quarta-feira, 13 de julho de 2022

O poderoso chefão da Discoteca


 "The Godfather of Disco", de Gene Graham (2007) Documentário que apresenta o empresário e executivo de gravadoras Melvin Cheren, falecido em 2007 e grande incentivador da Disco music nos anos 70. Ajudou a fundar a Paradise Garage , também conhecida como "Gay-rage", uma discoteca gay de Nova York popular nas décadas de 1970 e 1980. Em 1976, Mel Cheren fundou a West End Records , a gravadora que definiu o som da cidade de Nova York no auge da discoteca. No final da década de 1980, Cheren fundou a ONG "24 Horas pela Vida" para arrecadar dinheiro para a campanha da AIDS.

Com depoimentos de Djs, artistas e empresários, o filme faz uma grande repassada na era Disco, com uma trilha sonora incrível. Também fala sobre o legado da gravadora de Melvin e o quanto as músicas influenciaram toda a dance music que veio a partir dessa década. Um documentário histórico, apresentando a NY dos anos 70 e muitas imagens da discoteca com artistas em plena efervescência, e o grande impacto da Aids que foi uma das grandes causadoras do fim do movimento musical.

terça-feira, 12 de julho de 2022

Charlotte por Gainsbourg


"Jane par Charlotte", de Charlotte Gainsbourg (2021)

Concorrendo no Festival de CAnnes 2021, "Jane por Charlotte" é um emocionante documentário que mostra a relação mãe e filha de dois ícones franceses: Jane Birkin e Charlotte Gainsbourg. Jane com 74 anos, Charlotte com 50. Ambas atrizes, cantoras, premiadas, conhecidas e cultuadas no mundo inteiro. Jane casada com Serge Gaisnbourg, ícone da música francesa, e Charlotte, sua filha. Sob o peso de celebridades, a relação distante durante toda a vida agora se aproxima. Entre shows em Nova York, casa de Jane na França, passeios e lembranças, mãe e filha falam abertamente sobre o tema do filme: Jane Birkin. Viciada em remédios desde os 16 anos, para curar insônia, envelhecimento, morte, suicídio da filha Kate, Serge Gainsbourg, a relação com o também compositor inglês John Barry, autor de trilhas de James Bond, nada passa batido. Gainsbourg, também fotógrafa, fotografa sua mae em belíssima e poética sessão de fotos. E nada se compara ao momento das duas cantando juntas em um show cercadas por orquestra. Sublime. 

segunda-feira, 11 de julho de 2022

O uivo das romãs


"When pomegranates howl", de Granaz Moussavi (2020)
Contundente e trágico drama co-produzido por Austrália e Holanda e totalmente rodado em Cabul, capital do Afeganistão. O filme parte da história real de dois meninos afegãos que foram mortos por helicóptero da Otan, caso que chamou atenção no mundo.
Hewad (Arafat Faiz, não ator e impressionante) é um menino de 9 anos que, após a morte do pai, ajuda no sustento da família vendendo mercadorias nas ruas de Cabul. Ele também enfrenta o desafio do casamento forçado entre sua mãe e seu tio. O garoto sonha em escapar desse cenário de pobreza e guerra tornando-se um ator rico e famoso, cuidando da mãe e comprando uma casa para os familiares. Um fotojornalista australiano faz amizade com Hewad e começa a documentar sua vida para retratar uma imagem empática das crianças desta sociedade devastada pela guerra. Inspirado por isso, Hewad começa a recrutar seus amigos para ajudá-lo a criar um filme de ação imaginário ao estilo hollywoodiano.
Misturando ficção e linguagem documental, o filme traduz a atmosfera de guerra e de desolação em um país onde a qualquer momento, uma bomba pode explodir. O mais pungente é que o filme foi rodado em Cabul, com pessoas reais, e ver a tristeza e principalmente, crianças que têm suas vidas minadas ou mesmo a inocência destruída em idade tão tenra, é de dor o coração.
O filme foi indicado pelas Austrália a uma vaga ao Oscar de filme estrangeiro em 2021.

domingo, 10 de julho de 2022

Onde está Anne Frank?


