sábado, 16 de dezembro de 2023
Tá escrito
"Tá escrito", de Matheus Souza (2023)
Dirigido por Matheus Souza e co-escrito por Matheus Souza, Ricky Hiraoka e Thuany Parente, "Tá escrito" parece ter como ponto de partida o mangá "Death note", onde um caderno de anotações mágico faz os pedidos acontecerem de verdade. Apostando mais na fantasia, o filme traz os elementos comuns à filmografia de Souza: universo pop, geek, pós adolescentes, romance fofo e trilha sonora soft eletrônica e com pitadas de indie rock. Larissa Manoela é a estrela, acompanhada por Thuany Parente,, Victor Lamoglia, Karine Teles, Kevin Vechiato, André Luis Frambach, Hamilton Dias e grande elenco, incluindo o nostálgico Cazé da Mtv, no papel do pai de Alice (Manoela).
Alice é estudante de astronomia, paixão herdada pelo falecido pai. Frustrada pela sua tmidez em se apresentar em público e pela falta d eperspectiva, ela aceita o convite de sua melhor amiga para ser infleuncer em uma mansão ond eo personagem de Victor Lamoglia cuida da carreira de influencers. Alice no entanto, corrige o convite: ela não é astróloga, e sim, astrônoma. Mas ainda assim ela aceita o trabalho. Um dia, ela recebe um caderno de anotações em casa, e logo decsobre que tudo que escreve sobre os signos, acontecem na vida real das pessoas.
O filme aposta mais na fantasia e nas expectativas do que pode acontecer na vida das pessoas, do que no humor e no romance. A ficha técnica é boa: fotografia, direção de arte, comandado por mulheres. Pautas como lesbofobia, machismo, sororidade são apresentadas para a turma adolescente.
Tantura
"Tantura", de Alon Schwarz (2022)
"Tantura" é um polêmico documentário que concorreu no Festival de Sundance e que hoje, na luz da guerra entre Israel e a Palestina, decidindo o destino da faixa de Gaza, gannha dimensões ainda maiores.
O filme traz depoimentos de judeus sobreviventes da Diáspora, criação do estado de Isreal em 1948. Fora esses depoimentos, é baseado na investigação realizada pelo estudante de pós-graduação da Universidade de Haifa, Teddy Katz, sobre o efeito da guerra de 1948 em cinco aldeias, incluindo Tantura. Katz conduziu 140 horas de entrevistas em áudio com 135 pessoas, tanto palestinos quanto testemunhas israelenses, incluindo soldados, dos eventos em Tantura. Em 1998, publicou uma tese concluindo que houve um massacre de 200-250 palestinos de Tantura, a maioria homens, pela Brigada Alexandroni das FDI , e que as vítimas foram enterradas em valas comuns. A tese recebeu nota máxima com louvor. Mas pressionado, pela Universidade e pela opinião pública, ele declarou que não houve massacre, tendo que se retratar. Dias depois, tentou cancelar sua retratação, alegando ter sido pressionado e de que se arrependeu, mas o caso foi cancelado. O filme centra-se no destino dos residentes palestinos de Tantura no verão de 1948. Um assassinato em massa teria sido cometido por soldados israelenses, incluindo estupros, e todos enterrados em uma vala comum.
É um filme que foca em depoimentos e em imagens que não provam as valas, apenas suposições. Mas é um projeto que abre discussões e traz um debate explosivo sobre um dos momentos mais controversos da história do mundo, chamado por Isreal de "independência", e pela Palestina, de "A grande catástrofe".
sexta-feira, 15 de dezembro de 2023
Godzilla minus one
"Godzilla minus one", de Takashi Yamazaki (2023)
Durante toda a projeção de "Godzilla minus one", escrito e dirigido por Takashi Yamazaki e vencedor do prêmio de melhor filme internacional pelos críticos de Las Vegas, fiquei pensando na ousadia dos produtores em investir em um filme de Kaiju que focasse mais no material humano do que no monstrengo marinho. Godzilla aparece pouco. Mas isso não é um problema, pois nas poucas vezes em que aparece, cria-se até mais expectativa ( lembre de "Tubarão"). É possível assistir ao filme como um drama e entender que Godzilla é a metáfora de todos os medos e ameaças ao Japão pós 2a guerra, destruído e mal visto pelos países que fizeram aliança com os Estados Unidos. O filme lida com a culpa, os traumas e a honra, um termo muito respeitado pela cultura japonesa.
Koichi Shikishima é um piloto de avião kamikaze (suicida), mas que se acovarda e decide se esconder na Ilha de Oda. Acontece que a Ilha é atacada por Godzilla e todos os soldados da ilha são mortos. Shikishima se sente culpado pelas mortes, por não atacar o monstro. De volta à Tokyo, ele decsobre que seus pais morrerarm e reconstrói sua vida doz ero, assim como todos os japoneses no fim da 2a guerra. Uma jovem, Noriko, que adota uma bebê, lhe pede ajuda. Anos depois, Godzilla retorna e ataca Tokio. Shikishima se une a um grupo de voluntários para combater o monstro.
Fiquei impressionado com a qualiadde técnica do filme: a direção de arte, a fotografia, a trilha sonora envolvente e tensa. O Godzilla traz os traços do monstro original, acrescido de efeitos que o tornam assustador e indestrutível. Mas o mais potente no filme, é de fato, o elenco. Todos os atores, sem exceção, estão soberbos, trazendo camadas e viradas. Tem até um momento 'Dunkirk" no filme.
quarta-feira, 13 de dezembro de 2023
Propriedade
(2023
"Propriedade", de Daniel Bandeira (2023)
Thriller social escrito e dirigido pelo pernambucano Daniel Bandeira, "Propriedade" me remeteu a 2 filmes recentes, que têm como pano de fundo a forte crítica social e a polaridade entre previlegiados e a classe desfavorecida: "A nova ordem", do mexicano Michel Franco, e o argentino "A jaula". Do primeiro, o embate mortal entre empregados e patrões burgueses, com ambos os lados da moeda apostando na violência e na brutalidade para resolver as suas diferenças. Do argentino, vem a metáfora da "blindagem" e do vidro fosco, que evita que se veja a dura realidade de um mundo cruel, que massacra a classe dos marginalizados, onde o motorista prefere ignorar o que está óbvio à sua frente.
Premiado em importantes Festivais, como Festival do rio, Aruanda e concorrendo na Mostra Panorama em Berlim, o filme traz um roteiro polêmico, onde todos são expostos como animais em fúria, evitando o discurso e dando voz ao massacre.
Thereza (Malu Galli, excelente) ainda guarda trauma de quando foi assaltada com uma faca no pescoço. Seu marido, Roberto (Tavinho Teixeira), decide blindar o carro e levar Thereza até a fazenda da fam;ília que ele herdou. Ele vai até lá para avisar aos funcionários que irá vender a fazenda. temerosos de não ter aonde morar e de terem dívidas com o patrão, um ato de viol6encia gera uma chacina, resultando em Thereza se protegendo no carro blindado. Os empregados da fazenda fazem de tudo para tirá-la de dentro, enquanto Thereza procura se proteger, sem conseguir comunicação externa.
O que é irrepreensível, é o trabalho do elenco de apoio: todos estão em perfeita sintonia, cada um com uma personalidade, remetendo ao grupo de "Bacurau". Aliás, o fotógrafo é o memso, Pedro Sotero. Zuleika Ferreira, como a líder do grupo, é espetacular. Os efeitos, a montagem, a direção, tudo funciona perfeitamente para tornar "propriedade" uma experiência sensorial, mas trazendo incômodo ao espectador, que certamente sairá da sessão sem uma opinião clara sobre o seu desfecho.
Mon amour
"Mon amour", de David Teboul (2020)
Pense em um documentário de 3 horas de duração, onde o cineasta relata o seu luto pela morte de seu companheiro de longa data, que se suicidou. Mais: boa parte do filme é composto por divagações em off, sobre imagens da Sibéria, expondo e abrindo o seu coração e a sua alma, uma forma de exorcizar a sua culpa pela morte do amante. Algum cinéfilo se habilita?
