domingo, 14 de julho de 2013
O homem de aço
"Man of steel ", de Zack Snyder (2013)
Contra todas as críticas negativas que li sobre o filme, vou aqui defendê-lo. Apesar de eu achar que Henry Cavill não é o ator certo pro filme, e que o filme é longo demais ( mania desse povo fazer filme longo) , vejo muitos pontos positivos. Zack Snyder, assim como em "Watchmen", traz uma carga realista de dilemas morais e conflitos homem/super herói que faz toda a diferença na dramaturgia da história. Obviamente, que com a grife de Cristopher Nolan na Produçào, isso deve ter pesado bastante no produto final. A fotografia extraordinária de Amir Mikli, traz uma dualidade interessante ao filme: ao mesmo tempo que estamos vendo um filme fantástico de super herói, com naves espaciais, explosões, seres extraterrestres e batalhas galáticas, nos também vemos um drama realista, de tinta autoral, belamente filmado e bastante emocionante. A história de Clark e seus pais adotivos já daria um filme excepcional, da forma como foi filmado. Câmera na mão, estética de filme europeu. Uma maravilha de se assistir. Assim como Kenneth Branagh em "Thor", que conferiu a um brucutu o papel principal, e se cercou de excelentes atores para darem estofo e credibilidade ao filme ( Natalie Portman, Stelan Skaagard), em "Man of steel" Snyder faz o mesmo. Diante da falta de talento e carisma de Cavill, de inegável biotipo perfeito pro personagem, nós temos Amy Adams, Lawrence Fishburne, Diane Lane, Kevin Costner , Russel Crowe e Michael Shannon. Todos ótimos ( gente, da onde foi que acharam Shannon e Adams deslocados no filme???). O início do filme me assustou um pouco, com efeitos pouco convincentes e uma cara de estar assistindo "Avatar", com Crowe cavalgando um dragão. Mas essa é a parte fraca da história. Na sequência, já na terra, o filem ganha contornos dramáticos que achei interessantes e emocionantes. A infância conturbada, a adolescencia sobre a sombra do bullying e o dilema de não poder assumir a sua verdadeira identidade. Kevin Costner protagoniza uma cena antologica, uma obra-prima: a cena do ciclone. Que cena do caralho. Emocionante mesmo!!! Obviamente que o conflito pais biológicos/pais adotivos remete qualquer espectador a "Spider man". DIane Lane também tem seu momento emoção, e a maquiagem de envelhecimento dela está ótima, coisa rara em Hollywood. O desfecho também achei do caralho, que venha o próximo!!!!! Nota: 7
sábado, 13 de julho de 2013
Hideaways - O último filho
"Hideaways- The last son", de Agnès Merlet (2011)
Produção franco-Irlandesa, concorreu no Festival de Tribeca de 2011. Misturando fantasia, fábula e drama, o filme parece uma versão independente de algum personagem mutante dos X-men. Ou até uma versão fasntástica de "Inquietos", de Gus Van Sant. James é um menino que nasce com uma maldição: quando ele se estressa, tudo em sua volta morre. Após provocar a morte de seu pai e sua avó, ele foge pra floresta. 10 anos se passam, ele vem a conhecer Mae, uma adolescente que fugiu do hospital, e que ele vem a descobrir que é portadora de cancer terminal. Assim como "Inquietos", o tema da morte circunda os protagonistas. Porém, aqui, a fantasia se mostra tímida, e acaba que o filme perambula mais pro drama romântico, apelando pros efeitos apenas em seu prólogo e desfecho. A história é simpática, apesar de sem ritmo e indefinida sobre qual rumo tomar. O protagonista não tem muito carisma, e isso interfere, pois se torna enfadonho acompanhar a trama em alguns momentos. A trilha sonora remete aos de Danny Elfman, quando produz para Tim Burton. A fotografia é ok, os efeitos, apesar de simples, funcionam. Não é memorável, mas cumpre a funçào de salvar uma tarde sem opções. Nota: 6
Sharknado
"Sharknado", de Anthony C. Ferrante (2013)
Quando eu li a matéria no jornal O GLOBO, sobre um filme que havia virado hit na Internet, não tive dúvidas: fui correndo assistir. "Sharknado"é um dos filmes mais divertidos e hilários que vi recentemente. Daqueles de dar gargalhadas gostosas. Queria entender de verdade, o que se passou na cabeça do produtor desse filme, de bancar 1 milhão de dólares em um filme que mistura "Twister","Tubarão"e "Massacre da serra elétrica". E ainda fazer com muito humor, mais divertido do que muita comédia metida a besta que anda por aí. É o tipo de filme para juntar seus amigos e se esborrachar de rir em cenas inacreditáveis. A criatividade do produtor, do roteirista e do diretor não encontram limites aqui. Tudo é muito non-sense, surreal, estapafúrdio, com vários erros de continuidade, aquelas famosas cenas de personagem morrendo e ninguém dando a minima (logo no início, várias pessoas morrem num ataque de tubarões na praia, na cena seguinte, no mesmo dia, na mesma praia, ta todo mundo bebendo, rindo, falando merda no bar da praia). A história não podia ser mais tosca: por conta do aquecimento global, um tornado gigante varre o mar da Costa do México e traz consigo todos os tubarões existentes. Esse tornado se encaminha para Los Angeles e sai dizimando as pessoas, com seus vorazes tubarões matando geral. Claro, no filme os bichanos sobrevivem fora da água. A produtora do filme, The Asylum, é especialista nessas produções que mesclam filmes e gêneros. Ela tem todo um fã clube que devora seus filmes.O que menos se quer é gente pensando. É somente entretenimento sem compromissos. Para se ter uma idéia, a arma de um dos sobreviventes para lutar com o tubarão é uma cadeira!!!! E ele a leva consigo! O carro onde os personagens transitam pelas ruas, durante a tempestada, nota-se claramente que não sai do lugar. Deve ter algum contra-regra sacudindo o carro, e mangueiras de água jorrando chuva por sobre o veículo. É muito tosco!!! A cena final é antologica, com direito a serra elétrica saindo de dentro de um tubarão!!! Clássico B!!
Nota: 6
quinta-feira, 11 de julho de 2013
O homem das estrelas
"L'uomo delle stelle/The star maker", de Giuseppe Tornatore (1995)
Esse filme era um buraco na minha filmografia de Tornatore, e graças ao talento do meu amigo Ricardo Favilla, que contou a sinopse de uma forma tão bela, eu fui correndo assisti-lo. O filme se passa nos anos 40 e conta a história de Joe Morelli ( Sergio Castelitto), um malandro que viaja com seu caminhão pelas regi˜pes pobres da Sicília, se fazendo passar por um produtor de elenco para cinema. Ele ganha dinheiro ao produzir testes falsos de elenco. Sua câmera filma, mas não possui película. Tudo chapa-branca. No seu caminho, ele encontra muitos sonhos, mas friamente, ele não se envolve com nenhuma das histórias narradas pelos populares humildes. Até que ele esbarra com Beata, uma jovem que sonha em ser atriz e por quem Joe se apaixona. Tornatore repete toda a fórmula de "Cinema Paradiso" aqui no filme: trilha emotiva de Ennio Morricone, um forte contexto melodramático na história ( o desfecho é emocionante, e tem a mesma estrutura do clip dos beijos em "Cinema Paradiso", uma história de amor improvável e muito, mas muito amor ao cinema, que vai perdendo espaço pela chegada da televisão. O mais lindo no filme é ver tantos nào-atores dando os seus depoimentos para a câmera de Joe. Curioso como no cinema italiano, não é comum os diálogos sincados, mas isso em nenhum momento passa por problema técnico ou me incomoda. As locações na Sicilia são belíssimas, e claro, não podia faltar a Máfia no filme.Como em todos os seus filmes, Tornatore extrapola na dose em algumas cenas, as vezes exagerando no drama ou até mesmo um certo mau-gosto ( a cena da primeira transa de Joe e beata é estranha, sem carinho para um momento tào especial). Não posso deixar de enaltecer um extraordiário plano-sequência na primeira parte do filme, quando vemos os populares treinando textos para a audiçào. Muito bem construída a cena, com certeza ensaiou bastante. Achei um pouco longo, e fiquei muito triste com o desfecho. Me lembrei de "Eu receberia as piores noticias de eus lindos lábios", de Beto Brandt. Bela atuaçào de Tiziana Lodato, no papel de Beata.
Nota: 8
quarta-feira, 10 de julho de 2013
Mãe e filha
de Petrus Cariry (2011)
"Mãe e filha", de Petrus Cariry. Vencedor de vários prêmios no Festival do Ceará de 2011, entre eles de melhor filme, roteiro e som, e também de melhor fotografia no Festival do Rio 2011, o filme é um tour de force do cineasta cearense Petrus Cariry. Ele escreveu, produziu, dirigiu, fotografou, fez a câmera e ainda editou. Mais autoral, impossível. E isso me faz pensar que existem filmes que parecem ter sido feitos apenas para serem exibidos em Festivais e ganhar prêmios. Porque o juri de Festival adora filmes assim: cabeça, hermético, recheado de simbolismos. Em uma cidade do interior do Ceará, Cococi, uma mulher retorna para casa 20 anos depois. Ela vem cumprir uma promessa que havia feito para sua mãe, antes de ir para a cidade grande: de que traria seu filho para conhecer a avó. Porém, o filho está morto, mas sua mãe o trata como se estivesse vivo. Entre fantasmas do passado e rusgas mal resolvidas, as duas passam momentos de solidão e silêncio tentando entender o que as afastou.
Impossível assistir ao filme e não me lembrar de "O céu de Suely". Além de escalar a mesma atriz, a extraordinária Zezita Matos, que fez a avó de Suely no filme de Karin Ainouz, o filme tem como tema principal a volta para casa e o reencontro com o passado. É como se Suely voltasse para sua casa 20 anos depois. A mesma falta de comunicação, o mesmo rancor guardado dentro delas. A influência de Tarkovsky na narrativa também é evidente. Planos muito longos, contemplativos, onde nada acontece. A vida pautada pelo tédio e pelo nada. Acordar, comer, dormir. Esperando o dia da morte.