 "Where is Anne Frank", de Ari Folman (2021)

Após o grande sucesso de "Valsa para Bashir" em 2008, o cinestas Ari Folman retorna com outra animação, uma ambiciosa versão em desenho animado de "Os diários de Anne Frank". Mas mais ousado ainda, é juntar à história da menina judia que foi morta em Auschwitz em 1945, uma outra personagem, a amiga imaginária Kitty, descrita no diário, que surge nos dias de hoje no Museu de Anne Frank, alheia ao que aconteceu à Anne, e que parte em sua busca. Ela se envolve com refugiados, entre eles, a familia de Peter, que vieram de Mali. As histórias seguem paralelas, com Anne apaixonada por Peter Van Damm, e Kitty, por Peter, o refugiado.

Filho de sobreviventes de Auschwitz, Folman decidiu o diário para jovens. Os traços unem 2D e stop motion, e é todo ambientado em Amsterdam, na casa de Anne, na casa aonde ela se refugiou de 42 a 44 e em Auschwitz. O filme é triste demais, obviamente, e Folman não faz concessões. Ele faz um relato bastante contundente da crueldade do nazismo, retratados como um exército de monstros zumbis, ao autoritarismo da política contra os refugiados.

O truque da galinha


 "Feathers", de Omar El Zohairy (2021)

Há tempos eu não assistia a um filme tão original como "O truque da galinha". Ainda mais que o marketing do filme vende o filme para o público como comédia, e na verdade, é um dos filmes mais cruéis e angustiantes que você terá visto recentemente. Uma mistura de Lars Von Triers, com a tortuosa e sádica jornada da heroína, com o lúdico e inusitado dos filmes de Emir Kusturica e Jos Sterling.

Em um bairro operário do Egito, uma região extremamente pobre, em um conjunto habitacional miserável, mora uma família composta pelo marido operário, a esposa dona de casa e seus 3 filhos, dois meninos de 4 e 10 anos e um bebê. O marido é arrogante e machista, a esposa nem abre a boca para nada, fazendo o seu ofício de mulher submissa. Quando o marido, endividado, decide fazer uma festa de aniversário para seu filho de 4 anos, ele convida amigos e o mágico de um circo. O marido vira cobaia em um truque, e acaba virando uma galinha. O mágico foge e a mulher fica desesperada em achar o paradeiro do mágico para desfazer o feitiço. E agora, ela precisa lidar com as dívidas, o aluguel atrasado, o assédio sexual dos empregadores do marido, a galinha, a fome e a busca por emprego em uma sociedade que não permite que a mulher trabalhe em fábricas.
Impressiona saber que é o filme de estréia do cineasta, que também assina o roteiro. Conduzindo com maestria cada plano de seu filme muito bem orquestrado, com uma fotografia que parece saído de um pesadelo, e mais, trabalhando com não atores e extraindo deles um naturalismo melancólico, o filme exala cinema em cada fotograma. É um filme muito denso, triste, às vezes buscando um sorriso amarelo, mas sinceramente, uma porrada.

sábado, 9 de julho de 2022

Atos de amor


  "Acts of love", de Isidore Bethel e Francis Leplay (2021) Documentário LGBTQIAP+ exibido em dezenas de festivais, "Atos de mor" é escrito, dirigido e protagonizado pelo franco-americano Isidore Bethel, se expondo por completo no filme em sua vida privada. O filme parte de uma história acontecida com Isadore e que o deixou deprimido: um relacionamento com um homem 30 anos mais velho, por quem se apaixonou, e logo depois, abandonado por ele. Isadore decide abrir um perfil no Grindr (app de pegação entre gays) e propôr algo inusitado para os homens de Chicago: marcar um encontro onde a pessoa será entrevistada, e dependendo da química, pode haver sexo ou não entre Isadore e o entrevistado. Isadore entrevista e em alguns casos, reencena a sua vida com um dos entrevistados, fazendo sexo na frente das câmeras. Paralelo, Isadore discute com sua mãe que desaprova por completo a exposição de Isdore no filme, usando o nome real e segundo sua mãe, o espectador entenderá que tudo ali faz parte de sua vida. O filme tinha tudo para ser um ótimo estudo sobre relacionamentos vazios advindos de app, sobre exposição, sobre ego e sobre relação familiar. Mas o que se vê, entre um ou outro momento curioso onde a vida gay é vista através de muita pegação, sexo e casas de sexo, é o ego do cineasta em se expôr por completo.

