sexta-feira, 19 de setembro de 2025

O agente secreto

"O agente secreto", de Kleber Mendonça Filho (2025) Vencedor de 3 prêmios no Festival de Cannes 2025: Melhor diretor, ator para Wagner Moura e Fipresci da crítica, "O agente secreto" é o filme com mais referências cinéfilas de Kleber Mendonça. Além de mesclar diversos gêneros: ação, policial, espionagem, realismo fantástico, comédia, thriller, o filme traz homenagens a filmes clássicos como "Tubarão", "O exorcista", e através dessas citações, expõe a relação entre filmes e espectadores ( o medo que esses filmes provocam nos personagens). Ambientado em 1977, o filme fala sobre um mundo onde a paranóia é uma constante: em quem acreditar? sabemos de verdade quem é a pessoa que está ao nosso lado? Wagner Moura é Marcelo, um professor universitário que retorna para Recife para reencontrar o filho caçula, que ele não vê há tempos, e os riscos que esse encontro acarretará, em um país mergulhado na ditadura militar. Marcelo reencontra amigos do passado, e novos personagens surgem, entre eles, matadores de aluguel que trabalham para os militares, interpretados por Gabriel Leone e Roney Vilella. O filme traz um valor de produção impressionante, reproduzindo as ruas de Recife com veículos antigos e figurantes. O elenco é seu ponto alto: além dos já citados, tem a presença de Alice Carvalho, Tânia Maria e Kaiony Venâncio ( os três atores do Rio Grande do Norte), Maria Fernanda Candido, Udo Kier, Izabel Zuaa, Hermila Guedes, Carlos Francisco, Buda Lira, Thomas Aquino, entre outros. Mas quem rouba absolutamente todas as cenas em que aparece, é Tania Maria, a atriz de 76 anos, decsoberta como figurante em 'Bacurau", e que aqui interpreta Sebastiana, uma proprietária de apartamentos de Recife que abriga refugiados. Ela é a luz do filme, e suas cenas são repletas de humor e sabedoria. Uma cena em específico, envolvendo uma lenda urbana de uma perna assassina, certamente fará a alegria do público, pela sua escatologia e bizarrice.

quinta-feira, 18 de setembro de 2025

The sun sets on Beirut

"The sun sets on Beirut", de Daniela Stephan (2022) Realizado pela London film school, como o filme de realização da estudante de cinema Daniela Stephan, nascida. ecriada em Beiture, e atualmente morando em londres. Baseado em sua vivência e memórias de seu país, constantemente ameaçado por guerras civis e ataques terroristas, Daniela viveu o auge do terror em agosto de 2020: A explosão no porto de Beirute aconteceu em um depósito que armazenava nitrato de amônio, e provocou a morte de 220 pessoas. O filme traz 3 protagonistas: Mounia, Ghady e a estudante de jornalismo inglesa Olivia. Mounia procura seu gato perdido entre os escombros da explosão no porto de Beirute. Acompanhada de seu melhor amigo, Ghady, um jovem fanfarrão e machista, eles percorrem pelos bairros da cidade pelo gato. No caminho, encontram a estudante de jornalismo Olivia, que quer fazer uma matéria sobre a resiliência dos libaneses. Olivia decide acomanhar os dois na busca pelo gato, enquanto faz perguntas sobre quem são e o que significa viver em Beirute. "Como uma estrangeira, ela faz perguntas que confrontam suas heranças, traumas geracionais e diferentes visões." Com uma narrativa que mistura documentário e ficção, a diretora Daniela Stephan explora o tema do patriotismo e o conflito de gerações, através de personagens com visões diferentes sobre querer morar ou sair do país onde nasceram. O filme traz imagens ao memso tempo que belas de BEitute, também devastadoras no constante perigo e ameaças que podem acontecer a qualquer momento. A imagem do porto pós destruição é avassalador.