As atuações aqui das duas atrizes, Zezita e Juliana Carvalho, são excessivamente dramatizadas, quase épicas e pomposas. Isso faz com que o filme saia do naturalismo. O filme também se utiliza do universo fantástico, ao apresentar os 4 cavaleiros do Apocalipse, na pele de 4 cangaceiros. Achei essa simbologia exagerada, assim como os planos lentos, desnecessários, de imagens de animais, cenários e etc. Parecem ter sido gravadas em video e ficou uma textura que briga com a do filme. Um plano longo de 2 cães brigando, a mãe degolando uma galinha e ela se debatendo até morrer são momentos desnecessários.
É um filme de ritmo extremamente lento, cansativo. A dramaturgia deu lugar às imagens que são belas em sua maioria, mas vazias. No final das contas, apenas um filme sobre reencontro mãe e filha, em 80 minutos de projeção, mas que de conteúdo tem muito pouco.
Curiosidade: logo no prólogo inicial, achei que estava vendo "Post Tenebra Lux", o filme de Carlos Reygadas que ganhou Melhor Direção em Cannes 2012. A narrativa e a estética são muito semelhantes.
Nota: 5
terça-feira, 9 de julho de 2013
O caminho
"La senda/The path", de Miguel Ángel Toledo (2012)
Os espanhóis sempre foram bons no suspense, no trhiller psicológico. Vide "Os outros", "O orfanato", "Ferro" e outros títulos muito interessantes. Mas existem também os filmes ruins. Esse "O caminho" narra a história de um homem, Samuel, jogador de xadrez profissional. Em crise no casamento, revolve levar esposa e filho pequeno até um chalé nas montanhas nevadas. Ao chegar la, descobre que o chalé é isolado e sem comunicação. Mas mesmo assim, resolve ficar. O que ninguém esperava, é que ele aos poucos fosse se degenerando psicologicamente, devido à solidão e a suspeitas de ci;umes contra a esposa. Assim, cresce nele um instinto assassino, que bota a família em risco. Se alguém aqui pensou em "O iluminado", acertou. O filme tenta copiar desesperadamente o filme de Kubrick, obviamente, sem sucesso. O elenco é fraco, o clima de suspense é inexistente, tentando provocar sustos através de sons estridentes ou objetos que surgem do nada. O uso de câmeras lentas é ridícula, provocando risos ao invés de tensão. Até mesmo uma referencia às gemeas, que o garoto encontra nas ruas do vilarejo. Pobre do início ao fim.
Nota: 2
domingo, 7 de julho de 2013
A Terra da esperança
"Kibô no kuni/The Land of hope", de Sono Sion (2012)
A tempos eu não via um filme tão devastador, que me deixasse triste ao final da projeção.
"A Terra da esperança" usa a tragédia nuclear de Fukushima para fazer uma radiografia sobre vidas destruídas após o incidente. Em uma pequena cidade rural, chamada Nagashima ( Misto de Nagasaki e Hiroshima), 2 famílias vivem felizes. A familia Ono e a Suzuki. A esposa do Senhor Ono sofre de demência degenerativa, e Ono vive em função dela. Após um terremoto,a usina nuclear sofre danos e a população precisa evacuar a cidade. Mas Ono decide ficar com sua esposa, pois viveram felizes ali a 30 anos, e ele acredita que se ela sair dali, seu estado mental irá piorar. É possível imaginar somente com essa sinopse a tragédia que se acomete na vida de todos, porém, deixando o amor sempre como ponto de ligação entre todas as histórias e a esperança, que jamais deve ser deixada de lado. Sion Sono é um dos grandes cineastas japoneses em atividade, e infelizmente, seus filmes não circulam aqui no Brasil. São filmes inquietantes, fortes, tendo sempre a violência e a moral como temas: "Mesa de jantar de Noriko", "Clube do suicídio", "Himizu", "Coldfish", e "Love exposure" estão entre suas grandes obras. Sono se utiliza da linguagem de Ozu para criar boa parte de seus planos, fixos, longos, comtemplativos. Como estrutura narrativa, vi muita semelhança com 'The day after": a linguagem documental do dia a dia das pessoas antes do acidente, e a consequente tragédia depois do terremoto, causando pânico, preconceito e cegueira moral nas pessoas. Sono se utilizou de locações reais de Fukushima para algumas cenas, provocando uma tristeza enorme. Impossível não ver o cenário e pensar nas vidas que se foram: grandes e enormes terras desertas, casas destruídas, o vazio. A história central, pulverizada por tantas histórias, se concentra na de Ono e sua esposa. E foi essa história que me provocou uma tristeza enorme, e foi responsável por muitas lágrimas. As atuações absolutamente extraordinárias de Natsuyagi Isao (Ono), que veio a falecer em maio de 2013, e Otani Naoko (Chieko), mais a do restante do elenco, conferem uma qualidade artística irrepreensivel ao filme, e claro, veracidade na história tão poderosa e forte. Impossível não se lembrar de "Amour", de Michael Haneke. Não fosse tão longo (2:15 hrs) e tivesse menos histórias para contar ( deveriam ter feito uma reediçào e centrar na história de Ono e esposa, e seus filhos), o filme certamente seria uma obra-prima.
Nota: 8
Além dos muros
"Hors les murs", de David Lambert (2012)
Exibido na Semana da Crítica no Festival de Cannes 2012, esse filme de estréia do cineasta Belga David Lambert aposta no amor de dois homens que largam tudo para viver o seu amor à primeira vista, mas que devido a circunstâncias alheias a sua vida, precisam romper com o pacto de felicidade eterna. Paulo é um músico que toca em cinematecas e que está noivo de uma dona de uma loja. Em uma noite de bebedeiras, ele conhece o barman Albanês Ilir. Ilir o leva até sua casa e Paulo passa a noite ali. Paulo percebe que o seu amor mudou de sexo, e decide romper com sua noiva, que o expulsa de casa. Paulo vai pedir moradia na casa de Ilir, que acha prematura a vida a dois, mas aceita-lo. Após um breve momento de felicidade, Ilir sai para resolver umas coisas e some durante 2 dias. O que acontece a seguir irá mudar o rumo de suas vidas. Belamente fotogrado, o filme traz uma atmosfera melancolica típica dos filmes europeus dos novos tempos de recessão. Criando cenas silenciosas, onde o olhar diz tudo, a direção inteligente cria momentos de beleza, dando espaço aos tempos mortos criarem o clima necessário para a falta de rumo dos personagens, bem interpretados pelos atores principais. Porém, o roteiro não propòe um olhar mais desafiador na relação desses dois homens, caindo no clichê do homem que se descobre homossexual e que acaba se auto-destruindo, inclusive incluindo cenas gratuitas de sado-masoquismo, como se simbolizando a "entrega" física e psicológica para um universo ate então inexistente. O fetiche e o proibido são atraentes e parecem o único lugar seguro para uma existência atormentada. Li numa entrevista com o diretor que ele quiz nesse filme recriar a história do clássico "Os guarda-chuvas do amor", onde acompanhamos o amor pleno, a crise e a dissolução de uma história romântica. Ficou somente na referencia, pois infelizmente, faltou garra e coragem no autor, em explorar mais intensamente esse amor, proibido, mas de pouquissima voltagem. Tesão passou longe.
Nota: 6
Hannah Arendt
"Hannah Arendt", de Margareth Von Trotta"(2012)
Filme que se baseia em incidente envolvendo a pensadora e filósofa alemã Hannah Arendt em 1963, durante o lançamento de artigos que resultaram no livro "O julgamento de Eichmann". Hannah Arendt, já exilada em Nova York, morando com seu marido alemão igualmente pensador, leciona numa faculdade e escreve ensaios. Gozando de prestígio entre o circulo de intelectuais da épca, Arendt é uma alemã judia, que fugiu de um campo de concentração junto de seu marido e veio até os Estados Unidos. Em 1962, o carrasco nazista Adolph Eichmann é preso em Buenos Aires pelos agentes israelenses e levado até Jerusalém para ser julgado por crimes de guerra. Com extremo interesse no caso, Arendt se voluntaria para acompanhar o julgamento, escrevendo um artigo para a "The New Yorker". Porém, o artigo causa furor e ódio entre a comunidade judaica mundo afora: Arendt acusa o Estado Israelense de acusar Eichmann por crimes contra a humanidade e não pelos seus crimes, e percebe que ele é uma pessoa comum que seguiu as regras do jogo político de Hitler. Arendt acusa também os judeus de serem de certa forma responsáveis pelo Holocausto. O elenco desse filme é extraordinario, sem nenhuma ressalva. Desde Barbara Sukowa, atriz-fetiche de Fassbinder e que aqui repete sua parceria com a cineasta Von Trotta, até o casting americano, perfeito. Janet Macteer, indicada ao Oscar por "Albert Nobbs", está fenomenal como a amiga de Arendt, Mary. A direção de Von Trotta é elegante e inteligente, usando movimentos panorâmicos, para descrever o ambiente, e utilizando imagens do julgamento original, o que foi uma opção acertada, pois o depoimento do verdadeiro Eichmann é contundente. Incrivelmente, Von Trotta e o roteirista Pam Katz criam humor em várias cenas, se assemelhando ao humor judaico de Woody Allen. O cinema inteiro veio abaixo em vários momentos mediantes tiradas geniais como ""Filósofo não cumpre prazos". Saí do filme correndo pro Wikipedia e me inteirar da historia dessa grande mulher, que fuma cigarro a cada minuto, Duas cenas antológicas: a noticia dada pela amiga Mary a Arendt durante uma aula, e o seu discurso final na faculdade. Um filme brilhante e essencial.
Nota: 10
sexta-feira, 5 de julho de 2013
Uma dama em Paris
"Une Estonienne à Paris", de Ilmar Raag (2012)
Drama dirigido pelo estoniano Ilmar Raag, tem como tema central a terceira idade, solidão e o desamor. Para quem me conhece, meus temas preferidos. O título original é mais esclarecedor: "Uma Estoniana em Paris", mas sabe-se lá porquê traduziram para "Uma dama em Paris", talvez para atrair espectadores afoitos por um romance. Mas o filme está longe disse: é um filme triste depressivo e muito melancólico. Jeanne Moreau, no auge de seus 80 anos, se despe de sua aura de musa sexy dos anos 60 e confere dignidade na idosa decadente e que vive do passado, irritada com o contato das pessoas e que prefere a solidão de seu apartamento e a companhia de seus remédios, usados para súbitos desejos de suicídio. Ela não aceita envelhecer, por conta disso ela perdeu 2 grandes amores de sua vida: seu marido e o jovem amante Stephane, que contrata uma imigrante para tomar conta dela. Laine Mägi, atriz estoniana, é uma excelente surpresa, no papel de Anne, uma mulher depressiva que abandona seu País pelo desamor de seus filhos que não lhe dão atenção. Esse tema , já batido, lembra obviamente o clássico "Era uma vez em Tokyo", de Ozu. O filme aqui vai num ritmo extremamente lento, tudo o que vemos ao redor vai na dinâmica da observação de Anne, que busca nas ruas, nas luzes, na paisagem e vitrines de Paris, uma inspiração para a sua vida triste. Quando Anne e Frida (Moreau) se encontram em cena, é um embate de titãs. Como é gratificante ver atuações inteligentes e brilhantes! O desfecho me pareceu feito para agradar a platéia, talvez para que as pessoas nao saissem tristes demais das salas de cinema. De qualquer forma, essa cena final me fez soltar lágrimas de emoção. Que beleza!!!!