Brian e Charles


 "Brian and Charles", de Jim Archer (2022)

Exibido com sucesso em Sundance 2022, "Brian e Charles" é a versão em longa metragem do curta homônimo dirigido pelo mesmo cineasta em 2017 e que concorreu em SXSW, escrito e protagonizado pelos atores e roteiristas David Earl e Chris Hayward.

O filme apresenta Brian (o comediante inglês David Earl), solitário que entra em processo de depressão após longo inverno. Brian gosta de criar invenções inúteis, como um cinto para colocar ovos. Um dia, ao revirar o depósito de lixo, ele encontra uma cabeça de um manequim e decide criar um robô, que cria vida e ele decide chamar de Charles. entre os dois, nasce uma linda amizade, prejudicada pelos vizinhos que querem destruir Charles.
Uma versão contemporânea de Frankestein, com humor melancólico, o filme tinha tudo para dar errado, mas com a inteligência da direção e com a ótima atuação dos atores, o filme se sobrepõe ao que poderia ser um projeto tosco. É possível até enxergar uma atmosfera do cineasta Spike Jonze, que faz o espectador acreditar em tudo que lhe é apresentado. Um filme curioso.

sexta-feira, 8 de julho de 2022

Thor- Amor e trovão


 "Thor- Love and thunder", de Taika Waititi (2022)

Em 2017, o cineasta neo zelandês Taika Waititi dirigiu "Thor Ragnarok", um filme estranho que foi detonado por boa parte da crítica, por trazer um humor pastelão e fazer dos personagens, principalmente de Thor, um bobo alegre. Mas o filme fez bastante sucesso de público e foi inevitável que Taika retornasse para a direção de "Thor-Amor e trovão", trazendo exatamente a mesma linguagem cômica, debochada e chanchadesca do anterior. Para dar mais credibilidade a um filme com efeitos de CGI pavorosos, foram escalados os pesos pesados Russel Crowe, Natalie Portman e Cristian Bale, além do elenco de "Guardiões das galáxias", que pouco fazem e não fizeram a mínima diferença para a história.

Com a ajuda de Jane Foster (Natalie Portman), Valquíria (Tessa Thompson) e Korg (Waititi), Thor (Hemsworth) segue para o Olimpo procurar a ajuda de Zeus para derrotar Gorr, o Carniceiro dos Deuses (Christian Bale), que está matando deuses pelo universo. Mas Zeus acaba tendo um embate com Thor. Gorr quer se vingar dos deuses por terem deixado sua filha morrer, mesmo ele suplicando por sua vida.
O filme tem como pano de fundo o tema de falsos Deuses arrogantes mais preocupados com vaidades do que com os seus fiéis, e também, o tema da morte, bastante presente no filme, tanto na filha morta de Gorr quanto no câncer da Dra Jane. O mais bacana do filme é a aparição da Poderosa Thor, com desfecho emocionante. No mais, a correria e explosões de sempre.

quinta-feira, 7 de julho de 2022

Albatros


 "Albatros", de Xavier Beauvois (2021)

No ano de 2010, o ator e cineasta francês Xavier Beauvois realizou o excelente drama "Deuses e homens", vencedor do prêmio di juri em Cannes e dezenas de festivais internacionais. Agora, com 'Albatros", Beauvois lança um épico intimista de um homem bom em processo de destruição. Concorrendo no Festival de Berlim 2021, o filme é brilhantemente interpretado por Jeremie Renier, que dá vida à Laurent, um policial que mora com Marie (Marie-Julie Maille, esposa do cineasta, co-roteirista e editora do filme, igualmente excelente), com quem tem uma filha, Poulette. Ele ama seu trabalho, apesar da miséria social que testemunha diariamente na ilha do norte da Normandia onde mora. A cada dia, novos casos que ele precisa resolver: suicídios, casos de abuso sexual familiar, etc. Ainda assim, Laurent é feliz com sua família e seus amigos. Mas ao atender um caso onde um fazendeiro supostamente tenta se suicidar, Laurent provoca um acidente que mudará sua vida para sempre.