Em 16 de dezembro de 2007, Frederic deixou mensagem relatando a sua tristeza e deu fim à sua vida. o cineasta David Teboul passou por parte de sua vida se sentindo culpado por não ter estado ao lado do amado na hora que ele mais precisava. Para isso, ele decide ir para um lugar bem longe, e nesse caso, escolhe a Sibéria. Lá, ele se isola e faz reflexões sobre a vida, amor, morte. O cineasta se baseia no existencialimo de "Hiroshima mon amour", tanto o livro de MArguerite Duras, quanto ao filme de Resnais, no qual o realizador faz referências imagéticas, com planos fechados no sexo dos amantes. O filme é entremeado com depoimentos de moradores da Sibéria, explanando sobre amor e morte. Tem um casal de idosos, uma jovem e um rapaz, que gratuitamente, tira a roupa e toma banho, totalmente nú. Um desejo impulsivo pelo corpo masculino, uma lembrança do amado?
Seja qual for a resposta, é um filme muito entediante, difícil de acompanhar pela sua longa duração. Vale pelas belas imagens da Sibéria.
Buddies
"Buddies", de Arthur J. Bressan Jr. (1985)
Escrito e dirigido por Arthur J. Bressan Jr., "Buddies" rende uma ótima peça de teatro para 2 atores homens na faixa dos 30/35 anos.
Clássico drama LGBTQIAP+ independente americano, foi historicamente o 1o filme realizado a falar abertamente sobre a Aids e a consequência da doença sobre a comunidade gay. Hollywood somente falou sobre o vírus em 1989 com o drama "Meu querido companheiro". O filme fala sobre a amizade que se afirma entre dois homens gays: um que está convalescendo do HIV no hospital, Robert, e David, um voluntário de um programa da Gay Comission. Ele é considerado um "buddie", uma pessoa que visita um doente e passa a tarde conversando com ele quando ninguém mais faz visita, ainda mais no início da Aids, quando a doença era associada a um câncer gay e as pessoas evitavam visitas. O cineasta Arthur J. Bressan Jr., que escreveu e dirigiu o filme, veio a falecer 2 anos depois de Aids, assim como um dos protagonistas, Geoff Edholm (Robert)."Buddies" é um filme bastante depressivo, onde um homem sofrendo de HVI dá depoimentos sobre a vida que está se esvaindo. Não recomendado para pessoas depressivas.
Shoulder dance
"Shoulder dance", de Jay Arnold (2023)
Premiado em diversos festivais de cinema lgbtqiap+, escrito e dirigido por Jay Arnold, esse drama romântico poderia perfeitamente rednder uma boa peça de teatro com 4 atores na faixa dos 30/35 anos: 3 homens e 1 mulher. O filme acompanha o casal Ira (Matt Dallas) e Josh (Taylor frey), casados há 10 anos. Josh se sente preso à uma relação onde o marido não quer que ele trabalhe e sustenta ele em tudo. Incomodado em não poder explorar o seu talento, sem a ajuda do amante, Josh fica em conflito. Até que Ira convida seu amigo de infância Roger (Rick Cosnett) para passar o fim de semana em sua casa. Roger vem junto da namorada, Lilly (Maggie Geha). Ira e Josh já tiveram um flerte no passado, e essa tensão sexual aflora novamente. Josh percebe, e se sente ameaçado.
Com bons atores, o filme não esconde o seu tom de filme indie, com poucas locações, poucos personagens e muitos diálogos. É um filme honesto, que explora medos, ciúmes, desejos e principalmente, se discute relacionamentos tóxicos.
terça-feira, 12 de dezembro de 2023
Devo compará-lo à uma noite de verão?
"Bashtaalak sa'at", de Mohammad Shawky Hassan (2022)
Co-produzido pelo Egito, Líbano e Alemanha, o filme "Devo compará-lo à uma noite de verão?"concorreu no Festival de Berlim 2022. O filme é uma livre adaptação do 'Soneto 18" de Shakespeare, e o cineasta egípcio Mohammad Shawky Hassan realiza um filme lgbtqiap+ repleto de experimentalismos. Poesia, vieo-arte, drama, documentário, tudo interage de forma autoral e conceitual. Diversos homens contam em vinhetes as suas experiências sexuais. Através dessa narrativa sobre sexualidade queer, o cineasta procura fazer um panorama sobre relacionamentos, desejos, frustrações e a possibilidade de amar. O filme é bem entediante e arrastado, e a linguagem não agradará a todo espectador.
Runner
"Runner", de Marian Mathias (2023)
Escrito e dirigido pela cineasta Marian Mathias, o filme ganhou um prêmio especial no Festival de San Sebastian, além de participar de importantes festivais. Co-produzido por Estados Unidos, França e Alemanha, "Runner" tem influências, seguindo a própria cineasta, do cinema de Terrence Malick, Béla Tarr, Kelly Reichardt, Carlos Reygadas e Jane Campion. O filme, de ritmo extremamente longo, privileia o tempo real, as grandes paisagens, os silêncios. Muito pouca coisa acontece na narrativa. A personagem principal se chama Haas, apelido de HAnnah. Haas em alemão quer dizer "Runner/corredor". O filme traz sensações e memórias da diretora e roteirista. Haas era o nome de sua avó. Quando tinha a idade da protagonista, a cineasta Marian se sentia triste, e sua avó dizia que a cura era 'sair e amar". E o filme acaba sendo sobre isso. Em uma comunidade rural no Missouri, Haas (Hannah Schiller) , 18 anos, cuida da casa e cuida de seu pai solteiro, Alvin ( Jonathan Eisley ), um homem solitário e triste. Eles moram sozinhos em uma mansão decadente. O pai de Haas lida com vendas de casas, no pós segunda guerra mundial. Quando subitamente ele morre, Haas descobre que seu pai estava repleto de dívidas e que a mansão deverá ser vendida. Para cumprir um desejo de seu pai, que queria ser enterrado em Illinois, sua cidade natal. Atendendo ao pedido, ela embarca em um trem, levando o caixão.
Por conta do tempo árido, Haas se hospeda em uma pousada modesta e aguarda o enterro que acontecerá em alguns dias. Ela cruza o caminho de Will (Darren Houle) que, assim como Hass, também está apenas de passagem. Ele lembra bastante o seu pai. Juntos, eles descobrem que são almas solitárias e precisando de afetos.
Há tempos eu não via um filme de ritmo tão lento. De fato, não é um filme para qualquer espectador. Me senti seduzido pela linda fotografia e pela solidão brutal dos personagens. Mas a história é rasa. Um filme de sensações e com um desfecho em aberto.
segunda-feira, 11 de dezembro de 2023
Creatura
"Creatura", de Elena Martín (2023)
Premiado no Festival de Cannes na Mostra paralela "Quinzena dos realizadores"como melhor filme europeu, "Creatura" é um filme erótico ousado, que empodera uma mulher, Mila, em relação ao seu corpo. desde criança ela descobre o prazer de se tocar, e na fase adolescente e adulta, ela seduz, instiga, deseja ardentemente sexo com homens. O filme ainda propõe um flerte com o tema do incesto, com a admiração e fascínio de Mila pequena, aos 10 anos, com seu pai.
Diretora, protagonista e co-roteirista, Elena Martín lida com o erótico, de forma até pudica, pois evita nudez frontal expositiva, vista em relances. Mas o conteúdo, aí sim, é provocativo. Lidar com crianças em cenas com contexto de tensão sexual, mesmo que de forma inocente, é um barril de pólvora, vide a primeira cena da menina tocando a sua vagina e descobrindo sensações que a deixam interessada.
Jogos sangrentos
"Broken", de Simon Boyes e Adam Mason (2006)
Censurado à época do lançamento, "Jogos sangrentos" veio na esteira de "Jogos mortais", o filme original de 2004, escrito e dirigido por James Wan. "Jogos sangrentos" é de 2006 e foi lançado com cortes. Saindo na versão "uncensored", o filme traz uma história acusada de misógina por parte do público e crítica: mulheres são sequestradas e pelavas por um psicopata até a floresta. els são amarradas e presas à árvore. As barrigas delas estão abertas e dentro, uma gilete, que poderá soltar as cordas e as libertar. Mas claro que assim que cada uma foge, ele as persegue e as mata brutalmente.
A protagonista é Hope, uma mulher que conhece um homem em um bar. Ao retornar para casa, ela coloca sua filha pequena para dormir. No dia seguinte, ela acorda na floresta com um psicopata, lutando para sobreviver por mais de quarenta dias e pedindo informações sobre sua filha ao estranho, igualmente sequestrada.
