segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Demonia

de Lucio Fulcci (1990)
\Fulcci é um mestre dos filmes de terror italiano. Ao lado de Lamberto Bava e Dario Argento, entre outros, eles criaram o gênero "Giallio", que consite em filmes de suspense com altas doses de violência explícita, muitas vezes sofisticadas e kitsch. Depois de clássicos como "Zumbi 2""e "New York ripper", Fulcci se aventurou pelo filme fantástico, assim como Argento fez em sua trilogia das bruxas. O filme gira em torno de um grupo de arqueólogos canadenses, que seguem até a Sicilia em busca de desvendar uma historia sobre um mosteiro, onde se acredita, 5 freiras foram mortas por praticar magia negra. Lisa, uma das lideres do grupo, sem querer liberta os espiritos das freiras, que resolvem se vingar dos homens. Delisiosamente cafona, com atores canastroes até o último n;ivel, e pior, todos dublados, o que torna tudo ainda mais divertido. As cenas de morte s!ao antológicas de tão inacreditáveis. A história é sem pé nem cabeça, e tudo é tão ruim, que virou uma comédia involuntária. Sim, esse é dos piores filmes de Fulcci, no entanto, dos mais divertidos. Para quem curte um trash, é prato cheio. Eu me diverti a beça. Nota: 5

domingo, 27 de janeiro de 2013

Salo

Share", de Miko Jacinto (2011) "
Drama filipino, em co-producao com a Alemanha. Miko Jacinto e' conhecido cineasta filipino que tem em sua filmografia filmes com tematicas gays. Aqui, ele conta a historia de Rene, um homem de negocios, que esconde de todos o fato dele ser gay. Sua avo sofreu derrame apos ele ter revelado a ela anos atras a sua condicao. Sentindo-se culpado, ele evita falar do assunto com todos. Mas ree nutre paixao platonica pelo seu morotista, Levi. O filme foi todo rodado em video, em esquema baixo orcamento. A sua qualidade tecnica e' duvidosa, assim como sua trilha sonora, a base de piano, extremamente irritante, e que percorre quase que o filme todo. A trama, simploria, chega a ser risivel, por conta de cenas constrangedoras de romnace gay. Jacinto se utiliza de todos os cliches romanticos, porem usando e abusando de cameras lentas, closes sensuais, cenas de banho ( com cueca!!!), e mais cenas de banho com cuecas!! Parece que ele fez o filme para um publico voyerista, que esta a fim de ver corpos desnudos. O unico ponto de didgnidade do filme e' a presenca de Anita Linda, atriz veterana filipina e que protagonizou o excelente " Lola", de Brillante Mendoza. Pena que aqui, ela nao interpreta, pois passa o tempo todo deitada na cama, em coma. Nota: 3

Sebbe

de Babak Najafi (2010)
Filme sueco que foi exibido na Mostra Geracao do Festival de Berlin 2011, e' um retrato duro e seco da juventude, mais precisamente em paises supostamente ricos, mas que ainda assim possuem uma taxa alta de desemprego e de pessoas vivendo quase na miseria. Sebbe, diminutivo de Sebastian, e' um garoto de 15 anos, orfao de pai, e que mora com sua mae num condominio de classe baixa. Ele constantemente sofre bullying na escola. Sem amigos, sua diversao e' catar lixo eletronico no lixao e montar uma mobilete. A sua relacao com sua mae e' desastrosa, uma vez que ela a culpa pelo seu infortunio e desgraca. O filme e' narrado em ritmo lento, contemplativo. Acompanhamos a peregrinacao de Sebba as voltas com esse mundo injusto, onde ele nao se encaixa. O retrato da Suecia mostrado no filme, e' o de um Pais desenvolvido, mas desolador, com uma juventude alienada e uma sociedade fria e egocentrica. Muito da forca desse filme vem da dupla de atores, Sebastian Hiort af Ornäs (Sebba) e Eva Melander (Eva), sua mae. Os personagens foram batizados com os nomes reais dos atores. Sebastian na vida real e' musico. Ambos conferem cenas de intensa dramaticidade, o que faz valer ver esse filme triste e melancolico.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Lincoln

de Steven Spielberg (2012)
Ambientado nós estados Unidos de 1865, afundado na Guerra da Secessão, o filme aborda os 4 meses anteriores da aprovação da 13a emenda da Constituiçào americana, que liquida com a escravidão dos negros. enfretando a ira da parte conservadora dos políticos e da sociedade, que não acredita que os negros são iguais perante Deus e não merecem a liberdade. O filme mostra Lincoln como um homem decidido, forte, mas também humanamente frágil, devido a perda do filho por doença, o que causou uma ruptura moral com sua esposa, que foi internada em um hospício por um período, sofrendo de grave depressào. O filme parece dividido em 2 partes: a primeira, cansativa, fala somente de política: das manobras dos assessores, dos republicanos e democratas lutando pelos seus ideiais e tentando subornar congressistas para votaram sim ou não. A segunda parte, além d apolítica, mostra o conflito pessoal de Linclon, afundado em crises familiares, até culminar na sua morte. Tecnicamente não há o que falar contra: a fotografia escura de Januz Kaminsky, realçando o período "negro" da América. Figurino, arte, maquiagem, tudo perfeito. O elenco dá seu show habitual: O trio Oscarizado Daniel Day Lewis, Sally Fields e Tommy lee Jones tem direito a momentos próprios no filme, onde podem mostrar porque estão entre os melhores atores da atualidade. É um filme longo, que pode provocar sonolencia em boa parte dos espectadores. Mas pelo menos saí do cinema tendo a certeza de ter visto um filme histórico digno, que me trouxe milhares de informações que eu desconhecia. Afinal, Cinema sempre será cultura. Nota: 7