The tasters

"Le assaggiatrici", de Silvio Soldini (2025) Baseado no romance homônimo de Rosella Postorino, "The tasters" é baseado em uma impressionante e trágica história real, ocorrida durante a 2a guerra mundial. O romance foi escrito a partir da revelação de Margot Walk, uma alemã de 95 que faleceu em 2012. Ela foi sequestrada e junto de outras jovens alemãs, forçadas a provar as refeições de Hitler, para evitar que ele fosse envenenado na preparação da comida. Por duas vezes ao dia, as mulheres viviam o terror da morte iminente, sob ameaça dos soldados nazistas. Co-produzido por Itália, Bélgica e Suíca, o filme traz a protagonista Rosa Sauer (Elisa Schlott), cujo marido, um soldado, foi para a frente de batalha e não mais voltou. Ela decide fugir de Berlim para a casa dos sogros, na vila de Gross-Partsch, na Prússia Oriental. No entanto, ela é levada para o quartel-general nazista Wolf's Lair , onde é forçada, junto com outras mulheres, a comer as refeições destinadas ao Führer. Rivalidades começam a surgir entre as mulheres, e uma amizade com uma delas. Mas um comandante nazista, Albert Ziegler (Max Riemelt, de "Sense 8"), se apaixona por Rosa e a protege. Rosa se sente culpada, mas entende que ele pode ser uma chance de poder fugir dali. Com muita tensão e um final que me deixou chateado, o filme tem excelente direção , fotografia e direção de arte. O elenco é todo muito bom, e a narrativa do filme é hábil em construir uma constante tensão, sobre qual das mulheres poderá morrer, ou quem poderá trair a confiança.

Relay

"Relay", de David Mackenzie (2025) Diretor de "A qualquer custo", David Mackenzie lança um thriller de ação e espionagem escrito por Justin Piasecki, e lançado como uma homenagem aos filmes de conspiração dos anos 70. Riz Ahmed protagoniza o filme, no papel de Tom, um hacker que trabalha solitário e de forma anônima. Ele é contratado por empresas para apagar denúncias feitas por pessoas que querem subornar grandes empresas. Um dia, ele é procurado por Sarah Grant (Lily James), que trabalha para uma empresa de bioengenharia. Ela decide denunciar a empresa por crimes ambientais e para isso, exige uma soma em dinheiro. Mas ao ser ameaçada, ela decide procurar Tom, que a aceita como cliente. Ambos jamais se encontram. A empresa no entanto coloca capangas no encalço de Sarah, liderados por Dawson (Sam Worthington). Ao saber da ameaça, Tom decide ajudar Sarah e a procura. O roteiro de Piasecki tem um plot twist que realmente é uma grande surpresa. O filme tem ótima direção e é todo filmado nas ruas de Nova York, com uma fotografia climática de Giles Nuttgens. Riz Ahmed já provou há tempos ser um dos melhores atores de sua geração, desde que despontou em 'O abutre"e depois no excelente "O som do silêncio", pelo qual foi indicado ao Oscar de melhor ator em 2021.

quarta-feira, 17 de setembro de 2025

Lurker

"Lurker", de Alex Russell (2025) Concorrendo em San Sebastian e Deauville, "Lurker" é escrito e dirigido por Alex Russell em seu filme de estréia. O filme traz drama, romance, música e suspense psicológco à uma trama que remete a muitos filmes famosos: 'A malvada", 'O talentoso Ripley" e "Saltburn" são algumas referências. A história de um fã que se torna obcecado por seu ídolo e passa a interagir no seu universo sempre pode render bons filmes, e "Lurker" teve ótima recepção da crítica. O jovem elenco, encabeçado por Théodore Pellerin, no papel do fã Matthew, e Archie Madekwe, no papel do ídolo musical, está excelente. existe um pano de fundo homoerótico que traz lindas imagens e atmosfera. Matthew trabalha em uma loja de departamentos em Los Angeles. Quando Oliver e sua comitiva entram na loja para comprar, Matthew imediatamente se aproxima de Oliver e toca na loja a música que Oliver usa em suas postagens. Oliver acaba convidando Matthew para fazer parte de sua comitiva, fazendo registros e fotos de bastidores. Matthew fica encantado pelo mundo do show business e se sente uma estrela dentro do grupo. Quando Jamie, um outro vendedor onde Matthew trabalhava pede que Matthew o apresente a Oliver, começa a surgir um ciúme: Oliver convida Jamie para ser seu figurinista. Trazer o universo da cobiça, inveja e busca desesperada por likes e seguidores para personagens teens traz uma contemporaneidade ao tema, que mesmo que já bastante batido e visto em muitos filmes, ainda tem caldo a mostrar no filme, que transita para outros gêneros ao longo do filme. É charmoso, sexy e com ótima fotografia.