O filme tem um fiapo de história. Em 1:50 minutos, o filme é um festival de atrocidades praticadas contra mulheres. Esse tipo de filme foi muito comum nos anos 60, com o surgimento dos giallo italianos,e stendendo aos anos 70 e 80, com os filmes ond emulheres depois se vingavam de seus algozes. Mas aqui tudo é meia bomba: a direção, a edição ( esse filme não podia ter mais que 80 minutos). O que se salva é a performance da protagonista Marca Nadja, esposa do diretor.
domingo, 10 de dezembro de 2023
Algo muito natural
"A very natural thing", de Christopher Larkin (1974)
Clássico obscuro do cinema queer dos anos 70, "Algo muito natural" é uma produção independente americana. O filme foi a estréia do cineasta Christopher Larkin no cinema, e somente rodou esse filme, que foi um fracasso de público na época e recebeu muitas críticas. O cineasta se suicidou em 1988, em San Francisco. O filme é um registro histórico, um dos primeiros filmes sobre relacionamentos gays destinados à distribuição comercial convencional. Na época, o drama "Love story" fazia um sucesso estrondoso, e o filme foi lançado como uma resposta pelo ponto de vista de um protagonista homossexual. Um dos grandes méritos do filme, é discutir e apresentar personagens e relacionamentos gays sem esterótipos, normativos, quase que em registro documental. As cenas filmadas documentalmente no cruzeiro da Ilha do fogo e nos banhos turcos mostram a vida agitada da comunidade gay na época. O filme é entremeado com depoimentos de participantes da parada gay em 1973, em Nova York, falando sobre relacionamentos queer.
David ( Robert Joel ) abandona o monastério e decide recomeçar a vida me Nova york. De cara, já vai para uma balada gay. Ali, conhece Alan (Jay Pierce). Eles acabam passando a noite juntos, e no dia seguinte, o que parecia ser um one night standing, se torna um pedido romântico de David para que continuem se vendo. Alan recusa d einício, pois deixa claro que não quer envolvimento amoroso. Mas diante da insistência, os dois vão morar juntos. Alan, no entanto, rompe o pacto e sai para fazer pegação com outros homens.
O filme discute o relacionamento monogÂmico dentro da comunidade gay, ao passao que o personagem de Alan represneta o amor livre. O filme foi criticado por justamente perpetuar um casamento padrão heterossexual, quando duas pessoas devem manter um rleacionamento único e fiel. Na época, a o mundo vinha da era do amor livre, da explosão das drogas, da libertação sexual.
Maestro
"Maestro", de Bradley Cooper (2023)
"Maestro" saiu do Festival de Veneza 2023, aonde estava concorrendo, sem prêmios. Fora isso, houve uma nota de repúdio de parte da comunidade judaica que considerava a representação de Leonard Bernstein como "jewface", ou seja, estereotipar na make o que é "ser judeu" (vide a prótese do nariz"). Mas o filme merece ser visto, tanto pela sua extraordinária qualidade técnica, quanto pelas performances de altíssimo nível de Bradley Cooper e de Carey Mullighan, como o maestro e compositor Leonard Bernstein e a atriz de ascendência chilena Felicia Montealegre. Juntos, ficaram casados de 1951 a 1978, quando Felicia faleceu de câncer de pulmão. Juntos, tiveram 3 filhos: Jamie (na fase adulta, interpretada por Maya Hawke), Alexander e Nina. Durante o seu casamento, Bernstein tentou ser discreto em relação às suas aventuras com homens, provocando incômodo em Felicia, que sempre soube a atração do marido por homens.
O filme foca no início da carreira de Bernstein, seu encontro e relacionamento com Felicia e os casos com homens. Mas o mais impressionante na direção de Cooper, é como ele conta a história: em cores e preto e branco, no formato de tela 4:3, ele mescla uma narrativa lúdica e realista, com muitos efeitos elaborados de transição em pós produção. Scorsese e Spielberg foram os produtores do filme, o que atesta a grande responsabilidade do filme nas mãos de Cooper, que cumpreiu com louvor a tarefa. Uma cena antológica: o concerto de Bernstein regendo "mass": Cooper está assombrosamente espetacular!
Oponente
"Motståndaren", de Milad Alami (2023)
Filme indicado pela Suécia à uma vaga ao Oscar de filme internacional em 2024, e concorrendo no Festival de Berlim, "Oponente" é um denso drama Lgbtqiap+ co-produzido pela Suécia e Noruega. O filme é dirigido pelo cineasta iraniano, radicado na Suécia e Dinamarca Milad Alami, aqui em seu segundo longa-metragem. Milad traz a sua história de refugiado iraniano na Suécia através da história de Iman (Pagador Maadi, do vencedor do Oscar 'A separação"), sua esposa Maryam e as duas filhas. Ela é professora de piano, ele integrante da equipe iranioana d eluta livre. Mas um dia, de súbito, Iman avisa à sua família que precisam fugir do país e que ele está sendo perseguido. Ele alega que um amigo o denunciou por seu contrário ao regime político do país. Eles passam a viver como refugiados em um hotel na Suécia. Com dificuldade para conseguirem documentação para s elegalizarem, Iman trabalha d enetregador de pizza. Um amigo diz que se ele entrar na equipe sueca de luta livre, ele pode obter os papéis. Iman decide voltar `aluta, e ao ser apresnetado à equipe, flerta com Thomas, um sueco que tem n;itidios interesses sobre ele. Iman fica em um conflito muito grande, e finalmente vem à tona o real motivo de sua fuga do Irã.
Discursando sobre repressão sexual e sobre o conservadorismo de um país qcomo Irà que pune a homossexualidade, o filme traz um trabalho espetacular do ator Pagador Maadi, com um repertório enorme de emoções camufladas em minimalismo. As cenas de homoeoritsmo são repletas de tesão e muito bem filmadas. Não gosto do final, mas entendo que é a forma que o diretor e roteirista encontraram para criticar um regime que continua reprimindo a liberdade de expressão e sexual.
O mundo atrás de nós
"Leave the world behind", de Sam Esmail (2023)
Em 2020, quando o autor americano negro Rumann Alam lançou o livro "O mundo atrás de nós", o ex-presidente americano o indicou como uma de suas leituras. O livro se tornou best seller e o próprio casal Obama acabou produzindo o filme, dirigido por Sam Esmail, show runner do sucesso "Mr Robot", que também fala sobre ataques cibernéticos.
Ao final do filme, fiquei na dúvida se o filme seria uma grande propaganda da própria Netflix (com detalhe do botão NETFLIX no controle remoto que uma personagem manuseia, ou se era um gigantesco merchandising do seriado "Friends", obsessão da menina Rose. Preferi ficar com o pensamento de que se o filme tivesse parado na mão de M. Night Shyamalan, teria sido um filme mais provocativo e instigante, e mais, teria um final mais satisfatório. Pelo mkenos teríamos um grande plot twist. O filme, infelzmente, prefere deixar as pontas soltas, e o espectador que se vire com suas teses e teorias da conspiração.
Está mais do que claro que toda essa odisséia apocalíptica é uma metáfora do racismo latente na sociedade americana. Uma família branca, liderados pelos pais Amanda (Julia Roberts), uma executiva arrogante e de sucesso, e o professor mais gente boa de Clay (Ethan Hawke), possui um casal de filhos adolescentes: Rose, viciada na série "Friends", e Archie, típico adolescente padrão. Quando eles decidem passar o final de semana em Long Island, se deparam com o primeiro susto: de noite, um casal negro, Ruth (Myha'la) e G. H. (Mahershala Ali), filha e pai, afirmam ser os proprietários do im;ovel. Assustados, eles saíram de Manhattan para buscar abrigo. Como a internet e qualquer tipo de comunicação caiu, Amanda fica desconfiada das reais intenções do casal.
O filme traz todas aquelas desconfianças dos filmes de fim de mundo do Shyamalan, desde "Fim dos tempos" e "Batem à porta': aviões caem, navios avançam ana areia, carros seguem sozinhos. Ness emundo que caminha para a catástrofe, os serues humanos passam a ficar decsonfiados e selvagens, mote que serve para qualquer ficção científica que se preze, incluindo aí os filmes de zumbis. Porquê vale assistir ao filme? Bom, pois tem algumas cenas de efeitos especiais ( a do navio é bem instigante) e pelo elenco top, que embarca de cara nessa produção de ficção científica que se não satisfaz inteiramente, serve para passar o tempo.
sábado, 9 de dezembro de 2023
Dias difíceis
"Saigo made Iku", de Michihito Fujii (2023)
Ótimo thriller japonês, "Dias difíceis" traz uma trama mirabolante e repleta de plot twist sobre personagens ganaciosos em busca da posse do dinheiro contido em um cofre. Yakuza, policiais corruptos e traficantes de droga, todos se misturam em uma narrativa dinâmica, muito bem dirigida e com ótima ficha técnica.