Nota: 8
quarta-feira, 3 de julho de 2013
À procura de Sugarman
"Searching for sugarman ", de Malik Bendjelloul (2012)
A muito tempo eu não chorava tanto vendo um filme, e aqui passei exatamente meia hora chorando sem parar. Esse documentário vencedor do Oscar do gênero em 2013, traz uma emoção tão devastadora, que me faz pensar que a história real de pessoas comuns é a maior obra-prima para um filme. Não existe ficção que traga essa verdade de forma tão envolvente, simplesmente pelo fato dela ser real. A história desse filme gira em torno de Sixto Rodrigues. No inicio dos anos 70, esse morador de Detroit resolveu lançar 2 discos independentes. Foi um total desastre, e segundo o dono da gravadora, vendeu 6 discos. Mas uma cópia do disco foi parar na Africa do Sul, e desde então, tornou-se uma lenda. Milhões de pessoas copiavam, idolalatravam o disco, pelas suas letras contra a repressão. Nos depoimentos, os fãs sul-africanos diziam que era o disco da vida deles, porque os ensinavam a lutar contra o sistema, lembrando que na época imperava o Apartheid. O disco foi censurado, teve faixas arranhadas, mas mesmo assim, tornou-se objeto de culto. Os fãs não sabiam nenhuma informação sobre Rodrigues, a não ser o fato de ter o rosto na capa do disco. Dizia-se que ele havia se matado num palco, jogando fogo em si mesmo e se suicidado. Em 1997, 2 fãs resolveram ir atrás desse mito, e seguiram todas as informações possíveis para tentar chegar até o paradeiro de Rodriguez ou alguém próximo a ele, uma vez que acreditavam que ele estava morto. Nào posso falar mais sobre a história. Só sei que esse filme é um projeto obrigatório, para quem quer ver uma bela história de vida, algo que realmente acontece, segundo um dos fãs, uma vez na vida. Um homem que perdeu seu sonho, viveu mais de 40 anos na amargura de não ter sua obra reconhecida. Entreguem-se a esse filme, deixem-se emocionar.
Nota: 10
Gretchen Filme estrada
"Gretchen, filme estrada", de Eliane Brum e Paschoal Samora (2010)
Documentário realizado em 2010, que acompanha a campanha da cantora Gretchen como Prefeita na Ilha de Itamaraça, Pernambuco, cidade onde ela nasceu. Quando soube desse projeto eu fiquei extremamente curioso para ver como uma artista do povo, com mais de 30 anos de carreira artística, que fez sucesso cantando músicas sem letras e ganhando dinheiro com o rebolado, poderia ter a ousadia de se candidatar a Prefeita. Oportunismo? Pode ser, ela mesma no documentário diz para os seus partidários e votantes que ela super-confia no seu nome, que basta diz6e-lo que o Presidente, Senadores e todo o Brasil abrirão as portas para ela. Excesso de confiança ou ingenuidade, não importa. Gretchen é um fenômeno de midia. Iniciou sua carreira antes mesmo de Madonna, e nunca saiu das notícias. Polêmica, ela levou 3 milhoes de espectadores aos cinema para assistir ao seu pornô soft 'Alugam-se moças", um clássico da pornochanchada, de 1982. Mais recentemente, ela se aventurou no cinema explicito. Casou diversas vezes, teve vários filhos, e por conta disso, achando-se sem barreiras, se candidatou, sem nunca ter tido alguma aptidão à carreira política. Seu desejo, sendo eleita, era abandonar os palcos e viver dos palanques. Mas esse sonho não foi a frente: ela recebeu apenas 2% dos votos. O filme mostra a trajetória dela pedindo votos, sendo aliciada, populares pedindo dinheiro, coligaçoes desfeitas, falta de dinheiro, desespero, e claro, vários shows de Gretchen Brasil afora para poder bancar a candidatura. Existe uma cena antológica: Durante uma apresentação em um circo, o playback falja, Gretchen para o numero e fala ao DJ: "DJ, troca o cd"!". Constrangimento total. Quando ela volta a cantar, vê-se nitidamente a cara de cú de toda a a platéia. Muito triste ver uma artista que sempre venceu pelo seu sex appeal se ver envelhecida, sem sensualidade, vivendo do seu passado. Ela ainda faz festas, suas músicas são cults em qualquer balada. Mas ela precisa baixar a bola e se dar conta que os tempos são outros, infelizmente. Pelo menos, para evitarmos d eouvir frases tipo: " Eu danco piripiri, nao tá dando mais nao. Danco final de semana, chega segunda acabou o dinheiro".
O documentário começa bem, com uma narração em off bem divertida, mas depois vai se tornando repetitivo. 1:30 é muito para esse filme, deveria ter 20 minutos a menos, e ter apostado mais na linha do inusitado, como fizeram no ótimo documentário de Rita Cadillac, "A lady do povo".
Nota: 5
terça-feira, 2 de julho de 2013
Clip
"Klip", de Maja Milos (2012)
Retrato cruel da juventude Sérvia, dirigido pela atriz Maja Milos. Jasna (Isidora Simijonovic) é uma adolescente de 16 anos que mora com seu pai em estado terminal, sua mãe que vive cobrando atitude por parte dela, e com sua irmã caçula. Nesse ambiente de pouco amor, ela encontra refúgio com as amigas, fora de casa. Jasna perambula por festas, baladas, regadas a muito sexo, drogas e diversão inconsequente. Até que ela conhece Djole, por quem se apaixona, e que faz dela um mero objeto sexual. Devastadora visão da juventude pós -guerra da Sérvia, mostrando a cidade destruída não somente em termos materiais, mas também psicológicos. Os personagens são todos fora de rumo, desesperados, fugindo de sua realidade da forma que podem. A coragem da atriz Isidora Simijonovic em se expôr por completo, participando de cenas de sexo explícito ( em sua maioria, conforme os créditos, usando dublê), vomitando, cheirando, enlouquecendo, , dá ao filme uma dinâmica muito poderosa dessa personagem. Nào é a toa que ela ganhou varios premios de interpretação. A juventude retratada não quer estudar, não quer trabalhar, se droga, bebe o dia todo, usam celulares para gravarem videos (inclusive, o celular é usado como narrativa no filme). O ritmo é lento, o filme é longo, a frieza da narrativa pode incomodar muita gente. Mas é um retrato poderoso de uma geração, assim como foi "Cristiane F" nos anos 80.
Nota: 7
domingo, 30 de junho de 2013
Léa
"Lea", de Bruno Rolland (2011)
Longa de estréia do francês Bruno Rolland, narra a história de Léa, jovem que mora coma sua avó. De dia ela estuda, de noite ela trabalha como garçonete. Mas sua avó fica doente e precisa ser internada. Léa resolve ganhar um extra fazendo streaper e se prostituindo. Anna Azoulay escreveu e protagonizou esse filme. Ela deve ter feito muito laboratório antes de filmar. Deve ter visitado casas de show com números de streaper para poder desenvolver o roteiro. e também para moldar a sua personagem. No entanto, o filme carece de ritmo, e principalmente, emoção. Assisti-se a tudo de uma forma muito aborrecida. Ou melhor dizendo, o filme é muito chato. Pouca coisa acontece, e o drama da protagonista vira um calvário para o espectador. Além da história já ser bem batida. Anna Azoulay está ok, tem lá seus momentos de interpretação. Mas isso é muito pouco.
Nota: 4
sábado, 29 de junho de 2013
Ultraje além da conta
"Outrage beyond"de Takeshi Kitano (2012)
Continuação de "Ultraje", realizado em 2010 e exibido no Festival de Cannes no mesmo ano. "Insulto além", foi exibido em Veneza 2012 e recebido friamente pelo público e crítica. Kitano de novo volta ao tema da Yakuza, gênero que lhe trouxe fama e prêmios desde o excepcional "Hana-bi, fogos de artifício". Porém, Kitano acumulou muitos fracassos de publicoe crítica, e isso o afetou violentamente. Por isso, ele voltou aos filmes de Yakuza, que mal ou bem, tem um público garantido, calcado em suas cenas hiper-violentas. Mas diferente de "Ultraje", que pelo menos trouxe alguma novidade, essa nova empreitada, na verdade uma continuação direta, é extremamente desnecessária. O filme é arrastado, chatíssimo em sua primeira parte. Na segunda metade pelo menos existem cenas de ação, mesmo que pouco dinâmicas, e muitas mortes violentas, ocasionadas pela gangues rivais de Yakuza, que vão se matando sem dó nem piedade. Assisti ao filme quase que o tempo todo de saco cheio. E tem pelo menos uma única cena que cria interesse: uma cena de tortura envolvendo bolas de beiseball. Kitano está muito borucrático como ator, e várias cenas de ação e pancadaria soam falsas.