Villegas

"Villegas", de Gonzalo Tobal (2012) Exibido no Festival de Cannes em 2012, "Villegas" é um drama argentino que traz a narrativa do road movie como um catalizador do conflito do relacionamento entre os primos Esteban (Esteban Lamothe) e Pipa (Esteban Bigliardi). Ambos na faixa dos 30 anos, os primos estavam há tempos sem se falar. Quando o avô deles morre, eles se unem para uma viagem de carro para retornar à casa da família, na cidade natal, General Villegas, a cerca de 5 horas de distância da capital. Esteban tem uma vida toda certa: tem um emprego fixo, namorada e um casamento como projeto de vida. Pipa é um músico sem emprego fixo e livre na vida. Na estrada, eles param em um restaurante e acabam dando carona para uma jovem, Jazmín (Paula Carruega), a garçonete do local. Eles chegam atrasado no velório. Na presença de pais e outros parentes, os primos têm a oportunidade de se reaproximarem entre eles e com seus pais, e a experiência irá mudar a vida deles para sempre. "Villegas" é um bom filme, com bons diálogos e como a maioria dos road movies, emociona e comove com o turning point dos personagens. Os atores estão ótimos e a trilha sonora traz belas canções regionais. A fotografia de Lucas Gaynor explora o melhor da slocações, em filmagens diurnas e noturnas que trazem uma atmosfera de solitude.

Amores à parte

"Splitsville", de Michael Angelo Covino (2025) Exibido no Festival de Cannes 2025, "Amores à parte" é uma comédia dramática indie repleta de cenas de ação. É dirigida e protagonizada por Michael Angelo Covino, que co-escreve com o também ator Kyle Marvin. Dakota Johnson e Adria Arjona também estrelam, interpretando suas espoas. O filme é sobre dois casais melhores amigos, que entram em crise em seus relacionamentos. Carey (Marvin) é um professor gente boa do ensino médio, casado com Ashley (Adria Arjona). Quando eles testemunham um acidente na estrada, Ashley decide pedir o divórcio e diz a Carey que ela o traiu diversas vezes. Carey surta e vai procurar o casal amigo Paul (Covino), casado com Julie (Johnson) e pais do pequeno Russ. Para surpresa de Carey, Paul e Julie dizem que já estiveram em crise e para se manterem juntos, decidiram viver um relacionamento em aberto, onde cada um pode ficar com quem quiser. Quando Paul sai para resolver assuntos de sua empresa, Carey e Julie acabam ficando. Quando Paul descobre, surta e agride Carey. Voltando para casa, Carey pede para Ashley para continuarem juntos, e que ele aceita que ela traga seus amantes para casa. "Amores à parte" é um filme divertido e ao memso tempo cheio de maneirismos estilizados de direção. Poderia certamente se transformar numa peça de teatro com 4 atores. Todo o elenco está ótimo, e é um filme que discute relacionamentos modernos. Mas como todo mundo sabe, relacionamento em aberto sempre dá confusão quando uma das partes ainda está apaixonada pelo parceiro.

