, mas decide ir ao encontro escondida da família. As duas se conectam e se tornam amantes. O marido de eng passa a desconfiar das saídas da esposa e a flagra com Lisa. O filme lida com diversos temas: etarismo, sexualidade reprimida, saída do armário, violência doméstica, falta de comunicação geracional, choque de culturas. Joan Chen é a grande performance do filme, repleta de camadas de emoção e trabalhando o seu silêncio e olhares. É um filme que lida com sensibilidade com a história de Feng, mas ao tentar abraçar tantos temas, se perde um pouco, terminando em um desfecho abrupto e em aberto.

Tróia

"Troy", de Wolfgang Petersen (2004) Me preparando para assistir a "A odisséia", de Cristopher Nolan, decidi rever "tróia", de Wolfgang Peternse, lançado em 2004. Assisti na época e pouco me lembrava do filme, dirigido pelo alemão que realizou o clássico infantil "A história sem fim". O filme explora bastante os corpos do elenco, todos no auge da beleza: Brad Pitt, Eric Bana, Orlando Bloom, Diane Krueger e Rose Byrne. São cenas com muito erotismo, captadas com sensualidade pelas lentes. Fico impressionado como os efeitos, tanto práticos quanto os de CGI, eram muito melhores do que as que são realizadas hoje. Adaptação da "Ilíada", de Homero, o filme apresenta Helena de Tróia (Krueger) como o estopim da Guerra de Tróia. O ano é 1184 Ac. Helena é filha de Zeus com a rainda Leda. Casada com o Rei Menelau de Esparta (Brendan Gleeson), ela se torna amante de Paris (Orlando Bloom), irmão de Hector (Bana). ambos príncipes de Tróia. Ele a leva até Tróia, governada pelo seu pai, Príamo (Peter O'toole). Menelau vai até o Rei Agamenon, seu irmão mais velho, e o convence a declar a guerra de Troia. Para isso, ele convova o seu guerreiro mais poderoso, Aquiles (pitt) para liderar os mais de mil navios. Odisseu (Sean Benn) sugere construir um Cavalo de madeira gigante para ser dado de presente e invadir Tróia. O roteiro, escrito por David Benioff (roteirista e diretor de "Game of thrones") é adaptado do poema de Homero. O filme tem cenas bastante explícitas de violência, e é uma superprodução subestimada na época, e que merecia mais reconhecimento pela sua grandiosidade.

El filo de las tijeras

"El filo de las tijeras", de David Marcial Valverdi (2023) Concorrendo a melhor filme latino no Festival de san Sebastian 2023, o documentáriio queer argentino "El filo de las tijeras" é uam imersão subjetiva do diretor e roteirista David Marcial Valverdi das memórias de sua história como homem gay. Desde os anos 90, quando, aos 7 anos de idade, ficava no salão de cabeleireiros de sua avó e ficava folheando as revistas e olhando as fotos de rapazes de short e sungas, ou aguardando o dia em que a clientela era toda de homens. Depois, nos anos 90, frequentava points de pegação de Buenos Aires e depois, o surgimento dos aplicativos. Através de animação e fotos e vídeos de época, David revela quais eram os códigos da pegação nos parques, e o medo de ataques homofóbicos, citando o caso de um amigo que foi assassinado. Boa parte do filme foca no casamento à três que ele manteve por 9 anos com Maximiliano e David, de mesmo nome. O filme mostra, de forma bsstante expositiva, a rotina dos 3 na cama, no lazer e as conversas durante o passar dos anos, até o fim do relacionamento, que se tornou desgastado com o assar do tempo. Um bom exemplar sobre a cultura gay na Argentina nos anos 90 a 2020, "El filo de las tijeras" tem um caráter amador pelo seu orçamento, mas pulsa em emoção e carinho pelos personagens que apresenta.