Nota: 5
sexta-feira, 28 de junho de 2013
Noite 1
"Nuit # 1", de Anne Émond (2011)
Longa de estréia da curta-metragista Canadense Anne Émond, é um tratado sobre solidão e personagens errantes. Clara e Nikolay são 2 tipos solitários que se conhecem numa rave. Adeptos do "one night standing", partem para uma noite de sexo na casa dele. Durante a madrugada, Clara resolve ir embora sem se despedir de Nikolay. Irritado, ele a chama de volta, e ela retorna. Inicia-se aí um embate emocional e de exposição pessoal que irá mudara vida dos dois para sempre. Impossível ver o filme e não se lembrar do chileno "Na cama". filme que e passa inteiramente dentro de um quarto de motel. Na sua esteira vieram vários outros filmes, incluindo uma versão lésbica, "Um quarto em Roma". Porém, sem um texto realmente espontâneo e revelador, fica-se a impressão de estarmos vendo teatro filmado. Ninguém é obrigado a ser um excelente roteirista, como no verborrágico mas sublime "Antes da meia-noite", de Richard Linklater. Depois de uma excelente cena de abertura, na boite, em câmeras lentas, partimos para o apto de Nikolay, com uma cena excitante mas nada original de sexo entre o casal. A partir daí, diálogos e mais diálogos que sôam falsos, jogados pra fora. O casal discute a falta de relação com o mundo que vivem, a falta de amor ao próximo, a promiscuidade, etc. O que sobra de falas, faltam de amor e tesão. O casal principal está ok, mas nada carismático, se compararmos ao casal de "Na cama". Lá, a gente torce pelos dois. Aqui, a gente fica apático, achando tudo um saco. Que mulher mais mala, diria eu. Porém, o filme tem uma cena muito boa, cinematográfica, em plano-sequência, que é a saída dela do apto, andando pelas ruas chuvosas. Tivesse apostado na linguagem do cinema, e não do teatro, a cineasta teria sido mais bem-sucedida.
Nota: 5
terça-feira, 25 de junho de 2013
Guerra mundial Z
"World war Z", de Marc Foster (2013)
Baseado em livro de Max Brooks, lançado em 2006, foi elogiado pela narração em 1a pessoa sobre um Membro das Nações Unidas relatando a sobrevivência da humanidade numa Guerra contra os zumbis que dura 10 anos. O filme, no entanto, toma liberdade de transpôr toda a ação para o presente, com os personagens endo tomados de assalto pela invasão de zumbis raivosos, cuja procedência ainda é uma incógnita. Brad Pitt interpreta Gerry Lane, o tal agente da ONU, que quer salvar a sua família e os conduz até uma base militar. Chegando lá, ele precisa levar um cientista até a Coreia, em busca de um paciente zero que possa trazer o antídoto para o vírus raivoso. Produzido pela produtora de Brad Pitt, a PLAN B. O filme ficou mundialmente conhecido como o projeto de 400 milhões de dólares que iria afundar todo mundo. Os produtores odiaram o final e reflmaram, tudo dando mais ênfase na relação familiar ( aliás, a parte mais chata do filme, de longe). O filme é total anto-clímax, para quem já assiste a série"The walking dead". Não traz novidades alguma pro gênero filme-zumbi, e o roteiro é bobo, com um desfecho pior ainda. Li recentemente que a estratégia de falar mal do filme acabou trazendo uma boa renda para ele, tanto, que foi dada carta branca para uma continuação. Mas como assim? Pois é. O elenco está todo a toque de caixa. Os efeitos, que eram para ser o chamariz do filme, acabam sendo um dos grandes problemas. Maquiagem? Quase não se vê. O ritmo é arrastado, e a gente torce para acabar logo. Uma pena. O que fica de lembrança boa é apenas a trilha sonora, que usa sons eletrônicos. Nota: 4
SPOILER::::::
1o grande problema do filme: Como assim, um filme de zumbis que não tem sangue? Não vemos mordidas? O que concluo é que os produtores quizeram fazer um filme de zumbis para a família, que não chocasse ninguém. Perdeu tensão, ficou sem graça.
Os efeitos da horda de zumbis mega-rápidos não funciona. A gente mal vê os zumbis, e pior, parece um bando de trapalhões que vão se amontoando e derrubando os outros. Como falei acima, a história familiar é uma grande chatice, arrasta o filme e o torna meloso. Era para ser um filme de ação.
Segue abaixo um link do que foi filmado, e que, infelizmente, não foi aproveitado. teria sido um filme muito, mas muito melhor.
http://omelete.uol.com.br/world-war-z/cinema/guerra-mundial-z-saiba-como-teria-sido-o-final-do-filme-antes-das-refilmagens/
segunda-feira, 24 de junho de 2013
A espuma dos dias
"L'écume des jours", de Michel Gondry (2013)
Adaptação do clássico homônimo, escrito pelo escritor e músico surrealista francês Boris Vian em 1946. Sua literatura sempre foi considerada intransponivel para o cinema, devido às suas metáforas literárias. Michel Gondry tomou a iniciativa de ser o primeiro a fazer uma transcrição para o cinema, e o resultado é bastante satisfatório. A história é simples: um homem que recebeu uma herança e nunca trabalhou na vida se apaixona por uma mulher. Misteriosamente, ela desenvolve uma doença nos pulmões, que logo depois, descobrimos ser uma flor que está crescendo lá e a matando aos poucos. Gondry se utilizou de muitos efeitos para poder criar imagens surrealistas e poéticas. Mas ele se recusou a usar CGI. Usou técnicas antigas de trucagem, incluindo aí massinhas e stop motion. O resultado é belíssimo: inocente, encantador. Toda a Direção de arte do filme é um verdadeiro escândalo. E eu fiquei me perguntando quantos ácidos e chás Gondry e sua turma tomaram durante a concepção desse filme, porquê é impossível alguém desenvolvê-lo com a mente sã. Alías, é o tipo do filme que devemos proibir de alguém baixar no computador e ver numa tela de tv. É um filme grandioso, cinematográfico, e precisa ser visto e apreciado em tela grande. Muitas cenas antológicas, mas a que mais me encheu os olhos foi a de uma dança onde todos os personagens têm as pernas esticadas. Genial!Boris Vian era um grande amante do Jazz, e por isso, o filme faz altas referências ao gênero, além de fixar paixão por Duke Ellington. Não consigo imaginar o quanto Gondry teve que insistir para o elenco participar desse filme, por lendo apenas o roteiro, qualquer um teria pulado fora. É extremamente complexo,e ao mesmo tempo, simples. No fim das contas, tudo não passa de uma linda história de amor. Aliás, Gondry homenageia vários filmes, entre eles: "Fahrenheit 451", com os mesmos figurinos e cena da queima de livros, e "Quero ser John Malkovich", de Spike Jonze, na questão os cenários minusculos. Audrey Tautou, Romain Duris, Omar Sy estão ótimos, A cena da viagem de Tautou e Duris por Paris a bordo de uma navezinha espacial é linda demais. Se o filme tivesse meia hora a menos ( sim, ele é longo e lá pelo meio dá aquela barriga"), teria sido uma pequena obra-prima. Do jeito que está encanta, diverte, faz rir pelas esquisitices, ma cansa. É para se amar ou odiar. E não é filme para passatempo.
Nota: 7
sábado, 22 de junho de 2013
Passion
"Passion", de Brian de Palma (2012)
Brian de Palma encontrou em "Crime de amor", filme francês de Alain Corneau, sua matéria-prima para poder retornar ao que ele mais gosta: filmes com inspiração Hitchcockiana. Desde "Femme fatale" que de Palma não usa o Mestre do suspense como referência. O mais curioso é que "Crime de amor" foi realizado em 2010, ou seja, apenas 2 anos antes dessa refilmagem. No original francês, temos as divas Kristin Scott Thomas e Ludivine Saignier como as ambiciosas publicitárias e uma agência de publicidade. Aqui, elas são substituídas por Rachel MacAdams (Christine) e Noomi Rapace (Isabelle). Isabelle trabalha para Christine, e cria uma campanha que faz o maior sucesso. Christine assume a autoria da campanha para si, e entre elas, surge um embate literalmente de vida e morte. A trama é diabólica, apesar de extremamente rocambolesca. O desfecho é uma loucura, daquelas de fazer os cinéfilos ficarem horas em um bar discutindo as possibilidades. O que será que aconteceu mesmo??? Com tantas pontas soltas, o filme reserva uma cena antologica, digna de seus melhores filmes: :Carrie", "Vestida para matar" e "Irmãs diabólicas": é a famosa técnica de de Palma de dividir a tela em duas, criando um alto suspense orquestrado por ótima direção. Claro, tinha que ter o chuveiro de Hitchcock. envolvido. O filme foi escolhido como filme de encerramento do Festival de Veneza de 2013, mas recebeu críticas que dividiram opiniões. A trilha sonora, a cargo de Pino Donaggio, seu fiel colaborador, é excessiva, mas lembra vários trechos de trilhas de seus filmes antigos. A fotografia fica a cargo de Jose Luis Alcaine, Além de Hitch, de Palma se referenciou, no caso, uso a narrativa do filme "Redacted" e se apropria de várias câmeras para narrar "Passion": webcam, cameras de celulares, cameras de segurança, monitores de datashow, etc. Um filme que não dá para ficar indiferente. Anunciado como trhiller erótico, o filme promete sensualidade, mas mostra muito pouco de tesão. Melhor prestar atenção na atuação das atrizes.
Nota: 7
sexta-feira, 21 de junho de 2013
Sem perdão
"Dead man down", de Niels Arden Oplev (2012)
Primeiro filme americano do Dinamarquês Opley, mais conhecido como o realizador da 1a versão de "O homem que não amava as mulheres". E esse mesmo filme foi o responsável por lançar o nome da atriz Noomi Rapace ao mercado, o que deu resultados, uma vez que hoje ela é uma estrela Hollywoodiana. Mas uma coisa que não entendo é: O que a super-mega atriz Isabelle Huppert está fazendo nesse filme, interpretando um papel muito insignificante da mãe da personagem de Noomi? Nada faz sentido, a não ser que ela seja amiga pessoal do diretor ou do produtor do filme. Um filme com um elenco composto por Colin Farrel, Noomi Rapace, Isabelle Huppert. F.Murray Abraham, Dominic Cooper, Terrence Howard, não podia ser de todo mal, né? Ainda mais nas mãos do cineasta que fez um ótimo trabalho na adaptação de "Millenium", e de novo, fazendo um trhiller. Mas nao há projetos que dêem certo sem um bom roteiro. E esse é o grande problema do filme. Torná-lo crível. Farrel interpreta Victor, braço-direito de um grande criminoso de Nova York (Howard). Ele tem como vizinha da janela da frente Beatrice (Rapace), que mora com sua mãe (Huppert). Beatrice vai tentando entrar em contato com Victor, até que anuncia seu verdadeiro intento: quer que ele mate o cara responsável pelo acidente que ela sofreu e desfigurou seu rosto. Em troca, ela não o entregará à polícia, pois ela tem em mãos um video onde gravou Victor matando uma pessoa. O roteiro se desenvolve de uma forma abrupta, e seu desfecho é absurdamente sem emoção. O atores fazem o que podem, mas todos eles, sem exceção, já tiveram momentos melhores. O ritmo é lento, para um filme de ação. A atmosfera é até interessante, evocando um filme noir. Mas mesmo a "femme fatale" de Rapace não consegue prender o espectador na trama. O que é uma pena.