Riefenstahl

"Riefenstahl", de Andres Veiel (2024) A atriz e cineasta alemã Leni Riefenstahl faleceu aos 101 anos em 2003. Uma das celebridades mais polêmicas da história, Leni foi tema de diversos documentários, entre eles, o de 1993, "A Maravilhosa e Horrível Vida de Leni Riefenstahl" de Ray Müller, que procurou desmistificar uma das únicas mulheres a terem acesso a Hitler. Após o fim da 2a guerra mundial, Leni refutou qualquer possibilidade de ter realizado os seus famosos documentários, 'O triunfo da vontade" e "Olimpya", como porta vozes do nazismo, alegando que eram "apenas arte". EM vida, Leni nunca afirmou se associar aos ideais nazistas. Em 2024, o documentário "Riefenstahl" procura novamente, entender quem foi essa poderosa mulher, reverenciada por muitos, e odiada por tantos outros. O diretor Andres Veiel teve acesso a todo o espólio de Leni, e durante 6 anos, não encintrou nada qe pudesse trazer um novo olhar sobre a cineasta. Até que localizou um trecho de uma carta, onde Leni estava filmando um massacre d epoloneses e pediu para que retirassem os judeus, que acabaram sendo enviados a um campo de concentração, e mortos. Esse fato poderia associá-la a ideiais nazistas. O filme é repleto de entrevistas de Leni em vida, onde às vezes ela se contradiz e se irrita fcailmente. Mas o melhor memso, é poder apreciar cenas de suas obras, incluindo o filme que ela diriigu, "The blue light", de 1943, que Hitler considerou ser o melhor filme que já tinha visto e por isso, convidou Leni para dirigir "O triunfo da vontade". Independente de sua ideologia, é inegável o papel vanguardista da cineasta Leni. E cabe ao espectador entender se deve se separar a pessoa do artista.

Ponyboi

"Ponyboi", de Esteban Arango (2024) Concorrendo em Sundance, "Ponyboi" é umm thriller queer escrito, produzido e protagonizado pelo ator intersexo River Gallo. A ação acontece em New Jersey. Ponyboi (Gallo) é uma pessoa intersexo, e trabalha fazendo programas em um estacionamento de estrada, onde também trabalha no restaurante de Vinny (Dylan O'brien), casado com Angel (Victoria Pedretti), que está grávida. Sem que Angel saiba, Ponyboi e Vinny são amantes. Vinny utiliza o seu restaurante como fachada para o tráfico de drogas. Quando Ponyboi faz programa com o traficante Lucky, ele acaba morrendo d eoverdose. Ponyboi se desespera, mas decide pegar o dinheiro do tráfico e fugir. Vinny descobre e é ameaçado pelos mafiosos, que querem o dinheiro de volta. Enquanto isso, Ponyboi recebe uma ligação de sua mãe de que seu pai está morrendo. Ponyboi passa a se lembrar da homofobia de seu pai que o expulsou de casa. Fiquei muito feliz de ver a atriz trans India Moore, que interpretou Angel na série "Pose", fazendo uma personagem no filme. O filme transita entre gêneros, passeando do drama e indo para um thriller de ação. Dylan tem cenas de sexo com River Gallo bem ousadas e interpreta um vilão bem mau caráter. É um filme indie bem produzido, com boas atuações e bom ritmo. Palmas para River Gallo por ter levantado o projeto à muito custo, divulgando assim seu nome para próximos trabalhos.

terça-feira, 16 de setembro de 2025

The home

"The home", de James DeMonaco (2025) Diretor da franquia "Uma noite de crime- The purge", James DeMonaco co-escreve e dirige esse horror "The home". O filme promete, mas falha em 2 situações: a história sobre um jovem que vai trabalhar em um asilo de idosos é extremamente previsível, e já existem diversos filmes com essa mesma premissa. Ou alguém acha que os idosos são bonzinhos? E o segundo erro, foi ter escalado o ator Pete Davidson para protagonizar o filme. Só um aparte: Davidson é excelente comediante, e até já se aventurou em dramas indies, saindo-se bem. Mas simplesmente não funcionou muito aqui no terror. A gente fica com a impressão o tempo todo que ele vai fazer alguma brincadeira, ou dar uma gargalhada. talvez o diretor não tenha extraído o máximo dele, ou tenha sido um erro de casting, mesmo. O que é uma pena. Max (Davidson) é um filho adotivo, traumatizado pelo suicídio de seu irmão mais velho. Preso em flagrante ao pichar uma parede pública, ele é enviado pelos pais adotivos para trabalhar em um asilo isolado, Green Meadows, e ser o zelador, cuidando dos idosos. Ele só tem uma regra: jamais entrar no quarto andar. O filme tem um terceiro ato que vai fundo na violência, com muito sangue jorrando, na melhor sequência do filme, uma chacina embalada a machadinha. Mas até lá, o filme pouco sustenta, com uma trama óbvia demais.