A descida de Acla até Floristella

"Acla - La discesa di Aclà a Floristella " de Aurelio Grimaldi (1992)
Ambientado na Italia Siciliana do início do Sex XX, antes da eclosão da 1a Guerra Mundial, esse é um filme chocante. O filme narra a história de Acla, um dos 9 filhos de casal miserável. Quando atingem uma idade de 10 anos, os garotos são enviados para uma mina de enxofre chamada Floristella, para explorar o minério utilizado na fabricação de bombas. Nesse ambiente masculino, os adultos exploram os meninos tanto no trabalho quanto sexualmente. Acla, rebelde, tenta fugir, mas logo é capturado e passa por todos os tipos de brutalidade como castigo, tanto por parte de seu pai, quanto do senhor que o comprou. Aurelio Grimaldi, o diretor, utiliza a linguagem e narrativa dos filmes neo-realistas, comuns na filmografia italiana do pós-guerra, e responsável por obras-primas de Rosselini, Fellini e de Sica. Grimaldi usa todos os elementos dessa escola: não atores, musica melodramádtica, extremo realismo, cenários desoladoras, sem retoques. O filme tem forte teor sexual: hoje em dia ( o filme é de 92), ele provavelmente seria proibido ou mutilado pela censura. Recheado de cenas de nudez infantil, sevícias, e diálogos protagonizados por crianças falando textos de baixo calão, além das cenas mais brutais de violencia doméstica que o cinema já mostrou. As cenas de espancamento são extremamente realistas. Pasolini, estivesse vivo, abraácria com louvor essa pelicula. O mais curioso, é que o diretor já filmou aqui no Brasil, em meados dos anos 2000, uma saga incompleta sobre Anita Garibaldi, com Milena Toscano no elenco. A atuação do menino Francesco Cusimano é digna de nota. Lembra demais o Antonie Doinel de Jean Pierre Leaud em "Os incompeendidos", com sua inqueitaçào e rebeldia. Inclusive, a cena final é claramente uma citaçào ao clássico de Truffaut. Não é um filme para qualquer espectador. Nota: 7

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Hitchcock

de Sacha Gervasi (2012)
Que filme delicioso, esse "Hitchcock". Talvez por eu ser um apaixonado por filme que usam o cinema como seu tema central. O filme explora o processo de realização do filme "Psicose", em todas as suas etapas: compra dos direitos do livro, briga com o Presidente da Paramount, que não queria realizar o filme, por considerá-lo inapropriado pelo seu teor de violencia; briga com os censores, que queriam cortar várias cenas do filme. briga com os atores e o mal-estar entre eles e o Diretor; financioamento, hipotecando sua casa para poder investir no filme; e a tensão perante a reação do público, se iria gostar ou não. Mas o outro grande foco do filme, é aturbulenta relação de Hitchcock com sua esposa, Alma, que descobrimos ser a grande mentora criativa de seus filmes. Ver os bastidores das filmagens, como foram realizadas cenas chaves do filme ( ex, a cena do chuveiro. Pelo filme, Hitchcock se irritou com o dublê que empunhava a faca, resolveu ele mesmo fazer a cena e Janet Leigh ficou tão apavorada que Hitchcock a apunhalasse de verdade, que seus gritos eram reais). O mega-elenco estelar está muito à vontade : Anthony Hopkins, sensacional; Helen Mirren, como Alma, brilhante como sempre, com seu fino humor inglês. Também temos Scarlett Johanson, Jessica Biel, James Darcy (Impressionante como Anthony Perkins, está a cara dele), Toni Colette, Ralph Macchio. O roteiro não é perfeito, tem alguns sub-plots que nao foram bem desenvolvidos ( ex, a piração de Hitchcock, imaginando um personage ficticio que o vive assombrando). Porém, os diálogos estão muito divertidos, muitos de duplo sentido, recheados daquela ironia que somente os ingleses têm. Muitas cenas antológicas: Alma dirigindo uma cena quando Hitch está doente em casa; e a cena final, quando Hitch pede inspiração para um próximo filme. Uma pena que esse filme tenha sido tão subestimado pelos críticos, público e pelo Oscar. Somente recebeu uma indicação de maquiagem, perfeita na caracterização de Anthony Hopkins, que deve ter ficado horas na sala de maquiagem. Pelo visto, os academicos não gostam de ser retratados de forma ironica nos filmes. Nota: 8