Nota: 5
quinta-feira, 20 de junho de 2013
A guerra invisível
"The invisible war", de Kirby Dick (2012)
Documentário que concorreu ao Oscar da categoria em 2013, tem como tema relatos de mulheres e até homens militares americanos que foram estuprados dentro da Corporação. O filme traz depoimentos de várias mulheres que serviram as Forças Armadas e que entraram lá por idealismo. Porém, tiveram suas rotinas e vidas alteradas abruptamente pelo estupro promovido por colegas e ou chefes. Ao fazerem os boletins de ocorrência, se surpreenderam com a forma como A Corporação esconde os fatos, denigre e esconde, evitando de trazer em público. Alternando os depoimentos das vítimas, com depoimento de militares, jornalistas, ativistas, conjugues, etc , além de imagens de arquivos e pesquisa, o filme cumpre o seu papel que é o de informar o espectador sobre o tema que está assistindo. Porém, tudo isso é embalado de uma forma extremamente burocrática, e pior, com uma musiquinha chata e melosa de fundo, para provocar piedade do espectador. E num caso especial de depoimento, da mulher casada com um jovem militar que abandonou o servico militar para viver com ela, fico com pena do marido. Ele a ama, cuida da filha, dela, e mesmo assim, ela ainda o mantém afastado, por conta dos traumas. É muita exposição da vida pessoal do casal, e pior, ela é uma mala sem alça. Não duvido se daqui a pouco lermos que o marido a abandonou. Kirby dirigiu entre outros, o bom e curioso "Esse filme ainda não está classificado", sobre os censores de filmes nos Estados Unidos. Mas aqui faltou algo mais pessoal. Ele não precisa ser um Michael Morre, que se apropria de um tema e o revira de ponta-cabeça. Mas do jeito que está, ficou bem chato de assistir. Vale como curiosidade.
Nota: 6
quarta-feira, 19 de junho de 2013
A consequência
"Die Konsequenz", de Wolfgang Petersen (1977)
Ao assistir a esse filme, jamais poderia associa-lo ao mesmo diretor do fantasioso e juvenil "A história sem fim", muito menos ao mesmo cineasta dos blockbusters "Troia"e "Força aérea 1". Em 1977, Petersen se apropriou de um livro, de título homônimo, e criou esse pesado drama sobre o amor entre um ator pedófilo e um rapaz de 15 anos de idade. O livro é baseado na história real do suico Alexander Ziegler, que ficou preso 2 anos e meio por assediar sexualmente um garoto menor de idade. No filme, Martin é um ator na faixa dos 40 anos, preso por atos de pedofilia com garotos. Lá, ele conhece Thomas, o filho de um carcereiro, de 15 anos de idade. Thomas se apaixona perdidamente or Martin. Quando Martin cumpre sua pena, Thomas vai até seu pai e diz que irá viver com Martin. O pai o expulsa de casa. A partir daí, o filme desencadeia numa sucessão de eventos que trarão um destino trágico a esse amor nada convencional. O filme é todo registrado num preto e branco expressionista, que enfatiza o drama e o sofrimento do jovem Thomas. A atuação é excelente, naturalista, em registro quase documental dos atores. Existe até uma pesada cena de curra, onde jovens internos transam com uma menina doente mental. A direção de Petersen é ousada, e cria planos interessantes, como alguns planos que se encaminham para o buraco de um olho mágico. É um filme de ritmo lento, denso, e desconcertante. Um tema sempre atual, e que provoca discussão. Pedofilia, aceitação, homossexualismo, reformatório de jovens. Muitos temas bombásticos reunidos em um único filme. Resultado: um filme que merece ser visto e ser descoberto por cinéfilos que buscam pequenas joias obscuras.
Nota: 8
terça-feira, 18 de junho de 2013
Europa 51
"Europa 51", de Roberto Rosselini (1952)
Preciso urgentemente resgatar clássicos do cinema que não tive oportunidade de assistir até então. "Europa 51" me foi indicado por ninguém menos que Martin Scorsese, em seu livro "Conversas com Scorsese". Ele diz que foi um filme muito importante em sua formação de cinéfilo, ao mostrar as agruras de uma mulher da alta burguesia que se converte ao Cristianismo. Cinema e religião sempre andaram de mãos dadas, às vezes de forma brilhante, outras nem tanto. Ingrid Bergman, ainda sob o peso do escândalo de seu casamento com o cineasta Roberto Rosselini, abandonou sua carreira em Hollywood para abraçar as causas do marido, mais voltados ao cinema neo-realista italiano. Rosselini, católico confesso, fez da personagem de Bergman uma versão moderna pós-guerra de Sào Francisco de Assis. Bergman interpreta Irene, uma mulher casada com um embaixador. Americana, ela abdica de sua terra natal para morar com o marido em Roma. De vida fútil, ela dá pouca atençào ao seu filho, que carente, comete suicídio. Sentindo-se culpada, Irene aos poucos presta atenção aos ideais comunistas do seu amigo médico Andrea, que a leva à periferia de Roma e assim, ela começa a fazer contato com a pobreza. Irene resolve dedicar sua vida aos pobres, sentindo-se então recompensada pelo seu sentimento de culpa. Mas o seu marido desconfia de suas reais intenções. Woody Allen, quando fez "Simplesmente Alice", com certeza deve ter se inspirado nesse filme para compôr a personagem de Mia Farrow, que também tem sua vida de burguesa transformada em atos de bondade. Ingrid Bergman está maravilhosa, com aquele olhar angelical e terno. estranho ouvir ela sendo dublada em italiano. Giuletta Masina tem uma cena antológica com Bergman, um encontro de titàs. É uma cena de almoço dentro do barraco de Masina. Que beleza de atuações. Um filme que merece ser visto, mesmo que para os olhos dos espectadores modernos, soe datado.
Nota: 8
domingo, 16 de junho de 2013
Paraíso: Fé
"Paradies: Glaube", de Ulrich Seidl (2012)
Fatima Toledo pelo visto andou praticando seu método de direção de atores na Austria. A atriz Maria Hofstätter apanha o filme quase que todo, se pune, se chicoteia, se arrasta pelo chão, num processo de atuação que me deixou muito chocado. Sou muito fã dos filmes extremamente crus e hiper-realistas de Ulrich Seidl. Desde o seu 1o filme, "Dog days", passando por "Import Export", "Paraiso:Amor", Ulrich tem incomodado platéias e críticos com suas cenas de extrema violência física e psicológica, sexo explícito, em tramas que geralmente abordam o universo feminino, de mulheres maduras que sofrem de depressão e que desejam desesperadamente tentar fugir da rotina exasperante. "Paraíso:fé", é o terceiro de uma trilogia, que começou com "Amor", e prosseguirá com "Esperança". O filme narra a história de Anna, uma enfermeira católica que faz parte e um grupo de religiosos fervorosos que pregam a palavra de Deus, e cuja intenção é trazer a religião de volta na vida das pessoas. Quando ela tira férias do trabalho, ela resolve visitar os vizinhos e fazer com que eles se convertam ao catolicismo. Assustada com a falta de fé das pessoas, Anna se pune, como forma de se sacrificar pelos pecados dos homens. Um dia, porém, seu marido muçulmano e aleijado retorna para casa, e tenta Anna a voltar aos tempos de esposa que divide os prazeres da carne. Não é um filme fácil de ser visto: é lento, quase muito pouca coisa acontece em cena, e o que se vê são várias cenas onde a personagem apanha o tempo todo. A fotografia, a cargo do americano Edward Lachman ( "As virgens suicidas", "Eu não estou aqui") e Wolfgang Thaler é estonteante. Existe uma cena de tempestade cuja côr é algo indescritível de tão bela. Ulrich sempre expõe o sexo de forma crua, feia, suja, sem tesão. Aqui, temos uma cena de orgia num parque, onde Anna irá flagrá-los em pleno ato. É uma cena repugnante, onde os atores praticam sexo real, explícito. Um filme pouco recomendável para pessoas sensíveis, principalmente os religiosos.
Nota: 7
sábado, 15 de junho de 2013
Crônicas sexuais de uma família francesa
"Chroniques sexuelles d'une famille d'aujourd'hui", de Pascal Arnold e Jean-Marc Baar (2012)
Jean Marc Baar é mais conhecido como ator dos filmes "Europa", de Lars Von Trier e "Imensidão azul", de Luc Besson. Aqui, ele resolve co-dirigir esse filme de forte contexto sexual, recheado de cenas de sexo explícito envolvendo atores de várias faixas etáreas. A idéia de Jean Marc e seu colega Pascal Arnold, foi fazer uma provocação sobre a moralidade da sociedade, trazendo atores que emprestam seus corpos para falar de sexualidade , de cenas de sexo reais e não simuladas, uma alternativa aos filmes pornográficos.
Romain (Matthias Melloul) é um adolescente de 18 anos pêgo em sala de aula se masturbando. O rapaz é repreendido e toda a sua família de classe média alta fica sabendo: a mãe, o pai, o irmão mais velho, sua irmã e seu avô. O fato provoca nos integrantes da família, individualmente, uma busca pela sua sexualidade, os dilemas e tabus. O filme destrincha a vida sexual de todos os integrantes da família do rapaz. Acompanhamos a rotina de cada pessoa da família em suas inseguranças acerca de sua sexualidade. O avô que contrata com uma prostituta; o irmãos mais novo que quer perder a virgindade; o irmão mais velho que só faz sexo a três; os pais que tentar recuperar o tesão que tinham há anos atrás; e a irmã que se excita ouvindo sacanagem. Como o próprio titulo diz, são crônicas de uma família que se expõe em seus tabus, taras e fetiches. Os diálogos são naturalistas, como se os diretores quisessem que o espectador estivesse ali como voyeur, espreitando as intimidades de cada um. O que mais impressiona, é a forma como os atores franceses lidam com o sexo nas cenas. Aqui, todos participam de cenas de sexo explícito, se expondo por inteiro em cenas intensas de tesão.