Alone in Venice

"Alone in Venice", de Jules East (2025) Escrito e dirigido por Jules East, "Alone in Venice" é uma visão modera e reversa do clássico de Thomas Mann, "A morte em Veneza". A cineasta chinesa radicasa em San Francisco Jules East inverteu os personagens: um jovem ator, Saul Larson (Apollo Luce) é apaixonado pela cineasta chinesa Jules (interpretado pela mesma). Jules é casada e conheceu Saul durante uma audição de seu filme independente. Eles se tornaram amantes e para despistar, ela o enviou até Veneza, para ficar em um quarto de hotel para esperá-la. Já se passaram 7 meses e Jules sempre arruma uma desculpa para não poder ir. Saul, obcecado, peramula pelas ruas de Veneza, esperançoso de que ela apareça. A irmã, de Saul, Mia (Lisa Jacqueline Starrett) viaja até Veneza para convencer o irmão a retornar para casa, mas ele quer continuar aguardando pela sua amada. O filme teve um orçamento de 20 mil dólares e rodado em 13 dias, com uma equipe de 5 pessoas. Dá para perceber um certo amadorismo na parte técnica do filme: fotografia lavada, atores amadores. É uma pena que o filme não tenha tido mais ambição em termos de qualidade, e isso inclui o roteiro, co diálogos forçados. Mas o maior problema é a história anacrônica: é difícil acreditar que nos dias de hoje, um rapaz sofra por um amor tão obcecado como a do personagem.

quarta-feira, 15 de julho de 2026

Taipei suicide story

"Anmian lushe", de Keff (2020) Um dos filmes mais melancólicos que assisti nos últimos tempos, "Taipei suicide story" me trouxe imediatamente lembrança de 'Amor à flor da pele", de Wong Kar Wai: os ambientes claustrofóbicos do hotel, os enquadramentos, os silêncios, os planos longos e reflexivos. Exibido no Festival de Cannes e premiado no Slamdance Film Festival de 2021 , onde ganhou o Grande Prêmio do Júri e o Prêmio do Público na categoria de Melhor Longa-Metragem de Ficção, além do Prêmio de Melhor Atuação para Tender Huang, no papel do recepcionista Zhi-hao. Escrito e dirigido por Keff, o filme pode ser um gatilho e por isso não o recomendo, mesmo eu tendo amado. Em Taipei, um hotel é procurado em uma longa lista de procura por ser permitido o hóspede se matar no quarto. Após a sua morte, no dia seguinte, uma equipe de "Limpeza" retira o corpo e faz assepsia do local, para receber o proximo hóspede. Pelas regras do hotel, o hóspede somente poderá se hospedar por uma noite, onde ele decidirá se se mata, ou se dá check out no dia seguinte, desistindo. Zhi-hao é um recepcionista acostumado ao seu trabalho. Ele age friamente e sem qualquer interação com as histórias dos hóspedes. Mas quando ele descobre que uma hóspede, Jung-tin (Vivian Sung) está hospedada por uma semana, sem seu conhecimento, ele decide faar com ela e lhe dar um ultimato: essa será sua última noite lá. O filme traz elementos de huor, na figura dos limpadores, e um romance improvável e triste na relação de Zhi-hao e Jung-tin.

O jantar

"La cena", de Manuel Gómez Pereira (2025) Quando " A vida é bela", de Roberto Benigni surgiu, muitas pessoas ficaram desconfortáveis com o uso da comédia para lidar com temas tão profundos e doloroso como a Alemanha nazista e os campos de concentração. "O jantar", do espanhol Manuel Gómez Pereira, que também escreveu o roteiro, vai para o mesmo caminho. O filme se passa no final da Guerra civil espanhola, 1939, com a vitória do General Franco. O próprio ordena um jantar de gala no Hotel Palace. Sem que ele saiba, o loca é utilizado como um hospital improvisado para feridos de guerra. O tenente (Mario Casas) é incumbido de organizar o jantar, e convoca o maître d'hôtel Genaro (Alberto San Juan) para preparar o jantar para Franco e seus generais. Genaro diz que todos os chefes são de esquerda e prestes a serem fuzilados, e que não existem chefes de direita. Medina solicita que adiem o fuzilamento e os chfes são liderados por Genaro para o jantar. O que eles querem, na verdade, é durante o jantar, organizar uma fuga. Co-produzido por Espanha e França, o filme foi indicado a 6 prêmios Goya, incluindo melhor filme. É um filme muito divertido, com um excelente elenco e uma sub-trama com contexto lgbt, envolvendo Medina e Genaro. A direção de arte, figurino, fotografia e trilha sonora funcionam perfeitamente para contar a história. No 3o ato o suspense vai em um crescendo, com diversos tipos vilanescos surgindo para frustrar o plano dos amigos.