domingo, 20 de janeiro de 2013

O mestre

"The master", de Paul Thomas Anderson (2012)
Existem cineastas que conseguem mesclar o cinema comercial com o cinema alternativo. Anderson é um dos seus expoentes. Nào raramente, ele vive desagradando espectadores que vão em busca de um simples passatempo, ou alguém que quer sair do cinema discutindo conceitos. Na sessão que eu fui, muitas pessoas saíram durante o filme, outros ao final da projeção, ficaram cuspindo fogo, dizendo ter odiado o filme. Eu gostei muitíssimo, e passei aos quase 150 minutos de projeção boquiaberto com a sublime e extraordinária atuação de Joaquim Phoenix, algo que beira o absurdo. Algumas cenas do filme me fizeram cair o queixo, como na primeira entrevista que o personagem do excelente Philip Seymour Hoffman faz com ele, ou na cena que ele sai detinando tudo na cela de uma prisão. O Oscar ter esnobado o filme, a sua fotografia irrepreensivel ( tem horas no filme que parecia que eu estava vendo um filme realmente de época, por ex, na sessão de fotos do inicio), a direção de arte, o figurino, maquiagem...não consigo entender. Ou os marqueterios do filme nao fizeram o trabalho direito, só pode ter sido. Amy Adams também surpreende, apear da participaçào menor. Que atriz ela se transformou, desde "O vencedor" e " Dúvida" que ela tem arrazado em papéis dramaticos. Nao fosse Daniel Day Lewis no páreo, o Oscar com certeza seria de Phoenix, que já deveria ter ganho a tempos. O filme narra a história de Freddie (Phoenix) , ex-fuzileiro naval que após o fim da 2a guerra, não encontra espaço na sociedade. Bipolar e alcoolatra, ele não consegue se manter em nenhum emprego. Uma noite, ele esbarra com Dood (Hoofman) , que ele descobre ser o pregador de uma nova religião que ele chama de "A causa", baseada nos preceitos da conhecida Cientologia. Porém, Dodd e acusado de charlatão, e Freddie o defende da maneira que pode, através da sua violencia, enquanto Dood procura ajudar Freddie em seus problemas emocionais. Um roteiro muito bom, que faz uma análise sem tomar partido, de cultos que surgem e vão arrebanhando fieis mundo afora. Fiquei muito feliz também de rever Laura Dern, atriz de Veludo azul", que andava sumida. Em vários momentos me lembrei de filmes de Terrence Malick, pelo uso de grandes angulares e da fotografia e câmera etéreas e imagens grandiosas. Um espetaculo arrebatador, pena que muitas pessoas nao consigam enxergar a qualidade do filme, que sim, causa estranheza, mas poxa, vamos sair do óbvio do cinema americano. Ou pelo menos, deixem-se levar pela emocionante entrega de Joaquim Phoenix, que faz da postura corporal e do rosto marcado a sua chegada no pódio dos grandes atores . Nota: 10

sábado, 19 de janeiro de 2013

Agora fico bem

"Now is good", de Ol Parker (2012)
Drama romântico lacrimogêneo, na linha de "Uma prova de amor", "Inquietos"e "Um amor para relembrar". Dakota Fanning protagoniza a história de Tessa, uma menina inglesa de 19 anos que tem leucemia a 4 anos. Seu pai se dedica 24 horas a ela, e ela se sente sufocada por ele. Ela decide fazer uma lista de desejos com tarefas a cumpriir antes de morrer, e entre elas está a de perder a virgindade. Até que ela conhece seu vizinho Adam. Dakota é a principal razão de se assistir a esse filme. Com um ótimo sotaque inglês, ela está sublime, demonstrando segurança e evitando clichës ao interpretar uma paciente terminal. Seu figurino, aodrável, lembra muito o estilo da protagonista de "Inquietos", filme de Gus Van Sant. Adam é interpretado por Jeremy Irvine, o protagonista de "Cavalo de guerra". Paddy Considine, ótimo ator ingles, interpreta seu pai. A trilha sonora, recheada de canções pop, ressalta a melancolia do filme. Não é um filme para se cortar os pulsos, e nem o filme se propõe a isso. Seu desfecho é muito bonito. Bem filmado, bem fotografado, foi dirigido e escrito pelo mesmo roteirista de "O exótico Hotel Marigold". O que de fato me incomodou na história foi o tom de fábula, a apariçào de Adam no filme está muito forçada, ser um personagem tão altruísta. Do que vive o pai, que pede demissão do emprego e durante anos cuida da filha? E pra terminar, o personagem do irmão de tessa, que pentelho!!! Pela boa mensagem do filme, e por Dakota, vale uma investida. Para os mais sensíveis, garantia de boas lágrimas. Nota: 7