O Céu de Suely
"O céu de Suely", de Karim Ainouz (2006)
Assisti o filme na época do lançamento, em 2006. Hoje o revi, por conta de um trabalho que terei que fazer, e a emoção de ver o filme continua a mesma: Que direçao, que roteiro, que elenco, que fotografia! O filme já começa com aquela pegada pop entoando a bela música brega "Tudo o que eu quero", na voz de Claudia. Logo em seguida, através das lentes do fotógrafo Walter Carvalho, somos levados ao sertão de Iguatu, Ceará. Um colorido hiper realista que realça a extrema pobreza do local. Os personagens, todos humildes, vivem suas vidinhas mais ou menos, de rotina sem grandes preocupações, a não ser saber da festinha do forró da noite ou de namoricos fúteis. O curioso é que os personagens possuem os mesmos nomes dos atores. Hermila (Hermila Guedes) é uma jovem que volta de uma temporada de São Paulo, junto de seu filho pequeno, com a promessa que o marido venha em breve para construirem uma vida ali. Ela volta pra casa da mãe, com quem trava uma guerra emocional, e descobre que o marido fugiu. Certa de que ali não é lugar para ela, ela resolve rifar seu corpo, para poder juntar dinheiro e ir embora dali. Georgina Castro, que faz a amiga Georgina, é quem deveria ter sido a interprete de Suely, mas durante a preparação de elenco foi feita a troca com Hermila Guedes. Para o bem ou para o mal, Hermila saiu-se vitoriosa. Depois do sucesso do filme, ela nunca mais parou de trabalhar, emprestando o seu talento inegável para muitas produções do cinema, tv e teatro. João Miguel também faz uma participação, além de Marcelia Cartaxo e Zezita Matos, extraordinária no papel da mãe. Muita gente alega a falta de ritmo da narrativa, o tédio que trespassa cada segundo da história. Mas educar o olhar de espectador é essencial, para que ele possa perceber as nuances das performances, os olhares, as ruas, as locações, as cores. É um filme de extrema sensibilidade. A trilha sonora ajuda a compôr um clima de sertão pop, jovial, sem ranço. Karim, após o bem-sucedido "Madame Satã", não teve medo em ousar nessa história polêmica. Ganhamos todos nós, cinéfilos exigentes em busca de bons filmes. Nota: 8
sexta-feira, 14 de junho de 2013
Antes da meia-noite
"Before midnight", de Richard Linklater (2013). Tudo começou em 1994. Depois em 2004. Agora, quase 20 anos depois, o casal mais amado do cinema independente americano está de volta. Mais velhos, mais sábios, mais rabujentos. Jesse e Celine, agora com duas filhas gêmeas, estão a 6 semanas na Grécia, a convite de um escritor grego. Entre comida, turismo e muito bate papo literário e existencial, ambos, na véspera de partirem, irão passar uma noite em um hotel, um presente dado pelos hosts. Mas o que supostamente era para ser uma noite romântica, acaba virando um tiroteiro emocional e revelador, botando à prova a vitalidade do amor do casal. Ethan Hawke e Julie Delpy, mais afiados do que nunca, expõem com uma performance valiosa e irretocável o amor aos 40 anos, desgastado, mas ainda com uma chama que pode ou não ser pagada. Delpy especialmente, com o fisico marcado pela idade, demonstra um profissionalismo em prol da obra: ela passa uns 10 minutos do filme semi-nua, com os seios à mosra, sem medo de se expor pela vaidade. O roteiro, extraordinário, prima pelo seu realismo. Parece que nós, espectadores, estamos sentados numa cadeira do lado dos personagens, observando a rotina deles. O mais impressionante na atuação é que muitos planos duram quase 10 minutos sem cortes ( a do carro do início) e nem assim os atores se mostram pouco à vontade. Agora, o filme fala sobre culpa, perda, morte, familia, frustrações. A cena do almoço é um primor, diálogos maravilhosos, atores supimpas, uma direção elegante. É muito dificil filmar uma cena tão longa sem movimentaçao de câmera e não cansar o espectador. isso prova a genialidade dos diálogos. Pra complementar , temos belíssimas locações na Grécia e uma trilha sonora envolvente. Eu chorei várias vezes ao longo do filme: logo no início, no diálogo pai e filho, na cena do almoço e no desfecho. Altamente recomendado para quem gosta de ver filmes de atores, de texto, e não se incomoda de ficar quase 2 horas ouvindo atores falando de suas rotinas banais, mas ditas com muita verdade.
Nota: 10
quarta-feira, 12 de junho de 2013
Amor é tudo o que você precisa
""Den skaldede frisør", de Susanne Bier (2012)
Perdi esse filme no Cinema, e vendo agora em dvd, sinto uma pena enorme de não ter visto em tela grande. Em primeiro lugar, pelas belíssimas locações de Napoles, na Italia, mais precisamente Sorrento. Que beleza, que fotografa! Em segundo lugar, para ver o trabalho dessa atriz extraordinária que é a Dinamarquesa Trine Dyrholm, uma das melhores atrizes do mundo, de quem sou grande fã. A garra e força com que ela interpreta Ide, uma mulher com câncer que resolve lutar pela vida e dar início a um novo amor, e mais, lutando com garra de leôa pela felicidade de seus filhos, é realmente encantador. Outro dado que para mim me deixou animado: Quem foi que disse que os "frios" Dinamarqueses não sabem fazer comédia romantica? Susanne Bier, dos otimos "Por um mundo melhor" e "Corações livres" filma com muita leveza, bom humor, sutilieza e glamour essa história de amor que se passa na Dinamarca e na Itália. O roteiro em si é bem clichê, com muitas situações óbvias e sub-plots sobrando ( o drama do noivo é dispensável). Mas, de novo, por conta do talento dessa grande atriz, o filme vale muito a pena. Só uma diretora estrangeira ousaria fazer uma comedia romantica expondo uma atriz que interpreta uma mulher com cancer totalmente nua em cena. jamais o cinema americano faria isso. Essa é a grande diferença desse filme: tratá-lo como um drama realista. Pierce Brosnan interpreta com charme canastra o seu milionário workhaholick e sem coração. Ah, e a trilha me lembrou Woody Allen o tempo todo.
Nota: 7
terça-feira, 11 de junho de 2013
Se beber não case parte 3
"The hangover part 3", de Todd Philips (2013)
Como assistir uma comédia e não rir em momento algum? Essa é uma premissa colocada em prática com esse terceiro filme da franquia. E mais: Como manter o nome original da franquia, traduzida do inglês para "A ressaca", se esse mote dos filmes anteriores não existe mais nesse terceiro filme? Aqui ninguém bebe e racha a cuca acordando no dia seguinte sem lembrar das merdas que fez. O que era engraçado nos outros filmes anteriores, aqui fica uma sucessão de cenas aborrecidas e requentadas, de uma tentativa de se fazer um filme que previlegia a ação e a aventura. Afinal, o que queria Todd Philips? Pior, no desfecho, ele ainda faz do filme um melodrama que une pessoas que se entendem, que dividem as mesmas doenças mentais. A nostalgia fica por conta de cenas flashbacks que se não emocionam, pelo menos nos lembram que os filmes 1 e eram melhores. O seu publico alvo, que são os adolescentes, não consguirá captar sutilezas d atrilha sonora, que a meu ver, é equivocada. Por que tocar "Everybody's talking", da obra-prima "Perdidos na noite", numa cena de travessia pelo Deserto americano? Enfim, entre tantos erros, alguns acertos, mais no quesito técnico. A fotografia está um deslumbre, e os enquadramentos também surpreendem. Nota-se um gasto de orçamento exorbitante, principalmente na cena inicial do presídio. Um filme caro, onde os atores cobraram cachês milionários. Todos se deram bem, menos o espectador.
Nota: 5
domingo, 9 de junho de 2013
Star Trek - Além da escuridão
"Star Trek- into darkness", de J.J. Abrams (2013). Para início de conversa, você estará lendo uma crítica de um fà dessa nova série de"Star Trek" dirigido por J.J. Abrams. O mais bem-sucedido cineasta de blockbusters de Hollywood , depois de Spielberg (Robert Zemeckis anda meio apagado, por isso não conta), Abrams sabe como ninguém como manipular os sentimentos do espectador. Ainda mais para um fã. Tudo bem, as histórias quase sempre são muito parecidas: a tripulação da nave Enterprise precisa salvar a Terra de um inimigo, alguém tenta tirar o comando da nave do Capitão Kirk, Spock e Kirk travando rusgas, a nave perde a força e irá colidir...sempre será assim. Mas aqui, mais do que qualquer filme de aventura, o roteiro lida com o sentimental. Desde o seu prólogo, o filme não desmente ao que veio: reforçar a importância da amizade. E isso é dito várias vezes ao longo do filme. E culmina numa cena emocionalmente melancólica, que fará algum marmanjo soluçar escondido. O filme tem uma pequena barriga lá pela sua primeira hora ( o filme tem 132 minutos), mas daí ele retoma a dinâmica e até o final fica pau puro! O cine mão americano tem aquele dom de encontrar o ator certo para cada personagem: Todos, sem exceção, estão perfeitos em suas caracterizações: Chris Pine, Zacahry Quinto, Zoe Saldanha, Karl Urban, Simon Pegg ( que faz um Scotty irresistivelmente carismático), Peter Weller ( Robocop)...e Benedict Cumberbatch, fazendo a diferença com o seu enigmático personagem, cujo nome não pronunciarei, para não estragar a surpresa. Abrams não é bobo nem nada e se cerca de vários atores ingleses. Algumas cenas são de tirar o fôlego..e deixar o espectador, como eu, sentado na ponta da poltrona. Exagero? Pode ser. Mas que o filme é bom demais, e que o cinemão americano quando acerta é foda!, isso ninguém duvida. Que venha o próximo! E assim como a platéia da sessão que eu assisti, fiquem até o final dos créditos, só para poder escutar a clássica musica-tema do filme.
Nota: 10
SPOILER ABAIXO! QUEM NÃO VIU NÃO LEIA!!!
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Gente, não há coração Trekker que resista à aparição de Leonard Nimoy no filme. O roteirista e os produtores, que não são bobos nem nada, deram um jeitinho de fazer o próprio surgir como um Spock do futuro, acionado por uma transmissão que atravessa o tempo. Sensacional, e ele ainda faz referência ao filme "A ira de Khan". Os fãs agradecem.