O protagonista é o policial Yuki, que está dirigindo em uma noite de chuva em direção ao hospital onde sua mãe está internada. Bêbado, ele acaba atropelando uma pessoa no caminho, matando-a. Para piorar a situação, sua ex-esposa liga dizendo que a mãe de Uiji morreu. Desesperado, Yuji coloca o corpo do morto no porta-malas, até que é interecptado por uma blitz. Uiji é salvo de ser revistado por um policial de alta patente que surge do nada, Yazaki. Mas Yuji precisa se livrar do corpo. Mais tarde, eleé procurado pela Yakuza, que quer saber oi paradeiro do atropelado, que Yuji descobre, ser a única pessoa que consegue abrir o cofre com uma salta soma em dinheiro.
Definitivamente, não se pode confiar em nenhum personagem no filme. Não existem heróis, todos são corruptos. Esse é o grande barato do filme, onde o espectador acaba não torcendo por ninguém, mas se delicia com uma trama muito boa. O mais bizarro, é um personagem que nunca morre, parece até um personagem de quadrinhos tipo "Pernalonga", onde mesmo tendo o carro explodido, levando tiros etc, o personagem não morre. Não é para s elevar a sério, mas diverte muito.
Folhas de outono
"Kuolleet lehdet", de Aki Kaurismaki (2023)
Eu amo o termo que os críticos chamam os filmes de Kaurismake: "deadpan comedies", ou seja, comédias onde os personagens agem de forma inexpressiva, como os modelos de Bresson, onde todos "atuavam" sem explorar emoções, sempre com aquelas feições robóticas e o tempo esparsado.
Premiado com o Grande prêmio do juri no Festival de Cannes 2023, além de outros importantes Festivais, "Folhas de outono" é escrito e dirigido pelo finlandês Aki Kaurismaki, realizador dos excelentes "O outro lado da esperança" e "O porto". O filme é uma acridoce comédia romântica sobre o encontro inusitado de duas pessoas totalmente anônimas e loosers: Amsa (Alma Pöysti) é caixa e repositora de supermercado. Hoolapa (Jussi Vatanen) é mecânico de automóveis e sempre trabalha bêbado. Ambos são anti-sociais, solitários e moram sozinhos, e cada um deles possui apena sum amigo. Raunio (Martti Suosalo), melhor amigo de Hoolapa, é um personagem senscional, ele sofre de etarismo e acredita que por conta da idade as garotas não se aproximam dele. Amsa e Hoolapa se encontram por um acaso em um bar, e Hoolapa a convida para ver um filme no cinema ("Os mortos não morrem", de Jim Jarmush"). Mas um acidente de percurso faz com que os dois não consigam mais se encontrar, deixando os dois frustrados.
Os filmes de Kaurismaki sempre são declarações de amor ao cinema e à música. recheada de canções dos anos 50 e 60, e com posters de filmes clássicos espalhados nas cenas, o filme tem um look totalmente anos 80, apesar de se passar nos dias de hoje. É impossível não se apaixonar pelos personagens, e não se deixar de torcer pelos dois. A homenagem à Chaplin no desfecho é inevitavelmente emocionante. Uma cena absolutamente genial: de forma aleatória, após a sessão do filme de JArmush, dois espectadores same comentando que o filme lembra "Bande a parte"de Godard" e outros cineastas revolucionários. É de rachar de rir.
Wonka
"Wonka", de Paul King (2023)
Escrito em 1964 pelo escritor inglês Roald Dahl, que se tornou vital hoje em dia por conta das adaptações de Wes ANderson de seus contos ambientados na Índia colonizada. "Charlie a a fábrica de chocolates" teve 2 adaptações, a clássica com gene Wilder e a controversa com Joohny deep, de Tim Burton. O grande barato da versão de Paul King, responsável pelos excelentes "Paddington", é resgatar toda a nostalgia do original, incluindo a canção "Pure imagination"(não há quem não se emocione quando o filme começa com ela). O Oompa Loopma de Hugh Grant rouba absolutamente todas as cenas em que aparece, e apesar dele alardear que odiou fazer o personagem, é inegável que ele é muito bom, com seu mau humor genial e cantando a clássica canção dos oompa Loompa, que Tim Burton decidiu descartar e que deixou muita gente revoltada.
Outro ponto ponto é o elenco: Timotheé Chalamet está impecável, com um charme delicioso, e uma incoência que contratas até com a versão rabugenta de Gene Wilder. Olivia Colman se diverte com sua vilã, e Sally Hawkins sempre amável, como a mãe de Wonka. Rowan Atkinson, o Mr Bean, arranca gargalhadas em suas aparições. A turma que se torna a família de Wonka, incluindo a doce Noodle, são maravilhosos.
Essa prequel de Wonka, contando a sua origem e a sua luta em criar sua loja de chocolates em Paris, merece aplausos pela qualidade técnica. A direção de arte, a fotografia, os efeitos, o figurino, tudo de primeiríssima linha. O filme é repleto de números musicais, e a mais encantadora, certamente é a de Wonka com Noodle, no zoológico, intitulada "A world of your own". Um momento antológico. A cena final então, é de arrancar lágrimas.
Rosa, a narradora de outros Brasis
"Rosa, a narradora de outros Brasis", de Valmir Moratelli e Libário Nogueira (2023)
Documentário que traça o perfil de Rosa Magalhães, a única mulher carnavalesca que ganhou 7 edições na Sapucaí, "Rosa, a narradora de outros Brasis" traz também as pautas do machismo e do etarismo como pano de fundo de uma mulher que sempre lutou pelo seu espaço, enfrentando uma indústria comandada por homens. Professora da Escola de Belas Artes da UFRJ, Rosa também é artista plástica, figurinista, cenógrafa.
Em sua carreira de mais de 50 anos na Avenida, já trabalhou para diversas escolas: Portela, Beija Flor, Império Serrano ( sua primeira assinatura, junto de Licia Lacerda, com o samba enredo campeão Bumbum Paticumbum Prugurundum", em 1982), entre outras. Mas foi na Imperatriz Leopondinense, de 1992 a 2009, que Rosa judaria a escola a conquistar cinco de seus oito campeonatos e um inédito tri-campeonato em 1999/2000/2001. Em 2023, Rosa foi convidada pela Paraíso do Tuiuti e ficaram em 8o lugar. Em 2024, foi o único ano em que ela não partiicpou do Carnaval.
Com imagens de arquivo, depoimentos de pessoas ligadas à sua trajetória e da própria carnavalesca, o filme traz um painel rico e esclarecedor da importância histórica e cultural de Rosa para o Carnaval carioca.
Someone like me
"Someone like me", de Steve J. AdamsSean Horlor (2023)
Documentário LGBTQIAP+ que trata de um tema bem instigante: o pedigo de refúgio político por pessoas lgbt que se sentem ameaçadas de morte em seus países de origem. O canadá é o único país no mundo que abriga exilados lgbt. O filme apresenta o "Rainbow refugees", uma Ong formada por voluntários que escolhem anualmente, 1 pessoa que será patrocinada pelo grupo, bancando hospedagem e suporte até que a pessoa consiga um trabalho. O filme se divide em 2 pólos: os 11 integrantes da Ong, e Drake, o refugiado de Unganda de 22 anos ecsolhido pelo grupo. A primeira crise surge internamente no grupo quando fazem a votação por qual dos refugiados pré-selecionados eles deveme scolher. Alguns não concordam em selecionar Drake, por ele ser o mais jovem. Após a vinda de Drake, mais nova cris eno grupo: Drake gosta de beber e fumar maconha. Alguns do grupo discordam da postura de Drake. Outros do grupo dizem que não é função deles impôr regras de conduta. Quando o filme apresenta Drake, sabemos que ele abandonou família e amigos para poder morar em VAncouver. Ele sonha em ser fashion designer. Mas ele encontra dificuldade em encontrar emprego na área. Mas o mais difícil na vida de Drake surge quando ele sofre racismo, algo que ele jamais havia experimentado em Uganda.
O filme é bem interessante e apresenta diversos pontos de vista sobre um personagens, além de epxlorar as contradições dentro de um memso grupo com uma única finalidade. O filme acana abrindo um sub-plot sobre o processo de transição d eum dos integrantes do grupo.