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Eu e você

"Io e te", de Bernardo Bertolucci (2012)
\Drama baseado em livro do italiano Niccolò Ammaniti , tem uma estrutura narrativa muito semelhante a "Os sonhadores". Além do frescor na sua forma de filmar ( Berttolucci usa grandes angulares, quase não decupa as cenas, cria uns ângulos pouco usuais..talvez para poder aproximar o filme da linguagem dinâmica dos adolescentes), o elenco é formado por atores desconhecidos do grande público. O tema do incesto, da família, da opressào, tão comuns em sua obra, continuam. Lorenzo é um adolescente de 14 anos, que mora com sua mãe. Rebelde, ele mente pra ela dizendo que viajou para uma excursão da escola de 1 semana, mas na verdade, ele pega o dinheiro, se abastece de comida e vai morar no porão do seu prédio, sem que sua mãe e ninguém tome conhecimento. Lorenzo quer se isolar do mundo, sua forma de contestação. O que ele não imagina é que sua meia-irmã vá aparecer também por lá, pedindo ajuda para a sua desintoxicação de drogas. O filme é muito bonito em sua essência, e na temática. Bertolucci, que filmou em uma cadeia de rodas, faz uma citação a si mesmo, através do personagem do psicólogo de Lorenzo, também cadeirante. Mais da metade do filme se passa dentro de um único ambiente, o porão. Dessa forma, o embate psicológico entre os 2 irmãos ganha força, especialmente por conta do ótimo trabalho dos 2 jovens atores. No final, o cineasta faz uma bela homenagem a "Os incompreendidos". O filme está longe de ser seu melhor longa, mas é dramático e interessante o suficiente paa manter a atenção do espectador. Os diálogos são bons, a fotografia ressaltando a personalidade dos personagens, sempre arredios e procurando se esconder em seus cantos. A trilha sonora, recheada de canções pop, é um primor, entre elas "Boys don't cry" e "Major Tom", de David Bowie. Nota: 8

Django livre

"Django unchained", de Quentin Tarantino (2012)
Fazendo aqui a sua referência mais explícita ao cinema de Sergio Leone, Tarantino brinda o espectador com quase 3 horas de muita adrenalina, sangue e mise en scene formidáveis, isso sem contar com todo o elenco em seu total esplendor, irretocáveis. Aliás, a impressão que eu tenho, é que todo o mundo deve se divertir pra cacete no set de filmagem, tal a profusão de cenas bizarras e hilárias, do mais fino humor negro, e claro, diálogos inspiradíssimos. Dr Kurtz ( Christopher Waltz) é um caçador de recompensas, que compra o passe de Django ( Jamie Foxx) à força, para poder ajudá-lo a reconhecer 3 malfeitores. Feito isso, Django pede um favor a Kurtz: recuperar a sua esposa, que está nas mãos de Calvin (Leonardo diCaprio), um rico fazendeiro escravista de Missisipi. Samuel L. Jackson está fantástico, e é um absurdo seu nome não constar nas indicaçoes a Oscar de coadjuvante, ele está irreconhecível como um escravo idoso filho da puta, totalmente de sangue "branco". Tarantino faz uma aparição antológica, alias gordo e com cara de tia Velha. Outra cena hilária e memorável é a discussão de membros de Klu Klux Khan sobre os buracos dos olhos das máscaras que usam para poderem se difarçar. Jonah Hill faz uma ponta nessa cena. Apesar de ter gostado bastante do filme e achar que a homenagem ao cinema de Sergio Leone é emocionante ( usando zoom, trilha de Morricone, Franco Nero no elenco), desejo que seu próximo filme saia dessa onda de reverenciar o cinema de outros. Está mais do que na hora de Tarantino criar o seu mundo sem citar o cinema de outros. Alguns personagens , eu senti que poderiam ter sido melhor explorados, como por ex, a da irmã de Calvin. Nota: 9

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Jack Reacher: O último tiro

"Jack Reacher", de Christopher McQuarrie (2012)
O grande problema desses filmes de ação protagonizados por Tom Cruise, é que voce sempre irá enxergar o Ethan Hunt ( personagem dele em "Missão Impossível"). Tudo bem, Reacher é mas violento. Mas nesses tipos de filmes, não faz a mínima diferença. Em Pittsburg, Pensylvannia, um atirador mata 5 inocentes. Ao ser preso, ele manda chamarem Jack Reacher. Uma adovogada defende o assassino, mas Reacher tenta provar que uma conspiração está por trás das mortes. Esse filme teve sua estréia adiada nos EUA, por conta do atirador que matou dezenas de pessoas numa escola nos EUA. Pior, é que a cena inicial realmente choca pela sua brutalidade e tensão. É uma cena muito bem dirigida, digna do melhor suspense. Mas logo depois, o filme cai num lugar comum. Nada de muito empolgante: muita pirotecnia, muita porradaria, ego do Cruise nas alturas e claro, o próprio numa cena sem camisa. Cruise adora esse narcisismo, mostrando que está em ótima forma aos 50 anos, e que ainda dispensa dublês nas cenas de ação. O diretor Macquarrie é amigo pessoal de Cruise, já tendo escrito o roteiro de "Operação Valkyria". Outro roteiro famoso escrito por ele foi "Os suspeitos". Esse é seu segundo longa, o primeiro"sangue frio", não fez tanto sucesso. "Jack Reacher" é baseado em um personagem de livros, e pelo visto, deve virar uma franquia cinematográfica. Para o tipo de filme que se propões, ele é muito longo: 2:10 minutos, podendo ter meia hora fácil fácil sendo jogada no lixo. O filme não reserva novidades. Aliás, até existe uma no desfecho, mas é mal construída e forçada, quando se revela uma traição. A motivação da trama também soou confusa, e eu meio que não entendi a função do personagem de Herzog. Aliás, o elenco é um dos atrativos: Além de Werner herzog, temos Robert Duvall e Richard Jenkins, todos veteranos e ótimos atores. E Herzog mostra que além de ótimo diretor, ainda atua. mesmo que um pouco canastrão. Pipoca média. Nota: 6