- A cena em que Kirk está morrendo, e seu amigo Spock, sem poder fazer nada, e separados por uma cabine radioativa, é de doer o coração. E quando eles fazem a saudação vulcânica com as mãos separadas pelo vidro...socorro!!! Lindo demais! Deu até para ver uma lágrima no coração frio do Spock.
sexta-feira, 7 de junho de 2013
V/H/S/ 2
"V/H/S/2 ", de Jason Eisener, Gareth Evans, Timo Tjahjanto, Eduardo Sánchez, Gregg Hale, Simon Barrett and Adam Wingard (2013)
Excelente sequência do igualmente ótimo "V/H/S", uma coletânea de curtas de terror, onde a prerrogativa narrativa são filmes no estilo "found footage". Uma dupla de detetives particulares vai até uma casa em busca de informações sobre um garoto desaparecido. Lá, eles encontram in;umeras fitas em Vhs abandonadas. A jovem vai assistindo cada uma das fitas. Comecam então 5 histórias: a 1a, "Phase 1 clinical trials", é sobre um homem que tem um olho implantado. No entanto, esse olho faz com que ele veja mortos. Esse episódio é muito interessante, e é todo em ponto de vista do protagonista, que somente é visto através de espelhos. A 2a história "Ride in the park", é dirigida por Eduardo Sanchez, diretor de "Bruxa de Blair". Narra a história de um ciclista que andando pela floresta, é atacado por um zumbi. A partir daí, o filme vai no ponto de vista do jovem se transformando em um zumbi. Genial e marcado pelo humor negro. A 3a história, "Safe haven", é uma obra-prima dirigida por Gareth Evans, diretor do cult "The raid". Uma equipe de reporteres vai aé a base de um lider religioso. Mas eles chegaram no dia D, onde algo apavorante irá acontecer. Bizarro, fenomenal, inacreditável. Esses sào alguns adjetivos desse curta que já nasceu clássico. O 4o episódio, "Slumber party alien abduction" é, como diz o titulo, uma invasão alienigena que invade uma festa de adolescentes. Para quem curte "Os goonies", vai ser um deleite. No geral, uma coletânea muito boa, e tomara que essa franquia vingue. Filmes independentes feitos com ótimos roteiros e muita criatividade. Tudo o que um fa de terror precisa. Imperdível.
Nota: 9
O grande Gatsby
"The Great Gatsby", de Baz Luhrmann (2013)
Estonteantemente belo, o filme encanta pelo seu visual luxuoso e pelo olhar glamuroso da Nova York dos anos 30. Trazendo de volta a mesma estética narrativa de "Moulin Rouge", Baz Luhrmann compõe um filme quase todo igual ao seu filme musical: canções pop atuais compostas como se fossem da época, vistuosos movimentos de câmera, um elenco lindo e exuberante, montagem clipada, e o mais importante, uma história de amor trágica. Baseada em obra de Scott Fitzgerald, essa nova versão é um épico sobre um homem apaixonado que faz de tudo para poder demonstrar o seu amor à mulher amada. Nick ( Maguire) é um escritor que trabalha com ações. Solitário, ele acaba travando amizade com Gatsby ( di Caprio) , seu vizinho milionário, que promove festas exuberantes em sua mansão. Gatsby conta para Nick que o seu desejo é de se reaproximar de Daisy (Carey Mullighan) , uma paixão do passado, atualmente casada. Toda a parte técnica do filme é nota mil! Com exceção dos exageros de computação gráfica, que tiram o frescor e a qualidade do filme, tudo é muito encantador. Ainda mais assistindo em 3D. A gente fica o tempo todo vendo aqueles cenários, figurinos, locações, festas monumentais e se perguntando: "Caralho, gastaram uma fortuna!". Eu adoraria ter me apaixonado pelo filme. e quase fiquei. Mas a história demora a pegar. Todo o início é frio, pouco envolvente. Somente quando a relação entre Gatsby e Daisy começa a engrenar, que o filme vai ficando apetitoso. Até então, a gente vê tudo lindo, mas sem alma. Uma pena. Uma nota: o elenco principal está lindo, verdadeiros colírios para os olhos: Di Caprio, versão bronzeada, nunca esteve tão belo. Mullighan também, e mesmo Tobey Maguire, cativante com o seu personagem errante. VAle ressaltar a homenagem que o filme faz a "Crepusculo dos Deuses". Além da óbvia referencia final na piscina, tem uma cena que Tobey MAguire pergunta: "Are you ready for your close up?".
Nota: 7
quinta-feira, 6 de junho de 2013
Tese sobre um homicídio
"Tesis sibre un homicidio", de Hernan Goldfrid (2013). A gente cansa de falar que os argentinos fazem o melhor cinema da América Latina, que devemos aprender com eles, que os roteiros são sensacionais, etc. Isso tudo é verdade. Mas quando o cinema argentino resolve copiar uma fórmula do cinema americano, aí a coisa fica diferente. Baseado em livro homônimo de Diego Paszkowski, o filme narra a história de Roberto (Ricardo Darin), um famoso e respeitado professor de criminalística que dá aula em uma Faculdade de prestígio. Dando início a uma turma nova, ele conhece Gonzalo, filho de um casal de amigos de décadas atrás. Esnobe, Gonzalo desfia uma tese sobre erros no código penal. Roberto o desafia. Uma noite, durante uma aula, uma mulher é encontrada morta em frente à faculdade. Roberto passa a desconfiar que Gonzalo seja o autor do crime, uma forma de poder provar a sua tese. O diretor Hernan Goldfrid se apropria de séries como CSI, LAW AND ORDER para mostrar um filme cujo ponto forte são os questionamentos, a tentativa de se descobrir o assassino através de detalhes, se pistas. Fica evidente também a aproximação do filme com "Festim diabólico", de Hitchcock. A história do aluno que desafia o professor para poder mostrar a sua supremacia. No entanto, infelizmente, o filme não possui muitos atrativos, além do talento do ator Ricardo Darin. que não é surpresa para ninguém. O ritmo é lentíssimo,e para um filme que se propòe ser um trhiller, é suspense quase zero. O elenco de apoio está ok, sem muitos destaques. O diretor deveria ter investido mais no roteiro, na psicologia dos personagens. Os tipos são muito esterotipados, Gonzalo não tem nuances, já de cara é mostrado como eventual suspeito, ao invés de deixar o espectador chegar nele. Vale como curiosidade, a tentativa de s fazer um filme e gênero argentino. Uma pena que não tenha sido algo mais notável. Nota: 6
Elena
"Elena", de Petra Costa (2012)
Seria incorreto classificar esse belo filme da atriz mineira Petra Costa como simplesmente um documentário. Mais do que um filme de gênero, ele é um ensaio poético e visionário sobre um tema tabu: a depressão. Através da história de 3 mulheres de uma mesma família ( Mãe e suas 2 filhas), o filme procura descobrir o porquê que uma pessoa linda, inteligente, bem-nascida e tão cheia de projetos futuros, se aprofunda num estado catártico, solitário e melancólico da depressão. O filme narra a história de Elena, uma jovem filha de um casal mineiro ( a mãe é filha de familia tradicional e abastada) que aderem ao movimento de guerrilha na ditadura. Por causa da gravidez, a mãe de Elena não pode seguir para o Araguaia. Desde então, Elena é considerada a salvadora de seus pais, já que boa parte dos colegas foram mortos no conflito. Petra nasce, e Elena demonstra muito carinho por ela. Elena um dia resolve que quer ser atriz. Após carreira em São Paulo, dentro de um grupo de teatro, ela resolve seguir até Nova York estudar. Obcecada pela perfeição artística, Elena se cobra nos estudos. Ela faz vários testes, sem passar em nenhum. Solitária, sua mãe e Petra acabam indo para NY morar com ela. Porém, Elena vai entrando em estado de profunda depressão, culminando em suicidio. O grande trunfo dessa história é mostrar as coincidências das 3 mulheres: todas elas com sonho de ser atriz, todas elas com indícios de depressão, todas com um sonho que de certa forma foi interrompido por algum evento que as fazem mudar de rumo ( no caso da mãe, foi o casamento, que acabou com o seu sonho de ser atriz). Petra, a remanescente, é constantemente vigiada por sua mãe, que teme que ela siga o mesmo caminho de Elena. A grande inteligência de Petra em transpôr a sua alma para o filme, foi concebê-lo como uma tragetória de exorcismo, expôndo o seu coração para a platéia, através de uma trilha sonora bárbara, fotografia deslumbrante ( mesmo quando as imagens são em VHS, aviva-se uma beleza nas imagens). A coragem da mãe em expôr seus sentimentos e dôr para o filme merecem respeito: foi a forma que ela encontrou para dizer a suas filhas que ela as ama profundamente. Pode-se dizer que Petra teve uma grande sorte em possuir um enorme acervo de imagens, sejam elas em VHS, fotos, etc, que ajudam bastante o espectador a embarcar nessa história emocional. Tem momentos que eu pensei: caraca, mas como alguém teve a ideia de ligar a câmera nesse momento???
Um filme imperdível, triste, sem duvida, mas autêntico.
Nota: 8
terça-feira, 4 de junho de 2013
A datilógrafa
"Populaire", de Régis Roinsard (2012)
Comédia romântica sensacional, feito com extremo carinho e competência por toda a equipe técnica do filme. No ano de 1958, Rose ( Deborah), uma jovem do interior, sai de casa para tentar a sorte numa cidade maior. ela se emprega como secretaria de Louis (Roman Duris), um administrador que a contrata por ela digitar rápido. Ele a inscreve em um concurso de velocidade de datilografia, uma forma dele resolver traumas familiares. Mas ambos se apaixonam, apesar dele não admitir isso e manter sua fama de carrancudo. Há muito tempo não via um filme com tanto esmero na fotografia, direção de arte, figurino, maquiagem, roteiro, e ao mesmo tempo, me remetesse a uma época como se estivesse vendo um filme de outrora. O cuidado é extremo. Até a trilha sonora, saborosíssima, remete a isso. A caracterização dos personagens me lembrou "O pequeno Nicolau": o desenho dos tipos chega na caricatura, mas mantendo um realismo que sai do pastelão. E mais: enxerguei o tempo todo um filme com a Audrey Hepburn! Ela faria o filme como ninguém! Mas Deborah François manda super -bem em sua composição, atuando com extrema competência. Fiquei pasmo ao pesquisar no IMDB que ela é a mesma atriz dos dramáticos "A criança" e "O monge", duas atuações tensas. Roman Duris é perfeito no papel, e todo o elenco de apoio, incluindo Berenice Bejo e Miou Miou, estão ótimos. OS diálogos são primorosos: "Os Estados Unidos são para Negócios, a França é para o Amor!" é a minha frase preferida. Muitas cenas antológicas, um trabalho de câmera esplêndido. A tentação do diretor Régis Roinsard em querer fazer um filme como se tivesse sido feito na época, só é quebrado numa única cena, primorosa: a cena da noite de amor do casal. Que cena brilhante, em termos de direção e fotografia! Torci, me emocionei, até soltei uma pequena lágrima. Um filme maravihoso, que merece ser visto por todos.