Dividido claramente em 3 atos, o filme vai em crescendo de dramaticidade, sempre apoiado pelo ótimo trabalho de atuação de todo o elenco e pelas lindas locações. Um filme triste, sobre os desejos de um homem que d euma hora para outra, se dissipam.

quarta-feira, 6 de julho de 2022

Rio doce


  "Rio doce", de Fellipe Fernandes (2022) Longa de estréia do roteirista e cineasta recifense Fellipe Fernandes, "Rio doce" é um filme sobre famílias, aceitação, classes sociais e as mazelas brasileiras, como racismo, pobreza, desemprego. protagonista é interpretado pelo músico e ator recifense Okado do canal, interpretando Tiago, um jovem negro de 28 anos no auge de sua crise pessoa e profissional: prestes a fazer aniversário, pai de uma menina cuja mãe ele não se relaciona direito, devendo à muita gente e para piorar, uma dor nas costas que o impossibilita de fazer o que ama, cantar e dançar rap. De repente, ele descobre através de uma carta que seu pai tinha uma outra família, e ao ir atrás, descobre que possui três meia irmãs moradores de um bairro de classe média. AOoprocurá-las, ele descobre um enorme abismo entre ele e a nova família. Um filme metafórico de boa parte da população do Brasil, que vive à margem da sociedade. Tiago ainda vive a crise da paternidade, e através de sua trajetória, ele se reconecta com a sua própria vida. Os atores estão ótimos, e além de Okado, a participação de Nash Laila, uma atriz incrível.

terça-feira, 5 de julho de 2022

Tigres


 "Tigers", de Ronnie Sandahl (2020)

Cinebiografia do jogador de futebol sueco Martin Bengtsson, que aos 17 anos de idade foi vendido para o Inter de Milão, um dos times mais famosos e poderosos do mundo. No entanto, ele deixou o clube italiano apenas nove meses depois de sofrer de depressão, retornando para a Suécia e decidindo se tornar escritor e músico. O filme é baseado em sua

autobiográfica lançada em 2007, "Na sombra de San Siro", o estádio mais famoso da Itália.
Martin denunciou o que nenhum jogador ainda havia feito: os maus tratos, assédio moral, violência dos diretores e jogadores contra ele, a proibição de namoro, de comer, de ter vida própria, a inveja, ciúmes, que provocaram uma depressão profunda e tentativa de suicídio. Erik Enge, no papel principal, está fantástico, trazendo todas as camadas que evoluem entre a alegria à tristeza e solidão, passando pela euforia. Um filme denso, violento, cruel e que mostra o esporte, sonho de quase todos os adolescentes no mundo, como ideal de fama e sucesso, como um ambiente de escravidão e assédio.

A princesa


 "The princess", de Le-Van Kiet (2022)

Filme de ação e aventura protagonizado por Joey King, a estrela da Netflix da franquia de sucesso "A barraca do beijo". "A princesa" é uma mistura de vários filmes: "Enrolados", "The raid"( sucesso filipino de ação sobre dois policiais que tentam escapar de um prédio repleto de bandidos), "Valente", "Mulan" e a série "Game of thrones", mais especificamente em cima da personagem Arya Stark, de quem o filme chupa absolutamente tudo, até o período medieval.

O cineasta vietnamita Le-Van Kiet dirigiu "Fúria", um filme de ação protagonizado por Veronica Bgo, que aqui interpreta a criada Lihn, que serva a família real e que sem os pais saberem, treina a princesa em luta para poder se safar em situações de perigo em um mundo dominado pelo patriarcado e misoginia.
Prometida para se casar com Julio (Dominic Cooper), a Princesa se recusa e por vingança, Julio invade o reino e prende a todos, incluindo a família real. A princesa fica presa na torre, mas ao conseguir se soltar, ela tenta salvar sua família, mas para isso, ela precisa descer a torre, dominada por centenas de soldados.
Para os fãs adolescentes de Joey King, atenção: o filme é extremamente violento, gore, com cenas de membros decepados, cabeças cortadas e muitas espadadas e ferimentos provocados por todo o tipo de armas. em ritmo de desenho animado, com muito Deus ex machina e um roteiro sme pé nem cabeça vindo de um plot bem banal. Mas quem quiser se divertir sem se preocupar com verossimilhanças, vai poder se divertir com esse filme, que não perde o ritmo em nenhum minuto e já começa na porradaria. O elenco, além dos citados, traz também Olga Kurylenko, como Moika, a parceira violenta e brutalizada de Julius, que traz consigo um chicote dotado de facas em suas pontas. Digna representante de uma mulher que não se deixou abater pelo machismo, uma pena que ela tenha se aliado aos maus.