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

O lado bom da vida

"Silver linings playbook", de David O. Russell (2012)
Indicado pros principais prêmios no Oscar 2013 ( filme, diretor, ator, atriz, atorcoadjuvante, atriz coadjuvante, roteiro adaptado) , essa comédia dramática romântica é dirigida pelo mesmo cineasta de "O vencedor", excelente filme com Christian Bale. Aqui, O. Russell repete alguns planos e situaçõs do filme: a câmera que sai disparada na rua, os momentos de treinamento, etc. Ele se mostra também um ótimo diretor de atores:, aqui, o elenco inteiro, sem exceção, dá um show. Só o fato de fazer Robert de Niro entrar em cena e não fazer aquelas caretas que ele se habituou a fazer em seus últimos films, já um mérito. Mesma coisa o comediante Chris Tucker, sob medida, sem caricaturas. Jackie Weaver, a atriz de "reino Animal", mostra-se bem à vontade fazendo humor refinado, Bradley Cooper está com sua melhor performance jamais vista e Jennifer Lawrence mostra-se uma ótima heróina romântica, a la "Diário de Bridget Jones". O filme conta a história de Pat (Cooper), um diagnosticado com transtorno bipolar, que sai da clínica pisquiárica após 8 meses de internação. Ele quer recuperar o amor de sua esposa, que o quer distante dela. Um dia, ele conhece Tiffany ( Lawrence), outra paciente depressiva, e juntos, tenatm arquitetar um plano de resgate da ex-esposa. Porém, obvio, Tiffany se apaixona por Pat. Um filme muito bem dirigido, mas sem o brilho dos grandes filmes que merecem ganhar o Oscar. Os atores, mesmo que ótimos, não estão memoráveis a ponto tambem de ganhar a estatueta careca. Em certos aspectos, ele lembra aquele clima do filme "Os descendentes", que também foi o filme sensação do ano passado. Filme Ok, atores Ok, mas somente isso. O desfecho é muito bacana, no clima de um romance desses que os espectadores ficam torcendo para que tudo acabe bem. A trilha sonora é muito boa, e tem um clip de dança no meio do filme, com as aulas de dança dos personagens, que é genial. Fora isso, é com ceretza um belo filme para se passar uma tarde gostosa, sem culpa, só curtindo. Ah, tem umas partes chatíssimas, quando os personagens falam de apostas e jogos. Ah, o termo "Silver linings", eu pesquisei. Quer dizer "pensar em coisa spositivas, mesmo que tudo pareca estar uma merda". Vem da frase " Every cloud has its silver linings". Chaham de silver linings o contorno que o sol faz numa nuvem escura. Nota: 8

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Sete psicopatas e um shih Tzu

"Seven psycopaths", de Martin McDonagh (2012)
Cineasta inglês, contemporâneo de Guy Ritchie e mesmo diretor do ótimo "Na mira do chefe", Martin McDonagh bebeu e muito na fonte de Tarantino ao realizar esse filme aqui. Já no prólogo inciial, temos aquela cena que dura uns 10 minutos, de 2 tipos estranhos falando sobre um assunto banal, e de repente, pimba! Lá vem adrenalina. O filme narra a história de Marty ( Colin Farrell), roteirista de cinema que se encontra em um momento totalmente sem inspiração. Morando em Los Angeles, ele tem como amigo Billy (Sam Rockwell), um ator desempregado que resolve ajuda-lo a se inspirar para escrever um roteiro que se chamará "Sete psicopatas". No caminho dos dois, muitos personagens irão surgir, entre eles, o mafioso Charlie, que quer mataa-los, por terem sequestrado o cachorro Shih Tzu dele. McDonagh, também roteirista, reuniu em seu filme um mega time de estrelas. Muitos deles, aparecem em apenas uma única cena, tipo a Gabourey Sidibe (Preciosa), Olga Kurilyenko, Michael Pitt, Harry dean Stanton, Tom Waits, etc. Christopher Walken e Woody Herrilson estão fantásticos. em seus tipos psicóticos. Aliás, um dos grandes baratos do roteiro é reunir em um único filme, todas as formas de psicopatas violentos que possam existir. O problema do filme no entanto, é a sua falta de foco. Na primeira parte, ele funciona muitíssimo bem, mais parecendo uma montanha -russa por conta de tantas sandices que vão surgindo na trama, cada vez mais surrealista e absorvida de humor negro. Daí, do meio em diante, o filme acontece numa locação no deserto californiano. Aí reside o problema: o filme vai se tornando melancólico, e puxando pro dramalhão. Parece que estamos vendo outro filme, faltou unidade. Acredito que a melhor forma de assimilar esse filme é abstraindo qualquer tipo de lógica na narrativa , e se deixar levar por uma fábula que brinca de fazer cinema. Essa aliás me pareceu a mensagem final: o cinema subverte, recria a realidade, provoca sonhos. Tarantino aprovaria o banho de sangue desse filme. Nota: 7