Sonhar com leões

"Sonhar com leões", de Paolo Marinou-Blanco (2026) Filmado em Lisboa, "Sonhar com leões" é uma co-produção Brasil, Portugal e Espanha. O filme foi rodado em Lisboa e traz como protagonista a atriz Denise Fraga, no papel de Gilda. O filme concorreu no Fetsival de Gramado 2025. O filme foi escrito e dirigido pelo cineasta português Paolo Marinou-Blanco. É impossível não comparar a "O quarto do lado", de Pedro Almodovar, 'Ensina-me a viver", de Hal Ashby e até mesmo a "Delicatessen", cult de Jean Pierre Jeunet, onde havia um personagem excêntrico que tentava encontrar formas bizarras de suicídio. Gilda está com câncer terminal e decide que quer se suicidar, para não ter que passar por tratamentos dolorosos e sofrer com o corpo frágilizado. Seu marido (Roberto Bontempo). decide se separar dela, após inúmera stentativas de Gilda se matar, sem sucesso. Ela se inscreve em um programa de suicídio, chamado JOY TRANSITION, um grupo de terapia onde a orientadora sugere ao grupo formas eficientes de suicídio. Em uma das atividades em grupo, Gilda é obrigada a fazer dupla com Amadeu (João Nunes Monteiro), um rapaz que testemunhou eus pais morrerem ao fazerem selfie em um pricipício. Ele trabalha em uma funerária e conversa com os mortos. Ele tem tumor no cérebro e também quer se matar. Em princípio relutante, aos poucos ilda vai se afeiçoando a Amadeu. O filme traz o tom de HAl Ashby para "Ensina-me a viver", com Amadeu interpretando da forma impávida e sem emoção do personagem de Harold. Denise Fraga está excelente como Gilda, trazendo leveza e humor ácido e irônico à uma mulher de meia idade que não quer mais viver. Fazer comédia em cima de um tema tão incômodo já provou ter dado certo com os filmes citados acima.

Soylent green- No mundo de 2020

"Soylent green", de Richard Fleischer (1973) Recentemente li uma matéria citando 'Soylent green", título original de "No mundo de 2020", como um filme que poderia ter inspirado o cineasta Gabriel Mascaro no seu prmeiado 'O último azul". Ambas as tramas apresentam uma sociedade distópica onde o cidadão, ao chegar à terceira idade, precisa ser descartado da sociedade e trancafiado em centros comunitários. O filme é baseado no romance de ficção científica de 1966, "Make Room! Make Room! "de Harry Harrison e a direção é de Richard Fleisher, conhecido por filmes d efantasia como "Conan, o bárbaro", "20 mil Em 2022, o mundo vive uma superpopulação, aliado ao aquecimento global e poluição. Alimentos, água e moradia se tornam escassos, e somente os muito ricos conseguem ter direito a mordomias. A população vive na miséria e se alimenta de biscoitos processados industrialmente produzidos pela Soylent Corporation. Os produtos são o soylent yellow e Soylent red, mas um novo produto surge: Soylent green. O detetive Robert Thorn (Charlton Heston), de Nova York, divide um apartamento apertado com seu amigo Sol Roth (Edward G. Robinson, em seu último papel no cinema). Sol foi um ex professor universitário. Thorn é chamado para investigar o assassinato do rico William R. Simonson, membro do conselho da Soylent Corporation. Aos poucos, Robert vai descobrindo que existe uma conexão com o assassinato e idosos que seguem para centros comunitários. O filme tem uma premissa excelente, já copiada à exaustão em muitos filmes distópicos recentes. Heston repete o papel de herói que ele já havia trazido em filmes como "A última esperança da terra". Seu final pessimista traz um tom melancólico e desalentador, dando Poder aos capitalistas e empresários inescrupulosos, que vivem em governos déspotas. Um filme datado, e que merecia uma nova versão.