O retorno de Saturno
"Saturn's return", de Wenona Byrne (2001)
Premiado em Seattle, "O retorno de Saturno" é um drama Lgbqtaip+ independente australiano. O filme acompanha um casal de jovens namorados,
Barney (Joel Edgerton) e o grego Dimitri (Damian Walshe-Howling). Eles viajam de carro até Sidney, uma viagem onde Barney irá reencontrar seu pai, Dan (Harold Hopkins), um homem que está com uma doença terminal e deseja se suicidar. Dan quer que seu filho assista o seu suicício, junto da mãe de Barney. Os dois aproveitam para exorcizar os fantasmas do passado e do distanciamento de ambos.
O filme é filmado pelo olhar de um a câmera manuseada por Dimitri, com o seu olhar distanciado de uma pessoa de outra cultura. A cena de sexo do casal, pelo olhar da câmera, é bastante sexy e excitante. Joel Edgerton, em início de carreira, está em seu auge de beleza e de sedução.
sexta-feira, 8 de dezembro de 2023
Orlando, minha biografia política
"Orlando, ma biographie politique", de Paul B. Preciado (2023)
Prêmio Teddy no Festival de Berlim 2023, voltado para filmes com temática Lgbtqiap+, "Orlando, minha biografia política" é o longa de estréia do espanhol Paul B. Preciado, nascido Beatriz Preciado. Filósofo e teórico, Paul escalou 25 atores e atrizes trans e não binários franceses e espanhóis, incluindo crianças, para fazer a sua versão experimental e muito pessoal de "Orlando", de Virginia Woolf, lançado em 1928, considerado pelo realizador como o seu clássico libertário: Orlando conta a história de um aristocrata inglês no século XVI, que viaja para a Turquia e, aos trinta anos de idade, volta reconfigurado como uma mulher. Um ser imortal, cuja trajetória atravessa monarcas e poetas até a data de 11 de outubro de 1928. Para Paul, Orlando é uma personagem trans. Para dar essa sua visão, Paul faz com que cada um dos atores e atrizes trans se apresente em seu nome de transição e logo depois, se anuncia como "Orlando", de Virginia Woolf. Mesclando literatura, poesia, manifesto, o filme subverte linguagem, mesclando épocas, trazendo elementos contemporâneos do povo dançando em baladas queer e ainda, constrói uma metalinguagem, ao apresentar a equipe técnica maquiando, microfonando, etc. Um filme conceitual, com linda fotografia, e uma estrutura narrativa que fará a delçiia de cinéfilos raiz, com reveladoras histórias sobre transição de gênero.
Trocados
"Family switch", de McG (2023)
Mcg é o diretor que revitalizou a franquia de "As panteras" nos anos 2000, e dirigiu a caótica versão da franquia "O exterminador do futuro: salvação", aquele com Christian Bale gritando no set. Agora, ele investe na comédia maluca, trazendo um dos clichês mais batidos do gênero: a troca de corpos. Não satisfeito, escalou Jennifer Garner, que brinca com sua personagem, e em determinando momento, o personagem do marido diz : "De repente, 30". Sim, ela troca o corpo com sua filha, e vive-versa. Mas pera lá: o marido troca de corpo com o filho!! E o bebê, troca de corpo com o cachorrro!!!!! Não bastando uma troca, o filme traz 3! E de quebra, traz Rita Moreno como a repetida personagem misteriosa que surge para trazer confusão à família, numa missão terrestre mal contextualizada.
GArner é Jess, prestes a se tornar sócia da empresa de arquitetura em que trabalha. Sim, ela é workhaholick. Sua filha adolescente, CC (Emma Myers) sonha em ser jogadora de futebol, e para isos, precisa abdicar dos estudos, contrariando sua mãe. Bill (Ed Helms) é o pai, um professor de música que sonha em formar uma banda e vencer um concurso. Ele estimula seu filho adolescente Wyatt (Brady Noon) a aproveitar mais a vida e estudar menos, já que o foco do menino é estudar em Yale e namorar uma menina na ecsola que não dá bola para ele.
Bom, óbvio, todos sabem como o filme vai terminar. Mas. afunção do filme é essa mesma: assistir sem raciocinar, e se deixar levar pelos sorrisos, coloridos e muita mensagem natalina. Os efeitos de pós da troca do bebê e o cachorro são tão toscos, que acaba divertindo. E o excelente ator alemão Matthias Schweighöfer, um dops papéis mais divertidos do filme, vem como um vizinho bisbilhoteiro que enlouquece com a relação do bebê e o cachorro.
Feriado sangrento
"Thanksgiving", de Eli Roth (2023)
Em 2007, o filme "Grindhouse" trazia alguns trailers falsos, entre eles, de "Thanksgiving", dirigido por Eli Roth. Dezesseis anos depois, o cineasta retorna com a versão longa-metragem do filme, fazendo um enorme sucesso comercial e de crítica, e já despontando como uma nova franquia. Diferente do trailer, que tem um humor mais tosco, o filme apela mais ao terror, sem jamais perder o frescor juvenil. Roth conhece o seu público e investe em bastante gore nessa retomada do slasher. Algumas mortes particularmente são bem violentas. Mas o mais divertido é ver que boa parte das mortes que estão no trailer, constam do filme.
É Dia de Ação de Graças em Plymouth, Massachusetts, e todos na cidade estão entusiasmados com as vendas da Black Friday. A cidade toda aguarda a abertura das portas. Mas o grupo de amigos de Jessica, filha do dono da loja, provocam a população, e tudo acaba em tragédia, com 4 mortos, entre elas, a de Amanda (Gina Gershow). Um ano depois, com o vídeo da confusão viralizado, os amigos procuram seguir a sua vida. Mas um serial killer surge, fantasiado de peregrino do século XVII e portando um machado, e vai matando um a um. Cabe ao xerife Eric Newlon (Patrick Dempsey) desvendar quem é o assassino, antes que mais mortes ocorram.
Para bom entendedor, é fácil identificar o assassino. Mas nem me parece que Eli Roth está preocupado com sua identidade, e sim, em trazer todos os elementos que fazem um bom slasher. Nada no roteiro é inovador, a formula é batida. Mas é um filme delicioso de se assistir, com cenas exageradas e aquele desfecho que já vimos em tantos filmes. "Sexta feira 13", "Feliz aniversário para mim", entre outros, têm cenas reproduzidas aqui.
quinta-feira, 7 de dezembro de 2023
Okem
"Okem", de Joshua Okwuosa (2023)
Bom drama baseado em um fato ocorrido na vida do cineasta e roteirista ugandense Joshua Okwuosa. Trabalhando como zelador e faxineiro em uma Universidade dos Eatados Unidos, Okem, um imigrante da Uganda, recebe um telefonema de seu país de origem e descobre que sua mãe foi sequestrada. A pessoa que a raptou exige uma soma grande de dinheiro, que Okem não consegue obter na empresa de empréstimos. Okem se desespera e obtém apoio moral de um outro Ugandense, que trabalha como professor na mesma Universidade.
O diretor Joshua Okwuosa mora em Los Angeles e teve dificuldade para escalar atores de Uganda em Hollywood, mas no final, conseguiu 2 ótimos atores que estão muito bem no filme, trazendo camadas de drama e tensão para os seus personagens. É um filme que traz um triste relato de imigrantes que tentam a sorte nos Estados Unidos em sub-empregos e são achacados por pessoas originárias de seu país, que acreditam que só o fato delas estarem nos Eua, estão nadando em dinheiro.
Black Rio! Black power!
"Nlack Rio! Black power!", de Emílio Domimgos (2023)
Com depoimentos de personalidades do movimento musical e cultural da gênese da Soul music no RJ, ocorrido entre 1972 a 1976, o documentário 'Black Rio! Black power!" expõe o racismo e como a ditadura militar sufocava a presença da comunidade negra, que era reprimida. Dom Filó, Carlos Alberto Medeiros, Carlos Dafé, Marquinhos de Oswaldo Cruz e Virgilane Dutra foram pioneiros ao promoverem no Grêmio de Rocha Miranda, subúrbio do RJ, as festas Soul Grande Prix. As músicas eram novidades vindas dos Estados Unidos, que o DJ Big Boy trazia para difundir a música negra, com letras que tinham mensagens sobre a aceitação da afrocultura e de luta pelas melhores condições de vida e menos segregação racial. A derrocada do Soul no RJ veio com a chegada da Disco music, massificada por conta da novela Dancin Days, fazendo o público preferir as boites. O filme traz imagens deliciosas da época, com bailes e também, trazendo os depoimentos dos remanescentes dentro do ginásio de Rocha Miranda. Um filme que certamente se tornará um arquivo importante da história cultural e musical carioca, e trazendo o contexto do empoderamento da cultura negra frente ao racismo no país.
quarta-feira, 6 de dezembro de 2023
Verão
"Leto", de Vadim Kostrov (2021)
Vencedor do prêmio de menção honrosa de melhor filme no Festival de Sheffield, "Verão" é uma mescla de documentário e drama. É um olhar experimental do cineasta russo Vadim Kostrov sobre a sua infância, a sua relação com sua irmã Christina e principalmente, a memória afetiva que tem sobre a cidade onde nasceu, Nizhny Tagil, na Rússia. No verão, o menino Vadim observa o seu entorno, e é pelo seu ponto de vista que o espectador e convidado a olhar o entorno, sentir as abstraçõe, as paisagens. Rodando com uma câmera digital antiga, o filme tem extura de anos 80, com fotografia mais saturada e granulações na imagem. Fica uma sensação de filme caseiro, um registro descompromissado de alguém, no caso o menino, que observa e registra aquilo que lhe chama a atenção.