Armadilha mortal

"Pitfall", de James Kondelik (2025) Sempre fui fã de slashers, e "Amadilha mortal" não decepciona. Mesmo com uma duração excessiva, podendo ter uns 20 minutos a menos, o filme satisfaz os fãs de gore e violência, com assassinatos brutais: o assassino usa machado, flechas, facas e principalmente, a armadlha do título: um poço com estacas no fundo, utilizada por caçadores. O roteiro é batido. Temos 2 prólogos: um mostrando mãe e filho pequenos sendo abusados violentamente pelo marido dela em uma floresta de noite. No outro, os dois irmãos, Scott (Marshall Williams) e Ashley (Alex Essoe) estão no carro com seus pais, mas sofrem um acidente na estrada, causando a morte dos pais. Um tempo depois, os amigos dos irmãos os convencem a passar um final de semana na mesma floresta onde mae e filho foram vitimmados. Os amigos Lars (Richard Harmon), Gwen (Jordan Claire Robbins) e Charlie (Matt Hamilton) de cara vêem uma placa indicando diversos desaparecidos na floresta ( só em filme que os personagens inistem em acampar onde dezenas sumiram!!). Obviamente, um por um, serão vítimas do assasisno, interpretado por um campeão do MMA Randy Couture. Enquanto Scott cai no poço e fura sua perna, os outros precisam lutar para sobreviver ao assassino. O filme não perdoa crianças nem mulheres grávidas, é cruel com todas as suas vítimas. Os atores são bons e existem cenas dramáticas e comoventes. Os efeitos são bons e a fotografia, quase toda noturna, eficiente.

Where elephants go

"Unde merg elefantii", de Catalin RotaruGabi e Virginia Sarga (2024) Dizer que um filme romeno é estranho, é chuver no molhado. "Where elephants go" é escrito e dirigido pela dupla Catalin RotaruGabi e Virginia Sarga e apresenta 3 personagens, que vivem em seu próprio mundo, tentando se dissociar das dificuldades e tragédias da vida contemporânea e da grande cidade. Marcel (Stefan Mihai) é um jovem escritor com tendências su1c1d4s que preambula pelas ruas, seguindo e imitando os transeuntes. Depois, se aproxima de mulheres e pergunta se querem transar com ele. Quando ele aborda Magda (Alice Cora Mihalache), inesperadamente ela aceita. Mada é mãe de Leni (Carina Lăpuşneanu), uma menina de 9 anos que faz tratamento de câncer. Para custear o tratamento, Magda trabalha como garçonete de dia e de noite se prostitui. Magda se apaixona por Marcel e Leni o vê como um irmão mais velho. O filme é repleto de cenas surreais ( como a cena em que Marcel é levado para uma filmagem, como se fosse o protagonista de sua vida) e experimentais. Fique confuso em diversos momentos. O filme de certa forma homenageia a arte em diversos aspectos, e a doença mental e física é explorada de forma poética.

terça-feira, 14 de julho de 2026

Stop! That! Train!

"Stop! That! Train!", de Adam Shankman (2026) "Stop!That!Train! é uma comédia maluca como as que eram feitas pelos irmãos Zucker nos anos 80: "Corra que a polícia vem aí", "Top secret". As paródias ficam mais evidentes nos filmes "Apertem os cintos, o piloto sumiu!" e "Velocidade máxima", só que as heroínas (e as vilãs) da vez são drag queens. Rupaul é uma das produtoras do projeto e escalou diversas concorrentes famosas de seu reality, "Drag race" para os papéis principais. Quem dirige é Adam Shankman, que dirigiu em 2007 a excelente refilmagem de "Hairspray", com John Travolta. Tess (Ginger Minj) e DeeDee (Jujubee) são duas comissárias de bordo de uma cia de trem falida. elas são dispensadas e decidem se candidatar a serem comissárias da Glamazonian Express, o primeiro trem de alta velocidade dos Estados Unidos e voltado ao público de altíssimo luxo. Elas sofrem bullying de outro grupo de comissárias e precisam lidar com as exigências esdrúxulas dos passageiros. Mas quando uma tempestade surge no caminho, fazendo com que todos morram a bordo, as amigas precisam se unir à Presidene ds Eua, Gagwell (Rupal). para salvar a todos. Absolutamente tudo no filme é caricato e exagerado, desde as performances, os números musicais, figurinos, make, direção de arte. O roteiro é uma colcha de retalhos de pequenos sketches, assim como eram os filmes de Zucker, como se fossem piadas prontas para divertir o público. Não dá para se levar nada a sério e o filme nem deve ser visto assim. Senti falta de piadas mais adultas e picantes, o filme ficou com cara de querer atender ao público mais família.