segunda-feira, 4 de julho de 2022

Um bom homem


 "A good man", de Marie-Castille Mention-Schaar (2020)

Concorrendo no Festival de Cannes em 2020, "Um bom homem" é um drama LGBTQIAP+ com um roteiro polêmico e controverso, representando o que a nova tradução do termo "família" significa para os dias atuais onde o debate sobre gênero parece suscitar debates intermináveis: Aude (Soko) e Benjamin (Noémie Merlant) estão em um relacionamento amoroso há seis anos. Quando Aude começa a sofrer profundamente por não conseguir engravidar, Benjamin toma uma decisão, optando por carregar a gravidez. A questão é: Benjamin é um homem trans. Em flashback, seis anos atrás decsobrimos que Sarah era o nome anterior de Benjamin, uma mulher cis, e apaixonada por Aude, que conheceu em uma badala, elas decidem ficar juntas. Sarah decide fazer transição para Benjamin, e se mudam para a Ilha de Groix, na Bretanha, por conta de ataques transfóbicos. Benjamin é enfermeiro, Aude é professora de dança. Quando Benjamin decide engravidar, ela precisa reagir à fúria de sua família, que teme que as pessoas possam falar, e aos amigos que desconheciam que Benjamin era um homem trans e agora, com a gravidez, torna-se impossível esconder.

Com um trabalho absolutamente formidável da atriz Noémie Merlant, uma mulher cis, em polêmica escolha da produção e direção do filme em tempos de lugar de fala. Sua caracterização também impressiona, com uma barba perfeita. Soko, cantora famosa e atriz, também está muito bem em papel bastante complexo. Uma fala de sua personagem é comovente: 'Eu não carrego o bebê no meu colo. Legalmente, não sou pai nem mãe.".
Um roteiro incrível, levado com muita seriedade, e dirigido com sutileza e bastante empenho.

domingo, 3 de julho de 2022

Você não pode matar David Arquette


 "You cannot kill David Arquette", de David Darg e Price James (2000)

O ator David Arquette era uma das maiores promessas de estrelas em Hollywood nos anos 90, chegando a estampar a capa da Revista Vanity Fair ao lado de Leonardo di Caprio, Will Smith, Matthew Macnaughney e Benicio del Toro entre os maiores astros do momento. Ele já estava famoso pelo seu personagem do Xerife Dewey na franquia "Pânico", chegando a se casar com a atriz Courteney Cox. Mas em 2000, ao protagonizar a comédia "Prontos para decolar", a sua carreira afundou definitivamente, pela campanha de marketing do filme que forjou uma vitória em um campeonato de luta livre oficial. Sua reputação foi buraco abaixo.

Por mais de 10 anos, David fez audições para filmes, sem nunca ter passado em nenhum. E decidiu então, junto de sua esposa, a produtora e apresentadora Cristina Maclarthy, produzir esse premiado documentário, "Você não pode matar David Arquette", que concorreu em prestigiados Festivais, como SXSW.
A família de David, as atrizes Patricia e Rosana Arquette, dão depoimentos sobre a personalidade do irmão. A ex-esposa Courteney da um depoimento divertido: flertou com ele no set de Pânico (1996), o odiou durante as filmagens de Pânico 2 (1997), casou-se com ele na época Pânico 3 (2000) e posteriormente se divorciou dele em Pânico 4(2011). Para piora, David teve um problema de coração, colocando 2 istencils. Apesar de seu quadro de envelhecimento e problemas de saúde, David viu a oportunidade de limpar seu nome e participar do esporte de forma genuína.
O filme emociona por mostrar que escolhas erradas podem acabar com sua carreira, e de que forma David deseja recuperar o seu prestígio de outrora, mesmo estando em um processo de luta por saúde e depressão.