Nota: 10
Coming out
"Coming out", de Heiner Carow (1989)
Mais do que um filme, "Coming out" é um importante registro histórico de uma época. Filmado em 88, foi o único filme da Alemanha Oriental ( o muro caiu em nov de 89) que falou abertamente sobre a temática do homossexualismo. Fiz umas pesquisas, pois fiquei intrigado, e vi que o homossexualismo não era proibido, apenas era ignorado na rotina do comunismo alemão. O filme é bastante ousado, por isso resolvi pesquisar, pois achei estranho que no governo comunista pudesse ter uma vida tão abertamente gay, mesmo que ainda mal-visto pela população. Grupos neo-nazistas, a própria sociedade buscando a culpa da deterioração da sociedade através da "vida mundana" dos homossexuais, por isso todos os punem, fisica e psicologicamente. Muito importante avaliar culturalmente a virada musical e de moda nessa virada dos anos 80 pros 90: a entrada da música eletrônica, o figurino e estilo de vida mais pop, saindo daquele padrão comunista de ser. O filme narra a história de Philiph, um jovem professor que mantem um relacionamento com Tanya. Um dia, ela o apresenta a seu amigo, Richard, que na verdade, foi um ex-caso de Phliph. Isso deflagra um sentimento de culpa no professor, que se pune por não assumir sua homossexualidade. Ele acaba indo para um bar gay clandestino, onde conhece Mathias, um jovem assumido. Eles mantem um caso, mas ao descobrir que Philiph é casado, Mathias tenta cometer suicídio. Por ter sido produzido ainda sobre a vigência do governo da Alemanha Oriental, o filme é quase que uma cartilha sobre a culpa de ser gay. Dramaticamente melancólico, realçado pelas cores cinzentas de uma Berlim triste, "Coming out" é , apesar de seus defeitos como filme ( atores amadores, ritmo frouxo, um roteiro frágil) uma obra importante pelos motivos que citei acima.
Nota: 7
segunda-feira, 3 de junho de 2013
Segredos de sangue
"Stoker", de Park Chan Wook (2013). 1a produçao americana do cineasta sul-coreano Park Chan Wook, mais conhecido pela trilpgia da vingança "Oldboy", "Lady Vingança" e "Senhor Vingança". O filme conta com um elenco estelar: Nicole Kidman, Mia Wasikowska, Jackie Weaver entre outros. Mia é India Stoker. Ela mora com sua mãe ( Nicole Kidman) em uma casa de campo. Seu pai foi encontrado morto em um acidente de carro. No dia do velório, ela é apresentada ao seu tio, Charles. Logo, ela estranha o fato de sua mãe estar ficando muito íntima do tio. Ele resolve morar por um tempo na casa, e a presença dele, ao memso tempo que a assusta, a fascina. Esse drama com doses de suspense remete a uma atmosfera de Hitchcock. Personagens ambíguos era o tema preferido do mestre Hicth, e aqui, Chan Wook leva até o ultimo grau a estranheza de personagens de quem não sabemos nada, e que irão se revelando ao longo da narrativa. Mathhew Goodie, no papel de Charles, interpreta o personagem de forma óbvia, cheio de afetações. Mesma coisa Nicole Kidman, que faz aqui um tipo femme fatale. Mia compõe uma jovem perturbada de forma interessante, mas o fato da trama ser óbvia em vários momentos tira a força da narrativa. Resta uma excelente fotografia, uma ótima atmosfera e fica-se a sensação que o filme não aconteceu por completo. Faltou uma trama mais diabólica e menos evidente, e mais, personagens carismáticos. A gente acaba não torcendo por ninguém, e isso é um erro fatal para qualquer filme.
Nota: 6
Os grandes mestres
"The greatmasters", de Wong Kar Wai (2013). Filme que abriu o Festival de Berlim 2013, provocou uma frieza na platéia, que esperava uma obra-prima do cineasta. O filme narra a história real de Ip Man (Tony Leung, ator fetiche do cineasta), que nos anos 30 em diante, foi o grande mestre de Kung Fu numa Academia de artes marciais do sul. Ele conhece Gong Er (Zhang Yiyi), filha temperamental do Mestre da academia de artes marciais do Norte. Ip man foi o professor de Bruce Lee, mas o que o filme quer mostrar é a história de amor impossível entre Ip Man e Gong Er. Wong Kar Wai filma uma história de amor como nenhum outro cineasta: Suas cenas, seus planos, são verdadeiras coreografias. Tudo no filme é extremamente requintado: a fotografia, a direção de arte, o figurino, as locações, a trilha sonora, com direito a faixas de Enio Morricone. As cenas de luta são fantásticas, tudo extremamente cronometado e arquitetado como um verdadeiro artesão. O filme possui várias cenas antologicas. mas o problema do filme é que Wong Kar Wai traz a sua mesma linguagem que já conhecemos dos outros filmes: a camera lenta excessiva, que ao mesmo tempo que vislumbra, traz a sensação de deja vu. O tema das artes marciais também é bastante complexa, podendo causar tédio em alguns espectadores. Melhor se ater na história de amor, que encontra na Invasão japonesa e na figura do traidor chinês Ma San ( excelente perfomance de Jin Zhang) dois sub-plots interessantes que dão ao filme um caráter épico.
Nota: 8
Jack o caçador de gigantes
"Jack, the giant slayer", de Brian Synger (2012) . Baseado no conto "João e o pé de feijão", o flme conta a história de Jack, um garoto pobre que resolve vender seu cavalo e em troca, recebe uns grãos de feijão. Seu tio fica irritado com ele, mas um grão escapa e vai brotar na terra, dando inicio a um pé gigante que une a terra o o reino dos gigantes, que descem e resolver dizimar a populaçao. Jack se une à princesa e a Elmont (Ewan Macgregor), um leal guarda do Rei. Jack é interpretado por Nicholas Hault, atual draling de Hollywood, que além de "X-men", fez o ótimo "Meu namorado é um zumbi". O problema desse filme é que ele nao agrada nem adultos nem crianças, quer fazer humor quase pastelão e pior, os efeitos especiais são péssimos. Admira o diretor ser Brian Synger, que fez o primeiro "X-men" , mas que aqui, infelizmente erra na mão. É um filme longo, chato, sem graça e que talvez agrade quem esteja a fim de uma sessào da tarde inofensiva.
Nota: 5
Die hard- Um bom dia para morrer
"Good day to die hard", de John Moore (2012). Continuação da franquia do detetive John Maclane (Willis), que dessa vez, segue até a Russia em busca para livrrar o seu filho com quem ele não tem contato a anos. Ele descobre que o filho está envolvido com um poderoso grupo que quer dominar a Russia e o mundo ( de novo??). O personagem de Maclane todos nós já conhecemos: sempre se envolve por um acaso com perigosos terroristas, se fode, se quebra, mas no final sempre vence a galera. E claro, sempre faz sucesso de bilheteria e já está com um próximo d afranquia previsto pra 2015. O diferencial daqui é que, para angariar novos fãs da franquia, inventaram um filho jovem e no mesmo perfil arrazador de Willis. Pau pra toda obra, o filme tem como tema a paternidade: tanto dos mocinhos quanto dos vilões. Pancadaria, barulho ensurdecedor, aquele video-game de sempre. Pra quem quer bagunça, prato cheio. A russia mais uma vez tem sido o local preferido de Hollywood pra ser destruído ( vide o recente "A hora da escuridão")
Nota: 5
domingo, 2 de junho de 2013
Clapham Junction
"Clapham Junction", de Adrian Shergold (2007)
Bom drama ambientado na região de Clapham Junction, em Londres. O filme segue a rotina de uns 10 personagens, durante o período de 36 horas. A maioria dos personagens são gays, alguns assumidos e outros ainda escondidos dentro do armário. Através de uma exposição nua e crua da realidade dos homossexuais o filme expõe a solidão, a carência afetiva e a busca desenfreada por sexo fácil. Todos os personagens se entrecruzam, em uma narrativa no estulo de Robert Altman. O elenco está ótimo, com a curiosidade de juntar na mesma história os atores Rupert Graves e James Wilby, que protagonizaram o filme "Maurice"em 1986. Com cenas de sexo expositivo e uma bela trilha sonora, com faixa dos Pet Shop Boys, o filme tem uma direção correta, pecando apenas no uso excessivo da lente grande angular, que não combina com a linha dramática do filme. O exagero na quantidade de personagens atrapalha a trama, que dá destaque para alguns tipos e outros simplesmente desaparecem.
Nota: 7
sábado, 1 de junho de 2013
Insensiveis
"Insensibles", de Juan Carlos Medina (2012).
Belo drama de suspense, com uma ótima atmosfera e reviravolta no desfecho, típico dos recentes filmes espanhóis. O filme narra a história de David, um neuro-cirurgião de renome, que sofre um acidente de carro. Por conta dos exames, ele descobre que precisa fazer um transplante de medula óssea urgente, e para isso, precisa que seus pais o ajudem. No entanto, ele descobre que eles não são os pais biológicos, e buscando o passado deles, fica aterrorizado com a descoberta: nos anos 30 a 60 , durante o governo franquista, um grupo de crianças que nasceram com um dom são usados em experimentos científicos pelos alemães. Elas não sentem dor e isso pode prejudicar os amigos e familiares. Ótima fotografia, elenco convincente e maquiagem se destacam nessa produção que tem em seu roteiro seu maior ponto positivo: sempre surpreendendo, segura a atenção do espectador diante as reviravoltas da trama. Talvez não abusasse tanto da violência seria mais interessante, pois tem horas que temos a impressão que o diretor quer apenas chocar, quando poderia ter sido mais sutil. Afinal, tudo se resume em uma bela história de amor.
Nota: 7
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