Sentimental

"Sentimental", de Cesc Gay (2020) Adaptada de sua própria peça teatral, "Els veïns de dalt / Los vecinos de arriba", Cesc Gay resolveu ele mesmo dirigir a adaptação para os cinemas. O filme fez tanto sucesso, que diversas refilmagens aconteceram na França, Suíça, Coreia do Sul, Estados Unidos e agora, em Portugal, com Miguel Falabella e Marisa Orth no elenco. A história acontece em um único cenário, o apartamento do casal Julio (Javier Cámara) e Ana (Griselda Siciliani). Ao chegar em casa, Julio descobre que Ana convidou o casal do andar de cima para um jantar. Julio se irrita, e diz que vai aproveitar para reclamar da barulheira que o casal faz durante o sexo. Com a chegada do casal Laura (Belén Cuesta) e Salva (Alberto San Juan), segredos íntims serão revelados, botando em pauta o relacionamento de Julio e Ana. O elenco está incrível alternando momentos de humor picante, em um texto que tem uma base teatral, mas que funciona bem para o cinema. Eu gosto mais da versão americana, que explora mais na decupagem as possibilidades cinematográficas, e por trazer elementos mais dramáticos ao roteiro.

Confession

"Jabaek", de Yoon Jong-seok (2022) Remake do suspense espanhol de 2017, "Um contratempo", de Oriol Paolo, que já foi adaptada para a Índia, Itália e agora para a Coreia do sul. A versão da Coréia segue à risca o original, modificando apenas no final do 3o ato. Yoo Min-ho (So Ji-sub) é um empresárioo bem sucedido e casado. Ele é acusado de matar a sua amante, Kim Se-hee (Jin-Ah Im) em um quarto de hotel isolado nas montanhas de neve. Ao obter liberdade condicional, ele se isola em uma cabana nas montanhas. Ele aciona a poderosa advogada Yang (Yunjin Kim) para ajudar a provar a sua inocência. Durante a entrevista, a advogada faz perguntas, e Yoo Min começa a contar toda a história em flashbacks. Eu assisti as versões espanhola e italianas, e essa sul coreana foi a que menos gostei. Faltou tensão, e a mudança no desfecho fez perder o plot twist incrível, vingativo. Era um trabalho mais impressionante de elenco. Aqui, as belas paisagens compensam a alteração na história.

segunda-feira, 13 de julho de 2026

O convite

"The invite", de Olivia Wilde (2026) Adaptação da comédia espanhola "Sentimental", de Cesc Gay, que por sua vez, havia escrito o texto como peça teatral, "Els veïns de dalt / Los vecinos de arriba". O sucesso do original foi tanto, que ganhou diversas adaptações: França, Suíça, Coréia do sul, Portugal (Com Miguel Falabella e Marisa Orth) e agora, a americana. Olivia Wilde dirige e protagoniza essa dramédia com maestria, explorando diversas possibilidades de filmar em um único cenário, o apartamento (construído em estúdio) do casal Joe (Seth Rogen) e Angela (Olivia Wilde), unidos há 20 anos e pais de uma adolescente de 12 anos. Eles moram no apartamento herdado por Joe de seus pais, em San Francisco. Joe, outrora integrante de uma banda que acabou desfeita, trabalha como professor de música de uma escola para adolescentes. Angela cuida da casa e permanece nela boa parte de seu dia. O casal vive uma relação desgastada e rotineira. Angela deice convidar o casal do andar de cima para um jantar. Esse convite irrita Joe, que diz não saber do convite. Joe diz que irá aproveitar e reclamar com o casal dos barulhos provenientes da transa deles. Quando Pína (Penélope Cruz) e Hawk (Edward Norton), Angela e Joe ficam desconfortáveis pela óbvia conexão e alegria do casal. Mas a noite avança, e segredos do casal de cima surgem. O filme tem um roteiro excelente que traz temas que podem ser gatilhos para casais que forem assistir: a rotina, o casamento fracassado, o desejo de rompimento e de recomeço. Olivia disse em uma entrevista que se inspirou nos clássicos "As duas faces da felicidade", de Agnes Varda, "Hannah e suas irmãs", de Woody Allen, "Cenas de um casamento", de Bergman e "Doze homens e uma sentença", de Sidney Lumet para o trabalho conceitual e estético. Todos os 4 atores estão radiantes e primorosos, merecedores de prêmios, não fosse a comédia um gênero subestimado em festivais.