Estocolmo


 "Stockholm", de Tom Wright (2021)

Belo curta LGBTQIAP+, premiado em diversos festivais. O filme é um ótimo exercício de texturas em fotografia e de edição, ao relatar um primeiro encontro entre dois rapazes, Alex (Alex Britt) e Ed (Max Percy). Tensão, insegurança, tesão, sorrisos, típicos de um primeiro encontro. Daí o filme segue para flashbacks, e entendemos que Alex traz na figura de Ed, imagens do passado de seu relacionamento anterior, abusivo e tóxico e que o deixou traumatizado, até que entendemos que tudo o que vimos, está noas depoimentos de Alex em uma sessão de terapia com a psicóloga Kit (Rikki Beadle-Blair).

Filme de estréia do cineasta e roteirista Tom Wright, que junto de seu fotógrafo e editor Darius Shu, fizeram um filme focado em sensações e sentimentos controversos.

O massagista inseguro


 "The unsure masseur", de Reid Waterer (2021)

Drama romântico LGBTQIAP+, "O massagista inseguro" é uma produção independente americana focada na relação entre cliente e massagista, Andy (Jae Kim) e Scott (Kevin Grant Spencer). Andy morava com sua avó, uma paisagista, mas com o seu falecimento, Andy se viu sem dinheiro para pagar o aluguel do apartamento, que ele divide com um amigo gogo dancer. Andy decide se tornar massagista terapêutico para homens, para ganhar um dinheiro rápido, sugestão de seu roommate. Andy decide agendar um horário com Scott e durante a massagem, aprender a ser um profissional. Mas para sua surpresa, Scott decide inverter o processo, para que Andy aprenda: Scot se torna o cliente, para que Andy possa exercitar a massagem. Durante a sessão, ambos os rapazes expõem as dificuldades da profissão de forma honesta e sobre assédio e relacionamentos.

Com dois bons e belos atores, o filme explora obviamente a sensualidade e homoerotismo, mas faz tudo de forma séria e focada nas complexidades da profissão do massagista. Bela fotografia, bem enquadrado, o filme termina de forma bastante romântica, o que traz um sorriso do espectador.

O herói de ninguém


 "Viens je t'emmene", de Alain Guiraudie (2022)

Filme de abertura da Mostra Panorama do Festival de Berlim 2022, "O herói de ninguém é dirigido pelo cineasta dos escandalosos e polêmicos 'Um estranho no lago" e "Na vertical", filmes repletos de cenas de sexo explícito envolvendo gêneros.

Em "O herói de ninguém", Guiraudie volta a apresentar o sexo de forma naturalista e fria, mas dessa vez, dentro de um estranho formato de comédia dramática incômoda, lidando com temas contemporâneos como islamismofobia, terrorismo, misoginia, machismo.
"A vida não tem que parar por causa de um ataque terrorista", diz Méderic enquanto faz sexo com uma prostituta e alega que não há motivos para ela parar o coito. Diante de uma cena inusitada, somos apresentados a Médéric (Jean-Charles Clichet), um analista de sistemas, apaixonado pela prostituta de meia idade Isadora (Noémie Lvovsky), por quem ele se apaixona, ao dar de cara com ela fazendo programa na rua, enquanto ele fazia uma caminhada. Mederic é contra quem faz sexo por dinheiro e pede a Isadora fazer sexo com ele sem ela cobrar, o que ela acaba cedendo e curtindo o rapaz. Flagrados pelo marido ciumento de Isadora, que é contra ela se prostituir, Mederic encontra um jovem imigrante árabe, Sélim (Illiès Kadri), um sem-teto procurando um lugar para passar a noite. O fato de ele parecer um terrorista ainda à solta alarma Médéric, mas não o impede de receber o menino em seu prédio e, eventualmente, em seu apartamento, onde eles se tornam companheiros de quarto. Mas os vizinhos, assim que descobrem que Mederic hospeda um árabe, fazem protestos.
O filme possui muitos personagens e isso acaba diluindo bastante a história, centrada em muitos assuntos. As cenas de sexo são exploradas de forma tosca por Guiraudie, que filmes as cenas sem qualquer tipo de pudor e preocupação em parecerem bonitas. Achei esse o filme menos interessante de Guiraudie.

sábado, 2 de julho de 2022

Vórtex


 "Vórtex", de Gaspar Noé (2022)

"Lares são para os vivos". Concorrendo no Festival de Cannes 2022, "Vórtex"possui uma das cenas mais angustiantes do cinema: um idoso (Dario Argento, o mestre do cinema giallio italiano) agoniza por longos minutos de ataque de coração, e sua esposa (Françoise Lebrun, formidável), com demência, não entende o que se passa com ele. Outras cenas angustiantes se acumulam nesse filme, como o simples ato de ligar o gás do fogão. ele é crítico de cinema. Ela, uma psicóloga com demência.