Lovesick

"You bing cai hui xi huan ni", de Fu-Hsiang Hsu (2025) Drama teen de Taiwan, "Lovesick" faz parte do sub-gênero de adolescentes com doenças terminais, e eu sou obcecado em ver filmes onde um adolescente está prestes a morrer. O filme tem uma estrutura narrativa que mescla tons diferenciados: começa com um leve tom de comédia, depois vai pro romance e segue para o drama. Ye Zijie (Huai-Yun Zhan) ;e um adolescente órfao: seus pais morreram em um acidente de trem. Ele mora com sua tia, uma médica. Na escola, ye é o mais brincalhão, e TD é seu melhor amigo de farra. Após um acidente, ye é hospitalizado. Correndo o risco de ser expulso, ele é confundido pela enfermeira com um paciente temrinal de câncer, que tem seu mesmo nome. Ye não corrige o erro e mantém a farsa. A escola decide arquivar o processo de expulsão e Ye passa a receber previlégios. A professora designa uma monitora, a estudante Ye Zujie ( mesmo nome de Ye) para ajudá-lo. Entre os dois, nasce uma amizade que segue para um romance platônico. O filme funciona para quem busca um melodrama teen, com personagens carismáticos e um final que irá muita gente chorar. É um filme correto, com bons atores e uma trama previsível, mas ainda assim, assistível.

Paddy O'Brian, The Man Behind the Actor, A Documentary

"Paddy O'Brian, The Man Behind the Actor, A Documentary" (2024) Documentário que traz o mega astro do pornô gay Paddy O'Brian sendo entrevistado e falando sobre a sua história. O filme foi rodado em Kanzarote, nas Ilhas Canárias, Espanha. É lá que Paddy passa boa parte de seu tempo, apreciando a paisagem, o sol, e as belas praias. Nascido no Leste de Londres e filho de pais irlandeses, Paddy teve uma criação católica. Antes de ser ator pornô, Paddy, nascido Liam Patrick O'Brien foi operador de máquina, carpinteiro e trabalhou em academias, até ser descoberto. Posou como modelo para as marcas Calvin Klein , Armani e Dolce & Gabbana. Aos 24 anos, deu início ao pornô, trabalhando para diversas produtoras. O filme mostra a sua rotina obsessiva nas academias, e ele deixa claro que o seu trabalho vem do seu corpo. Fumante, deixou de usar drogas e foca na saúde. Obviamente que o filme é um veículo para apresentar a beleza de Brian e de seu corpo, e para quem é fã, é um filme que irá trazer informações interessantes, mas nada muito aprofundado. O filme tem nudez, mas nenhuma cena explícita.

segunda-feira, 15 de setembro de 2025

Islands

"Islands", de Jan-Ole Gerster (2025) Comparado por diversos críticos ao clássico de Michelangelo Antonioni, "A aventura", o drama co-escrito e dirigido pelo alemão Jan-Ole Gerster é protagonizado pelo inglês Sam Riley, de 'Control- A história de Ian Curtis" e "Malévola". O filme é uma produção alemã inteiramente filmada nas Ilhas Canáras, em Fuerteventura. Sam Riley é Tom, um ex-tenista profissional, que trabalha como treinador em um luxuoso hotel na Ilha. De noite, ele bebe, flerta e usa drogas com as hóspedes do hotel, vivendo uma vida desregrada e sem compromissos. Quando uma família britânica se hospeda no hotel, Tom passa a se tornar mais íntimos deles. Anne (Stacy Martin), seu marido Dave (Jack Farthing) e seu filho de sete anos, Anton (Dylan Torrell) ficam em um quarto ruim, e Tom os ajuda a arrumar um quarto melhor. A família o convida para jantar, e para serem o guia deles pela ilha, além de dar aulas de tênis a Anton. Quando Dave desaparece, Tom e Anne procuram a polícia local. Ambos acabam se tornando íntimos, e Tom passa a substituir o lugar de Dave, estreitando seu relacionamento com Anne e Anton. O filme foi lançado cono um thriller de suspense. mas a verdade é que o gênero que prevalece é o drama e o romance. Não há tensão para suspense, e toda a trama do sumiço do marido favorece o romance de Tom e Anne, que pode ser que tenham tudo algo no passado. A fotografia de Juan Sarmiento G. aproveita toda a ambientação ensolarada d aregião, lembrando bastante o filme de Paul Mescal, "Aftersun", que tem atmosfera semelhante. Sam Riley está em seu papel mais sexy da carreira, e rouba todas as cenas em que aparece.