Nota de rodapé

"Footnote", de Joseph Cedar (2011)
Ótimo drama com finíssimo humor judaico, daquele tipo que toos nós amamos e passamos o filme todo com aquele sorrisinho sacana no canto da boca. Eliezer e Uriel, ambos professores, são pai e filho. Ambos têm o Talmude como fonte de inspiraçao para suas obras, porem, discorrem fervorosamente nas porpostas. O pai a 20 anos amarga jamais ter tido um prêmio de reconhecimento pelo seu trabalho cientifico, ao contrário de seu filho, que vive ganhando prêmios. Um dia, por engano, a coordenação do Prêmio Israel liga para Eliezer dizendo que ele ganhou um prêmio, mas mais tarde, o filho descobre que o prêmio era para ele e não para seu pai, pois a pessoa que ligou se enganou. A partir daí, o filho fica com um dilema moral, se deve contar ou não para o seu pai o engano. Excelente roteiro e uma montagem vigorosa e inteligente, que brinca com a narativa de forma brilhante, fazendo com que os espectadores se inteirem melhor da relação de pai e filho. Tratando de temas como rivalidade , culpa, rancor e principalmente, dilema moral , o filme foi justamente indicado ao Oscar de 2012 para filme estrangeiro. O filme tem cenas de humor geniais, como a cena que o filho segue para conversar com os membros da Academia de ciencias em um lugara pertdao e todos devem se levantar para se acomodarem. O elenco é perfeito, que atores ! Shlomo Bar-Aba e Lior Ashkenazi, respectivamete Eliezer e Uriel, demonstram sensibilidade e inteligencia na composiçào do amargor de pai e filho , cheios de ressentimentos. O final deixa um pouco a desejar, pois gostaria de ter visto algo mais objetivo. Mas é um filme que merece ser visto pela sua criatividade e pelo traalho do elenco. Nota: 8

domingo, 13 de janeiro de 2013

Uma família em apuros

"Parental guidance", de Andy Fickman (2012)
Billy Cristal e Bette Midler, dois dos maiores comediantes americanos no mesmo filme? Mais Marisa Tomei? Não há a mínima chance do filme ser ruim! Essa comédia tipicamente família, que tem todos os clichês do gênero, funciona justamente por conta da química desses atores. O filme narra a história de Artie e Diane Decker, um casal fora de seu tempo. Artie é locutor de beisebol, e acaba de ser demitido. Alice (Marisa Tomei) é casada e mãe de 3 filhos problemáticos. Ela vive num mundo tecnológico, ao contrário de seus pais, que não entendem nada de tecnologia e por isso mesmo, vivem ã moda antoga, previlegiando os costumes da era pré-internet. Alice educa seus filhos dentro do preceito do politicamente correto. Quando ela viaja com seu marido, deixa a guarda dos filhos com seus pais, que resolvem dar um basta na conformidade das crianças e dá uma lição de moral em todos. O filme reserva muitas boas gags, muitas delas envolvendo a problemática dos mais velhos com eletrônicos e equipamentos de última geração. Isso me fez lembrar de Monsieur Hulot em "Meu tio", quando ele chega na casa do patrão e também não consegue se acostumar com a modernidade. Bette Midler é uma grande Diva dos palcos e do cinema, e ela tem um carisma inegável. Marisa Tomei passeia tranquilamente entre o drama e comédia, e aqui, ela divide seu espaço com um endiabrado Billy Cristal. Claro, esse tipo de filme tem que ter aquela mensagem moral no final, que emociona a todos, personagens e espectadores, mesmo que de uma forma novelesca. As crianças também são ótimas. Por não oferecer muita novidade no roteiro, o filme acaba sendo apenas um bom passatempo, que tem como chamariz o trabalho dos atores. Nota: 7