O filme tem um ritmo lento e é bem difícil de acompanhar, muito por conta da falta de uma dramaturgia e uma narrativa mais coerente.
terça-feira, 5 de dezembro de 2023
O castigo
"El castigo", de Matias Bize (2023)
Atores, comprem urgente esse texto e montem em uma peça de teatro: necessário ter 3 atores: a mãe, por volta de 35/40 anos, pai na faixa dos 40/45 e uma policial, na faixa dos 40/50 anos. É um texto cruel, adulto, que traz o amargor de ser mãe, uma mãe que se pudesse, não teria seu filho e joga tudo isso de coração aberto ao seu marido. Existe uma discussão pesada sobre sacrifícios e sobre a pauta da educação do filho pesando para o lado da mãe e do pai e quem é o mais prejudicado e teve que abdicar de seus sonhos.
Rodado em um único plano-sequência, "O castigo" foi premiado em importantes festivais, O filme é uma produção chilena, dirigida por Matias Bize e escrita por Coral Cruz. Antonia Zegers é Ana, a mãe, e Néstor Cantillana é Mateo, o pai. A formidável atriz Catalina Saavedra ( do super premiado 'A criada", é a policial. O filme acontece em tempo real: um casal deixa o filho de castigo na floresta, e dois minutos depois, retornam ao local onde deixaram o filho de 7 anos, Lucas, para resgatá-lo. Mas para surpresa dos dois, o menino sumiu. Ana acredita que Lucas está escondidoe e querendo se vingar dela. O pai acredita que algo de ruim pode ter acontecido ao filho. Após hesitação, e temendo que sejam punidos pelo conselho tutelar, decidem ligar para a polícia para relatar o desaparecimento.
O filem vai em um crescendo d etensão, e no meio de tudo isso, o texto vai à fundo na relação do casal. Seria fácil dizer que o filme busca punir a figura da mãe, mas o roteiro, brilhante, constrói de uma forma que faz o espectador entender o lado de ambos os personagens, sem culpa, e sim, com verdades acerca do papel de ser pai e mãe.
Saudade fez morada aqui dentro
"Saudade fez morada aqui dentro", de Haroldo Borges (2023)
Vencedor dos prêmios do público e de melhor longa-metragem no Festival de Mar del Plata, "Saudade fez morada aqui dentro"é um projeto do coletivo baiano Plano 3 filmes, de onde o roteirista e diretor Haroldo Borges faz parte. Ele também co-editou e fotografou esse delicado drama juvenil que toca em temas muito importantes: o primeiro amor, a descoberta da sexualidade, o machismo tóxico, o amor da família e amigos e principalmente, a perda da visão do jovem Bruno, 15 anos, que descobre ter uma doença degenerativa na visão que o fará ficar cego a qualquer. monento. A preparação de Fátima Toledo sempre foi primorosa principalmente quando lida com crianças, vide "Mutum", Cidade de Deus" e "Campo Grande", e aqui, não poderia ser diferente. Os atores têm os nomes dos personagens, o que os aproxima de uma verdade cênica que o processo de Fátima sabe construir muito bem. Bruno Jefferson, Ângela Maria, Ronnaldy Gomes, Terena França, Wilma Macêdo estão todos incríveis, dando um naturalismo poético às cenas.
Yannick
"Yannick", de Quentin Dupieux (2023)
Vencedor do pr6emio de melhor filme europeu em Locarno, "Yannick" é dirigido por Quentin Dupieux, realizador de filmes bizarros que flertam com o realismo fantástico e o surreal, como "Rubber". O filme, aliás, acontece todo em uma sala de teatro e pode perfeitamente ser adaptado para uma peça real com 4 atores: 3 homens e 1 mulher. Um texto muito bom com um desfecho amargo.
"Yannick" flerta com a crítica social , com doses de humor e uma narrativa acridoce, mas com momentos de reflexão sobre o papel da arte popular: a quem ela se direciona? Dessa vez, o roteirista e diretor Quentin Dupieux abraça a narrativa realista, sem surrealismo.
Durante uma sessão de uma peça de teatro, um espectador, yannick, se rebela contra o texto, achando-o clichê e sem embasamento real. Ele interrompe o espetáculo e diz que a sua vida real não está sendo bem retratada pelo tetxo, ao falar sobre classe trabahadora. Ele gastou dinheiro, conseguiu uma folga no seu trabalho de vigia noturno onde trabalha 7 noites por semana, pegou ônibus e andou 14 kilômetros. Ele cotesta a platéia burguesa, satisfeita com qualquer coisa que lhes é apresentada. mas o alvo de Yannick são os 3 atores, interpretados soberbamente por Pio Marmai, Sébastien Chassagne e Blanche Gardin,
Raphaël Quenard no papel de Yannick (que significa 'Deus é gracioso" em hebraico) está excelente no papel, trazendo diversas camadas ao seu personagem. Um filme que agradará quem está em busca de um texto reflexivo, mas que pode desagradar quem busca mais ação e mneos diálogos.
I'm a pornstar- gay for pay
"I'm a pornstar- gay for pay", de Charlie David (2015)
Documentário Lgbtqiap+ que apresenta depoimentos de uma dezena de atores famosos do pornô gay, mas que se apresentam como "Straights/heteros", e que afirmam que fazem as cenas de sexo simplesmente pelo dinheiro. Dai, a alcunha dentro do jargão profissional da industria da pornografia gay, "Gay for pay". A maioria dos entrevistados mantém um relacionamento com mulheres que se dizem totalmente abertas ao emprego dos seus companheiros. Os valores desses atores aumenta consideravelmente quando realizam cenas como "Bottom/passivos", e garantem que é tudo profissional. Tem um que diz que chega em casa com o "ânus dolorido", mas que vale pelo dinheiro. A mulher de um dos atores dá um depoimento dizendo que ela concorda com o que o companheiro faz porque querem comprar uma casa própria, caso contrário, ela não aceitaria. Entre tantas revelações e cenas dos filmes ( sem a parte explícita), o filme deixa um gosto bastante amargo e melancólico sobre uma profissão onde os atores precisam provar algo a alguém, e muitas vezes, sao obrigados a se expor para familiares e amigos próximos. É uma profissão, mas que deixa marcas em cada um deles, pelo fato dos filmes se tornarem eternos.
Citrotoxic
"Citrotoxic", de Júlia Zakia (2023)
Exibido no Festival Aruanda, "Citrotoxic" é um filme escrito e dirigido por Júlia Zakia, e traz como tema uma séria questão ambiental. Existe um movimento do cinema de gênero suspense e terror no mundo chamado 'Eco-terror", que explora a vingança da natureza contra aueles que a maltratam. "Citrotoxic" não chega a flertar com o horror, mas no terceiro ato, aposta em ambiguidades e no imprevisível na figura de um dos personagens, um homem que pode se tornar uma ameaça.
Em São Paulo, moram a comissária de bordo Bianca (Bianca Joy) e sua filha de 7 anos, Serena (Luiza Zakia O. Leblanc). Bianca é apresentada como uma mãe solo, que após um vôo, pega um ônibus para correr ao colégio e buscar sua filha e levá-la para casa. Em casa, Serena tem uma crise asmática que desespera Bianca. No hospital, a médica aconselha Bianca a dar um tempo no trabalho e se dedicar aos cuidados com Serena e lhe dá um conselho: passar uns dias no campo para que a filha respire ar puro. Uma amiga lhe empresta a casa de campo. Para sua supresa, a casa fica do lado d eum laranjal, e ali, um trabalhador rural aplica pesticida na plantação e o produto acaba invadindo a casa onde Bianca está hospedada.