Impossível não se lembrar de "Amor", de Michael Haneke, mas Gaspar Noé vai além na crueza e decadência física e psicológica de um casal já em seus último momentos de vida.
Gaspar Noé, autor de alguns dos filmes mais polêmicos do cinema, como "Irreversível", "Clímax" e "Love", aposta dessa vez em uma história que fala sobre a morte e focando na finitude da vida de forma extremamente chocante. O próprio Gaspar passou por uma experiência de quase morte, ao sofrer uma hemorragia cerebral que o deixou entre a vida e a morte. A sua mãe tem Alzheimer e seu pai, quase 90 anos. Falar então sobre o fim de tudo lhe pareceu ser o momento mais apropriado. Para isso, convidou o Mestre do terror Dario Argento para dar vida ao papel do marido, e a musa do cinema da nouvelle vague Françoise Lebrun para fazer a esposa. o filme é tão frio que nem os protagonistas têm nome. E por ser um filme de Gaspar Noé, não tinha como ele largar mão do elemento estético e técnico da câmera, que ele tanto aprecia em seus filmes, com a ajuda de seu fiel fotógrafo Benoit Debie. Aqui, o filme é dividido em 2 telas: uma focada no homem, e o outro, na mulher, isolados, como se morassem sozinhos em casa e dando a estranha sensação de que um deles poderia estar morto e o outro conviver em uma casa solitária, vivendo de memórias. E quando um deles falece, a outra tela fica preta, marcando a ausência. É triste, angustiante e não recomendado para quem é sensível ao tema. Para Noé, ao contrário de muita gente, a terceira idade não é a Feliz idade.
Na trilha, Noé traz Ennio Morricone com o tema de "Meu nome é ninguém", e "Camille", tema de George Delerue para 'O desprezo".

sexta-feira, 1 de julho de 2022

Festa


 "Feast", de Tim Leyendekker (2021)

Polêmico drama LGBTQIAP+ que reconstitui um caso chocante ocorrido na cidade de Groniggen, Holanda, em 2007: 3 homens soro positivos drogaram frequentadores de uma festa de sexo e injetaram neles sangue contaminado com o vírus HIV.

O filme é dividido em 7 segmentos, e para criar linguagens distintas, o cineasta Tim Leyendekker convidou um fotógrafo diferente para cada episódio.
Longa de estréia do cineasta Tim Leyendekker, o filme foi premiado em diversos Festivais, incluindo o prestigiado Rotterdan, e mescla linguagens de drama, documentário e poética surrealista. A visão dos criminosos sobre o motivo, e o depoimento de uma das vítimas são contundentes.

quinta-feira, 30 de junho de 2022

Wet sand


 "Wet sand", de Elene Naveriani (2021)

Premiado drama LGBTQIAP+ vindo da Geórgia, historicamente um país que, assim como a Rússia, não tem pudor em dizer ao mundo que é homofóbico e contrário à políticas de casamento entre pessoas do mesmo sexo.

De forma minimalista, mas intensa, o filme apresenta ao espectador um vilarejo no litoral do Mar Negro. A comunidade se encontra no bar local, chamado Wet sand, aonde se encontram todos os dias para beber e fofocar sobre a vida dos outros há décadas. Eliko, um dos moradores, é encontrado enforcado. Ammon, o dono do bar, procura ajuda entre os moradores para enterrar Eliko, mas todos se recusam. Ammon decide procurar Moe, a neta de Eliko, para que ela o ajude a enterrar o avô. Mas quando todos descobrem através de uma carta que Eliko e Moon foram amantes durante décadas, o mundo cai e todos se mostram homofóbicos, rechaçando Ammon.
Um filme com ritmo bastante lento e introspectivo, numa narrativa semelhante aos dramas turcos de Bylgen, "Wet sand" é contundente como um roteiro que quer apontar o dedo para políticas de homofobia que tornam em tragédias milhares de histórias pessoais. Com um ótimo elenco, a direção privilegia planos fixos, longos em uma fotografia deslumbrante.