Além das montanhas

"Beyond the hills", de Cristian Mungiu (2012)
O cinema romeno veio com força total a partir de "4 meses, 3 semanas e 2 dias", que venceu a Palma de Ouro em Cannes em 2007. Desde então, filmes romenos têm surgido nas nossas telas, entre eles " Como comemorei o fim do mundo", "Contos da era dourada"e "Terça, depois do Natal". O que esses filmes têm em comum, é uma estética rigorosa, de poucos planos, as vezes cobrindo uma cena inteira sem cortes, mesmo com o ator falando o tempo todo de costas. essa estética é primordial em "ALém das montanhas". Com mais de 2:30 de duração, o filme se compõe de longas cenas sem cortes, ãs vezes com mais de 10 minutos, sem nenhum corte. É um filme seco, de interpretação naturalista. A câmera é ligada e o papo rola solto, hermeticamente composto, enquadramentos equilibrados. Vemos todos os atores em cena marcadinhos, ninguém cobre ninguém. Além desse extremo rigor formal, às vezes quebrado com um ou outro plano na mão, acompanhando os personagens, na tradição dos irmãos Dardenne, também produtores do filme, o filme faz uma discussão sobre os limites da fé. Alina e Voichita moraram quando adolescentes num orfanato na Romênia. Quando cresceram, foram obrigadas a sair do orfanato. Separadas, Alina foi tentara sorte na Alemanha, e Voichita foi se dedicar à palavra de Deus, se instalando em um convento na área rural, que prega o cristianismo ortodoxo. Os anos se passam e Alina retorna, decidida a tirar Voichita do convento e trazer com ela pra cidade grande. Voichita, no entanto, acredita que pode fazer com que Alina também se interesse pela igreja e queira ficar também como freira e dedicada a Deus. Porem, logo Voichita descobre que os planos de Alina são de reatar o amor das duas. O filme é baseado em história real acontecido na Romênia em 2005. Li numa entrevista que Mungiu quiz fazer um alerta para o poder da Igreja, dominando corações e mentes das pessoas humildes. Ele diz que em seu País, existem mais de 5000 igrejas contra 300 escolas. O filme saiu em Cannes com 2 prêmios: o de melhor roteiro, e o de melhor atriz, dividido pelas 2 atrizes principais do filme, Cosmina Stratan e Cristina Flutur, estreantes em cinema. Seria injusto, no entanto, não comemorar também a performance de todo o elenco, que inclui o ator que interpreta o Padre, e as outras irmãs. É um intenso trabalho de conjunto. O filme tem meia hora sobrando, poderia terminar já na 2a ida ao Hospital. Para espectadores incautos, um alerta: é um filme de ritmo extremamente lento, sem pressa alguma de contar e apresentar sua história. Eu adoraria ter gostado mais do filme. Mas valeu como experiência cinematográfica. Mungiu é dos grandes cineastas em atividade na atualidade. Nota: 7

Diamantes da noite

"Démanty noci", de Jan Nemec (1964)
Clássico Tcheko de 1964. O cinema Tcheko dos anos 60 produzia filmes que através de metáforas, muitas vezes em formas de fabulas, discutia temas como regimes fascistas e falta de liberdade de expressão. Dessa escoca saíram cineastas como Milos Forman, Vojtech Jasný ( da obra-prima "Um dia um gato") e Jan Nemec. "Diamantes da noite"conta a história de 2 jovens judeus que fogem de um trem que segue para um campo de concentração. Na fuga, eles entram floresta adentro, sendo perseguidos por um grupo de idosos armados. Uma fotografia excepcional em preto e branco, além de um trabalho de câmera impressionante, com movimentos de câmera que me deixaram de boca aberta ( por ex, o plano-sequencia da fuga inicial deles). O filme mescla numa montagem sensorial cenas realistas, flash-backs e alucinações dos personagens, além de antever situações que acontecerão no futuro. É uma linguagem experimental, ousadíssima para a época, e que contém poucos diálogos. O diretor quer que o espectador invada a mente dos personagens e tente entender o frenesi que passa por suas mentes, em situações de medo, desespero, fome. Numa cena de montagem esplêndida, um dos personagens invade uma casa, e por várias vezes, vemos com os olhos dele situações possíveis para o destino da dona de casa. A cena final é uma obra-prima. O filme faz clara alusao do embate do regime ditatorial versus novos ideais dos jovens ameacando os mais velhos, e por isso devem ser combatidos. O diretor mostra os velhos como idosos que mal conseguem segurar uma arma, ou subir uma colina. Um filme para amantes de cinema de arte. Nota: 9