O filme é muito claro na sua mensagem ecológica: a poluição do ar nas grandes metrópoles e paradoxalmente, o ar puro contaminado por pesticidas nos campos. Mas existe um outro tema correndo paralleo: o machismo e a presença literalmente tóxica de um homem em um ambiente de mulheres. Com uma narrativa que flerta claramente com o documental, o filme traz uma química perfeita entre as duas atrizes, um fator muito importante para que o espectador embarque na história, por conta da quase que total interação das duas no filme. O ator que interpreta o trabalhador também tem bons momentos.
Peréio, eu te odeio
"Peréio, eu te odeio", de Allan Sieber e Tasso Dourado (2023)
Exibido na Mostra de São Paulo, Fetsival do Rio e Festival Aruanda, "Pereiro, eu te odeio", é um projeto de 24 anos dos diretores Allan Sieber e Tasso Dourado. Repleto de imagens de arquivo de cenas de filmes e entrevistas de Pereio durante seus quase 60 anos de carreira, cobrindo desde filme clássicos do cinema novo e marginal dos anos 60, como "Os fuzis", "Bang bang", passando por "Vai trabalhar vagabundo", de Hugo Carvana, os filmes eróticos dos anos 80 e depois os filmes cults como "Árido movie". Entrevistas com entrevistadores diversos como Antonio Abujamra e Jô Soares, trazem relatos divertidos de um dos atores brasileiros mais controversos e sme papas na língua do Brasil. Em momento algum, Pereio esconde a sua paixão por mulheres, bebidas, drogas e a anarquia que o celebrizou, tocando o terror nos sets de filmagem. No ano 2000, Allan Sieber queria fazer um curta sobr euma marca de cigarro e convidou Pereio para dublar. A partir daí, e sob a sugestão de uma das suas colaboradoras da produtora, Sieber foi gravando registros de Pereio. A edição, bastante ágil e esperta, traz cenas dos filmes que, editadas com as entrevistas, acabam ilustrado muito dos pensamentos de Pereio. Entre os muitos depoimentos de amigos, filhos, ex-namoradas e cineastas, o mais divertido certamente é o depoimento de Stepan Nercessian, relatando a subida ao morro e o consumo de cocaína por ele e Pereiro e o achaque policial. Hilário.
Memórias da chuva
"Memórias da chuva", de Wolney Oliveira )2023)
Exibido em Gramado e Aruanda, o documentário 'Memórias da chuva" traz uma história que coincidentemente, é o pano de fundo de "Mais pesado é o céu", filme de Petrus Cariry. Na ficção protagonizada por Mathues Nachtergaele e Ana Luiza Rios, os personagens revisitam Jaguaribara, um município que foi desocupado pelo governo do Ceará nos anos 90 para dar lugar ao Açude Castanhão. Hoje em dia, no entanto, o açude está praticamente seco. Os moradores foram obrigados a abandonar suas casas em nome do progresso e do combate à seca, uma obra gigantesca do governador Tasso Jereissati. Em troca do desalojamento, o govenro construiu a primeira cidade planejada do Ceará, Nova Jaguaribara.
O filme entrevista moradores, políticios e engenheiros que projetaram o açude e entre os moradores, existem prós e contra. Muios pescadores que investiram na pisciucltura perderam todo o investimento quando o açude secou; moradores que moravam em casas enormes foram obrigados a aceitar casas menores.
O momento mais emcoionante desse documentário é quando os moradores revisitam o açuide já seco, e eles conseguem localizar as suas casas no meio dos escombros.
segunda-feira, 4 de dezembro de 2023
Ana
"Ana", de Marcus Faustini (2023)
Trabalhando com boa parte do elenco de seu filme anterior, 'Vende-se essa moto", o roteirista e cineasta Marcus Faustini desenvolve uma histórias de moradores de classe média da periferia, fazendo pesquisas e escrevendo junto de Luana Pinheiro.
Temas como homofobia, sororidade, violência, contraste social, desemprego, abuso moral e assédio surgem na história de Ana (Priscila Lima), uma jovem órfã de pais que mora com seu irmão mais novo Diego (Gustavo Luz). Ana e Diego moram na periferia. Ela trabalha de passeadora de cães na zona sul, e banca os estudos de seu irmão na escola de teatro. Ana faz de tudo para ajudar o irmão, e teme que ele sofra algum tipo de violzência por conta da homofobia existente no bairro. Um dia, um ex-namorado, Czristiano (Vinicius Oliveira) retorna para voltar a morar com ela. Diego reage mal à presença do namorado da irmã, que ainda sofre com assédios de um vizinho abusador e violento.
Com ótimas performances do trio principal, o filme embarca no naturalismo e na narrativa própria de cineastas como os irmãos Dardenne, com o olhar documental e humanista sobre personagens que vivem à margem da sociedade. A produção é de Cavi Borges.
Sem coração
"Sem coração", de Nara Normande e Tião
Ambientado no ano de 1996, início do governo de Fernando Henrique Cardoso, "Sem coração" é um drama vencedor de Melhor Fotografia no Fetsival do Rio e do Prêmio Félix, voltado para produções com temática LGBTQIA+, na categoria de Melhor Filme Brasileiro. Produzido por Kleber Mendonça Filho, o filme ta,bém concorreu no Festival de Veneza, na mostra Horizzonti. O filme acontece em Alagoas, em um município litorâneo, acommpanhando um grupo de amigos adolescentes, formado por filhos de classe média e da classe trabalhadora. Tamara (Maya de Vicq) e seu irmão são filhos de um casal (Maev Jenkings e Erom Cordeiro). Prestes a se mudarem para Brasília, a família aproveita seus últimos momentos na cidade. É quando Tamara fica conhecendo uma jovem apelidada de "Sme coração (Eduarada Samara), por conta de uma cirurgia que ela fez. Filha de pescador, a jovem trabalha ajudando nas despesas de casa fazendo entregas. Tamara fica obcecada por ela. Paralleo, o grupo tem como hábito invadir as casas dos vizinhos.
O roteiro percorre vários sub-plots e pautas identitárias, além de apontar outros temas importantes, como descoberta da sexualidade, luta de classes, violência doméstica, homofobia. Os jovens, em boa parte não atores, cumprem bem os seus personagens, trazendo naturalismo e frescor.
domingo, 3 de dezembro de 2023
O que ela gosta
"Kanojo no sukinamonowa", de Shôgo Kusano (2021)
Drama LGBTQIAP+ juvenil, "O que ela gosta" é um BL (Boy love) adaptado de uma web série. O filme acompanha o jovem estudante Jun, um gay enrustido que mantém um relacionamento às escondidas com um homem mais velho. Jun se mantém quase como um homofóbico diante dos olhos dos colegas, evitando qualquer comentário sobre a homossexualidade. um dia, ele sbarra com uma colega de classe, Sae, que deixa cair no chão um mangá Yaoi, que trata de temas com jovens gays. Intrigado, Jun mantém seu segredo e para sua surpresa, Sae confessa seus sentimentos: está apaixonada por ele.
Uma história clássica de triângulo amoroso, "O que ela gosta" vai agradar certamente a garotada, pelo carisma dos personagens e pela história tratada de forma delicada e bem fofa. Os atores principais desenvolvem bem os conflitos de seus personagens e trazem diversas camadas de emoção.
Cervejas no escuro
"Cervejas no escuro", de Tiago A. Neves (2023)
Drama cômico dirigido e escrito pelo cineasta independnete da Paraíba Tiago A. Neves, 'Cervejas no escuro" brinca com a metalinguagem do ato de se fazer cinema, uma brincadeira recheada de bom humor que já nos trouxe 'Saneamento básico" e "Cine Roliudi". O elenco, todo composto por não atores, são residentes do município de Princesa Isabel, na Paraíba. Dona Edna Maria se tornou viúva recentemente e decie que quer participar de um Festival de cinema que será inaugurado na cidade. Para isso, ela quer filmar a sua própria história, que interage com a da cidade. Dona Edna convida amigos para trabalhar tanto na equipe quanto como atores, e aí, o filme reserva bom humor nas trapalhadas e descobertas de todos. A melhor cena é quando um casal d ejovens atores interpreta Edna e seu marido, e fica nítido que a questão do cortejo e do namoro são diferentes em relação à geração, até porquê hoje em dia já se asusme o assédio.