Fishbelly white

"Fishbelly white", de Michael Burke (1998) Vencedor do prêmio do juri em Sundance 1998, "Fishbelly white" é um curta escrito e dirigido por Michael Burke posteriormente adaptado pelo próprio para um longa em 2003, chamado 'O despertar da adolescência", com Emile Hirsch no papel principal, substituindo Michael Smith. Filmado na área rural de Rutland, Vermont, o filme acompanha o solitário Duncan (Mickey Smith), um adolescente órfão de mãe, que mora com seu pai na fazenda. Duncan passa seu tempo cuidando de galinhas, e em especial, uma que pertencia à sua mãe. Duncan é obcecado por Perry (Jason Hayes), filho másculo do vizinho fazendeiro. Duncan sofre bullying dos valentões da região, e Perry ajuda a escondê-lo debaixo da ponte. Ali, Duncan toca no corpo de Perry. O filme lida com sensações, olhares e muito homoerotismo. Além da citada cena da ponte, com os dois jovens de sunga, tem a cena onde Perry ensina Duncan a ordenhar uma vaca, em duplo sentido explícito.

O despertar da adolescência

"The mudge boy", de Michael Burke (2003) Emile Hirsch faz parte de uma leva de atores que jamais foram reconhecidos nas premiações. Hirsch atuou em produções onde explorou toda a sua excelente verve de ator, como "Na natureza selvagem", de Sean Penn. "O despertar da adolescência" é um de seus primeiros filmes, então com 17anos e já trazendo uma performance complexa e visceral. O filme concorreu em Sundance em 2003 e é uma adaptação do curta do mesmo diretor e roteirista, chamado "Fishbelly White", de 1998 (vencedor do prêmio do juri em Sundance) Duncan tem 16 anos e mora com seu pai Edgar (Richard Jenkins) em uma fazenda. Desde a recente morte de sua mãe por derrame, Duncam tem se isolado, tendo como amiga uma galinha. Seu pai, que vive em um luto, não entende a mudança de Duncan. Os valentões da região praticam bullying em Duncan. Um deles, Perry (Tom Guiry) procura proteger Duncan dos outros. Perry tem uma namorada, e Duncan o flagra fazendo s3x0 com ela. Um dia, Duncan e Perry se escondem dos outros valentões debaixo de uma ponte, e é o momento para a conexão dos dois garotos, que irá culminar em um ato de violência. O filme segue uma típica narrativa de bullying e falta de comunicação entre pai e filho. O 3o ato, no entanto, muda radicalmente de tom, com uma forte cena de 3xtupr0. É uma cena chocante, e Emile Hirsch merecia um prêmio somente por esse momento. Uma performance corajosa e ousada, de um dos melhores atores da geração de Hirsch, infelizmente pouco reconhecido.

Beautiful Evening, Beautiful Day

"Lijepa vecer, lijep dan", de Ivona Juka (2024) Uma obra-prima que infelizmente não encontrou maior projeção em grandes festivais, "Beautiful Evening, Beautiful Day" é um drama que merecia ser visto pela sua extraordinária mensagem sobre o amor às artes, ao cinema e aos relacionamentos queer. Um trunfo sobre amizade, compaixão e também a favor dos decidem usar a arma do amor e a arte contra a violência física e política. Eu me lembrei imediatamente de "A vida dos outros", drama alemão vencedor do Oscar de filme internacional em 2007. Duas histórias paralelas que convivem na Iuguslávia comunista de 1957. Os 4 amigos gays, Lovro (Dado Ćosić), Nenad (Đorđe Galić), Stevan (Slaven Došlo) e Ivan (Elmir Krivalić) são heróis de guerra por terem feito parte da resistência do país contra a investida nazista. Após o fim da guerra, o país caiu sob o regime comunista do General Tito. Lovro é cineasta e Nonad, roteirista. Os dois são amantes. Stevan e Ivan são atores e todos participam da produção de um filme de guerra patrocinado pelo governo. Emir (Emir Hadžihafizbegović, a cara de Jack Lemmon), é um agente do partido da propaganda comunista que supervisiona as filmagens. Contestando o texto e a direção de Lovro, Emir decide reescrever e contrar pessoas do povo para atuarem no projeto, contra a vontade de Lovro e Nonad. Quando recaem suspeitas da homossexualidade dos amigos, o partido decide enviálos para a rígida ilha carcerária de Goli Otok. Com uma fotografia em preto e branco de Dragan Ruljancic que alterna poesia e dor, o filme foi escrito e dirigido pela cineasta Ivona Juka , que traz imagens inesquecíveis, sejam pela comoção, erotismo poesia, ou pela extrema violência. O filme traz cenas de s3x0 explícito e nudez total do elenco principal. O personagem de Emir lembra o do agente infiltrado em "A vida dos outros", entrando em um conflito quando entende a importância da arte e dos artistas. O elenco é brilhante, inclusive as pequenas partciipações como a empregada de Emir e o amante de Stevan, mostrando que todo ser humano pode se desviar por interesses próprios.