sábado, 12 de janeiro de 2013

Sacrifício

"Sacrifice", de Chen Kaige (2010)
Baseado numa peça de teatro, chamado "O Órfão de Zhao", essse filme foi dirigido e adaptado por Chen Kaige, cineasta chinês vencedor da Palma de Ouro por "Adeus, minha Concumbina". Incrível como esse filme agora foi lançado em apenas uma sala, de arte, que é o Instituto Moreira Salles. Nào existe mais espaço no mercado para tais épicos, o que é uma tristeza. Um roteiro fantástico, que mais parece uma tragédia grega de tão mirabolante. No século 5 depois de Cristo, na Dinastia Yuan, um Ministro da Guerra, Tu Angu, absorvido pela cólera, por perder a mulher que ama para um general, resolve mandar matar todos os integrantes do Clã Zhao, que comanda o reino. Porém, um médico salva o filho da irmã do rei, e ele vem a ser o único herdeiro do clã. O médico, Cheng Yin, no entanto, é descoberto, e sacrifica o seu próprio filho, para poder cumprir sua promessa e salvar o herdeiro. Tomado pelo ódio e sede de vingança, o médico cria o bebê, com a finalidade de, quando a criança crescer, se vingar de todos e matar Tu Angu. Mas o destino nem sempre é o que se imagina. Um épico grandioso, muito bem dirigido e interpretado por atores fantásticos que com suas performances arrebatadoras, dão a dimensão da tragédia de seus personagens. O sacrifício do título é de todos, assim prega o texto. Violento, dramático e sem perder a força de um grande melodrama, essa super-produção, recheada de efeitos e lutas, merecia destino melhor no circuito e poder ser visto por mais espectadores. O início é um pouco confuso, pois ficamos meio perdidos até entender quem é quem, e Chen Kaige ainda se dá o direito de criar pequenas elipses temporais. Mas logo o filme toma uma dinâmica de aventura e ação, e tudo se encaixa perfeitamente. O desfecho é emocionante e belo, me lembrou "Gladiador". Nota: 9

Vulcão

"Eldfjall", de Rúnar Rúnarsson (2011)
Fico impressionado com a semelhança desse filme com "Amour", de Michael Haneke. Exibido em Cannes na Quinzena dos realizadores de 2011, nada me tira da cabeça que Haneke assistiu a esse filme de alguma forma e se inspirou para fazer o seu. Ou foi uma extrema coincidência. Esse filme islandês foi escolhido pela Islândia para representar o país no Oscar 2012, mas como não tinha nenhuma estrela nos créditos, foi preterido. O filme conta a história de um casal, casados a mais de 40 anos, e pai de 2 filhos já casados. O pai se aposenta e passa a viver em casa, mergulhado em profunda depressào. Ele sempre foi um sujeito bronco e não sabe transmitir amor nem pra esposa, nem pros filhos. Um dia, ele escuta escondido os filhos falando mal dele, e como ele maltrata a esposa. Eleresolve se redimir com a esposa e passa a amá-la. Porém, ela sofre um derrame, e a partir daí ele precisa cuidar dela. O que mais me impressionou foi que diversas passagens são idênticas ao filme de Haneke, até culminar naquela cena angustiante que fecha o filme francês. Exatamente igual. Prefiro abstrair e continuar achando que "Amour" é um excelente filme, e aqui, pelo menos, não existe aquela amargura e frieza que me deixou abalado. Aqui é um pouco mais adoçado, embora tendo a mesma narrativa seca e dura. Aqui se permite um pouco mais de relação familiar, de amizades, de carinho. Um belo filme, embora de ritmo extremamente lento , e com belíssimas paisagens. Nota: 7

Viúvas

"Viudas", de Marcos Carnevale(2011)
Ver esse filme me trouxe lembranças gostosas dos primeiros filmes de Almodovar, quando ele só tinha a preocupação de fazer um filme divertido, carregado nas tintas trágicas de mulheres apaixonadas, loucas, insanas, que fazem tudo pelo amor. O tempo todo, fiquei imaginando Carmen Maura, Rossy de Palma e outras heroínas típicas do cineasta espanhol. Aquela trilha sonora cafona e deliciosa, aquele figurino e penteados exuberantes, atrizes botocadas, personagem travesti, uma diversão só. Por conta disso, gostei desse filme argentino de Carnevale, mesmo diretor do bom "Elsa e Fred". Elena é uma documentarista que está fazendo um doc sobre mulheres que falam sobre amor. Adela é uma jovem radialista. Ambas descobrem que se tornaram viúvas de Augusto. Elena é a esposa, e Adela é a amante. Quando Elena descobre que o então marido perfeito tinha uma amante, ela enlouquece. Mas ela não imagina que Adela, desempregada e sem ter aonde morar, vai bater em sua casa para pedir ajuda. A grande força desse filme se reside no talento do elenco principal: As duas protagonistas, mais a amiga produtora ( que lembra muito a falecida Renata Fronzi) e Justina, a empregada travesti, são diversão garantida, pois levam a séro os seus papéis amalucados. Os diálogos também em boa parte sao ácidos e novelescos, hilários. Mas o filme que começa bem, perde o ritmo no segundo ato, para somente recuperá-lo no final. De qualquer forma, é um bom exemplar de cinema comercial argentino, que mostra também saber fazer um bom filme pipoca, que irá agradar ao público que sente falta de "Mulheres a beira de um ataque de nervos". Destaque para a música "Paisaje", tema do filme, e que com o seu tom de melodrama e breguice, me fez rir bastante. Nota: 7