Levante
"Levante", de Lilah Halla (2023)
Vencedor do Redentor de melhor direção e melhor edição no Festival do Rio 2023, "Levante"também levou o Fipresci em mostra paralela no Festival de Cannes 2023. O filme traz pautas importantes como sororidade e diversidade em um mundo onde as mulheres negras e de periferia se abraçam para sobreviver em uma sociedade conservadora. O aborto é o tema central do filme, e nas beiradas, fala-se de amor lésbico, igreja evangélica rerimindo comviolência o simples desejo de uma garota tomar decisão de querer fazer um aborto.
Sofia (Ayomi Domenica), órfã de mãe uruguaia e cujo pai (Romulo Braga) fabrica mel caseiro. Ambos moram na periferia de são Paulo, memso bairro onde Sofia treina em um time de mulheres de volei, composto por mulheres de corpos e sexualidade diversas. Sofia está a um passo de conseguir uma bolsa para uma equipe chilena, até decsobrir que está grávida, podendo destruir todo o seu sonho profissional
Com um elenco composto por atores profissionais (Grace Passô, Romulo Braga) e amadores, o filme aposta em um naturalismo que traz a urgêncua de quemv ive à margem e não consegue tomar decisões sobre o seu próprio corpo.
Com uma direção firme e repleta de escolhas ousadas de Lilah Halla, "Levante" é um filme dos novos tempos, um grito de guerra diante um mundo que precisa ser revisitado.
20 dias em Mariupol
"20 days in Maryupol", de Mstyslav Chernov (2023) Submetido pela Ucrânia como o filme para representar o país no OScar 2024, o documentário "20 dias em Maryupol" é brutal e muito difícil de ser visto até o final. A cada dia que se passa na narrativa, a violência,a. crueldade e as imagens chocantes de civis feridos, mutilados é insuportavelmente chocante. Teve um momento que eu tava desistindo já. Mas como diz o Diretor, "você só consegue mostrar a realidade se você a mostrar da forma crua e sem retoques." Jornalistas ucranianos que trabalham para a Associated Press, entre eles o diretor estreante Mstyslav Chernov, mantém sua base na cidade portuária de Maryupol. O filme começa mostrando uma linda cidade e a cada dia ela vai ficando devastada, até praticamente desaparecer. A câmera de Matyslav aponta para os civis, onde ele acreditava no início, estariam a salvo do massacre e na sua ingênua percepção, não seriam o alvo dos russos. Mostarndo imagens em maternidades, hospitais, clubes, onde a concentração dos civis se instala, o medo, o desepero,a. fome, o frio, a falta de luz, internet, gás, tudo vai entrando num lugar apocalíptico que traz um contexto que Matyslav quer mostrar ao mundo. Mas como enviar as imagens pro mundo se a internet foi cortada? Iniciada em 24 de fevereiro de 2022, a invasão da Ucrânia pela Rússia teve em Matyslav, sua produtora rodutora Vasilisa Stepanenko e seu câmera Evgeniy Maloletka a grande força tarefa, somente interrompida após a própria vida dos 3 estar em risco iminente.
sábado, 2 de dezembro de 2023
Os rejeitados
"The holdovers", de Alexander Payne (2023)
Receita para o sucesso de um filme: um roteiro brilhe dos poetas mortos" ante e com diálogos ácidos, escrito por David Hemingson; um diretor que favorece o trabalho dos atores, ao invés da técnica, Alexander Payne; 3 atores formidáveis, com um trabalho de acting e de corpo que faz o espectyador grudar os olhos neles em cada segundo que estão na tela; e por último, que faz lembrar 2 grandes clássicos humanistas que todo mundo ama: "Sociedade dos poetas mortos" e "Ensina-me a viver".
Paul Giamatti, em sua segunda parceria com Alexander Payne, após "Sideways", está aburdamente maravilhoso como o rígido professor de história Paul Hunham, de uma renomada escola para rapazes; Da'Vine Joy Randolph, como a chefe do refeitório Mary Lamb e enlutada pela morte do filho negro na Guerra do Vietná, para onde foi enviado por não ter como custear a escola; e finalmente Dominic Sessa, em sua estréia no cinema como o depressivo Angus Tully, que faz lembrar demais o personagemd e 'Ensina-me a viver", que toma gosto pela vida por conta da convivência com seu professor e a chefe do refeitório.
5 alunos são obrigados a ficarem de recuperação durante as férias, sob a vigilância do arrogante e déspota professor Paul. Por uma obra do pai de um dos alunos, no final, ficam somente Paul, Mary e Angus, pelo fato da mãe dele não querer que ele vá para casa, pois ela quer aproveitar para ficar com seu mais novo amante. Rejeitados pelas famílias, pela sociedade e pelo destino, os 3 tentam entender o sentido da vida e exorcizar seus fantasmas durante o Natal.
O filme tem momentos divinamente engraçados, e outros de enorme comoção, onde me vi caindo em prantos. Que filme!!! Aqueles feel good movies que é impossível a gente não se apaixonar pelo carinho com que o filme trata cada um dele,s mesmo os coadjuvantes.
sexta-feira, 1 de dezembro de 2023
Supernova
"Supernova", de Tiziano Russo (2023)
Eu sou obcecado por dramas adolescentes onde o protagonista descobre ter uma doença incurável e terminal, que acabam sendo reflexos sobre a finutude da vida mesmo em idades tão joviais. "Supernova" é uma produção italiana escancaradamente chupada de "A culpa é das estrelas", incluindo a cena noturna do casal deitado na relva e vendo as estrelas e aquele plot twist que todo mundo já conhece. Mas o filme é dito ser um remake do australiano "Matching Jack", de 2010.
Elsa (Carolina Sala), uma jovem de dezessete anos que mora com sua mãe e treina remo, desmaia durante uma competição. No hospital, ela descobre ter leucemia e precisa imediatamente de um transplante de medula óssea. O único doador possível é seu pai, que abandonou o lar e está foragido por um crime. Na internação, Elsa conhece o jovem Edo (Rocco Fasano", que se diz curado da leucemia e que decide levar Elsa para ir atrás do pai.
Um filme fofíssimo, com um ótimo casal de atores, e que mesmo diante da inevitável tragédia, o filme tem belos momentos de romance e uma trilha sonora super pop. Linda fotografia e um belo rol de atores coadjuvantes.
Segredos de um escândalo
"May december", de Todd Haynes (2023)
Um filme obrigatório para atores fazereme studo de personagens, 'Segredos de um escândalo" tem 2 atrizes vencedores de Oscar, Nathalie Portman e Juliane Moore, interpretados a arte camaleônica de incorporar uma personagem real, vivenciando a fazendo laboratórios. Mas até onde uma atriz deve ir fundo para dar vida à uma personagem polêmica?
O roteiro espetacular de Samy Burch e Alex Mechanik lida com um tema explosivo: o abuso de menor, pedofilia. O filme é baseado na história real de Mary Kay e Vili Fuallau. Ela na faixa dos 30 anos, professora. Ele, um aluno de 13 anos, descendente de um país da Oceania, asiático. Os dois tiveram um caso, ela engravidou e foi presa quando o caso veio à tona. Na época, ele disse que foi consensual. Mas após a morte de Mary, aos 58 anos, ele decidiu dizer que foi abuso e que ela o assediava constantemente.
Nathalie Portman é Elisabeth, uma famosa atriz de tv que irá interpretar a história de Gracie (Juliane Moore), casada com Joe (Charles Melton). Ambos se conheceram na época em que trabalhavam em uma pet shop. Ela tinha 30, ele 13 anos. Ela foi presa grávida, e já era casada e tinha dois filhos. Um dos filhos George, nos dias d ehoje, diz à Elisabeth que após o caso vir à tona, sua vida foi destruída. Elisabneth entrevista todo mundo que fez parte do escândalo na ocasião. Acompanha o dia a dia de Gracie, Joe e os filhos adolescentes. Mas a obsessão pela perfeição faz Elisabeth querer ir mais a fundo e até se envolver com Joe.
Tanto Nathalie Portman quanto Juliane Moore encontram personagens com quem já tinham certa ambientação em outros papéis. A obseessão em 'Cisne negro"e a busca pela perfeição artística e aplausos do diretor e do público; Juliane Morre já interpretou uma mãe incestuosa e também uma pedófila, e parece confortável no papel. Elas possuem cena smemoráveis e admirem como Portamn copia milimetricamente a personagem Gracie em cena. Mas é Charles Melton quem rouba as cenas com o seu imaturo e inseguro Joe. Sua atuação tem recebido inúmeros prêmios e ele está minimalista em sua dôr.
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