A Longa Marcha: Caminhe ou Morra

"The long walk", de Francis Lawrence (2025) Adaptação de em um dos primeiros romances de Stephen King, publicado em 1979 sob o pseudônimo Richard Bachman, é impossível não asssociar o filme "A Longa Marcha: Caminhe ou Morra" ao clássico "A noite dos desesperados", de Sidney Pollack, ao ao grande sucesso da Netflix, o sul coreano "Round 6". Mas certamente, muita gente irá associá-lo à franquia "Jogos vorazes", e não é por acaso. O cineasta Francis Lawrence é o diretor da franquia "Jogos vorazes". e o filme tem muito a ver na sua história com a saga de Katniss Everdeen, protagonista da franquia. Num futuro distópico, os Estados Unidos é governado por um regime totalitário. Milhares de rapazes adolescentes se inscrevem para participar de um evento anual conhecido como "A Longa marcha". Cinquenta garotos são escolhidos, entre eles, Raymond Garraty (Cooper Hoffman), que teve o seu pai morto por discordar do governo. Raymind fica amigo de Peter McVries (David Jonsson). Juntos eles se apoiam contra a intriga dos outrs rapazes, que desejam o prêmio ao único sobrevivente: qualquer desejo a ser realizado, com exceção de pedidos políticos. A regra é simples: o competidor não pode ficar abaixo de 4,8 km/h por 10 segundos, podendo receber uma advertência. Com 3 advertências, a pessoa é assassinada com tiro na cabeça. O tirano Major (Mark Hamill) acompanha a caminhada, incitando que os jovens se matem. O elenco é um dos pontos fortes do filme: alternando camadas de emoção, trazendo cada vez mais desespero, os atores comovem com o seu destino trágico. Mark Hamill traz toda a cafajestice e vilania que o personagem pede. A direção previlegia o drama da história, que já começa com uma premissa bastante fatalista, afinal, somente um sobrevive. Fotografia, edição funcionam a serviço da história.

29 needles

"29 needles", de Scott Philip Goergens (2019) "29 needles" tem esse título como uma referência ao serial killer Albert Fish, preso em 1934 com 29 agulhas inseridas em seu órgão genital, após ter assassinado mais de 100 crianças. Mas "29 needles" não é uma cinebiografia de fish. O filme se passa nos dias de hoje, a apresenta Francis (Brooke Berry), um homem atormentado por vozes internas que o fazem se automutilar Quando Francis encontra Hans em um bar, Hans o leva até um clube do s3xo restrito para fetichistas, homens e mulheres, que snetem praezr com s3xo aliado à dor e mutilação. Não posso recomendar esse filme a ninguém. O elenco foi escalado através da rede social: são todos adoradores de s3xo masoquista, bondage, porém com mutilações. Tem cenas e situações que eu nunva havia visto em nnehum filme ou memso em publicações, e que não posso sequer mencionar. É radical, grotesco, violento, com cenas reais, com exceção da última. Um filme que abre as portas de um universo extremamente particular de fetiche e dominação, onde objetos cortantes, como facas, navalhas, giletes, agulhas fazem parte do cardápio. Tecnicamente o filme é muito ruim: fotografia, áudio, atuações são péssimas, mas talvez esse seja o estilo sujo e maldito da proposta do projeto.