domingo, 12 de julho de 2026

Viento aparte

"Viento aparte", de Alejandro Gerber Bicecci (2014) Indicado pelo México à uma vaga ao Oscar de filme internacional em 2015, "Viento aparte" é um drama coming of age angustiante. O filme, um road movie, acompanha 2 jovens irmãos, Omar (Sebastián Cobos), de 15 anos, e Karina (Valentina Buzzurro), de 12, a atravessarem o México pedindo carona por estradas e cidades perigosas até chegarem ao seu destino. Escrito e dirigido por Alejandro Gerber Bicecci, o ilme é dedicado à irmã do diretor, Vero. Mas me pareceu mais um ato sádico do cineasta, fazendo os dois irmãos passarem por uma quantidade infinita de perigos, ameaças e intimdações. Os dois irmãos estão de férias com seus pais na cidade turística litorânea de Oaxaca. Quando os irmãos, que são da cidade grande e alheios a tudo o que acontece no México (assassinatos, manifestações, tráficos, preconceitos raciais e étnicos, luta de classes) retornam à pousada, recebem uma mensagem do pai, dizendo que teve que ir correndo levar a mãe deles para um hospital, pois ela sofreu um derrame. Sozinhos, eles precisam ir até à casa da avó, que mora em Paquimé, um município onde se encontra o sítio arqueológico. De carona em carona, pegando ônibus, conhecendo motoristas mal encarados, prostitutas, abusadores e outros tipos, os irmãos precisam aprender a se tornar maduros, deixando para atrás a ingenuidade e a falta de experiência em lidar sozinhos sem a presença dos adultos. O que me segurou até o final foi o ótimo trabalho dos dois jovens. Fiquei com a impressão que o cineasta quiz punir seus protagonistas por terem nascidos previlegiados, e issso me deixou incomodado. A todo momento, parece que algo grave irá acontecer com eles, até memso, possibilidade de abusos s3xu41s. Pior ainda, é deixar o final em aberto.

Vivre, mourir, renaître

"Vivre, mourir, renaître", de Gaël Morel (2024) Concorrendo ao Queer Palm no Festival de Cannes 2024, "Vivre, mourir, renaître" é um drama sobre como a Aids destruiu vidas e esperanças no início dos anos 90. Ambientado em Paris, o filme começa em 1990 e apresenta o jovem casal Emma (Lou Lampros) e Sammy (Théo Christine). Eles estão em uma rave e na saída, Sammy revela à Emma a sua bissexualidade. Ela não se incomoda, e ambos relatam o desejo de estarem juntos eternamente. CInco anos depois, casados e morando juntos, o casal tem um filho, Nathan (Hélyos Johnson). Um famoso fotógrafo, Cyril (Victor Belmondo, neto de Jean-Paul), mora no andar de baixo. Sammy e Cyril acabam se conhecendo e se apaixonam. Cyril revela ser soropositivo, e os dois fazem s3x0 seguro. Quando Emma descobre o relacionamento, se irrita. Para piorar, decsobre que Sammy também está soropositivo, mas de um outro relacionamento. O filme traz um triângulo amoroso formado por 3 belos atores, com trilha sonora pop ( que inclui uma cena que faz referência a "Mauvais sang" e "Francis Ha", com Sammy e Cyril correndo na rua ao som de "Modern love", de David Bowie). A linda fotografia de David Chambille traz tons frios e melancólicos à medida que. a história avança.