Not friends

"Phuean (mai) sanit", de Atta Hemwadee (2023) Premiado drama coming of age tailandês, "Not friends" foi inscrito pelo país para tentar uma vaga ao Oscar de filme estrangeiro em 2024. O filme apresenta o adolescente Pae (Anthony Buisseret), um estudante de ensino médio que foi transferido para uma nova escola após ser expulso de sua escola anterior. Lá, ele conhece Joe (Pisitpol Ekaphongpisit), um estudante popular, que quer fazer amizade com ele. Pae diz a Joe que não pensa em ser amigo dele. Joe acaba sendo atropelado e morre. Quando o professor de artes anuncia um concurso de curtas-metragens, Pae decide usar a história de Joe como roteiro. Uma garota da escola que conhecia Joe muito bem, Bokeh (Thitiya Jirapornsilp), diz a PAe que ele está sendo egoísta ao não contar a história real de Joe. Eles descobrem um conto escrito por Joe e decidem filmá-lo. O filme tem uma longa duração de mais de 2 horas, e acaba prejudicando a narrativa, com cenas repetitivas e muitos personagens e sub-plots que surgem. O filme é bem produzido e tem um bom elenco jovem, com carisma, alternando momentos de drama e levemente de humor. O pano de fundo sobre a morte traz uma maior densidade ao filme, que fala sobre dar novas oportunidades à vida.

domingo, 14 de setembro de 2025

Os Roses: Até que a Morte os Separe

"The Roses", de Jay Roach (2025) Em 1984, o ator Danny de Vito adaptou o romance "A guerra dos Roses', de Warren Adler, escrito em 1981, e convidou Michael Douglas e Kathleen Turner, dois dos maiores astros de Hollywood da época, para protagonizar a comédia de humor ácido sobre um casal bem sucedido que literalmente se mata após o divórcio. O filme também ficou famoso por trazer no elenco de apoio a atriz alemã Marianne Sägebrecht, de "Bagda café", no papel da governanta Susan, testemunha das brigas do casal. O cineasta Jay Roach, diretor das comédias "Entrando numa fria" e Austin Powers", traz seu remake, com mudanças substanciais, e substituindo a governanta por um Alexa, uma inteligência artificial que administra a mansão. O filme tem um terceiro ato que faz lembrar a ação de "Sr e Sra Smith". Benedict Cumberbatch e Olivia Colman protagonizam como Theo e Ivy Rose: ele arquiteto, ela uma chef de cozinha. O amor do primeiro encontro em Londres dá lugar à mansõ do casal na Califórnia, junto de dois filhos adolescentes. O advogado de Danny de Vito foi substituído por uma terapeuta de casal. Adam Samberg faz uma participação como o melhor amigo do casal. Ma sno fundo, mesmo com o grande talento inegável de Colman e Cumberbatch, não achei o filme tão engraçado. Ficou politicamente mais correto e faltaram momentos mais destrutivos do casal, restrito a poucos minutos no final. O ritmo ficou arrastado e as piadas nem sempre funcionam.

Bambi- O acerto de contas

"Bambi- the reckoning", de Dan Allen (2025) Quarto filme da franquia "Twisted Childhood Universe", destinado a projetos realizados a partir de clássicos infantis que entraram em domínio público. OS filmes são produzidos pela produtora inglesa Jagged Edge Productions, que trouxe anteriormente as 2 partes de "Ursinho Pooh- sangue e mel" e "Peter Pan". Agora, a mesma produtora traz "Bambi", clássico escrito por Felix Salten, que entrou em domínio público em 2022. Bambi é o cervo que teve a sua mãe assassinada por caçadores. Já crescido, ele se torna um enorme cerno assassino, que decide se vingar dos caçadores que assassinaram a sua mãe. Uma mãe, Xana (Roxanne McKee) e seu filho adolescente Benji (Tom Mulheron) seguem pela floresta de carro para comemorar o aniversário da avó de Benji. O ex-marido de Xana, um caçador, foi um dos responsáveis pela morte da mãe de Bambi. O animal ataca o carro e segue para matar a todos: os convidados do aniversário e os caçadores, implacavelmente. O filme, surpreendentemente, investe pesado no terror e no gore, e diferente dos outros filmes, não é trash (Peter Pan já havia trazido essa mudança conceitual, um excelente filme de serial killer abusivo). Os efeitos de CGI são muito bons, considerando o orçamento do filme, e a fotografia também traz elementos de terror dos anos 80, com fumaça branca entre a vegetação. Mas o melhor personagem surge no meio do filme: o coelho Tambor, amigo inseparável de Bambi, surge como um poderoso coelho assassino. Uma idéia genial.